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AULA PRÁTICA SOBRE PROJETOS, INDICAÇÕES E

REQUERIMENTOS

Sabrina Felipe Arcoverde

1) O que é ato legislativo?


Ato legislativo é a declaração unilateral da vontade estatal expressa e exteriorizada por escrito, que dispõe sobre
a criação, extinção e modificação de normas jurídicas abstratamente gerais ou atos normativos.
A lei e o ato normativo são produtos do ato legislativo.
O conceito de ato legislativo desvincula-se do conceito de função legislativa, pois além do Legislativo, órgãos
de outros Poderes poderão emiti-lo, ainda que em caráter não predominante.
Portanto, o que importa considerar é que o ato legislativo resulta na criação de normas jurídicas abstratas e
gerais e/ou atos normativos, não obstante sua origem: se proveniente do Poder Legislativo, do Poder Executivo, do
Poder Judiciário, do Ministério Público.
Ao conjunto de atos legislativos dá-se o nome de processo legislativo.
São atos legislativos:
a) a iniciativa legislativa: faculdade que se atribui a alguém ou a algum órgão para apresentar projetos de lei ao
Legislativo;
b) as emendas: proposições apresentadas como acessória a outra; sugerem modificações nos interesses relativos à
matéria contida em projetos de lei;
c) a votação: ato coletivo dos membros da Casa Legislativa; ato de decisão que se toma por maioria de votos, simples ou
absoluta, conforme o caso;
d) a sanção e o veto: são atos legislativos de competência exclusiva do Chefe do Executivo; somente recaem sobre
projeto de lei; sanção é a adesão; veto é a discordância com o projeto aprovado.
e) as portarias, os atos da Mesa, os requerimentos, as indicações, as moções, os títulos e comendas: são atos normativos.
Em resumo, o ato legislativo ocorre por meio de iniciativa, emenda, votação, sanção/veto e tem por objetivo a
formação de normas jurídicas (a formação de uma emenda constitucional, lei complementar, lei ordinária, lei delegada,
medida provisória, decreto legislativo e resolução) ou atos normativos.

2) Quais espécies normativas existem na Câmara Municipal?


Primeiramente cumpre salientar que norma jurídica é a proposição legislativa revestida de generalidade e
abstratividade.
Segundo o nível de governo as espécies de normas jurídicas são:
I - no âmbito federal:
a) emendas à Constituição;
b) leis complementares;
c) leis ordinárias;
d) leis delegadas;
e) medidas provisórias;
f) decretos legislativos;
g) resoluções.
II - no âmbito estadual:
a) emendas à Constituição;
b) leis complementares;
c) leis ordinárias;
d) leis delegadas;
e) decretos legislativos;
f) resoluções.

III – no âmbito municipal:


a) emendas à Lei Orgânica;
b) leis complementares;
c) leis ordinárias;
d) leis delegadas;
e) decretos legislativos;
f) resoluções.

Já proposição legislativa é qualquer matéria submetida a apreciação de uma Casa Legislativa. As principais
proposições legislativas são as que se destinam a originar normas jurídicas, tais como leis e emendas à lei orgânica.
Essas proposições são aquelas denominadas de espécies normativas.
Contudo, é importante ressaltar que nem toda proposição legislativa pode ser classificada como espécie
normativa. No âmbito da Câmara Municipal, podemos citar como exemplo de proposições que não são normas
jurídicas, as indicações, moções e requerimentos.
Assim, são espécies normativas da Câmara Municipal: emendas à Lei Orgânica, leis complementares, leis
ordinárias, decretos legislativos e resoluções.
Note-se que são espécies normativas da Câmara Municipal aquelas acima classificadas no âmbito municipal,
com exceção das leis delegadas, que são propostas apenas pelo Chefe do Poder Executivo Municipal (Prefeito).
Em resumo são proposições da Câmara Municipal, além das espécies normativas municipais (emendas à Lei
Orgânica, leis complementares, leis ordinárias, decretos legislativos e resoluções) também a portaria, o ato da Mesa, o
requerimento, a indicação, a moção e os títulos e comendas.

3) Quais as diferenças e objetivos dessas proposições?


a) Leis ordinárias
Quando falamos apenas em “lei”, estamos nos referindo à espécie normativa denominada de lei ordinária.
Os projetos de lei ordinária tratam de todas as matérias não regulamentadas pela lei complementar, que são
tratadas de forma específica pela Lei Orgânica Municipal.

b) Leis complementares
Os projetos de lei complementar destinam-se a regular matéria legislativa a que a Lei Orgânica do Município
confere relevo especial e define rito diferenciado de sua tramitação e aprovação.
As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta, em dois turnos, com intervalo de quarenta e oito
horas (mínimo), e receberão numeração distinta das leis ordinárias.
Exemplos de matéria que a LOM exige que seja tratada mediante lei complementar:
- a lei orgânica do sistema tributário;
- a lei orgânica do Tribunal de Contas do Município e de sua Procuradoria Especial;
- a lei orgânica da Procuradoria-Geral do Município;
- o estatuto dos servidores públicos do Município; entre outros.
OBSERVAÇÃO:
Paralelismo de formas Segundo Paulo Bonavides, é o princípio segundo o qual um ato jurídico só se modifica
mediante o emprego de formas idênticas àquelas adotadas para elaborá-lo.
No âmbito das espécies normativas significa que, se a LOM exige que determinada matéria seja tratada por uma
espécie normativa específica, essa matéria só poderá ser alterada e revogada por proposição da mesma espécie.
Exemplo: uma lei complementar só pode ser alterada por outra lei complementar, nunca por uma lei ordinária.

c) Emenda à Lei Orgânica


Os projetos de emenda à Lei Orgânica do Município destinam-se a modificar ou suprimir seus dispositivos ou a
acrescentar-lhes novas disposições.
As propostas de emenda à Lei Orgânica do Município poderão ser apresentadas (limitações subjetivas ao poder
de emendar a LOM):
- por um terço no mínimo dos membros da Câmara Municipal;
- pelo Prefeito;
- pela população, desde que subscritas por três décimos por cento (dependendo do que prevê a LOM) do eleitorado do
Município, registrado na última eleição, com dados dos respectivos títulos de eleitores.
A proposta será discutida e votada (limitações formais ao poder de emendar a LOM):
- Em dois turnos, com intervalo (mínimo) de dez dias;
- Quórum: dois terços dos votos dos membros da Câmara Municipal.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a: (limitações objetivas – referentes ao objeto da
emenda):
- arrebatar ao Município qualquer porção de seu território;
- abolir a autonomia do Município;
- alterar ou substituir os símbolos ou a denominação do Município.
São chamadas cláusulas pétreas da Lei Orgânica do Município.
Não será recebida proposta de emenda da Lei Orgânica do Município na vigência de intervenção estadual, de
estado de defesa ou de estado de sítio. (limitação circunstancial ao poder de emendar a LOM).
A emenda à Lei Orgânica do Município será promulgada pela Mesa Diretora, com o respectivo número.
OU SEJA: não há participação do Poder Executivo no processo de elaboração do projeto de emenda à lei
orgânica (salvo na autoria).
A matéria constante de proposta de emenda à Lei Orgânica do Município rejeitada ou havida por prejudicada
não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

d) Decreto legislativo
Destinam-se os decretos legislativos a regular, entre outras, as matérias de exclusiva competência da Câmara
Municipal que tenham efeito externo. Exemplos:
- concessão de licença ao Prefeito e ao Vice-Prefeito para afastamento do cargo ou ausência do Município por mais de
quinze dias;
- convocação, dos Secretários Municipais para prestar informações à Câmara Municipal sobre matéria de sua
competência;
- aprovação ou rejeição das contas do Município;
- aprovação dos nomes dos Conselheiros do Tribunal de Contas do Município;
- aprovação de lei delegada;
- modificação da estrutura e dos serviços da Câmara Municipal,
- formalização de resultado de plebiscito
- títulos honoríficos.

e) Resolução
Os projetos de resolução destinam-se a regular matérias da administração interna da Câmara Municipal e de seu
processo legislativo.
Dividem-se as resoluções da Câmara Municipal em:
- resoluções da Mesa Diretora, dispondo sobre matéria de sua competência;
- resoluções do Plenário, que podem ser propostas por qualquer Vereador ou Comissão.

f) Portaria
Portaria é a proposição contendo normas de administração da Câmara Municipal.
É o instrumento pelo qual o Presidente ou a Mesa Diretora expedem instruções sobre organização e
funcionamento de serviço e praticam outros atos de sua competência.

g) Ato da Mesa
Ato da Mesa é a proposição em que a Mesa Diretora dispõe sobre assuntos administrativos ou referentes ao
processo legislativo.

h) Requerimento
Requerimento é a proposição formulada por qualquer Vereador ou Comissão dirigida ao Presidente ou à Mesa,
sobre matéria da competência da Câmara Municipal.
Os requerimentos, quanto à forma, podem ser verbais ou escritos.
Quanto à competência para decidi-los, podem ser sujeitos a despacho de plano do Presidente ou sujeitos a
deliberação do Plenário.

i) Indicação
Indicação é a proposição em que o Vereador sugere aos poderes competentes medidas de interesse público.
Não há limite para a apresentação de indicações pelos Vereadores, mas a publicação não poderá ultrapassar o
número razoável (sugere-se vinte) por edição do Diário da Câmara Municipal.
A indicação é um instrumento de diálogo entre os poderes, para solicitação de providências sobre determinado
assunto.

j) Moção
Moção é a proposição pela qual o Vereador expressa seu regozijo, congratulação, louvor ou pesar.
Apresentada à Mesa, será imediatamente despachada pelo Presidente e enviada à publicação. Quando seus
autores pretenderem traduzir manifestações coletivas da Câmara Municipal, a moção deverá ser assinada, no mínimo,
pela maioria absoluta dos Vereadores, e será por isso automaticamente aprovada.
OBS: As moções e as indicações terão aprovação automática
k) Títulos e comendas
São proposições que concedem as mais altas honrarias a pessoas que tenham prestado serviços de contribuição
significativa para o Município.
As honorárias são concedidas às pessoa não nascidas no Município, já a beneméritas são as concedidas às
pessoas nascidas no Município.

4) Como devem ser confeccionados?


Normas para a redação e alteração de leis podem ser consultadas na Lei Complementar Federal nº 95, de 26 de
fevereiro de 1998 e na Lei Complementar nº 176, de 11 de julho de 2014.
Elaborar leis exige bom senso e responsabilidade, porque interfere direta ou indiretamente na vida das pessoas.
Uma norma mal feita pode surtir o efeito contrário do esperado.
A técnica legislativa abrange o conjunto de procedimentos e normas redacionais específicas para a construção
das leis.

ESTRUTURA DE UMA PROPOSIÇÃO


- Parte preliminar:
a) epígrafe (tipo de proposição)
b) ementa (resumo conteúdo) âmbito de aplicação (art.1º)
- Parte normativa: articulação do projeto
- Parte final:
a) disposições finais
b) cláusula de vigência
c) cláusula de revogação
d) fecho do projeto

EPÍGRAFE
A epígrafe indicará o tipo de proposição em letras maiúsculas, centralizada na página na primeira linha e em
negrito.

EMENTA
A ementa (não súmula) resume com clareza e precisão o conteúdo da lei. Não é cópia do art. 1º.
O seu texto será destacado com deslocamento do centro para a margem direita (inciso I a IV do art. 5º da Lei
Complementar nº 176, de 2014).
O termo ao final da ementa “e adota de outras providências” só deverá ser utilizado quando a lei realmente
contiver providências complementares.

ARTIGO
Será indicado pela abreviatura Art. com numeração ordinal até o nono e cardinal, acompanhada de ponto, a
partir do décimo: Art. 1º, ..., Art. 9º, Art. 10, Art. 11.
Havendo citação de artigo no transcorrer do texto, será usada a abreviatura art.
Tratando-se de remissão a artigo que não contenha indicação numérica, a palavra artigo será escrita por
extenso.
O ARTIGO pode se desdobrar em Parágrafo (Parágrafo único ou §1º , §2º... ) ou em incisos (I, II, II ...)

PARÁGRAFO
Usado para explicar, complementar ou abrir exceções ao caput do artigo. Pode se desdobrar em inciso (I, II,
III...).

INCISO
Usado para exprimir enumerações relacionadas ao caput do artigo ou ao parágrafo. Pode se desdobrar em alínea
(a, b, c...).
* Não existe inciso único!

ALÍNEA
Usada para enumerações relativas ao texto do inciso.
Pode se desdobrar em item (1, 2, 3...).

ITEM
Usado para enumerações relativas ao texto da alínea.
DESDOBRAMENTO DE ARTIGOS:
ARTIGO - PARÁGRAFO - INCISO –ALÍNEA - ITEM
OU
ARTIGO - INCISO - ALÍNEA - ITEM

* ESSA ORDEM É OBRIGATÓRIA!


SIGLAS
Algumas entidades, órgãos ou setores são mais conhecidos pelas siglas do que pelas denominações completas:
Sanepar, INSS, Alep, entre outras.
Ainda assim, siglas devem ser utilizadas após o nome por extenso, separadas por hífen, sem pontos
intermediários e sem ponto final. EXEMPLO: Assembleia Legislativa do Estado do Paraná – Alep; Companhia de
Saneamento do Paraná – Sanepar.
Quando for citada de forma repetida no texto, utilizar o extenso apenas na primeira vez e nas demais somente a
sigla.

REGRAS DAS SIGLAS:


Siglas de até três letras são grafadas em maiúscula. EXEMPLO: IR.
Siglas com quatro letras ou mais, que formem palavra pronunciável, terão apenas a letra inicial maiúscula.
EXEMPLO: Ibama, Sanepar.

GRAFIA DE NÚMEROS
Em qualquer referência a números (exceto data, número de ato normativo, valores monetários, percentuais e
frações) observar:
a) quando o número formar uma palavra, será grafado apenas por extenso. EXEMPLO: quinze dias e não 15
(quinze) dias;
b) nos casos em que formar duas ou mais palavras, deverá constar o número cardinal seguido do extenso entre
parênteses. EXEMPLO: 23 (vinte e três).

DATAS
Empregar nas datas as seguintes formas:
a) os números não serão precedidos de zero;
b) nas referências ao primeiro dia do mês, será utilizado número ordinal;
c) o mês será escrito por extenso com letra minúscula e sem abreviação;
d) a indicação dos anos será grafada sem o ponto entre as casas do milhar e da centena. EXEMPLO: 1º de março
de 2016

HORAS
- símbolo de hora: h
- símbolo de minuto: min
- símbolo de segundo: s
Não há ponto depois do símbolo, por não ser uma abreviatura.
Não existem as siglas hs ou hr.
Não são utilizados dois pontos. EXEMPLO: 7:00.
Quando se tratar de hora inteira, pode ser escrito por extenso. EXEMPLO: 7h ou 7 horas (o horário do relógio,
não o período!)
Os símbolos min e s só serão utilizados quando se tratar de hora quebrada e que haja indicação dos segundos.
EXEMPLO: 13h25 13h25min30s

LOCAL E DATA
Ao final do documento (fecho da proposição) será indicado o Município e a data, seguido de nome e cargo do
emitente (sem traço indicando o lugar da assinatura). EXEMPLO: Curitiba, 30 de março de 2016. FULANO DE TAL
VEREADOR

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