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Boas práticas na

cobertura da violência
contra a mulher

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REPORTAGEM
LOLA FERREIRA

EDIÇÃO
MARINA BESSA

CONSULTORIA ANALÍTICA
AZMINA
INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO

PROJETO GRÁFICO
E ILUSTRAÇÕES
DEBORAH FALEIROS
novembro de 2020

NOTA DA EDITORA 06 FEMINICÍDIO 35


O QUE VOCÊ PRECISA SABER 35
APRESENTAÇÃO 08 DADOS E NÚMEROS 36
AO FALAR DE FEMINICÍDIO, ATENTE-SE: 37
PARTE 1 - CONDUTAS GERAIS 10 E MAIS... 39
AO ESCOLHER A PAUTA 10
AO APURAR A MATÉRIA 12
AO ESCREVER 14
AO PUBLICAR 18 VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA INTERNET 40
5 REGRAS DE OURO PARA GARANTIR UM BOM TRABALHO 21 O QUE VOCÊ PRECISA SABER 40
DADOS E NÚMEROS 43
PARTE 2 - CONDUTAS ESPECÍFICAS 22 AO FALAR DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA INTERNET, ATENTE-SE: 44

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 23
O QUE VOCÊ PRECISA SABER 23
DADOS E NÚMEROS 25 PARTE 3 - ANEXOS 46
AO FALAR DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, ATENTE-SE: 26 LEGISLAÇÃO 46
E MAIS... 28 COMO DENUNCIAR A VIOLÊNCIA 49
LISTA DE FONTES ÚTEIS 51
VIOLÊNCIA SEXUAL 30 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 58
O QUE VOCÊ PRECISA SABER 30
DADOS E NÚMEROS 31
AO FALAR DE VIOLÊNCIA SEXUAL, ATENTE-SE: 32
E MAIS... 34 AGRADECIMENTOS 61

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SENSIBILIDADE PARA
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

ALÉM DA APURAÇÃO

Tatiane Spitzner. Na redação de Universa lidamos psicológicas, agressões, estupros. Em Para não cairmos nas armadilhas
Sandra Gomide. diariamente com essas tragédias. um país estruturalmente machista de estereótipos sexistas que
Yasmin Costa dos Santos. Afinal, o Brasil é o quinto país que como o nosso, muitas mulheres transformam mulheres agredidas
Eliza Samudio. mais mata mulheres no mundo. têm dificuldade em reconhecer que em rés. Para que nossas reportagens
Eloá Cristina Pimentel. Como equipe 100% feminina que vivem situações abusivas ou em encorajem vítimas a buscar justiça
somos, noticiamos esses crimes identificar no parceiro um algoz. e que elas não tenham que implorar
Assim como eu, e talvez como pautadas pelas condutas do bom Foi pensando em informá-las da pelo respeito dos “excelentíssimos”
você também, essas mulheres faziam jornalismo, mas também estarrecidas maneira correta, para que não nos tribunais.
planos profissionais, trocavam e sensibilizadas. E entendemos que tenham suas vidas ceifadas, e para Convido à leitura deste manual
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

confidências com a melhor amiga, não, não são “crimes passionais” que a sociedade respeite e acolha todos os profissionais de imprensa e
tinham uma cor de esmalte preferida, praticados por homens incapazes essas vítimas que elaboramos este estudantes de jornalismo. Para que
familiares que amavam. Tinham de controlar sentimentos. Em Manual Universa Para Jornalistas nos registros da internet, histórias
sonhos. Mas jogando seus nomes nossas reportagens, tratamos essas – Boas práticas na cobertura da como as de Tatiane, Sandra, Yasmin,
na internet, os principais resultados mortes como feminicídio – uma violência contra a mulher. Eliza e Eloá sejam contadas com
da busca indicarão a cobertura tipificação que conta como agravante Nele, reunimos uma série de empatia e dignidade.

NOTA DA EDITORA
jornalística de seus assassinatos. em homicídios praticados por diretrizes para que nós, jornalistas
Toda a história dessas mulheres se discriminação de gênero. do UOL, não percamos de vista
resumirá ao momento brutal em que O feminicídio, na maioria dos durante a apuração o sofrimento
o namorado, o marido ou o ex decidiu casos, é o nível extremo de ciclos de de entrevistados que choram a Dolores Orosco
que elas deveriam morrer. violência que passam por torturas perda de suas mães, filhas, amigas. Editora-chefe de Universa

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novembro de 2020

O PAPEL DA
Mas, na mesma medida em que
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

essa cobertura tem a capacidade


de auxiliar no combate à violência

IMPRENSA NA
contra as mulheres, um jornalismo
pouco preparado pode reforçar
estereótipos de gênero e influenciar

COBERTURA
negativamente a condução de
processos penais.
É fundamental informar
respeitando os parâmetros éticos e os

DA VIOLÊNCIA
processos de apuração condizentes às

APRESENTAÇÃO; O PAPEL DA IMPRENSA NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO


regras do bom jornalismo. Mas isso
não basta. Aqui, a contextualização

DE GÊNERO
histórica e social, o cuidado com a
escolha das palavras, das fontes e até
mesmo das imagens são fundamentais
para desconstruir as culturas nas
quais a violência se insere e fomentar o
debate do dia a dia.
Universa, a plataforma feminina
do UOL, nasceu comprometida com
a busca pela igualdade de direitos
e com a defesa das mulheres.
Violência contra mulheres não nações que mais matam mulheres. A ampliar, contextualizar e aprofundar Nesse manual, reunimos uma
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

é um tema novo. Mas é um tema cada um minuto, duas mulheres são o debate sobre as violações aos série de boas práticas na cobertura
que ganhou muito destaque com espancadas, a cada oito, uma mulher direitos das mulheres. Além disso, o da temática da violência contra
a criação da Lei Maria da Penha, é estuprada. O Ligue 180 recebeu acesso à informação é um importante as mulheres com o objetivo de
em 2006, e com a deflagração da no ano de 2019 uma média de 112 instrumento para que as mulheres produzir um jornalismo cada dia
nova onda feminista, que levantou relatos de agressão por dia. em situação de violência reconheçam mais ético e responsável. O material,
debates sobre assédio e estupro e Violência contra mulheres é um a situação em que vivem e saibam apurado com leituras específicas e
vem reposicionando as dicussões assunto muito tratado na imprensa. E os caminhos para reivindicar seus entrevistas a especialistas, pode ser
relacionadas a questões de gênero. é importante que seja assim: a mídia direitos. Dessa forma, jornais, sites e útil também para os demais veículos
Violência contra mulheres é tem um papel estratégico na formação revistas podem trabalhar efetivamente e organizações civis igualmente
um tema urgente: o Brasil ocupa o da opinião e na pressão por políticas na prevenção da violência e na interessados em transformar a nossa
quinto lugar em um ranking de 83 públicas e pode contribuir para preservação de vidas. sociedade.

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AO ESCOLHER A PAUTA “A cobertura bem feita Mostre as mulheres negras


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Vá além do BO Para cada mulher branca vítima


Priorize casos em que será
gera impacto na percepção de feminicídio, três mulheres negras
possível ir além do boletim de desses atores em relação são mortas. A taxa de homicídios
ocorrência ou de uma denúncia do à relevância do problema de mulheres brancas caiu 11,7%,
Ministério Público. Nossa intenção da violência de gênero, enquanto das mulheres negras
não deve ser a de engrossar um a complexidade e o que subiu 12,4% nos últimos 10 anos.
número, e sim humanizar, causar Ao priorizar os casos de mulheres
empatia, aproximar a história do
é preciso ser feito para brancas, reforçamos a invisibilidade
leitor. Dessa forma, quanto mais enfrentar as diversas das vidas negras e a naturalização da
fontes dispostas a falar sobre o caso, formas dessa violência.” violência contra essas mulheres.
mais rico e útil será o resultado.

CONDUTAS
MARISA SANEMATSU,
diretora de conteúdos da
Eleja histórias emblemáticas Agência Patrícia Galvão “Por mais que negras sejam
Todos os dias, centenas de as maiores vítimas, quando

GERAIS
mulheres são agredidas, estupradas
a violência deixa de ser
ou mortas. Na impossibilidade de se
cobrir todos os casos, a pauta deve
um número para ganhar
buscar histórias representativas, o rosto, escolhe-se o rosto
que ilustrem a realidade de muitas branco. E isso contribui
mulheres. Também é importante muito para reforçar a
A construção de uma reportagem que, em conjunto, a cobertura
mulher negra nesse lugar
sobre violência de gênero precisa represente a enorme variedade

CONDUTAS GERAIS; AO ESCOLHER A PAUTA


ser atenta para não revitimizar a de tipos de crimes cometidos com
natural da violência.”
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

mulher, subestimá-la ou permitir motivação de gênero. BRUNA JAQUETTO,


que sua história ou memória sejam socióloga pela Universidade de Brasília e
especialista em violência gênero e raça
atacadas. Também é importante
contextualizar o caso, apontando a
desigualdade entre gêneros como o
grande fator por trás da violência
contra a mulher.
Por fim, temos que indicar
os caminhos para a denúncia, a
prevenção e o acolhimento das
vítimas.

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novembro de 2020

AO APURAR A MATÉRIA “É importante conversar


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Registre sua apuração com o advogado dela,


Independentemente do meio
analisar de que maneira os
pelo qual a história chegou a suas
mãos, procure ter acesso ao boletim entrevistados podem ou não
de ocorrência ou à denúncia feita ser expostos.”
pelo Ministério Público contra o LUIZA SOUTO,
agressor. Se não houver uma cópia como “entrevistar você para a minha repórter de Universa
do boletim, busque o registro na matéria”. Se possível, explique como
delegacia informada pela vítima você pode proteger a identidade da
ou pela fonte. Mas atenção: há vítima. Tenha paciência: o trauma, o Ouça o advogado da vítima Busque fontes qualificadas
casos relevantes que podem não cansaço e toda a situação podem não Ainda que não seja necessário É importante ir além das fontes
ter registro oficial no momento da garantir uma resposta imediata. ter um advogado para registrar operadoras da segurança pública,
apuração, e eles não precisam ser boletins de ocorrência ou pedir como delegados e policiais militares,
desprezados. Nesses casos, cerque-se Respeite a dor dos familiares medida protetiva, a Lei Maria da que nem sempre têm a sensibilidade
de outras evidências que corroboram O processo de luto é doloroso. Penha diz que a mulher deve estar necessária para contextualizar
o depoimento da mulher, como Em casos de feminicídio, recorra, acompanhada por um advogado ou o crime. Busque pesquisadores
depoimentos de amigos, familiares e primeiramente, a amigos e familiares defensor público em todos os atos de questões de gênero, núcleos
testemunhas, além de fotos. Guarde mais distantes da vítima. Ao abordar processuais. Durante a sua apuração, de violência contra a mulher no
todas essas abordagens, e, se possível, parentes próximos, evite fazer com fale com essa pessoa e entenda os Tribunal de Justiça ou no Ministério
grave-as. que o entrevistado reviva a dor próximos passos que serão tomados Público, advogadas especialistas,
do crimes. Por isso, procure não para garantir o andamento do pessoas que trabalham em centros

CONDUTAS GERAIS; AO APURAR A MATÉRIA


Tenha empatia ao fazer perguntas sobre detalhes que processo. Reserve ao profissional de referência de atenção à vítima
abordar a vítima atendam mais à curiosidade mórbida perguntas mais técnicas. E atenção e ativistas de movimentos sociais,
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

Ao entrar em contato com uma que ao interesse jornalístico. ao vocabulário: você vai ouvir o que possam explicar os números,
mulher em situação de violência, “advogado da vítima” e não “a defesa apresentar novos enfoques e fazer
entenda que ela já está machucada, da vítima”, já que a mulher agredida análises e comentários com uma
com medo e, provavelmente, cansada. “Minha primeira não cometeu nenhum crime. linguagem fácil e direta (veja lista
Evite buscar somente uma aspa abordagem é sempre por de fontes úteis na pág. 51).
bombástica. Procure ouvir a história mensagem. Se a pessoa tiver
na totalidade, dando espaço para
interesse em falar sobre o
que ela conte como era a vida dela
antes do episódio de violência. Prefira
caso, ela vai responder.”
termos mais sensíveis, como “ouvir MARIANA GONZALEZ,
sua história”, a abordagens mais frias repórter de Universa

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novembro de 2020

AO ESCREVER Amplifique o caso Não ajude a culpar a vítima


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Humanize a história Há crimes de estupro ou de Não dê informações da rotina da


A mulher em situação de feminicídio cometidos por pessoas mulher que possam ser interpretadas
violência não se define somente desconhecidas. Mas na maioria dos como facilitadoras da violência. Dizer
pelo crime que viveu. Tente mostrar casos, o agressor é conhecido e a que a vítima de estupro “publicava
quem ela é ou foi, qual era a sua vítima enfrentou um longo processo muitas fotos em baladas” não tem
rotina, seus medos, seus desejos e os de abusos e violência até registrar relevância para a reportagem e ajuda
planos que foram interrompidos por uma denúncia ou sofrer um ataque a construir um estereótipo de uma
aquele episódio. à sua vida. Ouça sua história e mulher “moralmente condenável”.
mostre para os leitores como Prefira elementos que ajudem a
Contextualize o episódio funciona o ciclo da violência construir a narrativa do fato e que
É importante mostrar que a (veja mais na pág. 28). tenham ligação direta com ele.
história que você está contando não Da mesma forma, evite incluir
é um caso isolado, e sim o resultado no texto aspas e opiniões de pessoas
de uma cultura machista e desigual, próximas que possam, mesmo que
que menospreza e desqualifica as sem intenção, jogar a culpa sobre a
mulheres. Sempre que possível, vítima, como um familiar dizendo
dê dados que demonstrem o quão Foque na mulher que “se ela tivesse saído de casa,
comuns são esses crimes e como é Em casos com grande estaria viva”. Prefira contextualizar
importante modificar essa situação repercussão, a busca de mais os obstáculos ao rompimento do
-- esse é um país que mata mais de informações sobre o crime muitas ciclo de violência (veja na pág. 28).
três mulheres por dia pelo simples vezes desvia o foco da cobertura Os casos em que esses fatos forem
fato de ela ser mulher. para o agente do crime, que inevitáveis, como nos crimes que
tem sua versão sobre os fatos, acontecem à noite ou em festas,
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

biografia e imagem destacadas, procure ouvir uma fonte que

CONDUTAS GERAIS; AO ESCREVER


enquanto a vítima é invisibilizada explique que não há relação direta
“É importante que a e desmoralizada. O foco da história entre os fatores.
imprensa fique atenta para deve ser sempre a mulher em
situação de violência e como muitos Não justifique o agressor
mostrar o que é a violência
desses casos graves começaram bem É fundamental buscar contato
de gênero de uma forma antes do crime, com atitudes de com a defesa do acusado. Apresente
não individualizada.” desrespeito, de violência psicológica de forma sucinta a versão dada
MARISA SANEMATSU,
e moral, que vão se acumulando pela vítima, explique como está
diretora de conteúdos da até chegar a um feminicídio, por sendo conduzido o caso de forma
Agência Patrícia Galvão exemplo. jurídica e escute a versão dele sobre

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novembro de 2020

Respeite os pedidos da vítima Dê nome ao crime Mencione os próximos passos


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Casos de violência de gênero, Inclua em seu texto a lei, decreto Da mesma forma, explique em
principalmente os crimes de ou portaria em que se encaixa aquele que momento o processo judicial
violência sexual, ainda carregam caso relatado, bem como a pena se encontra e o caminho que ainda
um estereótipo negativo, expondo a prevista e os números mais recentes precisará ser percorrido. Se a mulher
mulher a muitos julgamentos. Por relacionados ao tipo do crime. É registrou o boletim de ocorrência, o
isso, se a mulher não quiser expor o importante não individualizar os próximo passo é a investigação policial,
nome ou o rosto, essa escolha deve casos, desnormalizar o problema e que pode resultar em denúncia no
ser respeitada. Nesses casos, não explicar que o combate à violência de Ministério Público e levar o caso a
dê detalhes no texto que possam gênero tem amparo legal. julgamento no Tribunal de Justiça.
identificar a vítima. Em casos com Paralelamente a essa trajetória, a
potencial de gerar muita audiência Evite o tom policial polícia pode entrar com um pedido de
e repercussão, é papel do repórter Mais do que relatar um crime, medida protetiva. Esse pedido também
alertar a mulher sobre os efeitos queremos sensibilizar a sociedade pode ser feito por um advogado ou
da exposição e mostrar que há para o problema da violência contra defensor público à Justiça, sem registro
possibilidade de o relato ser anônimo. as mulheres. Cuide para que a de boletim de ocorrência.
os fatos. O acusado pode, inclusive, reportagem não seja uma narrativa
negar a acusação. Fique atenta, Não faça descrições que explore uma “história de amor” Aponte as falhas do Estado
no entanto, com aspas machistas desnecessárias com final trágico nem seja um relato É dever do Estado assegurar os
que, descontextualizadas, possam Revitimizar é fazer com que a frio de um crime, sem que se mostre direitos à informação, assistência,
culpabilizar a vítima. Se for vítima ou seus parentes próximos as vidas e as histórias que havia por proteção e reparação às vítimas. Se
necessária a reprodução dessas aspas, revivam a dor do episódio violento, trás dele. É importante, ainda, ter em uma mulher foi agredida, estuprada
faça contrapontos que reforcem seja relembrando detalhes muito mente que uma cobertura acrítica ou morta, houve falha nessa rede de
que a principal causa dos crimes específicos no momento da também é cúmplice da violência proteção. É dever do jornalista apurar
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

de violência contra as mulheres é a entrevista, seja ao ver a reportagem contra as mulheres. quando e como o Estado falhou.

CONDUTAS GERAIS; AO ESCREVER


naturalização da desigualdade entre publicada. Por isso, descrições
os gêneros, que leva o agressor a se detalhadas do crime ou uma
sentir no direito de possuir, controlar narração estilo “minuto a minuto”
e ‘disciplinar’ a companheira ou do que aconteceu são desnecessários.
a ex-companheira. Trechos da Em boletins de ocorrência, essas
legislação ou o contraponto direto informações têm fins judiciais,
de uma autoridade também ajudam mas, em reportagens, podem
a contextualizar falas como “perdi violar os direitos de personalidade,
a cabeça porque ela me traiu com privacidade, memória e preservação
outro homem”. da família das vítimas.

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novembro de 2020

AO PUBLICAR Chame o acusado com a “Quando é uma denúncia


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Não use imagens que nomenclatura correta


muito grave, checo com o
reforcem estereótipos A partir do momento que há
Se a vítima concordar em um boletim de ocorrência, já há
departamento jurídico se
mostrar seu rosto, não use fotos resguardo jurídico para publicar naquele caso é justificável
que possam sexualizar a sua figura. nome e foto do acusado de agressão. expor o nome do possível
Evite fotos de biquíni, de costas ou Mas é importante ter atenção agressor.”
com foco em decotes. Imagens que às nomenclaturas. Se há um
Informe os caminhos da possam provocar juízo de valor da registro de ocorrência, o homem LUIZA SOUTO,
denúncia e do acolhimento sua vida também devem ser evitadas, é investigado. Após o inquérito repórter de Universa

A sociedade, as mulheres em como aquelas em que a mulher está ser enviado ao Ministério Público,
particular, precisa acreditar na com bebida alcoólica nas mãos. ele continua sendo investigado. Evite mostrar fotos do crime
possibilidade da interrupção da Caso o Ministério Público o Ilustrar uma reportagem com
violência. A mídia pode ajudar denuncie à Justiça, a nomenclatura a imagens de um corpo destroçado
apresentando os caminhos para uma “Entre as opções de foto, muda: ele foi denunciado pelo é dispensável em qualquer caso, já
eventual denúncia e divulgando uso sempre a mais neutra. crime. Quando a Justiça acata a que elas não trazem informações
serviços de referência no acolhimento denúncia, ele é réu. E caso ele seja jornalísticas relevantes e ferem
e assistência às vítima (veja a partir
Quanto mais sóbria, melhor. condenado pela Justiça, ele passa a a privacidade e a intimidade da
da pág. 51). A ideia é não reforçar ser chamado de condenado. E é só mulher, além de revitimizar as
estereótipos -- esse é um neste último momento que ele se vítimas diretas e indiretas. Fotos
tipo de crime que pode torna “estuprador”, “assassino” ou assim podem causar impacto, mas
“As mulheres não confiam “agressor”. Se ainda couber recursos não contribuem para que haja um
acontecer com todas as
na Justiça, então procuro no processo, a reportagem tem olhar crítico sobre o fenômeno -- o
mulheres.”
colocar as informações que dizer. que deve ser sempre o nosso objetivo.
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

sobre os caminhos da MARIANA GONZALEZ,

CONDUTAS GERAIS; AO PUBLICAR


repórter de Universa
denúncia na boca de uma
entrevistada. Quando há
uma pessoa contando quem
procurou, como foi tratada,
trazemos mais credibilidade
e relevância à informação.”
LUIZA SOUTO,
repórter de Universa

18 19
novembro de 2020

“É simples ter atenção “Uma mulher te conta que foi 5 REGRAS DE OURO
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

e respeito às pessoas, estuprada. E dizemos que ela PARA GARANTIR UM


BOM TRABALHO
pensar nas famílias, ‘teria sido estuprada’. Não nos
amigos. Há ações que só cabe julgar quem estuprou
são “justificadas” por esse nem decidir se ela está falando
apelo ao sensacionalismo, a verdade. Mas escrever que
para chamar a atenção ‘teria sido’ é deslegitimar a fala ESTEJA BEM INFORMADA
O DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO AFETA A
a qualquer preço, mesmo de uma mulher.” APURAÇÃO JORNALÍSTICA E A QUALIDADE DA
que ao custo da imagem PATRÍCIA ZAIDAN, INFORMAÇÃO.
de uma pessoa que passou jornalista
por aquela violência.”

CONDUTAS GERAIS; 5 REGRAS DE OURO PARA GARANTIR UM BOM TRABALHO


Fuja de títulos caça-clique JAMAIS CULPABILIZE A VÍTIMA
MARISA SANEMATSU, Ainda que algumas aspas A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA. ESSE É O ERRO MAIS
diretora de conteúdos da possam ser chamativas ou garantia COMUM NA COBERTURA DE GÊNERO E TRABALHA
Agência Patrícia Galvão
de clique nas redes, avalie se ela CONTRA A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES.
traduz o teor geral daquele relato
Não deixe margem ou se desrespeita a mulher. Observe
para dúvidas alguns conselhos anteriores, como NÃO JUSTIFIQUE O AGRESSOR
Se não há registro oficial do evitar detalhes gráficos ou ajudar na CIÚME, CABEÇA QUENTE, PAIXÃO, VIOLENTA
crime, relate o caso sob o formato culpabilização da vítima. EMOÇÃO. NADA DISSO É MOTIVO QUE JUSTIFIQUE
de depoimento e a partir da visão ESPANCAMENTOS OU ASSASSINATOS.
da mulher, sem expor o nome do Controle os comentários
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

homem apontado por ela como Usuários da internet costumam


responsável. Ainda assim, evite ser cruéis, revitimizando e expondo a EVITE O SENSACIONALISMO
expressões como “teria sido” ou vítima a um linchamento moral. Em NAS FOTOS, NAS MANCHETES, NA CONDUÇÃO
“teria dito”, que deslegitimam a fala redes sociais, redobre os cuidados DA MATÉRIA. MAIS QUE AUDIÊNCIA, ESTAMOS
da mulher. Da mesma forma, prefira com a foto e a manchete usadas na BUSCANDO JUSTIÇA PARA AS MULHERES.
construções como “Mulher denuncia divulgação da matéria, uma vez que
estupro” no lugar de “Mulher diz boa parte dos leitores não acessa o
que foi estuprada”: dessa forma link para a reportagem completa. AMPARE-SE LEGALMENTE
há garantia de responsabilidade Na página em que a matéria for GUARDE ENTREVISTAS E DOCUMENTOS E, EM CASO
jurídica sem colocar em dúvida o veiculada, sempre que possível, DE DÚVIDAS, SUBMETA A MATÉRIA A UMA FONTE
relato da mulher. desative os comentários do público. DE CONFIANÇA PARA UMA LEITURA PRÉVIA.

20 21
novembro de 2020

CONDUTAS VIOLÊNCIA
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

ESPECÍFICAS DOMÉSTICA
O QUE VOCÊ PRECISA SABER

Crimes de violência doméstica ou


familiar são aqueles em que o agressor
mora na mesma casa da vítima e
tenha com ela algum vínculo de afeto.
Na maior parte dos casos, a agressão PSICOLÓGICA
é cometida pelo parceiro ou ex, que QUANDO CAUSA DANO EMOCIONAL,
agride a companheira motivado por um DIMINUIÇÃO DA AUTOESTIMA
sentimento de posse sobre ela. OU HÁ CONTROLE DE AÇÕES E
No entanto, a aplicação da lei Maria COMPORTAMENTOS DA MULHER
da Penha, principal forma de defesa e MEDIANTE AMEAÇA, HUMILHAÇÃO E
proteção às mulheres agredidas, não MANIPULAÇÃO. XINGAR, HUMILHAR,
se restringe a relações amorosas. A lei AMEAÇAR, CHANTAGEAR, CONTROLAR

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


também vale para violências cometidas TUDO O QUE A MULHER FAZ SÃO
por pai, mãe, irmão, irmã, padrasto, FORMAS DE VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA.
madrasta, filho, filha, sogro, sogra.
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

A violência doméstica não


escolhe idade, classe social, raça ou
escolaridade. Entretanto, a conjugação
de preconceitos pode levar a um
cenário de maior risco. Não é à toa que FÍSICA
mulheres negras sejam a maioria entre QUANDO ATINGE A INTEGRIDADE OU A
as denunciantes. SAÚDE FÍSICA DE UMA MULHER. BATER
A lei Maria da Penha define cinco E ESPANCAR; EMPURRAR, ATIRAR
formas de violência doméstica. Na OBJETOS, SACUDIR, MORDER OU
maior parte dos casos, entretanto, elas PUXAR OS CABELOS SÃO EXEMPLOS
acontecem de modo combinado: DESSE TIPO DE VIOLÊNCIA.

22 23
novembro de 2020

DADOS E
A cada
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

2 MINUTOS

NÚMEROS
uma mulher sofre
violência doméstica
PATRIMONIAL
física no Brasil
QUANDO BENS DE VALORES Fonte:
ECONÔMICOS OU AFETIVOS SÃO Anuário Brasileiro de
Segurança Pública de 2020
DESTRUÍDOS E CONTROLADOS.
DEIXAR A MULHER SEM
ACESSO A DINHEIRO, DESTRUIR
OBJETOS DE QUE ELA
GOSTE, ESCONDER OBJETOS

74,8% 55%
ESSENCIAIS AO SEU TRABALHO
SÃO ALGUMAS DAS AÇÕES Duas em cada três
PASSÍVEIS DE DENÚNCIA. das denúncias foram das denúncias pessoas atendidas
contra atuais ou foram feitas por no SUS em razão de
antigos parceiros mulheres negras violência física ou
sexual são mulheres
Fonte: Fonte:
Balanço anual do Ligue 180, Balanço anual do Ligue 180, do Fonte:
do Governo Federal, 2019 Governo Federal, 2019 DataSUS, dados de 2018

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


SEXUAL MORAL
FORÇAR RELAÇÕES SEXUAIS QUANDO QUANDO HÁ CALÚNIA,
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

A MULHER NÃO QUER OU QUANDO ELA DIFAMAÇÃO OU INJÚRIA Foram registradas

67.438
ESTÁ DORMINDO OU SEM CONDIÇÕES ENVOLVIDAS NA AGRESSÃO.
DE CONSENTIR, FAZER COM QUE ELA ALGUNS EXEMPLOS: FAZER
OLHE OU PARTICIPE DE SITUAÇÕES COMENTÁRIOS OFENSIVOS NA
61% 36 %
DENÚNCIAS
SEXUAIS CONTRA A SUA VONTADE SÃO FRENTE DE OUTRAS PESSOAS, dos atendimentos
das denúncias de crimes de violência
EXEMPLOS DESSE TIPO DE VIOLÊNCIA. EXPOR A VIDA ÍNTIMA DO CASAL, de violência tiveram
de violência doméstica doméstica no Brasil,
TAMBÉM É VIOLÊNCIA SEXUAL INVENTAR HISTÓRIAS E/OU registro de reincidência em 2019, no Ligue 180
são referentes à
IMPEDIR A MULHER DE PREVENIR A FALAR MAL DA MULHER PARA no exercício da violência do Governo Federal
violência física
GRAVIDEZ, FORÇÁ-LA A ENGRAVIDAR OS OUTROS COM O INTUITO DE contra a mulher
Fonte: Fonte:
OU AINDA FORÇAR O ABORTO QUANDO DIMINUÍ-LA PERANTE AMIGOS E
Balanço anual do Ligue 180, do Fonte: Anuário Brasileiro de
ELA NÃO QUISER. PARENTES. Governo Federal, 2019 DataSUS, dados de 2018 Segurança Pública de 2020

24 25
novembro de 2020

AO FALAR DE “A vítima tem medo, sofre

VIOLÊNCIA
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

ameaças, às vezes vive em


situação de dependência

DOMÉSTICA,
financeira. Ela não precisa
de mais julgamento.”
MARIANA KOTSCHO,
jornalista
ATENTE-SE:

Só há uma vítima Denunciar é difícil Não há amor A causa é sempre a mesma

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


É importante pontuar se o Não é fácil denunciar uma Crimes de violência de gênero A violência doméstica não se
agressor tinha um caráter violento situação de violência e esse nem não devem ser associadas a explica por ciúme, por descontrole,
ou tranquilo, até para eliminar sempre é um objetivo. A mulher sentimentos nobres, positivos. por excesso de bebida. A violência
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

o imaginário social de que um mantém uma relação de afeto com Não há pesar pela história do contra as mulheres se dá pela
homem que agride é tipicamente o agressor, teme pelos filhos, muitas casal, somente pelo sofrimento da posição desigual que mulheres e
mau. Mas isso deve ser feito de vezes sofre ameaças de morte. Cuidado vítima. Por isso, não use palavras homens ocupam na sociedade. A
forma sucinta e objetiva. Alterne para não colocar nenhum teor de como paixão ou amor no texto. concepção criada para os papéis
eventuais características positivas julgamento em suas perguntas. Em Evite também a palavra ciúme, de gênero faz com que muitos
com a descrição dos momentos de vez de perguntar “por que você passou especialmente como justificativa homens se sintam no direito de
agressividade que são comuns durante tanto tempo apanhando calada?”, da agressão. Não use termos possuir e controlar a parceira
o ciclo da violência (mais na pág. 28). prefira “houve algum motivo para não ou narre episódios que possam ou ex-parceira. Atente para não
A ideia é não tirar o foco da vítima e fazer denúncia antes?”. Em vez de “você transformar aquela história descrever fatores agravantes ou
jamais deixar de lembrar que ele vai voltar para ele?” pergunte se ela já em uma “história de amor” desencadeantes da violência como
é um agressor. encontrou apoio psicológico. malsucedida. sua principal causa.

26 27
novembro de 2020

EMAIS...

O QUE É O CICLO
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

2. MOMENTO DE EXPLOSÃO
É O MOMENTO DO EPISÓDIO VIOLENTO,
QUE PODE SER UMA AGRESSÃO FÍSICA,

DA VIOLÊNCIA?
SEXUAL, PSICOLÓGICA, PATRIMONIAL
OU MORAL. EM GERAL, É NA SEGUNDA
FASE QUE A MAIORIA DAS VÍTIMAS
PROCURA AUXÍLIO PARA LIDAR COM
A VIOLÊNCIA.

Ciclo da violência é um conceito ELE É CARACTERIZADO


criado na década de 1970 para POR TRÊS ESTÁGIOS:
explicar um padrão encontrado na
maior parte dos casos de violência
doméstica, especialmente entre casais.
Compreender o ciclo de violência
ajuda a entender a dinâmica das
relações violentas e a dificuldade de a
mulher sair dessa situação.

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

1. AUMENTO DA TENSÃO
O AGRESSOR SE MOSTRA IRRITADO, 3. LUA DE MEL
FAZENDO AMEAÇAS, INJÚRIAS O HOMEM SE MOSTRA ARREPENDIDO.
E RECLAMAÇÕES EXAGERADAS ELE AGRADA A MULHER DE MUITAS
SOBRE A ROTINA OU ATITUDES FORMAS E TENTA CONVENCÊ-LA DE
DA COMPANHEIRA, QUE BUSCA Fonte: QUE NÃO HAVERÁ REPETIÇÃO. O CICLO
ACALMÁ-LO PARA EVITAR A DEAM/Santarém RECOMEÇA EM UM ALGUNS DIAS,
Elaborado em
EVOLUÇÃO PARA SEGUNDA FASE. 08.03.2016 MESES OU MESMO ANOS.

28 29
novembro de 2020

VIOLAÇÃO SEXUAL ESTUPRO DE VULNERÁVEL ASSÉDIO SEXUAL


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

MEDIANTE FRAUDE É TODO AQUELE EM QUE A VÍTIMA ESSE TIPO DE ASSÉDIO DIZ RESPEITO
É A CONJUNÇÃO CARNAL OU ATO TEM MENOS DE 14 ANOS DE IDADE A UM CONSTRANGIMENTO SEXUAL
LIBIDINOSO QUE OCORRE QUANDO, COMPLETOS OU SÃO PESSOAS DE PRATICADO POR ALGUÉM EM POSIÇÃO
APESAR DA VÍTIMA CONSENTIR, O FEZ QUALQUER IDADE SEM CAPACIDADE DE PODER SUPERIOR À DA VÍTIMA.
SOB ARGUMENTOS QUE NÃO ERAM DE CONSENTIMENTO (PESSOAS COMO, POR EXEMPLO, UM CHEFE QUE
VERDADEIROS POR PARTE DO AUTOR DO EMBRIAGADAS, DROGADAS OU COM AMEAÇA DEMITIR UMA FUNCIONÁRIA
CRIME. CASOS DE MÉDICOS QUE TOCAM DEFICIÊNCIA SÃO CONSIDERADAS CASO ELA NÃO FAÇA SEXO COM ELE.
UMA PACIENTE SEM NECESSIDADE, VULNERÁVEIS,, POR EXEMPLO).
SOMENTE PARA TER ACESSO ÀS SUAS
PARTES ÍNTIMAS, POR EXEMPLO.

VIOLÊNCIA DADOS E
ESTUPRO Em 2019, o
É QUALQUER PRÁTICA DE Brasil registrou

181 ESTUPROS
CONJUNÇÃO CARNAL OU ATO

SEXUAL NÚMEROS
LIBIDINOSO QUE ACONTECE
FORÇADAMENTE, SOB VIOLÊNCIA por dia
OU AMEAÇA. TAMBÉM É ESTUPRO
A PRÁTICA SEXUAL QUE ACONTECE
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SEM CONSENTIMENTO EXPRESSO DA
VÍTIMA — MESMO DURANTE O SEXO,
UMA MULHER PODE NÃO QUERER

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA SEXUAL


FAZER UMA DETERMINADA PRÁTICA.
SE SEU PARCEIRO A OBRIGAR A
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

FAZER, É ESTUPRO.

É qualquer ação em que a vítima IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Em Em


seja obrigada a praticar atos sexuais ou
seja exposta a atos sexuais contra
É PRATICAR CONTRA ALGUÉM UM
ATO LIBIDINOSO PARA SATISFAÇÃO
58 %
84% 85,7%
a sua vontade. PRÓPRIA SEM CONSENTIMENTO DA
das vítimas de todos os casos, desses casos
têm até 13 a vítima conhecia a vítima era
Na cobertura jornalística, os VÍTIMA. HOMENS QUE SE MASTURBAM
anos de idade o agressor uma mulher
crimes mais reportados são os de DIANTE DE UMA MULHER SEM O SEU
assédio sexual, importunação sexual, CONSENTIMENTO OU QUE EJACULAM
violação sexual mediante fraude, EM MULHERES DENTRO DE UM ÔNIBUS Fonte:
estupro e estupro de vulnerável. SÃO EXEMPLOS. Anuário Brasileiro de Segurança Pública

30 31
novembro de 2020

AO FALAR DE

VIOLÊNCIA
A exposição prejudica a vítima
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Ainda que a vítima queira mostrar


o próprio rosto, considere não usar
a sua foto como imagem principal

SEXUAL,
da matéria. Em vez disso, opte por
imagens genéricas, com função
ilustrativa. O estupro é um crime que
implica em muito julgamento sobre
a mulher, por isso, não dê elementos
ATENTE-SE:
que facilitem a identificação da vítima,
como local de moradia, trabalho ou
localização de familiares.

Não há sentimentos positivos


Usar a palavra estupro Boletim de ocorrência não é usava roupas curtas, justas, Abomine o uso de termos como
é fundamental obrigatório, mas desejável decotadas…). Esses argumentos, “paixão”, “tesão”, “excitação” ou “desejo”.
O estupro é um crime muito O registro do boletim de inclusive, costumam ser usados Crimes sexuais são uma manifestação
subnotificado. Isso porque, além ocorrência não é necessário para pela defesa do acusado, para de poder do agressor sobre a vítima,
do constrangimento e da culpa que a vítima receba atendimento atenuar a gravidade do crime. Se reforçado pela cultura do estupro.
imposta às vítimas, o poder público médico e psicológico e tenha acesso for necessário reproduzi-los, não
é ineficiente para tratar os casos, por aos seus direitos legais, mesmo de o faça sem deixar claro o absurdo Crianças merecem
incapacidade técnica ou ideológica. aborto que, nesse caso, é legalizado do argumento. cuidados redobrados

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA SEXUAL


É dever da mídia não atenuar os no Brasil. No entanto, o BO é um Nos casos em que as vítimas
crimes e sensibilizar a sociedade para documento obrigatório para quem são crianças, a preservação da
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

a gravidade do problema. Estupro não quer fazer exame de corpo delito, sua identidade é obrigatória e
“Eu faço questão de
é sexo. Por isso, nunca escreva frases que pode gerar provas importante garantida pelo Estatuto da Criança
como “o ato sexual aconteceu na casa caso a mulher deseje processar o
reproduzir essas falas para e do Adolescente (ECA). Qualquer
da vítima”. Como sinônimos, “ato agressor. que as leitoras entendam menção à vida dela, como a
sexual” ou “fazer sexo” só devem ser o quão machista ainda é escola em que estuda ou o local
usados quando a coerção estiver clara: A vítima nunca é culpada a sociedade, mas sempre de trabalho de um familiar, pode
“ela foi obrigada a fazer sexo”. Sempre Especialmente em casos de ser o ponto de partida para a sua
as contextualizando como
que possível, utilize as expressões estupro, é comum que a mulher identificação. Tampouco use o termo
mais corretas: “ele a estuprou” ou seja julgada como tendo alguma
inadequadas.” “menor”, que remete ao estigma da
“cometeu crime de estupro”, sendo que culpa no que aconteceu (bebia LUIZA SOUTO, criminalidade. Em vez disso, use
o estupro pode ser vaginal, oral, anal. muito, saía sozinha, era madrugada, repórter de Universa menina ou criança.

32 33
novembro de 2020

FEMINICÍDIO
E MAIS...

A IMPORTÂNCIA DO
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

O QUE VOCÊ PRECISA SABER

CONSENTIMENTO Feminicídio é o assassinato de


uma mulher pelo fato de ela ser
feminicídio é um qualificador do crime
de assassinato e não é o antônimo de
mulher. Ou, como dito no relatório homicídio. A tipificação representa um
Sexo só existe com ou do não consentimento. Ela final da Comissão Parlamentar Mista reconhecimento de que o assassinato de
consentimento. Em casos de indica que sejam feitas três de Inquérito sobre Violência contra mulheres tem características próprias e
crimes sexuais, o consentimento perguntas: Mulher, “o feminicídio é a instância está, na maior parte das vezes, associado
só é válido quando expresso última de controle da mulher pelo a contextos discriminatórios.
explicitamente. A ausência de As duas pessoas consentem homem: o controle da vida e da morte”. A lei não traz nenhuma
“não” não é sinônimo de “sim”. Sob afirmativamente em praticar aquela Esses crimes costumam ser motivados especificidade sobre o assassinato de
ameaça ou força, a reação pode vir relação sexual? A aceitação de uma por ódio, desprezo ou sentimento de mulheres travestis e transgêneros:
em forma de luta ou paralisia. prática não significa a aceitação de perda do controle e da propriedade esse enquadramento depende do
todas as práticas sexuais.
É importante lembrar também sobre as mulheres. entendimento da autoridade judicial.
que o não consentimento pode ser O crime está tipificado no Código No entanto, alguns tribunais do
As duas pessoas têm capacidade
dado a qualquer momento. Uma Penal desde 2015, segundo o qual país, como o do Distrito Federal, já
de consentir? Droga, bebida ou o sono
mulher pode já estar na cama, um feminicídio pode ocorrer em consideraram um caso de tentativa
retiram a capacidade da mulher de
despida, e não querer fazer sexo. decidir sobre o seu corpo. ambiente doméstico, como resultado de assassinato de uma mulher trans
Uma esposa pode se negar a fazer da violência doméstica e familiar, ou no como tentativa de feminicídio. Cabe
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

CONDUTAS ESPECÍFICAS; FEMINICÍDIO


sexo com o marido. Uma mulher Esse consentimento é manifestado âmbito público, com menosprezo ou ao jornalista questionar, sempre que
que esteja fazendo sexo com o de forma livre de coação ou qualquer discriminação à condição de mulher estiver cobrindo o assassinato de uma
namorado pode se recusar a fazer tipo de pressão? por parte do autor. mulher trans, se o crime poderá ser
sexo oral, por exemplo. A violação Nem todo assassinato de uma registrado e julgado como feminicídio.
de qualquer uma dessas vontades é “O consentimento deve ser mulher é um feminicídio. Há outras No Brasil, o feminicídio praticado
considerada estupro. expresso, em uma manifestação situações que culminam em morte e contra mulher grávida, mãe de bebê
APRESENTAÇÃO.

Em um ciclo de debates positiva e consciente. Qualquer coisa que não têm relação com a condição de até três meses, pessoa vulnerável
promovido pelo Instituto Patrícia diferente disso é estupro”, diz. Em desigual que a mulher ocupa na (menor de 14 ou maior de 60 anos de
Galvão, a promotora de justiça uma reportagem, é importante que sociedade -- mulheres podem ser idade) ou na presença de filhos ou pais
Silvia Chakian é bem didática ao esse conceito seja reforçado sempre mortas por bala perdida ou durante da vítima é considerado mais grave. Por
explicar a análise do consentimento que possível. um assalto, por exemplo. Portanto, isso, há um aumento da pena.

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novembro de 2020

DADOS E
AO FALAR DE

FEMINICÍDIO,
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

NÚMEROS ATENTE-SE:

59%
dos casos aconteceram O termo correto é feminicídio “Precisamos evoluir junto
1.326 CASOS dentro de casa Segundo o livro “Feminicídio
com os progressos trazidos
de feminicídio foram #InvisibilidadeMata”, publicado pelo
Instituto Patrícia Galvão e Fundação
pela luta pela igualdade
registrados em 2019 no Brasil
Rosa Luxemburgo, a difusão do termo de gênero. É preciso deixar
feminicídio aumenta a visibilidade para trás termos que
da dimensão e dos contextos dos podem suavizar o fato.
feminicídios praticados no Brasil,
É o machismo enraizado
é uma oportunidade para que o
feminicídio não seja minimizado
nas instituições e nas
66,6% e ajuda no combate às práticas
discriminatórias contra as mulheres
profissões.”
das vítimas foram BIANCA ALVES,
no sistema de Justiça.
mulheres negras advogada, coordenadora do Grupo de
Trabalho de Enfrentamento à Violência
Feminicídio não Doméstica na OAB/RJ.
é crime “passional”
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CONDUTAS ESPECÍFICAS; FEMINICÍDIO


No século passado, qualquer
crime de gênero recebia essa Nome social é
classificação. Mas hoje já há o questão de respeito
reconhecimento de que feminicídios Nos casos de crimes de feminicídio
não são crimes passionais, pois não em que a vítima são mulheres
Em
estão relacionados à paixão, mas ao transgênero, não cite o nome de
90% menosprezo pela vida da mulher. registro ou utilize o pronome “ele” para
do total de casos, o Tampouco use termos como “defesa se referir à vítima. A construção do
autor do crime era um da honra” ou “sob violenta emoção”. texto tem que ser baseada no gênero
Fonte: companheiro ou um ex- Essa abordagem transfere a culpa de escolha. O correto é “a travesti”,
Anuário Brasileiro de Segurança Pública companheiro da vítima para a vítima. por exemplo. E se o registro oficial

36 37
novembro de 2020

não respeitou o desejo da vítima em Nós somos racistas O Instituto Patrícia Galvão elaborou uma lista de perguntas elencadas
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

vida, vale questionar e apontar na Uma pesquisa feita pelo Instituto a partir da concepção de preservação de direitos contida nas diretrizes de
reportagem. Patrícia Galvão que resultou no investigação de feminicídios da ONU Mulheres que ajudam a garantir
documento “Imprensa e Direitos das uma apuração responsável e engajada na cobertura de casos de homicídios
A história da vítima Mulheres — Papel social e desafios de mulheres. A lista foi divulgada no documento “Imprensa e Direitos
é a que mais conta da cobertura sobre feminicídio das Mulheres — Papel social e desafios da cobertura sobre feminicídio e
Se há um passado que precisa ser e violência sexual” revelou que violência sexual”.
contado é o passado da mulher, que a imprensa tende a não fazer o
vai mostrar o histórico do machismo acompanhamento dos crimes
estrutural a que ela era submetida. envolvendo mulheres negras ou
Ainda que não seja possível ouvir a pertencentes a camadas sociais mais O crime será investigado como Suspeito/agressor tinha antecedentes
vítima, é possível falar com familiares, baixas. Por outro lado, foi muito feminicídio segundo a Lei nº 13.104/2015? de violência contra mulheres?
amigos e pessoas próximas. A variedade recorrente a divulgação de imagens
Se o assassinato foi cometido Há informação sobre quando
de fontes humaniza e contextualiza de suspeitos negros, ao passo que
em contexto de violência começaram as agressões/histórico
a história, além de ajudar a entender homens não negros e de classe média
doméstica e familiar ou foi de violência?
onde as instituições falharam no ou alta eram apresentados pelas acompanhado de violência sexual,
acolhimento àquela vítima. reportagens como os que tinham por que o boletim de ocorrência Houve agressões contra outras
histórico de bom comportamento, registrou o caso como homicídio pessoas, da família ou próximas à vítima?
uma carreira e bons antecedentes. simples?
“Mesmo que não se Houve destruição de pertences
escute a mulher, é A vítima buscou ajuda antes do crime? importantes para a vítima ou crime
contra animais de estimação?
preciso ouvir todas as Se a vítima buscou ajuda, qual foi o
outras partes: familiares, tipo de apoio ou serviço procurado? Há informações sobre agressões ao
E MAIS...
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

CONDUTAS ESPECÍFICAS; FEMINICÍDIO


pessoas envolvidas,

CHECKLIST
corpo em áreas típicas do feminino
A vítima tinha feito denúncias (rosto, seios e genitais)?
que acompanharam o
anteriores?
relacionamento. Mesmo Há características de lesbofobia/
que não se escute mulher,

PARA A
A vítima tinha medida protetiva? transfobia/racismo ou violência
é preciso saber o que a excessiva/tortura que indiquem
Quais serviços da rede de misoginia no caso?
história dela contava, atendimento à mulher em situação de

APURAÇÃO
explicar o que aconteceu.” violência podem ser buscados na região Há informações sobre características
MARIA CAROLINA TREVISAN,
do crime? da vítima, como raça, orientação sexual,
jornalista e colunista identidade de gênero, situação de
de Universa vulnerabilidade?

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novembro de 2020

VIOLÊNCIA
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

DE GÊNERO
NA INTERNET
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
PORNOGRAFIA DE VINGANÇA
QUANDO IMAGENS ÍNTIMAS DE UMA
PERSEGUIÇÃO
ACONTECE QUANDO O AGRESSOR (QUE
MULHER SÃO DIVULGADAS SEM A COSTUMAMOS CHAMAR DE STALKER)
SUA AUTORIZAÇÃO. OS AGRESSORES ENVIA REPETIDAMENTE MENSAGENS
COSTUMAM SER O PARCEIRO, MAS À VÍTIMA, FABRICA E PUBLICA BOATOS
TAMBÉM HÁ CASOS DE DESCONHECIDOS A RESPEITO DELA, ENTRA EM CONTATO
QUE PUBLICAM IMAGENS COM COM AMIGOS E FAMILIARES COMO
INTENÇÃO DE EXPOR A MULHER. FORMA DE INTIMIDAÇÃO.

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA INTERNET


As violências às quais as
mulheres estão submetidas em
casa, no trabalho ou na rua
também as perseguem na internet.
No ambiente digital, ou por meio
dele, mulheres são expostas,
humilhadas e ridicularizadas.
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

Quando essa violência assume


um caráter de diminuição
somente pela vítima ser mulher,
podemos classificá-la também
como violência de gênero. Conheça CYBERBULLYING SEXTORSÃO
alguns exemplos de violência de É O BULLYING QUE TOMA O MEIO É A PRÁTICA DE USAR FOTOS ÍNTIMAS
gênero na internet: DIGITAL, COM COMENTÁRIOS E DA MULHER PARA TENTAR OBTER ALGO
PUBLICAÇÕES DEPRECIATIVOS SOBRE EM TROCA. HÁ CASOS DE SEXTORSÃO
A MULHER, COM XINGAMENTOS PARA GANHAR DINHEIRO DA VÍTIMA OU
BASEADOS NO SEU GÊNERO CONSEGUIR UM ENCONTRO OU OUTRAS
E/OU SUA COR. IMAGENS ÍNTIMAS.

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novembro de 2020

DADOS E
medida protetiva para não haver
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

qualquer tipo de aproximação da


vítima ou de seus familiares. Se não

NÚMEROS
houver tal proximidade, a mulher
pode registrar crime de ameaça.
Mas a busca de uma solução por
meio da Justiça não é a única. As
mulheres podem solicitar às redes
sociais a retirada do conteúdo, e fazer
o mesmo com sites que hospedam as
imagens. Também há possibilidade Em 2019, houve
de pedir ao Google que remova o
resultado das buscas. 8.068
Ações da sociedade civil REGISTROS
também buscam combater esse
de ocorrência com
No Brasil, não há uma legislação tipo de violência. No SaferNet, crimes envolvendo
específica que abrace todos esses há um espaço para denúncias e a nova lei de
28%

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA INTERNET


casos. A legislação vigente prevê também orientação gratuita. A importunação sexual.
até cinco anos de prisão para quem organização Coding Rights produziu É esta a lei que dos homens ouvidos
publicar, receber ou distribuir o conteúdo Safernudes, um guia de prevê a punição em uma pesquisa
conteúdos pornográficos sem segurança digital sobre fotos íntimas. por vazamento de realizada pelo Data
consentimento de uma das partes, e Mas lembre-se: a exposição sem imagens íntimas sem Popular/Instituto Avon
a mesma pena vale para divulgação consentimento não é culpa da vítima, consentimento de em 2014 afirmaram ter
de estupro, estupro de vulnerável ou mas sim de quem a expõe nas redes. uma das partes repassado imagens
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

qualquer nudez. de mulheres nuas


Fonte:
A vítima pode buscar registro Anuário Brasileiro de que receberam pelo
Segurança Pública. Os
em delegacias da mulher ou nas
dados consideram somente
celular, sejam elas
delegacias especializadas em 21 unidades federativas fotos ou vídeos
crimes virtuais. Se a vítima tiver
proximidade afetiva ou familiar
com o agressor, casos de sextorsão, Abril de 2020 teve 156% mais pedidos de suporte
perseguição ou cyberbullying podem com vazamento de nudes em relação ao mesmo
ser enquadrados diretamente como mês do ano anterior
violência psicológica sob a lei Maria Fonte:
da Penha. Nesses casos, também cabe ONG Safernet

42 43
novembro de 2020

AO FALAR DE

VIOLÊNCIA
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

DE GÊNERO
NA INTERNET, Cada região funciona
ATENTE-SE: de um jeito
Nem toda delegacia de crimes
digitais é responsável por registrar
casos de violência de gênero na
internet. Em alguns estados e cidades,

CONDUTAS ESPECÍFICAS; VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA INTERNET


cabe à delegacia especializada de
atendimento à mulher registrar e
acompanhar o caso. Apure como
Nem sempre há um BO enviado fotos a alguém, por exemplo. “A matéria tem que trazer a funciona na sua região e informe
Casos de violência de gênero na Explicite que é direito dela dividir corretamente.
responsabilidade de quem
internet nem sempre levam a vítima a sua intimidade, mas a pessoa que
denunciar, seja por medo ou por não recebe não tem direito de espalhar
está compartilhando e Há caminhos alternativos
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

entender aquela ação como um crime. aquele conteúdo. Atenha-se às decisões de que maneira estamos É imprescindível que se divulgue
Ao relatar um caso desse tipo, deixe que levaram o agressor a cometer a pensando a nossa como a lei pune os crimes de violência
claro se a vítima buscou outra forma violência. responsabilidade nas de gênero na internet e os caminhos
de suporte para cessar aquela violência. de amparo à vítima na legislação.
tecnologias digitais. A
Compartilhar é crime Mas como nem toda mulher registra
Mais uma vez, a vítima Quem compartilha e
internet não é terra sem lei.” o boletim de ocorrência, nomeie
não tem culpa consome imagens divulgadas sem também iniciativas que oferecem
A única pessoa que pode evitar consentimento também é cúmplice. BEATRIZ ACCIOLY, ajuda e divulgue as outras formas
antropóloga, pesquisadora do Núcleo
uma violência é quem pratica. Evite Reportagens devem dar ênfase à de ação, como a denúncia às redes
de Estudos sobre Marcadores Sociais
construir textos que julguem, ainda responsabilidade de cada um em da Diferença do Departamento de sociais e remoção do resultado na
que sutilmente, o fato de a mulher ter relação às trocas de imagens íntimas. Antropologia da (FFLCH/USP). busca do Google.

44 45
novembro de 2020

LEGISLAÇÃO
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

medidas que afastem o agressor


da vítima e abolir qualquer lei que
pudessem contribuir para o cenário
de violência de gênero.
Entretanto, o Brasil caminhou a
passos lentos na institucionalização
de mecanismos de combate a essas
violências. A primeira lei federal
com esse destaque foi sancionada
em 2001: a lei do assédio sexual,
com punição de até dois anos para
quem impõe ou coage outra pessoa
em termos sexuais utilizando-se
do fato de ser hierarquicamente
superior a ela. Alguns anos depois,
em 2005, foi sancionada a lei que
Conheça as leis mais a Convenção sobre a Eliminação direitos. O texto não cita “violência”, viria a ser aperfeiçoada até chegar
importantes para a defesa da de Todas as Formas de mas foi o pontapé para outros à punição por violência sexual
mulher contra a violência de Discriminação contra a Mulher eventos importantes do gênero, como mediante fraude.
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

gênero (CEDAW, 1979). a Convenção de Belém do Pará. Mas em 2006, o Brasil


A CEDAW foi a primeira O texto de Belém do Pará, sancionou a principal lei que
O Brasil assinou todos os convenção que discutiu os posteriormente publicado em define mecanismos de combate e
tratados e convenções internacionais direitos das mulheres. A literatura decreto, define que “a eliminação prevenção à violência doméstica, que
que firmaram compromisso de especializada convenciona chamar da violência contra a mulher é é o tipo mais comum de violência

ANEXOS; LEGISLAÇÃO
combate à violência de gênero. o texto da CEDAW de Carta Magna condição indispensável para seu contra a mulher: a Lei Maria da
Os mais emblemáticos são a da luta pelos direitos das mulheres desenvolvimento individual e social”. Penha. A LMP define itens como
Convenção Interamericana de todo o mundo. A partir dela, Foi nesta Convenção que os Estados as medidas protetivas, que buscam
para Prevenir, Punir e Erradicar foram criados mecanismos para signatários firmaram compromisso garantir o pleno viver das mulheres
a Violência contra a Mulher monitorar se os Estados signatários de incorporar leis de combate à vítimas, estabelece os direitos das
(Convenção de Belém do Pará, 1994) e estão empenhados em garantir tais violência contra a mulher, adotar mulheres em situação de violência e

46 47
novembro de 2020

COMO DENUNCIAR
sistematiza a necessidade de criação de gênero é a Lei da Importunação
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

de delegacias, núcleos de defensoria Sexual, de 2018. É neste texto que,

A VIOLÊNCIA
pública e juizados de violência agora, podem ser registrados os
doméstica. episódios de homens que ejaculam em
O texto não cria nenhum crime, mulheres dentro de ônibus ou metrôs,
portanto não há crime de “violência por exemplo. Na mesma lei, foram
doméstica”, por exemplo. O que tipificados os crimes de divulgação
acontece são episódios de crime, de cena de estupro e de pornografia,
que já existem no Código Penal, que estas sem consentimento da vítima.
são registrados sob a Lei Maria da Com isso, os casos de vazamentos de É papel do jornalismo prestar
Penha. Isso acontece para garantir nudes agora podem ser enquadrados informações sobre serviços
acesso das mulheres em situação de na lei. O mesmo texto estipula pena de denúncia e acolhimento à
violência aos mecanismos legais de específica para os crimes de estupro mulheres vítimas de violência
proteção e também para auxiliar na coletivo ou corretivo, contra lésbicas, doméstica. Estas são as
produção de dados, que orientam por exemplo. informações que não podem
políticas públicas. A Lei Carolina Dieckmann, deixar de aparecer nas suas
Desde então, até 2018, foram de 2013, trata sobre crimes de matérias:
criadas outras 10 leis federais que internet. A partir dela, podem ser
aperfeiçoaram ou criaram textos para enquadrados como crime o ato de
punição aos crimes de violência. Um invadir computadores para obter
dos destaques é a definição do crime qualquer informação. Há agravantes
de estupro de vulnerável, que se o roubo gera prejuízo econômico,
acontece quando a vítima é menor de controle de máquinas ou venda do O Ligue 190 é o número de

ANEXOS; COMO DENUNCIAR A VIOLÊNCIA


14 anos ou não é capaz de consentir conteúdo obtido. emergência indicado para quem
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

ou oferecer resistência, como É importante que um jornalista estiver presenciando uma situação de
portadores de deficiência mental. que cubra questões relacionadas agressão. A Polícia Militar poderá agir
Outra lei fundamental no avanço a direitos das mulheres conheça imediatamente e levar o agressor a uma
do combate à violência de gênero é as especificidades dessa legislação. delegacia.
a Lei do Feminicídio, de 2015. Ela O conhecimento da lei garante
define que os homicídios praticados uma apuração mais acertada, com Ligue 180 é o canal criado para
contra mulheres somente pelo questionamento das autoridades mulheres que estão passando por
fato de serem mulheres devem ser policiais e judiciais sobre os situações de violência. A Central de
classificados de uma forma específica. mecanismos usados naquela Atendimento à Mulher funciona em todo
A lei mais recente que preenche investigação e de suporte à mulher o país e também no exterior, 24 horas
uma lacuna no combate à violência em situação de violência. por dia. A ligação é gratuita. O Ligue

48 49
novembro de 2020

LISTA
180 recebe denúncias, dá orientação protetiva pode ser solicitada no
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

de especialistas e encaminhamento momento do registro da ocorrência ou


para serviços de proteção e auxílio ainda sem passar pela Polícia Civil. Para

DE
psicológico. Também é possível acionar isso, basta pedir à Justiça -- há tribunais
esse serviço pelo Whatsapp. Nesse caso, estaduais que permitem esse serviço
acesse o (61) 99656-5008. online.

FONTES
Também é possível realizar denúncias Caso a mulher não queira procurar
de violência contra a mulher pelo imediatamente uma delegacia, pode
aplicativo Direitos Humanos Brasil e buscar outras formas de apoio nos

ÚTEIS
na página da Ouvidoria Nacional de núcleos de Atendimento à Mulher
Diretos Humanos (ONDH) do Ministério nas Defensorias Públicas, Centros
da Mulher, da Família e dos Direitos de Referência em Assistência Social,
Humanos (MMFDH). No site está Centros de Referência de Assistência
disponível o atendimento por chat e com em Saúde ou nas Casas da Mulher
acessibilidade para a Língua Brasileira Brasileira. Lá, poderá ser encaminhada
de Sinais (Libras). Se preferir, é possível para uma casa-abrigo ou para serviços
fazer a denúncia por meio do Telegram: psicológicos ou jurídicos. NÚCLEOS DE ESTUDOS DE GÊNERO ESTUDOS SOBRE VIOLÊNCIA
basta acessar o aplicativo, digitar na DE UNIVERSIDADES E CRIMINALIDADE NA
busca “DireitosHumanosBrasil” e mandar O Disque 100 registra ocorrências CONTEMPORANEIDADE
mensagem para a equipe da Central de de crimes cometidos contra criança, COSMOLOGIA VIOLENTA. ESTUDO Universidade Federal
Atendimento à Mulher – Ligue 180. adolescente, pessoa idosa ou pessoa SOBRE A COMPREENSÃO DO de Sergipe - UFS
com deficiência. Esse canal também COMPORTAMENTO DE HOMENS (79) 21056767
Vítimas de violência doméstica podem pode ser acionado pela internet, por VIOLENTOS EM CRIMES CONTRA dancacosta@hotmail.com
denunciar uma agressão à polícia em até meio do aplicativo Proteja Brasil, com MULHERES
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

seis meses a partir da data da agressão. download gratuito em celulares com


Universidade Federal GRAV - GRUPO DE RELAÇÕES
Se não houver uma delegacia da mulher sistemas operacionais iOS e Android.
do Rio de Janeiro - UFRJ AFETIVAS E VIOLÊNCIA

ANEXOS; LISTA DE FONTES ÚTEIS


nas proximidades, a vítima pode procurar
(21) 98459-1903 Universidade Federal
qualquer delegacia para registrar o crime. Mulheres vítimas de estupro podem
anasabadell@yahoo.com da Paraíba - UFPB
buscar os hospitais de referência em
Caso esteja se sentindo em risco, atendimento para violência sexual para (83) 99921-3939
a vítima pode solicitar uma medida tomar medicação de prevenção de ISTs, DIREITOS HUMANOS, VIOLÊNCIA marcelazamboni@gmail.com
protetiva de urgência. Com a medida, é ter atendimento psicológico e fazer DE GÊNERO E IDENTIDADES
possível exigir que o agressor mantenha interrupção da gestação legalmente. Faculdades Unidas do Norte GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS:
uma distância mínima da vítima e Aqui tem uma lista checada de onde de Minas - FUNORTE FEMINISMOS E VIOLÊNCIAS DE
de seus familiares, além de outros realmente é feito o procedimento: (38) 99916-5664 GÊNERO
mecanismos de defesa. A medida www.abortolegal.org mfernanda_cambuy@hotmail.com Universidade Estadual

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novembro de 2020

do Centro-Oeste - UNICENTRO dorlimarques@yahoo.com.br PÚBLICAS, DIREITOS HUMANOS, EM GÊNERO: UMA ANÁLISE


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

(42) 3629-8399 GÊNERO, VULNERABILIDADES E INTERDISCIPLINAR DA APLICAÇÃO


Celular/Whatsapp: GRUPO INTERDISCIPLINAR EM VIOLÊNCIAS DA NORMATIVA NACIONAL E
(42) 98412-4945 GÊNERO, RAÇA E SEXUALIDADES Universidade Federal INTERNACIONAL NO BRASIL
numapeguarapuava2018@gmail.com (GIGRAS) de Mato Grosso do Sul - UFMS Pontifícia Universidade Católica
Universidade Federal (67) 98151-5803 do Rio de Janeiro - PUC-Rio
GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS da Fronteira Sul - UFFS claudia.araujolima@gmail.com (21) 3527-1104
SOBRE AS RELAÇÕES SOCIAIS DE (54) 3321-7312 marcianb@puc-rio.br
GÊNERO E FEMINISMO (GEF) marcos.vieira@uffs.edu.br NUMAPE
Universidade do Estado do Rio NÚCLEO MARIA DA PENHA -TOLEDO VIOLÊNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO
Grande do Norte - UERN LABORATÓRIO AVANÇADO NOS Unioeste Universidade Estadual Paulista
(84) 3315-2210 ESTUDOS DE GÊNERO E VIOLÊNCIA (45) 3379-4099 Júlio de Mesquita Filho - UNESP
mirlacisne@gmail.com Universidade Federal Whatsapp: (01) 3302-5884
de Uberlândia - UFU (45) 3379-4099 olgamattioli@uol.com.br
GRUPO DE PESQUISAS E ESTUDOS (34) 3225-8603 numapetoledo@gmail.com
SOBRE VIOLÊNCIA E SAÚDE SEXUAL denarigiuliani@bol.com.br
E REPRODUTIVA POLÍTICAS DE PREVENÇÕES DAS DEFENSORIAS PÚBLICAS
Universidade Federal do Piauí - UFPI LEVIS VIOLÊNCIAS, ACESSO À JUSTIÇA,
(89) 3522-4758 LABORATÓRIO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DEFENSORIA PÚBLICA
gpvess@ufpi.edu.br DAS VIOLÊNCIAS E GÊNEROS DO ESTADO DO ACRE
Universidade Federal Universidade Federal (68) 3223-2554 / 8318
GRUPO DE PESQUISA SOBRE de Santa Catarina - UFSC do Rio de Janeiro - UFRJ dpe.assessoria@gmail.com
VIOLÊNCIA DE GÊNERO (48) 3721-9714 (21) 99766-1466
Universidade Estadual levis@contato.ufsc.br miriamufrj@gmail.com DEFENSORIA PÚBLICA
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

de Londrina - UEL DO ESTADO DE ALAGOAS


(43) 3371-4245 NAH PROGRAMA DE INVESTIGAÇÃO (82) 3315-2785

ANEXOS; LISTA DE FONTES ÚTEIS


sanlou@uel.br NÚCLEO DE ATENDIMENTO EPIDEMIOLÓGICA EM VIOLÊNCIA dpeal.ascom@gmail.com
HUMANIZADO FAMILIAR (PIEVF)
GRUPO INTERDISCIPLINAR Universidade Estadual Universidade do Estado DEFENSORIA PÚBLICA
DE ESTUDO DA VIOLÊNCIA DA do Ceará - UECE do Rio de Janeiro - UERJ DO ESTADO DO AMAPÁ
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO atendimento.nah@gmail.com (21) 2334-0504 (96) 3131-2760 (Gabinete)
AMAZONAS nucleo.mulheres@uece.br clmoraes@ims.uerj.br dpal.gabinete@gmail.com
Universidade do Estado
do Amazonas - UEA NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DEFENSORIA PÚBLICA
(92) 9219-3588 INTERDISCIPLINARES EM POLÍTICAS DISCRIMINAÇÃO BASEADA DO ESTADO DO AMAZONAS

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novembro de 2020

(92) 3633-2955 DEFENSORIA PÚBLICA ascomdppe@defensoria.pe.gov.br (95) 3623-1615


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

(92) 3233-2087 DO ESTADO DE MATO GROSSO ascom.dperr@hotmail.com


ascom@defensoria.am.gov.br (65) 3613-3400 / 3424 /8415 DEFENSORIA PÚBLICA
imprensa2@dp.mt.gov.br DO ESTADO DO PIAUÍ DEFENSORIA PÚBLICA
DEFENSORIA PÚBLICA (86) 3234-1205 DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DO ESTADO DA BAHIA DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO (86) 3233-6954 (48) 3665-6370 / 6371 / 6589 / 2725
(71) 3117-9002 / 9009 / 9086 DO MATO GROSSO DO SUL comunicacaodef@defensoria.pi.def.br ascom@defensoria.sc.gov.br
ascom@defensoria.ba.def.br (67) 3318-2500 / 2257 / 2502
imprensa-dpge@defensoria.ms.gov.br DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DEFENSORIA PÚBLICA
DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DO ESTADO DO CEARÁ DEFENSORIA PÚBLICA GERAL (21) 2332-6224 / 0939/ 6234 / 6191 (11) 3105-9040
(85) 3101-3424 DO ESTADO DE MINAS GERAIS ascom@defensoria.rj.def.br (11) 3101-8173
(85) 3194-5041 (31) 3526-0500 / 0311 / 0510 imprensa@defensoria.sp.def.br
comunicacao@defensoria.ce.def.br ascom@defensoria.mg.def.br DEFENSORIA PÚBLICA
DO RIO GRANDE DO NORTE DEFENSORIA PÚBLICA
DEFENSORIA PÚBLICA DEFENSORIA PÚBLICA (84) 3232.7451 DO ESTADO DE SERGIPE
DO DISTRITO FEDERAL DO ESTADO DO PARÁ (84) 3606.0376 (79) 3205-3800 / 3830 / 3831 / 3823
(61) 2196-4300 / 4301 / 4323 / 4324 (91) 3201-2700 / 2713 / 2656 imprensa.defensoria@gmail.com debora.matos@defensoria.se.gov.br
comunicacao@defensoria.df.gov.br (91) 3239-4050
ascomdefensoria@gmail.com DEFENSORIA PÚBLICA DEFENSORIA PÚBLICA
DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DO ESTADO DO TOCANTINS
DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO DEFENSORIA PÚBLICA (51) 3211-2233 (63) 3218-6784 / 6713 / 6745
(27) 3198-3300 / 3009 / 3010 DO ESTADO DA PARAÍBA (51) 3210-9407 dicom@defensoria.to.gov.br
comunicacao@defensoria.es.def.br (83) 3218-4503 / 4508 (51) 3212-4421
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

imprensa@defensoria.pb.def.br (51) 3210-9400


DEFENSORIA PÚBLICA imprensa@defensoria.rs.def.br MINISTÉRIO PÚBLICO

ANEXOS; LISTA DE FONTES ÚTEIS


DO ESTADO DE GOIÁS DEFENSORIA PÚBLICA
(62) 3201-7400 / 7418 DO ESTADO DO PARANÁ DEFENSORIA PÚBLICA MINISTÉRIO PÚBLICO DO ACRE
defensoriacomunica@gmail.com (41) 3219-7300 DO ESTADO DE RONDÔNIA (68) 3212-2066
(41) 3313-7390 / 7362 / 7363 (69) 3217-4700 / 4710 (68) 99963-3889
DEFENSORIA PÚBLICA ascom@defensoria.pr.def.br ascom@defensoria.ro.def.br (68) 99960-6763
DO ESTADO DO MARANHÃO dircom@mpac.mp.br
(98) 3221-1343 / 0958 / DEFENSORIA PÚBLICA DEFENSORIA PÚBLICA
5819 / 3231 / 6110 DO ESTADO DE PERNAMBUCO DO ESTADO DE RORAIMA MINISTÉRIO PÚBLICO DE ALAGOAS
ascomdpe@ma.def.br (81) 3182-3700 / 3701 / 3702 (95) 2121-4751 (82) 2122-3515

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(82) 9135-5633 MINISTÉRIO PÚBLICO imprensa@mp.pi.gov.br (79) 3209-2864


BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

ascom@mpal.mp.br DO MATO GROSSO comunicacao@mpse.mp.br


mpalascom@gmail.com (65) 3613-5146 MINISTÉRIO PÚBLICO
imprensa@mpmt.mp.br DO RIO DE JANEIRO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TOCANTINS
MINISTÉRIO PÚBLICO DE AMAPÁ (21) 2550-9112 / 9113 /9116 (63) 3216-7562
(96) 3198-1616 MINISTÉRIO PÚBLICO imprensa@mprj.mp.br imprensa@mpto.mp.br
asscom@mpap.mp.br DO MATO GROSSO DO SUL
(67) 3318-2177 / 2187 MINISTÉRIO PÚBLICO
MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAZONAS assecom@mpms.mp.br DO RIO GRANDE DO NORTE DELEGACIAS
(92) 3655-0683 (84) 3232-7146 DA MULHER
imprensa@mpam.mp.br MINISTÉRIO PÚBLICO imprensa@mprn.mp.br
DE MINAS GERAIS
MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA (31) 3330-8016 / 8166 MINISTÉRIO PÚBLICO
(71) 3103-0447 jornalismo@mpmg.mp.br DO RIO GRANDE DO SUL
imprensa@mpba.mp.br (51) 3295-1914
MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARÁ Imprensa@mp.rs.gov.br
MINISTÉRIO PÚBLICO DO CEARÁ (91) 4006-3586 / 3487
(85) 3452-3781 (93) 3512 0400 MINISTÉRIO PÚBLICO DE RONDÔNIA
(85) 99997-9431 comunicacao@mppa.mp.br (69) 3216-3755 Acesse o mapa
imprensa@mpce.mp.br ascom@mpro.mp.br completo com todas
MINISTÉRIO PÚBLICO DA PARAÍBA as informações das
MINISTÉRIO PÚBLICO (83) 2107-6015 MINISTÉRIO PÚBLICO DE RORAIMA delegacias da mulher
DO ESPÍRITO SANTO imprensa@mp.pb.gov.br (95) 3621-2913 do Brasil, produzido
(27) 3194-4800 / 4801 ascom@mprr.mp.br pela revista AzMina,
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

imprensa@mpes.mp.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARANÁ apontando a câmera


(41) 3250-4226 / 4264 MINISTÉRIO PÚBLICO do seu smartphone

ANEXOS; LISTA DE FONTES ÚTEIS


MINISTÉRIO PÚBLICO DE GOIÁS comunicacao@mppr.mp.br DE SANTA CATARINA para o código acima.
(62) 3243-8525 / 8499 (48) 3229-9010
(62)9979-4154 MINISTÉRIO PÚBLICO midia@mpsc.mp.br
imprensa@mpgo.mp.br DE PERNAMBUCO
(81) 3182-7137 / 7138 / 7114 MINISTÉRIO PÚBLICO DE SÃO PAULO
MINISTÉRIO PÚBLICO DO MARANHÃO imprensa@mppe.mp.br (11) 3119-9027
(98) 3219-1671 comunicacao@mpsp.mp.br
(98) 3219-1737 MINISTÉRIO PÚBLICO DO PIAUÍ
ascom@mpma.mp.br (86) 3216-4576 MINISTÉRIO PÚBLICO DE SERGIPE

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REFERÊNCIAS
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Imprensa e Direitos ds Mulheres: Papel
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Mandado de medida protetiva terá de ser social e desafios da cobertura sobre


cumprido em até 48 horas. feminicício e violência sexual.

BIBLIOGRÁFICAS
DA SILVA, Vitória Régia. Primeiros oito JUSTIFICANDO.
meses de 2020 têm mais assassinato Como funcionam os refúgios para mulheres
de mulheres trans do que todo o ano de vítimas de violência doméstica.
2019. In: Gênero e Número.
LEI MARIA DA PENHA
ANDI. Exploração sexual de crianças e BRUNO, Maria Martha. FERREIRA, FERREIRA, Lola. Explícita na Lei Maria
adolescentes Lola. No estado do Rio, negras são da Penha, violência psicológica faz 50 LOBO, Hewdy.
principais vítimas em crimes contra a mil vítimas entre mulheres por ano, mas Como o código penal aborda
ACCIOLY LINS, Beatriz. “Não existe vida e estupros. In: Gênero e Número. ainda não conta com punição. a violência sexual?. In: Jusbrasil.
privacidade 100% na internet”: sobre leis, In: Gênero e Número.
mulheres, intimidade e internet. Revista CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. MAPA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO
de Estudos Empíricos em Direito, v. 5, n. Violência de gênero na internet: GARCIA, Janaína. Mulher é “vítima” ou
3, 18 jan. 2019. o que é e como se defender. “sobrevivente” de violência? Especialistas MINISTÉRIO DA MULHER, FAMÍLIA E
divergem. In: Universa. DIREITOS HUMANOS. Balanço anual: Ligue
ALEGRETTI, Laís. Amor ou abuso: CARDOSO, Bruno. Violência contra 180 registra 1,3 milhão de ligações em 2019.
como identificar se você está em um a mulher: o que são as medidas GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO.
relacionamento abusivo. In: BBC Brasil. protetivas de urgência? In: JusBrasil. Identificação e prevenção à violência MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.
contra as mulheres com deficiência. Lei do Minuto Seguinte: campanha
ANTUNES, Leda. MARTINELLI, Andréa. CÓDIGO PENAL sobre direitos de vítimas de abuso

ANEXOS; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


O que é a ‘Lei do Minuto Seguinte’ e como INSTITUTO MARIA DA PENHA. sexual é lançada em São Paulo.
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

ela protege vítimas de violência sexual. CODING RIGHTS . Safer nudes. Ciclo da violência: saiba identificar as
In: HuffPost Brasil. três principais fases do ciclo e entenda PEREIRA, Bruna. (2013).
COMISSÃO INTERAMERICANA como ele funciona. Tramas e dramas de gênero e de cor: a
ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITOS HUMANOS. violência doméstica e familiar contra
DE SEGURANÇA PÚBLICA 2020 Convenção interamericana para prevenir, INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO. mulheres negras. Sociedade e
punir e erradicar a violência contra a Dossiê Violência contra as Mulheres. Estado. 28. 467-468. 10.1590/S0102-
ATLAS DA VIOLÊNCIA 2020 mulher, “Convenção de Belém do Pará”. 69922013000200021.
INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO.
BRANDALISE, Camila. Estupro: o que é, CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Feminicídio #InvisibilidadeMata. ROSSI, Marina.
qual a pena, quando é possível denunciar CNJ Serviço: saiba a diferença entre O que fazer em caso de estupro.
e outras dúvidas. In: Universa. notícia-crime, queixa-crime e denúncia. INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO. In: El País.

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AGRADECIMENTOS
BOAS PRÁTICAS NA COBERTURA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

SAFERNET. “Pornografia de revanche:”


o que diz a Lei?

SAFERNET. Central Nacional de


Denúncias de Crimes Cibernéticos.

SAFERNET. O que é sextorsão?

SAFERNET. Passo a passo legal para


vítimas de Pornografia de Revanche. EXPEDIENTE Ana Lúcia Dias, Madgéli Machado,
advogada juíza
SENADO FEDERAL.
Serviços Especializados Diretor de conteúdo: Beatriz Accioly Lins, Marcela Castro Barbosa,
de Atendimento à Mulher. Murilo Garavello antropóloga socióloga

SOARES, Nana. FAQ: Como ajudar uma Gerente geral de Bianca Alves, Maria Carolina Trevisan,
mulher em situação de violência. marcas editoriais: advogada jornalista
In: Estadão. Tatiana Schibuola
Bruna Jaquetto Pereira, Mariana Gonzalez,
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO socióloga jornalista
FEDERAL E TERRITÓRIOS.
Editora-chefe:
Das medidas protetivas de urgência. Débora Rodrigues, Mariana Kotscho,
Dolores Orosco
delegada jornalista
MANUAL UNIVERSA PARA JORNALISTAS

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO Editoras:


FEDERAL E TERRITÓRIOS. TJDFT Adriana Kuchler, Instituto Maria da Penha Marisa Sanematsu,
entende que feminicídio deve alcançar Andressa Rovani, Bárbara jornalista
mulheres transgêneros. dos Anjos Lima Instituto Patrícia Galvão
Patricia Zaidan,
UOL TILT. ‘’Lei Carolina Dieckmann’’ Repórteres: Jeane Xaud, jornalista

AGRADECIMENTOS
sobre crimes na internet entra em vigor. Ana Flavia Bardella, defensora pública
Camila Brandalise, Júlia Sandra Ornellas,
VALDÉS, Isabel. Viviana Waisman: Flores, Luiza Souto, Luiza Souto, diretora das Delegacias
“O consentimento para o sexo não é Mariana Gonzalez, jornalista de Atendimento à Mulher
apenas dizer sim ou não”. In: El País. Nathalia Geraldo do Rio de Janeiro

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uol.universa.com.br

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