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RESUMO

Quando discutimos o tema Reciclagem na Escola, automaticamente estamos


trabalhando com as questões ambientais. As questões ambientais são temas
muito importantes que devem estar em discussão por todos e quaisquer
segmentos da sociedade. Também não é novo o fato de que o acúmulo de lixo
nas cidades é um dos maiores problemas ambientais  atuais, por isso, nossa
preocupação em fazer da escola um ambiente de “formadores de opiniões”,
discutindo o problema do lixo por meio do desenvolvimento de atividades, e dessa
forma buscando uma reflexão, uma maior participação seguidas de ações
transformadoras. Mais do que colocarmos em pauta o assunto “lixo”, queremos
formar dentro da escola cidadãos conscientes, que valorizem e respeitem a
natureza e o meio ambiente. A aprendizagem relacionada a esse trabalho é a
aprendizagem de valores, muitas vezes esquecidos e ignorados nos trabalhos
pedagógicos. Claro que esse é um grande desafio para as escolas, e que os
problemas ambientais não se resumem apenas no problema do lixo, mas é
preciso ter um ponto de partida, e por meio de oficinas, projetos escolares e
atividades diversificadas, pretendemos tornar o ato de reciclar um ato comum e
cotidiano na vida das pessoas, que na maioria das vezes ainda não perceberam
tamanha riqueza cultural, artesanal e financeira, que vão embora todos os dias
junto com o nosso lixo.

Palavras-chave: educação ambiental – reciclagem - escolas


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INTRODUÇÃO

Um dos maiores problemas sociais no mundo atual, especificamente no Brasil


é a questão do lixo. Com o advento da Revolução Industrial no final do século XVIII,
as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala e a introduzir
novas embalagens no mercado, aumentando consideravelmente o volume e a
diversidade de resíduos gerados nas áreas urbanas.
A produção de lixo por habitante no Brasil é imensa, e a maneira como esse
lixo é descartado, na maioria das vezes não são as mais adequadas, o que ocasiona
um enorme prejuízo ao meio ambiente. Além disso, o dano que esse fato causa na
saúde da população também estampa a seriedade desse assunto.
Percebemos esse descaso com o lixo desde as crianças pequenas nas
escolas até adultos transitando pelas ruas.
Nas escolas é comum vermos o uso cada vez maior de embalagens
descartáveis; o pateo sempre com acumulo de lixo no chão; a grande quantidade de
lixo retirado das escolas por caminhões de coletas, etc. esses fatos observados
nada mais são que o reflexo do descaso dos alunos com a limpeza da escola, o que
nos leva a indagar: se na escola agem dessa maneira, como não o fazem no bairro
em que moram, nas ruas por onde passam e na própria casa em que residem?
É preciso transformar o aluno dentro da escola para que ele possa levar suas
ações conscientes para os demais setores da sociedade. É aqui que se encaixa a
importância de ensinar a reciclar.
Quando falamos em reciclar não estamos falando apenas de construir
bichinhos com garrafa plástica, ou ainda artesanais com papelão. Esses são
exemplos de construções com recicláveis. Reciclar de fato é levar o aluno a
compreender a importância desse ato, quais seus benefícios e a maneira correta de
fazê-lo. Levá-lo a compreender que reciclar é na verdade transformar objetos e
materiais usados em novos produtos prontos para o consumo.
No processo de reciclagem, além de preservar o meio ambiente, giramos a
economia do país, pois materiais de alto custo passam a ser reutilizados, como o
vidro, o alumínio e até mesmo o papel. Esta reciclagem contribui para a diminuição
significativa da poluição do solo, da água e do ar. Muitas indústrias estão reciclando
materiais como forma de reduzir os custos de produção. Outro benefício gerado pela
reciclagem é a quantidade de empregos que tem gerado.
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Desse modo, o presente trabalho visa promover o conhecimento e a


conscientização sobre a questão da produção de lixo, bem como o seu
armazenamento e a sua reciclagem, abordando as questões sociais, ambientais,
políticas e econômicas, bem como despertar nos alunos e na comunidade escolar o
interesse pelas questões ambientais, com ênfase na questão do lixo, educando-os
para a prática do reaproveitamento, tornando-os assim, agentes ativos e
transformadores na própria comunidade.
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1. O QUE É RECICLAR E QUAL A SUA IMPORTÂNCIA

Quando falamos em reciclagem, muitas são definições que podemos


encontrar, como por exemplo:
 A reciclagem é o termo geralmente utilizado para designar o reaproveitamento de
materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto. Muitos materiais
podem ser reciclados e os exemplos mais comuns são o papel, o vidro, o metal e o
plástico.
 A reciclagem pode ser compreendida como a ação de recuperar a parte útil dos
lixos e detritos reintroduzindo-os no circuito de produção. Significa tratar de resíduos
ou materiais usados para os reaproveitar.reciclagem.
 A palavra reciclar significa = Re (repetir) + Cycle (ciclo). A reciclagem é um
processo que converte o lixo descartado em produto semelhante ao inicial.
Enfim, todas as definições que podemos encontrar para o ato de reciclar, nos
remete a um ciclo de reaproveitamento de produtos e matérias, o que proporciona a
diminuição no índice de desperdício e poluição do ambiente. Sem discutir ainda que,
reciclar economiza energia, e poupa recursos naturais.
Porém, estamos falando em atos, em fazeres, e não apenas em definições
que se limitam a livros e folhetos.
A reciclagem é uma ação transformadora da sociedade, que conscientiza e se
torna uma prática. É comum encontrarmos, principalmente nas escolas, o assunto
sendo debatido, pesquisado, mas nunca colocado em prática. Nasce e morre nas
páginas de um livro ou de uma pesquisa, e nunca tem um significado coerente para
os alunos. Educar para o ambiente requer de nós professores, formar crianças,
jovens e adultos de fato preocupados com o ambiente em que vivem e dispostos a
transformar a realidade de sua comunidade. É preciso despertar para o trabalho
coletivo, para a prática das teorias tão discutidas nas escolas. Não podemos ter o
meio ambiente no currículo escolar, apenas como desencargo de consciência.
Precisamos fazer a educação ambiental de fato acontecer.
O que vemos com freqüência é que mesmo com o empenho e a boa vontade
de muitos professores, as propostas de Educação Ambiental quase sempre se
mostram pobres. Isso de da pela falta de preparo, de metas e objetivos bem
definidos para os próprios professores, bem como também à desarticulação com a
realidade (já citado acima).
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Ao que se refere da importância de reciclar, precisamos manter viva dentro de


nós e de nossos alunos a pergunta: “O que fazer com tanto lixo produzido?”. É
dessa indagação que surgem as ações transformadoras.
E essas são ações de extrema urgência no mundo de hoje, numa sociedade
considerada consumista: “sociedade de consumo”.
Dessa forma poderíamos dizer que a reciclagem se concretiza sempre que se
encontra um novo uso para alguma coisa que, até então, já não teria nenhuma
utilidade.
Hoje, podemos ainda compreender a reciclagem como a forma mais racional
de eliminarmos os resíduos produzidos pela atividade humana, pois como se trata
de um ciclo de reutilização, todo o material usado retorna para a produção de novos
materiais. Apenas a prática efetiva da reciclagem ajudaria a solucionar o problema
do excesso de lixo. Conscientizar sobre reciclagem tem se tornado uma missão, e
não apenas de professores e órgãos educacionais, mas sim de todos, afinal, todos
sem nenhuma exceção, somos produtores de lixo.
Com o ato de reciclar e reaproveitar os resíduos, além de reduzir a
quantidade de lixo, também recupera os produtos já fabricados, economiza matéria-
prima e energia, e cria nas pessoas a chamada “cultura conservacionista”.
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2. COMO INTRODUZIR A RECICLAGEM NAS ESCOLAS

Diante da realidade desastrosa do meio ambiente na atualidade, fala-se em


qualidade de vida, no sentido de transformar o mundo em que vivemos. Precisamos
com urgência criar uma solução para modificarmos as imperfeições que nós
mesmos criamos.
O primeiro passo para essa difícil missão está no conhecimento: proporcionar
a todos, sem distinção, o direito de aprender maneiras de fazê-lo, universalizando o
conhecimento. Por isso, a prática da educação ambiental principalmente nas
escolas, tem se mostrado uma necessidade há muito tempo. Ao que se refere no
currículo escolar, a Educação Ambiental mostra-se como uma agradável e
indispensável matéria interdisciplinar. Já na prática de suas teorias, é tratada de
uma forma totalmente banal e grotesca, estando ali apenas para estar correto ao
planejamento.
Contradizendo essa realidade, REIGOTA (1994, pag. 32) vem nos dizer a
respeito da Educação Ambiental que “as escolas devem funcionar como pólos
irradiadores da consciência ecológica, envolvendo as famílias e a comunidade”.
Dessa forma, entendemos que a educação ambiental deve ter um enfoque
global e integrado, não podendo se resumir a uma disciplina escolar. É dever e
responsabilidade de toda a escola, que alunos e comunidade se estruturem e se
organizem para o desenvolvimento ações transformadoras que venham a atender os
problemas prioritários daquela realidade (ao que se refere do meio ambiente,
principalmente produção e reutilização do lixo).
Para que ocorra um trabalho realmente eficaz por parte da escola, é
necessária toda uma estrutura, com metas e metodologias coerentes. Os principais
objetivos para o desenvolvimento desses trabalhos nas escolas devem ser:
 O compartilhamento de conhecimentos com toda a comunidade escolar;
 A viabilização da reciclagem na escola, utilizando-se de técnicas diversas de
reaproveitamento do lixo;
 A integração da comunidade nos arredores da escola, com o projeto
desenvolvido;
 A sensibilização da comunidade escolar com relação a valores éticos, atitudes e
comportamentos ecologicamente corretos.
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Também devemos estar cientes de que, para a eficácia de um projeto


ambiental dentro da escola, não podemos contar com um ou uma parte da escola,
mas todos os que dela fazem parte devem estar envolvidos e com um mesmo
objetivo.
Por fim, o que se espera ao introduzir a educação ambiental nas escolas é
formar pessoas com hábitos e comportamentos que venham a impedir a degradação
do meio ambiente pela ação do próprio homem, e fazendo com que o mundo que
habitamos torne-se adequado para a vida saudável que se pretende deixar como
herança às futuras gerações.
Também precisamos estar conscientes que, essas mudanças de hábitos e
essas ações transformadoras aconteceram com o tempo. Não é possível, do dia
para a noite, mudar a maneira de viver a agir de toda uma comunidade. Será no dia
a dia, uma luta de cada vez. Será a soma do comprometimento entre, professores,
alunos e comunidade. Seria até correto dizer que o maior comprometimento deve vir
por parte dos professores, pois são eles a peça fundamental nesse processo de
conscientização da sociedade, afinal, é por intermédio dos professores que
ocorrerão todas as mobilizações. Mas para serem esses mediadores do
conhecimento, também eles precisam estar formados nesse aspecto. Assim, a
formação dos professores, no que se refere à Educação Ambiental, é fundamental e
urgente. Estamos falando de capacitação e treinamento dos professores, já que
deverá estar preparado para trabalhar com várias áreas do conhecimento ao mesmo
tempo. Esse é um dos possíveis caminhos para alcançarmos total mudança dos
valores culturais negativos que se estabeleceram desde longa data.
REIGOTA (1994:40) vai além das expectativas colocadas acima, e destaca de
modo diferente e ainda mais positivo a educação ambiental nas escolas quando diz
que: “além de uma compreensão mais global sobre o tema, esse método pode
proporcionar o intercâmbio de experiências entre professores e alunos e envolver
toda a comunidade escolar e extra-escolar”.
Entendemos dessa forma que, segundo o autor, por intermédio de uma
abordagem sistemática e transversal, que deve estar presente em todos os níveis de
ensino, a questão ambiental, com ênfase no gerenciamento correto do lixo produzido
pela população, poderá oferecer ao aluno a conscientização da relação entre suas
atitudes e as conseqüências destas, o que o levaria a ter uma visão total do mundo
em que vive.
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Nesse contexto, a educação ambiental não deve estar focada apenas em


como reciclar, mas sim, como prevenir. Trata-se de uma educação preventiva por
meio da mudança de valores.
Em 1977, a UNESCO organizou a Conferência Intergovernamental de
Educação Ambiental, onde definiu alguns critérios para a Educação Ambiental a ser
desenvolvida nas escolas, o que podemos ter como um norte ao iniciarmos esse tipo
de trabalho. Tais critérios se resumem em:
 considerar o meio ambiente em sua totalidade: em seus aspectos naturais e
construídos, tecnológicos e sociais;
 constituir um processo permanente e contínuo durante as fases do ensino formal,
no qual os indivíduos e a comunidade formam consciência do seu meio e adquirem
o conhecimento, os valores, as habilidades, as experiências e a determinação que
os torna aptos a agir;
 aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada
área, de modo que se consiga uma perspectiva global da questão ambiental;
examinar as principais questões ambientais do ponto de vista local, regional,
nacional e internacional;
 concentrar-se nas questões ambientais atuais e naquelas que podem surgir,
levando em conta uma perspectiva histórica;
 insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional
para prevenir os problemas ambientais;
 promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de
aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar suas
conseqüências;
 estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a
sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para
resolver os problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente,
sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria
comunidade;
 ajudar os alunos a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas
ambientais;
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 ressaltar a complexidade dos problemas ambientais e, em conseqüência, a


necessidade de desenvolver o senso crítico e as atitudes necessárias para resolvê-
los;
 utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e uma ampla gama de
métodos para transmitir e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente, ressaltando
principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais.
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3. ESCOLAS EM AÇÃO: RECICLAR É VIDA

Como educadores bem sabemos do poder e responsabilidade da educação


na vida dos nossos alunos.
Como anteriormente comentado, é na escola que a criança inicia a dura tarefa
de construir sua autonomia, decidir caminhos e definir aos poucos sua
personalidade, logo, seria correto então afirmar que, diretamente, nós educadores
exercemos grande influência na formação de cada cidadão.
Deixamos de ser simplesmente os professores de matemática, história ou
geografia, para sermos educadores no sentido mais amplo que esta palavra possa
representar.
Como um dos objetivos propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais,
temos o de formar pessoas críticas, preparadas para viver uma cidadania.
Ora, que seria então cidadania, senão colocar nossos alunos em pleno gozo
de seus direitos e levá-los a viver como cidadãos. E aqui, especificamente,
colocamos a questão em defesa ao direito de todo cidadão: o de gozar de uma vida
saudável, num contato direto com um ambiente puro e prazeroso.
Porém, já reconhecemos anteriormente que, para gozar desses direitos,
temos primeiramente de levarmos nossos alunos ao caminho e seus ‘deveres’, sem
fazer desses deveres momentos monótonos, mas sim, significativos.
Acreditamos na Educação Ambiental como “arma” poderosa para
combatermos o extermínio do planeta Terra, e vivemos na busca por metodologias
que façam dessa luta, uma luta significativa e de bons resultados. Pudemos
encontrar ao nosso redor, pequenos projetos, que alcançaram grandes resultados,
provando que mais vale a persuasão que a força.

3.1 PESQUISA DE CAMPO

Muito foi discutido sobre educação ambiental, em como transformá-la num


meio de aprendizagem e na formação da cidadania.
Porém, uma reflexão se faz necessária: até que ponto o corpo docente que
compõe a rede educacional de um município está preparado e capacitado para tratar
de um assunto tão sério e importante.
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Com a finalidade de debatermos essa questão da “formação e capacitação


dos professores para a educação ambiental”, realizamos uma pesquisa de campo no
município de Ibiúna.
A pesquisa tem também por finalidade verificar a visão dos educadores com
relação às questões ambientais, envolvendo as problemáticas locais, possíveis
soluções para os problemas em questões.
Partindo da elaboração de um questionário informativo, escolhemos
aleatoriamente um espaço amostral de 70 professores, dos aproximadamente 450
que compõe a rede educacional do município.
O questionário veio formado por seis questões, das quais analisaremos
quatro (de múltipla escolha), o que se trata de um procedimento necessário para
analisarmos a situação do profissional frente a educação ambiental e com o objetivo
de refletir que, muitas vezes, o fracasso da educação ambiental se dá pela falta de
capacitação do profissional que deve transmitir o assunto.
A análise das respostas dadas pelos professores ao questionário aplicado nos
levam a concluir que apenas a formação inicial e continuada ainda não privilegia os
conhecimentos da área ambiental.
Os professores encontram-se sempre mais preocupados em seguir
rigorosamente o planejamento curricular da disciplina que lecionam, que acabam por
não criar espaços para a discussão ambiental. Talvez o incômodo apareça pelo fato
de que quando momentos de discussão a orientações ambientais são organizados
nas escolas, é necessário que se modifique a organização habitual da sala de aula,
bem como da rotina dos professores.
Percebemos desse modo que, atividades extracurriculares ou que fogem do
conteúdo tradicional são entendias como bagunça, indisciplina, quando não, fala-se
em perda de tempo. O próprio desconhecimento dos professores acerca do tema
Meio Ambiente e Educação Ambiental contribuem para as expectativas muitas vezes
distorcidas pelos alunos. A idéia de que trabalhar a Educação Ambiental é perda de
tempo e que atrapalha o desenvolvimento dos conteúdos nas disciplinas é
freqüente. É como se os professores estivessem mecanizados em suas disciplinas e
ali já não há mais espaço para novas oportunidades de aprendizagens. Também, a
falta de criatividade para unir suas próprias disciplinas aos temas da Educação
Ambiental são grandes contribuintes para o fracasso desta nas escolas.
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Assim, numa realidade pedagógica triste e limitada, o que pudemos encontrar


nos professores por meio dessa pesquisa, foi um grande “descomprometimento”, de
todas as partes: dos professores que não querem se envolver, e do governo que não
quer investir nos professores interessados pela causa.
Embora a formação continuada não seja a única necessidade para que a
Educação Ambiental aconteça, ela tem sua parcela de responsabilidade (positiva ou
negativa). Tratamos essa falta de formação continuada que se faz tão necessária
nos dias atuais para o sucesso da educação, uma vez que como antes citado, a
escola representou e representa ainda hoje a maior força transformadora da
sociedade.
As respostas das questões 5 e 6 foram as mais variadas, porém nos levou a
refletir que, pela falta de formação, muitos professores são induzidos a definir meio
ambiente simplesmente como “natureza”, sem perceber que tudo e todos formamos
o meio, e que dessa forma depende unicamente de nós. Não encontramos muita
profundidade nas respostas, principalmente quando tratamos da questão 6, onde
percebemos a visão limitada dos educadores quanto a educação ambiental. “Projeto
interdisciplinar”, duas palavras que estão longe de representar, de fato o significado
e importância da educação ambiental foram respostas constantes.
Nos colocamos aqui no direito de concluir que estamos tratando de uma
educação carente de conhecimentos referentes à educação ambiental, e que
portanto, antes de levarmos o assunto para dentro das salas de aula, precisamos
amparar os educadores para que estejam seguros e direcionados para melhor
desenvolverem seus trabalhos.
A educação ser educada para a sociedade ambiental. Para informar, é
preciso antes estar informado.
“ Não se fala do cheiro da flor que nunca se sentiu.
Não se sente saudades, das águas correntes que jamais passaram por entre
os dedos.
Não se trata com amor e dedicação aquilo que não se faz valor...”

3.2 EXPERIÊNCIAS POSITIVAS


Vimos aqui a necessidade de apresentarmos não mais as teorias ligadas à
Educação Ambiental ,mas sim a prática vivida por muitas instituições, práticas que
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resultaram num forma de incentivo, para serem reproduzidas, ampliadas e assim,


resultar na conscientização até da humanidade.

3.2.1 PROJETO: RECICLAR É VIDA

Uma vez que apresentamos muitos problemas e sujerimos meios para


solucioná-los, vale apresentar também as partes da sociedade, vivas e atuantes. Se
por um lado são muitas as barreiras a enfrentarmos, por outro lado sempre
encontramos cidadãos conscientes e compromissados com o planeta, com a
sociedade ambiental.
Como exemplo dessa sociedade compromissada, faremos uso do Projeto
Interdisciplinar da EE Lino Vieira Ruivo intitulado “RECICLAR É VIDA”.
A escola estadual que se localiza no interior de São Paulo, distando 70 km da
capital paulista está localizada na zona rural da cidade de Ibiúna e é freqüentada em
média por 620 alunos. Inserida numa comunidade simples da zona rural à 18km do
centro da cidade, sensibilizaram-se com a questão do “lixo” não reciclado, que de
acordo com a justificativa do projeto representa um dos maiores problemas sociais
no mundo atual, e com grande impacto, no Brasil.
Com objetivos voltados a atingir a própria comunidade por meio dos alunos, o
projeto se desenvolveu pela primeira vez no ano de 2006, por meio de aulas
expositivas, palestras de profissionais envolvidos com as questões ambientais que
deram abertura e estímulo para desenvolver um estudo da questão nomeio em que
os alunos estavam inseridos, o que resultou em campanhas e muitas atividades
desenvolvidas no bairro. O movimento dos alunos no bairro ficou conhecido como
Catação. Tamanho foi o estímulo dos alunos que, a ação se espalhou em demais
bairros vizinhos, e a partir daí puderam então contar com parcerias de empresas e
organizações do município.
Os resultados foram agradáveis: nove toneladas de materiais recicláveis
foram resgatados pelos alunos.
Devido a forte influencia do projeto na comunidade, este passou a fazer parte
do Projeto Político Pedagógico da escola, atualmente dirigida e representada pela
diretora Pra. Irene A. Elias Botti, que recebe também o apoio do corpo docente.
No ano de 2007 os resultados do projeto continuaram em alta: quatro
toneladas de materiais recicláveis.
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Todo material arrecadado pelos alunos foi doado à COOPERUNI


(Cooperativa União Ibiunense), uma cooperativa de catadores do município, que
também fica responsável pela coleta seletiva de materiais recicláveis no mesmo.
Hoje, o projeto conta com a parceria da Secretária do Meio Ambiente da
Estância Turística de Ibiúna, a Pra.Maria Aparecida Toloza Ribas, que antes
acompanhou o desenvolvimento do projeto. Além dos alunos, o bairro agora conta
com os serviços de duas “catadoras” da cooperativa, moradoras do próprio bairro,
que realizam o trabalho de porta em porta três vezes por semana.
A COOPERUNI, que também representa a ação de uma sociedade
consciente, conta com os serviços de catorze ex-catadores que sobreviviam
anteriormente a esse trabalho, do “lixão” ainda existente no município.
O que deixamos aqui não são registros de pessoas que desejam
reconhecimento, mas sim, registros de seres humanos que lutam por um mundo
melhor. Destacando assim as palavras da gestora Pra. Irene Amaral Elias Botti, que
afirma com muito entusiasmo que:
“O trabalho não tem nem terá fim, assim como a luta pela melhoria do nosso
planeta. Sendo assim, podemos declarar que estamos fazendo a nossa parte.
Convidamos você também, professor, gestor ou futuro educador, faça a sua parte na
educação dos novos cidadãos, conscientizando-os que nosso planeta precisa de
ajuda”, Ibiúna, 2010.

3.2.2 SOS ITUPARARANGA

A SOS ITUPARARANGA é uma entidade sem fins lucrativos, sediada na


Estância Turística de Ibiúna, e que tem por objetivos promover a preservação das
águas da represa e auxiliar no processo de desenvolvimento sustentável da região
por ela coberta.
Em seu plano prioriza ações de luta, como estar junto dos órgãos
responsáveis pela fiscalização da área, acompanhar a regulamentação da área de
proteção destinada a Itupararanga, denunciar e exterminar a pesca predatória na
represa, bem como desenvolver projetos escolares promovendo a maior
participação possível da sociedade.
Tem por parceria a Casa da Agricultura de Ibiúna.
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Dentre muitos projetos desenvolvidos, em 2004 atendeu a 150 alunos da rede


municipal de ensino com o projeto “Aprendendo com a Natureza”. Neste ano de
2007. o total de alunos já atingiu a marca de 240.
Atende desenvolvendo atividades também nas cinco escolas cadastradas a
ela, no município.
Não só aos alunos, o programa atende também promovendo treinamentos
permanentes aos professores e coordenadores locais.
A entidade já teve oportunidade de promover seu trabalho em diversas
situações e lugares, alçando em 2003 a qualificação de seu trabalho entre os vinte
melhores do Estado de São Paulo.

3.2.3 DA SEMENTE À ARVORE

Trata-se de um projeto teórico prático de Educação Ambiental que por um


processo dinâmico e interativo permite o reconhecimento da semente como
indivíduo, auxiliando na sua germinação podendo colaborar na produção de mudas
para o viveiro das plantas, além de interagir com o PROJETO SYNERGIA –
Ambiente, Educação e Saúde, desenvolvido pela Ação da Cidadania - Comitê Ibiúna
que visa a criação de oficinas pré profissionalizantes às Pessoas portadoras de
Necessidades Especiais.
Trabalha com os temas centrais:semente – árvore – reciclagem de papel
artesanal.
Utiliza como materiais de apoio textos, exercícios, pesquisas e experiências.
Tem por objetivo levar a inclusão da sociedade como um todo, sem se
prender aos limites da raça, origem ou condição física, bem como promover a
interação homem e meio ambiente, reconhecendo as principais necessidades de
nosso planeta e refletindo sobre as próprias ações.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tratar da reciclagem do lixo, no contexto escolar, irá requerer o


comprometimento e a fidelidade de toda a sociedade.
Reciclar não se trata de um assunto único e isolado, mas que faz parte de
todo o modo de vida de uma população, já que os problemas ambientais preocupam
e atingem a todos, sem distinção.
Por meio desse trabalho, concluímos dentro das escolas, a maior parte dos
professores e demais profissionais da educação ainda estão muito distantes da
realidade que exige cada vez mais agentes transformadores do ambiente.
Infelizmente, na nossa realidade educacional, ainda não perceberam que a
Educação Ambiental, como perspectiva, pode estar presente em todas as
disciplinas. Sem impor limites para seus estudantes, tem caráter de educação
permanente.
Ao nos depararmos então com um quadro um tanto pessimista, ao que se
refere educação ambiental em todos os seus aspectos, precisamos nos apegar aos
fatos positivos e as experiências que trouxeram resultados orgulhosos. Talvez isso
se dê pelo fato de que a educação ambiental, mesmo tendo sido criada como um
parâmetro em 1977, ainda se encontra na fase inicial dos seus objetivos, onde se
busca a construção de uma sociedade sustentável. Aos que acreditam numa
sociedade nova, capaz de estar reeducada na aprendizagem ambiental, resta
entendê-la como uma educação política.
Que os avanços significativos (ainda que pequenos) que já ocorreram a favor
do movimento da educação ambiental sejam a força a nos impulsionar para novas
conquistas.
Já é tempo de que todos nós estejamos envolvidos com a educação
ambiental, não importa onde estivermos. Sejamos professores para a vida.
É dever de todos nós, cidadãos conscientes, pesquisar, estudar, dialogar,
ampliar os nossos argumentos. É necessário sermos produtores de aprendizagens,
conhecimentos e intervenções pedagógicas atinjam de fato a sociedade na qual
lecionamos.
Por fim, entendemos que a escola se apresenta como o melhor ambiente para
implementar a consciência de preservação do meio.
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De acordo com Marcos Reigota (1994, p. 24), de fato a escola está ocupando
um lugar privilegiado para a realização da Educação Ambiental, desde que não a
jogue ao acaso das teorias e sim, que se desenvolva criando oportunidades a
criatividade.
Educação ambiental significa, de certa forma, educar o indivíduo à
convivência com seu próprio ambiente natural.
A aprendizagem dos saberes leva ao desenvolvimento individual,
amadurecimento de atos e reflexões, o que favorece na construção de uma
identidade socializada e comprometida com o grupo no qual está inserida.
Quando se afirma que a escola torna-se um lugar privilegiado para abordar a
“educação do ser que vive em sociedade interagindo com um ambiente”,
entendemos que, ela se torna um meio propício devido a intimidade e influência que
exerce na formação da personalidade de cada “indivíduo”.
Nesse caso, seria correto afirmar que, o papel da escola é de facilitar a
compreensão do aluno colocado como agente transformador da sociedade;
acompanhar o processo de metamorfose das idéias, amparando-as e direcionando-
as, possibilitar uma interação concreta de todo o tema abordado; relacionar a vida
simples e individual a vida do universo como um todo; comprometer cada cidadão
aos seus atos e conseqüências; entusiasmar na luta por um futuro melhor;
problematizar de fato todo o drama vivido elo planeta, e acima de tudo amar. Não
existe ato concreto onde não existe o amor.
A Educação Ambiental deve ser percebida como parte de uma parceria entre
educadores e todos aqueles que lutam pela preservação do nosso planeta. Dessa
forma, é bem mais que um roteiro interdisciplinar registrado no Projeto Político
Pedagógico. “registrar é fazer história” , não planejar, é preciso tomar posse de toda
autoridade que pode estar desempenhada em atos significativos de dignidade,
cooperação e educação.
Trata-se de desenvolver um trabalho “permanente” com práticas duradouras,
que deve contar com o desenvolvimento de diferentes tipos de atividades, que
proporcionarão consciência coletiva.
Nesse sentido, a educação escolar é um dos instrumentos fundamentais para
o crescimento do indivíduo que encontra-se em processo de ensino aprendizagem e
para que a conscientização frente a diversidade de problemas, inclusive os
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problemas ambientais, e que dessa conscientização “nasçam” soluções, e assim, a


educação ambiental de fato aconteça.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REIGOTA, Marcos. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1994.

WWW.rbep.inep.gov.br

WWW.unesco.org.br
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ANEXOS

QUESTIONÁRIO DO EDUCADOR

NOME (opcional)______________________________________________

1) Você recebeu ou recebe cursos de capacitação para desenvolver um


trabalho de educação ambiental na escola em que leciona?
( ) SIM
( ) NÃO

2) Com que freqüência você trabalha com seus alunos temas envolvidos
diretamente com a educação ambiental?
( ) DIARIAMENTE
( ) SEMANALMENTE
( ) MENSALEMNTE
( )NÃO TRABALHO EDUCAÇÃO AMBIENTAL

3) Você se sente apto para trabalhar “educação ambiental” sem receber


qualquer curso de capacitação?
( ) SIM
( ) NÃO

4) Acredita que haja necessidade de cursos de capacitação de educação


ambiental para os professores?
( ) SIM
( ) NÃO

5) Dentro dos seus conhecimentos, o que é Meio Ambiente?

6) O que você entende por educação ambiental?