Você está na página 1de 1

2 ir

Coluna
SOM ^__^_6f^
_______ **«____

^^B_ ___B__\_v_H-__-Im

Marilú Silveira
POPULAR V___r ^^j*_-í-"-"V""
^m ____t^^T_L
_¦__ n'__otw7*. , A'\ ¦ ¦

Jânio Quadros e o lexicó-


grafo Ubiratan Rosa vão lançar
o Novo Dicionário Prático da
JÂNIO PRATICO
certamente, vai escolmar o lé-
xico das impurezas da fala coti-
diana. Espera-se que a p*|f.ici-
A música da Torre Luiz Augusto Xavier
Língua Portuguesa. Jânio, tido dade do Dicionário não se limite
como um purista da linguagem, à ordem alfabética.
Na peça "A Torre em Concurso", o escola criativa (muito usada por Luiz
curitibano que preste muita atenção Antônio Karam) e a de música e versos
na avançada criação musical do para- dentro de um mesmo estilo, manufatu
naense Marinho Gallora, líder do Movi- rado sob pesquisa. No primeiro
mento Atuação Pálol (MAPA) e um dos campo, Luiz Antônio Karam é real
mais completos compositores para- mente o único praticante, mas no
naenses. O teatro é uma grande escola segundo, que permite um campo de
para qualquer músico, porque exige trabalho maior e mais ilustrado o
dele muito mais do que exigiria uma paranaense está multo bem servido o
simples criação isolada, sem qualquer exemplo foi dado recentemente por
^BBBHSti ^"- '*' J*Z *-^"__ -'.ijifoàf&^
compromisso com roteiro ou texto. O José Roberto Bastos Oliva, na Inspi-
teatro brasileiro já derrubou muito rada criação musical da peça "O cerco
bom compositor e fez com que outros da Lapa", também dirigida por Oraci
não aceitassem trabalho nesse campo, Gemba, a exemplo de "A Torre em
justamente pelos perigos que repre- Concurso" e pelo próprio Marinho
senta para a espontânea criação do Gallera na explosão Infantil que foi
músico, normalmente sobre uma letra "Locomoc e Mllllpill",
original do Tea-
já existente e constante no texto. tro Grlpps, de Berlim, com montagem
paranaense do Teatro de Comédia
As músicas para uma peça de teatro com texto português de Ana Maria
são fabricadas em lotes, e dificilmente Machado, sob o qual Marinho fez a
deixam de ser, no fundo do fundo, música dentro de uma espontanei-
parecidas umas com as outras, como dade infantil de mexer com todas as
pôde ser verificado até na obra de Edu crianças que assistira à peça nas pou-
Lobo, que em determinados momen- cas apresentações curitlbanas e que
tos de "Arena Conta Zumbi", tornava lotou auditórios em Londrina. Marinho
um compasso de determinada música é macaco velho em teatro, mas sem-
semelhante ao de outra, de modo Ins- pre trabalhou mais no teatro infantil, e
tlntlvo mas perceptível. Mas Edu Lobo por isso o seu trabalho em "A Torre
ainda foi o grande nome do teatro em Concurso", até o dia 8 de agosto,
musical brasileiro, repetindo o bom pode funcionar como uma nova aber-
"Marta Sare",
EMBRAFILME: SELETIVO' DEMAIS gosto criativo em tam- tura, dentro de um processo criativo
bém com Glanfrancesco Guarnieri, mais exigente e elaborado, para um
FORÇA E DINHEIRO que com ele fez
"Zumbi". Carlos Lyra
público adulto e de senso crítico mais
A Embrafllme que já tem estatuto Seletivo: em média 1.398 passa- teve também umâ experiência impor- apurado e intransigente.
aprovado pelo presidente Geisel viu o geiros por dia o que eqüivale a 25,4 tante em "Pobre Menina Rica" e foi u m *v ^^ÍÈ^h^^
capital social da empresa elevado para pessoas por viagem (são 19 lugares, ___N*^B____. W \\ ,: \.'- ! O tema de abertura da peça é
dos poucos que conseguiu saltar por somente instrumental, e logo depois
80 milhões, divididos ern 8 milhões de mas a porcentagem é calculada sobre cima dos obstáculos e.limites ofereci-
ações ordinárias nominativas. Vamos a lotação bairro-centro e centro-bair- na alegria de um quase rock, é can-
ver se a esse dinheiro corresponde a ro). Período de maior movimento: das dos pela música de teatro. tado "Curato da Serra das Batatas",
Para atender a uma série de imposi- com o apoio instrumental de Marinho
melhoria dos padrões fílmlcos e (prin- 11 às 20 horas com 13 a 14 passagei-
ros. Das 7 às 11 e das 21 às 23, de 3 a 6 ções do autor, diretor e roteirista das ao violão, Celso Loch (flauta, guitarra e
clpalmente) o domínio das salas de peças, nem sempre as músicas de tea- canto), Helinho Santana (bateria), Sy
projeção para as obras nacionais. pessoas. tro são feitas dentro de um andamento Barreto (baixo) e Alfrell Amaral (tecla-
lógico, interrompendo-se exagerada- !____. Ih__ fflr^ílflffffl ____v?^~___fl_Hn_Ba_PBã3 dos e Guitarra). A versatilidade de
mente até, ou estendendo-se demais Marinho Gallera é sentida na variação
em outros trechos. Tendo sua primeira de ritmo de música para música - e
O REPOUSO DO GUERREIRO experiência em "Morte ;a.Vlda Severa /;:4 /mm ___¦______.'^' ]
esse aspecto ó positivo, porque mais
BIENAL 77 DÁ A PARTIDA na", ChicoJBuarque também saiu ileso uma vez eu lembro que música para
de outros trabalhos como "Roda-Vi- teatro normalmente é feita em lote, e
Para a Bienal Internacional de va", "Calabar" (censurado, embora o no fundo do fundo uma acaba ficando
1977, de São Paulo,, já há um Conse- disco tenha sido colocado à venda), e
mais recentemente "Gota D'Agua", parecida com a outra — que passa
lho de Arte e Cultura formado para dar num derrapo do rock das batatas, para
as coordenadas da mostra. Sete são que tem inclusive confirmada apresen- exaltação da torre que está para che-
os seus componentes: os críticos Flexa tação em Curitiba. Em alguns casos, o
teatro contribui para o desenvolvi- gar ("Nessa famosa torre") e se contrai
Ribeiro, Clarival do Prado Valladares e, JwmW ''*" §mf> tBB-_ Hl \ no envolvente bolero "Tltl anda enga-
Alberto Beutten Muller, os artistas mento de um senso criativo no compo- nada", que ilustra a situação da perso-
Maria Bonoml, Leopoldo Raimo e sitor, que permanece latente durante a nagem Ana, vivida por Cecília Mon-
Yolanda-Mohalvl, e o diretor da Funda- "Encontro-me em sua fase de criação mais comercial, teiro. Aliás, Cecília se comporta com
estado de zero
ção Bienal, Romeu Mlndlln. quilômetro", disse o governador Paulo porque ao fazer música para palco, o Vv__|H_S__n jW^Ím 1_B T_f_rfe5-__-ái
perfeição na execução de um solo de
autor está sabendo que não precisará Jaí^£_^____t W^*' .JP______h 1
Egydio, de São Paulo, ao retornar ao construir um andamento obrigatória- violino para um tema de Alfrell Amaral,
posto. Durante seu descanso fez col- mente quadrado e de fácil assimila- "Pelo no dinheiro
quase final do segundo ato.
sas que queria: se lançou nas águas *--*****^
\___H_uH^_R _n> '>'tjB o homem de juízo
do rio Paraná e tocou viola. ção, como o faria se tivesse que fazer sofre o diabo sem sentir abalo" é parte
60 MINUTOS INÉDITOS música para disco, e principalmente c __Sufc *^ *t__fl
se fosse obrigado a vender o Lp, com dos versos de um "Xótls" executado
Sessenta mil cruzeiros é o prêmio a corda no pescoço. no início do segundo ato e que retrata
a situação de uma pessoa e o que se
para o primeiro colocado no concurso E o teatro só fez bem a Toqulnho,
faz pelo dinheiro. Alfrell Amaral, que
do Serviço Nacional de Teatro. De 1' MUSEU PARA que por instantes deixou a sua intermi- também é diretor musical da peça, ao
de agosto a 15 de outubro as inseri- A GAROTA NOTÁVEL nável safra comercial, de onde se reti-
ções estarão abertas. Requisitos: tex- ram poucas músicas realmente com lado de Marinho Gallera, tem como de
tos inéditos e que permitam a monta- Finalmente dia 5 de agosto será conteúdo, para elaborar trabalhos sua autoria além do solo de violino, "A
Inaugurado no Rio o Museu Carmen hora é chegada", que funciona como
gem com duração mínima de uma Miranda, no Parque do Flamengo, que
mais sérios e bem elaborados, como
uma preparação para o final da peça,
hora. os realizados em "Castro Alves Pede "Só se do
funcionará no edifício do antigo Museu Passagem", e "Um grito parado no ar", que acontece com a música
de Artes e Tradições Populares. Um esta última especialmente, com um céu cair", que também tem melodia
conjunto de 1596 peças que estão para cá, também está procurando sua e conta com ironia a possibilidade
tema central de belíssima feitura. A mais intensamente a criação musical
guardadas há vinte anos e que perten- revelação de Toqulnho, comprovou dos locais,, e vem obtendo ótimos
de ser construída a esperada torre na
MONUMENTO AO ceram à cantora forma o acervo. pequena cidade.
SOM NACIONAL que o teatro exige muito mais do com- resultados com isso. Aqui em Curi- São em ocasiões como essa que se
positor, mas por outro lado, contribui tiba, especificamente, existem duas
Cinqüenta Lps com músicas para que este possa se expandir, sem escolas de músicas de teatro multo pode medir o verdadeiro nível de cria-
DANÇA BAIANA: EXPORTAÇÃO ter que observar rigidamente certas ção do compositor paranaense, que
populares e 50 com músicas eruditas exigências de criação, que são ponto
procuradas por atores o diretores de muitas vezes não tem do curitibano o
serão lançados pela Funarte. A cole- espetáculos: música de colagem com crédito devido por se tratar de gente
ção vai se chamar Monumento da Mú- O méxico vai conhecer o "maraca- de lei para a gravação de um' disco, o aproveitamento de sons instrumen- da casa. E verdade que o trabalho não
sica Brasileira e a Idéia é de Roberto tu", o "bumba meu boi", o "lundu" e o principalmente quanto ao tempo, em tais executados dentro de uma trilha ó perfeito no seu todo, mas afinal,
Parreira, diretor executivo do órgão. O "maculelê" disco nunca superior a três minutos. sonora inteira, mas sem obedecer
no dia 8 de agosto. Quem quem o é? Jesus Cristo ao que parece
critério adotado é o cronológico para vai levar até lá esses ritmos é o grupo O teatro paranaense, de uns tempos especificamente uma determinação ou não era músico.
(O
tixar a evolução da música no Pafs. Bale Brasileiro da Bahia, dirigido pelo
r«-
CO

O SEM MAGOAS
coreógrafo Carlos Moraes.
A alucinação infantil de Belchior
Jaime Lerner em férias no O FINO EM COURO
Rio aproveita para ver como não J. R. Tinhorão
O
deve funcionar uma cidade. Sua Os trabalhos artesanais em couro
CO do Centro de Criatividade estão Uma coisa, que ainda nâo foi devi- O mais doloroso ê que nessa "Minha dor é
CO presença nas praias cariocas é ganhando fama pelo requintado aca- damente explicada pela moderna demonstração de colonização consen- perceber que ape-
sar/ de termos feito
l_
uma demonstração de que nâo bamento. Carlos Reis, o Carllto, está geração de músicos e compositores tida do músico Belchior, o letrista Bel- tudo, tudo o que
<D Influenciados pelo chamado estilo fizemos/ ainda somos os mesmos e
fioou ressentido com o trata- tirando o couro de seus alunos: ele chior se revela ideologicamente o que vivemos/ como os nossos pais".
cô mento que recebeu do governo exige peças originais e bem feitas. Isso country, é a que se poderia resumir se poderia definir mais ou menos
é bom porque o que existe no gênero na pergunta: qual a vantagem de, como um inocente útil. Jeitosamente De fato, pelo que Belchior dá a
CO , estadual. infestando a praça ó grosseiro e mal sendo um caipira brasileiro, querer ser apresentado como um contestador entender em suas letras, as chamadas
CO
realizado um caipira americano? das estruturas, o compositor estruturas parece que não são nada
Cearense, enquanto poeta comba- perfeitas, mas enfim, Deus ajudando e
Essa pergunta ocorre naturalmente tente, não ultrapassa o estágio liri- havendo juventude, tudo acaba bem.
co-humanitarista - equivocado dos Como quando afirma em Sujeito cie
quando, no recente LP Alucinação, Sorte:
do compositor-cantor cearense Boi- que colocam maniqueistamente todos "Presentemente eu
CORAL: DE NITERÓI nie
considerar um sujeito de posso/
'"'»¦'
—3 f_K_l ^ZàmmmV^^A^Mã, V ' ' " ' chior, se ouve esse artista interpretar os problemas atuais como um conflito
PARA LONDRES com a desenvoltura de um texano da de gerações. E em Como Nossos sorte/ por-
terra de Marlboro uma musiqulnha Pais, canta: "Eles (quer dizer, os mais que, apesar de multo moço,/ me
sertaneja americana a que não falta, velhos) venceram e o sinal sinto sao e forte".
De malas prontas os 70 compo- está Aliás, como tudo está "como o diabo
nentes do Coral do Centro Educado- sequer, a característica galtinha de fechado para nós, que somos jovens".
boca. de
gosta" (titulo de uma das músicas "re-
nal de Niterói que representará o Bra- Belchior), o negócio é não querer
sll no Festival de Corais Internacionais, Quer dizer: tudo é uma
De fato — e ao menos na forma pela tempo. Um dia os jovens dequestão
de gra em nada", porque "a única forma
em Londres. A regência é de Hermano hoje com- que pode ser norma/ é nenhuma regra
Soares de Sá. Os corais aqui na terra, qual suas músicas se apresentam no preenderão que o mundo é assirri ter". Pois, para mudar a estrutura tão
que são excelentes, precisam encon- disco - o que esse candidato a Bob mesmo, e como também já a esta injusta como se apresenta, é multo
trar maiores facilidades e apoio. Dylan caboclo apresenta, musical- altura estarão mais velhos (e ao que
tudo indica razoavelmente assentados simples: basta "nenhuma regra ter;/ e
CO mente falando, é um caldo sonoro com nunca fazer nada
co RECORDEÍ: ROCHA VIVA. todos os ingredientes da música de na vida), muito provavelmente estarão que o mestre man-
dar./ Sempre desobedecer/
D. ; consumo imposta ao mundo pela má- fechando o sinal para outros jovens os Nunca
reverenciar".
o
¦o quina da indústria fonográfica norte-a- quais naturalmente protestarão como Exatamente como as crianças (e
Mais um recorde para as estatísticas nacionais previsto para merlcana, devidamente requentado Belchior faz hoje, e assim por diante.
naturalmente, os
hoje. Tudo está preparado para que seja ultrapassada a marca pelo grupo de ajudantes que o acom- jovens) mal criados,
aos quais geralmente ¦-
panha (principalmente o baterista Porque, afinal - e olhem só como a se dá o nome
1_
dos 600 mil metros cúbicos de escavação em rocha viva. Italpu "vida" é mesmo "assim gracioso, em todos os sentidos - °e
Pedrinho e os guitarristas Antenor e mesmo" - é o
b vai comemorar, profundamente, â altura. Rick). próprio Belchior quem ainda recanta-
rebeldes.
Ora, Belchiorl

Você também pode gostar