Material de Apoio - Crimes Hediondos e Equiparados O presente foi elaborado pelo Professor Sérgio Ronaldo Sace Bautzer do Santos

Filho, auxiliado pelo Bel. André Luiz Araújo Portela. Longe de querer inovar no campo doutrinário, o material serve como roteiro para os assuntos abordados durante o curso, além de complementar as anotações feitas durante as aulas. Sérgio Ronaldo Sace Bautzer do Santos Filho - Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal. - Professor de Legislação Especial Penal, Processo Penal e Estatuto da Criança e do Adolescente, do Curso Vestconcursos -DF. - Professor de Legislação Extravagante e da disciplina Sistema de Provas no Inquérito Policial, da Academia da Polícia Civil do Distrito Federal. - Ex-Advogado. e-mail - s.bautzer@aasp.org.br André Luiz Araújo Portela - Bacharel em Direito. - Pós-Graduando em Ciências Criminais pela UCAM do Rio de Janeiro. - Co-autor do livros “Senado Federal – Dicas Quentes”, “Supremo Tribunal Federal – Analista Judiciário – Estude e Passe” , dentre outros publicados pela Editora Vestcon.

1. CONCEITO DE CRIME HEDIONDO O delito hediondo é aquele considerado repugnante, bárbaro ou asqueroso. 2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL Dispõe o art. 5º, XLIII da Carta Magna: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos

como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem” Ao dispor sobre os crimes hediondos e equiparados na Constituição de 1988, o legislador originário determinou que tais delitos tivessem um tratamento mais rigoroso que os demais. Além do comando a ser seguido, a Lei Fundamental também determinou que os crimes de tráfico de drogas, terrorismo e tortura recebessem o mesmo tratamento rigoroso dado aos crimes hediondos. Assim, tais delitos foram considerados como equiparados ou assemelhados aos hediondos. Em diversos concursos, o examinador já questionou o candidato em questões de múltipla escolha quais eram os crimes hediondos e quais eram os assemelhados. 3. PREVISÃO LEGAL Para regulamentar o dispositivo constitucional já mencionado, o legislador ordinário editou a lei 8072/90. 4. SISTEMAS Para a concepção de crime hediondo, há três sistemas básicos. São eles: 1. Sistema Legal – Cabe a lei definir quais são os crimes considerados hediondos; 2. Sistema Judicial – Cabe ao juiz, de acordo com o caso concreto, estabelecer os delitos que serão considerados hediondos; 3. Sistema Misto – Como o próprio nome sugere neste sistema, a lei define os crimes hediondos, facultando ao juiz diante do caso em concreto, estabelecer outros delitos. De forma bem clara, na legislação brasileira, o caráter hediondo de um crime depende de previsão na lei 8072/90. Assim, o rol não pode ser ampliado pelo juiz, que não poderá este conferir a hediondez a um crime que não conste no elenco. 5. TENTATIVA E CONSUMAÇÃO Como rege a cabeça do art. 1º da lei 8072/90, consideram-se hediondos todos os crimes arrolados neste artigo, consumados ou tentados.

Assim já se posicionou a jurisprudência: “STJ . O homicídio privilegiado-qualificado é hediondo? Para a maioria da doutrina não é crime hediondo. ainda que cometido por um só autor. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. INCISOS III E IV. e homicídio qualificado (art. 6. Na prática. o homicídio praticado em atividade de grupo de extermínio nada mais é do que um homicídio qualificado. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. consumados ou tentados (. TENTATIVA.homicídio (art. Da leitura que se faz do artigo 121 do Código Penal. II. ROL DOS CRIMES HEDIONDOS: É primordial que o candidato memorize o rol dos crimes hediondos. Writ .PENAL.“Art. São eles: I . I. ainda que cometido por um só agente. Tais delitos não constavam do elenco original dos crimes hediondos.Código Penal. todos tipificados no Decreto-Lei no 2. percebe-se que não existe a qualificadora “atividade típica de grupo de extermínio”. CRIME HEDIONDO. HABEAS CORPUS. ART.HC 41579 / SP . Por incompatibilidade axiológica e por falta de previsão legal. o homicídio qualificado-privilegiado não integra o rol dos denominados concedido” “STJ .HC 36317 / RJ . 121. 1o .HABEAS CORPUS. IV e V).)” Grifo nosso. CRIME crimes hediondos (Precedentes).. HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO. §§ 1º E 2º. III. DO CÓDIGO PENAL. 121. O homicídio simples somente é considerado delito hediondo. § 2o. 121). de 7 de dezembro de 1940 . PROGRESSÃO DE REGIME.848..São considerados hediondos os seguintes crimes.

in fine). 1. a serem oportunamente aferidas pelo Juízo das Execuções Penais. II . o art. § 3o.072/90. fixar o regime inicial semi-aberto para o cumprimento da pena infligida ao ora Paciente. parágrafo 1º). consoante dispõe a alínea b. § 3º. 33 do Código Penal. REGIME DE PRISIONAL.latrocínio (art. c. Ordem concedida. PROGRESSÃO. . Afastada a incidência da Lei n.HABEAS CORPUS. Logo. 2. 33. do art. garantindo-se-lhe a progressão. afastada a hediondez do crime em tela. 4.NÃO ELENCADO COMO HEDIONDO. PROGRESSÃO DE REGIME. não se lhe aplicando norma que estabelece o regime fechado para o integral cumprimento da pena privativa de liberdade (Lei nº 8. 3. DIREITO PENAL. In casu. artigos 1º e 2º. Ordem concedida para. POSSIBILIDADE. do § 2º.c. ambos do Código Penal. POSSIBILIDADE 1. dois meses e vinte dias de reclusão. deve ser estabelecido o regime prisional intermediário.º 8. HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO.072/90. ADEQUAÇÃO. a pena aplicada ao réu foi de seis anos. o regime prisional deve ser fixado nos termos do disposto no art. O homicídio qualificado-privilegiado não é crime hediondo. 157. 2. O homicídio qualificado-privilegiado não figura no rol dos crimes hediondos. Precedentes do STJ. 59. e as instâncias ordinárias consideraram as circunstâncias judicias favoráveis ao réu. nas condições estabelecidas em lei.” “STJ .HC 43043 / MG .

que o estupro e o atentado violento ao pudor com violência presumida também são hediondos – HC 87495/SP. no tocante à continuidade delitiva entre estupro e atentado violento ao pudor. na forma simples. III . caput.º520 do STF. Importante lembrar que a Lei n. tal delito não é considerado hediondo.estupro (art. HC87281/MG. Por fim. 223. Assim. no julgamento do HC 89827 foi decidido que: “Em face de empate na votação. 223. 158.atentado violento ao pudor (art.extorsão qualificada pela morte (art. 159. para que conheça o posicionamento da Segunda Turma acerca da tentativa de latrocínio. a Turma deferiu habeas corpus impetrado em favor de condenado pela prática dos . caput e parágrafo único). Ocorre que a Lei se refere à forma simples e qualificada. o homem é o sujeito ativo do crime. Apesar de o crime de estupro estar previsto no código penal militar. sendo que a mulher pode ser coautora ou partícipe.Sem querer fazer uma análise profunda do crime de latrocínio. V . sugere-se que o aluno leia o informativo n. IV . e §§ lo. 213 e sua combinação com o art. Entende-se. § 2o). 2o e 3o). Os estudantes devem se atentar para o recente posicionamento do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do caráter não-hediondo dos crimes de estupro e atentado ao pudor.extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. ainda. HC 90706/BA. caput e parágrafo único). Nunca é demais lembrar que no informativo n º 457. VI . excluindo o roubo simples ou circunstanciado. A vítima do delito em estudo é a mulher. não há distinção: neste sentido o STF já se manifestou – HC 89554/DF. 214 e sua combinação com o art.º 8072/90 classifica apenas o latrocínio como crime hediondo.

(HC-89827)” Já no Informativo 527 do STF. ainda. consoante assentado pela jurisprudência do STF. da Lei 8. 66 da LOMAN. Rejeitou-se. uma vez que ambos são crimes contra a liberdade sexual e. a teor do art. Entendeu-se que a circunstância de esses delitos não possuírem tipificação idêntica não seria suficiente a afastar a continuidade delitiva. Vencidos. 27. A impetração pretendia a incidência da orientação firmada pelo Supremo no julgamento do HC 89827/SP (DJU de 27.) a Turma indeferiu habeas corpus impetrado contra acórdão do STJ que não reconhecera a continuidade delitiva entre o estupro e o atentado violento ao pudor praticados pelo paciente.2007). Por unanimidade.. HC 89827/SP. ainda que praticados contra a mesma vítima. caracterizam hipótese de concurso material.. declarado inconstitucional. de modo a que o juiz das execuções analise os demais requisitos da progressão do regime de execução. deferiu-se o writ para afastar o óbice legal do art. 157. a causa de aumento de pena prevista para o crime de roubo. foram praticados no mesmo contexto fático e contra a mesma vítima.4. foi veiculada a seguinte decisão: “(. relator. no ponto.072/90. e Cármen Lúcia que aplicavam a orientação da Corte. em razão do emprego de arma (CP. § 1º. ao fundamento de que. Min. a alegação de intempestividade do recurso especial do Ministério Público.2007. ainda. § 2º. e contra ele aplicara. as férias forenses suspendem a contagem dos prazos recursais. 2º.crimes de estupro e de atentado violento ao pudor para determinar a unificação das penas pelo reconhecimento de crime continuado.2. art. no sentido de que o estupro e o atentado violento ao pudor. rel. Carlos Britto. os Ministros Carlos Britto. em que . I). no caso.

com a redação dada pela Lei no 9. § 1o) Entende-se por epidemia a propagação de germes patogênicos. § 1o-A e § 1o-B. VII . Min.epidemia com resultado morte (art. não se adotou o paradigma apontado ante a diversidade das situações. o pretendido reconhecimento da continuidade delitiva entre os crimes de estupro e de atentado violento ao pudor. Também homem ou mulher poderão ser vítimas de tal crime.admitida a continuidade entre os mencionados crimes. rel. Asseverou-se que tais delitos. (HC-94714)” Cumpre ressaltar que o sujeito ativo do atentado violento ao pudor pode ser qualquer pessoa.. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. assim como argüia a necessidade de realização de perícia demonstrando a idoneidade do mecanismo lesivo do revólver — v. Cumpre ressaltar que o estudo do artigo 273 do Código Penal deve ser feito de maneira integral. que foram colocados no mercado consumidor. “prelúdio ao coito”. de igual modo. 267. No ponto. 273.falsificação. caracterizam concurso material. HC 94714/RS. Cármen Lúcia..11. Informativo 525. Rejeitou-se. ainda que perpetrados contra a mesma vítima.677. Ressalta-se que basta a morte de uma só pessoa para a configuração do crime. 4. de 2 de julho de 1998) O presente inciso foi inserido em 1998.(. porquanto efetivados em momento posterior à conjunção carnal. caput e § 1o. A transmissão dolosa do vírus HIV não configura o crime ora em comento. após o escândalo nacional dos contraceptivos de “farinha”. corrupção.2008. uma vez que os atos constitutivos do atentado violento ao pudor não consistiriam. . VII-B . no presente caso.).

este NÃO é um crime doloso contra a vida. lesivas à vida. Afirmou-se que o crime de genocídio não visa proteger a vida ou a integridade física. figurado na existência do grupo racial. A falsificação de cosméticos. integridade física ou à liberdade de locomoção são apenas MEIOS DE ATAQUE nos diversos meios de ação do criminoso. e do art. Foi asseverado que um eventual homicídio seria mero instrumento para a execução do crime de genocídio. a que pertence a pessoa ou pessoas imediatamente lesionadas. nacional ou religioso. mas sim a diversidade humana. o que ousamos discordar. cujo acórdão vale à pena ser lido na íntegra. Segue a ementa: EMENTAS: 1. Delito de caráter coletivo ou transindividual. 2o e 3o da Lei no 2. ratificada pelo Decreto nº 30.889/56. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. em todas as suas modalidades.822/52.O candidato deve ficar atento aos possíveis questionamentos acerca do inciso. Bem jurídico protegido. tentado ou consumado. bem jurídico coletivo ou transindividual. mas contra a existência de grupo racial. Primeiro. Parágrafo único. Definição legal. CRIME. O STF. Há quem diga que o genocídio é um crime equiparado ao hediondo. constituem modalidade executórias. liberdade de locomoção e a outros bens jurídicos individuais. étnico e religioso. nacional. 1o. Genocídio. 1º da Lei nº 2. étnico. no RE 351487/RR. Crime contra a diversidade humana como tal. 2º da Convenção contra o Genocídio. integridade física. Consumação mediante ações que. O tipo penal do delito de genocídio protege. . ressalta que a lesão à vida. Tutela penal da existência do grupo racial. a própria lei dos crimes hediondos considera o genocídio como tal. Segundo. de 1o de outubro de 1956.889. enfim. de saneantes ou de produtos usados em diagnóstico são crimes hediondos por incrível que pareça. Inteligência do art. o crime em estudo não foi apontado pelo Constituinte Originário como hediondo.

Penas cumulativas. Delito praticado mediante execução de doze homicídios como crime continuado. Recurso exclusivo da defesa. o que pode gerar confusão no estudante. a integridade física ou mental. cc. Porém.. CONCURSO DE CRIMES. na execução do delito de genocídio. ATENÇÃO . em tese. a liberdade de locomoção etc. e art.O crime de envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal era crime hediondo. Submissão teórica ao art. Improvimento. 3. 74. Não caracterização. Não podem os réus. Genocídio. no juízo federal monocrático. em concurso formal. segunda parte. COMPETÊNCIA CRIMINAL. 7 . Ações criminosas resultantes de desígnios autônomos. Recurso exclusivo da defesa. receber a pena destes além da pena daquele. Caso de concurso formal. § 1º. Feito da competência da Justiça Federal. Julgamento cometido. Inteligência do art. Ação penal. 2. a qual é posta em risco por ações que podem também ser ofensivas a bens jurídicos individuais. I. Concurso aparente de normas. ao tribunal do júri. doze homicídios.étnico ou religioso. Crime unitário. XXXVIII. Compete ao tribunal do júri da Justiça Federal julgar os delitos de genocídio e de homicídio ou homicídios dolosos que constituíram modalidade de sua execução. Condenação dos réus apenas pelo delito de genocídio. da CF. no âmbito de recurso exclusivo da defesa. Conexão.EFEITOS JURÍDICOS . 78. 5º. caput. Impossibilidade de reformatio in peius. Concurso formal entre genocídio e homicídios dolosos agravados. tal delito continua no elenco dos crimes suscetíveis de decretação de prisão temporária. do Código de Processo Penal. Condenação exclusiva pelo delito de genocídio. art. do Código Penal. que cometeram. 70. como o direito à vida.

tão somente. 2º desta Lei. ou seja. abrange ‘indulto’ e ‘comutação de penas’. de onde o artigo supracitado retira a sua validade. graça. da CF. É causa extintiva da punibilidade do agente. a concessão de graça. XLIII.3. o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela constitucionalidade do art. abrange várias pessoas.464. da Lei nº 8. . INDULTO Também é concedido pelo Presidente da República por meio de decreto.fiança. 2º. já que no art. por meio de lei federal.072/90 . Trata-se de uma espécie de perdão estatal. inc. 7. a concessão da anistia.anistia. da CF. 5º. são insuscetíveis de anistia. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I . (Redação dada pela Lei nº 11. É coletivo. Todavia. É correto afirmar que a graça é o indulto individual. É atribuição do Congresso Nacional. É causa extintiva da punibilidade. pois possui um caráter de generalidade. Art. previsto no dispositivo constitucional. os crimes hediondos e os equiparados. A inclusão do indulto no artigo 2 º da Lei dos Crimes Hediondos gerou discussões acerca da sua constitucionalidade. 5º. ANISTIA Entende-se por anistia o “esquecimento” jurídico de uma ou mais infrações.2. II . graça e indulto. 2º Os crimes hediondos.ADI 2795 MC/DF. indulto e de fiança. de 2007) 7. 7. Todos os efeitos de natureza penal deixam de existir. GRAÇA É a concessão de “perdão” pelo Presidente da República por meio de decreto. LIMITADO à vedação prevista no inciso XLIII. a prática da tortura. a anistia e fiança. proíbe. I. do art. Entendeu-se que a concessão de indulto aos condenados a penas privativas de liberdade insere-se no exercício do poder discricionário do Presidente da República.1.Como rege o art. Foi argüido que o termo ‘graça’.

8. inciso LXVI da CF. que é vedada a concessão de liberdade provisória com arbitramento de fiança para tais delitos. ou seja. É uma garantia constitucional prevista no Art. não impedia o relaxamento do flagrante: quando a) ocorresse excesso de prazo da prisão processual.1. com ou sem fiança” A Constituição e a lei nº 8. 5º. o Ministro de Estado. Há quem diga que.072/90 dizem que os crimes hediondos e equiparados são inafiançáveis. no caso de cometimento de crimes hediondos ou equiparados. do STF e o HC 93591/MS. entende-se que se a liberdade provisória com fiança não é permitida. ou seja. b) não confirmada à situação de flagrância e se c) reconhecida à nulidade na lavratura do auto de prisão.229/SP. devemos nos lembrar da Súmula 697/STF.072/90. Neste sentido. quando a lei admitir a liberdade provisória. assim redigido: “ninguém será levado à prisão ou nela mantido. vale citar o HC 93. LIBERDADE PROVISÓRIA E FIANÇA 8.5º. . da CF. que diz: “A proibição da liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo” Cumpre ressaltar que a lei nº 11. a proibição de liberdade provisória decorreria da inafiançabilidade prevista no art. possibilitou a concessão de liberdade provisória sem arbitramento de fiança.Por delegação do Presidente da República. podem conceder indulto ou comutar penas no caso de crimes não-hediondos.464/07. Quanto ao tema. o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União. do STJ. mesmo com a alteração na lei dos crimes hediondos. com mais razão não seria a liberdade provisória sem fiança. A vedação à liberdade provisória. LIBERDADE PROVISÓRIA A liberdade provisória é concedida ao indiciado ou ao réu preso cautelarmente. antes expressamente prevista na Lei nº 8. XLIII.

da Lei nº 11343/06. PROGRESSÃO DE REGIME A antiga redação do art. a fiança proporcionará a reparação recolhimento de determinada garantia. tem suscitado que a redação conferida ao art.072/90. 44 da Lei n. Eros Grau enfatiza a excepcionalidade da liberdade provisória nos crimes de tráfico de drogas. Vale indicar que a antiga redação do artigo 2º não encontrava perfeita sintonia com o princípio constitucional da individualização da pena. 8. O STF. Muitos sustentaram que tal possibilidade deveria ser dada aos demais crimes hediondos e equiparados. II. a Lei de Tortura inovou no ordenamento jurídico dispondo que era possível que o condenado por tal delito pudesse progredir de regime. que proíbe. NÃO PREPONDERA sobre o disposto no art. da Lei nº 8. Em 1997. EXPRESSAMENTE. pela Lei nº 11. 9. isto é. FIANÇA É a garantia prestada pelo indiciado ou réu preso para que responda ao inquérito ou ao processo-crime em liberdade. a satisfação da multa e as custas processuais. 2º da Lei nº 8.464/07. Pode-se falar que a fiança tem duas finalidades que são: 1) 2) É a de substituir a prisão. 2º. que pode ser em bens ou dinheiro.072/90 afirmava que a pena privativa de liberdade por crime previsto na lei deveria ser cumprida em regime integralmente fechado.No que concerne aos crimes de tráfico de drogas. A súmula perdeu a razão de ser com a declaração de inconstitucionalidade da vedação à progressão de regime prevista na lei dos Crimes Hediondos e a conseqüente alteração realizada pela lei 11464 de 2007. 44. a concessão de liberdade provisória em se tratando de tráfico de drogas – HC 92495/PE: Informativo 508. o art. em manifestações recentes. por meio da Súmula 698 disse que não se estenderia aos demais crimes hediondos e equiparados a admissibilidade de progressão no regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura.º 11. Assim. o preso obtém sua liberdade mediante o No caso de o acusado ser condenado. Porém o STF.2. No HC 94916/RS: Informativo 522 – o Ilustre Min. do dano. quase 16 anos .343/06 veda de maneira expressa a concessão de liberdade provisória sem fixação de fiança aos delitos em comento.

072/90 . Assim.artigo 5º. em sua essência.464/07.ÓBICE . tem como razão maior a ressocialização do preso que. a progressão do regime passou a ser EXPRESSAMENTE admitida. Conflita com a garantia da individualização da pena . se o apenado for primário a progressão ocorrerá após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena. Nova inteligência do princípio da individualização da pena. o Supremo Tribunal Federal entendeu no julgamento do HC 82.ARTIGO 2º. Para os outros crimes.HC 82959 / SP .EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. a regra constitucional em estudo. voltará ao convívio social.depois da edição da Lei dos Crimes Hediondos. prorrogável por igual período. em caso de extrema e comprovada necessidade. semi-aberto e aberto. se reincidente após o cumprimento de 3/5 (três quintos). inciso XLVI. da Lei nº 8. mediante norma. 10. § 1º. PRISÃO TEMPORÁRIA NOS CRIMES HEDIONDOS O prazo da prisão temporária nos crimes hediondos será de trinta dias. em evolução jurisprudencial.CRIMES HEDIONDOS REGIME DE CUMPRIMENTO PROGRESSÃO . também prorrogável por igual período. em caso de extrema e comprovada necessidade.INCONSTITUCIONALIDADE . 2º.PROGRESSÃO RAZÃO DE SER. . mais dia ou menos dia. DA LEI Nº 8. § 1º.959. o prazo da prisão temporária é de cinco dias. (GRIFAMOS)” Com o advento da Lei nº 11.REGIME DE CUMPRIMENTO . “STF . do cumprimento da pena em regime integralmente fechado. da Constituição Federal . assentada a inconstitucionalidade do artigo 2º.a imposição. A progressão no regime de cumprimento da pena.SÃO PAULO Ementa PENA . o art. PENA . § 1º. que a vedação de progressão de regime ofendia.072/90. nas espécies fechado.

º 11. de 2007) O Superior Tribunal de Justiça vem se manifestando no sentido de que somente será imposto ao réu o recolhimento provisório quando presentes as hipóteses do art. (Redação dada pela Lei nº 11. Uma importante observação a ser feita é com relação ao art. do art. POSSIBILIDADE DE SE RECORRER EM LIBERDADE Rege a lei dos Crimes Hediondos: § 3º Em caso de sentença condenatória. 2º. o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. 312.464. uma vez que o regime de cumprimento de pena no caso de condenação por crime hediondo era integralmente fechado. LIVRAMENTO CONDICIONAL . Tal entendimento poderá ainda ser atribuído ao instituto do SURSIS. alguns Ministros citavam a inconstitucionalidade do já mencionado artigo. desde que preenchidos os requisitos para a substituição. Com a alteração introduzida pela Lei n. conforme redação anterior do §1º. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO No STF predominava o entendimento de que não era possível a substituição. pode-se argüir pela possibilidade de substituição da pena.343/06. assim. Julgados recentes: RHC 23987/SP e HC 92886/SP.É cabível prisão temporária em todos os crimes hediondos e equiparados.072/90. da Lei nº 8. mas nem todos os crimes previstos na Lei da Prisão Temporária são hediondos. que veda expressamente a aplicação de penas restritivas ao condenado pelos crimes de tráfico. havendo. 11. 11. já que o óbice legal anteriormente usado pelos que defendiam a sua inadmissibilidade foi extraído da lei. admitindo a progressão de regime.º11464/07. do CPP. uma releitura da Súmula 09. 12. De outra parte. 44 da Lei n.

(Inciso incluído pela Lei nº 8. in fine).9. O art. I. comete qualquer outro crime tratado na lei. de 6. de 6. § 2o). e homicídio qualificado (art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes. de 7 de dezembro de 1940 . § 3º.1994) I . (Inciso incluído pela Lei nº 8. 158. desde que não seja reincidente específico.Ampliativa – O criminosos após ser condenado por um dos crimes hediondos ou equiparado. 157. III. todos tipificados no DecretoLei no 2.930.Denominada restritiva .1994) . o condenado deve cumprir 2/3 da reprimenda imposta.cumprido mais de dois terços da pena. ainda que cometido por um só agente. IV e V).Código Penal. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio.É a concessão de liberdade antecipada pelo juiz. e terrorismo. consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 8. mediante a existência de determinados requisitos. Art. 121).072. (Inciso incluído pela Lei nº 8. DE 25 DE JULHO DE 1990.9.latrocínio (art. II. prática da tortura. ao condenado.O criminoso já condenado por um crime hediondo comete novamente o mesmo delito. nos casos de condenação por crime hediondo.1994) III .9.930. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. 121. de 6.homicídio (art. 12.9.1994) II . e observadas algumas condições durante o restante da pena que deveria cumprir preso. V do Código Penal tem a seguinte redação: “V .848. se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza" Além dos requisitos já estabelecidos no CP.1 REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA: O QUE É? 1ª corrente. LEI Nº 8. § 2º.930.extorsão qualificada pela morte (art. 83.930. de 6. 2ª corrente.

(Redação dada pela Lei nº 11.464.fiança. 273.extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. (Redação dada pela Lei nº 11.1994) VII . e §§ lº. de 6.695. 213 e sua combinação com o art. caput. (Inciso incluído pela Lei nº 9.falsificação.677.9. 214 e sua combinação com o art.930.atentado violento ao pudor (art. (Inciso incluído pela Lei nº 8. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art.695. § 1º).930. caput e parágrafo único). a prática da tortura.930. 223. com a redação dada pela Lei no 9. 2º Os crimes hediondos. de 6.889.8.1994) V . (Parágrafo incluído pela Lei nº 8. de 20.8. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I . de 6. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. (Inciso incluído pela Lei nº 8.930. § 1º-A e § 1º-B. corrupção. caput e § 1º. de 2 de julho de 1998). de 2007) .1994) Art. de 2007) § 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado.9. 1º.epidemia com resultado morte (art. 223. (Inciso incluído pela Lei nº 8. 267.1998) Parágrafo único.9. caput e parágrafo único). de 6.464.1994) VII-A – (VETADO) (Inciso incluído pela Lei nº 9.1994) VI .anistia. tentado ou consumado. 2 º e 3 º da Lei no 2. 2º e 3º). II . de 1o de outubro de 1956.9. 159. (Inciso incluído pela Lei nº 8.1998) VII-B . de 6. graça e indulto. de 20.930.estupro (art.9.IV .

... se o apenado for primário... 5º Ao art...464. 83 do Código Penal é acrescido o seguinte inciso: "Art.... caput e seus §§ 1º........ terá o prazo de 30 (trinta) dias..... 2º e 3º... “V ......... 267.. passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.. 6º Os arts.. 4º (Vetado).. caput e 270. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. de 21 de dezembro de 1989.... 159. nos casos de condenação por crime hediondo.... . 157. cuja permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem ou incolumidade pública... 3º A União manterá estabelecimentos penais.. e de 3/5 (três quintos)... destinados ao cumprimento de penas impostas a condenados de alta periculosidade.§ 2º A progressão de regime.. e terrorismo. Art... o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade... nos crimes previstos neste artigo..... se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.. de 2007) § 3º Em caso de sentença condenatória.. 157..464... de 2007) Art. (Redação dada pela Lei nº 11.. 214...... 223.. 83.464... § 3º.... caput.... Art. dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena. se reincidente... (Redação dada pela Lei nº 11...... todos do Código Penal.... ....960... sobre a qual dispõe a Lei no 7... prática da tortura....... de 2007) § 4º A prisão temporária. caput e seu parágrafo único...” Art.cumprido mais de dois terços da pena...... ......... no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo.... 213... (Incluído pela Lei nº 11.... de segurança máxima.

.............reclusão. . a pena é de reclusão. Art... 214... ...... 223....... § 2º.................... de cinco a quinze anos........ ....reclusão.....reclusão......... Art...... de vinte e quatro a trinta anos.... a reclusão é de vinte a trinta anos.....reclusão. Pena ............. 159.... Art... de seis a dez anos.. Pena .. .§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave.. Pena .. além da multa....... .... se resulta morte....reclusão... . § 3º.... Pena ............... § 1º . Pena ..... de dezesseis a vinte e quatro anos................... Art...... .reclusão........................ de oito a quinze anos.. Pena ........ sem prejuízo da multa...... .. de seis a dez anos....... 213...... de doze a vinte anos....

.. terá sua pena reduzida de um a dois terços... ......... 159...Pena . . Pena . 7º Ao art... “. de dez a quinze anos. 288 do Código Penal... Art...reclusão... prática da tortura..... 159 do Código Penal fica acrescido o seguinte parágrafo: "Art. 267...... de doze a vinte e cinco anos. Pena .. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art........ Pena .reclusão...... ... . o co-autor que denunciá-lo à autoridade. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. . Parágrafo único.. § 4º Se o crime é cometido por quadrilha ou bando......... .. Art.reclusão............. de oito a doze anos.. 270.. quando se tratar de crimes hediondos.. de dez a quinze anos. facilitando a libertação do seqüestrado.reclusão.....” Art.. ..." Art........

Parágrafo único... O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. ... 12. de 26... 223. Brasília.... 13. 213...368... Art.. 6º para os crimes capitulados nos arts. caput e sua combinação com o art. 35 da Lei nº 6.. Art.... respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão. . 9º As penas fixadas no art. 10. de 21 de outubro de 1976... estando a vítima em qualquer das hipóteses referidas no art... 12. Parágrafo único... 159.. 214 e sua combinação com o art....1990.O. caput e seus §§ 1º........ 158. 224 também do Código Penal.....7.. 2º e 3º.U... Art.. § 3º.. 11.. 25 de julho de 1990. Art. 13 e 14. passa a vigorar acrescido de parágrafo único... são acrescidas de metade. Revogam-se as disposições em contrário. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação." Art.. 35. caput e parágrafo único. todos do Código Penal... Os prazos procedimentais deste capítulo serão contados em dobro quando se tratar dos crimes previstos nos arts.. 223. FERNANDO COLLOR Bernardo Cabral Este texto não substitui o publicado no D. § 2º... (Vetado). 169º da Independência e 102º da República... com a seguinte redação: "Art..... 157. O art... possibilitando seu desmantelamento. caput e parágrafo único.. terá a pena reduzida de um a dois terços..

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