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PRÉ-VESTIBULAR SOCIAL

CADERNO DE AULAS DO
EXTENSIVO 2018
(aulas 1 a 31 – até Enem)

LÍNGUA PORTUGUESA E
LITERATURA BRASILEIRA
ÍNDICE
AULA ASSUNTO PÁGINA
-- Apresentação 3
1 Funções da Linguagem 4
2 Figuras de Linguagem 7
3 Coesão Referencial 10
4 Semântica dos Conectivos: conjunções 13
5 Tipos Textuais 16
6 O Texto Argumentativo (I) 19
7 O Texto Argumentativo (II) 22
8 O Texto Argumentativo (III) 25
9 Revisão para CEDERJ e/ou UERJ 28
10 Revisão para CEDERJ e/ou UERJ – Leitura: Livro de Sonetos 30
11 História da Literatura Brasileira (I) – Visão Geral + Romantismo 31
12 História da Literatura Brasileira (II) – Poesia Romântica: 1ª e 2ª gerações 38
13 História da Literatura Brasileira (III) – Poesia Romântica: 3ª geração + Prosa 41
14 História da Literatura Brasileira (IV) – Romantismo: revisão exercícios 44
15 História da Literatura Brasileira (V) – Realismo e Naturalismo 45
16 História da Literatura Brasileira (VI) – Vanguardas europeias do início do século XX 49
17 História da Literatura Brasileira (VII) – Realismo, Naturalismo e vanguardas europeias: 52
revisão exercícios
18 História da Literatura Brasileira (VIII) – Modernismo: 1ªfase ou fase heroica 53
19 História da Literatura Brasileira (IX) – Modernismo: 2ªfase ou de consolidação 57
20 História da Literatura Brasileira (X) – Revisão dos tópicos de História da Literatura Brasileira 59
com ênfase em Modernismo (questões de vestibular)
21 Prática de Leitura (I): Recado ao Senhor 903      ou     Revisão Literatura Brasileira (questões 60
de vestibular)
22 Prática de Leitura (II): Mysterium 65
23 Prática de Leitura (III): Balada do amor através das idades 70
24 Aula expositiva + questões estilo Uerj O Alienista (Machado de Assis) OU 73
Prática de Leitura (I)
25 Gêneros Textuais 74
26 Variação Linguística 77
27 Revisão para Enem (I), (II) e (III) – Resolução conjunta e comentada de questões selecionadas 79
de provas anteriores
28 Revisão para Enem (IV) e (V) – Resolução conjunta e comentada da prova Enem 2017 81

APRESENTAÇÃO
2
Prezado tutor,

Este é o Caderno de Aulas EXT 2018 da equipe de LPLB do Pré-Vestibular Social (PVS) –
Consórcio CEDERJ, Fundação CECIERJ. Ele contém Planos de Aula com instruções
detalhadas acerca das aulas a serem ministradas durante o ano. Observe os seguintes
fatores:

(1) O tutor tem liberdade para fazer modificações no Plano de Aula, mas
alterações substanciais devem ser combinadas previamente com a
coordenação – e, de modo mais geral, o tutor deve manter contato frequente
com a coordenação acerca das atividades desenvolvidas nos polos.

(2) O tutor jamais deve entrar em sala sem ter lido e repassado previamente a aula
(pelo menos, mentalmente). A coordenação está inteiramente à disposição –
por telefone, email ou ZAP – para esclarecer dúvidas sobre teoria ou exercícios,
aprofundar assuntos, discutir temas, orientar formas de abordagens, etc.

(3) Da mesma maneira, a coordenação está à disposição para esclarecer,


posteriormente, dúvidas ou questionamentos que venham a surgir durante as
aulas;

(4) Um dos principais motivos pelos quais é fundamental que o tutor se prepare
para cada aula, guiando-se pelo roteiro indicado nos Planos de Aula, é a
dificuldade de gerenciar o tempo extremamente escasso do PVS – certamente
o maior desafio quando se trata de lecionar nessa instituição.

Forte abraço,
Diogo e Malu

aula 1

3
FUNÇÕES DA LINGUAGEM +
EXERCÍCIOS

1. Roteiro da aula 1

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

Para deslanchar a discussão introdutória da aula, chamem a atenção para a


expressão funções  da linguagem, em especial para a palavra "função". Quando perguntamos,
por exemplo, qual é a função do apagador, estamos perguntando para que serve o apagador.
No caso da linguagem, é a mesma coisa. Entender quais são as funlções da linguagem
equivale a entender para que serve a linguagem, para que finalidades ela é empregada. No
caso do apagador, todos sabemos, ele serve para apagar o quadro; essa é sua função. E com
relação à linguagem? Para que ela serve? Ou, fazendo a mesma pergunta em outras palavras,
qual é a função da linguagem?

O ideal seria termos tempo, aqui, para interagir com a turma, ouvir as respostas dos alunos,
examiná-las, etc. Mas isso não é possível. Dessa forma, o próprio tutor deve conduzir a
explicação de forma expositiva, ou pelo menos com uma interação mínima, controlando o
tempo. Partam do seguinte ponto: normalmente, a resposta dada seria algo na seguinte linha:
"a linguagem serve para comunicar", "a linguagem serve para transmitir informações", etc. Isso
não deixa de fazer sentido. Por exemplo: se olho para o céu e digo "Está chovendo", estou
transmitindo uma informação. Se abro a geladeira e digo  "A geladeira está vazia", idem.

No entanto, essa resposta é largamente insuficiente. Por exemplo: quando eu cruzo com
alguém e digo "Bom dia", estou simplesmente transmitindo uma informação? Certamente não.
E quando eu digo "Compre aquele carro", posso dizer que estou meramente transmitindo uma
informação? Parece, no mínimo, estranho ou insuficiente. 

Isso nos leva, então, a uma conclusão. A linguagem não tem apenas uma função, mas várias .
Transmitir informações é uma delas, mas claramente não é a única (como mostram os
exemplos dados). Por isso mesmo, o nome da matéria é funções da  linguagem, no plural. Se
concordamos nesse ponto, a pergunta que fica é a seguinte: se transmitir informações é
apenas uma dentre as funções que a linguagem pode desempenhar, quais são as outras? Em
resumo: quais são, afinal de contas, todas as funções da linguagem?

PARTE 2 – OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO (até 10 minutos)

Para responder a pergunta acima, é preciso, antes, entender quais são os elementos que estão
presentes quando se efetiva uma comunicação.  Mesmo que os elementos da comunicação se
refiram inclusive à comunicação não-verbal, é melhor ficarmos  apenas nos casos de troca
comunicativa verbal e oral. Isso, claro, no caso do PVS, uma vez que o tempo é bem curto.

Para explicar os elementos da comunicação, é útil que o tutor coloque no quadro uma pequena
fala conversacional típica (ver quadro completo na seção 2). Por exemplo, digamos que João
está olhando pela janela enquanto Maria vê televisão. Então, João vê o Zé dentro do bar e
relata isso para Maria. Temos então a seguinte fala:

JOÃO para MARIA: O Zé está no bar. 

A partir desse diálogo, o tutor vai mostrando quais são os elementos que devem estar
presentes para que uma determinada troca comunicativa se efetive. Em primeiro lugar, temos
que ter pelo menos dois participantes: aquele que fala e aquele que ouve (que, evidentemente,

4
vão trocando de posição ao longo da conversa). Estes são o emissor e o receptor. Conforme o
tutor vai comentando cada elemento, já deve registrá-lo no quadro na posição correta de modo
que, ao final, esteja montado o esquema da comunicação (ver quadro completo na seção 2).
Acima ou ao lado do nome do elemento, ele deve indicar (de preferência com uma cor
diferente) quem corresponde a esse elemento no caso do pequeno diálogo acima. Por
exemplo, acima da palavra EMISSOR, tutor irá registrar JOÃO; acima de RECEPTOR, ele irá
registrar MARIA; e assim por diante.

Em resumo, o tutor irá explicando cada um dos 6 elementos necessários para que se efetive
uma comunicação. Ao explicar cada um, o tutor irá registrar o nome do elemento no quadro na
posição correta, e acima desse nome colocará também um exemplo, baseado sempre na
análise de um mesmo exemplo (como o caso de João, Maria e Zé acima).  

PARTE 3 – AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM (no máximo, 30 minutos)

Este é o momento de retomar a pergunta anterior: para que serve a linguagem? Ou ainda:
quais são as funções da linguagem? Como já dissemos, a linguagem pode servir para várias
coisas, ou seja, pode ter várias funções. E neste momento já dá para dizer
que cada função  da linguagem corresponde a um elemento da  comunicação. Como são 6
elementos da comunicação, teremos 6 funções da linguagem. Antes de seguir adiante, é
preciso deixar bem clara para o aluno essa ideia de que as funções da linguagem
correspondem aos elementos da comunicação. Isso pode ser ilustrado por dois exemplos
simples. Sugestões:

Exemplo A - JOÃO para MARIA: A chuva está forte lá fora.


Exemplo B - JOÃO para MARIA: Não venda seu carro ainda.

No primeiro caso, a linguagem está sendo usada para transmitir uma informação sobre um
evento externo (o temporal). Por isso, a ênfase recai sobre o referente (chuva). E a função da
linguagem predominante chama-se função referencial. No segundo caso, a linguagem está
sendo usada para influenciar as ações do interlocutor (a Maria). Por isso, a ênfase recai sobre
o receptor. E a função da linguagem predominante nesses casos chama-se função conativa (ou
apelativa).

A partir da comparação entre esses dois exemplos, o tutor começará a montar um quadro com
4 colunas. Coluna 1: A linguagem é  usada para... Coluna 2: Elemento em destaque. Coluna
3: Função da  linguagem. Coluna 4: Exemplo. (Ver quadro completo na seção 2).

Como mostra a seção 2, a coluna quatro, Exemplo, terá apenas um número. Assim, enquanto
for explicando cada função, o tutor vai colocando pequenos exemplos no quadro, numerando-
os de acordo com a tabela e explicando como cada função aparece nos exemplos.

PARTE 4 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (de 10 a 15 minutos)

Infelizmente, deverá sobrar pouco tempo para os exercícios. Por isso, é importante que, antes
da aula, você prevejam bem o tempo de que dispõem e se programem para não extrapolar, ou
pelo menos extrapolar muito pouco, o tempo de cada etapa da aula, para que não fiquemos
sem tempo algum para resolver pelo menos um ou outro exercício com a turma. 

Selecionem questões de vestibular do capítulo 4 (módulo 1), que começa na página 48.

2. Quadro da aula 1
FUNÇÕES DA LINGUAGEM

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I. Os elementos da comunicação

Exemplo

JOÃO para MARIA: O Zé está no bar.

João O Zé está no bar Maria


EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR

CANAL: ar
CÓDIGO: língua portuguesa
REFERENTE: elementos externos (Zé, bar)

II. As Funções da Linguagem

Exemplo A
JOÃO PARA MARIA: A chuva está forte lá fora.

Exemplo B
JOÃO PARA MARIA: Não venda seu carro ainda.

A LINGUAGEM É ELEMENTO DA FUNÇÃO DA LINGUAGEM EXEMPLO


USADA PARA... COMUNICAÇÃO
EM DESTAQUE
Transmitir uma Referente Referencial 1
informação
Expressar sentimentos ou Emissor Emotiva (ou expressiva) 2
opiniões do falante
Interferir no Receptor Conativa (ou apelativa) 3
comportamento
do ouvinte
Tornar o texto mais Mensagem Poética 4
expressivo
Testar o canal de Canal Fática 5
comunicação
Falar sobre o próprio Código Metalinguística 6
código

1.
2.
3.
4.
5.
6.

aula 2

6
FIGURAS DE LINGUAGEM
+ EXERCÍCIOS
1. Roteiro da aula 2

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

Discussão inicial geral com o objetivo de esclarecer o conceito de figuras de  linguagem, para
que então, em um segundo momento, e depois explicar as figuras uma a uma.

A discussão introdutória inicial servirá para esclarecer a ideia de figuras  de  linguagem.
Fundamentalmente,figuras de linguagem são recursos de estilo que permitem aumentar a
expressividade de um texto. O que é mais expressivo – dizer (por exemplo) "nosso amor é
uma chama", ou "nosso amor é instável"? As duas frases dizem essencialmente o mesmo. Mas
a primeira é muito mais expressiva. Para obter essa expressividade, temos à disposição
recursos de estilo que são chamados  de figuras de linguagem.

E de onde vem essa maior expressividade alcançada por meio das figuras de linguagem?
Simples: do fato de que esses enunciados se afastam das formas usuais de expressão.
Quando usamos uma figura de linguagem, “empacotamos” o enunciado de uma forma não-
convencional – em vez de dizer “Ventou muito de noite”, dizemos “O vento voa e vai varando a
noite”; em vez de dizer “Eu sou muito sentimental”, dizemos “Meu coração é um balde
derramado”. Dessa forma, um enunciado que poderia ser apenas banal, sem brilho,
convencional, é investido de maior expressividade: ao se afastar dos modos usuais de
expressão, ele se torna capaz de surpreender.

Portanto, o fundamental é associar as figuras de linguagem a formas não convencionais


de expressão, ressaltando que é exatamente essa não convencionalidade que confere,
aos enunciados construídos a partir de figuras de linguagem, um valor expressivo
especial.

OBSERVAÇÃO 1: Não se deve relacionar figura  de linguagem com linguagem  figurada – e sim


com expressividade – porque nem sempre usamos uma figura de linguagem estamos emitindo
em enunciado figurativo (por exemplo, um enunciado como “Pedro Pedreiro penseiro
esperando o trem”, um exemplo clássico de aliteração, não é figurativo).

OBSERVAÇÃO 2: Não cabe fazer aquela tradicional distinção entre figuras de construção, de


som, de pensamento e de palavras. Por uma razão simples: se vocês mencionarem essas
categorias, os alunos poderão perguntar, por exemplo, por que a antítese não é uma figura de
palavras. E aí surgem, de uma só vez, três problemas: (1) a explicação vai levar tempo; (2) a
explicação nunca será plenamente satisfatória, porque o problema não está com o aluno que
não entendeu – o problema está nas inconsistência da própria divisão tradicional (e, por isso,
qualquer explicação só vai deixar o aluno mais confuso e com dúvidas na cabeça); (3) essa
explicação é de todo irrelevante para o vestibular, já que nenhuma prova entra nesse mérito da
distinção dos tipos de figuras em categorias maiores. Portanto, a fim de evitar esses três
problemas, peço que vocês, na aula, simplesmente ignorem aquela divisão. É claro que
vocês podem, e devem, agrupar as figuras por afinidade na hora da explicação, como será feito
nos roteiros de aula referentes a esse conteúdo (por exemplo, a metáfora junto com a
comparação, com a catacrese, com a metonímia e com a personificação; a assonância junto
com a aliteração; etc), mas não é útil apresentar aquela divisão tradicional.

RESUMINDO: A introdução da aula serve para definir a noção de figura de linguagem. Para
isso, deve-se, conforme exposto acima, associar esse conceito à noção de expressividade e de

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afastamento em relação à linguagem convencional (banal, corriqueira, cotidiana). Por outro
lado, NÃO se deve associar figura de linguagem a linguagem figurativa, assim como não se
deve estabelecer a distinção tradicional entre figuras de construção, de som, de pensamento e
de palavras.

PARTE 2 – APRESENTAÇÃO DAS FIGURAS DE LINGUAGEM (cerca de 30 minutos)

Para esta aula, foram selecionadas sete figuras de linguagem: metáfora, comparação,
metonímia, antítese, paradoxo, ironia e elipse. A seleção obedece a um critério claro e direto:
foram as figuras mais cobradas nos últimos exames de qualificação da Uerj.

Deixem claro para os alunos que esse tema é extremamente importante para a Uerj, Enem e
Cederj e revelem que as figuras selecionadas para esta primeira aula sobre o assunto foram as
que mais caíram nas provas recentes da Uerj. Isso deverá despertar a atenção dos alunos
preocupados com esse exame, que são a maioria.

Pela mesma razão, deem ênfase à metáfora – de longe, a figura mais relevante, a julgar (entre
outros critérios) pela frequência com que aparece nos exames. Portanto, gastem um tempo
maior nela, enfatizando bem a sua importância para o vestibular. As chances de a metáfora
aparecer na prova da Uerj são significativas – e, se isso acontecer, toda essa ênfase terá sido
válida, não só para aumentar as chances de o aluno acertar a questão, mas também para gerar
aquela bem-vinda sensação de “bem que meu professor falou isso”. Em suma, despendam um
tempo maior na metáfora, ressaltando sua relevância para o vestibular.

A aula consiste em apresentar as sete figuras selecionadas. No decorrer da apresentação,


monte no quadro uma tabela contendo: (i) nome da figura; (ii) definição sumária (e simplificada
mesmo); e (iii) exemplo(s). Ver quadro completo na seção 2. Como sempre, os exemplos
apresentados são, evidentemente, apenas sugestões.

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 20 minutos)

Selecionem exercícios da apostila para resolver com os alunos em sala. Enfatizem, é claro,
Uerj, Enem e Cederj – variando a proporção de acordo com as demandas de cada polo e/ou
turma, como sempre. Evidentemente, na maior parte dos polos, dada o fato de que o primeiro
vestibular a ser encarado é o exame de qualificação Uerj, é possível que valha a pena resolver
apenas questões desse exame (pelo menos na maior parte das turmas).

2. Quadro da aula 2

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FIGURAS DE LINGUAGEM

FIGURA DEFINIÇÃO EXEMPLO


Metáfora Analogia implícita Maria é uma flor.
(sem conectivo)
Nosso amor é uma chama.

“Meu coração é um balde


derramado” (F. Pessoa)

Comparação Analogia explícita Maria é como uma flor.


(com conectivo)

Nosso amor é feito uma


chama.

Meu coração é como um


balde derramado.

Metonímia Substituição de um elemento Estou ouvindo Cartola.


por outro relacionado (Cartola = músicas do cartola)

Onde o João está


estacionado? (João = carro
do João)

Comi três pratos. (Pratos =


conteúdo dos pratos)

Antítese Aproximação de contrários De repente, o dia virou noite.

Ficou dividido entre a


felicidade e a melancolia.

Paradoxo Aproximação de contrários, Sentiu uma alegria triste.


gerando uma ideia
logicamente impossível Aquele instante foi eterno.

Ironia Dizer o contrário daquilo Você deixou o segredo


que se acredita escapar sem querer?
Parabéns, você é um gênio.

Elipse Omissão de um termo Sobre a mesa, apenas


facilmente recuperável garrafas vazias
(omissão de “havia”)

aula 3
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COESÃO REFERENCIAL
1. Roteiro da aula 3

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 15 minutos)

Antes de mais nada, é preciso explicar o que é a coesão referencial. Informar que se trata de
uma parte de um fenômeno linguístico mais amplo, conhecido como coesão textual. Para
esclarecer o que são a coesão textual e a coesão referencial, usem três minitextos como
exemplos: um sem marcas explícitas de coesão; uma versão do primeiro texto, porém
acrescido das marcas de coesão; e um com um elemento anafórico. Sugestões:

Exemplo 1
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear,
pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha.

Exemplo 2
Primeiro, calçou os chinelos; em seguida, dirigiu-se ao vaso. Ao terminar, deu descarga. Foi até a pia,
lavou o rosto e escovou os dentes. Além disso, fez a barba e tomou banho.

Exemplo 3
Meu pai disse que dormiu bem, mas ele parece cansado.

Analisem brevemente esses textos, do ponto de vista da coesão. Primeiro, contrastem os


exemplos 1 e 2. Mostrem que o primeiro texto é composto por vocábulos superficialmente
“soltos”, ou seja, sem encadeamento explícito – e é nesse ponto que ele se diferencia do
exemplo 2, no qual as partes antes soltas, desconectadas, passam a estar explicitamente
conectadas ou “costuradas” por meio de elementos como “em seguida”, “Ao terminar” e “e”.
Registrem essa análise no quadro (ver quadro completo na seção 2). Expliquem que essa
conexão ou “costura” corresponde exatamente ao fenômeno linguístico conhecido como
coesão textual.

Com isso, vocês terão esclarecido o conceito de coesão textual. Agora, falta explicar o que é a
coesão referencial. Para isso, recorram ao exemplo 3.

Mostrem que, nesse exemplo, a palavra “ele” retoma (remete, aponta para) um elemento citado
anteriormente (“Meu pai”). Aqui, portanto, assim como no exemplo 2, também podemos notar
um encadeamento, uma “costura” ou ligação entre as partes do texto, já que, para interpretar o
pronome “ele”, precisamos necessariamente remeter para uma outra parte do texto. Nesse
sentido, é como se construíssemos uma linha invisível ligando o pronome “ele” à expressão “meu pai”.
Expliquem que esse fenômeno observado no exemplo 3, no qual uma palavra ou expressão remete ou
aponta para outra parte do texto, é um tipo especial de coesão conhecido como coesão referencial.

As definições de coesão textual e de coesão referencial, bem como as análises do texto, ficarão
registradas no quadro (ver quadro completo na seção 2).

Tendo concluído essa etapa, anunciem que o tema da aula será, precisamente, a coesão referencial.
PARTE 2 – TIPOS DE COESÃO REFERENCIAL (em torno de 15 minutos)

A esta altura, o aluno já sabe que a coesão referencial é um mecanismo por meio do qual uma palavra ou
expressão remete para outra parte do texto. Agora, é hora de mostrar que existem dois tipos de coesão

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referencial: a anáfora (coesão anafórica) e a catáfora (coesão catafórica). A partir da análise de exemplo,
diferenciem os dois tipos. Sugestões:

O João disse que dormiu bem, mas ele parece cansado.

Naquele momento, ele entendeu tudo: as cabeças baixas, os olhares apreensivos, os sorrisos
amarelos.

A partir dos exemplos, distinguir os dois tipos de coesão referencial: a anáfora, em que uma
palavra ou expressão aponta para trás (ou seja, retoma um elemento anterior), e a catáfora, em
que uma palavra ou expressão aponta para frente (ou seja, antecipa um elemento posterior).

As definições de anáfora e de catáfora devem ser registradas no quadro, bem como a análise
dos exemplos (ver quadro completo na seção 2).

Ao final, montar no quadro um diagrama com os conceitos aprendidos a fim de fixá-los (ver
quadro completo na seção 2).

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 25 minutos)

Selecionar questões sobre coesão referencial. Nos polos ou turmas onde há muita demanda
pela Uerj, recomendo selecionar apenas questões do Exame de Qualificação.

2. Quadro da aula 3
COESÃO REFERENCIAL

I. Conceitos importantes

1. Coesão textual

 Fenômeno no qual diferentes partes de um texto são explicitamente conectadas.

Exemplo 1

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear,
pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha.

Exemplo 2

Primeiro, calçou os chinelos; em seguida, dirigiu-se ao vaso. Ao terminar, deu descarga. Foi até a pia,
lavou o rosto e escovou os dentes. Além disso, fez a barba e tomou banho.

2. Coesão referencial

 Tipo de coesão no qual uma palavra ou expressão remete para outro elemento do texto.

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Exemplo 3

Meu pai disse que dormiu bem, mas ele parece cansado.

Síntese: coesão referencial

Anáfora (aponta para trás)


COESÃO
REFERENCIAL
Catáfora (aponta para frente)

aula 4
SEMÂNTICA DOS CONECTIVOS:
AS CONJUNÇÕES + EXERCÍCIOS
1. Roteiro da aula 4

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 10 minutos)

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Começar anunciando o tema da aula, devidamente registrado no quadro (Semântica dos
Conectivos). A partir dessa expressão, explicar o que significa semântica e o que é um
conectivo. Explicar que semântica é a parte da gramática que estuda o significado. Por
exemplo, quando estudamos que “bonito” e “belo” são sinônimos, ou seja, palavras com
mesmo significado (ou significado próximo), estamos estudando semântica.

Quanto ao conectivo, expliquem que, como o nome deixa claro, trata-se de um elemento que
serve para conectar, ou seja, ligar, relacionar palavras ou frases. Registrem no quadro dois
exemplos para explicar essa ideia (ver quadro completo na seção 2). Os exemplos que
aparecem na seção 2 como sugestões são: Gosto de bolo e João chegou e Maria saiu.
Mostrem que não é possível dizer “Gosto bolo”; é necessário haver uma terceira palavra para
ligar, conectar a forma verbal “gosto” com o substantivo “bolo”. Essa palavra será o “de”: “Gosto
de bolo”. Por isso, o “de” é um conectivo: ele faz a conexão entre duas palavras. Mostrem que
o mesmo se aplica ao outro exemplo.

Em seguida, expliquem que a classe dos conectivos se divide em dois grupos: a preposição e a
conjunção. Ao explicar isso, citem alguns exemplos de conjunções (por exemplo, “mas”, “e”,
“porque”...) e de preposições (por exemplo, “de”, “com”, “por”...), mas digam que não é
relevante esclarecer a diferença entre preposições e conjunções. Neste momento, informem
que nós estudaremos apenas a semântica das conjunções – por ser um tema muito mais
frequente nos vestibulares do que as preposições.

Essa informação nos dá o gancho para um alerta imprescindível, que deve ser dado antes de
terminar a introdução da aula. É preciso informa aos alunos que os vestibulares
(principalmente a Uerj, mas também, sem dúvida, o Enem e o Cederj!) cobram muito
frequentemente os valores semânticos dos conectivos. Mostrem que, neste momento,
após a explicação inicial da aula, os alunos já têm condições de entender essa pergunta.
Quando a prova de vestibular estiver pedindo o valor semântico de algum conectivo, o que se
está pedindo é o significado desse conectivo. É preciso enfatizar isto bem, deixando claro que
é algo muitíssimo frequente no vestibular: valor semântico = significado.

PARTE 2 – VALORES SEMÂNTICOS DAS CONJUNÇÕES (em torno de 25 minutos)

Retomados os conceitos básicos, é hora de passar para os valores semânticos das


conjunções. A aula consiste em preencher uma grande tabela com 3 colunas e 7 linhas (ver
quadro completo na seção 2). Essa coluna será preenchida, preferencialmente, durante a
explicação.

Minha sugestão aqui é análoga àquela já apresentada na tabela da aula anterior, sobre os
valores semânticos das conjunções. Sugiro preencher primeiro a segunda e a terceira coluna,
discutir brevemente com a turma o valor semântico evidenciado nos exemplos de cada linha,
fazendo-os enxergar o nexo semântico entre as sentenças – e só depois registrar esse valor
semântico na primeira coluna.

Observação importante: como o foco do vestibular não é a metalinguagem (há raros casos em
que ela é cobrada, mas, repito, não é o foco), vocês notarão que eu juntei as concessivas com
as adversativas (sob o rótulo “contraste, oposição”), e as consecutivas com as conclusivas (sob
o rótulo duplo (“conclusão, consequência”). Claro que elas não são a mesma coisa, mas, no
contexto do PVS, vale a pena (é produtivo) explorar as semelhanças (que inegavelmente
existem) e abstrair as diferenças.

OBSERVAÇÕES

(1) No momento de falar sobre o “que” consecutivo, quem achar importante pode dar o velho
macete: a conjunção “que” sempre irá exprimir consequência quando estiver formando par com
as palavras tão / tanto / tamanho / tal (“Correu tanto que desmaiou”; “Correu tão rápido que
desmaiou”; “Correi numa velocidade tamanha que desmaiou”; “Correi numa velocidade tal que
desmaiou”).

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(2) Como veem, muito do que está na apostila foi excluído da aula. Isso é normal e vai
acontecer sistematicamente, sobretudo no segundo semestre (quando entrarmos na parte de
literatura). É o resultado natural do fato de que temos mais espaço (no livro) do que tempo (em
sala de aula).

(3) Ao longo da explicação, procurem deixar claro para os alunos que o objetivo desta aula é
torná-los aptos a olhar para um conectivo e reconhecer qual é a contribuição semântica que ele
está dando para a sentença.

(4) Ao longo da explicação, não deixem de repetir que esse conteúdo é muito frequente em
todos os vestibulares (e muito especialmente na Uerj).

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 20 minutos)

Selecionem questões do capítulo 9 (módulo 1). Será interessante se for possível resolver com
os alunos pelo menos uma questão de cada grupo. Dessa maneira, será possível evidenciar os
dois padrões básicos existentes nos vestibulares de questões sobre valor semântico dos
conectivos: questões que pedem para o candidato indicar o valor de um conectivo já
apresentado; ou, inversamente, questões que pedem para o candidato usar / apontar o
conectivo adequado para ligar dois segmentos.

2. Quadro da aula 4
SEMÂNTICA DAS CONJUNÇÕES

VALOR SEMÂNTICO CONJUNÇÕES EXEMPLOS

Colocou o despertador, mas não acordou


CONTRASTE, Mas, porém, Colocou o despertador, porém não acordou
OPOSIÇÃO contudo, embora, Embora tenha colocado o despertador, não
ainda que, etc. acordou.
Ainda que eu coloque o despertador, sei que
não vou acordar.

CONCLUSÃO, Logo, portanto, Sou seu pai, logo você deve me obedecer.
CONSEQUÊNCIA que, etc. Sou seu pai, portanto você deve me obedecer.
João tem tanto medo do pai que nunca
discorda dele.

Porque, pois, Correu porque estava atrasado.


CAUSA, EXPLICAÇÀO como, uma vez Correu, pois estava atrasado.
que, visto que, já Como estava atrasado, correu.
que, etc.

FINALIDADE Para que, Gritou para que todos ouvissem.


a fim de que Gritou a fim de que todos ouvissem.

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Só ajudarei a Maria se ela também me ajudar.
Posso até ajudar a Maria, desde que ela
CONDIÇÃO Se, desde que, também me ajude.
contanto que Posso até ajudar a Maria, contanto que ela
também me ajude.

Quando, logo Quando ela chegou, eu fui embora.


TEMPO que, assim que, Assim que ela chegou, eu fui embora.
mal, etc

COMPARAÇÃO (do) que, quanto, Desenho melhor (do) que o João.


como, etc. Desenho tão bem quanto o João.

aula 5
TIPOS TEXTUAIS
1. Roteiro da aula 5
O objetivo geral desta aula é ensinar os tipos textuais ou modos de organização do discurso:
narração, descrição, exposição (dissertação expositiva), argumentação (dissertação
argumentativa) e injunção. Mais especificamente, o objetivo da aula é mostrar como
diferenciar, na prática, os textos narrativos, descritivos, expositivos, argumentativos e
injuntivos.

15
PARTE 1 - APRESENTAÇÃO TEÓRICA (em torno de 25 minutos)

Logo de cara, no comecinho da aula, apelem para o conhecimento prévio dos alunos: informem
que a aula vai tratar dos tipos textuais e comentem que a maioria certamente já ouviu falar de
pelos menos três desses tipos: a narração, a descrição e a dissertação. Uma boa estratégia
para introduzir o ponto da aula é: "Então, pessoal, quem de vocês saberia ler um texto e, sem
medo de erro, dizer se é uma narração, uma descrição ou uma dissertação? É precisamente
isso que será ensinado nesta aula: vocês aprenderão a diferenciar esses três tipos de textos,
ou seja, a olhar para um texto e classificá-lo, por exemplo, como uma narração, descrição ou
dissertação”.

Chamem a atenção para o fato de que este conteúdo é bastante cobrado nos
vestibulares, e em especial na Uerj.

Para começo de conversa, digam que nós trabalharemos com cinco tipos de textos, e não com
três: narração, descrição, dissertação expositiva (exposição), dissertação argumentativa
(argumentação) e injunção. Mas, afinal, como diferenciar cada um desses tipos?

De início, a melhor maneira é pensar no objetivo, ou seja, na finalidade de cada tipo de texto.
Para ilustrar isso, vocês escreverão no quadro quatro minitextos (ver quadro completo na
seção 2). Mas é necessário contextualizar cada um deles. Por exemplo: João chega ao
trabalho na segunda-feira e seu colega pergunta como foi o fim de semana. A resposta de João
é o texto 1, a ser registrado no quadro:

Texto 1: Eu fui àquela festa e encontrei a Mariazinha.

Em seguida, criem oralmente outras minissituações e, dentro delas, insiram minitextos, que
serão então registrados no quadro. Sugestões:

Texto 2: O apartamento não é muito grande, mas pelo menos tem 2 quartos.

Texto 3: O cigarro é uma droga lícita que contém nicotina e produz sensação de relaxamento.

Texto 4: O cigarro deveria ser proibido nos lugares públicos, pois prejudica a saúde dos não
fumantes.

Texto 5: Não exponha o produto à luz solar.

É fácil notar que, ao produzir cada um desses textos, o enunciador tem um objetivo diferente.
No primeiro caso, quem falou pretendia apenas contar uma história, ou seja, fazer um
relato. No segundo caso, o enunciador pretendia dizer como era o apartamento, ou seja,
descrevê-lo, apresentar suas características. No terceiro caso, a intenção é dar
informações sobre o álcool. No quarto caso, o objetivo, claramente, é defender uma opinião,
um ponto de vista. No último caso, trata-se de dar uma instrução, ou seja, orientar a
respeito de algum procedimento (como fazer, como não fazer).

A partir daí, é só explicar que, para cada uma dessas finalidades, teremos um tipo de texto
diferente: respectivamente, narração, descrição, dissertação expositiva (exposição),
dissertação argumentativa (argumentação) e injunção. Chamar a atenção para o fato de
que o texto argumentativo é o que eles estudam durante o ano todo em Redação, por ser, de
longe, o mais cobrado nos vestibulares (e o único cobrado no Enem e Uerj).

As informações do parágrafo anterior – finalidade (contar uma história, apresentar as


características, etc.) e tipo textual (narração, descrição, etc.) – devem ser registradas no
quadro-negro (ver quadro completo na seção 2). Preocupem-se em fazer esse registro de uma
maneira tal que, no final da explicação dos exemplos, as informações escritas no quadro
possam ser transformadas numa tabela.

16
Terminada a explicação, é só recapitular o que foi dito enquanto se desenha propriamente a
tabela. Com a tabela pronta, os alunos terão a possibilidade de visualizar a informação central,
crucial da aula: os cinco tipos de textos, com respectivos exemplos e as diferenças entre
eles (tomando como critério, para diferenciá-los, o objetivo próprio de cada tipo). Digam,
portanto, que essa tabela resume o básico desta aula. Vale a pena, inclusive, repeti-la mais de
uma vez, fixando bem os cinco tipos textuais e seus objetivos. Isso dará aos alunos uma
sensação de segurança decorrente da percepção de que a matéria foi compactada e
agora cabe na cabeça deles (a rigor, essa compactação facilita, em muito, o
processamento da informação adquirida).

PARTE 2 – EXEMPLIFICAÇÃO (em torno de 15 minutos)

Concluída a apresentação teórica básica, é hora de retomar e fixar os conceitos aprendidos


por meio da análise de um texto um pouco mais extenso. Ao mesmo tempo, é hora de mostrar
que, na vida real, os tipos textuais não costumam aparecer isolados: na maioria das vezes, os
textos não são compostos por sequências de um único tipo textual, mas por uma combinação
de sequências pertencentes a diferentes tipos.

Para ilustrar isso e ao mesmo tempo (e principalmente) retomar e fixar os conceitos já


trabalhados, analisem com os alunos o texto “Em defesa de Galvão Bueno”, que está na
página 11 do livro 1. Identifiquem as sequências associadas aos diferentes tipos e justifiquem,
com elementos do texto, a classificação das sequências identificadas. Há uma análise no
próprio livro.

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 15 minutos)

Selecionar questões da apostila. Usar apenas as questões da Uerj e do Enem. Em polos onde
há muita demanda por Uerj, recomendo selecionar apenas questões do Exame de Qualificação
dessa universidade.

17
2. Quadro da aula 5
As informações a serem registradas abaixo em dois momentos. Momento 1: depois que as
informações já foram registradas no quadro, mas ainda sem "cara de tabela". Momento 2: já
com "cara de tabela".

TIPOS TEXTUAIS

MOMENTO 1

Narração Eu fui à festa e encontrei Contar uma história, fazer


Mariazinha um relato

Descrição O apartamento não é Apresentar características


grande, mas tem três
quartos

Dissertação expositiva O cigarro é uma droga Transmitir informações,


(exposição) lícita que contém nicotina expor fatos
e produz sensação de
relaxamento

Dissertação O cigarro deve ser Defender uma opinião,


argumentativa proibido nos lugares um ponto de vista
(Argumentação) públicos, pois
prejudica a saúde dos
não-fumantes

Injunção Não exponha o produto à Instruir, orientar sobre


luz solar como proceder

TIPO TEXTUAL EXEMPLO FINALIDADE


Narração Eu fui à festa e encontrei Contar uma história, fazer um
Mariazinha relato
Descrição O apartamento não é grande, Apresentar características
mas tem três quartos
Dissertação expositiva O cigarro é uma droga lícita que Transmitir informações, expor
(Exposição) contém nicotina e produz fatos
sensação de relaxamento
Dissertação argumentativa O cigarro deve ser proibido nos Defender uma opinião, um
(Argumentação) lugares públicos, pois prejudica ponto de vista
a saúde dos não-fumantes
Injunção Não exponha o produto à luz Instruir, orientar sobre como
solar proceder

18
aula 6
O TEXTO ARGUMENTATIVO
(I): ELEMENTOS DA
ARGUMENTAÇÃO
1. Roteiro da aula 6

PARTE 1 - INTRODUÇÃO (cerca de 5 minutos)

Para contextualizar a aula, apelem para o conhecimento prévio dos alunos a respeito dos tipos
textuais. Nesse caso, iniciem resgatando os tipos textuais, o que deverá gerar a seguinte lista:

Revisão

1 - Narração
2 - Descrição 
3 - Exposição
4 - Argumentação

Não há motivo, no contexto desta aula, para aumentar a lista, incluindo os tipos injuntivo e
dialogal. Isso porque o objetivo não é ensinar os tipos textuais, e sim tratar construir uma breve
introdução (contextualização) para o tema real da aula: o texto argumentativo. Quer dizer:
basta que os alunos lembrem / reconheçam que aqueles tipos textuais existem para que então
se possa anunciar o tema da aula: especificamente, o modo argumentativo de organização do
discurso.

Informem, então, que o texto argumentativo  será estudado com profundidade, nesta aula e na
próxima, mostrando que o capítulo 2 da apostila é todo dedicado a ele. Comentem que o modo
argumentativo é muito cobrado na prova da Uerj e do Enem, mas também aparece com
bastante frequência em outros exames, como o vestibular Cederj.

PARTE 2 – ELEMENTOS BÁSICOS DA ARGUMENTAÇÃO (cerca de 15 minutos)

Depois de lembrar em que consiste um texto argumentativo, é hora de informar que toda
argumentação deve incluir, necessariamente, dois elementos fundamentais: tese e
argumento. Para explicá-los, registrem no quadro de 2 a 3 minitextos argumentativos e
identifiquem o que é tese e qual é o argumento. Exemplos:

As Olimpíadas serão prejudiciais para o Rio de Janeiro (TESE), pois vão gerar corrupção e
desvio de dinheiro público (ARGUMENTO).

Como a política brasileira é conhecida pela impunidade (ARGUMENTO 1) e o Brasil sediará


dois grandes eventos (2) em brev, os próximos anos serão de muita corrupção no país
(TESE). 

A infância é a melhor fase da vida (TESE). Afinal, quem não gosta de viver sem pressão e
praticamente sem compromissos (ARGUMENTO)?

19
Lembrem que praticamente todas as redações do vestibular são argumentativas. E lembrem
que tanto a Uerj quanto o Enem gostam de explorar a estrutura do texto argumentativo.

PARTE 3 – UM NOVO ELEMENTO: A CONTRATESE (no máximo, 15 minutos)

Até aqui, os alunos aprenderam que uma argumentação conta com dois elementos básicos:
tese e argumento. A partir daí, façam a seguinte discussão: se eu sou A FAVOR de uma
determinada uma tese, isso significa, automaticamente, que eu sou CONTRA todos os outros
pontos de vista possíveis em relação ao mesmo assunto. Por exemplo: se eu defendo a tese
de que "o Brasil não deve adotar a pena de morte", então eu ataco a tese de que "o Brasil deve
adotar a pena de morte". Ou então: se eu me coloco A FAVOR da tese de que "o voto no Brasil
deve ser facultativo", então, necessariamente, eu estou também me colocando contra a ideia
de que "o Brasil deve manter o atual sistema de voto obrigatório". A partir daí, ensinem o
seguinte: num determinado texto argumentativo, se a ideia que eu defendo é a minha
TESE, a ideia contrária à minha (ou seja, a ideia que eu estou atacando, combatendo)
será chamada de CONTRATESE. 

Para ilustrar, registrem um minitexto argumentativo no quadro. Sugestão:

Muitos acreditam que as Olimpíadas de 2016 serão benéficas para o Rio


[CONTRATESE].  Mas isso é uma ilusão:  elas serão desastrosas para a cidade
[TESE]. Afinal,  o governo irá gastar rios de dinheiro [ARGUMENTO 1]  e, para piorar, o
evento não trará melhorias efetivas para a vida do carioca [ARGUMENTO 2]. 

Com isso, estão apresentados os elementos da argumentação. Neste ponto, se houver tempo,
montem no quadro uma tabela sintetizando o conteúdo da aula (ver quadro na seção 2).

PARTE 4 – FIXANDO CONCEITOS: ANÁLISE DE UM TEXTO (em torno de 10 minutos)

Para encerrar a aula com uma síntese do que foi aprendido, fixando os conceitos transmitidos,
analisem com os alunos o texto que aparece na segunda coluna da página 18 do nosso livro
(módulo 1). Trata-se de uma espécie de versão ampliada do textinho acima sobre as
olimpíadas. A ideia é ser redundante MESMO: eles analisarão um texto parecido com o que
acabaram de ver, o que facilitará a percepção dos elementos e ajudará a fixar o conteúdo, mas
não idêntico, o que permitirá aprender mais alguma coisa. 

Analisem com a turma e registrem a análise no quadro: se a TESE desse texto é a de que "as
Olimpíadas de 2016 serão prejudiciais para o Rio", então a contratese (ou seja, o ponto de
vista CONTRÁRIO ao da tese) é a de que "as Olimpíadas de 2016 serão benéficas para o Rio".
Localizem no texto a contratese, sublinhado-a e identificando-a.

2. Quadro da aula 6

O TEXTO ARGUMENTATIVO

I. REVISÃO

1 - Narração
2 - Descrição 
3 - Exposição
4 - Argumentação
5 - Injunção

20
II. ELEMENTOS DA ARGUMENTAÇÃO

1. Elementos básicos: tese e argumento

Tese: ponto de vista defendido pelo enunciador

Argumento: fundamentação da tese

Exemplos

a) As Olimpíadas serão prejudiciais para o Rio de Janeiro (TESE), pois vão gerar corrupção e
desvio de dinheiro público (ARGUMENTO).

b) Como a política brasileira é conhecida pela impunidade (ARGUMENTO 1) e o Brasil sediará


dois grandes eventos em breve (ARGUMENTO 2), os próximos anos serão de muita corrupção
no país (TESE). 

c) A infância é a melhor fase da vida (TESE). Afinal, quem não gosta de viver sem pressão e
praticamente sem compromissos (ARGUMENTO)?

2. Elemento adicional: contratese

Contratese: ponto de vista contrário ao da tese

Exemplo

Muitos acreditam que as Olimpíadas de 2016 serão benéficas para o Rio


[CONTRATESE].  Mas isso é uma ilusão:  elas serão desastrosas para a cidade
[TESE]. Afinal,  o governo irá gastar rios de dinheiro [ARGUMENTO 1]  e, para piorar, o
evento não trará melhorias efetivas para a vida do carioca [ARGUMENTO 2]. 

Síntese: elementos da argumentação

ELEMENTO DA ARGUMENTAÇÃO DEFINIÇÃO


Tese Ponto de vista a ser defendido

Argumento Fundamentação da tese

Contratese Ponto de vista contrário ao da tese

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aula 7
O TEXTO ARGUMENTATIVO
(II): ESTRATÉGIAS
ARGUMENTATIVAS

1. Roteiro da aula 7

PARTE 1 - INTRODUÇÃO (10 a 15 minutos)

Relembrar que o tema da aula anterior foi o texto argumentativo e informar que este será,
também, o tema desta aula – o que deve ser indicado no quadro (ver quadro completo na
seção 2). Relembrar, mais especificamente, o tópico tratado na aula anterior: os elementos da
argumentação.

Neste momento, relembrem, oralmente, quais foram os elementos da argumentação estudados


(tese, argumento e contratese). Informem, então, que, continuando no estudo do texto
argumentativo, o tema específico desta aula serão as estratégias argumentativas.

Para introduzir o assunto, após indicar o título desta parte da aula no quadro (ver quadro
completo na seção 2), comece registrando no quadro os seguintes minitextos:

A pena de morte é abominável e, em pleno século 21, já não deveria existir em lugar algum
(TESE). De antropólogos a economistas, muitos estudiosos já afirmaram que ela não ajuda a
reduzir a criminalidade (ARGUMENTO).

A pena de morte é abominável e, em pleno século 21, já não deveria existir em lugar algum
(TESE).  O caso do Canadá, que reduziu sua criminalidade depois a pena capital foi abolida,
deixa claro que se trata de um instrumento inútil (ARGUMENTO).

Comece mostrando que a semelhança entre eles reside no fato de que ambos trazem uma tese
e usam argumentos para sustentá-la (por isso mesmo, os dois textos são argumentativos).
Mostre que, no entanto, há uma diferença crucial, que tem a ver com o tipo de argumento
utilizado. No primeiro caso, evoca-se a autoridade de especialistas ("antropólogos",
"economistas", "estudiosos") para reforçar o argumento. No segundo caso, recorre-se a
um exemplo específico (a situação do Canadá). 

Conclua, então, que existem diferentes estratégias que podem ser usadas para argumentar
(ou seja, estratégias argumentativas). Por exemplo, eu posso argumentar recorrendo à
autoridade de um conhecedor do assunto ou citando algum exemplo concreto. Embora, nos
dois casos, eu esteja apresentando argumentos, estou usando estratégias argumentativas
diferentes em cada um deles: no primeiro, trata-se de um argumento de autoridade; no
segundo, a estratégia é conhecida como exemplificação. 

22
Esse contraste deverá dar aos alunos uma ideia do que são estratégias argumentativas ou
tipos de argumentos. Em seguida, registre no quadro a estratégia utilizada em cada um dos
casos (ver quadro completo na seção 2).

Neste ponto, digam que há outros tipos de argumentos, além destes dois. Especificamente,
informem que serão estudadas, ao todo, seis estratégias argumentativas (ou seja, mais quatro
estratégias, além das duas já apresentadas).

PARTE 2 – ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS (em torno de 20 minutos)

A partir deste ponto, a aula consiste, fundamentalmente, em registrar no quadro pequenos


textos, apresentando cada uma das estratégias restantes (veja sugestões de exemplos na
seção 2, que traz o quadro completo desta aula). É importante analisar (dissecar mesmo) cada
um deles, destacando (de preferência, com pilot colorido) a tese e o(s) argumento(s) – ver
análise dos exemplos sugeridos na seção 2 (Quadro da aula 2). A partir desse ponto da
análise, passem a analisar especificamente a parte do argumento, a fim de evidenciar para a
turma qual tipo de argumento (ou seja, qual estratégia argumentativa) está presente em cada
caso.

Ao final da exposição das seis estratégias, montar no quadro uma tabela com uma síntese de
cada uma delas e, com isso, revisar brevemente o assunto e fixar os conceitos (ver quadro
completo na seção 2).

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 20 minutos)

Resolver, junto com a turma, questões sobre o tema estratégias argumentativas: módulo 1,
capítulo 2, grupo 4).

2. Quadro da aula 7
Observação: notar que o quadro da aula 5 é continuação do quadro da aula 4.

O TEXTO ARGUMENTATIVO

III. ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS

1. Argumento de autoridade

A pena de morte é abominável e, em pleno século 21, já não deveria ter sido varrida do planeta
(TESE). De antropólogos a economistas, muitos estudiosos já afirmaram que ela não ajuda a
reduzir a criminalidade (ARGUMENTO).

2. Exemplificação

A pena de morte é abominável e, em pleno século 21, já não deveria existir em lugar algum
(TESE).  O caso do Canadá, que reduziu sua criminalidade depois a pena capital foi abolida,
deixa claro que se trata de um instrumento inútil (ARGUMENTO).

3. Contra-argumentação

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Muita gente acha que palmadas e beliscões são úteis na educação das crianças
(CONTRATESE), mas a verdade é que a violência apenas gera filhos agressivos e
traumatizados (CONTRA-ARGUMENTO).

4. Concessão

Embora o aborto seja uma forma de assassinato, legalizá-lo ainda é melhor do que submeter
as mãos a clínicas clandestinas (ARGUMENTO).
5. Redução ao absurdo

Se bater nas crianças as torna adultos melhores (CONTRATESE), proponho que todos
comecemos a espancar e a torturar nossos filhos diariamente (REDUÇÃO AO ABSURDO).

6. Negação

Hoje não falarei contra o aborto (NEGAÇÃO). Em vez disso, falarei a favor da vida – que deve
ser preservada sempre, inclusive quando se trata de um embrião ou feto.

Síntese: estratégias argumentativas

ESTRATÉGIA ARGUMENTATIVA DEFINIÇÃO

Argumento de autoridade Cita especialistas no assunto

Exemplificação Menciona casos concretos

Contra-argumentação Refuta / Desmonta um argumento


contrário

Concessão Parece concordar com as ideias do


opositor, mas em seguida as combate

Redução ao absurdo Imagina situações inverossímeis /


impossíveis

Negação Diz que não vai fazer o que está fazendo

24
aula 8
O TEXTO ARGUMENTATIVO
(III): MÉTODOS DE RACIOCÍNIO
1. Roteiro da aula 8

PARTE 1 - INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

Relembrar parte do percurso atravessado até aqui, a fim de situar esta aula. Lembrar que o
tema da 3ª aula foram os tipos textuais, e que os alunos aprenderam a distinguir entre tipos de
texto: narração, descrição, exposição, argumentação e injunção. A partir daí, as duas aulas
seguintes foram voltadas, especificamente, para o texto argumentativo: a primeira delas tratou
dos elementos da argumentação (relembrar oralmente: tese, argumento e contratese), ao
passo que a segunda tratou das estratégias argumentativas (relembrar algumas oralmente,
apenas para refrescar a memória: exemplificação, argumento de autoridade, etc.). Tudo,
portanto, dentro do tema mais amplo texto argumentativo (ou argumentação). Tendo feito essa
breve retomada oral, explicar, então, que esta será a última aula sobre texto argumentativo.
Informar, ainda, que o tema específico desta aula serão os métodos de raciocínio.

PARTE 2 – MÉTODOS DE RACIOCÍNIO (em torno de 20 minutos)

Informar que iremos tratar, especificamente, de três métodos de raciocínio: dedução (ou
método dedutivo), indução (ou método indutivo) e dialética (ou método dialético). Vale a pena
registrar os nomes no quadro neste momento (ver quadro completo na seção 2).

Comecem contrastando a dedução à indução. Afinal, para compreendê-los, a melhor estratégia


é, sem dúvida, a comparação. Como a dedução e a indução são diametralmente opostas, cabe
registrar no quadro dois minitextos que, embora tratem do mesmo tema, recorram a métodos
distintos. Abaixo, seguem sugestões.
 
DEDUÇÃO
Toda eliminação intencional de uma forma de vida é um assassinato. No aborto provocado,
elimina-se deliberadamente uma forma de vida. Logo, o aborto é uma forma de assassinato.
Isso é motivo suficiente para não legalizá-lo.
 
INDUÇÃO
No Brasil, realiza-se mais de 1 milhão  de abortos clandestinos por ano. Na Colômbia,
são cerca de 300 mil. Esses números provam que as leis antiaborto são nocivas, já que
colocam as gestantes em situação  de risco.
 
Com essa comparação, o par dedução X indução deverá ficar mais claro para o aluno. 
 

25
No primeiro caso, parte-se de premissas gerais ("toda eliminação intencional de uma forma de
vida corresponde a um assassinato") para se chegar a uma conclusão referente a um caso
particular, específico: o caso do aborto ("o aborto é um procedimento inaceitável e deve ser
combatido"). 
 
No segundo caso, parte-se de dois fatos particulares (o caso específico do Brasil e,
depois, o caso específico da Colômbia) para se chegar, em seguida, à formulação de uma tese
geral ("as leis antiaborto são nocivas"). 

Registrem essa análise no quadro de maneira a evidenciar esse percurso geral > específico ou
específico > geral (ver quadro completo na seção 2).
 
Em seguida, é hora de passar para o raciocínio dialético. Explicar que ele se fundamenta em
uma oposição: afirma-se uma ideia (tese); em seguida, afirma-se algo que contraria essa
primeira ideia (antítese); por fim, desse confronto de ideias, chega a uma conciliação entre
elas, que será a ideia final (síntese). Mostrar isso na prática por meio de um exemplo.
Sugestão:

Por ser uma forma de assassinato, o aborto é uma prática abominável. No entanto, há
situações em que ele permite preservar a vida da gestante. Conclui-se, assim, que o aborto
deve ser permitido, mas apenas nos casos em que há risco de vida para a mulher.

Mostrem, no exemplo, o movimento próprio do raciocínio dialético: uma primeira ideia contrária
ao aborto (tese), uma segunda ideia favorável ao aborto (antítese) e uma conclusão final que
resulta do confronto entre as ideias anteriores e expressa uma conciliação entre elas, ou seja,
uma “solução de compromisso” (antítese). Assim como nos exemplos anteriores, registrem
essa análise no quadro (ver quadro completo na seção 2).
 
Ao final, montar no quadro uma tabela com a síntese do conteúdo da aula, aproveitando o
momento para revisá-lo e fixar os principais conceitos (ver quadro completo na seção 2).

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 30 minutos)

Começar resolvendo, junto com a turma, questões que tratem especificamente do tema
métodos de raciocínio (módulo 1, capítulo 2, grupo 5). No entanto, como deverá sobrar um
tempo relativamente grande para exercícios (em relação à realidade do PVS), não usar o
tempo todo para isso. É muito importante resolver também questões dos grupos 1 e 2 do
capítulo 2 (módulo 1), as quais não terão abordadas nas aulas anteriores.

2. Quadro da aula 8
Observação: notar que o quadro da aula 6 é continuação do quadro da aula 5.

O TEXTO ARGUMENTATIVO

IV. MÉTODOS DE RACIOCÍNIO

1. Dedução (método dedutivo)

 Do geral para o particular

Toda eliminação  intencional de uma forma de vida é um assassinato (INFORMAÇÃO GERAL).


No aborto provocado, elimina-se deliberadamente uma forma de vida (INFORMAÇÃO

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ESPECÍFICA). Logo, o aborto é uma forma de assassinato. Isso é motivo suficiente para não
legalizá-lo (CONCLUSÃO ESPECÍFICA).

2. Indução (método indutivo)

 Do particular para o geral

No Brasil, realiza-se mais de 1 milhão  de abortos clandestinos por ano (INFORMAÇÃO


ESPECÍFICA). Na Colômbia, são cerca de 300 mil (INFORMAÇÃO ESPECÍFICA). Esses
números provam que as leis antiaborto são nocivas, já que colocam as gestantes em
situação  de risco (CONCLUSÃO GERAL).

3. Dialética (método dialético)

 Tese + antítese = síntese (conciliação de contrários)

Por ser uma forma de assassinato, o aborto é uma prática abominável (TESE). No entanto, há
situações em que ele permite preservar a vida da gestante (ANTÍTESE). Conclui-se, assim,
que o aborto deve ser permitido, mas apenas nos casos em que há risco de vida para a mulher
(SÍNTESE).

Síntese: métodos de raciocínio

MÉTODO DE RACIOCÍNIO DEFINIÇÃO

Dedução Geral > particular

Indução Particular > geral

Dialética Tese + antítese = síntese

27
aulas 9
REVISÃO PARA CEDERJ e/ou UERJ (I)
Esta aula é inteiramente dedicada à preparação do aluno para exames de vestibular
específicos. Em particular, o foco neste momento são as provas da Uerj (primeira fase,
isto é, Exame de Qualificação) e do Cederj (também a primeira fase, que é múltipla-
escolha). A depender do polo, e mesmo das turmas dentro do polo, o tutor pode dividir o
tempo da aula entre esses dois exames ou focar exclusivamente em um deles. Isso fica a
critério do tutor, que conhece a realidade e as demandas do seu polo.

A título de fixação e revisão de conteúdo, bem como do treinamento para exames específicos
(um tipo de competência que é fundamental e deve ser trabalhado), esta aula se volta,
exclusivamente, para resolução, junto com a turma, de questões do Exame de
Qualificação da Uerj ou da primeira fase do Vestibular Cederj, a título de revisão (o tutor
vai guiando a resolução das questões e incentivando a participação da turma). As
questões a serem trabalhadas serão selecionadas pelo tutor, de maneira tal que leve em
conta o nível de cada polo / turma.

Mas quais tópicos devem ser trabalhados? Especificamente, os seguintes tópicos:

PARA AMBOS OS EXAMES:

1 – Figuras de linguagem
2 – Valor semânticos dos conectivos
3 – Identificação dos tipos textuais

APENAS PARA UERJ:

1 – Texto argumentativo (Teoria da Argumentação: identificação dos elementos; estratégias


argumentativas; métodos de raciocínio)
2 – Função metalinguística

Na seleção das questões, o tutor deve avaliar a situação de cada turma, levando em conta
diversos fatores (rendimento da turma em cada tópico, possíveis aulas perdidas ou muito
prejudicadas por razões externas, etc.) e, a partir daí, selecionar as questões, pensando quais
tópicos serão priorizados e quais serão contemplados com um número menor de questões.

A ABORDAGEM

Seguem algumas orientações fundamentais quanto à ABORDAGEM da aula:

(1) Jamais dê um tempo para que o aluno resolva as questões sozinho (ou em grupo,
duplas, não importa) primeiro, para só depois entrar com a correção; não temos tempo
para isso. O aluno deve resolver questões sozinhos em casa, de modo que o ideal é orientá-lo
na aula anterior para que faça isso (e, neste momento, ele pode contar com a ajuda do 0800;

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além disso, muitos tutores se colocam à disposição por email, Facebook, Orkut, etc., o que é
ótimo). Alguns farão, muitos não farão, mas o fato é que a aula não é o momento para isso.

(2) Não se trata, de modo algum, de simplesmente CORRIGIR as questões selecionadas,


mas de utilizá-las como ponto de partida para a REVISÃO dos tópicos escolhidos,
retomando conceitos e explicações e ilustrando-os por meio dos exercícios. Portanto,
você vai levar algum tempo em cada questão. Repito: é RESOLVER a questão, explicando
cada alternativa e aproveitando para revisar a matéria e retomar conceitos, e não simplesmente
fazer uma correção sumária do exercício. A questão aqui é ponto de partida e exemplo para a
revisão.

(3) Ao resolver cada questão, você deve não apenas retomar/revisar o CONTEÚDO, mas
ensinar o aluno como FAZER UMA QUESTÃO DE VESTIBULAR (e, mais especificamente,
uma questão de 1ª fase do vestibular Uerj ou do vestibular Cederj, conforme o caso). Por isso,
guie-os na leitura do enunciado, chame a atenção para aspectos recorrentes na Uerj, leia
cada alternativa, aponto aspectos da alternativa que servem como pistas, se for o caso;
enfim, boa parte da aula é ensinar não o conteúdo, mas meios de resolver questões
desse tipo, familiarizando os alunos (mais ainda) com elas.

A ORIENTAÇÃO AO ALUNO

Uma das tarefas do tutor do PVS é orientar o estudo do aluno em casa, para que ele não foque
em conteúdos irrelevantes nem deixe de estudar o que realmente vai cair. Por isso, passe no
quaro uma lista de TÓPICOS A SEREM ESTUDADOS PARA O EXAME DE QUALIFICAÇÃO
DA UERJ E/OU PARA O VESTIBULAR CEDERJ, com os seguintes tópicos:

1 – Figuras de linguagem (ambos os exames)

2 - Valor semântico dos conectivos (ambos os exames)

3 – Identificação dos tipos textuais (ambos os exames)

3 - O texto argumentativo (apenas Uerj)

4 - Funções da linguagem - principalmente a função metalinguística (ambos Uerj)

Outro ponto relevante da orientação, para além de o que estudar, é o como estudar. Digam aos
alunos que eles devem privilegiar fortissimamente a resolução de exercícios. Para isso, eles
têm a parte de exercícios do livro teórico, que inclui gabarito. E, no caso de algum gabarito não
ficar claro, lembrem que eles podem e devem recorrer ao 0800. É interessante também, se
possível, que vocês se coloquem à disposição para tirar dúvidas surgidas nesse estudo –
presencialmente ou virtualmente (email, Facebook, etc.), mas sempre, claro, fora do horário da
aula.

29
aula 10
REVISÃO PARA CEDERJ e/ou UERJ
(II)
Esta aula é inteiramente dedicada à preparação para o vestibular Cederj (1ª fase) ou Uerj (1ª
fase, isto é, Exame de Qualificação).

No caso de polos ou turmas sem demanda por Uerj, será realizada evidentemente
revisão para o vestibular Cederj. Nesse caso, o modelo de aula é idêntico ao da aula
anterior, com resolução conjunta e extensamente comentada de questões de exames, com
foco sobre os mesmos tópicos já indicados e a mesma abordagem didática.

No caso de polo ou turma com demanda pelo vestibular Uerj, a aula deve ser usada para
trabalhar o livro de leitura obrigatória do 1º Exame de Qualificação do Vestibular Uerj
2019: O Livro de Sonetos (Vinícius de Morais). Essa aula incluirá tanto resumo/análise do
livro quanto resolução conjunta – e extensamente comentada – de questões de múltipla-
escolha estilo Uerj. Tanto a análise quanto as questões serão elaboradas pelos Grupos de
Trabalho compostos pelos tutores, sob supervisão da Coordenação de LPLB.

30
aula 11
HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA
(I):
INTRODUÇÃO + ROMANTISMO

1. Roteiro da aula 11

OBSERVAÇÕES PRELIMINARES (I): O ENSINO DE LIT. BRAS. NO CONTEXTO DO


PRÉ-VESTIBULAR SOCIAL

Certamente, no contexto do PVS, com o problema do tempo exíguo, o ensino de literatura traz
um problema ainda maior que o de gramática. Aqui, é mais difícil dar uma aula absolutamente
objetiva e enxuta, que passe as informações essenciais de maneira a assegurar que o aluno
seja capaz de acertar as questões do vestibular – coisa que dá pra fazer numa boa com os
conteúdos de "língua" (em forçada oposição a "literatura"). Pela sua própria natureza, o estudo
de literatura exigiria mais reflexão, tempo para amadurecimento e articulação de conceitos.
Obviamente, porém, isso simplesmente não é uma opção no PVS. Por isso, vamos continuar
tirando leite de pedra. E certamente o índice de sucesso será bastante elevado. Nos roteiros
das aulas, vou procurar dar a melhor ideia possível de como desenvolver esse estudo de
maneira maximamente eficiente e objetiva no contexto do PVS – e, crucialmente, de maneira
ajustada aos nossos objetivos imediatos. 

OBSERVAÇÕES PRELIMINARES (II): A LINGUAGEM DAS AULAS DE LIT. BRAS

Antes de passar para o roteiro da aula propriamente, é preciso fazer uma preleção a respeito
da linguagem utilizada. Sejam coloquiais. Nada de termos técnicos e expressões sofisticadas.
Aqui, estaremos lidando com conceitos complexos e, o pior de tudo para o aluno, abstratos. É
preciso transformá-los em algo concreto. Assim, por exemplo, o “conflito existencial entre
teocentrismo e antropocentrismo” tem que virar “o camarada que quer pecar, aproveitar a vida,
mas também tem medo de ir para o inferno e quer salvar sua alma – então esse camarada vive
nesse conflito, entre vontade de pecar e desejo de salvar a alma”.
 
Alguns diriam que isso é uma simplificação excessiva, e mesmo uma distorção. E é mesmo.
“Antropocentrismo”, por exemplo, é muito mais do que “estar a fim de aproveitar a vida”: tem a
ver com toda uma brutal mudança de mentalidade que se traduz na confiança devotada ao
poder de realização do homem – e à possibilidade de felicidade terrena, aqui e agora. Portanto,
se é que isso é consolo para alguma coisa, trata-se de uma simplificação e distorção
conscientes.
 
É uma opção, portanto. Deve haver quem discorde. Eu não acho ideal, é claro. Mas estou
bastante convicto de que é o ideal no contexto do PVS. Isso porque, para mim, há um aspecto
que está muito claro: o objetivo primário não é a “formação intelectual” nem a “formação do

31
caráter” nem a “formação do cidadão eticamente comprometido”. O objetivo primário é aprovar
no vestibular, e é, portanto, em função dessa meta primordial que as opções didáticas devem
ser avaliadas. Vejam bem que eu não estou dizendo que aqueles outros objetivos formadores
não são relevantes: na verdade, são muito mais fundamentais, no fim das contas, do que a
aprovação no vestibular. Mas aqui é preciso observar duas coisas. Primeira: esses outros
objetivos acabam sendo efetivamente alcançados, em grande medida, pelo PVS. Quer dizer:
eles não são os objetivos que determinarão os rumos e as opções tomadas no dia a dia, mas
não há dúvida que, se fizermos nosso trabalho direito, acabaremos efetivamente contribuindo
decisivamente para a formação intelectual, crítica, etc. Segundo: no esquema do PVS, é
simplesmente impossível promover toda essa “formação” de modo sólido e consistente. Mas,
uma vez na universidade, aí sim o aluno terá possibilidades de desenvolvê-la. Só que, para
isso, temos que conseguir colocá-lo na universidade. O que nos obriga a ser pragmáticos.
 
Voltando, então. É claro que não se trata de dar uma aula inteira com gírias. Não tem nada a
ver com isso, na verdade. Tem a ver apenas com usar um vocabulário corrente, e não um
vocabulário técnico, especializado. É claro que nós vamos apresentar conceitos técnicos. Mas
nunca usem ainda mais termos técnicos para explicar e definir esses conceitos.
 
Na prática, é evidente que são vocês que estão em contato direto com as turmas e poderão
dosar a linguagem ideal. Mas tenham em mente que vocês precisam ser entendidos com
facilidade. Portanto, coloquem-se sempre no lugar dos alunos e procurem sempre formular
frases e explicações que possam fazer sentido para eles de imediato. Até porque nós não
temos nem mesmo tempo para ficar explicando afirmações complexas. Portanto, para não ter
que descomplicar depois, já comecem simples: por favor, pensem, com antecedência, em
como vocês podem explicar os conteúdos de maneira que seja algo claro e
compreensível para qualquer um. Agora que entramos na parte de literatura, essa questão
da linguagem se torna ainda mais crucial. 
 
Lembrem-se. São duas as medidas necessárias para que o conteúdo previsto caiba no tempo
de uma aula. Primeiro: como eu já disse algumas vezes, é realmente necessário entrar em
sala tendo a aula toda na cabeça. Ou seja, é preciso saber quantas partes terá a aula,
qual será a duração de cada parte, como será cada passo ou movimento da aula. E esse
tempo vai sendo monitorado mentalmente com o desenrolar da aula. Segundo: é preciso que
vocês saibam de antemão como cada informação será transmitida. A cada momento, vocês
devem ter em mente: neste ponto da aula, e o que eu quero passar e como essa
informação pode ser transmitida de maneira clara e imediata?
 
Trata-se, de fato, por conta do tempo exíguo, de uma aula inteiramente ensaiada: cada
movimento, cada mudança de “ato”, as partes que compõem a aula, a forma como cada
conteúdo será abordado, os versos dos poemas para os quais se irá chamar atenção, o
que vai ser dito a cada momento – tudo isso tem que ser conhecido previamente.
 
Essas medidas evitam o que seria nosso pior problema: uma aula corrida, dada às pressas, de
modo atropelado. Isso não é desejável de modo algum. Da maneira como eu estou propondo, o
tempo deve ser suficiente para que o conteúdo programado seja visto com calma – sem
enrolações, sem aprofundamentos, sem desvios de rota e sem pausas para reflexão, mas
certamente com calma, sem correria. Se, por algum motivo, vocês perceberem que o tempo
não será suficiente em alguma turma, não saiam atropelando tudo e falando rápido: em
último caso, deixem o final da matéria para a aula seguinte. Não é o ideal e tenho certeza
de que isso não vai acontecer de modo generalizado, mas, se for preciso em um ou outro caso
pontual, isso é certamente muito melhor do que a correria.

PANORAMA GERAL DA AULA

A aula tem, fundamentalmente, duas partes bem delimitadas. Primeiro: anunciar e apresentar o
estudo da literatura brasileira, dando rapidamente uma ideia do que são estilos de época, de
maneira que os alunos entendam de maneira clara como vai se enrolar o estudo que está para
começar. Segundo: começar o estudo do Romantismo brasileiro, focalizando características
gerais e a poesia da primeira e da segunda geração.

32
PARTE 1 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE LITERATURA: OS ESTILOS DE ÉPOCA
(no máximo, 15 minutos)

Comecem anunciando o novo foco das aulas do PVS: a literatura brasileira. Para mostrar como
vai ser esse estudo, façam uma comparação entre os dois poemas da página 6 do módulo 2
(item 2 - História da literatura e estilos de época). Leiam os dois poemas com a turma para que
todos constatem que a linguagem empregada é profundamente distinta. Abaixo dos poemas,
há uma tabela que resume – grosseiramente – essas diferenças. "Grosseiramente" porque o
objetivo aqui não é desenvolver uma análise, mas tão-somente deixar evidentes, visíveis, as
diferenças de linguagem entre os poemas. 
 
Até aqui, tudo bastante simples, porque: (i) é fácil perceber, intuitivamente, que os dois poemas
são profundamente distintos; e (ii) lendo a tabela, é simples perceber as diferenças apontadas,
já que os aspectos de linguagem contemplados são próximos do "leitor comum", não
especialista (tamanho dos versos, presença ou ausência de rima...). 
 
Na hora da aula, simplifiquem o que está na apostila. Não tentem explicar, por exemplo, o que
seria uma frase "sintaticamente elaborada". Lembre-se de que o único objetivo da comparação
(grosseira) entre esses dois poemas é permitir que o aluno crie uma noção clara do que seriam
"estilos de época" (chagaremos lá...). 
 
Após a leitura dos poemas e da tabela, entra a indagação: a que se devem as profundas e
drásticas diferenças entre os dois poemas? E conduzam à resposta: o primeiro poema foi
escrito no século XVI; o segundo, no ano 2000. Então, um fator crucial para explicar a diferença
de linguagem entre os textos é a época em que cada um foi escrito. Neste momento, vocês
introduzem o conceito de estilos de época ou escolas literárias: a ideia é mostrar que,
conforme os dois poemas deixam claro, cada época tem seu estilo próprio, marcado por um
conjunto de características formais e temáticas que a definem (é claro que estamos
simplificando a questão, mas lembrem-se de que (i) só temos 10 min para tudo isso e (ii) temos
que nos focar, pragmaticamente, nos nossos objetivos imediatos). 

Finalmente, o último passo da introdução, a hora de fechar o raciocínio. Uma vez que eles
entenderam o que é "estilo de época", expliquem o que nós vamos estudar de agora em diante:
basicamente, vamos conhecer, em ordem cronológica, cada um dos estilos de época presentes
na história da literatura brasileira. E quantos são? Neste momento, façam no quadro a tal "linha
do tempo" com os estilos de época (ver quadro completo na seção 2). Como vocês verão na
seção 2, sequer é preciso incluir referências temporais na linha do tempo. Apenas deixem a
linha do tempo (na verdade, a sequência dos estilos de época em ordem cronológica)
registrada no quadro para poderem dizer assim: "esses são os estilos de época que
encontramos ao longo da história da Literatura Brasileira”.

Neste momento, anunciem que nem todos os estilos de época serão tratados no PVS.
Especificamente, aqueles menos relevantes para o vestibular ficarão de fora. E quais são eles?
Respondendo: Barroco, Arcadismo (chamem a atenção para o fato de que estes são os dois
primeiros, na ordem cronológica), Parnasianismo e Simbolismo (chamem a atenção para o fato
de que estes são concomitantes). Incluir essas escolas significaria, necessariamente, excluir
outros tópicos que são muito mais cobrados (porque ainda não podemos inventar mais horas
no dia) – o que, naturalmente, não é estratégico para quem quer passar no vestibular. Então,
sublinhem no quadro aqueles estilos de época que serão tratados e passem para o primeiro
deles, em ordem cronológica: o Romantismo.

Em resumo:

1. "A partir de hoje, vamos estudar literatura brasileira".

2. Ler os poemas brevemente, já chamando antes a atenção para o fato de que serão lidos
dois textos profundamente distintos. 

33
3. Apresentar a tabela da apostila. A partir daí, mostrar que cada porma pertence a um estilo de
época diferente. Com isso, definir "estilos de época".

4. Informar que o estudo de literatura, anunciado no início da aula, consiste, basicamente, em


estudar, em ordem cronológica, cada um dos estilos de época. Mas que não iremos tratar de
todos eles, já que deixaremos de fora quatro escolas: Barroco, Arcadismo, Parnasianismo e
Simbolismo.

5. Dito isso, informar que a aula de hoje tratará do primeiro dos estilos daquela “linha do tempo”
(considerando que o Barroco e o Arcadismo foram excluídos): o Romantismo.
 

Obs para os tutores: É preciso ensaiar (no mínimo, mentalmente) esta introdução para
que o limite de tempo não seja ultrapassado. O caminho para ficar no limite de 10 minutos
não é, nem pode ser, falar correndo e explicar tudo às pressas. O caminho é entrar em sala
sabendo exatamente cada "passo" do roteiro e se programar para passar as informações
em frases claras, diretas e objetivas, concatenadas logicamente. Fazendo isso, 10 minutos
é tempo mais do que suficiente - mesmo - para atingir o objetivo. E dá para fazer em
menos, sem correria, sem atropelos, o que é o ideal. Mas, para isso, é INDISPENSÁVEL
treinar essa primeira parte, de maneira que se chegue a uma formulação suficientemente
concisa e clara ao mesmo tempo.

Nesse sentido, lembrem-se de que o objetivo desta primeira parte é, fundamentalmente,


conceituar estilos de época. Não dá tempo para interpretar os poemas, explicar dúvidas de
vocabulário, etc. Se surgir alguma pergunta nesse sentido, avisem de uma vez para a turma
que não haverá tempo para analisar cada poema, mas que os alunos interessados devem
procurar no dicionário o significado das palavras desconhecidas e levar o resultado da
pesquisa para vocês fora do horário de aula – e então vocês irão esclarecer o sentido do
poema, com base nos significados que os alunos descobriram. E pronto. É realmente
preciso, neste momento, que nós nos atenhamos ao roteiro. E, sobretudo, que essa
primeira etapa seja cumprida sem atropelo, sem pressa, sem correria, de maneira clara e
transparente, mas também sem desvios de rota, fugas do assunto ou aprofundamentos que
fogem do objetivo da introdução da aula.

PARTE 2 – ROMANTISMO: INFORMAÇÕES PRELIMINARES (em torno de 15 minutos)

Informem aos alunos que, antes de entrar no estudo do Romantismo propriamente dito, vocês
vão diferenciar dois conceitos que serão importantes para entender esse estilo de época:
descrição objetiva e descrição subjetiva. 

Um aviso para vocês, tutores: o objetivo disso é deixar mais concreto - e,


consequentemente, mais claro, porque mais palpável - o conceito de  subjetivismo, que
será crucial na exposição sobre a estética romântica. A grande dificuldade do ensino de
literatura para alunos com baixo grau de letramento e escolarização insuficiente é que nós
estamos lidando o tempo todo com relações entre conceitos muito abstratos. Para torna-
los mais concretos, é necessário sempre exemplificar – e, inicialmente, usando exemplos
simples e mais próximos daquilo a que o aluno está habituado. Só assim aqueles conceitos
vão adquirir algum significado real para o aluno (caso contrário, termos como
"subjetivismo" serão apenas palavras vazias, ou, na melhor das hipóteses, o aluno será
capaz de associar a ele ideias excessivamente vagas e insuficientes para a prova de
vestibular). A partir do momento em que conceitos por natureza filosóficos e abstratos
como "subjetivismo" ganharem um significado concreto para o aluno - ou seja, a partir do
momento em que ficar evidente para ele o que significam dizer que "tal texto apresenta
uma perspectiva subjetiva, ou subjetivista" - é que poderemos parar de usar os exemplos
mais básicos, mais concretos, mais próximos da realidade do aluno, e aí sim aplicar esses34
conceitos nas situações e nos contextos em que eles serão de fato cobrados no vestibular. 
Assim, escrevam no quadro dois minitextos (sugestões abaixo), um deles contendo uma
minidescrição objetiva e o seguinte, uma minidescrição subjetiva (ver quadro completo na
seção 2). 

Texto 1: Maria tinha 25 anos, dentes claros e altura mediana.  DESCRIÇÃO OBJETIVA

Texto 2: Maria tinha um ar ingênuo que eu adoro e um sorriso que imediatamente iluminava
todo o ambiente!  DESCRIÇÃO SUBJETIVA

Mostrem que os dois textos podem corresponder à descrição de uma mesma pessoa (ou local,
ou objeto, etc, caso vocês optem por usar outros textos). Expliquem a diferença entre uma
descrição objetiva  e uma descrição subjetiva, deixando muito claro o fato de que a descrição
objetiva procura ser um retrato fiel da realidade, ao passo que a descrição  subjetiva se baseia
na perspectiva, no ponto de vista, nas opiniões, na visão pessoal do indivíduo que está
descrevendo (o sujeito - daí descrição subjetiva, ou seja, baseada uma perspectiva de um
determinado sujeito). 

Em suma, numa descrição objetiva eu descrevo as coisas como elas de fato são  (não vamos
entrar aqui nos milhares de problemas filosóficos por trás dessa afirmação...); numa descrição
subjetiva, eu descrevo a maneira como eu vejo as coisas e como elas me afetam (e a visão de
outra pessoa pode ser muito diferente). 

Não deixem de chamar a atenção para o fato de que o texto de descrição subjetiva acima
tem um verbo flexionado na 1a pessoa do singular ("eu"), mostrando como isso comprova
seu caráter subjetivo (embora, claro, não seja obrigatório para caracterizar uma descrição
como subjetiva).

PARTE 3 – ROMANTISMO: VISÃO GERAL (em torno de 20 minutos)

E o que tudo isso tem a ver com o tema da aula, o Romantismo? Simples: se pegamos um texto
romântico, veremos descrições subjetivas, ou seja, personagens e locais são caracterizados a
partir do ponto de vista do eu-lírico (se for um poema) ou do narrador (se for um texto em
prosa). Por isso, é possível colocar o SUBJETIVISMO como característica central da escola
romântica. Em outras palavras, mostrem que o escritor romântico não se preocupa
propriamente em descrever a realidade (pessoas, objetos, cenas) como elas são; sua
preocupação é, mais propriamente, descrever como ele percebe a realidade, o impacto que
a realidade causa nele, e por isso suas descrições serão subjetivas, impregnadas da sua
percepção, da sua perspectiva pessoal.  Voltem para os minitextos acima, apontem para o
texto 2 e deixem claro: "este aqui seria um exemplo típico de uma descrição no
Romantismo, ou seja, uma descrição marcadamente subjetiva. Então, vou colocar aqui no
quadro, nas características do Romantismo, como característica central, o SUBJETIVISMO". 

Esta parte 3 é a parte mais importante e talvez mais desafiadora da aula, porque é neste
momento que os alunos precisarão verdadeiramente incorporar alguns conceitos abstratos
centrais para a escola romântica. E é sempre complicado lidar com conceitos que exigem

35
capacidade de abstração. Como eu disse anteriormente, para transmitir com eficiência
conceitos abstratos, é preciso torná-los concretos. Através das descrições da "Maria", acima,
nós já tornamos concreto o conceito abstrato SUBJETIVISMO. 

Agora, continuem desenvolvendo o mesmo exemplo para explicar a ideia de IDEALIZAÇÃO.


Perguntem: qual das duas descrições a gente pode ter certeza de que é fiel à realidade, e qual
pode não estar sendo tão fiel? Em outras palavras, se nós tivermos duas pessoas diferentes
descrevendo a Maria, em qual das descrições nós sabemos que elas vão convergir e em qual
elas poderão divergir (ou seja, qual delas é mais pessoal, depende mais da visão da pessoa que
está observando)? Peçam que os alunos imagem uma "Maria" que não tem um sorriso tão
bonito assim e que quase ninguém considera ingênua. Então, diremos que a pessoa que emitiu
o enunciado do texto 2 está IDEALIZANDO a Maria - e expliquem que idealizar equivale
a "construir uma imagem que não corresponde à realidade". Informem, então, que este o
caso do romantismo: os índios mostrados nos poemas são idealizados (índios como aqueles
não existem na verdade no mundo real), a natureza idem (uma natureza tão exuberante e ao
mesmo tempo agradável como aquela retratada nas obras românticas não existe no mundo
real). Deixem muito claro que ideal se opõem a real. Então, quando falamos que "algo é ou
alguém" é idealizado, trata-se de algo ou alguém que não existe na realidade. Este último
ponto será crucial. 

Até aqui, vocês expuseram os conceitos de SUBJETIVISMO e IDEALIZAÇÃO (conforme quadro


em anexo). Agora, vão falar de SENTIMENTALISMO. Voltem para as duas minidescrições e
perguntem: qual delas é mais sentimental? Ficará claro, evidentemente, que é a
segunda (atentar para o recurso da exclamação, de modo a indicar o arroubo sentimental do
enunciador). É natural, afinal de contas, que descrições impregnadas do sentimento do
observador sejam subjetivas. Neste ponto, se quiserem, vocês podem fazer uma tabelinha
(embora eu não tenha proposto a tabelinha no esquema do quadro em anexo):

DESCRIÇÃO 1                  DESCRIÇÃO 2
Objetiva                         Subjetiva
Não-idealizada                Idealizada
Não-sentimental             Sentimental

Neste ponto, retomem, por meio de uma pequena síntese geral, os três abordados até aqui:
SUBJETIVISMO, IDEALIZAÇÃO e SENTIMENTALISMO. RESUMINDO TUDO ISSO: deixem claro
que a descrição 2 - subjetiva, idealizada e sentimental - é o padrão típico da descrição
romântica. Esta última síntese (parcial) é fundamental e deve ser repetida e martelada para os
alunos. 

Por fim, falta apenas explicar a última das "características gerais" do Romantismo: LIBERDADE
FORMAL. Não encontrei na apostila nenhum texto romântico - nem na parte teórica nem na de
exercícios - apropriado para exemplificar esse conceito, de maneira que eu recomendo a
primeira estrofe (para sermos breves) do poema "Jardim de infância" (página 61), com a
ressalva a ser feita aos alunos de que não se trata de um poema romântico e de que o objetivo
é apenas ilustrar o que se entende por LIBERDADE FORMAL. 

Ao final, é preciso repetir, retomar e enfatizar os quatro conceitos que devem ter ficado claros
até aqui: SUBJETIVISMO, IDEALIZAÇÃO, SENTIMENTALISMO E LIBERDADE FORMAL. 

1. Quadro da aula 11
36
ESTILOS DE ÉPOCA

Linha do tempo

Quinhentismo Barrroco Arcadismo Romantismo Realismo Modernismo


Naturalismo
Parnasianismo
ROMANTISMO Simbolismo

1. Informações preliminares

Maria tinha 25 anos, dentes claros e altura mediana.


 Descrição objetiva

Maria tinha um ar ingênuo que eu adoro e um sorriso que imediatamente iluminava todo o
ambiente!
 Descrição subjetiva

2. Características gerais do Romantismo

SUBJETIVISMO

Idealização Sentimentalismo Liberdade


formal

37
aula 12
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (II): ROMANTISMO

1. Roteiro da aula 12
PARTE 1 – INTRODUÇÃO: RETOMANDO PARA PROSSEGUIR (5 minutos)

Usem a introdução apenas para situar esta aula no conjunto de aulas sobre história da
literatura brasileira. Lembrem que, na aula anterior, eles viram uma linha do tempo com os
estilos de época que caracterizam a história literária brasileira; lembrem ainda que, segundo já
foi informado, quatro estilos não serão tratados aqui. Com isso, o primeiro estilo de época a ser
estudado passa a ser o Romantismo.

Lembrem então que, na aula passada, nós tratamos das características gerais do movimento
romântico. Diante disso, informem que esta aula tratará especificamente do Romantismo no
Brasil, isto é, da maneira como o movimento romântico aconteceu na literatura brasileira.

Sobre isso, comecem informando que a literatura romântica brasileira engloba dois tipos de
produção: poesia e prosa (isso deve ser registrado no quadro, conforme “Quadro da aula 12”,
em anexo). Na sequência, informem que especificamente a poesia romântica brasileira, ao ser
estudada, é tradicionalmente dividida em três gerações de poetas: a 1ª geração, a 2ª geração e
a 3ª geração (isso deve ser acrescentado ao quadro, conforme “Quadro da aula 12” em anexo).

Isso permite, então, apresentar o tema e o objetivo desta aula: estudar a primeira e a segunda
gerações da poesia romântica brasileira. O que significa que a 3ª geração da poesia e a prosa
romântica ficarão para a próxima aula.

Informem então que, para organizar melhor as ideias, o estudo de cada geração será feito a
partir de três grandes perguntas norteadoras: (para que todos possamos nos organizar melhor):

1 – Quais são os temas principais dessa geração?


2 – Como se manifesta a característica da IDEALIZAÇÃO nessa geração?
3 – Como se manifesta a característica do SENTIMENTALISMO nessa geração?

Essas perguntas devem ser registradas no quadro (ver “Quadro da aula 12” em anexo).

PARTE 2 – POESIA ROMÂNTICA: PRIMEIRA GERAÇÃO (em torno de 20 minutos)

38
Esta é a parte mais tradicional na aula. Trata-se de passar pela primeira geração da poesia
romântica. Informem aos alunos que a poesia romântica se divide em três gerações,
explicando que: (i) por um lado, entre elas, há diferenças temáticas, ou seja, os assuntos
típicos da produção de uma geração são diferentes dos de outra (sempre que derem essas
explicações genéricas, mencionem, de maneira bem breve e informal, exemplos concretos
para que eles entendam do que nós estamos falando: "por exemplo, uma vai falar muito sobre
o Brasil e o índio, enquanto a outra geração vai escrever muito sobre a morte); (ii) por outro
lado, há características estéticas comuns às três gerações. Lembre que nesta aula vocês falarão
apenas das duas primeiras gerações, de modo que a terceira ficará para a próxima aula. 

Expliquem que a estratégia consistirá em pegar sempre duas das características vistas na seção
anterior – IDEALIZAÇÃO e SENTIMENTALISMO – e mostrar de que maneira cada uma delas se
manifesta em cada geração. (Ver quadro completo na seção 2.) Portanto, para as 3 gerações
(lembrando que apenas a primeira é tema desta aula), o caminho é o mesmo:

1 - Informar quais são os temas principais da geração;


2 - Informar como se manifesta a idealização na geração;
3 - Informar como se manifesta o sentimentalismo na geração.

Antes de entrarem na primeira geração, informem as alunos que esse será o modo de
exposição – temática da geração, manifestação da idealização, manifestação do
sentimentalismo – porque isso os ajuda a organizar (e, consequentemente, a assimilar) o
conteúdo que virá a seguir.

Depois de explicarem esses três itens para a primeira geração, escrevam no quadro os trechos
de poemas a título de ilustração, lendo os fragmentos com os alunos e mostrando de que
maneira esses fragmentos ilustram cada um dos três aspectos abordados (ver quadro
completo na seção 2). Observem que o primeiro trecho ilustra a temática indianista e a
idealização do índio; o segundo (será necessário contextualizar rapidamente) ilustra a temática
nacionalista e a idealização da pátria. Ambos ilustram uma perspectiva subjetivista – em
termos de marcas formais (isso é sempre MUITO importante), atentar para a exclamação no
primeiro trecho e a primeira pessoa no segundo trecho. 

PARTE 3 – POESIA ROMÂNTICA BRASILEIRA: 2ª GERAÇÃO (em torno de 25


minutos)

2. Quadro da aula 12
Observação: notar que o quadro da aula 12 é continuação do quadro da aula 11.

ROMANTISMO

3. Tipos de textos
 Poesia (1ª geração, 2ª geração e 3ª geração)
 Prosa

39
4. Poesia romântica

 Três gerações: 1ª, 2ª e 3ª

 Três perguntas norteadoras para entender cada geração

1 – Quais são os temas principais dessa geração?


2 – Como se manifesta a característica da IDEALIZAÇÃO nessa geração?
3 – Como se manifesta a característica do SENTIMENTALISMO nessa geração?

A. Primeira geração

Temática central: nacionalismo, indianismo

 Idealização: da pátria (natureza exuberante); do índio (honrado e corajoso).

 Sentimentalismo: em relação à pátria e ao índio

“Pois não, era um bravo;


Valente e brioso, como ele não vi!”

“Não permita Deus que eu morra


Sem que eu volte para lá
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá”

B. Segunda geração (Ultrarromantismo)

Temática central: sentimentos do eu-lírico; pessimismo, sofrimento, desejo de morrer

 Idealização: do amor (amor não-realizado); da mulher (virgem, pura, angelical), da infância


(época perfeita)

 Sentimentalismo: em relação à vida e aos amores impossíveis (fonte de sofrimento)

“Não te rias de mim, meu anjo lindo!


Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei dormindo”

“Mas essa dor da vida que devora


(...)
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!”

“Ai, que saudades que tenho


Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais”

40
OBS – Natureza sombria, gosto pela noite

“Na minha terra


Amo o vento da noite sussurante
A tremer nos pinheiros”

aula 13
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (III): ROMANTISMO

1. Roteiro da aula 13
PARTE 1 – INTRODUÇÃO: RETOMANDO PARA PROSSEGUIR (5 minutos)

Usem a introdução apenas para situar esta aula no conjunto de aulas sobre história da
literatura brasileira. Lembrem que, duas aulas atrás, os alunos viram uma linha do tempo com
os estilos de época que caracterizam a história literária brasileira; lembrem ainda que, segundo
já foi informado, quatro estilos não serão tratados aqui. Com isso, o primeiro estilo de época a
ser estudado passa foi o Romantismo.

Nesse momento, lembrem que o Romantismo brasileiro engloba tanto poesia quanto prosa, e
que a poesia é normalmente dividida em três gerações. Lembrem que a primeira e a segunda
gerações da poesia romântica já foram estudadas. Com isso, definam o foco desta aula: a 3ª
geração da poesia romântica e a prosa.

PARTE 2 – POESIA ROMÂNTICA BRASILEIRA: 3ª GERAÇÃO (em torno de 20


minutos)

Neste momento, é preciso relembrar uma informação da aula anterior, a saber, que todas as
três gerações românticas serão estudadas a partir das mesmas três perguntas norteadoras,
para que todos possamos nos organizar melhor. Lembrar quais são essas perguntas. Em
seguida, partir para a 2ª geração.

Aplicando o mesmo procedimento das três perguntas para a segunda geração, digam qual é a
temática central (conforme quadro completo, na seção 2) e como se manifestam nessa
geração os princípios românticos da idealização e do sentimentalismo. Uma vez mais,
exemplifiquem escrevendo no quadro, e analisando, os fragmentos que aparecem na seção 2.
Depois de explicar esses três itens, acrescentem a questão do gosto do poeta de segunda
geração pela lado sombrio da natureza: a noite, a escuridão, as tempestades, as rajadas de
vento. Expliquem que isso não é gratuito: está diretamente ligado à temática do sofrimento,
marca da segunda geração romântica (retomo esse ponto daqui a dois parágrafos).

O primeiro fragmento ilustra o fato de que o tema são os próprios sentimentos do eu-lírico, seu
sofrimento (em oposição a tomar como tema a pátria ou o índio). Mostra também a idealização
da mulher (referida como "anjo") e do amor (que claramente não é realizado). O fundamental é
mostrar aqui que o amor, na segunda geração, nunca está no plano da realidade. Ele é

41
ideal exatamente porque não é real, ou seja, não se concretiza. Fica apenas no plano da
imaginação. Atentem para o segundo verso, que deixa claro esse aspecto fundamental: a
não-concretização do amor (ou idealização amorosa).  Não é à toa que a mulher é tratada
como "anjo", termo que remete a pureza, inocência. Acontece que o amor não pode ser
consumado exatamente porque isso corresponderia a macular essa inocência. Por fim,
o primeiro fragmento exemplifica ainda a postura exacerbada, dramática mesmo, em relação
aos próprios sentimentos (aqui, chamar atenção para o excesso de exclamações,
comprovando a exacerbação sentimental, ou seja, o sentimentalismo exagerado). 

O segundo fragmento é útil para mostrar outro aspecto fundamental da segunda geração: a dor
de existir, a visão da existência como uma experiência de dor, de sofrimento. E, como
consequência disso, o desejo de morrer. Por fim, o último fragmento ilustra a idealização da
infância, vista como época idílica, perfeita (evidentemente, também essa idealização da
infância é consequência da dor que o poeta sente no presente).

PARTE 3 – PROSA ROMÃNTICA (em torno de 25 minutos)

A prosa romântica deve (infelizmente) ser vista rapidamente por conta daquela razão
pragmática de sempre: é menos cobrada nos vestibulares que a poesia - e, como eu já disse,
mesmo quando é cobrada, na maioria das vezes trata-se de aspectos gerais da escola
romântica, e não de especificidades da produção em prosa. É por isso que esta exposição será
bastante sumária. 

Informem, e registrem no quadro (ver quadro completo na seção 2), que os romances
românticos  podem ser agrupados em 3 categorias: urbanos, indianistas e nacionalistas.
Comentem que o maior romancista do nosso Romantismo  foi José de Alencar - o único a se
dedicar àquelas 3 categorias. 

Conceituem brevemente cada um dos 3 tipos, de modo a distingui-los. Nos romances urbanos
e regionalistas, o enredo se passa no presente, mas em espaços distintos: de um lado, a
capital, a corte (Rio de Janeiro); de outro, o Brasil rural, do interior (o "Brasil profundo"), de
sotaques e hábitos "exóticos", desconhecidos do brasileiro da capital. Nos romances
indianistas, o tempo é outro - o passado remoto - e o herói é o índio, sempre idealizado e
alçado à condição de símbolo da nacionalidade. Registrem essas informações em uma tabela
(ver quadro completo na seção 2). 

O mais importante da tabela, porém, é a coluna das "observações". Nos romances urbanos, é
importante chamar a atenção para as referências a lugares conhecidos do leitor, de maneira a
acrescentar à narrativa a pitada de "cor local". Além de gerar identificação ("eu conheço esse
lugar, já estive lá!"), a ênfase na “cor local” é coerente com a orientação geral da escola
romântica. No caso do indianismo, chamar a atenção para idealização tanto do índio (bravo,
moralmente inabalável) quanto da natureza (exuberante, deslumbrante). Quanto aos romances
regionalistas, informem que eles apresentam ao brasileiro da capital um Brasil desconhecido
para eles (paisagens, variantes linguísticas, trajes, hábitos, etc.), ajudando, assim, a cumprir o
papel – típico da escola romântica – de criar um sentimento de nacionalidade.

No momento de explicar a tabela, citem de passagem exemplos concretos de romances que se


encaixam em cada uma das categorias, fazendo referência aos títulos, nomes de personagens,
local onde o romance se passa ou outras informações relevantes – tudo isso apenas a título de
exemplificação, para tornar mais concreta a explicação das características da prosa romântica.

2. Quadro da aula 13

C. Terceira geração (Castro Alves)

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Temática central: luta contra a escravidão

 Idealização: do escravo (puro, forte, lutador, heroico)

 Sentimentalismo: em relação à condição do negro

“Ontem simples, fortes, bravos. 


Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão.”

“Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! 


É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... 
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!” 

OBS 1 – Tom de oratória: espaços amplos; hipérboles; frases exclamativas.

“Embaixo — o mar em cima — o firmamento... 


E no mar e no céu — a imensidade!”

OBS 2 – Poesia lírica: mulher de carne e osso (sem idealização)

“Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...


Não me apertes assim contra teu seio.”

RESUMO: POESIA ROMÂNTICA

GERAÇÃO TEMÁTICA OBSERVAÇÃO


1ª Nacionalismo, Idealização
indianismo (exaltação)
2ª Amor não- Natureza
realizado, sombria e
sofrimento violenta
3ª Libertação dos - Linguagem de
escravos oratória.
- Menos
idealização da
mulher

5. Prosa romântica

- Urbanos
Três tipos - Indianistas
de romances - Regionalistas
TIPO DE FOCO OBSERVAÇÃO
ROMANCE
Urbano Vida na corte Cor local
(Rio de
Janeiro)
Indianista Passado Idealização do
histórico índio e
43
nacional da natureza
Regionalista Brasil rural Construção
de identidade
nacional
aula 14
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (IV): EXERCÍCIOS
SOBRE ROMANTISMO
Esta aula é inteiramente dedicada à revisão e fixação do conteúdo ROMANTISMO por meio
da resolução de exercícios.

Como sempre, o tutor deve resolver questões de vestibular junto com a turma, aproveitando o
momento da resolução conjunta de questões para relembrar/ revisar o conteúdo, fixando as
ideias mais importantes. Ao mesmo tempo, esse momento deve servir também para que o tutor
ensine o aluno como resolver uma questão de vestibular. Para isso, é preciso ler e interpretar o
enunciado junto com a turma, destrinchar a questão, explicar exatamente o que está sendo
pedido (e como você, tutor, sabe disso), etc.

O tutor deve selecionar as questões de vestibular do capítulo 2 (módulo 2) que mais


diretamente dialogam com as aulas teóricas sobre Romantismo ministradas até então (porque
serão essas as questões que melhor permitirão a fixação dos conteúdos ensinados).

44
aula 15
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (V):
REALISMO E NATURALISMO
1. Roteiro da aula 15

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

Na introdução, lembrem que, na aula anterior, concluiu-se o estudo do Romantismo, de


maneira que agora vocês avançarão para a chamada “época realista”, que reúne três estilos: o
Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo. Informem que esta aula tratará apenas das duas
primeiras escolas. Expliquem que elas se distinguem do Parnasianismo por envolver produção
em prosa (contos e romances), ao passo que este diz respeito a produção poética.

Para estudar o Realismo e o Parnasianismo, é  preciso retomar o ponto principal do


Romantismo: o subjetivismo. O que significa afirmar que os textos românticos são, de modo
geral, subjetivos? Significa afirmar que não há um compromisso com a realidade objetiva. O
narrador ou eu-lírico retrata a realidade da forma como ele a enxerga, e não da forma como ela
se apresenta de fato. Como consequência, o que se tem é uma realidade distorcida. Nesse
sentido, basta lembrar de duas coisas: (i) os personagens idealizados (mulheres perfeitas,
índios irretocáveis em todos os aspectos - bravos, moralmente inabaláveis...) retratados na
literatura romântica, e (ii) a natureza idílica retratada nessa mesma literatura. Esses dois pontos
evidenciam que a realidade retratada na literatura romântica é  distorcida, idealizada. E isso é
consequência de uma postura SUBJETIVA, segundo a qual a realidade não é mostrada
objetivamente, "como ela é", e sim a partir de uma perspectiva determinada capaz de distorcê-
la. 

Depois disso, informar que Realismo e Naturalismo são diametralmente opostos ao


Romantismo precisamente por sua adesão ao OBJETIVISMO. Ou seja, nesses dois casos, a
ideia é  retratar fielmente realidade, mostrando como ela é  de fato, e jamais distorcê-la e
idealizá-la. A partir daí, é possível explorar um pouco mais detalhadamente o Realismo e o
Naturalismo. 

PARTE 2 – O REALISMO (em torno de 25 minutos)

Depois de colocar no quadro o título Realismo (ver quadro completo na seção 2), a ideia é ir
montando, ao longo da explicação, o esquema da página 39, primeira coluna. A noção de

45
OBJETIVISMO já estará suficientemente clara, por conta da introdução. Informem que, a partir
da postura objetivista, é possível derivar três características típicas do texto realista: o
DETALHISMO, a CRÍTICA ÀS INSTITUIÇÕES BURGUESAS e a ANÁLISE PSICOLÓGICA.
Mas o que cada uma dessas características tem a ver com a postura objetivista diante da
realidade?

Detalhismo é o gosto por descrições detalhadas, minuciosas, que não deixam nada de
fora. Ora, quanto mais detalhes uma determinada descrição incorporar, mais a imagem
descrita se aproximará da cena real. Digamos que eu esteja descrevendo um quarto e que haja
uma micro mancha amarela na parte superior esquerda da parede da janela. Se eu omito essa
mancha da minha descrição, então, em alguma medida, ainda que minimamente, eu já estou
me distanciando da realidade "como ela é" e deixando uma opção pessoal minha (a omissão
de uma informação) distorcê-la. Nesse sentido, o detalhismo - recurso estético que consiste em
apresentar descrições excessivamente detalhadas - reflete a intenção realista de apresentar a
realidade exatamente como ela é – em outras palavras, a intenção de ser o mais fiel possível à
realidade. Isso pode ser ilustrado claramente com o parágrafo do Flaubert que aparece na
segunda coluna da página 38. Leiam com os alunos e rapidamente chamem a atenção para a
profusão de detalhes, destacando-os.

No que diz respeito á crítica às instituições burguesas, observem que os textos realistas
usualmente voltam suas baterias contra duas instituições: a família e a igreja – revelando a
hipocrisia e a corrupção que se escondem por trás de um discurso moralista e de intenções
supostamente nobres. E o que isso tem a ver com objetivismo? Ora, basta lembrar que, num
texto romântico, a realidade e  os personagens são quase sempre idealizados. Aqui, ao
contrário, trata-se de ver o mundo e as pessoas como eles, na verdade, são: decadentes,
corruptos, cheios de defeitos. Para ilustrar, leiam e comentem brevemente o fragmento do Eça
de Queirós que aparece na página 39, coluna 1. 

Com base no mesmo texto, chamem atenção para outra característica da prosa realista: a
análise psicológica dos personagens.  Analisar psicologicamente os personagens significa
entrar na cabeça deles e  revelar o que vai nos seus pensamentos: desejos, interesses, visão
de mundo, etc. No Realismo, trata-se de um recurso que permite evidenciar os conflitos
morais de personagens divididos entre a virtude (atitudes nobres, moralmente corretas)
e o vício (atitudes hipócritas, gananciosas, etc.). Via de regra, coerentemente com a
postura de crítica às instituições sociais burguesas, o que se revela nessa análise é  que o vício
derrota a virtude – em outras palavras, revelam-se pessoas cheias de defeitos, corruptíveis,
interesseiras, hipócritas, etc (o oposto, logo se vê, dos personagens idealizados do
Romantismo). Isso também fica bastante evidente no fragmento do Eça de Queirós da página
39, coluna 1, conforme análise logo abaixo. 

Aqui, apresentei algumas explicações razoavelmente extensas apenas para que os pontos
e as relações ficassem claras para vocês, tutores. Na aula, evidentemente, vocês
precisarão ser muito objetivos. Por isso, em termos de exposição do conteúdo, vale o que
eu já comentei em outros roteiros de aulas  de literatura: é preciso ter a aula ensaiada
para falar tudo de maneira absolutamente breve e  objetiva e, ainda assim, clara.
Certamente, é possível. Na primeira parte de Realismo, informem de imediato as três
características relacionadas ao objetivismo, definam brevemente cada uma delas
mostrando por que estão associadas à postura objetivista e  ilustrem com a leitura e
análise sucinta, sumária mesmo, dos aspectos relevantes dos textos mencionados.

PARTE 3 – O NATURALISMO (em torno de 30 minutos)

Aqui, a ideia é montar o esquema da página 41, primeira coluna, ao longo da explicação.
Depois de registrar no quadro o título Naturalismo (ver quadro completo na seção 2), comecem

46
a desenhar o esquema tomando como ponto de partida o conceito de CIENTIFICISMO.
"Cientificismo" vem de "científico", que por sua vez vem de "ciência". Para simplificar, podemos
dizer que adotar uma postura cientificista implica incorporar teorias científicas na prosa
naturalista. No fundo, trata-se de representar a realidade da forma como a ciência diz que a
realidade é. Em um sentido, o objetivo é o mesmo do Realismo: retratar fielmente a realidade.
Mas, nesse caso, confia-se na ciência para se alcançar esse objetivo. Afinal, para retratar a
realidade fielmente, precisamos conhecê-la, saber como ela é. E os naturalistas entendem que,
para saber com a realidade é, temos que olhar para as descobertas científicas, temos que
saber o que a ciência diz. Nesse sentido, o ponto fundamental do Naturalismo é o
cientificismo: essa crença cega no – e valorização absoluta do – saber científico. Ser
cientificista, em suma, é acreditar que a ciência, ou o conhecimento científico, é o saber
que dá acesso à realidade.
 
Ok, a prosa naturalista incorpora o saber científico. Mas, especificamente, que saberes? De
quais ciências? Especificamente, duas teorias científicas muito em voga na época são
evocadas e se manifestam nos romances naturalistas: o Determinismo (uma teoria que,
embora tenha chegado a gozar de grande prestígio no século 19, já foi rejeitada e   abandonada
há tempos) e o Darwinismo (que até hoje é aceito e reconhecido pela comunidade científica).
Registrar essas duas correntes no esquema, conforme diagrama da página 37.

Isso posto, explicar em que consiste o Determinismo e, em seguida, mostrar como suas
premissas aparecem na literatura naturalista. Para isso, leiam com os alunos a sequência de
três parágrafos que aparecem na página 39, segunda coluna, que traçam a trajetória da
personagem Pombinha, de "O Cortiço". 

Em seguida, partam para o Darwinismo. O grande (enorme) impacto do trabalho de Charles


Darwin para a sociedade da época reside na mudança de perspectiva que ele produz em
relação à forma como o ser humano enxerga a si mesmo. Até então, o homem se via como um
ser superior a todos os demais animais: uma coisa eram os animais, outra coisa,
qualitativamente diferente, era o homem. Darwin fere o orgulho do ser humano ao mostrar que
nós somos tão animais quanto o cachorro, o leão, o mosquito, etc. Quer dizer, não há uma
linha divisória clara entre o ser humano e  o restante do assim chamado reino animal.
Subitamente, o homem deixa de se ver como um ser superior eevoluído para se perceber como
um animal como outro qualquer. É essa mudança de perspectiva produzida pela ciência de
Charles Darwin que aparece refletida com muita clareza na literatura naturalista. 

Na prática, isso significa o seguinte: o escritor naturalista irá enfatizar o lado animal do
homem. Porque esse é o lado que estava escondido e que o trabalho de Darwin revela. Nesse
momento, seguindo o esquema da página 37, vocês podem puxar uma seta de "Darwinismo"
e registrar "Animalização do homem". Essa animalização aparece de duas formas diferentes: (i)
por um lado, no vocabulário utilizado (o escritor usa, para se referir a seres humanos, termos
tipicamente usados para os animais-não-humanos); (ii) por outro lado, na ideia de que o
homem - assim como os ditos "animais irracionais" - age muito mais movido pelos desejos
e instintos mais básicos de sobrevivência (fome, sede, apetite sexual) do que movido pela
razão, pelo intelecto, pelo bom senso, pelo senso de moralidade e justiça. Nesse sentido,
enfatiza-se - em conformidade com a lição deixada por Darwin - a proximidade entre o animal
humano e os demais animais, e a ideia de que, afinal de contas, não somos tão "racionais"
assim. O primeiro ponto pode ser ilustrado com os dois primeiros fragmentos da página 40,
primeira coluna. Aqui, chamar a atenção para o léxico usado para referir-se a seres humanos:
"animais fortes", "patas", fêmea", "fuça", "coice", "ancas". O segundo ponto pode ser ilustrado
com o terceiro fragmento dessa mesma página e coluna. Aqui, observa-se que Miranda é 
guiado pelos seus instintos (neste caso, o apetite sexual) e acaba agindo impulsivamente, e
não racionalmente - tem, portanto, um comportamento de "animal irracional”, e não de "ser
humano" no sentido de criatura superior e evoluída que nos acostumamos a associar a essa
expressão.

Com essas explicações e  esses exemplo, fica bem estabelecido, portanto, que, na literatura
naturalista, o homem é tratado como animal – mais especificamente, como um animal irracional
como outro qualquer. Essa animalização do homem acaba gerando duas outras características
do Naturalismo: preferência por retratar as classes baixas e atração pelas grandes

47
aglomerações humanas. O que essas duas coisas têm a ver com a animalização? Quanto às
classes baixas, elas são vistas (com boa dose de preconceito, é evidente) como menos
civilizadas, menos refinadas, menos "banhadas" (ou não "banhadas" em absoluto) pelo verniz
de cultura, de civilização, que (ilusoriamente) afastaria o homem do seu estado primitivo ou
natural. Nesse sentido, essas classes populares estariam mais próximas do estado selvagem,
primitivo, natural ou animalesco que tanto interessa ao naturalista retratar. 

Quanto às grandes aglomerações, elas reforçam a ideia de desumanização. Explicando


esse ponto: cada homem ou mulher não é visto na sua individualidade, com seus desejos, seus
planos e seu livre-arbítrio; em vez disso, tudo se passa como se cada indivíduo fosse parte de
um grande exército organizado, ou, ainda, partes de um grande corpo único que reagem
juntas e de forma articulada, coordenada. Nesse sentido, os indivíduos perdem, propriamente,
sua individualidade e, por isso, sua humanidade – tornam-se autômatos, mais próximos do
animal (que reage por instinto) do que do "homem racional iluminista" (que age por iniciativa
própria e exerce sua liberdade de escolha). 

Finalmente, comentem a questão da objetividade, registrando no quadro o último ponto do


esquema. Comentem que a objetividade é  um ideal do trabalho científico; afinal, o cientista
tem a pretensão de conhecer a realidade tal como ela é. Nesse sentido, ele faz (ou deveria
fazer de tudo) para não deixar suas próprias crenças, expectativas e preconceitos
influenciarem a maneira como os fatos são compreendidos e interpretados. Na prosa
naturalista, isso se reflete em uma narração tipicamente em 3ª pessoa: trata-se de um
observador isente, distanciado dos fatos, que não interfere neles.

Mais uma vez, vocês precisarão ser objetivos. Cada um dos aspectos pontuados
acima terá de ser contemplado em quatro ou cinco frases bem diretas, claras e
objetivas. O segredo aqui não é falar rápido, mas falar pouco – no sentido de passar a
informação em poucas frases, claramente concatenadas e capazes de dar o recado.

Daí a necessidade de preparação prévia. Não dá, infelizmente, para divagar, refletir,
etc, e muito menos para fazer rodeios. A cada momento, é preciso ir direto ao ponto. É
preciso ser linear.

2. Quadro da aula 15
A ÉPOCA REALISTA (Realismo + Naturalismo + Parnasianismo)

Principal característica: OBJETIVISMO

1. REALISMO

OBJETIVISMO

Detalhismo Análise Crítica às


psicológica instituições
sociais
burguesas

2. NATURALISMO

CIENTIFICISMO
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Gosto pelas
Animalização aglomerações
Preferência pelas
Darwinismo
do homem Determinismo
humanas
classes baixas Objetividade
aula 16
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (VI): VANGUARDAS
ARTÍSTICAS EUROPEIAS DO
INÍCIO DO SÉCULO XX

1. Roteiro da aula 16

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (no máximo, 10 minutos)

Começar relembrando que nós já percorremos um longo caminho no estudo cronológico da


literatura brasileira. Recoloquem no quadro a linha do tempo da literatura brasileira, lembrando
que os alunos já têm isso copiado no caderno (ver quadro completo na seção 2). Com isso,
mostrem que falta apenas uma escola, o Modernismo, para concluir esse trajeto.

É neste momento que vocês apresentam o objeto da aula. Expliquem que, nas três primeiras
décadas do século 20, surge na Europa uma profusão de movimentos artísticos (ligados a artes
diversas: pintura, escultura, literatura, etc.) – deixem claro que foi um período de incrível
efervescência artística. Informem que esses movimentos são referidos coletivamente como
vanguardas europeias.

Expliquem que, como conjunto, as vanguardas são marcadas: (i) pela crítica radical à tradição
artística, ou seja, às manifestações artísticas anteriores e (ii), consequentemente, pela tentativa
de revolucionar a arte, o que confere a elas um forte espírito de inovação e experimentação.

Para fechar a introdução, enumerem no quadro os movimentos de vanguarda que serão


estudados: futurismo, cubismo, expressionismo, dadaísmo e surrealismo. (Ver quadro completo
na seção 2).

Por fim, expliquem que há dois ótimos motivos para estudar essas vanguardas. Em primeiro
lugar, entendê-las é fundamental para compreender o Modernismo brasileiro – na medida em
que muitos dos elementos típicos dessas manifestações influenciam o modernismo brasileiro.
Além disso, há uma questão mais pragmática, que deve ser enfatizada: há boas chances de as
vanguardas europeias serem cobradas no Enem.

PARTE 2 – AS VANGUARDAS (em torno de 45 minutos)

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A estrutura da aula é simples. Vocês irão apresentar cada uma das seis vanguardas
informando: nome, marco inicial (ano), arte predominante, principais nomes e, claro, o mais
importantes, principais características. Claro que o marco inicial serve apenas para situar
minimamente o aluno – na prática, nós sabemos, muitas vezes é impossível delimitar o início
de um movimento artístico. Isso é mais fácil no caso de movimentos organizados e
autoconscientes desde o início como o Futurismo, mas em outros casos – e aqui o exemplo
mais típico é o Expressionismo –, a data se torna largamente arbitrária.

Todas essas informações serão registradas, com o decorrer da aula, em uma grande tabela
(ver quadro completo na seção 2). No momento em que explicarem as principais características
de cada movimento, ilustrem cada ponto com os exemplos da apostila. Por exemplo, para
ilustrar premissas do Futurismo como a exaltação da máquina e da velocidade, a postura
violenta e a recusa radical da tradição, destaquem brevemente trechos (bem curtos) do
Manifesto do Futurismo que deixem esses pontos bastante explícitos, evidente. Alguns trechos
já aparecem destacados no próprio texto explicativo da apostila. Por outro lado, em se tratando
de Futurismo, é importante não ficarmos apenas nos manifestos; sendo assim, chamem a
atenção também para a composição do quadro Dinamismo de um automóvel.

De resto, o procedimento é o mesmo em todos os casos. No caso do Cubismo, para citar mais
um exemplo, há na apostila duas imagens que ilustram à perfeição as características que serão
registradas na tabela. Além disso, a própria explicação dessas imagens já consta da apostila,
onde há uma brevíssima análise que chama a atenção para as características relevantes. O
mesmo vale para as demais escolas de vanguarda.

Por fim, chamo a atenção para o fato de que esta é uma aula especialmente corrida. Mais do
que nunca, será necessário que vocês ensaiem a aula com antecedência (no mínimo,
mentalmente), de modo a poder calcular com precisão o tempo destinado a cada vanguarda. A
orientação é a mesma de sempre: jamais deem uma aula afobada, atropelada; não falem
correndo. O segredo é ser direto, claro e objetivo: frases objetivas, curtas e imediatamente
compreensíveis. Para conseguir formular o conteúdo dessa maneira, sem rodeios, é preciso
praticar antes.

2. Quadro da aula 16

AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS EUROPEIAS

 Contextualização: 3 primeiras décadas do século 20

 Características básicas:
- Recusam a tradição artística (contestação)
- Propõem uma arte radicalmente nova (inovação, experimentalismo)

MOVIMENTO DE MARCO ARTE PRINCIPAIS PRINCIPAIS


VANGUARDA INICIAL PREDOMINANTE NOMES CARACTERÍSTICAS

Futurismo 1909 Literatura Felippo Marinetti - Recusa à tradição

Pintura - Exaltação da vida


moderna, da máquina e
da velocidade

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- Agressividade e
violência

Cubismo 1907 Pintura Pablo Picasso - Fragmentação e


multiplicação dos pontos
de vista

- Formas naturais
representadas por meio
de formas geométricas

Expressionismo 1905 Pintura Edvard Munch - Realidade como


(precursor) projeção da interioridade
do sujeito

- Sentimentos sombrios:
medo, angústia,
ansiedade, dor

- Imagens distorcidas e
exageradas

- Cores fortes e
contrastantes

- Pinceladas rápidas e
vigorosas

Dadaísmo 1916 Artes plásticas Marcel Duchamp - Postura iconoclasta e


questionadora
Tristan Tzara
- Ilogismo

- Gratuidade da arte

- Profunda rejeição à arte


tradicional

- Dessacralização da obra
de arte

- Humor, sarcasmo

- Técnica do ready-made

Surrealismo 1924 Pintura Salvador Dalí - Negação do


conhecimento racional
Joan Miró sobre a realidade

- Valorização do sonho,
do inconsciente, das
alucinação e das
fantasias

51
aula 17
LITERATURA BRASILEIRA (VII):
EXERCÍCIOS SOBRE REALISMO,
NATURALISMO E
VANGUARDAS EUROPEIAS
Esta aula é inteiramente dedicada à revisão e fixação dos conteúdos REALISMO,
NATURALISMO e VANGUARDAS ARTÍSTICAS EUROPEIAS por meio da resolução de exercícios.

Como sempre, o tutor deve resolver questões de vestibular junto com a turma, aproveitando o
momento da resolução conjunta de questões para relembrar/ revisar o conteúdo, fixando as
ideias mais importantes. Ao mesmo tempo, esse momento deve servir também para que o tutor
ensine o aluno como resolver uma questão de vestibular. Para isso, é preciso ler e interpretar o
enunciado junto com a turma, destrinchar a questão, explicar exatamente o que está sendo
pedido (e como você, tutor, sabe disso), etc.

O tutor deve selecionar na apostila as questões de vestibular sobre os tópicos acima que mais
diretamente dialogam com as aulas teóricas ministradas até então (porque serão essas as
questões que melhor permitirão a fixação dos conteúdos ensinados).

Realismo e Naturalismo: questões localizadas no capítulo 3 (módulo 2)


Vanguardas europeias: questões localizadas no capitulo 5, grupo 5 (módulo 2)

52
aula 18
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (VIII)
MODERNISMO BRASILEIRO:
contextualização histórica
(INTRODUÇÃO E 1ª FASE)
1. Roteiro da aula 18

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

O objetivo desta introdução é tão-somente retomar a linha do tempo com as escolas literárias a
fim de situar os alunos. Mostrem que estudamos o parnasianismo e o simbolismo. Na linha do
tempo, mostrem que há um período de transição entre essas escolas e o Modernismo,
chamado de Pré-modernismo. Informem que isso não será ensinado porque as características
específicas desse período (que nem chega a se constituir como uma escola - é mais um
período literariamente sincrético de transição mesmo, com forte convivência entre tendências
inovadoras e conservadoras) raramente são cobradas no vestibular. Informem, assim, que,
depois desse período de transição, entramos na última escola literária a ser estudada, o
Modernismo. Enfatizem sempre que Romantismo e Modernismo são os estilos de época
mais cobrados nos vestibulares. 

PARTE 2 – APRESENTAÇÃO GERAL (em torno de 5 minutos)

Esta parte da aula destina-se meramente a apresentar as datas de referência para situar


temporalmente o Modernismo, subdividindo-o em suas diferentes fases. Trata-se de registrar
que o Modernismo se inicia em 1922, com a Semana de Arte Moderna, e
informar brevissimamente, registrando no quadro, que a data de fim do Modernismo não é
consensual: para alguns autores, já ultrapassamos essa escola e estamos no Pós-modernismo;
para outros, ainda vivemos o Modernismo. Deixar claro que essa polêmica não tem
absolutamente nenhuma relevância para o vestibular. Em seguida, registrar as subdivisões,
com a 1a fase de 1922 a 1930 e a 2a fase de 1930 a 1945. Informar que, a partir desse
momento histórico, há divergência entre os autores. Então, basta registrar no quadro até aí. 

53
PARTE 3 – MODERNISMO BRASILEIRO: PRIMEIRA FASE OU FASE HEROICA +
QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 45 minutos)

Aqui, é preciso marcar bem clara, direta e objetivamente as duas linhas-de-força da estética
modernista  de primeira fase: o antipassadismo e o nacionalismo crítico.

Começando pelo antipassadismo, é preciso explicar o nome (crítica às escolas anteriores, ou


seja, ao passado / tradição literária) e mostrar que essa postura se caracteriza por inovações
radicais, tanto no conteúdo quanto na forma. Essa informação deve ser registrada no quadro
(ver quadro completo na seção 2).

Quanto ao conteúdo, é preciso enfatizar a questão da incorporação da temática cotidiana, ou


seja, a possibilidade, conquistada pelos modernistas, de tomar como temas literários
acontecimentos banais, cotidianos, triviais.  Para ilustrar isso, leiam com a turma o poema
"Camelôs", do Manuel Bandeira, que se encontra na página 70, coluna da esquerda. Não se
detenham longamente sobre ele, porque infelizmente não há tempo para isso: o fundamental é
chamar a atenção para o fato de que ele retrata uma situação banal, qual seja, camelôs
anunciando e vendendo seus produtos (é claro que, disso, o Bandeira extrai um lirismo
impressionante, mas isso não vem ao caso aqui). Chamem a atenção para o título, para o
detalhamento da cena (com a enumeração de diversos brinquedos, suas características, seu
movimentos) e para a fala do camelô, de modo a concluir que, de fato, a matéria-prima da
poesia, aqui, é um acontecimento absolutamente corriqueiro. Lido esse poema, esta lição
precisa ser repetida de modo direto e objeto, precisa ser resumida, enfatizada; precisa, em
suma, ser fixada pelo aluno: a grande inovação dos modernistas, no que tange ao
conteúdo, diz respeito à incorporação de temas cotidianos, corriqueiros, à poesia.

Em seguida, vocês passarão para o tópico referente às inovações na forma (ainda dentro do
tema maior do antipassadismo). Aqui, é preciso pontuar diversos aspectos: frases nominais;
ausência de conectores; humor; registro coloquial; paródia; presença de neologismos (criação
de palavras); versos livres e brancos. 

Para os dois primeiros aspectos, utilizar o poema "Infância" (pág. 68, coluna na esquerda), do
Oswald de Andrade, mostrando que o poema se constitui a partir de uma sucessão de
expressões nominais e como não há encadeamentos sintático explícito (conectores) entre os
versos. Para o terceiro ponto, há o poema "Relicário" (pág. 69, coluna na esquerda). Mostrar
que o humor está presente na medida em que se trata de uma retomada brincalhona, irônica,
de um personagem da História do Brasil (expliquem em uma frase, apenas para situar no
tempo, quem foi Conde D'Eu). Quer dizer, trata-se de um resgate do passado histórico nacional
pela via da piada, da brincadeira, da irreverência. (Aqui, cabe chamar a atenção para o título: a
"coleção de relíquias" anunciada pelo título não tem nada a ver com luxo e riqueza associados
à corte, como talvez fosse de se esperar; antes, trata-se de farinha, pinga e fumo, elementos
marcadamente populares). 

Aproveitem o mesmo poema para abordar a incorporação na poesia do registro coloquial, das
marcas de oralidade, com os três verbos finais que não contam com a desinência de infinitivo
(mostrem que, de fato, na oralidade, esse R final do infinitivo frequentemente não é realizado).
Em seguida, expliquem que, relacionado ao gosto pelo humor, está o recurso á paródia.
Explicar brevemente o que é paródia (uma retomada "pelo avesso", irônica, brincalhona, de um
texto anterior, que é então "reconstruído" ou reconfigurado com novos elementos). Para ilustrar
claramente a paródia, temos a Canção do Exílio e o Canto de Regresso à Pátria, ambos na
página 69. Mostrem como o segundo claramente subverte o ideal expresso pelo primeiro
(conforme a breve análise que consta da própria página 69 apostila), marcando a característica
central da paródia: a retomada de um texto anterior por meio da sua desconstrução, ou seja, a
tal retomada "pelo avesso". 

A criação neológica pode ser ilustrada com "O trovador", do Mário de Andrade, que está na
página 68, coluna da direita. Sugiro não tentar ler e decifrar o poema, que é um tanto rico e
opaco, de maneira que renderia no mínimo uma aula  inteira só para ele; portanto, concentrem-
se meramente em apontar, brevemente, os neologismos presentes no final do segundo verso,

54
que parecem cumprir aí uma função onomatopaica. Trata-se aqui tão-somente de ilustrar, com
um exemplo concreto, o recurso modernista ao neologismo, mostrando que uma das marcas
desse momento é a criação de palavras. Finalmente, comentem que a rejeição às escolas
anteriores leva a uma recusa de convenção como as rimas e os padrões métricos regulares, de
maneira que a presença de versos brancos e livres também é característica marcante do
primeiro momento modernista (mas não é uma inovação absoluta na história da literatura
brasileira, na medida em que já está presente na produção romântica). Isso pode ser ilustrado
com quase todos os poemas analisados até então. 

Antes de seguir adiante, é importante que vocês façam com os alunos algo entre 1 e 3
exercícios que abordem os tópicos explanados até aqui. Há algumas questões panorâmicas -
que exploram, de uma só vez, vários dos aspectos que terão sido apresentados até aqui - que
são ideias para este momento de fixação e consolidação do que foi falado até aqui. São elas a
questão comentada da grupo 1 e as questões 10, 11 e 14 do mesmo grupo. Selecionem, desse
conjunto, entre uma e três questões, a depender do tempo.

Neste ponto, encerramos a primeira das duas grandes características apontadas inicialmente
para a fase heroica: o antipassadismo. Relembrando e resumindo a organização das ideias até
aqui: 1ª FASE  Antipassadismo (= inovações radicais) e Nacionalismo crítico.
Antipassadismo: no conteúdo e na forma. Antipassadismo no conteúdo: incorporação do
cotidiano. Antipassadismo na forma: frases nominais; ausência de conectores; registro
coloquial; paródia; presença de neologismos (criação de palavras); versos livres e brancos.

A segunda característica é a temática nacionalista. Lembrar que o nacionalismo, entendido


como uma preocupação em pensar o Brasil e as questões especificamente nacionais (em
oposição a universais), já era uma marca registrada do Romantismo. Mas mostrar que, neste
momento, a diferença é que se trata de um nacionalismo crítico. Recorram a uma linguagem
bastante palatável e didática para deixar clara essa diferença. Para ilustrar, recorram à
estratégia clássica e façam uma comparação entre os dois fragmentos da coluna da direita da
página 70, coluna da direita (que, incrivelmente, ainda caem no vestibular). Enfatizem a
diferença entre os dois textos: perspectiva idealizada da obra romântica; perspectiva crítica no
texto modernista. É exatamente essa diferença que vocês devem enfatizar, repetindo-a de
modo breve e direto antes de seguir para o próximo tópico: que, no que tange ao nacionalismo,
há uma convergência entre Romantismo e Modernismo  (este resgata daquele a preocupação
com as grandes questões nacionais), mas também uma divergência importante (sintetizada na
oposição ufanismo x crítica).

2. Quadro da aula 18
MODERNISMO

1ª FASE: Fase heroica (1922-1930)


Modernismo
brasileiro
2ª FASE: Fase de estabilização ou Fase de consolidação (1930-1945)

1. MODERNISMO BRASILEIRO: FASE HEROICA (1922-1930)

Antipassadismo
Duas características
principais
Nacionalismo crítico

A) ANTIPASSADISMO

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 Crítica à tradição

 Gosto por inovações radicais

A1. Antipassadismo no conteúdo

- Incorporação de temas cotidianos

Ex: “Camelôs”, de Manuel Bandeira (pág. 70)

A2. Antipassadismo na forma

CARACTERÍSTICA EXEMPLO
Frases nominais “Infância” – Oswald de Andrade (p. 68)
Ausência de concectores “Infância” – Oswald de Andrade (p. 68)
Humor “Relicário” – Oswald de Andrade (p. 69)
Registro coloquial “Relicário” – Oswald de Andrade (p. 69)
Paródia “Canção do exílio” – Gonçalves Dias
X “Canto de regresso à pátria” – Oswald de
Andrade
(p. 69)
Neologismos (criação de palavras) “O trovador” – Mario de Andrade (p. 68)
Versos livres e brancos “Camelôs”, “Infância”, “O trovador”
Obs: já presente no Romantismo

B. Nacionalismo crítico

 Preocupação em pensar a realidade brasileira

Romantismo: Nacionalismo ufanista (acrítico)

Modernismo: Nacionalismo crítico

Exemplo: “Iracema” (José de Alencar) X “Macunaíma” (Mario de Andrade)

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aula 19
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (IX):
MODERNISMO (SEGUNDA FASE)
+ EXERCÍCIOS
1. Roteiro da aula 19

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (em torno de 5 minutos)

Retomar a linha do tempo com as escolas literárias a fim de situar os alunos. Lembrar que na
aula anterior foi iniciado o estudo do último estilo de época a ser contemplado no PVS. Lembrar
que nós dividimos o Modernismo em duas fases, e que apenas a primeira foi tratada na
aula anterior. Anunciar o tema desta aula: segunda fase do Modernismo.

Lembrar brevemente os dois eixos centrais da primeira fase modernista : o antipassadismo e o


nacionalismo crítico. O mais importante aqui é destacar a fúria antipassadista da fase heroica,
a renovação radical, já que um ponto relevante da fase de estabilização (esse nome já dá uma
pista nesse sentido) é um abrandamento significativo dessa luta feroz contra a tradição (na qual
se tende a rejeitar tudo o que é visto como tradicional). 

PARTE 2 – MODERNISMO BRASILEIRO: SEGUNDA FASE ou FASE DE


ESTABILIZAÇÃO ou FASE DE CONSOLIDAÇÃO (em torno de 30 minutos)

Trata-se aqui de uma exposição extremamente breve. Anunciem que vocês irão explicar duas
grandes orientações da segunda fase modernista.: uma relativa à forma e outra, ao conteúdo.
Registrem isso no quadro-negro (ver quadro completo na seção 2).

O ponto de partida é lembrar que a 1ª fase modernista se caracterizou por uma profunda


contestação e refutação da arte anterior. A partir daí, está "montado o cenário" para expor o
primeiro traço marcante da literatura da segunda fase: o RESGATE DE PROCEDIMENTOS
TRADICIONAIS. Nesse momento, mostrem que escritores da segunda fase retomam alguns
procedimentos que haviam sido banidos na fase  heroica em nome da luta antipassadista (mas,
ressalve-se, isso não significa o abandono de conquistas decisivas do Modernismo de primeira
hora, que perduram até hoje em muitos poetas, como o poema-minuto, a incorporação do
cotidiano, a pontuação relativa, os coloquialismos, etc.). Um bom exemplo disso é o poema
"Mulher ao espelho", da Cecília Meireles (págs. 88 e 89). Mostrem que há um esquema rígido
de rima (ABAB), métrica regular, sintaxe culta, vocabulário erudito. Não se detenham sobre o

57
poema, muito menos sobre todas as discussões-interpretações-reflexões que ele enseja: basta
uma leitura superficial com o objetivo se observar (e apontar explicitamente no texto) como ele
se afasta do estilo irreverente e coloquial do primeiro Modernismo, exibindo com uma dicção
solene, justamente por conta da presença das características já apontadas. 

A segunda orientação, voltada para o conteúdo, é o PROBLEMA DA EXISTÊNCIA HUMANA


DIANTE DA REALIDADE PRESENTE. O escritor da segunda geração  vai problematizar o
estar-no-mundo: quais são as questões, os problemas, as angústias decorrentes de estar no
mundo e enfrentar uma certa realidade. Trata-se, portanto, de uma preocupação dupla: com a
realidade social, de um lado, e com os efeitos dessa realidade sobre a vida do homem, de
outro. Para exemplificar esse ponto, sugiro o clássico "Mãos dadas", do Drummond, que está
na página 57. Além de evidenciar a temática típica da segunda fase modernista, é muito
importante aproveitar este momento para mostrar como esse poema é um dos que – diferente
do poema da Cecília Meirelles – incorpora conquistas formais da fase heroica, como versos
livres e brancos, tom coloquial, vocabulário simples. 

PARTE 3 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 20 minutos)

Questões selecionadas do capítulo 5, módulo 2. Vale a pena priorizar o grupo 2, em especial


as questões que exploram a comparação entre Romantismo e Modernismo. É uma chance de
trabalhar simultaneamente os dois estilos mais cobrados nas provas. Como o tempo para
resolução de questões será relativamente extenso (para os nossos padrões, é claro), não se
detenham apenas nos exercícios que tratam da segunda fase – aproveitem para relembrar
também a fase heroica, tema da aula anterior.

2. Quadro da aula 19
Observação: notar que o quadro da aula 16 é continuação do quadro da aula 15.

2. MODERNISMO BRASILEIRO: FASE DE ESTABILIZAÇÃO ou FASE DE CONSOLIDAÇÃO


(1930-1945)

A. Quanto à FORMA

 Resgate, em alguma medida, de procedimentos tradicionais (atenuação da luta


antipassadista)

Ex: “Mulher ao espelho” – Cecília Meireles (págs. 88-89)

- Esquema de rimas fixo (ABAB)


- Métrica regular
- Sintaxe culta
- Vocabulário erudito

A. Quanto ao CONTEÚDO

 Problema da existência humana diante da realidade presente

58
aula 20
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (X): EXERCÍCIOS
Esta aula é inteiramente dedicada à revisão e fixação de conteúdos de História da
Literatura Brasileira, com grande ênfase sobre MODERNISMO – FASE HEROICA, por meio da
resolução de exercícios. O tutor pode até mesmo optar por resolver questões apenas
sobre a fase heroica do Modernismo brasileiro, se julgar apropriado.

Como sempre, o tutor deve resolver questões de vestibular junto com a turma, aproveitando o
momento da resolução conjunta de questões para relembrar/ revisar o conteúdo, fixando as
ideias mais importantes. Ao mesmo tempo, esse momento deve servir também para que o tutor
ensine o aluno como resolver uma questão de vestibular. Para isso, é preciso ler e interpretar o
enunciado junto com a turma, destrinchar a questão, explicar exatamente o que está sendo
pedido (e como você, tutor, sabe disso), etc.

O tutor deve selecionar na apostila as questões de vestibular sobre os tópicos acima que mais
diretamente dialogam com as aulas teóricas ministradas até então (porque serão essas as
questões que melhor permitirão a fixação dos conteúdos ensinados).

59
aula 21
PRÁTICA DE LEITURA (I) ou
HISTÓRIA DA LITERATURA
BRASILEIRA (XI): REVISÃO

Polos/turmas com demanda UERJ: Percurso


completo de prática de leitura do texto
Recado ao Senhor 903 (mód. 2, cap. 1, p. 14),
conforme roteiro abaio

Polos/turmas sem demanda UERJ: História da


Literatura Brasileira (XI): Revisão – resolução
conjunta com a turma de questões de vestibular
sobre Literatura Brasileira, a critério do tutor

PRÁTICA DE LEITURA (I)


1. Roteiro da aula 21

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (cerca de 1 minuto)

A título de introdução, apenas informem que esta aula e a próxima serão inteiramente
dedicadas à famosa “interpretação de texto”. Expliquem a proposta: ler e interpretar textos que
já apareceram nos vestibulares da Uerj e do Cederj (além do vestibular da UFRJ, que Deus o
tenha), resolvendo em seguida questões desses exames referentes ao texto. Informem que,
nesta primeira aula de “interpretação de texto”, será lido e analisado o texto Recado ao senhor
903 (página 117 da apostila), que caiu no vestibular Cederj em 2010.

60
Aproveito para explicar para vocês, tutores, como vai se desenrolar o processo – mas não
incorporem esta explicação à introdução da aula, por uma questão de tempo. Seria bom poder
explicar a metodologia antes, mas, como não há tempo (esta aula será bem apertada),
deixemos que os alunos percebam na prática como será essa metodologia.

Como vocês verão, a interpretação se dará em três etapas:

 na primeira, apenas as primeiras impressões sobre o texto (sobre o que fala o texto?
qual é o tema central?), junto considerações mais gerais (é poesia ou prosa? se for
um poema, quantas estrofes tem? tem rima? se for prosa, quantos parágrafos? qual é
o tipo textual? e o gênero textual? etc);

 na segunda, a proposta é (1) identificar as ideias básicas por trás do texto, ou seja, os
conceitos-chave que o fundamentam, e (2) mostrar como esses conceitos se
distribuem pela superfície textual. Exemplo hipotético e aleatório: (1) as ideias básicas
são AMOR e ÓDIO e (2) o amor é tratado na primeira estrofe, o ódio na segunda e
ambos na terceira, que encerra o texto;

 na terceira, sairemos no plano mais global e iremos para o detalhe, para a minúcia,
destacando passagens e frases específicas; nesses fragmentos, identificaremos os
elementos gramaticais, estilísticos e textuais que ajudam a construir o sentido do
texto, produzindo os significados identificados nas duas etapas anteriores. Exemplo:
figuras de linguagem, tempos verbais, modos verbais, modificadores, pronomes,
funções da linguagem, etc. Mostrem, portanto, que essa é a hora de retomar e revisar
os conteúdos anteriores, porém agora da perspectiva de uma atividade de leitura – ou
seja, verificando de que maneira esses elementos ajudam a construir os sentidos do
texto.

PARTE 2 – PRIMEIRA PARTE DA ANÁLISE (menos de 10 mintos)

Comecem pelo “Estudo de caso 3” da apostila (página 117), que contempla o texto Registrem
no quadro o título do texto a ser analisado, leiam o texto em voz alta e passem para a análise
em etapas. Registrem no quadro o início de cada etapa e pontuem as principais informações
referentes a cada parte da análise (ver quadro completo na seção 2).

Na primeira parte, vale a pena começar perguntando muito brevemente sobre o tema geral do
texto. Em seguida, discutam se o texto está escrito em prosa ou em verso. Depois de concluir
que é um texto em prosa, expliquem que se trata de uma crônica e definam brevemente esse
gênero textual (definição informal da apostila: “texto em prosa que se caracteriza por tomar
como ponto de partida um fato cotidiano aparentemente banal e a partir dele desenvolver
reflexões). Atentem ainda para o fato de que esta crônica está escrita em formato de carta (ou
bilhete, ou recado – como sugere o título –, ou qualquer coisa do tipo), endereçada a alguém.
Registrem essas informações no quadro de forma pontual, em tópicos, e nunca com textos
longos (ver quadro completo na seção 2).

61
PARTE 3 – SEGUNDA PARTE DA ANÁLISE (entre 10 e 15 minutos)

Na segunda parte, informem que o texto parte de uma oposição fundamental, ou seja, existem
duas ideias opostas que perpassam toda a crônica. Nesta segunda parte da análise, portanto,
o primeiro objetivo é identificar qual é a oposição fundamental do texto. Guiem a turma pela
(re)leitura de algumas passagens do texto, de modo a leva-los a perceber que o texto se
constrói todo a partir da oposição MUNDO REAL x MUNDO IMAGINADO (ou MUNDO IDEAL).
Na apostila, há algumas passagens retiradas do texto que evidenciam essa oposição. Leiam
essas ou outras passagens análogas com os alunos, explicando-as, chamando a atenção para
elas e evidenciando bem a oposição que elas revelam – a tal oposição fundamental que subjaz
ao texto como um todo. Neste momento, é importantíssimo identificar, por meio das passagens
destacadas, as características que marcam cada um desses mudos: no mundo real,
distanciamento afetivo, chatice, monotonia, conflitos, disciplina, obediência a leis e
regulamentos; no mundo imaginado, intimidade e proximidade afetiva, festas, alegria, amizade,
comunhão e paz.

Depois de identificar a oposição fundamental, ainda na parte 2 da análise, é hora de verificar


como os dois conceitos que constituem essa oposição (MUNDO REAL e MUNDO
IMAGINADO) se distribuem pela superfície do texto. Aqui, basta observar que o primeiro
parágrafo corresponde ao MUNDO REAL e o segundo e o terceiro parágrafos correspondem
ao MUNDO IMAGINADO. Evidentemente, é necessário voltar ao texto e identificar algumas
passagens (e mesmo palavras-chave) que evidenciem essas relações. Assim, ao final da
análise da segunda parte, deixem a seguinte lição: se é verdade que o texto se divide, na
aparência, em três parágrafos, o fato é que ele pode ser dividido também em dois
grandes blocos temáticos – o bloco do mundo real (1º parágrafo) e o bloco do mundo
imaginado (2º e 3º parágrafos).

Com isso, chamem a atenção dos alunos para a importância de identificar a macroestrutura do
texto, ou seja, a maneira como seus conteúdos se organizam e se distribuem, que nem sempre
coincide perfeitamente com a divisão em parágrafos (se for prosa) ou estrofes (se for poesia /
música) – aqui, por exemplo, dois parágrafos fazem parte de um mesmo bloco temático.

PARTE 4 – TERCEIRA PARTE DA ANÁLISE (entre 25 e 30 minutos)

Esta é a hora de identificar os elementos gramaticais, estilísticos e textuais que ajudam a


construir os sentidos do texto. Por isso, é a hora também retomar e revisar conceitos das aulas
anteriores, mas sempre estabelecendo a relação entre eles e a interpretação do texto, ou
seja, ligando esses elementos do nível micro aos significados globais do texto já apreendidos
anteriormente.

São dois os aspectos sentido do texto que serão aqui recuperados e relacionando aos recursos
gramaticais e estilísticos a serem apontados: o fato de ele imitar o formato de uma carta /
bilhete / recado (característica observada na primeira parte da análise) e a oposição entre
mundo real e mundo imaginado, cada qual com suas peculiaridades (característica observada
na segunda parte da análise).

Quantos aos elementos e recursos a serem identificados no texto e explicados para a turma,
são aqueles que aparecem na apostila: pontuação, conectivo (emprego da conjunção
adversativa “mas”), metáfora, antítese, repetição expressiva e modos verbais.

Mas como organizar essa explicação? Simplesmente ler o texto e ir identificando os elementos
na ordem em que aparecem? Não. Conforme já destacado em negrito acima, é fundamental
não apenas mostrar que um determinado recurso ou elemento gramatical se faz presente (por
exemplo, “esta frase consiste em uma metáfora por tal e tal razão”), mas também relacionar
esse recurso/elemento a algum aspecto do significado global já apresentado anteriormente.
Para evidenciar visualmente essa relação, tornando a explicação didática, faremos uma tabela.

62
Nessa tabela, a primeira coluna explicitará alguma ideia presente no texto, a segunda coluna
identificará um elemento ou recurso concreto que corresponde àquela ideia (ou seja, que ajuda
a construir aquele sentido), a terceira coluna localizará esse elemento no texto (para facilitar o
estudo posterior) e a quarta coluna explicará sucintamente por que aquele elemento tem a ver
com a ideia relaciona a ele. (Ver quadro completo na seção 2).

O ideal é, num primeiro momento, desenhar a tabela e preencher apenas a primeira coluna. Ao
fazer isso, estaremos retomando aspectos do significado do texto apresentados nas partes
anteriores da aula e, ao mesmo tempo, preparando o terreno e fazendo o gancho para a
terceira parte da análise, referente aos elementos gramaticais e estilísticos. A sequência da
exposição, portanto, consiste em partir da ideia e, em seguida, encontrar no texto elementos
concretos que ajudem a construí-la. Conforme forem identificando e explicando o
funcionamento desses elementos no texto e fora dele, vocês vão também preenchendo o
restante da tabela.

Ao final, se sobrar tempo, o ideal é fazer uma breve síntese do que foi falado sobre o texto, a
título de conclusão da análise. Algo na seguinte linha:

Vimos que o texto “Recado ao senhor 903” é um texto em prosa; mais especificamente, trata-
se de uma crônica que se divide em três parágrafos e imita o formato de uma carta / bilhete /
recado por se endereçada a um destinatário específico. Vimos que todo o texto se baseia em
uma oposição fundamental, que é a oposição MUNDO REAL X MUNDO IMAGINADO, e vimos
que o mundo real aparece no parágrafo 1 e o mundo imaginado, nos parágrafos 2 e 3. Isso
significa que esta crônica se divide em dois grandes blocos temáticos. Por fim, identificamos no
texto diversos elementos concretos (como uso das reticências, metáfora, modo indicativo,
modo subjuntivo, etc.) que ajudam a caracterizar cada um desses mundos e a marcas a
oposição entre eles.

PARTE 5 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (entre 5 e 10 minutos)

Se sobrar algum tempo, fazer pelo menos uma questão do vestibular Cederj referente ao texto
trabalhado. As questões estão na página 120. Não vai haver tempo para todas. A ordem de
prioridade (da mais para a menos importante) é: 2 > 3 > 1 > 5 > 4.

2. Quadro da aula 21
PRÁTICA DE LEITURA

ANÁLISE DO TEXTO 1: “RECADO AO SENHOR 903” (p. 117)

Parte 1

A. Texto em prosa.
B. Texto dividido em 3 parágrafos.
C. Crônica
D. Imita o formato de uma carta/recado/bilhete

Parte 2

A. OPOSIÇÃO FUNDAMENTAL

Mundo real X mundo imaginado

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B. MACROESTRUTURA

Divide-se em dois blocos temáticos

Bloco do mundo real  Parágrafo 1


Bloco do mundo imaginado  Parágrafos 2 e 3

Parte 3

ASPECTO DO ELEMENTO LOCALIZAÇÃO EXPLICAÇÃO


SIGNIFICADO LINGUÍSTICO

Imita o formato Pronome de tratamento Parágrafo 1; Referem-se à segunda


de uma carta “senhor” linhas 2, 6, 9 e 13 pessoa do discurso

Pronome Parágrafo 1;
possessivo “seu” linhas 6 e 9

Mundo real = Metonímias: Tratar alguém como


frieza, falta de “senhor 903” / Título / número denota frieza,
intimidade “é impossível ao 903 Parágrafo 1; falta de intimidade
dormir quando o 1003 se linhas 8 e 9
agita”
Números denotam
Repetição excessiva de Parágrafo 1; linhas 11 a objetividade e frieza; a
algarismos 13 e 18 a 20 repetição reforça essas
ideias

Mundo real = Metáfora: Parágrafo 1; Um lago manso não faz


ordem, regras, “manso lago azul” Linha 17 barulho; é “disciplinado”
disciplina

Oposição entre Modo indicativo X Parágrafo 1 (indicativo) Modo indicativo denota


mundo real e mundo mundo subjuntivo X Parágrafos 2 e 3 algo real; modo
imaginado (subjuntivo) subjuntivo exprime fatos
hipotéticos

Parágrafo 2; Indica uma lacuna,


Pontuação (reticências) linha 1 marca a separação
entre os dois mundos

Conectivo “mas” Parágrafo 1; Denota oposição (entre


linha 2 os dois mundos)

64
aula 22
PRÁTICA DE LEITURA (II)

1. Roteiro da aula 22

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (cerca de 1 minuto)

Informar apenas que se dará continuidade ao trabalho da semana anterior; ou seja, atividade
de leitura (“interpretação de texto”) com base em um texto que já caiu em uma prova de
vestibular. Desta vez, o texto será Mysterium, da Lygia Fagundes Telles, que apareceu no 2º
Exame de Qualificação do Vestibular Uerj 2005.

PARTE 2 – PRIMEIRA PARTE DA ANÁLISE (cerca de 10 minutos)

Depois de ler o texto Mysterium junto com a turma (“Estudo de caso 1” da apostila, que começa
na página 112), informem que, mais uma vez, assim como ocorreu na semana anterior, a
análise será feita em três partes. Sendo assim, partam direto para a primeira parte da análise.

Como este texto pode ser hermético em um primeiro momento – sobretudo para alunos que
leem pouco e mal, como os nossos, na maioria dos casos –, é bastante possível que esta
primeira aproximação cause dificuldades.

O que o torna complexo é que ele tem duas camadas de conversação. Vejamos: uma primeira
camada, original, que consiste no diálogo ocorrido quando presumivelmente a escritora deu
uma palestra e respondeu a perguntas e curiosidades do público presente – trata-se, portanto,
de um diálogo desenvolvido oralmente, face a face, entre a escritora e o público da palestra; e
uma segunda camada que consiste na “conversa” (via texto escrito) entre a enunciadora e os
leitores do livro onde o texto foi publicado.

Nesta primeira parte da análise, é preciso dar essa situada, mostrando que este texto se
configura como um relato de uma situação anterior de palestra, na qual a escritora foi
provocada e questionada pelo público presente acerca do seu processo criativo. Só depois
dessa contextualizada, e tomando-a como ponto de partida, é que vocês devem começar a
mostrar a responder às perguntas iniciais sobre o texto, ou seja, aquelas perguntas próprias
deste primeiro momento da nossa abordagem.

E quais são essas perguntas? Vamos lá: trata-se de um poema ou de um texto em prosa; no
segundo caso, dividido em quantos parágrafos?; qual é o tema central do texto?; qual é o tipo
textual predominante? Depois daquela contextualização inicial, fica mais fácil respondê-las.
Remetendo a passagens do texto para comprovar, evidenciem as seguintes respostas: trata-se
de um texto em prosa; o texto se divide em 7 parágrafos; o texto aborda a questão do processo
criativo do escritor (de onde vêm as ideias para escrever, de onde se tira a inspiração, como

65
nasce um conto ou um romance, como é o processo de escrita, esse tipo de coisa de coisa); o
texto fica na fronteira entre narração e a argumentação (narração porque enunciadora está
relatando fatos ocorridos com ela própria em um momento anterior, quando ela
presumivelmente deu uma palestra e responder a perguntas e curiosidades de alguns leitores,
que formavam o público da palestra; argumentação porque ela apresenta uma tese a respeito
de como se dá o processo criativo do escritor – do ponto de vista dela, esse processo é um
mistério, não pode ser definido ou explicado).

Depois de apresentar o tema central do texto, é interessante fazer um gancho com as funções
da linguagem: chamem a atenção para o fato de que, se Mysterium é um texto sobre o
processo de escrever textos, então se trata de um texto fundamentalmente metalinguístico.

A parte mais complicada é a que se refere aos tipos textuais; a dificuldade se deve ao fato, já
comentado, de o texto incorporar duas camadas de conversação. Na primeira camada, a
escritora defende uma posição sobre o processo criativo do escritor, o que caracteriza como
argumentativo o texto oral que ela presumivelmente produziu naquela situação; na segunda
camada, ela relata fatos ocorridos naquela ocasião, conta o que aconteceu em ordem
cronológica, desenvolvendo, portanto, uma narrativa. Tudo somado, Mysterium é uma narrativa
sobre uma situação em que a enunciadora desenvolveu, diante de um público, uma
argumentação, defendendo um ponto de vista sobre o processo criativo do escritor.

Aqui, não vai haver tempo para destrinchar todo o processo argumentativo. Por isso, apenas
informem que a enunciadora defende uma tese (a de que o processo criativo não é passível de
explicação racional, ou seja, é um mistério) e informem que isso ficará mais claro no decorrer
da análise. Pode-se a pontar rapidamente uma passagem que evidencie a tese defendida (por
exemplo, “mas tudo sem explicação, não tem explicação”, na última linha do primeiro
parágrafo), mas qualquer passagem só ficará inteiramente clara quando devidamente
contextualizada, o que ocorrerá mais adiante.

Como de praxe, as respostas obtidas neste primeiro momento devem ser registradas, de modo
pontual, no quadro negro (ver quadro completo na seção 2).

PARTE 3 – SEGUNDA PARTE DA ANÁLISE (cerca de 15 minutos)

Agora, é o momento de identificar os conceitos básicos que estão por trás de todo o texto. Para
fins didáticos, vale a pena relembrar que o texto da semana passada, Recado ao senhor 903,
se construía inteiro a partir de uma oposição básica – mundo real versus mundo imaginado.
Neste momento, informem que também este texto se fundamenta em uma oposição.
Remetendo a passagens do texto e destrinchando-as brevemente, mostrem que a enunciadora
acredita não ser possível explicar racionalmente o processo criativo, mas que o público da
palestra, ao contrário, deseja explicações racionais (passagens remetendo a essas duas
perspectivas opostas estão na tabela da página 113). É esse conflito, portanto, que cria a
oposição fundamental a partir da qual todo o texto se constrói: criação literária como mistério
(algo inexplicável) X criação literária como algo que pode ser compreendido e explicado
racionalmente.

Lembremos que a segunda parte da análise se subdivide em dois movimentos: primeiro,


identificar os conceitos básicos que fundamenta todo o texto; segundo, observar como esses
conceitos se distribuem ou se organizam pela superfície do texto. Tendo cumprido a primeira
etapa, partamos para a segunda.

Também neste momento vale a pena fazer uma analogia com o texto da aula anterior – esse
tipo de comparação é sempre muito didático. Naquela aula, vimos um texto de três parágrafos
que se subdividia em dois blocos temáticos; aqui, vemos um texto de sete parágrafos que se
subdivide em três blocos temáticos. No primeiro bloco, que vai do parágrafo 1 ao 3, a
enunciadora deixa claro que enxerga a criação literária como algo misterioso, afirmando não
saber explica-la ou teorizar racionalmente sobre ela (ou seja, ela apenas escreve e ponto, sem
ter uma ideia clara e consciente de como está fazendo aquilo, de quais são os processos que
guiam a sua escrita); no segundo bloco, que vai do parágrafo 4 ao 6, ela cede à pressão dos

66
leitores, que são curiosos e desejam explicações claras e racionais, e tenta teorizar sobre seu
próprio processo criativo, fazendo um esforço intelectual para compreendê-lo racionalmente;
por fim, no sétimo parágrafo, ela abandona essa busca de compreensão racional, ou seja, ela
“joga a toalha”, desiste da teorização e admite seu fracasso em compreender e explicar
racionalmente seu próprio processo criativo.

Resumindo esses três blocos temáticos, temos o seguinte movimento: criação literária como
mistério (algo inexplicável)  tentativa de compreensão e explicação racional da criação
literária  desistência dessa tentativa.

Neste ponto da aula, portanto, vocês devem evidenciar para os alunos esse percurso
desenvolvido ao longo do texto, remetendo e destrinchando brevemente passagens que
exemplifiquem cada um desses momentos. Como de praxe, todas as conclusões obtidas aqui
deverão ser registradas no quadro-negro (ver quadro completo na seção 2).

Ao final da análise da segunda parte, deixem a seguinte lição: se é verdade que o texto se
divide, na aparência, em sete parágrafos, o fato é que ele pode ser dividido também em
três grandes blocos temáticos.

Com isso, chamem a atenção dos alunos para a importância de identificar a macroestrutura do
texto, ou seja, a maneira como seus conteúdos se organizam e se distribuem, que nem sempre
coincide perfeitamente com a divisão em parágrafos (se for prosa) ou estrofes (se for poesia /
música) – aqui, por exemplo, sete parágrafos se organizam em três blocos temáticos.

PARTE 4 – TERCEIRA PARTE DA ANÁLISE (entre 25 e 30 minutos)

Esta é a hora de identificar os elementos gramaticais, estilísticos e textuais que ajudam a


construir os sentidos do texto. Por isso, é a hora também retomar e revisar conceitos das aulas
anteriores, mas sempre estabelecendo a relação entre eles e a interpretação do texto, ou
seja, ligando esses elementos do nível micro aos significados globais do texto já apreendidos
anteriormente.

São três os aspectos sentido do texto que serão aqui recuperados e relacionando aos recursos
gramaticais e estilísticos a serem apontados:

(1) A enunciadora se sente confusa e perplexa diante dos mistérios da criação literária
(isso se verifica no Bloco 1);

(2) Admitindo sua ignorância em relação ao próprio processo criativo, a enunciadora aceita
o desafio de tentar superar essa ignorância e alcançar uma compreensão racional da
criação literária (isso acontece no final do Bloco 1);

(3) A enunciadora desenvolve teorias para explicar racionalmente a criação literária (isso
acontece no Bloco 2).

Quantos aos elementos e recursos a serem identificados no texto e explicados para a turma,
são aqueles que aparecem na apostila: pontuação, conectivo (emprego da conjunção
adversativa “mas”), metáfora, antítese, repetição expressiva e modos verbais.

Mas como organizar essa explicação? Simplesmente ler o texto e ir identificando os elementos
na ordem em que aparecem? Não. Conforme já destacado em negrito acima, é fundamental
não apenas mostrar que um determinado recurso ou elemento gramatical se faz presente (por
exemplo, “esta frase consiste em uma metáfora por tal e tal razão”), mas também relacionar
esse recurso/elemento a algum aspecto do significado global já apresentado anteriormente.
Para evidenciar visualmente essa relação, tornando a explicação didática, faremos uma tabela.
Nessa tabela, a primeira coluna explicitará alguma ideia presente no texto, a segunda coluna
identificará um elemento ou recurso concreto que corresponde àquela ideia (ou seja, que ajuda
a construir aquele sentido), a terceira coluna localizará esse elemento no texto (para facilitar o

67
estudo posterior) e a quarta coluna explicará sucintamente por que aquele elemento tem a ver
com a ideia relaciona a ele. (Ver quadro completo na seção 2).

O ideal é, num primeiro momento, desenhar a tabela e preencher apenas a primeira coluna. Ao
fazer isso, estaremos retomando aspectos do significado do texto apresentados nas partes
anteriores da aula e, ao mesmo tempo, preparando o terreno e fazendo o gancho para a
terceira parte da análise, referente aos elementos gramaticais e estilísticos. A sequência da
exposição, portanto, consiste em partir da ideia e, em seguida, encontrar no texto elementos
concretos que ajudem a construí-la. Conforme forem identificando e explicando o
funcionamento desses elementos no texto e fora dele, vocês vão também preenchendo o
restante da tabela.

PARTE 5 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 5 minu

Se sobrar algum tempo, fazer pelo menos uma questão do vestibular Uerj referente ao texto
trabalhado. As questões estão na página 115.

2. Quadro da aula 22
Observação: notar que o quadro da aula 22 é continuação do quadro da aula 21, para os polos
com demanda pelo Vestibular Uerj..

PRÁTICA DE LEITURA

ANÁLISE DO TEXTO 2: “MYSTERIUM” (p. 112)

Parte 1

A. Texto em prosa.
B. Texto dividido em 7 parágrafos.
C. Tema central: processo criativo do escritor
D. Texto narrativo e argumentativo
E. Presença da função metalinguística

Parte 2

A. OPOSIÇÃO FUNDAMENTAL

Criação literária como mistério X Criação literária como algo compreensível

B. MACROESTRUTURA

Divide-se em três blocos temáticos

Bloco 1: Criação literária como mistério  Parágrafos 1 a 3


Bloco 2: Tentativa de compreensão racional da criação literária  Parágrafos 4 a 6
Bloco 3: Desistência da tentativa de compreensão racional da criação literária  Parágrafo 7

68
Parte 3

Confusão e Repetição: “mas tudo Parágrafo 1; Revela falta de clareza


perplexidade sem explicação, não linha 4 mental, desorientação
diante do tem explicação”
mistério da
criação literária Comparação: “acabo Parágrafo 3; Evoca ideia de alguém
por me embrulhar feito linhas 1 e 2 “enredado” em meio a
um caramelo em muitos conceitos
papel transparente”

Pontuação: Parágrafo 3; Reforça sensação


repetição do ponto de linhas 2 e 5 de desespero
exclamação
Reforça sensação
Apóstrofe Parágrafo 3; de desespero
(evoca Deus) linha 5

Antítese: “quero ser Parágrafo 3; Reforça sensação de


clara em meio desse linha 7 desorientação
claro que de repente
ficou escuro”

Meta: sair da Metáfora: Parágrafo 3; Relação metafórica:


ignorância “atravessar”, “avanço”, linhas 4 e 6 passagem da ignorância
sobre a criação “cipoal”, “névoa” para a compreensão é
literária e uma TRAVESSIA
alcançar uma
explicação
racional

Criação de Intertextualidade: Parágrafo 4; Evoca texto anterior para


teorias “Recorro a uma certa linhas 1 e 2 ajudar na explicação
para explicar a aula distante (Antonio
criação literária Candido)”

Argumento de Parágrafo 4; Recorre a autoridade no


autoridade: linhas 1 e 2 assunto para sustentar
“Recorro a uma certa sua explicação
aula distante (Antonio
Candido)”

Exemplificação: “tive Parágrafo 4; Cita exemplo concreto


umas personagem linhas 4 e 5 para comprovar sua
que recorreu à teoria
máscara para não ser
descoberta”

69
Metáfora Parágrafo 5 Evoca imagem
(todo) metafórica para
expor sua teoria

aula 23
PRÁTICA DE LEITURA (III)
1. Roteiro da aula 23

PARTE 1 – INTRODUÇÃO (cerca de 1 minuto)

Informar apenas que se dará continuidade ao trabalho da semana anterior; ou seja, atividade
de leitura (“interpretação de texto”) com base em um texto que já caiu em uma prova de
vestibular. Desta vez, o texto será Balada do amor através das idades, de Carlos Drummond de
Andrade, que apareceu no Vestibular Cederj 2010.

PARTE 2 – PRIMEIRA PARTE DA ANÁLISE (cerca de 15 minutos)

Depois de ler o texto Balada do amor através das idades junto com a turma (“Estudo de caso 2”
da apostila, que começa na página 116), vale a pena começar notando que, diferentemente
dos textos interpretados e analisados nas duas aulas anteriores, este é escrito em versos e se
divide em estrofes – uma observação que nos permite, de saída, identificar seu gênero textual
(o poema). Nesse momento, vale chamar a atenção para a estrutura formal desse poema: ele
se divide em sete estrofes de tamanhos próximos – entre sete e dez versos cada uma.
Na sequência, pode-se aproveitar para levar a turma a identificar o tipo textual predominante –
trata-se de uma narração, já que o texto apresenta uma sucessão de eventos/acontecimentos
que se encadeiam ao longo do tempo. Note-se ainda que a narração se realiza em 1ª pessoa,
o que significa que o eu-poético é personagem da história narrada. Por fim, observe-se ainda a
linguagem dialogada do poema – o texto simula uma conversa entre o eu-poético e uma
suposta interlocutora, como se nota em passagens como “Eu te gosto”, “Você é uma loura
notável”, etc.

Dessa dessa aproximação inicial, chega a hora do último movimento de familiarização inicial
com o texto, que consiste em identificar seu tema central: poema trata de uma relação amorosa
“através das idades”. Lendo o texto, vemos que a palavra “idades” não se refere aqui à
passagem da vida do ser humano, e sim à progressão do tempo histórico. Assim, cada uma
das “idades” que os personagens atravessam corresponde a um momento histórico distinto.
Nesse sentido, o poema trata de uma relação amorosa que atravessa diferentes
momentos históricos (até chegar à época presente).

Conforme os pontos acima forem sendo identificados e analisados no texto, eles devem ser
registrados no quadro, conforme a seção 2 desta aula (“Quadro da aula 23”).

PARTE 3 – SEGUNDA PARTE DA ANÁLISE (cerca de 20 minutos)

Neste momento, é interessante lembrar aos alunos os textos interpretados e analisados nas
últimas duas aulas, chamando a atenção para o fato de que, conforme se viu em sala, ambos
se organizam em torno de pares opositivos fundamentais, que estruturam o texto como um
todo. No caso do texto Recado ao Senhor, a oposição era mundo real X mundo imaginado. No

70
caso do texto Mysterium, a oposição (um pouco mais complexa) era: criação literária como
mistério (algo inexplicável) X criação literária como algo que pode ser compreendido e
explicado racionalmente. E no caso do poema que estamos analisando? Aqui, a oposição
fundamental que estrutura o texto é a seguinte: PASSADO X PRESENTE. Essa oposição se
manifesta textualmente da seguinte maneira: das cinco estrofes que compõem o poema, as
quatro primeiras dizem respeito ao PASSADO e a última, ao PRESENTE.
Note-se que uma segunda oposição, paralela à primeira, ajuda a estruturar o poema. Nele, o
PASSADO corresponde à IMPOSSIBILIDADE DA CONCRETIZAÇÃO AMOROSA, ao passo o
PRESENTE corresponde à POSSIBILIDADE DA CONCRETIZAÇÃO AMOROSA. Em resumo:
NÃO-CONCRETIZAÇÃO DO AMOR NO PASSADO versus CONCRETIZAÇÃO DO AMOR NO
PRESENTE.

É possível demonstrar isso ao aluno chamando a atenção para o último verso de cada estrofe.
Nas quatro primeiras estrofes, que correspondem ao polo PASSADO / IMPOSSIBILIDADE DE
CONCRETIZAÇÃO AMOROSA: “Matei, brigamos, morremos”; “e o leão comeu nós dois”; “Me
suicidei também”; e “nos levaram à guilhotina”. Na última estrofe, que corresponde ao polo
PRESENTE / POSSIBILIDADE DE CONCRETIZAÇÃO AMOROSA: “te abraço, beijo e
casamos”. Explicar/esclarecer cada um desses verbos, se necessário.

Nesse enredo, observa-se a influência do universo cinematográfico. A própria narrativa do


poema reproduz o enredo típico das comédias românticas norte-americanas: um homem e uma
mulher inicialmente não podem ou não querem ficar juntos enfrentam uma série de reviravoltas
(a que o eu-poético se refere como “mil peripécias”) e, finalmente, são agraciados com o final
feliz. Além disso, a representação dos personagens na modernidade replica os clichês dos
galãs e musas do cinema: um “moço moderno”, rico e cheio de habilidades, e uma “loura
notável” não menos talentosa. Finalmente, a inspiração no universo cinematográfico se torna
explícita quando o eu-poético se intitula “herói da Paramount”.

Conforme os pontos acima forem sendo identificados e analisados no texto, eles devem ser
registrados no quadro, conforme a seção 2 desta aula (“Quadro da aula 23”).

PARTE 4 – TERCEIRA PARTE DA ANÁLISE (cerca de 10 minutos)

Nesta terceira parte, referente aos recursos linguísticos, chamem a atenção para o modo como
aparece gramaticalmente marcado no poema o contraste entre o bloco do PASSADO (quatro
primeiras estrofes) e o do PRESENTE (quinta estrofe). Essa marcação é realizada por meio de
dois elementos gramaticais: os tempos verbais e os advérbios ou locuções adverbiais de
tempo. Apontar esses elementos no poema, de acordo com a análise feita na apostila – e
sempre relacionando os elementos gramaticais à análise realizada na seção anterior.

Em seguida, relembrar uma parte da análise feita na seção 1, segundo a qual o poema exibe
uma linguagem dialogada, simulando uma conversa entre o eu-poético e uma interlocutora. Em
conformidade com a análise apresentada na apostila, mostrar que esse efeito de diálogo é
realizado por meio de pronomes de segunda pessoa do discurso, como “você”, “te” e “seu”
(mostrar os versos em que esses pronomes aparecem e demonstrar que eles se referem à
interlocutora “virtual”).

Conforme os pontos acima forem sendo identificados e analisados no texto, eles devem ser
registrados no quadro, conforme a seção 2 desta aula (“Quadro da aula 23”).

PARTE 5 – QUESTÕES DE VESTIBULARES (cerca de 10 minutos)

Se sobrar tempo, fazer junto com a turma as questões referentes ao texto que caíram no
vestibular Cederj 2010 e do vestibular UFRJ 2003.

2. Quadro da aula 23
71
PRÁTICA DE LEITURA

ANÁLISE DO TEXTO 2: “BALADA DO AMOR ATRAVÉS DAS IDADES” (p. 112)

Parte 1
A. Poema.
B. Texto dividido em 5 estrofes.
C. Texto narrativo.
D. Tema central: desenvolvimento de uma relação amorosa ao longo de diferentes épocas
históricas.

Parte 2

A. OPOSIÇÃO FUNDAMENTAL
Não-concretização amorosa no passado X Concretização amorosa no presente
(Brincadeira com a produção cinematográfica norte-americana enredo: desventuras /
complicações / dificuldades + final feliz)

B. MACROESTRUTURA
Divide-se em dois blocos temáticos

Bloco 1: Não concretização amorosa no passado


Estrofes 1 a 4

Parte 3

ASPECTO DO ELEMENTO LOCALIZAÇÃO EXPLICAÇÃO


SIGNIFICADO LINGUÍSTICO
Oposição entre Verbos no pretérito Estrofes 1 a 4 Fazem referência às
passado e presente perfeito: “era”, “saí”, Estrofe 1; eras passadas, em
“matei”, “virei”, “vi”, verso 2 que o amor não se
“dei”, “etc”. Estrofe 5 realizava
Locução adverbial Estrofe 5; Faz referência às
que indica passado: verso 1 eras passadas, em
“desde tempos que o amor não se
imemoriais” realizava
Verbos no presente: Fazem referência ao
“sou”, “remo”, “pulo”, momento presente,
“danço”, “boxo”, “é”, em que o amor se
etc. realiza
Advérbio de tempo: Faz referência ao
“Hoje” momento presente,
em que o amor se
realiza
Simulação de um Pronomes com Todas as estrofes Como a 2ª pessoa
diálogo com uma referência de 2ª do discurso é a
interlocutora (a pessoa do discurso: pessoa com quem
parceira amorosa) “te”, “você”, “seu” se fala, o uso de
pronomes de 2ª
pessoa em um texto
escrito sugere a
existência de um
destinatário para
quem aquele texto
seria endereçado,
provocando efeito
de diálogo

72
aula 24

Polos/turmas com demanda UERJ:


Aula expositiva sobre O Alienista (Machado de
Assis) – questões estilo UERJ (material extra)

Polos/turmas sem demanda UERJ:


Percurso completo de prática de leitura do texto
Recado ao Senhor 903 (mod 2, cap 1, pag.14) –
descrição na aula 21 deste Caderno de Aulas

73
aula 25
GÊNEROS TEXTUAIS + EXERCÍCIOS
1. Roteiro da aula 25
PARTE 1 – INTRODUÇÃO: APRESENTAÇÃO INTUITIVA DO CONCEITO-CHAVE DA
AULA (no máximo, 10 minutos)

Façam, informalmente, um levantamento com a turma dos diferentes formatos, tipos ou


categorias de textos com que nos deparamos no dia-a-dia (estou usando as palavras
"formato", "tipo" ou "categoria" em sentido amplo, sem compromisso com qualquer linha
teórica ou conceituação técnica). Se vocês começaram, os alunos logo se empolgam e seguem
adiante. Estamos falando de coisas como: bilhete (que você deixa para sua irmã / mãe / pai /
marido / filho / etc em cima da mesa), bula de remédio, notícia de jornal, previsão de
horóscopo, tirinha de jornal, manual de instruções, encarte de CD, "scrap" de Orkut,
mensagem SMS ("torpedo" de celular), email, etc. (Estou excluindo os gêneros  orais para não
dificultar e desviar a aula  desnecessariamente, mas, se os alunos mencionarem coisas como
“aula”, "palestra" ou "conversa espontânea", por exemplo, também está certo.)

Registrem no quadro as respostas levantadas bem como a informação de que cada um


daqueles "formatos" apresentados no quadro é um gênero textual  (ver quadro completo na
seção 2). Com isso, mesmo que ainda não saibam ainda definir, conceituar claramente a noção
de gênero textual, eles já terão uma boa compreensão intuitiva do que se trata, graças aos
exemplos. Eles saberão, e é isso que é mais importante, que cada uma das diferentes
categorias de textos com que lidamos diariamente e que circulam socialmente (bula de
remédio, "scrap", notícia de jornal, etc.) corresponde a um gênero textual diferente.
Repitam essa ideia, insistam nela. É isso que deve ficar absolutamente claro para os alunos
neste momento. 

Observação: provavelmente, os alunos darão exemplos que não correspondem a gêneros, mas


a suportes ou esferas de gêneros – como, por exemplo, "jornal". Deixem claro que o jornal é
um suporte que pode abrigar diferentes gêneros: notícia, reportagem, editorial, tirinha, carta
de leitor, artigo de opinião, etc.

PARTE 2 – SISTEMATIZAÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS (em torno de 15 minutos)

Neste ponto, os alunos já saberão dar exemplos de diferentes gêneros textuais. Já saberão que
o "scrap" é um gênero textuais, a bula de remédio é outro, e assim por diante. Agora, se o
"scrap" (por exemplo) é um gênero  e a bula de remédio (por exemplo) é outro, então eles
devem ter características diferentes. E quais são as características do “scrap” que o definem
como um gênero  individual, à parte? E da bula de remédio? E dos demais gêneros?

74
Em outras palavras, a questão aqui é a seguinte: como caracterizar cada gênero textual? Quais
são as características próprias do gênero textual manual de instruções, da bula de remédio,
etc.? No capítulo 7 do módulo 2, são apresentados três parâmetros para classificação dos
gêneros : forma, função e situação de produção (obs: estritamente, a função é parte da
situação da produção, mas achei melhor separar por razões didáticas). Vocês deverão registrar
no quadro-negro essas três variáveis e explicarão (é claro que de forma simplificada mesmo)
cada uma delas (ver quadro completo na seção 2). 

Logo em seguida, vocês darão um exemplo informal de como proceder a uma análise dos
gêneros textuais  a partir dos três parâmetros ou critérios acima. Esse exemplo está tanto no
anexo do quadro quanto na página 4 do novo capítulo, e consiste em uma comparação entre
os gêneros "scrap" e bula de remédio. Quem achar que deve ilustrar com outros gêneros pode
alterar a tabela – o que implica, claro, fazer uma nova análise (ainda que se trate de uma
análise superficial). Isso seria interessante na medida em que o gênero “scrap” está em franco
processo de extinção.

Evidentemente, o objetivo está longe de ser uma análise exaustiva de cada gênero, mas
apenas uma ilustração do tipo de questão que se colocam quando analisam os gêneros
textuais. 

PARTE 3 – RELAÇÃO ENTRE GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS (no máximo, 15


minutos)

Neste momento, retomem rapidamente os tipos textuais, já ensinados em aula anterior,


apenas mencionando-os e definindo brevemente, com um miniexemplo oral, apenas com o
objetivo de refrescar a memória dos alunos e reavivar os termos narração, descrição,
dissertação, argumentação e injunção.

Depois de resgatar esses conceitos, é hora de finalizar a aula  estabelecendo a relação entre os
tipos textuais  e os gêneros textuais. Para isso, usem a tabela que começa na página 116 do
módulo 2. Mostrem, assim, que alguns gêneros podem ser caracterizados pela predominância
de um determinado tipo.

PARTE 4 – QUESTÕES DE VESTIBULAR (em torno de 15 minutos)

Selecionem questões do capítulo 7, módulo 2, priorizando, evidentemente, as do Enem (que


são a quase totalidade das questões disponíveis).

75
2. Quadro da aula 25

GÊNEROS TEXTUAIS

1. Introdução aos gêneros textuais

Bula de remédio “Scrap”


Manual de instruções
Notícia de jornal Gêneros
Horóscopo Editorial Textuais
Torpedo Depoimento
Ata Memorando
Cardápio

2. Analisando os gêneros textuais

Forma  Estrutura e linguagem


Função  Objetivos, propósitos
Situação de produção  Autor, receptor, contexto

“SCRAP” BULA DE REMÉDIO


FORMA Linguagem Linguagem formal e
informal técnica
FUNÇÃO Contato com Informar e alertar
conhecidos sobre riscos
SITUAÇÃO DE Interlocutor Interlocutor
PRODUÇÃO conhecido; desconhecido;
veiculado no “encartado” na caixa
site Orkut do remédio

76
aula 26
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
+ EXERCÍCIOS
1. Roteiro da aula 26

PARTE 1 – DEBATE INICIAL (em torno de 5 minutos)

Todo mundo fala da mesma maneira, ou as pessoas e grupos sociais falam de modo diferente
uns dos outros?
 
Esse pergunta inicial servirá para gerar um breve debate. Isso é só a introdução da aula   e deve
levar pouquíssimo tempo. Ao final do debate conduzido pelo tutor, chega-se à seguinte
conclusão: a língua portuguesa não é uniforme; pelo contrário, ela é diversificada. Essa
conclusão deve ser escrita no quadro-negro, porque ela será o ponto de partida para tudo o
que vem depois.

PARTE 2 – EM FUNÇÃO DE QUE FATORES A LÍNGUA VARIA? (no máximo, 10


minutos)
 
É interessante promover um pequeno debate para responder a pergunta. O tutor vai
orientando o debate e registrando no quadro as respostas. No final, devem estar registradas as
seguintes respostas:
 
Pergunta: que fatores fazem a língua variar?
Respostas: região geográfica; idade; nível socioeconômico; sexo; situação comunicativa.
 
Para cada resposta, é interessante colocar ao lado um exemplo. (Ver quadro completo na
seção 2, onde aparecem sugestões de exemplos).
 
 

PARTE 3 – VARIANTES LINGUÍSTICAS (OU NORMAS LINGUÍSTICAS) (em torno de 5


minutos)

Depois de estabelecer os fatores que motivam a variação linguística, é importante explicar o


conceito de variante  linguística (ou norma linguística), mencionando exemplos: variante

77
formal, variante coloquial, variante dos jovens, variante masculina, variante urbana, variante
rural, variante padrão (ou norma padrão), etc. Como a apostila não traz essa definição,é
importante deixar essa definição registrada no quadro. No anexo, há uma definição simples e
funcional.
 

PARTE 4 – QUESTÕES DE VETSIBULAR (em torno de 35 minutos)


 
Batam na tecla de que o tema variação linguística  está cada vez mais presente no
Vestibular. Trata-se de um tema especialmente caro ao Enem. Nesse exame, é comum que se
peça ao candidato para identificar o fragmento que corresponde a um uso não-padrão ou
coloquial (ou então, mais especificamente, que marcas linguísticas - gramaticais ou lexicais -
evidenciam que determinado fragmento corresponde a um uso não-padrão ou coloquial).
Chamem a atenção dos alunos para esse padrão.
 
Evidentemente, selecionem questões do capítulo 6 (módulo 2), priorizando as do Enem.

2. Quadro da aula 26

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

LEMA DA AULA: Nenhuma língua é homogênea

1. Em função de que fatores a língua varia?

a) Região geográfica: sinal / semáforo


b) Idade: bolado / preocupado
c) Nível socioeconômico: planta / pranta
d) Sexo: lindérrimo / lindão
e) Situação comunicativa: Valeu mesmo! / Muito obrigado

2. Variante linguística (ou norma linguística)

É o modo de falar próprio de cada grupo social.

EXEMPLOS

- Variante rural
- Variante urbana
- Variante formal
- Variante coloquial
Etc.

78
OBSERVAÇÃO
A variante linguística ensinada nas escolas é prescrita pelas gramáticas chamada de norma
padrão

aulas 27, 28 e 29
REVISÃO PARA O ENEM
(I), (II) e (III)
Estas três aulas são inteiramente dedicadas à resolução, junto com a turma, de questões
de provas anteriores do Enem, a título de revisão (o tutor vai guiando a resolução das
questões e incentivando a participação da turma). Informem, no início da aula 28, os
tópicos a serem revisados.

E MUITO IMPORTANTE: Essa lista de tópicos deve também ser apresentada aos alunos
como guia para que eles saibam que assuntos devem priorizar ao estudar em casa. É
importante que os tutores também cumpram esse papel de orientar o estudo em casa,
instruindo sobre quais os temas mais frequentes (e, não menos importantes, sobre quais
tópicos são pouco ou nada relevantes!!!).

O CONTEÚDO

Vocês deverão trabalhar questões dos tópicos mais recorrentes no Enem. Dentre os assuntos
trabalhados, os tópicos mais importantes são:

1 – Figuras de linguagem
2 – Variação linguística
3 – Gêneros textuais (identificação da função do texto)
4 – Argumentação (apenas identificação de elementos, basicamente tese e argumentos)
5 – Prática de leitura a partir de textos sobre as Tecnologias da Comunicação e Informação
(TICs)

Ao longo das aulas 25 e 26, o tutor deve selecionar questões desses tópicos para trabalhar
junto com a turma. Os tópicos 1 a 4 têm questões tanto no caderno de provas anteriores
quanto no livro de LPLB.

Na seleção das questões, o tutor deve avaliar a situação de cada turma, levando em conta
diversos fatores (rendimento da turma em cada tópico, possíveis aulas perdidas ou muito
prejudicadas por razões externas, etc.) e, a partir daí, selecionar as questões, pensando quais
tópicos serão priorizados e quais serão contemplados com um número menor de questões.

Após selecionar os tópicos e definir o tempo dedicado a cada um, o tutor deve selecionar,
dentre as questões ainda não resolvidas da apostila, quantas e quais, dentre de cada tema,
serão resolvidas com a turma nesta aula de revisão.

A ABORDAGEM

79
Esta é uma aula de revisão por meio de exercícios. Estabelecido o CONTEÚDO da aula,
seguem algumas orientações fundamentais quanto à ABORDAGEM:

(1) Jamais dê um tempo para que o aluno resolva as questões sozinho (ou em grupo,
duplas, não importa) primeiro, para só depois entrar com a correção; não temos tempo
para isso. O aluno deve resolver questões sozinhos em casa, de modo que o ideal é orientá-lo
na aula anterior para que faça isso (e, neste momento, ele pode contar com a ajuda do 0800;
além disso, muitos tutores se colocam à disposição por email, Facebook, Orkut, etc., o que é
ótimo). Alguns farão, muitos não farão, mas o fato é que a aula não é o momento para isso.

(2) Não se trata, de modo algum, de simplesmente CORRIGIR as questões selecionadas, mas
de utilizá-las como ponto de partida para a REVISÃO dos tópicos escolhidos, retomando
conceitos e explicações e ilustrando-os por meio dos exercícios. Portanto, você vai levar algum
tempo em cada questão. Repito: é RESOLVER a questão, explicando cada alternativa e
aproveitando para revisar a matéria e retomar conceitos, e não simplesmente fazer uma
correção sumária do exercício. A questão aqui é ponto de partida e exemplo para a revisão.

(3) Ao resolver cada questão, você deve não apenas retomar/revisar o CONTEÚDO, mas
ensinar o aluno como FAZER UMA QUESTÃO DE VESTIBULAR (e, mais especificamente,
uma questão do Enem). Por isso, guie-os na leitura do enunciado, chame a atenção para
aspectos recorrentes no Enem, leia cada alternativa, aponto aspectos da alternativa que
servem como pistas, se for o caso; enfim, boa parte da aula é ensinar não o conteúdo, mas
meios de resolver questões desse tipo, familiarizando os alunos (mais ainda) com elas.

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aulas 30 e 31
REVISÃO PARA O ENEM (IV) e (V)

Resolução coletiva, em sala, da prova ENEM 2017


completa, sob liderança do tutor – parte 1.

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