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Noções de Economia

Agente da Polícia Federal


Prof Heber Carvalho – Aula 02

Olá caros(as) amigos(as),


Hoje, estudaremos a Teoria do Consumidor. Esta é uma aula um pouquinho
grande. Até por isso foram necessárias duas aulas em vídeo para esgotar o tema
(são aproximadamente 6 horas de vídeo sobre este assunto).
A aula de hoje é um pouco “pesada” e nós veremos que o CESPE, em
determinados momentos, faz questões bem criativas e difíceis sobre o assunto.
Mas, com um estudo atento da teoria e a posterior resolução dos exercícios, você
estará preparado para o que der e vier, pode acreditar!
Dei uma caprichada na relação de exercícios. Há várias questões nível “top”.
A intenção realmente é fazer vocês quebrarem a cabeça (rs!) durante a resolução
das questões. Nos tempos de Exército, nos diversos exercícios que eram
realizados, o seguinte lema era repetido à exaustão: treinamento difícil, combate
fácil!
Se você tiver dificuldades na hora da aula (o que pode ser normal), lembre-se
sempre dessa frase:
“No início, tudo parecerá difícil, mas, no início, tudo é difícil.”
Sun Tzu – Arte da Guerra
E aí, todos prontos?! Então, aos estudos!!

1. TEORIA DO CONSUMIDOR

Generalidades

Sem muitos rodeios, vamos direto ao ponto: do que trata a teoria do


consumidor? É a parte da ciência econômica que estuda o comportamento do
consumidor durante as suas decisões de consumo. Para isso, os economistas
partem do pressuposto de que os consumidores escolhem as melhores coisas
dentro daquilo que eles podem adquirir.

Para sustentar essa teoria, nossa atenção estará voltada para o que
queremos dizer quando falamos em “melhores coisas” e “podem adquirir”.
Inicialmente, descreveremos o que o consumidor pode adquirir. Depois, veremos
como o consumidor escolhe o que é melhor (escolhe a melhor coisa). No primeiro
caso, torna-se importante o estudo do conceito de restrição orçamentária, ao
passo que, no segundo caso, o estudo das preferências. Iniciaremos pelo primeiro
caso. No entanto, antes, devemos aprender o que são cestas de consumo.

Cestas de consumo

Antes de definirmos o que é restrição orçamentária, é importante falarmos


sobre cesta de consumo ou cesta de mercadorias do consumidor. Uma cesta de
consumo nada mais é do que uma combinação de diversas mercadorias, cada uma
em uma quantidade.

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Nota: Não confunda conjunto orçamentário com reta orçamentária. Qualquer cesta
de consumo ao longo desta representa uma situação em que a renda é totalmente
gasta, já uma cesta dentro do conjunto orçamentário representa uma situação em
que a renda é maior ou igual ao que é gasto. Na figura 02, a reta orçamentária é a
reta AB, já o conjunto orçamentário é a área cinza, que contém a reta AB.

Vejamos agora a interpretação dos interceptos (vertical e horizontal) e da


inclinação da reta orçamentária.

O ponto A (intercepto vertical) representa o ponto em que o consumidor gasta


toda a sua renda com o bem 2, ou seja, é o ponto em que, dada a renda m, q 2 é
máxima e q1=0. Para descobrirmos o valor de q 2 no ponto A, basta fazermos q1=0
na equação (2), obtendo, assim, q2=m/p2. O raciocínio é este: qual a quantidade do
bem 2 o consumidor poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 2. A
resposta é, naturalmente, a sua renda dividida pelo preço do bem 2, logo, q2=m/p2.

O ponto B (intercepto horizontal) representa o ponto em que o consumidor


gasta toda a sua renda com o bem 1, ou seja, é o ponto em que, dada a renda m, q 1
é máxima e q2=0. Para descobrirmos o valor de q1 no ponto B, basta fazermos q2=0
na equação (2), obtendo, assim, q1=m/p1. O raciocínio é este: qual a quantidade do
bem 1 o consumidor poderia comprar se gastasse todo o seu dinheiro no bem 1. A
resposta é a sua renda dividida pelo preço do bem 1, logo, q1=m/p1.

A inclinação da reta orçamentária é –p1/p2. Para calcularmos a inclinação da


reta orçamentária, temos que calcular a tangente1 do ângulo . Ela será igual ao
cateto oposto ( q2) dividido pelo cateto adjacente ( q1). Como medida de q 2,
vamos utilizar o valor do segmento OA; como medida de q 1, vamos utilizar o valor
do segmento OB:

O semento OA vale m/p2. O segmento OB vale m/p1. Então:

No final, eu coloquei “arbitrariamente” o sinal de menos na frente da fração


dos preços (p1/p2) pois a inclinação da reta orçamentária é negativa (ela é inclinada
para baixo). Lembra-se da aula demonstrativa, quando eu falei que a curva de
demanda possuía inclinação negativa? A curva de demanda era inclinada para

1Para aqueles que entendem de cálculo matemático, a inclinação pode ser encontrada por meio da derivada
dq2/dq1 extraída da equação da reta orçamentária. O resultado será dq2/dq1=-p1/p2.

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baixo, não é mesmo?! A reta orçamentária também é inclinada para baixo, então,
logicamente, deduzimos que sua inclinação também é negativa.

Apesar de toda essa explicação sobre a inclinação negativa da reta


orçamentária, é bastante frequente todas as bancas de concurso (inclusive o
CESPE!) simplesmente ignorarem o sinal negativo desta inclinação, dizendo
simplesmente que a inclinação da reta orçamentária é a relação de preços dos
bens.

Assim, em assertivas de prova, se o sinal negativo da inclinação da reta


orçamentária for ignorado, não entenda isso como algo falso, pois não é errado. A
banca está simplesmente seguindo a convenção adotada pela maioria dos manuais,
que é a de ignorar o sinal negativo (assim como fazem com o sinal negativo da
elasticidade preço da demanda). Por outro lado, se a banca for “certinha” demais,
deixando de ignorar o sinal negativo, aí você também considera certo (rs!). Parece
meio louco, não é mesmo?! Fique tranquilo, na hora dos exercícios, você verá que é
fácil!

A inclinação da reta orçamentária é igual


à relação dos preços dos bens.

Mais tarde, veremos que essa inclinação da reta orçamentária representa um


dado importante para a teoria do consumidor. Ela possui uma relevante
interpretação econômica. Ela mede a taxa à qual o consumidor está disposto a
“substituir” o bem 1 pelo bem 2.

Por exemplo, suponha que o bem 1 custe R$ 100,00 e o bem 2 custe R$


50,00. A inclinação da reta orçamentária será -2, o que nos indica que o consumidor
troca 01 unidade do bem 1 por 02 unidades do bem 2. Veja que essa taxa de “troca”
de 02 é exatamente o valor da inclinação da reta orçamentária (a inclinação para
p1=100 e p2=50 será igual a –p1/p2= -2). O sinal negativo da inclinação se justifica
pelo fato de haver uma relação inversa entre as variações nas quantidades (para o
consumo de um bem aumentar, necessariamente, o consumo do outro bem deve
diminuir, e vice-versa).

Às vezes, também é dito que a inclinação da reta orçamentária mede o custo


de oportunidade de consumir o bem 1. Deixe-me, agora, explicar o que é custo de
oportunidade. Tudo que deixamos ou abrimos mão de fazer ao realizar uma escolha
é chamado de custo de oportunidade. Por exemplo, ao comprar um curso em PDF
(ao preço de, digamos, uns R$ 1.500,00), você deixa de comprar 1 celular. Neste
caso, podemos dizer que o custo de oportunidade do curso em PDF foi de 1 celular
(estou utilizando o celular apenas como exemplo. Mas também podemos dizer que
o custo de oportunidade do curso é, digamos, de umas 2 passagens de avião).

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Assim, multiplicar ambos os preços por dois teve o mesmo efeito que dividir a
renda por dois. Podemos concluir, então, que ao multiplicar ambos os preços por
uma quantidade qualquer t, isso será equivalente a manter os preços no
mesmo patamar anterior, e dividir a renda pelo valor da mesma constante t.
Em outras palavras, aumentar todos os preços em, digamos, 100% (multiplicá-los
por 2) tem o mesmo efeito de reduzir a renda em 50% (dividir a renda por 2).

Se os preços dos bens 1 e 2 variam ao mesmo tempo e a variação em p 1 é


diferente da variação em p2, aí sim haverá mudança na inclinação da reta
orçamentária, tendo em vista que a relação –p1/p2 mudará.

E se os preços variarem de forma diferente e, ao mesmo tempo, houver


variação na renda. Suponha que a renda diminua e os preços dos bens 1 e 2
aumentem. Se m diminui e p1 e p2 aumentam, os interceptos m/p1 e m/p2 devem
diminuir. Isso indica que a reta orçamentária será deslocada para dentro. E a
inclinação? Ela dependerá somente dos preços p 1 e p2. Se p2 aumentar mais que
p1, de tal modo que –p1/p2 diminua (considerando o valor absoluto ou o módulo), a
inclinação será reduzida (a reta ficará mais deitada ou menos inclinada); se p2
aumentar menos que p1, a reta orçamentária ficará mais inclinada.

Se tivermos um ambiente de inflação perfeitamente estável, onde a renda e


os preços variam exatamente na mesma proporção, a reta orçamentária não será
deslocada, nem rotacionada. Veja por quê:

Conforme sabemos, a equação da linha de orçamento é:

p1.q1 + p2.q2 = m

Se você aumentar a renda e os preços na mesma proporção, a equação não


mudará em nada, de tal forma que a linha de orçamento do consumidor
permanecerá na mesma posição. Por exemplo, suponha que os preços e a renda
sejam aumentados em 10% (inflação perfeitamente estável de 10%). A equação da
linha de orçamento, após o aumento de 10%, será:

1,1p1.q1 + 1,1p2.q2 = 1,1m

Observe que as equações antes e depois do aumento são iguais. Basta


simplificar a equação depois do aumento, dividindo todos os termos por 1,1. Assim,
percebe-se que o aumento proporcional de preços e renda não altera (não desloca,
nem rotaciona) a linha de orçamento. A inclinação não mudará, nem o valor dos
interceptos.

A ideia é que você pegue o jeito de manipular as informações, sem precisar


decorar. Segue agora um exemplo numérico que, de certa forma, reafirma de modo
mais claro e menos algébrico o assunto.

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A inclinação para as três linhas de orçamento é encontrada fazendo V/ A =
dV/dA (derivada de V na variável A). Nos três casos, dV/dA = -½. Este termo, ½,
significa a inclinação da linha de orçamento. Note que todas as linhas de orçamento
do nosso gráfico são paralelas, isto é, possuem a mesma inclinação. Desta forma, o
valor de dV/dA deve ser igual para todas elas. Ao mesmo tempo, o valor de dV/dA
representa a relação entre os preços das mercadorias. Veja que -1/2 é o preço do
alimento dividido pelo preço do vestuário. Isso não é mera coincidência e, em todos
os casos, essa regra valerá. Assim, concluímos que a inclinação da linha de
orçamento é igual à divisão do preço do alimento (PA) pelo preço do vestuário (PV).

Nota  a inclinação possui sinal negativo (-1/2), pois há uma relação inversa
entre as variações nas quantidades consumidas dos bens vestuário e alimentos.

1. (CESPE/Unb – Agente da Polícia Federal) - Suponha que uma pessoa


tenha uma renda de R$ 1.200,00, despendida no consumo de dois conjuntos
de bens e serviços x e y, cujos preços unitários são, respectivamente, iguais
a R$ 1,00 e R$ 3,00. Suponha, ainda, que a linha do orçamento seja
representada pela equação: qx + 3qy = 1.200. Nesse caso, se o preço de y se
elevar para R$ 4,00, por aumento da tributação, permanecendo constantes a
renda e o preço de x, a inclinação da reta se elevará de um terço para um
quarto.

Comentários:
A inclinação da reta de restrição orçamentária é dada pela razão dos preços dos
bens. No numerador, preço do bem do eixo das abscissas (eixo X), no
denominador, o preço do bem do eixo das ordenadas (eixo Y). Assim, inicialmente,
a inclinação era PX/PY=1/3. Após o aumento do preço de Y para R$ 4,00, a
inclinação mudou para PX/PY=1/4. Ou seja, houve redução da inclinação, de 1/3
para 1/4, pois 1/3>1/4.

Nota importante  para mensurar a inclinação da reta orçamentária nesta


assertiva, a banca CESPE/UnB considerou o valor absoluto da inclinação, ou seja,
não levou em conta –px/py, mas sim p x/py. Se ela levasse em conta o sinal de
menos, a assertiva estaria certa, uma vez -1/3<-1/4. Ou seja, se o sinal negativo
fosse considerado, haveria realmente aumento da inclinação de menos um terço
para menos um quarto.

Mas, como eu disse, as bancas costumam ignorar tal sinal, e devemos observar
isso com naturalidade.

Gabarito: Errado

Enunciado para a próxima questão: A análise do comportamento dos


consumidores fundamenta a teoria da demanda. Com relação a esse

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tópico, assinale a opção correta.

2. (CESPE/Unb - Analista de Controle Externo – Ciências Econômicas –


TCE/AC) - Os aumentos recentes do preço da energia elétrica deslocam a
restrição orçamentária dos consumidores para baixo, porém, não alteram a
sua inclinação.

Comentários:
A questão parece estranha, não é mesmo?! Pois é, o CESPE elabora algumas
dessas de vez em quando. Acostume-se!

Em regra, o fator que tem o poder de deslocar a reta de restrição orçamentária


para cima ou para baixo é a alteração na renda do consumidor. Quem altera a
inclinação da restrição são as modificações nos preços. A assertiva está, portanto,
errada pois inverteu os conceitos.

Gabarito: Errado

Enunciado para as questões seguintes: Um consumidor pode escolher gastar


sua renda m com o bem x1 ou com o bem x2 de tal forma que a sua reta
orçamentária seja descrita por p1x1 + p2x2 = m, em que p1 e p2 são os
respectivos preços. Com relação a essa situação, julgue os itens que se
seguem.

3. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – A inclinação da reta


orçamentária é expressa por uma relação negativa entre os preços.

Comentários:
A inclinação da reta orçamentária é dada pela razão (relação) entre os preços (-
p1/p2). Ao mesmo tempo, sabemos que a inclinação da reta é negativa (há uma
relação indireta entre as variáveis do gráfico: o maior consumo de um bem implica
menor consumo do outro, ao longo da linha de orçamento). Ou seja, está correta a
assertiva.

Nota: veja que, aqui, a banca foi mais técnica, certinha. Não ignorou o sinal
negativo da inclinação.

Gabarito: Certo

4. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – O conjunto orçamentário é


formado exclusivamente por todas as cestas que custam exatamente m.

Comentários:
Muita atenção! Conjunto orçamentário é um conceito diferente de reta
orçamentária. Aquele é o conjunto de todas as cestas que o consumidor pode
comprar. Já a restrição orçamentária é o conjunto de todas as cestas que exaurem
a renda do consumidor. Assim, a assertiva está errada, pois tratou do conceito de
restrição orçamentária.

Na figura 02 da aula, a reta orçamentária é o segmento AB, ao passo que o

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conjunto orçamentário é a área cinza (que inclui também o segmento AB).

Gabarito: Errado

Enunciado para a próxima questão: a análise do comportamento do


consumidor e das forças que regem a oferta e demanda é fundamental para o
estudo dos fenômenos econômicos. Considerando essas análises, julgue os
próximos itens.

5. (CESPE/Unb – Técnico Científico – Banco da Amazônia) - A


substituição do financiamento da coleta de lixo domiciliar mediante o uso de
uma taxa anual fixa por um sistema em que o pagamento efetuado seja
proporcional à quantidade de lixo recolhido modifica a inclinação da restrição
orçamentária e reduz o subsídio implícito auferido pelas famílias que geram
uma maior quantidade de lixo.

Comentários:
Questão sinistra essa, não! A primeira leitura assusta!

A substituição do pagamento anual fixo por outro pagamento, baseado na


proporção de lixo que cada um produz, altera a relação de preços.

Conforme vimos no estudo da reta de restrição orçamentária, alterações na relação


de preços provocam também alterações na inclinação da restrição orçamentária.

Agora, vem o final da questão, que é meramente interpretativa. Ao mesmo tempo


em que altera a relação de preços, este novo sistema reduz aquele subsídio que as
famílias que produziam mais lixo acabavam tendo (uma vez que o pagamento era
fixo), já que elas pagavam a mesma taxa que uma família que produzia pouco lixo.

Gabarito: Certo

6. (CESPE/Unb – Economista – MPU) - Em uma economia com inflação,


quando os preços e a renda são reajustados na mesma proporção a linha do
orçamento do consumidor desloca-se nessa mesma proporção.

Comentários:
A equação da linha de orçamento é:

p1.q1 + p2.q2 = m (1)

Onde p1, p2, q1 e q2 são, respectivamente, os preços e quantidades dos bens 1 e 2;


e m é a renda. Se você aumentar a renda e os preços na mesma proporção
(inflação perfeitamente estável), a equação não mudará, de forma que a linha de
orçamento do consumidor permanecerá na mesma posição. Por exemplo, suponha
que os preços e a renda sejam aumentados em 10%. A equação da linha de
orçamento será:

1,1p1.q1 + 1,1p2.q2 = 1,1m (2)

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Observe que as equações (1) e (2) são iguais. Basta simplificar a equação (2),
dividindo todos os termos por 1,1. Assim, percebe-se que o aumento proporcional
de preços e renda não altera (não desloca) a linha de orçamento.

Gabarito: Errado

7. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – O custo de oportunidade de


consumo de determinado bem é medido pela inclinação da reta orçamentária.

Comentários:
Conforme comentamos na aula, a inclinação da reta orçamentária representa o
custo de opoortunidade do consumo de determinado bem. Ou seja, para consumir
um bem, e se manter ao longo da reta orçamentária, é necessário reduzir o
consumo do outro bem. Assim, ao consumir um bem, deixa-se de consumir outro
bem, o que representa o conceito de custo de oportunidade.

Gabarito: Certo

8. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – Se um imposto específico é


lançado igualmente sobre dois bens, a reta orçamentária do consumidor
desses bens não se desloca.

Comentários:
Um imposto específico é aquele de valor fixo. Por exemplo, se o governo cobrar R$
1,00 de imposto por cada bem produzido, este imposto é específico. É diferente do
imposto ad valorem (que é um percentual sobre o preço do produto).

Se um imposto específico é lançado igualmente sobre dois bens, os preços dos


dois bens serão alterados (aumentados). Os dois interceptos da reta orçamentária
(m/p1) e (m/p2) serão alterados. Isto certamente provocará algum deslocamento da
reta orçamentária.

Nota: a menos que os preços sejam iguais, a relação de preços também mudará,
alterando também a inclinação da reta orçamentária.

Gabarito: Errado

1.2 UTILIDADE E UTILIDADE MARGINAL

Apenas relembrando: os pressupostos da teoria do consumidor são de que o


consumidor escolhe o melhor possível que ele pode adquirir. No item passado,
vimos a explicação do “pode adquirir”, explicando o que é a restrição orçamentária.
Agora, voltaremos nossos fogos para a análise do “melhor possível”. Para isso, é
necessário que entendamos os conceitos de utilidade e utilidade marginal. Vejamos
o raciocínio:

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Imagine que você passou a semana toda trabalhando 15 horas por dia e,
quando chega o fim de semana, tudo o que você quer é tomar um(as) cerveja(s)
gelada(s) para relaxar. Ou, no caso das mulheres, ir ao shopping fazer compras,
com o cartão de crédito do marido, obviamente.

Ao tomar o primeiro copo de cerveja, certamente este copo trará uma grande
satisfação/utilidade ao homem. Ao mesmo tempo, a primeira compra no shopping
trará bastante utilidade/prazer à mulher. No segundo copo de cerveja, ainda haverá
bastante utilidade adicional para o homem. Igualmente, a segunda compra também
agregará satisfação adicional à mulher.

Se formos aumentando a quantidade de cervejas, no caso dos homens, e


bugigangas compradas, no caso das mulheres, chegaremos ao ponto em que um
copo adicional de cerveja e uma bugiganga a mais comprada representarão para o
homem e a mulher, respectivamente, um benefício adicional tão pequeno que, para
eles, será quase indiferente adquirir ou não esta unidade adicional de consumo.

Com este exemplo prático, podemos dizer que a utilidade total cresce com o
aumento do consumo (por exemplo: quanto mais cervejas se tomam, maior é a
utilidade total do homem, ou quanto mais brinquedos se compram, maior é a
utilidade de uma criança). Todavia, o valor acrescentado à utilidade total pela última
unidade de consumo (último copo de cerveja, por exemplo) é tão menor quanto
maior for o total consumido.

Em outras palavras, quanto mais se consome de um bem, maior é a utilidade


total. Ao mesmo tempo, quanto mais se consome de um bem, menor é o acréscimo
de utilidade decorrente do acréscimo de consumo. Daí, surge o conceito de utilidade
marginal:

Utilidade marginal (Umg): é o acréscimo de utilidade (U) em virtude do


acréscimo de uma unidade de consumo (q) de um bem qualquer. De
forma matemática:

À medida que aumentamos o consumo de um bem qualquer, a sua utilidade


marginal, isto é, a utilidade ou benefício adicional de seu consumo vai diminuindo.
Daí, concluímos que a utilidade marginal é decrescente. Em outras palavras, quanto
mais temos de um bem, menos útil ele se torna. Isso acontece porque a sua
utilidade marginal é decrescente.

Isto que eu acabei de falar é chamado de lei da utilidade marginal


decrescente: à medida que aumentamos o consumo de determinada mercadoria, a
utilidade marginal dessa mercadoria diminui.

Então, ficamos assim:

 Quanto maior é o consumo de um bem, maior será a utilidade (total);

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 Quanto maior o consumo de um bem, menor a utilidade marginal.

Portanto, ao consumirmos mais e mais de um bem, estaremos aumentando a


utilidade total. Ao mesmo tempo, estaremos decrescendo o valor da utilidade
marginal. Até aqui, tudo bem, certo?! Agora, pense no seguinte: o que acontece se
aumentarmos o consumo de um bem indefinidamente?

Ao consumir mais e mais de um bem, aumentaremos cada vez mais a


utilidade total. Por outro lado, diminuiremos cada vez mais a utilidade marginal, já
que está é decrescente com o consumo. Quando a utilidade marginal atingir o valor
NULO, se continuarmos a aumentar o consumo, a utilidade marginal passará a
assumir valores negativos. A partir deste ponto, o aumento de consumo reduzirá a
utilidade total. Assim, o momento em que a utilidade é máxima acaba sendo
quando a utilidade marginal é NULA.

Em outras palavras: se, a partir do momento em que atingimos a utilidade


total máxima, continuarmos a consumir mais o bem, a utilidade marginal continuará
decrescendo (em virtude da lei da utilidade marginal decrescente). Como ela é igual
a zero neste ponto de UMÁX, então, a partir daí, a utilidade marginal passa a ser
negativa, de tal forma que o aumento de consumo irá trazer um acréscimo de
utilidade negativo (utilidade marginal negativa), e irá reduzir a utilidade total.

Por fim, entenda que a esta condição de maximização da utilidade não leva
em conta qualquer restrição de renda do consumidor. Ou seja, para um consumidor
maximizar seu prazer, tudo o que ele tem que fazer é buscar o ponto em que seu
benefício marginal se anula.

No entanto, se ele tiver uma restrição de renda (restrição orçamentária) ou o


bem a ser consumido tiver um preço, tudo muda de figura. Veremos isso mais à
frente em nossa aula. Para fins de prova, o que você deve saber, por enquanto, é
que, não havendo restrição orçamentária, o consumidor maximiza sua utilidade
quando sua utilidade marginal se anula.

Vale ainda ressaltar que, em concursos, a banca pode usar com o mesmo
significado os termos: prazer, benefício, felicidade, satisfação e utilidade. Assim,
benefício marginal é o mesmo que utilidade marginal, que é o mesmo que prazer
adicional, e assim por diante.

1.2.1. Paradoxo do valor

Normalmente, os consumidores aceitam pagar por um bem algum preço na


medida em que tal bem aumenta o prazer ou a utilidade deste consumidor. Por
exemplo, se um bem aumentar bastante a utilidade de um consumidor (utilidade
marginal alta), este indivíduo aceitará pagar um preço maior por tal bem. Por outro
lado, se tal bem aumentar de modo reduzido o prazer do consumidor (utilidade
marginal baixa), este quererá pagar um preço mais baixo.

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Assim, os consumidores procuram igualar os seus benefícios marginais
com os seus custos marginais. O primeiro é o acréscimo de utilidade decorrente
do acréscimo do consumo do bem. O segundo é o acréscimo de custo em virtude
do consumo do bem (simplificando: o custo marginal seria, neste exemplo, o próprio
preço do bem).

Ou seja, os consumidores aceitam pagar um preço (custo marginal) que


iguale o benefício marginal. Isto é, se o bem vai aumentar bastante a minha
satisfação pessoal, eu estarei disposto a pagar mais por ele.

Pois bem, isto explica uma questão bastante intrigante. Por que os diamantes
são tão caros, e a água é tão barata? Rs!

O diamante é um bem (quase) inútil. Viveríamos sem ele, numa boa! Já a


água é essencial. Depois do ar que respiramos, a água é o que existe de mais
importante para a nossa sobrevivência. Então, porque existe uma diferença tão
crucial nos preços do diamante e da água?

Há muita água no mundo! Por isso, a utilidade marginal da água é baixa. Há


pouco diamante no mundo! Por isso, a sua utilidade marginal é alta. Como os
consumidores procuram igualar os preços às utilidades marginais, o diamante acaba
custando muito caro, e a água muito barata. Este é o paradoxo do valor: bens
inúteis custando tão caro, e bens extremamente essenciais custando tão barato.

Se pensarmos que o ar que respiramos é encontrado ainda em maior


abundância que a água, entenderemos por que o ar é de graça! E olha que se
ficarmos poucos instantes sem respirar, isto já é o suficiente para morrermos. Mas,
então, porque o ar é gratuito? Há uma quantidade inesgotável de ar no mundo, e
isto faz com que sua utilidade marginal seja zero. Como o consumidor aceita pagar
o preço que iguale a utilidade marginal do bem, então, o ar acaba saindo de graça.
Por isso, o ar é gratuito! Interessante, não?!

Para fins de prova, assinale como verdadeiro se você se deparar com as


seguintes assertivas:

• Os consumidores procuram igualar os benefícios e os custos marginais


(preço).
• O consumidor aceita pagar um preço que seja igual ao benefício (utilidade)
marginal do bem.

Assinale como errado se você se deparar com a seguinte assertiva:

• A maximização da utilidade requer que o preço seja igual à utilidade marginal


do bem.

A assertiva acima é errada pois a maximização da utilidade requer que a


utilidade marginal seja igual a zero. Mas você pode se perguntar? Mas não foi dito
que o consumidor procura igualar preço com utilidade marginal? É verdade, foi dito
isto mesmo!

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Neste (difícil) momento da aula, você deve entender o seguinte: o
consumidor não procura necessariamente a simples maximização da sua utilidade.
Esta maximização é muito “arbitrária”; ela não leva em conta aspectos como o preço
do bem e a restrição orçamentária do consumidor. Já aquilo que o consumidor
procura para ele (chamamos isso de ótimo do consumidor) leva em conta
algumas restrições (de orçamento).

Observe que a assertiva errada que eu coloquei fala tão somente em


maximização da utilidade, e nada mais. Neste ponto, não há o que se discutir: a
utilidade é máxima quando a utilidade marginal é zero. Por isso, a assertiva é
errada.

9. (CESPE/Unb – Agente da Polícia Federal) - Em alguns provedores de


Internet, a cobrança de uma mensalidade fixa pelo uso ilimitado do serviço
faz que os consumidores utilizem esse serviço até o ponto em que o benefício
marginal se anula.

Comentários:
Neste caso, não temos restrição de renda ou do preço do serviço, já que o
consumidor paga uma taxa fixa e pode usar o serviço ilimitadamente. Assim, o
consumidor buscará a máxima utilidade sem se preocupar com nenhum limitador
de consumo, não há restrição.

A utilidade (total), por sua vez, atinge o seu máximo justamente quando a utilidade
marginal é NULA. Nesse sentido, está certa a assertiva. Note que a questão
apenas trocou a palavra utilidade por benefício. Lembre que há ainda vários outros
sinônimos que podem ser utilizados: prazer, satisfação, felicidade.

Gabarito: Certo

10. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - A maximização


da utilidade do consumidor requer que o benefício marginal decorrente do
consumo de um determinado bem seja igual ao seu preço.

Comentários:
A maximização da utilidade do consumidor requer apenas que o benefício marginal
(utilidade marginal) decorrente do consumo de um determinado bem seja NULO.
Em outras palavras, a utilidade é máxima quando a utilidade marginal é igual a
ZERO.

Gabarito: Errado

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1.3 PREFERÊNCIAS

Apenas relembrando, mais uma vez: os pressupostos da teoria do


consumidor são de que o consumidor escolhe o melhor possível que ele pode
adquirir. No item 1.1, vimos a explicação do “pode adquirir”, explicando o que é a
restrição orçamentária. No item 1.2, tivemos a noção de dois importantes conceitos
que nos serão bastante úteis. Agora, iremos nos concentrar no estudo das
preferências do consumidor, que é uma tentativa de verificar como ocorre a “escolha
do melhor possível”.

No estudo das preferências, a todo o momento, nós comparamos as cestas


de consumo, de modo que o consumidor tenha a possibilidade de classificar as
cestas de consumo de acordo com o grau de satisfação que cada uma delas traz.
Nesse sentido, será bastante comum ouvirmos, por exemplo, que a cesta X é
preferível à cesta Y, ou ainda que o consumidor é indiferente 3 entre o consumo da
cesta X e o consumo da cesta Y. No primeiro caso, o consumo da cesta X traz
maior prazer ou utilidade ao consumidor do que o consumo da cesta Y. No segundo
caso, o consumo de X ou Y traz o mesmo grau de satisfação ou utilidade.

Antes de adentrarmos no assunto, devemos saber que a teoria do


comportamento do consumidor inicia-se com quatro premissas básicas a respeito
das preferências das pessoas por determinada cesta de mercado em relação a
outra. Seguem essas premissas:

1. Integralidade, exaustividade ou completeza: as preferências são


completas. Isso quer dizer que os consumidores podem comparar e
ordenar todas as cestas de mercado. Assim, para quaisquer cestas que
existam, o consumidor é capaz de ordená-las em uma ordem de
preferência e dizer se ele prefere uma ou outra ou, ainda, se ele é
indiferente a qualquer uma delas em relação à outra.

2. Transitividade: as preferências são transitivas (ou consistentes).


Transitividade (ou consistência) quer dizer que, se um consumidor prefere
a cesta de mercado A à cesta B e prefere B a C, então ele também
prefere A a C. Por exemplo, se ele prefere picanha a alcatra e prefere
alcatra a coxão duro, também, necessariamente, prefere picanha a coxão
duro.

3. Quanto mais, melhor: a maior quantidade de um bem é sempre


preferível à menor quantidade do mesmo. Este princípio também é
chamado de princípio da não saciedade. Essa suposição também é às
vezes chamada de monotonicidade de preferências, o que significa dizer
que as preferências são monotônicas (mais é melhor).

3 Por indiferente indicamos que qualquer uma das cestas deixaria o indivíduo com a mesma
utilidade/satisfação.

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4. Reflexividade: as preferências são reflexivas. Em outras palavras, uma
cesta de mercadorias é tão boa4 quanto ela mesma. Isto quer dizer que
uma cesta X proporciona o mesmo prazer que outra cesta que seja
exatamente igual à cesta X.

Essas premissas constituem um embasamento para a teoria do consumidor.


Quando as condições (1) e (2) são satisfeitas, dizemos que as preferencias
são racionais. Assim, a racionalidade das preferências acontece quando é possível
examinar duas alternativas e declarar ou que se prefere uma à outra, ou se é
indiferente, (premissa da completude) e quando as preferências são logicamente
consistentes ou transitivas (premissa da transitividade).

Agora, prosseguindo em nossa aula, para tornar o estudo das preferências


viável, partimos da premissa de que o consumidor tem à sua disposição apenas
duas mercadorias. Adotaremos como exemplo a alimentação e o vestuário. Ou seja,
a utilidade ou a satisfação deste consumidor é função da alimentação e vestuário.
Algebricamente, isso é representado assim: U = f (A, V)  (lê-se: a utilidade é
função de alimento e vestuário).

Pois bem, agora que sabemos que a utilidade do consumidor é dependente


do vestuário e da alimentação (apenas exemplo), podemos traçar um gráfico de
modo semelhante ao que fizemos no item da restrição orçamentária. Neste gráfico,
colocaremos no eixo das abscissas o consumo de alimentos. No eixo das
ordenadas, colocaremos o consumo de vestuário.

É neste diagrama vestuário/alimentos que colocaremos as preferências do


consumidor. Para compreender como elas podem ser dispostas no gráfico, suponha
que um trabalhador que consumisse 50 unidades de vestuário e demandasse, ao
mesmo tempo, 8 unidades de alimentos, estivesse com o nível de utilidade U1, no
ponto A, da figura 08

4Quando temos essa situação em que dizemos que uma cesta é pelo menos tão boa quanto ela mesma, isto
pode ser representado assim: X(x1, x2) X(x1, x2). O símbolo significa que o consumidor prefere fracamente
X a X, ou seja, ele prefere ou mostra-se indiferente entre a escolha entre duas cestas que são iguais. Se
dissermos que X Y, então, este consumidor prefere ambas as cestas (X ou Y), ou ainda, mostra-se indiferente
entre as cestas X e Y. Esta é a relação de preferência fraca, onde temos o símbolo . Por outro lado, se X Y,
nós temos uma relação de preferência estrita, onde o consumidor prefere estritamente a cesta X (não há
possibilidade de haver indiferença, e entre escolher X e Y, sempre escolherá X, pois esta cesta é estritamente
preferível à cesta Y).

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decrescente. Quando nos movemos para a direita, aumentando o consumo de
alimentos, por exemplo, a sua utilidade marginal decresce, fazendo com que o
consumidor queira abrir mão cada vez menos de vestuário em troca de alimentos.

O declínio no consumo de vestuário permitido por um aumento no consumo


de alimentos a fim de que a utilidade mantenha-se constante é chamado de taxa
marginal de substituição (TMgS) entre vestuário e alimentos. É esta TMgS que
determina a inclinação da curva de indiferença. Algebricamente, a TMgS pode
ser definida como:

Inclinação da curva de indiferença

TMgS = V  com a utilidade (U) constante


A

Veja que a TMgS será sempre negativa. Isto porque o numerador V (V FINAL
– VINICIAL) é sempre negativo quando caminhamos da esquerda para a direita na
curva de indiferença. Se caminharmos da direita para a esquerda, o denominador,
A (AFINAL – AINICIAL), será sempre negativo. Assim, a TMgS sempre será negativa
e, por conseguinte, a inclinação da curva de indiferença também será.

 A TMgS explicando a convexidade:

A TMgS também nos ajuda a entender por que as curvas de indiferença


são convexas. A convexidade das curvas de indiferença é plenamente visualizada
ao notarmos o fato da curva ser bem mais íngreme à esquerda do que à direita. No
ponto A (figura 14), onde a curva de indiferença é bastante acentuada, ou vertical,
um grande declínio no consumo de vestuário pode ser acompanhado por um
modesto aumento no consumo de alimentos. Ou seja, quando o consumo de
vestuário é relativamente elevado e o consumo de alimentos é relativamente baixo,
o alimento é mais altamente valorizado do que quando este é abundante e o
vestuário relativamente escasso (precisa-se abrir mão de bastante vestuário para
um ganho pequeno de alimentos, ou seja, o alimento é mais valorizado). Colocada
dessa forma, a convexidade das curvas de indiferença parece algo natural: ela diz
que quanto mais temos de um bem, mais propensos estaremos a abrir mão de
alguma quantidade dele em troca de outro bem.

No ponto E (figura 14), inversamente, a curva de indiferença é relativamente


plana. Essa inclinação mais plana significa que um mesmo declínio no vestuário
requer um aumento bem maior no consumo de alimentos para que a utilidade
permaneça constante. Isto é, quando o consumo de vestuário é baixo e os
alimentos são abundantes, o vestuário é altamente valorizado (a perda do vestuário
requer um enorme aumento no alimento para que a utilidade permaneça constante).
O princípio norteador do raciocínio é o mesmo em todas as situações: o que é
escasso é mais valorizado (neste caso, precisa-se de bastante alimento para
compensar uma pequena perda de vestuário).

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cesta preferível ao ponto A, uma vez que está situada em uma curva de indiferença
mais alta.

A interpretação que devemos fazer é a seguinte: dada uma determinada taxa


de troca, o consumidor estará na melhor situação possível quando a TMgS, que é a
inclinação da curva de indiferença, igualar essa taxa de troca. Na figura acima, isso
ocorre no ponto de tangência B.

Por outro lado, a qualquer taxa de troca que não seja igual à TMgS (ponto A,
por exemplo), o consumidor não estará na melhor situação e quererá alterar a taxa
de troca. Portanto, a TMgS (inclinação da curva de indiferença) acaba medindo
a taxa em que o consumidor se encontra na fronteira de trocar ou não trocar
um bem pelo outro.

Se a TMgS igualar a taxa de troca, o consumidor ficará onde está. No


entanto, qualquer mudança que implique em diferenças entre a TMgS e a taxa de
troca, o consumidor vai querer trocar um bem pelo outro. Exatamente pela mudança
de comportamento decorrente da situação de a TMgS não igualar uma taxa de troca
determinada, nós dizemos que ela (a TMgS) significa a taxa de troca em que o
consumidor está “na fronteira” (entre trocar e não trocar).

Essa é uma conclusão mais difícil sobre a TMgS. Se você teve dificuldades,
tranquilo, isso é normal ☺!

No exemplo tratado aqui (com uma taxa de troca igual a -2), a TMgS vai
significar a fronteira entre trocar ou não trocar. Se a TMgS for igual a 2, o
consumidor não quererá trocar. Se a TMgS não for igual a 2, o consumidor quererá
trocar os bens. Perceba então que a TMgS funciona como uma fronteira entre o
processo de ficar onde está ou não (querer trocar ou não).

 A TMgS mede a propensão marginal a pagar

Outra interpretação podemos dar para a TMgS é que ela mede a propensão
marginal a pagar. Afinal, a curva de indiferença mede o quanto o consumidor está
disposto a querer pagar com um pouco de um bem para comprar um pouco mais do
outro bem.

No nosso exemplo, a TMgS mede o quanto o consumidor está propenso a


pagar com um pouco de alimentos para comprar um pouco mais de vestuário, e
vice-versa. Assim, às vezes, ouve-se dizer que a inclinação da curva de indiferença
mede a propensão marginal a pagar.

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Neste caso, as curvas de indiferença mais para baixo e para a direita serão
as curvas preferíveis, no sentido da redução do consumo de salada e do aumento
do consumo de carne.

Uma importante observação a se fazer neste caso é em relação ao


comportamento do “mal” (o bem que não traz utilidade). O consumo desta
mercadoria não traz acréscimo de utilidade ao consumidor. Pelo contrário, o
aumento de consumo do “mal” faz decrescer a utilidade do consumidor. Isto quer
dizer que a utilidade marginal de uma mercadoria com esta característica será
sempre negativa. Daí, podemos concluir que quando temos um bem que é um
“mal”, que apresenta, para qualquer nível de consumo, utilidade marginal
negativa (faz decrescer a utilidade do consumidor), então, as curvas de
indiferença deste consumidor serão positivamente inclinadas, exatamente
como mostrado na figura 16.

Esta conclusão não se confunde com aquela que foi inferida para as curvas
de indiferença bem-comportadas, que possuem inclinação decrescente e negativa.
Naquelas, o princípio da utilidade marginal decrescente (decrescente é diferente de
negativa) faz com que a inclinação da curva seja decrescente e negativa. Neste
caso da curva bem-comportada, a utilidade marginal, apesar de decrescente, não
será negativa. Entretanto, se a utilidade marginal for negativa, então, a curva de
indiferença será positivamente inclinada.

Nota  no exemplo, desenhei curvas de indiferença representadas por retas,


mas poderíamos também desenhar curvas convexas ou côncavas. O importante
aqui é que as curvas que representam uma cesta composta por um bem e por um
mal terão inclinação positiva.

1.3.5. Bens neutros

Quando temos uma cesta composta por um bem neutro, isto é, um bem que
o consumidor não se importa em ter ou não ter, as curvas de indiferença serão
linhas verticais. Por exemplo, imagine um típico homem solteiro que mora sozinho e
sua cesta de consumo seja composta do bem vassoura e do bem cerveja. Levando-
se em conta que o típico homem solteiro que mora sozinho não varre o seu
domicílio, nunca, podemos concluir que o bem vassoura é neutro, o consumidor
pouco importa em tê-lo ou não. Isso quer dizer que o aumento do consumo de
vassoura não aumenta a utilidade deste consumidor, apenas o aumento do
consumo de cervejas terá este efeito. Veja na figura 17:

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11. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – Para um consumidor racional,


a taxa marginal de substituição entre cédulas de dez reais e cédulas de cinco
reais é decrescente e será tanto mais baixa quanto maior for o seu nível de
renda.

Comentários:
Show de bola esta questão, não é mesmo!

Considerando os dois bens (cédulas de dez reais e cédulas de cinco reais), a taxa
marginal de substituição entre eles independe do nível de renda. Quem
depende da renda é a reta de restrição orçamentária: quanto menor a renda, mais
baixa estará a reta de restrição orçamentária. Veja, então, que a curva de
indiferença e a estrutura de preferências do consumidor não dependem da renda.

Ademais, os bens citados (cédulas de dez e cinco reais) têm a taxa marginal de
substituição constante (nós trocamos uma cédula de dez por duas de cinco reais).
Assim, TMgS=2. Ou, se trocarmos uma cédula de cinco reais por meia cédula de
dez reais, a TMgS será igual a 1/2 . Enfim, qualquer que seja o referencial, a TMgS
será constante, indicando que estes bens são substitutos perfeitos.

Portanto, a assertiva tem dois erros:

i. A taxa marginal de substituição não é decrescente, mas sim constante;


ii. A taxa marginal de substituição não depende da renda do consumidor.

Gabarito: Errado

12. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – Se, para determinado


consumidor, as curvas de indiferença entre dois bens são representadas por
linhas retas negativamente inclinadas, então, para esse consumidor, os bens
examinados são perfeitamente complementares.

Comentários:
Neste caso, em que as curvas de indiferença são linhas retas, os bens serão
substitutos perfeitos. Se fossem perfeitamente complementares, as curvas de
indiferença seriam representadas por retas perpendiculares entre si (curvas de
indiferença em “L”).

Gabarito: Errado

13. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – O princípio da utilidade


marginal decrescente explica por que a restrição orçamentária do consumidor
é negativamente inclinada.

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Comentários:
O princípio da utilidade marginal decrescente explica por que a curva de
indiferença é negativamente inclinada. A banca tentou te confundir.

O que explica a inclinação negativa da reta de restrição orçamentária é o fato de


um consumo maior de um bem implicar obrigatoriamente um consumo menor de
outro bem, estando o consumidor limitado pela sua renda (que está representada
pela própria reta de restrição orçamentária). Por exemplo, na figura 06, cesta Z, se
quisermos aumentar o consumo de vestuário, será necessário reduzir o consumo
de alimentos, devido à restrição da renda. Quando temos duas variáveis no gráfico
que variam em sentidos opostos (uma aumenta e a outra diminui) e inclinação é
decrescente.

Gabarito: Errado

14. (CESPE/Unb - Consultor Legislativo - Câmara dos Deputados) - Em uma


curva de indiferença, os consumidores são indiferentes entre as possíveis
combinações de bens porque, ao longo dessa curva, a renda monetária é
constante.

Comentários:
Ao longo da curva de indiferença a utilidade é constante. A questão fez confusão
com a reta de restrição orçamentária. Nesta, a renda monetária é constante.

Gabarito: Errado

15. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - Curvas de indiferença


mostram a combinação do consumo de dois bens. Por exemplo, a curva de
indiferença relativa a transporte urbano ou veículo próprio mostra os
diferentes níveis de utilidade desses bens para determinado indivíduo.

Comentários:
A curva de indiferença mostra as diversas cestas de consumo que geram a mesma
utilidade. Ou seja, a assertiva está errada em sua parte final, quando fala que a
curva de indiferença mostra os diferentes níveis de utilidade.

Gabarito: Errado

16. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - Curvas de indiferença não


mantêm relação com restrições orçamentárias ou preços dos bens
envolvidos na análise.

Comentários:
As curvas de indiferença mostram os gostos dos consumidores
independentemente da restrição de renda ou dos preços dos bens. Quem mantém
relação com a restrição de renda (orçamentária) e com os preços dos bens
envolvidos é a reta de restrição orçamentária e não a curva de indiferença. Veja
que a questão falou simplesmente na curva de indiferença. Assim, a assertiva é
correta, pois esta não mantém relação com restrições orçamentárias ou com os

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preços dos bens envolvidos na análise.

Gabarito: Certo

17. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - A inclinação de uma curva


de indiferença é denominada taxa marginal de substituição.

Comentários:
É exatamente o termo que define a inclinação da curva de indiferença (esta era
bem fácil ☺).

Gabarito: Certo

18. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/ACE) - Se um


consumidor gosta de refrigerante, mas não faz nenhuma distinção entre as
diferentes marcas disponíveis no mercado, então, para esse consumidor, o
mapa de indiferença entre duas marcas quaisquer é formado por linhas retas
paralelas.

Comentários:
Se o consumidor não faz distinção entre as diferentes marcas de refrigerantes,
então elas são substitutas perfeitas para este indivíduo.

Neste caso, as curvas de indiferença são formadas por linhas retas paralelas
(figura 15, gráfico da esquerda), sendo a TMgS constante.

Gabarito: Certo

19. (CESPE – Economista – MPU) - Os bens X e Y são complementares


perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um pelo outro é
constante.

Comentários:
Quando é possível substituir dois bens a uma taxa marginal de substituição
constante (curvas de indiferença retilíneas), nós dizemos que tais bens são
SUBSTITUTOS perfeitos.

Gabarito: Errado

20. (CESPE – Economista – MPU) - Uma curva de indiferença é convexa


quando a taxa marginal de substituição diminui na medida em que há
movimentação para baixo ao longo da mesma curva.

Comentários:
A taxa marginal de substituição é a taxa com que o consumidor substitui o consumo
de um bem pelo de outro bem, e se mantém com a mesma utilidade (ou seja, se
mantém na mesma curva de indiferença). A TMgS também significa a própria
inclinação da curva de indiferença. Em curvas convexas, a taxa marginal de
substituição (inclinação) é decrescente à medida que nos movimentamos para
baixo ao longo da mesma curva. Observe:

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os seguintes pressupostos: completeza (integralidade) e transitividade
(consistência).

Assim, veja que a assertiva está errada, pois a existência da completeza e da


reflexividade não garante a racionalidade.

Gabarito: Errado

23. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - Supor que as


preferências do consumidor são completas é admitir que é possível comparar
duas cestas quaisquer de bens.

Comentários:
Não há muito que comentar. É exatamente a descrição da premissa da
integralidade.

Gabarito: Certo

24. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - A inclinação para


baixo (negativa) das curvas de indiferença deriva do princípio de que as
preferências do consumidor são transitivas.

Comentários:
A inclinação para baixo da curva de indiferença deriva do princípio da utilidade
marginal decrescente.

Gabarito: Errado

25. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - As curvas de


indiferença nunca se cruzam em decorrência de as preferências do
consumidor serem transitivas.

Comentários:
Correta! Bem fácil esta!

Gabarito: Certo

26. (CESPE/Unb – Especialista em Pesquisas Governamentais – IJSN/ES) -


Uma relação de preferência é completa caso possua as propriedades
transitiva e racional.

Comentários:
Pegadinha!

Aqui, a banca trocou a ordem da relação, tentando o confundir o candidato. O


correto seria: uma relação de preferência é racional caso possua as propriedades
transitiva e completa.

Gabarito: Errado

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2. FUNÇÕES UTILIDADE (ordinal x cardinal)

Uma função de utilidade é uma expressão algébrica que atribui um valor ou


um nível e utilidade a cada cesta de mercado. Suponha, por exemplo, que
consumidor possua a seguinte função utilidade:

U (q1, q2) = q1 + q2

O termo U (q1, q2) está dizendo apenas que a utilidade é função (ou depende)
das quantidades consumidas dos bens 1 e 2. Essas quantidades são representadas
por q1 e q2. Neste caso, uma cesta de mercado que tenha 5 unidades do bem 1
(q1=5) e 4 unidades do bem 2 (q2=4), terá uma utilidade de 5+4=9. Caso este
consumidor, em outro momento, consuma 7 unidades do bem 1 (q 1=7) e 2 unidades
do bem 2 (q2=2), a utilidade também será igual a 9. Ou seja, as cestas (5,4) e (7,2)
possuem a mesma utilidade e estarão, portanto, na mesma curva de indiferença
deste consumidor. E como sabemos disso? Sabemos porque a função utilidade
deste consumidor nos disse!

Nota  esta função utilidade que eu utilizei é apenas um exemplo. Veremos mais
tarde outros formatos para a função utilidade.

Suponha agora que este consumidor consumo 2 unidades do bem 1 (q1=2) e


1 unidade do bem 2 (q2=1). A utilidade será igual a 2+1=3. Assim, esta cesta (2,1)
não será preferível às cestas (5,4) e (7,2) uma vez que a utilidade daquela foi menor
que a utilidade destas últimas. Logo, a cesta (2,1) estará em uma curva de
indiferença mais baixa que as cestas (5,4) e (7,2).

Assim, veja que a função utilidade fornece a mesma informação sobre as


preferências que o conjunto de curvas de indiferença (mapa de indiferença): ambos
ordenam as escolhas do consumidor em termos de níveis de satisfação/utilidade.

Vale ressaltar que a função de utilidade apenas serve para ordenar as


preferências. Ela não nos dá uma medida, um valor de utilidade. Deixe-me explicar
melhor. Imagine que tenhamos uma função utilidade para um consumidor e,
calculando diversas utilidades para diversas cestas, encontremos os valores de
utilidades de 5, 10, 1000 e 2300 para as cestas A, B, C e D, respectivamente. O que
estes números querem dizer? Eles querem dizer apenas que a ordem de
preferência, da mais baixa para a mais alta, é A, B, C e D. Apenas isso! Assim, não
podemos dizer que a cesta B tem o dobro de utilidade da cesta A, nem dizer que a
cesta C é muito mais preferível à cesta B do que a cesta B é preferível à cesta A.
Enfim, repetindo, os valores de utilidade que encontramos em funções de utilidade
serve apenas para ordenar as preferências.

O mesmo vale para comparações entre consumidores diferentes. Por


exemplo, suponhamos que a cesta A, na função de utilidade do consumidor
Teodósio, tenha nível de utilidade igual a 10. Agora suponha que esta mesma cesta
A, na função de utilidade da consumidora Jucicleide, tenha nível de utilidade igual a
100. Será que Jucicleide ficará mais feliz (terá mais utilidade) do que Teodósio se
cada um deles consumisse a cesta A? Não temos como saber a resposta. Os
valores numéricos servem apenas para ordenar as preferências de cada

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consumidor, não são medidas acuradas do quantum uma cesta torna uma pessoa
feliz (apenas ordena, não quantifica).

Esta ordenação de preferências em que as utilidades são simplesmente


ordenadas de modo a mostrar apenas a ordem de preferência é chamada de teoria
ordinal. Caso a preocupação realmente fosse informar em valor numérico qual o
grau de utilidade do consumidor, estaríamos trabalhando com a teoria cardinal.
Assim, esta teoria do consumidor que estamos estudando, baseada na ordenação
de preferências, é pautada em funções de utilidades ordinais, pois verificamos
apenas a ordem das utilidades e não o seu cálculo numérico propriamente dito.

Diferentemente das funções ordinais, uma função de utilidade cardinal


atribui às cestas de mercado valores numéricos que realmente indicam o quantum
de satisfação; elas, ao contrário das funções ordinais, não são apenas meios de
ordenar as preferências. Por exemplo, se tivermos uma função de utilidade cardinal
que indique que o consumo de uma cesta A nos remeta a uma utilidade de valor 10,
enquanto a utilidade da cesta B é de valor 20, podemos afirmar que a cesta B traz o
dobro de utilidade/felicidade ao consumidor. Se a função de utilidade fosse ordinal,
poderíamos somente afirmar que B é preferível a A, nada além disso.

Dentro do estudo da teoria do consumidor, o objetivo é entender o


comportamento dos consumidores, bastando saber como eles classificam ou
ordenam as diferentes cestas. Assim, as funções utilidade com as quais
trabalharemos serão do tipo ordinal. Essa é a abordagem padrão e é ela que é
adotada pelos livros e pelas bancas de concurso.

Nem todos os tipos de preferências poderão ser representados por


função de utilidade. Para uma preferência ser passível de ser representada por
uma função utilidade, é necessário que ela obedeça a algumas regras ou axiomas
que já foram previamente abordados no início da aula. Esses axiomas são os
seguintes:

• Completeza;
• Transitividade;
• Reflexividade.

Se excluirmos esses casos de preferências bizarras, em que os axiomas não


são obedecidos, em geral é possível encontrar uma função utilidade para
representar as preferências.

27. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) – As curvas de


indiferença entre dois bens quaisquer fornecem uma classificação das
possibilidades de consumo derivadas de funções de utilidades cardinais.

Comentários:
A classificacao das possibilidades de consumo são derivadas de funções de

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utilidades ordinais. Este é o padrão adotado!

Gabarito: Errado

28. (CESPE/Unb – Técnico Científico – Banco da Amazônia) - A


determinação da escolha ótima do consumidor, cujas preferências são
descritas pelas curvas de indiferença, requer a adoção de uma medida
cardinal de utilidade, capaz de atribuir um número específico à utilidade total
gerada para cada bem consumido.

Comentários:
A determinação da escolha ótima do consumidor, cujas preferências são descritas
pelas curvas de indiferença, não requer a adoção de uma medida cardinal de
utilidade, capaz de mensurar numericamente a utilidade gerada por cada cesta de
consumo. As preferências descritas pelas curvas de indiferença, na determinação
da escolha ótima do consumidor, requerem a adoção de uma medida ordinal de
utilidade.

Gabarito: Errado

2.1 Preferências Cobb-Douglas6

Este é tipo de função utilidade mais usado em provas. Tem o seguinte


formato:

Onde q1 e q2 representam as quantidades consumidas dos bens 1 e 2, a e b,


os expoentes de q1 e q2, e K são números positivos (a maioria das questões de
prova coloca K=1, de tal forma que a função Cobb-Douglas tenha o formato:
).

As funções Cobb-Douglas são o exemplo típico de curvas de


indiferença bem-comportadas. Por isso, são as mais utilizadas nos livros e nas
provas, pois representam o caso geral das preferências, justamente quando elas
são representadas por curvas de indiferença bem-comportadas (curvas convexas,
negativamente inclinadas, com TMgS decrescente, etc).

6 Paul Douglas era economista e também foi senador dos EUA. Charles Cobb era matemático. Esta forma de
função foi desenvolvida inicialmente para explicar por que os ganhos entre as rendas dos donos do capital
(empresários) e os donos da mão-de-obra (trabalhadores) apresentavam rendimentos constantes ao longo do
tempo. Assim, a função Cobb-Douglas foi desenvolvida com o objetivo de explicar o comportamento da
produção, mas hoje também é muito usada nas funções utilidade do consumidor. Maiores detalhes serão
vistos na aula 03, onde estudaremos a produção.

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Nota: na verdade, a TMgS é negativa (TMgS=- q2/ q1=-Umg1/Umg2). A
inclinação da linha de orçamento também é negativa (-p1/p2). Como os dois termos
são negativos, nós optamos por eliminar os sinais negativos e representar o
equilíbrio do consumidor com sinais positivos, o que, algebricamente, tem o mesmo
significado:

-Umg1/Umg2 = -p1/p2  Umg1/Umg2 = p1/p2

Também devemos estar atentos pois a mesma coisa pode ser dita de
inúmeras maneiras diferentes, de tal forma que é mais sábio tentar entender o real
significado de uma expressão a simplesmente decorá-la. Por exemplo, se
manipularmos a expressão do ótimo do consumidor, envolvendo o consumo dos
bens 1 e 2, chegaremos ao exposto abaixo:

Utilidade marginal do Utilidade marginal do


bem 1 por R$ bem 2 por R$

Umg1 = Umg2
P1 P2

A expressão acima nos diz que a maximização da utilidade é obtida quando a


restrição orçamentária é alocada de tal forma que a razão entre as utilidades
marginais dos bens em relação aos seus respectivos custos sejam iguais.
Podemos dizer também que a utilidade marginal por R$ despendido é igual para o
bem 1 e para o bem 2 (mencionamos o termo utilidade marginal por R$, pois
estamos dividindo a Umg por uma medida de preço, expressa em R$, que, no caso,
será P1 ou P2).

Nota  para compreendermos o fundamento desse princípio, suponhamos que os


preços dos bens 1 e 2 seja iguais e que o consumidor obtenha mais utilidade
gastando R$ 1,00 a mais com o bem 1 do que com o bem 2 (o lado esquerdo da
equação ficará maior que o lado direito, pois Umg1>Umg2). Nesse caso, o
consumidor continuará gastando com o bem 1 em vez de gastar com o bem 2.
Enquanto a utilidade marginal obtida ao gastar uma unidade monetária a mais com
o bem 1 for maior que a utilidade marginal obtida ao gastar uma unidade monetária
a mais com o bem 2, este consumidor pode aumentar a utilidade direcionando seu
orçamento para o bem 1 e afastando-se do consumo do bem 2 (veja que ele não
está em equilíbrio). Por fim, à medida que ele adquire mais e mais o bem 1, a
utilidade marginal do bem 1 vai acabar se tornando menor (porque a utilidade
marginal é decrescente8, isto é, quanto mais consumimos do bem 1, menor será a
utilidade marginal), até que os dois lados da equação fiquem iguais. Neste ponto, o
consumidor estará em equilíbrio, pois a utilidade marginal por R$ despendido será
igual para os bens 1 e 2. Este princípio é chamado de princípio da igualdade
marginal e também será seguido quando estudarmos outros assuntos em nosso
curso, só que em situações um pouco diferentes.

8 Para relembrar o porquê, veja o item 1.2.

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29. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) - A combinação de produtos


que maximizam a utilidade do consumidor estará sobre a curva de indiferença
mais elevada que o consumidor conseguir atingir dada a sua restrição
orçamentária.

Comentários:
Questão simples! É o nosso caso geral de condição ótima de consumo.

Gabarito: Certo

30. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - Quando um


consumidor decide não comprar determinado produto por achá-lo
excessivamente caro, isso indica que a taxa marginal de substituição entre
esse produto e os demais bens, para esse consumidor, é igual ao seu preço
de mercado.

Comentários:
A taxa marginal de substituição representa a inclinação das curvas de indiferença.
Ao mesmo tempo, significa a taxa com que o consumidor troca as quantidades
consumidas de um bem pelas quantidades consumidas de outro bem, mas esta
troca (a TMgS) é baseada única e exclusivamente em suas preferências e não nos
preços dos bens. Ou seja, não temos relação entre a taxa marginal de substituição
(inclinação da curva de indiferença) e os preços dos bens.

Portanto, a curva de indiferença não tem nada a ver com os preços dos produtos.
Como a TMgS é a inclinação da curva de indiferença, também não há qualquer
relação entre a TMgS e os preços dos produtos.

Nota  veja que a questão não falou na situação de ótimo do consumidor. Se


tivesse falado, aí usaríamos os preços dos produtos para conceituar a situação de
escolha ótima.

Gabarito: Errado

31. (CESPE/Unb – Economista – MPU) - Pontos acima do ponto no qual a


curva de indiferença e a linha de orçamento dessa equação de demanda são
tangentes têm a taxa marginal de substituição maior que a relação entre os
preços.

Comentários:
Pontos nos quais a curva de indiferença e a linha de orçamento são tangentes
implicam obrigatoriamente que as suas inclinações sejam iguais. A inclinação da
linha de orçamento é dada pela relação entre os preços dos bens, já a inclinação
da curva de indiferença é dada pela taxa marginal de substituição. Assim, no ponto

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Porém, se

então, o consumidor teria que buscar reduzir o valor de UmgL ou aumentar o valor
de UmgC a fim de buscar a igualdade mostrada na equação (1).

Levando-se em conta o princípio da utilidade marginal decrescente, a igualdade


mostrada em (1) poderia ser buscada através de duas maneiras:

i. Aumento do consumo de livros (reduziria o valor de UmgL); ou


ii. Redução do consumo de computadores (aumentaria o valor de UmgC).

Assim, a assertiva é correta.

Gabarito: Certo

35. (CESPE/Unb) - O fato de que muitos pais de dois filhos preferem tê-los
de sexos diferentes, em vez de tê-los do mesmo sexo, é
consistente com a existência de uma taxa marginal de
substituição nula, entre meninos e meninas.

Comentários:
Esta questão foi enviada para mim em um e-mail tira dúvida. Não consegui achar
de qual concurso foi, mas sei (o aluno falou) que foi do CESPE. E pelo jeitão
maluco da questão, só deve ser mesmo do CESPE (rs!).

Vamos interpretar a mensagem que o examinador nos quer passar. Quando a


assertiva diz os pais preferem ter filhos de sexos diferentes, isto quer dizer que os
pais preferem ter, por exemplo, 01 menino e 01 menina a ter 02 meninos ou 02
meninas. O que isto quer dizer?

Quer dizer que as escolhas dos pais são consistentes com o consumo em
proporção fixa, já que eles preferem ter um filho de cada sexo. Assim, tal
preferência é consistente com uma curva de indiferença em L e não teremos
necessariamente TMgS nula (quando a curva de indiferença é em L, temos TMgS
nula apenas no trecho horizontal do L, e TMgS infinita no trecho vertical do L).

Se a questão dissesse que os pais fossem indiferentes entre o sexos dos filhos,
isto nos diria que as preferências dos pais seriam consistentes com curvas de
indiferença lineares (pois os sexos dos filhos seriam substitutos perfeitos – já que
tanto faz o filho/filha ser menino ou menina).

Gabarito: Errado

36. (CESPE/Unb – Economista – BASA) - Considere que um empresário ao

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revelar sua preferência em construir uma fábrica em Manaus em vez de
construí-la em Belém e em Belém em vez de construí-la em Porto Velho
implique a sua preferência em construir tal fábrica em Manaus em vez de
construí-la em Porto Velho. Nesse caso, tem-se um exemplo da preferência do
empresário ser transitiva.

Comentários:
A assertiva demonstrou de modo exato a premissa da transitividade das
preferências.

Gabarito: Certo

37. (CESPE/Unb – Economista – BASA) - Preferir Boa Vista a Porto Velho


seria um exemplo de utilidade ordinal. A grandeza dessa preferência
(utilidade cardinal) em nada afeta essa escolha.

Comentários:
Outra assertiva bem fácil (um refresco para vocês ☺). Toda a teoria do consumidor
é embasada em funções utilidade do tipo ordinal.

Gabarito: Certo

38. (CESPE/Unb – Analista Administrativo e Financeiro – SEGER/ES) - Na


escolha entre dois bens quaisquer, o nível ótimo de consumo corresponde
àquele no qual a taxa marginal de substituição entre esses bens é superior ao
preço relativo.

Comentários:
Na escolha ótima, a taxa marginal de substituição entre os bens é igual ao preço
relativo.

Obs: o preço relativo significa a relação de preços dos bens (a razão dos preços).

Gabarito: Errado

Enunciado para as duas próximas questões: considere que determinado


consumidor gaste sua renda com apenas dois bens - energia elétrica e
alimentos.

39. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - Se o


consumidor considerar que energia elétrica e alimentos são bens
complementares, então, para esse consumidor, a taxa marginal de
substituição entre esses dois produtos será decrescente.

Comentários:
Se os bens são complementares, a curva de indiferença é em L.

Nós temos TMgS decrescente apenas quando a curva de indiferença é convexa


(é o caso da curva de indiferença bem-comportada).

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Gabarito: Errado

40. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - No equilíbrio, o


consumidor escolherá um nível de consumo de energia elétrica que iguale as
utilidades marginais para ambos os bens.

Comentários:
No equilíbrio, o consumidor escolherá um nível de consumo em que a razão das
utilidades de energia elétrica e alimentos seja igual à razão dos seus preços.

Gabarito: Errado

3. EFEITOS RENDA E SUBSTITUIÇÃO

Verificaremos agora o que acontece quando variamos os preços de um bem.


No caso da redução de preço, por exemplo, acontecerão duas coisas quando um
bem fica mais barato: primeiro, indiretamente, podemos falar que as pessoas terão
ficado mais ricas, uma vez que poderão comprar mais do bem; segundo, muitas
pessoas deixarão de consumir outros bens para consumir o bem que ora se torna
mais barato. No primeiro caso, temos o chamado efeito renda, enquanto, no
segundo caso, temos o efeito substituição. Vejamos as definições:

Efeito renda: quando o preço do bem X é reduzido, o consumidor fica mais


“rico” e, portanto, irá aumentar o consumo do bem; o inverso ocorrerá se o preço do
bem X aumentar.

Efeito substituição: se o preço do bem X diminui e o de outros bens fica


constante, o consumidor procurará substituir o consumo destes outros bens pelo
consumo do bem X, que agora está relativamente mais barato em relação aos
outros bens. O inverso ocorrerá se o preço do bem X aumentar. Em outras palavras,
uma alteração do preço de X muda o preço relativo (relação de preços) do bem X
em relação a outro bem. Assim, o efeito substituição está associado à mudança no
custo de oportunidade do bem X.

A soma dos efeitos renda e substituição nos dá o efeito preço ou efeito total.
Assim:

efeito preço (total) = efeito renda + efeito substituição

Vejamos agora como esses efeitos interferem na demanda (quantidade


consumida) de um bem. Aqui, inicialmente, estaremos considerando um bem normal
(preço diminui, demanda aumenta; renda aumenta, demanda aumenta). Acompanhe
tudo pela figura 23, considerando os bens X e e Y (o foco da nossa análise estará
voltado para o bem X).

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variação positiva, uma vez que X3>X1, temos que o efeito substituição indica
aumento de consumo a partir da redução de preços.

Nota importante  o efeito substituição indicará uma alteração de consumo que


será sempre na direção contrária da variação do preço. Assim, se reduzimos o
preço do bem (variação negativa do preço), o efeito substituição sempre indicará
aumento de consumo. Se aumentarmos o preço do bem (variação positiva), o efeito
substituição indicará redução de consumo. Por existir essa relação inversa ou
negativa entre o efeito substituição e a variação de preços, nós dizemos que o
efeito substituição é sempre negativo, no sentido de que ele é sempre
relacionado negativamente com a variação de preços.

A ordem é essa: depois de analisarmos o efeito substituição, podemos


agora considerar o efeito renda. Ele é a variação no consumo de X ocasionada
pelo aumento do poder aquisitivo (renda), mantendo-se os preços relativos.
Para vermos o efeito renda, devemos partir da situação original deixada após a
análise do efeito substituição. Ou seja, estamos no ponto C, reta orçamentária R 3,
curva de indiferença U1 e consumo X3. Para mantermos os preços relativos e
expressarmos o aumento de renda (isolando o efeito renda), devemos ir para a reta
orçamentária R2, onde estaremos, no fim, no ponto B. O aumento no consumo de X,
passando de X3 para X2, é a medida do efeito renda. Como X2>X3, então, o efeito
renda é positivo, indicando que X é um bem normal (o aumento de poder aquisitivo
decorrente da redução de preços provocou aumento de quantidades consumidas).
Por refletir o movimento feito pelo consumidor de uma curva de indiferença para
outra, sem alterar a relação de preços entre X e Y, o efeito renda mede somente a
influência da variação do poder aquisitivo (variação da renda) sobre as quantidades
consumidas de X.

Para o nosso exemplo, tivemos então o seguinte: redução de preços, efeito


preço total indicando aumento de demanda/consumo, efeito substituição indicando
aumento de consumo (efeito substituição negativo) e efeito renda também indicando
aumento de consumo (efeito renda positivo).

Você certamente deve estar estranhando o fato de os dois efeitos terem


apontado aumento de consumo e, inadvertidamente, um ser negativo (o efeito
substituição é negativo) e o outro ser positivo (o efeito renda é positivo). A
explicação é que o seu sinal é analisado a partir da relação entre as variáveis “em
jogo” quando se analisa cada efeito. E essas variáveis são diferentes para cada
efeito.

O efeito substituição é a mudança de consumo a partir da mudança de preço


do bem, a partir de uma visão de que o consumidor tende a substituir o consumo de
um bem que fica mais caro pelo consumo de outro que bem que está relativamente
mais barato, e vice-versa. Então, as variáveis “em jogo” ao se analisar o efeito
substituição são: preço do bem e consumo do bem. Como elas variam sempre em
sentido contrário, nós dizemos que o efeito substituição é sempre negativo.

O efeito renda é a mudança de consumo a partir da mudança de renda do


consumidor, a partir de uma visão de que a mudança de preço tende a alterar o
poder aquisitivo (renda real) dos indivíduos. Então, as variáveis em jogo ao se

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analisar o efeito renda são: renda do consumidor e consumo do bem. No nosso
exemplo acima, a redução de preço tem o mesmo significado que um aumento de
renda, e nós vimos que isso provocou aumento de consumo. Ou seja, houve
aumento de renda (via redução de preço) e aumento de consumo. Como as
variáveis em análise caminharam no mesmo sentido, dizemos que o efeito renda foi
positivo. O cuidado que devemos ter neste caso é que o efeito renda não é como o
efeito substituição (que tem sempre o mesmo sinal – é negativo), ele será positivo
ou negativo, dependendo do bem em análise e das preferências do consumidor.

Existe uma regra que sempre deve ser seguida quando analisamos os efeitos
renda e substituição. A variação do efeito substituição é sempre a mesma e aponta
na direção contrária à variação do preço: o efeito substituição decorrente de uma
redução de preço provoca aumento de consumo (por isso, nós dizemos que o
efeito substituição é sempre negativo) e o efeito substituição decorrente do
aumento de preço provoca redução de consumo.

Já em relação ao efeito renda, isso não acontece. Pode haver três situações
para o efeito renda, e cada uma delas nos dirá sobre que tipo de bem estamos
tratando:

Situação 1 (BEM NORMAL) – Se houver redução de preços (=aumento de renda) e


o efeito renda (ER) indicar aumento de consumo (efeito renda positivo, uma vez que
renda e consumo caminham no mesmo sentido), então, podemos dizer que o bem é
normal, uma vez que o aumento da renda (provocado pela redução de preços)
provocou aumento nas quantidades consumidas/demandadas. De forma inversa, se
houver aumento de preços (=redução de renda) e o efeito renda indicar redução no
consumo (efeito renda positivo, uma vez que renda e consumo caminham no
mesmo sentido), então, podemos dizer que o bem é normal, uma vez que a redução
da renda (causada pelo aumento de preços) provocou redução nas quantidades
consumidas. Assim:

Redução de preços  Renda aumenta  Consumo aumenta  ER+  Bem


normal

Aumento de preços  Renda diminui  Consumo diminui  ER+  Bem normal

Dica: quando o bem é normal, o efeito renda sempre será positivo (renda
aumenta, consumo aumenta; renda diminui, consumo diminui).

Nesta situação 1, onde temos um bem normal, o efeito renda sempre reforçará o
efeito substituição. Se houver redução de preços, temos a certeza que o efeito
substituição provocará aumento de consumo (pois o efeito substituição é sempre
negativo). Ao mesmo tempo, essa redução de preços significa aumento de renda e
este provoca aumento do consumo (pois o efeito renda é positivo).

Situação 2 (BEM INFERIOR) – Se houver redução de preços (=aumento de renda)


e o efeito renda (ER) indicar redução de consumo (efeito renda negativo, pois renda
e consumo caminham em sentido contrário), então, podemos dizer que o bem é

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inferior11, uma vez que o aumento de renda (provocado pela redução de preços)
provocou redução das quantidades consumidas.

Redução de preços  Renda aumenta  Consumo diminui  ER-  Bem inferior

Aumento de preços  Renda diminui  Consumo aumenta  ER-  Bem inferior

Dica: quando o bem é inferior, o efeito renda será sempre negativo.

Situação 3 (BEM DE GIFFEN) – A terceira situação é um caso especial da situação


2 retratada acima. Quando há redução de preços, o efeito substituição (ES) será
negativo, indicando aumento de consumo. Se o bem for inferior, no entanto, nós
vimos acima que o efeito renda (ER) será negativo, indicando, portanto, que a
redução de preço (=aumento de renda) provoca redução no consumo. Existe o caso
de um bem em que, havendo redução de preços, a redução de consumo provocada
pelo efeito renda negativo, em valor absoluto, é maior ou mais forte que o aumento
de consumo provocado pelo efeito substituição negativo. Neste caso, a
consequência da redução de preços será a redução nas quantidades consumidas,
uma vez que o efeito renda suplanta o efeito substituição. Esse é o bem de Giffen,
um caso particular de bem inferior, e que contraria a lei da demanda (é a única
exceção à lei da demanda12). Assim, para o bem de Giffen, o efeito renda
suplanta o efeito substituição.

Se houver aumento de preços, o efeito substituição será negativo, indicando


redução no consumo. Se o bem for inferior, o efeito renda será negativo, indicando
que a redução de renda (provocada pelo aumento de preços) provocará aumento de
consumo. Se o efeito renda (que aponta aumento de consumo) suplantar o efeito
substituição (que aponta redução de consumo), haverá aumento de consumo,
contrariando a lei da demanda, logo, teremos também neste caso um bem de
Giffen, já que o aumento de preços provoca aumento no consumo (efeito renda é
maior, em valor absoluto supera o efeito substituição).

Arrematando o raciocínio: se os ER e ES apontarem variações distintas no


consumo, o bem, obrigatoriamente, será inferior; e se, além disso, ER>ES, então, o
bem, além de ser inferior, será de Giffen (lembre então que o bem de Giffen é um
caso especial do bem inferior. Logo, todo bem de Giffen é também um bem
inferior, mas nem todo bem inferior será bem de Giffen).

Por fim, podemos concluir que (neste item da aula, o mais importante é que
você grave estas conclusões, pois são elas que caem na prova, especialmente as
que estão em negrito):

 O efeito substituição é sempre negativo;

 Para bens normais, o efeito renda é positivo;

11 Por definição, o bem inferior é o bem que tem sua demanda reduzida em virtude do aumento de renda.
12 Lei da demanda: preço aumenta, quantidade demanda diminui, e vice-versa.

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questão da mudança dos preços relativos (isolar somente este fato).

Gabarito: Errado

42. (CESPE/Unb – Economista – DFTRANS) - Efeito renda refere-se à


mudança na restrição orçamentária decorrente da mudança da renda e dos
preços relativos.

Comentários:
Efeito renda refere-se à mudança na restrição orçamentária decorrente da
mudança de renda, mantendo-se os preços relativos.

Ou seja, a intenção, ao se analisar o efeito renda, é verificar somente a questão da


mudança da renda (isolar somente este fato).

Gabarito: Errado

43. (CESPE/Unb – Controlador de Recursos Municipais – PMV) - De acordo


com um estudo recente, a elasticidade renda da demanda de leite em pó, no
Brasil, é negativa para todas as faixas de renda. Supondo-se que essa
elasticidade esteja corretamente estimada, é possível afirmar que, para esse
produto, o efeito renda reforça o efeito substituição.

Comentários:
A questão parte da premissa de que a elasticidade renda da demanda do leito em
pó é negativa. Ou seja, o leito em pó é um bem inferior.

Obs: temos que assumir este dado do enunciado como verdadeiro para analisar o
restante da questão.

Quando o bem é inferior, o efeito renda vai contra o efeito subsituição.

Os dois efeitos se reforçam quando temos bens normais (ERD>0).

Gabarito: Errado

44. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - A curva de Engel


para artigos de segunda mão utilizados pelos consumidores de baixa renda,
que constituem exemplos de bens inferiores, é representada por uma linha
reta, positivamente inclinada.

Comentários:
A curva de Engel para bens inferiores é negativamente inclinada, pois as variáveis
do gráfico (renda e quantidades demandadas) atuam em sentido inverso.

Para bens normais, aí sim a curva de Engel será positivamente inclinada.

Gabarito: Errado

45. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - Para a vasta

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maioria dos bens e serviços, o efeito renda reforça o efeito substituição e
contribui para que as curvas de demanda individuais, para esses bens, sejam
negativamente inclinadas.

Comentários:
Realmente, a vasta maioria dos bens são normais (onde o efeito renda reforça o
efeito substituição). Para estes bens, a redução de preço vai apontar aumento no
consumo, e o aumento de preço vai apontar redução de consumo (tanto pelo efeito
renda, quanto pelo efeito substituição). Isto significa que as curvas de demanda
destes bens serão negativamente inclinadas.

Gabarito: Certo

46. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - Ao longo da


curva de demanda individual, o nível de bem estar do consumidor é
constante.

Comentários:
O nível de bem estar do consumidor é constante ao longo da curva de
indiferença, e não ao longo da curva de demanda.

Gabarito: Errado

47. (CESPE/Unb – Analista – STM) - A predominância do efeito renda sobre


o efeito substituição explica a inclinação negativa da curva de demanda para
quase todos os bens inferiores.

Comentários:
Os bens inferiores possuem efeitos renda e substituição divergentes, apontando
em sentido contrário.

Quando o preço diminui, o efeito subsituição diz que o consumo aumento, e o efeito
renda diz que o consumo diminui. Na maioria dos casos, o efeito substitiuição
vence, e uma redução de preço acaba provocando aumento no consumo, o que faz
com que a curva de demanda da maioria dos bens inferiores seja negativamente
inclinada.

Em uma pequena parte dos casos, onde o efeito renda vence o efeito substituição,
a redução de preço aponta redução de consumo, fazendo com que a curva de
demanda seja positivamente inclinada. neste caso, temos o paradoxo de Giffen,
que é um acontecimento raro na economia.

A assertiva está, portanto, errada, pois a predominância do efeito substituição


sobre o efeito renda explica a inclinação negativa da curva de demanda para
quase todos os bens inferiores.

Gabarito: Errado

48. (CESPE/Unb – Analista e técnico – EBC) - Em uma cesta de consumo


com dois bens normais, o caminho de expansão da renda terá inclinação

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negativa.

Comentários:
O caminho de expansão da renda terá inclinação negativa quando algum dos bens
for inferior.

Gabarito: Errado

49. (CESPE/Unb – Analista e técnico – EBC) - Todo bem de Giffen é um


bem inferior, porém nem todo bem inferior é um bem de Giffen.

Comentários:
Esta assertiva foi amplamente debatida no item 1.6 da aula. Ficou fácil agora, não é
mesmo?!

Gabarito: Certo

50. (CESPE/Unb – Polícia Federal) – Ao longo da curva de preço-consumo,


a renda nominal permanece constante.

Comentários:
Esta é uma hipótese da curva preço-consumo. Nós mudamos os preços dos bens,
mantendo a renda constante.

Gabarito: Certo

51. (CESPE/Unb – Polícia Federal) – Para dois bens quaisquer, quando a


curva renda-consumo é positivamente inclinada em toda a sua extensão, é
correto afirmar que esses produtos são bens normais.

Comentários:
A assertiva é correta. Se a trajetória renda-consumo tem inclinação positiva, os
bens são normais. Se tem inclinação negativa, um dos bens (ou ambos) é inferior.

Gabarito: Certo

52. (CESPE/Unb – Analista – MPE/TO) – Se a curva de demanda de um bem


é vertical, então, este bem deve ser um bem inferior e, portanto, sua
elasticidade renda deve ser negativa.

Comentários:
A meu ver, esta é a questão mais difícil da aula!

Se a curva de demanda é vertical, isto significa que o aumento de preço não gera
aumento nem redução de consumo. Ou seja, qualquer que seja o preço praticado,
a quantidade consumida ou demandada é a mesma. Assim, podemos entender que
o efeito preço é nulo.

O efeito preço, por sua vez, é dividido em efeito renda e efeito substituição. Como o
efeito substituição é sempre negativo e, para um aumento de preço, aponta

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redução de consumo; então, o efeito renda, para um aumento de preço (=redução
de renda), também será negativo, apontando para um aumento no consumo. Os
dois efeitos têm que apontar em sentido contrário, para que o efeito resultante
(efeito preço) seja nulo. Por isso, temos essa certeza que o efeito renda será
negativo.

Por sua vez, quando o efeito renda é negativo, o bem é inferior. E quando o bem é
inferior, a ERD é negativa.

Gabarito: Certo

......

Bem pessoal, por hoje é “só”!

Aulinha grande, é verdade. Agora, segue mais uma lista de exercícios que, com
certeza, vão aprofundar ainda mais os conhecimentos sobre teoria do consumidor.

Até a próxima!

Abraços e bons estudos!


Heber Carvalho
hebercarvalho@estrategiaconcursos.com.br

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MAIS QUESTÕES COMENTADAS

53. (Cespe/Unb – Agente da Polícia Federal – 2014) - Os mapas de


indiferença são elaborados com base no conceito de utilidade ordinal dos
bens e serviços.

Comentários:
A teoria utilizada na construção do mapa de indiferença é a teoria ordinal, cujo
objetivo é somente ordenar as preferências, e não quantificá-las (teoria cardinal).

Gabarito: Certo

54. (Cespe/Unb – Agente da Polícia Federal – 2014) - O crescimento da


renda de um consumidor em determinado período provoca alterações na
inclinação da reta de orçamento.

Comentários:
O crescimento da renda provoca alterações na posição da reta de orçamento,
deslocando-a paralelamente para fora. Ou seja, se a renda aumenta, a reta de
orçamento vai para fora, sem alteração da sua inclinação.

O que altera a inclinação da reta de orçamento é a mudança de preços relativos.

Gabarito: Errado

55. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2012) - Considere que


um consumidor gaste toda a sua renda com a compra de bens e serviços.
Nessa hipótese, não é possível que todos os bens da cesta de consumo desse
consumidor sejam bens inferiores.

Comentários:
Em teoria do consumidor, só trabalhamos com a hipótese de dois bens e, no caso
desta questão, o consumidor gasta toda a sua renda com esses bens.

Assim, se um bem dos bens é inferior, o outro será, necessariamente, bem normal.

Imagine a seguinte situação: se ambos os bens forem inferiores e ocorrer um


aumento de renda, o consumidor reduzirá o consumo dos dois bens
simultaneamente. Nesta situação, ele faria poupança, o que não pode acontecer. A
hipótese da questão é a de que o consumidor gasta toda a sua renda.

Portanto, se a renda aumentar, e um bem for interior (o consumidor reduzirá gasto


com este bem), o outro bem deverá ser normal (para aumentar o gasto do
consumidor, de tal modo que ele consiga gastar toda a sua renda).

Gabarito: Certo

56. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2009)

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Em uma pequena economia, inicialmente, sem relações comerciais com o


resto do mundo, certo consumidor dispunha de renda de R$ 36 e tinha
preferências distribuídas entre dois bens: 1 e 2. A restrição orçamentária do
referido consumidor é descrita, no gráfico acima, pela curva AB, cujos eixos
representam quantidades (em unidades) dos bens 1 e 2. Posteriormente, em
razão da eliminação de barreiras ao comércio, o consumidor se deparou com
novas possibilidades de consumo, representadas no triângulo ABC.

Considerando a situação hipotética apresentada e supondo que esse


consumidor, sempre maximizando sua utilidade, escolhesse consumir 3 e 4
unidades do bem 1, respectivamente, antes e depois da abertura da economia,
assinale a opção que apresenta, respectivamente, a diferença entre as
quantidades do bem 2 consumidas depois e antes da abertura e a proporção
entre os preços do bem 2 depois e antes da abertura.
a) 1 e 1/3
b) 1 e 2/3
c) 1 e 1
d) 3 e 1/3
e) 3 e 2/3

Comentários:
Para responder à questão, precisamos descobrir a quantidade ótima do bem 2 antes
e depois da abertura comercial.

Antes da abertura comercial, a quantidade ótima do bem 1 era igual a 3 unidades.


Olhando no gráfico, conclui-se que antes da abertura quantidade ótima do bem 2
será igual a 12 unidades.

Depois da abertura comercial, a quantidade ótima do bem 1 era igual a 4 unidades.


Olhando no gráfico, conclui-se que depois da abertura a quantidade ótima do bem 2
será igual a 15 unidades.

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Portanto, a diferença entre as quantidades do bem 2 consumidas antes e
depois da abertura será igual 3 unidades (15 – 12 = 3). Até aqui, estamos entre
as letras (D) e (E).

Para calcular os preços, basta usarmos as expressões dos interceptos da reta


orçamentária (m/p2) no eixo vertical (onde está o bem 2).

Antes da abertura:
m/p2 = 18
36/p2 = 18
p2 = 2

Depois da abertura
m/p2 = 27
36/p2 = 27
p2 = 1,33

Agora, vamos calcular a proporção entre os preços do bem 2 depois e antes da


abertura (observe que a proporção é depois e antes; logo o preço depois vai no
numerador e o preço antes vai no denominador):

1,33/2 = 2/3

Gabarito: E

57. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2010) - Supondo-se


que, no Brasil, o uso de transporte coletivo seja um bem inferior, conclui-se
que o efeito renda decorrente do aumento do preço das passagens de ônibus
contribui para reforçar o efeito substituição, o que reduz a demanda por esse
tipo de transporte.

Comentários:
A questão trabalha com a hipótese de que o transporte coletivo seja um bem
inferior. É sob esta hipótese que analisaremos a assertiva.

Para bens inferiores, o efeito renda vai contra o efeito substituição.

Numa hipótese de aumento de preço das passagens (trazido pela questão), o efeito
substituição aponta redução da demanda.

Sob o ponto de vista do efeito renda, temos implicitamente uma redução da renda.
Como o bem é inferior, a redução de renda vai apontar aumento da demanda.

Perceba, assim, que os efeitos renda e substituição não se reforçam.

Gabarito: Errado

58. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - Se


duas cestas de consumo estiverem na mesma curva de indiferença, a cesta

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que apresentar menor consumo do bem mais caro será associada a um menor
nível de utilidade.

Comentários:
Se dois bens estiverem na mesma cesta de consumo, eles terão o mesmo nível de
utilidade, pois, ora, eles estão na mesma curva de indiferença, que é justamente o
lugar geométrico que reúne combinações de consumo que dão ao consumidor o
mesmo nível de utilidade.

Gabarito: Errado

59. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - No


equilíbrio do consumidor, as curvas de indiferença se cruzam.

Comentários:
As curvas de indiferença nunca se cruzam (axioma da transitividade).

No equilíbrio do consumidor, a curva de indiferença tangencia a reta orçamentária.

Gabarito: Errado

60. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - Em


um mapa de indiferença de dois bens, a inclinação de uma curva de
indiferença, em cada ponto, é função das utilidades marginais desses bens,
desde que estas existam.

Comentários:
A inclinação de uma curva de indiferença é a sua taxa marginal de substituição que
é igual à razão das utilidades marginais.

A dúvida reside na parte final da assertiva. Será que é possível a não existência de
utilidades marginais? Não encontrei esta resposta em nenhum lugar, mas posso
imaginar que o caso dos bens complementares perfeitos se encaixa. Nesta
situação, não temos utilidade marginal para os bens envolvidos a menos que ambos
os bens sejam aumentados na mesma proporção. Para estes bens
(complementares perfeitos), a inclinação da curva de indiferença seria indefinida.
Assim, a assertiva acaba sendo correta, apesar da parte final que é um pouco
estranha.

Gabarito: Certo

61. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/SC – 2016) - De


acordo com a teoria ordinal do consumidor, as preferências do consumidor
serão transitivas quando ele puder decidir se prefere a cesta A à B, se prefere
a cesta B à A ou se é indiferente às cestas A e B.

Comentários:
O axioma descrito nesta assertiva não é o da transitividade, mas sim o da
integralidade ou completeza, pois é este que afirma que será sempre possível
comparar duas cestas de consumo.

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Ou seja, dadas duas cestas A e B, o consumidor sempre vai poder decidir se


prefere a cesta A à B, se prefere a cesta B à A ou se é indiferente às cestas A e B.

Gabarito: Errado

62. (Cespe/Unb – Economista – DPU – 2016) - Os bens de Giffen são bens


inferiores cujo efeito substituição é superior ao efeito renda.

Comentários:
Os bens de Giffen são bens inferiores cujo efeito substituição é inferior ao efeito
renda.

Gabarito: Errado

63. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - Quando preços dos bens


e renda do consumidor são multiplicados por escalar positivo, a restrição
orçamentária não é alterada.

Comentários:
Se você multiplicar preços e renda por um mesmo número (um escalar positivo) a
restrição orçamentária não é alterada. Isto é, se você aumentar a renda e os preços
na mesma proporção, a equação não mudará em nada, de tal forma que a linha de
orçamento do consumidor permanecerá na mesma posição. Por exemplo, suponha
que os preços e a renda sejam aumentados em 10% (inflação perfeitamente estável
de 10%). A equação da linha de orçamento, após o aumento de 10%, será:

1,1p1.q1 + 1,1p2.q2 = 1,1m

Observe que as equações antes e depois do aumento são iguais. Basta simplificar a
equação depois do aumento, dividindo todos os termos por 1,1. Assim, percebe-se
que o aumento proporcional de preços e renda não altera (não desloca, nem
rotaciona) a linha de orçamento.

Gabarito: Certo

64. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se os preços e a renda


forem multiplicados pelo mesmo escalar positivo, então a utilidade do
consumidor não será alterada.

Comentários:
A utilidade do consumidor não guarda qualquer relação com a renda ou com os
preços. A função utilidade do consumidor deriva das suas preferências. Elas
somente levam em conta as quantidades de cada bem. Assim, em regra, a maior
parte dos formatos de função utilidade com que você se depare dependerá das
quantidades dos bens, e não dos preços e da renda.

Assim sendo, está certa a questão.

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Adicionalmente, se a questão estivesse falando de uma situação específica em que
estivéssemos tratando o ótimo do consumidor ou até mesma da restrição
orçamentária, o item ainda estaria certo. Quando multiplicamos os preços e a renda
pelo mesmo escalar positivo, a restrição orçamentária do consumidor não é
alterada.

Gabarito: Certo

65. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - A escolha ótima do


consumidor é sempre caracterizada pela igualdade entre a taxa marginal de
substituição dos bens e a razão entre os seus respectivos preços.

Comentários:
Em regra, a escolha ótima do consumidor acontece quando temos o ponto de
tangência, que é a situação em que ocorre a igualdade entre a inclinação da curva
de indiferença (taxa marginal de substituição) e a inclinação da reta orçamentária
(preços relativos).

No entanto, isto não acontece sempre. Por exemplo, quando temos soluções de
canto (caso dos bens substitutos perfeitos, e das curvas de indiferença côncavas,
por exemplo), não ocorre, na escolha ótima do consumidor, essa igualdade entre
taxa marginal de substituição e razão dos preços.

Gabarito: Errado

66. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o consumidor sempre


tomar uma xícara de café adoçado com uma colher de açúcar, então as curvas
de indiferença do consumidor apresentarão o formato de linhas retas no
espaço de bens.

Comentários:
Se o consumidor sempre consome dois bens em conjunto, estamos falando de bens
complementares perfeitos, cujas curvas de indiferença serão linhas perpendiculares.

As curvas de indiferença descritas na questão dão a entender esta ideia, tendo em


vista que o consumidor sempre toma o café junto com a colher de açúcar.

Gabarito: Certo

67. (Cespe/Unb – Tecnólogo em Negócios Imobiliários – FUB – 2015) - Todo


bem inferior é um bem de Giffen, mas nem todo bem de Giffen é um bem
inferior.

Comentários:
Todo bem de Giffen é um bem inferior, mas nem todo bem inferior é um bem de
Giffen.

Observe que o correto é o contrário do que está na assertiva.

Gabarito: Errado

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68. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o estudo for considerado


um bem, na situação em que o candidato estuda cinco horas e depois não
consegue mais estudar, verifica-se a violação de ao menos um axioma das
preferências do consumidor.

Comentários:
Se o estudo for considerado um bem e, após consumir 5 horas desse bem, o
consumidor não quiser mais estudar, ocorrerá a violação do axioma do “quanto
mais, melhor” ou axioma da “não saciedade”.

Gabarito: Certo

69. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - As curvas de indiferença


são côncavas em relação à origem no espaço de bens.

Comentários:
A regra geral é que as curvas de indiferença são convexas em relação à origem.

Gabarito: Errado

70. (Cespe/Unb – Auditor Governamental – CGE/PI – 2015) - As curvas de


indiferença apresentam inclinação positiva e densidade em todo o espaço de
bens.

Comentários:
A parte inicial está errada, pois, em regra, as curvas de indiferença apresentam
inclinação negativa. Já a parte final está certa, pois as curvas de indiferença, em
conjunto, formam o mapa de indiferença que é realmente denso, pois reúne infinitas
curvas de indiferença em que é possível comparar quaisquer cestas de consumo.

Gabarito: Errado

71. (Cespe/Unb – Auditor Governamental – CGE/PI – 2015) - Se, na


comparação entre os bens A, B e C, o bem B for pelo menos tão bom quanto o
bem A, e o bem C for estritamente preferível ao bem A, então, sob
convexidade, qualquer combinação linear dos bens B e C será preferível ao
bem A.

Comentários:
Se B for tão bom quanto A e C é preferível a A, então, com certeza, C será
preferível a A. Até aqui tudo certo, mera obediência à premissa da transitividade.

Agora, precisamos checar se combinação linear dos bens B e C será preferível ao


bem A. E precisamos verificar o que isto tem a ver com a convexidade. Acredito que
seja mais fácil explicar mostrando um gráfico:

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Gabarito: Certo

75. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se os preços dos bens x e y


duplicarem e a renda do consumidor triplicar, então haverá deslocamento
paralelo para a direita da restrição orçamentária.

Comentários:
Se os preços dos bens X e Y duplicarem e a renda triplicar, isto equivalerá a um
aumento de renda de 50%. Observe:

Vejamos:

Agora, dobramos os preços e triplicamos a renda:

Manipulando algebricamente, chegamos a:

Conforme sabemos, o aumento de renda faz com que a reta orçamentária seja
deslocada para a direita.

Gabarito: Certo

76. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o preço do bem x


duplicar e o do y triplicar, então a restrição orçamentária do consumidor ficará
menos inclinada em relação a restrição orçamentária original do consumidor.

Comentários:
A inclinação da reta orçamentária é px/py.

Se os preços de x e y duplicarem e triplicarem, respectivamente, então, a nova


inclinação será: 2px/3py.

A inclinação, portanto, diminui de 1 para 2/3.

Gabarito: Certo

77. (Cespe/Unb – Consultor Legislativo – 2014) - As curvas de indiferenças


correspondem às infinitas combinações de bens e representam as
preferências dos consumidores, porque os bens e serviços são contáveis e os
gastos pessoais finitos.

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Comentários:
A primeira parte da assertiva está correta. No entanto, a justificativa no final está
errada. Os gastos pessoais não guardam relação com as curvas de indiferenças.
Estas dizem respeito somente às preferências dos consumidores, não guardando,
isoladamente, qualquer relação com gastos pessoais, preços ou renda do
consumidor.

Gabarito: Errado

78. (Cespe/Unb – Auditor de Controle Externo – TCDF – 2014) - Para um


consumidor com orçamento inteiramente gasto com dois bens, o aumento do
preço de um dos bens causará, necessariamente, a redução no consumo de
ambos os bens, exceto se um deles for inferior.

Comentários:
Para um consumidor que gasta toda a sua renda, se um bem aumentar de preço (e
a renda continuar a mesma), não é necessário que o consumidor reduza o consumo
dos dois bens. Basta reduzir o consumo de apenas um dos bens para obedecer à
restrição orçamentária.

Gabarito: Errado

O gráfico acima, que representa as quantidades demandadas do bem A eixo


horizontal e do bem B eixo vertical , mostra alguns efeitos na restrição
orçamentária de um consumidor, efeitos que resultam da variação no preço do
bem A. Após a variação no preço do bem A, a restrição orçamentária do
consumidor desloca-se para a esquerda (de RO para RO’); U é a curva de
utilidade do consumidor — tangência RO no ponto X —; U’ é a outra curva de
utilidade do consumidor tangência RO’ no ponto Y ; a reta PT é paralela à
RO’ e tangência U no ponto Z o equilíbrio do consumidor move-se do ponto X
= (QX, Q1) para o ponto Y = (QY, Q2), no qual QX > QZ > QY > 0 e Q2 > Q1 > 0.
Considerando essas informações e o gráfico, julgue os itens subsequentes.

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79. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – A variação no preço do bem


A ocasionou perda no poder de compra do consumidor.

Comentários:
Quando o preço de um bem aumenta, o poder de compra do consumidor diminui,
pois a quantidade de bens que ele poderá comprar será menor (a menos que um
dos bens seja de Giffen).

Gabarito: Certo

80. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – O gráfico mostra redução


no preço do bem A.

Comentários:
O gráfico mostra aumento no preço do bem A, pois o intercepto horizontal
(renda/preço do bem A) diminui de O para O’.

Gabarito: Errado

81. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – A diferença QX –


QZ corresponde ao efeito substituição.

Comentários:
Vamos identificar todos os efeitos no gráfico.

O efeito preço total sobre bem A é dado pelo segmento Q Y – QX, pois o aumento
do preço do bem A (que fez a reta orçamentária sair de RO para RO’) fez com que o
ótimo do consumidor saísse do ponto X para o ponto Y. Portanto, o resultado final
do aumento do preço do bem A é a diminuição do consumo deste bem dado pelo
segmento QY – QX.

O efeito substituição corresponde à variação no consumo associada a uma variação


no preço, mantendo-se constante o nível de utilidade. Assim, para mensurar o efeito
substituição, devemos, no final, permanecer na mesma curva de indiferença inicial.
Isto acontece no ponto Z (estamos na mesma curva de indiferença inicial e com
uma reta orçamentária já contendo inclinação dos novos preços relativos após a
alteração de preço do bem A). A diferença QX – QZ é o efeito substituição.

O restante, a diferença QZ – QY, será o efeito renda.

Gabarito: Certo

82. (Cespe/Unb – Analista Judiciário – Economia – TJ/SE – 2014) - O efeito


preço dos bens inferiores é negativo, sendo a demanda por esses bens
negativamente inclinada.

Comentários:

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É importante, em primeiro lugar, ressaltar que a questão trata do efeito preço e não
do efeito renda. O efeito renda dos bens inferiores é sempre negativo. No entanto,
quando falamos do efeito preço (ou total) dos bens inferiores, temos duas situações
possíveis:

(1) Efeito preço negativo (regra geral): situação em que preço e quantidade
demandada são negativamente relacionados (demanda negativamente inclinada).
Ocorre na maioria dos casos, e representa a situação em que o efeito substituição
vence o efeito renda.

(2) Efeito preço positivo (exceção): situação em que preço e quantidade demandada
são positivamente relacionados (demanda positivamente inclinada). Ocorre na
minoria dos casos, e representa a situação em que o efeito renda vence o efeito
substituição. Representa o caso particular do bem de Giffen.

Observe que o enunciado nos trouxe o caso geral do bem inferior, sem expressões
fortes como “sempre”, “nunca”, etc.

Assim sendo, diante de uma assertiva que nos trouxe uma regra geral, sem maiores
comprometimentos, a questão é correta.

Gabarito: Errado

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1. (CESPE/Unb – Agente da Polícia Federal) - Suponha que uma pessoa tenha


uma renda de R$ 1.200,00, despendida no consumo de dois conjuntos de bens e
serviços x e y, cujos preços unitários são, respectivamente, iguais a R$ 1,00 e R$
3,00. Suponha, ainda, que a linha do orçamento seja representada pela equação: qx
+ 3qy = 1.200. Nesse caso, se o preço de y se elevar para R$ 4,00, por aumento da
tributação, permanecendo constantes a renda e o preço de x, a inclinação da reta se
elevará de um terço para um quarto.

Enunciado para a próxima questão: A análise do comportamento dos consumidores


fundamenta a teoria da demanda. Com relação a esse tópico, assinale a opção
correta.

2. (CESPE/Unb - Analista de Controle Externo – Ciências Econômicas –


TCE/AC) - Os aumentos recentes do preço da energia elétrica deslocam a restrição
orçamentária dos consumidores para baixo, porém, não alteram a sua inclinação.

Enunciado para as questões seguintes: Um consumidor pode escolher gastar sua


renda m com o bem x1 ou com o bem x2 de tal forma que a sua reta orçamentária
seja descrita por p1x1 + p2x2 = m, em que p1 e p2 são os respectivos preços. Com
relação a essa situação, julgue os itens que se seguem.

3. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – A inclinação da reta


orçamentária é expressa por uma relação negativa entre os preços.

4. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – O conjunto orçamentário é


formado exclusivamente por todas as cestas que custam exatamente m.

Enunciado para a próxima questão: a análise do comportamento do consumidor e


das forças que regem a oferta e demanda é fundamental para o estudo dos
fenômenos econômicos. Considerando essas análises, julgue os próximos itens.

5. (CESPE/Unb – Técnico Científico – Banco da Amazônia) - A substituição do


financiamento da coleta de lixo domiciliar mediante o uso de uma taxa anual fixa por
um sistema em que o pagamento efetuado seja proporcional à quantidade de lixo
recolhido modifica a inclinação da restrição orçamentária e reduz o subsídio
implícito auferido pelas famílias que geram uma maior quantidade de lixo.

6. (CESPE/Unb – Economista – MPU) - Em uma economia com inflação,


quando os preços e a renda são reajustados na mesma proporção a linha do
orçamento do consumidor desloca-se nessa mesma proporção.

7. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – O custo de oportunidade de


consumo de determinado bem é medido pela inclinação da reta orçamentária.

8. (CESPE/Unb - Economista – SEPLAG/DF) – Se um imposto específico é


lançado igualmente sobre dois bens, a reta orçamentária do consumidor desses
bens não se desloca.

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9. (CESPE/Unb – Agente da Polícia Federal) - Em alguns provedores de
Internet, a cobrança de uma mensalidade fixa pelo uso ilimitado do serviço faz que
os consumidores utilizem esse serviço até o ponto em que o benefício marginal se
anula.

10. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - A maximização da


utilidade do consumidor requer que o benefício marginal decorrente do consumo de
um determinado bem seja igual ao seu preço.

11. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – Para um consumidor racional, a


taxa marginal de substituição entre cédulas de dez reais e cédulas de cinco reais é
decrescente e será tanto mais baixa quanto maior for o seu nível de renda.

12. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – Se, para determinado consumidor,


as curvas de indiferença entre dois bens são representadas por linhas retas
negativamente inclinadas, então, para esse consumidor, os bens examinados são
perfeitamente complementares.

13. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) – O princípio da utilidade marginal


decrescente explica por que a restrição orçamentária do consumidor é
negativamente inclinada.

14. (CESPE/Unb - Consultor Legislativo - Câmara dos Deputados) - Em uma


curva de indiferença, os consumidores são indiferentes entre as possíveis
combinações de bens porque, ao longo dessa curva, a renda monetária é constante.

15. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - Curvas de indiferença mostram


a combinação do consumo de dois bens. Por exemplo, a curva de indiferença
relativa a transporte urbano ou veículo próprio mostra os diferentes níveis de
utilidade desses bens para determinado indivíduo.

16. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - Curvas de indiferença não


mantêm relação com restrições orçamentárias ou preços dos bens envolvidos na
análise.

17. (CESPE/Unb – Economista – SEPLAG/DF) - A inclinação de uma curva de


indiferença é denominada taxa marginal de substituição.

18. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/ACE) - Se um


consumidor gosta de refrigerante, mas não faz nenhuma distinção entre as
diferentes marcas disponíveis no mercado, então, para esse consumidor, o mapa de
indiferença entre duas marcas quaisquer é formado por linhas retas paralelas.

19. (CESPE – Economista – MPU) - Os bens X e Y são complementares


perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um pelo outro é constante.

20. (CESPE – Economista – MPU) - Uma curva de indiferença é convexa quando


a taxa marginal de substituição diminui na medida em que há movimentação para
baixo ao longo da mesma curva.

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21. (CESPE/Unb – Especialista em Pesquisas Governamentais – IJSN/ES) - As
escolhas de consumo, por exemplo, entre almoçar hoje ao meio-dia em Vitória e
almoçar hoje ao meio-dia em Belo Horizonte formam um conjunto convexo.

22. (CESPE/Unb – Especialista em Pesquisas Governamentais – IJSN/ES) -


Entende-se que uma relação de preferência é racional quando ela é completa e
reflexiva.

23. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - Supor que as


preferências do consumidor são completas é admitir que é possível comparar duas
cestas quaisquer de bens.

24. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - A inclinação para


baixo (negativa) das curvas de indiferença deriva do princípio de que as
preferências do consumidor são transitivas.

25. (CESPE/Unb – Consultor do Executivo – SEFAZ/ES) - As curvas de


indiferença nunca se cruzam em decorrência de as preferências do consumidor
serem transitivas.

26. (CESPE/Unb – Especialista em Pesquisas Governamentais – IJSN/ES) -


Uma relação de preferência é completa caso possua as propriedades transitiva e
racional.

27. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) – As curvas de


indiferença entre dois bens quaisquer fornecem uma classificação das
possibilidades de consumo derivadas de funções de utilidades cardinais.

28. (CESPE/Unb – Técnico Científico – Banco da Amazônia) - A determinação da


escolha ótima do consumidor, cujas preferências são descritas pelas curvas de
indiferença, requer a adoção de uma medida cardinal de utilidade, capaz de atribuir
um número específico à utilidade total gerada para cada bem consumido.

29. (CESPE/Unb – Economista – Petrobrás) - A combinação de produtos que


maximizam a utilidade do consumidor estará sobre a curva de indiferença mais
elevada que o consumidor conseguir atingir dada a sua restrição orçamentária.

30. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - Quando um


consumidor decide não comprar determinado produto por achá-lo excessivamente
caro, isso indica que a taxa marginal de substituição entre esse produto e os demais
bens, para esse consumidor, é igual ao seu preço de mercado.

31. (CESPE/Unb – Economista – MPU) - Pontos acima do ponto no qual a curva


de indiferença e a linha de orçamento dessa equação de demanda são tangentes
têm a taxa marginal de substituição maior que a relação entre os preços.

32. (CESPE/Unb – Economista – MPU) - Em uma solução de canto não se


verifica a igualdade entre benefício marginal e custo marginal.

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33. (CESPE/Unb – Analista e técnico – EBC) - Para uma escolha ótima de
consumo de dois bens, é suficiente que a curva de indiferença entre esses dois
bens tangencie a reta orçamentária do consumidor.

34. (CESPE/Unb – Analista – STM) - Se, para um dado consumidor, a taxa


marginal de substituição entre livros e computadores fosse mais elevada do que a
razão entre o preço dos livros e o preço dos computadores, então, ele deveria
gastar mais com livros e menos com computadores.

35. (CESPE/Unb) - O fato de que muitos pais de dois filhos preferem tê-los
de sexos diferentes, em vez de tê-los do mesmo sexo, é
consistente com a existência de uma taxa marginal de
substituição nula, entre meninos e meninas.

36. (CESPE/Unb – Economista – BASA) - Considere que um empresário ao


revelar sua preferência em construir uma fábrica em Manaus em vez de construí-la
em Belém e em Belém em vez de construí-la em Porto Velho implique a sua
preferência em construir tal fábrica em Manaus em vez de construí-la em Porto
Velho. Nesse caso, tem-se um exemplo da preferência do empresário ser transitiva.

37. (CESPE/Unb – Economista – BASA) - Preferir Boa Vista a Porto Velho seria
um exemplo de utilidade ordinal. A grandeza dessa preferência (utilidade cardinal)
em nada afeta essa escolha.

38. (CESPE/Unb – Analista Administrativo e Financeiro – SEGER/ES) - Na


escolha entre dois bens quaisquer, o nível ótimo de consumo corresponde àquele
no qual a taxa marginal de substituição entre esses bens é superior ao preço
relativo.

Enunciado para as duas próximas questões: considere que determinado consumidor


gaste sua renda com apenas dois bens - energia elétrica e alimentos.

39. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - Se o consumidor


considerar que energia elétrica e alimentos são bens complementares, então, para
esse consumidor, a taxa marginal de substituição entre esses dois produtos será
decrescente.

40. (CESPE/Unb – Analista de Controle Externo – TCE/AC) - No equilíbrio, o


consumidor escolherá um nível de consumo de energia elétrica que iguale as
utilidades marginais para ambos os bens.

41. (CESPE/Unb – Economista – DFTRANS) - Efeito substituição é a mudança


que ocorreria se mudassem os preços relativos e, conseqüentemente, o nível de
utilidade.

42. (CESPE/Unb – Economista – DFTRANS) - Efeito renda refere-se à mudança


na restrição orçamentária decorrente da mudança da renda e dos preços relativos.

43. (CESPE/Unb – Controlador de Recursos Municipais – PMV) - De acordo com


um estudo recente, a elasticidade renda da demanda de leite em pó, no Brasil, é

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negativa para todas as faixas de renda. Supondo-se que essa elasticidade esteja
corretamente estimada, é possível afirmar que, para esse produto, o efeito renda
reforça o efeito substituição.

44. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - A curva de Engel


para artigos de segunda mão utilizados pelos consumidores de baixa renda, que
constituem exemplos de bens inferiores, é representada por uma linha reta,
positivamente inclinada.

45. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - Para a vasta maioria
dos bens e serviços, o efeito renda reforça o efeito substituição e contribui para que
as curvas de demanda individuais, para esses bens, sejam negativamente
inclinadas.

46. (CESPE/Unb – Perito Criminal – CPC Renato Chaves) - Ao longo da curva de


demanda individual, o nível de bem estar do consumidor é constante.

47. (CESPE/Unb – Analista – STM) - A predominância do efeito renda sobre o


efeito substituição explica a inclinação negativa da curva de demanda para quase
todos os bens inferiores.

48. (CESPE/Unb – Analista e técnico – EBC) - Em uma cesta de consumo com


dois bens normais, o caminho de expansão da renda terá inclinação negativa.

49. (CESPE/Unb – Analista e técnico – EBC) - Todo bem de Giffen é um bem


inferior, porém nem todo bem inferior é um bem de Giffen.

50. (CESPE/Unb – Polícia Federal) – Ao longo da curva de preço-consumo, a


renda nominal permanece constante.

51. (CESPE/Unb – Polícia Federal) – Para dois bens quaisquer, quando a curva
renda-consumo é positivamente inclinada em toda a sua extensão, é correto afirmar
que esses produtos são bens normais.

52. (CESPE/Unb – Analista – MPE/TO) – Se a curva de demanda de um bem é


vertical, então, este bem deve ser um bem inferior e, portanto, sua elasticidade
renda deve ser negativa.

53. (Cespe/Unb – Agente da Polícia Federal – 2014) - Os mapas de indiferença


são elaborados com base no conceito de utilidade ordinal dos bens e serviços.

54. (Cespe/Unb – Agente da Polícia Federal – 2014) - O crescimento da renda de


um consumidor em determinado período provoca alterações na inclinação da reta
de orçamento.

55. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2012) - Considere que um


consumidor gaste toda a sua renda com a compra de bens e serviços. Nessa
hipótese, não é possível que todos os bens da cesta de consumo desse consumidor
sejam bens inferiores.

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56. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2009)

Em uma pequena economia, inicialmente, sem relações comerciais com o resto do


mundo, certo consumidor dispunha de renda de R$ 36 e tinha preferências
distribuídas entre dois bens: 1 e 2. A restrição orçamentária do referido consumidor
é descrita, no gráfico acima, pela curva AB, cujos eixos representam quantidades
(em unidades) dos bens 1 e 2. Posteriormente, em razão da eliminação de barreiras
ao comércio, o consumidor se deparou com novas possibilidades de consumo,
representadas no triângulo ABC.

Considerando a situação hipotética apresentada e supondo que esse consumidor,


sempre maximizando sua utilidade, escolhesse consumir 3 e 4 unidades do bem 1,
respectivamente, antes e depois da abertura da economia, assinale a opção que
apresenta, respectivamente, a diferença entre as quantidades do bem 2 consumidas
depois e antes da abertura e a proporção entre os preços do bem 2 depois e antes
da abertura.
a) 1 e 1/3
b) 1 e 2/3
c) 1 e 1
d) 3 e 1/3
e) 3 e 2/3

57. (Cespe/Unb – Instituto Rio Branco – Diplomata – 2010) - Supondo-se que, no


Brasil, o uso de transporte coletivo seja um bem inferior, conclui-se que o efeito
renda decorrente do aumento do preço das passagens de ônibus contribui para
reforçar o efeito substituição, o que reduz a demanda por esse tipo de transporte.

58. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - Se


duas cestas de consumo estiverem na mesma curva de indiferença, a cesta que
apresentar menor consumo do bem mais caro será associada a um menor nível de
utilidade.

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59. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - No
equilíbrio do consumidor, as curvas de indiferença se cruzam.

60. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/PA – 2016) - Em um


mapa de indiferença de dois bens, a inclinação de uma curva de indiferença, em
cada ponto, é função das utilidades marginais desses bens, desde que estas
existam.

61. (Cespe/Unb – Auditor Fiscal de Controle Externo – TCE/SC – 2016) - De


acordo com a teoria ordinal do consumidor, as preferências do consumidor serão
transitivas quando ele puder decidir se prefere a cesta A à B, se prefere a cesta B à
A ou se é indiferente às cestas A e B.

62. (Cespe/Unb – Economista – DPU – 2016) - Os bens de Giffen são bens


inferiores cujo efeito substituição é superior ao efeito renda.

63. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - Quando preços dos bens e


renda do consumidor são multiplicados por escalar positivo, a restrição orçamentária
não é alterada.

64. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se os preços e a renda forem


multiplicados pelo mesmo escalar positivo, então a utilidade do consumidor não será
alterada.

65. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - A escolha ótima do


consumidor é sempre caracterizada pela igualdade entre a taxa marginal de
substituição dos bens e a razão entre os seus respectivos preços.

66. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o consumidor sempre tomar


uma xícara de café adoçado com uma colher de açúcar, então as curvas de
indiferença do consumidor apresentarão o formato de linhas retas no espaço de
bens.

67. (Cespe/Unb – Tecnólogo em Negócios Imobiliários – FUB – 2015) - Todo


bem inferior é um bem de Giffen, mas nem todo bem de Giffen é um bem inferior.

68. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o estudo for considerado um


bem, na situação em que o candidato estuda cinco horas e depois não consegue
mais estudar, verifica-se a violação de ao menos um axioma das preferências do
consumidor.

69. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - As curvas de indiferença são


côncavas em relação à origem no espaço de bens.

70. (Cespe/Unb – Auditor Governamental – CGE/PI – 2015) - As curvas de


indiferença apresentam inclinação positiva e densidade em todo o espaço de bens.

71. (Cespe/Unb – Auditor Governamental – CGE/PI – 2015) - Se, na comparação


entre os bens A, B e C, o bem B for pelo menos tão bom quanto o bem A, e o bem

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C for estritamente preferível ao bem A, então, sob convexidade, qualquer
combinação linear dos bens B e C será preferível ao bem A.

72. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - Quando a elevação do preço


do bem causa redução da quantidade demandada, diz-se que o bem é inferior.

73. (Cespe/Unb – Auditor de Controle Externo – TCDF – 2014) - Se um bem é


normal para qualquer classe de rendimentos, então a curva de Engel é
negativamente inclinada.

74. (Cespe/Unb – Economista – Suframa – 2014) - Considere uma economia


com dois bens, B1 e B2, estando B1 representado no eixo das ordenadas, e B2, no
eixo das abscissas. Nessa situação, se o preço de B1 for duplicado e o de B2 for
triplicado, a restrição orçamentária do consumidor será deslocada para a esquerda
e ficará mais inclinada.

75. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se os preços dos bens x e y


duplicarem e a renda do consumidor triplicar, então haverá deslocamento paralelo
para a direita da restrição orçamentária.

76. (Cespe/Unb – Economista – MPOG – 2015) - Se o preço do bem x duplicar e


o do y triplicar, então a restrição orçamentária do consumidor ficará menos inclinada
em relação a restrição orçamentária original do consumidor.

77. (Cespe/Unb – Consultor Legislativo – 2014) - As curvas de indiferenças


correspondem às infinitas combinações de bens e representam as preferências dos
consumidores, porque os bens e serviços são contáveis e os gastos pessoais
finitos.

78. (Cespe/Unb – Auditor de Controle Externo – TCDF – 2014) - Para um


consumidor com orçamento inteiramente gasto com dois bens, o aumento do preço
de um dos bens causará, necessariamente, a redução no consumo de ambos os
bens, exceto se um deles for inferior.

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O gráfico acima, que representa as quantidades demandadas do bem A eixo


horizontal e do bem B eixo vertical , mostra alguns efeitos na restrição
orçamentária de um consumidor, efeitos que resultam da variação no preço do bem
A. Após a variação no preço do bem A, a restrição orçamentária do consumidor
desloca-se para a esquerda (de RO para RO’); U é a curva de utilidade do
consumidor — tangência RO no ponto X —; U’ é a outra curva de utilidade do
consumidor tangência RO’ no ponto Y ; a reta PT é paralela à RO’ e tangência
U no ponto Z o equilíbrio do consumidor move-se do ponto X = (QX, Q1) para o
ponto Y = (QY, Q2), no qual QX > QZ > QY > 0 e Q2 > Q1 > 0. Considerando essas
informações e o gráfico, julgue os itens subsequentes.

79. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – A variação no preço do bem A


ocasionou perda no poder de compra do consumidor.

80. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – O gráfico mostra redução no


preço do bem A.

81. (Cespe/Unb – Economista – CADE – 2014) – A diferença QX –


QZ corresponde ao efeito substituição.

82. (Cespe/Unb – Analista Judiciário – Economia – TJ/SE – 2014) - O efeito


preço dos bens inferiores é negativo, sendo a demanda por esses bens
negativamente inclinada.

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GABARITO

1. E
2. E
3. C
4. E
5. C
6. E
7. C
8. E
9. C
10. E
11. E
12. E
13. E
14. E
15. E
16. C
17. C
18. C
19. E
20. C
21. E
22. E
23. C
24. E
25. C
26. E
27. E
28. E
29. C
30. E
31. C
32. C
33. E
34. C
35. E
36. C
37. C
38. E
39. E
40. E
41. E
42. E
43. E
44. E
45. C
46. E

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47. E
48. E
49. C
50. C
51. C
52. C
53. C
54. E
55. C
56. E
57. E
58. E
59. E
60. C
61. E
62. E
63. C
64. C
65. E
66. C
67. E
68. C
69. E
70. E
71. C
72. E
73. E
74. C
75. C
76. C
77. E
78. E
79. C
80. E
81. C
82. E

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