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Cidade da Imagem

Por Baptista Alves

A Câmara Municipal de Sintra aprovou um Protocolo de Intenções para o


desenvolvimento de uma “Cidade Cinema” no Concelho de Sintra, junto à
Serra da Carregueira entre o aglomerado da Raposeira e o Sabugo, na 71.ª
Reunião de Câmara no dia 12 de Novembro de 2008.

A 24 de Setembro de 2009, a Câmara Municipal de Sintra avança com uma


proposta no sentido de considerar a, agora designada, “Cidade da Imagem”,
como PIN, pretensão que não se verificou.

Na 8.ª Reunião Privada da Câmara Municipal de Sintra, realizada no dia 10


de Março de 2010, foi celebrado o protocolo de colaboração entre o
Município de Sintra e a Plural Entertainement.

Com este breve historial realizado, importa analisar os factos, as opções, os


compromissos e as respectivas consequências.

São parceiros deste protocolo três entidades: o Município de Sintra, a MCP


(Media Capital, S.A.) e o Casal da Granja de Stª Cruz- Promoções
Turísticas Imobiliárias Lda.

O Casal da Granja é dona de cerca de 200 hectares de terreno. A MCP,


pretende comprar por preço simbólico, cerca de 50 hectares desses 200
hectares de terreno, para executar uma “Cidade da Imagem”, encontrando-
se ainda a analisar a possibilidade da deslocação de outras empresas do
Grupo Média Capital para esta área. Nos restantes 150 hectares, o Casal da

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Granja pretende realizar outros investimentos de dimensão considerável,
segundo é perceptível pela documentação apresentada na reunião de 12 de
Novembro de 2008.

Para que todos estes investimentos possam ser realizáveis executar-se-á um


Plano de Pormenor para a zona em causa.

Todas as partes acordam que a tramitação dos 50 hectares para a “Cidade


Cinema” só será realizável se for publicado um Plano de Pormenor para a
totalidade da área em causa (+- 200 hectares).

A execução do Plano de Pormenor será feito através de um contrato de


planeamento com a MCP, a Granja de Stª Cruz e o Município. Este
contrato, deverá ser celebrado, sem contudo estar reconhecido enquanto
PIN, uma vez que esta declaração de Interesse Nacional não foi obtida.

As intenções, opções e soluções apresentadas não ficam dependentes da


publicação do Plano de Pormenor, funcionando a não publicação do Plano
de Pormenor como condição resolutiva de todo e qualquer acordo
celebrado, ou seja, as presentes intenções condicionam à partida a
elaboração do futuro Plano de Pormenor, invertendo claramente a lógica de
funcionamento deste instrumento de gestão territorial.

O local onde se pretende realizar o Plano de Pormenor está inserido numa


área livre de habitações, entre os aglomerados de Casal da Mata, Raposeira,
Sabugo e Vale de Lobos.

No PDM, os terrenos (50ha) onde se pretende implantar a “Cidade da


Imagem” e outros eventuais investimentos do Grupo Média Capital, está

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todo inserido em REN com a sobreposição em alguns locais da RAN. Esta
localização deriva das directrizes da Direcção Municipal de Planeamento
Estratégico e Urbanismo e da Divisão de Projectos Estratégicos que
apontam ser este o local preferêncial, senão imperativo para a localização
da “Cidade da Imagem”.

Os terrenos (150 ha) onde o Casal da Granja pretende realizar os outros


investimentos de dimensão considerável (que não se sabem quais são),
estão inseridos em áreas classificadas no PDM, em RAN, áreas agrícolas de
vários níveis e florestais.

Como a Câmara ainda não elaborou, porque está a preparar os estudos


preparatórios à futura elaboração e aprovação do Plano de Pormenor pela
Assembleia Municipal, não se sabe o que vai acontecer aos 150 hectares
livres dos terrenos do Casal da Granja e /ou outros que estejam inseridos
dentro do Plano de Pormenor. Só se sabe as intenções dos proprietários do
Casal da Granja, que afirmam no Protocolo que pretendem executar
investimentos consideráveis, e que a Câmara ao aceitar este Protocolo terá
que os considerar.

De acordo com este Protocolo, só se realizará a “Cidade da Imagem”, se for


publicado um Plano de Pormenor para a área total em causa.

Também a transmissão dos terrenos para a “Cidade da Imagem” (50ha) só


se realizará, se for aprovado e publicado um Plano de Pormenor para a
totalidade da área (+-200ha).

A Câmara Municipal deverá definir os parâmetros urbanísticos para os


terrenos do Plano de Pormenor, que terão de estar de acordo com a

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legislação vigente, nomeadamente o PDM de Sintra, o PROT-AML, isto
significa que se a Assembleia Municipal pretender deliberar sobre a
“Cidade da Imagem”, terá que aprovar as directrizes urbanísticas da
Câmara e das entidades privadas (com investimentos de dimensão
considerável de acordo com este protocolo), sem saber ao certo o que vai
acontecer a esta área territorial.

Este Plano de Pormenor, a ser executado pelas entidades privadas, terá os


parâmetros urbanísticos que foram elaborados e aprovados pela Câmara e
Assembleia Municipal, com a intenção de existência de uma “Cidade da
Imagem” e as propostas de investimentos de dimensão considerável dos
proprietários.

Parece que com este Protocolo, que a Câmara e a Assembleia Municipal,


ficam de “mãos atadas”, com a agravante de ser elaborado um Plano de
Pormenor “à medida” dos proprietários dos terrenos, isto é, de acordo com
as propostas e parâmetros urbanísticos que os proprietários dos terrenos
quiserem elaborar, que poderá enquadrar-se ou não no desenvolvimento
que for melhor para aquela área e para o Concelho.

A transmissão dos terrenos (50 ha) para a Cidade da Imagem, só se


realizará se for aprovado um Plano de Pormenor para a totalidade da área.
Por sua vez, este Plano de Pormenor, terá que contemplar os investimentos
de dimensão considerável que os proprietários pretendem realizar nos 150
hectares sobrantes.

Mesmo que não se realize a Cidade da Imagem, o Plano de Pormenor,


seguirá o seu caminho, com os parâmetros urbanísticos que entretanto serão
definidos, que poderão estar de acordo ou não, com o desenvolvimento

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sustentável do Concelho. Também há que ser analisada a participação
pública do Plano de Pormenor.

Assim,
Questiona-se se é claro, diga-se legal, proceder à aprovação de um
Protocolo de Colaboração, que tem em si um programa preliminar, que
estabelece as linhas indicativas para um futuro Plano de Pormenor,
considerando um compromisso de investimentos de dimensão assinalável
para a área, que compromete desde logo o próprio Plano de Pormenor, e a
actuação da Câmara e Assembleia Municipal, apesar da condição resolutiva
do Protocolo.

É de notar que qualquer alteração ao PDM, tem os seus trâmites normais,


que deverão enquadrar-se no quadro legal, e que não podem ter
compromissos que o afectem, condicionem ou eventualmente subvertam.

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