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UNIJORGE

Centro Universitário Jorge Amado

Dispositivo Prático de Gauss para


Solução e Discussão de Sistemas Lineares
2

O Dispositivo Prático de Gauss para Solução e Discussão de


Sistemas Lineares
André Gustavo de A. Santos1

Introdução

È comum fazer parte do conteúdo inicial de um curso de Álgebra Linear


a álgebra matricial, determinantes e suas propriedades e os sistemas lineares
que são de fato, muito importantes no desenvolvimento da disciplina.
Percebemos também, que fazem parte do repertório para resolver e discutir
sistemas lineares, principalmente, o Teorema de Cramer, O escalonamento
denominado Método de Gauss, o Teorema de Rouché – Capelli, usado
principalmente para discutir os sistemas lineares dentre outros.
O ensino de Sistemas Lineares, de uma forma geral, tem seu inicio
ainda no ensino fundamental (7º ano, antiga 6º série). Os principais autores dos
livros textos adotados nesse nível, procuram privilegiar os Métodos da Adição e
da Substituição, alguns, ainda, procuram diversificar apresentando além dos
métodos citados, um outro método chamado Método da Comparação. No
Ensino Médio, o Teorema de Cramer é o preferido pelos autores, pois este traz
em seu conceito básico a idéia de resolução de determinantes.
É fato que, os métodos empregados atualmente para resolver e discutir
sistemas lineares do tipo AX = B com m equações e n incógnitas, produzem
um trabalho muito grande para o estudante. Se pensarmos, por exemplo, no
Teorema de Cramer para resolver e discutir um sistema de 5 equações a 5
incógnitas, vamos verificar o quão é trabalhoso e ultrapassada a resolução e
discussão por esse método. Por outro lado, apresenta-se o Escalonamento de
Gauss, que sem dúvida, na prática é muito mais agradável, pois a idéia básica
é a de trabalhar com operações elementares sobre as linhas de uma matriz,

1
Professor Substituto da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Professor do Centro Universitário
Jorge Amado (UNIJORGE)

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seguindo vários passos, todos eles baseados em sistemas equivalentes. O que


ocorre com esse método, é que apesar da sua utilidade prática, muitos alunos
confundem-se nesses passos, o que provoca a distorção do resultado final
obtido. Dessa forma, podemos inferir que, se houver um método que além de
resolver, discuta sistemas, e além disso, seja prático e de fácil entendimento,
esse método se tornaria mais interessante e menos massivo, do ponto de vista
conceitual.
O Dispositivo Prático de Gauss, apresentado como tema desse artigo,
difere completamente (em sua forma) daqueles métodos conhecidos nos livros
textos, tem sua fundamentação teórica na disciplina de Cálculo Numérico, e
aparece nesse contexto como mais uma possibilidade, num cenário onde a
tradição ainda e o pragmatismo dos métodos tradicionais ainda imperam.
O método que proponho é subsidiado pelo conhecimento básico em
determinantes, sendo este, conceito subjacente para o estudo em questão.
Mostraremos a força e praticidade do método, Respaldando-nos numa
idéia simples de determinantes de segunda ordem, mas não sem antes
demonstrarmos matematicamente o Dispositivo Prático de Gauss para solução
e discussão de Sistemas Lineares afim de consolidá-lo formalmente.

2. Por que o Modelo Linear?

A maioria das ciências naturais busca na matemática a linguagem que


permite descrever seus fenômenos físicos, químicos e biológicos etc.
Muito se discute atualmente sobre modelagem matemática no ensino
como ambiente de aprendizagem, A Física, por exemplo, como mostra
(SANTOS, Pg.2) é ensinada através de fórmulas que descrevem um
determinado fenômeno, e leva o aluno a acreditar nos seus resultados como
uma espécie de crença. Segundo RICARDO (2004), não se informa que as
fórmulas são modelos matemáticos que foram criadas para descrever
determinados eventos.
Os modelos são construídos para suprir a necessidade do homem de
descrever a natureza a partir de suas inquietações. Segundo Barbosa (2001),

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os modelos matemáticos são satisfatórios para a ciência na medida em que


descrevem e predizem os fenômenos físicos, fazendo-a assim convergir numa
interface entre as disciplinas Matemática e Física (por exemplo).
Oliveira e Silva (Pg. 1105) afirmam que um dos modelos mais utilizados
para descrição de fenômenos naturais é o “linear”, já que uma teoria
desenvolvida de forma não-linear acarreta em diversas dificuldades, dentre
elas nos cálculos numéricos que permitem em sua maioria suas resoluções
somente pelo uso de modernos computadores.

3. O Teorema de Cramer têm interesse prático?


A regra mais conhecida pelos estudantes para resolver sistemas e
discuti-lo, sem dúvida é a Regra de Cramer (que faz uso do conceito de
determinantes).
Cramer foi um matemático suíço que em meados do século XVII
publicou uma obra intitulada “Introduction à L’Analyse des lignes courbes
Algébriques, e é justamente nessa obra que se encontra a regra que ganhou
seu nome”. Segundo Eves (1995), acredita-se que o matemático Colin
Maclaurin fez estudos independentes acerca dos métodos para resolução de
sistemas lineares, e que tais métodos utilizados por Cramer já eram
conhecidos por Maclaurin. A adoção da Regra com o nome de Cramer deve-se
ao fato de que o mesmo usou uma melhor notação para resolução de sistemas
lineares2.
O Teorema de Cramer consiste basicamente em resolver e discutir
sistemas onde o número de equações é igual ao número de incógnitas, ou
seja, m = n. Sendo assim, “A” é uma matriz quadrada.
Consideremos ainda D = det(A).
Do teorema de Cramer temos que:
Se considerarmos um sistema linear com o número de equações igual
ao número de incógnitas e D  0 , então o sistema terá uma única solução, isto

2
Introdução à história da matemática, Howard Eves. Ed. da Unicamp, Campinas, 1995 –
Facchine, Walter. Matemática para escola de hoje: Livro único – São Paulo. FTD, 2006 (ensino
Médio), pg 246 – pág. 736

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Di
é, o sistema será possível e 1 ,  2 ,  3 ,...,  n é tal que  i 
D
 i  {1, 2, 3 ..., n} , onde Di é o determinante da matriz obtida A,

substituindo-se a i’ésima coluna pela coluna dos termos independentes das


equações do sistema.
Ocorre que o Teorema de Cramer tem um interesse muito mais teórico
histórico, do que prático, pois, como já vimos acima, resolver um sistema de 5
equações a 5 incógnitas teríamos que calcular 6 determinantes de ordem 5, o
que torna o método muito dispendioso, e ainda, de acordo com a definição do
teorema, só é possível resolver problemas usando o método quando os
sistemas tiverem o número de equações igual ao número de incógnitas, ou
seja, m = n. E quando m  n?

4. Sistemas Escalonados
O método para escalonar sistemas se respalda justamente na idéia de
sistemas equivalentes, ou seja, a de que, dados dos sistemas S1 e S2, dizemos
que eles são equivalentes se toda solução de S1 for solução S2 e toda solução
de S2 for igual a de S1. Com essa idéia, estabelecem-se alguns passos que
devem ser cumpridos na resolução do sistema, como a de colocar como 1ª
equação aquela em que o coeficiente da 1ª incógnita é não nulo. Depois, temos
de anular o coeficiente da primeira incógnita de todas as equações (com
exceção da primeira) substituindo a i’ésima equação (i  2) pela soma da
mesma com a primeira multiplicada por um número conveniente, vamos
aplicando esses passos nas equações restantes.
Observemos que o excesso de informações pode causar, e causa confusões
no processo de construção do aprendizado dos alunos, muitos deles,
aprendem o método através de exemplos e não do conceito, na verdade, os
alunos desejam assimilar tal método momentaneamente para passar numa
avaliação ou teste proposto por isso, acaba por decorar a forma de fazer, para
depois esquecer, assim como ocorre na maioria dos conteúdos matemáticos.

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A raiz do problema:

No século XVII, a teoria dos determinantes foi cuidadosamente ampliada


por matemáticos que contribuíram de forma decisiva para o seu
desenvolvimento, como Bezout, que utilizou técnicas em seus cálculos
advindas das permutações.
Bezout foi um matemático francês que em seus estudos a respeito das
permutações, verificou a existência de inversões quando um inteiro precede
outro de menor valor. Chamando de permutação par quando existir um número
par de inversões e permutação impar quando existir um número ímpar de
inversões, atribuiu o sinal positivo para permutações pares e o sinal negativo
para as permutações ímpares.

Veja abaixo exemplos de permutações:

1 2 3   ( 0 inversão, par ) .

1 3 2   ( 1 inversão, ímpar ).

2 1 3   ( 1 inversão, ímpar ).

2 3 1   ( 2 inversões, par ).

3 1 2   ( 2 inversões, par ).

3 2 1   ( 3 inversões, ímpar ).

4.1 Qual a idéia de Johann Carl Friedrich Gauss no


desenvolvimento do dispositivo?
Gauss era alemão, e foi considerado o mais brilhante matemático que
existiu, trabalhou em diversas áreas da Matemática e da Física. De acordo com
Neto, Filho e Carvalho (2005) dentre os seus trabalhos, os mais importantes
foram na Teoria dos Números, na Geometria Diferencial, em Probabilidade, em
Geodésias, Magnetismo, Astronomia e Óptica.

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O Dispositivo Prático de Gauss mostra que a idéia era a de que qualquer


sistema linear (independente da quantidade de equações ou de incógnitas)
pode ser discutido e resolvido com base no conceito de determinantes de
segunda ordem, e consiste na eliminação de incógnitas, sucessivamente, por
substituição com a ajuda apenas do determinante de segunda ordem. A raiz do
problema reside exatamente no fato de que, o produto extraído de uma matriz
é o produto de n elementos de uma matriz quadrada M, de modo que nesse
produto figure somente um elemento de cada linha e de cada coluna de M.

Por exemplo:
 a11 a12 a13 
 
P  a13a21a32 , é um produto extraído da matriz M  a 21 a 22 a 23  .

 
 a31 a32 a33 
 
Observe que em P figura somente um elemento de cada linha e de cada
coluna de M, ao passo que o produto P  a11a21a32 não é um produto extraído da

matriz M, pois nele aparecem dois elementos de uma mesma coluna (primeira
coluna).
Sobre a paridade de um produto, Oliveira e Silva (pág. 1002) afirmam
que os índices dos elementos extraídos de uma matriz M formam uma
substituição. Dessa forma, se uma substituição S é par, diz-se que o produto P
é par, e se a substituição S for ímpar, o produto P é ímpar.
Isso nos leva a definição de termo extraído de uma matriz.
Segundo os mesmos autores, podemos chamar de termo extraído da
matriz M, ao produto P extraído da matriz M, afetado de um sinal de mais (+)
ou de menos (-) conforme P seja par ou ímpar”.
Dessa forma, o produto P  a13a21a32 afetado do sinal de (+) forma o

termo T  a13a21a32 ao passo que o produto P  a13a22a31 deve receber o sinal

de (-), pois nesse caso, P é ímpar.


Essa é uma das idéias centrais que está por trás da resolução de
determinantes de segunda e terceira ordem e motivaram seus idealistas em
seu desenvolvimento de uma forma mais rigorosa, por outro lado, não

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podemos tratar do problema sem investigar em suas raízes sua validade. É


justamente tratando sobre a discussão do problema fornecido pelas equações
do primeiro grau com duas incógnitas, que chegaremos às primeiras noções
que desembocam nas idéias sobre o desenvolvimento do Método de Gauss, ou
das Reduções Sucessivas e, por conseqüência, sua validade como método.
Sabemos que ax+by=c é a forma de uma equação do primeiro grau com
duas incógnitas x e y onde os números a, b, c são números reais dados.
Observemos que nesse caso a e b não podem ser iguais a zero
simultaneamente, pois se fossem c também seria e daí, a equação não
forneceria nenhuma informação a respeito dos valores de x e y.
Segundo Oliveira e Silva (Pg. 995), é conveniente escrevermos duas
equações do primeiro grau com duas incógnitas x e y, distinguindo os
coeficientes a e b dessas incógnitas (nas duas equações) e o termo
independente de cada equação com índices diferentes, a fim de especificá-lo
de forma mais precisa.

Matematicamente temos:
a1 x  b1 y  c1

a 2 x  b2 y  c 2
Surge então o problema. Devemos determinar (se houverem) os valores
das incógnitas x e y de forma a satisfazerem as duas equações.
Observemos que para chegarmos a tal conclusão, utilizaremos um
método conhecido pela maioria dos professores do nível fundamental (5 a a 8a
séries) que é o método da adição.
Devemos considerar como hipótese que a1, b1, a2 e b2 são diferentes de
3
zero , e em seguida multiplicar a primeira equação por b2 (coeficiente de y na
segunda equação) e a segunda equação por (-b1) (que é o simétrico do
coeficiente de y da primeira equação), daí se obtém:

a1b2 x  b1b2 y  b2 c1
 a2 b1 x  b1b2 y  b1c2

3
O caso de um dos coeficientes ser zero deve ser tratado separadamente, ou então, multiplicamos a
equação por aquele coeficiente que não seja zero.

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Adicionando-se membro a membro estas equações temos:

a1b2 x  a 2 b1 x  b1b2 y  b1b2 y  b2 c1  b1c 2


(a1b2  a 2 b1 ) x  b2 c1  b1c2

Como podemos observar passamos de um sistema de equações


lineares com duas incógnitas x e y para uma equação do primeiro grau com
uma incógnita x. De acordo com Oliveira e Silva (Pg. 996) está “é uma das
grandes vantagens da notação algébrica, e das leis da adição e multiplicação
em álgebra, que, eliminando x, eliminamos inconscientemente y também”.
Assim, o sistema inicial de duas equações e duas incógnitas resultam
em um novo sistema de duas equações e uma só incógnita, pois:

(a1b2  a2 b1 ) x  (b1c2  b2 c1 )
(a1b2  a2 b1 ) y  (c1a2  c2 a1 )

E que vamos chamar aqui de sistema (2).


Observemos que cada uma das equações tem o mesmo determinante,
a2 b2  a2 b1 e é o determinante do sistema inicial, mostrando que se o
determinante em questão for diferente de zero, o sistema (2) tem a seguinte
solução bem determinada.
 (b1c2  b2 c1 )
x
a1b2  a 2 b1
 (a 2 c1  a1c 2 )
y
a1b2  a 2 b1

Se fizermos um paralelo com o conceito de determinantes de segunda


a1 b1
ordem, podemos observar que nas equações acima a1b2  b1a2  ,
a 2 b2

b1 c1 c1 a1
b1c2  c1b2  e c1a2  a1c2  , sendo a1b2  b1a2  0 . Com base nisso,
b2 c 2 c2 a2

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Oliveira e Silva (Pg. 997) adotam o determinante de segunda ordem para


resolver sistemas lineares de duas incógnitas a duas equações.

O espírito questionador de Gauss possibilitou descobertas de


importância fundamental em teoremas como a de uma “antigeometria”, a qual
denominava de “geometria astral”, em que a soma dos ângulos internos de um
triângulo era inferior a dois ângulos retos. Como esse sistema estaria em
contradição uma convicção universal reforçada pela prática, a verdade da
“Geometria Euclidiana”, Gauss preferiu limitar-se a notas isoladas e cálculos
manuscritos, depois amplamente divulgada por seu discípulo Georg Friedrch
Bernhard Riemann.
Os assuntos mais importantes de que tratou (segundo alguns
historiadores) foram a localização dos pólos magnéticos e a sua intensidade.
Devido a sua contribuição nessa área, a unidade que mede a intensidade do
campo magnético é chamada de gauss.
Dentre tantos feitos realizados por Gauss há uma contribuição
importante para a Álgebra, em conjunto com o Matemático Jordan, que é a
resolução de Sistemas Lineares e que recebeu o nome de Gauss-Jordan. Este
é com certeza um método prático para resolver sistemas lineares, em especial
quando o número n de equações for relativamente grande. Este método exige
que se transforme a matriz dos coeficientes das variáveis na matriz identidade.
Contudo, este método que proponho, pouco conhecido, também foi pensado e
idealizado por essa figura magnífica e que aqui lhes apresento demonstrando o
Método das Reduções Sucessivas ou simplesmente, Método de Gauss.

6. Demonstração do Método de Gauss

Consideremos o seguinte sistema linear:


a11 x  a12 y  a13 z  b 1a
 1

a 21 x  a 22 y  a 23 z  b2 2a

a31 x  a32 y  a33 z  b3 3a

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Supondo a11  0 , vamos isolar x na primeira equação 4:

a11 x  a12 y  a13 z  b1


b1  a12 y  a13 z
x
a11

b1  a12 y  a13 z
Substituindo x  na segunda equação temos:
a11

 b  a y  a13 z 
a 21  11 12   a 22 y  a 23 z  b2 . Daí, tem-se que:
 a11 
a21b1  a21a12 y  a21a13 z  a11a22 y  a11a23 z  a11b2

(a11a22  a21a12 ) y  (a11a23  a21a13 ) z  a11b2  a21b1 . Então;

a11 a12 a11 a13 a11 b1


y z
a 21 a 22 a 21 a 23 a 21 b2

De modo análogo, substituindo x na terceira equação obtemos:

a11 a12 a11 a13 a11 b1


y z
a31 a32 a31 a33 a31 b3

6.1 O dispositivo prático do Método de Gauss.


O cerne do dispositivo prático consiste em uma tabela onde cada uma
das incógnitas x, y, z e o termo independente são colocados em colunas,
possibilitando a discriminação dos mesmos da seguinte forma:

4
Se a11  0, troca-se as linhas.

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x y z Ind.
a11 a12 a13 b1

a 21 a 22 a 23 b2

a31 a32 a33 b3

Mo No o

M1 N1 1
Ro So

a11 a12 a11 a13 a11 b1


Mo  No  o 
a 21 a 22 a 21 a 23 a 21 b2

a11 a12 a11 a13 a11 b1


M1  N1  1 
a31 a32 a31 a33 a31 b3

M o y  N o z   o M o No Mo o
Daí tem-se que  , donde Ro  , So  e Ro z  S o .
M 1 y  N 1 z   1 M 1 N1 M 1 1

S0 5
Portanto z  . Substituindo-se z em qualquer uma das equações do sistema
R0

M o y  N o z   o
 obtém-se o valor de y.
M 1 y  N 1 z   1
Para determinar o valor de x, basta substituir o valor de z e y encontrados
anteriormente em qualquer uma das equações 1, 2 ou 3 da tabela (de cima
para baixo).

5
Adiante veremos os casos em que Ro  0 e Ro  0 .

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6.2 Discussão de um Sistema Linear.


Vamos esclarecer aqui a discussão de um sistema linear como
geralmente é abordada pelos professores de ensino médio, para assim,
estabelecer um comparativo com a discussão de sistemas pelo Método de
Gauss, que faremos posteriormente.
a11 x1  a12 x 2  a13 x3  ...  a1n x n  b1
a x  a x  a x  ...  a x  b
 21 1 22 2 23 3 2n n 2

Consideremos o sistema S a31 x1  a32 x 2  a33 x3  ...  a3n x n  b3


...........................................................

a n1 x1  a n 2 x 2  a n 3 x3  ...  a nn x n  bn

 Sistema compatível e incompatível: O sistema é dito

compatível quando há valores para as incógnitas xi que

satisfazem as equações do sistema simultaneamente. Caso isso


não aconteça, ele é dito impossível.

 Sistema indeterminado: O sistema é dito indeterminado quando

admite infinitas soluções, ou seja, existem infinitos valores de xi


que verificam as equações simultaneamente.

Resumidamente temos:

Nesse ponto surge uma pergunta, como podemos discutir Sistemas


Lineares pelo Método de Gauss? Para responder, devemos voltar ao
dispositivo e analisar os resultados obtidos através do mesmo, da seguinte
forma:

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A partir do dispositivo prático vamos concluir que:

X y z Ind.
a11 a12 a13 b1

a 21 a 22 a 23 b2

a31 a32 a33 b3

Mo No o

M1 N1 1
Ro So

 Se Ro  0 o sistema será possível e determinado. (Já vimos que

Ro z  S o )

 Se Ro  0 temos duas situações, a saber:

Ro  0 e S o  0 o sistema possível e indeterminado.

Ro  0 e S o  0 o sistema é impossível.

7. Aplicação do Método de Gauss e suas diferenças


quanto aos outros métodos.

O intuito principal desse capítulo é mostrar um caminho alternativo na


solução de problemas, caminho este não explorado dos livros textos atuais.
Vamos propor problemas que possam ser resolvidos com os métodos mais
conhecidos, e posteriormente faremos a resolução desses mesmos problemas
pelo Método de Gauss, buscando estabelecer suas diferenças, singularidades
e até mesmo vantagens e desvantagens em cada um dos métodos. Vamos
apresentar sua resolução em três alternativas. Na primeira alternativa vamos
aplicar um método bastante conhecido de todos os professores de matemática
do ensino fundamental ao superior, “o Método da Substituição”. Posteriormente
faremos a resolução do problema usando o Método de Cramer, nesse caso

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utilizado muito entre os professores do ensino médio. Por fim, faremos a


aplicação do método de Gauss como mais uma alternativa para resolução do
problema.

 Problema 1.
Três mulheres, Edna, Ednair e Eliene, foram a uma loja e compraram,
cada uma delas, 3 produtos diferentes, cada qual com seu valor ( x, y e z).
Questionadas sobre quanto gastaram, responderam:
Edna: Comprei 3 unidades de preço x, 2 de y e 1 de z e gastei R$ 6,50
Ednair: Comprei 6 unidades de preço x, 1 de y e 2 de z e gastei R$
10,00.
Eliene: Comprei 2 unidades de preço x, 3 de y e 3 de z e gastei R$
13,00.
Dessa forma pergunta-se, Qual o preço de cada produto?

 Inicialmente, faremos à interpretação dos dados:


3x  2 y  z  6,5

6 x  y  2 z  10
2 x  3 y  3z  13

Observemos que esse tipo de problema é típico do Ensino Médio, e que
após a interpretação dos dados duas alternativas de resolução (geralmente) é
fornecida ao estudante desse nível:

 Primeira alternativa: Escrever z, em função de x e y, na primeira


equação, e depois substituí-lo na segunda e na terceira equação
para recair em um sistema com duas equações e duas incógnitas.

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Fazendo z  6,5  3x  2 y temos:

6 x  y  2  (6,5  3x  2 y )  10

2 x  3 y  3  (6,5  3x  2 y )  13
6 x  y  13  6 x  4 y  10

2 x  3 y  19,5  9 x  6 y )  13
 3 y  3

 7 x  3 y  6,5
Da primeira equação já podemos concluir que y = 1. Assim  7 x  3,5 .
Daí x = 0,5.
Substituindo o valor de x, y e z vem:
z = 6,5 – 3.0,5 – 2.1 = 6,5 – 1,5 -2 = 3.
Logo, os preços x, y e z são respectivamente, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$
3,00.
Nessa alternativa, foi usado o método da substituição, com base em
seus resultados é possível também concluir que o Sistema é possível e
determinado. Porém, de acordo com Coxford e Shulte (2000) é comum entre
os alunos erros no jogo de sinais na substituição dos valores e
consequentemente nos resultados finais. Isso ocorre pela quantidade de
procedimentos exigidos para chegar na solução.

 Segunda alternativa: Vamos utilizar o Teorema de Cramer6.

3x  2 y  z  6,5

6 x  y  2 z  10
2 x  3 y  3z  13

Inicialmente obteremos o determinante dos coeficientes das incógnitas


do sistema.

6
A demonstração do teorema de Cramer já foi feita no tópico 2.

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3 2 1

6 1 2  9  18  8  2  18  36  21  0 , Assim, o sistema é possível

2 3 3

e determinado.
Substituindo os valores da primeira coluna ( Dx ) pelos termos

independentes temos:

6,5 2 1
Dx  10 1 2  10,5

13 3 3

Substituindo os valores da segunda coluna (Dy ) pelos termos

independentes temos:

3 6,5 1
D y  6 10 2  21

2 13 3

Substituindo os valores da primeira coluna ( Dz ) pelos termos


independentes temos:

3 2 6,5
Dz  6 1 10  63

2 3 13

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Fazendo:
Dx  10,5
x x  0,5
D  21
Dy  21
y y 1
D  21
Dz  63
z z 3
D  21

Logo, os preços x, y e z são respectivamente, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$


3,00.
Segundo Iezzi e Hazzan (1985),

“O teorema de Cramer tem um interesse mais teórico do que prático;


pois quando o número de equações é muito grande, fica bastante
trabalhoso resolver o sistema através de sua aplicação. Por exemplo,
num sistema de 5 equações a 5 incógnitas teremos de calcular 6
determinantes de ordem 5”.

 Terceira alternativa: Utilizar o dispositivo prático de Gauss para


a resolução do problema. Vamos resolve - lo passo a passo com
o intuito de possibilitar o entendimento de todo o processo de
cálculos que o método exige.

1 – Separar os coeficientes das incógnitas e o termo independente


do sistema colocando-os na tabela relacionando-o com sua incógnita
e com o seu termo independente.

x y z Ind.
3 2 1 6,5
6 1 2 10
2 3 3 13

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


18 Prof. André Gustavo
19

2 – Calcular M 0 , N 0 e  0 .

3 2 3 1 3 6,5
Mo   -9 No  0 o   -9
6 1 6 2 6 10

x y z Ind.
3 2 1 6,5
6 1 2 10
2 3 3 13
-9 0 -9

3 – Calcular M 1 , N 1 e  1 .

3 2 3 1 3 6,5
M1  5 N1  7 o   26
2 3 2 3 2 13

x y z Ind.
3 2 1 6,5
6 1 2 10
2 3 3 13
-9 0 -9
5 7 26

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


19 Prof. André Gustavo
20

2 – Calcular R0 e S 0 .

9 0 9  9
Ro   - 63 So   -189
5 7 5 26

X y z Ind.
3 2 1 6,5
6 1 2 10
2 3 3 13
-9 0 -9
5 7 26
- 63 -189

4 – Obter o valor de x, y e z.

Do Dispositivo prático temos que:


 63 z  189
 189
z
 63
z3

Para achar o valor de x ou y, devemos substituir z em qualquer uma das


linhas escolhendo convenientemente uma das linhas da tabela, a quarta linha
(de cima para baixo) é bastante conveniente, pois existe um termo igual à zero.
Daí:
 9 y  0 z  9
 9 y  9
9
y
9
y 1

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20 Prof. André Gustavo
21

De forma análoga obtemos o valor de x. Pela segunda linha (de cima


para baixo) temos:

6 x  y  2 z  10
6 x  1  2.3  10
6 x  7  10
6 x  10  7
6x  3
3
x
6
x  0,5
Logo, os preços x, y e z são respectivamente, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$
3,00.
Como R0  63  R0  0 , então o sistema é possível e determinado.

A primeira vista, o dispositivo prático de Gauss não parece nada prático,


mas, com alguns exercícios propostos é possível resolvê-lo assim que os
valores dos coeficientes do sistema são discriminados na tabela, dispensando
o registro de cada um dos determinantes de segunda ordem que aparecem no
dispositivo, economizando assim, tempo na resolução do sistema dado. Nos
próximos exemplos usaremos esse artifício, a fim de mostrar sua praticidade,
Vamos também dispensar os métodos que são utilizados exaustivamente pelos
livros textos, no intuito de focar as discussões sobre a idéia do método de
Gauss.

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


21 Prof. André Gustavo
22

 Problema 2. (Álgebra Linear).


Verificar se o vetor (5,3) pertence a Im(T), sendo
T : IR 2 
 IR 2 , T ( x, y)  ( x  2 y, 2 x  3 y) .

Solução:

 Alternativa 1
O problema é simples, já que a dimensão dada é 2. Daí aplicando-se o
conhecimento básico a respeito dos sistemas lineares, temos que devemos
verificar inicialmente se existe ( x, y)  IR 2 tal que:

T ( x, y)  ( x  2 y, 2 x  3 y)  (5,3) . Para tanto, precisamos verificar se o sistema

x  2 y  5
 Tem solução:
2 x  3 y  3
Pela “regra da adição” temos:

 x  2 y  5 .(3)
 3x  6 y  15
   3x  4 x  21  7 x  21 x  3
2 x  3 y  3 .(2) 4 x  6 y  6

Substituindo x em qualquer das equações temos:


x  2 y  5  3  2 y  5  2 y  2  y  1

Conclui-se então que (5, 3)  Im(T ), pois x =3 e y = -1 é a solução do sistema.

 Alternativa 2 Aplicar o Método de Gauss (dispositivo prático).


verificando se existe ( x, y)  IR 2 tal que:

x  2 y  5
T ( x, y)  ( x  2 y, 2 x  3 y)  (5,3) , e daí já vimos que 
2 x  3 y  3

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


22 Prof. André Gustavo
23

x Y Ind. 7 y  7  y  1
1 2 5
2 3 3 Substituindo y na 1 linha temos

7 -7 x  2(1)  5  x  2  5  x  3
De forma análoga a
alternativa 1, conclui-se então que (5, 3)  Im(T ), pois x = 3 e y = -1 é a solução

do sistema.

Obs. Podemos observar que nesse exemplo, o método de Gauss já mostra sua
praticidade em resolução de sistemas simples de ordem 2 e também já mostra
uma economia nos cálculos para obtenção da solução através do Método de
Gauss, apesar de os métodos da substituição e da adição já estarem presente
no conhecimento básico do estudante.

 Problema 3
 x  2 y  4 z  2t  1
3x  7 y  5 z  6t  1

Resolver e discutir o sistema. 
 x  10 y  4 z  5t  0
3x  8 y  2 z  3t  1

Observemos que o sistema dado dá origem a um determinante 4 x 4. Aqui, já


podemos constatar que a Regra de Cramer é uma técnica muito trabalhosa no
processo de cálculo de sistemas que dão origem a determinantes com ordem
maior do que 3 x 3 (como já chamamos atenção anteriormente).
A dificuldade de se chegar à solução desse tipo de sistema pela Regra de
Cramer, está no fato, de que ele por si só não resolve o problema,
necessitando de que outras técnicas sejam aplicadas anteriormente para
solucioná-lo, como o Teorema de Laplace ou o Rebaixamento de Chio, O que
pode desmotivar o estudante, já que provoca um trabalho muito dispendioso
em todo o processo, como mostraremos a seguir:

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


23 Prof. André Gustavo
24

 Vamos inicialmente, aplicar o Rebaixamento de Chió e posteriormente


aplicar a Regra de Cramer.
Aplicando o rebaixamento de Chió temos:

1 2 4 2
76 5  12 6  6 1 7 0
3 7 5 6
  10  2  4  4 5  2  8 8 3  156
1 10  4 5
86 2  12 3  6 2  10  3
3 8 2 3

Como   0 o sistema é possível e determinado.

1 2 4 2
72 54 62 9 9 8
1 7 5 6
Dx   10  0  4  0 5  0  10  4 5  350
0 10  4 5
82 24 3 2 10 6 5
1 8 2 3

1 1 4 2
1  3 5  12 66 4  7 0
3 1 5 6
Dy   0 1  4  4 52  1  8 3  111
1 0 4 5
1  3 2  12 36 4  10  3
3 1 2 3

1 2 1 2
76 1 3 6  6 1 4 0
3 7 1 6
Dz   10  2 0 1 52  8 1 3  105
1 10 0 5
86 1 3 3  6 2 4 3
3 8 1 3

1 2 4 1
76 5  12 1 3 1 7 4
3 7 5 1
Dt   10  2  4  4 0 1  8 8 1  68
1 10  4 0
86 2  12 1 3 2  10  4
3 8 2 1

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24 Prof. André Gustavo
25

Fazendo:
Dx 350 175
x x 
D  156 78
Dy  111 37
y y 
D  156 52
Dz  105 35
z z 
D  156 52
Dt 68 17
t t  
D  156 39

Resolver os sistemas lineares pelo Método de Gauss cria como


possibilidade um novo caminho a partir de uma nova perspectiva, partindo do
princípio que ele delineia novos procedimentos de cálculo para obtenção dos
resultados, diferentes daqueles exaustivamente utilizados pelos livros textos do
Ensino Médio. Isto pode trazer como conseqüência, uma ampliação
significativa dos seus conhecimentos sobre o assunto.
A praticidade do método de Gauss está na técnica utilizada, pois ele
só depende exclusivamente de um prévio conhecimento sobre solução de
determinantes de segunda ordem. A economia de cálculos que se utiliza para
obter os resultados, também é um fator motivador para os discentes que tem
contato pela primeira vez com os sistemas lineares. Dessa forma, vamos
estabelecer um comparativo de alguns métodos apresentados pelos livros e
pelo Método de Gauss, de forma a mostrar na prática o sua validade como
método.
Aplicando o dispositivo prático de Gauss, discriminamos em uma
tabela os coeficientes das variáveis x, y, z e t e seus respectivos termos
independentes, para obter o valor de uma das variáveis, e a partir daí, obter o
valor das outras.

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26

Escrevendo novamente o sistema dado no problema temos:

 x  2 y  4 z  2t  1 x y z t ind
3x  7 y  5 z  6t  1
 1 2 4 2 1

 x  10 y  4 z  5t  0 3 7 5 6 -1

3x  8 y  2 z  3t  1 1 10 4 5 0
3 8 2 3 -1
1 -7 0 -4
8 -8 3 -1
2 -10 -3 -4
48 3 31
4 -3 4
-156 68

Vamos mais uma vez, a título didático, separar os determinantes existentes na


tabela:

1 2 1 4 1 2 1 1
Mo  , No  , Po  , o 
3 7 3 5 3 6 3 1

1 2 1 4 1 2 1 1
M1  , N1  , P1  , 1 
1 10 1 4 1 5 1 0

1 2 1 4 1 2 1 1
M2  , N2  , P2  , 2 
3 8 3 2 3 3 3 1

1 7 1 0 1 4
M 'o  , N 'o  ,  'o 
8 8 8 3 8 1

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26 Prof. André Gustavo
27

1 7 1 0 1 4
M '1  , N '1  ,  '1 
2  10 2 3 2 4

48 3 48  31
Ro  , So 
4 3 4 4

Como R0  0 , o sistema é possível e determinado.


Vamos obter o valor de x, y,z e t.
68 17
 156t  68  t  
 156 39
Substituindo t na nona linha (de cima para baixo) obtemos o valor de z:
17 35
4z  3  4 z 
39 52
Vamos obter o valor de y pela quinta linha (de cima para baixo):
35 37
y  7 z  0t  4  y  7   4  y 
52 52

Para obter o valor de x, vamos substituir os valores de y, z e t na primeira linha


(de cima para baixo).
37 35  17  175
x  2 y  4 z  2t  1  x  2   4   2.    1  x  
52 52  39  78
175 37 35 17
Assim temos: x   , y ,z e t
78 52 52 39
A praticidade do Método de Gauss fica mais uma vez evidenciada, já que o
processo pelo qual se obtém os valores das incógnitas exige um conhecimento
que já está ancorado na estrutura cognitiva do aluno, considerando que para
tratar das questões que envolvem sistemas lineares, ele tenha conhecimento
do mínimo necessário das formas de cálculos de determinantes, no caso,
determinantes de segunda ordem e ainda, saiba aplicar corretamente o método

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


27 Prof. André Gustavo
28

de substituição amplamente utilizado no inicio do curso fundamental (6 a série)


até o final do ensino médio.
Mas, o método de Gauss não fica restrito as questões abordadas no
ensino médio. Em disciplinas como Álgebra Linear no ensino superior,
podemos encontrar questões que recaem em sistemas lineares, e muitas vezes
são utilizados métodos que só são abordados em cursos como Bacharelado
em Matemática e Engenharias, tais como os chamados “métodos diretos para
solução de sistemas lineares”; tais como:

- Método de Eliminação de Gauss-Jordan


- Método de Gauss-Jordan na Inversão de Matrizes
- Método da Fatoração de uma Matriz
- Método de Crout
- Fatoração de Matrizes Reais Simétricas e Positivo-Definidas

O intuito principal no ensino de sistemas lineares ao estudante do ensino


médio ou nas Licenciaturas em Matemática é resolver problemas, e quanto
mais prático o dispositivo para este fim, melhor será a otimização do tempo
para ambos.

7.1. Resolução de Problemas e aplicações com Método de

Gauss.
Consideremos o operador linear T: IR 3 
 IR 3 definido por
T ( x, y, z)  ( x  2 y  2 z, x  2 y  z,  x  y  4 z) . Determinar o vetor u  IR 3 tal

que T (u)  (1, 8, 11) .

Solução
Sendo T (u)  (1, 8, 11) , ou seja:

( x  2 y  2 z, x  2 y  z,  x  y  4 z)  (1, 8, 11) , vem:

 x  2 y  2 z  1

x  2 y  z  8

 x  y  4 z  11

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


28 Prof. André Gustavo
29

Pelo Método de Gauss temos:

x y z Ind.
1 2 2 -1
1 2 -1 8
1 1 4 -11
0 -3 9
3 6 -12
9 - 27

Aqui surge uma primeira dificuldade no método de Gauss, mas que


poderá facilmente ser sanada a partir de observações e exemplos.
Observemos que o primeiro termo da quarta linha (de cima para baixo) é
zero, logo devemos trocar a quarta linha pela quinta linha para dar continuidade
ao processo, pois quando em qualquer etapa do Método de Gauss ou das
Reduções Sucessivas o primeiro coeficiente for igual à zero, teremos que
trocar a primeira equação da quarta linha pela equação da quinta linha.

x y z Ind.
1 2 2 -1
1 2 -1 8
1 1 4 -11
3 6 -12
0 -3 9
9 - 27

9 z  27  z  3

Para obter o valor de y vamos substituir z na quarta linha (de cima para baixo).

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


29 Prof. André Gustavo
30

3 y  6 z  12  (3)
y  2.(3)  4
3 y  6  4
y2
Para obter o valor de x vamos substituir y e z na segunda linha (de cima para
baixo).
x  2y  z  8
x  2.2  (3)  8
x7 8
x 1
Logo u  (1, 2, 3)

7.2 (Aplicação 1) Determinar os valores de k e p de modo que o sistema

3x  2 y  z  4

 x  ky  z  p seja:
x  y  2z  2

a) Determinado
b) Indeterminado
c) impossível

x Y z Ind.
3 2 1 4
1 K 1 p
1 1 2 2
(3k – 2) 2 (3p – 4)
1 5 2
(15k – 12) (6k – 3p)

4
a) Ro  0  15k  12  0  15k  12  k 
5
4
b) Ro  0; S o  0  k 
5
4 24 8
6 k  3 p  0  3 p  6k  3 p  6     3 p  p
5 5 5

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


30 Prof. André Gustavo
31

4 8
c) Ro  0; S o  0  k  e p
5 5

Nos exemplos 7.3 e 7.4 mostraremos que quando a quantidade de


equações é maior do que o número de incógnitas, ou vice – versa, não
impossibilita o uso do dispositivo prático de Gauss como acontece com a Regra
de Cramer, bastando apenas verificar no final se as equações obtidas são
equivalentes7 ou não. Se forem equivalentes, o sistema será possível e
determinado, pois nesse caso Ro  0 . Se as equações não forem equivalentes,

então o sistema será impossível.


Mostraremos também que, quando o número de equações for menor do
que o número de incógnitas8, o Dispositivo Prático de Gauss também se
mostrará satisfatório, acumulando assim, a resolução de qualquer sistema em
um único método.
Observaremos ainda, que é possível simplificar uma linha (ou mais) no
dispositivo prático de Gauss sem que o resultado se altere, facilitando assim os
cálculos numéricos para obtenção dos resultados.

5 x  y  z  7
x  y  2z  4

7.3 (Aplicação 2) Discutir e se possível resolver os sistema  .
 x  y  z  3
 x  2 y  4 z  1

3x  2 y  z  60
 x  y  z  30

7.4 (Aplicação 3) Discutir e se possível resolver os sistema  .
 x  y  2 z  40
5 x  y  4 z  70

7
S1 e S 2 são equivalentes, se toda solução de S1 for solução de S 2
Dizemos que dois sistemas lineares
e toda solução de S 2 for solução de S1 .

8
Ver exemplo 7.5 e 7.6

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


31 Prof. André Gustavo
32

5 x  2 y  z  t  12

7.5 (Aplicação 4) Discutir e se possível resolver o sistema  x  y  z  t  6 .
2 x  3 y  z  2t  11

 Solução 7.3

x y z ind
5 1 1 7
1 1 2 4
1 1 1 3
1 2 4 1
4 9 13
4 4 8 4
9 19 -2
4 9 13
1 1 2
9 19 -2
-5 -5
-5 -125

Linha simplificada
Observe que na tabela do Dispositivo Prático de Gauss, apresentam-se duas
equações, R0  S o e R1  S1 , logo, para que o sistema seja possível e
determinado, devemos ter Ro  R1  S 9, dessa forma, podemos dizer que se o
sistema do exemplo 7.3 dado, tiver solução, então z1  z 2 , ou seja, as
equações devem ser equivalentes. Verifiquemos então a situação:

 5 z1  5  z1  1
 5 z2  125  z2  2

Daí podemos concluir que, esse sistema é impossível, pois z1  z 2 .

9
Considere S o  S1  S

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32 Prof. André Gustavo
33

 Solução 7.4

x y z ind
3 2 1 60
1 1 1 30
1 1 2 40
5 1 1 70
1 2 30
1 5 60
-7 -2 90
3 30
12 120

Esse sistema é possível e determinado, pois:


3z1  30  z1  10 ( z1  z 2 , equações equivalentes)
12 z 2  120  z 2  10

Sendo o sistema possível e determinado, devemos obter os valores de y e x.

y  5 z  60  y  60  50  y  10
x  y  z  30  x  10  10  30  x  30  20  x  10
Logo x = 10, y = 10 e z = 10.

 Solução 7.5

x y z t Ind
5 2 1 1 12
1 1 1 1 6
2 3 1 2 11
3 4 4 18
11 3 8 31
-35 -20 -105

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


33 Prof. André Gustavo
34

105  20t
Observe que  35 z  20t  105  z  ,
35
31  3z  8t
11y  3z  8t  31  11y  31  3z  8t  y  e que
11
x  y  z t  6  x  6 y  z t .
Logo, podemos perceber que cada uma das variáveis x, y e z
podem assumir quaisquer valores pertencentes ao conjunto dos números reais,
dessa forma, o sistema linear assume infinitas soluções, daí podemos concluir
que o mesmo é possível e indeterminado.

Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


34 Prof. André Gustavo
35

9. Referências:
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futuros professores. 2001, 253p. Tese (Doutorado em Educação Matemática) –
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Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado. 2. ed. São Paulo: Ed.
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tomo III: 1. ed. São Paulo: Ed. Lisa, 1968.

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BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO


MÉDIA E TECNOLÓGICA; Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino
médio – Brasília 1999. 364p.

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MILIES, C.P.; Breve História da Álgebra Abstrata: Instituto de Matemática e


Estatística; Universidade de são Paulo. 54p. Ed. São Paulo. 2004.

SANTOS, A.G.A.; Interfaces da Matemática com a Física: 2005, 20p. Artigo


(conclusão de Graduação em Licenciatura em Matemática) – Faculdades Jorge
Amado – Salvador – Bahia.

FACCHINI, WALTER; Matemática Para a Escola de Hoje: Livro único – São


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IEZZI, GELSON; HAZZAN, SAMUEL; Fundamentos da Matemática


Elementar, 4: Seqüências, Matrizes. Determinantes e Sistemas. 1. ed. São
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Dispositivo Prático de Gauss Para Solução e Discussão de Sistemas Lineares


35 Prof. André Gustavo