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ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO

1. FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA:

a) Centralizada: atividade exercida pelo próprio Estado (Administração


Direta)

b) Descentralizada (outorga e delegação)

c) Desconcentração: distribuição interna de partes de competências


decisórias, agrupadas em unidades individualizadas.

OBS: Não confundir: Descentralização Política com Descentralização


Administrativa (pode ser: descentralização territorial ou geográfica,
descentralização por serviços, funcional ou técnica e descentralização por
colaboração).

2. ADMINISTRAÇÃO DIRETA

- Teorias sobre as relações do Estado com os agentes:

a) teoria do mandato

b) teoria da representação

c) teoria do órgão

- ÓRGÃOS PÚBLICOS - é centro de competência governamental ou


administrativo, tem necessariamente funções, cargos e agentes, mas é
distinto desses elementos, que podem ser modificados, substituídos ou
retirados sem supressão da unidade orgânica. Os órgãos integram a
estrutura do Estado por isso, não têm personalidade jurídica nem vontade
própria, são meros instrumentos de ação dessas pessoas jurídicas.

- Classificação:

a) Quanto à posição estatal: independentes, autônomos, superiores e


subalternos;

b) Quanto à estrutura: simples e compostos;

c) Quanto à atuação funcional: singulares e colegiados


d) Quanto às funções: ativos, consultivos e de controle

3. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA - ou descentralizada é composta por


entidades que possuem personalidade jurídica própria e são responsáveis
pela execução de atividades de Governo que necessitam ser desenvolvidas
de forma descentralizada.

- Características:
a) personalidade jurídica própria (responde pelos seus atos, patrimônio
próprio, receita própria e capacidade administrativa, técnica e financeira);
b) criação e extinção dependem de lei
c) sua finalidade não será lucrativa, inclusive quando exploradoras da
atividade econômica (vide art. 173, da CF);
d) não sofrem relação de subordinação, mas estão sujeitas a controle, que
pode ser interno ou externo, pela própria entidade a que se vinculam (ex.
supervisão ministerial) e controle externo pelo Poder Judiciário e Legislativo
(ex. Tribunal de Contas e as diversas ações judiciais);
e) permanecem ligadas à finalidade que lhe instituiu (princípio da
especialidade)
I - AUTARQUIAS

- Conceito: É pessoa jurídica de direito público, dotada de capital


exclusivamente público, com capacidade administrativa e criada para a
prestação de serviço público (realizam atividades típicas de Estado)

- Regime Jurídico:

1. Criação e extinção: por lei – art. 37, XIX, da CF;

2. Controle: interno e externo

3. Atos e Contratos: seguem regime administrativo e obedecem à Lei


8.666/93(última alteração pela Lei 12.349 de 15 de dezembro de 2010);

4. Responsabilidade Civil: é, em regra, objetiva (art.37, §6º, da CF) e


subsidiária do Estado;

5. Prescrição qüinqüenal – DL nº 20.910/32;

6. Bens autárquicos: seguem regime de bem público (alienabilidade


condicionada, impenhorabilidade, impossibilidade de oneração e
imprescretibilidade)

7. Débitos judiciais: seguem regime de precatório (art.100 da CF)

Observação:

 EC 62 de 09/12/2009: Altera o art. 100 da Constituição Federal e


acrescenta o art. 97 ao Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, instituindo regime especial de pagamento de precatórios
pelos Estados, Distrito Federal e Municípios.

 Resolução nº 115, de 29 de junho de 2010: Dispõe sobre a Gestão de


Precatórios no âmbito do Poder Judiciário. FOI ALTERADA PELA
RESOLUÇÃO Nº 123 DE 10 DE NOVEMBRO DE 2010.
8. Privilégios processuais: prazos dilatados, juízo privativo e reexame
necessário;

9. Imunidade tributária para os impostos, desde que ligada à sua finalidade


especifica (art.150, §2º da CF);

10. Procedimentos financeiros: regras de contabilidade pública (Lei nº


4.320/64 e LC 101/00 – modificada pela LC 131/09)

11. Regime de pessoal: os seus agentes são servidores públicos regidos pela
Lei 8.122/90 alterada pela Lei 12.269/2010. Lembrar que com a liminar
proferida na ADI 2135-4, foi retomado o Regime Jurídico Único. Entre 1998
e 2007, foi possível estabelecer também como regime de pessoal nas
autarquias, o celetista.

- Autarquias Profissionais: são os conselhos de classe, que após a ADIN


1717 tem natureza jurídica de autarquia. Assim as suas anuidades têm
natureza tributária e em caso de não pagamento podem ser discutidas por
meio de execução fiscal, estão sujeitas às regras de contabilidade pública e
a controle pelo Tribunal de Contas, além da exigência do concurso público
para admissão de pessoal (ponto muito divergente).

Nesse contexto, tem-se a exceção da a Ordem dos Advogados do Brasil que


segundo a jurisprudência do STF, não compõe a Administração Pública,
como conseqüência: a anuidade não é tributária, não cabe execução fiscal
(cobrança via execução do CPC), não se submete a contabilidade pública e
ao Tribunal de Contas e está dispensada de fazer concurso público, além de
não compor a Administração Direta ou Indireta (vide a ementa da ADIN
3026 na coletânea de decisões abaixo)
- Autarquias Territoriais: são os territórios, não se confundem com as
autarquias administrativas e não compõem a Administração Indireta.

II - AGÊNCIAS REGULADORAS

- Conceito: Autarquia de regime especial. Surge em razão do fim do


monopólio estatal.

- Regime especial: caracteriza-se por três elementos: maior


independência, investidura especial (depende de aprovação prévia do Poder
Legislativo) e mandato, com prazo fixo, conforme lei que cria a pessoa
jurídica.

- Função: É responsável pela regulamentação, controle e fiscalização de


serviços públicos, atividades e bens transferidos ao setor privado.

- Alguns aspectos:

a) Regime de pessoal

b) Licitação: obedece às normas da Lei 8.666/93. podendo optar por


modalidades especificas como o pregão e a consulta (ADIN 1668).

III - AGÊNCIAS EXECUTIVAS


- Conceito: são autarquias ou fundações que por iniciativa da
Administração Direta, recebem o status de Agência, em razão da celebração
de um contrato de gestão, que objetiva uma maior eficiência e redução de
custos - Lei 9.649/98.
IV – FUNDAÇÃO PÚBLICA
- Conceito: É uma pessoa jurídica composta por um patrimônio
personalizado, destinado pelo seu fundador para uma finalidade específica.
Pode ser pública ou privada de acordo com a sua instituição, sendo que
somente a pública, portanto, instituída pelo Poder Público, é que compõe a
Administração Indireta.

- Natureza jurídica da fundação pública: pode ser de direito público,


caracterizando uma espécie de autarquia, denominada autarquia
fundacional, ou de direito privado, denominada fundação governamental, e
seguirá o regime próprio das empresas públicas e sociedades de economia
mista.

V - EMPRESAS ESTATAIS

A) EMPRESA PÚBLICA: É pessoa jurídica de direito privado composta por


capital exclusivamente público, criada para a prestação de serviços públicos
ou exploração de atividades econômicas sob qualquer modalidade
empresarial.

B) SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA: É pessoa jurídica de direito


privado, criada para prestação de serviço público ou exploração de atividade
econômica, com capital misto e na forma de S/A.

- Principais diferenças:

 forma de constituição e organização

 formação do capital social


 competência para as suas ações. Confira o teor das Súmulas 517 e
556

SÚMULA Nº 517: AS SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA SÓ TÊM


FORO NA JUSTIÇA FEDERAL, QUANDO A UNIÃO INTERVÉM COMO
ASSISTENTE OU OPOENTE.

SÚMULA Nº 556: É COMPETENTE A JUSTIÇA COMUM PARA JULGAR


AS CAUSAS EM QUE É PARTE SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA.

- Regime Jurídico

1. Criação e Extinção: são autorizadas por lei, dependendo para sua


constituição do registro de seus atos constitutivos no órgão competente (art.
37, XIX da CF)

2. Controle: interno e externo

3. Contratos e Licitações: obedecem à Lei 8.666/93, podendo, quando


exploradoras da atividade econômica, ter regime especial por meio de
estatuto próprio (art.173, §1º, III, CF)

4. Regime Tributário: em regra, não têm privilégios tributários, não


extensíveis à iniciativa privada (Veja abaixo Repercussão Geral sobre o
tema);

5. Responsabilidade Civil: quando prestadoras de serviços públicos, é


responsabilidade objetiva, com base no art. 37,§6º, da CF, respondendo o
Estado subsidiariamente pelo prejuízos causados. Quando exploradoras de
atividade econômica, o regime será o privado.

6. Regime de pessoal: titularizam emprego, seguindo o regime da CLT,


todavia, são equiparados a servidores públicos, em razão de algumas
regras: concurso público, teto remuneratório, acumulação, remédios
constitucionais, fins penais, improbidade administrativa e outras;

7. Privilégios processuais: não gozam, obedecem às regras gerais de


processo;

8. Bens: são penhoráveis, exceto se a empresa for prestadora de serviços


públicos e o bem estiver diretamente ligado a eles;

9. Regime falimentar: não estão sujeitos a este regime – Lei 11.101/05

- ALGUNS PONTOS IMPORTANTES SOBRE AS EMPRESAS ESTATAIS:

 Situação especial da Empresa Pública de Correios e Telégrafos:


Conferir a ementa da ADPF 46 e o seu inteiro teor publicado no
www.injur.com.br e no www.marinela.ma.

 Repercussões gerais sobre o tema(Ementas abaixo):

Tema Nº 64: Diferença de tratamento entre empresas públicas e


sociedades de economia mista, que exploram atividade econômica, e
empresas privadas, no que tange às contribuições para o PIS/PASEP.
RE 577494

Tema Nº 131: Despedida imotivada de empregados de Empresa


Pública. RE 589998

Tema Nº 253: Aplicabilidade do regime de precatórios às entidades


da Administração Indireta prestadoras de serviços públicos essenciais.
RE 599628
VI - ENTES DE COOPERAÇÃO:

a) Serviços Sociais Autônomos – rótulo atribuído às pessoas jurídicas de


direito privado, integrantes da iniciativa privada com algumas características
peculiares. Elas não prestam serviços públicos delegados pelo Estado, mas
exercem atividade privada de interesse público. Compõem o chamado
sistema ―S‖. Podem ser constituídas por meio das instituições particulares
convencionais, como fundações, sociedades civis ou associações ou com
estruturas peculiares previstas em lei específica.

b) Organizações Sociais – também chamada de ―OS‖, foi instituída e


definida pela Lei nº 9637/98 (última alteração pela Lei 12.269/2010).
Pessoa jurídica de direito privado, são criadas por particulares para a
execução, por meio de parcerias de serviços públicos não exclusivos do
Estado, previsto em lei (art.1º).

c) Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – também


denominada OSCIP, é pessoa jurídica de direito privado, instituída por
particular para prestação de serviços sociais não exclusivos do Estado
(serviços socialmente úteis – art. 3º), sob o incentivo e fiscalização dele e
que consagrem em seus estatutos uma série de normas sobre estrutura,
funcionamento e prestação de contas (art.4º).

NOTÍCIAS/DECISÕES IMPORTANTES SOBRE O ASSUNTO

ADI 3026

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 1º DO


ARTIGO 79 DA LEI N. 8.906, 2ª PARTE. “SERVIDORES” DA ORDEM
DOS ADVOGADOS DO BRASIL. PRECEITO QUE POSSIBILITA A OPÇÃO
PELO REGIME CELESTISTA. COMPENSAÇÃO PELA ESCOLHA DO
REGIME JURÍDICO NO MOMENTO DA APOSENTADORIA.
INDENIZAÇÃO. IMPOSIÇÃO DOS DITAMES INERENTES À
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA. CONCURSO
PÚBLICO (ART. 37, II DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL). INEXIGÊNCIA
DE CONCURSO PÚBLICO PARA A ADMISSÃO DOS CONTRATADOS
PELA OAB.AUTARQUIAS ESPECIAIS EAGÊNCIAS. CARÁTER JURÍDICO
DA OAB. ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO
INDEPENDENTE. CATEGORIA ÍMPAR NO ELENCO DAS
PERSONALIDADES JURÍDICAS EXISTENTES NO DIREITO
BRASILEIRO. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA ENTIDADE.
PRINCÍPIO DA MORALIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 37, CAPUT, DA
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A Lei n. 8.906,
artigo 79, § 1º, possibilitou aos ―servidores‖ da OAB, cujo regime outrora
era estatutário, a opção pelo regime celetista. Compensação pela escolha:
indenização a ser paga à época da aposentadoria. 2. Não procede a
alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impostos à
Administração Pública Direta e Indireta. 3. A OAB não é uma
entidade da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço
público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades
jurídicas existentes no direito brasileiro. 4. A OAB não está incluída
na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como
“autarquias especiais” para pretender-se afirmar equivocada
independência das hoje chamadas “agências”. 5. Por não
consubstanciar uma entidade da Administração Indireta, a OAB não
está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas
partes está vinculada. Essa não vinculação é formal e materialmente
necessária. 6. A OAB ocupa-se de atividades atinentes aos advogados, que
exercem função constitucionalmente privilegiada, na medida em que são
indispensáveis à administração da Justiça [artigo 133 da CB/88]. É entidade
cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de advogados.
Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer órgão
público. 7. A Ordem dos Advogados do Brasil, cujas características
são autonomia e independência, não pode ser tida como congênere
dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está
voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade
institucional. 8. Embora decorra de determinação legal, o regime
estatutário imposto aos empregados da OAB não é compatível com a
entidade, que é autônoma e independente. 9. Improcede o pedido do
requerente no sentido de que se dê interpretação conforme o artigo 37,
inciso II, da Constituição do Brasil ao caput do artigo 79 da Lei n. 8.906, que
determina a aplicação do regime trabalhista aos servidores da OAB. 10.
Incabível a exigência de concurso público para admissão dos
contratados sob o regime trabalhista pela OAB.11. Princípio da
moralidade. Ética da legalidade e moralidade. Confinamento do princípio da
moralidade ao âmbito da ética da legalidade, que não pode ser ultrapassada,
sob pena de dissolução do próprio sistema. Desvio de poder ou de
finalidade. 12. Julgo improcedente o pedido. (ADI3026/DF, STF – Tribunal
Pleno, Rel. Min. Eros Grau, Julgamento: 08/06/2006, DJ 29.09.2006, pág.
00031) (grifos da autora).

RESPONSABILIDADE CIVIL DAS AUTARQUIAS

EMENTA: ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO


ESTADO – ACIDENTE DE TRÂNSITO – DANO MATERIAL –
RESPONSABILIDADE DA AUTARQUIA – RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA DO ESTADO. A Jurisprudência desta Corte considera a
autarquia responsável pela conservação das rodovias e pelos danos
causados a terceiros em decorrência da má conservação, contudo
remanesce ao Estado a responsabilidade subsidiária. Agravo regimental
provido em parte para afastar a responsabilidade solidária da União,
persistindo a responsabilidade subsidiária. (AgRg no REsp 875604 / ES, STJ
– Segunda Turma, Relator(a) Min. Humberto Martins, 09.06.2009, DJe:
25.06.2009).

ADPF 46

EMENTA: ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL.


EMPRESA PÚBLICA DE CORREIOS E TELEGRÁFOS. PRIVILÉGIO DE ENTREGA
DE CORRESPONDÊNCIAS. SERVIÇO POSTAL. CONTROVÉRSIA REFERENTE À
LEI FEDERAL 6.538, DE 22 DE JUNHO DE 1978. ATO NORMATIVO QUE
REGULA DIREITOS E OBRIGAÇÕES CONCERNENTES AO SERVIÇO POSTAL.
PREVISÃO DE SANÇÕES NAS HIPÓTESES DE VIOLAÇÃO DO PRIVILÉGIO
POSTAL. COMPATIBILIDADE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL VIGENTE.
ALEGAÇÃO DE AFRONTA AO DISPOSTO NOS ARTIGOS 1º, INCISO IV; 5º,
INCISO XIII, 170, CAPUT, INCISO IV E PARÁGRAFO ÚNICO, E 173 DA
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LIVRE
CONCORRÊNCIA E LIVRE INICIATIVA. NÃO-CARACTERIZAÇÃO. ARGUIÇÃO
JULGADA IMPROCEDENTE. INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO
CONFERIDA AO ARTIGO 42 DA LEI N. 6.538, QUE ESTABELECE SANÇÃO, SE
CONFIGURADA A VIOLAÇÃO DO PRIVILÉGIO POSTAL DA UNIÃO. APLICAÇÃO
ÀS ATIVIDADES POSTAIS DESCRITAS NO ARTIGO 9º, DA LEI. 1. O serviço
postal --- conjunto de atividades que torna possível o envio de
correspondência, ou objeto postal, de um remetente para endereço final e
determinado --- não consubstancia atividade econômica em sentido estrito.
Serviço postal é serviço público. 2. A atividade econômica em sentido amplo
é gênero que compreende duas espécies, o serviço público e a atividade
econômica em sentido estrito. Monopólio é de atividade econômica em
sentido estrito, empreendida por agentes econômicos privados. A
exclusividade da prestação dos serviços públicos é expressão de
uma situação de privilégio. Monopólio e privilégio são distintos entre
si; não se os deve confundir no âmbito da linguagem jurídica, qual
ocorre no vocabulário vulgar. 3. A Constituição do Brasil confere à
União, em caráter exclusivo, a exploração do serviço postal e o
correio aéreo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O serviço postal é
prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa
pública, entidade da Administração Indireta da União, criada pelo decreto-lei
n. 509, de 10 de março de 1.969. 5. É imprescindível distinguirmos o
regime de privilégio, que diz com a prestação dos serviços públicos,
do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de
atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado.
6. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em
regime de exclusividade na prestação dos serviços que lhe
incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. 7. Os
regimes jurídicos sob os quais em regra são prestados os serviços
públicos importam em que essa atividade seja desenvolvida sob
privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade. 8. Argüição de
descumprimento de preceito fundamental julgada improcedente por maioria.
O Tribunal deu interpretação conforme à Constituição ao artigo 42 da Lei n.
6.538 para restringir a sua aplicação às atividades postais descritas no
artigo 9º desse ato normativo. (ADPF 46 / DF, STF – Tribunal Pleno,
Relator(a): Min. Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Eros Grau,
Julgamento: 05.08.2009, DJe: 25.02.2010)
SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA E REGIME DE PRECATÓRIOS

Informativos 607 e 612 do STF

O Plenário iniciou julgamento de recurso extraordinário em que se discute se


o regime de precatórios se aplica, ou não, a sociedades de economia mista.
Trata-se, na espécie, de recurso extraordinário interposto pelas Centrais
Elétricas do Norte do Brasil S/A - ELETRONORTE contra acórdão que
reputara não se aplicar o regime de execução dos precatórios às sociedades
de economia mista, por possuírem elas personalidade jurídica de direito
privado e por não se confundir o regime de execução com a impossibilidade
de penhora de bens que comprometam o fornecimento do serviço público. O
Min. Ayres Britto, relator, deu provimento ao recurso. Entendeu que, se as
atividades genuinamente estatais são protegidas com o regime especial do
precatório, este deveria ser estendido às empresas que prestam serviços
públicos essenciais, não importando a natureza jurídica delas, mas atividade
estatal em si, titularizada pelo Estado, ponto avançado do constitucionalismo
social. Ao fazer remissão aos fundamentos de seu voto no julgamento da AC
1947/DF e da AC 669/SP (DJU de 26.5.2006) e definir a natureza jurídica do
precatório, afirmou que a razão de ser do regime especial de execução de
dívidas seria a de responder à necessidade maior de impedir o risco de uma
súbita paralisia nas atividades de senhorio estatal (de domínio ou
titularidade estatal), das quais dependeriam a qualidade de vida e, até
mesmo, a sobrevivência física da população, atividades marcadas, por isso,
pelo signo da irrestrita continuidade. Em seguida, o Min. Ayres Britto
observou que, no caso dos autos, tratar-se-ia de prestadora de serviço
público essencial que geraria e forneceria energia elétrica para 9 Estados da
região Norte, e que, apenas por modo formal, se revestiria de sociedade de
economia mista, tendo em vista que somente 0,77% do respectivo capital
não pertenceria ao setor público. Enfatizou que o art. 175 da CF abriria uma
importante dicotomia, qual seja, setor público versus setor privado.
Esclareceu que, quando o Estado presta o serviço público, por órgão da
Administração Direta, por entidade da Administração Indireta, ou recorrendo
às suas empresas, ele mesmo é que se faria presente, seria o setor público.
Assim, o advérbio ―diretamente‖, constante desse dispositivo (―Art. 175.
Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de
serviços públicos.‖), significaria que o Estado prestaria o serviço por si
mesmo, ou seja, sem recorrer ao setor privado. Logo, a prestação de serviço
por meio de empresa pública e sociedade de economia mista seria prestação
do serviço público pelo Estado mesmo, pelo setor público diretamente. Por
outro lado, disse que, quando o Estado entrega a prestação de serviço
público a empresa privada, fazendo-o mediante concessão ou permissão, a
atividade continuaria pública, porém prestada pelo setor privado. Frisou que,
ao propor a extensão da expressão Fazenda Pública para as empresas
públicas e sociedades de economia mista que prestam serviço público, isto
é, que não exploram atividade econômica, nada mais estaria fazendo que
dizer que tal expressão seria sinônima de setor público. Portanto, ela não
alcançaria somente as clássicas atividades liberais do Estado, mas também
os serviços públicos, notadamente os chamados essenciais, parte do
constitucionalismo social, e que, por isso, não poderiam sofrer
descontinuidade, o que eventualmente ocorreria se ao setor público, seu
prestador, não fosse aplicado o regime especial de execução.

Por fim, reputou inconsistente o argumento de que o regime de precatórios


não poderia ser estendido às empresas públicas e sociedades de economia
mista por não disporem elas de orçamento público. Frisou que, à luz do § 5º
do art. 165 da CF (―§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá: I - o
orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e
entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas
e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das
empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do
capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social,
abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração
direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos
pelo Poder Público.‖), a realidade financeira de todas as empresas estatais
seria apanhada pela lei orçamentária da União. Explicou que, na prática, os
orçamentos das empresas estatais ora fariam parte diretamente do
orçamento fiscal da lei orçamentária, ora seriam aprovadas por decreto do
Poder Executivo, isso de acordo com a classificação da empresa como
dependente, ou não, do regular aporte de recursos financeiros da União.
Registrou que a sistemática legal de pagamentos de débitos judiciais pelas
empresas estatais dependentes seria praticamente idêntica ao mecanismo
do precatório, ou seja, esses débitos seriam pagos por dotações constantes
do orçamento fiscal da União, assim como o seriam aqueles formalizados em
precatórios ou em requisições de pequeno valor. No que se refere às estatais
não dependentes, expôs que seus orçamentos seriam aprovados por Decreto
presidencial, nos termos do art. 107 da Lei 4.320/64, os quais seriam
consolidados e acompanhados pelo Departamento de Coordenação e
Governança das Empresas Estatais - DEST. Essa consolidação de
informações econômico-financeiras das empresas estatais, dispostas de
modo sistematizado, seria denominada Programa de Dispêndios Globais -
PDG, instrumento de planejamento paralelo ao orçamento de investimentos,
previsto no inciso II do § 5º do art. 165 da CF. A execução do PDG de cada
estatal não dependente seria supervisionada pelo Ministério federal a que ela
se vincula, que, no caso da ELETRONORTE, seria o Ministério das Minas e
Energia. Concluiu, portanto, que haveria sim um orçamento a governar as
estatais, previsto em lei e regulado por ato normativo do Poder Executivo,
que se vincularia ao orçamento público geral, seja por sua relevância para a
definição do chamado orçamento de investimento, por sua importância para
a geração de resultados econômicos da própria União, e, ainda, pela
indispensabilidade de controle da gestão dos bens e recursos públicos sob
responsabilidade dessas empresas. Mencionou, por fim, a previsão expressa
de precatórios para a Administração Pública Indireta, sem qualquer limitação
a autarquias ou fundações, feita pela EC 62/2009, ao acrescentar o art. 97
ao ADCT. Após, pediu vista dos autos o Min. Joaquim Barbosa.

O Plenário retomou julgamento de recurso extraordinário em que se discute


se o regime de precatórios se aplica, ou não, a sociedades de economia
mista. Trata-se, na espécie, de recurso extraordinário interposto pelas
Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A - ELETRONORTE contra acórdão que
reputara não se aplicar o regime de execução dos precatórios às sociedades
de economia mista, por possuírem elas personalidade jurídica de direito
privado e por não se confundir o regime de execução com a impossibilidade
de penhora de bens que comprometam o fornecimento do serviço público —
v. Informativo 607. Em voto-vista, o Min. Joaquim Barbosa inaugurou
divergência e desproveu o recurso. Inicialmente, realçou que seria
preponderante para a resolução da controvérsia a circunstância de o modelo
de geração e fornecimento de energia admitir a livre iniciativa e a
concorrência. Em passo seguinte, aduziu que o atual modelo do setor
elétrico permitiria o financiamento tanto por recursos públicos quanto
privados e que nesse setor conviveriam os mercados livre e regulado (ACL e
ACR, respectivamente), bem como consumidores livres e cativos (Lei
9.074/95, artigos 15, 16 e 26, § 5º e Decreto 5.163/2004, artigos 1º, § 2º,
X e XI e 48). Salientou que a competição entre geradores de energia elétrica
no Ambiente de Comercialização Livre (ACL) seria percebida com mais
facilidade, pois os consumidores que teriam acesso a tal mercado possuiriam
margem maior para escolha e negociação. Enfatizou, por outro lado, que,
apesar de existir concorrência no Ambiente de Comercialização Regulado
(ACR), esta seria em menor grau; que objetivando alcançar modicidade
tarifária, a energia elétrica excedente seria comercializada às distribuidoras
por meio de leilões e que o acesso ao ACR ocorreria por licitação. Lembrou,
ainda, que as indústrias detentoras de unidades próprias de geração de
energia poderiam comercializar a produção excedente, ainda que este tipo
de operação não fizesse parte de seu objetivo social preponderante (auto-
geradoras).
Para o deslinde da matéria, apontou que interessariam os serviços públicos,
quais sejam, as produtoras independentes de energia e as auto-produtoras
de energia com autorização para comercializar o excedente gerado. Afirmou
que as primeiras seriam as pessoas jurídicas ou empresas reunidas em
consórcio que receberiam concessão ou autorização para produzir energia
elétrica destinada ao comércio de toda ou parte da energia produzida por
sua conta e risco. Já as segundas seriam as pessoas físicas ou jurídicas ou
empresas reunidas em consórcio que receberiam concessão ou autorização
para produzir energia elétrica destinada ao seu uso exclusivo. Salientou que
as auto-produtoras de energia poderiam ter autorização específica para
comercializar o excedente gerado. Acrescentou que o fornecimento de
energia elétrica, na modalidade de serviço público, submeter-se-ia a um
regime altamente regulamentado, universal e no qual não poderia haver
descontinuidade. Concluiu que a extensão à sociedade de economia mista,
de prerrogativa constitucional inerente ao Estado, teria o potencial para
desequilibrar artificialmente as condições de concorrência, em prejuízo das
pessoas jurídicas e dos grupos por elas formados alheios a qualquer
participação societária estatal.
Asseverou ser incontroverso que o objetivo principal da recorrente,
sociedade de economia mista, seria a exploração lucrativa em benefício de
seus acionistas — de entidades públicas ou privadas. Expôs, nesse sentido,
que o Estado, ao perseguir o lucro como fim primordial, deveria despir-se
das garantias soberanas necessárias à proteção do regime democrático, do
sistema republicano e do pacto federativo, pois tais salvaguardas seriam
incompatíveis com a livre iniciativa e com o equilíbrio concorrencial.
Explicitou que o direito de buscar o lucro teria como perspectiva o particular,
e não o Estado. Ponderou que, se a relevância da atividade fosse suficiente
para reconhecimento de tais garantias, atividades como os serviços de
saúde, a extração, o refino e a distribuição de petróleo, a indústria
petroquímica, as empresas farmacêuticas e as entidades de educação
também seriam beneficiárias de tais prerrogativas, bastando que o Poder
Público se aliasse ao corpo societário do empreendimento privado.
Mencionou que a controladora da recorrente possuiria ações livremente
negociadas em bolsas de valores. Ademais, assinalou que a ELETRONORTE
não exploraria o potencial energético das fontes nacionais
independentemente de qualquer contraprestação, mas o faria, licitamente,
para obter lucro, não ocupando, portanto, o lugar do Estado. Após os votos
dos Ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que acompanhavam o relator, e
do voto da Min. Cármen Lúcia, que seguia a divergência, pediu vista dos
autos a Min. Ellen Gracie.
RE 599628/DF, rel. Min. Ayres Britto, 1º.12.2010. (RE-599628)

EMENTAS DAS DECISÕES QUE RECONHECERAM REPERCUSSÃO


GERAL DOS TEMAS CITADOS ACIMA:

EMENTA: DIREITO DO TRABALHO. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E


TELÉGRAFOS – ECT. DISPENSA IMOTIVADA DE SEUS EMPREGADOS.
IMPOSSIBILIDADE. ITEM II DA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 247 DA
SBDI-1 DO TST. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÕES SUFICIENTES PARA A
RECUSA DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (RE 589998 RG, Relator(a): Min.
MIN. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 06/11/2008, DJ: 28-11-2008)

EMENTA: PIS/PASEP. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 12 DA LC 7/70 E


DO ART. 3º DA LC 8/70. ART. 173, § 1º, II, DA CF. TRATAMENTO MAIS
GRAVOSO PARA AS EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA
MISTA QUE EXPLOREM ATIVIDADE ECONÔMICA, POR SE SUJEITAREM À
CONTRIBUIÇÃO AO PASEP, EM RELAÇÃO ÀS EMPRESAS PRIVADAS, QUE
RECOLHEM A CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RELEVÂNCIA JURÍDICA E
ECONÔMICA. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
(RE 577494 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em
17/04/2008, DJ 09.05.2008)

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. REGIME DE PRECATÓRIOS.


SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ART. 100 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
ALCANCE. REPERCUSSÃO GERAL DAS QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. Têm
repercussão geral os temas constitucionais atinentes ao princípio da
continuidade dos serviços públicos e à aplicabilidade do regime de
precatórios às entidades da Administração Indireta que prestam tais
serviços. (RE 599628 RG, Relator(a): Min. MIN. AYRES BRITTO, julgado em
11/03/2010, DJ 26.03.2010)

LICITAÇÃO E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

EMENTA: MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N. 9.637, DE 15 DE MAIO DE 1.998.
QUALIFICAÇÃO DE ENTIDADES COMO ORGANIZAÇÕES SOCIAIS. INCISO
XXIV DO ARTIGO 24 DA LEI N. 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1.993, COM A
REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI N. 9.648, DE 27 DE MAIO DE 1.998.
DISPENSA DE LICITAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AO DISPOSTO NOS
ARTIGOS 5º; 22; 23; 37; 40; 49; 70; 71; 74, § 1º E 2º; 129; 169, § 1º;
175, CAPUT; 194; 196; 197; 199, § 1º; 205; 206; 208, § 1º E 2º; 211, §
1º; 213; 215, CAPUT; 216; 218, §§ 1º, 2º, 3º E 5º; 225, § 1º, E 209.
INDEFERIMENTO DA MEDIDA CAUTELAR EM RAZÃO DE
DESCARACTERIZAÇÃO DO PERICULUM IN MORA. 1. Organizações Sociais ---
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, direcionadas ao
exercício de atividades referentes a ensino, pesquisa científica,
desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente,
cultura e saúde. 2. Afastamento, no caso, em sede de medida cautelar, do
exame das razões atinentes ao fumus boni iuris. O periculum in mora não
resulta no caso caracterizado, seja mercê do transcurso do tempo --- os atos
normativos impugnados foram publicados em 1.998 --- seja porque no
exame do mérito poder-se-á modular efeitos do que vier a ser decidido,
inclusive com a definição de sentença aditiva. 3. Circunstâncias que não
justificariam a concessão do pedido liminar. 4. Medida cautelar indeferida.
(ADI 1923 MC, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão:
Min. EROS GRAU (ART.38,IV,b, DO RISTF), Tribunal Pleno, julgado em
01/08/2007, DJ:21-09-2007)

POSIÇÃO DO STJ SOBRE LICITAÇÃO E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

ADMINISTRATIVO. CONTRATO DE GESTÃO. LICITAÇÃO. DISPENSA.1.


O contrato de gestão administrativo constitui negócio jurídico criado
pela Reforma Administrativa Pública de 1990.2. A Lei n. 8.666, em
seu art. 24, inciso XXIV, dispensa licitação para a celebração de
contratos de prestação de serviços com as organizações sociais,
qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para
atividades contempladas no contrato de gestão.3. Instituto
Candango de Solidariedade (organização social) versus Distrito
Federal. Legalidade de contrato de gestão celebrado entre partes.4.
Ausência de comprovação de prejuízo para a Administração em
razão do contrato de gestão firmado.5. A Ação Popular exige, para
sua procedência, o binômio ilicitude e lesividade.6. Recurso especial
improvido.(REsp 952899/DF, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 23/06/2008)

QUESTÕES SOBRE O ASSUNTO

1. CESPE.DELEGADO.AC.2008. Considere que uma lei estadual do Acre


institua, com caráter de autarquia, o Instituto Academia de Polícia
Civil, com o objetivo de oferecer formação e aperfeiçoamento aos
servidores ligados à polícia civil do Acre. Nessa situação, a criação do
instituto representaria um processo de descentralização
administrativa, visto que implicaria a criação de uma entidade da
administração estadual indireta.
2. TRE.MT.CESPE.2010. A descentralização administrativa ocorre
quando se distribuem competências materiais entre unidades
administrativas dotadas de personalidades jurídicas distintas.

3. TRE.MT.CESPE.2010.A criação de um ministério na estrutura do


Poder Executivo federal para tratar especificamente de determinado
assunto é um exemplo de administração descentralizada.

4. TRE.MT.CESPE.2010. Os órgãos públicos, componentes da


administração pública desconcentrada descentralizada indireta,
categorizados como independentes, no que tange à posição estatal,
caracterizam-se por serem originários da CF e representativos dos
poderes do Estado e por não possuírem qualquer subordinação
hierárquica. Além disso, seus agentes são denominados agentes
públicos.

5. TRE.MT.CESPE.2010A administração pública centralizada divide as


suas atribuições e poderes necessários para a efetiva prestação dos
serviços públicos em uma estrutura interna composta por centros de
competência personificados e criados por lei, denominados autarquias.

6. MP.ES.2010.CESPE. Como compartimentos internos da pessoa


pública, os órgãos públicos, diferentemente das entidades, são criados
e extintos somente pela vontade da administração, sem a necessidade
de lei em sentido formal.

7. DELEGADO.PB.2009.CESPE. A OAB, conforme entendimento do STF,


é uma autarquia pública em regime-especial e se submete ao controle
do TCU.

8. MP.MG.2010. São características das agências reguladoras existentes


no ordenamento jurídico pátrio, EXCETO
A) Podem exercer típico poder de polícia, impondo de limitações
administrativas, fiscalização e repressão, conforme previsão legal.
B) Podem, nos termos da lei, controlar as atividades que constituem objeto
de concessão ou permissão de serviço público ou de atividade econômica
monopolizada do Estado.

C) Seus servidores são admitidos segundo o regime de trabalho celetista.

D) Substituem o poder executivo com relação às funções que o poder


concedente exerce nos contratos de concessão ou permissão de serviços
públicos.

E) Seus dirigentes são nomeados para mandato fixo, afastada, em regra, a


possibilidade de exoneração ad nutum.

9. MP.ES.CESPE.2010. As fundações de direito público e as de direito


privado detêm alguns privilégios que são próprios das autarquias,
como o processo especial de execução, a impenhorabilidade dos seus
bens, o juízo privativo, prazos dilatados em juízo e duplo grau de
jurisdição.

10. CESPE.DELEGADO.PB.2009. Considere a seguinte situação


hipotética. O município de João Pessoa pretende receber o Imposto
Sobre Serviços (ISS) da INFRAERO, empresa pública federal que
presta serviço público aeroportuário em regime de monopólio, em face
dos serviços prestados, sobre os quais não incide ICMS. Nessa
situação, a pretensão do município deve ser atendida, já que a
imunidade recíproca não atinge as empresas públicas, mas apenas a
administração direta da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios, bem como as suas autarquias e fundações públicas.

11. CESPE.DELEGADO.AC.2008. Uma empresa pública do Acre


integra a administração pública estadual, mas não integra o governo
estadual.

12. MP.ES.2010.CESPE. A As pessoas qualificadas como


organizações sociais, às quais incumbe a execução de serviços
públicos em regime de parceria com o poder público, formalizado por
contratos de gestão, devem ter personalidade jurídica de direito
privado e não podem ter fins lucrativos.
13.( CESPE - 2010 - ABIN - OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA -
ÁREA DE DIREITO) No que concerne à administração pública, julgue o
item a seguir.

Embora, em regra, os órgãos públicos não tenham personalidade jurídica, a


alguns órgãos é conferida a denominada capacidade processual, estando
eles autorizados por lei a defender em juízo, em nome próprio,
determinados interesses ou prerrogativas.

14.( INSTITUTO CIDADES - 2010 - AGECOM - Analista de Gestão


Administrativa – Advogado) São características dos órgãos públicos,
EXCETO:

a) Alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira.

b) Possuem patrimônio próprio.

c) Não têm capacidade para representar em juízo a pessoa que integram.

d) Não possuem personalidade jurídica.

e) Alguns possuem capacidade processual para a defesa em juízo de suas


prerrogativas.

15. (TRT.ES.17ªREGIÃO.CESPE.2009) Julgue o item. As sociedades de


economia mista e as empresas públicas que prestam serviços públicos estão
sujeitas ao princípio da publicidade tanto quanto os órgãos que compõem a
administração direta, razão pela qual é vedado, nas suas campanhas
publicitárias, mencionar nomes e veicular símbolos ou imagens que possam
caracterizar promoção pessoal de autoridade ou servidor dessas entidades.

16.( CESPE - 2010 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Juiz) Assinale a opção


correta no que se refere às agências reguladoras e às executivas.
a) Mandato fixo e estabilidade para os dirigentes, que somente perderão o
mandato em caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado
ou de processo disciplinar, são traços específicos das agências reguladoras.

b) As agências executivas, assim como as reguladoras, têm a função


precípua de exercer controle sobre particulares prestadores de serviços
públicos, mas destas se diferenciam porque têm, também, por encargo a
execução efetiva de determinadas atividades administrativas típicas de
Estado.

c) O regime jurídico dos trabalhadores das agências reguladoras é o de


emprego público, regulado pela CLT.

d) A qualificação como agência executiva de autarquia ou fundação que


tenha celebrado contrato de gestão com o ministério supervisor somente
pode ser efetivada por lei de iniciativa do presidente da República.

e) A agência executiva, como autarquia de regime especial, deve ser


instituída por ato normativo do chefe do Poder Executivo. Nesse ato, devem
ser definidas a organização, as competências e a função controladora que a
agência exercerá sobre os particulares prestadores de serviços públicos.

GABARITO

1. CERTA

2. CERTA

3. ERRADA

4.ERRADA

5. ERRADA

6. ERRADA

7. ERRADA
8. LETRA C
9.ERRADA

10. ERRADA

11. CERTA

12. CERTA

13. CERTA

14. LETRA B

15. CERTA

16. LETRA A