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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE DIREITO

CURSO DE DIREITO

ABEL PEDRO NOVE

OS PRAZOS DA COROA

NAMPULA

202
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE DIREITO

CURSO DE DIREITO

ABEL PEDRO NOVE

OS PRAZOS DA COROA

Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de


Direito Agrário, referente ao 2º semestre,
curso de Direito, 3º ano. Turma Única,
Leccionada pelo Docente: MA. Coutinho
Quanhiua.

NAMPULA

2020
Índice
Introdução ................................................................................................................................... 1

1.OS PRAZOS DA COROA ...................................................................................................... 2

1.1Conceito ................................................................................................................................. 2

2. Formação dos Prazos .............................................................................................................. 2

2.1 De veres dos Prazeiros na Coroa .......................................................................................... 3

3. Os problemas e dificuldades nos prazos ................................................................................. 3

3.1. Localização Geográfica ....................................................................................................... 4

4. Actividades Económicas......................................................................................................... 4

4.1 Estrutura Social e Aparato Ideológico .................................................................................. 4

5. Decadência dos Prazos ........................................................................................................... 5

Conclusão ................................................................................................................................... 7

Bibliográficas ............................................................................................................................. 8

\
Introdução
O presente trabalho é referente a cadeira de Direito Agrário, e visa fazer uma
abordagem em torno dos “ prazos da coroa” desta feita sob forma a compreender melhor este
aspecto ee indispensável ter presente que os prazos: eram unidades políticas onde a classe
dominante era formada por mercadores portugueses estabelecidos como proprietários de
Terras, terras essas que tinham sido doadas, compradas e até mesmo conquistadas aos chefes
locais. Ou por outra, eram territórios concedidos por um período de três gerações aos
mercadores portugueses e indianos. A transferência era feita por via feminina.

Os prazos da coroa foram inicialmente quer terras conquistadas por aventureiros,


soldados e mercadores de missanga, à testa de exércitos de cativos, quer terras que chefes
locais lhes cederam em troca de saguates ou de ajuda militar contra chefes rivais. Pode-se
sustentar que os prazos nasceram com a penetração portuguesa no vale a partir de 1530.

Portugal ao criar os prazos pretendia criar bases para uma ocupação efectiva de
Moçambique garantindo a montagem da administração colonial. Na realidade, no que respeita
aos objectivos políticos, os Prazeiros passaram a gozar de uma independência quase total, não
se subordinando à Coroa Portuguesa; não promoveram a ocupação efectiva do território á
favor da Coroa.

Objectivo Geral:

 Analisar os prazos da Coroa.

Objectivos Específicos:

 Analisar o conceito de prazos;


 Trazer a formacao de prazos;
 Descrevr os deveres dos prazeiros com a corroa, trazer a localizacao
Geografica deste imperio;
 Analisar os aspectos ligados ao aparato ideologico e a decadencia destes
prazos.

Para que haja um entendimento melhor do presente trabalho, este encontra-se


estruturado em, introdução, desenvolvimento, conclusão e a respectiva referencia
bibliográfica.

1
1.OS PRAZOS DA COROA
1.1Conceito
Os prazos foram uma unidade política criada pelos Portugueses em território
Moçambicano. Eram terras arrendadas por mercadores a Coroa portuguesa, como intuito de as
explorarem economicamente. O nome prazo veio do conteúdo dos contractos que a coroa
fazia com os seus mercadores. o termo prazo aparece no seculo XVII, quando os Portugueses
começaram a receber do vice-rei da India (em nome do rei de Portugal), por um prazo de
tempo (1, 2 ou mais vidas ou gerações). Aos recebedores de um prazo chama-se prazeiros.1
Os prazos da Coroa surgem como propriedades estatais, sujeitas a uma renda anual em
ouro e constituíam uma verdadeira estrutura militar do capital mercantil. Estas unidades
políticas caracterizaram-se cultural e politicamente por assentarem na base de raízes da
tradição cultural africana, adaptadas aos interesses administrativos comerciais da época.2

2. Formação dos Prazos


Os prazos remontam ao século XVI e terminaram definitivamente só na década de 30
do seculo XX. A origem dos Prazos pode remontar a penetração portuguesa no vale do
Zambeze, entre Quelimane e Zumbo (uma zona da actual província de Tete), que se verificou
desde meados do seculo XVI quando, de forma espontânea, homens do reino se aventuraram
legal ou Ilegalmente no comércio. 3
No entanto, só depois de 1618, com a regulamentação da lei sobre concessão de terras,
e que a coroa portuguesa iniciou o processo de reconhecimento dos privilégios e direitos
destes primeiros ocupantes portugueses, passando a designá-los de Prazos da Coroa". A Coroa
portuguesa reconhecia por um prazo determinado a posse da terra ocupada a quem a
legalizasse, qualquer que tivesse sido a forma da sua obtenção.
As autoridades portuguesas de Lisboa, ao instituírem o sistema de prazos, pretendiam
implantar a dominação colonial em Moçambique com o incremento do povoamento branco,

1
MUSSA, Carlos, História 12a Classe-Programa Actualizado, Texto Editores, Maputo, 2015. p. 123.
2
Idem, p. 123.
3
Disponivel in https://www.escolademoz.com/2017/03/os-prazos-da-coroa-em-
mocambique.html#:~:text=Os%20prazos%20foram%20uma%20unidade%20pol%C3%ADtica%20criada%20pe
los,que%20a%20Coroa%20fazia%20com%20os%20seus%20mercadores. Acesso em 12/11/2020
pelas8h44minutos.

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numa tentativa de ocupar efectivamente os territórios coloniais. Cabia ao vice-rei da Índia a
atribuição dos prazos e, posteriormente, os contratos eram confirmados em Lisboa.4
2.1 De veres dos Prazeiros na Coroa
Os prazeiros tinham deveres para com a coroa:
 Reger-se pelas leis régias, assim como na administração do seu território;
 Expandir a civilização portuguesa e a Fé crista.
 Proteger os habitantes africanos residentes nos prazos;
 Pagar o imposto anual (foro), equivalente a 1/10 do rendimento do prazo.
Contudo, no processo da formação dos prazos, surgiram varias dificuldades ou problemas.
Na prática, a formação dos prazos funcionou apenas em benefício dos prazeiros contra as
pretensões da Coroa portuguesa.5

3. Os problemas e dificuldades nos prazos


Prazeiros eram, por natureza, contrários aos interesses da coroa

 A maioria dos prazeiros eram pessoas que cumpriam penas de degredo em


Moçambique: criminosos, opositores políticos do regime, desertores do exército.

Prazeiros eram poucos face as necessidades


 Eram em número reduzido para responder aos interesses da Coroa em termos de
divulgação da cultura portuguesa no seio das comunidades africanas.
Prazeiros eram controlados legal e fiscalmente
 A impotência das autoridades portuguesas que só se encontravam na Costa sem força
para obrigar a cumprir com as leis de Lisboa;
 Crescimentos do poder dos prazos fora do controlo de qualquer autoridade lusa,
prazeiros por vezes eram mais poderosos que a Coroa;
 A aliança dos prazeiros com os chefes locais, muitas vezes feitas via casamento comas
filhas dos chefes locais, tornava-os mais poderosos;
 Havia um poder quase absoluto dos prazeiros em relação a autoridade portuguesa.

4
UEM, Departamento de História, História de Moçambique, Vol. II, Agressão Imperialista (1886-
1930). Cadernos TEMPO. Maputo. 1983. p. 145.
5
UEM, Departamento de História, História de Moçambique, Vol. II, Agressão Imperialista (1886-
1930). Cadernos TEMPO. Maputo. 1983. p.146.
3
3.1. Localização Geográfica
O sistema de prazos desenvolveu-se ao longo do vale do Zambeze, entre Quelimane e Zumbo,
de modo a controlar as principais rotas comercias. Cada prazo tinha uma área de cerca de cinco
línguas quadradas. Os prazos do vale do Zambeze mnais conhecidos foram: Massangano, Massingre,
Gorongosa, Makololo, Maganja, Carazimamba Kanyemba, Makanga e Matakenya.6

4. Actividades Económicas
A base económica deste domínio era o comércio mercantil. Isto, os prazos serviam, de
bolsas de escoamento de mercadorias (ouro e marfim, numa primeira fase, e escravos, depois)
aproveitando as condições naturais do rio Zambeze para escoar os produtos ate a Costa litoral
do Indico. A cobrança de impostos também fazia parte da componente económica dos prazos
do resultado da cobrança de impostos era pago a Coroa. O mussoco era o imposto mais
conhecido e consistia num pagamento em cereais. A pilhagem era também uma actividade
económica. o resultado das pilhagens feitas em incursões militares era propriedade do
7
prazeiro .
Os prazos localizavam-se ao longo do rio Zambeze e tinham grandes poderes sobre as
populações que viviam nos seus domínios. Os prazeiros lideravam exércitos privados, cujos
soldados eram recrutados entre os escravos domésticos e demais elementos da população a-
chicunda.

Os prazos, quo muitos historiadores pretendem ver como a primeira forma de


colonização portuguesa em Moçambique e, particularmente, no vale do Zambeze, foram
essencialmente bases de escoamento de mercadorias ouro e marfim numa primeira fase,
escravos numa segunda que aproveitaram o rio Zambeze como via natural.8

4.1 Estrutura Social e Aparato Ideológico


Os prazos devem ser como um processo contínuo no qual, os colonos portugueses,
mestiços ou indianos, adquiriam reconhecimento como chefes políticos sobre as populações
africanas, ganhando estatuto especial quo antes só pertencia aos chefes africanos. Em termos
6
MUSSA, Carlos, História 12a Classe-Programa Actualizado, Texto Editores, Maputo, 2015. p. 124.
7
Disponivel in https://www.escolademoz.com/2017/03/os-prazos-da-coroa-em-
mocambique.html#:~:text=Os%20prazos%20foram%20uma%20unidade%20pol%C3%ADtica%20criada%20pe
los,que%20a%20Coroa%20fazia%20com%20os%20seus%20mercadores. Acesso em 12/11/2020
pelas8h44minutos.
8
SORENSEN, M, Dona Theodora e os seus Mozungos, Ndjira, Maputo,1998 p. 18.

4
de organização social, os prazos eram encabeçados pelos senhores dos prazos ou prazeiros.
Havia ainda colonos Livres que também viviam nestes domínios. Os trabalhadores dos prazos
eram os escravos e os A-Chicundas. Os escravos eram bens do senhor dos prazos e, apesar de
a escravatura ter sido abolida em 1836, os prazeiros continuaram esta actividade ate 1900. Os
prazos talvez tenham sido a estrutura politica mais esclavagista de que há memoria em
Moçambique. Os A-Chicundas eram o exército dos senhores dos prazos. Os A-Chicundas
organizavam-se em pequenas companhias, chefiadas por um A-chicunda. Os prazos contavam
ainda com uma outra classe de escravos, os mussambazes, que controlavam as actividades
comerciais dos prazos. Tanto os A-Chicundas como os mussambazes nunca chegaram a
desligar-se dos seus donos. Esta situação leva-nos a concluir que havia uma grande
dependência destes em relação ao seu senhor. Do ponto de vista administrativo, o prazo
continha várias aringas (fortificações). 9

5. Decadência dos Prazos


No início do seculo XIX, os prazos começam a entrar em decadência provocada por
várias razões:10

 Havia uma fragilidade estrutural institucional latente devido a ausência de


legitimidade do poder dos prazeiros;
 Deu-se uma crise na produção agrícola pois não havia como responder aos elevados
índices de consumo no seio da população;
 Os prazeiros comecaram a cobrar cada vez mais os impostos a populaçao, como o
mussoco:
 Notou-se a concorrência entre diferentes prazos e Estados vizinhos, verificou-se a
ineficácia da administração portuguesa e a falta de uma força militar para impor o seu
domínio;
 Houve secas e fome;
 Verificaram-se lutas internas desenvolvidas pelas chefaturas locais;

9
UEM, Departamento de História, História de Moçambique, Vol. II, Agressão Imperialista (1886-
1930). Cadernos TEMPO. Maputo. 1983. p. 147.
10
MUSSA, Carlos, História 12a Classe-Programa Actualizado, Texto Editores, Maputo, 2015. p. 125.

5
 As invasöes nguni, que se iniciaram em 1832 na regiao da Zululandia e se estenderam
ate ao Norte do Zambeze, fizeram com que vários prazos sucumbissem e passassem a
integrar ao Estado de Gaza em termos mais gerais verificou-se este fenómeno.

6
Conclusão

Tendo feito o presente trabalho cheguei a conclusão que os prazos foram o resultado
do cruzamento de dois sistemas sociais de produção: um pré-existente na sociedade Chona,
com dois níveis o dos camponeses das mushas vivendo num regime de relativa autarcia e o da
aristocracia dominante formada pelos mambos e fumos e outro sistema que se sobrepôs ao
primeiro composto pelos prazeiros (mercadores, ex-soldados desertados, fugitivos que
cumpriam penas de degredo), elite dominante e por exércitos de cativos guerreiros, os
chamados A-chicunda. Por outras palavras, os prazeiros mantiveram o sistema social anterior.

Mas a agricultura familiar não produzia as quantidades desejadas, era necessário


organizar plantações. É nessa altura que o governador da província ultramarina Augusto de
Castilho, cuja administração estava desejosa de ter uma base tributária para manter a
ocupação do território, emite em 1886 uma portaria provincial regulando a cobrança do
"mussoco" nos Prazos (que tinham sido "extintos" pela terceira vez seis anos antes), que
incluía a obrigatoriedade dos homens válidos pagarem aquele imposto, se não em produtos,
então em trabalho. É dessa forma que começam a organizar-se as grandes plantações de
coqueiros e, mais tarde, de sisal e cana sacarina.

Em 1890, o futuro Comissário Régio António Enes decreta, numa revisão do Código
de Trabalho Rural de 1875 (que estabelecia apenas a obrigação "moral" dos colonos [leia-se
camponeses indígenas] de produzirem bens para comercialização), que o camponês já não tem
a opção de pagar o "mussoco" em géneros: "...O arrendatário [dos Prazos] fica obrigado a
cobrar dos colonos em trabalho rural, pelo menos metade da capitação de 800 réis, pagando
esse trabalho aos adultos na razão de 400 réis por semana e aos menores na de 200 réis".

Esse decreto impunha ainda aos prazeiros a ocupação efectiva das terras arrendadas e
o pagamento à autoridade colonial da respectiva renda. Mas os prazeiros não tinham
conseguido converter a sua actividade de simples fornecedores de escravos ou de pequenas
quantidades de produtos na de organização das plantações, não só por falta de preparação (ou
de vocação), mas também por falta de capital. O resultado foi terem sido obrigados a
subarrendar ou vender os seus prazos, terminando assim a fase feudal desta porção de
Moçambique.

7
Bibliográficas
SORENSEN, M, Dona Theodora e os seus Mozungos, Ndjira, Maputo,1998

UEM, Departamento de História, História de Moçambique, Vol. II, Agressão


Imperialista,1886.

MUSSA, Carlos, História 12a Classe-Programa Actualizado, Texto Editores, Maputo, 2015.

1930). Cadernos TEMPO. Maputo. 1983

Disponivel in https://www.escolademoz.com/2017/03/os-prazos-da-coroa-em-
mocambique.html#:~:text=Os%20prazos%20foram%20uma%20unidade%20pol%C3%ADtic
a%20criada%20pelos,que%20a%20Coroa%20fazia%20com%20os%20seus%20mercadores.
Acesso em 12/11/2020 pelas8h44minutos.