Você está na página 1de 68

DEPARTAMENTO DE SOLOS

E RECURSOS NATURAIS

MATERIAL DE APOIO DE AULAS DIDÁTICAS


FERTILIDADE DO SOLO – FERT108

Luciano Colpo Gatiboni


Paulo Cezar Cassol
Paulo Roberto Ernani

Lages, junho de 2017


APRESENTAÇÃO

O presente material didático tem por objetivo servir de suporte e consulta para
as aulas práticas da disciplina de Fertilidade do Solo (FERT108) do Curso de Agronomia
da Universidade do Estado de Santa Catarina.
O material está separado por assuntos a serem abordados em aula prática.
Embora sigam uma sequência lógica, é possível que nem todos tópicos sejam
executados durante as aulas práticas de um semestre letivo, já que as atividades estão
em maior número do que as aulas práticas previstas no semestre. Também, porque
algumas atividades necessitam de saídas à campo para serem realizadas e são
dependentes de condições meteorológicas e logística adequada.
Esperamos que o material seja de utilidade para os estudantes da disciplina,
ressaltando que é recomendada a leitura das bibliografias citadas ao final de cada tópico
e também empenho em responder os questionamentos de cada tópico.

Os professores
SUMÁRIO

01 – Avaliação da necessidade de adubação das culturas -------------------------------------04


02 – Amostragem de solo e preparo de amostras -----------------------------------------------08
03 – Cargas elétricas do solo e poder tampão ----------------------------------------------------11
04 – Análise de acidez ativa e potencial do solo --------------------------------------------------14
05 – Análise de cálcio, magnésio, manganês e alumínio trocáveis - -------------------------17
06 – Experimento prático de toxidez de alumínio em plantas ---------------------------------21
07 – Análise da qualidade de calcários (PRNT) ----------------------------------------------------23
08 – Análise de fósforo, potássio, sódio, cobre e zinco disponíveis --------------------------27
09 – Estimativa do teor de argila do solo -----------------------------------------------------------31
10 – Cálculo de CTCef, CTCpH7,0, S, V% e m% --------------------------------------------------------34
11 – Análise de matéria orgânica do solo ----------------------------------------------------------37
12 – Experimento de volatilização de amônia do solo -------------------------------------------39
13 – Análise de boro no solo --------------------------------------------------------------------------42
14 – Análise de ferro potencialmente tóxico para arroz irrigado ----------------------------44
15 – Análise de enxofre disponível no solo --------------------------------------------------------46
16 – Laudos de análise do solo – variações regionais -------------------------------------------48
17 – Amostragem e preparo de amostras para análise de tecido vegetal ------------------51
18 – Métodos de análise de tecido vegetal --------------------------------------------------------54
19 – Princípios de planejamento de experimentos de fertilidade do solo -----------------57
20 – ANEXOS ----------------------------------------------------------------------------------------------60
4

01
AVALIAÇÃO DA NECESSIDADE DE ADUBAÇÃO DAS CULTURAS

1.1 - Importância
A obtenção de produtividades adequadas pelas plantas tem como pressuposto
o fornecimento adequado pelo solo dos nutrientes essenciais para as plantas, na
quantidade adequada e na época correta. A avaliação da necessidade de adubação para
as plantas pode ser feita de várias maneiras, destacando-se: 1) diagnose visual dos
sintomas de deficiência de nutrientes das plantas; 2) realização de experimentos de
resposta das plantas aos nutrientes; 3) análise de solo e análise de tecido vegetal. Cada
método tem vantagens e desvantagens, as quais serão sumarizadas a seguir.

1.2 – Diagnose visual dos sintomas de deficiência de nutrientes das plantas

A deficiência de qualquer um dos nutrientes essenciais desencadeia respostas


fisiológicas das plantas, específicas para cada nutriente. Por consequência, o
agravamento da deficiência se expressa macroscopicamente na forma de um sintoma
anormal em relação a uma planta normal (lesão de tecidos, mudança de cor,
crescimento anormal, etc.). O sintoma é típico para cada nutriente pois,
independentemente da cultura, a função do nutriente é mesma na fisiologia vegetal.
Assim, a diagnose visual é uma ferramenta muito útil para o técnico, pois permite o
diagnóstico imediato, no campo, de um problema nutricional, porém há algumas
desvantagens na ferramenta, descritas abaixo.
- Os sintomas só aparecem num estágio avançado de falta do nutriente, podendo
não haver tempo de recuperação da planta após a reposição do nutriente. Além
disso, deficiências em graus menores não produzem sintomas visíveis, mas já
limitam a produtividade das plantas;

- Embora haja sintomas gerais de deficiência, há especificidades para cada


espécie, exigindo grande treinamento do técnico para o correto diagnóstico;

- Alguns sintomas são confundíveis com ataques de doenças, pragas e desordens


fisiológicas;

- O diagnóstico da deficiência é apenas qualitativo, ou seja, a detecção da


deficiência não informa diretamente sua intensidade, impossibilitando o
5

estabelecimento de doses de fertilizantes recomendadas de acordo com a


intensidade do problema.
Por causa dessas desvantagens, a diagnose visual normalmente é tratada com
uma ferramenta complementar. Como exemplo, abaixo é apresentada uma tabela geral
de sintomas de deficiência em plantas, extraída de Malavolta et al. (1997), mas ressalta-
se que existem tabelas específicas para cada cultura.

Fonte: Malavolta et al. (1997)


6

1.3 – Realização de experimentos de resposta das plantas aos nutrientes


A maneira mais adequada para se definir a necessidade de adubação de uma
cultura em um dado local é a realização de ensaios de resposta aos nutrientes. Nos
ensaios, estabelecem-se tratamentos com doses crescentes (desde zero até doses muito
altas), normalmente de quatro a seis níveis, considerando os preceitos estatísticos de
casualização e repetição. Esses ensaios devem ser realizados preferencialmente à
campo, em parcelas experimentais. Em casos específicos, como de culturas anuais e de
porte pequeno, ensaios de casa-de-vegetação também podem ser realizados. A partir
dos resultados é determinada a dose de nutriente com a melhor resposta das plantas,
no solo testado. Ao se analisar o teor do nutriente no solo e no tecido vegetal naquele
tratamento com o melhor resultado econômico, obtém-se o chamado teor crítico para
aquele local. A partir de então, a análise do solo ou tecido vegetal passa a ser utilizada
para determinar a necessidade de adubação, baseando-se no teor crítico determinado
previamente. É um método que permite determinar com exatidão a quantidade mais
adequada de fertilizantes para as culturas.
Esse é o método mais preciso de se determinar as doses de nutrientes para um
dado solo, porém a grande desvantagem é ser um método trabalhoso e a obtenção de
resultados demora, no mínimo, um ciclo das culturas. Em razão disso, normalmente a
necessidade de adubação é determinada a partir de modelos de resposta, onde tais
experimentos são realizados em alguns tipos de solos mais representativos de uma
região e os resultados são extrapolados para os demais solos. Esses experimentos são
realizados geralmente por instituições de ensino, pesquisa e extensão, os quais reúnem
as informações em modelos de resposta, divulgados na forma de “manuais” de
recomendação de adubação.

1.4 – Análise de solo e de tecido vegetal


As análises de solo e de tecido vegetal são as ferramentas mais utilizadas para a
avaliação da necessidade de adubação das culturas. Exemplos de laudos de análise de
solo e tecido vegetal são mostrados no Anexo 1. Como relatado anteriormente, os
resultados das análises são interpretados de acordo com modelos de resposta,
representados na prática por tabelas de teores críticos médios dos nutrientes (no solo
ou na planta), os quais são previamente estabelecidos para uma região e divulgados na
forma de “manuais” de recomendação de adubação e de calagem. Os teores dos
nutrientes são classificados em faixas de disponibilidade (ex. muito baixo, baixo, médio,
alto, muito alto) e a quantidade de fertilizantes é ajustada de acordo com a classe de
disponibilidade.
Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul contam com um sistema de
recomendação de adubação e de calagem unificado, o qual tem sido construído e
melhorado desde a década de 1950 por diversas gerações de pesquisadores da ciência
7

do solo (CQFS-RS/SC, 2016). Esse sistema de recomendação tem como principal base a
interpretação da análise de solo e, para algumas culturas, também leva em consideração
a análise de tecido vegetal. No Anexo 2 são apresentadas algumas tabelas de
interpretação dos teores de nutrientes, utilizadas pela CQFS-RS/SC (2016).

O sistema usado no RS e SC prevê ser atingida a Máxima Eficiência Econômica


(MEE) da adubação, que geralmente ocorre em aproximadamente 90% da Máxima
Eficiência Técnica (MET). Contudo, a MME varia anualmente em função do preço dos
fertilizantes e do produto colhido e, por isso, ajustes das doses de fertilizantes devem
ser feitos localmente pelo técnico.

1.5 – Questões relacionadas

a) Como diferenciar sintomas de deficiência de nutrientes de outros problemas como


ataque de pragas, doenças e distúrbios fisiológicos?

b) Por que para alguns nutrientes os sintomas de deficiência ocorrem em folhas ou


órgãos jovens da planta, enquanto para outros ocorre nas folhas ou órgãos mais velhos
da planta?

c) Faça um comparativo, apontando as particularidades de sintomas de deficiência para


as culturas da soja e milho, em relação aos sintomas gerais (para todas as plantas).

d) Como ocorreu a evolução das recomendações de adubação e calagem para os estados


do RS e SC? (Ver capítulo 1, CQFS-RS/SC, 2016).

1.6 – Bibliografia recomendada

BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.

MALAVOLTA, E.; VITTI, G.C.; OLIVEIRA, S.A. Avaliação do estado nutricional das plantas.
Princípios e aplicações. POTAFOS: Piracicaba-SP. 1997. 319 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
8

02
AMOSTRAGEM DE SOLO E PREPARO DE AMOSTRAS

2.1 - Importância

A amostragem do solo é uma das fases mais críticas de um programa de


adubação, pois todo o sistema se baseia no resultado da análise para recomendar
corretivos e fertilizantes. Assim, uma amostragem errônea pode resultar em erros
grosseiros na avaliação da disponibilidade de nutrientes no solo e recomendação de
fertilizantes. Apenas uma pequena amostra do solo é usada para representar uma
quantidade de solo muito grande no campo. Por exemplo, uma área de 20 hectares tem
aproximadamente 40 milhões de quilogramas de solo na camada de 0-20cm e essa
quantidade de solo pode ser representada por uma única amostra de 0,5 kg de solo a
ser remetida ao laboratório de análises. Contudo, o laboratório analisa não mais do que
50 gramas do solo da amostra; por isso, a obtenção de uma amostra representativa da
área é muito importante para que o resultado analítico guarde relação com a gleba
amostrada.

Para garantir a representatividade das amostras, alguns procedimentos e


cuidados devem ser adotados. Destacam-se a necessidade de subdividir a área em
glebas homogêneas e coletar subamostras em diversos pontos distribuídos nas glebas.
Outro fator importante a ser ressaltado é que se deve respeitar a profundidade de
amostragem, a qual é diferente dependendo da cultura utilizada e do sistema de manejo
do solo. Detalhes do procedimento de amostragem podem ser consultados no capítulo
3 do Manual de Calagem e Adubação (CQFS-RS/SC, 2016).

2.2 – Material necessário


a) Trado (tipo rosca, calador ou holandês) ou pá de corte (pá reta);
b) Balde de 10 litros;
c) Embalagens (saco plástico);
d) Caneta tipo marcador permanente (ou etiquetas + lápis);
e) régua de 20 cm;
f) faca de mesa.
9

2.3 – Procedimento de coleta

a) Subdividir a área em glebas homogêneas, considerando-se o uso do solo atual e


anterior, a declividade, adubações anteriores, textura, cor e profundidade do solo.
Elaborar um croqui representativo;
b) Coletar de 10 a 20 subamostras em pontos distribuídos dentro de cada gleba através
de caminhamento em zig-zag, evitando amostrar em manchas (acúmulo de estrumes
animais, resíduos culturais, locais erodidos ou sulcos de erosão, depósitos de calcário,
locais de manobras de máquinas);
c) Coletar as subamostras na profundidade indicada para a cultura ou sistema de
manejo, tendo cuidado para recolher a mesma quantidade de solo em todo o perfil
amostrado. Todas as subamostras de uma gleba, as quais comporão uma amostra
composta, devem ser colocadas dentro do balde;
d) Misturar as subamostras dentro do balde, desmanchando os torrões e removendo
restos vegetais, raízes e cascalho;
e) Após homogeneização no balde, retirar uma amostra de aproximadamente 0,5 kg e
transferir para uma embalagem plástica identificada com etiqueta ou marcador
permanente;
f) Remeter imediatamente para o laboratório ou, em caso de impossibilidade, a amostra
deve ser seca à sombra.
Obs. Para o laboratório podem ser necessárias informações adicionais para registro da
amostra (ex. matrícula da área, área da gleba e coordenadas geográficas). Para o
técnico, é conveniente também registrar informações que podem ser úteis no
momento da interpretação da análise (profundidade de coleta, manejo, calagem e
adubações recentes, observações relevantes, etc.).

2.4 – Preparo das amostras de solo para análise


a) Secar o solo em estufa com circulação de ar em temperatura de 40 a 65 ºC;
b) Moer o solo em moinho mecânico ou com rolo manual sobre placa de borracha;
c) Peneirar o solo em malha de 2mm;

d) Armazenar o solo fechado, em saco plástico ou pote plástico com tampa.


10

2.5 – Questões relacionadas


a) Quais as profundidades recomendadas para coleta de solos em culturas de grãos em
plantio direto e em cultivo convencional? E para os demais grupos de culturas?

b) Se uma cultura é adubada na linha de semeadura, o que acontece com a variabilidade


espacial? Qual o procedimento para coleta neste caso?

c) Por que se convenciona que uma hectare possui dois milhões de quilogramas na
camada de 0-20 cm de profundidade?

d) Se uma cultura frutífera perene é adubada em faixas, como deve ser feita a
mostragem do solo? E se a cultura recebeu adubação em covas?

2.6 – Bibliografia recomendada


CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
11

03
CARGAS ELÉTRICAS E PODER TAMPÃO DO SOLO

3.1 - Importância

As cargas elétricas do solo são a principal propriedade química do solo e sobre


ela se constrói toda a dinâmica dos nutrientes e elementos tóxicos no solo. Elas são
responsáveis pela retenção e armazenamento dos nutrientes, impedindo que os
mesmos sejam lixiviados pela água da chuva. O complexo de cargas é responsável
também pela liberação gradativa e reposição dos nutrientes armazenados na fase sólida
para a solução do solo, propriedade conhecida como poder tampão do solo. O número
de cargas negativas do solo é representado pela CTC, enquanto o número de cargas
positivas é representado pela CTA. Em solos de cargas variáveis, como a maior parte dos
solos brasileiros, a CTC do solo pode ser modificada pela variação do pH do solo, sendo
a prática da calagem útil não só para inativar o alumínio tóxico, como também para
aumentar a CTC do solo.

3.2 – Verificação de cargas elétricas do solo

3.2.1 – Material necessário


a) Fonte de corrente contínua de 9 ou 12 volts (pilhas ou bateria de carro/motocicleta);
b) Diferentes solos, preferencialmente com ampla variação de CTC e diferentes pH;
c) Fio elétrico paralelo, 1 a 2mm, bicolor (2 metros);
d) Beckers de 250 mL;
e) Água destilada;
f) Bastão de vidro;
g) Toalha de papel

3.2.2 – Procedimento

a) Colocar as diferentes amostras de solo em beckers de 250 mL e adicionar água


destilada, homogeneizando com bastão de vidro até obter uma pasta semifluida;
12

b) Desencapar aproximadamente 2 cm da ponta do fio paralelo, separando as duas


hastes do fio por uma extensão de aproximadamente 15 cm;
c) Introduzir a partes desencapadas do fio no solo, deixando o mais afastado possível
uma da outra;
c) Conectar as outras extremidades do fio aos polos da bateria. Aguardar de 5 a 10
minutos, retirar as hastes do solo e observar os resultados.

3.3 – Verificação do poder tampão do solo

3.3.1 – Material necessário


a) 50 mL de cada uma das seguintes soluções: ___, ___, ___ e ___ mg/L de P;
b) Oito funis de vidro;
c) 13 tubos falcon de 15mL em rack;
d) papel toalha;
e) Três micropipetas (de 0,1-1mL, 1-5mL e 5-10mL);
f) 100 copos de cafezinho;
g) Dois solos com textura contrastantes;
h) cachimbo de solo de 2,5 cm3;
i) Solução de p-nitrofenol 1% (1 gt por amostra);
j) Solução de NaOH 10 mol/l (1-2 gt por amostra);
k) Solução B de Murphy & Riley para análise de P (0,5 mL por amostra);
l) Espectrofotômetro de absorção molecular + 2 cubetas;
m) discos de papel filtro quantitativo faixa branca (15 discos);
n) duas pissetas com água destilada.

3.3.2 – Procedimento

a) Montar o aparato composto por funil, filtro e tubo falcon, colocando dentro de cada
filtro 2,5 cm3 de solo (quatro repetições ou subamostras para cada solo);
b) Adicionar vagarosamente sobre o solo 2,5 mL de uma das soluções de P e depois 5
mL de água destilada;
c) Após filtrado, completar o volume no falcon para 10 mL com água destilada;
13

d) Repetir os procedimentos “b” e “c” para cada uma das concentrações de P, usando
para cada concentração uma nova subamostra do solo. Também uma série sem solo
(apenas com as concentrações de P) deve ser realizada;
e) Retirar 1 mL de cada um dos 12 extratos para copos de cafezinho e adicionar 15 mL
de água, 1 gotas de p-nitrofenol e 1 gota de NaOH. Fazer o mesmo procedimento
com uma amostra de água destilada (branco);
f) Adicionar 0,5 mL de solução B de Murphy & Riley e aguardar 15 min. Ler a absorbância
a 660 nm em espectrofotômetro de absorção molecular.

3.4 – Questões relacionadas

a) Por que ocorre aderência do solo a polos específicos de uma bateria e por que o efeito
difere entre solos?

b) As doses de P adicionadas ao solo no experimento de poder tampão corresponderiam


a que doses de P2O5 por hectare?

c) Usando os resultados obtidos no experimento 3.3, discorra sobre o conceito de


“construção da fertilidade do solo” e as implicações do poder tampão do solo neste
processo.

3.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,
2016. 254 p.
MEURER, E.J. Fundamentos de química do solo. 3ª ed. Porto Alegre: Evangraf. 2006. 285
p.
14

04
ANÁLISE DE ACIDEZ ATIVA E POTENCIAL DO SOLO

4.1 - Importância

A acidez do solo é um dos parâmetros químicos do solo de maior importância no


monitoramento da fertilidade do solo. A acidez pode ser dividida em duas porções em
equilíbrio: a acidez ativa e a acidez potencial. A acidez ativa representa a quantidade de
hidrogênios dissolvidos na solução do solo (pH do solo) e a acidez potencial os íons
hidrogênio e alumínio (H+Al) adsorvidos à fase sólida e que podem repor a acidez na
solução do solo. Embora ambas estejam em equilíbrio químico, enquanto a acidez ativa
pode ser neutralizada com algumas grama de calcário por hectare, a acidez potencial
necessita de algumas toneladas de corretivo, sendo que ambas necessitam ser
mensuradas. A acidez ativa é medida pelo pH do solo (medido em água ou em solução
salina) e a acidez potencial é medida pela extração do H+Al adsorvidos às cargas do solo
através de uma solução tamponada à pH 7,5 (Solução SMP). Os valores de pH
determinados em solução salina são cerca de 0,5 unidades mais baixos que os
determinados em água em solos com carga líquida negativa. Em solos com carga líquida
positiva, acontecerá o oposto. Existe correlação altamente significativa entre os valores
do pH determinados em água e em solução salina.

A avaliação do pH do solo é importante, pois valores de pH entre 5,5 e 6,5 são


tidos como os mais apropriados para o desenvolvimento da maioria das espécies
vegetais. Nesta faixa não há impedimentos para atividade microbiana, não há presença
de elementos tóxicos como o alumínio e há maior disponibilidade relativa de todos os
nutrientes essenciais, cujas disponibilidades variam conforme o pH.

A avaliação da acidez potencial do solo também é importante, pois se o pH em


água estiver com valores inferiores aos considerados adequados para as plantas, há
necessidade de corrigir a acidez pela aplicação de um corretivo, como o calcário. O
cálculo da quantidade de calcário necessária para corrigir a acidez do solo é feito a partir
dos valores de acidez potencial do solo.

4.2 – Medida da acidez ativa (pH em água)


4.2.1 – Material necessário
a) medidor de solo de 10 cm3 (cachimbo);
15

b) copinhos de cafezinho;
c) água destilada;
d) pipeta automática de 10 ml;
e) bastão de vidro;
f) papel-toalha;
g) pisseta com água destilada;
h) potenciômetro (pH-metro) previamente calibrado com soluções padrões de pH,
calibrado segundo as recomendações do fabricante do equipamento.

4.2.2 – Procedimento
a) medir duas amostras 10 cm3 de solo para copos descartáveis de cafezinho,
identificados com A (água) e S (sal), respectivamente;
b) adicionar 10 ml de água destilada no copo"A" e 10 ml de solução de CaCl2 0,01 M no
copo "S" e agitar com bastão de vidro;
c) aguardar 20 minutos, agitar novamente com bastão de vidro e imediatamente inserir
o eletrodo do pH-metro na amostra, anotando a leitura do pH em água;
d) reservar a amostra de solo+água (A) para a análise de acidez potencial.

4.3 – Medida da acidez potencial (Índice SMP)


4.3.1 – Material necessário
a) amostra de solo+água utilizada para medida da acidez ativa;
b) solução SMP (ver descrição da solução em CQFS-RS/SC, 2016);
d) pipeta automática de 5 ml;
e) bastão de vidro;
f) papel-toalha;
g) pisseta com água destilada;
h) potenciômetro (pH-metro) previamente calibrado com soluções padrões de pH,
calibrado segundo as recomendações do fabricante do equipamento.

4.3.2 – Procedimento
16

a) adicional 5 ml de solução SMP sobre a amostra de solo+água onde se mediu o pH em


água e agitar com bastão de vidro;
b) aguardar 15 minutos, agitar com bastão de vidro e imediatamente inserir o eletrodo
do pH-metro na amostra, anotando a leitura do pH-SMP.
c) converter a leitura do pH-SMP em valores de H+Al pela seguinte fórmula:

H+Al (cmolc/dm3) = [e(10,665 – 1,1483*SMP)]/10

4.4 – Questões relacionadas

a) Alguns estados do Brasil realizam a medida da acidez ativa em uma solução salina
(CaCl2 0,01 mol l-1) ao invés de realizar a medida em água, como é o procedimento
utilizado no RS e SC. Por que a medida pode ser feita de ambas maneiras e que
diferenças pode-se encontram em termos de resultados e quais as vantagens de um ou
outro procedimento?

b) Por que a acidez potencial do solo precisa ser medida por uma solução tamponada?

c) Faça um gráfico esquemático mostrando variação da disponibilidade relativa dos


nutrientes essenciais e do alumínio com a variação do pH do solo de 4,0 até 8,0.

d) Dois solos com o mesmo valor de pH em água podem apresentar necessidade de


calagem diferentes? Explique.

4.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,
2016. 254 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
17

05
ANÁLISE DE CÁLCIO, MAGNÉSIO, MANGANÊS E ALUMÍNIO
TROCÁVEIS

5.1 - Importância

Além de serem nutrientes essenciais para as plantas, o Cálcio (Ca) e Magnésio


(Mg) fazem parte das “bases trocáveis” do solo, juntamente com o Potássio (K) e sódio
(Na), sendo utilizados para o cálculo da soma de bases (S) e saturação por bases (V%). A
maior parte da S e V% são devidas ao Ca e Mg e enquanto eles são expressos no laudo
de análise em cmolc/dm3, K e Na são expressos em mg/dm3, indicando que os dois
primeiros normalmente estão em quantidades muito maiores que os dois últimos. O Ca
e Mg são adsorvidos eletrostaticamente nas cargas do solo, mas mantém equilíbrio com
menores quantidades na solução do solo, sendo denominados Ca trocável e Mg
trocável. O Mn é micronutriente essencial para as plantas e está em pequenas
quantidades no solo, exceto em solos muito ácidos, onde pode estar presente em
quantidades tóxicas para as plantas. Já o alumínio (Al) não é nutriente para as plantas,
porém pode ser absorvido e provocar efeitos tóxicos severos, principalmente pela
inibição do crescimento radicular. O Al é retido pelas cargas negativas do solo, estando
em equilíbrio com o Al da solução do solo e, por isso, denominado Al trocável. O
alumínio trocável é um dos componentes da acidez potencial.

A análise de Ca, Mg, Mn e Al trocáveis é importante pois, juntamente com a


avaliação da acidez ativa e potencial, são utilizados para cálculo dos parâmetros
necessários para interpretar o nível de acidez do solo, existência de alumínio em níveis
tóxicos e, assim, avaliar a necessidade da correção da acidez. Além disso, há a
interpretação direta dos teores de Ca, Mg e Mn segundo os teores críticos para as
diferentes culturas (Anexo 2).

5.2 – Material necessário


a) medidor de solo de 2,5 cm3 (cachimbo);
b) snap-cap de 100 mL com tampa;
c) solução extratora (KCL 1,0 mol/l)
d) solução indicadora azul de bromotimol 0,1% ou fenolftaleína 1%;
e) solução NaOH 0,0125 mol/l;
18

f) solução de SrCl2 0,3%;


g) solução de HCl 0,1 mol/l;
h) dispensador de líquidos de 50 ml;
i) pipetas automáticas de 5 e 10 ml;
j) erlenmeyers de 100 ml;
k) agitador magnético;
l) bureta digital;
m) espectrofotômetro de absorção atômica.

5.3 – Procedimento
a) medir 2,5 cm3 de solo para frasco snap-cap de 100 ml;
b) adicionar 50 ml de solução extratora KCl 1 mol/l (**);
c) tampar o frasco e agitar na horizontal por 30 minutos em agitador reciprocante;
d) deixar decantar por 16 horas;
e) retirar 25 ml de sobrenadante para erlenmeyer de 100 ml para análise de Al;
f) retirar 5 ml de sobrenadante para copo de cafezinho “1” para análise de Ca e Mg;
g) retirar 5 ml de sobrenadante para copo de cafezinho “2” para análise de Mn;

** fazer prova em branco

5.3.1 – Análise de Alumínio trocável


a) adicionar 3 gotas de indicador (fenolftaleína ou azul de bromotimol) ao erlenmeyer;
b) titular com NaOH 0,0125 mol/l até observar o ponto de viragem.

Al3+ (cmolc/dm3) = (ml NaOHamostra – ml NaOHbranco) x M NaOH x 100 x 2


2,5

5.3.2 – Análise de Cálcio e Magnésio trocáveis


a) adicionar 25 ml de água destilada ao copinho de cafezinho “1”;
b) retirar 5 ml do copinho anterior para novo copinho de cafezinho “3”;
c) adicionar 5 ml de solução SrCl2 0,3% ao copinho de cafezinho “3”;
19

d) transferir 5 ml de solução do copinho de cafezinho “3” para o “4”;


e) adicionar 10 ml de água destilada no copinho de cafezinho “4”;
f) usando o espectrofotômetro de absorção atômica (EAA), determinar cálcio no
copinho de cafezinho “3” e magnésio no copinho de cafezinho “4”;

Ca2+ (cmolc/dm3) = (CaEAA(mg/l) x 50/2,5 x 30/5 x 10/5


200

Mg2+ (cmolc/dm3) = (MgEAA(mg/l) x 50/2,5 x 30/5 x 10/5 x 15/5


121,5

5.3.3 – Análise de Manganês trocável


a) adicionar 5 ml HCl 0,1M ao copinho de cafezinho “2”;
f) usando o espectrofotômetro de absorção atômica (EAA), determinar Mn no copinho
de cafezinho “2”.

Mn2+ (cmolc/dm3) = (MnEAA(mg/l) x 50 x (5 + 5)_


2,5 5

5.4 – Questões relacionadas

a) Quais os teores críticos de Ca e Mg para as plantas no âmbito da CQFS-RS/SC ?

b) Você foi para outra região do Brasil e, ao interpretar uma análise de solo, observou
unidades diferentes. Uma análise, por exemplo, apresentava 343 mg/dm3 de Ca e 87
mg/dm3 de Mg. Converta esses valores para cmolc/dm3.
20

c) Por que a possibilidade de toxidez de alumínio é mais bem avaliada observando-se o


valor de saturação por alumínio (m%) do que pelo teor absoluto de alumínio?

d) Por que a toxidez de alumínio deixa de ser importante em solos com pH maiores que
5,5?

e) Por que o alumínio é considerado como um componente da acidez? Demonstre as


reações químicas que ocorrem com o íon alumínio na água e mostra também as reações
químicas de dissolução do calcário (CaCO3) e da correção da acidez por este material.

5.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.

CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e


Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,


2016. 254 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
21

06
EXPERIMENTO PRÁTICO DE TOXIDEZ DE ALUMÍNIO EM PLANTAS

6.1 - Importância

O alumínio afeta rapidamente o crescimento radicular das plantas. Exceto as


plantas com maior tolerância, a existência de Al na solução do solo impede o
crescimento radicular desde a germinação das plantas, podendo comprometer
severamente o desenvolvimento das plantas.

6.2 – Material necessário


a) tubos de ensaio com 10 mm de diâmetro e 300 mm de altura;
b) sementes de milho pré-germinadas em papel germtest na posição vertical por 4 dias
(início da emissão da radícula);
c) soluções de Al(Cl)3 nas concentrações: ___, ____, ____, ____, ____ e _____ mmol/l;
d) bomba de aquário, registros e mangueiras para sistema de aeração;
e) rolo de algodão hidrófilo (comum em farmácias);
f) rack de suporte dos tubos com câmara escura.

6.3 – Procedimento
a) adicionar cada uma das soluções nos tubos de ensaio, deixando o nível 3 cm abaixo
da borda do tubo;
b) insirir o sistema de aeração em cada tubo;
c) cortar o algodão em tiras (40 x 10 mm) e enrole a tira em volta da semente de milho;
d) encaixar o algodão no topo do tubo de ensaio, cuidando para a radícula ficar para
baixo;
e) com algodão, fazer um fio que fique em contato com a solução do tubo, montando
um sistema que mantenha a semente úmida por capilaridade;
f) colocar os tubos no rack, cuidando para a solução ficar em ambiente escuro;
22

g) ligar o sistema de aeração, regulando a altura das mangueiras para que todos tubos
sejam borbulhados na mesma intensidade;
h) conferir diariamente o nível da solução, repondo se for necessário;
i) medir o comprimento de raízes diariamente durante sete dias.

6.4 – Questões relacionadas


a) Quais as modificações morfológicas nas raízes são desencadeadas pela toxidez de
alumínio e como verificar isso em uma lavoura à campo?

b) Que estratégias uma planta pode desenvolver para tolerar a presença do alumínio no
solo?

6.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,


2016. 254 p.
23

07
ANÁLISE DA QUALIDADE DE CALCÁRIOS (PRNT)

7.1 - Importância

A capacidade dos calcários em corrigir a acidez varia conforme a qualidade do


produto. Dois fatores principais afetam: a qualidade química do calcário, que indica sua
capacidade em neutralizar um ácido e é medida pelo Valor de Neutralização (VN) e a
qualidade física do calcário, medida pela eficiência relativa (ER), onde a granulometria
do corretivo indica a velocidade com que o ocorrerá a dissolução do calcário no solo.
Assim, enquanto VN é dependente da quantidade de óxidos/hidróxidos e carbonatos de
Ca e Mg presentes no material, a ER é dependente apenas do grau de moagem realizado
pelo fabricante. A qualidade final do calcário é dada pelo PRNT (poder relativo de
neutralização total), o qual é calculado através do produto entre VN e ER.

7.2 – Material necessário

a) conjunto de peneiras ABNT nº 10, 20 e 50, com diâmetros de furos de 2,0, 0,84 e 0,30
mm, respectivamente, além de um fundo de peneira;
b) balança com sensibilidade para 0,1 g;
c) erlenmeyers de 125 ml;
d) solução de HCl 1 mol/l;
e) solução de NaOH 0,5 mol/l;
f) solução indicadora fenolftaleína 1%;
c) banho maria ou chapa de aquecimento ajustada para 90°C;
g) bureta automática;
h) agitador magnético;
i) dispensador de líquidos;
24

7.3 – Procedimento
7.3.1 – Determinação da eficiência relativa (ER)

a) Pesar 100,0 g de calcário previamente homogeneizado;

b) Colocar no jogo de peneiras (na ordem: 10, 20, 50 e fundo de peneira) e peneirar com

movimentos circulares por 3 a 5 minutos;

c) Pesar cada uma das frações de calcário retidas em cada uma das peneiras.

d) Calcular a eficiência relativa (%) considerando o índice de eficiência de cada fração,

conforme quadro abaixo:

A B
Peneira Índice de eficiência Peso do calcário AxB
(IE) (gramas)
ABNT 10 0,00

ABNT 20 0,20

ABNT 50 0,60

Fundo 1,00

Eficiência relativa -
ER (soma):

COMENTARIO: O índice de eficiência percentual de cada fração de calcário é


considerada para um período médio de 3-5 anos. Isto significa que ao redor de 20% e
60% do total que ficou nas peneiras números 20 e 50 reagirão neste período. O que ficou
na peneira numero 10 não reagira durante este período e o que passou em todas as
peneiras reagira completamente.

7.3.2 – Determinação do valor de neutralização (VN)

a) Pesar 1,00 g de calcário fino (que passou em todas as peneiras) e colocar em

erlenmeyer de 125 ml;

b) adicionar 25 ml de HCl 1,0 mol/l;


25

c) aquecer por 30 minutos em banho-maria a 900C ou ferver por 5 minutos em chapa de

aquecimento;

e) deixar em repouso por 10 minutos para diminuição da temperatura;

f) adicionar 3 gotas de fenolftaleína 1%;

g) titular com NaOH 0,5 mol/l até aparecimento de cor rosa persistente por 20 segundos.

Valor de neutralização - VN (%) = [(mol HCl x Vol HCl) – (mol NaOH x Vol NaOH)] x 5
gramas de amostra

7.3.3 – Cálculo do Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT)

O PRNT é calculado conforme a equação abaixo:

PRNT (%) = ER x VN
100

Os calcários agrícolas são classificados por faixas:


- Faixa A: PRNT entre 45 e 60%
- Faixa B: PRNT entre 60,1 e 75%
- Faixa C: PRNT entre 75,1 e 90%
- Faixa D: PRNT maior que 90%
26

7.4 – Questões relacionadas


a) Um calcário pode apresentar PRNT maior que 100%?

b) Qual o efeito do Ca e Mg do calcário sobre a correção da acidez do solo?

c) Quais as diferenças entre calcário agrícola e gesso agrícola?

d) Que tipo de calcário você recomendaria para um produtor que iria implantar um
pomar de pessegueiros e após a implantação não terá como incorporar calcário pelos
próximos 20 anos?

7.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,
2016. 254 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
27

08
ANÁLISE DE FÓSFORO, POTÁSSIO, SÓDIO, COBRE E ZINCO
DISPONÍVEIS

8.1 - Importância

O fósforo (P) e potássio (K) são macronutrientes primários, os quais, juntamente


com o nitrogênio, compõem a base principal de um programa de adubação. Já o sódio
é importante para monitoramento de áreas sujeitas ao excesso de sais, como os solos
pouco intemperizados, ou em áreas onde são aplicados resíduos agroindustriais
contendo sódio.

O fósforo é encontrado no solo na forma do ânion fosfato (PO4-3), realizando


ligações químicas fortes com os constituintes do solo (complexos de esfera interna) e,
por consequência, grande parte do fósforo do solo está em formas indisponíveis para as
plantas. Por causa disso, é difícil selecionar uma metodologia analítica que consiga
extrair apenas o fósforo que pode ser dessorvido do solo e ser absorvido pelas plantas.
Nos estados do RS e SC, o método oficial é o método de Mehlich-1, mas estão em curso
vários estudos com objetivo de substituir esse método oficial pelo Mehlich-3, o que
diminuiria os problemas observados em solos com aplicação de fosfato natural e
possibilitaria a análise de vários nutrientes ao mesmo tempo, já que o Mehlich-3 é um
método multielementar. O potássio e sódio disponíveis para as plantas ficam retidos no
solo principalmente por interações eletrostáticas (complexos de esfera externa) e são
facilmente extraíveis com a solução de Mehlich-1.

Os micronutrientes catiônicos essenciais para as plantas são cobre (Cu), zinco


(Zn), ferro (Fe), manganês (Mn) e níquel (Ni). Normalmente a análise de Ni não é
realizada em função de ser um micronutriente exigido em tão pequenas quantidades
que é improvável a ocorrência de sua deficiência no solo e necessidade de adubação. A
análise de cobre e zinco no solo é feita no extrato de mehlich-1 e é importante o
monitoramento para verificar possíveis deficiências ou excessos de Cu e Zn. Zinco é um
elemento normalmente requerido em maior quantidade por gramíneas e que tem
problemas de precipitação do P na solução do solo. Já para cobre, além de deficiências,
pode ocorrer excessos em áreas com aplicação excessiva de dejetos de animais e em
áreas com uso de fungicidas cúpricos por longos períodos (ex. calda bordalesa). O Mn é
extraído por KCl e já foi abordado no capítulo 5.
28

8.2 – Material necessário

a) medidor de solo de 3,0 cm3 (cachimbo);


b) tubo falcon de 50 ml com tampa ou erlenmeyer de 125 ml;
c) solução extratora “A” de Mehlich-1 (H2SO4 0,0125 mol/l + HCl 0,05 mol/l)
d) solução “B” de Mehlich (HCl 0,87 mol/l + (NH4)6Mo7O24.4H2O 0,38%);
e) solução “C” de Mehlich (Ácido ascórbico 20%);
f) agitador orbital;
g) dispensador de líquidos de 30 ml;
h) pipetas automáticas de volume variável (1-5 ml e 5-10 ml);
i) copos de cafezinho;
k) espectrofotômetro de absorção molecular (colorímetro);
l) espectrofotômetro de emissão atômica (fotômetro de chama);
m) espectrofotômetro de absorção atômica.

8.3 – Procedimento de extração


a) medir 3,0 cm3 de solo para tubo falcon de 50 ml ou erlenmeyer de 125 ml;
b) adicionar 30 ml de solução extratora “A” de mehlich-1;
c) agitar por 5 minutos em agitador orbital;
d) deixar decantar por 16 horas;
e) retirar 3 ml de sobrenadante para copinho de cafezinho “1” para análise de P;
f) retirar 6 ml de sobrenadante para copo de cafezinho “2”para análise de K e Na;
g) retirar 10 ml de sobrenadante para copo de cafezinho “3”para análise de Cu e Zn;

8.3.1 – Análise de fósforo


a) adicionar 3 ml de solução “B” de Mehlich-1 no copinho de cafezinho “1”;
b) adicionar 3 gotas da solução “C” de Mehlich-1;
c) aguardar 15 minutos e medir a absorbância (ABS) no espectrofotômetro de absorção
molecular em 660 nm **.

** fazer curva de calibração do aparelho usando concentrações de fósforo conhecidas.


29

Curva de calibração:
Concentração de P (mg/l) Absorbância (ABS)
(x) (y)

Equação( y=a+bx):

P (mg/dm3) = (ABS amostra) x 30 x 3+3


b 3 3

8.3.2 – Análise de potássio e sódio trocáveis

a) determinar o teor de K e Na no copinho de cafezinho “2” usando o espectrofotômetro


de emissão atômica **;
** não é necessária curva de calibração além das soluções padrão usadas para regular o aparelho.

K (mg/dm3) = leitura x 30 Na (mg/dm3) = leitura x 30


3 3

8.3.3 – Análise de cobre e zinco trocáveis

a) usando o espectrofotômetro de absorção atômica (EAA), determinar cobre e zinco no


copinho de cafezinho “3”;

Cu (mg/dm3) = leitura x 30 Zn (mg/dm3) = leitura x 30


3 3
30

8.4 – Questões relacionadas


a) Por que em solos com uso de fosfatos naturais pode ocorrer imprecisão da análise
realizada com o método Mehlich-1? Por quantos anos após a aplicação dos fosfatos
naturais esse efeito perdura?

b) Quais os nutrientes que podem ser analisados no extrato do método Mehlich-3?

c) Se foi realizada a análise por Mehlich-3 (solicitação do usuário), como podem ser
transformados os dados para que sejam corretamente interpretados?

8.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
31

09
ESTIMATIVA DO TEOR DE ARGILA DO SOLO

9.1 - Importância

A estimativa do teor de argila do solo é importante porque afeta diretamente a


quantidade de fósforo extraída pelo método Mehlich-1. Quanto mais argiloso o solo,
maior é a readsorção de fósforo durante a fase de sedimentação do solo e obtenção do
sobrenadante e, portanto, menor é a quantidade de fósforo determinada pelo método
de Mehlich-1 (capítulo 8). Devido a este problema, o manual de calagem e de adubação
do RS e SC classifica o teor de fósforo considerando quatro grupos de teor de argila do
solo (<20%, 21-40%, 41-60% e >60% de argila).

9.2 – Material necessário


a) medidor de solo de 10 cm3 (cachimbo);
b) frascos snap-cap de 100 ml;
c) solução de NaOH 0,167 mol/l;
d) pipetas automáticas de 15 ml;
e) esfera de vidro (bola de gude);
f) agitador reciprocante;
g) dispensador de líquidos de 50 ml;
h) densímetro ARBA com escala de 1.000 a 1.100;
i) recipientes de leitura (tubos de PVC com 275 mm de altura e 20 mm de diâmetro, com
cap em um dos lados).

9.3 – Procedimento
a) medir 10 cm3 de solo para snap-cap;
b) adicionar 15 ml de NaOH 0,167 mol/l;
c) deixar em repouso por 16 horas;
d) adicionar 50 ml de água destilada e uma esfera de vidro ao snap-cap;
32

e) agitar por duas horas em agitador reciprocante;


f) transferir imediatamente o sobrenadante para os recipientes de leitura;
g) aguardar 90 minutos para sedimentação das partículas maiores e medir a densidade
usando o densímetro.
h) transformar a leitura em teor de argila pela tabela abaixo, corrigindo a temperatura,
caso necessário.

(fonte: Tedesco et al., 1995)


33

9.4 – Questões relacionadas


a) Por que o método descrito tem como resultado apenas uma “estimativa” do teor de
argila do solo?

b) Em que tipo de solo a estimativa pode ter um erro maior em relação ao valor real, em
solos arenosos ou argilosos? Por quê?

c) Quais as diferenças entre a estimativa do teor de argila do solo descrita aqui e a


análise da textura do solo exigida pela legislação brasileira para acesso ao financiamento
e seguro agrícola?

9.5 – Bibliografia recomendada

CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e


Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
34

10
CÁLCULO DE CTC EFETIVA (CTCef), CTC POTENCIAL (CTCpH7,0),
SOMA DE BASES (S), SATURAÇÃO POR BASES (V%) E SATURAÇÃO
POR ALUMÍNIO (m%)

10.1 - Importância

A estimativa do tamanho do complexo de troca dos solos e a quantidade relativa


de cátions que ocupam as cargas negativas do solo são parâmetros importantes para a
interpretação da análise do solo e para relativizar o conteúdo de cátions básicos (K, Na,
Ca, Mg) e alumínio (Al) em relação à capacidade de armazenamento de cátions do solo.
A CTC efetiva do solo (CTCef) é a capacidade de reter cátions do solo no pH atual do solo
(pH determinado na análise), enquanto a CTC potencial (CTCpH7,0) é aquela que seria
atingida pelo aumento das cargas negativas variáveis se o pH do solo fosse aumentado
até 7,0. A soma de bases é o somatório dos cátions básicos (K, Na, Ca e Mg) e a saturação
por bases (V%) é a percentagem que esses cátions básicos representam em relação à
CTCpH7,0 do solo. Já a saturação por alumínio (m%) é a percentagem de alumínio na CTCef
do solo. Todos esses parâmetros são obtidos a partir de cálculos, conforme abaixo.

10.2 – Material necessário


a) resultados de Ca, Mg, Al, K, Na, Al e índice SMP da amostra de solo.

10.3 – Procedimento
a) CTC efetiva:

CTCef (cmolc/dm3) = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+ + Al+3

Obs: todos os valores deve estar em cmolc/dm3. Normalmente K e Na são expressos na análise em
mg/dm3. Para transformar K em mg/dm3 para cmolc/dm3, dividir o valor por 391; para transformar
Na, dividir o valor por 230. Caso o Na não tenha sido analisado, o mesmo pode ser ignorado no cálculo.
35

b) CTC potencial:

CTCpH7,0 (cmolc/dm3) = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+ + (H+ + Al+3)

Obs: (H+Al) é a acidez potencial do solo, calculada a partir do índice SMP pela fórmula:
H+Al(cmolc/dm3)= e (10,665 – (1,1483*SMP))/10

c) Soma de bases (valor S):

S (cmolc/dm3) = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+

Obs: todos os valores deve estar em cmolc/dm3. Normalmente K e Na são expressos na análise em
mg/dm3. Para transformar K em mg/dm3 para cmolc/dm3, dividir o valor por 391; para transformar
Na, dividir o valor por 230. Caso o Na não tenha sido analisado, o mesmo pode ser ignorado no cálculo.

d) Saturação por bases (V%):

V% = S x 100
CTCpH7,0

e) Saturação por alumínio (m%):

m% = Al x 100
CTCef

10.4 – Questões relacionadas

a) Por que a saturação por bases é calculada em relação à CTCpH7,0 e a saturação por
alumínio é calculada em relação à CTCef?
36

b) Por que para transformação de potássio de mg/dm3 para cmolc/dm3 o fator é 391 e
para sódio é 230?

c) Quais os valores de referência para saturação por bases e por alumínio nos solos do
RS e SC?

d) Por que a disponibilidade de potássio das plantas no RS e SC deve ser interpretada


levando em consideração diferentes classes de CTCpH7,0?

10.5 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
37

11
ANÁLISE DE MATÉRIA ORGÂNICA DO SOLO

11.1 - Importância

O teor de matéria orgânica dos solos agrícolas do sul do Brasil pode variar
bastante, mas geralmente se encontra entre 1 e 7%. Fatores como clima, tipo de solo,
manejo do solo, entre outros afetam os teores de MO. A MO é importante pois afeta
diretamente a CTC do solo, o teor da maioria dos micronutrientes e, principalmente,
afeta diretamente a disponibilidade de nitrogênio para as plantas.

11.2 – Material necessário


a) medidor de solo de 1,5 cm3 (cachimbo);
b) erlenmeyer de 50 ml;
c) solução sulfocrômica (Na2Cr2O7 15% em H2SO4 5,0 mol/l)
d) pipetas automáticas de volume variável (1-5 ml e 5-10 ml);
e) banho-maria;
f) agitador orbital;
g) espectrofotômetro de absorção molecular (colorímetro).

11.3 – Procedimento de extração


a) medir 1,5 cm3 de solo para erlenmeyer de 50 ml;;
b) adicionar 15 ml de solução sulfocrômica;
c) aquecer em banho-maria a 80° C por 30 minutos;
d) agitar por 5 minutos em agitador orbital e deixar decantar por 16 horas;
e) retirar 3 ml de sobrenadante para copinho de cafezinho;
f) adicionar 3 mL de água;
g) medir a absorbância no espectrofotômetro de absorção molecular em 645 nm **.
** fazer curva de calibração do aparelho usando concentrações de carbono conhecidas.
38

Curva de calibração:
Concentração de MO (%) Absorbância (ABS)
(x) (y)

Equação ( y=a+bx):

Obs: Se a curva foi feita com carbono, fazer conversão


usando a fórmula MO = C x 1,724

MO (%mg/dm3) = (ABS amostra) x 15 x 3+3


b 1,5 3

11.4 – Questões relacionadas

a) Por que a adubação nitrogenada para as culturas é ajustada conforme o teor de


matéria orgânica do solo?

b) Por que na conversão de carbono orgânico para matéria orgânica se usa um fator
multiplicativo de 1,724?

11.5 – Bibliografia recomendada

BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.

CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e


Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
39

12
EXPERIMENTO DE VOLATILIZAÇÃO DE AMÔNIA DO SOLO

12.1 - Importância

O principal adubo nitrogenado utilizado no Brasil é a ureia em função do menor


custo do fertilizante. Contudo, esse fertilizante é muito suscetível a perdas de nitrogênio
por volatilização de amônia, além de outras perdas. Fatores como umidade do solo,
temperatura e localização do fertilizante afetam diretamente o processo de
volatilização. O conhecimento do ciclo do nitrogênio e os fatores que afetam as perdas
são fundamentais para se obter maior eficiência da adubação nitrogenada.

12.2 – Material necessário


a) garrafas PET de 2 l;
b) bandejas plásticas com solo;
c) ureia;
d) balança;
e) solução indicadora de ácido bórico + verde de bromocresol + vermelho de metila;
f) destilador a vapor semi-micro-kjeldahl;
g) solução de H2SO4 0,025 mol/l;
h) copinhos de cafezinho e suportes de arame;
i) tiras de papel filtro.

12.3 – Procedimento

a) definir com o professor os tratamentos que serão implantados (ex. testemunha sem
N; ureia em solo úmido, ureia em solo seco, ureia em solo seco + irrigação, ureia em
solo seco + orvalho, ureia incorporada, etc.) e anotar na planilha abaixo:
40

Tratamentos:
Código Descrição
T1
T2
T3
T4
T5
T6

b) aplicar os tratamentos e montar os sistemas de coleta conforme indicado na figura


abaixo;

c) substituir a solução indicadora a cada três dias, determinando o N volatilizado na


solução coletada usando o destilador kjeldahl.

12.4 – Cálculos

Cada mL de H2SO4 0,025 mol/l gastos na titulação correspondem a 0,7 mg de N


volatilizado.
41

12.5 – Questões relacionadas


a) Quais as estratégias de manejo podem ser adotadas para diminuir as perdas de N por
volatilização de amônia?

b) Que outras perdas de N podem ocorrer no solo, além da volatilização?

c) Se fossem utilizados fertilizantes nítricos ou amoniacais ao invés do amídico, como


ficariam as perdas por volatilização de amônia?

d) Há fertilizantes especiais que contém aditivos ou outras estratégias que


pretensamente diminuem as perdas de nitrogênio. Escolha dois fertilizantes
nitrogenados “especiais” disponíveis no mercado e descreva seus mecanismos de ação.

12.6 – Bibliografia recomendada


BISSANI, C.A.; GIANELLO, C.; TEDESCO, M.J.; CAMARGO, F.A.O. Fertilidade dos solos e
manejo da adubação de culturas. GENESIS: Porto Alegre-RS. 2004. 328 p.
CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
42

13
ANÁLISE DE BORO NO SOLO

13.1 - Importância

O boro é um micronutriente essencial para as plantas, importante para a o


florescimento e frutificação e formação de parede celular, entre outros. Tem sido
utilizado como fertilizante para melhoria da qualidade de frutos e sementes, além de
evitar alguns distúrbios fisiológicos em algumas culturas. No solo, o boro está
relacionado positivamente com o teor de matéria orgânica, mas pode ser absorvido em
menores quantidades em épocas de déficit hídrico. A principal forma de boro no solo é
o ácido bórico, o qual pode ser lixiviado em períodos de elevada precipitação. Pela baixa
interação com o solo, o boro disponível pode ser extraído para análise com água quente.

13.2 – Material necessário


a) medidor de solo de 5,0 cm3 (cachimbo);
b) bloco digestor com tubos de 25 x 250 mm e funis de vidro;
c) solução de curcumina 0,04% + ácido oxálico 5%;
d) banho-maria termostatizado;
e) centrífuga para 2000 rpm;
f) espectrofotômetro de absorção molecular (colorímetro);
g) etanol 96%;
h) pipetas automáticas de volume variável (0,1-1 ml, 1-5 ml e 5-10 ml);
i) tubos tipo falcon de 50 ml;
j) copos de cafezinho.

13.3 – Procedimento de extração


a) medir 5,0 cm3 de solo para tubo de digestão;
b) adicionar 12,5 ml de água destilada;
43

c) aquecer em banho-maria a 80° C por 30 minutos;


d) cobrir os tubos com funil e colocar no bloco digestor a 140° C por 9 minutos;
e) retirar os tubos e resfriar rapidamente em bacia com água morna;
f) agitar manualmente e transferir para tubos falcon de 50 ml;
g) centrifugar a 2000 rpm por 15 minutos;
h) retirar 0,5 ml para copo de cafezinho;
i) adicionar 2 ml de solução de curcumina e colocar no banho-maira a 55° C até secagem
completa do líquido;
k) adicionar 10 ml de etanol 96% e agitar manualmente até dissolver o precipitado;
l) determinar a absorbância no espectrofotômetro de absorção molecular em 540 nm
**.
** fazer curva de calibração do aparelho usando concentrações de boro conhecidas.

Curva de calibração:
Concentração de B (mg l-1) Absorbância (ABS)
(x) (y)

Equação ( y=a+bx):

MO (%) = (ABS amostra) x 12,5 x 10


b 5 0,5

13.4 – Bibliografia recomendada


CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
44

14
ANÁLISE DE FERRO POTENCIALMENTE TÓXICO NO SOLO PARA
ARROZ IRRIGADO

14.1 - Importância

Nos solos tropicais e subtropicais que sofreram intemperismo ácido, a


disponibilidade de ferro normalmente é alta e não há problemas de deficiências para as
plantas. Por outro lado, em solos que sofrem alagamento a respiração anaeróbica dos
microrganismos provoca a redução do ferro e, com isso, os teores de ferro solúvel
podem atingir níveis de toxidez para o arroz irrigado. Assim, a análise do ferro
potencialmente tóxico visa estimar a quantidade de ferro amorfo do solo que pode ser
liberado para a solução do solo alagado. É uma análise utilizada apenas para calcular o
risco de toxidez de ferro em áreas de cultivo de arroz irrigado. Para isso se calcula o
percentual de saturação da CTC com ferro (PSFe).

14.2 – Material necessário


a) balança de precisão;
b) tubos tipo falcon de 50 ml;
c) solução de oxalato de amônio 0,2 mol/l a pH 6,0;
d) agitado orbital;
e) pipetas automáticas de volume variável (1-5 ml e 5-10 ml);
f) espectrofotômetro de absorção atômica;
g) papel alumínio;
j) copos de cafezinho;
k) gral de ágata.

13.3 – Procedimento de extração


a) pesar 0,15 g de solo moído em gral de ágata para tubo falcon;
b) adicionar 30 ml de solução extratora;
45

c) cobrir os tubos com papel alumínio e agitar por 2 horas em agitador orbital;
d) deixar decantar por 10 a 15 minutos;
e) retirar imediatamente 1 ml do sobrenadante;
f) adicionar 25 ml de água destilada;
g) usando o espectrofotômetro de absorção atômica (EAA), determinar o teor de ferro.

Fe2+ (mg/dm3) = (FeEAA(mg/l) x 30 x 26


0,15 1

13.4 – Cálculos complementares

Fe2+ trocável (cmolc/dm3) = 1,66 + 2,46 x Fe2+(g/dm3)

PSFe2+ (%) = 100 x Fe trocável


CTCpH7,0

13.5– Questões relacionadas


a) Qual o teor crítico para toxidez de ferro para o arroz irrigado?

b) Explique o que é autocalagem em solos alagados e como ocorre.

13.5 – Bibliografia recomendada


CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
46

15
ANÁLISE DE ENXOFRE DISPONÍVEL NO SOLO

15.1 - Importância

O enxofre é um macronutriente requerido pelas plantas em quantidades


semelhantes ao fósforo. Nas décadas passadas, pouca importância foi dada ao enxofre
pois as formulações NPK de menor concentração, em sua maioria, possuíam
superfosfato simples na composição, o qual contém enxofre. Atualmente é mais comum
o uso de formulações de alta concentração, as quais não contém enxofre e, por isso,
maior atenção deve ser dada ao monitoramento dos teores no solo para a correção de
possíveis deficiências.

15.2 – Material necessário


a) medidor de solo de 10 cm3 (cachimbo);
b) fracos snap-cap de 100 ml;
c) bloco digestor com tubos de secagem de 25 x 85 mm e funis de vidro;
d) solução extratora de Ca(H2PO4)2 de 500 ppm de P;
e) solução nítrico-perclórica relação 3:1;
f) solução de gelatina-BaCl2;
g) dispensador de líquidos;
h) pipetas automáticas de volume variável (1-5 ml e 5-10 ml);
i) espectrofotômetro de absorção molecular;
j) copos de cafezinho;
k) agitador orbital.

15.3 – Procedimento de extração


a) medir 10 cm3 de solo para snap-cap de 100 ml;
b) adicionar 50 ml de solução extratora;
47

c) agitar por 30 minutos;


d) decantar por 16 horas;
e) pipetar 20 ml do sobrenadante para tubos de secagem
f) secar de 2,5 a 3 horas a 130° C em bloco digestor até secagem total;
g) adicionar 1 ml de solução nítrico-perclórica, tampar com funil de vidro e aquecer no
bloco por 10 minutos a 150° C;
h) retirar os funis e manter no bloco por mais 10 minutos;
i) retirar do bloco, esfiar e adicionar 10 ml de água destilada;
j) adicionar 1 ml de solução de gelatina-BaCl2;
k) aguardar 30 minutos, agitar e determinar a turbidez em espectrofotômetro de
absorção molecular a 440 nm**.
** fazer curva de calibração do aparelho usando concentrações de enxofre conhecidas.

Curva de calibração:
Concentração de S (mg l-1) Absorbância (ABS)
(x) (y)

Equação ( y=a+bx):

S (mg/dm3) = (ABS amostra) x 50 x 10


b 10 20

15.4 – Bibliografia recomendada

CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e


Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
48

16
LAUDOS DE ANÁLISE DE SOLO – VARIAÇÕES REGIONAIS

16.1 - Importância

Os laudos de análise de solo de diferentes regiões, embora contenham


informações muito semelhantes, podem ser apresentados com unidades de medida
diferentes ou até mesmo metodologias de análise diferentes. Além disso, alguns
parâmetros calculados podem não estar presentes, necessitando que o usuário realize
os cálculos manualmente. Este tópico abordará as principais diferenças que podem ser
encontradas em laudos de diferentes regiões.

16.2 – Métodos regionalizados

No Brasil, os métodos de análise de solo são padronizados por região, pois há


métodos mais adequados para os solos de cada região. Normalmente cada região que
usa os mesmos métodos analíticos tem um sistema ou manual próprio para
interpretação dos resultados. Por exemplo, nos estados de SC e RS, os métodos são
padronizados e os resultados são interpretados segundo o manual de calagem e
adubação (CQFS-RS/SC, 2016). É importante ressaltar que um laudo de análise de solo
feito em um laboratório de uma dada região não pode ser interpretado pelo sistema de
recomendação de outra, porque os métodos analíticos são diferentes e os teores
extraídos dos nutrientes também. Abaixo constam algumas diferenças de metodologias
utilizadas por alguns programas regionais de controle de qualidade de análises.

Principais Programas de Padronização e Controle de Qualidade de Analises de solo


Sigla Nome Região Ano de
criação
ROLAS Rede oficial de laboratórios de análise de solo RS, SC 1968
e tecido vegetal do RS e SC
CELA Comissão estadual de laboratórios de análises PR 1987
agronômicas
IAC Sistema de controle de qualidade de SP (partes de PR, MA, MT, 1984
laboratórios do instituto Agronômico de GO, MG, ES)
Campinas
PROFERT Programa interlaboratorial de controle de MG (partes de MS, ES, GO, 1987
qualidade de análise de solo RJ, BA)
PAQLF Programa de análise de qualidade de Brasil (por adesão) 1992
laboratórios de fertilidade (Embrapa)
49

Principais métodos de análises utilizadas pelos Programas de Padronização do Brasil.


Análise Sistema de Controle de Qualidade
ROLAS CELA IAC PROFERT PAQLF
pH do solo H2O (1:1) CaCl2 (1:2,5) CaCl2 (1:2,5) CaCl2 (1:2,5) CaCl2 (1:2,5)
Matéria orgânica Solução Solução Solução Solução Solução
sulfocromica sulfocromica sulfocromica sulfocromica sulfocromica
Alumínio KCL KCL KCL KCL KCL
Índice SMP sim não det. Não det. Não det. Não det.
H+Al SMP SMP SMP SMP SMP
P disponível Mehlich-1 Mehlich-1 Resina Mehlich-1 Mehlich-1
ou Resina
K disponível Mehlich-1 Mehlich-1 Resina Mehlich-1 Mehlich-1
Ca e Mg trocáveis KCl KCl Resina KCl KCl
S disponível Ca(H2PO4)2 Ca(H2PO4)2 Ca(H2PO4)2 Ca(H2PO4)2 Não det.
B disponível Água quente Água quente Água quente CaCl2 Água quente
Cu e Zn disponíveis Mehlich-1 Mehlich-1 DTPA Mehlich-1 Mehlich-1
Fe disponível Oxalato NH4 Mehlich-1 DTPA Mehlich-1 Mehlich-1
Mn trocável KCL Mehlich-1 DTPA Mehlich-1 Mehlich-1
Teor de argila densimetria Não det. densimetria Não det. Não det.
P remanescente Não det. Não det. Não det. sim Não det.

16.3 – Transformação de unidades

Os valores das medidas nos laudos podem ser apresentados em diferentes


unidades. Por isso, caso necessário, deve-se fazer a transformação de unidades,
conforme a tabela abaixo. Diferentes formas de apresentação de laudos constam no
Anexo 1.
50

16.4 – Questões relacionadas

a) Um solo apresenta 124 mg/dm3 de potássio trocável e uma CTCpH7,0 de 13,5


cmolc/dm3. Qual a saturação de potássio na CTC?

b) Um solo apresenta 337 mg/dm3 de potássio, 8,97 cmolc/dm3 de cálcio, 2,31


cmolc/dm3 de magnésio e 8,74 cmolc/dm3 de H+Al. Qual a CTCpH7,0 e a saturação por
bases do solo?

16.4 – Bibliografia recomendada


CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.
ERNANI, P.R. Química do Solo e Disponibilidade de nutrientes. 2ª ed. Lages:O autor,
2016. 254 p.
TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
51

17
AMOSTRAGEM E PREPARO DE AMOSTRAS PARA ANÁLISE DE
TECIDO VEGETAL

17.1 - Importância

A análise foliar é uma importante ferramenta para auxílio da interpretação do


estado nutricional das plantas. Para as culturas anuais, normalmente a análise foliar é
complementar à análise de solo, enquanto nas culturas perenes assume papel principal
como ferramenta para determinar a adubação requerida para as culturas. Contudo, o
sucesso da ferramenta depende de coleta e preparo das amostras de maneira correta e
padronizada.

17.2 – Coleta de tecido vegetal

O teor de nutrientes nas folhas varia com a idade da folha, época do ano, estádio
fenológico da planta, posição na planta, exposição solar, ataque de pragas e doenças,
dentre outros. Assim, há necessidade de uma rigorosa padronização do procedimento
de coleta, principalmente em relação à época de coleta e a parte da planta a ser
coletada. Na tabela 17.1 estão as informações de procedimento de coleta para algumas
culturas, segundo o sistema de recomendação praticado no RS e SC (CQFS-RS/SC, 2016).

Procedimento:
a) Subdividir a área em glebas com plantas homogêneas, de mesma idade e cultivar,
considerando-se o uso do solo atual e anterior, a declividade, adubações anteriores,
variações de solos, etc. Também deve-se amostrar separadamente áreas com
“manchas” de plantas com cor ou desenvolvimento diferente em relação à média do
talhão;
b) Coletando em pontos aleatórios e bem distribuídos dentro de cada gleba através de
caminhamento em zig-zag, recolher o número de subamostras indicados para a
cultura constantes na Tabela 17.1, tendo cuidado para respeitar as partes da planta
que devem ser coletadas e a época recomendada (Tabela 17.1). Não coletar plantas
danificadas por insetos ou doenças ou que tenham sofrido aplicação de defensivos
ou adubação foliar nos últimos dias. Evitar coletar folhas sujas, preferindo a coleta
alguns dias após chuva ou irrigação;
52

Tabela 17.1 – Amostra recomendada para diagnose foliar de algumas culturas (CQFS-
RS/SC, 2016).

c) colocar as folhas em saco de papel ou embalagem fornecida pelo laboratório. Se


dentre os nutrientes analisados estiver o boro, o saco de papel deve ser do tipo
encerado, para evitar contaminação do papel na amostra;
53

d) enviar imediatamente ao laboratório (em até dois dias). Caso não seja possível, secar
o material ao sol dentro do próprio saco de papel.
Obs. Para o laboratório podem ser necessárias informações adicionais para registro da
amostra (ex. matrícula da área, área da gleba e coordenadas geográficas). Para o
técnico, é conveniente também registrar informações que podem ser úteis no
momento da interpretação da análise (localização na gleba, idade da planta,
observação de ocorrência de manchas ou sintomas visuais de deficiência ou excesso,
etc.).

17.3 – Preparo das amostras de tecido vegetal no laboratório


a) Secar a amostra em estufa com circulação de ar em temperatura de 70 a 80° C;
b) Moer a amostra em moinho tipo willey até obter partículas menores que 1mm de
diâmetro (amostra em pó ou farelada);
c) Armazenar em saco plástico ou pote plástico com tampa.

17.4 – Questão relacionada

a) Um produtor observou manchas de coloração diferente em sua lavoura de soja


quando a mesma estava em estádio V4 e coletou amostras apenas nas áreas manchas.
Sabendo que as tabelas de interpretação são construídas para folhas coletadas em R2,
como você interpretaria os resultados da análise? Que estratégia você poderia
recomendar ao agricultor para fazer o diagnóstico ainda em V4 e verificar se havia
problemas nutricionais?

17.5 – Bibliografia recomendada


CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e
Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

MALAVOLTA, E.; VITTI, G.C.; OLIVEIRA, S.A. Avaliação do estado nutricional das plantas.
Princípios e aplicações. POTAFOS: Piracicaba-SP. 1997. 319 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
54

18
MÉTODOS DE ANÁLISE DE TECIDO VEGETAL

18.1 - Importância

Normalmente a análise tecido vegetal é mais cara que a análise de solo e, por
isso, são escolhidos os nutrientes de maior interesse para análise. Para a análise, o
tecido vegetal deve ser completamente destruído, passando os nutrientes para uma
fase líquida, onde serão determinados. Há alguns procedimentos de destruição do
tecido vegetal, chamados de “digestão”, sendo que cada tipo de digestão se presta para
análise de alguns dos nutrientes essenciais. Desta maneira, a escolha dos nutrientes a
serem analisados levará a escolha do(s) tipo(s) de digestão necessária(s).

18.2 – Digestão de tecido

No esquema abaixo são mostrados os principais tipos de digestão utilizados nos


laboratórios da ROLAS e os nutrientes que podem ser analisados em cada método.
55

18.1.1 – Procedimento de Digestão Sulfúrica


a) Pesar 0,2 g de tecido vegetal para tubo de digestão de 25 x 25 mm;
b) adicionar vagarosamente 1 ml de H2O2 e 2 ml de H2SO4 concentrados;
c) adicionar 0,7 g de mistura de digestão (Na2SO4+CuSO4+Se, proporção 9:1:0,1);
d) aquecer no bloco digestor a 160-180°C até evaporar a água;
e) aumentar a temperatura para 350-375°C e manter até que o que o extrato fique com
cor amarelo-esverdeada (1,5 a 3 horas);
f) completar o volume para 50 ml e transferir para recipiente de armazenamento.

18.1.2 – Procedimento de Digestão Nitroperclórica


a) Pesar 1,0 g de tecido vegetal para tubo de digestão de 25 x 25 mm;
b) adicionar vagarosamente 6 ml de HNO3 concentrado;
c) deixar em repouso por 16 horas;
d) agitar manualmente e aquecer no bloco digestor a 80-90°C por 30 minutos;
e) aumentar a temperatura para 120°C e manter até que o que o extrato fique com
volume de 0,5 a 1 ml;
f) retirar do bloco e deixar esfriar por 10 minutos;
g) adicionar 1 ml de HClO4 concentrado e aquecer no bloco a 180-190°C;
h) quando iniciar o desprendimento de vapor branco, colocar sobre o tubo os funis de
vidro para condensação dos vapores e manter no bloco por 2 horas;
i) deixar amornar e adicionar 5 ml de água destilada e agitar. Após, completar o volume
até 20 ml e transferir para recipiente de armazenamento.

18.1.3 – Procedimento de Digestão Seca em Mufla


a) Pesar 0,5 g de tecido vegetal para cadinho de porcelana de 50 ml;
b) queimar em mufla a 600° C por duas horas;
c) após esfriar, adicionar 5 gotas de água destilada e 10 ml de H2SO4 0,18 mol/l;
d) transferir para recipiente de armazenamento.
56

18.3 – Determinação dos nutrientes nos extratos de digestão

Os nutrientes são determinados nos extratos de digestão pelos mesmos


procedimentos utilizados para determinação dos nutrientes nos extratos de solo. Abaixo
está um quadro com o resumo dos métodos utilizados para cada nutriente.

Principais métodos de determinação dos elementos de interesse no tecido vegetal


Elemento químico Método de determinação
N Destilação em semi-micro-kjeldahl e titulação com H2SO4
P Medida da absorbância do complexo fosfomolibdato por EAM*
K Medida do teor de K por EEA**
S Medida da turbidimetria em EAM
Ca, Mg, Mn, Cu, Zn, Fe Medida do teor dos elementos por EAA***
B Medida da absorbância após reação com curcumina em EAM
Mo Medida da absorbância após reação com KI em EAM
EAM = espectrofotometria de absorção molecular; EEA = espectrofotometria de emissão atômica; EAA =
espectrofotometria de absorção atômica.

18.4 – Questão relacionada


a) Descreva os teores considerados normais de N, P e K nas folhas de milho, soja e trigo.
Discuta as semelhanças e diferenças entre as culturas?

18.5 – Bibliografia recomendada

CQFS-RS/SC (Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/SC). Manual de Calagem e


Adubação. SBCS/NRS: Frederico Westphalen-RS. 2016. 376 p.

TEDESCO, M.J.; GIANELLO, C.; BISSANI, C.A.; BOHNEN, H.; VOLKWEISS, S. Análises de
solo, plantas e outros materiais. DS/UFRGS: Porto Alegre-RS. 1995, 174 p.
57

19
PRINCÍPIOS DE PLANEJAMENTO DE EXPERIMENTOS DE
FERTILIDADE DO SOLO

19.1 - Importância

Experimentos testando manejo da fertilidade ou testes de produtos fertilizantes


são comumente realizados na vida profissional dos agrônomos. Tais testes são
realizados não só em instituições de ensino e pesquisa, mas também em cooperativas,
empresas agrícolas, associações de produtores, etc. Assim, é importante se ter o
conhecimento dos princípios e cuidados no planejamento de um experimento para que
os resultados obtidos tenham validade.

19.2 – Tipos de ensaios

Os experimentos que envolvem fertilidade do solo podem ser genericamente


classificados em ensaios de laboratório, de experimentos de casa-de-vegetação e
experimentos de campo.

Os ensaios de laboratório normalmente não envolvem plantas e estudam os


aspectos químicos, como dinâmica dos nutrientes, dissolução e perdas de nutrientes de
fertilizantes, métodos químicos de análise, etc. Normalmente são experimentos com um
cunho bastante acadêmico, utilizados principalmente em instituições de ensino e
pesquisa.

Os experimentos de casa-de-vegetação normalmente são testes rápidos


envolvendo plantas (em torno de 30 a 45 dias de cultivo) e servem principalmente para
fazer pré-seleção de produtos para teste no campo, ou testes comparativos com vários
solos, etc. São feitos em ambientes controlados, com temperatura e irrigação em níveis
adequados para as plantas. É importante ressaltar que com esses experimentos não se
consegue testar a dose de melhor resposta das plantas aos fertilizantes ou produtos,
pois se tratam de ensaios em vasos, onde as raízes superexploram o solo e também se
avalia apenas a fase inicial de crescimento das plantas. Pode-se com eles inferir apenas
se o as plantas são responsivas ou não ao tratamento.

Os experimentos de campo são os principais tipos de experimentos para


obtenção de dados de cunho prático. São feitos em escala de campo, com condução da
planta até seu ciclo reprodutivo, podendo-se medir a produtividade em resposta aos
58

tratamentos. Exemplos deste tipo de experimentos são os ensaios de calibração de


doses de fertilizantes para obtenção da melhor resposta econômica, efeitos de manejo
de solo ou produtos, efetividade e eficiência de produtos, etc.

19.3 – Planejamento Experimental


No planejamento experimental, devem ser contemplados três princípios
estatísticos de grande relevância: o isolamento de fatores, a casualização e a repetição.
Para isolamento adequado dos fatores, deve-se manter em todos os
tratamentos do experimento as mesmas condições, exceto o fator de estudo. Por
exemplo, em um experimento de doses de fósforo, em todos os tratamentos devem ser
adubados com a mesma quantidade dos demais nutrientes para que aqueles não sejam
limitantes para as plantas. Deve-se também ter homogeneidade de solos, sendo que
para experimentos de casa-de-vegetação se deve homogeneizar o solo primeiro antes
do envase e, em experimentos de campo, devem ser escolhidas áreas homogêneas.
Além disso, é imprescindível que todo experimento contenha uma testemunha sem
adubação para que se verifique o efeito da aplicação do tratamento.
Os princípios da casualização e repetição são atendidos ao se fazer o sorteio
dos tratamentos na área experimental e, no caso da repetição, pelo uso de no mínimo
três repetições por tratamento e escolha do adequado delineamento experimental
(normalmente delineamento inteiramente casualizado ou blocos ao acaso).
Além dos princípios estatísticos, devem ser planejadas questões práticas,
como tamanho da parcela de modo que sejam facilitadas operações de plantio, tratos
culturais e colheita; deve-se planejar tamanho de área útil de medida e tamanho da
bordadura das parcelas.
Outro aspecto importante no planejamento é definir as metodologias de
amostragem de solo e plantas, além de estabelecido um cronograma de execução do
experimento. Épocas de plantio, tratos culturais e colheitas, além da própria rotação de
culturas devem ser planejados com antecedência. Abaixo são reforçados alguns
cuidados no momento do planejamento experimental:
a) Definir primeiro uma hipótese e objetivo para o estudo;
b) Planejar cuidadosamente os tratamentos para que a hipótese possa ser testada;
c) Escolher o delineamento experimental mais adequado;
d) Definir o tamanho de parcela adequado para o tipo de cultura a ser usado no
teste (quando envolver plantas), definindo também o tamanho de área útil e
bordadura;
e) Planejar parcelas de maneira a facilitar o manejo do experimento (plantio,
colheita, coleta de amostras, tratos culturas, etc.)
59

f) Recomenda-se ter no mínimo 20 parcelas para melhor estimativa do erro


experimental;
g) Certificar-se de que todos os tratamentos recebam o devido isolamento de
fatores, variando apenas o tratamento a ser testado;
h) Prezar por realizar a casualização dos tratamentos no experimento.
i) Quando possível, preveja repetição de anos, pois os resultados de campo são
variáveis conforme as condições ambientais.

19.4 – Questão relacionada

a) Foi lançado no mercado um aditivo para fertilizantes que promete aumentar a


eficiência da adubação fosfatada para as plantas, principalmente em solos com pH mais
ácido (em torno de 5,5). Defina um experimento para testar no campo a efetividade do
produto. Defina hipóteses, objetivo, tratamentos, delineamento, número de repetições
e culturas a serem utilizadas para um período de testes de dois anos.

19.5 – Bibliografia recomendada


EMBRAPA. Estatística aplicada à pesquisa agrícola. 2ª ed. Brasília:Embrapa. 2014, 582 p.
60

20 - ANEXOS
ANEXO 1 – LAUDOS DE ANÁLISE DE SOLO
61
62
63
64

ANEXO 2 – ALGUMAS TABELAS DE INTERPRETAÇÃO DE


RESULTADOS DE ANÁLISE DE SOLO (CQFS-RS/SC, 2016)
65

18,0 18,0
>18,0
66
67
68

Você também pode gostar