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DIREITO CONSTITUCIONAL

AULA DE QUESTÕES 2
PROFª FLAVIA BAHIA
OAB – XXIX Exame
9. O Presidente da República editou a Medida Provisória nº
XW/18, permitindo que os Estados editassem lei dispensando
a inserção, no âmbito do seu território, de algumas das
informações a serem incluídas no registro civil das pessoas
naturais. Face à importância da temática versada, a Medida
Provisória nº XW/18, por deliberação do colégio de líderes, foi
imediatamente submetida à apreciação do plenário de cada
casa do Congresso Nacional, daí resultando sua aprovação e a
consequente promulgação da Lei nº DD/18.
A) Com abstração de considerações em torno de sua
relevância e urgência, a Medida Provisória nº XW/18 atende
aos seus pressupostos constitucionais? (Valor: 0,75)
B) O processo legislativo que culminou na aprovação da Lei nº
DD/18 é compatível com a ordem constitucional? (Valor: 0,50)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A
mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado:
A) Não. Compete privativamente à União legislar sobre
registros públicos, nos termos do Art. 22, inciso XXV, da
CRFB/88 e a autorização para que os Estados legislem sobre a
matéria deve ser veiculada em lei complementar, conforme
dispõe o Art. 22, parágrafo único, da CRFB/88. No entanto, nos
termos do Art. 62, § 1º, inciso III, da CRFB/88, é vedada a
edição de medidas provisórias sobre matéria reservada à lei
complementar, como é o caso.
B) Não. Por imposição do Art. 62, § 9º, da CRFB/88, a Medida
Provisória nº XW/2018 deve ser previamente submetida a uma
comissão mista de Deputados e Senadores, antes de sua
apreciação pelo plenário de cada Casa do Congresso
Nacional.
OAB – XXIX Exame
10. A Constituição do Estado Alfa dispôs que os prefeitos
municipais deveriam observar, em sua gestão, as diretrizes
traçadas no plano anual estabelecido pelo Governador do
Estado, que seriam executadas em conjunto com os
secretários municipais, a serem nomeados após aprovação da
respectiva Câmara Municipal.
A partir da hipótese apresentada, responda aos itens a seguir.
A) A vinculação dos prefeitos municipais ao plano anual do
governo estadual é compatível com a Constituição da
República? (Valor: 0,60)
B) A competência outorgada às Câmaras Municipais está em
harmonia com a Constituição da República? (Valor: 0,65)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A
mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado:
A) Não. A autonomia municipal, consagrada no Art. 18, caput,
da CRFB/88, impede a vinculação dos prefeitos municipais às
diretrizes políticas de autoridade vinculada a outro nível
federativo.
B) Não. Compete ao chefe do Poder Executivo municipal
nomear os secretários municipais, independentemente de
prévia aprovação da Câmara Municipal, conforme dispõe o Art.
84, inciso I, c/c. o Art. 25, caput, ambos da CRFB/88, sendo que
o previsto na Constituição Estadual também afronta o
princípio da separação dos poderes, previsto no Art. 2º da
CRFB/88.
OAB – XXIX Exame
11. Ednaldo, diretor-presidente da autarquia XX do Estado Alfa,
celebrou contrato de compra e venda, no qual o referido ente,
sem a prévia realização de licitação, alienou a Pedro e a
Marcos diversos veículos de sua frota por menos de dez por
cento de seu valor de mercado.
Irresignado com o ocorrido, o vereador José decidiu contratar
você, como advogado(a), para ajuizar a ação cabível com o
objetivo de anular o negócio jurídico e responsabilizar os
autores.
A) Qual é a ação judicial, de natureza constitucional, passível
de ser proposta por José? Justifique. (Valor: 0,55)
B) Quem deve figurar no polo passivo da referida ação?
Justifique. (Valor: 0,70)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A
mera citação do dispositivo legal não confere pontuação
Gabarito comentado:
A) José, por ser cidadão, qualidade intrínseca à sua condição
de vereador, pode ajuizar Ação Popular para anular o ato
lesivo ao patrimônio público, nos termos do Art. 5º, inciso
LXXIII, da CRFB/88 OU do Art. 1º, caput, da Lei nº 4.717/65.
B) O polo passivo deve ser ocupado por Ednaldo, que assinou
o contrato lesivo ao patrimônio público (Art. 6º, caput, da Lei
nº 4.717/65); por Pedro e Marcos, que dele se beneficiaram
(Art. 6º, caput, da Lei nº 4.717/65); e pela autarquia XX do
Estado Alfa, por se almejar a anulação de um contrato
celebrado por ente da Administração Pública indireta (Art. 6º, §
3º, da Lei nº 4.717/65).
OAB – XXVIII Exame
12. O Partido Político Alfa, com representação no Congresso
Nacional, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade
impugnando a Medida Provisória nº 123/2017, a qual, no seu
entender, seria dissonante da Constituição da República
Federativa do Brasil, de 1988. No curso do processo
objetivo, a referida Medida Provisória foi convertida na Lei
Federal nº 211/2018. À luz dessa narrativa, responda aos
questionamentos a seguir.
A) Com a conversão da Medida Provisória nº 123/2017 na Lei
Federal nº 211/2018, que medida deve ser adotada pelo autor
para o prosseguimento do processo de controle
concentrado de constitucionalidade? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Se a Medida Provisória nº 123/2017 tivesse, antes da
conversão, sido integralmente revogada por lei
superveniente, qual seria a consequência para o processo
de controle concentrado de constitucionalidade? Justifique.
(Valor: 0,60) Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as
respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.
A) O autor deve promover o aditamento da petição inicial, de
modo que se estenda à lei de conversão a impugnação
originariamente deduzida. Entendimento consolidado do
Supremo Tribunal Federal.
B. A revogação acarretaria a extinção do processo (0,20), em
razão da perda superveniente do objeto OU do interesse
processual da Ação Direta de Inconstitucionalidade (0,40).
OAB – XXVII Exame
13. Um grupo de criminosos fortemente armados desferiu
disparos de arma de fogo contra diversos populares no
Estado Alfa, dando causa à morte de trinta pessoas. No dia
seguinte aos fatos, momento em que as autoridades
estaduais já tinham iniciado a investigação do ocorrido,
certa autoridade federal afirmou que os fatos eram de
extrema gravidade, sendo evidente o descumprimento das
obrigações internacionais assumidas pela República
Federativa do Brasil, bem como que adotaria medida, nesse
mesmo dia, para que a investigação dos crimes não fosse
realizada por autoridades estaduais. À luz da narrativa
acima, responda aos questionamentos a seguir.
A) Que medida judicial poderia ser adotada pela autoridade
federal competente para que a investigação dos crimes
fosse transferida das autoridades estaduais para as
federais? Justifique. (Valor: 0,60)
B) Considerando os dados da narrativa acima, em especial o
fato de não haver qualquer notícia da ineficiência das
autoridades estaduais, a medida judicial eventualmente
ajuizada deveria ser acolhida pelo Tribunal competente?
Justifique. (Valor: 0,65)
A) A medida judicial que poderia ser ajuizada, pelo
Procurador-Geral da República, é o incidente de
deslocamento de competência para a Justiça Federal, isso
em razão da grave violação de direitos humanos, conforme
dispõe o Art. 109, § 5º, da CRFB/88.
B) A medida judicial não deveria ser acolhida pelo Superior
Tribunal de Justiça, já que ajuizada no dia seguintes aos
fatos, inexistindo notícia de ineficiência das autoridades
estaduais na sua apuração. Exige-se que a atuação federal
ocorra em caráter subsidiário, conforme reiterada
interpretação do Tribunal a respeito do Art. 109, § 5º, da
CRFB/88.
OAB – XXVII Exame
14. Pedro requereu a determinada Secretaria de Estado que
fornecesse a relação dos programas de governo desenvolvidos,
nos últimos três anos, em certa área temática relacionada aos
direitos sociais, indicando-se, ainda, o montante dos recursos
gastos. O Secretário de Estado ao qual foi endereçado o
requerimento informou que a área temática indicada não estava
vinculada à sua Secretaria, o que era correto, acrescendo que
Pedro deveria informar-se melhor e descobrir qual seria o órgão
estadual competente para analisar o seu requerimento. Além
disso, afirmou que todas as informações financeiras do Estado,
especialmente aquelas relacionadas à execução orçamentária,
estão cobertas pelo sigilo, não sendo possível que Pedro venha a
acessá-las. Considerando a narrativa acima, responda aos
questionamentos a seguir.
A) Ao informar que Pedro deveria “descobrir” o órgão para
o qual endereçaria o seu requerimento, o posicionamento
do Secretário de Estado está correto? (Valor: 0,60)
B) É correto o entendimento de que as informações
financeiras do Estado estão cobertas pelo sigilo, o que
impede que Pedro tenha acesso ao montante de recursos
gastos com programas de trabalho em certa área
temática relacionada aos direitos sociais? (Valor: 0,65)
A) Não. O Secretário de Estado deveria ter informado a
Pedro o local onde pode ser obtida a informação desejada,
nos termos do Art. 7º, inciso I, da Lei nº 12.527/2011 OU O
Secretário de Estado deveria ter informado a Pedro que não
possui a informação e indicar, se for do seu conhecimento,
o órgão ou entidade que a detém, ou ainda remeter o
requerimento a quem seja competente, nos termos do Art.
11, parágrafo 1º, III, da Lei nº 12.527/2011.
B) Não. Pedro tem o direito de receber informações de
interesse geral, nos termos do Art. 5º, inciso XXXIII, da
CRFB/1988 OU da Lei nº 12.527/2011, como são aquelas
relacionadas à execução orçamentária relativa aos direitos
sociais, as quais não são imprescindíveis à segurança da
sociedade e do Estado, o que afasta a tese do sigilo.
OAB – XXVI Exame
15. A Lei nº 123/17 do Estado Ômega, dispôs que os
estacionamentos explorados em caráter comercial deveriam
cobrar valores proporcionais ao tempo de uso do respectivo
espaço, nos termos do regulamento, vedada a cobrança de
tarifa única. Com base nesse diploma normativo, foi editado
o Decreto nº 45/17, que definiu, de modo proporcional ao
tempo de uso, o escalonamento de valores a serem
cobrados. Insatisfeito com esse estado de coisas, um
legitimado à deflagração do controle concentrado de
constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal
procurou você, como advogado(a), e formulou os
questionamentos a seguir.
A) É possível ajuizar a Ação Direta de Inconstitucionalidade
apenas para impugnar o Decreto nº 45/17, não a Lei nº
123/17? Justifique. (Valor: 0,60)
B) É possível ajuizar a Ação Direta de Inconstitucionalidade
para impugnar a Lei nº 123/17 e o Decreto nº 45/17, que a
regulamenta? Justifique. (Valor: 0,65)
A) Como a Ação Direta de Inconstitucionalidade se destina
apenas ao controle de constitucionalidade dos atos
normativos, nos termos do Art. 102, inciso I, alínea a, da
CRFB/88, e não ao controle de legalidade, não seria possível
utilizá-la para impugnar somente o Decreto nº 45/17. Nesse
caso, a ofensa à Constituição é apenas reflexa, não direta.
B) A Lei nº 123/17, por ser ato normativo estadual, pode ser
impugnada via Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos
termos do Art. 102, inciso I, alínea a, da CRFB/88. O Decreto
nº 45/17, por sua vez, apesar de encontrar o seu fundamento
de validade na lei, pode ter a inconstitucionalidade
declarada por arrastamento, o que possibilita a sua inclusão
no objeto da ação.
OAB – XXVI Exame
16. O Presidente da República, ao constatar que o índice de
violência no Estado Delta alcançara números alarmantes, resolveu
decretar a intervenção federal nesse Estado. Apresentou como
justificativa a necessidade de pôr fim a grave comprometimento
da ordem pública. Ao consultar os Conselhos da República e de
Defesa Nacional, esses órgãos desaconselharam a medida,
entendendo que outras ações menos invasivas na esfera de
autonomia do referido Estado poderiam ser tomadas. Todavia,
convicto de que a ação se fazia absolutamente necessária, o
Presidente, agindo de ofício, decretou a intervenção, sem
submeter a referida questão ao controle político. Diante de tal fato,
responda, tendo por pressuposto a inteligência jurídico-
constitucional da Constituição da República de 1988, aos itens a
seguir.
A) No caso em tela, havia necessidade de a referida
intervenção ter sido submetida a algum controle prévio
de natureza política? (Valor: 0,60)
B) O Presidente da República, ao decretar a intervenção
federal desconsiderando os aconselhamentos dos
Conselhos da República e de Defesa Nacional, agiu nos
limites constitucionais a ele impostos? Justifique. (Valor:
0,65)
A) Conforme o Art. 36, § 1º, da CRFB/88, o decreto de
intervenção, expedido pelo Presidente da República, deverá
ser submetido à apreciação do Congresso Nacional no
prazo de vinte e quatro horas após a sua expedição.
Embora, no caso em tela, haja a necessidade de controle
político, ele é realizado a posteriori, não previamente.
B) O Presidente da República não ultrapassou os limites
concedidos pela Constituição da República quando
decretou a intervenção federal, pois, embora fosse
obrigatória a oitiva dos Conselhos da República (Art. 90,
inciso I, da CRFB/88) e de Defesa Nacional (Art. 91, §1º,
inciso II, da CRFB/88) suas manifestações não possuem
caráter vinculante em relação aos atos a serem praticados
pelo Presidente da República, mas meramente consultivo,
conforme dispõe o caput dos artigos Art. 89 e 91.