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Disciplina: LITERATURA ATIVIDADE /2021

Professora: JEANE

Aluno (a): N0: Série: 3º NA

Curso: ENSINO MÉDIO Período: M Data: Nota:

TEXTO A
[...]
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
[...]
TEXTO B
Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
[...]

Esses trechos fazem parte dos  poemas que  são atribuídos a Alberto Caeiro, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa.
a)      O que caracteriza esse heterônimo?
b)      O que há de comum nesses dois poemas? Justifique a sua resposta.

2.  Apropriando-se da temática de Ricardo Reis, discorra sobre os trechos a seguir estabelecendo


comparações entre eles.

TEXTO I
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida


Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.


Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
[...]
TEXTO II
Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.

De todo o esforço seguremos quedas


As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,


Bebendo a goles os instantes frescos,
[...]

3.Leia o texto de fernando pessoa e  dê uma interpretação coerente a última estrofe.
O AMOR QUANDO SE REVELA

O amor, quando se revela,


não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.

[...]
Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe


o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar...

4.O texto a seguir pertence ao autor português Mário de Sá Carneiro.


É possível estabeler comparações entre a vida do autor e o poema  Dispersão? Justifique.

Perdi-me dentro de mim


Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
[...]
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
[...]
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho, erro —
Não me acho no que projeto.
[...]
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

5. Fernando Pessoa, o mais importante escritor modernista português, famoso pela sua original
capacidade de criar heterônimos, ou seja, poetas dotados de autenticidade. É como se o poeta se
desdobrasse em vários outros. Esse desdobramento permite diferentes maneiras de ver e interpretar o
mundo. A partir dessa afirmação comente sobre a produção literária dos principais heterônimos de
Fernando Pessoa.

6. Associe os versos aos heterônimos de Fernando Pessoa

a.” Eu não tenho filosofia, tenho sentidos

Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe porque ama, nem o que é amar...”

b. “Segue o teu destino

rega as tuas plantas

Ama as tuas rosas

O resto é sombra

De árvores alheias”

c. “Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, as vontades

Assim, como sou, tenham paciência!

Vão para o diabo sem mim,

Ou deixe-me ir sozinho para o diabo!

Para que havemos de ir juntos?”


7.

Autopsicografia 
Fernando Pessoa 

O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 
E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem 
Não as duas que ele teve, 
Mas só as que eles não têm. 
E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração. 

(PESSOA, Fernando. Cancioneiro. In: Fernando Pessoa: obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar,
1972. p 164-165.)

QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO

1. Qual é o tema desse poema? 

2. Qual é o impasse vivenciado pelo poeta no processo de criação? 

3. Qual é alternativa que não se relaciona ao poema? Justifique sua resposta. 

a) Uso de redondilhas menores, forma poética popular em Portugal. 


b) A primeira estrofe apresenta a relação entre autor e obra. 
c) A segunda estrofe apresenta a relação entre leitor e obra. 
d A terceira estrofe mostra a consequência da relação entre autor, leitor, obra, emoção e razão. 
e) O mundo fictício criado pelo poeta é percebido pelo leitor como verdade. 

4. Que alternativa não está de acordo como o poema? 

a) O poema expressa os sentimentos reais imediatos vivenciados pelo poeta. 


b) O poema é fruto da criação e do trabalho de linguagem elaborado pelo poeta.
c) "Autopsicografia" é um poema metalinguístico, pois tematiza o processo de criação. 
d) Há um diálogo entre o eu do escritor (ser criador, real) e o eu poético (personalidade fictícia).
e) Cada leitor vivencia a dor fingida pelo poeta de acordo com sua experiência pessoal. 

5. Qual é a função dos versos que vêm após o primeiro: "O poeta é um fingidor"? 

6. A segunda estrofe faz referência à experiência da dor. Explique-a. 

7. De acordo com a terceira estrofe, qual é o efeito do poema no leitor? E no criador? 

8. A que se referem os termos a seguir, extraídos ao poema? 


a) "calhas de roda"
b) "comboio de corda"

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