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Docência 

em EaD
Desafios da Avaliação

Priscila Cristina Fiocco Bianchi

Características da avaliação
Palloff e Pratt, autores que trabalham no desenvolvimento e aplicação de programas 
eficazes de educação a distância, a partir do trabalho com professores nos Estados 
Unidos, escreveram um capítulo destinado à avaliação do desempenho do aluno.

Sendo assim, parte deste material foi elaborado a partir da produção de tais autores 
disponível no livro O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on‐line¹. 
Em seu texto, Palloff e Pratt (2004) utilizam os estudos de Angelo e Cross (1993)². 
No decorrer deste material, outras reflexões serão incorporadas buscando ajudá‐
los(as) a compreender este referencial na prática.

¹ A referência completa pode ser encontrada nas referências bibliográficas deste material.
² ANGELO, T. and CROSS, K. P. Classroom Assessment Techniques. San Francisco: Jossey‐Bass, 1993.
De acordo com Angelo e Cross (1993 apud Pallof e 
Pratt, 2004), para a avaliação ser eficaz, ela deve 
fazer parte do projeto do curso. Na sequência, 
apresentam algumas características essenciais da 
avaliação: centrada no estudante, dirigida pelo 
professor, mutuamente benéfica, formativa,  Entendemos que essas características 
específica ao contexto e contínua . podem ser aplicadas tanto para os cursos 
presenciais como a distância. É importante 
destacar que o nosso enfoque são as 
particularidades avaliativas empregadas em 
um ambiente virtual de aprendizagem 
(AVA).
Centrada no 
estudante
Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/aprendizagem‐
sugest%C3%A3o‐escola‐3245793/
Durante o processo de ensino e aprendizagem de uma disciplina o professor deve
redigir os objetivos a serem alcançados pelo estudante a cada unidade temática,
e/ou módulo e ao final da disciplina.

O percurso do estudante para alcançar esses objetivos, incluindo suas


conquistas, lacunas e deficiências, deve ser acompanhado e diagnosticado com
a principal finalidade de melhorar o processo e/ou produto da aprendizagem.

Esse sistema possibilita ao estudante a sua recuperação e, ao professor e tutor


virtual, conhecer o ponto em que o mesmo não está atingindo o objetivo
proposto.
Centrada no estudante
Finalidades para a avaliação Acompanhar o processo de construção do 
conhecimento pelo estudante.

Diagnosticar suas lacunas e defasagens, 
bem como suas conquistas.

Ajudá‐lo a superar suas dificuldades 
a cada nova unidade de ensino.
Centrada no estudante

Durante o acompanhamento do estudante o professor e o tutor 
virtual devem incentivar o seu processo reflexivo, propondo  Ação
atividades que possibilitem a autorreflexão.

Ensaio e  Revisão 
retorno³ da ação
Nessa proposta, o professor incorpora a autorreflexão ao projeto e  Processo 
reflexivo*
às expectativas do curso e o tutor virtual utiliza estratégias que 
possibilitam essa ação durante as interações com o estudante.
Criação 
Tomada de 
de  consciência¹
métodos²

*Modelo denominado ALACT (KORTHAGEN, 2010, p.  91).
¹ envolvendo aspectos importantes.
² alternativos.
³ para uma nova ação.
Dirigida pelo
professor

Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/setas‐
dire%C3%A7%C3%A3o‐1577983/
Dirigida pelo professor

Embora o ensino e aprendizagem sejam focados no aluno, é o professor


que define o que avaliar, como avaliar e, juntamente com o tutor virtual
(se for o caso), como responder a qualquer material de avaliação contido
na reflexão enviada pelos estudantes.

Os critérios de avaliação são fundamentais para determinar como o


material de reflexão do estudante será avaliado pelo professor, bem
como para que o estudante saiba o que será esperado dele na avaliação.
Dirigida pelo professor
Algumas maneiras de avaliar o estudante

Avaliação crítica das  Reflexões escritas sobre o 
Testes e provas  Autoavaliação  contribuições para o  curso, as tarefas e a 
fórum de discussão aprendizagem como um todo

Avaliação realizada pelos 
Projetos, artigos e 
demais colegas da disciplina,  Diários de Processo Portfólios
tarefas colaborativas de 
incluindo avaliação 
grupo
colaborativa
Mutuamente
benéfica

Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/mundo‐dos‐
neg%C3%B3cios‐coopera%C3%A7%C3%A3o‐puzzle‐2207747/
Mutuamente benéfica Estarão não só engajados em um 
processo de aprendizagem, mas 
também terão a capacidade de 
melhorá‐lo para si próprios e para os 
Segundo Ângelo e Cross (1993, p. 4‐5  outros, dando um retorno ao 
apud Palloff e Pratt, 2004, p. 112),  a  professor e ao tutor virtual. 
cooperação do estudante na avaliação 
reforça sua capacidade de entender o 
conteúdo do curso e de fortalecer suas 
habilidades de autoavaliação.

Ao fazê‐lo, podem 
aumentar a sua 
Se os estudantes avaliarem de forma  capacidade de refletir e 
colaborativa o seu próprio processo e o  dar um bom feedback.
processo do curso, passarão a confiar nos 
princípios básicos da comunidade de 
(PALLOFF  PRATT, 2004, p. 112‐114)
aprendizagem. 
Formativa

Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/gr%C3%A1fico‐
layout‐de‐design‐%C3%ADcone‐3704717/
Formativa

No processo avaliativo formativo, a partir da 
participação dos estudantes nas avaliações, ao refletir e 
oferecer feedback ao longo do curso, criam em conjunto 
um curso que atende às suas necessidades de 
aprendizagem.
Formativa
Por meio desse retorno dos estudantes, o professor pode:

alterar o texto escrito de  ajustar a atividade de 
uma orientação, de forma a  acordo com o perfil de 
ser melhor compreendido  estudantes;
pelos estudantes;
propor novos prazos 
para entrega das 
modificar a ferramenta 
atividades para atender 
utilizada para facilitar a 
a realidade do público‐
interação dos estudantes;
alvo etc.
Formativa

Tais ajustes e alterações devem ser feitas ao longo do 
curso e devem contribuir para alcançar os objetivos de 
aprendizagem.

Avaliação formativa e contínua
Específica ao
contexto

Fonte: Autoria própria
Específica ao contexto
Em um curso da área de 
ciências humanas, onde as 
O que funciona em um  discussões estão mais 
curso pode não funcionar  presentes, o uso de testes 
em outro. Além disso,  objetivos pode não ser tão 
pelo fato de os grupos  adequado quanto para um 
serem sempre diferentes,  curso das ciências exatas, 
é necessário ser flexível e  por exemplo.
atender às especificidades 
do curso.
Específica ao contexto

Por isso, o acompanhamento realizado pelo professor 
deve ser uma resposta às necessidades e características 
dos estudantes, do professor e do conteúdo que se 
estuda.
Contínua

Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/engrenagens‐
engrenagem‐relacionados‐1258790/
Contínua

Pode ser incentivada desde o momento 
A boa avaliação começa no 
em que os estudantes enviam suas 
primeiro dia e vai até o final do 
apresentações pessoais e objetivos de 
processo (PALLOFF e PRATT, 2004, p. 115). 
aprendizagem e recebem um feedback do 
professor ou tutor virtual, bem como de 
seus colegas. 

Esse pode ser o começo da prática de 
avaliação que continua ao longo do curso.
Contínua

Para Perrenoud (1999), a avaliação deve ir 
Implica, portanto, uma “intervenção 
além do diagnóstico da aprendizagem do 
diferenciada” que permite a comprovação 
estudante e priorizar a formação plena do 
daquilo que se aprendeu e ainda pensar 
sujeito.
sobre trabalho de intervenção a ser realizado 
durante o percurso.
Rompe‐se assim com o paradigma de que ela 
corresponde a uma prática a ser realizada  A partir dessa concepção, uma proposta seria 
somente no início e/ou final da disciplina  incluir no ambiente uma área de reflexão e 
valorizando a prática avaliativa como uma ação  uma avaliação estruturada no meio do 
contínua necessária durante todo o processo  semestre para ajudar no acompanhamento do 
de aprendizagem. processo de aprendizagem do(s) estudante(s).
Contínua

Se construirmos uma avaliação de caráter formativo adequadamente elaborada, podem ser 
observados, entre outras possibilidades, os seguintes resultados:

Certificação do rendimento dos estudantes e 
Ajuste dos objetivos 
previsibilidades desviadas do itinerário formativo 
e conteúdos;
previsto, que puderem levar a metas indesejadas;

Diagnóstico das situações, com o  Seleção e adequação dos conhecimentos às 
objetivo de adequar o processo de  necessidades sociais, de forma que se possa 
ensino às possibilidades e  cumprir a função de seleção e adequação dos 
limitações dos estudantes; conhecimentos;
Contínua

Previsão de resultados com a  Motivação dos estudantes e professores com 
prevenção e o prognóstico facilitados  uma avaliação bem formulada que indica ao 
por uma avaliação inicial e de um  estudante o que, como e quando se estuda, e ao 
processo que são mais pedagógicos  professor o que e como se ensina, com o objetivo 
que a recuperação do não aprendido; de facilitar o êxito e excluir o fracasso;

Fundamentação da inovação educativa com a investigação 
referida que pode provar a eficácia de novos métodos ou 
estratégias didáticas que evitem a introdução de alguma troca 
que transforme e melhore a estrutura ou elementos da ação 
formativa;
Contínua

Promoção da investigação científica por meio 
dos dados recolhidos que permitam 
comparar‐se métodos, estratégias, cursos, 
grupos de estudantes, recursos etc.;

Informação e orientação aos estudantes,  Promoção da informação, além do 
fundamentalmente quando, apesar de todas as  professor e do tutor virtual, com o 
prevenções, se produzam equívocos ou falhas,  propósito de torná‐lo participante de 
lacunas e limitações nas aprendizagens, com o fim  suas deficiências e/ou progressos e 
de superá‐las e minorar seus efeitos; assim ajudar a fixar suas aprendizagens.
Considerações sobre o tema

Este material propõe uma discussão sobre avaliação inserida no contexto de uma aprendizagem
participativa, centrada no estudante e concebida como recurso de construção de um diálogo contínuo entre
o professor e/ou tutor e o estudante num processo de formação plena do sujeito.

A prática avaliativa deve ser considerada uma ação necessária durante todo o processo de aprendizagem,
planejada no desenvolvimento da disciplina como ato de reflexão para o estudante. Essa prática permite ao
estudante a comprovação daquilo que aprendeu e das necessidades de apoio e estudo para a construção das
novas aprendizagens, bem como a reflexão para o professor a respeito dos procedimentos didáticos da
disciplina, de modo a corresponder às reais necessidades formativas dos estudantes.

Nesta concepção, o professor, deve elaborar a disciplina com diretrizes e objetivos claros, propondo
atividades relevantes, concebidas como ação integrada à disciplina, composta de momentos de produção
individual e coletiva. Para tanto, há vários recursos que, associados aos instrumentos de avaliação, podem
viabilizar bons resultados.
Considerações sobre o tema

Espera‐se, assim, que este material ofereça subsídios que possam contribuir para aprofundar reflexões sobre
os elementos que compõem o processo de ensino e aprendizagem (planejamento, metodologia, estratégias
de ensino etc.).

Da mesma maneira, a escolha dos conteúdos pelo professor também deve ser definida de forma criteriosa,
considerando as características pessoais dos estudantes.

A partir daí, deve‐se caminhar rumo a uma avaliação que seja mais significativa, menos burocratizada, para
que assim se constitua, de fato, em um elemento a favor da aprendizagem como parte integrante do
processo educacional.
Referências bibliográficas
BIANCHI, P. C. F. Avaliação da Aprendizagem na Educação a Distância: algumas concepções e práticas avaliativas desenvolvidas no curso de
Licenciatura em Pedagogia, Modalidade EaD, da UFSCar. Programa de Pós‐Graduação em Educação (Mestrado), São Carlos: UFSCar, 2013.

BYERS, C. “Interactive Assessment and Course Transformation Using Web‐Based Tools” In The Technology Source, maio‐junho de 2002.
http://technologysource.org/article/interactive_assessment_and_course_transformation_using_webbased_tools/

HELMER, E. A. A construção de instrumentos avaliativos para compreensão do processo de aquisição da língua materna em crianças do 1º
ano de ensino fundamental. 139 p. Dissertação (Mestrado em Educação) ‐ Centro de Educação e Ciências Humanas, UFSCar, São Carlos, 2009.

HOFFMANN, J. Avaliação: mito & desafio. Porto Alegre, RS: educação Є realidade, 10ª edição, 1993.

KORTHAGEN, F. A. J. La práctica, la teoria y la persona em la formación del professora. In: Revista Interuniversitaria de Formación del
Profesorado, Zaragoza, v.24 (2), n.68, p. 83‐ 101, 2010. ISSN 0213‐8646.

MORGAN, C., and BERGE, Z. L. Assessing Open and Distance Learners. London, England: Kogan Page, 1999.

PALLOF, R. M. e PRATT, K. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on‐line. Trad. Vinícius Figueira. Porto Alegre: Artmed,
2004.

PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed, 1999.
Como citar este material:

BIANCHI, P. C. F. Docência em EaD: Desafios da avaliação – Características da avaliação. São


Carlos: Portal de Cursos Abertos da Universidade Federal de São Carlos ‐ PoCA‐UFSCar, 2019.

O material Docência em EaD: Desafios da avaliação – Características da avaliação de Priscila Cristina 


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