Você está na página 1de 2

Título: Como a perspectiva realista apresentada pelo texto escolhido desarticula o tipo

idealização própria da literatura romântica?

Para os liames desta atividade escolhemos o texto A: Poema “Profissão de fé”


(1897), de Carvalho Júnior. Com isso, realizaremos uma perspectiva realista em que será
apresentados os pontos de desarticulação da idealização própria da literatura romântica,
estabelecendo pontos divergentes entre os períodos a partir da análise do poema.
A priori, “Profissão de fé” (1987) soa como uma manifestação incisiva e de
sobremaneira realista do que se encontrou no romantismo literário, desde suas liras
infundadas numa temática idealizada, criado e desenvolto a atender expectativas
propriamente pessoais e egóicas dos personagens. Haja visto no verso primeiro, em que há o
questionamento, ou melhor, o apontamento das mulheres românticas, que eram idealizada a
um ponto de sublimação dos desejos, tratando-as de forma a suprir objeto de um desejo irreal
ao ponto de alimentar as ambições excessivas de um amor utópico. Sendo assim, o poeta faz
uma crítica levando ao oposto, expressando-se odiar as virgens românticas, e o romantismo
doente, que idealiza uma beleza doente, medievalista, ou seja, são criações fracas, sem forças,
ao que se opõe ao realismo.
Em contrapartida, o realismo não está se calcando nas idealizações, algo intangível e
desmedido, mas na realidade dos fatos e como eles são, na natureza intrínseca do ser, um
sujeito, animalizado pelas suas atitudes e desejos. E o que desnuda os pontos divergentes dos
períodos é o verso final: “Prefiro a exuberância dos contornos/As belezas da forma, seus
adornos, /saúde, a matéria, a vida enfim”. Este verso é a apresentação ou até mesmo o ponto
de afirmação do eu lírico, pela sua experiência com o realismo. Que tanto desconstrói as
fracas liras românticas, como faz uma crítica pontual sobre o amor romântico idealizado,
exaltando o realismo, a partir desta mesma crítica.
Estabelecer esse olhar crítico ao poema, vê-se que todos os adjetivos ali presentes,
como: “Romantismo hidrófobo” que significa, para as flores, a ausência de clorofila,
tornando-a com aspecto desbotado é o gesto de uma comparação que realça a crítica em
relação ao romantismo e ainda reafirma ao final do primeiro verso o “histerismo” presente na
época literária, a fim de implicitamente, chamar o romantismo de uma época “doente”, uma
vez que “Histérico” foi um termo criado pela medicina psiquiátrica e significa um desvio
perturbador para o ser e referencia a partir disso as intenções ao caracterizar o poema.
Nos versos seguintes, o autor caracteriza a mulher idealizada do romantismo
afirmando-as como “Ilusões óticas”, “raquíticos abortos de lirismo”, “sonhos de carne” que
traduzem a irrealidade de um sonho de mulher que é objeto de desejo a fim de amparar
desejos irrealizados e frustrados do romantismo, como afirma os ideais realistas. Assim,
constrói um soneto que desconstrói a imagem da mulher idealizada pelo romantismo.
E por fim, o autor explicita em seu gesto mais sincero tudo aquilo que simboliza
os princípios realistas. “Prefiro a exuberância dos contornos,/ As belezas da forma, seus
adornos/ saúde, a matéria, a vida enfim” Tal verso, ressignifica a idealização de uma forma
de mulher irreal do romantismo. A conclusão do poema demonstra tudo aquilo que o
realismo propõe enquanto literatura subversiva: o real é o que realmente importa, o corpo
real, explorar a mente de forma realística e como ela de fato é e se comporta (aspectos
psicológicos fortemente presentes no realismo) além da retomada do naturalismo, dos corpos
reais e que mesmo de um olhar do amor romântico é traduzido àquilo que é existente, que
carrega história e formas de vida que no romantismo eram idealizadas de todos os lados.
O poema é uma relação crítica ao romantismo desde a crítica direta no primeiro verso
até a caracterização da mulher inatingível; do ideal de vida inatingível. E no gesto de
questionar o amor do romantismo, o autor demonstra que o realismo encara a realidade da
forma como ela é, completamente oposta à melancolia proposta pelos românticos.