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Resenha Crítica “Memorial de Formação: um dispositivo de

aprendizagem reflexiva para o cuidado em saúde”

A saúde é a principal preocupação da população do Brasil. Ela não se


restringe apenas à prevenção e promoção da saúde dentro de um Sistema
Único de Saúde (SUS), por exemplo, mas à qualidade de vida num geral, boas
condições de trabalho, de transporte, lazer, que leva a população a ser
saudável. O Brasil enfrenta atualmente uma grave crise no sistema público de
saúde, especificamente no SUS, reduzindo a sua qualidade e quantidade de
atendimento à população. O momento da crise permite pensar de uma forma
diferente, se motivar a buscar novas estratégias e caminhos para melhorar a
situação atual. Pensando nisso, é necessário pensar tanto numa melhora
estrutural quanto do profissional de saúde que irá atuar neste sistema.

A atual resenha se baseará no texto “Memorial de Formação: um


dispositivo de aprendizagem reflexiva para o cuidado em saúde” das autoras
Miriam Buogo e Gardenia de Castro, e também no programa Sala de
Convidados da instituição Fio Cruz, com os convidados Paulo Henrique de
Almeida Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes),
e o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Ricardo Soranz
Pinto, discutindo o tema “SUS hoje e amanhã”.

Atualmente a principal ameaça que existe com relação ao Sistema Único


de Saúde no Brasil é com relação aos recursos de financiamento. Mesmo sem
a ampliação do SUS, ainda seria necessário 38% a mais de investimento para
poder mantê-lo, levando em consideração que a população tem aumentado
sua expectativa de vida, e assim necessita de cobertura por mais tempo e
frequência. Porém, além de não haver esse aumento de financiamento, o SUS
ainda vem sofrendo com recorrentes cortes de gastos, mais especificamente
de 14 bilhões de reais de investimento federal em 2015, que gera queda dos
serviços e diminuição da cobertura à população. No Brasil, o SUS foi uma
grande conquista para a sociedade e um ícone de democracia, porém o
descaso com ele é um ataque a esse mesma democracia.

Deixar de investir em saúde é um retrocesso que faz-nos voltar à


desigualdade. O financiamento à saúde não pode ser visto apenas como um
gasto, mas como um investimento para melhorar o país, é investir na solução
das atuais crises. Outro ponto que ajudaria a melhorar o Sistema de Saúde é
investir mais na atenção primária, de prevenção e casos leves, que hoje é de
apenas 13% em comparação a atenção de alta e média complexidade, que é
de mais de 80%. O fortalecimento de ações primárias seria uma forma de
diminuir a necessidade da população de utilizar de serviços mais complexos, e
gerar maior qualidade de vida.

O SUS, além de ser importante para o atendimento da população, é uma


importante estratégia para aumentar a quantidade de empregos no setor da
saúde. Pensando neste profissional, ele também faz parte desse sistema, e é
responsável por proporcionar um atendimento de qualidade para os que
precisam deste serviço. Pensando na visão do texto de Buogo e Castro, o
processo de formação é crucial para formar bons profissionais, e a experiência
reflexiva nesse processo é essencial. Ela consiste em uma autobiografia em
que o aluno faz surgir memórias, histórias da própria vida, ricas de significado,
que vão direcionando e valorizando a formação e as suas motivações internas.
Essas memórias são descritas em um memorial que contribui para que o aluno
tenha uma visão integral de si, por meio da reflexão crítica.

Bons profissionais não são apenas aqueles que cumprem


procedimentos corretamente, mas que também sabem se relacionar bem com
outros profissionais e atender as necessidades de seus pacientes. Buscar
aquilo que te motiva, as razões que te fazer atuar, seus ímpetos e expectativas,
podem ser importantes ferramentas para ter bons profissionais.

O avanço na saúde depende de uma união entre uma estrutura viável e


profissionais qualificados. Esses profissionais, juntamente com a população
têm um papel importante na reivindicação da melhoria das condições de saúde
no Brasil. Por meio do SUS, de seu atendimento e de dados que surgem a
partir dele, outros setores do país podem ser beneficiados, abrangendo o
trabalho Inter setorial. Não dá para esperar que todas as mudanças venham
apenas do governo e dos políticos, mas é preciso unir forças, saber utilizar o
voto para aqueles que defendem o SUS, e não deixar que manifestar a opinião
e reivindicação popular. Defender o SUS é defender a democracia, e o
momento da crise é a fase mais oportuna e estratégica de se fazer uma grande
mudança.