Você está na página 1de 16

Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?

OP=46

Silvina Santana

1 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Introdução Análise descritiva dos dados


Indução impírica de factores problemáticos
Objectivos

Enquadramento Geral

Teletrabalho e incapacidade

Metodologia de recolha e
análise de dados

Análise de dados e resultados

Conclusões e recomendações

Referências
5.1 Análise descritiva dos dados

Das empresas analisadas, 70.8% reconheceram o conceito de teletrabalho. Das 94


empresas que responderam à pergunta correspondente, 82 (87%) afirmaram possuir
computador. Em 90.2% destes casos, o inquérito foi respondido por alguém que costuma
ter influência nas decisões ligadas às tecnologias da informação e da comunicação (TIC).

Das empresas utilizadoras de TIC, apenas 11 (13%) têm alguém a trabalhar em regime de
teletrabalho ou de trabalho computadorizado à distância. Maioritariamente (55%), essas
pessoas são profissionais livres que efectuam serviços para a empresa. A maioria dos
trabalhadores à distância trabalha em regime de tempo parcial (91%). Entre as
actividades desenvolvidas contam-se actividades na área da informática (4),
contabilidade e serviços administrativos (3), desenho (2) projecto de peças e
programação CNC (1), telemanutenção (2), traduções (1). A experiência foi considerada
positiva pela maioria das empresas inquiridas (82%). A maioria (83%) está disposta a
recorrer aos serviços de mais trabalhadores neste regime de trabalho.

Em relação à disponibilidade para recorrer, pela primeira vez, aos serviços de


trabalhadores em regime de teletrabalho ou de trabalho computadorizado à distância, 10
empresas manifestaram disponibilidade incondicional, 33 responderam não estar
interessadas, 30 responderam depender dos serviços oferecidos e 10 depender dos custos
envolvidos (Figura 3 e Figura 4 ). Várias empresas assinalaram mais do que uma opção.
Dado o relativamente baixo número de respostas obtido, os dados relativos a esta
questão apenas serão tratados de forma agregada, o mesmo acontecendo relativamente
a algumas outras perguntas incluídas no inquérito.

Figura 3 – Disponibilidade para o teletrabalho: peso relativo das diversas opções

2 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Figura 4 – Disponibilidade: percentagem das empresas que aderiu a determinada opção

Em 31 dos casos, as empresas detalharam as razões para não recorrerem a esta


modalidade de trabalho. A falta de necessidade foi mencionada 23 vezes e a não
adaptação ao tipo de trabalho desenvolvido 7, enquanto num dos casos foi relevado o
papel da 'mentalidade da gestão' e a 'falta de informação'.

Das empresas interessadas no teletrabalho, 73% possuem experiência continuada de


contratação de serviços ao exterior, sendo que destas 77% classificam a experiência como
maioritariamente positiva, contra 23% que consideram existirem altos e baixos nas
relações de trabalho mantidas.

A maioria das actividades identificadas pelas empresas como passíveis de serem


executadas em regime de teletrabalho ou de trabalho computadorizado à distância
correspondem a situações de necessidade pontual ou de sobrecarga interna. O
telemarketing e as pesquisas de informação foram apontadas 7 vezes, as actividades no
campo da informática 3, a tradução 3, as actividades relacionadas com a Internet
(páginas WWW, pesquisa de informação, manutenção de portais) e o multimedia 3, a
execução de catálogos 2, os inquéritos 1 vez. A apetência por actividades desenvolvidas
em regime mais intensivo como o controlo e a manutenção industriais, mencionados 2
vezes, a manutenção de bases de dados, 4 vezes, as actividades comerciais e de
contabilidade, 3 vezes, e a orçamentação, mencionada 1 vez, não parece grande. Por
outro lado, existe um conjunto de actividades de maior valor acrescentado que implicam
um maior conhecimento da empresa e dos seus processos e produtos e que as empresas
parecem estar dispostas a dar a executar no exterior, sobretudo em situações de
conhecimento interno deficitário, como é o caso do projecto e desenvolvimento de
produtos, apontados 6 vezes, ou de sobrecarga interna. No caso do desenho assistido por
computador, apontado por 10 vezes, as empresas colocam sobretudo a hipótese de dar a
executar ao exterior trabalhos de menor complexidade e de mais baixo índice de
integração com outras actividades.

Talvez como resultado desta visão, 88% das empresas interessadas no teletrabalho
apontam a avença ou pagamento por serviço efectuado como o, ou um dos, tipos de
contrato mais adequado à sua situação, enquanto que apenas 16% das empresas que
responderam à pergunta admitem integrar o novo teletrabalhador no seu quadro de
pessoal (Figura 5 e Figura 6 ). O facto de uma parte significativa dos inquéritos ter sido
ministrada por telefone permitiu aprofundar as razões por detrás destas escolhas. As
empresas que admitem integrar o teletrabalhador no quadro apontaram,
frequentemente, a complexidade do trabalho desenvolvido, a necessidade de manter um
relacionamento estreito entre as pessoas, o facto de a eficiência dos processos de fabrico
assentar no trabalho em grupo e a confidencialidade da informação como razões
principais para a opção efectuada.

3 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Figura 5 – Tipo de contrato preferido: peso relativo das diversas opções

Figura 6 – Tipo de contrato preferido: percentagem das empresas que aderiu a


determinada opção

A maioria das empresas prefere contratar um teletrabalhador que desenvolva a sua


actividade a partir de um centro integrado de teletrabalho que disponibilize
equipamento e assistência técnica e que gira os aspectos inerentes à situação. O
teletrabalho a partir de casa aparece como segunda opção (Figura 7 e Figura 8 ).

Figura 7 – Local de trabalho preferido: peso relativo das diversas opções

4 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Figura 8 – Local de trabalho preferido: percentagem das empresas que aderiu a


determinada opção

A maioria das empresas utilizadoras de TIC afirma estar disposta a contratar um


teletrabalhador ou trabalhador à distância deficiente. No entanto, enquanto que 48%
respondeu com um Sim incondicional ou incluiu o Sim no leque das suas opções, 25%
responderam depender, ou também depender, do tipo de deficiência, 10% dos custos
envolvidos e 15% dos benefícios que possam colher. Estes benefícios não correspondem,
por norma, e de acordo com os diálogos mantidos telefonicamente, a subsídios ou outra
forma de incentivo financeiro mas a melhorias no desempenho e nos custos operacionais
envolvidos. Apenas uma das empresas se manifestou indisponível para trabalhar com um
teletrabalhador deficiente (Figura 9 e Figura 10 ).

Figura 9 – Disponibilidade para trabalhar com uma pessoa deficiente: peso relativo das
diversas opções

Figura 10 - Disponibilidade para trabalhar com uma pessoa deficiente: percentagem das
empresas que aderiu a determinada opção

Comparando as opções das empresas verifica-se que, quando a eventual situação de


teletrabalho envolve um trabalhador incapacitado, existe um ligeiro decréscimo no
número de empresas que optaria por admitir o novo trabalhador no seu quadro de
pessoal ou por contratá-lo a prazo e um aumento no número de empresas que preferiria
recorrer à avença ou ao pagamento por serviço efectuado (Figura 11 e Figura 12 ).

Figura 11 - Tipo de contrato preferido: peso relativo das diversas opções (teletrabalhador
deficiente)

5 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Figura 12 - Tipo de contrato preferido: percentagem das empresas que aderiu a


determinada opção (teletrabalhador deficiente)

Verifica-se, também, um ligeiro acréscimo no número de empresas que optariam pela


inserção do teletrabalhador num telecentro multiserviço (Figura 13 e Figura 14 ).

Figura 13 - Local de trabalho preferido: peso relativo das diversas opções


(teletrabalhador deficiente)

Figura 14 - Local de trabalho preferido: percentagem das empresas que aderiu a


determinada opção (teletrabalhador deficiente)

O Quadro 3 apresenta as actividades passíveis de serem realizadas à distância colocadas


à apreciação das empresas, por ordem decrescente de interesse demonstrado.

Essas actividades podem ser cotadas de acordo com o nível de qualificação requerido
do(s) teletrabalhador(es) executante(s) (Quadro 4 ).

A escala desenvolvida varia de 1 (alto nível de qualificação) a 4 (baixo nível de


qualificação). Algumas actividades poderão ser realizadas por mais de um trabalhador,
possuindo diversos níveis de qualificação, eventualmente em equipa, pelo que aparecem
cotadas em vários níveis.

Os serviços mais procurados parecem corresponder a actividades qualificadas,


requerendo formação específica de nível médio a elevado por parte do teletrabalhador

6 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

(preparação, realização e tratamento de estudos de mercado; execução e manutenção


de páginas WWW (Internet); desenho assistido por computador; vigilância da
concorrência; traduções). Actividades requerendo poucas qualificações, como a
permanência telefónica e a televigilância de instalações e de equipamentos foram pouco
solicitadas, o que parece corresponder a uma falta de necessidade real por parte das
empresas. De salientar o modo como as empresas recusaram passar para o exterior
praticamente todas as tarefas que envolvem um qualquer tipo de envolvimento ou de
relacionamento com o cliente ou o fornecedor (vendas, serviço pós-venda, tratamento de
facturas, gestão de encomendas, assistência técnico-comercial). De relevar, também, a
fraca apetência por outras actividades ligadas ao sector administrativo e financeiro,
como a contabilidade e o processamento de texto. O facto de vários dos inquéritos terem
sido ministrados por telefone permitiu verificar que estas situações correspondem ou a
uma falta de necessidade (as empresas estão servidas e não perspectivam a questão em
termos de necessidade futura) ou a uma falta de crença na eficiência e eficácia de tais
serviços, quando comparados com a situação corrente.

Quadro 3 – Actividades potenciais em regime de teletrabalho.

Actividade
Total Sim % Não % Talvez %
Preparação, realização e tratamento de
estudos de mercado 50 29 58,0 9 18,0 12 24,0
Execução e manutenção de páginas WWW
(Internet) 50 28 56,0 13 26,0 9 18,0
Desenho assistido por computador 50 24 48,0 18 36,0 8 16,0
Vigilância da concorrência 50 24 48,0 20 40,0 6 12,0
Traduções 50 21 42,0 19 38,0 10 20,0
Execução de catálogos e brochuras 50 21 42,0 17 34,0 12 24,0
Inquéritos 50 20 40,0 25 50,0 5 10,0
Interrogação de bases de dados/Procura de
informação específica 50 19 38,0 23 46,0 8 16,0
Permanência telefónica (para além do
horário laboral) 49 18 36,7 28 57,1 3 6,1
Análise de dados e programação 50 17 34,0 24 48,0 9 18,0
Introdução de dados em bases de dados 49 16 32,7 25 51,0 8 16,3
Ajuda em linha (lógica e material) 49 16 32,7 26 53,1 7 14,3
Aconselhamento por especialistas e
teleformação 50 16 32,0 24 48,0 10 20,0
Prospecção telefónica de mercados 50 16 32,0 28 56,0 6 12,0
Desenvolvimento de aplicações multimédia 50 15 30,0 22 44,0 13 26,0
Processamento de texto 49 14 28,6 29 59,2 6 12,2
Verificação das funções lógicas/Diagnósticos 49 14 28,6 29 59,2 6 12,2
Elaboração e manutenção de programas
preventivos 49 14 28,6 28 57,1 7 14,3
Análise de incidentes 49 14 28,6 30 61,2 5 10,2
Reparação de avarias 49 13 26,5 32 65,3 4 8,2
Constituição e gestão de bases de dados 49 12 24,5 25 51,0 12 24,5
Recrutamento – Tratamento de respostas a
candidaturas 50 12 24,0 31 62,0 7 14,0
Preparação de eventos 50 12 24,0 29 58,0 9 18,0
Contabilidade 50 11 22,0 33 66,0 6 12,0
Contencioso e regulamentos 50 11 22,0 24 48,0 15 30,0
Televigilância de instalações 50 10 20,0 32 64,0 8 16,0
Vendas 50 10 20,0 35 70,0 5 10,0
Manuais de procedimento (elaboração,
actualização) 50 9 18,0 27 54,0 14 28,0
Televigilância de equipamentos 49 8 16,3 38 77,6 3 6,1
Preparação de auditorias 50 8 16,0 32 64,0 10 20,0
Serviço pós-vendas 50 7 14,0 38 76,0 5 10,0
Tratamento de facturas 50 6 12,0 41 82,0 3 6,0
Gestão de encomendas 50 5 10,0 40 80,0 5 10,0
Gestão de tesouraria e de operações de
bolsa 50 5 10,0 40 80,0 5 10,0

7 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Preparação e seguimento de contratos 50 5 10,0 36 72,0 9 18,0


Assistência técnico-comercial 50 4 8,0 40 80,0 6 12,0

Quadro 4 – Nível de qualificação requerido ao trabalhador

Nível de qualificação do
trabalhador
Actividade 1 2 3 4
Preparação, realização e tratamento de estudos de
mercado X X X

Execução e manutenção de páginas WWW (Internet) X


Desenho assistido por computador X
Vigilância da concorrência X X X
Traduções X
Execução de catálogos e brochuras X X
Inquéritos X X
Interrogação de bases de dados/Procura de informação
específica X X

Permanência telefónica (para além do horário laboral) X


Análise de dados e programação X
Introdução de dados em bases de dados X X
Ajuda em linha (lógica e material) X
Aconselhamento por especialistas e teleformação X
Prospecção telefónica de mercados X X
Desenvolvimento de aplicações multimédia X
Processamento de texto X
Verificação das funções lógicas/Diagnósticos X
Elaboração e manutenção de programas preventivos X
Análise de incidentes X
Reparação de avarias X
Constituição e gestão de bases de dados X
Recrutamento – Tratamento de respostas a candidaturas X X
Preparação de eventos X
Contabilidade X X
Contencioso e regulamentos X
Televigilância de instalações X X
Vendas X X X
Manuais de procedimento (elaboração, actualização) X X X
Televigilância de equipamentos X X
Preparação de auditorias X X X
Serviço pós-vendas X
Tratamento de facturas X X
Gestão de encomendas X X
Gestão de tesouraria e de operações de bolsa X
Preparação e seguimento de contratos X
Assistência técnico-comercial X

5.2. Indução empírica de factores problemáticos

O tratamento das variáveis destinadas à análise multivariada (Questão 22) iniciou-se com
a aplicação da Análise de Componentes Principais (ACP).

A solução obtida com a ACP está sumariada no Quadro 5 . Algumas das variáveis originais
foram eliminadas por etapas, devido a saturações baixas nos factores, à baixa

8 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

comunalidade ou ao fraco poder discriminatório.

A interpretação é relativamente simples, uma vez que todas as variáveis apresentam


saturações acima de 0.5 e estão claramente relacionadas com apenas um dos factores.

O Factor 1 explica 42.4% da variância e é caracterizado por variáveis associadas aos


aspectos legais e contratuais inerentes à situação de teletrabalho. Será denominado de
'aspectos legais e contratuais'.

O Factor 2 é caracterizado por variáveis ligadas à 'perda de identidade da organização'.

O Factor 3 está associado aos problemas inerentes à 'gestão da situação de teletrabalho'.

O Factor 4 exprime as dúvidas das empresas relativamente à 'capacidade para lidar com
a informação'. Nos inquéritos telefónicos estas variáveis foram valorizadas,
sobremaneira, pelas empresas com processos de trabalho complexos, que valorizam
muito o conhecimento interno e que consideram essencial acautelar a formação
específica do teletrabalhador.

O Factor 5 está associado com os 'custos iniciais e continuados' da nova modalidade de


trabalho percepcionados pelas empresas. A inclusão da variável 'eventual
descomprometimento do trabalhador para com a empresa' parece indicar que as
empresas receiam incorrer nos custos associados à tecnologia e a uma eventual formação
complementar do teletrabalhador quando podem mais tarde vir a sofrer com o
desligamento do teletrabalhador da empresa.

O Factor 6 resume os problemas decorrentes da 'situação de deficiência'.

Os diversos factores da solução e respectivas designações estão indicados no Quadro 6 .

9 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Quadro 5 – Factores problemáticos derivados a partir dos dados empíricos

Variância
Variância
Explicada Cronbach
FACTOR Saturação Comun. Explicada
Acumulada alpha
(%)
(%)

Factor 1
PROBL12 – Aspectos de âmbito contratual 0,861 0,886

PROBL11 – Aspectos legais 0,805 0,743

PROBL13 – Segurança física do TT 0,784 0,831 42,412 42,412 0,908

PROBL09 – Segurança das instalações onde o


0,750 0,784
TT trabalha
PROBL24 – Resistência física do deficiente 0,644 0,825

Factor 2
PROBL16 – Perda de sentido de grupo 0,782 0,760

PROBL15 – Isolamento do TT dos colegas 0,748 0,742

PROBL02 – Coordenação do trabalho do TT


0,742 0,710 8,717 51,129 0,842
com outras tarefas realizadas na empresa
PROBL17 – Ressentimento criado nos outros
0,602 0,666
trabalhadores

Factor 3
PROBL03 – Controlo do tempo gasto pelo TT
0,805 0,778
em actividades da empresa
PROBL05 – Gestão das tarefas do TT 0,792 0,743

PROBL10 – Remuneração das actividades


0,575 0,724 7,838 58,967 0,853
realizadas em regime de TT
PROBL04 – Acompanhamento e motivação do
0,552 0,714
TT
PROBL01 – Gestão do tempo de trabalho do TT 0,538 0,847

Factor 4
PROBL08 – Controlo sobre a informação
0,755 0,762
processada
PROBL07 – Confidencialidade da informação
0,748 0,777 7,374 66,341 0,808
processada
PROBL23 – Formação específica do TT 0,642 0,718

Factor 5
PROBL19 – Preço da tecnologia a utilizar 0,858 0,838

PROBL20 – Manutenção e actualização da


0,773 0,853 6,108 72,449 0,857
tecnologia
PROBL22 – Formação de base do TT 0,546 0,806
PROBL14 – Eventual descomprometimento do
0, 526 0,753
trabalhador para com a empresa

Factor 6
PROBL27 – Custos inerentes à deficiência 0,820 0,807

PROBL26 – Produtividade do TT deficiente 0,799 0,779 4,450 76,899 0,804


PROBL25 – Ausências do TT devidas à sua
0,607 0,610
deficiência

Quadro 6 – Designação dos factores problemáticos

Factor Designação
Factor 1 Aspectos legais e contratuais

10 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Factor 2 Perda de identidade da organização


Factor 3 Gestão da situação de teletrabalho
Factor 4 Capacidade para lidar com a informação
Factor 5 Custos iniciais e continuados
Factor 6 Situação de deficiência

O gráfico da Figura 15 mostra as médias globais das variáveis que compõem cada um dos
seis factores. O factor 'aspectos legais e contratuais', que explica 42.4% da variância da
amostra, inclui as variáveis com médias mais baixas. Segue-se-lhe o factor 'situação de
deficiência'. O factor 'gestão da situação de teletrabalho', que explica 7.8% da variância
da amostra, surge em terceiro lugar, o factor 'custos iniciais e continuados' em quarto, o
factor 'perda de identidade da organização' em quinto e o factor 'capacidade para lidar
com a informação' em sexto.

Figura 15 – Média das variáveis originais que compõem cada factor

O passo seguinte da análise consistiu em averiguar se as empresas incluídas no estudo


diferem entre si, de forma estatisticamente significativa, na ênfase atribuída a cada um
dos factores.

Como o número de segmentos a identificar nos vários casos não era conhecido à partida,
optou-se por realizar primeiro uma análise de clusters hierárquica, de modo a determinar
o número de cluster a considerar e os respectivos centros, de acordo com Hair et al.
(1995).

Como medida de similaridade entre casos utilizou-se o quadrado da distância euclidiana.


Como método de aglomeração utilizou-se o Método de Ward, com o fim de maximizar a
homogeneidade intra-clusters e evitar o problema do 'encadeamento' das observações
encontrado noutros métodos de aglomeração. Como o interesse do estudo recaía sobre a
importância relativa dos factores resultantes da ACP, os casos foram estandardizados, de
modo a eliminar o efeito 'estilo de resposta' (Hair et al., 1995).

Observando o dendograma e seguindo o critério da variação relativa no coeficiente de


aglomeração optou-se por uma solução com três clusters.

Os centros dos clusters encontrados utilizando o procedimento hierárquico foram, de


seguida, introduzidos como pontos semente num algoritmo de aglomeração iterativo
(não-hierárquico), com o objectivo de refinar a solução obtida (Hair et al., 1995). O
procedimento utilizado foi o K-Means Cluster Analysis, disponível no SPSS, que emprega
um algoritmo baseado na 'ordenação pelo centróide mais próximo'.

Com o objectivo de identificar/nomear os clusters obtidos com os anteriores algoritmos


realizaram-se uma série de análises. Dado que a normalidade das populações dos clusters
não estava garantida, optou-se por utilizar um teste não-paramétrico para averiguar o
grau de especificidade dos clusters.

A utilização do teste de Kruskal-Wallis permitiu verificar a existência de diferenças


estatisticamente significativas entre os clusters para três dos factores (Quadro 7 ).

Quadro 7 – Clusters formados

FADIAR Mean Ranks

11 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

N Factor 1 Factor 2 Factor 3 Factor 4 Factor 5 Factor 6

Cluster 1 11 21.09 25.45 32.55 17.36 25.45 11.09

Cluster 2 19 20.84 24.05 15.58 33.68 20.26 22.68

Cluster 3 14 25.86 18.07 24.00 11.36 23.21 31.21

Total 44

Chi-Square 1.405 2.524 12.435 26.700 1.201 15.126

df 2 2 2 2 2 2

Asymp. Sig. 0.495 0.283 0.002 0.000 0.548 0.001

O Cluster 1, composto por 11 empresas (25% da amostra), aponta a gestão da situação de


teletrabalho como o factor mais problemático a enfrentar, ao invés da 'situação de
deficiência' que é encarada como não trazendo problemas. Será denominado
'expectativas quanto à gestão da situação de teletrabalho'.

O Cluster 2, composto por 19 empresas (43% da amostra), releva a importância do factor


'capacidade para lidar com a informação', enquanto percepciona o factor 'gestão da
situação de teletrabalho' como pacífico. Será denominado 'importância da informação e
complexidade das tarefas desenvolvidas'.

O Cluster 3, composto por 14 empresas (32% da amostra), aponta a 'situação de


deficiência' como o factor mais problemático, contrariamente ao factor 'capacidade para
lidar com a informação' que não lhes parece poder vir a trazer problemas. Será
denominado 'atitude para com a deficiência'.

Com o objectivo de melhor perceber a realidade das empresas no que respeita a esta
problemática, proceder-se-á, de seguida, à análise de diferenças estatisticamente
significativas entre os clusters em relação a diversas variáveis incluídas no estudo.

A primeira conclusão retirada deste estudo é que os clusters formados não são
estatisticamente diferentes entre si no que respeita ao cargo da pessoa que respondeu ao
inquérito (Kruskal-Wallis Chi-quadrado=0.155, df=2, Asymp.Sig.=0.926), isto é, a percepção
relativamente a possíveis aspectos problemáticos é independente do cargo da pessoa que
respondeu.

Os clusters formados também não são estatisticamente diferentes entre si no que


respeita ao sector de actividade em que as empresas actuam (Kruskal-Wallis
Chi-quadrado=0.264, df=2, Asymp.Sig.=0.876) ou à sua dimensão em termos de número
total de empregados (Kruskal-Wallis Chi-quadrado=4.476, df=2, Asymp.Sig.=0.107).

No entanto, quando se considera o volume de vendas, verifica-se que os clusters


formados diferem entre si a um nível de significância inferior a 0.05 (Kruskal-Wallis
Chi-quadrado=6.812, df=2, Asymp.Sig.=0.033). As empresas com maior volume de vendas
tendem a agrupar-se no cluster 2, 'importância da informação e complexidade das tarefas
desenvolvidas', enquanto as empresas com menor volume de vendas tendem a
concentrar-se no cluster 3, 'atitude para com a deficiência'.

A dimensão da amostra poderá ter influenciado os resultados. De qualquer modo, e


aparte a diferenciação encontrada relativamente ao volume de vendas, nem o sector de
actividade nem a dimensão em termos de número de empregados parecem determinar
diferentes percepções em relações a possíveis aspectos problemáticos. Coloca-se então a
hipótese de elas estarem também associadas à cultura existente na organização, à
envolvente externa (nomeadamente, ao tipo de clientes) ao tipo, complexidade e nível
de integração dos processos existentes ou, muito simplesmente, às características da
gestão e das pessoas que responderam ao inquérito.

Quando se investigam as opções de cada um dos clusters relativamente a outras questões


inseridas no inquérito obtêm-se resultados sugestivos.

As empresas do cluster 2 parecem ser as que têm ideias mais bem definidas em relação à
situação de teletrabalho. Em certos casos, esta constatação pode resultar de a maioria
das empresas aplicar, sem grandes esforços de racionalização e adaptação, regras
pré-existentes a esta situação específica.

Quando inquiridas acerca da disponibilidade para recorrer aos serviços de um trabalhador

12 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

em regime de teletrabalho ou de trabalho computadorizado à distância, verifica-se que,


para as empresas dos três clusters, o que está sobretudo em causa são os serviços
oferecidos. No entanto, a abertura parece ser maior por parte das empresas dos clusters
2 e 3, tendo várias afirmado que 'em princípio, sim'. Por outro lado, as empresas do
cluster 3 são as que mais relevam a importância dos custos da solução (Quadro 8 ).

Quadro 8 – Disponibilidade das empresas dos diferentes clusters para recorrer aos serviços
de um teletrabalhador

Disponibilidade para recorrer aos serviços de um teletrabalhador

Cluster Sim Não Depende dos serviços Depende dos custos

Cluster 1 0 9% 73% 18%


Cluster 2 26% 0 58% 11%

Cluster 3 36% 0 50% 29%

Relativamente ao tipo de contrato escolhido (Quadro 9 ), verifica-se que as empresas do


cluster 2 optam, maioritariamente, pela avença ou pagamento por serviço efectuado. Os
casos de opção pela inserção no quadro de pessoal correspondem a empresas que
enveredaram pelas duas soluções em simultâneo. A explicação fornecida telefonicamente
foi que há que conjugar a modalidade seleccionada com o tipo de tarefa a desenvolver e
com a confidencialidade da informação tratada.

Relativamente a esta questão, verifica-se que as empresas do cluster 3 apresentam um


comportamento mais heterogéneo, seleccionando, várias delas, as três opções em
simultâneo, e recorrendo, com frequência, à opção do contrato a prazo, a qual, segundo
alguns dos entrevistados, corresponde à política de contratação mais 'na moda'
presentemente.

Quadro 9 – Tipo de contrato escolhido pelas empresas dos diferentes clusters

Tipo de contrato preferido pelas empresas

Cluster Quadro de Contratação a Avença ou pagamento por


pessoal prazo serviço
Cluster 1 9% 9% 100%
Cluster 2 11% 11% 95%

Cluster 3 21% 43% 86%

Algo de semelhante se verifica quando se inquirem as empresas acerca do melhor local


de trabalho para o teletrabalhador. Para as empresas do cluster 3, o telecentro não
parece ser uma solução apetecível. A maioria opta pelo telecentro multiserviços ou pela
casa do teletrabalhador, pelas razões anteriormente apontadas.

Também neste caso as empresas do cluster 3 manifestam maior heterogeneidade nas


escolhas efectuadas.

Quadro 10 – Local de trabalho preferido das empresas dos diferentes clusters

Local de trabalho preferido pelas empresas

Cluster Casa do TT Telecentro Telecentro multiserviços

Cluster 1 27% 18% 82%


Cluster 2 16% 0 89%

Cluster 3 21% 36% 42%

A deficiência do teletrabalhador não parece constituir grande problema para as empresas


inquiridas (Quadro 11 ). Várias referiram que o importante é a qualidade e o prazo do
trabalho efectuado. A opção pelo pagamento por serviço efectuado permite, na sua
perspectiva, zelar pela sua obtenção. No entanto, são os clusters 3 e 1 que mais referem

13 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

que a disponibilidade depende da deficiência. É também o cluster 3 que mais preocupado


se mostra com os custos. O cluster 2, que mostra grande abertura à situação, releva os
benefícios, em termos de desempenho e de custos operacionais.

Quadro 11 - Disponibilidade das empresas dos diferentes clusters para trabalhar com um
teletrabalhador deficiente

Disponibilidade para trabalhar com um teletrabalhador deficiente

Cluster Sim Não Depende da Depende dos Depende dos


deficiência custos benefícios
Cluster 1 45% 0 36% 9% 9%
Cluster 2 74% 0 16% 11% 26%

Cluster 3 57% 7% 36% 21% 7%

A atitude das empresas dos clusters 1 e 2 para com o tipo de contrato muda ligeiramente
quando em causa está um trabalhador deficiente (Quadro 12 ). Todas as empresas
apontaram a avença ou o pagamento por serviço efectuado como regime preferido. Duas
empresas do cluster 2 inquiridas pelo telefone referiram poder optar, eventualmente, por
inserir o teletrabalhador no quadro de pessoal, em situações de trabalho muito especiais.

Quadro 12 - Tipo de contrato escolhido pelas empresas dos diferentes clusters


(teletrabalhador deficiente)

Tipo de contrato preferido pelas empresas (TT deficiente)

Cluster Quadro de Contratação a Avença ou pagamento por


pessoal prazo serviço
Cluster 1 9% 0 100%
Cluster 2 11% 0 100%

Cluster 3 21% 43% 86%

Em relação ao local de trabalho preferido pelas empresas, apenas no caso do cluster 2 se


verifica uma ligeira alteração em relação à situação de teletrabalho com trabalhador
não deficiente.

Quadro 13 - Local de trabalho preferido das empresas dos diferentes clusters


(teletrabalhador deficiente)

Local de trabalho preferido pelas empresas (TT deficiente)

Cluster Casa do TT Telecentro Telecentro multiserviços

Cluster 1 27% 18% 82%


Cluster 2 11% 0 89%

Cluster 3 29% 29% 71%

O reduzido número de respostas poderá ter influenciado os resultados, não permitindo


uma diferenciação mais acentuada dos clusters.

Relativamente às actividades colocadas à consideração das empresas, uma das


conclusões principais é que parece existir uma apetência considerável por serviços de
maior valor acrescentado como as traduções, o desenho assistido por computador, a
preparação, realização e tratamento de estudos de mercado, a interrogação de bases de
dados/procura de informação específica, a vigilância da concorrência, a execução e
manutenção de páginas WWW e a execução de catálogos e brochuras por parte dos
clusters 3 e, sobretudo, 2.

O Quadro 14 apresenta a discriminação, por cluster, das actividades mais cotadas pelas
empresas. As empresas do cluster 2 privilegiam, sobretudo, actividades relacionadas com
a aquisição de informação externa (preparação, realização e tratamento de estudos de

14 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

mercado, interrogação de bases de dados/procura de informação específica, vigilância da


concorrência), a disponibilização de informação para o exterior ou o contacto com o
exterior (execução e manutenção de páginas WWW) e o entendimento do/com o exterior
(traduções). As empresas do cluster 3 também enfatizam o valor de algumas destas
actividades mostrando ainda grande interesse no desenho assistido por computador.

Quadro 14 – Actividades mais escolhidas pelas empresas– discriminação por cluster

Traduções
Não Talvez Sim
Cluster 1 36% 18% 45%
Cluster 2 37% 11% 53%
Cluster 3 29% 43% 29%

Total 34% 23% 43%


Desenho assistido por computador
Não Talvez Sim
Cluster 1 36% 36% 27%
Cluster 2 42% 16% 42%
Cluster 3 29% 7% 64%
Total 36% 18% 45%
Preparação, realização e tratamento de estudos de mercado
Não Talvez Sim
Cluster 1 18% 36% 45%
Cluster 2 16% 26% 58%
Cluster 3 21% 14% 64%
Total 18% 26% 57%
Interrogação de bases de dados/procura de informação específica
Não Talvez Sim
Cluster 1 45% 27% 27%
Cluster 2 37% 11% 53%
Cluster 3 64% 14% 21%
Total 48% 16% 36%

15 de 16 08-11-2011 09:19
Integração Social por Teletrabalho http://portal.ua.pt/projectos/ist/obra11/default4.asp?OP=46

Quadro 15 – Actividades mais escolhidas pelas empresas – discriminação por cluster (continuação)

Vigilância da concorrência
Não Talvez Sim
Cluster 1 36% 18% 45%
Cluster 2 32% 11% 58%
Cluster 3 43% 14% 43%
Total 36% 14% 50%
Execução e manutenção de páginas WWW
Não Talvez Sim
Cluster 1 36% 9% 55%
Cluster 2 21% 21% 58%
Cluster 3 29% 14% 57%
Total 27% 16% 57%
Execução de catálogos e brochuras

Não Talvez Sim


Cluster 1 36% 27% 36%
Cluster 2 42% 21% 37%

Cluster 3 21% 21% 57%


Total 34% 23% 43%

16 de 16 08-11-2011 09:19

Você também pode gostar