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20 Especial Agroanalysis Outubro de 2007

Certificação
do agronegócio

A Associação Brasileira de Agribusiness realizou no


dia 17 do corrente mês o seu 9º Fórum, para tratar da
certificação do agronegócio. De extrema importância para
o setor, o assunto passa a merecer especial atenção.
As principais informações apresentadas e analisadas
durante o evento, foram registradas pela Agroanalysis.
São matérias atuais, muito pouco veiculadas para o
público do agronegócio, desenvolvidas por profissionais
de larga experiência. Normas e regulamentos técnicos
de produtos, serviços e processos, junto com metrologia
e avaliação de conformidade, são questões-chave para
o sistema de alimentos, fibras e energia renovável.

9º Fórum Abag meio do Comitê Gestor do Fundo Se-


torial do Agronegócio (CTAgro), que
Como país membro da Organização
Mundial de Comércio, essa crescente
aprovou recursos na Financiadora de inserção do agronegócio brasileiro no
Estudos e Projetos (Finep), para a elabo- comércio mundial exige o cumprimen-
Carlo Lovatelli*
ração do Projeto Qualiagro – Sistema de to de regras e a participação de acordos,
Qualidade nas Cadeias Agroindustriais, como barreira técnica, sanidade e pro-

O TEMA do 9º Fórum Abag, sobre


certificação no agronegócio, é mui-
to oportuno e conta com a parceria fun-
coordenado pela Fundação de Estudos
Agrários Luiz de Queiroz e proposta
pela Abag.
priedade intelectual.
Isso afeta a maneira de desenvolver o
negócio e coloca pontos prioritários na
damental de duas instituições para tra- De 2000 a 2006, saímos de uma exporta- nossa agenda de trabalho. Temos de nos
tar da questão da certificação no Brasil: ção de US$ 20,6 bilhões, para chegarmos preparar no campo das normas, das re-
a Associação Brasileira de Normas Téc- a US$ 49,4 bilhões. De janeiro a setembro gulamentações e na avaliação da confor-
nicas (ABNT) e o Instituo Nacional de deste ano, em relação ao mesmo período midade. Estreitar laços com a ABNT e o
Metrologia, Normalização e Qualidade do ano passado, crescemos 18 % e arreca- Inmetro passa a ser vital.
Industrial (Inmetro). damos US$ 42,8 bilhões. Certamente, te- Por sua vez, a aplicação da sustenta-
Também temos a participação do Mi- remos neste exercício outro valor recorde bilidade em cima da Triple Bottom Line
nistério de Ciência e Tecnologia, por na balança comercial do agronegócio. para o equilíbrio dos vértices entre a
Especial Outubro de 2007 Agroanalysis 21

produção, o meio ambiente e a respon- Obstáculos ao comércio – da tarifa para a tecnologia um exercício conceitual
sabilidade social, ganha força global. Classes de Produtos
Esse conceito sai rapidamente da esfera (EUA: 100% Produtos
Elétricos Baixa Tensão)
teórica para ser incorporado ao mundo
dos negócios. Uma tendência que não
Tarifa Média Aplicada ~800.000
pode ser negligenciada. (Produtos)
SGQ*
Precisamos urgentemente comunicar, > 40%
mostrar as virtudes do nosso agronegó-
cio, como o domínio da tecnologia para
o cerrado, o plantio direto e a integra-
ção lavoura/pecuária. Revelar os ganhos > 200.000
de produtividade e informar o espaço < 5% SGA**

disponível existente para a agricultura


crescer. Isso tudo em harmonia com o
meio ambiente. 1947 1949 1987 1993 1995 2004
Criação do Gatt Normas ISO 9000 ISO 14.000 Criação da OMC
Estamos de volta de uma viagem a Criação ISO Militares BS
importantes capitais da Europa, numa * SGQ = Sistema de Gestão da Qualidade
espécie de road show, no empenho de ** SGA = Sistema de Gestão Ambiental

apresentar os aspectos positivos do que


fazemos por aqui, em termos de boas TIB & Cadeia do Agronegócio
práticas no campo e na agroindústria. Matriz de documentos normativos aplicáveis ao agronegócio
Por lá, a desinformação é muito grande e
Caráter do Foco do documento Objeto da
quase sempre prejudica a nossa imagem. Documento Normativo Instituição
documento normativo aplicação
Visitamos a Alemanha, Holanda, Belgica
Regulamentos Técnicos com Segurança dos
e a Inglaterra. Esse tipo de ação terá de ser Anvisa Compulsório Produto
Características de Produtos alimentos
freqüente de agora em diante. Isto posto, Regulamentos Técnicos de Segurança dos
vamos para as apresentações. MAPA Compulsório Produto
Identidade e Qualidade alimentos
Boas Práticas Agrícolas MAPA Compulsório Sanidade vegetal Sistema
* Presidente da Associação Brasileira de Agribusiness
Qualidade do
Boas Práticas de Fabricação Anvisa Compulsório Sistema
produto
NBR ISO 22000: Gestão da Segurança dos
A Cadeia da Segurança de Alimentos
NBR ISO 14000: Gestão
ABNT Voluntário
alimentos
Sistema

Conformidade Ambiental
NBR 16001: Responsabilidade
ABNT Voluntário Ambiental Sistema

Aplicada ao Social
NBR 14900: Análise de Perigos
ABNT Voluntário Social

Segurança dos
Sistema

Agronegócio e Pontos Críticos de Controle


ABNT Voluntário
alimentos
Produto

Alguns aspectos
Tudo desenhado para a substituição de apuramento em escala subatômica. A
conceituais importações, com proteção de mercados, metrologia segue os procedimentos la-
via barreiras tarifárias e regulação. boratoriais, de acordo com a NBR ISO
Desde então, novos paradigmas de or- 9000,10012, NBR ISSO/TEC 17925,
Reinaldo Ferraz* dem política, econômica, social, indus- Guias ABNT ISSO/TEC 57, 43-1 e 43-
trial e tecnológica surgiram. Houve uma 2, para as realizações das comparações-
integração competitiva e os modelos fica- chave. A normalização e a regulamenta-

N O AMBIENTE anterior à criação


da Organização Mundial do Co-
mércio, em 1995, prevaleciam nos países
ram mais interdependentes. A proteção
de mercado passou a ser via barreiras téc-
nicas e regulatórias específicas.
ção são avaliadas por ensaios conforme
a qualidade e a conformidade de produ-
tos, serviços e sistemas (NBR ISO/9000
os modelos autóctones, com políticas Com o desenvolvimento científico e e NBR ISO/14000). A declaração, quali-
pouco voltadas para a competitividade. tecnológico, as medições ganharam um ficação e certificação se juntam a concei-
22 Especial Agroanalysis Outubro de 2007

tos de sustentabilidade, ligados às variá- Como exemplo prático, no caso da la- • Caráter: certificação voluntária no
veis ambientais e sociais. ranja, tería como TBT o tamanho, a cor e âmbito do Sbac;
No mundo, enquanto a tarifa média a embalagem. Já o uso de pesticidas fica- • Certificador: organismos acreditados
aplicada a bens sofre queda, a aplicação de ria enquadrado no SPS. pelo Inmetro;
normas como a ISO (International Orga- Os desafios estariam relacionados à • Laboratórios: acreditados pelo MAPA.
nization for Standardization) passa a ser maior restrição (exemplo: redução dos O PIF envolve as qualidades:
cada vez mais constante. Quando não se limites máximos de resíduos – LMR), • Do trabalho: qualificação, segurança,
cumpre o regulamento técnico, o produto complexidade (por exemplo: acréscimo higiene e sanidade;
não pode ser colocado e há um obstáculo de requisitos de auditoria e rastreabili- • Ambiental: água, solo e gestão;
de acesso ao mercado. Se uma norma não dade) e dimensão (exemplo: inclusão de • Da cultura: pesticidas, herbicidas,
é cumprida, há um obstáculo de aceitação requisitos de sustentabilidade). nutrientes, plantio, cultivo e colheita;
pelo mercado. Os pilares da sustentablidade do agro- • Da pós-colheita: controle de resíduos
Com a globalização ocorrem alguns as- negócio estão na: e contaminantes, beneficiamento, ar-
pectos particulares de: • Segurança dos alimentos: limite má- mazenamento e transporte.
• Necessidades de normas comuns; ximo de resíduo, limites de metais Com as tendências da evolução da TIB
• Avaliação de conformidades: reco- pesados, aditivos alimentares, rastrea- nas cadeias agroindustriais de:
nhecimento mútuo, confiança técni- bilidade e APCC; • Crescente agregação de tecnologia aos
ca e regras universais; • Sanidade vegetal: avaliação vegetal, ava- processos e produtos agrícolas, carac-
• Metrologia: sofisticação e rastreabi- liação de riscos de pestes, quarentena; terizando cada vez menos como com-
lidade; • Qualidade do produto: composição modities;
• Direito dos consumidores: cultura; do produto, limpeza do produto, ro- • Aumento da produção e da produti-
• Novas abordagens nos anos 80 na tulagem, composição nutricional; vidade, com adoção de modelos mais
União Européia; globalização em es- • Qualidade ambiental: controle de rápidos e automatizados, bem como
cala piloto; água e solo, proteção da biodiversida- de sistemas de gestão;
• Papel do Estado; de, proteção de espécies em extinção; • Demanda crescente da sociedade por
• Acordo de barreira técnica (TBT); • Qualidade social: segurança do tra- melhoria da qualidade, envolvendo
• Acordo sanitário (SPS). balho, segurança higiênico-sanitária, questões de interesse social que inte-
As aplicações do TBT envolvem a ava- qualificação de pessoal, comprometi- gram a cadeia agroindustrial;
liação da conformidade de uma regula- mento com a comunidade. • Maior reconhecimento de que a qua-
mentação técnica (medida compulsória) Com sete organismos de certificação, lidade dos produtos agroindustriais
e de uma norma (medida voluntária). 304 produtores ou empacotadores cer- depende, de forma crescente, de sis-
Não fazem parte do acordo as: tificados, o Programa de Produção Inte- temas de produção integrada;
• Normas e regulamentos técnicos grada de Frutas (PIF) possui como marco • Crescimento de restrições a produtos
aplicados a serviços; normativo e regulatório: agroindustriais no campo das barrei-
• Especificações de compras prepara- • Referências: documentos normativos ras não tarifárias;
das pelos governos. do MAPA e do Inmetro; • Intensificação da abertura de merca-
dos, expondo produtos nacionais à
concorrência com importados com
Iniciativas Públicas de Produção Agrícola Integrada qualidade assegurada;
As consequências são de:
• União Européia - Good Farming Practice – GFP (Common Agricultural Policy)
• Intensificação do processo normativo;
(www.ec.europa.eu/agriculture/)
• Aumento da quantidade de laborató-
• Estados Unidos - Integrated Agricultural Systems National Program (www.ars. rios de ensaio e análises;
usda.gov/research/programs/) • Crescimento dos processos de certifi-
• Nova Zelândia - On-Farm Quality Assurance and Environmental Management Sys- cação e formas correlatas
tems – QA/EMS (www.maf.govt.nz/mafnet) O Relatório Brundtland, da Comissão
• Canadá - Organic Agricultural Products Certification Regulation (Agri-Food Choice Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvol-
and Quality Act) (www.qp.gov.bc.ca) vimento (ONU), de 1987 trata o desenvolvi-
mento sustentável como aquele que satisfaz
• Coréia do Sul - Quality Certification and GI System Program (National Agricultural
as necessidades do presente sem compro-
Products Quality Management Service – NAQS) (www.naqs.go.kr)
meter a capacidade de as futuras gerações
satisfazerem as suas próprias necessidades”.
Especial Outubro de 2007 Agroanalysis 23

Hierarquia das normas


Para a agricultura, na certificação do pro-
duto e da produção, há uma visão integrada
da responsabilidade social (ABNT NBR ISO
16001) com a gestão ambiental e avaliação ABNT representa
do ciclo de vida (ABNT NBR ISO 14000). o Brasil

)
ica
Com a avaliação do desempenho am-

ma
INTERNACIONAL

r
biental, o foco na função do produto foi ISO IEC

is
ex
(ge
revolucionada ao integrar os processos REGIONAL

ige
e
e atividades necessários para o produto/

nt
AMN COPANT

nt
ige

e
serviço cumprir sua função, além da pres-

(re
NACIONAL
ex
tação de serviços, com a inclusão da ca-

st
s ABNT DIN BSI AFNOR
no

rit
deia de fornecedores e a destinação final.
me

iv
Avaliação do ciclo de vida (ACV) é ASSOCIAÇÃO

a)
ASME ASTM AWS
uma técnica para avaliar aspectos e im-
pactos ambientais associados a um pro- EMPRESA
duto/serviço/atividade ao longo do seu PETROBRAS
ciclo de vida.
O ciclo de vida é entendido como o
Normas técnicas por produtos
conjunto de etapas para que um produ-
to/serviço/atividade cumpra sua função, Argentina Chile Colômbia Cuba Espanha França México Rússia Uruguai Brasil
desde a obtenção dos recursos naturais
Açúcar 3 11 42 39 25 18 2 50 14 54*
usados na sua fabricação até a sua dispo-
sição após ter cumprido a sua função. Álcool 5 30 147 22 26 41 13 47 34 31
As referências sobre aspectos sociais
Algodão 1 13 30 6 32 76 2 50 0 0
aplicáveis à ACV são Global Compact; SA
8000 (Social Accountability); Diretrizes Arroz 0 3 2 0 0 9 2 9 1 0
OCDE; Global Reporting Initiative (GRI)
Banana 0 0 2 0 1 2 2 0 0 0
e o Balanço Social Ibase.
Batata 0 0 1 2 2 6 0 5 0 0
* Coordenador Geral de Serviços Tecnológicos do
Ministério de Ciência e Tecnologia Café 1 2 31 5 4 32 3 13 0 2**

Carne 0 39 15 9 13 71 0 50 43 1

Cebola 0 0 0 0 0 2 0 4 0 0

Normalização e Citrus 3 0 0 2 3 10 6 1 0 0

Leite 53 45 49 52 106 112 0 50 7 0


o agronegócio Mamão 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0

Manga 0 1 8 2 0 0 1 0 0 0
Eugênio Guilherme Tolstoy de Simone* Melão 0 1 5 1 1 0 0 3 0 0

Milho 1 3 9 1 3 0 1 11 2 0

Contexto internacional: Soja 2 1 4 1 8 17 0 7 3 0


• Desaparecimento de barreiras políti-
Tomate 12 0 8 4 4 1 0 7 5 0
cas importantes; liberação de muitas
economias nacionais; abertura para Trigo 13 5 18 4 10 26 2 34 7 0
o exterior;
Uva 2 2 9 0 5 5 1 4 2 0
• Contínuo crescimento do comércio
desde a Segunda Guerra Mundial, Total 96 156 381 150 243 428 35 345 118 32
acelerando-se a partir das duas últi- * algumas desatualizadas tecnicamente e com mais de 10 anos havendo necessidade de revisão
mas décadas; ** com mais de 20 anos sem nenhuma expressão para o setor
24 Especial Agroanalysis Outubro de 2007

• Relações de comércio tornando-se


preocupação internacional, o GATT
consumidor, segurança, economia e eli-
minação de barreiras comerciais.
Inmetro
e depois a OMC;
• Necessidade de livre intercâmbio de
Para uma norma ser eficiente deve:
• Atender a uma necessidade real;
Sua contribuição
produtos e serviços em escala global;
• Competição mundial aumentando
• Apresentar uma solução aceitável;
• Gerar benefícios, e não entraves;
para a
progressivamente; • Ser continuamente atualizada. competitividade
• Redução do tempo e dos custos para
o mercado, exercendo grande pressão das empresas
sobre as empresas;
• Ciclos de produção, em todos os
A ABNT
• Fundada em 1940;
brasileiras
segmentos, consideravelmente mais
• Privada, sem fins lucrativos e de
curtos do que há 20 anos (em tecno-
utilidade pública;
logias da informação e comunicação, Alfredo Carlos Lobo*
• Reconhecida pelo governo brasi-
os ciclos de produto estão abaixo de
leiro como único Fórum Nacional
um ano);
de Normalização;
• Crescimento do comércio mundial
aumentou a necessidade de normas
internacionais;
• Membro fundador da ISO, Co-
pant e AMN e membro da IEC
O SISTEMA oficial brasileiro de avalia-
ção da conformidade segue as dire-
trizes do Conselho Nacional de Metrolo-
desde a criação da ABNT;
• As normas internacionais impactam gia, Normalização e Qualidade Industrial
• Responsável pela gestão do pro-
diretamente nos mercados globais; (Conmetro) para o trato das questões liga-
cesso de elaboração de normas
• Para alguns setores, a normalização das à metrologia, à normalização, à avalia-
brasileiras;
internacional tem maior importân- ção da conformidade e à acreditação.
• Signatária do código de boas prá-
cia do que a regional e nacional; O Instituto Nacional de Metrologia, Nor-
ticas em normalização da OMC;
• As normas internacionais sãos desen- malização e Qualidade Industrial ( Inme-
• Certificadora de produtos e sis-
volvidas por organismos internacio- tro) é uma autarquia federal, vinculada ao
temas.
nais de normalização internacional- Ministério de Desenvolvimento, Indústria
mente reconhecidos: ISO, IEC e ITU; e Comércio, para propiciar confiança nas
• A OMC recomenda que os seus mem- medições e na conformidade de produtos
bros participem ativamente do pro- O desenvolvimento de uma norma bra- em relação a normas e regulamentos.
cesso da normatização internacional; sileira começa quando a sociedade mani- Temos várias atividades:
• A grande adesão de países à ISO in- festa a necessidade e uma comissão de es- Primeira: em metrologia científica de-
dica que existe maior conscientiza- tudos elabora um projeto de norma, que é senvolvemos os padrões nacionais de
ção da importância da participação submetido à consulta nacional, para então medição de menor incerteza e maior pre-
do trabalho de normalização inter- ser aprovada e colocado à disposição da so- cisão. Desenvolvemos materiais de refe-
nacional. ciedade, depois de toda discussão. A ABNT, rência, como no caso do padrão de etanol,
A norma é um documento estabeleci- com 58 comitês técnicos, faz a gestão desse por exemplo, para sustentar as atividades
do por consenso e aprovado por um or- processo. A ISO é uma organização não- industriais e as atividades de avaliação da
ganismo reconhecido, que fornece, para governamental, estabelecida em 1947. conformidade.
um uso comum e repetitivo, regras, dire- É uma federação de estrutura descen- Segunda: no campo da metrologia le-
trizes ou características para atividades tralizada. É a maior das três organizações gal, regulamentamos e fazemos as veri-
ou seus resultados, visando à obtenção de certificações internacionais: ISO, IEC e ficações periódicas dos instrumentos de
de um grau ótimo de ordenação em um ITU. Desenvolve normas voluntárias ba- medir, que regulam as relações de con-
dado contexto. seadas em consenso e mantém parcerias sumo, tais como a bomba de gasolina, o
Convém lembrar que as normas sejam com outros desenvolvedores de normas, taxímetro, a balança, e assim por diante.
baseadas em resultados consolidados como o CEN. Terceira: na avaliação da conformi-
da ciência, tecnologia e da experiência Existem normas para a qualidade (ISO dade, coordenamos a implantação dos
acumulada, visando à obtenção de bene- 9000), para o ambiente (ISO 14000), a programas de avaliação, com ênfase na
fícios para a comunidade. (ABNT ISO/ ISO 16000 para responsabilidade social e certificação.
IEC Guia 2). a ISO 22000 (APPCC). Quarta: é o organismo oficial de acredi-
Os objetivos da normalização são: co- tação do Estado brasileiro. A certificação
municação, simplificação, proteção ao * Diretor de Normatização é uma avaliação de terceira parte da con-
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formidade do produto, serviço e processo. normas e programas de certificação. Os


Os laboratórios e diferentes organismos Conceitos básicos da produtores que não seguirem terão difi-
que fazem as certificações são acreditados avaliação da conformidade culdades de acesso àqueles mercados.
pelo Inmetro. A criação de fóruns paralelos vai fazer
• Inmetro - A avaliação da confor-
Quinta: ponto focal do acordo de bar- com que os produtores tenham diferentes
midade é um processo sistemati-
reiras técnicas da Organização Mundial programas de certificação. O atendimen-
zado, com regras pré-estabeleci-
do Comércio. Os regulamentos feitos no to a diferentes normas impacta os custos
das, devidamente acompanhado
Brasil para um produto globalizado, ela- desses produtores.
e avaliado, de forma a propiciar
borado sem base numa norma interna- Recentemente, em Genebra, a ONU
adequado grau de confiança de
cional, precisam ser notificados à Organi- e a OMC organizaram uma discussão
que um produto, processo ou
zação Mundial do Comércio. sobre o impacto causado no campo do
serviço, ou ainda um profissio-
Quando começamos, há mais de 30 agribusiness por essas iniciativas. O Bra-
nal, atendem a requisitos pré-
anos, o foco da atuação do Inmetro já era sil, no âmbito do Comitê Brasileiro de
estabelecidos por normas ou re-
a proteção do cidadão, no que diz respeito Avaliação da Conformidade, desenvolve
gulamentos, com o menor custo
à saúde, segurança, hoje estendido tam- normas nacionais que levem aos resul-
possível para a sociedade;
bém às questões de meio ambiente. No tados equivalentes aos das normas da-
• ABNT NBR ISO/IEC 17000 - de-
final da década de 80, começamos a atuar queles fóruns.
monstração de que os requisitos
na competitividade da empresa brasileira, Em relação à EurepGAP, decidimos
especificados relativos a um pro-
quando o Brasil abriu a sua economia. não aceitar a imposição de normas de
duto, processo, sistema, pessoa
As demandas por confiança na medição um setor privado. Essas normas fazem
ou organismo são atendidos;
e conformidade de produtos, serviços e exigências diferentes no que diz respeito
• OMC - Organização Mundial do
processos foram muito voltadas para con- a processos de certificação, além se serem
Comércio - qualquer atividade
tribuir com a melhora da competitividade complexas.
com objetivo de determinar, di-
da empresa brasileira. Mais recentemente, Seguimos como linha de ação fazer
reta ou indiretamente, o atendi-
as demandas focam também a questão uma negociação de acordo com equiva-
mento a requisitos aplicáveis.
de acesso ao mercado. A importância dos lência de normas. Fazemos uma norma
programas de certificação de produtos, nacional, de modo a aumentar o grau de
particularmente dos produtos globaliza- confiança na segurança do produto, se-
dos, está em propiciar acesso ao mercado. • Facilitar o comércio exterior, possibili- melhante ao propiciado pela norma seto-
O Inmetro tem as suas instalações la- tando o incremento das exportações; rial. A EurepGAP não aceita essa idéia de
boratoriais em Xerém, distrito do mu- • Fortalecer o mercado interno; equivalência e impõe a sua norma.
nicípio de Duque de Caxias, no estado • Agregar valor às marcas. Discutimos o assunto com o MAPA.
do Rio de Janeiro, com investimentos da De 30 a 40% dos programas de cer- Não podemos aceitar a imposição de uma
ordem de US$ 400 milhões. Os padrões tificação desenvolvidos e implementa- norma setorial privada. Dentro do siste-
nacionais precisam de desenvolvimento dos recentemente pelo Inmetro tiveram ma brasileiro de avaliação da conformi-
tecnológico para atender à demanda da como objetivo suportar o aumento das dade, temos o plano de ação quadrienal,
tecnologia, às questões de inovação etc. exportações. O certificado funciona que define as necessidades da sociedade
Temos historicamente um apoio grande como uma espécie de passaporte para brasileira, em termos de desenvolvimento
do Ministério de Ciência e Tecnologia na acesso a mercados exigentes. Certifica- de programas de certificação.
captação de recursos. mos frutas, cachaça, manejo florestal, Fizemos um plano 2000/2003. Estamos
A avaliação da conformidade pressupõe, cadeia de custódia com o intuito de pro- no término do plano 2004/2007, com
no âmbito do sistema oficial brasileiro, um piciar acesso ao mercado. realização de cerca de 80% dele. Agora
tratamento sistêmico. Existem diferentes No campo do agribusiness, há uma pro- elaboramos o plano 2008/2011 e já con-
conceitos sobre avaliação da conformida- fusão de iniciativas de criação de normas e tamos com 55 programas.
de. A certificação é um dos mecanismos de programas de certificação setorial privados: No agribusiness, os destaques são: fios
avaliação da conformidade. EurepGAP, PFC etc. Uma série de entidades e cordas de sisal, processo de combate a
A importância da Avaliação da confor- ou fóruns internacionais estabelecem nor- mosca-da-fruta, cachaça, responsabilida-
midade esta em: mas setoriais privadas, o que é vantajoso, de social, turismo sustentável, turismo de
• Propiciar a concorrência justa; mas também tem algumas desvantagens. aventura, mel, embalagens de produtos
• Estimular a melhoria contínua da O EurepGAP é um fórum forte, utili- perigosos, flores e plantas ornamentais,
qualidade; zado pelos grandes atacadistas europeus produtos orgânicos etc. Há ainda a certi-
• Informar e proteger o consumidor; com poder de compra para estabelecer ficação de biocombustíveis.
26 Especial Agroanalysis Outubro de 2007

O Programa de Certificação de Ca- • Uma, chamada de base normativa, • Programas em Desenvolvimento: 55,
chaças foi tipicamente demandado pelo de caráter voluntário, ou um regula- representando 90 produtos;
setor para alavancar as exportações. De- mento, que define os requisitos para • Marcas de Produto no Mercado com
senvolvemos os critérios de avaliação da serem avaliados. selo do Inmetro: Certificados - 16.000
cachaça para efeito de certificação. Ado- • A outra, chamada de regulamento e marcas - 120.000.
tamos, como prática corrente, os requi- de avaliação da conformidade, que é Por fim, chamo a atenção para uma
sitos da autoridade de regulamentação o como avaliar e propiciar confian- prática adotada no Sistema Brasileiro de
no setor, que, no caso, é o MAPA, com ça de que os requisitos estabelecidos Avaliação da Conformidade, de acordo
a colocação dos requisitos adicionais de na norma ou no regulamento es- com orientação do Conmetro, que é a de
alguns países importadores. Por exem- tão sendo efetivamente alcançados. termos participação internacional nos:
plo, introduzimos o requisito de teor Esse documento é um documento 1. Fóruns de Estruturas de Acreditação:
máximo de carbamato de etila. Hoje te- geralmente de responsabilidade do • IAF (Fórum Internacional de Acredi-
mos 13 cachaças certificadas e mais 33 Inmetro. tação);
em fase de certificação. Como a base normativa é da autori- • Ilac (Organismo Internacional de
Desenvolvemos um programa, junto dade regulamentadora, os programas de Acreditação de Laboratórios);
com o MAPA, de certificação de frutas, certificação de cachaça e de fruta, por • EA (Organismo de Acreditação da
de produção integrada de frutas. Cerca exemplo, são do Ministério da Agricultu- União Européia);
de 80% da safra atual de maçã, no Brasil, ra. A sistemática de como avaliar a obser- • Aplac (Organismo de Acreditação da
é produzida com o conceito de produção vância dos requisitos da base normativa é Ásia e Pacífico);
integrada e com demanda de certificação. um documento tipicamente do Inmetro, • IAAC (Cooperação Interamericana
Existe o programa de certificação de mas que é feito por meio de comissões de Acreditação).
etanol. Além de avaliar a qualidade intrín- técnicas, com a participação das partes 2. Fóruns de Programas de Avaliação
seca, ou seja, a propriedade físico-química interessadas. da Conformidade: PEFC (Program for
do etanol, considera também o impacto Existem: the Endorsement of Forest Certification
sócio-ambiental na produção. Agora, em • Programas de Avaliação da Confor- Schemes)
novembro, no âmbito de governo, preten- midade Compulsórios: 88; Esses acordos multilaterais de reconhe-
demos colocar em consulta pública uma • Programas de Avaliação da Confor- cimento são facilitadores do comércio in-
proposta de certificação de etanol. midade Voluntários: 26; ternacional. 
Um programa de certificação tem dois • Produtos com certificação voluntá-
documentos típicos: ria: 198; * Diretor de Qualidade

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