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Políticas Sociais

e Questões
Contemporâneas
Material Teórico
Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Mauricio Vlamir Ferreira

Revisão Técnica:
Prof. Me. Priscila Beralda Moreira de Oliveira
a

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Políticas Sociais e Questões
Contemporâneas

• Contexto Global e Nacional;


• Gestão e Financiamento;
• Análise da Conjuntura Econômica e Política na Contemporaneidade
e seus Desdobramentos no Campo das Políticas Sociais;
• Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Explicar de que forma o neoliberalismo contribuiu para desestabilizar
o sistema econômico mundial, fragilizando as relações trabalhistas
também no Brasil e aumentando os fatores da exclusão social.
· Identificar de que forma a lógica do Estado Mínimo prejudica o
desenvolvimento de países periféricos como o Brasil.
· Evidenciar como a instabilidade política e econômica afetam o
desenvolvimento e a ampliação das Políticas Sociais no Brasil.
· Elucidar de que forma o modelo de Proteção Social e a Seguridade
Social do Brasil funcionam e quais são as prioridades de suas ações.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
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estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
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Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Contextualização
Atualmente o Serviço Social desafia a ordem vigente e coloca para sua meta
de ação o trabalho dialético do sujeito, considerando as relações sociais em que
se inserem os trabalhadores. Vai além, define marcos e conceitos que permitem a
meta de uma sociedade que viverá em um sistema que só será possível e imaginável
com o fim da relação capital do trabalho da forma como o conhecemos nos
dias atuais.

Enquanto essa perspectiva parece distante, o Assistente Social deve lutar pela sua
valorização contínua, enquanto sujeito técnico da classe trabalhadora, que, em sua
ação do dia a dia, preserva sua integridade ética e contribui para a conscientização
do sujeito em sua transformação social diante das condições desfavoráveis que esse
mesmo sujeito encontra no momento do atendimento.

De acordo o ideário neoliberal, o interesse por políticas de inclusão e geração de


renda não vão ao encontro dos interesses do capital especulativo, uma vez que a
prática das políticas sociais não almeja o lucro para o investidor que exige o retorno
de um Estado que vise ao enxugamento de gastos e que honre primeiramente com
os débitos de seus credores.

As políticas sociais nos últimos anos mudaram o cenário da situação de


desigualdade no Brasil dos últimos temos, graças à implantação da Política Nacional
da Assistência Social e do Sistema Único da Assistência Social (SUAS).

As garantias da proteção social da assistência social são determinadas pela:


segurança da acolhida; segurança social de renda; segurança do convívio ou
convivência familiar, comunitária e social; além da segurança de desenvolvimento
da autonomia individual, familiar e social, segurança de sobrevivência a riscos
circunstanciais, de acordo com a recomendação da NOB/SUAS (2012).

As garantias da proteção social estão divididas entre a proteção social básica


(PSB) e a proteção social especial (PSE).

A Proteção Social Básica é a garantia da proteção social que determina a inclusão


das famílias para o fortalecimento dos seus vínculos, inclusive em sua comunidade,
tendo como o maior fim o direito à cidadania e o acesso aos serviços públicos.

A Proteção Social Especial tem como meta principal a contribuição para


a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, o fortalecimento de
potencialidades e aquisições e a proteção de famílias e indivíduos para o
enfrentamento das situações de riscos pessoais e sociais, por violação de direitos.

A seguridade social brasileira, instituída com a Constituição brasileira de 1988,


incorporou princípios dos modelos bismarckiano (alemão) e beveridgiano (inglês)
ao restringir a previdência aos trabalhadores contribuintes, universalizando a saúde
e limitando a assistência social a quem dela necessitar.

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Contexto Global e Nacional
Dentro das perspectivas encontradas e diante da lógica de um sistema excludente
e consumista em que o corporativismo das profissões, num mundo capitalista, é a
ordem imposta no mercado de trabalho e, consequentemente, diante das classes de
trabalhadores representados em seus conselhos, sindicatos e associações, o Serviço
Social tem a sua origem nas damas da caridade e no berço da igreja conservadora
da primeira metade do século XX.

Figura 1
Fonte: iStock/Getty Images

Porém, atualmente o Serviço Social desafia a ordem vigente e coloca como sua
meta de ação o trabalho dialético entre os sujeitos, considerando as relações sociais
em que se inserem os trabalhadores e indo além, definindo marcos e conceitos que
permitam a construção de uma sociedade que viva em um sistema que só é possível
e imaginável com o fim da relação capital/trabalho da forma como conhecemos
nos dias atuais.

Dessa forma, trazer a ação da profissão, dentro de sua concepção ético-política,


é o grande desafio do Serviço Social, uma vez que a sua atuação isolada não
contemplará os anseios urgentes da massa da população excluída e tão sedenta de
políticas sociais que transformem seu cotidiano de opressão para uma perspectiva
de mudança e de uma sociedade mais igualitária.

Passam pela lógica do Serviço Social, portanto, o trabalho conjunto


interdisciplinar, intersetorial e multiprofissional, onde as políticas públicas devem se
integrar e interagir em ações de trabalho materializado.

Esse processo acontece no atendimento ao usuário, na urbanização de favelas,


na articulação das políticas de inclusão social ou ainda na inserção do protagonismo
popular como ferramenta de transformação de uma sociedade passiva no que diz

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

respeito a essas políticas para uma sociedade onde o sujeito defina, em conjunto
com a sua família, com os seus vizinhos, com governos, com os técnicos, a
materialização dos seus anseios.

As prerrogativas atuais são importantes para que no futuro o Serviço Social não
seja mais dependente de políticas assistencialistas ou de emergência, e sim defina
em conjunto com os seus pares, que habitam o território, as melhores medidas e
soluções para fazer valer o direito de realmente poder exercer sua cidadania.

Enquanto essa perspectiva parece distante, o Assistente Social deve lutar pela
sua valorização contínua enquanto sujeito técnico da classe trabalhadora, que em
sua ação do dia a dia preserva sua integridade ética, contribui para a conscientização
do sujeito em sua transformação social diante das condições desfavoráveis que ele
encontra no momento do atendimento.

As condições dadas aos profissionais do Serviço Social devem ser consolidadas para a
sua ação plena e para a preservação da saúde física e mental de seus profissionais, na
perspectiva de uma ação de garantia de conquistas e de direitos desses profissionais.

Assim como nas 30 horas semanais, a definição do piso para a categoria


foi implementado e conquistado, além do reconhecimento da importância dos
profissionais do Serviço Social para a sociedade. Essa foi uma conquista tanto nas
áreas gerais de atuação (Assistência, Saúde, Educação, Empresas, etc.), como para
os desafios da área acadêmica da pesquisa científica e na utilização e aproveitamento
dos recursos tecnológicos, tanto para a capacitação à atualização, quanto na ação
teórica e prática da profissão.

Para tanto, o avanço do projeto ético-político do Serviço Social passa


impreterivelmente pela organização, unidade de luta e pelo avanço da participação
da categoria. Tanto nas discussões como na participação efetiva de conquistas,
garantias e implementações de direitos e ações que permitam de fato a amplificação
das marcas e vozes da categoria num avanço coletivo dentro da perspectiva do
avanço social e de uma sociedade mais justa e participativa.

No mundo atual, há ações que precisam ser iniciadas no sentido de diminuir a


violência da pobreza. Essa violência passa, obrigatoriamente, pelo enfraquecimento
das leis de caráter social procurando proteger não apenas às famílias em
venerabilidade social dos países como também passa pela fragmentação das
relações entre o capitalismo e os trabalhadores.

O neoliberalismo cria em suas entranhas um conjunto de ações que propiciam o


enfraquecimento dos direitos da classe trabalhadora e a ampliação da pobreza em
favor de uma classe dominante sustentada exatamente na exploração de classes
menos desfavorecidas de trabalhadores.

A pouca ou inexistente garantia de direitos sociais em países periféricos forma


uma grande camada de pessoas que trabalham exaustivamente. Esses trabalhadores

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são mal remunerados e atuam por mais de 12 horas, alguns em condições sub-
humanas, com instalações precárias e má alimentação. Os seus ganhos são irrisórios
e, na maioria das vezes, esses não ganham para conseguir se libertar de dívidas
estratosféricas criadas pelos seus superiores para eternizar esses trabalhadores em
uma infinita linha de produção.

Um exemplo disso são as péssimas condições de trabalho nas quais se encontram


pessoas vindas de países vizinhos ao Brasil, principalmente da Bolívia. Além do
fato de trabalharem irregularmente por serem imigrantes, esses trabalhadores são
pagos irrisoriamente por um dia de produção em fábricas de roupas precariamente
instaladas em porões e cortiços de casas alugadas em bairros periféricos,
principalmente na cidade de São Paulo.

Mas por que em pleno século XXI isso acontece?

Isso acontece pelo fato do capitalista, dono dos meios de produção, procurar
obter o máximo do lucro. Se em um sistema direto de produção o dono do capital
pode lucrar o máximo sem precisar ser o dono dos meios de produção, então ele
usa de um instrumento que é a peça mágica principal para o aumento de seus
lucros: a terceirização.

A terceirização é o meio mais eficiente de redução de custos de produção, porém


também é o mais injusto, de precarização nas relações trabalhistas. Isso porque,
com a terceirização, o dono do capital não investe na produção. Na terceirização,
pequenas empresas, muitas vezes ilegalmente e precariamente constituídas, são
responsáveis pela produção de materiais para as grandes empresas.

Nesse círculo de produção terceirizado, o dono do capital da grande empresa tem


apenas o trabalho de remunerar, ou seja, pagar para as pequenas empresas pela
produção do material manufaturado. Consequentemente, as pequenas empresas
não precisam estar legalmente constituídas, pois, se estivessem, necessariamente
deveriam pagar direitos aos trabalhadores, além de pagar impostos pela produção
das mercadorias. Nesse sistema ilegal de produção, os trabalhadores são o elo mais
frágil e os que menos terão direitos.

Em um sistema neoliberal, a desregulamentação dos direitos dos trabalhadores


gera uma insegurança social sem precedentes, uma vez que a troca de uma política
de garantias de desenvolvimento social pelo Estado pela política do Estado Mínimo
neoliberal faz com que o sistema de direitos sociais também seja atingido.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre o neoliberalismo, recomendamos que você assista
ao vídeo sobre o tema do programa Brasilianas.org. O programa discute a crise do sistema
neoliberal com o economista da Universidade Estadual da Paraíba, José Carlos de Assis,
e o físico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Francisco Antonio Doria.
O link desse vídeo pode ser encontrado no material complementar para atividades de
aprofundamento.

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Gestão e Financiamento
O sistema econômico vigente, baseado na especulação financeira, mostra que
essa forma de economia está desgastada. As provas de que os desgastes nessa
frágil economia baseada na especulação financeira existem são as intermináveis
recessões por todas as regiões do mundo, onde não há perspectivas para um
rápido crescimento.

Na Europa, países periféricos da zona do Euro (€), ou seja, os de menor


influência foram sufocados em acordos de recessão para ajustes de contas públicas
e quitações de débitos com os países mais ricos.

E quem paga o preço de uma política de recessão?

Os contribuintes, que são, em sua maioria, os trabalhadores assalariados.

Em alguns países, como no caso do Brasil, essas políticas


de recessão são pagas com o desemprego e o aumen-
to de impostos. Assim, aumentando-se os impostos, o
Governo encontrará caixa para quitar o rombo de suas
contas públicas, uma vez que essas são contratos feitos
entre o Governo e os seus fornecedores.

Se o Governo não paga a quem deve, ele não consegue realizar novos contratos
e, não realizando novos contratos, a administração pública para de governar. Se
não há governo, também não há investimentos em educação, saúde, segurança,
infraestrutura e, tampouco, investimentos na área social.

Essa situação de endividamento dos governos e a falta de investimentos fazem


com que o governo seja obrigado a emitir títulos de dívida pública e oferecer esses
títulos para poder vendê-los no mercado e pagar aos investidores no futuro. Assim,
com a venda desses títulos em curto prazo, o Estado acaba se curvando à lógica do
capital especulativo e, consequentemente, acaba por não priorizar as políticas sociais.

A Lógica do Neoliberalismo é a Lógica do Estado Mínimo


Por isso, de acordo com essa perspectiva, o interesse por políticas de inclusão
e geração de renda não vai ao encontro do interesse do capital especulativo, uma
vez que a prática das políticas sociais não almeja o lucro para o investidor, que
exige o retorno de um Estado que vise ao enxugamento de gastos e que honre
primeiramente os débitos com seus credores.

Essa lógica perversa faz com que as políticas sociais sejam criticadas e combatidas
pela elite burguesa, assim como por setores conservadores da sociedade. Programas
sociais do governo brasileiro, como o programa Bolsa Família, são cada vez mais

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contestados e, diante do agravamento da crise política nacional e seus rumos
indefinidos, tem-se a perspectiva de cortes drásticos no financiamento de programas
de distribuição de renda no país.

Em países onde o grau de desenvolvimento e inclusão social ainda não atingiu


um padrão minimamente satisfatório, há um sistema de proteção social embasado
na lógica das desigualdades sociais, com ações inclusivas, porém com outras
financiadas por empresas privadas. É uma constatação que se faz não apenas na
área social, mas também na área da saúde, educação, saneamento básico, entre
outras políticas públicas.

O grande problema da interferência do capital privado, seja em ações


independentes, seja em parcerias e convênios com o Estado, é que elas (as ações)
acabam por expor a fragilização que ainda encontram as políticas públicas. E, por
muitas vezes, o grande interesse do capital privado é gerir diretamente essas ações,
uma vez as políticas públicas podem gerar lucro em funções que deveriam haver
uma intervenção direta do Estado.

Assim, cria-se uma relação muitas vezes promíscua em que, ao longo do tempo,
poder-se-á criar uma dependência do Estado em relação às ações de políticas,
incluída aí a área social.

Mais uma vez dentro dessa perspectiva, o assistencialismo e a filantropia, por


muitas vezes, vão substituindo as ações que deveriam ser planejadas e executadas
pelo poder público.

No Brasil, quanto mais alinhado o governo com as posições dos conceitos


neoliberais, maior será a ingerência das ações da iniciativa privada no planejamento
e no freio do custeamento de recursos destinados diretamente às mãos dos usuários
da assistência social. Cria-se assim um sistema de política social por diversas
vezes terceirizado, onde por diversas vezes existe a precarização do trabalho e a
desvalorização salarial dos assistentes sociais.

Por diversas vezes as nomenclaturas dos assistentes sociais são mascaradas em


termos como “Agente de Proteção Social”, “Articulador Social”. Essas novas
nomenclaturas acabam por desvalorizar os direitos garantidos e regulamentados
aos assistentes sociais. Criam-se assim brechas mercadológicas que garantem
a contratação de profissionais muitas vezes despreparados e sem uma devida
graduação universitária e técnica para desempenhar as mesmas funções e tarefas,
deslegitimando assim os profissionais do Serviço Social.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre o assunto, recomendamos que você assista ao vídeo
da palestra do Professor José Paulo Netto. O vídeo discute a “Formação profissional
na consolidação do projeto ético-político do Serviço Social brasileiro: fundamentos,
resistências e desafios conjunturais”. O link desse filme pode ser encontrado no material
complementar para atividades de aprofundamento.

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Análise da Conjuntura Econômica e Política na


Contemporaneidade, e seus Desdobramentos
no Campo das Políticas Sociais
Após as eleições de 2014 reelegerem a presidente Dilma Rousseff para mais
um mandato presidencial, o momento histórico do Brasil pós-2015 remete ao
retorno do pensamento conservador e a uma sociedade dividida entre a opção de
um governo de coalizão de centro-esquerda contra a oposição de centro-direita.

Figura 2 - Protestos a favor e contra o impeachment de Dilma Rousseff


Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

A disputa de forças varia de acordo com o interesse da classe dominante. A


turbulência na condução do governo atinge a sociedade e o país como um todo.
As alianças político-partidárias é que determinam as conjunturas e o futuro político,
econômico e social. A forma como acontecem essas alianças é o grande entrave para
que o país possa ter um crescimento em que a justiça social seja levada em conta.

O fisiologismo de partidos sem compromisso com o povo dá ao Brasil um


Estado totalmente aparelhado por uma estrutura de corrupção e desvio de poder,
prejudicando e muitas vezes inviabilizando políticas de desenvolvimento econômico
e social. Essa amarração política do regime presidencialista torna por muitas vezes
refém o representante máximo do poder, ou seja, a presidência da República.

O presidencialismo atual é um modelo de governo que gerencia crises, pois


muitas vezes fica amarrado em sua incapacidade de ação – como um mediador de
conflitos e de crises institucionais, em que a fidelidade partidária significa a troca de
cargos e a garantia de influência do poder central.

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Hoje a República brasileira possui um universo de mais de 30 partidos políticos,
com bancadas representativas no congresso nacional dos mais diversos interesses
corporativos, o que se torna contrário muitas vezes aos avanços nas políticas de
inclusão social.

Bancadas representadas por interesses oligárquicos e religiosos se unem e


recriminam por diversas vezes projetos e leis que poderiam ampliar os direitos de
trabalhadores, da população indígena, rural e urbana, sem-terra e sem-teto, das
políticas em defesa das mulheres e da população LGBT, entre outros setores da
sociedade que merecem condições de igualdade.

A chamada bancada “BBB” (do Boi, da Bíblia e da Bala) é um grande


exemplo da disparidade da força de atração de interesses comuns de legislação
corporativista, que possui um enorme poder de influenciar e desestabilizar um
regime democraticamente eleito pelo voto das eleições de 2014.

A base aliada dos governos brasileiros historicamente canibaliza os ministérios e


os cargos de confiança, levando os governos a realizarem longas negociações por
apoio em praticamente todo o tempo dos mandatos.

O governo Dilma Rousseff, principalmente em seus últimos anos, precisou


negociar cada votação no Congresso Nacional, que é composto pela Câmara dos
Deputados e pelo Senado. Essa situação de ingerência levou à queda o poder
de Dilma por meio de um processo de impeachment, ocasionado também por
investigações de uma operação da Polícia Federal, denominada “Lava-Jato”.

Com a movimentação dessas investigações, houve um efetivo aumento da


pressão de movimentos financiados pela iniciativa privada. Esses movimentos
contrários aos avanços das políticas sociais materializadas – e que melhoraram a
vida de milhões de brasileiros que se encontravam abaixo da linha da pobreza –,
fortalecidos pela mídia, colaboraram no processo de impeachment, que fez surgir
um novo governo, conduzindo ao poder o vice-presidente Michel Temer.

Como presidente, Temer promove uma mudança radical com uma guinada
extrema ao conservadorismo, onde prega como meta o corte dos gastos públicos,
de programas sociais e também dos incentivos às pequenas produções, seja no
setor agropecuário, pesqueiro ou ainda em programas habitacionais. Seu governo,
em sua política recessiva, prega ainda o aumento do tempo de contribuição para a
aposentadoria, bem como a redução de benefícios e direitos da classe trabalhadora.
Visando ainda reduzir sensivelmente a distribuição de renda através de cortes
no Programa Bolsa Família, numa demonstração clara de ruptura entre o novo
governo do PMDB e o antigo governo liderado pelo PT.

Essa ruptura fica clara uma vez que, junto com à reeleição do governo Dilma, foi
reeleito também um projeto social que buscou manter, e em alguns casos ampliar, o
leque de programas sociais, bem como o sistema de proteção social ancorado nas
políticas de consolidação do Sistema Único da Assistência Social (SUAS), tendo
o Ministério do Desenvolvimento Social um efetivo organismo governamental de
implantação desses programas.

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Para além dos programas sociais, a nova realidade também impõe uma nova
subordinação econômica ao tradicional domínio externo do capital privado, onde
o Brasil se realinha aos seus antigos dominadores imperialistas – no casom os
Estados Unidos da América (EUA) e a União Europeia.
Nesse caso, as políticas de aproximação do Brasil com países como China
e Rússia também ficarão fragmentados e, com isso, perdem-se anos de construções
econômicas e vias alternativas de novos negócios brasileiros de exportação
pelo mundo.
Sendo assim, a situação do país, em meio ao momento turbulento de crise
econômica, remete ao desmonte de estruturas essenciais de combate à pobreza e
à miséria. Esse novo movimento pode gerar um retrocesso do Serviço Social, uma
vez que Michel Temer cogitou até que sua esposa possa comandar efetivamente as
políticas da Assistência Social no Brasil. Esse é um fato muito grave, uma vez que
pode significar o retorno do “primeiro-damismo” na esfera federal de governo. Essa
antiquada prática é recorrente ainda em muitos municípios do país e combatida
pelos órgãos de defesa do Serviço Social – como o Conselho Regional de Serviço
Social (CRESS) e o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). No Governo do
Estado de São Paulo, por exemplo, a primeira-dama Lú Alckmin detém o comando
do Fundo Social de Solidariedade, o que remete à prática da filantropia e do
assistencialismo das antigas senhoras conservadoras da caridade dos anos 1930.

Caracterização do Modelo de Proteção Social em Vigor no Brasil,


na Atualidade, a partir da Análise Crítica de Características
Comuns aos Vários Sistemas Constitutivos da Seguridade Social:
Seus Limites e Potencialidades
Segundo Aldaísa Sposati, o sistema de proteção social brasileiro foi analisado
sob o conceito de “Estado de Bem Estar Ocupacional”, em que “as relações de
direitos universais constitucionalmente assegurados” são substituídas pelas de direito
contratual: “É o contrato de trabalho que define, imediatamente, as condições
de reprodução do trabalhador no mundo da previdência ou no da assistência”,
cabendo à última “como mecanismo econômico e político, cuidar daqueles que
aparentemente ‘não existem para o capital’” (SPOSATI, 1991, p. 15).

Figura 3
Fonte: iStock/Getty Images

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Historicamente, a Assistência Social no Brasil tinha, principalmente em seu
início, ações vinculadas à filantropia realizadas por grupos de mulheres da alta
sociedade que promoviam a caridade como práticas pontuais de ação solidária.

Esse tipo de ação promoveu certa qualificação dos beneficiários dessas ações
como pessoas “necessitadas”, havendo assim ações de assistência descontinuada,
e não como políticas públicas garantidoras dos direitos dos usuários a políticas
efetivas de distribuição e geração de renda.

A eventualidade dessas ações deixava a população cada vez mais dependente de


fatores políticos e arraigados às vontades das oligarquias e de uma elite cada vez
mais exploradora de cidadãos excluídos, sem garantia nenhuma do acesso dessas
pessoas à inclusão social.

Na década de 1930, o governo de Getúlio Vargas realizou algumas ações de


inclusão de trabalhadores a determinados benefícios sociais, como as instituições
de previdência, que nas décadas seguintes formariam o modelo de previdência
social de forma contributiva o qual hoje é conhecido.

Além desse tipo de proteção social, após a II Guerra Mundial, formou-se a Legião
Brasileira de Assistência (LBA) como estratégia de proteção social aos familiares
dos pracinhas que participaram do combate na Europa.

Esse órgão, nas décadas seguintes, seria conduzido por ações políticas pontuais
em enfrentamentos a possíveis crises sociais em locais específicos do país, como,
por exemplo, as grandes secas da região nordeste no fim da década de 1950.
Também seria utilizado para ações das primeiras-damas durante a ditadura militar,
como também no período de redemocratização, até ser envolvido em escândalos de
corrupção no governo de Fernando Collor de Mello e, posteriormente, ser extinto
no primeiro governo presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1995.

A década de 1990 é um marco importante para a Assistência Social no Brasil,


uma vez que as políticas sociais passam a existir como políticas de garantias de
direito de acordo com o que estabeleceu a Constituição de 1988, de forma que
essas políticas pudessem ser definitivamente instaladas dentro de um sistema
legítimo de garantia de direitos.

Esse novo sistema de garantia social passa pelo arcabouço constituído pela
seguridade social, pela saúde e pela assistência social.

As políticas sociais nos últimos anos mudaram o cenário da situação de


desigualdade no Brasil nos últimos anos, graças à implantação da Política Nacional
da Assistência Social e do Sistema Único da Assistência Social (SUAS). Assim, a
universalidade da Assistência Social como política pública acontece de fato, de
acordo com os artigos 203 e 204 da constituição federal.

Em 1993, a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) institui a Assistência


Social como um direito do cidadão e um dever do Estado e, para tanto, faz valer
seu caráter regulatório e tende a privilegiar um modelo de atenção básica e genérica

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

aos usuários, necessitando de planejamento e de ações mais incisivos de combate


de fato à exclusão social.

A partir de 2004, no governo Lula, há a implantação da Política Nacional de


Assistência Social (PNAS) seguida da Norma Operacional Básica do Sistema Único
de Assistência Social (NOB/SUAS), em 2005 (atualizada em 2012), da Norma
Operacional Básica/Recursos Humanos (NOB/RH), em 2006, e da Resolução
109/2009, que unificariam e tipificariam as ações da Assistência, criando um
modelo único de atendimento da Assistência Social em todos os lugares do Brasil.

Tabela 1 - Benefícios e serviços públicos ofertados (2001-2014)

Benefícios, bens e serviços 2001 2014


Assistência Social
Famílias beneficiadas pelo Bolsa Família 3,6 milhões (2003) 14 milhões
Beneficiários do BPC (Benefício de
Prestação Continuada) e RMV 2,3 milhões 4,3 milhões
(Renda Mensal Vitalícia)
Previdência
Beneficiários do Regime Geral da
18,9 milhões 27,8 milhões
Previdência Social
Trabalho e Renda
Beneficiários do seguro-desemprego 4,8 milhões 8,9 milhões (2013)
Beneficiários do abono salarial 6,5 milhões 21,9 milhões (2013)
Desenvolvimento Urbano
Moradias do Minha Casa Minha Vida - 2 milhões
Desenvolvimento Agrário
R$ 2,4 bilhões R$ 24,1 bilhões
Plano Safra da Agricultura Familiar*
(2002-2003) ( 2014-2015)
Fonte: MEC, MS, MDS, Mcidades, MDA e MTE
*Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016 Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2015

A tabela acima descreve um aumento considerável de pessoas assistidas pelas


políticas de assistência social.

Podemos considerar que a universalidade do atendimento deve respeitar as


especificidades de cada região e as ações socioassistenciais devem existir em todos
os municípios do país, o que acabou delineando a padronização do atendimento
social no Brasil, contribuindo para limitar casos de disparidades nas políticas da
Assistência, uma vez que existe uma normatização para todas as localidades.

Mas o que difere o SUAS da Previdência Social?

O SUAS é um sistema de assistência não contributiva universal.

Isso significa que qualquer cidadão brasileiro pode ser atendido, independente se
é trabalhador ativo, se está desempregado ou se é aposentado.

Outra diferença é que, no caso do SUAS, torna-se importante a participação da


população na fiscalização e no controle das políticas sociais.

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A Política Nacional de Assistência Social estabelece que haja no país uma rede
de serviços socioassistenciais para as famílias constituídas em territórios de alta
vulnerabilidade e risco social.

De acordo com a PNAS (2004), a proteção social deve garantir as seguranças


de sobrevivência (de rendimento e de autonomia), de acolhida e de convívio ou
vivência familiar.

As garantias da proteção social da assistência social são determinadas pela:


segurança da acolhida; segurança social de renda; segurança do convívio ou
convivência familiar, comunitária e social; além da segurança de desenvolvimento
da autonomia individual, familiar e social, segurança de sobrevivência a riscos
circunstanciais, de acordo com a recomendação da NOB/SUAS (2012).

As garantias da proteção social estão divididas entre a proteção social básica


(PSB) e a proteção social especial (PSE).

Proteção Social Básica (PSB)


É a garantia da proteção social que determina a inclusão das famílias para o
fortalecimento dos seus vínculos, inclusive em sua comunidade, tendo como o
maior fim o direito à cidadania e o acesso aos serviços públicos.

O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) deve, segundo o SUAS,


desenvolver preferencialmente ações socioassistenciais de proteção social básica.
Assim, o CRAS se constitui em um equipamento público controlado pelo Estado.

Seu objetivo é contribuir para: a prevenção e o enfrentamento de situações


de vulnerabilidade social; a inclusão de grupos e/ou indivíduos em situação de
risco social nas políticas públicas, no mundo do trabalho bem como sua inclusão
social. Esse equipamento público tem como função prioritária proteger as famílias,
seus membros e indivíduos, cujos direitos fundamentais foram negados, mas que
mantêm os vínculos ou laços familiares.

Para atingir os propósitos instituídos pelo PNAS, a intersetorialidade do Estado


deve estar disponível para garantir aos usuários a efetiva proteção social dos
usuários do CRAS. Para almejar esse objetivo, o CRAS não pode estar longe e
nem se situar em locais de difícil acesso para a população.

Além disso, deve estar localizado em locais de expressiva vulnerabilidade social, o


que é fundamental para o bom atendimento e para o compromisso de atendimento
aos usuários pela equipe técnica, fator de suma importância para a implantação
do CRAS nos territórios. Dessa forma, pode-se garantir o acompanhamento dos
casos e aproximar o Estado da realidade do território.

O fato da implantação do CRAS nos territórios dos municípios garante que as


ações da Assistência Social aconteçam de forma descentralizada e permanente.

Programas vinculados à Assistência – como o Programa de Atenção Integral à


Família (PAIF), que tem como função principal a proteção à família – também são
atribuições de implantação e acompanhamento do CRAS.

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

As famílias participantes do PAIF são atendidas de acordo com os critérios


estabelecidos pelos programas de transferência de renda – como o Bolsa Família
–, mas também as pessoas com benefícios assistenciais – como o Benefício de
Prestação Continuada (BPC) –, idosos e deficientes físicos que se encontram em
condições de fragilidade social.

No PAIF, há o trabalho social desenvolvido com as famílias através do


desenvolvimento de oficinas, grupos de convivência, visita domiciliar às famílias,
colaborando assim para um acompanhamento mais amplo da inclusão social e da
conquista dos seus direitos.

Proteção Social Especial (PSE)


Trata-se da garantia social de proteção que organiza a oferta de serviços, programas
e projetos de tipificação especializada.

A Proteção Social Especial tem como meta principal a contribuição para a recons-
trução de vínculos familiares e comunitários, o fortalecimento de potencialidades e
aquisições e a proteção de famílias e indivíduos para o enfrentamento das situações
de risco pessoal e social, por violação de direitos.

Na organização das ações de PSE, é preciso entender que o contexto socioe-


conômico, político, histórico e cultural pode incidir sobre as relações familiares,
comunitárias e sociais, gerando conflitos, tensões e rupturas, demandando, assim,
trabalho social especializado.

A atuação da Proteção Social Especial promove a utilização de recursos em


ações de prevenção e superação de situações graves de violação de direitos, como
em casos de violência física, psicológica, abandono, afastamento da vida em
família, violência sexual (casos de exploração e/ou abuso), negligência, trabalho
infantil, situação de rua, ato infracional por parte de crianças e adolescentes,
rompimento e/ou fragilização de vínculos, dentre outras situações que requerem
atenção protetiva especial.

O norteador principal da PSE tem como premissa o resgate dos vínculos dos
usuários dos serviços, tanto em relação às famílias como em novas articulações
referenciais, sempre considerando os riscos pessoais e sociais, bem como as
complexidades do território vivido.

Os serviços da Proteção Social Especial necessitam de equipes técnicas e


funcionários operacionais preparados para as especificidades de cada situação, a
qual norteará o tipo de atendimento de cada serviço.

Assim a atenção aos serviços da Proteção Social Especial possui duas


complexidades específicas:

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Proteção Social Especial de Média
e Alta Complexidade
Essa modalidade tem a função de organizar o fluxo de serviços, programas e
projetos de caráter especializado que demandam a maior estruturação técnica e
operativa, com competências e atribuições definidas, destinados ao atendimento
a famílias e sujeitos em situação de risco pessoal e social, por violação de direitos,
que pedem articulação com a rede social, com trabalhos de atenção especializado,
individualizado e continuado.

Os serviços oferecidos na média complexidade são:


· Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS):
Unidade pública e estatal de abrangência municipal ou regional.

Esse equipamento inclui obrigatoriamente o Serviço de Proteção e Atendimento


Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI).
· Centro de Referência Especializado para População em Situação de
Rua (Centro POP): Unidade pública e estatal de abrangência municipal.
Oferta, obrigatoriamente, o Serviço Especializado para Pessoas em
Situação de Rua.

Dentro da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais são identifi-


cados os serviços da Proteção Social Especial de Alta Complexidade:
· O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos
(PAEFI);
· O Serviço Especializado em Abordagem Social;
· O Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medidas
Socioeducativas em Meio Aberto (SMSE/MA), de Liberdade Assistida
(LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC);
· O Serviço de Proteção Social Especial a Pessoas com Deficiência,
Idosos(as) e suas Famílias; e
· O Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.

A superestrutura de serviços e as complexidades de trabalhos na Proteção Social


Especial demandam a contratação de técnicos especialistas em funções complexas.

Em grandes cidades, como a cidade de São Paulo, muitas ONGs participam de


contratos de parceria, executando serviços sob a supervisão dos gestores públicos
da Prefeitura.

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Essas parcerias na prática demonstram a falta de condições de organização por


parte do Estado em assumir efetivamente os serviços da Proteção Social Especial.

Com o governo federal instituído em 2016, o corte de verbas pode ocasionar


uma avalanche de contratos e parcerias com as ONGs no Brasil, dentro da política
de gestão do Serviço Social. A preocupação é grande, uma vez que tais políticas
podem gerar uma oferta de serviços precários, com uma desqualificação das novas
equipes técnicas, o que pode levar à perda da excelência de qualidade dos serviços
destacados pelo SUAS até aqui.

Uma outra grande preocupação é a intenção de um provável governo conservador


deixar as garantias e os direitos sociais de lado em detrimento de outras políticas,
desarticulando o SUAS e as redes de articulação e proteção da Assistência Social.

Na parte que toca na questão da seguridade social, historicamente, o acesso


ao trabalho sempre foi condição para garantir o acesso à seguridade social. A
seguridade social brasileira, instituída com a Constituição brasileira de 1988,
incorporou princípios dos modelos bismarckiano (alemão) e beveridgiano (inglês),
ao restringir a previdência aos trabalhadores contribuintes, universalizando a saúde
e limitando a assistência social a quem dela necessitar.

Os direitos da seguridade social, sejam aqueles baseados


no modelo alemão bismarckiano ou aqueles influen-
ciados pelo modelo beveridgiano inglês, têm como
parâmetro os direitos do trabalho, visto que desde sua
origem esses assumem a função de garantir benefícios
derivados do exercício do trabalho para os trabalhadores
que perderam, momentânea ou permanentemente, sua
capacidade laborativa.

Por isso, muitos trabalhadores desempregados não têm acesso a muitos direitos
da seguridade social, sobretudo à previdência, visto que essa se move pela lógica
do contrato ou do seguro social.

Se a ameaça das políticas neoliberais chegarem ao nível máximo, a luta dos


profissionais da comunidade acadêmica do Serviço Social e de demais trabalhadores
da Assistência Social, juntamente com a população, deve ser efetiva pela manutenção
e ampliação dos direitos sociais no país, uma vez que seria evidenciado um duro
retrocesso e a volta do conservadorismo no comando das Políticas Sociais no Brasil.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre o assunto, recomendamos que você assista ao
vídeo da palestra da Professora Aldaíza Sposati. O vídeo discute os desafios da Proteção
Social no Brasil. O link desse filme pode ser encontrado no material complementar para
atividades de aprofundamento.

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Em Síntese Importante!

Atualmente o Serviço Social desafia a ordem vigente e coloca como sua meta de ação o
trabalho dialético entre os sujeitos, considerando as relações sociais em que se inserem
os trabalhadores e indo além, definindo marcos e conceitos que permitam a construção
de uma sociedade que viva em um sistema que só é possível e imaginável com o fim da
relação capital/trabalho da forma como conhecemos nos dias atuais
Enquanto essa perspectiva parece distante, o Assistente Social deve lutar pela sua
valorização contínua, enquanto sujeito técnico da classe trabalhadora, que, em sua ação
do dia a dia, preserva sua integridade ética e contribui para a conscientização do sujeito
em sua transformação social diante das condições desfavoráveis que esse mesmo sujeito
encontra no momento do atendimento.
De acordo o ideário neoliberal, o interesse por políticas de inclusão e geração de renda
não vão ao encontro dos interesses do capital especulativo, uma vez que a prática das
políticas sociais não almeja o lucro para o investidor que exige o retorno de um Estado
que vise ao enxugamento de gastos e que honre primeiramente com os débitos de
seus credores.
As políticas sociais nos últimos anos mudaram o cenário da situação de desigualdade no
Brasil dos últimos temos, graças à implantação da Política Nacional da Assistência Social
e do Sistema Único da Assistência Social (SUAS).
As garantias da proteção social da assistência social são determinadas pela: segurança
da acolhida; segurança social de renda; segurança do convívio ou convivência familiar,
comunitária e social; além da segurança de desenvolvimento da autonomia individual,
familiar e social, segurança de sobrevivência a riscos circunstanciais, de acordo com a
recomendação da NOB/SUAS (2012).
As garantias da proteção social estão divididas entre a proteção social básica (PSB) e a
proteção social especial (PSE).
A Proteção Social Básica é a garantia da proteção social que determina a inclusão das
famílias para o fortalecimento dos seus vínculos, inclusive em sua comunidade, tendo
como o maior fim o direito à cidadania e o acesso aos serviços públicos.
A Proteção Social Especial tem como meta principal a contribuição para a reconstrução
de vínculos familiares e comunitários, o fortalecimento de potencialidades e aquisições
e a proteção de famílias e indivíduos para o enfrentamento das situações de riscos
pessoais e sociais, por violação de direitos.
A seguridade social brasileira, instituída com a Constituição brasileira de 1988,
incorporou princípios dos modelos bismarckiano (alemão) e beveridgiano (inglês) ao
restringir a previdência aos trabalhadores contribuintes, universalizando a saúde e
limitando a assistência social a quem dela necessitar.

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UNIDADE Políticas Sociais e Questões Contemporâneas

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

 Leitura
O Povo Brasileiro: A Formação e o Sentido do Brasil
Darci Ribeiro
https://goo.gl/pQoEpp
Direitos Sociais e Competências Profissionais
ABEPSS
https://goo.gl/u6tgHQ
Proteção Social no Brasil: Impactos Sobre a Pobreza, Desigualdade e Crescimento
Marilda Iamamoto
https://goo.gl/yi2HiE

 Vídeos
Crise do neoliberalismo
Programa Brasilianas.org
https://goo.gl/9VeLwr
Palestra com o Professor José Paulo Netto
Formação profissional na consolidação do projeto ético-político do Serviço Social
brasileiro: fundamentos, resistências e desafios conjunturais – Professor José Paulo Netto
https://goo.gl/uQe1DG
Aldaíza Sposati - Os desafios da Proteção Social
https://goo.gl/ZureE3

24
Referências
BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política Social: fundamentos e história. 6. ed.
São Paulo: Cortez, 2009.

BEMERGUY, E. Governos petistas e a inovação da gestão pública. Revista Teoria


e Debate, n. 141, out. 2015. Disponível em: <http://www.teoriaedebate.org.br/
index.php?q=materias/nacional/governos-petistas-e-inovacao-da-gestao-publica>.

BUCHER, R. Drogas e Drogadição no Brasil. Porto Alegre: Artes Medicas, 1992.

DORNELLES, D. F.; CAMARGO, M. Serviço Social e Meio Ambiente: um


diálogo em construção. Frederico Westph: Uri, 2005.

KOGA, D.; FAVERO, E.; GANEV, E. Cidades e Questões Sociais. São Paulo:
Terracota, 2009.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA


E A CULTURA. Concepção e gestão da proteção social não contributiva
no Brasil. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
UNESCO, 2009. Disponível em: <http://www.mds.gov.br/webarquivos/
publicacao/assistencia_social/Livros/concepcao_gestao_protecaosocial.pdf>.

RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São


Paulo: Companhia das Letras, 2004.

SADER, E. S. Pós-Neoliberalismo: as Políticas Sociais e o Estado Democrático.


São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SILVA, M. O. S.; YAZBEK, M. C. A Política Social Brasileira no Século XXI: a


prevalência dos programas. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

SIMOES, C. Curso de Direito do Serviço Social. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

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25
Políticas Sociais
e Questões
Contemporâneas
Material Teórico
Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Mauricio Vlamir Ferreira

Revisão Técnica:
Prof. Me. Priscila Beralda Moreira de Oliveira
a

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Políticas Sociais e Problemas
Transversais I

• Introdução;
• Políticas Sociais e Problemas Transversais I;
• As Demandas Globais e Nacionais em Torno da Chamada
Questão Ambiental;
• Análise Crítica das Políticas Sociais Brasileiras na Atualidade.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Explicar de que forma a interdisciplinaridade pode contribuir para
um futuro melhor à sociedade.
· Identificar os programas que poderão contribuir para um melhor
convívio das pessoas em relação ao meio ambiente.
· Evidenciar como a instabilidade política e econômica afetam o
desenvolvimento e a ampliação das políticas sociais no Brasil.
· Focalizar as metas do milênio das Nações Unidas como estratégias
importantes para que o mundo possa estabelecer novos patamares
em um meio ambiente e em um mundo sustentável.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Contextualização
Nosso planeta sempre passou por diversas transformações sociais e políticas
que, se por um lado beneficiaram muitos povos, por outro lado trouxeram
miséria, sacrifício, dizimando civilizações inteiras, seja por guerras, por miséria
extrema, ou ainda por subordinação praticada por uma civilização mais avançada
tecnologicamente sobre outra que se defendia por meios primitivos de combate.

Com o advento da Revolução Industrial, a partir do século XVIII, a aceleração


da produção industrial criou indústrias que faziam circular rapidamente o comércio,
e com ele a exploração da classe trabalhadora, desencadeando novas situações
de miséria e desigualdade social e que por outro lado enriquecia e fortalecia a
dominação econômica e social por uma pequena elite burguesa.

Assim, o interesse privado ao longo dos séculos substituiu o interesse social


como um todo.

É possível compreendermos que quando tratamos de meio ambiente, não


podemos apenas ter o conceito de preservação da floresta em mente.

Meio ambiente é todo o espaço em que vivemos, sendo consideradas também


as formas de relações dos sujeitos, seja objetiva ou subjetiva, seja na floresta, na
casa onde vivemos, no trabalho, na escola, nas ruas, ou até mesmo nos meios de
transporte que utilizamos para nos deslocar de um lugar ao outro.

Por isso, ter a consciência de interdisciplinaridade é importante quando nos


referimos à questão ambiental, pois não pode ser encarada apenas por um ângulo,
por um aspecto científico determinado e hermético.

O estabelecimento de novos tratados deverá pensar a sociedade como geradora


de riquezas através de um eixo de sustentabilidade, dentro da ética e do respeito do
direito à vida, seja de qual organismo ou organicidade esse sujeito pertença.

As regras de convívio social no futuro próximo devem estabelecer novas relações


de respeito ao homem e ao seu entorno, onde prevaleça a boa convivência entre
os sujeitos e seu modo de vida.

O respeito ao meio ambiente significa ir além da preservação da natureza,


significa pensar e fazer mais do que todas as outras sociedades já pensaram
na história.

A convergência entre a luta social e a luta ambiental é um fato e uma imposição


para a vida nas próximas décadas.

Desta forma, a evolução humana estará subordinada ao desenvolvimento


sustentável e à preservação do Planeta, e este será o único modo de sobrevivência
na Terra.

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Introdução
Nosso planeta sempre passou por diversas transformações sociais e políticas
que, se por um lado beneficiaram muitos povos, por outro lado trouxeram
miséria, sacrifício, dizimando civilizações inteiras, seja por guerras, por miséria
extrema, ou ainda por subordinação praticada por uma civilização mais avançada
tecnologicamente sobre outra que se defendia por meios primitivos de combate.

A origem das disputas entre os povos começou a ser pesquisada e estudada


profundamente por Friederich Engels, que considerou no modo de viver dos povos
indígenas estadunidenses do século XIX uma base primitiva de organização das
famílias nômades, verdadeiros clãs matriarcais, ou seja, os indígenas viviam em
vastos territórios em diferentes localizações, sem a necessidade de fixação em um
delimitado espaço de terras (ENGELS, 1984).

A partir da origem da disputa da propriedade privada, houve a necessidade


do patriarcado, onde o homem assumiu a responsabilidade pela conquista dos
territórios, fortalecendo a nucleação única da família e sendo o principal e mais
forte protetor de seu clã.

A hereditariedade passou a prevalecer e, conforme o crescimento das famílias


avançava, havia a necessidade de conquistas de novos territórios, e a guerra seria
um instrumento necessário para estabelecer novas fronteiras, subordinar os povos
vencidos, escravizá-los e aproveitar sua mão de obra para ao avanço das civilizações
da Idade Antiga.

Após a queda de Roma, os feudos se estabeleceram em organizações sociais


baseadas no poder de domínio da terra através de um senhor que trocava a
segurança da propriedade pelo domínio de agricultores e artesãos num sistema de
vassalagem, sendo instituído o feudalismo.

Posteriormente, com o surgimento das nações e das grandes navegações, os


reis faziam prevalecer o mercantilismo como sistema exploratório da riqueza e dos
bens de consumo para seus reinos dominantes das colônias descobertas, como a
América, o continente africano e a Ásia.

Esse movimento econômico exploratório de obtenção de riquezas e matérias-


primas para as colônias europeias fez surgir o esgotamento de recursos naturais e
em muitos países, como o caso do Haiti, país que disseminou o extermínio total de
sua população indígena, que foi substituída pela população escrava negra, passando
esta a ser a maioria explorada na ilha de São Domingo, na região do Caribe.

Com o advento da Revolução Industrial, a partir do século XVIII, a aceleração


da produção industrial criou indústrias que faziam circular rapidamente o comércio,
e com ele a exploração da classe trabalhadora, desencadeando novas situações
de miséria e desigualdade social e que por outro lado enriquecia e fortalecia a
dominação econômica e social por uma pequena elite burguesa.

9
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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Ao analisarmos esse breve resumo histórico, podemos perceber que o interesse


privado ao longo dos séculos substituiu o interesse social como um todo.

O ser humano, para consolidar a estrutura social como conhecemos atualmente,


carece de lidar com o fator exploratório para se desenvolver ao longo de seu
processo evolutivo.

Esse modelo de exploração e crescimento baseado na exploração material e


social desencadeou sérias complicações para a sociedade do século XXI. Podemos
citar alguns exemplos:
·· A poluição e a contaminação dos rios, do solo e do ar;
·· O desmatamento descontrolado;
·· Guerras territoriais que dizimaram e dizimam populações por interesses
econômicos. Exércitos que utilizaram e utilizam armas químicas e
biológicas, tornando territórios férteis em propriedades tóxicas e inúteis
ao cultivo agropecuário;
·· Radioatividade de acidentes nucleares;
·· Exploração indevida e descontrolada da fauna e da flora ainda existente;
·· Dizimação de populações indígenas, destruindo culturas milenares;
·· Falta de investimentos na área da saúde, havendo de tempos em tempos
verdadeiras epidemias globais de doenças endêmicas;
·· Escassez de alimentos, por motivo de esgotamento das terras, decorrentes
de exploração e cultivo sem a preocupação da renovação das culturas;
·· Escassez de água, por falta de políticas de saneamento e controle das
fontes e mananciais;
·· Troca da floresta por campos imensos da agroindústria, que privilegia
a colheita de grãos e pastagens de gado, provocando imensas áreas de
queimada em territórios como a floresta amazônica;
·· Aquecimento global (efeito estufa), que promove o aumento da temperatura,
contribuindo para o derretimento da calota polar, aumentando o nível
dos oceanos e causando desarmonia nas temperaturas e no clima em
todas as regiões da Terra.

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Figura 1 - Planeta Terra em degradação
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

Conforme vimos acima, a questão ambiental


é um fenômeno complexo, fruto do contexto
social – e não apenas das questões ecológicas.

Importante! Importante!

Para maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do meio


ambiente, assista ao vídeo A questão ambiental, elaborado pelo Ibama e que mostra
a degradação em nosso planeta - o link desse vídeo pode ser encontrado no Material
complementar para atividades de aprofundamento.

As Demandas Globais e Nacionais em Torno


da Chamada Questão Ambiental
É importante termos a compreensão de que os impactos vividos pela sociedade
atual a torna responsável pelas ações impactantes de outras sociedades ao longo do
desenvolvimento histórico, principalmente após o avanço da exploração capitalista
e da agudização das tensões sociais.

A compreensão das diversas estruturas da sociedade que envolvem cultura,


religião, economia, política, Ciência, tecnologia, direito, entre outros fatores são
indispensáveis para a prevenção e ação de maiores danos ambientais. Então, é
possível compreendermos que quando tratamos de meio ambiente, não podemos
apenas ter o conceito de preservação da floresta em mente.

Meio ambiente é todo o espaço em que vivemos, sendo consideradas também


as formas de relações dos sujeitos, seja objetiva ou subjetiva, seja na floresta, na

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11
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

casa onde vivemos, no trabalho, na escola, nas ruas, ou até mesmo nos meios de
transporte que utilizamos para nos deslocar de um lugar ao outro.

Por isso, ter a consciência de interdisciplinaridade é importante quando nos


referimos à questão ambiental, pois não pode ser encarada apenas por um ângulo,
por um aspecto científico determinado e hermético.

Porém, por diversas vezes, os meios de comunicação e os instrumentos de


controle social dos oligopólios burgueses nos fazem acreditar que a compreensão
de meio ambiente está ligada apenas à preservação de florestas e animais.

Porque isso acontece? Pelo fato de a política servir ao domínio econômico do


sistema capitalista, uma vez que a classe política e o sistema capitalista não se
interessam pela inclusão social, uma vez que esta é financiada pelos diferentes
interesses econômicos do capital especulativo.

Independentemente de qual seja a origem do interesse, lobbies poderosos se


organizam para barrar leis e projetos de interesses sociais, privilegiando apenas
uma parte interessada na exploração da riqueza e na obtenção de lucros.

Assim, não há o interesse e nem o compromisso do capital especulativo com as


questões ambientais dos territórios, crescendo os bolsões de miséria nas periferias
das grandes cidades, a falta de planejamento urbano, a valorização dos territórios
e o desenvolvimento desenfreado das grandes propriedades rurais em favor do
latifúndio e da agroindústria.

Quando tratados de forma coletiva, os problemas ambientais, sejam de cunho


ecológico, ou social não agregam o interesse nem do Estado, nem do capital
especulativo, pois resolver todas as demandas de uma só vez não torna os
problemas lucrativos.

Figura 2 - Imagem da tragédia da Samarco em Mariana - MG


Fonte: Wikimedia Commons

Não haveria, assim, mais votos para o político e nem contratos de mão de obra
firmados com as empresas.

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As pessoas simplesmente se tornam, assim, agentes passivos e dependentes do
sistema vigente, que existe para privilegiar os interesses da minoria mais poderosa
da sociedade.

Desta forma, as relações sociais devem ser repensadas e revistas para que
as formas de organização política sejam mais representativas e tenham mais
conhecimento de seus direitos e para compreender os seus deveres enquanto
cidadãos participativos das políticas públicas, em defesa do meio em que vivem.

A necessidade do estabelecimento de novos marcos de convívio em situações


de respeito ao meio ambiente, diante desta nova ordem é fator primordial para um
novo tempo de organização social.

Tanto a sociedade como o Estado não podem mais virar as costas para problemas
sérios ambientais que significarão num futuro próximo sérias disputas por terra,
alimentos, água e pela própria sobrevivência humana.

O momento atual vivido é único em nossa história, pois temos que, além de
pensar, agir de modo seletivo, compreendendo que nosso meio ambiente não
suporta mais degradação.

A degradação não significa apenas a destruição física, mas nos tempos atuais, a
falta de compromisso ético, as atitudes mínimas de desrespeito ao próximo podem
nos levar a um sistema de intolerância jamais visto.

Respeitar valores sociais, direitos das minorias, dos trabalhadores, das etnias,
das opções de gênero, idade e raça será fundamental para que possamos continuar
existindo em nosso planeta.

As guerras e disputas atuais levam em consideração as barreiras e os domínios


de um país ou território pela exploração de alguma matéria-prima que agregue
valor de exportação ou lucro.

No mundo atual, a chamada guerra ideológica deu lugar a conflitos de interesses


econômicos de exploração.

Os Estados Unidos, a Rússia e a China são as maiores potências mundiais militares


no mundo atual. Ter armamentos não significa exatamente assegurar a paz mundial.
Mas ter armamentos e uma indústria armamentista forte significa atualmente poder
conquistar territórios importantes para o tráfego comercial mundial.

A Guerra Civil presenciada atualmente na Síria provocou, além da instabilidade


política interna, uma série de conflitos e quebra de um poder central, este aliado da
Rússia, que acabou por fragmentar uma sociedade inteira.

No jogo do poder mundial, milhares de pessoas saíram do território sírio,


principalmente em direção ao continente europeu.

Esse verdadeiro êxodo, unido à fuga da população africana, assolada pela fome,
encontra na Europa um obstáculo invisível e tão cruel quanto as adversidades
sofridas por sírios e africanos em suas terras de origem: a xenofobia.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

A Europa atualmente passa por um momento de intolerância social e desrespeito


à imigração estrangeira, principalmente de cidadania de países do chamado
Terceiro Mundo.

Novas formas de organizações da extrema direita se espalham pelo continente


europeu e se tornam verdadeira ameaça à democracia no Velho Continente.

Em contrapartida, o incentivo dos Estados Unidos à oposição do governo sírio


e a influência de ocupação estadunidense em regiões de controle muçulmano na
Ásia como, por exemplo, no Afeganistão, levaram à organização de movimentos
paramilitares que fugiram ao controle de qualquer nação.

Tanto talibãs afegãos, como militantes da Al-


Qaeda e novos movimentos terroristas como
o Estado Islâmico, formam novas estratégias
de arregimentação e organização de atentados
terroristas na Europa, nos Estados Unidos e
na África.

Novas formas de aliciamento para a chamada “Guerra Santa”, escravização de


meninas, leis onde o terror e as constantes ameaças de morte e execuções de civis
fazem parte do novo clima de ameaça à vida humana neste início de milênio, ou
seja, em alguns lugares do mundo a preservação da vida vale nada ou muito pouco.

O tráfico humano, de mulheres e de órgãos, além da ampliação do trabalho


escravo no mundo, fruto da retirada de direitos trabalhistas em muitos países, por
ordem do estado neoliberal vigente no mundo, são constatações concretas e não
mais acontecem em uma determinada região do Planeta.

A instalação de um sistema de produção global conecta várias regiões do Planeta


através da massificação da cultura, da comunicação e da economia.

A troca de informações em um mundo globalizado gera a dominação de


sociedades inteiras pela indústria mundial.

Figura 3 - Marcas-símbolos do capitalismo (ex.: Coca-Cola, Ford etc.)


Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

Uma Coca-Cola pode ser consumida com um Big-Mac, famoso lanche da rede
McDonald’s no Brasil, na China ou na Rússia, com o mesmo padrão de sabor
no mundo.

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Mas o que isso tem a ver com a questão ambiental? E o que isso tem a ver com
o lugar em que vivo?!

No nosso dia a dia questões mundiais complexas tem tudo a ver como a forma
com que vestimos, com a música que ouvimos, com o que comemos e como
somos influenciados pelo consumismo e até porque devemos dormir exatamente
oito horas por dia.

A influência da sociedade manipulada pela economia global nos imprime uma


forma de consumo supérfluo que se impõe sobre nossas decisões e de certa forma
amplia as expressões da questão social.

Um exemplo disso: por onde passamos vemos propagandas, somos influenciados


a comprar o tênis X, ou uma marca de roupa Y por influência da propaganda na
TV, ou até por influência de amigos que estão usando produtos que estão na moda.

Para Karl Marx (2005) isto se chama fetiche da mercadoria, o que ocasiona o
consumo desenfreado de produtos supérfluos, onde quem realmente decide o que
devemos ou não usar é o dono do capital e não o consumidor.

Se um jovem que vive no estado de alienação em um sistema capitalista e não


possui dinheiro nem para a sua alimentação básica diária, este sujeito se aliará a
quem pode lhe garantir uma boa soma de dinheiro para a sua satisfação pessoal.
Desta forma se organiza o crime no mundo.

O tráfico de drogas alicia os jovens desta forma, pois garantem facilmente o


fetiche da mercadoria de jovens para a compram de tênis, roupas de marca, entre
outras mercadorias por eles desejadas.

A sedução para o crime organizado vem através da compra fácil do carro, da


alimentação em lugares totalmente distantes da vivência sentida da fome. O shopping
center acaba se tornando a “Meca do consumo” da população. E assim o exército da
violência, onde os soldados foram abandonados pelo Estado, organiza-se.

Nos campos a prática não é diferente. Trabalhadores rurais são executados a


mando dos donos do latifúndio assim como índios são executados em seus territórios
de origem e de direito. Caçadas aos animais silvestres são organizadas para deleite
de caçadores brasileiros e estrangeiros. Assim como a prostituição infantil, que é
oferecida aos turistas dos países do Primeiro Mundo que desembarcam nas cidades
litorâneas especialmente para essa finalidade.

Em setembro de 2000, refletindo e baseando-se na década das grandes


conferências e encontros das Nações Unidas, os líderes mundiais se reuniram na
sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para adotar a Declaração do Milênio da
ONU (2000).

Com a Declaração, as nações se comprometeram a uma nova parceria global


para reduzir a pobreza extrema, em uma série de oito objetivos – com um prazo
para o seu alcance em 2015 – que se tornaram conhecidos como os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODM). São eles:

15
15
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

1. Redução da pobreza;
2. Atingir o Ensino Básico universal;
3. Igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4. Reduzir a mortalidade na infância;
5. Melhorar a saúde materna;
6. Combater HIV/Aids, a malária e outras doenças;
7. Garantir a sustentabilidade ambiental;
8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

O último relatório dos ODM da ONU mostra que o esforço de 15 anos tem
produzido o mais bem-sucedido movimento de combate à pobreza da história. E
não ficou somente nisso. Confira alguns resultados do esforço mundial das metas
do milênio:
·· Desde 1990, o número de pessoas que vivem em extrema pobreza
diminuiu em mais da metade;
·· A proporção de pessoas subnutridas nas regiões em desenvolvimento
caiu quase pela metade;
·· A taxa de matrículas no Ensino Primário nas regiões em desenvolvimento
atingiu 91 por cento e muito mais meninas estão agora na escola em
comparação com 15 anos atrás;
·· Ganhos notáveis também foram feitos na luta contra HIV/Aids, malária e
tuberculose;
·· A taxa de mortalidade de menores de cinco anos diminuiu em mais da
metade e a mortalidade materna caiu 45 por cento no mundo;
·· A meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas que não têm
acesso a fontes de água potável também foi atendida.

Os esforços concentrados de governos nacionais, da comunidade internacional,


da sociedade civil e do setor privado têm ajudado a expandir esperança e
oportunidade para as pessoas ao redor do mundo.

O trabalho em conjunto ainda não atingiu milhões de pessoas – precisamos nos


esforçar um pouco mais para acabar com a fome, alcançar a plena igualdade de
gênero, a melhoria dos serviços de saúde e ter todas as crianças na escola.

O conceito de mudança para o mundo nos leva para um caminho sustentável.

Para maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do


meio ambiente, assista ao vídeo A história da pobreza – por que pobreza?
O link desse vídeo pode ser encontrado no Material complementar para ativida-
des de aprofundamento.

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Análise Crítica das Políticas Sociais
Brasileiras na Atualidade
Partindo da constatação das diferentes questões que vinculam a questão
ambiental e as políticas sociais implantadas no Brasil, há uma constatação que
desde 2002 o País passou por um processo de melhorias e transformações sociais.
Porém, esse processo passou por profundas críticas pela elite burguesa dominante
em nosso país.

As políticas sociais foram pontos de apoio importantes para tirar da linha da


pobreza milhões de pessoas.

O combate à fome e à miséria foram estratégias importantes que mudaram


o meio ambiente de pessoas que não tinham perspectivas de desenvolvimento
pessoal e social enquanto cidadãos de direitos. Porém, os principais programas do
governo federal não se limitaram apenas a área social.

Figura 4 - Bolsa-Família
Fonte: Wikimedia Commons

Conheceremos alguns destes programas abaixo (BRASIL, [20--]):

Programa Bolsa-Família
Programa realizado pela União, em parceria com o Distrito Federal, com os
Estados e com os municípios, com o objetivo de garantir a alimentação mínima
através de uma pequena renda às famílias.

Este programa foi responsável pela retirada de aproximadamente 36 milhões


de pessoas da linha da pobreza, sendo reconhecido mundialmente como a
melhor estratégia de diminuição e combate à pobreza, além de fazer girar a roda
da economia.

17
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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)


São recursos de origem contributiva dos trabalhadores através de programas
como o PIS e o Pasep, que financiam o seguro-desemprego, o abono salarial, além
de também custear programas econômicos de desenvolvimento.

Programa Brasil Sem Miséria


Este programa insere as famílias que possuem crianças de 0 a 6 anos, sendo
responsável pelo incremento da transferência de renda, da ampliação de vagas em
creches e do repasse de recursos para alimentação escolar das crianças matriculadas
em creches públicas e ações voltadas para enfrentar problemas relacionados à saúde
na infância, incluindo suplementação de vitamina A, sulfato ferroso e medicação
gratuita contra asma.

Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico


e Emprego (Pronatec)
Estratégia de inserção de jovens e adultos ao Ensino Profissionalizante, o
Pronatec tem o objetivo de inserir a população em melhores empregos em função
da qualificação profissional oferecida pelo Programa.

Ciência sem Fronteiras


Ação também voltada à área da educação, que beneficiou mais de 20 mil
estudantes apenas no ano de 2012, através da concessão de bolsas de estudos em
diversos países e também no Brasil.

Programa Crack, é Possível Vencer


Programa voltado à área da saúde que tem como objetivo aumentar a oferta
de tratamento de saúde e atenção aos usuários, enfrentar o tráfico de drogas e
as organizações criminosas através de atuação preventiva educativa, informativa
de capacitação.

Programas de Agricultura Familiar e de apoio a Pesca


Programas de financiamento voltados ao incentivo de produtos agropecuários
de pequenas famílias de agricultores e de pescadores que estimulem a pequena
produção além de incentivar práticas sustentáveis de desenvolvimento econômico
sem prejuízos ou danos ambientais.

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Programas de Moradias Populares – Minha Casa, Minha Vida
Programas que incentivam o financiamento de baixo custo a trabalhadores
para aquisição de moradias populares, tirando milhares de famílias do pesadelo
do aluguel.

Podemos constatar que esses programas incentivam o desenvolvimento social,


não especificamente na área social, mas através do incentivo ao conhecimento, ao
bem-estar da população e pelo acesso à inclusão econômica e social.

A ideia da integração das políticas sociais é um princípio de uma base para que o
crescimento de um país como o Brasil se dê de forma sólida. Porém, os avanços dos
programas sociais não se dão de forma isolada. É necessária complementaridade
de ações e programas para que haja o fortalecimento da sociedade.

A questão ambiental passa pela continuidade dos programas e das políticas


sociais, uma vez que não são as ações pontuais que determinam o crescimento
socioeconômico de uma nação.

Os valores da cooperação e da solidariedade devem ser os norteadores da


política social e da melhor forma de lidar com a questão ambiental.

A participação popular é uma das formas mais efetivas de controle e fiscalização


do orçamento, do planejamento e da execução dos projetos pelos governos, pela
sociedade civil.

Neste novo panorama, deverá sempre prevalecer a justiça distributiva, que faça a
diferença em favor dos menos favorecidos, e não para o privilégio de uma minoria
neste mundo.

Novas relações de cordialidade e respeito à diversidade e às diferentes ideologias,


culturas e crenças dos habitantes de nosso planeta deverão fazer parte das regras
universais deste novo tempo.

O estabelecimento de novos tratados deverá pensar a sociedade como geradora


de riquezas, através de um eixo de sustentabilidade, dentro da ética e do respeito do
direito à vida, seja de qual organismo ou organicidade este sujeito pertença.

As regras de convívio social no futuro próximo devem estabelecer novas relações


de respeito ao homem e ao seu entorno, onde prevaleçam a boa convivência entre
os sujeitos e seus modos de vida.

O respeito ao meio ambiente significa ir além da preservação da natureza,


significa pensar e fazer mais do que todas as outras sociedades já pensaram
na história.

Após a reunião de nações na Conferência Mundial pela Preservação do Meio


Ambiente, em 1992, conhecida como Eco-92, ocorrida na Cidade do Rio de
Janeiro, definiu algumas estratégias de mudança de atitudes dos países.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Atualmente existem acordos internacionais, como o Protocolo de Quioto, que


definem metas de redução da poluição para os próximos anos. Porém, não bastam
ações de apenas um lado da preservação da vida na Terra.

As ações para a questão ambiental não se resumem a acordos e muito menos a


ações de governos.

A participação da população em processos


decisórios é cada vez mais importante para o
futuro da humanidade.

A convergência entre a luta social e a luta ambiental é um fato e uma imposição


para a vida nas próximas décadas.

Dessa forma, a evolução humana estará subordinada ao desenvolvimento


sustentável e à preservação do Planeta – e não o contrário. Este será o único modo
de sobreviver num futuro próximo.

Para maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do


meio ambiente, assista ao vídeo A história das coisas, que alerta sobre a perda dos
recursos do Planeta através do consumismo. O link desse vídeo pode ser encontrado
no Material complementar para atividades de aprofundamento.

Em Síntese Importante!

Nosso planeta sempre passou por diversas transformações sociais e políticas que, se
por um lado beneficiaram muitos povos, por outro lado trouxeram miséria, sacrifício,
dizimando civilizações inteiras, seja por guerras, por miséria extrema, ou ainda por
subordinação praticada por uma civilização mais avançada tecnologicamente sobre
outra que se defendia por meios primitivos de combate.
Com o advento da Revolução Industrial, a partir do século XVIII, a aceleração da
produção industrial criou indústrias que faziam circular rapidamente o comércio, e com
ele a exploração da classe trabalhadora, desencadeando novas situações de miséria e
desigualdade social e que por outro lado enriquecia e fortalecia a dominação econômica
e social por uma pequena elite burguesa.
Assim, o interesse privado ao longo dos séculos substituiu o interesse social como
um todo.
É possível compreendermos que quando tratamos de meio ambiente, não podemos
apenas ter o conceito de preservação da floresta em mente.
Meio ambiente é todo o espaço em que vivemos, sendo consideradas também as
formas de relações dos sujeitos, seja objetiva ou subjetiva, seja na floresta, na casa onde
vivemos, no trabalho, na escola, nas ruas, ou até mesmo nos meios de transporte que
utilizamos para nos deslocar de um lugar ao outro.

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Por isso, ter a consciência de interdisciplinaridade é importante quando nos referimos à
questão ambiental, pois não pode ser encarada apenas por um ângulo, por um aspecto
científico determinado e hermético.
O estabelecimento de novos tratados deverá pensar a sociedade como geradora de
riquezas através de um eixo de sustentabilidade, dentro da ética e do respeito do direito
à vida, seja de qual organismo ou organicidade esse sujeito pertença.
As regras de convívio social no futuro próximo devem estabelecer novas relações de
respeito ao homem e ao seu entorno, onde prevaleça a boa convivência entre os sujeitos
e seu modo de vida.
O respeito ao meio ambiente significa ir além da preservação da natureza, significa
pensar e fazer mais do que todas as outras sociedades já pensaram na história.
A convergência entre a luta social e a luta ambiental é um fato e uma imposição para a
vida nas próximas décadas.
Desta forma, a evolução humana estará subordinada ao desenvolvimento sustentável e
à preservação do Planeta, e este será o único modo de sobrevivência na Terra.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais I

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

 Vídeos
A História da pobreza. Porque pobreza?
A História da pobreza. Porque pobreza? 2013.
Disponível em: https://goo.gl/nqs5Rf
A História das coisas
A História das coisas. [20--].
Disponível em: https://goo.gl/4W76Da
A Questão ambiental
A Questão ambiental. 2004.
Disponível em: https://goo.gl/nKXqfV

 Leitura
A origem da família, da propriedade e do Estado
ENGELS, F. A origem da família, da propriedade e do Estado. 3. ed. São Paulo:
Global, 1984.
Disponível em: https://goo.gl/rkGAxG
Poder local, políticas sociais e sustentabilidade
JACOB, P. Poder local, políticas sociais e sustentabilidade. 1999.
Disponível em: https://goo.gl/ThbnHh
Política ambiental para quem?
SIQUEIRA, L. de C. Política ambiental para quem? 2008.
Disponível em: https://goo.gl/iEJ1zJ

22
Referências
BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Politica social: fundamentos e história. 6. ed.
São Paulo: Cortez, 2009.

BRASIL. Programas do governo federal. [20--]. Disponível em: <http://www.


programadogoverno.org>. Acesso em: 6 nov. 2016.

BUCHER, R. Drogas e drogadição no Brasil. Porto Alegre, RS: Artes Medicas, 1992.

DORNELLES, D. F.; CAMARGO, M. Serviço Social e meio ambiente: um


diálogo em construção. Frederico Westph: Uri, 2005.

ENGELS, F. A origem da família, da propriedade e do Estado. 3. ed. São


Paulo: Global, 1984. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/
marcos/hdh_engels_origem_propriedade_privada_estado.pdf>. Acesso em:
6 nov. 2016.

JACOB, P. Poder local, políticas sociais e sustentabilidade. 1999.


Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
12901999000100004>. Acesso em: 6 nov. 2016.

KOGA, D.; FAVERO, E.; GANEV, E. Cidades e questões sociais. São Paulo:
Terracota, 2009.

MARX, K. O capital. São Paulo: Centauro, 2005.

ONU. Metas do milênio. 2000. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/odm.


aspx>. Acesso em: 6 nov. 2016.

RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São


Paulo: Companhia das Letras, 2004.

SADER, E. S. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático.


São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SILVA, A. P. T. Proteção social no Brasil: impactos sobre a pobreza, desigualdade


e crescimento. [S.l.: s.n., 20--?].

SILVA, M. O. S.; YAZBEK, M. C. A política social brasileira no século XXI: a


prevalência dos programas. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

SIMÕES, C. Curso de Direito do Serviço Social. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

SIQUEIRA, L. de C. Política ambiental para quem? 2008. Disponível em: <http://


www.scielo.br/pdf/asoc/v11n2/v11n2a14.pdf>. Acesso em: 6 nov. 2016.

23
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Políticas Sociais
e Questões
Contemporâneas
Material Teórico
Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Mauricio Vlamir Ferreira

Revisão Técnica:
Prof. Me. Priscila Beralda Moreira de Oliveira
a

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Políticas Sociais e Problemas
Transversais II

• A Questão do Preconceito Étnico-Racial Existente no País;


• As Políticas Sociais Brasileiras na Atualidade em
Relação à Igualdade Étnico-Racial;
• As Demandas Globais e Nacionais em Torno de Questões Relativas
à Diversidade Étnico-Racial na Contemporaneidade.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Explicar de que forma o colonialismo construiu uma cultura de
preconceito e contribuiu para a exclusão socioeconômica principalmente
de índios e negros, denunciando um sistema que deixou marcas de
intolerância na sociedade brasileira até os nossos dias.
· Identificar quais as ações do Estado brasileiro sobre as comunidades
indígenas.
· Evidenciar a exclusão social e a falta de igualdade e de oportunidades
historicamente latentes na sociedade brasileira.
· Elucidar de que forma se trata atualmente a questão do preconceito
racial e da xenofobia no mundo.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Contextualização
A questão étnico-racial brasileira é abrangente, vivemos em um cotidiano
sociopolítico de avanços, mas também de ameaças a importantes conquistas já
realizadas em torno do assunto.

Essa cultura do desprezo da classe dominante vem do secular pensamento


colonialista de exploração de negros, índios e até dos imigrantes que lutaram para
a construção da sociedade brasileira como é hoje.

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão criado durante o regime militar


e presente até hoje no Estado brasileiro, nunca teve o comando de um indígena.
Estudos para identificar as tribos, regularizar e demarcar os espaços indígenas,
além do monitoramento e fiscalização desses territórios, o contato e a proteção dos
povos são funções básicas desse órgão. Ou seja, até hoje os índios não conseguem
dirigir uma entidade que os representa, apesar de obterem avanços em demarcações
de novos parques indígenas, como as terras cedidas para a implantação do Parque
Raposa Serra do Sol no Estado de Roraima.

Antes da década de 1980, o Estado brasileiro se omitia em relação à formulação


de políticas que contemplassem o acesso a oportunidades e serviços à comunidade
negra no país. A Constituição de 1988 foi um marco em relação às garantias
de direitos na questão do respeito à igualdade racial, assim como também foi
importante para garantir mudanças sociais como um todo no Brasil.

Em 1996, o Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH I) foi lançado


com o compromisso do Governo Federal em assumir o combate ao preconceito e
à desigualdade racial.

Lançado em 2002, o PNHD II levou o Estado brasileiro a reconhecer o tráfico


e a escravidão dos negros como crimes contra a humanidade, além do fato das
questões de exclusão social e de falta de oportunidades iguais, bem como a ausência
de políticas públicas elaboradas pelos governos, terem como consequência a
realização de ações compensatórias, que passaram a promover um novo patamar
de igualdade e inclusão social para a comunidade negra a partir de então.

A conferência de Durban, realizada em 2001, foi um marco nas questões que


tratam o racismo, a escravidão e a intolerância como crimes históricos contra a
humanidade; porém, em questões práticas, não há uma ação unificada, uma vez
que muitos países ainda travam guerras que, por sua vez, sempre criam situações
de conflitos étnicos-raciais e de exclusão social.

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A Questão do Preconceito
Étnico-Racial Existente no País
A questão étnico-racial brasileira é abrangente, vivemos em um cotidiano
sociopolítico de avanços, mas também de ameaças a importantes conquistas já
realizadas em torno do assunto.

A tecnologia da informação e a democratização do acesso aos meios de


informação nos auxiliam a enxergar o racismo de uma forma mais explícita, sendo
que por muito tempo se negava que no Brasil existisse tal atitude.

A ideia de preconceito racial sempre foi abordada de forma velada, com uma
cultura de desprezo, tabu, por muitas vezes forjada no cunho da exploração do
trabalho, da exploração sexual e no desrespeito de uma elite branca sobre as outras
etnias formadas no país.

Essa cultura do desprezo da classe dominante vem do secular pensamento


colonialista de exploração de negros, índios e até de imigrantes que lutaram para a
construção da sociedade brasileira como é hoje.

Cada etnia colaborou de forma importante para os nossos hábitos e costumes


atuais, onde se define a nossa identidade cultural.

Essa identidade, a duras penas, foi trazida pelos escravos africanos, desde seu
aprisionamento nas regiões em guerras e conflitos na África, mas também escondida
nas matas das florestas e repassadas ao homem branco seja nos traços da língua
tupi-guarani, que influenciou nossos hábitos alimentares, de higiene – como o fato
de gostarmos de tomar banho diariamente –, seja também com a tradição oriental
do hábito de se comer arroz com o feijão ou com a feijoada da comunidade negra.

Uma cultura tão única e rica por muitas vezes ofuscada por atos de agressão
física, verbal e moral e que em casos extremos leva inocentes à prisão.

Como surge esse preconceito na civilização brasileira?

O preconceito surge com a descoberta do Brasil, a partir do contato dos


colonizadores portugueses com os índios – chamados de negros da terra –, pensado
primeiramente pelos colonizadores para servir aos seus conquistadores, tendo
muito pouca coisa em troca.

Os índios foram primeiramente considerados povos pagãos pela igreja católica,


que tentou cristianizar tribos inteiras. O despudor do uso de roupas é trocado pela
vergonha e a necessidade de se vestir, imposta pelos brancos colonizadores. O
trabalho e a exploração da terra, das matas e a dizimação de índios em guerras,
doenças, até então inexistentes em solo brasileiro, trazidas pelos brancos, faz
com que os índios se afastem com o tempo dos colonizadores. Assim, as nações
indígenas cada vez mais foram se distanciando e se afastando das cidades erguidas,
encolhendo-se em distantes locais do Brasil.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Porém, no século XX, o desenvolvimentismo, a expansão rural, além da ganância


pelos minérios contidos na floresta voltam a rondar e ameaçar as tribos indígenas.
Os índios são vítimas dos novos colonialistas, representantes da elite latifundiária,
que oprimem, matam os índios e destroem a floresta para dar lugar a imensos
campos de lavoura de soja e pecuária.

Na década de 1970, o Estado brasileiro expande os planos desenvolvimentistas,


encampa o desenvolvimento industrial de Manaus, capital do Amazonas, e leva obras
de construção de estradas que cortam a Amazônia brasileira, além de incentivar a
colonização do Centro-Norte do Brasil com o deslocamento das famílias de origem
europeia para essa região.

Aos índios, restam os últimos refúgios em parques nacionais delimitados ou a


integração e o aculturamento total para a vida urbana. Uma difícil integração com
novos hábitos.

Muitos índios são levados ao vício do álcool e das


drogas e outros, não conseguindo se adaptar à nova
realidade, acabam por tirar a sua própria vida. Se não
for assim, morrem lutando contra latifundiários donos
das terras que um dia foram da população indígena.

Até hoje os índios não conseguem dirigir a entidade que os representa, no caso, a
Fundação Nacional do Índio (FUNAI), apesar de obterem avanços em demarcações
de novos parques indígenas, como as terras cedidas para a implantação do Parque
Raposa Serra do Sol no Estado de Roraima.

Apesar de a Constituição de 1988 garantir direitos específicos à comunidade


indígena – como a saúde, a educação, o direito à terra e a preservação de sua
cultura –, muito preconceito e descaso público são vivenciados pelos indígenas até
os dias atuais.

Nos centros urbanos, fatos como o assassinato em 1997 do Índio Galdino , que
dormia em um ponto de ônibus em Brasília-DF, por dois jovens de classe média, ou
ainda o assassinato do agente de saúde indígena Clodiode , fato que deixou mais
seis índios feridos, com total descaso do governo do Mato Grosso do Sul em junho
de 2016, infelizmente fazem com que o desrespeito e o preconceito sejam parte
da contemporaneidade e da realidade vivida pelos índios no Brasil.

Um outro fator de lutas por garantias de direitos é o enfrentamento dos índios com
questões ligadas a obras de infraestrutura que podem ameaçar todo o ecossistema
vigente próximo às tribos indígenas localizadas na floresta amazônica.
É o caso das usinas hidroelétricas, que podem desviar o curso de rios e formar
represas, interferindo na vida de animais e plantas locais, ao mesmo tempo em que
novas cidades e vilas construídas no entorno dessas obras acabam por aproximar
obrigatoriamente as tribos indígenas com a civilização.

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A cultura indígena é uma das raízes da civilização brasileira contemporânea, sua
culinária, dança, música entre outras tradições fazem parte de uma rica influência
na cultura nacional, devendo seu legado ser preservado e respeitado por toda a
sociedade brasileira.

Figura 1 - Tribo indígena no Parque Nacional do Xingú


Fonte: Wikimedia Commons

Tabela 4 - Pardos (Englobados nesta parcela – pardos –, os contingentes designados como amarelos nos
censos brasileiros, representados principalmente pelos nipo‐brasileiros e índios, não alcançam 5% dos totais)
CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA SEGUNDO A COR (em Milhares)
Ano Brancos Pretos Pardos * Totais:
1872 3.854 (38%) 1.976 (20%) 4.262 (42%) 9.930
1890 6.302 (44%0 2.098 (15%0 5.934 (41%) 14.333
1940 26.206 (63%) 6.644 (15%) 8.760 (21%) 41.236
1950 32.027 (62%) 5.692 (11%) 13.786 (26%) 51.922
1990 81.407 (55%) 7.264 (5%) 57.822 (39%) 147.306
Fontes: IBGE, Conselho Nacional de Estatística (Laboratório de Estatística) (1961); e Anuário Estatístico do Brasil (1993).”

A tabela acima identifica o predomínio e a expansão da população autode-


nominada branca no Brasil. A predominância dessa população frente às outras
tem como definidos aspectos relacionados à facilidade de acesso a direitos básicos
como educação, saúde, alimentação, melhores empregos, entre outros fatores de
melhor inserção socioeconômica no país.
Esse aspecto não é tão divulgado na sociedade, uma vez que não é interessante
a classe dominante branca identificar que existe uma melhor oportunidade de
ascensão social para um determinado setor étnico-racial, que representa a elite
herdeira dos senhores do Brasil-Colônia – elite essa, que séculos antes, trouxe os
escravos negros comprados como simples mercadoria, um objeto ou animal.
Pessoas capturadas eram separadas de sua família, reféns de conflitos tribais,
oriundas da África Ocidental em condições subumanas em viagens precárias nos
navios do tráfico escravagista de grandes lucros para o comércio português. Os
chamados navios negreiros atravessavam o Oceano Atlântico lotado de escravos,
que quando muito doentes eram jogados ao mar como um objeto sem valor.

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11
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Quando os sobreviventes chegavam aos portos brasileiros, eram besuntados de


banha e vendidos aos seus donos, senhores de engenho e donos de fazendas,
isso ocorreu até o século XIX. A utilização da mão-de-obra escrava era feita em
condições de exploração total do trabalho dos negros.
A forma de punição dos escravos negros consistia em dolorosa tortura, realizada
por capatazes, homens de confiança dos senhores das fazendas. Os negros que
tentassem fugir das fazendas, quando capturados, eram torturados no limite e
muitos, não aguentando o sacrifício, eram mortos na frente de outros escravos
como fator de tenebroso exemplo.
Muitos escravos não tinham mais a ligação familiar e no Brasil constituíam novas
famílias. Também tinham que aprender a nova língua. O que os unia a partir de
então eram os laços culturais e religiosos, onde o sincretismo com as tradições
coloniais católicas oportunizava uma ligação dos negros com as suas crenças nas
divindades africanas.
Os negros que tiveram a sorte de escapar da opressão das fazendas formavam
em regiões afastadas os quilombos, onde se organizavam em sociedades livres
e comunais. O quilombo mais famoso foi o de Palmares, localizado na Serra da
Barriga em Alagoas, comandado por Zumbi e destruído em 1694.
Embora tenha oportunizado a liberdade, a abolição da escravatura, em 13 de
maio de 1888, trouxe um grande problema social para os agora ex-escravos.
Anteriormente fixados nas senzalas das grandes fazendas, os negros agora eram
abandonados pelos seus antigos donos à própria sorte, sem direito a nenhuma
compensação financeira ou reparação de qualquer ordem pelo Estado brasileiro.
Em pouco tempo, essa população começou a acampar em terrenos baldios e a
tentar sobreviver com uma pequena agricultura de subsistência.

Figura 2 - Comunidades Quilombolas


Fonte: Wikimedia Commons

Muitos, desalojados inclusive dessas terras, percorreram os caminhos para as


cidades, subsistindo em locais periféricos sem a mínima condição de infraestrutura,
acabando por resistir e conseguir pequenos trabalhos para sua sobrevivência e,
posteriormente, empregando-se e fazendo parte da mão de obra assalariada das

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indústrias, que aos poucos acabaram por substituir a agricultura como a principal
atividade econômica no Brasil.

A cultura musical, culinária e religiosa da comunidade negra foram contribuições


importantes para a sua integração na sociedade brasileira até os dias atuais. Porém,
no início do século XX, rodas de samba e capoeira, assim como as manifestações
religiosas afro-brasileiras eram proibidas e sua desobediência era punida com prisão.

Somente após a Constituição de 1946 os cultos e as religiões afro-brasileiros


– como a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda – puderam ser permitidas e
legalizadas. Apesar da legalização da livre organização dessas religiões, após os
anos 1990 muitas igrejas evangélicas neopentecostais utilizaram, e ainda utilizam,
o discurso da intolerância no sentido de incitar o preconceito, o ódio e a violência,
em demonstração clara de desrespeito à liberdade da organização cultural religiosa
afro-brasileira.

A desigualdade socioeconômica, porém, é até os nossos dias atuais a herança


negativa imposta pelo Estado brasileiro à população negra afrodescendente
brasileira. Essa desigualdade social gera consequências desastrosas para uma
população reprimida nas periferias da grande cidade.

A força coercitiva da polícia do Estado brasileiro, somada à justiça organizada


pela maioria branca e elitista do país, trabalha para ampliar o número de negros
presos no lotado e degradante sistema prisional brasileiro. O extermínio de crianças
e jovens negras no Brasil também contribui para a desigualdade de condições de
existência dadas à população negra.

Figura 3 - Imagem de repressão policial aos negros no Brasil


Fonte: iStock/Getty Imagens

13
13
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Gráfico 1- Taxa de homicídios de negros e não negros no Brasil – 2004 a 2014


38,0 19,0

Taxa de homicídios de Não Negros


37,0
Taxa de homicídios de Negros 18,0
36,0

35,0 17,0

34,0
16,0
33,0
15,0
32,0

31,0 14,0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Negros Não Negros


Fonte: Adaptado de IBGE/Diretoria de Pesquisas

A imagem acima identifica um crescimento do aumento da taxa de homicídio


muito maior em relação à população negra do que em relação a outras populações,
evidenciando um Estado repressor e nitidamente excludente, onde o extermínio
dessa população no Brasil é uma triste realidade.

A constatação atual é de que o preconceito no Brasil deve ser uma questão


levada a sério e tem o dever de ser encarado com políticas públicas inclusivas
efetivas, que possam proporcionar as garantias de direito necessárias para que
haja a prevalência da justiça social, onde as pessoas tenham o mesmo direito às
oportunidades, às condições de inclusão socioeconômicas e de serem respeitadas
pela sua condição de cidadãs, independentes de sua raça ou origem.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do meio
ambiente, recomendamos que você assista os vídeos: “O povo brasileiro” partes 1, 2 e 3.
O vídeo elaborado por Darcy Ribeiro traz a origem dos povos indígenas, portugueses e
africanos, que criaram a raiz da atual população brasileira. Os links desses vídeos podem
ser encontrados no material complementar para atividades de aprofundamento.

As Políticas Sociais Brasileiras na Atualidade


em Relação à Igualdade Étnico-Racial
O Brasil, como país de regulação social tardia, tem demonstrado que muitos
privilégios da elite ainda se mantêm, criando um sistema ainda excludente,
com limitação de acesso às oportunidades e com dificuldades de crescimento e
desenvolvimento econômico e social.

14
Os movimentos organizados pela luta contra o racismo e por mudanças contra
o preconceito começaram a emergir na década de 1980. Antes disso, o Estado
brasileiro se omitia em relação à formulação de políticas que contemplassem o
acesso a oportunidades e aos serviços à comunidade negra no país. A mobilização
social da militância negra se organizou nos movimentos feministas e também na
comunidade acadêmica, além de mobilizações no campo da saúde pública, com
reivindicações específicas para a saúde da população negra.

A Constituição de 1988 foi um marco em relação às garantias de direitos na


questão do respeito à igualdade racial, assim como também foi importante para
garantir mudanças sociais como um todo no Brasil. Na nova constituição, e também
a partir da Lei 7716 de 1989, o racismo passou a ser criminalizado, assim como as
comunidades dos quilombos passaram a ter direito a posse da terra. Nesse período,
um grande símbolo dos novos tempos de luta e organização da comunidade negra
foi a criação da Fundação Cultural Palmares, fortalecendo a identidade negra na
cultura nacional.

Essa luta trouxe um grande reconhecimento e a aproximação política das


reivindicações dos negros com o Estado brasileiro, abrindo novas perspectivas
na organização civil e na construção de uma nova relação de afirmação positiva
e reivindicações de formulação de estratégias de combate às diferenças sociais,
estabelecendo um novo patamar de reivindicações e de diálogo da comunidade
negra com o Governo Federal.

Como símbolo dessa mobilização e luta, a Marcha Zumbi de Palmares contra


o Racismo pela Cidadania e Pela vida, em 1995, surgiu como um importante
momento de identificação na luta pela liberdade, que definiu o dia 20 de novembro
como o dia da Consciência Negra e Luta Contra a Desigualdade Racial.

Figura 4 - Secretária da Igualdade Racial Matilde Ribeiro


Fonte: Wikimedia Commons

As importantes consequências desse ato foram a entrega por representantes da


comunidade negra, ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, do documento
Programa de Superação do Racismo e da Desigualdade Racial, que apresentou

15
15
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

um panorama da desigualdade racial e do racismo, com reivindicações de políticas


afirmativas em temas principais divididos em: educação, saúde, trabalho, terra,
religião, violência, informação, cultura e comunicação.

Consequentemente após a entrega desse documento, formou-se um grupo


de trabalho formado por líderes da sociedade civil e do movimento negro e
representantes dos ministérios do Governo Federal, para que se pudesse aproximar
as questões elencadas pela comunidade negra junto às políticas do Estado brasileiro.

Em 1996, o Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH I) foi lançado


com o compromisso do Governo Federal em assumir o combate ao preconceito e à
desigualdade racial. O PNDH I definiu metas e estratégias de ações de curto, médio
e longo prazos em relação à promoção da igualdade, sendo elencadas importantes
ações do Estado a partir daquele momento, tais como:
·· Apoios a grupos de trabalho e à criação de conselhos;
·· Inclusão do quesito cor em todos e quaisquer sistemas de informação e
registro sobre a população negra e de brancos para dados públicos;
·· Estímulo à presença dos grupos étnicos que compõem a população
brasileira em propagandas institucionais do Governo Federal;
·· Apoio às ações da iniciativa privada que realizem “discriminação positiva”;
·· Formulação de políticas compensatórias que promovam social e economi-
camente a comunidade negra, alteração do conteúdo de livros didáticos,
bem como a ampliação do acesso de entidades da comunidade negra aos
diferentes setores do governo.

Um importante destaque do governo brasileiro neste período foi a sua participa-


ção na Conferência de Durban na África do Sul, assumindo compromisso impor-
tante como país apoiador dos compromissos globais na luta contra a discriminação
e no combate ao racismo e à intolerância.

Lançado em 2002, o PNHD II levou o Estado brasileiro a reconhecer o tráfico e


a escravidão dos negros como crimes contra a humanidade. Reconheceu também
as questões de exclusão social e de falta de oportunidades iguais, bem como a
ausência de políticas públicas elaboradas pelos governos terem como consequência
a realização de ações compensatórias, que passariam a promover um novo patamar
de igualdade e inclusão social para a comunidade negra a partir de então.

A partir de 2003, os governos Lula e Dilma, além de abraçarem o grupo de


trabalho interministerial, demonstraram valorizar as questões da promoção da
igualdade racial, desencadeado esse processo na criação da Secretaria Especial de
Promoção da Igualdade Racial, que em 2008 foi elevada ao status de Ministério.

16
A missão principal desse órgão governamental é o de criar uma política nacional
de promoção da igualdade racial e desenvolver ações conjuntas a outros ministérios
que gerem oportunidades de acesso à comunidade negra em todas as ações do
Governo Federal.

As ações desenvolvidas desencadearam na primeira e segunda Conferência


Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ambas as conferências resultaram
na construção do Plano Nacional da Promoção da Igualdade Racial, tornando
concretas as ações para a população negra, indígena, quilombola e cigana, entre
outros segmentos étnicos dentro da população brasileira, contemplando a sua
inclusão e a igualdade de direitos.

A universalidade e o acesso a todos os níveis de educação através da promoção


de políticas positivas para a comunidade negra, indígena, entre outros grupos
étnicos, são também formas importantes de garantir o lugar desses grupos na
educação desde a infância até o meio acadêmico universitário, englobando os três
níveis principais da educação no país.

Essas ações estão contempladas na Lei 10.639, que inclui no currículo oficial da
Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira,
o Prouni (Programa Universidade Para Todos) e o apoio às ações afirmativas nas
universidades públicas.

É importante destacar também que o sistema de cotas em concursos públicos


e acesso às universidades públicas e privadas não é uma lei, porém faz parte
das políticas adotadas para possibilitar condições de acesso a esse segmento
populacional no Brasil.

No campo da saúde, assim como na educação, as políticas se destacam para a


atenção a problemas específicos da população negra, tanto em relação ao respeito
no atendimento, como no que tange a doenças específicas – por exemplo, em
relação à identificação da anemia falciforme, diagnosticada em muitos casos em
crianças da comunidade negra.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do meio
ambiente, recomendamos que você assista ao vídeo História da Resistência Negra no
Brasil, um documentário de José Carlos Asbeg. O vídeo traz um relato da organização do
movimento negro no Brasil. O link desse pode ser encontrado no material complementar
para atividades de aprofundamento.

17
17
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

As Demandas Globais e Nacionais em Torno


de Questões Relativas à Diversidade Étnico-
-Racial na Contemporaneidade
Assim como no Brasil, as questões sobre o preconceito e a desigualdade racial
começaram a ser discutidas e relacionadas como políticas públicas tardiamente.
Antes da II Guerra Mundial, a xenofobia e o preconceito ainda davam ares de
políticas segregacionistas, tanto em países totalitaristas, como a Alemanha e a Itália,
como em países considerados exemplos de democracia, como os Estados Unidos.
A intolerância a judeus, negros e asiáticos levou ao extermínio de milhões de
pessoas em crimes de guerra que jamais serão esquecidos pela humanidade.
Após o conflito, com a implantação da Organização das Nações Unidades,
a declaração Universal dos Direitos do Homem passou a ser um importante
instrumento de luta contra as diferenças sociais e também contra a discriminação
racial e social dos seres humanos.
Porém, a luta pelos direitos civis e contra a segregação racial nos Estados Unidos
continuou e até os dias atuais é motivo de levantes sociais contra o abuso das
autoridades norte-americanas.
A intolerância, o preconceito e a discriminação racial também fizeram parte
do cotidiano da sociedade da África do Sul até os anos 1990, quando o regime
do Apartheid chegou ao fim a partir de uma intensa mobilização nacional e
internacional contra as políticas de uma minoria branca colonialista e rica frente a
ampla maioria e pobre comunidade negra.
A chegada de Nelson Mandela representou uma nova esperança para um novo
país que se formava com o desafio da integração e amenização das tensões sociais
que poderiam surgir nesse novo caminho.
Atualmente a intolerância racial também vem dos conflitos entre os países árabes
e Israel, no Oriente Médio, da guerra civil na Síria e de conflitos internos em países
africanos, gerando uma massa migratória intensa para a Europa.
A intolerância e o racismo no continente europeu, com a ascensão da extrema-
direita organizada em muitos países, além de preocupar, dificulta a possibilidade
de ajuda humanitária e a convivência dessa nova massa imigrante nos países da
comunidade europeia.
Assim como no nível internacional, o Brasil tem mantido uma política intensa
de participação em relação aos problemas de enfrentamento do preconceito e
da intolerância no mundo. A organização do terrorismo e os intensivos ataques
coordenados por lutas do mundo islâmico contra o ocidente ajudam a alimentar o
ódio e o preconceito contra a comunidade muçulmana na esfera mundial. A questão
do sionismo e da intolerância israelita frente aos povos muçulmanos também é um
aspecto grave de tensão no mundo atual.

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A conferência de Durban, realizada em 2001, foi um marco nas questões que
tratam o racismo, a escravidão e a intolerância como crimes históricos contra a
humanidade; porém, em questões práticas, não há uma ação unificada, uma vez
que muitos países ainda travam guerras que por sua vez sempre criam situações de
conflitos étnicos raciais e de exclusão social.

A própria prática excludente do mundo capitalista globalizado expõe as


desigualdades sociais e criam situações de intolerância em que o poder de uma
classe dominante sobre outra de trabalhadores contribui para o aumento e a tensão
nas relações dos povos em todo o planeta.

É necessário neste novo milênio um novo pensamento de igualdade que


eleve a integração e o desenvolvimento social e coletivo, que vise a um processo
transformador do ódio secular em relações positivamente fraternas, humanas e
inclusivas, que desenhem um novo caminho para a humanidade.

Importante! Importante!

Para maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do meio


ambiente, recomendamos que você assista ao vídeo CULTNE - Conferência Internacional
Durban 2001. O documentário traz um relato da importância da Conferência de Durban
para o mundo. O link pode ser encontrado no material complementar para atividades
de aprofundamento.

Em Síntese Importante!

A questão étnico-racial brasileira é abrangente, vivemos em um cotidiano sociopolítico


de avanços, mas também de ameaças a importantes conquistas já realizadas em torno
do assunto.
Essa cultura do desprezo da classe dominante vem do secular pensamento colonialista
de exploração de negros, índios e até dos imigrantes que lutaram para a construção da
sociedade brasileira como é hoje.
Apesar de na Constituição de 1988 a comunidade indígena garantir direitos específicos
– como a saúde, a educação, o direito a terra e a preservação de sua cultura –, muito
preconceito e descaso público é vivido pelos indígenas.
Até hoje, os índios não conseguem dirigir uma entidade oficial que os representa, apesar
de obterem avanços em demarcações de novos parques indígenas, como as terras
cedidas para a implantação do Parque Raposa Serra do Sol no Estado de Roraima.
Antes da década de 1980, o Estado brasileiro se omitia em relação à formulação de políticas
que contemplassem o acesso a oportunidades e serviços à comunidade negra no país.
A Constituição de 1988 foi um marco em relação às garantias de direitos na questão do
respeito à igualdade racial, assim como também foi importante para garantir mudanças
sociais como um todo no Brasil.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Em 1996, o Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH I) foi lançado com
o compromisso do Governo Federal de assumir o combate ao preconceito e à
desigualdade racial.
Lançado em 2002, o PNHD II levou o Estado brasileiro a reconhecer o tráfico e a
escravidão dos negros como crimes contra a humanidade. Reconheceu também
as questões de exclusão social e de falta de oportunidades iguais, bem como a au-
sência de políticas públicas elaboradas pelos governos terem como consequência a
realização de ações compensatórias, que passariam a promover um novo patamar
de igualdade e inclusão social para a comunidade negra a partir de então
A conferência de Durban, realizada em 2001, foi um marco nas questões que tratam
o racismo, a escravidão e a intolerância como crimes históricos contra a humanidade;
porém, em questões práticas, não há uma ação unificada, uma vez que muitos países
ainda travam guerras que, por sua vez, sempre criam situações de conflitos étnicos-
-raciais e de exclusão social.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
O povo brasileiro – partes 1, 2 e 3
https://goo.gl/5tTDQ6
História da Resistência Negra no Brasil
Documentário de José Carlos Asbeg
https://goo.gl/ohFjqI
CULTNE – Conferência Internacional Durban 2001
https://goo.gl/icalqa

Leitura
O Povo Brasileiro: A Formação e o Sentido do Brasil
Darcy Ribeiro
https://goo.gl/jO7X2K
Racismo no Brasil: tentativas de disfarce de uma violência explícita
Sylvia da Silveira Nunes
https://goo.gl/X2BKH4
Desigualdades raciais e políticas públicas: ações afirmativas no governo Lula
Márcia Lima
https://goo.gl/vZsUu9

21
21
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais II

Referências
BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política Social: fundamentos e história. 6. ed.
São Paulo: Cortez, 2009.

FRY, Peter H. O significado da anemia falciforme no contexto da ‘política racial’


do governo brasileiro 1995-2004. Hist. cienc. Saúde Manguinhos, Rio de
Janeiro, v. 12, n. 2, maio/ago. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702005000200007

LIMA, Márcia. Desigualdades   raciais e políticas públicas: ações afirmativas no


governo Lula. Novos estud., CEBRAP, São Paulo, n. 87, jul. 2010. Disponível  em: http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002010000200005

NUNES, Sylvia da Silveira. Racismo no Brasil: tentativas de disfarce de uma violência


explícita. Psicol. USP, São Paulo, v. 17 n. 1, mar. 2006. Disponível em: http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642006000100007

RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São


Paulo: Companhia das Letras, 2004.

SADER, E. S. Pós-Neoliberalismo: As Políticas Sociais e o Estado Democrático.


São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SILVA, M. O. S.; YAZBEK, M. C. A Política Social Brasileira no Século XXI: a


prevalência dos programas. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

Outras fontes
Atlas da Violência 2016 – IPEA & FBSP. Disponível em: http://infogbucket.
s3.amazonaws.com/arquivos/2016/03/22/atlas_da_violencia_2016.pdf

FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Disponível em: http://www.funai.gov.


br/index.php/quem-somos

Tragédia de índio Galdino, queimado vivo em Brasília, completa 15 anos

Disponível: https://goo.gl/vT8V0w

Índio é morto e 6 ficam feridos em conflito no sul de MS, afirma Funai

Disponível: https://goo.gl/DqDTvK

Guerra dos Palmares

Disponível: https://goo.gl/TZZmWd

A Rota das Abolições da Escravidão e dos Direitos Humanos

Disponível: https://goo.gl/fFkcRJ

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Políticas Sociais
e Questões
Contemporâneas
Material Teórico
Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Mauricio Vlamir Ferreira

Revisão Técnica:
Prof. Me. Priscila Beralda Moreira de Oliveira
a

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Políticas Sociais e Problemas
Transversais III

• As Demandas Globais e Nacionais em Torno do Problema da


Dependência de Drogas Enquanto Questão de Saúde Pública;
• A Questão das Ações em Relação à Redução de Danos no Âmbito
Nacional e Global;
• Análise Crítica das Políticas Sociais Brasileiras na Atualidade em
Relação às Drogas.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Explicar de que forma as políticas sociais são importantes ferramentas
na prevenção ao uso de drogas e na proteção aos usuários.
· Identificar como o Serviço Social em seu processo de consolidação se
aproximou das ações de prevenção ao uso de drogas e de tratamento
aos usuários.
· Elucidar de que forma as drogas influenciam a relação social e
pessoal dos usuários.
· Evidenciar a necessidade de um trabalho preventivo e de uma ação
que envolva a sociedade na questão de uma melhor proposta de
tratamento aos usuários.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Contextualização
As drogas, como substâncias entorpecentes, sempre existiram na história, sendo
seu uso difundido por motivos religiosos, culturais, sociais ou pela busca de novas
experiências pessoais que pudessem dar algum tipo de relaxamento, estímulo ou
preparação aos homens para os desafios do seu cotidiano.

Vale considerar que, no decorrer da vida, tanto o tabaco como o cigarro provo-
cam e causam consequências danosas que, por muitas vezes, levam os usuários a
doenças crônicas – como o câncer de pâncreas, conhecido como cirrose, no caso
dos usuários do álcool; e o câncer de pulmão e enfisema pulmonar, no caso dos
usuários do tabaco.

A partir da dependência, os hábitos saudáveis passam a ser deixados de lado,


como os relacionamentos sociais, de lazer, além da necessidade do trabalho.

Atualmente existem possibilidades de tratamento dentro da especificidade e


do nível de gravidade do usuário dependente do uso de drogas. O CAPS A/D
(Centro de Atenção Psicossocial para usuários de Álcool e Drogas), por exemplo,
existe para os cuidados de usuários de menor gravidade, através de um sistema de
tratamento ambulatorial.

A partir de 2003, a política de redução de danos passa a ser encabeçada pelo


Ministério da Saúde, que passa a criticar os métodos de abstinência e a proibição
do uso de drogas, reposicionando as ações do Sistema Único de Saúde para a
implantação de uma estratégia nacional de redução de danos no Brasil.

O Assistente Social deve estar atento em visitas domiciliares e também no


atendimento individual dos usuários, observando como está o vínculo familiar desse
com os outros componentes de seu núcleo.

A discussão sobre a política de redução de danos deve passar também pelo


debate e pela ação educativa das comunidades. A ausência de uma política de
tratamento a usuários de drogas, em substituição a uma prática repressiva junto à
segurança pública, ocasionou um abismo entre o tratamento púbico e o tratamento
particular dos usuários de drogas.

8
As Demandas Globais e Nacionais em Torno
do Problema da Dependência de Drogas
Enquanto Questão de Saúde Pública
As drogas, como substâncias entorpecentes, sempre existiram na história, sendo
seu uso difundido por motivos religiosos, culturais, sociais ou pela busca de novas
experiências pessoais que pudessem dar algum tipo de relaxamento, estímulo ou
preparação aos homens para os desafios do seu cotidiano.

O uso de substâncias alcoólicas por exemplo é milenar, estando algumas drogas


ao lado do desenvolvimento das sociedades dos tempos primitivos até os dias
atuais. A normatização, liberação ou proibição do uso de determinadas drogas
variam para cada país e em cada época da história.

A sociedade médica mundial define algumas drogas com potencialidade maior


ou menor de causarem danos aos seres humanos, seja por resultar em algum
transtorno físico, emocional ou psíquico.

As drogas nem sempre foram vistas como um fator de danos à saúde, sendo
indicadas muitas vezes, em tempos passados, como formas de sanar as dores e
os problemas de enfermidades, embora sem um estudo mais elaborado de seus
efeitos colaterais e de seus malefícios, passando assim as drogas a se deslocarem
do campo das religiões para o campo farmacêutico e da medicina.

A realidade do mundo atualmente conta com o uso de drogas como uma prática
existente em todos os locais. Alguns países como a Holanda e a Suíça praticam a
tolerância de alguns espaços específicos para o consumo de determinados tipos de
drogas. No Uruguai, a maconha é legalizada para o porte e brevemente a venda
dessa substância será permitida nas farmácias, assim como também o comércio e
o uso medicinal dessa substância foram liberados parcialmente nos Estados Unidos
(com algumas legislações específicas em alguns estados, embora ainda proibida
em outros).

No Brasil, há movimentos a favor e contrários


à legalização da maconha, que é considerada
droga ilícita pela legislação atual.

9
9
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Figura 1 - Drogas ilícitas (Ex.: Maconha, Cocaína, ecstasy)


Fonte: iStock/Getty Images

No Brasil, o debate em relação à descriminalização das drogas, principalmente


em relação ao uso da maconha, ainda está começando, sendo necessária uma
ampla discussão com a sociedade sobre o tema. Mas talvez a questão principal
seja: quais os danos efetivos que a droga pode causar ao organismo humano?

As drogas lícitas ou legais – como o álcool e o tabaco – e as drogas ilícitas ou


ilegais – como a maconha, a cocaína, o crack, entre outras – alteram o Sistema
Nervoso Central (SNC) e a dependência dessas substâncias faz o consumo aumentar
cada vez mais, tornando-a um problema social, indo além do campo da saúde.

Em 2013, cerca de 185 milhões de pessoas, o que equivale a 3% da população


do mundo, consumia algum tipo de droga; sendo que 1,7milhões de brasileiros
usaram maconha e haxixe, segundo o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e
Crime (UNODC). Nesse período, 38 milhões de pessoas consumiram anfetaminas,
13 milhões de pessoas consumiram cocaína e 15 milhões de pessoas consumiram
heroína, morfina e ópio, sendo que o ecstasy foi utilizado por 8 milhões de pessoas.

A questão da dependência e do uso das drogas muitas vezes podem estar relaciona-
das não apenas ao consumo simplesmente, mas à existência de familiares dependentes,
o que pode potencializar o uso de substâncias químicas em novos usuários.

Confira a tabela abaixo:

Tabela 1 - Distribuição dos 7.939 entrevistados, segundo dependência


de drogas, nas 108 cidades com mais de 200 mil habitantes do Brasil
DEPENDÊNCIA
% de dependentes:
TIPO DE DROGA 2005
ÁLCOOL 12,3
TABACO 10,1
MACONHA 1,2
BENZODIAZEPÍNICOS 0,5
SOLVENTES 0,2
ESTIMULANTES 0,2

10
De acordo com a tabela, em 2005 a maior dependência relacionada ao uso de
drogas estava relacionada ao álcool e ao tabaco, drogas consideradas socialmente
aceitas, porém que desenvolvem potencialmente ao longo do tempo um alto grau
de dependência em relação às outras drogas.

Figura 2 - Bebidas alcoólicas e cigarro de tabaco (ex.: Marlboro, Free)


Fonte: iStock/Getty Images

Vale considerar que, no decorrer da vida, tanto o tabaco como o cigarro


provocam e causam consequências danosas que, muitas vezes, levam os usuários a
doenças crônicas – como o câncer de pâncreas, conhecido como cirrose, no caso
dos usuários do álcool; e o câncer de pulmão e enfisema pulmonar, no caso dos
usuários do tabaco.

A partir da dependência, os hábitos saudáveis passam a ser deixados de lado,


como os relacionamentos sociais, de lazer, além da necessidade do trabalho. Esses
afazeres da rotina diária dessas pessoas passam a ser substituídos pela dependência
do prazer permitido pela substância química, que, com o passar do tempo, pede
uma dosagem cada vez maior, causando problemas físicos, síndrome de abstinência,
alterações de deterioração física, taquicardia, sudorese, entre outras alterações.

Atualmente, existem possibilidades de tratamento dentro da especificidade e


do nível de gravidade do usuário dependente. O CAPS A/D (Centro de Atenção
Psicossocial para usuários de Álcool e Drogas) existe para os cuidados de usuários de
menor gravidade, por meio de um sistema de tratamento ambulatorial. O tratamento
para dependentes químicos em situações mais graves é recomendado a partir da
concordância do paciente, ou compulsoriamente, por meio da determinação da
justiça. Nestes casos, a internação em locais especializados é uma possível ação a
ser realizada pela família.

A atenção aos usuários de drogas deve contar com uma equipe multiprofissional,
composta por assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, psiquiatras, terapeutas
ocupacionais, fisioterapeutas, educadores físicos, arte educadores, entre outros
profissionais que devem trabalhar sempre pela reabilitação e pela ressocialização como
meta principal, além da conscientização dessas pessoas de que a dependência em

11
11
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

relação às drogas é uma porta aberta a outros problemas pessoais e sociais. Para tanto,
a adesão do usuário ao tratamento é uma questão fundamental em sua reabilitação,
bem como a participação dos familiares em todo o processo de tratamento.

Ao longo do processo tradicional dos programas de tratamento dos usuários de


drogas, a abstinência é um fator preponderante para a reabilitação da dependência
e, por consequência, para a continuidade do tratamento.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre os efeitos do uso de drogas, recomendamos que
você assista o filme: Diário de um adolescente. O filme trata a questão da drogadição e
os efeitos químicos das drogas e suas consequências na vida de um adolescente.
O link desse vídeo pode ser encontrado no material complementar para atividades de
aprofundamento.

A Questão das Ações em Relação à Redução


de Danos no Âmbito Nacional e Global
No final da década de 1980, com a organização dos movimentos sociais,
principalmente os movimentos de saúde que lutavam pela humanização das formas
de tratamento de saúde, além da chegada da descoberta do vírus HIV, que podia
contaminar pelo uso compartilhado de seringas, começam a aparecer algumas
tentativas e ações estratégicas denominadas de redução de danos, prática hoje
difundida como uma das alternativas às internações dos usuários de drogas. A
cidade de Santos é uma referência mundial no assunto por conta das ações e
políticas de redução de danos implantadas sob a coordenação do médico sanitarista
Davi Capistrano.

Essa estratégia, a partir de seu sucesso na prevenção do HIV e na constatação da


aceitação dos usuários, foi contemplada na Lei 10.216 de 2001, legitimando em
seu bojo a reforma psiquiátrica da saúde mental, trazendo os direitos do tratamento
de saúde mental aos usuários de drogas. Também no ano de 2001 a implantação da
Política Nacional Antidrogas (PNAD) acabou por contemplar estratégias, na forma
de atenção individual ou coletiva, em caráter preventivo à aquisição de doenças
infectocontagiosas e para a redução de danos.

Porém, a PNAD não especifica quais as práticas e quais métodos são utilizados
especificamente na questão da redução de danos. A partir de 2003, a política de
redução de danos começa a ser encampada pelo Ministério da Saúde, que passa a
criticar os métodos de abstinência e a proibição do uso de drogas, reposicionando
as ações do Sistema Único de Saúde para a implantação de uma estratégia nacional
de redução de danos no Brasil.

12
Desde 2005, a Política Nacional sobre Drogas possibilita ao usuário de drogas
ser ouvido e amplia as ações do Estado através da criação do Plano Emergencial
de Ampliação e Acesso ao Tratamento e a Prevenção em Álcool e outras Drogas
no Sistema Único de Saúde (PEAD). Porém, o desafio de continuar o trabalho de
implantação da política de redução de danos é grande.

A discussão da redução de danos na comunidade acadêmico-científica leva a


alguns pontos polêmicos. Esses pontos aparecem uma vez que há uma variação
entre as expectativas de diminuição potencial da redução do uso de drogas pelo
usuário e a sua subjetividade, ou seja, a experiência pessoal e individual das pessoas
que podem diminuir ou não o consumo das drogas através das políticas de redução
de danos.

Para a comunidade científica, existem alguns pontos a


serem analisados:
A recusa da validade da estratégia no âmbito da preven-
ção, sob o argumento de falta da sua cientificidade;
A aceitação parcial da redução de danos;
A aceitação total da estratégia.

No entanto, a experiência realizada com as equipes dos CAPS A/D em São


Paulo demonstram um interessante resultado, quando treinadas e fortalecidas em
novas tecnologias para subsidiar suas intervenções. O serviço de Saúde Mental
Álcool e Drogas do município de São Paulo, em parceria com a DST/AIDS, vem
seguindo o seguinte modelo de intervenção:
· Redução de danos é um instrumental abrangente embasado em conceitos
da Saúde Pública e, portanto, replicável para todos os usuários dos serviços,
e não só para o UDI. Implica em considerar que a abstinência não é o foco
do cuidado ao usuário que é acessado ou chega ao serviço, seja ele UDI
ou não;
· A mudança de padrão de consumo de droga é uma meta, pois, passar
de um padrão ou forma de uso de drogas de maior risco para um de menor
risco pode ser uma meta demandada pelo próprio usuário ou estabelecida
em conjunto com os profissionais da equipe vinculados a esse usuário;
· Outro passo a ser internalizado pelas equipes é o das terapias de
substituição, pois, como a droga ilegal de uso mais difundido no Brasil é
a cocaína, não há droga de substituição reconhecida. Portanto, substituir
um padrão de consumo de injetável por aspirado, por exemplo, ou a
cocaína/crack pela maconha, constitui-se em um recurso possível para a
minimização dos riscos a esse usuário e à sua rede social;
· A prevenção de overdose ou de intoxicação aguda, quando assimilada
pelas equipes e, assim, passível de ser transmitida aos usuários, pode ser

13
13
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

uma forma de redução de graves danos à saúde ou mesmo a evitação


da morte;
·· Oferecimento de insumos de prevenção, ou seja, dos kits para os UDIs,
assim como kits específicos para usuários de outras drogas, como a oferta
de cachimbos aos usuários de crack ou canudos descartáveis para os que
utilizam cocaína aspirada;

A partir dessas estratégias, as ações foram sendo consolidadas e atingidas com


maior ou menor grau de dificuldade na aceitação desses conceitos. A mudança de
paradigmas e novos métodos como o da redução de danos devem ser cada vez
mais aceitos, uma vez que a convivência com o uso de drogas é uma realidade cada
vez mais próxima de todas as famílias.

Expressões da questão social devem cada vez mais ser trabalhados nos
atendimentos sociais juntamente com a política de redução de danos, uma vez que
muitos problemas decorrentes do uso de drogas podem estar contidos dentro da
realidade dos sujeitos e em suas relações sociais cotidianas.

O Assistente Social deve estar atento em visitas domiciliares e também no


atendimento individual dos usuários, observando como está o vínculo familiar desse
com os outros componentes de seu núcleo. É importante também a identificação
de casos de violência doméstica, do preconceito vivido pelo usuário e até que ponto
a questão da falta de sua inserção no mundo do trabalho pode prejudicar o seu
desenvolvimento e sua inserção social.

A discussão sobre a política de redução de danos deve passar também pelo


debate e pela ação educativa das comunidades. Muitos usuários sofrem com as
questões do abuso da violência policial, em ameaças nas abordagens ocorridas
principalmente nas grandes cidades do Brasil.

As estratégias relacionadas às questões sobre a prevenção e o uso de drogas no


país não têm um modelo único e devem ser pensadas a partir do conhecimento da
realidade do território vivido. Tanto as políticas de prevenção como as políticas de
redução de danos devem ser elencadas em todos os setores sociais, desde as escolas
de ensino fundamental. Em um futuro breve, a educação deverá ser incluída nessas
ações de modo a existir um diálogo e uma maior compreensão dos problemas
vivenciados pelos usuários de drogas.

14
Figura 3 - Reunião em grupo
Fonte: iStock/Getty Images

A questão das drogas deve sempre ser tema de debates nas comunidades
acadêmicas, independente da disciplina. A interdisciplinaridade no trabalho em
relação a novos conceitos de abordagem, práticas e alternativas sobre a questão da
diminuição da dependência das drogas deve ter o empenho de todos. E para tanto,
o diálogo deve ser o instrumento fundamental para que a sociedade possa trabalhar
abertamente esse tema, sem preconceitos, acolhendo sempre quem precisa de
nosso apoio.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre a questão da redução de danos, recomendamos que
você assista ao vídeo: O que é redução de danos? O vídeo traz um conteúdo explicativo
que coloca em debate o uso, o consumo e a questão do fim da guerra às drogas.
O link desse vídeo pode ser encontrado no material complementar para atividades
de aprofundamento.

Análise Crítica das Políticas Sociais Brasileiras


na Atualidade em Relação às Drogas
Os conceitos elencados sobre a proibição do uso de drogas no mundo têm
considerado o fator da alteração da produtividade e da capacidade de alienação
do ser humano, o que preocupava e muito os países europeus que vivenciavam
a Revolução Industrial e viam na massa trabalhadora afetada pelo consumo das
drogas um enorme prejuízo frente para as suas linhas de produção.

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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Figura 4 - Blitz policial em repressão ao tráfico de drogas


Fonte: iStock/Getty Images

A partir de então, dá-se a repressão, o intervencionismo, a proibição e o combate


às drogas. Esse combate tem por meta, até os dias atuais, a redução da oferta e da
procura pelas drogas, porém não prioriza os métodos preventivos, a característica
das drogas, mas atuam pela via de repressão aos usuários, da degradação moral e
pela vertente do mundo do crime. Assim, os modelos repressivos desencadeiam a
perseguição, a prisão dos usuários e a definição da dependência como uma doença
orgânica, como outra qualquer.

A intenção dos métodos repressivos é a utilização da proibição como uma


ação coercitiva de convencimento moral, fazendo com que a sociedade perceba
o usuário de droga como alguém degradado, gerando a intolerância em relação
ao usuário de drogas. Contudo, a mesma repressão histórica não foi percebida ao
longo do tempo em relação ao consumo do álcool e do tabaco. A tolerância social
em relação ao consumo dessas drogas é um fato presente em todo o mundo.

Apenas recentemente, campanhas relacionadas à proibição publicitária do


tabaco em eventos esportivos e avisos sobre a toxicidade do cigarro vêm ganhando
apoio de governos em vários países. No Brasil, a Lei Federal 12.546 de 2011,
conhecida como Lei Antifumo, definiu a proibição do cigarro em locais públicos
total ou parcialmente fechados. Em relação à restrição de bebidas alcoólicas no
país, a Lei 10.671 de 2003 proíbe o consumo desses produtos em estádios e
arenas esportivas.

Além dessas restrições, a venda de cigarros e


bebidas alcoólicas é proibida para menores de
18 anos, segundo a Lei 9.294 de 2010.

Porém, apesar da limitação e da proibição do uso do cigarro e de bebidas


alcoólicas por parte do Estado, essas drogas lícitas tem uma aceitação social que
denota uma liberdade e, algumas vezes, até o incentivo ao seu uso em círculos de
amizade e, até mesmo, em outros casos, em ambientes familiares.

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Tabela 2 - Produtos Campeões de Carga Tributária em 2014

Em
Porcentagem PIS COFINS ICMS IPI Outros Total
( %)
Cachaça 1,65 7,6 25 46 1,62 81,87
Casaco de Pele
1,65 7,6 25 40 7,61 81,86
de Vison
Vodca 1,65 7,6 25 38 9,27 81,52
Cigarro 1,65 7,6 18 48 5,17 80,42
Perfume
1,65 7,6 25 42 2,18 78,43
Importado
Caipirinha 1,65 7,6 25 40 2,41 76,66
Videogame -
1,65 7,6 25 30 7,93 72,18
Console
Arma de Fogo 1,65 7,6 18 40 4,33 71,58
Jogos de
1,65 7,6 25 32 4,93 71,18
Videogame
Maquiagem 1,65 7,6 25 30 4,79 69,04
Motocicleta
1,65 7,6 25 28 2,4 64,65
acima de 250 cc
Chope 1,65 7,6 25 25 2,95 62,2
Mesa de bilhar 1,65 7,6 25 25 2,8 62,05

Conforme demonstra a tabela acima, o álcool e o tabaco estão entre os produtos


que geram maior arrecadação de impostos para o Governo nas esferas federal,
estadual e municipal.

Em decorrência desse fato, o uso do álcool e do tabaco ainda são alvo de tímidas
ações dos governos, tanto no combate como no tratamento de usuários dessas
drogas lícitas, mesmo com a pressão da sociedade médica no país. As políticas
mais intransigentes utilizadas pela repressão ao uso de drogas são elaboradas
sobre a denominação de “guerra às drogas”, que envolve o planejamento de
ações, a utilização de tecnologias em testes, vigilância de fronteiras e de áreas de
maior incidência do tráfico, utilização de parceria da polícia com a justiça, prisão
compulsória de traficantes e usuários, testes de uso de drogas em rodovias (como
o bafômetro), aeroportos, entre outros locais.

Esse aparato de combate e a ligação com a criminalidade comum acabaram por


aumentar o aparato policial para esse tipo de combate aos atos ilícitos, ocasionando
um significativo aumento de prisões e mortes em países que utilizam essa estratégia,
como o Brasil. Porém, as estratégias da guerra ao tráfico e do uso das drogas vêm
ampliando o debate na sociedade sobre a validade e a eficiência dessas políticas nos
países que desenvolvem essa política de repressão, acarretando também o estigma
e o preconceito a quem faz uso das drogas.

Assim, as políticas públicas pensadas sobre o tema da drogadição são estratégias


novas no Brasil. As drogas em no país não passavam por nenhuma limitação,
fiscalização ou proibição no início do século XX. Conforme o desenvolvimento

17
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UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

urbano e o processo de industrialização nacional, o uso começou a ser reprimido


por meio da força policial e da internação compulsória dos usuários de cocaína
e ópio, que não conseguiam controlar a intensidade de seus vícios, sendo
consequentemente indicado o afastamento do convívio com a sociedade.

Segundo o Decreto-Lei 891 de 1938, o Estado passaria a reconhecer de


maneira oficial essa questão, fiscalizando o uso de drogas, colocando no rol das
drogas ilícitas a heroína, a cocaína e a maconha. De acordo com esse decreto, o
uso de drogas passaria a ter uma classificação na categoria das doenças, havendo a
proibição de seu tratamento na casa do paciente, sendo obrigatória a internação em
hospitais psiquiátricos, quando em ordem judicial, tendo a alta hospitalar definida
apenas pelo médico responsável quando da internação, embasado em laudos que
comprovassem o retorno da sanidade do paciente.

Visando colocar uma hipotética distância dos trabalhadores da questão


da drogadição, essa legislação foi incorporada em 1941 ao Código Penal e
posteriormente consolidado na Lei 6.368 de 1976. Durante as décadas de 1970,
1980 e 1990, o absenteísmo, o combate ao tráfico de drogas e a política clínica de
utilização de medicamentos acabaram por conceituar a dependência e não o vício
dos usuários.

Fica claro assim o direcionamento do combate histórico às drogas como


uma ação de segurança pública e não preventivamente como uma questão de
investimentos em campanhas de saúde. A saúde pública efetivamente como forma
de implantação de políticas públicas de prevenção ao uso de drogas surge apenas
na década de 1980 e evidencia uma grande questão até então não enfrentada
de forma clara pela sociedade: a maior parte das internações psiquiátricas era
decorrente do abuso de álcool no Brasil.

A ausência de uma política de tratamento a usuários de drogas, em substituição


a uma prática repressiva junto à segurança pública, ocasionou um abismo entre o
tratamento púbico e o tratamento particular dos usuários de drogas. A ausência
dessa política pública na década de 1980 oportunizou a instalação de comunidades
terapêuticas de caráter religioso, sem vínculos com órgãos púbicos do governo.

Na segunda metade desse período, foi constatada a falência da chamada “guerra


contra as drogas” e, uma vez embasado nos esforços da luta dos movimentos
sociais de direitos humanos, o Estado brasileiro passa a se preocupar em elaborar
ações e políticas públicas voltadas aos usuários de drogas ilícitas.

Na contramão do Estado e da internação das comunidades terapêuticas, desde


1978 o Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), que congregava
os trabalhadores, familiares e membros de associações profissionais, lutava
pelos direitos dos pacientes psiquiátricos, denunciando a violência e gerando um
movimento de luta antimanicomial, sendo preponderante essa luta para o início de
um processo de debates com a sociedade brasileira.

Esse processo, contrário ao domínio institucionalizado da psiquiatria e do modo


de gerenciamento privado dos chamados manicômios, levou ao caráter público

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denúncias de abusos em relação a pacientes internados nos locais de internação
psiquiátrica e em comunidades terapêuticas. Passa a surgir então a necessidade da
Reforma Psiquiátrica no país.

Em conjunto com a necessidade da Reforma Psiquiátrica no Brasil, no início da


década de 1990, há o avanço da AIDS no mundo e a consciência do Estado e da
sociedade que o uso de drogas se tornava um problema de saúde, tanto quanto um
problema social, exigindo a elaboração de uma legislação atualizada sobre o tema.

Somente em 2001, após anos de intensa luta no Congresso Nacional, o projeto


de lei que tramitava desde 1987 foi aprovado e a Lei Federal 10.216 foi sancionada,
trazendo importantes mudanças em relação à assistência em saúde mental. Essa
nova lei procurou garantir a universalidade de acesso e direito à assistência, além
da integralidade dos serviços, valorizando e descentralizando-os, procurando dar
uma proximidade para o tratamento aos usuários de álcool e drogas, evitando a
ruptura da vivência social dos usuários.

A partir da III Conferência Nacional em Saúde Mental, no ano de 2002, o


Ministério da Saúde implanta o Programa Nacional de Atenção Comunitária
Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas, admitindo assim a necessidade
da construção de políticas públicas específicas para a prevenção ao uso das drogas
e para a acolhida e o tratamento dos usuários de drogas no país.

Com a chegada da lei 10.409 de 2002, que trata de uma nova abordagem do
Estado sobre as drogas no Brasil, a punição dos usuários passa a sugerir um rol de
até dez penas alternativas ou a pena de dois anos de reclusão. Essa nova legislação
foi revista em 2006 e constituída na Lei 11.343, que dita com maior clareza sobre
a posse e o uso de drogas em pequenas quantidades, separando o usuário e seu
consumo pessoal do traficante que negocia, compra e vende grandes quantidades
de drogas.

Assim a justiça abre as portas para a descriminalização do uso de drogas,


diminuindo a influência penal e jurídica na questão do consumo individual de
substâncias ilícitas, mas ainda normatizando e repreendendo a produção ilegal e o
tráfico de drogas no país.

No ano de 2005, o Governo Federal desenvolveu a Política Nacional sobre


Drogas e em 2007 instituiu o Decreto 6.117 que instituiu a Política Nacional sobre
o Álcool, no sentido de redução do uso dessas substâncias, acabando por pensar e
executar estratégias de prevenção em relação à violência e à criminalidade, como
consequências ao uso das substâncias químicas.

Desde 2010 foi implantado no país o Plano Intersetorial de Enfrentamento ao


Crack e outras Drogas, elencando as ações de prevenção, cuidados e autoridade
cujos direcionamentos permitem a capacitação de técnicos que possam se apropriar
de conhecimentos através de estudos sobre o crack e também outras drogas, com
a aplicação dessas pesquisas e desses estudos em centros públicos de tratamento
e prevenção.

19
19
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Nesse sentido, há a perspectiva do aumento de atendimento dos usuários pelo


Sistema Único de Saúde através do avanço da implantação de CAPS A/D (Centros
de Atenção Psicossocial para os usuários de Álcool e Drogas), com equipes cada
vez mais especializadas e preparadas para lidar com as questões de atendimento
aos usuários de álcool e drogas.

Também há a perspectiva do Estado em melhorar o sistema de repreensão


do tráfico de drogas com a melhor tecnologia desenvolvida atualmente. Porém,
apesar dos avanços, as discussões sobre o tratamento dos usuários no país estão
amplamente abertas e existem projetos que atualmente discutem desde a internação
compulsória até a ampliação e o fortalecimento das comunidades terapêuticas
no país.

Além dessa discussão, o enfrentamento diário dos problemas urbanos vividos


pelos usuários de núcleos de consumo de drogas, como a cracolândia na região
central da cidade de São Paulo, leva a compreensão de que devem ser ouvidos
todos os lados da sociedade para o melhor encaminhamento e a ação do estado
sobre a comunidade desses locais, incluindo-se os outros moradores, não usuários.

Atualmente na cidade de São Paulo, a política da Assistência Social define os


Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (POP).
Essas unidades públicas e estatais de abrangência municipal funcionam dentro
do Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua que, de acordo com
a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, identificam os serviços da
Proteção Social Especial de Alta Complexidade.

Um outro serviço importante que atende aos usuários de


drogas no centro de São Paulo é o Centro de Referência de
Álcool, Tabaco e Outras Drogas (CRATOD), órgão criado pelo
Decreto 46.860 em 2002 pelo Governo do Estado de São
Paulo, de acordo com a lógica do Sistema Único de Saúde,
o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a
Usuários de Álcool e Outras Drogas.

O local conta com uma equipe multiprofissional de atendimento e faz


encaminhamentos para tratamentos de usuários de álcool e drogas, além de
cadastrar e encaminhá-los a programas sociais do governo.

Importante! Importante!

Para uma maior compreensão sobre os graves problemas sociais do mundo e do meio
ambiente, recomendamos que você assista ao vídeo: CAPS A/D, a Saúde, o Álcool e
outras Drogas. O vídeo traz a explicação da funcionalidade do CAPS A/D e o trabalho
em relação ao tratamento dos usuários de Álcool e Drogas. O link desse vídeo pode ser
encontrado no material complementar para atividades de aprofundamento.

20
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
Diário de um Adolescente
https://youtu.be/nZVJPV7Sjl4
O que é Redução de Danos
https://goo.gl/O3nPdK
CAPS A/D, a Saúde, o Álcool e outras Drogas
https://goo.gl/iXUr63

Leitura
Os Programas de Redução de Danos como Espaços de Exercício da Cidadania dos Usuários de Drogas
Isabela Saraiva de Queiroz
https://goo.gl/WobTXt
Políticas sobre Drogas no Brasil: A Estratégia de Redução de Danos
Letícia Vier Machado e Maria Lúcia Boarini
https://goo.gl/4Ggb1M
Estudo/Pesquisa – Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil:
Estudo Envolvendo as 108 Maiores Cidades do País
E. A. Carlini (supervisão) [et. al.], UNIFESP II - São Paulo - Universidade Federal de
São Paulo. CEBRID – Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas.
https://goo.gl/2P1AO1

21
21
UNIDADE Políticas Sociais e Problemas Transversais III

Referências
ASSUMPÇÃO, Alessandra de Fátima Almeida; GARCIA, Maria Lúcia.
Entraves e avanços no processo da descriminalização da maconha. XII
CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA GT: SAÚDE E SOCIEDADE.
Disponível em: http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_
docman&task=doc_download&gid=331&Itemid=171

BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política Social: fundamentos e história. 6. ed.


São Paulo: Cortez, 2009.

CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS


– CEBRID. Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no
Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país. São Paulo: Universidade
Federal de São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.cebrid.com.br/wp-
content/uploads/2014/10/II-Levantamento-Domiciliar-sobre-o-Uso-de-Drogas-
Psicotr%C3%B3picas-no-Brasil.pdf>.

DELBON, Fabiana; ROS, Vera da; FERREIRA, Elza Maria Alves. Avaliação da
disponibilização de Kits de redução de danos. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902006000100005#back1a>.

MACHADO, Letícia Vier; BOARINI, Maria Lúcia Boarini. Políticas sobre


drogas no Brasil: a estratégia de redução de danos. Universidade Estadual
de Maringá. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1414-98932013000300006>.

QUEIROZ, Isabela Saraiva de. Os programas de redução de danos como espaços


de exercício da cidadania dos usuários de drogas. Disponível em: <http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932001000400002>.

SADER, E. S. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o estado democrático.


São Paulo: Paz e Terra, 2010.

UNASUS. Drogas: um dos principais problemas de saúde pública no mundo.


Disponível em: <http://www.unasus.ufma.br/site/servicos/noticias/28-
dependencia-quimica/692-drogas-um-dos-principais-problemas-de-saude-publica-
no-mundo>.

YAZBEK, M. C. A Política Social Brasileira no Século XXI: a prevalência dos


programas. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

22
 Pergunta 1
0,09375 em 0,09375 pontos
Leia a afirmação a seguir e procure identificar a expressão correta para a lacuna a ser preenchida:

No campo da saúde, assim como na educação, as políticas se destacam para a atenção a problemas
específicos da população negra, tanto em relação ao respeito no atendimento, como no que tange a
doenças específicas – por exemplo, em relação à identificação da _________, diagnosticada em
muitos casos em crianças da comunidade negra.

Assinale a alternativa que preenche de forma CORRETA a lacuna:

Resposta Selecionada: a.
anemia falciforme
 Pergunta 2
0,09375 em 0,09375 pontos
Qual afirmação está correta?

Resposta e.
Selecionada: O preconceito surge com a descoberta do Brasil, a partir do contato dos
colonizadores portugueses com os índios, chamados de “negros da terra”, pensados
primeiramente pelos colonizadores para servirem aos seus conquistadores, tendo
muito pouca coisa em troca.
 Pergunta 3
0,09375 em 0,09375 pontos
Associe os conceitos com suas respectivas descrições:

1 – PNDH I

2 – Desigualdade socioeconômica

3 – I e II Conferências Nacionais de Promoção da Igualdade Racial

4 – PNDH II

5 – Estado brasileiro

( ) é até os dias atuais a herança negativa imposta pelo Estado brasileiro à população negra
afrodescendente brasileira.

( ) se omitia em relação à formulação de políticas que contemplassem o acesso a oportunidades e


serviços à comunidade negra no país.

( ) definiu metas e estratégias de ações de curto, médio e longo prazo em relação à promoção da
igualdade.

( ) desencadearam na construção do Plano Nacional da Promoção da Igualdade Racial.

( ) levou o Estado brasileiro a reconhecer o tráfico e a escravidão dos negros como crimes contra a
humanidade

A ordem correta dos conceitos é:

Resposta Selecionada: b.
2– 5 – 1 – 3 – 4
 Pergunta 4
0,09375 em 0,09375 pontos
Os índios são vítimas do novo colonialista, representante da elite latifundiária, que mata e oprime seu
povo e destrói a floresta para dar lugar a imensos campos para:

Resposta Selecionada: a.
soja e pecuária.
 Pergunta 1
0,09375 em 0,09375 pontos
DDesde 2010 foi implantado no país o Plano Intersetorial de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas,
elencando as ações de prevenção, cuidados e autoridade cujos direcionamentos permitem a
capacitação de técnicos que possam se apropriar de conhecimentos através de estudos sobre o crack e
também outras drogas, com a aplicação dessas pesquisas e desses estudos em centros públicos de:

 Pergunta 2
0,09375 em 0,09375 pontos
Associe os conceitos com as palavras:

1 – Lei antifumo

2 – políticas públicas

3 – CAPS/AD

4 – modelos repressivos

5 – tolerância social

( ) desencadeiam a perseguição, a prisão dos usuários e a definição da dependência como uma doença
orgânica como outra qualquer.

( ) em relação ao consumo dessas drogas (álcool e tabaco), é um fato presente em todo o mundo.

( ) definiu a proibição do cigarro em locais públicos total ou parcialmente fechados.

( ) pensadas sobre o tema da drogadição, são estratégias novas no Brasil.

( ) Centros de Atenção Psicossocial para os usuários de Álcool e Drogas.

A ordem correta das associações é:

 Pergunta 3
0,09375 em 0,09375 pontos
Qual afirmação está correta?

 Pergunta 4
0,09375 em 0,09375 pontos
Leia a afirmação a seguir e procure identificar a expressão correta na lacuna a ser preenchida: É
também a identificação de casos de violência _______, do preconceito vivido pelo usuário e até que
ponto a questão da falta de sua inserção no mundo do trabalho pode prejudicar o seu desenvolvimento
e sua inserção social.

Assinale a alternativa que preenche de forma CORRETA a lacuna:

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