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QUEDA DE TENSÃO

Aula 07/07/2004

Problemas cotidianos de um sistema de distribuição:

- cálculo de queda de tensão


fluxo de carga - levantamento do perfil de tensão
- cálculo de perdas

Tomada de decisões:

- reforma de redes (substituição de cabos, de transformadores, etc)


- construção de novos alimentadores
- expansão de redes existentes (“trifasicar”, aumento de potência de trafo)
- extensão de redes novas
- implantação de equipamentos (bancos de capacitores, bancos reguladores)

Queda de tensão:

- manter-se nos níveis aceitáveis pelos órgãos reguladores (ANEEL, Arce, Arpe, etc)
- novos projetos: raio de ação do alimentador novo
- redes existentes: capacidade de extensão da rede
- reforma de redes: substituição de cabos, instalação de reguladores de tensão

Problema de fluxo de carga:

- os métodos utilizados nos sistemas de transmissão não são adequados aos sistemas de
distribuição
- devem ser concebidos métodos específicos que explorem as características dos sistemas
de distribuição:

- configuração predominantemente radial


- efeito capacitivo (admitância shunt) desprezível
- relação r alta
x
- abertura angular pequena

V1 ∠ δ1 V2 ∠ δ2
δ = δ 1 − δ 2 (abertura angular)
transmissão: δ ≅ 30º
distribuição: δ ≅ 2º

1
RELAÇÃO ENTRE AS TENSÕES NOS EXTREMOS DO ALIMENTADOR

Representação do alimentador como um circuito a parâmetros concentrados:

R X I
0 1

V0 St
V1
cosφ

(a)
V0

ZI
δ θ-φ XI
φ V1 φ
RI

I
(b)

Figura 1 (a) Circuito equivalente (b) Diagrama fasorial

A impedância do alimentador é dada por:

Z = (r + jx).l = R + jX

Z = Z ∠θ = Z cosθ + jZ senθ

X
em que: Z = R 2 + X 2 e θ = arctg
R

em que:

r é a resistência por unidade de comprimento;


x é a reatância indutiva por unidade de comprimento;
l é o comprimento do alimentador;
R é a resistência total, em ohms;
X é a reatância indutiva total, em ohms;
Z é o fasor de impedância;
Z é o módulo da impedância;
θ é o ângulo da impedância;
St é a carga instalada;
cosφ é o fator de potência da carga;
V0, V1 são os fasores das tensões nos extremos do alimentador (V0 é conhecida).

2
De acordo com o diagrama fasorial da figura 1.b, os fasores das tensões nos extremos
do alimentador se relacionam da seguinte forma:

V0 = V1 + ZI (1)

A equação fasorial acima pode ser escrita na forma:

V0 cosδ + jV0 senδ = V1 +(Z cosθ + jZ senθ).(I cosφ - jI senφ)

V0 cosδ + jV0 senδ = V1 + ZI [(cosθ cosφ +senθ senφ)+ j (senθ cosφ - senφ cosθ)]

V0 cosδ + jV0 senδ = V1 + ZI[cos(θ -φ)+ j sen(θ -φ)] (2)

A equação (2) pode ser representada por duas equações, igualando-se as partes reais e
imaginárias:

V0 cosδ = V1 + ZI cos(θ -φ) (3.1)

V0 senδ = ZI sen(θ -φ) (3.2)

Expressando a corrente em termos da potência e da tensão na carga, temos:

St
V0 cosδ = V1 + Z cos(θ -φ) (4.1)
V1
St
V0 senδ = Z sen(θ -φ) (4.2)
V1

Elevando-se ao quadrado ambas as equações, podemos combiná-las para formar uma


única:

2
S
i) [V0 cos δ ] 2
= V1 + Z t cos(θ − φ )
V1
S t2
V cos δ = V + 2ZS t cos(θ − φ ) + Z
0
2 2
1
2
2
cos 2 (θ − φ )
2
(5.1)
V1

2
S
ii) [V0senδ ] 2
= Z t sen (θ − φ )
V1
S t2
V02 sen 2δ = Z 2 2
sen 2 (θ − φ ) (5.2)
V1

3
(5.1) + (5.2):
=1 =1

[ ] S2
V02 cos 2 δ + sen 2δ = V12 + 2ZS t cos(θ − φ ) + Z 2 t2 cos 2 (θ − φ ) + sen 2 (θ − φ )[ ]
V1
2
S
V02 = V12 + Z 2 t2 + 2ZS t cos(θ − φ ) (6)
V1

A equação (6) acima relaciona as tensões nos extremos do alimentador através dos
parâmetros Z, θ, St e φ, sendo a tensão no início do alimentador conhecida ou especificada.
Pode-se perceber, pela relação apresentada, que a queda de tensão em um alimentador
depende da impedância própria do condutor (Z, θ) e da carga instalada (St, φ), assim, para
dois alimentadores iguais (mesma impedância, mesmo comprimento), as tensões nos seus
extremos serão diferentes se suas cargas instaladas forem diferentes.

Solução exata:

A equação (6) pode ser modificada para expressar a tensão na variável V1 da seguinte
forma:

S t2
V02 = V12 + Z 2 + 2 ZS t cos(θ − φ ) ⋅ V12
V12
S t2 2
V02V12 = (V12 ) + Z 2 V + 2ZS t V12 cos(θ − φ )
2
2 1
V1
(V ) + Z S + 2ZS V
1
2 2 2
t
2
t 1
2
cos(θ − φ ) − V02V12 = 0
(V ) + [2 ZS cos (θ
1
2 2
t ]
− φ ) − V 02 V 1 2 + Z 2 S t2 = 0 (7)

A equação (7) é uma equação de segundo grau na variável V12, logo, sua resolução se dá
da seguinte forma:

[
∆ = b 2 − 4 ac = 2 ZS t cos (θ − φ ) − V 02 ] − 4Z S
2 2
t
2

− b ± ∆ V0 − 2ZS t
2
cos(θ − φ ) + [2ZS cos(θ − φ ) − V ]
t 0
2 2
− 4Z 2 S t2
V =
1
2
= (8)
2a 2

A equação (8) dá a solução exata para encontrar a tensão no extremo de um


alimentador, entretanto ela só pode ser utilizada em um alimentador com impedância única
e apenas uma carga instalada em seu extremo, tornando-se pouco prática, pois os
alimentadores usuais utilizam vários tipos de cabos (impedâncias diferentes) e atendem a
várias cargas (cosφ, St diferentes), concentradas e distribuídas.

4
QUEDA DE TENSÃO
Aula 09/07/2004

Soluções aproximadas:

- desprezarem-se as perdas
- desprezarem-se as perdas e a abertura angular

i) Desprezando-se as perdas, V1 ← V0 (substitui-se V1 por V0 no denominador) e a


equação (6) torna-se:
2
2 St
V0 = V1 + Z
2 2
+ 2 ZS t cos(θ − φ )
V02
St2
V1 = V02 − Z 2 − 2 ZS t cos(θ − φ ) (9)
V02

ii) Desprezando-se as perdas e a abertura angular, temos que V1 ← V0 e cos δ ≅ 1 ,


assim, da equação (3.1):
S
V1 = V0 − Z t cos(θ − φ ) (10)
V0

As equações (9) e (10) relacionam as tensões nos extremos do alimentador utilizando


expressões mais simplificadas que a equação (8) e, portanto, com erros inerentes às
aproximações.

CÁLCULO DE QUEDA DE TENSÃO

Queda de tensão:

- manter-se nos níveis aceitáveis pelos órgãos reguladores (ANEEL, Arce, Arpe, etc)
- novos projetos: raio de ação do alimentador novo
- redes existentes: capacidade de extensão da rede
- reforma de redes: substituição de cabos, instalação de reguladores de tensão

A equação (10) pode ser modificada para expressar a queda de tensão.

Seja ∆V = V0 − V1 e cos(θ − φ ) = cos θ cos φ + senθsenφ , temos:

St
∆V = (Z cos θ cos φ + Zsenθsenφ )
V0

1
Seja Z cos θ = R = rl e Zsenθ = X = xl :

St l
∆V = (r cos φ + xsenφ ) (11)
V0
Ou, mais convenientemente,

∆V = S t lG (12)

em que: G =
(r cos φ + xsenφ ) (13)
V0
é o coeficiente de queda de tensão unitária.

Uma maneira mais conveniente de expressar a queda de tensão é apresentá-la como


uma porcentagem da tensão no início do alimentador, ou seja:

V0 − V1
∆V = ⋅100%
V0
Logo, a equação (13) pode ser modificada da seguinte forma:

G=
(r cos φ + xsenφ ) ⋅ 100 (14)
V02

A equação (12) é a equação geral para determinação da queda de tensão em um


alimentador, sendo que a utilização de G dado pela equação (13) retorna a queda de tensão
absoluta e a utilização de G dado pela equação (14) retorna a queda de tensão em
porcentagem da tensão de entrada.

QUEDA DE TENSÃO PROVOCADA POR CARGAS CONTÍNUAS

As cargas de um sistema de distribuição podem, muitas vezes, serem representadas por


uma distribuição contínua devido à proximidade em que se encontram espacialmente, por
isso deve haver um tratamento diferenciado para se obter a queda de tensão em um
alimentador desse tipo.
l
r, x

y2 – y1 yn – yn-1
yk
dyk
Figura 2 – Alimentador com carga contínua

2
A carga total do alimentador, denotada por St, é dada pela área abaixo da curva, assim,
tomando uma porção infinitesimal ∆y, temos:

∆S ( y k ) = s ( y k )∆y k

Logo:

∆S ( y k )
s( y k ) =
∆y k

onde:

St é a carga total do alimentador, em KVA;


∆yk = yk – yk-1; y em km;
s(yk) é o valor da função no ponto yk e é definida como a densidade linear de carga, s(y) em
KVA/km.

Somando-se todas as áreas dos mini-retângulos sob a curva, encontramos a carga total
do alimentador:

n
St = s ( y k )∆y k
k =1

Desde que quanto menor for ∆y, melhor será a aproximação, no limite:

n
S t = lim ∆y →0 s ( y k )∆y = área sob a curva.
k =1

Sendo s(y) uma função contínua no intervalo [y,l], então a soma de Riemann acima
especificada representa a integral definida de s(y) no intervalo [y,l], e a carga do
alimentador a jusante de qualquer ponto y é dada por:

l
S ( y ) = s (γ )dγ (15)
y

A queda de tensão em um intervalo infinitesimal dy, dada pela equação (12), será:

dV ( y ) = G S ( y )dy

A queda de tensão entre os extremos do alimentador será:

l l
∆V = G s (γ )dγ dy (16)
0 y

3
A equação (16) é geral e pode ser utilizada para qualquer distribuição de carga. Nos
alimentadores usuais existem duas distribuições de carga que são mais comuns:

- retangular: s(y) = a (a densidade linear é constante)


- triangular: s(y) = ay (a densidade linear é proporcional a y)

4
QUEDA DE TENSÃO
Aula 14/07/2004

i) DISTRIBUIÇÃO RETANGULAR:

l
r, x

y2 – y1 yn – yn-1
yk
dyk

Figura 3 – Distribuição retangular

Neste caso, a densidade linear de carga é uma constante, s’, e a carga do alimentador é
dada por:
l
S ( y ) = s ' dγ = s ' (l − y )
y

Particularmente para y = 0 :

St = s' l (17)

A queda de tensão é dada por:

l l
∆V = G s ' dγ dy
0 y

l
l2 l2
∆V = G s ' (l − y )dy = s ' G l 2 − = s' G
0 2 2
GS t l
∆V = (18)
2

Comparando a equação (18) com a equação (12), podem-se considerar duas alternativas
para efeito de cálculo:

1. A carga total é substituída por metade dela concentrada no fim do alimentador:


S
∆V = Gl t
2

1
2. A carga total é concentrada no meio do alimentador:
l
∆V = GS t
2

ii) DISTRIBUIÇÃO TRIANGULAR:

r, x h
yn – yn-1

y
dyk

Figura 4 - Distribuição triangular

A carga total, St, é a área do triângulo. Para simplificar os cálculos, encontra-se a


ϕ
área do triângulo superior, com inclinação , e multiplica-se por dois.
2
h
Tomando uma porção infinitesimal dy, a altura do mini-retângulo, , é dada por:
2
h ϕ ϕ
= tg y h = 2 tg y
2 2 2

A densidade linear de carga, s(y), é:

ϕ
s ( y ) = 2 s" tg y
2

onde s” é a densidade superficial de carga, em KVA/km2.

ϕ tgϕ
Para valores pequenos de ϕ, ϕ 10º, tg ≅ , assim:
2 2
s ( y ) = s" tgϕ y

A queda de tensão é:

2
Gs" tgϕ
l l l
l
∆V = G s" tgϕ ydy dy = y2 dy
0 y
2 0
y

Gs" tgϕ l
Gs" tgϕ l l
∆V =
2
(l 2
)
− y 2 dy =
2
l 2 dy − y 2 dy
0 0 0

3 l
Gs" tgϕ 2 l y
∆V = l y −
2 0 3 0

Gs" tgϕ 3 l 3
= l −
2 3
Gs" tgϕ 2l 3
=
2 3
l3
∆V = Gs" tgϕ (19)
3

Seja St a carga total do alimentador, dada pela equação (15):

l l
S t = s ( y )dy = s" tgϕ ydy
0 0
2
l
S t = s" tgϕ (20)
2

Substituindo em (18):

2l
∆V = GS t (21)
3

Comparando a equação (20) com a equação (12), podem-se considerar duas alternativas
para efeito de cálculo:

1. A carga total é substituída por dois terços dela concentrada no fim do alimentador:
3S
∆V = Gl t
2

2. A carga total é concentrada no ponto correspondente a dois terços do comprimento


do alimentador:
3l
∆V = GS t
2

3
DESCONTINUIDADES NA FUNÇÃO DENSIDADE DE CARGA

l
r, x
y1 y2

1 KVA/km
2 KVA/km
3 KVA/km

Figura 5 – Descontinuidades na função densidade de carga

Em caso de descontinuidades na função densidade de carga, como a figura 5 acima por


exemplo, as equações (15) e (16) são válidas desde que as integrações cubram áreas em que
s(y) seja contínua, ou seja, para o exemplo acima:

y1 y2 l y1 y2 l
S ( y ) = s ( y )dy + s ( y )dy + s ( y )dy = 2dy + 3dy + dy
0 y1 y2 0 y1 y2

l y1 y2 l l
∆V = G s ( y )dy + s ( y )dy + s ( y )dy dy = G S ( y )dy
0 0 y1 y2 0

y1 y2 l
∆V = G S ( y )dy + S ( y )dy + S ( y )dy
0 y1 y2

De forma geral, se a função possui descontinuidades em n pontos de coordenadas


y1 < y 2 < ... < y n < l , então as equações (15) e (16) tornam-se:

yj y j +1 l
S ( y ) = s ( y )dy + s ( y )dy + ... + s ( y )dy (22)
y yj yn

y1 y2 l
∆V = G S ( y )dy + S ( y )dy + ... + S ( y )dy (23)
0 y1 yn

O método de cálculo acima pode ser visto no exemplo 4.2 da apostila (pág. 58 da versão
mais recente).
Resolução do exercício 4.2.

4
QUEDA DE TENSÃO
Aula 15/09/2004

RAIO DE AÇÃO DE UM ALIMENTADOR

Raio de ação: comprimento máximo possível

- planejamento (novos projetos)


- extensão de redes existentes

Reescrevendo as equações (12), (18) e (21) na variável l, temos:

∆V
lc = (24)
GS t
2∆V
lr = (25)
GS t
3
∆V
lt = 2 (26)
GS t
onde:
lc representa o comprimento do alimentador quando a carga é concentrada no extremo;
lr representa o comprimento do alimentador quando a carga tem distribuição retangular;
lt representa o comprimento do alimentador quando a carga tem distribuição triangular;
St é a carga total concentrada para l=lc ou dada pelas equações (17) para l=lr e (20) para
l=lt.

Observando-se as equações (24), (25) e (26), conclui-se que o raio de ação de um


alimentador depende da tensão nominal do sistema e do condutor empregado (constante G),
da carga instalada (fator de potência, tipo de distribuição e intensidade) e da queda de
tensão permissível. Reescrevendo a equação (24), temos:

V0 − V1 V0 (V0 − V1 )
l= =
r cos φ + xsenφ S t (r cos φ + xsenφ )
St
V0

Observa-se que quanto maior a carga total do alimentador, independentemente do tipo


de distribuição, menor seu raio de ação.
O raio de ação é diretamente proporcional à tensão nominal, por isso os sistemas de
tensão nominal mais altas têm se difundido.

1
Meios de aumentar do raio de ação:

- correção do fator de potência: aumentando-se o fator de potência, diminui-se a influência


da reatância indutiva, diminuindo-se, conseqüentemente,
a impedância total da linha, e, conseqüentemente, as
perdas e a queda de tensão.
- instalação de reguladores de tensão
- aumento do número de fases
- substituição dos condutores por outros de bitola maior

TOPOLOGIA DO ALIMENTADOR RADIAL

Um alimentador real atende a uma série de cargas distintas, residenciais, comerciais e


industriais, com características próprias. Suas características podem mudar ao longo de sua
extensão e a rede pode ter alguns trechos monofásicos e outros trifásicos ou bifásicos e
pode ter mudança de cabo.
Pode-se ver, na figura 6 abaixo, uma configuração típica de alimentador de distribuição
radial:

9 15

8 14
0 1 2 3 4 5 6 7

10 13
16

Legenda:
11
____ tronco
____ ramal 1
____ ramal 2
12 ____ ramal 3
____ ramal 4
____ lateral
Figura 6 – Alimentador radial

Um trecho é uma parte do alimentador compreendida entre duas barras adjacentes. Na


figura, podem ser identificados o tronco ou ramal principal (numeração 1 a 7), que é a
parte do alimentador que transporta maior potência; os ramais secundários ou
simplesmente ramais (8-9, 10-11, 14-15, 16) e um lateral (13), que é um ramal derivado de
um ramal secundário. As barras 7, 9, 12, 13, 15 e 16 são chamadas barras terminais, as
barras 1, 5, 6 e 10 são barras de derivação e as outras barras, excluindo a barra da
subestação, são barras intermediárias.

2
A identificação das barras pode ser feita por números, nomes ou códigos, embora para
processamento computacional a identificação deverá ser feita por uma numeração
seqüencial e as barras são classificadas por tipo e nível.
A numeração seqüencial de barras adequada para implementações computacionais é
chamada numeração normalizada (figura 6) e é feita de acordo com as seguintes regras:

1. A barra da subestação (ou barra original) é a barra 0 (zero);


2. As barras são numeradas seqüencialmente na ordem direta de proximidade da barra
origem;
3. A numeração começa pelo tronco, seguindo-se os ramais pela ordem de
proximidade da origem.

As barras são classificadas por tipo e por nível, de acordo com a posição no circuito e a
proximidade da subestação, respectivamente. A classificação das barras por tipo pode ser
vista na tabela 1

Tabela 1 – Classificação por tipo


Tipo Barra Descrição
0 terminal onde termina o tronco, um
ramal ou um lateral
1 intermediária qualquer barra que não se
classifique como nenhuma
das anteriores
>1 de derivação de onde derivam outras
barras (dica: o tipo de uma
barra de derivação j é igual
ao número de barras que
derivam de j)

A classificação por nível é feita da seguinte forma:

1. A barra da subestação é de nível 0 (zero);


2. A barra j ligada à subestação é de nível 1;
3. A barra diretamente ligada à barra j é de nível nível(j)+1.

Pode-se ver, na tabela 2, a classificação completa do alimentador da figura 6:

3
Tabela 2 – Classificação do alimentador da Fig. 6
Parte Nº Tipo Nível
tronco 0 - 0
1 1 1
2 3 2
3 1 3
4 1 4
5 2 5
6 2 6
7 0 7
ramal 1 8 1 3
9 0 4
ramal 2 10 2 3
11 1 4
12 0 5
lateral 13 0 4
ramal 3 14 1 6
15 0 7
ramal 4 16 0 7

4
Exemplo 4.4: Calcular a queda de tensão no alimentador da figura 7, considerando que
todas as cargas tenham fator de potência 0,8.

0,35 + j0,4 Ω/km 0,5 + j0,6 Ω/km

0
1 2 3

0,4 MVA/km
1,5 MVA
2 MVA
2,5 MVA

1 km 2,5 km 2 km

Figura 7 – Alimentador do exemplo 4.4

Solução considerando a carga acumulada no fim do trecho:

Os coeficientes de queda de tensão unitária são:

0,35 ⋅ 0,8 + 0,4 ⋅ 0,6


G01 = G12 = = 0,2731 %/MVA/km
13,8 2
0,5 ⋅ 0,8 + 0,6 ⋅ 0,6
G23 = = 0,3991 %/MVA/km
13,8 2

Para a distribuição 0,4 MVA/km: S r = s ' l = 0,4 ⋅ 2,5 = 1 MVA

Cálculo do trecho 1: 2

0,35 + j0,4 Ω/km 0,5 + j0,6 Ω/km

0
1 2 3
trecho 1

0,4 MVA/km
1,5 MVA
2 MVA
2,5 MVA

1 km 2,5 km 2 km

∆V1 = (1,5 + 1 + 2,5 + 2) ⋅ 1 ⋅ 0,2731 = 1,91%

5
Cálculo do trecho 2: a carga com distribuição retangular é substituída por metade dela
acumulada no fim do trecho:

0,35 + j0,4 Ω/km 0,5 + j0,6 Ω/km

0
1 2 3
trecho 2

0,5 MVA
2 MVA
2,5 MVA

1 km 2,5 km 2 km

∆V2 = (0,5 + 2,5 + 2 ) ⋅ 2,5 ⋅ 0,2731 = 3,41%

Cálculo do trecho 3:

0,35 + j0,4 Ω/km 0,5 + j0,6 Ω/km

0
1 2 3
trecho 3

2 MVA

1 km 2,5 km 2 km

∆V3 = 2 ⋅ 2 ⋅ 0,3991 = 1,60%

A queda de tensão total é a soma das quedas de tensão nos trechos:

∆V = ∆V1 + ∆V2 + ∆V3 = 1,91 + 3,41 + 1,60 = 6,92%

6
QUEDA DE TENSÃO
Aula 30/07/2004

QUEDA DE TENSÃO EM ALIMENTADORES NÃO-RADIAIS

Os métodos de cálculo de queda de tensão apresentados até agora se aplicam apenas a


alimentadores radiais. Sistemas em anel devem ser convertidos, para efeito de cálculo, em
sistemas radiais pelo método da abertura. O cálculo de queda de tensão é feito como
estudado nos dois lados dos ramais resultantes da abertura do anel de forma que a queda de
tensão no lado esquerdo seja igual à queda de tensão do lado direito. O método da abertura
será mais bem entendido no exemplo 4.6 da apostila.
Resolução do exercício 4.6.

QUEDA DE TENSÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE CIRCUITO

Dependendo do tipo de circuito empregado na distribuição (monofásico, bifásico ou


trifásico), o coeficiente de queda de tensão unitária se modifica. Os circuitos são
considerados equilibrados e são utilizadas a tensão de linha (fase-fase) e a potência total.

Circuito Trifásico: As equações (13) e (14) se aplicam a sistemas trifásicos, pois o circuito
da figura 1a pode ser entendido como o monofásico equivalente de um circuito trifásico
equilibrado a três ou quatro condutores. Assim:

G 3φ =
(r cos φ + xsenφ ) ⋅ 100 (14)
V02

Circuito Monofásico: O circuito da figura 8a representa um alimentador monofásico a dois


condutores, fase e neutro. Transferindo-se a impedância do condutor neutro para a fase, o
circuito se transforma no circuito da figura 8b.

rf xf

V0 S
3 cosφ
rn xn

(a)

1
rf + rn xf + xn

V0 S
3 cosφ

(b)

Figura 8 (a) Circuito monofásico (b) Circuito monofásico equivalente

Na figura, rf e xf são a resistência e a reatância indutiva do condutor fase,


respectivamente, e rn e xn são a resistência e a reatância indutiva do condutor neutro,
respectivamente, S é a carga no fim do alimentador e cosφ é o fator de potência da carga.
O circuito da figura 8b é o mesmo da figura 1a, de forma que a equação (14) aplica-se
da seguinte forma:

(r f + rn )cos φ + (x f + x n )senφ
G1φ = 3 ⋅ ⋅ 100 (27)
V02

Se o neutro e a fase são constituídos de condutores do mesmo tipo, r f = rn = r e


x f = x n = x , e a equação (27) torna-se:

G1φ = 3 ⋅
(2 ⋅ r ) cos φ + (2 ⋅ x )senφ ⋅ 100
V02
r cos φ + xsenφ
G1φ = 6 ⋅ ⋅ 100 (28)
V02

em que:
V0 é a tensão de linha (fase-fase).

Circuito Bifásico: Um sistema de distribuição bifásico é composto de duas tensões iguais e


defasadas de 120º entre si, correspondendo a um sistema trifásico ABC cuja fase B (por
convenção) não foi instalada. Observando-se a figura 9a, verifica-se que circula uma
corrente no neutro igual à soma vetorial das correntes das fases A e C, ou seja:

I A = IC = I
I N = I A + IC

Aplicando a Lei dos Cossenos, temos:

2
I N2 = I A2 + I C2 + 2 ⋅ I A ⋅ I C ⋅ cos 120º = 2 ⋅ I 2 + 2 ⋅ I 2 ⋅ (−0.5)
I N2 = 2 ⋅ I 2 − I 2
I N = I A = IC = I

Obs.: As grandezas com seta são vetoriais e as demais são magnitudes (módulos).

rf xf

V0 S/2
3 cosφ
rn xn IC IN
V0 V1

120º
V0 V1 S/2 60º
3 3 cosφ
IA
rf xf

(a) (b)

V0
In
3 Xn In
Zn In
Rn In
Zf If
60º-φ
δ θf-φ Xf If
φ V1 φ
Rf If
3
If
(c)

Figura 9 (a) Circuito equivalente (b) Diagrama fasorial de corrente (c) Diagrama fasorial de tensão

As impedâncias das fases e do neutro são dadas por:

∪ ∪
Z f = (rf + jxf).l = Rf + jXf Z n = (rn + jxn).l = Rn + jXn

∪ ∪
Z f = Zf ∠θf = Zf cosθf + jZf senθf Z n = Zn ∠θn = Zn cosθn + jZn senθn

3
Em que: Z f = R 2f + X 2f Z n = Rn2 + X n2
Xf Xn
θ f = arctg θ n = arctg
Rf Rn

Obs.: O índice f é referente às grandezas de fase e o índice n é referente às grandezas de


neutro.

em que:

r é a resistência por unidade de comprimento;


x é a reatância indutiva por unidade de comprimento;
l é o comprimento do alimentador;
R é a resistência total, em ohms;
X é a reatância indutiva total, em ohms;

Z é o fasor de impedância;
Z é o módulo da impedância;
θ é o ângulo da impedância;

Analisando o diagrama vetorial das tensões para a tensão entre uma fase e o neutro
(figura 9c), chega-se à seguinte expressão:

∪ ∪
V0 V1 ∪ ∪ ∪ ∪
= + Z f I f + Zn In (29)
3 3

A equação fasorial acima pode ser escrita na forma:

V0 V0 V1
cosδ+j senδ = +(Zf cosθf + j Zf senθf).(If cosφ -jIf senφ) + (Zn cosθn + jZn senθn).
3 3 3
(In cos(60º-φ ) + jIn sen(60º-φ ))
V0 V0 V
cosδ +j senδ = 1 + ZfIf [(cosθf cosφ +senθf senφ)+ j(senθf cosφ - senφ cosθf)] +
3 3 3
ZnIn [(cosθn cos(60º-φ )-senθn sen(60º-φ ))+ j(senθn cos(60º-φ )+
sen(60º-φ ) cosθn)]

V0 V0 V1
cosδ + j senδ = + Zf If [cos(θf -φ)+ j sen(θf -φ)] + Zn In [cos(θn +(60º-φ))+
3 3 3
j sen(θn +(60º-φ))] (30)

4
A equação (30) pode ser representada por duas equações, igualando-se as partes reais e
imaginárias:

V0 V1
cosδ = + Zf If cos(θf -φ) + Zn In cos(θn +(60º-φ)) (31.1)
3 3

V0
senδ = Zf If sen(θf -φ) +Zn In sen(θn +(60º-φ)) (31.2)
3

Expressando a corrente em termos da potência e da tensão na carga, temos


St
I f = In = 2 :
V1
3

V0 V1 3 St 3 St
cosδ = + Zf cos(θf -φ)+ Zn cos(θn +(60º-φ)) (32.1)
3 3 2 V1 2 V1
V0 3 St 3 St
senδ = Zf sen(θf -φ)+Zn sen(θn +(60º-φ)) (32.2)
3 2 V1 2 V1

Desprezando-se as perdas e a abertura angular, temos que V1 ← V0 e cos δ ≅ 1 , assim,


da equação (32.1):

V1 V0 3 St 3 St
= −Zf cos(θ f − φ ) − Z n cos(θ n + (60º −φ ) ) (35)
3 3 2 V0 2 V0

V0 − V1
Seja ∆V = ,
3
cos(θ f − φ ) = cos θ f cos φ + senθ f senφ
e cos(θ n + (60º −φ ) ) = cos θ n cos(60º −φ ) − senθ n sen(60º-φ )

Temos:

3 St
∆V = (Z f cos θ f cos φ + Z f senθ f senφ ) + 3 S t (Z n cos θ n cos(60º −φ ) − Z n senθ n sen(60º-φ ))
2 V0 2 V0

Seja Z cos θ = R = rl e Zsenθ = X = xl :

1 St 1 St
∆V = (R f cos φ + X f senφ ) + (Rn cos(60º −φ ) − X n sen(60º-φ ))
2 V0 2 V0
3 3

5
Simplificando, temos:

∆V = S t lG

1 (r f cos φ + x f senφ ) + (rn cos(60º −φ ) − x n sen(60º-φ ) )


em que: G = (36)
2 V0
3
é o coeficiente de queda de tensão unitária para um circuito bifásico.

Se os condutores de fase e de neutro forem iguais, a equação (36) torna-se:

1 r (cos φ + cos(60º −φ ) ) + x(senφ − sen(60º-φ ) )


G=
2 V0
3

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