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John Maynard Keynes e a macroeconomia

No ano em que Marx falece(1883), nascem dois dos maiores autores pensamento
econômico heterodoxo, na Inglaterra, John Maynard Keynes, na Austria, Joseph Alois
Shumpeter.
Na decada de 1870, a partir do trabalho independentes, o inglês Jevon, o francês Walras
e o austríaco publicam livros onde a economia como ciência ganha uma nova definição: ä
ciência do calculo do prazer e da dor do agente econômico individual e racional”. Em 1970
o também inglês Alfred Marshall publica o livro “princípios de economia”, a partir do qual o
termo economia política ”praticamente desaparece do debate entre autores
conservadores. Na década de 1930, um contemporâneo de Keynes, Lionel Robbins
formula a definição da economia pura presente em todos os manuais conservadores de
introdução à ciência que estuda a alocação racional de recursos escassos entre fins
alternativos”.
Estas vistes utilitaristas e racionalista inauguram uma nova escola “neoclássica"onde as
pesquisas históricas sobre processos coletivos são substituídas por uma radicalização do
individualismo metodológico que já se encontrava presente na economia política
clássica(contudo, nem Smith, nem Ricardo deixavam de analisar a interação do indivíduo
com classe social ao qual pertencia e com o Estado Nacional). O ser humano para a
escola neoclássica pode ser representado por uma curva de indiferença (ou de utilidade)
onde a sua racionalidade instrumental se manifesta. De acordo com um neoclássico
contemporâneo Gregory Mankiw. “o indivíduo racional raciocina na margem”, ou seja,
pequenas variações em uma variável independente (variações na margem) geram
variações na variável dependente. Daí, o surgimento de conceitos como Receita Marginal
[a variação que ocorre na receita total de uma firma (a receita é a variável dependente)
causada por uma variação na margem da quantidade produzida/vendida (a quantidade é
a variável independente), ou seja Rmg=delta RT/deltaQ: custo marginal; taxa marginal de
substituição técnica, etc.
Os neoclássicos também denominados marginalistas substituem as analises históricas
por analises de cunho matemático e estatístico tentando aproximar uma ciência social das
ciências naturais(sobretudo da física) obtendo com isto um escopo analítico que defende
os capitalismo como modo de produção dominante, mas eliminando das suas obras o
termo capitalismo, pelo eufemismo de economia de mercado”.
2.2. Uma analise comparativa entre os modelos macroeconômicos(neo)clássico e
Keynesiano

Keynes (1936, Teoria geral do juro e da moeda”) rompe com a maior parte da construção
teórica elaborada pelo sistema analítico neoclássico. Que o mesmo vai na teoria geral de
“sistema clássico”. Que o mesmo vai denominar na “teoria geral”de sistema clássico. Há
uma controvérsia entre os melhores interpretes de Keynes a respeito da escolha do termo
“clássico” ao invés de “neoclássico" , para retratar a abordagem macroeconômica
existente antes dele, uma de suas melhores alunas, Joan Robinson resolve ao apontar
que a abordagem da economia política clássica envolvia tanto aspectos microeconômicos
quanto macroeconômicos (uma caracteriza também presente no pensamento de Marx)
enquanto a elaboração teórica neoclássica focava apenas aspectos microeconômicos que
eram agregados sem mediação , por determinados autores como o sueco Bertil Ohlin e o
inglês Pigou, que chegavam a conclusão que o comportamento microeconômico se
repetia na esfera macroeconômica. O rompimento com o pensamento neoclássico
envolve uma serie de aspectos apontados a seguir onde cada um deles é analisado a
partir da posição (neo)clássica (ortodoxa) e o contraponto colocado por Keynes a partir da
heterodoxia.
Cabe apontar que o pensamento heterodoxo que é crítico em relação ao capitalismo
subdivide-se em duas vertentes: a revolucionaria cuja matriz teórica encontra-se em Marx
é inviável a longo prazo e por isso será substituído por um novo modo de produção(o
socialismo) que depois de séculos de duração daria lugar à sociedade comunista que
eliminaria todas as formas de propriedade privada. A reformista cuja matriz teórica se
encontra em Keynes que reconhecendo a instabilidade permanente do sistema capitalista
(a sua incapacidade de criar situações de pleno emprego, e economicamente, a sua
tendência de concentrar permanentemente a riqueza e a renda), como também a
impossibilidade de superá-lo por um outro modo de produção, propõe um processo de
submissão do capital à sociedade a partir da intervenção do Estado e do controle social
do investimento.
A) A questão metodológica
- A escola neoclássica ao radicalizar o individualismo metodológico tenta argumentar que
o comportamento de uma sociedade como um todo será idêntica ao comportamento do
indivíduo.(daí, ideias absolutamente equivocadas como a gestão das finanças do Estado
ser idêntica à gestão das finanças de uma família). Nesse contexto a escola adota uma
análise fundada na complementaridade (não admite-se contradição) entre axiomas e
corolários. O axioma é uma hipótese que não pode ser abandonada, se não o modelo
construído sobre a mesma é destruído; Milton Friedman(o fundador da escola
monetarista) estabeleceu na década de 1950 que o realismo das hipóteses iniciais era
secundário diante do papel destas hipóteses que não era o de explicar a realidade e sim
de realizar previsões. O corolário é a decorrência lógica do axioma. Por exemplo a “Lei de
Say” é um axioma do modelo (neo)clássico segue portanto, o corolário de que mercados
autoregulados levam a situações de pleno emprego.

obs:
Axiomas são consideradas as bases consolidadas e imutáveis, que serve de base para
outras teorias. Os axiomas não precisam ser realistas, o que interessa é o poder preditivo
da hipótese.

Keynes rompe com o modelo clássico quando identifica no mercado que o mercado
funciona de uma maneira oposta ao modelo previamente estabelecido, Keynes afirma
então que não é oferta que cria a demanda, mas a demanda que cria a oferta.

Toda a visão do mundo propiciada pelo modelo macroeconômico (neo)clássico tem sua
lógica fundada no lado da oferta que, a partir da lei dos mercados(Lei de Say) é absorvida
Portanto, a renda global é autodeterminada e neste sentido corresponde a situação de
pleno emprego e por isso imutável a curto prazo. Desta maneira, os componentes da
demanda agregada ao consumo(c) e o investimento(i) dependem da taxa de juros real (ou
constituem-se em função da taxa de juros real, r).
A taxa de juros real(r) é definida como a taxa de juros nominal(i) subtraída da taxa de
inflação(normalmente notada pela letra grega (II pi). Então [ r = i - II ] O que nos fornece a
seguinte lógica [importante: o modelo macroeconômico (neo)clássico tem a sua lógica
fundada na ausência de historia, ou seja, é estático].
Y =C(n) + I(r) (1)
A renda (Y) determina o consumo que depende da taxa de juros real(r) e o investimento
que também depende da taxa de juros real(r). Mas, o que determina a renda? A mesma é
autodeterminada pelo mercado que opera como um Deus “ex machina”.
A poupança da sociedade (notad pela letra “S" do inglês “Savings”) é a diferença entre a
renda (Y) e o consumo (C), portanto,
S=Y-C
S(r) = Y - C(r)
Y = S(r) + C(r) (2)

igualando (2) a (1), teremos:


S(r) + C(r) = I(r)
ou seja, para que a “Lei de Say” opere, o ato de poupar S(r) é o mesmo ato de investir I(r),
indicando que a poupança gera o investimento (segundo o modelo (neo)clássico).
Toda a construção teoria confrontada por Keynes (1936) estabelece que o capitalismo
opera como uma economia mercantil simples onde o dim da atividade econômica é a
mercadoria(M) e a moeda ou o dinheiro é apenas um meio de troca esperando como um
véu que esconde as relações reais, portanto, o capitalismo se manifesta como as
sociedades pré-capitalistas, ou seja, M-D-M.

O rompimento de Keynes com esta visão de mundo

Keynes (1936) contrapõe a lei de Say, ao denominado principio da demanda efetiva


(também denominado anti(Lei de Say) que só é possível em uma economia monetária,
aquela na qual o objetivo central da classe dominante é a transformação de dinheiro(D)
em mais dinheiro(D’), o que o aproxima de Marx.
Como existe um sujeito no processo, e este é o capital, então o princípio da demanda
efetiva diz respeito ao comportamento agregado do setor empresarial diante da incerteza
em relação ao futuro objetivando sempre a maximização de lucros. Desta maneira, a
renda Global(Y) depende do nível de emprego e este vincula-se as decisões das
empresas que levam em consideração as suas expectativas de lucro. O lucro futuro
depende das vendas esperadas e estas dependem dos gastos que serão realizados pelos
agente econômicos. Então, é a demanda agregada esperada (ou "ex anti”) que determina
a renda(Y) - A demanda agregada é constituída pelo consumo das famílias que depende
da renda(Y), ou seja, o consumo é função da renda(Y) e da propensão marginal a
consumir (Pmgl ou seja, o percentual da renda que é funcao da renda que é destinado ao
consumo) e induz as expectativas de curto prazo, o setor empresarial( a produção
corrente). O segundo componente da demanda agregada é o investimento produtivo das
empresas (a ampliação do estoque de capital produtivo constituído por novas máquinas,
novas fabricas, etc) que depende da eficiência marginal do capital (Emgk) e da taxa
nominal de juros(i). A eficiência marginal do capital é definida como taxa de lucro ou
retorno (“ex ante”) associada a decisão de investir no presente (é uma expectativa de
longo prazo). O investimento só é realizado quando Emgk > i. Portanto, Y = C(Y) +
I(Emgk, i ).
Os gastos geram a renda que é flutuante e desta maneira não se encontra em situação de
pleno emprego.

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