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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto


Departamento de Química

Química Analítica - Amostra Desconhecida


Professora: Yassuko Iamamoto

Moniéli Marcati Grupo 10


Franco Murat La Luna Amostra 10

Ânions Grupo I Grupo II Grupo III


Íons encontrados SO42-, NO3, CO32-, S2- NH4+ ,Na+ , K+ Ba2+ Al3+, Mn2+
Íons existentes SO42-, NO3-, S2- Na+ , K+ Mg2+, Ba2+ Al3+, Ni2+ ,Mn2+

Observação física da amostra:


A observação física da amostra é a determinação das suas características, quando ainda
pura, que visa relacionar o estado inicial da amostra com a sua composição. As
características apresentadas pela amostra desconhecida foram:
- Cor da amostra: apresentava várias cores (marrom, verde, branco, preto),
característica que se relaciona com a existência de cátions do grupo III, o que de
fato se observou. Depois de amassada ela ficou totalmente preta;
- Demais características: exalava odor (tipo ovo podre - de fato havia sulfeto, um íon
que exala odor na forma de sal), não desprendia gás e não era higroscópica.

Homogeneização da amostra:
Este procedimento foi realizado num almofariz, em que a amostra foi esmagada para que
seu conteúdo fosse uniformizado, ou seja, para garantir que os íons estariam presentes em
quaisquer pontos da amostra, permitindo que se retirasse qualquer parte do seu conteúdo
para a realização dos testes que conteria todos os íons presentes.

Testes preliminares:
São os testes realizados para os íons que rapidamente se perdem, que são interferentes nos
testes de outros íons, ou que serão adicionados para a realização desses testes e não se
poderá testar sua presença na amostra original devido ao fato de tê-los certamente
adicionados.
- Teste de chama: foi obtida a cor amarela, com isso desconfiamos que haveria íons sódio,
de fato houve resultado positivo na reação de precipitação com acetato de zinco e uranila;
foi obtida a cor violeta na presença do vidro de cobalto, o que se relacionou com a presença
de íons potássio, pois houve precipitação na reação com cobaltonitrito de sódio.
- Teste para íon amônio NH4+: com pouca quantidade da amostra homogeneizada foi
realizado teste com base forte, cujo resultado de identificação é pela detecção da liberação
de gás amônia com papel de tornassol vermelho que se torna azul, frente à reação
NH4+ + OH- NH3 + H2O
Porém um resultado errôneo foi obtido.
- Teste para íon nitrato, NO3-: reação preliminar com ácido sulfúrico concentrado que
produziu, sob aquecimento, ácido nítrico que se decompôs em NO2, um gás marrom, mas
este teste foi preliminar e outra reação foi executada mais tarde. As reações são:
NO3- (s) + H2SO4 → HSO4- + HNO3
4HNO3 → 2H2O + 4NO2(g) + O2

- Teste para íons carbonato, CO32-: foram realizados dois testes para este íon. O primeiro foi
o teste de descoloração de uma solução rósea de fenolftaleína e carbonato no frasco de
reação, pela liberação de gás carbônico que causou diminuição do pH;
CO2(liberado da amostra) + H2O(l) H2CO3(aq)
H2CO3(aq) + CO32-(gota rósea/fenolftaleína/pH~10) 2HCO3-(aq) (pH~8)
o segundo teste foi realizado com água de barita no lugar da solução de fenolftaleína, sendo
esta uma solução saturada de hidróxido de bário, cuja formação de precipitado com
liberação de gás carbônico evidenciou a presença de carbonato, pelas reações:
CO32- + 2H+ → H2CO3
H2CO3(aq) → H2O(l) + CO2(g)
CO2 + Ba2+ + 2OH- → BaCO3(s) + H2O
Porém, foi obtido um resultado errôneo.
- Teste para íons cloreto, Cl-: realizado teste preliminar com adição de ácido sulfúrico
concentrado, que identifica cloreto através de uma barra de vidro umedecida com amônia
que gera fumaça branca de cloreto de amônio, pela liberação de ácido clorídrico que reagiu
com a amônia, como segue:
Cl-(aq)+ H+ → HCl(g)
HCl(g) + NH3 → NH4Cl(s)
Na nossa amostra não havia cloreto.

Solubilidade da amostra:
Foram realizados os testes de solubilidade da amostra até que não se obtivesse resíduo
sólido insolúvel. Assim, com água a frio foi obtido resíduo sólido, mas o sobrenadante
dessa solubilização foi guardado (sobr 1). Com água à quente, solubilizou-se o precipitado
de anteriormente, sendo seu sobrenadante guardado (sobr 2), mas ainda restou resíduo
sólido insolúvel. Agora, com ácido clorídrico 6 mol.L-1, HCl 6M – 40 gotas, foi realizada
nova solubilização e se obteve resíduo sólido (possivelmente é BaSO4 – fizemos extrato com
soda e foi confirmado), restando mais um sobrenadante (sobr 3), também guardado. O
precipitado do extrato com soda poderia ter sido usado nas reações de identificação de
alguns cátions, quando se tivessem dúvidas, por exemplo.
Análise de ânions – Extrato com soda:
O procedimento do extrato com soda é a adição, à parte da amostra homogeneizada, de
carbonato de sódio (Na2CO3), o que fará com que todos os cátions dos grupos II e III
precipitem na forma de seus carbonatos e impede a interferência deles nos testes
específicos para os ânions, que ficaram apenas na forma de seus sais de sódio, e potássio se
houver. Tendo concluído o procedimento, obteve-se um precipitado (cátions dos grupos II e
III na forma de carbonato e Al(OH)3) e um sobrenadante (ânions na forma de sais de sódio)
no qual foram realizados os testes de ânions.

- Teste pa íons sulfeto, S2-: adicionou-se algumas gotas de HCl 6 mol/L e levou-se para
aquecimento. Com uma tira de papel de filtro umidecida com uma solução de Cd(NO3)2 0,2
mol/L verificou-se o desprendimento de H2S (que pode ser identificado pelo odor de ovo
podre) que reage com os íons Cd2+, produzindo uma mancha amarela de CdS.
S2- + H+ → H2S
H2S ↔ HS- + H+
HS- ↔ S2- + H+
Cd2+ + S2- ↔ CdS
- Teste para íons sulfato, SO42-: reação com íons bário, que identificou a presença de sulfato
pela formação de precipitado branco gelatinoso gerado instantaneamente, que só ocorre da
combinação de bário com sulfato, mesmo em meio bem ácido, como segue:
Ba2+ + SO42- → BaSO4(s)
- Teste para íons nitrato, NO3-: reação com zinco metálico em meio alcalino, cuja
interferência por íons nitrito, apesar da suspeita de sua inexistência na amostra, foi
realizada pela adição de cloreto de amônio e eliminação do íon amônio com reação com
base forte; confirmou-se a presença de nitrato na nossa amostra. A reação com zinco reduz
NO3- a NH3, sendo a liberação dessa amônia medida com papel de tornassol vermelho que
se tornou azul, como segue:
eliminando NO2-: NH4+ + NO2- N2 + 2H2O
eliminando excesso de NH4+: NH4+ + OH- NH3 + H2O
teste com Zn metálico: 4Zn + NO3- + 7OH- 4[ZnO2]2- + NH3(g) + 2H2O

Análise dos cátions:


No precipitado do extrato com soda, foi adicionado HCl concentrado para dissolvê-lo. Após
aquecimento, foi adicionado água para eliminar o excesso de ácido. A solução foi levada à
secura. Procedeu-se a análise dos cátions, de acordo com os procedimentos de sua
separação analítica.
Para o início da análise do grupo III, houve a formação de uma solução-tampão de
NH3/NH4+, para que o pH fosse mantido em torno de 9 (pH ≈ 9). Essa necessidade se deve
ao fato da separação dos cátions do grupo III ser feita através da precipitação de seus
sulfetos (S2-) em meio alcalino.
Equação de formação do tampão:
H+ + NH3 → NH4+
Após a formação do tampão, foram adicionadas algumas gotas em excesso de base NH3,
que garante a presença tanto da base fraca NH3, quanto do ácido fraco NH4+. O tampão
funciona segundo o equilibrio: NH3 + H2O ↔ NH4+ + OH-
Como na amostra poderiam estar presentes cátions do grupo II, o tampão também impede a
precipitação de Mg2+ na forma de hidróxido, devido ao efeito do íon comum.
Após a adição de ácido e posterior aquecimento seguido de centrifugação, forma-se um
precipitado que será analisado. O sobrenadante também será analisado, pois poderá conter
cátions do grupo I e II.
A esse precipitado adiciona-se NaOH 4 mol/L. Centrifuga-se. Forma-se outro precipado
que deve conter Fe(OH)3 e também MnO(OH)2 / MnO2. O sobrenadante poderá conter Al³+.
Grupo III
- Teste para íons níquel, Ni2+: dissolução de seu precipitado com tioacetamida de sulfeto de
níquel com ácido nítrico à quente e precipitação de produto vermelho com dimetilglioxima.
No teste não houve a precipitação, o que nos induziu ao erro. Porém a amostra
homogeneizada apresentava cor preta, o que nos deixou em duvida quanto à presença de
níquel:
NiS + 2NO3- +4H+ Ni2+ + 2NO2 + 2H2O + S

2H2DMG + Ni2+ Ni(HDMG)2(s) + 2H+

- Teste para íons manganês, Mn2+: após sua dissolução da forma de sulfeto de manganês da
reação com tioacetamida por HCl, houve eliminação da interferência de cloreto e a reação
de formação de permanganato que torna a solução violeta, pela reação com ácido sulfúrico,
periodato de potássio e aquecimento, como é mostrado:
2Mn2+ + 5IO4- + 3H2O → 2MnO4- + 5IO3- + 6H+

- Teste para íons Alumínio, Al³+: Foi adicionado HCl ao sobrenadante contendo
[Al(OH)4]-.Observou-se a formação de Al(OH)3. Ele é turvo e gelatinoso feito de partículas
em suspensão.
Reação de Al³+: Al(OH)3 + OH- ⇌ [Al(OH) 4] -.

Destruição da tioacetamida:
Para que não houvesse interferência da tioacetamida nos testes para os cátions dos grupos I
e II, a tioacetamida foi destruída, segundo o processo: solução em cápsula de porcelana,
adição de gotas suficientes de ácido clorídrico HCl concentrado e fervura até redução da
metade do volume inicial. Foi medida a hidrólise da tioacetamida, pela liberação do gás
H2S, constatado pelo papel de filtro umedecido com sal de cádmio (nitrato de cádmio), que
se tornava amarelo devido à formação de sulfeto de Cádmio, CdS, que não indicava mais a
destruição quando não mais ficava amarelo. A solução foi levada à secura para eliminação
do excesso de ácido e o conteúdo retornou para o tubo de ensaio para que fosse dada
seqüência à análise qualitativa. A destruição da tioacetamida, com liberação do gás, segue:

CH3CSNH2 + H+ + 2H2O ⇌ CH3COOH + NH4+ + H2S

Grupo II e Grupo I:
Para a análise do grupo II, mais uma vez precisa-se da presença de uma solução-tampão.
Esta será a mesma usada na separação dos cátions do grupo III, ou seja, a solução-tampão
de NH3/NH4+. Com a adição de carbonato, houve precipitação. Com o sobrenadante, cujo
volume foi reduzido à metade, dividiu-se a solução em 3 tubos e prosseguiu-se com os
testes.

- Teste para íon sódio, Na+: reação à pH 5, com acetato de zinco e uranila. Adiciona-se
álcool etílico que ajuda a precipitação. Formou-se um precipitado amarelo segundo a
reação:

Na+ + Zn²+ + 3UO2²+ + 8C2H3O2- + HC2H3O2+ 9 H2O ⇌

NaZn(UO2)3(C2H3O2)9.9H2O(s)

- Teste para íons potássio, K+: reação com cobaltonitrito de sódio, com formação de
precipitado amarelo em pouca quantidade, após eliminação de interferência dos íons
amônio. As reações que descrevem o procedimento são:
Eliminação de amônio por base forte: NH4+ + OH- → NH3 + H2O
Neutralização da base adicionada: OH- + CH3COOH → CH3COO- + H2O
Reação de identificação: 3K+ + [Co(NO2)6]3- ⇌ K3[Co(NO2)6](s)

- Teste para íons bário, Ba²+: reação com dicronato de bário, formando um precipitado
amarelo, enquanto que o íon Ca ²+ não precipita.
Reação: Cr2O72- +2 Ba²+ + H2O ⇌ 2 BaCrO4 + 2H+

- Teste para íons magnésio, Mg2+: reação com monohidrogenofosfato de sódio, que deveria
formar precipitado branco cristalino, de acordo com as reações:
HPO42- + OH- → H2O + PO43-

Mg2+ + NH4+ + PO43- + 6H2O → MgNH4PO4.6H2O(s)

O precipitado pode não ter se formado devido a falta de controle de pH que deveria ficar
básico, em torno de 9,0.

Justificativas e explicações dos erros cometidos.

CO32- - Foi encontrado esse ânion em nossa amostra, mas o íon não estava presente. Pode
ter ocorrido interferência do ânion sulfeto (S2- ).

NH4+ - O hidróxido de sódio acrescentado na mesma amostra pode ter entrado em contato
com o papel de tornassol, tornando azul a coloração do mesmo.

Mg2+ - O precipitado pode não ter se formado devido a falta de controle de pH que deveria
ficar básico (~9). Ele também pode ter sido perdido nas etapas anteriores da separação.

Ni2+ - O níquel estava presente na amostra, mas não o identificamos devido ao fato desse
cátion estar em baixa concentração na amostra, ter sido perdido na marcha analítica, não
sendo vizualizado. Tivemos essa dúvida, pois nossa amostra apresentava-se preta,
caracteristica marcante desse cátion. A perda de Ni Sao longo da marcha analítica também
pode induzido ao erro.