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O

BACKGROUND ESOTÉRICO DA MEDIA ELETRÔNICA


extraído do livro “Rela/ng to Rudolf Steiner and the Laying of the Founda/on Stone” de Sergei Prokofieff
e traduzido por Ana Paula I. Cury

Compreendam a sub-natureza por aquilo que ela realmente é


Rudolf Steiner, Março de 1925

Introdução

O leitor deste trabalho pode perguntar como este apêndice se relaciona aos temas tão
extensamente discu/dos. A resposta para isto reside no úl/mo capítulo, que nos mostra que a
busca por um relacionamento espiritual com Rudolf Steiner e seu mais importante feito
esotérico na Terra – o Congresso de Natal como fundação da Sociedade Antroposófica
Universal – pode tornar-se o meio para criar uma necessária contra-resposta aos
computadores e à internet, e à publicação dos textos esotéricos em forma eletrônica.

As Dimensões Esotéricas da Internet

A natureza da internet é melhor compreendida do ponto de vista esotérico com base na


palestra proferida por Steiner em Dornach, no dia 13 de maio de 1921 (GA 204). Nesta
conferência Rudolf Steiner descreve como o futuro desenvolvimento do intelecto abstrato de
hoje irá lentamente produzir um novo /po de reino natural. Este intelecto, cujo caráter é
meramente reflexivo – isto é, forma imagens que são como sombras da realidade mesma, não
possuindo em si realidade alguma – só pode funcionar “automa/camente”. Ele só pode
compreender a matéria como tal, e nunca o etérico. Muito menos pode ele penetrar a alma ou
o mundo espiritual. Este reino natural fantasmagórico será formado entre os reinos mineral e
vegetal, e virá à existência após a reunião de Lua e Terra, do sé/mo para o oitavo milênio.

A Imaginação da Teia de Aranha

É alarmante como as descrições de Steiner sobre este reino podem ser acuradas e precisas em
relação à situação do mundo contemporâneo:

“E da Terra surgirá uma terrível raça de seres, em seu caráter a meio caminho entre o mineral e
o vegetal, como seres robó/cos de um intelecto extremo, intenso e lógico. Eles se espalharão e
dominarão a Terra, envolvendo-a como que numa terrível teia de aranhas – aranhas de enorme
sabedoria, cuja organização, entretanto não chega ao nível das plantas. Estas terríveis aranhas
se entrelaçarão umas às outras e entretecerão, imitando em seus movimentos tudo o que os
seres humanos /verem concebido com seu intelecto sombrio e espectral (virtual) – sem
permi/r que ele seja inspirado por uma nova imaginação, e por tudo o que pode vir através da
Ciência Espiritual. Todos os pensamentos irreais humanos deste /po assumirão realidade
existencial. A Terra será coberta (...) com terríveis seres como aranhas meio minerais maio
vegetais, que tecerão interconexões bem racionais umas com as outras, porém com intenção
malévola. E o ser humano (...) terá de juntar-se com estas terríveis criaturas aracnóides.”

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Estas criaturas aracnóides serão eminentemente arimânicas em seu caráter. Lendo estas
palavras profé/cas do cien/sta espiritual, hoje, numa era da computação globalizada e dos
links da internet, podemos nos sen/r desolados ao notar quão velozmente esta profecia está
se tornando uma realidade na Terra. É como se Rudolf Steiner, com seu olhar espiritual,
es/vesse descrevendo a internet de hoje de um ponto de vista além do limiar, adver/ndo a
humanidade categoricamente de que em um futuro não muito distante, quando Lua e Terra
novamente se unirem, toda esta internet e toda a rede (teia) de computadores – e de fato,
tudo quanto esteja relacionado ao desenvolvimento do intelecto e da inteligência ar/ficial –
virá subitamente à vida. E então nós teremos de fundir nosso ser a estas terríveis criaturas
aracnóides meio pedras, meio plantas. Se considerarmos quantas pessoas hoje,
par/cularmente jovens, se tornaram viciadas no computador e passam a maior parte de seu
tempo em frente a uma tela sem vontade suficiente para abandoná-la, então podemos
imaginar a natureza desta dependência infinitamente maior de um tal reino aracnóide se esta
rede vier à existência no futuro. Será quase impossível nos desligar dela. A imagem
aterrorizante de um inseto preso na teia de uma enorme aranha devoradora, tentando em vão
livrar-se, oferece um quadro apropriado deste futuro humano. E será uma tarefa muito
especial da magia branca libertar estas pessoas de seu vínculo com estes seres.

Criada com Intenção

Na palestra acima mencionada, Rudolf Steiner também indica que existem certos círculos
ocultos bem conscientes da aproximação deste perigo, que têm a intenção de fomentá-lo
deliberadamente mantendo isto em segredo. “Existem aqueles [seres humanos] que são
conscientemente aliados da intenção de emaranhar a existência humana”.

Se tomarmos as palavras de Steiner seriamente, não pode haver dúvida de que precisamente
estes círculos ocultos que, embora sendo conhecedores destes segredos acima citados ainda
impulsionam a humanidade nesta direção, também cunharam um nome adequado para a
internet, o mais apropriado instrumento para a/ngir este futuro, e o espalharam como um
código secreto: WWW – World Wide Web.

No meu modo de ver estes círculos ocultos pertencem a fraternidades secretas do mundo de
língua inglesa cujos esforços polí/cos Rudolf Steiner caracterizou de maneira tão lúcida em
suas palestras durante a Primeira Guerra Mundial. Isto não significa, entretanto, que aqueles
que deram à internet seu nome, pertençam, eles mesmos, a tais círculos ocultos. Eles são mais
provavelmente instrumentos daqueles sem um conhecimento do fato. Isto levanta a seguinte
questão: Seriam algumas outras logomarcas oriundas da mesma fonte? Por exemplo, a cadeia
de hotéis “Sorat” na Alemanha (cuja maior unidade está no centro de Berlim); ou as antenas
de satélites cuja apresentação se dá através de grandes letras vermelhas formando o nome
SatAn no centro de seu disco; ou os mais recentes sistemas de computadores em que se
encontram imagens e palavras demoníacas – como por exemplo, o browser “Mozzila”
retratando a cabeça de um dragão vermelho, etc. Ao final da mesma palestra Rudolf Steiner
reitera como que antecipando as crí/cas de alguns antropósofos: “A humanidade pode fechar
seus olhos para certas coisas e pode dizer: Bem, isto é enxergar pelo em ovo. Mas os sinais
estão realmente aí e os seres humanos deveriam entendê-los. Tais sinais, que podem ser
claramente vistos hoje e devem ser compreendidos, especialmente pelos antropósofos,
também incluem o seguinte:

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O Número da Besta

De acordo com os ensinamentos ocultos da Kabala, todas as letras hebraicas têm um


equivalente numérico. Rudolf Steiner falou a respeito disso em detalhes em seu ciclo sobre o
Apocalipse, em relação à decifração do nome do demônio solar, “Sorat”. Nesta ocasião Rudolf
Steiner apontou que o correspondente numérico da letra W (Waw em hebraico) é o número 6.
Disto depreende-se que o significado oculto de ‘www’ é 666, o número da besta, da qual diz o
Apocalipse: “Aqui fala a sabedoria. Quem quer que tenha a habilidade de pensá-la, que
procure o significado do número da besta. E ele é o número do Homem. E seu número é
seiscentos e sessenta e seis.” O número do Homem significa que a besta, que não é de
natureza humana, u/lizará algo derivado do próprio homem para seus ataques contra a
humanidade. Em minha opinião, a internet e tudo o que está conectado à inteligência ar/ficial
é parte disto.

Para concluir, as metas dos círculos ocultos aos quais se fez alusão não se relacionam somente
ao emaranhamento espiritual e a armadilhas tramadas contra a humanidade, mas à pretensão
de colocar todo empreendimento a serviço de ‘Sorat’. Como este é primariamente o oponente
do princípio do Eu dentro da humanidade, o emaranhamento da raça humana pela inteligência
ar/ficial que /ver finalmente chegado à vida deverá conduzir à perda do ego.

Conectando-se com a Sub-Natureza

É bastante claro hoje em dia que a indústria digital está se orientando precisamente nesta
direção. No presente os computadores ainda são baseados em chips de silício, que são usados
predominantemente para conduzir eletricidade e armazenar informação. Mas a próxima
geração de chips que vem por aí, é tal que não somente eletricidade, mas também luz será
u/lizada como portadora de informação. Isto significa que um chip do mesmo tamanho pode
conter infinitamente mais informação que a geração de chips anterior. Mas isto ainda está a
um longo caminho da meta final de desenvolvimento neste campo, uma vez que já existem
grandes empresas no Ocidente fazendo experiências com chips já não mais baseados na luz,
mas em elementos microbiológicos como portadores de informação. Estes novos chips
biológicos igualmente aumentarão significa/vamente as unidades de informação que podem
guardar comparados aos chips de luz. Como eles serão permeados por eletricidade, estes
biochips estarão firme e indubitavelmente ligados à sub-natureza desde o início. Assim todo o
desenvolvimento tem se movido inequivocamente na direção indicada por Steiner em sua
imaginação de uma teia de aranhas cruzando toda a Terra e mais tarde vindo à vida.

Eletronicamente Comprimidos

Algo similar, embora numa forma diferente, ocorre no caso do CD, DVD ou do Disco Rígido
externo. Para compreender o que isto realmente significa temos de lembrar que quando a
Inteligência Cósmica regida por Michael desceu do Sol à Terra a fim de se tornar Inteligência
Humana, ela passou por um processo massivo de compressão ou contração. Esta inteligência,
na medida em que Ahriman não se apodera dela no ser humano, torna-se outra vez
naturalmente livre após a morte, durante a expansão do corpo etérico no cosmos – ou seja,
durante o processo polarmente oposto à sua compressão prévia. Somente o moderno caminho
espiritual, fundado no desenvolvimento do pensar vivo pode produzir esta expansão no mundo

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supra-sensível já durante a existência terrena e com isso assegurar à humanidade uma nova e
consciente conexão com o cosmos, e com o próprio Michael.

Par/cularmente desde 1998 (3 x 666), os poderes arimânicos a serviço de Sorat têm atuado em
oposição a isso. Ahriman – fazendo uso das forças da sub-natureza – quer penetrar a
Inteligência Michaélica com sua inteligência ar/ficialmente criada, que inclui a digitalização do
pensamento. Para ele este é um dos caminhos através dos quais pode obter poder sobre a
Inteligência terrena. Isto começou com a fixação dos pensamentos humanos através da
tecnologia de impressão e agora segue com a digitalização. ‘O que Ahriman quer obter de
Michael através da impressão? Ele quer – e vocês podem ver isto acontecendo hoje em toda
parte – conquistar esta inteligência: esta conquista da inteligência prevalecerá onde quer que
as condições existentes a favoreçam. ’

E Ahriman encontra tais condições favoráveis especialmente no mundo dos computadores e da


indústria digital.

Material Antroposófico

Com a digitalização da obra de Rudolf Steiner, a mais completa edição na Terra, o processo da
compressão arimânica torna-se palpável. A coleção completa das obras de Steiner hoje
compreende aproximadamente 350 volumes. Digitalmente colacionada em CR-Rom isto ainda
significa um bom número de discos. Com a tecnologia do DVD, entretanto, os 350 volumes
podem ser comprimidos em dois ou três discos. U/lizando-se um Hard Disc externo, então
deverá haver espaço suficiente para todo o legado ar{s/co. Se alguém possui um senso para
uma perspec/va espiritual, dói só de pensar nisto.

Ao mesmo tempo esta incrível fixação e compressão de material de cunho espiritual são
realizadas porque a indústria da computação e dos CDs e DVDs draga, arrasta tudo ainda mais
para a sub-natureza – em contraste com a impressão que, embora também pertença a
Ahriman, tem sido até certo grau conectada ao mundo natural via processos mecânicos. Na
sub-natureza, porém as forças arimânicas possuem poderes extraordinários com os quais elas
divisarão ainda maiores milagres técnicos no futuro do que foi o caso até o presente. Não
sucumbam à ilusão de que se possa enobrecer o uso da internet ou dos CDs e DVDs da forma
sugerida por Steiner no caso da impressão. No âmbito da sub-natureza, os obstáculos são
muito maiores. Uma das razões para isto é o que Rudolf Steiner afirma como uma das
principais condições para o enobrecimento da impressão: “Nós temos de redimir a impressão
através de um sen/mento de reverência por aquilo que vive na sabedoria Michaélica”. Em
contraste com isto, a internet ou os CDs e DVDs reduzem todas as coisas ao nível da
informação puramente abstrata e, além disso, fragmentam tudo em pequeníssimas partes
byte-sized – o que faz lembrar a imagem de Osíris cortado em pedaços por Typhon –
disseminando-os entre os homens de uma forma que torna a reverência quase impossível.

A Ilusão do Sistema Binário

Se alguém inves/ga a natureza do computador com base nisto, examinando a maneira segundo
a qual a informação é processada e armazenada, então descobre que tudo está baseado no
sistema binário (zero ou um, sim ou não, verdadeiro ou falso), que pode ser quan/ta/vamente

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mul/plicado ao infinito através de repe/ções e diferentes combinações. Rudolf Steiner
denomina este princípio que forma a base para o computador através do mundo inteiro, “a
ilusão do sistema binário”.

Isto também se liga diretamente ao poder dentro da humanidade que em nosso tempo luta
mais ardentemente contra o impulso de Michael, o qual está sempre conectado ao número
três: “Nesta nova consciência da humanidade está con/da a ilusão do sistema binário, que vela
a verdade do número três”. Depois desta passagem, Rudolf Steiner segue descrevendo como
tudo o que emerge da inspiração Michaélica é sempre tríplice ou trimembrado: a
trimembração do organismo social, as três figuras do conjunto escultural do Representante da
humanidade, o ritmo da meditação da Pedra Fundamental, etc. Aqui, a Sociedade
Antroposófica e par/cularmente a Escola Superior Livre de Ciência do Espírito têm uma tarefa
especial: contrapor conscientemente ao princípio arimânico do sistema binário, que os
computadores em par/cular têm disseminado pelo mundo, o tríplice princípio Michaélico
como a pedra fundamental mais importante para uma futura cultura espiritual; e realizá-lo em
todas as áreas de a/vidade e vida humana.

A Encarnação de Ahriman

Na mesma palestra Rudolf Steiner fala adiante do duo ou do número binário: “Tudo quanto
está a/vo a par/r desta concepção ilusória é criação de influência arimânica, daquela
influência que no futuro se concentrará na encarnação de Ahriman da qual já temos falado”.
Segue-se disto que toda a indústria do computador e da Internet é hoje o meio mais eficaz de
preparação da iminente encarnação de Ahriman, ou ao menos de permi/r que sua tarefa
terrena transcorra tão tranquilamente quanto possível. A inter-net, (worldwide web) a ampla
teia mundial dos seres arimânicos aracnóides emaranhando a Terra, terá desde o início um
relacionamento direto com o aparecimento |sico de Ahriman na Terra; ela o servirá de
maneira par/cularmente eficaz e oferecerá condições extremamente favoráveis `a consecução
de seus intentos.

Hoje se pode encontrar na internet os ataques mais difamatórios e retaliadores contra Rudolf
Steiner, Antroposofia, Escolas Waldorf e outras ins/tuições e movimentos conectados com a
Ciência Espiritual Antroposófica. E este impacto adverso globalmente disseminado vai muito
além da impressão. Não há dúvida de que isto crescerá no futuro, par/cularmente com a
publicação da edição completa em DVD e na internet, porque então todas as supostas
passagens vulneráveis estarão fácil e rapidamente acessíveis.

Vivendo com o Computador

O que foi dito não significa, entretanto, que se deva deixar de usar o computador ou a internet.
Eles são parte de nossa civilização. Ao mesmo tempo eles representam a maior tentação
arimânica que a humanidade enfrenta hoje e terá de enfrentar cada vez mais no futuro. É
crucial, portanto, assim como muitos problemas similares que nos confrontam na civilização
contemporânea, que nós dominemos o computador e a internet e não o contrário. O inverso
pode facilmente ocorrer se não tomarmos a sério ou ignorarmos a advertência de Rudolf
Steiner e desse modo não percebermos o que está realmente acontecendo. Se nós quisermos
manter nossa autonomia em relação ao mundo do computador, temos de diferenciar entre
usar um recurso técnico obje/vamente em nosso trabalho e a situação em que ultrapassamos

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o limite que, a princípio não é notável, mas a par/r do qual a sedução arimânica começa a
assumir o controle. Neste caso, nós gradualmente nos tornaremos em instrumentos para
propósitos alheios à nossa vontade, sem o reconhecermos, e lentamente mergulharemos nós
mesmos na sub-natureza.

Ler na Luz Astral

Na palestra de 13 de Janeiro de 1924, Rudolf Steiner indicou os mais importantes impulsos


arimânicos do presente: Tudo o que está ligado à hereditariedade, todas as formas de
nacionalismo, todo pensar mecânico, abstrato, e finalmente a maneira como lidamos com a
escrita. Esta úl/ma pode efe/vamente obstruir e até impedir o desenvolvimento de nossa
capacidade de ler na luz astral, e assim impedir-nos de da aproximação de Michael. Rudolf
Steiner menciona aqui que em certas escolas Rosacrucianas o aprender a ler era proibido até a
idade de 14-15 anos a fim de não comprometer as capacidades espirituais superiores da
criança. Pela mesma razão as letras são primeiro apresentadas nas Escolas Waldorf através da
pintura e do desenho antes que se progrida até a leitura.

A arte da impressão (e suas tendências arimânicas) foi inspirada pela subterrânea contra-
escola arimânica oposta àquela de Michael: “Embora a arte de imprimir tenha de ser vista
como uma força espiritual, trata-se de uma força estabelecida por Ahriman em oposição à
Michael”. Vocês notarão que esta tendência tem sua con/nuação, quiçá sua culminação, nas
atuais formas de impressão digital a fim de alcançar sua meta mais efe/vamente: aquela de
impedir o homem de acessar sua habilidade de ler na luz astral e assim encontrar Michael no
mundo espiritual.

As Novas Imaginações

Que a internet não somente esteja em polaridade com a esfera de Michael no mundo
espiritual, mas que também seja sua contraparte arimânica pode ser depreendido da descrição
de Steiner da Inteligência Cósmica: “Inteligência é o modo pelo qual as hierarquias superiores
regulam mutuamente seus encontros e conduta, suas relações. O que elas fazem; como
interagem; a maneira como se portam umas com as outras, isto é inteligência cósmica”. A
internet está cada vez mais assumindo uma função similar entre os seres humanos. Aqui, numa
forma puramente arimânica, uma tenta/va é feita para criar uma vasta rede mundial
( worldwide web) que conecte as pessoas, tantas quanto possível – porém de tal sorte que a
humanidade se afaste progressivamente do cosmo e das hierarquias, e se enrede na acima
descrita teia de aranha arimânica. A Inteligência Michaélica veio à Terra do mundo espiritual
para que os seres humanos possam a/ngir a liberdade através do insight. A dependência do
computador, entretanto, conduz exatamente ao oposto.

Por meio de um con{nuo afastamento dos homens em relação ao mundo espiritual, o


intelecto humano se tornará cada vez mais sombrio. Este processo é par/cularmente reforçado
pelo acesso global ao computador. A fim de contrabalançar este processo, é necessário integrar
as “novas imaginações” da ciência do espírito aos conceitos e idéias intelectuais do presente.
Contudo, imprimir seus conteúdos em DVDs ou HDDs conduz ao oposto disso. Na forma de
informação puramente intelectual na web, as imaginações vivas da Antroposofia estão sendo
encarceradas numa prisão oculta.

A Natureza Especial dos Textos da Classe

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A publicação em HDD dos textos da Classe (bem como dos rituais e outros textos esotéricos de
Rudolf Steiner) pode ser experimentada como par/cularmente trágica. Rudolf Steiner faz uma
dis/nção especialmente clara entre os conteúdos da Classe e outras palestras esotéricas. Estas
foram dadas à humanidade como pensamentos e idéias, e desde o início, portanto, parecem
envoltas por um manto protetor. Esta é a razão pela qual Steiner pôde concordar com a
publicação geral após a Assembléia de Natal.

No caso dos conteúdos da Classe, trata-se, no entanto, de uma questão inteiramente diferente.
Aqui nós temos uma substância que procede diretamente do próprio Michael (da escola de
Michael) retendo assim sua forma imagina/va original, que requer uma abordagem totalmente
dis/nta. Rudolf Steiner indica este caráter dos conteúdos da Classe como segue:

“Geralmente, será, portanto, necessário que uma pessoa chegue a conhecer o mundo
espiritual a princípio na forma de idéias. É desse modo que a ciência espiritual é nutrida
inicialmente dentro da Sociedade Antroposófica Universal. Porém, haverá indivíduos que
desejarão par/cipar das representações do mundo espiritual que ascendem da forma de idéias
às expressões adotadas do próprio mundo espiritual. [...] Para estes indivíduos exis/rão as três
classes da ‘Escola’. Aqui os estudos se elevarão a graus superiores de insight esotérico. A
‘Escola’ conduzirá o par/cipante aos reinos do mundo espiritual que não são acessíveis na
forma de idéias. Aqui, torna-se necessário encontrar um meio de expressão para a imaginação,
inspiração e intuição.

Por conseguinte, o modo como tratamos os conteúdos da classe tem de ser fundamentalmente
diferente de como abordamos os conteúdos mais gerais das palestras de Rudolf Steiner. Ele
claramente exige um relacionamento dis/nto para os textos da Classe quando comparados às
suas palestras públicas

Perigos e Tarefas

Durante uma conversa par/cular Steiner uma vez indicou que o maior perigo futuro à
Antroposofia seria sua crescente intelectualização, entregando-a desse modo nas mãos de
Ahriman, o Senhor da Morte. A publicação das obras completas de Rudolf Steiner na internet e
em HDs promove uma maior aproximação desta ameaça, e com ela um passo avante na
direção da fragmentação da Antroposofia.

Este processo tem de ser neutralizado ou contrabalançado por um aumento, uma


intensificação consciente do trabalho esotérico dentro da Escola Superior Livre de Ciência do
Espírito., bem como pelo estudo me/culoso, que evite o intelectualismo, dos textos de Steiner.
Ele esperava que seus pupilos trabalhassem com seus textos de uma forma par/cular: não a
par/r do intelecto abstrato e sombrio, mas a par/r do coração, que no sen/do Michaélico
‘começa a ter pensamentos’ e, portanto, nos possibilita ascender a verdadeiras imaginações
Somente desse modo pode um lugar ser criado dentro do ser humano onde a Sabedoria
Antroposófica seja protegida de Sorat e dos poderes arimânicos que servem a ele. Tal cuidado
com a Antroposofia poderia ser uma tarefa para todos os grupos dentro da Sociedade
Antroposófica.

O Necessário Equilíbrio

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A penetração dos computadores no seio da humanidade hoje está assumindo dimensões de
/rar o fôlego. Devido à crescente computadorização, também na China, Índia e América do Sul,
este desenvolvimento está avançando inexoravelmente, e tomando tudo o que encontra pela
frente. O computador está progressivamente subs/tuindo o cinema (até para assis/r a vídeos
ou DVDs) e a televisão. Muito aponta para o fato de que computadores equipados com chips
de luz e mais tarde com biochips cada vez mais tomarão o lugar de todas as outras formas de
mídia e eventualmente as erradicará.

As seguintes palavras de Rudolf Steiner, que em seu tempo estavam relacionadas


primariamente a filmes e ao cinema, são hoje também relevantes e se aplicam aos
computadores: “Muitos fenômenos da vida cultural hoje tem um efeito destru/vo,
especialmente imagens de tela – que defini/vamente prejudicam o corpo etérico. Tais imagens
também suscitam a sensualidade”. E logo após esta colocação, Rudolf Steiner indicou o que
poderia auxiliar a humanidade: “uma verdadeira arte inspirada pelo mundo espiritual e a
ciência do espírito, que dê a necessária força interior mesmo quando a alma é invadida pelos
efeitos da mídia eletrônica”.

“A verdadeira arte pode trazer ao mundo sensorial aquilo que vem dos mundos superiores. Na
ciência do espírito nós trabalhamos junto aos poderes supra-sensíveis. Conhecimento do
Espírito é a única coisa que nos dá certeza e segurança interior. Uma a/tude cien{fico-
espiritual sustenta as pessoas e as faz felizes, pois o que a ciência do espírito lhes oferece é um
sólido ponto de referência em sua vida interior, tão necessário à vida da alma quanto o pão
diário para o corpo”.

O materialismo reforçado pela rede de computadores globalmente expandida espalha a


criação de uma ‘realidade virtual’ na qual os seres humanos inconscientemente tentam
refugiar-se do materialismo que os rodeia.

Mais e mais pessoas passam seu tempo no mundo das sombras e de sonhos ilimitados a fim de
escapar aos problemas e questões, de outra forma, atormentadores. Isto, contudo,
gradualmente libera os desejos humanos mais selvagens. Rudolf Steiner indica esta ameaça
assim: “Isto vai desde os sonhos das pessoas entorpecidas pela bebida até o ímpeto para
cometer crimes, pois os adversários dos arqueus atuam deste modo no mundo dos sen/dos”.
Isto é obra de seres arimânicos que hoje se revoltam contra Michael, Espírito do Tempo, e que
recorrem a todos os meios possíveis. Hoje isto inclui o computador e a internet.

Infelizmente não é possível evitar ou impedir este desenvolvimento:

“Cada pessoa deve tentar sen/r seu lugar no mundo, deve experimentar algo do que está
atormentando a humanidade da forma já descrita. Fraqueza, incerteza, perda de equilíbrio se
tornarão a regra. As pessoas que oscilam entre a fantasia e o materialismo jamais encontrarão
seu lugar”.

Por isso – e é preciso dizê-lo com toda a ênfase e clareza possível – não se trata de recuar
alarmado ou de se abster do uso do computador ou da internet. O que se deveria fazer, ao
invés disso é não se tornar eufórico ou obcecado pelas possibilidades técnicas oferecidas pelos
computadores, o que pode chegar até a adicção, mas criar um equilíbrio necessário no espírito
para o que tem que se desenvolver no plano material.

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Em par/cular três conseqüências nega/vas para os seres humanos do mundo dos PCs e sua
ampla aplicação (que também inclui a produção de imagens fotográficas) devem ser
apontadas. São elas:

1. Passividade no âmbito do Pensar

2. Destruição da faculdade de Imaginação

3. Enfraquecimento da Vontade

Todas elas apresentam um caráter eminentemente an/-Michaélico. Isto pode ser visto
claramente do que se segue: ‘Michael, o Príncipe Flamejante do Pensamento no universo’
espera que a humanidade use livremente o dom da inteligência para a/vamente penetrar o
mundo espiritual com entendimento, de modo que um relacionamento consciente com
Michael e a esfera espiritual possa se desenvolver.

Michael também está diretamente envolvido no processo que se inicia em nosso tempo em
que gradualmente a força da imaginação penetrará a consciência intelectual comum da
humanidade. A mais importante tarefa dos séculos vindouros da quinta época pós-atlante é o
passo decisivo da aquisição e domínio da imaginação consciente, por meio da qual a
humanidade pode conscientemente entrar no reino espiritual onde hoje vive o Cristo etérico.

Michael tem ainda uma importante tarefa hoje em relação à vontade humana:

“É tarefa de Michael conduzir o homem de volta, nos caminhos da vontade, ao lugar de onde
veio quando desceu, na trilha do pensar, da experiência viva do supra-sensível à experiência do
mundo sensório com a consciência terrena”.

Em outras palavras, Michael quer guiar a humanidade de volta e de modo consciente, sobre os
caminhos da vontade, o que primariamente implica a vontade aplicada ao pensar, do âmbito
sensorialmente percep{vel a uma experiência do supra-sensível.

Do que foi dito fica claro que as três formas de debilitação do ser humano interior resultantes
da excessiva preocupação com a mídia eletrônica, têm um caráter decididamente an/-
Michaélico. É, portanto, vital contrabalançar isto com medidas cien{fico-espirituais
apropriadas, que tenham sua fonte no próprio Michael, a fim de combater o ataque arimânico,
oriundo da esfera da sub-natureza, à humanidade.

“Na ciência do espírito nós agora criamos uma outra esfera na qual não existe qualquer
elemento arimânico. E precisamente ao assimilar esta espiritualidade do conhecimento à qual
os poderes arimânicos não têm acesso, o ser humano é fortalecido para o confronto com
Ahriman no mundo”.

Um estudo cien{fico-espiritual intensivo, pra/cado com a maior seriedade tal como ensinado
no primeiro estágio do moderno caminho de iniciação, é fundamental para equilibrar a tão
disseminada indolência do pensar.

É preciso que nos acostumemos a ver as coisas como elas são no mundo, a par/r de um ponto
de vista amplo e não egoísta. A melhor maneira de fazê-lo para uma pessoa comum esperando
seguir o caminho Rosacruz é estudar as coisas elementares ensinadas pela ciência do espírito...

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Trabalhar com estas verdades purifica o pensar, disciplinando-o de sorte que ele então esteja
pronto para os passos no treinamento ocul/sta que se seguirá.

Em relação a isto, Rudolf Steiner aponta em par/cular para seus livros Verdade e Ciência e A
Filosofia da Liberdade, e chama o estudo e o ocupar-se deles de um exercício mental e
espiritual no pensar. Assim, a ciência espiritual pode dar à humanidade o instrumento para
superar a passividade no pensar, que é uma doença de nossa civilização.

Através da mídia eletrônica, o pensar humano torna-se cada vez mais dependente das forças
da sub-natureza, mesmo que este seja um processo inconsciente para grande parte das
pessoas. Isto demanda uma correção consciente do pensar, uma contra-resposta da supra-
natureza: em outras palavras, o pensamento focado nos conteúdos da ciência espiritual. Isto
pode ser conseguido mediante o estudo criterioso da ciência do espírito.

Segue-se o mesmo para a dimensão da imaginação. As imagens fotográficas (cinema) matam


as forças da imaginação na alma, mas isto pode ser neutralizado especialmente pela verdadeira
arte que tem sua fonte nos mundos superiores. Para isso, entretanto, precisamos de um
desenvolvimento na direção do verdadeiro pensar com o coração. Em contraste com a cabeça,
o coração pensa em imaginações, que podem então exercer um efeito social intenso e
constru/vo que por sua vez pode superar a solidão e o isolamento causado pelo uso indevido
computadores.

Aqui deve ser salientado, contudo, que isto não diz respeito à arte em geral e nem a qualquer
/po de arte, mas somente à arte que vivifica e a/va o corpo etérico humano. Isto pode ser
encontrado na genuína Euritmia, na verdadeira Arte da Fala, no trabalho ar{s/co com as cores
com raízes na experiência etérica. Mas como mesmo estas artes perderam parcialmente sua
conexão com as forças etéricas vivificantes hoje, uma estrita diferenciação tem de ser aplicada
neste critério.

Observações Goetheanís/cas de fenômenos naturais também têm seu lugar por seu caráter
fortemente imagina/vo, o que permite desenvolver forças úteis para equilibrar a destruição
das faculdades imagina/vas pela mídia eletrônica.

É importante enfa/zar uma vez mais a diferença fundamental já mencionada entre um texto
que aparece numa tela e um texto impresso na página de um livro. O úl/mo, como produto
final, ainda pertence ao mundo natural e pode, portanto, ser ar/s/camente realçado de muitas
maneiras, principalmente oferecendo ao leitor a possibilidade, baseada em seu formato, de
gerar um ânimo apropriado à vivência dos conteúdos do livro. Isto, porém, desaparece
completamente com a reprodução eletrônica de um texto, uma vez que ele está unicamente
ocupado com o nível da ‘informação’.

Igualmente, o enfraquecimento da vontade, algo que em nosso tempo se tornou um traço


geral da civilização, é exacerbado pelo tempo que se passa diante de uma tela. Aqui há o
perigo de que as pessoas com uma força de vontade já debilitada sejam mais facilmente
manipuladas pelos supracitados círculos ocultos. Através da mídia eletrônica elas podem se
tornar um alvo fácil para estas en/dades desconhecidas.

Esta real ameaça só pode ser neutralizada pela livre decisão de meditar, a qual Rudolf Steiner
classificou como o mais livre ato do ser humano, e que pode conduzir a uma enérgica e intensa

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vida medita/va. Trabalhar com os assim chamados exercícios básicos ou colaterais também
pode ser de grande ajuda.

Já é tempo de encontrarmos a coragem interior para reconhecer que a mídia eletrônica agora,
assim como outrora fez a invenção da prensa, representa a mais forte arma contra Michael. A
úl/ma, entretanto, ainda foi criada a par/r de forças naturais enquanto que a primeira emergiu
da sub-natureza.

As orientações opostas da mídia eletrônica e o impulso de Michael podem ser ilustrados por
mais dois exemplos: Rudolf Steiner diz de Michael: “Ele libera pensamentos da esfera da
cabeça; ele abre o caminho para o coração”. Exatamente o oposto disto ocorre através da mídia
eletrônica, em que o pensamento é fortemente atrelado à região da cabeça. Aqui o perigo
existe de que as forças do coração sejam progressivamente subme/das aos fortes impulsos da
sub-natureza e ao âmbito dos ins/ntos. O caminho do dragão das regiões subconscientes da
vontade humana, conectadas ao sistema metabólico, irrompem em direção ao coração. Como
as forças Michaélicas podem contrabalançar isto hoje está descrito por Rudolf Steiner na
palestra de 27 de setembro de 1923. Contudo, estas forças Michaélicas só se tornam efe/vas
em nós quando, sobretudo, nosso fascínio pelas infinitas possibilidades da mídia eletrônica for
subs/tuído por um real entusiasmo pelo trabalho medita/vo com conteúdos espirituais.

O segundo exemplo está relacionado às seguintes palavras de Steiner:

“É missão de Michael introduzir nos corpos etéricos humanos as forças mediante as quais o
pensamento morto possa recuperar a vida; então as almas e os espíritos nos mundos supra-
sensíveis se inclinarão em direção a estes pensamentos vivificados”.

Estas palavras mostram em que medida o ser da mídia eletrônica se opõe a Michael. A mídia
eletrônica, uma vez que preserva a natureza sombria dos pensamentos humanos, através da
‘Realidade Virtual’ encarcera-os numa masmorra. Isto é o que torna tão mais di|cil es/mular
nossos pensamentos e levá-los a um contato consciente com os bons seres do mundo
espiritual.

O estudo da Ciência Espiritual, um interesse pela arte genuína e por uma a/va vida medita/va
Michaélica pode oferecer um an{doto eficaz para o inevitável encontro com a mídia eletrônica
na civilização moderna. Isto possibilita manter o relacionamento com Michael e até mesmo
permite que seus impulsos sejam levados para baixo, para os reinos da sub-natureza.

Em outras palavras, não se trata de permanecer passivo em relação à imensa tentação ligada à
mídia eletrônica, mas, uma vez que ela é uma realidade do mundo contemporâneo, assumir
nosso posto na batalha e lutar ao lado de Michael contra ela. Para tanto é preciso que nos
municiemos adequadamente como já foi discu/do mais cedo neste capítulo.

A Sociedade Antroposófica, e sua Escola Esotérica, podem tornar-se um forte bas/ão contra os
efeitos nega/vos globais da mídia eletrônica. A primeira através do intenso cul/vo do estudo
da Ciência Espiritual e a promoção das várias artes antroposoficamente inspiradas; e a úl/ma,
mediante o desenvolvimento de uma rica vida medita/va no sen/do de Michael, como é
adequado aos nossos tempos.

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A outra tentação, que a internet em par/cular fomenta entre os homens, é a ilusão de que
suas possibilidades oferecem um novo /po de rede de relacionamentos sociais entre as
pessoas. Mas aqui facilmente passa despercebido o fato de que isto surge somente no nível da
informação pura, e apenas dentro da sub-natureza. Aqui também não se trata de condenar
este /po de conexão, porém antes de criar uma resposta adequada a isto. Naturalmente que
quando uma crescente escravização da humanidade pelas forças da sub-natureza pode ser
claramente reconhecida, isto só se pode realizar ao longo das palavras de Steiner nas linhas
citadas no início deste apêndice, de forma que um novo relacionamento, plenamente
consciente entre as pessoas, criado a par/r da livre vontade, possa surgir com a ajuda da
supra-natureza.

Na Assembléia de Natal, por meio da recém fundada Sociedade Antroposófica Universal,


Rudolf Steiner estabeleceu as precondições para este /po de construção comunitária que
extrai as forças da supra-natureza. Como mencionado em outra parte, isto passava pela
realização das palavras do Cisto: ‘Meu Reino não é deste mundo’(João 18, 36), que Rudolf
Steiner interpretou como significando que o próprio Cristo desceu a este mundo a fim de
estabelecer seu próprio reino no meio do mundo controlado por Ahriman, e dar à humanidade
a possibilidade de par/cipar do desenvolvimento do Seu Reino.

Par/ndo deste arqué/po, Rudolf Steiner deu aos membros da Sociedade Antroposófica a Pedra
Fundamental supra-sensível, ou a Pedra fundamental do Amor, de sorte que alicerçada nela
uma nova comunidade pudesse surgir. Esta comunidade pode então erguer-se firmemente
dentro da moderna civilização amplamente arimanizada, mas ancorada em algo que, como
Pedra Fundamental do Amor, não foi criada a par/r deste mundo senão que a par/r do Reino
de Cristo.

Assim Rudolf Steiner deu à humanidade uma nova forma social que é ao mesmo tempo
inteiramente Crís/ca; e à medida que ela se espalhe pelo mundo será capaz de, a par/r do
mundo supra-sensível, criar o contrabalanço, a resposta equilibradora à teia de aranha que, tal
como descrito anteriormente, emerge diretamente da sub-natureza.

Do que foi dito, fica claro que o tema da mídia eletrônica é in/mamente conectado com a
segunda parte deste livro. Com o Mistério da colocação da Pedra Fundamental, Rudolf Steiner
deu à humanidade um instrumento espiritual para engajar-se, de modo Michaélico, no mundo,
com tudo o que já agora nos aflige e o seguirá fazendo indubitavelmente no futuro.

O tema tratado no início deste livro também guarda ín/ma relação com os problemas que
estamos considerando aqui. Enquanto a publicação eletrônica dos conteúdos esotéricos da
obra de Rudolf Steiner já é agora uma realidade inalterável, a questão sobre como podemos
criar um efeito neutralizador, um contrabalanço, permanece em aberto. A solução, em minha
opinião, reside na tarefa apresentada na primeira seção deste volume: Como podemos nos
colocar em relação direta, em conexão com Rudolf Steiner hoje?

Se este relacionamento for estabelecido e con/nuar a ser nutrido pelos membros da Sociedade
Antroposófica então as conseqüências nega/vas de tal publicação para o futuro des/no da
Escola de Michael poderão ser rever/das. Somente por meio de um verdadeiro
relacionamento com Rudolf Steiner é que o cumprimento da condição por ele es/pulada – de
que seu trabalho jamais fosse separado de seu nome, será assegurado. Não são somente os

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seres humanos na Terra que podem assegurar isto, mas também o mundo espiritual, os
antropósofos que já cruzaram o umbral da morte e o próprio Rudolf Steiner.

Para que isto aconteça, entretanto, mais uma condição tem de ser cumprida. Agora que as
obras completas de Steiner, incluindo os textos mais esotéricos e ín/mos, foram
disponibilizados ao grande público – que dificilmente os tratará de forma diferente da que faz
com qualquer outro texto da literatura esotérica no mercado—o seguinte é ainda mais
necessário do que durante a vida de Steiner. Tem de haver pessoas que possuam uma correta e
adequada a/tude de recep/vidade para carregar adiante os conteúdos que Steiner
desenvolveu a par/r da natureza da moderna iniciação, e que formam o cerne dos novos
Mistérios. Somente desse modo pode a publicação destes textos ser balanceada e reves/da de
maneira espiritual, evitando danos que de outra forma forçosamente ocorreriam.

Assim fala Rudolf Steiner na úl/ma palestra do ciclo de Páscoa após o congresso de natal em
1923/24 em Dornach:

“Mas acima de tudo isto será necessário: o conhecimento, a visão, e a experiência consciente
do espiritual que pode surgir da moderna iniciação devem ser livremente encontrados com
reverência e profundo respeito. Pois se não houver reverência, se não a entesourarmos, o
verdadeiro conhecimento, de fato, qualquer vida espiritual da humanidade será em realidade
impossível”.

Hoje, em contraste, a mídia eletrônica impera com sucesso singular sobre tudo quanto se
encontra em seu âmbito de poder – de sorte que mesmo textos esotéricos são dragados ao
nível da pura informação, e assim todo sen/mento de reverência e respeito é podado ainda em
botão, antes de desabrochar.

Esta tendência, no entanto, tem de ser contraposta por um processo consciente que foi
assumido e desenvolvido por Rudolf Steiner e que remonta a Goethe, Schiller e Novalis.
Goethe jamais teria empreendido a fundamentação de seus estudos cien{ficos sem a
capacidade de abordar os fenômenos naturais com a mais profunda reverência. E Schiller
nunca teria desenvolvido seus ideais revolucionários de liberdade sem a mesma profunda
reverência pela natureza da humanidade. Novalis, da mesma forma, jamais teria estabelecido
seu idealismo mágico se não fosse pela profunda reverência com que se dirigia ao mundo
espiritual.

Pode-se, portanto, ver nas citadas palavras de Steiner um vínculo direto com e o
desenvolvimento do que Goethe já referira como “Província Pedagógica” no livro II de O
Aprendizado de Wilhelm Meister. Ali ele indica que ninguém hoje em dia traz consigo ao
mundo as forças de veneração como um dom natural, mas tem de desenvolvê-las livremente
como uma tarefa: “Mas há uma coisa que ninguém traz ao mundo e, no entanto, tudo
depende disto se os seres humanos quiserem de fato ser plenamente humanos... Devoção!”
Assim Goethe já apontava que nós não podemos mais extrair devoção de an/gas forças
herdadas, mas somente de novas forças ob/das por meio da auto-educação.

Somente quando membros da Sociedade Antroposófica despertarem e desenvolverem estas


forças – que, como vimos, criam o fundamento para o moderno caminho de iniciação na época
da alma da consciência – e as aplicarem no trabalho com os textos esotéricos da Escola de

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Michael, é que um equilíbrio poderá ser gerado redimindo a publicação destes textos em geral
e em seu formato eletrônico, em par/cular.

Estas são as mais urgentes tarefas da Sociedade Antroposófica, de um lado, e da Escola de


Ciência do Espírito de outro. Se na primeira houver uma intensiva ocupação com os Mistérios
da Colocação da Pedra Fundamental – ou seja, com suas próprias bases esotéricas – de sorte
os frutos de tal trabalho se tornem visíveis como uma força edificadora da comunidade; e se
dentro da Escola de Michael, o relacionamento com seu fundador Rudolf Steiner e seu guia, o
Espírito do Tempo, for corretamente nutrido, então creio que as conseqüências nega/vas da
publicação citada poderão ser rever/das. Então a calamidade – como no conto de Goethe—
poderá ser transformada em um ímpeto ainda mais forte para o nosso trabalho, e para a
renovada vontade de assumir e realizar as metas que Rudolf Steiner estabeleceu para a
Sociedade Antroposófica e sua alma, a Escola Superior Livre de Ciência do Espírito.

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