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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

ANTONIA LIMA DE SOUSA RANGEL


JULIANA SILVA DE BRITO
LORRAYNE CRISTINA RAMOS DA SILVA
VERA DE GESUS PAULINO

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO CONTINUADA DA HIGIENIZAÇÃO


DAS MÃOS

NITERÓI-RJ
2020
Antônia Lima de Sousa
Juliana Silva de Brito
2

Lorrayne Cristina Ramos da Silva


Vera de Jesus Paulino.

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO CONTINUADA DA HIGIENIZAÇÃO


DAS MÃOS

Monografia apresentado à disciplina Trabalho de


Conclusão de Curso II – TCC II, do curso de
Enfermagem da Universidade Salgado de Oliveira –
UNIVERSO, como parte dos requisitos para
aprovação.

Orientador: Prof. Maria Teresa F. Monteiro.

NITERÓI-RJ
2020

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO CONTINUADA DA HIGIENIZAÇÃO


DAS MÃOS
3

Monografia apresentado a Universidade Salgado de Oliveira-UNIVERSO para


obtenção do título de Bacharelado em Enfermagem.

Orientador: Prof. Maria Teresa F. Monteiro.

Examinador (a) _________________________________________________

Examinador (a) _________________________________________________

Niterói,____de______________________________ de 2020.
4

Dedico este trabalho as pessoas que lutam diariamente ao meu lado,


transmitindo fé, amor, alegria, determinação, paciência, e coragem, tornando os
meus dias mais felizes e bonitos.
AGRADECIMENTO

Ao concluir este sonho, lembro-me de muitas pessoas a quem ressalto


reconhecimentos, pois, esta conquista concretiza-se com a contribuição de cada
uma delas, seja direta ou indiretamente, no decorrer dos dias, vocês colocaram
umas pitadas de amor e carinho.
5

Obrigado! Em primeiro lugar agradeço a Deus, fonte de vida e libertação, que


me incentiva todos Os dias, no seu amor e me faz acreditar num mundo mais justo,
mais humano, e mais Fraterno, crença essa que me mantém em pé todos os dias da
minha vida. Sem ele, não estaria aqui.
A todos da minha família que, de alguma forma, incentivaram-me na
constante busca pelo conhecimento.
6

“Nossas dúvidas são traidoras e nos


fazem perder o que, com frequência,
poderíamos ganhar, por simples
medo de arriscar”

(William Shakespeare)

RESUMO
7

ABSTRACT
8

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................10
1.1. Objetivos..............................................................................................................11
1.2. Questões Norteadoras .......................................................................................12
1.3. Justificativa..........................................................................................................13

2. REVISÃO DE
LITERATURA..................................................................................14

3. METODOLOGIA....................................................................................................24
9

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS..................................................................30

5. CONCLUSÃO........................................................................................................42

6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA...........................................................................44

1. INTRODUÇÃO

No século XIX os cuidados de enfermagem com a mãe da Enfermagem


Florence Nightingale, já utilizava métodos de higienização fundamentais para o
cuidado dos seus pacientes tais como: Higienização das mãos, Higiene oral,
mudanças de decúbito, cuidados com a pele, e com cateteres. Já se dizia que eram
fatores elementares para o processo de cura das enfermidades. (BELELA
ANACLETO, Aline Santa Cruz, et AL., 2017).
Além disso, foi em 1846 com o médico Ignaz Philipp Semmelweis que a
lavagem e higienização das mãos ganharam visibilidade, pois ele quem comprovou
que a higienização das mãos fazia reduzir a mortalidade das parturientes em uma
clinica obstétrica de sua época. Semmelweis foi um médico assistente da primeira
clinica obstétrica do Allgemeine Krankenhaus, em Viena (Áustria). Ele observou que
a mortalidade nesta clinica era três vezes mais alta do que os partos realizados por
parteiras e decidiu realizar um estudo em cima disso para buscar o foco do
10

problema. Nesta mesma clínica, os médicos realizavam autopsias de parturientes e


neonatos mortos como objeto de estudos com foco na diminuição da mortalidade
das parturientes. Foi quando Semmelweiss percebeu que os profissionais poderiam
estar levando micróbios das autópsias para as parturientes. Mas, infelizmente, seus
estudos só foram validados depois de sua morte ainda no século XIX. (Higienização
das mãos: histórico e aspectos científicos, AMIB – Associação de Medicina Intensiva
Brasileira, 2016).
É observado no cotidiano uma grande prevalência de Infecções hospitalares
relacionadas à não lavagem e higienização das mãos pelos profissionais de saúde,
visto que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2010, a
Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 42 de 25 de outubro de 2010, que
dispõe sobre a obrigatoriedade de disponibilização de preparação alcoólica para a
Higienização das Mãos, nos pontos de assistência, nos serviços de saúde. Outras
normas reforçam a importância e a necessidade do cumprimento da Higienização
das Mãos nos serviços de saúde. O enfermeiro tem a obrigação de saber todas as
técnicas da lavagem das mãos, além de pô-las em prática. Deve-se repassar para
seus subordinados técnicos e/ou toda equipe hospitalar multidisciplinar através da
educação continuada. A não realização dessa educação continuada resulta no
aumento de infecções hospitalares e consequentemente, óbitos relacionados à
infecção hospitalar. (ANVISA-SEGURANÇA DOS PACIENTES-HIGIENIZAÇÃO DAS
MÃOS, 2017).
Séculos atrás Florence Nightingale na sua teoria ambientalista, dizia que um
ambiente adequado seria a diferença na recuperação dos pacientes. Ela dizia na
sua teoria sobre as condições externas e o modo como afetam a vida e o
desenvolvimento de um organismo. E desta forma, a educação continuada dos
profissionais de saúde para a importância de como o meio influencia diretamente na
saúde do paciente tem sido muito abordada. (BELELA ANACLETO, Aline Santa
Cruz, et AL., 2017).
Existe um Prêmio Latino Americano de excelência e inovação na higienização
das mãos que deu início em 2014. Baseado no desafio global citado acima. O Clean
Care is Safer Care" (Cuidados limpos são cuidados seguros) tem o objetivo de
promover a sensibilização para o combate as infecções relacionadas à assistência a
saúde (IRAS) sempre visando a segurança do paciente e a redução do sofrimento
dos mesmo, sendo assim, 129 países do mundo todo se comprometeram a prestar
11

apoio, e mais de 40 países e regiões deram o pontapé iniciando as campanhas de


higienização das mãos. A campanha global anual SAVE LIVES: Clean Your Hands
(SALVE VIDAS: lave as suas mãos), foi iniciada em 2009 e é uma extensão natural
da iniciativa "Clean Care is Safer Care".
A campanha visa mobilizar todos os países em todos os dias 05 de maio para
ficarem e se concentrarem nos aspectos da promoção da higiene das mãos. De 160
países, mais de 15.000 instituições responderam a este apelo, cerca de 13 milhões
de profissionais de saúde representaram este movimento, e quase 4 milhões de
leitos participaram deste desafio do bem. Este prêmio foi criado para estimular a
criatividade e as novas soluções para promover a melhoria da conformidade e
sustentabilidade nas práticas de higiene das mãos, nas melhores Instituições de
saúde. O prêmio é dado como uma plataforma de reconhecimento, distinção e
celebração dos hospitais e dos grupos de profissionais de cuidados de saúde que
fizeram uso do seu entusiasmo e conhecimento para melhorar a segurança dos
pacientes através da implementação bem sucedida da estratégia multimodal da
OMS, na respectiva instituição de saúde. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
INFECTOLOGIA – SBI: PRÊMIO LATINO AMERICANO DE EXCELÊNCIA E
INOVAÇÃO NA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 2014).
Existem muitas medidas de seguranças em ambientes ao qual é exercido a
promoção e o cuidado à saúde. Uma estratégia que faz parte destas medidas é a
lavagem e higienização das mãos, para a prevenção das infecções relacionadas à
assistência à saúde (IRAS). A ANVISA lançou uma nota técnica em janeiro de 2018
no intuito de orientar gestores e profissionais que atuam nos serviços de saúde, e no
Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) referente à requisitos básicos e
necessários para a seleção de produtos para higienização das mãos sem serviços
de saúde. (Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde - Medidas de
Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde, 2017).
Infelizmente, a adesão à prática de Higienização das mãos (HM) ainda é
considerada baixa em serviços de saúde em todo o mundo. Diante deste cenário e
com o propósito de melhorar a segurança do paciente, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2010, a Resolução da Diretoria Colegiada
(RDC) n° 42 de 25 de outubro de 2010, que dispõe sobre a obrigatoriedade de
disponibilização de preparação alcoólica para a higienização das mãos. (ANVISA,
2018).
12

Segundo a teórica Florence Nightingale o ambiente é capaz de proporcionar


saúde ou doença. Com isso uma das formas mais simples e básica é a utilização
dos componentes que são água, sabão e álcool 70%. (MEDEIROS, et AL., 2015).
A função do enfermeiro como profissional é equilibrar o meio ambiente, com o
intuito de trazer à paciente recuperação da sua patologia, visando sempre o
fornecimento de um ambiente com estímulo do desenvolvimento de um paciente
saudável. Baseado em autores que discutiram a respeito do tema a ser estudado,
suas contribuições e paradoxo contido ao tema, decorrente do ato de higienização
das mãos ser um tema simples e fácil de estar sendo praticado pelos enfermeiros
em seu âmbito profissional, mas alguns indícios peculiares do seu dia-a-dia, torna-se
inacessível à prática da lavagem das mãos. (SOUSA E SILVA, et al.2016).
Com levantamento da literatura observou-se que no século XIX, havia uma
grande preocupação com a transmissão de enfermidades variáveis causadas pela
falta de higienização das mãos. Para Sousa e Silva (2016), houve uma proposta
instituída por um médico que ao se ter o hábito de higienização das mãos, os
indícios de mortalidade e infecções eram reduzidas, ao acontecer este fato tornou-se
evidente que a higienização das mãos, tornando-a uma vez obrigatória, haveria uma
grande redução de evitar a transmissão de patógenos. (SOUSA E SILVA, et al.
2016)
Com o passar do tempo alguns teóricos começaram a defender o efeito de
desinfecção das mãos, mas, com tudo isto muitos profissionais da saúde ignoraram
a prática de higienização das mãos. Tendo em vista que através deste ato simples
poderia estar sendo evitada a transmissão de doenças infecciosas.
A atuação do enfermeiro é contínua, logo o processo de higienização
também devera ser visto que milhões de pessoas morrem em todo o mundo por
lesões incapacitantes ou por falha durante a prestação da assistência à saúde
(BELELA-ANACLETO, op. Cit. P. 1).
A prática de higienização das mãos precisa ser aderida de forma adequada,
e a infraestrutura necessita ser melhorada nos hospitais, contendo viabilização de
recursos. No Brasil os investimentos a esta prática são moderados. A falta de
informações, ilustrações sobre esta técnica acabam sendo escassas, devido a má
localização dos objetos a ser utilizado, para a realização dos procedimentos na
higienização das mãos tornando-se inviável aos enfermeiros manterem esta técnica.
13

1.1 OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

COMPREENDER A problemática envolvida com A EDUCAÇÃO CONTINUADA DA


higienização das mãos, devido sua importância para o profissional de
ENFERMAGEM na prevenção DA INFECÇÃO HOSPITALAR.

Demonstrar a importância da atuação dos enfermeiros na educação


continuada utilizando o processo de higienização das mãos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1 - Descrever as técnicas de higienização das mãos que vêm sendo


realizadas no ambiente hospitalar.
2 - DESTACAR a importância DA educação continuada sobre A higienização
das mãos no ambiente hospitalar.
3 – IDENTIFICAR OS DESAFIOS DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO
CONTINUADA DAS TÉCNICAS DE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

1.2. QUESTÕES NORTEADORAS

COMO O enfermeiro realiza educação continuada sobre a higienização das


mãos no ambiente hospitalar?
QUAIS OS PROBLEMAS ENCONTRADOS POR ELE NA EDUCAÇÃO
CONTINUADA DA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS?

1.3 JUSTIFICATIVA

A importância que a higienização das mãos tem para a saúde dos


profissionais DE ENFERMAGEM e pacientes submetidos ao ambiente hospitalar
está diretamente ligada à atuação DO ENFERMEIRO e como ESTE capacita sua
equipe para AS BOAS PRÁTICAS da profissão. Sua contribuição é fundamental
14

para o controle das infecções nas unidades de saúde através da técnica correta de
higiene das mãos, uma vez que os enfermeiros estão em contato frequente com os
pacientes. Mesmo sendo um assunto de grande familiaridade entre os profissionais
de saúde, é importante reforçar seus benefícios, pois, além de envolver técnica e
conhecimento sobre as vantagens de higienização das mãos, também inclui
comprometimento ético dos profissionais de saúde com os seus pacientes.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

Para entendermos a importância da higienização das mãos no controle da


infecção hospitalar, é importante conhecer um pouco da microbiota normal da pele.
A pele é o órgão mais extenso do nosso organismo, funciona como proteção
contra agentes externos de qualquer natureza e também regula a saída de água e
eletrólitos do nosso corpo. Devido a sua grande extensão, a pele é colonizada por
diversos microrganismos, portanto, a sua microbiota é classificada como residente
ou transitória. A microbiota residente possui microrganismos que colonizam
camadas mais profundas da pele, por isso, é pouco provável que ocorra uma
infecção de contato com esses patógenos. BRASIL (2014)
A microbiota transitória é facilmente adquirida pelos profissionais da área de
saúde que entram em contato direto com pacientes infectados e objetos
contaminados. Essa microbiota é facilmente removida através da técnica correta de
higienização das mãos, em que se utilizam apenas água e sabão. Caso essa técnica
não seja rigorosamente cumprida, esses microrganismos podem ser transmitidos de
15

um paciente para o outro por meio das mãos dos profissionais de saúde e, assim,
ocasionar uma infecção, principalmente em se tratando de pacientes
imunodeprimidos (BRASIL, 2014).
Quando as mãos não estão nitidamente sujas, os profissionais de saúde
podem ser encorajados a usar agentes antissépticos à base de álcool, sem água,
para uma descontaminação manual mais rotineira, desde que não apresentem
reações alérgicas. As soluções alcoólicas têm ação superior ao sabão e a soluções
antimicrobianas usadas na lavagem das mãos, pois agem mais rapidamente contra
bactérias e vírus. Isso, contudo, não dispensa o uso de água e sabão na lavagem
das mãos no início e ao término de cada procedimento. As instalações para lavagem
das mãos devem estar no local mais acessível possível, porque a proximidade leva
ao seu maior uso (BRUNNER; SUDDARTH, 2006, p. 2419).
As mãos são o principal condutor na infecção hospitalar, pois elas estão em
contato com a microbiota de cada paciente. A higienização das mãos, de maneira
correta, é uma técnica pouco utilizada pelos profissionais de saúde, seja pela
correria da rotina ou até mesmo por julgar pouco importante. Com o presente
estudo, foi possível perceber que a lavagem das mãos realizada de maneira correta
é uma técnica de extrema importância, uma vez que reduz significativamente as
ocorrências de infecções hospitalares.
De acordo com Santos (2012):

A higienização das mãos é considerada a ação isolada mais importante no


controle de infecção no serviço de saúde. Porém, a falta de adesão dos
profissionais de saúde a esta prática é uma realidade que vem sendo
constatada ao longo dos anos e tem sido objeto de estudo em diversas
partes do mundo.

Apesar de todas as evidências apontarem para a grande importância da


higienização das mãos, a falta de adesão a essa prática ainda é muito presente na
rotina das unidades de saúde. COLOCAR NA CONCLUSÃO
Estudos comprovam que a adesão à lavagem das mãos é maior na classe de
enfermeiros, se for comparada com outros profissionais. As condições de controle
de infecção nos hospitais devem promover algumas estratégias para aumentar a
adesão à prática de lavagem das mãos, como: educação dos profissionais de saúde
focada na importância e no aspecto dessa prática, utilização de cartazes e
16

lembretes, mudança na estrutura para facilitar o acesso aos lavabos e aos produtos
que serão utilizados (MARTINEZ, 2009). COLOCAR NA CONCLUSÃO

A higienização das mãos reduz a quantidade da flora normal benigna e as


bactérias transitórias, diminuindo o risco de transferência para outros
pacientes. Todos os ambientes de cuidados de saúde devem possuir
programas para avaliar a adesão à desinfecção das mãos por todos aqueles
que cuidam dos pacientes. (BRUNNER; SUDDARTH, 2006, p. 2247).

As mãos dos profissionais de saúde são os principais instrumentos de


trabalho, pois eles estão em constante contato com diversos pacientes enfermos e,
com frequência, portadores de doenças infectocontagiosas. Isso mostra que a
lavagem das mãos deveria ser realizada antes e após cada procedimento com o
mesmo paciente e também entre diferentes pacientes, pois poderá haver
contaminação de um para outro. Outro aspecto importante é sua baixa imunidade, já
que, muitas vezes, se encontram com tempo de internação prolongado, diminuindo,
assim, sua resistência imunológica. Se a lavagem das mãos não for realizada em
cada procedimento feito, os profissionais de saúde acabam expondo o paciente a
um risco aumentado em desenvolver quadro de infecção hospitalar.

2.2. PRODUTOS USADOS NA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

A transmissão de microrganismos e as incidências de infecções que causam


morbimortalidade nos serviços de saúde podem ser reduzidas com a prática da
higienização das mãos (BRASIL, 2007).
Previne-se a transmissão de microrganismos através das mãos pela forma
adequada de uso do agente tópico (procedimento), o agente tópico e sua eficácia
para combater os microrganismos, e o momento indicado para o seu uso (ANVISA,
2014).
A depender da instituição, podem-se utilizar os produtos abordados para a
higienização, como: sabonete comum e os antissépticos, álcool, clorexidina,
iodo/iodóforos e triclosan (IDEM, 2014).
O sabonete comum, sem associação de antisséptico, funciona apenas como
conservante, ele pode conter agentes antimicrobianos ou os contém em baixas
concentrações. Encontra-se em diversas formas: preparações líquidas (mais
17

comuns), barras e espuma. Através de sua ação mecânica, podem ser removidas as
sujeiras, microbiotas e substâncias orgânicas da pele (IDEM, 2014).
Para as mãos ficarem limpas, é necessário o uso do sabonete líquido, a fim
de remover a microbiota transitória. Dessa forma, a pessoa pode desenvolver as
atividades práticas mais comuns nos serviços de saúde. Contudo, a simples
higienização depende da quantidade de tempo gasto no procedimento de lavagem,
visando garantir uma boa qualidade de higienização. Na maioria das instituições, o
produto mais utilizado é o sabonete líquido, tipo refil, que tem menor risco de
contaminação do produto. Mas, para melhorar a forma de executar o procedimento,
é necessário que o produto agrade os usuários, isto é, suave, enxague fácil e que
tenha bom cheiro (IDEM, 2014).
Em relação aos agentes antissépticos, os mesmos devem ter ação
antimicrobiana mais rápida, não sendo nem alergênico ou irritante à pele, também
sendo agradável, suave e de custo-efetividade (IDEM, 2014).
O álcool também tem que possuir atividade antimicrobiana e ser miscível em
água, assim como o etanol, n-propanol e o isopropanol, que são produtos
higienizadores das mãos. O etanol, agente antimicrobiano, é o mais utilizado nas
instituições hospitalares, devido ao fato de os produtos alcoólicos também serem
mais efetivos do que os sabonetes comuns ou sabonetes associados a
antissépticos. Nos serviços de saúde, os produtos alcoólicos estão disponíveis nas
formas de solução líquida, gel (mais usado) e espuma (IDEM, 2014).
Entre os antissépticos disponíveis, a clorexidina é considerada de nível
intermediário, comparada com os álcoois, e também pela sua forte afinidade com os
tecidos. Nos serviços de saúde, a clorexidina é segura e a absorção pela pele é
mínima, tornando o produto raro em relação às alergias (IDEM, 2014).
Os iodóforos — PVPI (Polivinilpirrolidona iodo), antimicrobiano, é a junção do
iodo mais um polímero carreador, ou seja, após o uso, é reduzido o ressecamento
da pele. Os iodóforos causam mais dermatite de contato irritativa do que outras
soluções antissépticas, porém causam menos irritação de pele e menos reações
alérgicas que o iodo (IDEM, 2014).
O triclosan, ou éter, incolor, pouco solúvel em água, mas solúvel em álcool,
tem ação antimicrobiana e bacteriostática, com efeito residual na pele, como a
clorexidina, sendo que sua velocidade de ação é intermediária (IDEM, 2014).
18

2.3. EDUCAÇÃO CONTINUADA E HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

No Brasil, as taxas de infecções relacionadas à assistência à saúde são


apontadas como bastante elevadas. Por outro lado, a adesão dos profissionais da
equipe de saúde à estratégia de higienização das mãos na prática assistencial é
inferior a 50%, índice considerado como inaceitável. (BORGES, 2016)
Reconhecendo a complexidade dos dados apresentados, surgiu o interesse
em recorrer à revisão de literatura, com o objetivo de buscar as evidências
disponíveis sobre as medidas preconizadas para a prevenção e controle de infecção
hospitalar em unidades de cuidados intensivos, focando especificamente a técnica
de higienização de mãos. A fim de alcançar o objetivo proposto o presente estudo
obedeceu às diretrizes metodológicas para a realização de uma pesquisa
bibliográfica, do tipo exploratória-descritiva.
Com os resultados obtidos em pesquisa, evidencia-se que a promoção da
higienização das mãos depende de estratégias multimodais baseadas nos seguintes
componentes: educação permanente dos profissionais da saúde; a monitorizarão
sistemática das práticas relativas a este procedimento e a realimentação deste
desempenho aos profissionais da saúde; instalação de lembretes de promoção à
higienização das mãos localizados em pontos estratégicos nas unidades; e adoção
de um clima institucional seguro.(CAETANO et al, 2011)
A conscientização da higienização das mãos e a execução plena em
conformidade com as indicações preconizadas no contexto atual, são um grande
desafio, mas podem contornar o problema das infecções relacionadas à assistência
em saúde. Portanto, a prática de lavar as mãos continuamente deve ser considerada
como hábito, antes e depois da execução de qualquer procedimento.
 

2.3. COVID-19 E LAVAGEM DAS MÃOS


2.4. O PROTAGONISMO DA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS NAS INFECÇÕES
TRANSMISSIVEIS NA ATUALIDADE – O CASO COVID19
19

ATUALMENTE, A pandemia de COVID-19 é uma pandemia em curso


de COVID-19, uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus da
síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).A doença foi identificada pela
primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China, em 1
de dezembro de 2019, mas o primeiro caso foi reportado em 31 de dezembro do
mesmo ano. Acredita-se que o vírus tenha uma origem zoonótica, porque os
primeiros casos confirmados tinham principalmente ligações ao Mercado Atacadista
de Frutos do Mar de Huanan, que também vendia animais vivos. (OMS, 2020)
Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto
uma pandemia. Até 22 de abril de 2020, pelo menos 2 561 044 casos da doença
foram confirmados em mais de 210 países e territórios, com grandes surtos
nos Estados Unidos (mais de 823 000 casos), Espanha (mais de 204 000
casos), Itália (mais de 183 000 casos), Alemanha (mais de 148 000
casos), França (mais de 117 000 casos), Turquia (mais de 95 000 casos), Irã (mais
de 84 800 casos) e China continental (mais de 82 700 casos). Pelo menos 176 984
pessoas morreram (mais de 45 000 nos Estados Unidos, pelo menos 24 000 em
Itália, cerca de 21 000 em Espanha, por volta de 20 700 em França, mais de 17 300
no Reino Unido e pelo menos 4 600 na China) e 679 793 foram curadas. (HUI et al,
2020)
Os cientistas chineses isolaram um novo coronavírus, o COVID-19, 70%
semelhante na sequência genética ao SARS-CoV, e posteriormente mapearam e
disponibilizaram a sua sequência genética.Inicialmente, o vírus não mostrou a
mesma gravidade do SARS, porém com um contágio maior. As questões levantadas
incluem se o vírus está circulando há mais tempo do que se pensava anteriormente,
se Wuhan é realmente o centro do surto ou simplesmente o local em que foi
identificado pela primeira vez com a vigilância e os testes em andamento, e se
poderia haver uma possibilidade de que Wuhan seja um evento de super dispersão.
(TAN, 2020)

Em 22 de janeiro de 2020, foi discutido por um comitê de emergência


organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) se o incidente constituía
uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC) sob os
Regulamentos Internacionais de Saúde.[A decisão foi adiada por falta de
informação. Em 23 de janeiro de 2020, a OMS decidiu não declarar o surto uma
20

PHEIC. Entretanto, em 30 de janeiro de 2020, a OMS declarou o surto uma PHEIC,


pedindo que "uma ação coordenada de combate à doença deverá ser traçada entre
diferentes autoridades e governos". (OMS, 2020) A declaração fez com que esta
fosse apenas a sexta vez que essa medida foi invocada pela OMS, desde
a pandemia de H1N1 em 2009. Na primeira semana de fevereiro de 2020, o número
de mortes causado pelo novo coronavírus ultrapassou 800, superando o SARS, que
matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003. Posteriormente, no mês de
fevereiro, o número de mortes subiu para mais de 1 400, e ultrapassou 3 000 em
março. (AFP, 2020)

De acordo com as pesquisas da Universidade de Agricultura do Sul da China,


o pangolim pode ter sido o hospedeiro intermediário do vírus, enquanto pesquisas
do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, encontraram similaridade
com a genética de morcegos e cobras. Os cientistas estudaram mil amostras de
animais selvagens e determinaram que os genomas das sequências de vírus
estudadas no pangolim eram 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo
coronavírus em Wuhan. Em 11 de fevereiro de 2020, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, chefe da OMS, anunciou o nome oficial da doença, que passaria a ser
chamada de COVID-19, porque a palavra coronavírus refere-se ao grupo que o vírus
pertence, e não à última cepa descoberta, sendo que o vírus em si foi designado
por SARS-CoV-2. O epidemiologista americano e consultor da OMS, Ira Longini,
alertou que cerca de dois terços da população mundial podem ser infectados pelo
COVID-19. No dia 9 de março de 2020, o canal de notícias CNN passou a
considerar o surto uma pandemia, sob justificativa de que o vírus encontrou um
ponto de apoio em todos os continentes, exceto na Antártida, e que em vários
países do mundo os casos continuam a crescer. No dia 11 de março de 2020, a
OMS declarou o surto como pandemia. Os efeitos mundiais da pandemia
incluem instabilidade social e econômica (queda do mercado global de
ações),corridas às compras, xenofobia e racismo contra pessoas de descendência
chinesa e do leste asiático, a disseminação on-line de informações falsas e teorias
da conspiração sobre o vírus, e o encerramento de escolas e universidades em pelo
menos 115 países, afetando mais de 1.6 bilhão de estudantes. Até ao momento, a
transmissão a animais de companhia como cães e gatos ainda não foi confirmada,
21

sendo considerado que estes animais não transmitem a doença, embora em um


caso raro, um gato na Bélgica testou positivo. (PRATA, 2020)

Diante do cenário de emergência em saúde pública, infecção humana pelo


COVID-19, recomenda-se os cuidados apontados pelo Governo Federal em acordo
com o Ministério da Saúde. É importante que atuemos com responsabilidade na
prevenção e combate a transmissão do COVID-19.

A maioria das pessoas infectadas experimenta uma doença leve e se


recupera, mas pode ser mais grave para outras pessoas. Mantenha-se informado
sobre os últimos desenvolvimentos a respeito do COVID-19 e faça o seguinte para
cuidar da sua saúde e proteger a dos outros:

DESTACAR QUE UMA DAS PRINCIPAIS VIAS DE TRANSMISSÃO DO VÍRUA É A


MÃO CONTAMINADA

Lave as mãos com água e sabão ou higienizador à base de álcool


para matar vírus que podem estar nas suas mãos.
Mantenha pelo menos 1 metro de distância entre você e qualquer
pessoa que esteja tossindo ou espirrando. Quando alguém tosse ou espirra,
pulveriza pequenas gotas líquidas do nariz ou da boca, que podem conter
vírus. Se você estiver muito próximo, poderá inspirar as gotículas – inclusive
do vírus da COVID-19 se a pessoa que tossir tiver a doença.
Evite tocar nos olhos, nariz e boca. As mãos tocam muitas
superfícies e podem ser infectadas por vírus. Uma vez contaminadas, as
mãos podem transferir o vírus para os olhos, nariz ou boca. A partir daí, o
vírus pode entrar no corpo da pessoa e deixá-la doente.
Certifique-se de que você e as pessoas ao seu redor seguem uma
boa higiene respiratória. Isso significa cobrir a boca e o nariz com a parte
interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar (em seguida, descarte
o lenço usado imediatamente). Gotículas espalham vírus. Ao seguir uma
boa higiene respiratória, você protege as pessoas ao seu redor contra vírus
responsáveis por resfriado, gripe e COVID-19.
Fique em casa se não se sentir bem. Se você tiver febre, tosse e
dificuldade em respirar, procure atendimento médico. Siga as instruções da
sua autoridade sanitária nacional ou local, porque elas sempre terão as
informações mais atualizadas sobre a situação em sua área.
Pessoas doentes devem adiar ou evitar viajar para as áreas
afetadas por coronavírus. Áreas afetadas são países, áreas, províncias ou
cidades onde há transmissão contínua – não áreas com apenas casos
importados.
Os viajantes que retornam das áreas afetadas devem monitorar
seus sintomas por 14 dias e seguir os protocolos nacionais dos países
receptores; e se ocorrerem sintomas, devem entrar em contato com um
médico e informar sobre o histórico de viagem e os sintomas.
22

3. METODOLOGIA

3.1 TIPO

TRATA- DE DE UM ESTUDO QUALITATIVO QUE, SEGUNDO


MINAYO......A escolha desta pesquisa foi do tipo descritivo. De acordo com Andrade
(1999, p.106) na pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados,
analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles.
Já para Bervian e Cervo (2002, p. 66), a pesquisa descritiva observa, registra,
analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los. Busca descobrir, com
precisão, quantas vezes o mesmo fenômeno ocorre, sua relação e conexão com
outros, sua natureza e características.

3.2 ABORDAGEM

A pesquisa teve uma abordagem do tipo qualitativa que para Oliveira (2002,
p.117) possui como vantagem a facilidade de descrever um problema ou uma
hipótese complexa, e em seguida, analisar a interação das variáveis encontradas.
Digo que a abordagem qualitativa é a melhor que se aplica ao meu objeto de
estudo. Pois segundo Minayo (1999, p. 190), são aqueles estudos capazes de
incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerente aos atos, às
relações e as estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento,
quanto na sua transformação, como instruções humanas significativas.

3.3 MÉTODO

De acordo com o objetivo penso que o mais adequado foi o estudo de campo,
pois Triviño (2001, p. 111) diz que este possui o objetivo de aprofundar a descrição
23

de determinada realidade. O que possibilita que os estudos atingidos permitam as


formulações de hipótese que o encaminhamento de outras pesquisas.

3.4 SUJEITOS

Os sujeitos selecionados para a realização desta pesquisa foram 08


enfermeiros que atuam na emergência hospitalar.

3.5 CENÁRIO

Foi realizado nas Unidades Hospitalares Privadas e Públicas do Município de


Niterói-RJ.

3.6 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada, pois


(CERVO, 2002, p. 46) “a entrevista não é uma simples conversa, é uma conversa
orientada para um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatório do
informante dados para a pesquisa”.
Para (TRIVIÑOS, 1987, p.146), pode-se entender por entrevista
semiestruturada em geral aquela que parte de certos questionamentos básicos
apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa e que em seguida
oferece amplo campo de interrogativo fruto de novas hipóteses que vão surgindo à
medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante
segue espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro
do foco principal colocado na elaboração do conteúdo da pesquisa.
As entrevista foram realizadas através de questionários com as seguintes
perguntas:
1- Nome
2- Sexo
3 - Idade
4- Tempo de Formada
24

5- Se possui pós graduação


6- Área de atuação
7- Na unidade que trabalha possui Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar?
8 - Na unidade que você atua possui fiscalização e você avalia que a prática
de higienização das mãos ocorrem com frequência pelos profissionais?
9- Na unidade que você atua possui capacitação com frequência,
principalmente agora no período de pandemia pelo Covid-19 sobre higienização das
mãos?
10- Para você qual é a importância da capacitação da higienização das
mãos?

3.7 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS

Foi utilizado como técnica de análise de conteúdo o que, para (TRIVIÑOS,


1987, p. 160), é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando por
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo ou não que
permitam a interferência de conhecimentos relativos às condições de
produção/recepção das mensagens.
Para (MINAYO, 2003, p. 74) através da análise podem-se encontrar respostas
para as questões formuladas e também podemos confirmar ou não as informações
estabelecidas antes do trabalho de investigação.
25

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

4.1. CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO ESTUDO

Foram entrevistados 08 enfermeiros que trabalham no gerenciamento de uma


equipe, a caracterização dos mesmos encontra-se no quadro abaixo e conforme a
RS 196/96 MS, suas identificações foram mantidas em sigilos.

Quadro 1 – Identificação do sujeito pessoal


SUJEITO SEXO IDADE
Enfermeiro 1 Feminino 25 anos
Enfermeiro 2 Feminino 27 anos
Enfermeiro 3 Masculino 48 anos
Enfermeiro 4 Feminino 32 anos
Enfermeiro 5 Feminino 35 anos
Enfermeiro 6 Masculino 42 anos
Enfermeiro 7 Masculino 26 anos
Enfermeiro 8 Feminina 38 anos

O quadro acima apresenta uma visão geral das idades e sexo dos
enfermeiros que participaram do estudo. Pode-se perceber que todos os sujeitos do
estudo possuem a média de 35 anos e que a maioria é do sexo feminino.

Quadro 2 – Identificação do sujeito profissional


SUJEITO TEMPO DE PÓS-GRADUAÇÃO ÁREA QUE TRABALHA
FORMADO
Enfermeiro 1 2 anos Sim Emergência
Enfermeiro 2 5 anos Sim Emergência
Enfermeiro 3 10 anos Sim Emergência
Enfermeiro 4 5 anos Sim Emergência
Enfermeiro 5 5 anos Sim Emergência
Enfermeiro 6 20 anos Sim Emergência
Enfermeiro 7 2 anos Não Emergência
Enfermeiro 8 2 anos Não Emergência
26

No que se refere à capacitação dos sujeitos da pesquisa, observei que 06


enfermeiros possuem pós-graduação e 02 não possuem, especificamente
especialização em suas áreas de atuação. O referido curso aprimora os
conhecimentos dos profissionais, e isso favorece uma melhor assistência por parte
destes profissionais à clientela.
Em relação ao tempo em que os enfermeiros trabalham, pode-se perceber
que os enfermeiros, em geral, possuem pouca experiência profissional e isso
contribui negativamente a um bom gerenciamento de equipe de enfermagem, devido
ser uma atividade ligada à capacitação técnica e ao bom senso profissional
decorrente de sua experiência.

4.2. CATEGORIZAÇÃO DAS FALAS

4.2.1 O PAPEL DO ENFERMEIRO NO CONTROLE DE INFECÇÕES

Para um rigoroso e efetivo controle das infecções hospitalares, é importante


que a iniciativa seja tomada por toda a equipe de saúde. É de grande valor que a
enfermagem esteja no processo do controle das infecções hospitalares, pois é um
profissional que tem contato direto com o paciente por tempo mais prolongado
(CARDOSO; SILVA, 2016).
O enfermeiro de uma comissão de controle de infecção hospitalar irá planejar
as ações para controle de infecções, coletar dados, identificar riscos de infecção
para funcionários, pacientes e equipamentos, deve realizar relatórios
periodicamente, atuará na avaliação de materiais e sua qualidade, para investigação
de surtos e infecções, e avaliará o custo-benefício das ações que serão prestadas
para a CCIH. O enfermeiro também faz diagnóstico e notifica as infecções, além de
criar procedimentos para a prevenção das mesmas e capacitar a equipe para a
execução de tais procedimentos corretamente. Além dessa capacitação, o
enfermeiro deve também supervisionar a prática dessas ações prestadas por outros
profissionais (BRUNNER; SUDDARTH, 2016).
As infecções iatrogênicas são aquelas que resultam de procedimentos
terapêuticos exercidos pelos profissionais de saúde. Os enfermeiros devem possuir
senso crítico para avaliar os riscos de infecção para a condição individualizada de
27

cada paciente e escolher a melhor conduta referente aos cuidados a serem


prestados para minimizar os riscos e possibilidades de infecções (PERRY, 2015).

A enfermeira deve avaliar os mecanismos de defesa do cliente,


susceptibilidade e conhecimento das infecções. Uma revisão da história da
doença com o cliente e a família pode revelar a exposição a uma doença
transmissível. Uma revisão completa da condição clínica do cliente pode
detectar sinais e sintomas de infecção (PERRY, 2010, p. 712).

Atualmente, podemos observar com frequência a prática em saúde mais


voltada para ações curativas, sendo que a prevenção fica em segundo plano. O
profissional de enfermagem tem papel importante nesse processo da prevenção das
infecções hospitalares, pois é esse profissional que capacita e coordena sua equipe,
podendo, assim, estabelecer a lavagem correta das mãos como uma prática
obrigatória na rotina de trabalho dos profissionais de saúde, usando a educação em
saúde voltada para o controle da infecção hospitalar através da higienização das
mãos.
Ao perguntar os profissionais se na unidade onde atua a prática de
higienização das mãos ocorrem com frequência e se possui uma equipe de CCIH
para ajudar na fiscalização, responderam: .

Entrevistado 1: Sim, sempre lavo as mãos antes e depois de qualquer


procedimento com o paciente. Na unidade que atuo não possui muita
fiscalização, realizo essa pratica por causa de hábitos, porem vejo que nem
todos os profissionais tem esse habito.
Entrevistado 2: A lavagem das mãos previne muitas infecções, inclusive na
prevenção do profissional e do paciente, por isso sempre tenho o cuidado
que esta sempre lavando as mãos, mas as vezes na correria da emergência
acabo esquecendo. Na unidade que atuo a fiscalização pelo CCIH não é
com muita frequência, somente quanto ocorre transmissão de infecção.
Entrevistado 3: Na empresa que atuo a fiscalização é muito rigorosa, temos
treinamentos com frequência, principalmente informando sobre a
importância dessa pratica. Por isso sempre tenho a pratica de lavar as mãos
antes e após qualquer procedimento.

Os profissionais de enfermagem têm um papel essencial na adesão e na


inserção dessa prática na rotina de trabalho. O enfermeiro deve supervisionar a
adesão à prática de lavagem das mãos e a realização correta de sua técnica. Ele
28

pode utilizar a educação em saúde, promovendo palestras de conscientização, e


também reforçar ensinando a maneira correta de se lavar as mãos. É papel do
profissional de enfermagem diagnosticar e notificar as infecções, planejando e
executando ações para futuras prevenções, e também desenvolver ações de caráter
curativo, capacitando sua equipe para executar tais ações.

4.2.2. COVID-19 E HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

Diante do cenário de emergência em saúde pública, infecção humana pelo


COVID-19, recomenda-se os cuidados apontados pelo Governo Federal em acordo
com o Ministério da Saúde. É importante que atuemos com responsabilidade na
prevenção e combate a transmissão do COVID-19. (BRASIL, 2020)
Corona vírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O
novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, após
casos registrados na China. Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela
primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como
coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. Dados
mais recentes da Organização Mundial da Saúde indicam taxa de letalidade de 2 a
3% dos casos confirmados. (OMS, 2020)
De acordo com orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), o ato de lavar as mãos corretamente impede o risco de transmissões
cruzadas de microorganismos, entre eles, o coronavírus (Covid-19).
“A lavagem das mãos deve acontecer de acordo com as superfícies com que
a pessoa entra em contato, ser feita com água e sabão e durar pelo menos 1
minuto”, orienta Bessa (2020), médico do Hospital São José de Doenças
Infecciosas. Para o álcool 70% em gel ou solução, a orientação é friccionar as mãos
pelo menos por 20 segundos
Como a transmissão do coronavírus (Covid-19) ocorre pelo ar, via espirro,
tosse e gotículas de salivas, ou por contato pessoal, o ato de lavar as mãos
frequentemente é determinante para prevenir o contágio. “É muito importante que a
população passe a aderir ao hábito de lavar bem as mãos, além de tomar outras
medidas, como usar o álcool 70% e evitar aglomerações”, reforça Bessa (2020).
29

Ainda segundo o médico, os profissionais da saúde devem respeitar os cinco


momentos de higienização das mãos. Apesar das especificidades entre a lavagem
das mãos dos profissionais que atuam no sistema de saúde e da população em
geral, todos devem tomar medidas de precaução padrão. “O ideal é que você
higienize as unhas, o dorso das mãos, entre os dedos, a polpa digital para que se
tenha uma lavagem completa”, orienta.
Ao perguntar aos profissionais de enfermagem como estão lidando neste
período de Pandemia no país com relação a higienização das mãos nos ambientes
hospitalares e se na unidade que atuam teve treinamento, responderam:

Entrevistado 4:Nossa estamos vivendo um tempo de medo e preocupação.


Minha mãos chega esta em “carne viva” de tanto que lavo as mãos, a
preocupação é tão grande de “pegar” ou transmitir a doença.
Entrevistado 5: Tenho dois filhos em casa, tenho muito medo de transmitir
para eles este vírus, que até virou “mania” a lavagem das mãos, toda hora
estou lavando com água e sabão ou passando álcool.

4.2.2 IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO CONTINUADA POR PROFISSIONAIS DE


SAÚDE SOBRE A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

A higienização das mãos vem sendo reconhecida e recomendada desde 1846


como prática obrigatória para os profissionais da área da saúde, por ser a maneira
mais eficiente e econômica para a prevenção de infecções. Por ser um dos
principais meios de transmissão cruzada de infecções, a lavagem deve ser realizada
antes e após qualquer procedimento empregado na assistência ao paciente
(Oliveira, 2011).
    Apesar de ser a medida preventiva mais importante para redução da
transmissão de microrganismos por contato, sua a adesão pelos profissionais de
saúde é muito insatisfatória.
    Nesse contexto, em 1989 o Ministério da Saúde do Brasil editou o manual.
Lavar as mãos com o objetivo de normatizar essa técnica nas unidades de saúde
brasileiras, proporcionando aos profissionais de saúde subsídios técnicos relativos
às normas e aos procedimentos para lavar as mãos, visando à prevenção das
infecções. A importância dessa prática continuou sendo reconhecida pelo Ministério
30

da Saúde, quando esse incluiu recomendações para a higiene das mãos na portaria
2616/98, de 12 de maio de 1998 (Felix, 2009).
    Conforme os conceitos de Vieira (2008), além da adequada higienização das
mãos, a adoção de técnicas e métodos adequados, bem como, a prática de medidas
eficazes de higiene e segurança do trabalho eliminam ou minimizam os riscos
ocupacionais. Tais medidas de prevenção e de controle de riscos biológicos
baseiam-se em conhecimentos diversos envolvendo os de higiene e biossegurança
do trabalho, assim como, de educação, administração, engenharia e até de recursos
legislativos.
    Para Brandi (1998), os trabalhadores de enfermagem atuantes estão
expostos a inúmeros riscos ocupacionais. Entre estes, destacam-se os acidentes do
trabalho com material perfurocortante. Atualmente, a preocupação com a questão do
acidente com este tipo de material tem mobilizado pesquisas com relação ao tema.
Os estudos procuram mostrar o perigo desse tipo de acidente, principalmente devido
ao risco do trabalhador contrair a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e
o vírus da hepatite B e agora o Covid-19.
    De acordo com Vieira (2008), embora muitos trabalhadores aceitarem as
normas de biossegurança, estas ainda não permeiam a prática diária com a mesma
intensidade, fato resultante ao sentimento de invulnerabilidade dos trabalhadores.
Outro fator que vem a contribuir atualmente para a escolha desta temática está na
mudança do perfil epidemiológico do HIV/AIDS, onde todos devem se considerar
vulneráveis, principalmente os trabalhadores de enfermagem, por lidar na maioria
das vezes com procedimentos invasivos. Cuidados estes que devem ser sempre
realizados através da adoção de medidas de segurança, independente do
conhecimento do diagnóstico do cliente sob seus cuidados.
Ao perguntar os entrevistados se sua unidade possui treinamento com
relação a importância da higienização das mãos, responderam:

Entrevistado 6: Não, trabalho 5 anos na unidade e já tivemos treinamentos


de tudo, menos sobre higienização das mãos
Entrevistado 7: Não temos treinamentos, possuímos é foldes ilustrativos
informando sobre a importância do mesmo
Entrevistado 8: Já tive um treinamento a muito tempo, mas foi pouco
positivo, pois só ensinaram como lavar e pouco falaram sobre as estáticas e
importância das lavagens das mãos na prevenção de infecção.
31

Ressalta-se a necessidade de se investir em estratégias de capacitação sobre


higienização das mãos, inovadoras e atrativas para os profissionais, visando à
melhoria da adesão a aspectos relacionados às suas práticas, enfatizando a
importância do ato frente à diminuição das infecções.

5. CONCLUSÃO

Devemos entender a prevenção e o controle das infecções hospitalares como


responsabilidade individual e coletiva, pois sem a assimilação e a implementação
correta dos procedimentos executados por quem presta o cuidado ao paciente, esta
temática continuará sendo um entrave à qualidade na prestação dos serviços de
saúde.
Assim, evidenciamos a necessidade de atualizações, como forma de
promover maior discussão sobre o assunto, por exemplo, abordando a realização da
técnica correta de higienização das mãos, com intuito de sanar dúvidas; aplicando
posteriores avaliações para que a estratégia utilizada seja sempre aperfeiçoada ou
modificada, a fim de que se atinja o objetivo proposto.
O enfermeiro sendo peça fundamental no cuidar, deve estar em constante
interação com o processo de educação em saúde, visando nortear suas ações para
melhor atender os pacientes e promover estratégias de transformações no cenário
da assistência.
Além disso, deve estimular a conscientização da equipe perante a segurança
do ambiente, do paciente e do próprio profissional no seu cotidiano hospitalar. Isto
porque apenas o conhecimento do fenômeno infecção hospitalar e de suas
correspondentes medidas preventivas, não garante a adesão e eficácia de um
atendimento em saúde.
Ressaltamos ainda, que para atingir o sucesso desta conscientização, deve-
se primordialmente estabelecer o envolvimento desses profissionais, promovendo
seu devido aprimoramento e estimulando sua motivação, nas diferentes interfaces
do atendimento aos pacientes, sendo estratégias chaves na diminuição dos índices
de infecção hospitalar e na adoção de práticas corretas e seguras.
32

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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