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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

Faculdade de Gestão de Recursos Florestais e Faunísticos

Os Desafios da Consulta Comunitária na Planificação do Desenvolvimento


Local do Distrito de Chimbunila.

Firmina Bento Juliasse

Lichinga, Agosto de 2020


Os Desafios da Consulta Comunitária na Planificação do Desenvolvimento Local
do Distrito de Chimbunila (2015-2018).

Monografia científica a ser


apresentada à Faculdade de Gestão de
Recursos Florestais e Faunísticos,
Universidade Católica de
Moçambique como requisito para
obtenção do grau académico de
Licenciatura em Administração
Pública

Supervisora:

__________________________

MA Milena P. A. Adolfo

Lichinga, Agosto de 2020


Índice

Declaração de Honra ................................................................................................................... iv


Agradecimento ............................................................................................................................. v
Dedicatória.................................................................................................................................. vi
Lista de Tabelas ......................................................................................................................... vii
Lista de Imagens ....................................................................................................................... viii
Lista de Abreviaturas .................................................................................................................. ix
Resumo ........................................................................................................................................ x
Summary..................................................................................................................................... xi
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO .................................................................................................. 12
1.1.Contextualização .............................................................................................................. 12
1.2. Problematização............................................................................................................... 13
1.3. Justificativa ...................................................................................................................... 14
1.4. Objectivos do Trabalho .................................................................................................... 15
1.4.1. Objectivo Geral ......................................................................................................... 15
1.4.2. Objectivos Específicos .............................................................................................. 16
1.5. Questões de pesquisa ....................................................................................................... 16
1.6. Delimitação do Estudo ..................................................................................................... 16
1.6.1. Delimitação Temática ................................................................................................ 16
1.6.2. Delimitação Espacial ................................................................................................. 16
1.6.3. Delimitação Temporal ............................................................................................... 17
1.7. Enquadramento do Tema ................................................................................................. 17
1.8. Estrutura do Trabalho ...................................................................................................... 17
CAPÍTULO II: MARCO TEÓRICO .......................................................................................... 18
2.1. Quadro Conceptual .......................................................................................................... 18
2.1.1 Participação ................................................................................................................ 18
2.1.2 Comunidade ............................................................................................................... 19
2.1.3 Participação Comunitária............................................................................................ 19
2.3.2 Consulta comunitária .................................................................................................. 19
2.3.3 A Consulta Comunitária e sua relação com a participação comunitária ....................... 20
2.3.4 Comunidade Local ..................................................................................................... 20
2.3.5 O Conselho Local (CL), Fóruns Locais (FL), Comités Comunitários (CC) e Fundos
Comunitários (FC) .............................................................................................................. 21
2.3.6 Planificação Descentralizada ...................................................................................... 22
2.3.7 Desenvolvimento Local .............................................................................................. 23
2.2. Teoria de Base ................................................................................................................. 23
2.1. Revisão da Literatura Empírica e Focalizada .................................................................... 25
2.1.1 Revisão da Literatura Empírica ...................................................................................... 25
2.1.2 Revisão da Literatura Focalizada.................................................................................... 26
CAPÍTULO III: METODOLOGIA ............................................................................................ 27
3.1. Tipo de pesquisa .............................................................................................................. 27
3.2. Métodos ........................................................................................................................... 27
3.2.1 Método de Abordagem.......................................................................................... 27

ii
3.2.2. Método de Procedimento ........................................................................................... 28
3.3. Instrumentos ou Técnicas de Pesquisa .............................................................................. 28
3.3.1. Pesquisa Bibliográfica ............................................................................................... 28
3.3.2. Pesquisa Documental................................................................................................. 29
3.3.3. O Questionário .......................................................................................................... 29
3.3.4. Inquérito por Entrevista semi-estruturada .................................................................. 29
3.3.5. A observação naturalista ............................................................................................ 30
3.4. População/Participante ..................................................................................................... 30
3.4.1 Participantes ............................................................................................................... 30
3.5 Limitação do Estudo ......................................................................................................... 31
3.6 Modelo de Análise de Resultados ..................................................................................... 31
3.7 Ética da Pesquisa .............................................................................................................. 32
3.8 Breve Caracterização Geográfica, Social e Económica do Distrito de Chimbunila ............ 33
CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS .............. 35
4.1 Apresentação de Dados ..................................................................................................... 35
4.2 Análise e Interpretação de Dados ...................................................................................... 35
4.2.1 Os Mecanismos de Articulação Entre os Órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de
Chimbunila e a sua Comunidade ......................................................................................... 35
4.2.2 Problemas de Funcionamento das Instituições de Consulta Comunitária ..................... 37
4.2.3 Representatividade dos Órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de Chimbunila .. 39
4.2.4 Desafios da Consulta Comunitária na Planificação do desenvolvimento do Distrito de
Chimbunila ......................................................................................................................... 40
4.2.5 Realização das sessões dos órgãos de consulta comunitária do Distrito de Chimbunila 43
4.2.6 Avaliação da execução dos planos discutidos nas reuniões dos Órgãos de Consulta
Comunitária ........................................................................................................................ 44
CAPÍTULO V: CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO ............................................................. 47
5.1.1 Recomendação para o Governo do Distrito ................................................................. 48
5.1.2 Recomendação para futuras pesquisas ........................................................................ 48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 49
Apêndices .................................................................................................................................. 53
Apêndice I: Roteiros de Perguntas dirigidas a população do estudo......................................... 53
Apêndice II: Respostas do questionário dirigido aos participantes da pesquisa ........................ 56
Apêndice III: Imagens ............................................................................................................ 62
Anexos ....................................................................................................................................... 64
Credencial .............................................................................................................................. 64

iii
Declaração de Honra

Declaro que esta Monografia Científica é resultado da pesquisa pessoal e das orientações da
minha supervisora, todos conteúdos e fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto
e na bibliografia final.

Declaro ainda que, este trabalho, não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção
de qualquer grau académico.

Lichinga, aos 30 de Agosto de 2020

__________________

Firmina Bento Juliasse

iv
Agradecimento

Quero expressar, a minha eterna gratidão às personalidades que tanto me ajudaram na realização
da minha carreira académica. Agradeço a minha supervisora Mestre Milena Adolfo, por me ter
orientado na realização deste trabalho. Ao meu filho Bento por estar comigo em todos os
momentos da minha vida.

Agradeço pelo desmedido apoio que os meus irmãos Benedito, Felicidade e Benvinda vêm-me
prestando e a Fernandes, pelo companheirismo multidimensional.

Quero também agradecer aos meus colegas de trabalho, por me terem ajudado a abraçar a vida
acadêmica. Agradeço igualmente aos meus colegas de turma, pelo companheirismo académico.

Os meus agradecimentos estendem-se, também, a todos os docentes do curso de Administração


Pública da UCM – Faculdade de Gestão de Recursos Florestais e Faunísticos. Quero, igualmente,
agradecer às peças-chave na realização do trabalho de campo, os funcionários do Governo do
Distrito de Chimbunila, os Membros dos Conselhos Consultivos Locais e a população residente
no Distrito em referência por aceitarem ser entrevistadas.

Por último, à todos, inclusive os que não pude mencionar, o meu mais profundo obrigado por
terem me ajudado a me tornar a pessoa que sou hoje.

v
Dedicatória

Dedico este trabalho a duas personalidades, extraordinariamente excepcionais, que sempre farão
parte da minha vida: em memória dos meus pais Bento Juliasse e Julieta Joaquim, pela sua
extrema devoção paternal.

vi
Lista de Tabelas

Tabela 1: Apresenta o género dos participantes…………………………………………….……31

Tabela 2: Divisão Administrativa do Distrito de Chimbunila………………………….………...33


Tabela 4: Apresentação de dados da pesquisa.................................................................................35
Tabela 4: Apresentação das Respostas do questionário dirigido aos participantes da pesquisa....55

vii
Lista de Imagens

Imagem 1: Furos de água abertos no quintal da casa do Chefe da localidade de Lione-Sede e ao


lado do Posto Policial de Chala……………………………………….…………………………..60

Imagem 3: Mercado Central do Distrito de Chimbunila…………………………………………60

viii
Lista de Abreviaturas

CCD - Conselho Consultivo do Distrito


CCPA - Conselho Consultivo do Posto Administrativo
CCL - Conselho Consultivo da Localidade
CCs – Comités Comunitários

CL - Conselho Local
ETD - Equipe Técnica Distrital
FCs – Fundos Comunitários

FLs – Fóruns Locais

INE – Instituto Nacional de Estatística


IPCCs – Instituições de Participação e Consulta Comunitária
MAE – Ministério da Administração Estatal
MADER - Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural
MPD – Ministério de Plano e Desenvolvimento

No - Número
LOLE – Lei dos Órgãos Locais do Estado
OCB – Órgão Consultivo de Base
OIIL – Orçamento de Investimento de Iniciativa Local
OLE - Órgãos Locais do Estado
ONGs – Organizações Não Governamentais

PA – Posto Administrativo
PED – Política e Estratégia de Descentralização
PES – Plano Económico e Social
PESOD – Plano Económico e Social e Orçamento Distrital

ix
Resumo

O estudo em desenvolvimento versa sobre «Os Desafios da Consulta Comunitária na Planificação


para o Desenvolvimento Local no Distrito de Chimbunila (2015-2018)». Tem como objectivo
analisar o contributo da consulta comunitária no processo de desenvolvimento do Distrito em
referência. Neste contexto, para a materialização do estudo usou-se uma abordagem qualitativa.
Optou-se pela pesquisa descritiva e quanto as técnicas de recolha de dados a pesquisa teve como
base o estudo bibliográfico, o estudo de campo, as entrevistas, o questionário e observação. Desta
feita, como resultados, apurou-se que as Instituições Políticas de Consulta Comunitária, no
Distrito de Chimbunila, não tem trazido melhorias significativas para desenvolvimento local,
visto que as acções desenvolvidas não vão ao encontro das necessidades urgentes das populações.
Isto porque, há uma fraca representatividade nos Conselhos Consultivos Locais (CCLs) resultante
da instrumentalização política dos órgãos de participação. Conclui-se, deste modo, que as
Instituições Políticas de Consulta Comunitária do Distrito de Chimbunila devem reduzir a
instrumentalização política dos conselhos consultivos locais e envolver os populares nas decisões
que conduzem ao desenvolvimento local. E, recomenda-se que se respeite a diversidade dos
actores envolvidos no processo participativo, de modo a contribuir na criação de possibilidades de
escolha para a população do Distrito de Chimbunila e reduzir a instrumentalização política dos
conselhos consultivos locais e, igualmente, deve-se capacitar os membros dos CCLs em matérias
relacionadas ao funcionamento dos conselhos locais e consulta comunitária com vista a
maximizar o envolvimento dos populares nas decisões que conduzem ao desenvolvimento local.

Palavras-chave: Consulta; Comunidade; Participação; Desenvolvimento e Local.

x
Summary

The study under development is about «The Challenges of Community Consultation in Planning
for Local Development in the District of Chimbunila (2015-2018)». It aims to analyze the
contribution of community consultation in the development process of the District in question. In
this context, for the materialization of the study a qualitative approach was used. We opted for
descriptive research and as far as data collection techniques were concerned, the research was
based on bibliographic study, field study, interviews, questionnaire and observation. This time, as
a result, it was found that the Political Institutions of Community Consultation, in the District of
Chimbunila, have not brought significant improvements for local development, since the actions
developed do not meet the urgent needs of the populations. This is because, there is a weak
representation in the Local Consultative Councils (CCLs) resulting from the political
instrumentalization of the participation bodies. It is concluded, therefore, that the Political
Institutions of Community Consultation of the District of Chimbunila must reduce the political
instrumentalization of the local consultative councils and involve the popular in the decisions that
lead to local development. And, it is recommended that the diversity of the actors involved in the
participatory process be respected, in order to contribute to the creation of possibilities of choice
for the population of the District of Chimbunila and to reduce the political instrumentalization of
the local consultative councils, train CCL members in matters related to the functioning of local
councils and community consultation with a view to maximizing the involvement of the people in
the decisions that lead to local development.

Keywords: Consultation; Community; Participation; Local e Development.

xi
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

1.1.Contextualização

Em Moçambique, a abertura do espaço político permitiu a introdução e desenvolvimento de várias


reformas, destacando-se as reformas de descentralização que, por sua vez, abriram espaço para o
envolvimento dos cidadãos no processo de governação. Neste sentido, tem-se assistido, iniciativas
que têm vindo a ser desenvolvidas por parte do Governo Moçambicano visando garantir maior
participação dos cidadãos no exercício da acção governativa, assegurando o seu envolvimento na
tomada de decisões, sobretudo na implementação dos programas e principais instrumentos de
governação a nível local, (Canhanga, 2007).

Desta feita, a descentralização nas suas várias formas é vista por Forquilha (2011 e 2010);
Kulipossa (2010); Valá (2009); Guambe (2009) e MAE/MADER (2003), como uma forma de
consolidar a democracia, ampliar os mecanismos de participação dos cidadãos (seja de forma
individual ou através de organizações da sociedade civil) na vida sócio-política do país, construir
um campo político local e, desta forma, melhorar a governação local. A nível de Moçambique, o
actual processo de descentralização surge no âmbito da democracia participativa.

A participação dos cidadãos visa em última instância o desenvolvimento económico local, é nesta
linha de pensamento que segundo Buarque (1999), é imprescindível a articulação de um novo
contrato social, embasado em alianças entre as organizações das mais diferentes esferas. Dentro
desta dinâmica, percebe-se a existência de uma diversidade de actores: a sociedade civil, o governo
local, as redes sociais e os agentes económicos em suas diferentes escalas e tipos.

Neste contexto, o processo de planificação descentralizada olha para o desenvolvimento local e,


por conseguinte, a participação dos cidadãos no processo de governança. No caso de Moçambique,
este teve um impulso significativo com a adopção de uma nova Constituição da República (CR)
em 1990, que acomodou o pluralismo político e social (Forquilha, 2009).

Foi assim que, produto das mudanças verificadas em Moçambique com a introdução do
multipartidarismo, elaborou-se vários instrumentos que permitam a constituição de Fóruns
Consultivos, de modo a garantir a participação dos cidadãos na elaboração dos Planos Distritais de
Desenvolvimento (PDD's). Entretanto, o funcionamento destes espaços, tem estado no centro de
muitas críticas levantadas sobre os mesmos, principalmente no seu papel de tomada de decisões
que visam ao desenvolvimento local (Faria, 2011).

12
Desta feita, os Órgãos de Consulta Comunitária, os governos distritais com apoio de outras
organizações não-governamentais devem criar mecanismos de convidar as comunidades locais a
desenvolver um papel mais activo na governação local participativa.

1.2. Problematização

O processo de descentralização enquadra-se dentro das mudanças sócio-políticas e económicas


significativas que tiveram o seu início nos finais da década de 1980, com a introdução do
Programa de Reabilitação Económica (PRE) e das reformas políticas, consubstanciadas com a
mudança constitucional de 1990 (Simão, 2013).

Estas mudanças caracterizaram-se pela passagem de um sistema monopartidário e de economia


centralmente planificada para um sistema multipartidário e de economia de mercado, ou seja, a
liberalização política e económica promovida pelas instituições de Bretton Woods (Banco Mundial
e Fundo Monetário Internacional).

É no âmbito da desconcentração que surgem as Instituições de Participação e Consulta


Comunitária (IPCCs). Estas foram institucionalizadas como uma das formas de promover a
governação local participativa. No entender de Simão (2013), as IPCCs surgem como formas
alternativas para enquadrar as populações locais na governação local face à crise da democracia
representativa que se caracteriza em Moçambique pela existência de Assembleias da República,
Provinciais e Municipais, cujos seus membros são eleitos pelos cidadãos na base de listas
partidárias.

Deste modo, os órgãos de participação comunitária deveriam ajudar as comunidades no processo


de planificação, execução, monitoria e avaliação de projectos e programas de desenvolvimento
local.

Este posicionamento é também defendido pelo relatório da UNDESA (2008), segundo o qual no
actual contexto dominado pelas teorias democráticas, a participação é um instrumento
imprescindível para a governação participativa que é a condição básica para o alcance da boa
governação e, consequentemente, o desenvolvimento sócio-económico local, regional, nacional e
internacional. Deste modo, reforça-se o argumento de que o processo de governação do país feita
de cima-para-baixo só pode surtir efeitos desejados se for complementado pela governação
participativa e articulação dos diferentes actores sociais para o sucesso das acções relacionadas
com a promoção do desenvolvimento equitativo (Simão, 2013).

13
Desta forma, as comunidades locais através dos seus líderes e suas organizações comunitárias, com
o apoio do governo distrital e de actores não-estatais devem ser frequentemente convidadas a
participar na governação local.

No entanto, apesar de alguns efeitos positivos alcançados na governação participativa ao nível


distrital desde o surgimento dos CLs, em várias partes do país tem sido reportado vários problemas
que se relacionam com a representatividade, diversidade e transparência na composição e no
funcionamento dos CLs (Forquilha, 2010).

Nesta linha de pensamento, Forquilha afirma que a experiência do funcionamento das Instituições
Políticas de Consulta Comunitária tem mostrado fraco fluxo de informação, particularmente dos
conselhos locais para as comunidades. Igualmente, as sessões dos conselhos locais,
particularmente dos distritos e dos postos administrativos, são preparadas pelas Equipas Técnicas
Distritais e presididas de uma forma extremamente vertical sob a liderança do representante do
órgão do Estado a nível local. Teoricamente, os representantes das comunidades nos conselhos
locais deviam garantir a circulação de informação de e para as comunidades (Forquilha, 2010).

A situação acima apontada é característica do Distrito Chimbunila, onde, por exemplo, não se tem
realizado sessões como previsto pelo guião de orientação do Conselho Consultivo Local e como
consequência não há fluxo de informação e prestação de contas. É nesta perspectiva que nos
últimos anos, no distrito em questão, se reportou um mau estar entre a administração e as
comunidades locais.

Aliado a isso, está o facto de o distrito em referência dispor de uma fraca rede de infra-estruturas, o
que priva a maior parte da população do fornecimento de serviços públicos básicos, gerando uma
desadequada gestão das expectativas das populações, sobretudo as mais desprovidas, e descrédito
da acção governativa.

É com base neste reconhecimento, que o presente trabalho, que procura contribuir na reflexão
sobre os desafios da consulta comunitária na planificação para o desenvolvimento local, levanta a
seguinte pergunta de pesquisa: Até que ponto a consulta comunitária tem contribuído na
planificação para o desenvolvimento do Distrito de Chimbunila?

1.3. Justificativa

O motivo da escolha deste estudo, justifica-se pelo facto de reflectir em torno do contributo da
Consulta Comunitária na Planificação para o Desenvolvimento Local, com maior enfoque no
estudo de caso do distrito de Chimbunila.

14
Pelo lado académico, o estudo é de extrema importância e de interesse institucional, visto que nele,
trata-se do cumprimento ou não dos preceitos legais e se se verifica a devida aplicação do sistema
em uso.

A pesquisa também poderá contribuir para um maior entendimento conceitual, envolvendo o tema,
possibilitando ampliar as discussões sobre os estudos relacionados às teorias sobre os desafios na
actividade de representação dos CLs, que se resume na Planificação com vista ao
Desenvolvimento Local.

Nesses tempos, o envolvimento das comunidades na governação é considerada como um dos


requisitos fundamentais para o desenvolvimento local sustentável. Assim, a institucionalização dos
CCLs em curso no país visa ampliar os mecanismos de participação popular na governação local e,
deste modo, garantir a satisfação das necessidades das comunidades (Simão, 2013).

No nosso país, desde o surgimento dos órgãos de Consulta Comunitária, vem se reportando vários
constrangimentos sobre a transparência na composição dos órgaãos em questão e o seu
funcionamento, especificamente nos desafios impostos pelos membros desses órgãos no
desenvolvimento das suas actividades, plasmadas pela Lei no 8/2003 e pelo Decreto no 11/2005.

Aliado ao facto acima exposto, o processo de descentralização administrativa é recente no modelo


de Administração pública moçambicana, daí resulta a importância de se desenvolver esta pesquisa,
com vista a definição dos desafios que encara o processo de consulta comunitária.

A governação participativa também é considerada como fundamental para a boa governação


porque enfatiza princípios de inclusão e participação de cidadãos, que são elementos-chave para o
alcance do desenvolvimento local e através deste o nacional (UNDESA, 2008).

E finalmente no âmbito pessoal como estudante do Curso de Administração Pública, o estudo é


relevante na medida em que precisamos fazer uma junção daquilo que foram o conjunto de
conhecimentos colhidos durante a formação e temos de rever a sua aplicabilidade no conjunto dos
órgãos da Administração Pública, podendo dessa forma acrescer aquilo que foi o conhecimento
durante a formação.

1.4. Objectivos do Trabalho

1.4.1. Objectivo Geral

Analisar o Contributo da Consulta Comunitária na Planificação para o Desenvolvimento


Distrito de Chimbunila.
15
1.4.2. Objectivos Específicos

Identificar os mecanismos de articulação entre os órgãos de Consulta Comunitária do


Distrito de Chimbunila e a sua comunidade;
Descrever os problemas de funcionamento que as instituições de consulta comunitária
encaram;
Verificar se existe representatividade das comunidades nos Conselhos Consultivos Locais;
Descrever os Desafios da consulta comunitária na planificação para o desenvolvimento do
Distrito de Chimbunila.

1.5. Questões de pesquisa

Quais são os mecanismos da articulação entre os órgãos de Consulta Comunitária do


Distrito de Chimbunila e a sua comunidade?
Quais são os problemas de funcionamento que as instituições de consulta comunitária
encaram?
Será que as comunidades são bem representadas no processo de planificação para o
Desenvolvimento do Distrito de Chimbunila?
Quais são os desafios da consulta comunitária na planificação para o desenvolvimento do
Distrito de Chimbunila?

1.6. Delimitação do Estudo

1.6.1. Delimitação Temática

O presente estudo insere-se na análise da Consulta Comunitária na Planificação para o


Desenvolvimento Local no Distrito de Chimbunila (2015-2018). O estudo centrou a sua atenção na
forma como o processo de Consulta Comunitária garante o envolvimento dos cidadãos na
Planificação do desenvolvimento local, e se esse envolvimento tem sido desenvolvido de modo a
garantir a satisfação dos interesses das comunidades locais e consequentemente, o
Desenvolvimento do Distrito de Chimbunila. O estudo foi realizado no Distrito em ênfase,
localizado na província Nortenha do Niassa, o espaço temporal escolhido foi de quatro anos, 2015-
2018.

1.6.2. Delimitação Espacial

A pesquisa foi desenvolvida no distrito de Chimbunila. A eleição do distrito de Chimbunila para


analisar a participação comunitária no processo de Planificação no âmbito do Desenvolvimento
16
Local justifica-se pelo facto de este localizar-se numa área periurbana, próxima a um centro urbano
(capital provincial).

1.6.3. Delimitação Temporal

A escolha do espaço temporal, 2015 – 2018, justifica-se pelo facto de se tratar de um período em
que o governo de Moçambique implementou a Política e Estratégia de Descentralização (PED),
esta política combina vários processos que se desenvolvem em sinergia para garantir a participação
das comunidades, o desenvolvimento local e a melhoria da prestação de serviços. O período em
referência foi, igualmente, marcado por uma relação conturbada entre a administração local do
distrito de Chimbunila e a população.

1.7. Enquadramento do Tema

O tema enquadra-se na linha de reformas administrativas (Reforma do Sector Público), leccionadas


na Universidade Católica de Moçambique. A nível do Ministério da Administração Estatal
enquadra-se nas alternativas para o melhoramento do sistema de articulação entre autoridades
administrativas e comunidades locais no processo de desenvolvimento local.

1.8. Estrutura do Trabalho

O primeiro capítulo (introdução) é subdividido em oito secções nas quais são apresentados
sequencialmente a contextualização do tema, a problemática e a questão de partida, a justificação
do estudo, os objectivos, as questões de pesquisa, a delimitação, o enquadramento do tema e a
estrutura do trabalho.

No segundo capítulo apresentamos o marco teórico. Onde fazemos a revisão dos estudos
desenvolvidos sobre o problema em questão, destacamos a teoria que sustenta o estudo e definimos
os conceitos.

O terceiro capítulo faz a apresentação da metodologia eleita para esta pesquisa, tanto no que
concerne ao modelo como as técnicas de pesquisa utilizadas no terreno.

No quarto capítulo é feita a apresentação, a análise e interpretação dos resultados da pesquisa.


Neste, os dados resultantes do estudo são debruçados de forma a tornar claros a sua interpretação.
O quinto capítulo traz ao lume as conclusões do presente trabalho, as quais resultam da
confrontação entre os dados teóricos e os empíricos. Apresentamos por fim a lista de referências
bibliográficas e o conjunto de apêndices e anexos do trabalho.

17
CAPÍTULO II: MARCO TEÓRICO

O presente capítulo começa com a conceitualização, seguidamente apresenta a teoria que sustentou
o nosso estudo e finalmente traz a luz a revisão da literatura (empírica e focalizada), ou seja, a
análise ou levantamento das conclusões dos diferentes estudos científicos disponíveis, que tratem
do assunto ou que deram corpo teórico para o desenvolvimento da pesquisa.

2.1. Quadro Conceptual

2.1.1 Participação

Simão (2013) afirma que não existe uma definição acabada e consensual do termo participação, daí
que tem sido usado com diferentes significados. Sendo assim, apresenta-se de seguida alguns
elementos que visam facilitar o seu debate produtivo.

Sousa (2001), apresenta dois significados do conceito de participação: voz e empowerment.


Quanto a voz, a participação tem a ver com a inclusão das vozes das pessoas excluídas no processo
de tomada de decisão. Relativamente ao empowerment nota-se quando a população antes excluída
do processo de tomada de decisão ganha a inclusão.

Esta visão é comungada por Chichava (1999), quando dá ênfase a capacitação das comunidades
como o elemento central do processo de participação. Para este autor, as comunidades tornam-se
mais responsáveis pelo seu desenvolvimento quando adquirem habilidades, conhecimento e
experiência, porque melhoram as iniciativas e o envolvimento directo das pessoas.

Corroborando PNUD (1993, citado por Simão, 2013), destaca 4 formas de participação:
participação ao nível do agregado familiar; a económica; a social e cultural e a política. Assim,
este autor defende que a participação é um conceito relativo e não absoluto, que existe em qualquer
contexto social em grau diferenciado. A questão fundamental é saber que grau e tipo de
participação existem nos diversos contextos sociais.

Das citações acima percebe-se que os autores complementam-se nas suas definições sobre o
conceito de participação. Todavia, a vantagem da definição do PNUD está no facto deste conceito
ser concebido como relativo e não absoluto, que existe em qualquer contexto social em grau
diferenciado. Deste modo, esta abordagem é útil para propósitos analíticos e debates à volta desta
problemática neste estudo, onde três formas de participação se aplicam: a participação por
consulta, participação passiva e a participação funcional (Simão, 2013).

18
Desta feita, concordando com Simão (2013) a presente pesquisa define participação como o
envolvimento activo e consciente das pessoas ao nível local (tomar parte) em todas as actividades
políticas, económicas, sociais e culturais, em todas as suas etapas (desenho, implementação,
monitoria e avaliação de projectos de desenvolvimento). Neste processo, a comunidade deve ser
dada a voz, o poder de decisão e controlo dos recursos e, onde não seja possível decidir e controlar,
ela deve ter a capacidade de influenciar o processo de tomada de decisões através das suas
instituições locais legítimas e representativas.

2.1.2 Comunidade

Nhamutote (2016, citando Lemos, 2009) define comunidade como sendo unidades sociais que
variam de aldeias, conjuntos habitacionais e vizinhanças até grupos étnicos, nações e organizações
internacionais.

Sustenta Bottomore (1996, citado em Nhamutote, 2016), que a comunidade geralmente indica um
grupo de pessoas dentro de uma área geográfica limitada, que interagem dentro de instituições
comuns e que possuem um senso comum de dependência e integração.

Desta feita, a comunidade é um grupo de indivíduos que se identificam com elementos comuns,
como o idioma, os costumes, os valores, hábitos distinguindo-se deste modo de outras
comunidades.

2.1.3 Participação Comunitária

MAE (2009) refere que a participação comunitária não é simplesmente uma oferta voluntária de
tempo e recursos, mas resulta da participação dos cidadãos nos processos de decisão a favor da
comunidade, implicando um envolvimento efectivo nos processos de decisão nos grupos,
organizações e comunidades.

Participação Comunitária é um processo segundo o qual os membros de uma comunidade


participam de forma activa e organizada na identificação dos seus problemas, na concepção, na
execução, na monitoria e na avaliação de acções visando o seu desenvolvimento.

2.3.2 Consulta comunitária

O termo “consulta comunitária” cobre uma vasta gama de actividades que o governo usa para
envolver os membros da comunidade no processo de tomada de decisão. Neste processo, incluem-
se as pessoas residentes, não residentes, donos de negócios, e as diversas partes interessadas nos
diversos assuntos de uma determinada comunidade (MASC, 2014).
19
A consulta comunitária é feita através dos Conselhos Locais nos diferentes níveis, nomeadamente:

Ao nível do Distrito;
Ao nível do Posto Administrativo;
Ao nível da Localidade;
Ao nível da Povoação.

2.3.3 A Consulta Comunitária e sua relação com a participação comunitária

Consulta comunitária é um processo que consiste em ouvir e colher a opinião e os interesses das
comunidades locais que ocupam uma determinada área para o seu desenvolvimento social,
económico e cultural (Tankar, 2014).

A participação comunitária é uma forma de envolvimento das pessoas, com necessidades e


objectivos semelhantes ou não, em decisões que afectam suas vidas. A participação comunitária
engloba várias formas de envolvimento da comunidade na governação. A consulta comunitária é
apenas uma dentre as várias formas de participação.

2.3.4 Comunidade Local

A Comunidade Local é um conjunto de população que vive e interage num espaço comum ou
numa determinada unidade de organização territorial que pode estar integrada num Distrito, Posto
Administrativo, Localidade ou Povoação. O termo é usado para se referir a um grupo que se
organiza em defesa de interesses comuns tais como: a protecção de áreas habitacionais, áreas
agrícolas, floresta, lugares de importância cultural, pastagens, fontes de água, áreas de caça e de
exploração, e etc (MASC, 2014).

A interacção entre os membros de uma comunidade local pode incluir a partilha de recursos,
informação, assistência, bem como o estabelecimento de relações de troca com empresas locais e
os consumidores.

As comunidades locais em Moçambique estão organizadas em Conselhos Locais, Fóruns Locais,


Comités Comunitários e Fundos Comunitários.

20
2.3.5 O Conselho Local (CL), Fóruns Locais (FL), Comités Comunitários (CC)
e Fundos Comunitários (FC)

De acordo com o Guião de Participação da Sociedade Civil e Cidadãos no Funcionamento dos


Conselhos Consultivos Locais, o Conselho Local é um órgão de consulta das autoridades da
administração local, na busca de soluções para questões que afectam a vida das populações, o seu
bem-estar e o desenvolvimento sustentável, integrado e harmonioso (MASC, 2014).

2.3.5.1. Estrutura e Funcionamento dos Conselhos Consultivos Locais


O Guião de Participação da Sociedade Civil e Cidadãos no Funcionamento dos Conselhos
Consultivos Locais, refere que os Conselhos Consultivos obedecem uma estrutura vertical
hierarquizada, que quer dizer que, a estrutura dos Conselhos Locais tem origem na base, povoação,
e vai subindo até o nível Distrital. As decisões tomadas pelos Conselhos Consultivos mais abaixo,
dão indicação sobre as decisões a serem tomadas no nível imediatamente superior (MASC, 2014).
Lembre-se que foi dito anteriormente que as consultas comunitárias são feitas ao nível do Distrito,
do Posto Administrativo, da Localidade e da Povoação. Então, a designação dos Conselhos
Consultivos segue a mesma estrutura e tomam a seguinte designação:

Conselho Consultivo do Distrito;


Conselho Consultivo do Posto Administrativo;
Conselho Consultivo de Localidade;
Conselho Consultivo de Povoação.

O artigo 118 do Decreto nº 11/2005 define que a constituição dos Conselhos Consultivos deve se
orientar com base em três princípios, que são os seguintes:

a) Integram os conselhos consultivos, as autoridades comunitárias, os representantes dos


grupos de interesse de natureza económica, social e cultural, escolhidos pelo órgão local ou
fórum de escalão inferior;
b) O chefe de cada órgão local pode convidar pessoas influentes da sociedade civil para
integrarem os conselhos consultivos, como uma forma de assegurar a representação dos
diversos actores e sectores;
c) A representação da mulher deve ser garantida numa proporção não inferior a 30%;
d) Sempre que possível, pelo menos 40% dos membros dos CCs em cada um dos níveis,
devem ser líderes comunitários;
e) Deve ser garantida uma representação de jovens de pelo menos 20%.

21
2.3.5.2 Os Foruns Locais (FLs)
Guião de Participação da Sociedade Civil e Cidadãos no Funcionamento dos Conselhos
Consultivos Locais, afirma que os Fóruns Locais (FLs) são instituições da sociedade civil que tem
como objectivo organizar os representantes das comunidades e dos grupos de interesses locais para
permitir que eles definam as suas prioridades (MASC, 2014).

2.3.5.3 Os Comités Comunitários (CCs)


Os Comités Comunitários (CCs) são formas de organização das populações para permitir que as
comunidades se mobilizem na identificação e procura de soluções dos seus problemas, podendo
encaminhar outras preocupações às estruturas pertinentes do sector público. Estes Comités podem
ser constituídos para realizar a gestão da terra, água e outros recursos naturais, das escolas, dos
postos saúde e outras instituições de natureza não lucrativa de âmbito local. Está regulamentado
que todos os comités existentes devem indicar um representante para participar das sessões dos
conselhos consultivos locais (MASC, 2014).

2.3.5.4 Os Fundos Comunitários (FCs)


Os Fundos Comunitários (FCs) são iniciativas que as comunidades podem estabelecer para criar
fundos de desenvolvimento para atender ou responder a interesses próprios das comunidades. Estes
fundos podem ser financiados por entidades nacionais e estrangeiras, mas podem também vir das
contribuições dos membros da comunidade (MASC, 2014).

2.3.6 Planificação Descentralizada

No Guião de Participação da Sociedade Civil e Cidadãos no Funcionamento dos Conselhos


Consultivos Locais, a planificação descentralizada é definida como “o processo através do qual
pessoas, tem oportunidade de influenciar as decisões que lhes afectam”. O principal propósito da
planificação descentralizada é de aumentar o envolvimento das pessoas na tomada de decisão, de
criar oportunidades para fazer ouvir as suas vozes e de influenciar a definição de políticas publicas
que lhes dizem respeito (MASC, 2014).

Percebe-se que a planificação descentralizada é uma prática de participação dos cidadãos,


alicerçadas num regime democrático de cariz representativo, que buscam aprofundar os
mecanismos de reforço da relação entre a Administração Pública Local e a sociedade.

22
2.3.7 Desenvolvimento Local

Desenvolvimento local é um processo endógeno registado em pequenas unidades territoriais e


agrupamentos humanos capaz de promover o dinamismo económico e a melhoria da qualidade de
vida da população. Representa uma singular transformação nas bases económicas e na organização
social em nível local, resultante da mobilização das energias da sociedade, explorando as suas
capacidades e potencialidades específicas. Para ser um processo consistente e sustentável, o
desenvolvimento deve elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da
economia local, aumentando a renda e as formas de riqueza, ao mesmo tempo em que assegura a
conservação dos recursos naturais (Rico, 2010).

Assim, o desenvolvimento local é o processo de tornar dinâmicas as vantagens comparativas e


competitivas de uma determinada localidade, de modo a favorecer o crescimento económico e
simultaneamente elevar o capital humano, o capital social, a melhoria das condições de governo e
o uso sustentável do capital natural, (Valá, 2009).

2.2. Teoria de Base

Várias teorias foram desenvolvidas em torno da participação das comunidades locais no seu
desenvolvimento, dessas destacam-se a abordagem institucionalista, que procura enfatizar o papel
das instituições na vida económica, e a teoria liberal orientada para a necessidade de optimizar o
desempenho das instituições do Estado, retirando o económico reservando-se assim o seu papel
regulamentador da economia (Parsons, 1976 citado por Vala, 2009).

No entanto, a presente pesquisa teve como base a perspectiva funcionalista, que foi introduzida nas
ciências sociais por Bronislow Malinowsk (1944). Na óptica deste autor (1944, apud Valá, 2009),
se os homens têm necessidades contínuas como uma consequência de sua composição biológica e
psíquica, então essas necessidades básicas irão requerer formações sociais que satisfaçam
efectivamente tais necessidades. Daí que o enfoque funcionalista leva a admitir que toda a
actividade social e cultural é funcional ou desempenha funções e é indispensável. A perspectiva
funcionalista considera função á contribuição dada por um elemento á organização ou acção do
conjunto do qual faz parte (Vala, 2009).

Nesta perspectiva, o funcionalismo na sua essência dá ênfase a questão da necessidade de


interacção dos diferentes elementos que constituem os CCL’s e que cada ideia e actividade
desenvolvida por um membro em representação da comunidade torna funcional este órgão, onde se
destacam as reuniões comunitárias que consistem num processo de inputs dos reais anseios da

23
comunidade e os informes e as resoluções em forma de actividades por parte do governo na pessoa
do conselho de localidade considera se o output, sendo que nesta interacção há necessidade de
existência de um feedback por parte da comunidade, esta que pode ser feita com ajuda da comissão
de monitoria que vela pela avaliação das actividades realizadas durante a vigência do mandato do
CLL (Valá, 2009).

Nesta vertente, a perspectiva funcionalista permite investigar como a falta de interacção


permanente entre os órgãos de consulta comunitária contribui para a incompreensão da realidade
local por parte dos membros locais no distrito de Chimbunila, principalmente quando não existe
articulação entre o nível da base e o distrital.

Com esta analogia, Valá (2009) sustenta que é fundamental reconhecer, primeiro que os CLs
respondem a uma necessidade imperiosa de desenvolvimento actual, ao participarem, se envolvem
mais activamente em assuntos que lhes dizem respeito, assegurando a sua auto-realização.

Em virtude dos postulados anteriormente, Parsons (1976, citado em Vala, 2009) afirma que toda a
acção humana apresenta caracteres de um sistema, quer dizer que se inscreve numa organização de
relações de interação e a situação na qual se encontra. Entretanto, Easton (1965, citado por Vala,
2009) defende que um sistema político encontra-se mergulhado num meio ambiente que o sujeita a
desafios aos quais deve responder. Este ambiente deve ser dividido para fins de análise em meio
ambiente externo (sistemas exteriores á sociedade global em exame com os quais está
presumivelmente em relação), e em meio ambiente interno (que compreende todos os sistemas
internos inseridos na mesma sociedade global).

Esta perspectiva vai ajudar a analisar as atitudes dos membros dos membros dos CLs, perante a
situação actual em que os membros dos CLs se encontram, sem nenhum incentivo material ou
financeiro e com dificuldade de executar as suas actividades, pouco interessam-se por garantir a
participação efectiva da população na governação local no distrito de Chimbunila.

Neste contexto, esta perspectiva vai também, por um lado, permitir analisar para além das regras e
procedimentos, os outros factores (sócio-económicos e de difusão de ideias ou crenças) que
influenciam a promoção da participação popular na governação local em Chimbunila. Por outro,
vai ajudar a entender de que forma a centralização governamental (partido único) do nosso país
herdada do passado colonial e dos primeiros anos da independência, tem influenciado nas acções e
comportamento dos vários seguimentos responsáveis pela promoção da participação das
comunidades na governação local do distrito em referência.

24
2.1. Revisão da Literatura Empírica e Focalizada

2.1.1 Revisão da Literatura Empírica

Neste ponto, trazemos um estudo realizado em Florianópolis, no Brasil, relacionado com o tema
Desafios da Consulta Comunitária na Planificação para o Desenvolvimento Local do Distrito de
Chimbunila.

Doniak (2002) realizou um estudo com tema: participação comunitária no processo de


desenvolvimento local: estudo do caso do Município de Rancho Queimado. O problema
constatado tem a ver com o facto de a participação da comunidade no processo de
desenvolvimento local, dentro da maioria dos municípios, ainda não ter conseguido atingir
resultados consideráveis. Desta feita, o trabalho procurou identificar os principais motivos que
impedem a participação comunitária no processo de desenvolvimento local, tendo como base uma
pesquisa qualitativa sobre o processo participativo no município catarinense de Rancho Queimado.

A pesquisa teve como população de colecta de dados 16 indivíduos. A selecção desta amostra foi
aleatória. Os instrumentos de colecta de dados adoptados foram o roteiro de entrevistas e o
questionário.

Os resultados obtidos neste estudo mostram que, o processo participativo, baseado nos conselhos
de direito, está mantendo sempre as mesmas pessoas ou grupos no poder e colocando a culpa dos
problemas na sociedade. A forma como o processo está sendo conduzido gera cada vez mais uma
setorização da sociedade, o que se contrapõe às necessidades de discutir o desenvolvimento dentro
da abrangência holística. Esta é uma forma de diluir o poder da sociedade e apenas mudar o
sistema actual para um que classificamos de “Burocracia Participativa”. A complementaridade
entre as diversas áreas compreendidas no processo de desenvolvimento acaba sendo observada em
segundo plano ou então é deixada de lado. Na medida em que o processo é conduzido sem gerar
resultados, acarreta descrédito e desmobilização.

O trabalho mostrou quatro factores principais que podem influenciar directamente o processo de
participação: o sistema de governação; o conhecimento da realidade; a identificação das vantagens
da participação e a organização da comunidade. Desta feita, a capacidade de acção dos municípios
só voltará a se estabelecer se todos os atores trabalharem em conjunto e complementarmente. Para
isto, é necessário que a sociedade e o poder público sejam parceiros activos na promoção de acções
que contribuam efectivamente para o desenvolvimento almejado pela maioria da comunidade.

25
2.1.2 Revisão da Literatura Focalizada

Nesta secção, procurou-se trazer um estudo feito em Moçambique relacionado com o tema
Desafios da Consulta Comunitária na Planificação para o Desenvolvimento Local do Distrito de
Chimbunila.

Neste contexto, Forquilha (2012) desenvolveu um estudo com tema Descentralização e


Governação Local em Moçambique: a Lógica de Articulação entre o Conselho Consultivo e o
Governo Distrital na Tomada de Decisões: o Caso do Distrito de Gondola em Manica, (2007-
2010). O objectivo desta pesquisa foi de analisar o nível de influência do conselho consultivo
sobre o Governo Distrital na tomada de decisões sobre o Plano Económico-Social e Orçamento
Distrital (PESOD).

A metodologia usada para a recolha de dados, a pesquisa foi do tipo qualitativo, os dados foram
recolhidos através dos questionários aplicados aos cidadãos residentes no distrito.

Quanto aos resultados da pesquisa, o autor avança dizendo que a qualidade de participação no seio
dos CLs no distrito em análise ainda continua a constituir um grande desafio para o processo das
reformas de descentralização administrativa. Trata-se de um desafio que essencialmente, tem a ver
com a representatividade nos CLs, os processos de prestação de contas e de tomada de decisões e a
monitoria dos planos Distritais. Argumenta ainda o autor que as lógicas informais se sobrepõem ás
lógicas formais de funcionamento do Estado a nível local, uma das características do neo-
patrimonialismo.

O estudo refere ainda que no Distrito de Gondola o processo de institucionalização dos espaços de
participação e consulta comunitária, marcado pela centralização, é controlado pelo Estado através
dos Conselhos Consultivos Locais e na redução destes últimos em meras instâncias de consulta
sem nenhum carácter deliberativo.

Contudo, dos dados colhidos durante o estudo, levaram a concluir que, o Conselho Consultivo
Distrital do distrito de Gondola como um órgão meramente consultivo no processo de tomada de
decisões sobre o PESOD, tal como a legislação prevê, não exerce muita influência nas decisões do
executivo local sobre este instrumento. Isto porque as opiniões emitidas pelo órgão não jogam um
papel extremamente importante.

26
CAPÍTULO III: METODOLOGIA

3.1. Tipo de pesquisa

O estudo em desenvolvimento é uma pesquisa de natureza essencialmente qualitativa. Trata-se de


um tipo de pesquisa que, tal como refere Rosa (2011), não se preocupa com representações
numéricas, mas sim com o aprofundamento da compreensão de um grupo social ou de uma
organização, onde busca-se explicar o porquê, exprimindo o que convém ser feito.

Constitui uma modalidade de pesquisa em que o pesquisador procura aprofundar-se na


compreensão dos fenómenos que estuda (acções dos indivíduos, grupos ou organizações em seu
ambiente e contexto social), interpretando-os segundo a perspectiva dos participantes da situação
enfocada, onde trabalha-se com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e
atitudes, o que corresponde a um nível profundo das relações dos processos e dos fenómenos que
não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis, sem, no entanto, se preocupar em
estabelecer relações lineares de causa e efeito (Terence & Filho, 2006).

3.2. Métodos

3.2.1 Método de Abordagem

O método de abordagem seleccionado para a presente pesquisa foi o indutivo que para Gil (1999)
parte do particular e coloca a generalização como um produto posterior do trabalho de colecta de
dados particulares. O método proposto pelos empiristas (Bacon, Hobbes, Locke, Hume) para os
quais o conhecimento é fundamentado exclusivamente na experiência sem levar em consideração
princípios preestabelecidos. O método indutivo foi usado em paralelo com o método monográfico.

Deste modo, a pesquisa analisa os Desafios da Consulta Comunitária na Planificação do


Desenvolvimento Local do Distrito de Chimbunila no período compreendido entre 2015 à 2018
com base no método indutivo. De acordo com Lakatos e Marconi (1992), no raciocínio indutivo a
generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares
levam à elaboração de generalizações. Deste modo, este método permitiu considerar que a
realidade patente no Distrito de Chimbunila, é representativa da realidade que eventualmente se
manifesta em outros distritos na Província de Niassa em particular, e em Moçambique no geral,
com características semelhantes.

O método monográfico parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser
considerado representativo de muitos outros ou mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos

27
podem ser indivíduos, grupos, comunidades, etc. Gil (2011). Uma parte da amostra da nossa
pesquisa foi tida com base na amostragem intencional, tido como um dos que melhor se enquadra
ao estudo em questão.

3.2.2. Método de Procedimento

Quanto ao método de procedimento, optou-se pelo descritivo. Segundo Gil (2011), as pesquisas
descritivas têm como objectivo primordial a descrição das características de determinada
população ou fenómeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. É nesta óptica
que a nossa pesquisa estudou o contributo da consulta comunitária na planificação do
desenvolvimento do Distrito de Chimbunila, mostrando a realidade da participação comunitária no
contexto do desenvolvimento do Distrito de Chimbunila.

3.3. Instrumentos ou Técnicas de Pesquisa

Na óptica de Lakatos e Marconi (1992) técnicas são consideradas um conjunto de preceitos ou


processos de que serve uma ciência. Portanto, na presente pesquisa, serão adoptadas como técnicas
de colecta de dados, a pesquisa bibliográfica, análise documental, questionário, inquérito por
entrevista semi-estruturada e a observação dinâmico-participativa.

3.3.1. Pesquisa Bibliográfica

A pesquisa bibliográfica consistiu na consulta do material constituído por livros e artigos


científicos (Gil, 1999).

O uso da pesquisa bibliográfica permitiu obter informação geral e necessária sobre a governação
local e sua relevância no caso específico do Distrito de Chimbunila. A informação obtida através
desta ferramenta foi submetida à análise pormenorizada por via de leituras exploratórias, analíticas
e interpretativas.

Estes procedimentos visavam identificar as informações constantes no material impresso e


estabelecer relações assimétricas com o problema em estudo. Isto permitiu a cobertura de vários
aspectos referentes a governação local participativa, suas teorias e ligações com áreas relacionadas
a ela.

A pesquisa bibliográfica permitiu também uma vasta revisão da literatura sobre a governação local
participativa, como está bem patente nas referências bibliográficas apresentadas.

28
3.3.2. Pesquisa Documental

A pesquisa documental consistiu na análise e estudo de informações dos documentos (como


informes do Distrito, diagnóstico Distrital, legislação e decretos, actas e relatórios produzidos na
institucionalização dos CCLs e do seu funcionamento) relacionados com a questão de
desconcentração, consulta comunitária, desenvolvimento e governação local.

Tal como afirma Gil (1999), trata-se de materiais que não recebem ainda um tratamento analítico.
Os dados obtidos a partir desta pesquisa ajudaram na reelaboração do problema e objecto de
estudo, bem como na consolidação do conhecimento sobre o processo da institucionalização e
funcionamento dos CLs em Chimbunila.

3.3.3. O Questionário

Na linha de pensamento de Tuckman (2000), trata-se de instrumentos de auto-registo por oposição


à observação directa de fenómenos importantes, nomeadamente a observação da cooperação do
sujeito, o facto de estes não poderem dar certas respostas sobre si mesmos ou efeito social.

Esta técnica constituiu em uma seria de perguntas que a pesquisadora forneceu aos sujeitos, e estes
responderam por escrito na ausência da pesquisadora. O questionário foi dirigido a pessoas que
estão directa ou indirectamente ligadas aos CCL’s (alguns membros dos CCL e residentes no
Distrito).

3.3.4. Inquérito por Entrevista semi-estruturada

Para Quivy & Campenhoudt (1998), os métodos de entrevista semi-estruturada permitem a


utilização da interacção humana, o que possibilita ao investigador obter dados muito ricos.

De acordo com Richardson (1999), “esta técnica é relevante na medida em que os informantes
respondem com base nas questões apresentadas e é operacionalizado de tal maneira que o
informante tem a segurança no que se refere aos dados fornecidos”.

Sendo assim, a investigadora, entrou em contacto directo com os entrevistados onde, através das
suas questões abertas e reacções, facilitou a sua expressão e evitou que estes se afastassem do tema
em estudo.

Deste modo, cada entrevista é única, na medida em que as perguntas se adequaram àquilo que cada
participante partilhou com a entrevistadora.

29
3.3.5. A observação naturalista

Anuindo Quivy & Campenhoudt (1998), a observação naturalista, sendo aquela em que a
pesquisadora, permanece alheia à comunidade, grupo ou situação que pretende estudar, observou
de maneira espontânea os factos que ocorrem no Distrito, o que facilitou a obtenção de dados sem
produzir suspeitas nos membros das comunidades, grupos ou instituições que foram estudadas.

3.4. População/Participante

Para Gil (1999), a população ou universo da pesquisa é a totalidade de indivíduos que possuem as
mesmas características definidas para um determinado estudo. A amostra constitui uma
representação de sujeitos de uma determinada população com características relevantes para o
estudo.

Para o presente estudo, a população é constituída pelos habitantes do Distrito de Chimbunila. De


acordo com o Censo Populacional de 2017, o Distrito tem uma população de 72.503 habitantes
(INE, 2020).

3.4.1 Participantes

As entrevistas foram direccionadas a uma amostra de 08 actores locais, distinguidos em dois


grupos diferentes. Inicialmente, foram dirigidas aos membros do Governo distrital e dos Conselhos
Consultivos, destacando-se 01 funcionário afecto a Repartição de Planificação e Desenvolvimento
Local (órgão responsável pelo acompanhamento aos Conselhos Locais a todos os níveis) e 02
membros dos órgãos de Consulta Comunitária. E finalmente, o questionário foi direccionado a 05
cidadãos residentes em Chimbunila. O primeiro grupo foi escolhido através do método de
amostragem intencional, este dirige-se apenas àqueles que, no seu entender lideram a opinião da
comunidade e têm a propriedade de influenciar a opinião dos demais, (Lakatos e Marconi, 1992).
E, para o segundo grupo recorreu-se ao método probabilístico de amostragem aleatória.

3.4.1.1 Caracterização dos Participantes


Tabela 1: Apresenta o género dos participantes

Participantes Membros do Equipe Técnica do Cidadãos do Distrito Total


CCL Governo Distrital de Chimbunila
Masculino 1 1 3 5
Feminino 1 0 2 3
Total 2 1 5 8
Fonte: A Autora, 2020.

30
3.5 Limitação do Estudo

Durante a realização do estudo enfrentou-se vários constrangimentos, destacando-se as limitações


na cobertura da nossa amostra que é relativamente reduzida no que concerne a abrangência dos
actores que vivem e representam a população do Distrito de Chimbunila.

Outro aspecto constatado pela pesquisadora esteve relacionado a dificuldade em efectuar as


entrevistas em algumas comunidades, uma vez que há falta de consideração desta informação por
parte da população. Desta feita, julga-se que esta pesquisa contribui não só para o conhecimento do
objecto de estudo por parte da comunidade, bem como, poderá auxiliar em estudos de casos
similares.

A partir deste estudo, existe a possibilidade de ser aberto um campo, para que novos estudos como
este, possam ser desenvolvidos nas outras comunidades com vista a avaliação do real impacto do
envolvimento da comunidade no processo de planificação com vista ao desenvolvimento local.

3.6 Modelo de Análise de Resultados

Nesta pesquisa optou-se pela análise de conteúdo. Trata-se de é um conjunto de técnicas de análise
de comunicações, que tem como objectivo ultrapassar as incertezas e enriquecer a leitura dos
dados colectados. O objectivo da análise de conteúdo é compreender criticamente o sentido das
comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas” (Mozzato
& Grzybovski, 2011).

Desta feita, o processo de análise de dados envolveu várias etapas para auferir significação aos
dados colectados. Seguindo a linha de pensamento de Bardin (2006) citado por Mozzato &
Grzybovski (2011), no presente estudo, a análise de conteúdo foi organizada em três fases,
nomeadamente a pré-análise, a exploração do material e tratamento dos resultados, inferência e
interpretação.

A pré-análise consistiu na organização do material a ser analisado com o objectivo de torná-lo


operacional. Nesta fase estabeleceu-se a escolha dos documentos, formulação dos objectivos e
elaboração de indicadores por meio de selecção de extractos de texto nos documentos de análise.

A segunda fase consistiu na exploração do material. Esta foi a etapa da apresentação e descrição
analítica do material colectado, submetido a um estudo aprofundado, orientado pelos objectivos e
referencial teórico. Permitindo a categorização dos dados, isto é, tendo em conta as questões de
pesquisa agrupou-se o material do estudo em seis categorias (síntese do conteúdo, atingindo uma

31
representação sob um título genérico), nomeadamente: (i) os mecanismos de articulação entre os
órgãos de consulta comunitária do Distrito de Chimbunila e a sua comunidade; (ii) Problemas de
funcionamento dos órgãos de consulta comunitária do Distrito de Chimbunila; (iii) a
representatividade dos conselhos consultivos locais do distrito de Chimbunila; (iv) desafio da
consulta comunitária na planificação para o desenvolvimento do Distrito de Chimbunila; (v)
Realização das sessões dos órgãos de consulta comunitária do Distrito de Chimbunila; e a (vi)
avaliação da execução dos planos discutidos nas reuniões dos Órgãos de Consulta Comunitária.

Com os dados organizados, procedeu-se a última etapa, à interpretação dos dados, à inferência, o
tratamento dos resultados contidos nos índices, fazendo uma triangulação entre o diálogo e o
referencial teórico para se chegar à síntese.

3.7 Ética da Pesquisa

A ética em pesquisa deve permear todo o trabalho do pesquisador. De acordo com Pithan e
Oliveira (2013, apud Santana, 2016) a publicação de pesquisa científica deve ser feita de forma
ética garantindo a credibilidade da ciência e a reputação do autor da pesquisa, que busca
reconhecimento pelos seus estudos.

Nesta óptica, Spink (2000) afirma que, a pesquisa é uma actividade de produção de sentidos
prepassada pela interacção entre pesquisadores e pesquisados, mas também entre os autores que
dão o suporte teórico, colegas, agências de financiamentos, entre outros. Neste sentido, a relação
que se estabelece entre o pesquisador e seus sujeitos passa por três aspectos éticos: o
consentimento informado, a protecção do anonimato e o resguardo do uso do poder na relação
entre pesquisador e participantes (Spink, 2000).

Concordando com o posicionamento acima, a nossa pesquisa respeitou três aspectos éticos
anunciados:

O consentimento informado foi obtido quando a pesquisadora firmou o acordo inicial de


colaboração, no acto da submissão do questionário. Tratou-se de firmar uma parceria para
apresentar os objectivos, procedimentos e os pressupostos que orientam a pesquisa;
O resguardo das relações de poder abusivas buscou o estabelecimento de uma relação de
confiança entre a entrevistadora e os participantes, como o caso de pedido para ligar o
gravador;
O anomimato é foi tomado como o mecanismo de protecção que implica a não revelação de
informações que possibilitem a identificação dos participantes.

32
Igualmente a nossa pesquisa procurou citar todas as fontes consultadas, resguardando acerca dos
plágios e as cópias de textos, sem a citação da fonte de busca.

3.8 Breve Caracterização Geográfica, Social e Económica do Distrito de


Chimbunila

O Distrito de Chimbunila está localizado na parte Oeste da Província de Niassa, limitado: a Norte-
Distrito de Lichinga, Sul-Distrito de Ngaúma, através do rio Chinenge, a Oeste-República do
Malawi através da Localidade de Chala, Posto Administrativo de Lione, Este-Distrito de Majune
através do rio Icuvi e Nordeste-Distrito de Muembe. O Distrito conta com 92 líderes comunitários,
sendo 4 pertencentes ao 1º escalão, 13 pertencentes ao 2º escalão e 75 do 3º escalão.

Como se depreende da Lei n 26/2013, ate Dezembro de 2013 o distrito tinha o nome de Lichinga.
O mesmo é composto por 2 Postos Administrativos e 3 Localidades, ocupando uma superfície de
5.422 km2 e uma população de 72.503 hab. (37.632-feminino) e a densidade populacional é de
20,8 habitantes por km2 (INE, 2020).

Tabela 2: Divisão Administrativa do Distrito de Chimbunila


Posto Localidade Povoado/Bairro
Administrativo
Bairros: Oman, Undi, Tabora, Bodi, Nancuenha, Povoados: Mussa,
Machomane, Lussalala, Mapaco, Nacavale, Matama, Lucheringo,
Chouluê Naicuanga, OUA, Colongo, 7 de Abril, Macassangilo, Namicunde,
Chiconde, Lipapa e Cassumar; Chouluê, Ute, Temba, Cachule,
Ncalangama e Luambala;
Chimbunila- Malica, Naossa, Matemangue, Lussanhando, Chissangessi, Luiça,
Sede Namuanica Micoco, Chigonele, Ntiuili, Chiuaia, Calange, Magiga, Chassuco,
Cazizi e Selenge; Namuanica, Naconda, Mbaú e Icuvi;
Lione, Lumbi, Mpombe, Machemba, Chicongoue, Mutucura,
Utukulo, Lipiche, Nsenjewe, Chande, Mpelula, Mangonchi,
Lione Chala Mapalilo, Ndolela, Chissalanga, Camalisse, Chinenge e Chinganga,
Chala, Matipa, Naicuanha, Cungombo e Chipanga;
Fonte: Governo Distrital, 2014

Ao nível social e económico, o Plano de Uso da Terra do Distrito de Chimbunila (2013) apresenta
as seguintes características do distrito:

As línguas mais faladas no distrito são o Ciyaawo e Emakhua;


As confissões religiosas mais predominantes são a Islâmica e Cristã;
A população deste distrito é na sua maioria rural, vivendo de uma forma dispersa em forma
de aldeamento;
O Distrito de Chimbunila possui pedra e areia para construção. No Distrito não há
ocorrências de pedras semi-preciosas;
33
Desenvolvem-se “plantações” de pinheiro e eucalipto, espécies de grande valor económico
para a população local, para além de constituir barreira para a protecção do impacto dos
ventos locais;
A principal actividade económica é a agricultura;
As danças mais praticadas são Chioda, Siquir, Zanganane, Macanha, Chiquelela,
Chinguengue e Masseve para além da gastronomia diversificada.

34
CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE
DADOS

Apresentar-se, agora, os resultados da investigação divididos em duas secções: inicialmente,


apresentamos os dados. Seguidamente, abrimos uma secção dedicada a análise e interpretação de
dados obtidos pela pesquisa, extraindo os significados a partir das respostas fornecidas pelos
inquiridos, dos documentos em nossa posse e a observação.

4.1 Apresentação de Dados

Tabela 3: Apresentação dos dados da pesquisa


Nº Questões Participantes Observação
1 Quais são os mecanismos da articulação entre os 8 VIDE APÊNDICE II
órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de
Chimbunila e a sua comunidade?
2 Quais são os problemas de funcionamento que as 8 VIDE APÊNDICE II
instituições de consulta comunitária encaram?
3 Será que as comunidades são bem representadas no 8 VIDE APÊNDICE II
processo de planificação para o Desenvolvimento do
Distrito de Chimbunila?
4 Quais são os desafios que se colocam no trabalho das 8 VIDE APÊNDICE II
instituições de consulta comunitária?
5 Tem sido convidado para participar nas reuniões dos 8 VIDE APÊNDICE II
órgãos de Consulta Comunitária? Quantas vezes foi
convidado?
6 Como avalia a execução dos planos discutidos nas 8 VIDE APÊNDICE II
reuniões das instituições de participação e consulta
comunitária? Faça comentários sobre a avaliação.
Fonte: A Autora, 2020.

4.2 Análise e Interpretação de Dados

Nesta segunda parte, com base na análise de conteúdo, apresenta-se e examina-se os dados da
observação, da análise de documentos e das respostas as questões dirigidas aos membros das
organizações de consulta comunitária, a Equipa Técnica Distrital e a população do distrito de
Chimbunila. Entretanto, para garantir o anonimato e a confidencialidade dos dados dos
entrevistados, as respostas dos inquiridos foram codificadas com a letra “E” (Entrevistado).

4.2.1 Os Mecanismos de Articulação Entre os Órgãos de Consulta Comunitária


do Distrito de Chimbunila e a sua Comunidade

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “Os órgãos de Consulta Comunitária têm auscultado a população e recolhe as suas
preocupações. Essas, são bem acolhidas pelo governo local”.

35
E2: “Acho que a articulação entre os órgãos de consulta comunitária e a comunidade é feita a
partir de encontros que são convocados pelos líderes”.

E3: “Nos reunimos com as comunidades, para comunicar informações e pedir opiniões sobre a
nossa região. Mas as vezes, as preocupações da comunidade, que nós fazemos chegar ao governo,
demoram muito a ser satisfeita e não temos recebido explicações sobre o assunto”.

Respostas dos Membros das Comunidades:

E4: “Não sei dizer”.

E5: “A forma de ligação entre os órgãos de consulta comunitária e a comunidade é com base nas
reuniões que algumas pessoas da comunidade participam”.

E6: “Não sei dizer”.

E7: “Não Conheço”.

E8: “Não tenho conhecimento sobre esses mecanismos”.

As respostas apresentadas mostram que os inquiridos 1, 3 e 5 atestam que os órgãos de consulta


comunitária têm realizado encontros para auscultar preocupações das comunidades que
representam. Entretanto, os entrevistados 4, 6, 7, 8 desconhecem a forma de articulação entre as
comunidades locais e as instituições de consulta comunitária. O participante 2 mostrou alguma
dúvida em relação a forma de articulação das IPCCs com a comunidade.

Desta feita, os dados da pesquisa certificam que há falta de vínculos permanentes entre os
representantes dos Conselhos locais e as respectivas comunidades, isto é, a percepção dos
membros dos CCL’s está claramente em contradição às opiniões e observações das pessoas da
comunidade que, na sua maioria, não sabem e nem são questionadas acerca das suas necessidades.
Assim, a ideia principal de participação da comunidade no desenvolvimento por meio de reuniões
não se reflecte nessas comunidades.

Corroborando Mambero (2010), a falta de vínculos permanentes entre os representantes dos


Conselhos locais e as comunidades contribui para a incompreensão da realidade local por parte dos
membros dos Conselhos locais, assim como por parte dos governos locais.

Embora os inquiridos 1 e 3 tenham dito que os órgãos de consulta comunitária realiza reuniões
com as comunidades e faz chegar as preocupações das populações nas suas sessões, a realidade nas
comunidades visitadas mostra-se bastante precária no tocante a investimentos de infra-estruturas e
outras formas de desenvolvimento (acesso a escolas, postos de saúdes, estradas, agua, entre
outros).

36
Ainda sobre o défice de aproximação ou ligação entre os representantes dos órgãos de consulta
comunitária e as respectivas comunidades no distrito em ênfase, concordando com Ngoenha
(2009), pode estar relacionado a: (i) interesses específicos dos actores políticos; (ii) o índice
elevado de analfabetismo da maioria dos seus membros; (iii) a dispersão habitacional e longas
distâncias que separam as comunidades, aliada a ausência de recursos materiais e financeiros para
garantir a movimentação regular dos membros dos CCLs pelas povoações.

Portanto, os órgãos de consulta comunitária do distrito de Chimbunila (principalmente os de base)


devem encontrar mecanismos de maximizar os encontros com às comunidades para auscultar as
suas preocupações e partilhar as suas realizações.

4.2.2 Problemas de Funcionamento das Instituições de Consulta Comunitária

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “Um dos problemas de funcionamento dos órgãos de consulta comunitária é a dificuldade de
os membros exercer as suas funções, somente o CCD tem condições para garantir a logística para
a realização das sessões (o transporte, alimentações etc.)”.

E2: “É difícil mencionar quais são os problemas, ainda estou a espera de orientação para saber
qual é o meu trabalho no conselho. Por enquanto só estamos a experimentar e as nossas
comissões de trabalho ainda não estão a funcionar”.

E3: “As instituições de consulta comunitária enfrentam problemas financeiros, de comunicação


com o governo sobre os problemas que a sociedade enfrenta e de resolver conflitos que existem
nas comunidades”.

Respostas dos Membros da Comunidade:

E4: “Não sei dizer quais são os problemas que eles enfrentam”.

E5: “Não sei o que as instituições de consulta comunitária fazem e também não sei quais são as
suas dificuldades de funcionamento”.

E6: “Não sei bem, mas acho que eles têm dificuldade de resolver os problemas daqui da zona”.

E7: “Os membros das instituições de consulta comunitária não sabem quais são as suas
actividades, também eles não têm condições para trabalhar”.

E8: “Acredito que o maior problema dos órgãos de consulta comunitária é de responder aos
problemas que aparecem nas suas comunidades”.

Os dados acima mostram que os entrevistados 2, 6 e 8 têm dificuldade em mencionar os problemas


que os órgãos de consulta comunitária enfrentam, os entrevistados 4 e 5 não tem conhecimento das
37
funções desempenhadas pelas IPCCs e consequentemente das dificuldades deste órgão. Somente
os inquiridos 1, 3 e 7 mencionaram os problemas dos CCLs (desconhecimento das actividades
desenvolvidas pelos órgãos de Consulta Comunitária, falta de mecanismo de resposta aos
problemas das comunidades, problemas materiais e financeiros).

Os problemas de funcionamento anunciados pelos entrevistados 1 e 3 (falta de condições logísticas


para garantir realização das sessões) leva a concluir que as discussões das necessidades locais ao
nível da base não têm tido uma apreciação colectiva dos representantes comunitários, o que
enfraquece a identificação e o encaminhamento das mesmas às estruturas de níveis mais acima.
Assim, de certa forma, conduz a não solução das necessidades concretas da comunidade.

Além disso, não se cumpre na íntegra com o que está previsto no Guião Sobre a Organização e
Funcionamento dos Conselhos Locais, segundo o qual os membros dos conselhos consultivos
locais devem participar com regularidade em todas as sessões, bem como na realização de tarefas
determinadas pelos respectivos conselhos (MASC, 2014).

Desta feita, percebe-se igualmente que tanto os membros dos conselhos consultivos assim como a
comunidade apresenta dificuldades em mencionar os problemas de funcionamento das IPCCs, esta
situação é resultante do fraco domínio que eles têm sobre as funções dos órgãos de participação e
consulta comunitária, o que dificulta aos representantes dos CCLs de desenvolver as suas
actividades e prestar contas das mesmas às comunidades informando-as deste modo sobre os
planos e programas governamentais e do grau da sua realização.

Este cenário remete a necessidade desenvolver acções de capacitação dos CCL’s para reforçar o
conhecimento e consciência em relação ao papel de representação, na defesa dos interesses das
suas comunidades, povoações, localidades, postos administrativos e distrito.

De acordo com Simão (2013) deve-se implementar estratégias permanentes de capacitação das
populações e comunidades sobre a importância da sua participação na governação local para o seu
próprio desenvolvimento. Isto deve ser relacionado com o conceito de “empwerment” ou a tomada
de poder. No entender do autor, estas acções ajudariam a desconstruir as mentes bloqueadas pela
herança da violência do passado colonial, do socialismo do pós-independência e da guerra civil
terminada em 1992.

No entanto, há necessidade de reforçar a capacidade de participação dos membros dos CCLs


através de implementação de programas ou cursos de curta duração sobre temas relacionados a
participação e consulta comunitária.

38
4.2.3 Representatividade dos Órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de
Chimbunila

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “A representação é boa, uma vez que na composição dos CCLs respeitaram-se as quotas
estabelecidas pelo Guião. Escolheram-se pessoas idóneas para compor os CCLs”.

E2: “As comunidades estão bem representadas, porque na nossa comunidade escolheram algumas
pessoas para ir no CCL”.

E3: “A representação é muito boa, uma vez que nos órgãos estão representados todas as partes da
população, funcionários, jovens, mulheres, etc”.

Respostas dos Membros da Comunidade:

E4: “A representação da comunidade é muito mal, porque escolheram entre eles, mesmo nas
reuniões se convidam entre eles”.

E5: “A comunidade não está bem representada, muitas pessoas não fazem parte desse grupo”.

E6: “Os órgãos de Consulta Comunitária não estão bem compostos, nós não sabemos como
escolheram as pessoas para estar lá”.

E7: “O processo de selecção dos membros dos CCLs não foi aberto. Estes, são compostos por
pessoas mais influentes do distrito e reconhecidas no partido (FRELIMO), isto mostra que lá não
é para qualquer pessoa da comunidade”.

E8: “Os órgãos estão mais ou menos representados”.

Não obstante os participantes 1, 2 e 3 (Equipa Técnica do Distrito e Membros dos Conselhos


Consultivos) ter afirmado que o processo de selecção de membros para o conselho local obedeceu
ao preconizado na legislação. O posicionamento dos entrevistados 4, 5, 6 e 7 mostra que apesar do
esforço para tornar os CCLs mais representativos ainda há muito que fazer para garantir a
representatividade de jovens e grupos de interesses.

Portanto, as respostas que se obteve dos entrevistados 4 e 7 permitem-nos afirmar que na


composição das IPCC do Distrito da Chimbunila, raramente os mais desfavorecidos fazem parte da
mesma. Deste modo não conseguem influenciar a tomada de decisão e a implementação dos planos
de desenvolvimento do Distrito. As pessoas melhor colocadas, isto é, empresários locais, chefes de
quarteirões, líderes comunitários, secretários dos bairros, membros do partido Frelimo acabam
sendo as mais privilegiadas no processo de eleição dos membros que compõe os órgãos de
consulta comunitária.
39
Segundo Mambero (2011) a mera existência de organização de participação e consulta
comunitária, bem como a sua institucionalização, não garantem por si só que a participação
comunitária seja efectiva, não obstante, a comunidade esteja representada nos órgãos de tomada de
decisões. Pois como apuramos no terreno, a participação dos mais desfavorecidos é mais uma
excepção do que uma regra. E, em última instância, os membros que possuem instrumentos de
poder (dinheiro, conhecimentos, habilidades e influência no partido no poder a nível local), são os
que constituem os IPCC e fazem-se ouvir mais do que os outros.

Relacionado a afirmação acima, uma análise da composição do Conselho Consultivo Distrital de


Chimbunila mostra que é representado na sua maioria por grupos sob o controle do administrador,
em detrimento das comunidades locais. Acredita-se que o mesmo cenário verifica-se nos níveis
mais abaixo, dominados por pessoas mais próximas do representante do Estado, nos diferentes
escalões territoriais, devido a sua influência na composição e no funcionamento destes órgãos. Por
conseguinte, tais fatos, têm consequências para a qualidade do processo de consulta comunitária
nos conselhos locais, que reflecte nos mecanismos de tomada de decisões e de prestações de
contas.

Em relação a este ponto cabe, ainda, resgatar o que foi mencionado na revisão da literatura onde
Forquilha (2012) afirmou que, a fraca representatividade dos CCL’s influência na Planificação
para o Desenvolvimento Local na medida em que a viciação no processo da selecção dos membros
das comunidades para os conselhos permite aos presidentes dos Conselhos Locais (o
administrador, chefe dos postos, chefe da localidade) controlar as opiniões dos grupos, de onde
provêm a maior parte dos membros (governo distrital, convidados do administrador, autoridades
comunitárias e funcionários públicos, etc.), decisões estas que podem não reflectir,
necessariamente, os interesses das comunidades locais. Por conseguinte, tais fatos, colocam os
espaços de participação e consulta local em risco de instrumentalização política e a captura pelo
partido no poder (Forquilha, 2012).

4.2.4 Desafios da Consulta Comunitária na Planificação do desenvolvimento do


Distrito de Chimbunila

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “Os desafios são muitos, um dos maiores que os órgãos de consulta comunitária enfrentam
está relacionado a falta de meios para trabalhar, igualmente há dificuldades de capacitação dos
membros do Conselho Local, para que eles saibam como desenvolver as suas actividades”.

40
E2: “Os órgãos de consulta comunitária tem vários desafios, por exemplo não há transporte,
dinheiro para comida para os membros durante as reuniões, esse é um grande desafio do nosso
órgão e, também, quando nós levamos as preocupações para o distrito demoram muito tempo
para nos dar a resposta (isso também deve-se resolver)”.

E3: “Os nossos órgãos têm muitos desafios, posso falar da falta de transporte para nós os
membros, posso falar da falta de alimentação nas nossas reuniões, posso falar da falta de muitos
materiais para nós trabalhar”.

Respostas dos Membros da Comunidade:

E3: “Não sei dizer”.

E4: “Acho que um dos desafios desses órgãos é a falta de dinheiro para trabalharem”.

E5: “O desafio que enfrenta os órgãos de consulta comunitária é de procurar saber da população
qual são as suas necessidades e realizar as suas actividades de acordo com o que a população
pediu, não decidir fazer as coisas entre eles”.

E6: “Os desafios que a consulta comunitária enfrenta são de trabalhar para o desenvolvimento do
distrito”.

E7: “Um dos desafios do CCL é escolher pessoas que realmente irão trabalhar para a população,
não só pessoas da influência do governo”.

E8: “Há muitos desafios que os órgãos de consulta enfrentam, por exemplo falta de alimentação
nas reuniões e falta de transporte para ir trabalhar”.

As declarações dos entrevistados dão a entender que são vários os desafios que os órgãos de
consulta comunitária do distrito enfrentam, a destacar a fraca capacitação dos membros dos CCLs,
a dificuldade de prover recursos financeiros para as IPCCs realizarem as suas actividades e
facilitar a prestação de contas, a fraca capacidade de resposta dos governos distritais às prioridades
definidas pelos conselhos locais.

Em relação a capacitação dos órgãos de consulta comunitária Forquilha (2010) afirma que deve-se
investir na formação dos níveis mais baixos das IPCCs, com o objectivo de uma melhor
preparação dos representantes das comunidades nos conselhos locais, de modo a participarem de
uma forma efectiva e responsável no processo de planificação distrital. Igualmente a capacitação,
deve também estar norteada no sentido da reduzir a instrumentalização política dos conselhos
consultivos locais (Forquilha, 2010).

Para além da formação dos representantes do CCLs, deve-se criar condições logísticas para que os
membros dos órgãos de consulta comunitária desenvolvam as suas actividades. Consubstanciado a
41
isso, o mecanismo de articulação entre os membros dos conselhos locais deve ser orientado com
vista a que os assuntos discutidos a nível dos conselhos locais cheguem ao conhecimento das
próprias comunidades e essas por meio dos CCLs possam fazer chegar as suas preocupações as
estruturas governamentais.

Das respostas dos inquiridos percebe-se, também, a necessidade de buscar um processo efectivo de
mobilização da comunidade para a participação nas IPCCs, reactivando a crença por parte das
comunidades nos Conselhos Consultivos Locais e o governo. Como afirma Mambero (2010), as
comunidades estão cansadas de despender o seu tempo livre para discutir sobre questões que, na
maioria das vezes, para serem operacionalizadas dependem da vontade política dos governantes.
Como afirma Perreira é mais fácil ou produtivo buscar alternativas individuais para as suas
dificuldades e problemas ao invés de se inserirem em movimentos de luta colectiva que dependem,
via de regra, de uma intervenção mais contundente dos governos, no sentido de garantir, por
exemplo, o acesso a bens e aos serviços públicos (Mambero, 2010).

Assim, tal como afirma Forquilha (2010), pode-se considerar que os desafios identificados
requerem uma atenção particular para o reforço de mecanismos capazes de garantir a qualidade
dos conselhos locais, de forma a se poder “agarrar” a janela de oportunidades trazida pelo quadro
jurídico-legal da institucionalização da participação e consulta comunitárias, no âmbito do
desenvolvimento distrital.

De acordo com a perspectiva funcionalista, para a presente pesquisa consideramos as Instituições


de Consulta Comunitária do Distrito de Chimbunila como sendo um sistema político e que surgem
para responder os anseios da comunidade de acordo com as suas necessidades. Este sistema
político está mergulhado num meio ambiente que o sujeita a desafios aos quais deve responder,
isto é os vários níveis de conselhos locais, em coexistência com outras instituições governamentais
(governo distrital) devem responder ou solucionar os problemas locais. Importa referir que entre as
instituições supramencionadas e as IPCC’s deve haver uma constante interacção, no sentido de
haver demandas ou exigências (inputs) vindas da comunidade, e outras instituições de
participação, que serão processadas e constituirão outputs em forma de planos locais, ou soluções á
problemas da comunidade (Guambe, 2009).

No entanto, entende-se que no distrito de Chimbunila os Conselhos Locais a vários níveis (CCD,
CCPA e CCL) em contacto e coordenação directa com as comunidades, devem participar na
definição de infra-estruturas consideradas prioritárias dentro das suas necessidades e na
identificação de locais viáveis para a sua implantação, desenvolvendo neste exercício, uma relação
de articulação entre o Governo e a População, onde a comunidade identifica as suas necessidades
dando a conhecer as estruturas governamentais e o executivo em coordenação com os Conselhos
42
locais, buscam as melhores alternativas de solução para a satisfação das necessidades levantadas,
não só, como também a comunidade participa no acompanhamento da implementação dos
projectos localmente concebidos no âmbito das iniciativas do governo distrital.

4.2.5 Realização das sessões dos órgãos de consulta comunitária do Distrito de


Chimbunila

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “Sim sou convidado para participar nas reuniões dos órgãos de Consulta Comunitária.
Participei duas vezes”.

E2: “Tenho sido convidado, participei duas vezes nas reuniões do CCL”.

E3: “Tenho sido convidado para participar nas reuniões do CCL, participei em todas as três
reuniões”.

Respostas dos Membros da Comunidade:

E4: “Nunca participei das sessões dessa organização”.

E5: “Não sou convidado para participar nessas reuniões”.

E6: “Nunca fui convidado para participar nas reuniões do Conselho Consultivo Local”.

E7: “Participei três vezes nas sessões do Conselho Consultivo Local, a primeira vez tinha a ver
com a criação do próprio conselho”.

E8: “Sim fui convidado, participei uma vez”.

Os dados mostram uma divisão de opiniões, onde os entrevistados 4,5 e 6 afirmam que não são
convidados para participar nas sessões dos órgãos de consulta comunitária, mas isto não quer dizer
que estas instituições não efectuam as referidas reuniões.

Como se pode depreender das respostas dos inquiridos 1,2,3,7 e 8, os órgãos de consulta
comunitária tem realizado sessões. Todavia, igualmente percebe-se dos participantes da pesquisa
que os mesmos órgãos não têm efectuado o número de sessões previstas no guião de orientação
das IPCCs. A este respeito, os Artigos 27 e 28 do Guião de Consulta Comunitária preveem que os
CCLs devem realizar duas sessões ordinárias por ano e outras extraordinárias, geralmente sob
convite do presidente, (MASC, 2014).

Aliado ao acima exposto, as actas que a pesquisa teve acesso mostram que, durante o período em
estudo, o CCD do distrito de Chimbunila realizou somente três sessões ordinárias e seis sessões
extraordinárias.

43
A nossa pesquisa teve conhecimento que a dificuldade em realizar as sessões das IPCCs no
Distrito de Chimbunila está relacionada a falta de recursos materiais e financeiros, principalmente
nos níveis mais baixos.

Em relação a esta constatação Simão (2013) defende que quando as discussões das necessidades
locais ao nível da base não têm tido uma apreciação colectiva dos representantes comunitários,
enfraquece a identificação e o encaminhamento das mesmas às estruturas de níveis mais acima.
Assim, de certa forma, conduz a não solução das necessidades concretas da comunidade.

Deste modo, este facto mina a transparência dos CCLs e por sua vez, enfraquece o processo de
consulta comunitária na identificação das necessidades da comunidade de Chimbunila. Assim, é
preciso o mais urgente que se encontrem formas de ultrapassar estes obstáculos.

4.2.6 Avaliação da execução dos planos discutidos nas reuniões dos Órgãos de
Consulta Comunitária

Respostas dos Membros dos CCLs e Equipa Técnica Distrital:

E1: “A avaliação da execução dos planos discutidos nas reuniões dos órgãos de consulta
comunitária é boa. Porque quase tudo o que o governo tem realizado se inspira nas
recomendações dos membros dos CCLs, pode levar algum tempo”.

E2: “Avalio bem, o governo pode demorar fazer alguns projectos para aqui na comunidade mais
logo que tem o dinheiro executa. Um dos exemplos é a casa do chefe da localidade que está em
construção”.

E3: “A avaliação é boa, o governo acolhe quase todos os assuntos que o Conselho Local faz
chegar”.

Respostas dos Membros da Comunidade:

E4: “Não avalio bem, Em Lione-Sede abriram furo de água na residência do Chefe da Localidade,
em Chala abriram furo ao lado do Posto Policial ao invés de colocar esses furos la no bairro onde
estão as pessoas. Não nos avisaram sobre a abertura dos furos e por isso que poucos usam (vê-se
na imagem 1, no apêndice 3)”.

E5: “A avaliação é mais ou menos boa, muita coisa que deve ser feita aqui na comunidade.

E6: Eu avalio mal a execução dos planos discutidos nas reuniões dos órgãos de Consulta
Comunitária, porque primeiro é difícil ter essas reuniões eu nunca fui mas também muita coisa
que se precisa fazer”.

44
E7: “A avaliação que faço não é boa. Aqui em Namuanica a população não tem fontes de
abastecimento de água potável. É um problema antigo e apresentamos muitas vezes ao governo.
Sempre nos dizem que estão a espera duma empresa para vir fazer o estudo do solo. A mesma
coisa está acontecer com a casa da chefe de localidade, prometeram construir a três anos”.

E8: “A avaliação não é boa. É difícil indicar essas actividades porque o governo tem construído
as coisas sem nos perguntar, um dos exemplos é o mercado central, é um empreendimento que
esta se estragando e não se usa pela população. Os vendedores negam ir vender os seus produtos.
(vede a imagem 2, no apêndice 3)”.

Os dados mostram que a execução dos planos discutidos nas reuniões de Consulta Comunitária
ainda não é uma realidade no distrito de Chimbunila. Apesar de os entrevistados 1, 2 e 3
considerarem que as suas propostas sobre as preocupações das comunidades são acolhidas
favoravelmente pelo governo local, contudo os mesmos salientam, nas suas respostas, que
satisfação dessas preocupações é uma incerteza ou demora bastante.

Neste sentido, com base nos dados do entrevistado 4 e 6 expostos aqui, percebe-se que as consultas
comunitárias não reflectem as necessidades urgentes das comunidades do Distrito de Chimbunila,
visto que as acções desenvolvidas não vão ao encontro das necessidades urgentes das populações.
Isto é, as populações clamam pela disponibilidade de infra-estruturas em locais onde beneficiarão
as comunidades carenciadas de forma a contribuir positivamente para a satisfação das suas
necessidades.

Desta feita, convocando Valá (2009), este de forma categórica sustenta que desenvolvimento local
significa que as pessoas devem viver em casas condignas, com acesso a água, educação, saúde e
protecção social, tenham energia para iluminar os seus sonhos, e possam comunicar com familiares
e amigos vivendo perto ou distante (facto que não se verifica no nosso campo de estudo).

O nosso estudo constatou que a fraca capacidade de resposta às prioridades definidas pelos CCLs,
como o caso da falta de instalações das secretarias nas localidades (funcionam nas casas dos chefes
das localidades) ou a casa do chefe da localidade de Namuanica, estradas degradadas, alunos
estudando em condições precárias, etc, está associado a vários factores, dentre os quais se
destacam os seguintes: desvio de aplicação do fundo para cobrir despesas protocolares, realização
dos trabalhos às pressas para justificar os fundos ou acomodar as sensibilidades de um dirigente
político. Concordando com Forquilha (2010), este cenário tem enfraquecido o processo de
participação local, abrindo um espaço para a “recentralização” do exercício de planificação, o que
é contrário a todos os princípios da LOLE.

45
Relativamente a resposta do entrevistado 8, a recusa dos comerciantes em vender no mercado
central pode não significar, necessariamente, a rejeição do local, mas a renúncia do não
esclarecimento, da ausência de diálogo, de não solução dos inúmeros problemas locais, da fraca
articulação entre os CCLs e a comunidade ou a lealdade política dos representantes dos CCLs ao
Governo do dia comprometendo o desenvolvimento das suas comunidades. Tal como afirma Serra
(2002), um Estado ganha hegemonia quando consegue trocar a exigência de lealdade política pelo
fornecimento (e pela monitoria constante) de serviços básicos de qualidade.

Portanto, pode-se afirmar que o processo de consulta comunitária no Distrito de Chimbunila tem
ainda um longo percurso para se tornar no colaborador elegível com as autoridades da
Administração Local na busca de soluções para as questões fundamentais que afectam a vida da
população, o seu bem-estar e o desenvolvimento do seu território.

46
CAPÍTULO V: CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO

Em Moçambique, a participação das comunidades está plasmada na lei, com previsão de


momentos de discussão e condições necessárias para o efeito. Depreende-se, pois, que o
desenvolvimento local deve ser realizado mediante a actuação do cidadão e não, necessariamente
ou exclusivamente do Governo ou órgãos do Estado. A participação do cidadão pressupõe a
abertura política e social, que se manifesta na liberdade de pensamento, como investimento do
desenvolvimento.

Todavia, constatou-se que o processo de consulta comunitária no Distrito de Chimbunila, não tem
trazido melhorias significativas para as comunidades, isto é, os membros das comunidades não se
sentem efectivamente envolvidos nos momentos de discussões e definições de acções orientadas
para o desenvolvimento local.

Para fundamentar o raciocínio acima, e de acordo com os objectivos levantados no início da


pesquisa, é de referir que em relação ao primeiro objectivo, que procurou identificar os
mecanismos de articulação entre os órgãos de Consulta Comunitária e as suas comunidades,
averiguou-se que escassas vezes os CCL’s (principalmente os de base) realizam reuniões de
consulta comunitária com às comunidades para identificar as suas necessidades, a falta de recursos
(materiais e financeiros) foi apontada como estando na origem da dificuldade. No entanto, há uma
fraca circulação de informação entre os vários níveis dos CCLs, o que condiciona o processo de
consulta comunitária aos interesses internos.

Quanto ao segundo objectivo, que almejou descrever a influência dos problemas de funcionamento
dos Conselhos Consultivos Locais do Distrito de Chimbunila na planificação do desenvolvimento
local, apurou-se que os CCL’s do distrito em ênfase, que constituem o espaço de consulta
comunitária, têm uma fraca ligação com as suas comunidades e apresentam um deficiente
funcionamento, estes cenários colocam o nível de participação da população muito fragilizado,
dificultando ainda mais o exercício do seu papel na promoção do desenvolvimento local.

Relativamente a necessidade de perceber se as comunidades são bem representadas no processo de


planificação para o Desenvolvimento do Distrito de Chimbunila, verificou-se que há fraca
representatividade dos CCL’s no processo de tomada de decisões, consubstanciado com o fraco
conhecimento, por parte da comunidade do distrito de Chimbunila, da actividade política
participativa e da incapacidade de poderem intervir activamente nos processos políticos e no gozo
do seu direito de acompanhar e influenciar o cenário político em prol do seu bem-estar social e
económico; aliado a instrumentalização política das IPCC do distrito pelos actores políticos, que
pretendem manter o seu status, põem em causa a cidadania da comunidade e o seu envolvimento

47
na planificação de acções que conduzem ao bem-estar da comunidade. Esta é, portanto, uma das
razões do fraco desempenho relativo às prestações de contas dos conselhos locais às populações.

Finalmente, em relação ao último objectivo (que ansiou descrever os desafios da consulta


comunitária na planificação para o desenvolvimento do Distrito de Chimbunila no período de 2015
à 2018), é de referir que, o processo de consulta comunitária está sujeito a vários desafios,
nomeadamente: a instrumentalização política dos CCLs, fraco envolvimento das comunidades nas
decisões que conduzem ao desenvolvimento local, fraca capacidade de resposta do governo
distrital às prioridades definidas pelos CCLs, falta de recursos materiais e financeiros para as
instituições de consulta comunitária desenvolverem as suas actividades e facilitar a prestação de
contas.

5.1 Recomendações

Vale a pena lembrar que os dados adquiridos na presente pesquisa trouxeram curiosas e
significativas informações referentes ao tema de planificação do desenvolvimento distrital e sobre
os conselhos consultivos e sua interacção com a comunidade. Desta feita, recomenda-se:

5.1.1 Recomendação para o Governo do Distrito

Que se respeite a diversidade dos actores envolvidos no processo participativo, de modo a


contribuir na criação de possibilidades de escolha para a população do distrito de
Chimbunila e reduzir a instrumentalização política dos conselhos consultivos locais;

Que haja disponibilidade de recursos materiais e financeiros para as Instituições Políticas


de Consulta Comunitária desenvolverem as suas actividades e facilitar a prestação de
contas;

A capacitar os membros dos CCLs em matérias relacionadas ao funcionamento dos


conselhos locais e participação comunitária com vista a maximizar o envolvimento dos
populares nas decisões que conduzem ao desenvolvimento local.

5.1.2 Recomendação para futuras pesquisas


Para as futuras pesquisas recomenda-se que se analise:

O Envolvimento das Comunidades na Gestão dos Fundos de Água e estradas no distrito de


Chimbunila;

O Contributo da Representatividade das IPCCs do Distrito da Chimbunila no processo de


tomada de decisão e a implementação dos planos de desenvolvimento do Distrito.

48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Legislação

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto 11/2005, de 10 de Junho - Regulamento da Lei dos


Órgãos Locais do Estado, BR nº 23, Iª Série, 2º Supl.

52
Apêndices

Apêndice I: Roteiros de Perguntas dirigidas a população do estudo

Questionário dirigido aos Membros dos CCLs, Equipa Técnica Distrital e Residentes no
Distrito de Chimbunila

Caro cidadão, esta entrevista destina-se a colecta de dados para a pesquisa destinada a
elaboração da monografia, com vista a obtenção do grau académico de licenciatura em
Administração Pública, com o tema: Os Desafios da consulta comunitária na planificação do
desenvolvimento do Distrito de Chimbunila. Desta feita, os dados colhidos serão
exclusivamente usados para a pesquisa em questão.

Nome_________________________________ Sexo: Feminino Masculino


Ocupação _____________________________ Idade: Entre 18 á 40 anos
Data:----/----/---- Mais de 40 anos

1. Tem sido convidado para participar nas reuniões dos órgãos de Consulta Comunitária? Quantas
vezes foi convidado?
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
__
2. Quais são as actividades desenvolvidas pelos Conselhos Consultivos Locais?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
3. Mencione as formas de articulação entre os órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de
Chimbunila e a sua comunidade.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
4. Como avalia a representação dos membros da comunidade local nos órgãos de Consulta
Comunitária?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
5. Como avalia a execução dos planos discutidos nas reuniões? Faça comentários sobre a
avaliação.
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
6. Quais são os desafios que se colocam no trabalho das instituições de consulta comunitária?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

53
Guião de Entrevista para da Comunidade do distrito de Chimbunila

Caro cidadão, esta entrevista destina-se a colecta de dados para a pesquisa relacionada com a
Análise do contributo da participação comunitária na planificação do desenvolvimento do
Distrito de Chimbunila. Desta feita, os dados colhidos serão exclusivamente usados para a
pesquisa em questão.
Nome_________________________________ Sexo __________ Idade ________
Ocupação _____________________________
Data:----/----/----
1. Tem conhecimento da existência de algum órgão de Consulta Comunitária (Conselho
Consultivo Local do Distrito/Posto/Localidade/Povoação)? Quando é que surgiram e
quando entraram em funcionamento?

2. Explique com tem sido feito o processo de selecção dos membros que integram os órgãos
de Consulta Comunitária?

3. Qual é a tua perceção em relação a representação das comunidades nas instituições de


consulta comunitária e sua influência no processo de planificação para o Desenvolvimento
do Distrito de Chimbunila?

4. De que forma os órgãos de Consulta Comunitária do Distrito de Chimbunila tem articulado


com a sua comunidade?

5. Pode descrever como as Instituições de Participação de Consulta Comunitária funcionam?

6. Mencione as actividades desenvolvidas aqui na sua comunidade que foram resultado da


consulta comunitária?

7. Tem sido convidado pelos órgãos de consulta comunitária para participar nas suas
reuniões? O que se tem tratado nessas reuniões?

8. Como tem sido feita a prestação de contas sobre as actividades desenvolvidas pelos
membros dos órgãos de Consulta Comunitária nas comunidades que representam?

9. Quais são os problemas de funcionamento que as instituições de consulta comunitária


encaram?

10. Qual é a tua percepção em relação a contribuição das instituições de consulta comunitária
no desenvolvimento da sua comunidade?

11. Quais são os desafios que se colocam no trabalho das instituições de consulta comunitária
no âmbito da planificação das actividades que conduzem ao desenvolvimento do distrito?

54
Guião de Entrevista para os Membros dos Conselhos Consultivos (do nível distrital, PA e
Localidade) e a Equipa Técnica do Distrito de Chimbunila

Caro cidadão, esta entrevista destina-se a colecta de dados para a pesquisa relacionada com a
Análise do contributo da participação comunitária na planificação do desenvolvimento do
Distrito de Chimbunila. Desta feita, os dados colhidos serão exclusivamente usados para a
pesquisa em questão.

Nome_________________________________ Sexo __________ Idade ________


Ocupação _____________________________
Data:----/----/----

1. Existem aqui instituições de consulta comunitária? Quantas são?


2. Quando é que foram criadas e quando entraram em funcionamento?
3. Qual é a composição das instituições de consulta comunitária? E como foi o processo de
selecção dos seus membros?
4. Quais são as actividades desenvolvidas pelas instituições de consulta comunitária?
5. Como tem sido o fluxo de informação entre o GD, o CCL e as comunidades locais?
6. Como tem sido a articulação entre as estruturas administrativas do distrito/PA/Localidade
com as instituições de consulta comunitária?

7. Como têm sido a participação nos debates dos membros das instituições de consulta
comunitária?
8. Quais são os principais desafios que se colocam no trabalho das instituições de consulta
comunitária no âmbito da planificação das actividades que conduzem ao desenvolvimento
do distrito?
9. Explique como tem Funcionado as instituições de consulta comunitária?

10. Existem recursos financeiros e materiais que garantem o funcionamento das instituições de
consulta comunitária?
11. Qual tem sido o papel das instituições de consulta comunitária e outros actores locais no
processo de planificação distrital?
12. Quais são as actividades realizadas pelas instituições de consulta comunitária que
conduzem para o desenvolvimento das comunidades locais do distrito de Chimbunila?

13. Qual tem sido o nível de afluência dos membros das instituições de consulta comunitária às
sessões e como têm sido a participação nos debates?
14. Quais são os principais desafios/problemas que se colocam no trabalho das instituições de
consulta comunitária no âmbito da planificação das actividades que conduzem ao
desenvolvimento do distrito?

55
Apêndice II: Respostas do questionário dirigido aos participantes da pesquisa

Tabela 4: Apresentação das Respostas do questionário dirigido aos participantes da pesquisa


Nº Questões Participantes Respostas
1 Quais são os mecanismos da 8 E1: Os órgãos de Consulta Comunitária
articulação entre os órgãos de têm auscultado a população e recolhe as
Consulta Comunitária do Distrito de suas preocupações. Essas, são bem
Chimbunila e a sua comunidade? acolhidas pelo governo local.
E2: Acho que a articulação entre os
órgãos de consulta comunitária e a
comunidade é feita a partir de encontros
que são convocados pelos líderes.
E3: Nos reunimos com as comunidades,
para comunicar informações e pedir
opiniões sobre a nossa região. Mas as
vezes, as preocupações da comunidade,
que nós fazemos chegar ao governo,
demoram muito a ser satisfeita e não
temos recebido explicações sobre o
assunto.

E4: Não sei dizer.


E5: A forma de ligação entre os órgãos
de consulta comunitária e a comunidade é
com base nas reuniões que algumas
pessoas da comunidade participam.
E6: Não sei dizer.

E7: Não Conheço.


E8: Não tenho conhecimento sobre esses
mecanismos.
2 Quais são os problemas de 8 E1: Um dos problemas de funcionamento
funcionamento que as instituições de dos órgãos de consulta comunitária é a
consulta comunitária encaram? dificuldade de os membros exercer as
suas funções, somente o CCD tem
condições para garantir a logística para a
realização das sessões (o transporte,
alimentações etc).
E2: É difícil mencionar quais são os
problemas, ainda estou a espera de
orientação para saber qual é o meu
trabalho no conselho. Por enquanto só
estamos a experimentar e as nossas
comissões de trabalho ainda não estão a
funcionar.
E3: As instituições de consulta
comunitária enfrentam problemas
56
financeiros, de comunicação com o
governo sobre os problemas que a
sociedade enfrenta e de resolver conflitos
que existem nas comunidades.
E4: Não sei dizer quais são os problemas
que eles enfrentam.

E5: Não sei o que as instituições de


consulta comunitária fazem e também
não sei quais são as suas dificuldades de
funcionamento.
E6: Não sei bem, mas acho que eles tem
dificulade de resolver os problemas daqui
da zona.
E7: Os membros das instituições de
consulta comunitária não sabem quais
são as suas actividades, também eles não
tem condições para trabalhar.
E8: Acredito que o maior problema dos
órgãos de consulta comunitária é de
responder aos problemas que aparecem
nas suas comunidades.
3 Será que as comunidades são bem 8 E1: A representação é boa, uma vez que
representadas no processo de na composição dos CCLs respeitaram-se
planificação para o Desenvolvimento as quotas estabelecidas pelo Guião.
do Distrito de Chimbunila? Escolheram-se pessoas idóneas para
compor os CCLs.
E2: As comunidades estão bem
represetandas, porque na nossa
comunidade escolheram algumas pessoas
para ir no CCL.
E3: A representação é muito boa, uma
vez que nos órgãos estão representados
todas as partes da população,
funcionários, jovens, mulheres, etc.

E4: A representação da comunidade é


muito mal, porque escolheram entre eles,
mesmo nas reuniões se convidam entre
eles.
E5: A comunidade não está bem
representada, muitas pessoas não fazem
parte desse grupo.
E6: Os órgãos de Consulta Comunitária
não estão bem compostos, nós não
sabemos como escolheram as pessoas

57
para estar lá.
E7: O processo de selecção dos membros
dos CCLs não foi aberto. Estes, são
compostos por pessoas mais influentes do
distrito e reconhecidas no partido
(FRELIMO), isto mostra que lá não é
para qualquer pessoa da comunidade.
E8: Os órgãos estão mais ou menos
representados.
4 Quais são os desafios que se colocam 8 E1: Os desafios são muitos, um dos
no trabalho das instituições de maiores que os órgãos de consulta
consulta comunitária? comunitária enfrentam está relacionado a
falta de meios para trabalhar, igualmente
há dificuldades de capacitação dos
membros do Coonselho Local, para que
eles saibam como desenvolver as suas
actividades.
E2: Os órgãos de consulta comunitária
tem vários desafios, por exemplo não há
transporte, dinheiro para comida para os
membros durante as reuniões, esse é um
grande desafio do nosso órgão e,
também, quando nós levamos as
preocupações para o distrito demoram
muito tempo para nos dar a resposta (isso
também deve-se resolver).
E3: Os nossos órgãos têm muitos
desafios, posso falar da falta de
transporte para nós os membros, posso
falar da falta de alimentação nas nossas
reuniões, posso falar da falta de muitos
materiais para nós trabalhar

E3: Não sei dizer.


E4: Acho que um dos desafios desses
órgãos é a falta de dinheiro para
trabalharem.
E5: O desafio que enfrenta os órgãos de
consulta comunitária é de procurar saber
da população qual são as suas
necessidades e realizar as suas
actividades de acordo com o que a
população pediu, não decidir fazer as
coisas entre eles.
E6: Os desafios que a consulta
comunitária enfreta são de trabalhar para

58
o desenvolvimento do distrito.
E7: Um dos desafios do CCL é escolher
pessoas que realmente irão trabalhar para
a população, não só pessoas da influência
do governo.
E8: Há muitos desafios que os órgãos de
consulta enfrentam, por exemplo falta de
alimentação nas reuniões e falta de
transporte para ir trabalhar.
5 Tem sido convidado para participar 8 E1: Sim sou convidado para participar
nas reuniões dos órgãos de Consulta nas reuniões dos órgãos de Consulta
Comunitária? Quantas vezes foi Comunitária. Participei duas vezes.
convidado?
E2: Tenho sido convidado, participei
duas vezes nas reuniões do CCL.
E3: Tenho sido convidado para participar
nas reuniões do CCL, participei em todas
as reuniões.
E4: Nunca participei das sessões dessa
organização.
E5: Não sou convidado para participar
nessas reuniões.
E6: Nunca fui convidado para participar
nas reuniões do Conselho Consultivo
Local.

E7: Participei três vezes nas sessões do


Conselho Consultivo Local, a primeira
vez tinha a ver com a criação do próprio
conselho.
E8: Sim fui convidado, participei uma
vez.
6 Como avalia a execução dos planos 8 E1: A avaliação da execução dos planos
discutidos nas reuniões das discutidos nas reuniões dos órgãos de
instituições de participação e consuta consulta comunitária é boa. Porque quase
comunitária? Faça comentários sobre tudo o que o governo tem realizado se
a avaliação. inspira nas recomendações dos membros
dos CCLs, pode levar algum tempo.
E2: Avalio bem, o governo pode demorar
fazer alguns projectos para aqui na
comunidade mais logo que tem o
dinheiro executa. Um dos exemplos é a
casa do chefe da localidade que está em
construção.

E3: A avaliação é boa, o governo acolhe


quase todos os assuntos que o Conselho
59
Local faz chegar.
E4: Não avalio bem, Em Lione-Sede
abriram furo de água na residência do
Chefe da Localidade, em Chala abriram
furo ao lado do Posto Policial ao invés de
colocar esses furos la no bairro onde
estão as pessoas. Não nos avisaram sobre
a abertura dos furos e por isso que poucos
usam.
E5: A avaliação é mais ou menos boa,
muita coisa que deve ser feita aqui na
comunidade.
E6: Eu avalio mal a execução dos planos
discutidos nas reuniões dos órgãos de
Consulta Comunitária, porque primeiro é
difícil ter essas reuniões eu nunca fui mas
também muita coisa que se precisa fazer.
E7: A avaliação que faço não é boa. Aqui
em Namuanica a população não tem
fontes de abastecimento de água potável.
É um problema antigo e apresentamos
muitas vezes ao governo. Sempre nos
dizem que estão a espera duma empresa
para vir fazer o estudo do solo. A mesma
coisa está acontecer com a casa da chefe
de localidade, prometeram construir a
três anos.
E8: A avaliação não é boa. É difícil
indicar essas actividades porque o
governo tem construído as coisas sem nos
perguntar, um dos exemplos é o mercado
central, é um empreendimento que esta se
estragando e não se usa pela população.
Os vendedores negam ir vender os seus
produtos.
Fonte: Autora, 2020.

60
Apêndice III: Imagens

Imagem 1: Da esquerda para direita, Furos de água abertos no quintal da casa do Chefe da localidade de Lione-Sede e ao lado do Posto Policial de Chala

Fonte: Autora, 2020.

62
Imagem 2: Mercado Central do Distrito de Chimbunila

Fonte: A Autora, 2020

63
Anexos

Credencial

64

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