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oCIMENTOS: RESTAURADORES PROVISÓRIOS (CÁSSIO)

Os cimentos utilizados como restauradores provisórios permanecem na cavidade bucal do paciente por um
período de tempo curto, determinado, até que o material restaurador permanente possa ser utilizado para
a restauração definitiva do dente em tratamento. 
CIMENTOS ODONTOLÓGICOS
Os cimentos odontológicos são uma classe de materiais utilizados para várias aplicações na clínica
odontológica. Podem ser utilizados como protetores do complexo dentino-pulpar (na função de forradores
e base); podem ser utilizados como restauradores provisórios (que são restaurações temporárias, até que
sejam feitas as definitivas); também podem ser usados como agentes de cimentação de restauração
protética. As suas aplicações vão ser definidas em função das suas propriedades químicas, físicas e
mecânicas. Os 6 dos principais cimentos odontológicos utilizados atualmente, são:
- Hidróxido de Cálcio;
- Agregado Trióxido Mineral;
- Fosfato de zinco;
- Óxido de Zinco e Eugenol;
- Policarboxilato de zinco;
- Ionômero de vidro. 
HIDRÓXIDO DE CÁLCIO E MTA
São materiais utilizados somente como protetores pulpares na função de forradores, uma vez que
apresentam uma alta solubilidade e propriedades mecânicas muito baixas, não resistindo às grandes
tensões de mastigação, nem mesmo para atuarem como restauradores provisórios. Vale ressaltar que o
MTA apresenta uma menor solubilidade e maior resistência mecânica que o hidróxido de cálcio. Por outro
lado, esses cimentos apresentam propriedades anti-inflamatórias e propriedades biológicas importantes,
estimulando a formação de dentina esclerosada e de tecido mineralizado, atuando na reparação do tecido
dentário perdido e protegendo o complexo dentino-pulpar de estímulos agressores termoelétricos e
químicos, que podem ser provenientes de alguns materiais restauradores ou do meio externo.
FOSFATO DE ZINCO, ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL, POLICARBOXILATO DE ZINCO, IONÔMERO DE VIDRO
Esses materiais apresentam propriedades que permitem que eles sejam utilizados como restauradores
provisórios, além de forradores e bases de proteção do complexo dentino-pulpar. 
Qual a importância da utilização dos cimentos como restauradores provisórios ou temporários?  
Em algumas ocasiões não é possível realizar a restauração de um ou mais dentes de forma definitiva em
uma mesma sessão clínica. Neste caso, utiliza-se os cimentos provisórios de forma temporária, até que a
restauração definitiva possa ser realizada em uma outra sessão de atendimento. Os tratamentos
endodônticos são um exemplo dessa situação, em que muitas vezes são necessárias várias sessões para a
conclusão do tratamento. Uma outra situação bastante característica e comum da aplicação desses
materiais ocorre quando um ou mais dentes com vitalidade pulpar apresentam uma cavidade muito
profunda, após a remoção do tecido cariado ou após o preparo do dente para a confecção de uma prótese.
Nesse casos, é preciso realizar a proteção do complexo dentino-pulpar, muitas vezes com o agente forrador,
como o hidróxido de cálcio e uma base, como o ionômero de vidro, por exemplo, e aguardar um período de
tempo para saber se o tecido pulpar responde de forma favorável, ou seja, sem sensibilidade dolorosa aos
estímulos externos ou aos materiais restauradores. Nessa imagem ao lado podemos verificar a
representação de diversas profundidades de preparos cavitários, que devem ser consideradas na avalição
da necessidade ou não de proteção do complexo dentino-pulpar. 

O cirurgião dentista deve ser capaz de clinicamente diagnosticar a necessidade ou não da proteção e qual
ou quais tipos de materiais que devem ser utilizados.

CIMENTOS RESTAURADORES PROVISÓRIOS


Tratamento expectante
Muitas vezes, a situação se torna crítica quando ocorre uma exposição do tecido pulpar nas cavidades
profundas de um preparo. Nesses casos, há necessidade de aplicação do hidróxido de cálcio PA, ou seja, o
hidróxido de cálcio na forma de pó, antes da aplicação do forrador e da base. Dessa forma, toda a estrutura
deve ser protegida com o agente restaurador provisório, que além da proteção da estrutura dentária,
devolve ao paciente a capacidade de mordida, ainda que de uma forma limitada. Em uma evolução positiva
do caso, o agente temporário deve ser removido e o dente pode ser restaurador de forma definitiva. Essa
situação é determinada de tratamento expectante.
Caso a evolução do tratamento não seja satisfatória, em um primeiro momento, o procedimento pode ser
repetido, visando a vitalidade do tecido pulpar.
Restaurações indiretas
As restaurações indiretas são a terceira possibilidade de utilização de restauradores provisórios; uma
situação bastante frequente na clínica odontológica. Nesse caso são realizados preparos nos dentes para
colocação das restaurações indiretas, que envolvem as etapas clínicas de moldagem e as etapas
laboratoriais de preparo das peças protéticas. Essas são restaurações que requerem um grande desgaste da
estrutura dentária de suporte, podendo não envolver o desgaste das cúspides (Inlay) ou envolver o
desgaste das cúspides (onlay). Para as restaurações indiretas, muitas vezes, são necessárias várias sessões
clinicas de atendimento, devendo o dente preparado ser protegido com um material restaurador provisório
entre as sessões até que a peça protética esteja pronta para ser cimentada de forma definitiva. A realização
das restaurações provisórias nesses dentes é muito importante, pois elas atuam protegendo as paredes
dentárias preparadas e preservam os espaços interdentais, já que uma grande quantidade de dente foi
desgastada. 

Propriedades ideais
Para que o cimento odontológico possa cumprir sua função de proteção do remanescente dentário até que
o material restaurador definitivo seja utilizado, ele precisa apresentar algumas características importantes,
como:
- Biocompatibilidade: é uma propriedade bastante importante, pois os materiais estarão em contato direto
com os túbulos dentinários. Dependendo da profundidade do preparo, essa propriedade é ainda mais
importante. Mesmo em restaurações indiretas, muitas vezes, os dentes apresentam vitalidade pulpar. Os
principais fatores que influenciam na biocompatibilidade dos cimentos são as suas composições químicas e
suas estruturas moleculares. Dessa forma, os materiais mais alcalinos e com uma maior cadeia molecular
apresentam maior biocompatiblidade.
- Redução de sensibilidade pós-operatória: também é bastante importante no caso de dentes com preparo
cavitário bastante extenso e profundo. Uma grande parte dos cimentos apresentam ácidos em sua
composição química, o que pode causar estímulos dolorosos aos tecidos dentários. Além disso, os
restauradores provisórios também não apresentam uma adaptação perfeita às paredes dos dentes, criando
a possiblidade de infiltração dos agentes agressores, como substâncias ácidas e açúcares. Alguns materiais
apresentam na sua composição química, componentes que atuam reduzindo a sensibilidade dos túbulos
dentinários aos estímulos agressores, como por exemplo o eugenol, presente no cimento de óxido de zinco
e eugenol. 
- Isolante térmico: está diretamente relacionada à proteção da polpa, agindo contra os estímulos externos
de variações extremas de temperatura fria ou quente. O material deve apresentar uma baixa
condutibilidade térmica, impedindo que haja transmissão dos estímulos térmicos aos tecidos dentários.
- Resistência mecânica: é muito importante, principalmente nos casos em que haverá uma necessidade de
uma longevidade de uma restauração provisória e/ou nos casos de grande desgaste dentário. Essa
propriedade varia bastante de um material para o outro. Muitas vezes, é mais importante utilizar um
material de maior resistência para que ele permaneça um maior tempo no dente. Em outros casos, um
material menos resistente, que ofereça maior facilidade na remoção, é interessante para a posterior
colocação do material definitivo. Todos os materiais devem apresentar uma resistência mínima, suficiente
para suportar as tensões da mastigação, mesmo que por um período curto de tempo. 
- Ser insolúvel: ou apresentar baixa solubilidade é uma propriedade importante para qualquer tipo de
material restaurador provisório. Dessa forma o material é capaz de resistir a diversos estímulos agressores
presentes na cavidade bucal e proteger o tecido pulpar. A cavidade bucal é um meio extremamente
desfavorável para os materiais odontológicos, pois é um ambiente com pH ácido, com grande variação de
temperatura e colonizado por diversas espécies de microrganismos. Portanto, os materiais devem ser
capazes de manter íntegros, enquanto estiverem protegendo as estruturas dentárias.
- Adesão ao esmalte/dentina: é uma propriedade exclusiva dos cimentos de ionômero de vidro e cimentos
de policarboxilato de zinco. Esses cimentos apresentam grupos carboxílicos em sua estrutura química, os
quais permitem a sua adesão aos tecidos mineralizados do dente: a dentina e o esmalte. É importante,
porque melhora a adaptação da restauração às margens do dente, o que minimiza os problemas
resultantes das infiltrações, que geram estímulos agressivos à polpa. Em contrapartida, essa característica
dificulta o processo de remoção desses materiais na realização da restauração definitiva.
- Possuir propriedades bacteriostáticas/bactericidas: refere-se à propriedade do material de atuar
matando um agente microbiano agressor. No caso de um agente bacteriostático, ele atua alterando o
metabolismo celular do microrganismo, impedindo a sua multiplicação. Já um agente bactericida atua
matando diretamente o agente agressor com o rompimento da célula. Essa propriedade minimiza a
formação de biofilme microbiano sobre o material restaurador e o dente, diminuindo o desenvolvimento
de processos inflamatórios. 
- Radiopaco: é muito relevante, principalmente, em dentes com cavidade profunda, uma vez que permite,
através do exame radiográfico, identificar os limites entre o material restaurador e o dente. Dessa forma, é
possível verificar se a restauração está bem adaptada ao dente e se existe a presença de infiltrações
marginais ou verificar a extensão do material restaurador e a sua proximidade com o tecido pulpar,
auxiliando na sua remoção sem que haja risco de exposição da polpa. Quanto mais radiopaco o material,
mais branca será a sua tonalidade no raio x e mais facilmente ele será distinguido dos tecidos dentários.
Com uma régua de intensidade de radiopacidade, é possível ver as tonalidades de radiopacidade dos
tecidos dentários (dentina e esmalte) e compara-los aos diversos materiais odontológicos. A restauração de
amálgama apresenta uma radiopacidade bem superior aos tecidos dentários; por outro lado, a restauração
de ionômero de vidro apresenta uma radiopacidade bem baixa, muito parecida com a dos tecidos
dentários, que dificulta a sua visualização e dos limites da restauração na radiografia.
- Propriedades estéticas: dentre todas as propriedades, a estética talvez seja a de menor importância para
os materiais restauradores provisórios. Na maioria dos casos, essas restaurações são realizadas em dentes
posteriores ou nas faces palatinas e linguais de dentes anteriores, ou seja, não há uma exposição visual
direta dessas superfícies. Além disso, pelo fato de serem restaurações temporárias, a estética não
apresenta uma limitação muito importante.  
- Tempos adequados de trabalho e presa: variam muito entre os diversos cimentos e são extremamente
importantes. O tempo de trabalho determina o período e tempo que o cirurgião dentista terá para inserir o
material no dente do paciente, ele é medido desde a mistura do material (seja pasta/pasta ou pó/líquido)
até que o material não possa mais ser manuseado de forma a ser inserido no dente. Já o tempo de presa
define o período de tempo que o material tem de endurecer e adquirir sua resistência máxima ou, pelo
menos, 80% dela; esse tempo é medido desde a mistura dos materiais. Um bom material deve apresentar
um tempo de trabalho não muito curto, que seja suficiente para que o CD condiga colocá-lo
adequadamente no dente; e um tempo de presa não muito longo, para que o paciente não precise
aguardar por muito tempo para retornar às suas funções mastigatórias. 
- Fácil reparo, remoção/substituição: é importante, uma vez que facilita o processo de remoção do
material restaurador provisório para colocação do restaurador definitivo e ao mesmo tempo permite
pequenos reparos, caso sejam necessários. Se o material apresentar uma resistência muito grande à
remoção, corre-se o risco de remover estrutura dentária sadia ao utiliza a broca com o aparelho de alta
rotação. É importante que o material tenha uma resistência suficiente para suportar as cargas mastigatórias
e ao mesmo tempo não ofereça uma resistência muito grande que dificulte o seu processo de remoção ou
substituição.
No entanto, essas propriedades variam entre intensidade e qualidade entre os diversos cimentos, de
acordo com as suas características estruturais e químicas. Sabe-se que não existe nenhum material que
apresente todas as características desejadas, assim, é importante saber selecionar o mais apropriado para
cada aplicação química, em função das suas principais propriedades.

REAÇÃO ÁCIDO-BASE
Todos os cimentos restauradores provisórios são obtidos a partir de uma reação ácido-base, quando se
mistura os componentes ácidos e básicos que constituem o material. Eles podem ser apresentados na
forma de pó/líquido (mais convencional) ou na forma de pasta/pasta. Geralmente, na apresentação
pó-líquido os componentes básicos estão presentes no pó e os componentes ácidos estão presentes no
líquido. Nas duas formas, a manipulação dos materiais é manual, com o auxílio de uma espátula de
manipulação.
Cápsulas de CIV
Existem outras formas alternativas de apresentação para o CIV: na forma de capsulas, contendo o sistema
pó/líquido, ou cápsulas contendo o sistema pasta/pasta; sendo que em ambos os casos são necessários
equipamentos especiais para a manipulação dos materiais, pois, diferentemente das apresentações
convencionais, a manipulação não é feita manualmente. As cápsulas do sistema pó/líquido utilizam o
equipamento amalgamador, enquanto as cápsulas do sistema pasta/pasta utilizam seringas automáticas, o
que resulta em um custo maior desses materiais. Por outro lado, também apresentam algumas vantagens,
como a precisão da dosagem (já que as cápsulas vêm pré-dosadas e lacradas de fábrica), além de uma
maior praticidade e velocidade do processo de manipulação. 
Consistência final
Uma outra particularidade do ionômero de vidro está relacionada a algumas marcas comerciais de
apresentam o material em embalagens específicas de acordo com a sua aplicação clínica; como no caso do
ionômero de vidro da marca SS WHITE, que é disponibilizado nas apresentações comerciais de: vidrion F
(para forramento), vidrion R (para restaurações temporárias) e vidrion C (para cimentação de próteses). Os
demais cimentos restauradores temporário, como o fosfato de zinco e o óxido de zinco e eugenol, são
apresentados em formulação única, devendo a sua consistência ser ajustada para cada aplicação clínica
desejada.
Consistência final – define a aplicação clínica

A consistência final do cimento odontológico e o fator que define a sua utilização na clínica odontológica,
seja como um protetor do complexo dentino-pulpar, nas funções de base ou forrador; seja como
restaurador temporário ou ainda como agente de cimentação de peças protéticas. 

No sistema pó/líquido, se deve sempre seguir as recomendações do fabricante e respeitar a dosagem


recomendada para a manipulação do material, de acordo com a aplicação clínica desejada. Uma maneira
de verificar se a consistência do material está adequada para a sua utilização, é visualizar a sua consistência
na placa de vidro após a finalização da manipulação. Para cimentação, a consistência do material deve ser
mais fluida; nesse caso, após a manipulação do material, levanta-se com a ponta da espátula uma
quantidade de material manipulado e esse deve formar um fio de aproximadamente 2 cm, que longo se
rompe. Para base e forramento, a consistência é intermediária; ao se levantar uma pequena quantidade do
material com a espátula, ela deve formar um fio de aproximadamente 2 cm e não se romper. Por fim, para
uma restauração provisória, a consistência do material deve ser mais viscosa; após a manipulação, a
mistura deve ser uma massa, que não forma fio.
FOSFATO DE ZINCO
O cimento de fosfato de zinco é muito utilizado na odontologia, sendo apresentado sempre na forma de
pó/líquido. Ele foi muito utilizado como base e forrador do complexo dentino-pulpar sob restaurações de
amálgama dentária, principalmente devido a sua alta resistência, a qual permite que ele seja utilizado
como restaurador provisório em dentes com grande destruição dentária e em áreas de grande tensão
mastigatória. Porém, essa característica de resistência lhe confere uma grande dificuldade de remoção.
Como agente se cimentação, ele é frequentemente utilizado em próteses metalo-cerâmicas e totalmente
metálicas. Atualmente, com a evolução das restaurações adesivas estéticas, tanto diretas como indiretas,
este cimento acabou perdendo um pouco de espaço.
Composição
Ele é composto principalmente por:
- Pó => óxido de zinco (90%) – reagente básico + óxido de magnésio (10%) – retardador da reação de presa
do material. 
- Líquido => ácido fosfórico (~35% em peso) + água (controla a ionização do ácido e a velocidade da reação)
+ sais metálicos (alumínio e zinco).
O líquido é composto principalmente por ácido fosfórico e água. A presença do ácido fosfórico confere alta
acidez logo após a manipulação, o que pode provocar danos ao tecido pulpar. Quanto maior a quantidade
de água, maior será a reação de presa.
Técnica de manipulação
A manipulação do fosfato de zinco é bastante criteriosa e deve ser rigorosamente respeitada para o
material seja o mais efetivo possível.
- Deve-se utilizar a placa de vidro grossa para maior efetividade na dissipação da temperatura durante a
manipulação e a espátula número 24, de maior flexibilidade, para que haja melhor atrito do pó junto à
placa.
- O pó deve ser dividido em 6 frações.
- O líquido deve ser dispensado sobre a placa somente após a divisão do pó, evitando a sua evaporação.
- A espatulação deve ser iniciada pelas menores frações do pó, respeitando o tempo de manipulação de
cada fração. A espatulação deve ser vigorosa, utilizando uma grande área da placa de vidro, o que auxilia na
dissipação do calor proveniente da reação ácido-base e também na neutralização do ácido fosfórico
presente no componente líquido.

 Tempo de trabalho e presa


O tempo de manipulação do fosfato de zinco deve ser 1min e 30seg., correspondendo ao total de tempo de
cada uma das frações do pó. O tempo de trabalho é, em média, de 3 a 6 minutos e o tempo médio de presa
é de 5 a 9 minutos. Essas variações ocorrem em função das diferenças de composição entre os fabricantes
e as condições de manipulação. 
Controle do tempo de trabalho e presa
Alguns fatores que definem as propriedades do material são inerentes à composição do material e,
portanto, não podem ser modificados, sendo eles os fatores relacionados ao fabricante:
- Composição do pó (com itens adicionais, como aceleradores ou retardadores do tempo de presa);
- Temperatura de sinterização do material que dá origem ao pó;
- Tamanho da partícula de pó;
- Composição do líquido (o fabricante pode adicionar maior ou menor quantidade de água no líquido para
acelerar ou retardar a reação de presa, portanto, cabe ao dentista escolher o produto disponível no
mercado com a composição que melhor lhe satisfaz para determinada situação clínica).
No entanto, existem alguns fatores que podem ser modificados pelo cirurgião dentista, com o objetivo de
controlar a velocidade de reação de presa do material, aumentando ou diminuindo o tempo de trabalho e
de presa. Todos esses fatores estão relacionados à manipulação do material e não causam prejuízo para as
suas propriedades.
Profissional
- Proporção pó/líquido, preconizada pelo fabricante nunca deve ser alterada;
- Velocidade de incorporação do pó ao líquido (conforme aumenta-se a velocidade de incorporação do pó
ao líquido, há um aumento significativo do tempo de trabalho e de presa, já que há um retardo na
velocidade de reação de presa do material. É importante lembrar que o tempo de manipulação de cada
fração do pó deve ser respeitado);

- Temperatura da placa de vidro (é uma forma efetiva de controlar o tempo de reação de presa do fosfato
de zinco; como a reação ácido-base é exotérmica, controlada pelo calor, o resfriamento da placa provoca
uma redução da velocidade de presa e, consequentemente, o aumento dos tempos de trabalho e de presa.
No entanto, deve-se ter o cuidado para não resfriar demais a placa, a ponto de criar gotículas de água, o
que provocaria o efeito inverso. Assim como destacado na composição do líquido do fosfato, a água
controla a ionização do ácido fosfórico; dessa forma, quanto maior a quantidade de água, mais rápida será
a ocorrência da reação química).

- Tempo e velocidade de espatulação (o aumento na velocidade de manipulação do fosfato, somado a um


aumento do tempo de espatulação além de 1 min e 30seg., também provoca uma redução da velocidade
de presa do material, resultando em um maior tempo de trabalho e de presa. Isso ocorre porque esses dois
fatores provocam a quebra dos núcleos de cristalização em formação do material, provocando um atraso
na formação da matriz dos cristais).

FOSFATO DE ZINCO – RESTAURAÇÃO


Propriedades
Dentre todos os materiais restauradores provisórios, o fosfato de zinco é o que apresenta maior resistência
mecânica à compressão, por volta de 180 Mpa; a resistência à tração é baixa, cerca de 5,5 Mpa, isso ocorre
também com os demais materiais restauradores provisórios, pois todos são materiais friáveis. 
Com relação à propriedades físicas, a solubilidade do fosfato é de 0,06%, adequada em meio aquoso, mas
esse valor aumenta significativamente na presença de ácidos orgânicos. Ele também apresenta baixa
condutibilidade térmica e elétrica, atuando como um bom material isolante e, por isso, sua alta frequência
de utilização sobre restaurações de amálgama. 
Com relação às suas propriedades biológicas, o fosfato apresenta uma alta acidez inicial (pH: 2,0), por volta
de 2 minutos, por causa do ácido fosfórico na sua composição. Após 24h, o pH se aproxima de 5,5 e após
48h se torna neutro.

ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL


O cimento de óxido de zinco e eugenol é um dos mais utilizados como restauradores provisórios na
odontologia, principalmente devido a sua facilidade de manipulação e remoção para confecção da
restauração definitiva. Pode ser encontrado tanto na forma de pó/líquido, quanto pasta/pasta.
Composição
Assim como o fosfato, o óxido de zinco representa a maior quantidade na composição básica do óxido de
zinco e eugenol, no entanto, em uma quantidade um pouco inferior. 
- Pó => óxido de zinco (69%) + óxido de magnésio + estrearato de zinco (1%) – acelerador + acetato de zinco
(1%) – acelerador.
A principal diferença para o fosfato está na composição do líquido:
- Líquido => eugenol (85%) + óleo de oliva (10%) – plastificador + ácido acético – acelerador + água.
O ácido acético é bem menos agressivo que o ácido fosfórico presente no fosfato de zinco; além disso, o
ácido acético está presente em menor quantidade (menos de 5%).
O óleo de oliva diminui a friabilidade do material.
Essa composição confere ao óxido de zinco uma maior biocompatibilidade quando comparado ao fosfato
de zinco.
Técnica de manipulação
A manipulação também envolve uma técnica bem menos sensível que a do fosfato.
- Seguindo a recomendação do fabricante, o pó deve ser proporcionado antes do líquido e dividido em
duas ou três partes; 
- O líquido deve ser dispensado ao lado do pó, também utilizando a placa de vidro mais grossa e a espátula
24;
- A adição do pó ao líquido deve ser feito de forma gradual;
- A espatulação não é tão vigorosa e não utiliza uma grande área da placa de vidro. O tempo total de
espatulação é por volta 1 min.
- Ao final, a massa formada deve ser uniforme e se desprender da placa, ficando a sua consistência
semelhante à massa de vidraceiro;
- Esse material permite se utilizar uma maior quantidade de pó, além do que o preconizado pelo fabricante,
permitindo a obtenção de uma massa mais densa;
- Uma característica particular desse material é que um aumento da força durante a manipulação, faz com
que ocorra uma maior liberação de eugenol na mistura e isso permite a incorporação de quantidades
adicionais de pó. 
Controle do tempo de trabalho e presa
O tempo de trabalho é bem maior que o do fosfato, girando em torno de 8 a 10 minutos. O tempo de presa
também é um pouco maior, variando entre 12 e 15 minutos. Na boca, onde a temperatura é maior que o
ambiente, esse tempo é diminuído. 
Assim como no fosfato podemos controlar o tempo de presa alterando a temperatura da placa de vidro; ao
reduzir a temperatura da placa, se reduz a velocidade de reação, resultando em um maior tempo de
trabalho e de presa. 
Partículas menores no pó e a presença de aceleradores na composição são outros fatores que aceleram a
reação de presa do material. 
Óxido de zinco e eugenol modificado
Existem no mercado algumas variações do cimento de óxido de zinco e eugenol, que tem como objetivo
melhorar algumas das suas propriedades. Alguns materiais têm adicionados à sua composição o polímero
polimetacrilato de metila ao pó e o ácido acético ao líquido, como o IRM.
Outros, têm a presença de partículas cerâmicas, como a alumina e o quartzo na composição do pó e o
ácido benzoico do líquido.

Ambos têm como finalidade diminuir a solubilidade e aumentar a resistência mecânica à compressão do
óxido de zinco. No entanto, esses materiais apresentam uma menor biocompatibilidade, já que há um
aumento da quantidade de ácidos em detrimento do eugenol. 
Propriedades do óxido de zinco e eugenol
Com relação às propriedades mecânicas, a resistência à compressão do óxido de zinco e eugenol
convencional é bem inferior a do fosfato de zinco, por volta de 55 Mpa (contra 180 Mpa do fostato). Já os
modificados apresentam valores semelhantes ao do fosfato, por volta de 160 Mpa. A resistência à tração é
bastante baixa como a do fosfato, por volta de 4 Mpa.
Em relação às propriedades físicas, o óxido de zinco convencional apresenta alta solubilidade, por causa da
facilidade de hidrólise da matriz de eugenolato. Os modificados têm a solubilidade mais baixa. Assim como
o fosfato, ele também é um ótimo isolante térmico e elétrico (baixa condutibilidade térmica/elétrica). 
Por causa do eugenol da sua composição e por apresentar uma menor quantidade de ácido, nos
convencionais, o óxido de zinco apresenta um valor de pH aproximado de 7, sendo mais biocompatível que
o fosfato. O eugenol também é responsável por conferir ao material um efeito sedativo à polpa e uma ação
bacteriostática.
Considerações clínicas
Um detalhe importante deve ser considerado ao se utilizar o óxido de zinco e eugenol tanto como forrador
e base ou como material restaurador provisório quando a restauração definitiva for a resina composta. O
eugenol interfere na reação de polimerização das resinas diminuindo o grau de polimerização; também
causa alterações de cor. A recomendação é que ele não seja utilizado como um material forrador ou base
das restaurações de resina; o seu uso também deve ser evitado como material restaurador provisório
nesses casos. No entanto, caso ele seja utilizado, todo o seu conteúdo deve ser removido e o remanescente
dentário deve ser limpo, com uma profilaxia adequada com escovas de borrachas abrasivas antes da
confecção das restaurações em resina composta.  

POLICARBOXILATO DE ZINCO
O cimento de policarboxilato de zinco foi desenvolvido para ter a resistência do fosfato de zinco e as
propriedades biológicas e de adesão do cimento de ionômero de vidro. No entanto, ele é bem menos
frequentemente utilizado como restaurador provisório, devido a sua dificuldade de manipulação e
utilização desse material. É um material extremamente viscoso por causa da sua composição química.
Composição
- Pó => óxido de zinco (maior parte) + óxido de magnésio + bismuto e alumínio + fluoreto estanhoso
(principal diferença, que tem como objetivo fornecer a liberação de íon flúor. Entretanto a liberação de
flúor é bem pequena).
- Líquido => ácido poliacrílico (32 a 42% em peso; ácido de cadeia polimérica muito grande, o que confere
maior biocompatibilidade ao material, já que tem uma menor capacidade de penetração nos túbulos
dentinários; no entanto, esse ácido é responsável por causar maior viscosidade ao material e tornar a sua
utilização bastante difícil) + co-polimero do ácido poliacrílico (ácido itacônico, tartárico e maléico) + água.
Técnica de manipulação
O material deve ser dividido em duas partes e a manipulação dura em torno de 30 a 40 segundos. No
entanto, a viscosidade do material torna a manipulação um pouco difícil.
Tempo de trabalho e presa
Por causa da presença do ácido poliacrílico, o tempo de trabalho é extremamente curto, de 1,5 a 2,5
minutos, o menor dentre todos os cimentos. O tempo de presa também é curto, em média de 6 a 9
minutos. 
Propriedades
As propriedades mecânicas do policarboxilato são semelhantes a do óxido de zinco e eugenol
convencional, com valores de resistência a compressão girando em torno de 55 a 67 Mpa; a resistência à
tração é um pouco mais alta, em torno de 7 Mpa.
Em relação às propriedades físicas, a solubilidade é igual a do fosfato de zinco, de 0,06% em peso, sendo
baixa em água e maior em ácidos orgânicos. Possui baixa condutibilidade térmica/elétrica, sendo um ótimo
isolante térmico e elétrico. 
O maior destaque é a sua biocompatibilidade; o pH não é extremamente ácido no início e torna-se neutro
em 48h.