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Por Andrea Gimenes

30, setembro, 2008

Afinal, nascemos ou nos tornamos Líderes?

Este é um tema que gera discussões em diversos campos do conhecimento humano. Embora
haja muitas técnicas e teorias sobre como ser um líder eficaz, constata-se que ainda há profissionais
tecnicamente muito competentes, que gerenciam equipes, mas que não são bons líderes. Há pessoas
que gostam de trabalhar sozinhas, não sabem ou não gostam de conceder responsabilidades,
comunicar, apoiar, corrigir, reconhecer.

E o que faz um gestor ser um líder eficaz? É possível desenvolver esta habilidade através de
técnicas e teorias ou já nascemos com esta competência?

Acredito que realmente existem alguns fatores naturais que nos levem a nos tornar líderes e
não apenas chefes, entretanto podemos aprimorar a liderança através de conceitos e técnicas. Um
líder eficaz precisa de certas competências, que, mesmo sendo inatas, necessitam aprimoramento.

Deixo de lado neste momento as teorias acadêmicas e relaciono as práticas que para mim
são valiosas:

1) Gostar de Trabalhar com Pessoas: criar um ambiente onde os colaboradores possam


demonstrar seus talentos, criatividade, ética, em que ele saiba que é respeitado e que precisa
respeitar quem está ao seu lado, seu gestor e o seu cliente. Sempre que possível, envolvê-los nas
discussões para encontrar novas soluções para melhoria de processos.

2) Dizer “O quê”, “Por que”, e “Como fazer”: explicar a consequência de determinada


ação ser bem executada ou não, qual resultado que este trabalho trará e como fazê-lo de forma
eficaz. Não adianta só dizer o que fazer, mas sim quais as melhores alternativas e deixar claro que
se determinado trabalho não for bem executado, trará consequências que poderão refletir nos
resultados e na imagem da empresa.

3) Conhecer a equipe tecnicamente, suas forças, fraquezas e oportunidades:


diagnosticar onde estão os melhores, os que precisam de mais apoio e colocar-se ao lado deles
incondicionalmente. Detectar necessidades de treinamentos ou reciclagens, talentos individuais,
colocar-se ao lado da equipe em momentos de erros e acertos.

4) Bom humor: isso é um fator fundamental – Mas, você deve estar se perguntando “bom
humor?”. É isso mesmo. Vivemos pressionados por todos os lados: resultados, necessidade de
crescimento, aprimoramento, a dificuldade de viver em grandes metrópoles – onde estão as grandes
empresas e os mais difíceis níveis de qualidade de vida – entre outros.

O bom humor é um ingrediente extremamente valioso no meu dia-a-dia. Trabalho com


equipes de atendimento onde a rotatividade é baixa e a equipe trabalha com processos, produtos e
serviços altamente complexos, mutantes e com poder na tomada de decisão. E estas decisões têm
que ser positivas para o cliente e para a companhia. Não aquele bom humor “oba-oba”. Este, claro
também é necessário, mas me refiro ao bom humor nos pequenos detalhes, nos acertos e
principalmente nas dificuldades. Já apliquei em outras equipes multidisciplinares e deu certo. Eu
chamaria de bem estar emocional.

Também sou defensora da tese de que ninguém motiva ninguém. Nós líderes, criamos
condições para que o profissional encontre automotivação. É importante despertar nele seus talentos
e conceder-lhes oportunidades para que os desenvolva e coloque-os em prática, pois muitas vezes é
provável que nem ele tenha conhecimento do seu potencial.

Um ambiente produtivo, com equipes engajadas e orientadas para resultados, é fruto da


presença de lideranças capazes de oferecer orientação e feedback. Acredito que este seja um novo
conceito de liderança que começa a se consolidar no mercado.

Práticas mais recomendadas:

É extremamente valioso manter a mente aberta e flexível para também receber feedback que,
em alguns momentos, pode ter um tom crítico. As críticas devem vir acompanhadas de colocações
objetivas e positivas assim será uma troca proveitosa. Algumas empresas ainda temem o retorno
obtido das reuniões contínuas de feedback ou a fazem de forma superficial. Esquecem-se de que
desperdiçam oportunidades de desenvolvimento contínuo.

O líder ou coach deve ser um natural incentivador, com humildade para saber relacionar-se
com todos os níveis na estrutura hierárquica, é neste ponto onde se apoia a importância do bem estar
emocional de sua equipe. Ele também deve ter em mente que todos trabalham pelo mesmo objetivo.
Excelência em relacionamento não deve ser só com o cliente, mas deve começar primeiro com a
própria equipe.

Estimular o desenvolvimento dos integrantes de sua equipe lançando desafios que possam
ser alcançados. Gestão participativa sempre resulta em pessoas mais comprometidas com os
resultados. O líder deve ter paciência e persistência em todos os processos fundamentais para fazer
com que a equipe chegue onde deve chegar.

Conquistar o compromisso da equipe através de avaliação de desempenho justa, sem jamais


questionar as intenções pessoais, mas sim, focar em determinado comportamento ou atitude.

Diante destas técnicas chego à conclusão de que podemos aprendê-las e aperfeiçoá-las. Mas
em um time, sempre tem aquele que escolhe a equipe, que lado da quadra quer jogar, e é o primeiro
a gritar assertivamente quando alguém não está com o desempenho adequado ao jogo, diferente dos
demais.
Por que será?

Andrea Gimenes é Gerente Nacional de Atendimento da Equifax do Brasil. Formada


em Jornalismo e pós-graduada em Marketing de Serviços pela FAAP (Fundação Armando
Álvares Penteado).

Fonte: http://www.shermarketing.com.br/afinal-nascemos-ou-nos-tornamos-lideres/

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