Você está na página 1de 420

ENSINO MÉDIO • VOLUME ÚNICO

FAR ACO • MO U RA • MA RUXO

O
ÇÃ
IA
AV O
Ã
AL
ID GAÇ

:
ÃO
L
À
BM IVU


A

0
13
OL
SU E D

13
ET

:
RA
C
ÃO L D

10
DA

OB

13
IA

GO

DA
VE TER

P2

10
DI

GO
A


RS
M

85
DI
P2

01

85
01

MANUAL DO PROFESSOR

PRÁTICAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA
OBRA DIDÁTICA ESPECÍFICA
ESPE DE LÍNGUA PORTUGUESA
ÁREA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

4/13/21 11:44 AM
ENSINO MÉDIO • VOLUME ÚNICO

MANUAL DO PROFESSOR

PRÁTICAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA
OBRA DIDÁTICA ESPECÍFICA DE LÍNGUA PORTUGUESA
ÁREA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

Carlos Emílio Faraco


Bacharel e licenciado em Letras pela Universidade
de São Paulo (USP)
Ex-professor do Ensino Fundamental e do Ensino Médio

Francisco Marto de Moura


Licenciado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP)
Ex-professor do Ensino Fundamental, do Ensino Médio
e do Ensino Superior

José Hamilton Maruxo Júnior


Bacharel, licenciado e doutor em Letras pela Universidade
de São Paulo (USP)
Professor do curso de Letras da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp)

1a edição, São Paulo, 2020

)52ů17,6B2%-B35$7,&$6B/3B6$5$,9$B31/'BB98B03LQGG 30
Presidência: Paulo Serino
Direção editorial: Lauri Cericato
Gestão de projeto editorial: Heloisa Pimentel
Gestão de área: Alice Ribeiro Silvestre
Coordenação de área: Rosângela Rago
Edição: Caroline Zanelli Martins e Valéria Franco Jacintho
Planejamento e controle de produção: Vilma Rossi e Camila Cunha
Revisão: Rosângela Muricy (coord.), Alexandra Costa da Fonseca,
Ana Paula C. Malfa, Ana Maria Herrera, Carlos Eduardo Sigrist,
Flavia S. Vênezio, Heloísa Schiavo, Hires Heglan, Kátia S. Lopes Godoi,
Luciana B. Azevedo, Luís M. Boa Nova, Luiz Gustavo Bazana,
Patricia Cordeiro, Patrícia Travanca, Paula T. de Jesus,
Sandra Fernandez e Sueli Bossi
Arte: Claudio Faustino (ger.), Erika Tiemi Yamauchi (coord.),
Carlos Magno (edição de arte), Casa de ideias (diagramação)
Iconografia e tratamento de imagens: Roberto Silva (coord.),
Mariana Sampaio (pesquisa iconográfica), Cesar Wolf (tratamento de imagens)
Licenciamento de conteúdos de terceiros: Fernanda Carvalho (coord.),
Erika Ramires e Márcio Henrique (analistas adm.)
Cartografia: Mouses Sagiorato
Design: Flavia Dutra (proj. gráfico e capa), Carlos Magno (proj. gráfico),
Luis Vassallo (proj. gráfico Manual do Professor)
Foto de capa: Nick Dolding/Stone RF/Getty Images,
Ismar Ingber/Pulsar Imagens, Dmitry Zimin/Roman Arbuzov/
seahorsetwo/Vladyslav Starozhylov/Shutterstock

Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A.


Avenida Paulista, 901, 4o andar
Jardins – São Paulo – SP – CEP 01310-200
Tel.: 4003-3061
www.edocente.com.br
saceditorasaraiva@somoseducacao.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Angélica Ilacqua - CRB-8/7057


2020
Código da obra CL 820723
CAE 729688 (AL) / 729689 (PR)
1a edição
1a impressão
De acordo com a BNCC.
Envidamos nossos melhores esforços para localizar e indicar adequadamente os créditos dos textos e imagens
presentes nesta obra didática. Colocamo-nos à disposição para avaliação de eventuais irregularidades ou omissões
de créditos e consequente correção nas próximas edições. As imagens e os textos constantes nesta obra que,
eventualmente, reproduzam algum tipo de material de publicidade ou propaganda, ou a ele façam alusão,
são aplicados para fins didáticos e não representam recomendação ou incentivo ao consumo.

Impressão e acabamento

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_002_LE.indd 2 9/28/20 12:41 PM


Caro estudante,
Este livro, dedicado ao estudo da Língua Portuguesa, foi concebido tendo em
vista questões importantes do mundo contemporâneo, previstas na Base Nacional
Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio. Com ele, você vai aprofundar seus
aprendizados das práticas de linguagem relacionadas à leitura, à escuta, à produção
de textos, à análise linguística e à literatura, bem como aperfeiçoar o domínio de ha-
bilidades necessárias ao exercício pleno da cidadania, cultivando atitudes e valores
significativos para sua formação e seu projeto de vida.
As atividades propostas no livro organizam-se em unidades independentes umas
das outras, que você vai desenvolver de acordo com as indicações do professor.
Cada uma das seis unidades deste volume desenvolve um tema e é dividida em dois
capítulos, que contêm seções internas voltadas para o estudo de práticas de lingua-
gem. Ao longo das unidades, será possível a você se envolver na análise de textos,
na investigação de fenômenos da linguagem e de questões em discussão na socie-
dade contemporânea e poderá compartilhar com os colegas expressões culturais
de sua preferência, assim como conhecer outras culturas juvenis representadas na
turma. Além disso, haverá diversas oportunidades para você e os colegas se orga-
nizarem em atividades coletivas de pesquisa, de formação de clube de leitura e de
organização de eventos na escola.
Com isso, você terá oportunidades de agir e interagir de diferentes modos, em
situações de trocas culturais variadas e estimulantes, por meio das quais poderá
desenvolver ainda mais suas capacidades de expressão oral e escrita. Nessas tro-
cas, você será convidado a debater e argumentar com base em situações reais,
mobilizando a linguagem para participar da vida em sociedade, de forma ética e
responsável.
Essas aprendizagens favorecem seu engajamento em atividades que levam ao
estudo da língua portuguesa por meio de gêneros textuais variados.
Dedicado ao estudo da Língua Portuguesa ao longo do Ensino Médio, este volu-
me articula-se a seis livros que desenvolvem estudos considerando também outros
componentes da área de Linguagens e suas Tecnologias, isto é, tratando de Arte,
Educação Física e Língua Portuguesa. A articulação entre essas obras vai possibili-
tar a você fazer novas relações entre essas linguagens.
Esperamos que os estudos propostos por meio dessas dinâmicas sejam praze-
rosos e favoreçam o desenvolvimento de suas capacidades de comunicação para
atuar adequadamente nas diversas situações da vida em que elas se apresentam,
considerando suas aspirações pessoais e coletivas.

Os autores

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 3 9/28/20 12:42 PM


S e u l i v r o
C o n h e ça
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO 1
UNIDADE
RelaÇõeS
Analisar as características do gênero manifesto e usá-las na organização
de um texto do gênero.
Compreender a forma como, em textos multissemióticos, os elementos
Organizado em unidades independentes,
verbais e não verbais contribuem para a constituição dos sentidos.
Apreciar poemas produzidos para serem lidos em voz alta, que fazem
parte de campeonatos de poesia, os poetry slams.
este livro apresenta, na abertura de cada
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
DA UNIDADE
Compreender a importância da tomada de notas quando se é
observador de um gênero oral formal, como uma aula expositiva.
Identificar as características da organização de gêneros escritos
uma delas, os objetivos de aprendizagem
Nos capítulos de Relações, você e os colegas vão refletir sobre gêne-
ros ligados à vida pública, com o manifesto e o discurso político,
compreendendo aspectos do fenômeno da vida associativa, isto
que dão apoio à fala, em situações formais, e empregá-las em sua
produção. da unidade e de seus capítulos, assim
é, situações em que pessoas se associam para reivindicar seus Justificativa
direitos. Ao final, com base nas atividades desenvolvidas ao
longo da unidade, terão a oportunidade de propor mudanças
positivas para o entorno.
O estudo de um gênero como o manifesto no Ensino Médio
se justifica porque é nessa fase dos estudos que você tem
como um quadro com as competências e
contato com situações variadas – políticas, sociais, ecológi-
cas, etc. – em que é necessário perceber como, por meio
da linguagem, é possível manifestar-se para reivindicar
seus direitos. O trabalho na seção Práticas de leitura e
as habilidades mobilizadas.
análise literária, que enfoca poetas que fazem parte do
A BNCC nesta unidade circuito da poetry slam, passa a fazer todo sentido, já
Competências 1, 2, 3, 4, 5, 9, 10 que essa forma poética é, por si mesma, uma forma de
gerais da manifestação. Os estudos de análise linguística propos-
Educação Básica tos devem contribuir para a compreensão do gênero
Competências Competências manifesto e, ao mesmo tempo, chamam atenção para
e habilidades 1, 2, 3, 6, 7 o caráter multissemiótico de outros gêneros como o
específicas de Habilidades cartaz, também associados a manifestações.
Linguagens e EM13LGG101, EM13LGG104,
suas Tecnologias EM13LGG204, EM13LGG301,
para o Ensino
Médio
EM13LGG303, EM13LGG304, OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
EM13LGG305, EM13LGG601, EM13LGG602,
EM13LGG603, EM13LGG604, EM13LGG701, DO CAPÍTULO 2
Campos de
atuação social,
EM13LGG702
Competências
1, 2, 3, 4, 6, 7
Compreender o funcionamento do discurso político e
discutir sua importância em uma sociedade democrática.
Capítulos – os capítulos
voltam-se para o trabalho
competências Todos os campos de atuação social Discutir como a tecnologia favorece a divulgação e a
específicas e EM13LP01, EM13LP02, EM13LP03, EM13LP04, circulação de textos literários.
habilidades EM13LP05, EM13LP06, EM13LP07, EM13LP08,
de Língua Compreender como a internet e as redes sociais contribuem para
EM13LP11, EM13LP12, EM13LP13, EM13LP15,
a disseminação de textos literários.
Portuguesa para
o Ensino Médio
EM13LP16, EM13LP17, EM13LP18
Campo da vida pessoal
EM13LP20
Analisar características da leitura pública em voz alta,
compreendendo-a como gênero oral que depende da escrita.
com gêneros escritos e
orais, assim como para o
Campo de atuação na vida pública Analisar cartas de solicitação e identificar características do gênero.
EM13LP23, EM13LP24, EM13LP25, EM13LP26,
ck
EM13LP27 tte
rs
to
Justificativa
hu
/S
Campo das práticas de estudo e pesquisa sa
ra
A análise do discurso político pode levar você a notar a importância desse gê-

estudo da literatura.
va
EM13LP28, EM13LP29, EM13LP30, EM13LP34,
EM13LP35 nero em uma sociedade democrática como a nossa. O caráter argumentativo do
Campo jornalístico-midiático gênero vai contribuir para sua compreensão da arena política como lugar social
EM13LP43, EM13LP44 de reivindicação de direitos. Os estudos literários mostram a internet como um
espaço de manifestações, de associação de pessoas com interesses e reivindica-
Campo artístico-literário
EM13LP46, EM13LP47, EM13LP51, EM13LP54 ções em comum. O estudo da leitura em voz alta chama sua atenção para esse
gênero, presente em várias formas de associação.

86 87

Diário de bordo –
1 Re lato de
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

vi ag em ao final de cada

CAPÍTULO
Depois da abertura, a Situação inicial
seção, propõe
seção Perspectivas propõe
1 Observe a imagem e, em seguida, relacione-a com o relato de viagem a retomada
Situação inicial do escritor Antoine de Saint-Exupéry que você leu anteriormente.

das atividades

Pixabay/pixabay.com
atividades convidando – seção que
para uma reflexão inicial vivenciadas, com
propõe o início
sobre o tema da unidade. o objetivo de levar
da produção de
você a verificar
um gênero textual
as aprendizagens
em estudo no
conquistadas ou em
IVA S capítulo. DIÁRIO DE BORDO

PE RS PE CT desenvolvimento.
NÃO ESCREVA Depois de conversar
NESTE LIVRO.
Vista noturna de aldeia.
com os colegas e o
professor, reflita sobre
2 Imagine que uma das “pequenas luzes perdidas na planí- seus relatos e os da
turma toda e procure
cie”, avistadas pelo aviador, tenha sido sua casa. Se você
Observe a obra de arte a seguir. lembrar em que
encontrasse esse aviador hoje e conversasse com ele, o que PORTFÓLIO
aspectos os relatos
lhe diria? O que contaria sobre sua vida e a de sua família,
Reprodução/Instituto de Arte de Chicago, Illinois, EUA.

foram semelhantes e
das pessoas com quem você mora? E o que acha que ele pergunta- em que aspectos se
ria a você? Escreva no caderno esse diálogo entre você e o aviador. diferenciaram. Procure
recordar se os colegas
3 Agora, faça o exercício contrário: Você é um aviador e vê relataram fatos
do alto, pela janela do avião, essas “luzes perdidas na pla- interessantes nos quais
nície”. Observe novamente a imagem da atividade 1 desta PORTFÓLIO você sequer havia
seção, escolha uma dessas luzes e imagine o que se passa pensado ao elaborar
no interior da casa observada. No caderno, registre a situação. o próprio relato e se
INTERAÇÃO você discordou de
4 Em um momento definido pelo professor, compartilhe com os cole- algum relato e por
quê. Depois, registre
gas os dois relatos que você criou: faça a leitura dos textos e expli-
suas observações em
que-lhes as impressões que você teve ao elaborá-los. seu diário de bordo.

42

Uma tarde de domingo na ilha de Grande Jatte (Un dimanche après-midi à l’Île de la Grande Jatte), de Georges Seurat,
O selo solicita a
1884-1886 (óleo sobre tela, 207,5 cm 308,1 cm).

1 Converse com os colegas e o professor sobre as perguntas seguintes. INTERAÇÃO


você que guarde
Quais elementos da obra chamam mais a sua atenção e por quê?
De acordo com a sua observação, como o artista compôs a rela- a versão de sua
ção entre as figuras humanas e a natureza?
A obra provocou em você alguma sensação e/ou sentimento? Co-
mente as suas impressões.
produção para
Georges-Pierre Seurat (1859-1891) foi um pintor francês que ajudou a
poder rever todo o
difundir o divisionismo/pontilhismo na pintura. A obra Uma tarde de domingo na
Wikipedia/Wikim

ilha de Grande Jatte, produzida entre 1884 e 1886, é considerada o marco inicial
do neoimpressionismo na pintura. Ao usar a técnica do divisionismo/pontilhismo, o processo no final.
ed

pintor aplica pequenos pontos com diferentes cores sobre a tela, o que provoca no
ia

om
C

mo
ns
espectador a mistura óptica entre elas e cria os tons e imagens. Ao observar uma
obra composta com essa técnica, o espectador pode ter a mesma impressão de ver
uma fotografia granulada.

134

Práticas de análise linguística – seção que


Práticas de leitura
propicia a análise de fenômenos linguísticos
Nesta seção, você vai ler uma história escrita por estudantes indíge- e discursivos presentes nos textos em
Práticas de leitura – nas do povo Kaxinawá, baseada em mitos desse povo e publicada no
livro Shenipabu Miyui: história dos antigos. Esse livro reúne doze histó-
OS KAXINAWÁ

estudo na seção Práticas de leitura, assim


Os Huni Kuin, mais
rias baseadas em mitos desse povo, perpetuados pela sua tradição oral, conhecidos como

esta seção investe O boxe fornece


e foram escritas por um grupo de jovens professores Kaxinawá, entre Kaxinawá, vivem
majoritariamente em
1989 e 1995, a partir de um trabalho de campo realizado nos territórios
onde vive esse povo. Essas histórias foram, primeiramente, escritas na
território brasileiro, no
Acre, e uma parcela menor,
como o estudo de características do gênero
no estudo das língua hatxã ku , e em outras edições do mesmo livro apresentaram-
-se versões em português, resultantes de um novo trabalho de coleta
no Peru. Em cinco das
doze terras indígenas, fala-
informações
dessas histórias, e não da tradução direta para o português a partir do
texto escrito na língua desse povo. Observe que o livro foi publicado
-se o hatxã ku , língua da
família linguística Pano.
textual em questão.
práticas de complementares
Cassandra Cury/Pulsar
Imagens

em 2000, 500 anos depois que os portugueses chegaram ao Brasil. Na


apresentação do livro, mencionam-se os “500 anos que passamos mer-
gulhados no fundo do tempo”.

linguagem e no 3 Leia, a seguir, a apresentação escrita pelo professor indígena


Joaquim Mana Kaxinawá para o livro Shenipabu Miyui: história dos Representante Kaxinawá
sobre algum
antigos. Depois, no caderno, responda às questões seguintes.
aprimoramento de Os povos indígenas hoje estamos começando a sonhar do fundo dos 500
anos que passamos mergulhados no fundo do tempo.
localizada na terra indígena
do Alto Rio Jordão, no
Acre. Foto de 2016.
da aldeia Novo Segredo,

assunto NÃO ESCREVA


NESTE LIVRO.

Durante este longo túnel, foram exterminadas muitas culturas e as línguas


suas estratégias 5
indígenas que hoje são faladas em número de 180. Mas sabemos que existem
muitas ainda pelas fronteiras dos rios.
mencionado no Práticas de análise linguística
O que quero dizer é que os 500 anos para nós começaram ontem. Só agora nos últimos anos é que 17 O texto de Abramovay foi publicado originalmente no suplemento cultural Ilustríssima, do

de leitura para estamos com os direitos de ter uma comunicação através da escrita na nossa língua própria.
Sendo um processo novo para os índios e para os assessores, encontramos várias interrogações no ar.
Como se fôssemos andorinhas voando para pegar as moscas de sua alimentação numa tarde de tempo-
texto. jornal Folha de S.Paulo. Leia, a seguir, o que esse jornal descreve sobre o que o leitor deve
esperar desse suplemento.
ILUSTRÍSSIMA: Seção dedicada à cultura, à ciência e a reportagens de fôlego. Textos de ficção, poesia, drama-

compreender 10 poral de chuva.


Mas o túnel do futuro mostra que somos capazes de realizar os sonhos que sempre tivemos como
povos diferentes, valorizados dentro de nós mesmos e espiritualmente.
turgia, ensaios, cartum e quadrinhos também compõem o suplemento.

FOLHA de S.Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/institucional/cadernos_diarios.shtml?fill=3.

textos variados. Professor Joaquim Mana Kaxinawá


Coordenador de Shenipabu Miyui a. O texto que você leu se enquadra em qual das áreas citadas?
Acesso em: 7 jul. 2020.

Para ir mais
Organização dos Professores Indígenas do Acre, OPIAC
PROFESSORES Indígenas do Acre (org.). Shenipabu Miyui: história dos antigos.
Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2000. p. 7.
b. Você considera que a linguagem utilizada no ensaio lido é clara e sem jargões?
c. Segundo o Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, a linha editorial de um jor-
nal pode ser definida como: “posicionamento prévio quanto à seleção dos assuntos e ao
longe – apresenta
a. De acordo com o texto, o que esse trabalho de coleta e registro das histórias representa
para o povo Kaxinawá?
tratamento das informações em um veículo de comunicação ou no conjunto dos produtos
editoriais de uma empresa”. (INSTITUTO Antonio Houaiss. Dicionário eletrônico Houaiss da
língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.)
uma proposta de
b. No texto, há indícios de que o trabalho desenvolvido foi considerado complexo. Em que
trecho isso se evidencia e quais as possíveis razões dessa complexidade?.

FICA A DICA
Em sua opinião, a definição do caderno Ilustríssima dá ideia da linha editorial do jornal que
a publica? Explique.
d. Qual poderia ser a razão de a linha editorial do jornal estar claramente indicada aos leitores
pesquisa em grupo,
HUNI KUIN. Disponível em: http://www.gamehunikuin.com.br/. Acesso em: 23 jul. 2020.
Este site apresenta informações, vídeos e imagens sobre o jogo eletrônico Huni Kuin: os caminhos da jiboia.
desse suplemento?
e. Você, um leitor de textos jornalístico-midiáticos, procuraria espontaneamente ler um texto
relacionada a um
Esse jogo, lançado em 2016, foi produzido ao longo de quatro anos em parceria entre os Kaxinawá e uma equipe publicado nesse suplemento? Por quê?
de antropólogos, técnicos da ciência da computação, historiadores, artistas plásticos e digitais e designers de
jogos eletrônicos. O enredo do game consiste na história de dois irmãos gêmeos, indígenas do povo Huni Kuin,
que precisam passar por várias aventuras e desafios para se tornarem pajés. Nesse site também é possível fazer PARA IR MAIS LONGE
tema em estudo.
o download gratuito do jogo.
Conhecer a linha editorial das publicações jornalísticas os de outros colegas e, com a ajuda do professor,
nos ajuda a selecionar o que ler e a compreender a explique por que, para os leitores, conhecer essas

Fica a dica –
279 abordagem de fatos e acontecimentos noticiados. informações pode ajudá-los a selecionar o que ler e
por quê.
Discuta com os colegas: Qual é a importância, para
os leitores, de ter esse tipo de conhecimento e Discuta também com os colegas: Por que é
compreensão das publicações jornalísticas? importante haver diferentes linhas editoriais de

apresenta
veículos jornalísticos em uma sociedade democrática
Faça um levantamento das linhas editoriais de outras
como a nossa?
publicações jornalísticas que circulam em âmbito
nacional ou em sua região. Compare os achados com Registre as conclusões no caderno.

sugestões de 18 Pode-se dizer que o autor do ensaio se identifica com o enunciador, isto é, com o “eu” que se
projeta no texto.
a. Por quê?

livros, sites, b. Que recursos linguísticos (palavras, expressões, por exemplo) são empregados por Abra-
movay para ele se projetar explicitamente no texto como um enunciador?

filmes e vídeos. 19 Quem você diria que é o leitor suposto do texto? Tente explicar sua resposta com base em
indícios que você obteve do estudo feito até agora.

20 Leia, a seguir, alguns trechos do texto de Abramovay.


I. O Brasil é o sexto maior emissor global de gases de efeito estufa. linha 6
II. Transformar os modelos econômicos em que se apoiam esses setores exige muita ciência e inovações tecnológicas
disruptivas. linhas 17-18
Por que você, leitor do texto, provavelmente terá dificuldade de discordar das afirmações anteriores?

191

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 4 9/28/20 12:42 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Práticas de leitura e análise literária Estilo de época: conjunto


de características
estéticas, estilísticas
e composicionais
O Simbolismo na literatura
Refletir sobre a temática de Olhares sobre o futuro, nos estudos de
literatura, pode nos remeter ao estilo de época conhecido como Sim-
manifestadas nas obras
dos artistas de um certo
período histórico e social.
Práticas de leitura e análise literária
bolismo. Esse estilo se formou em um dos períodos de grandes avanços
– esta seção promove o estudo

Marc Ferrez/Coleção particular


tecnológicos, que provocaram mudanças sociais marcantes nos países
do Ocidente: as duas décadas finais do século XIX e o início do século PARA FAZER E PENSAR
XX, até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Nesse período,
foram desenvolvidas tecnologias como o telefone e o avião; houve a
expansão do uso da eletricidade como fonte energética; as cidades pas- sistemático de textos do campo

Monkey Business Images/Shutterstock


saram por intenso processo de crescimento e urbanização, entre muitas As redes sociais, os sites especializados em literatura, os blo-
gues e os canais de divulgação de vídeos, entre tantos outros
outras conquistas que nos influenciam até hoje. Não é à toa que, confor-
me você viu na abertura desta unidade, muitos projetavam o futuro com
base em inovações promovidas pela tecnologia. O Teatro Municipal, em foto de
artístico-literário de diferentes maneiras espaços na internet, transformaram os modos de produção e
recepção literários.
Antes da internet, para que um escritor tivesse seus textos
Reagindo a esse cientificismo, a arte propõe sobretudo a apreensão 1910, foi uma das novidades
de estados emocionais subjetivos, misteriosos, ilógicos, ou seja, aquilo
que só admite expressão simbólica. A razão e a lógica cedem lugar, na
literatura, por exemplo, à intuição, à subjetividade.
da reforma do Rio de Janeiro,
promovida pelo então prefeito
Pereira Passos, que pretendia
ao longo do volume. publicados e divulgados, o processo implicava que sua produ-
ção literária fosse publicada em livros ou na mídia impressa. E,
para chegar ao público, era preciso passar por inúmeros filtros
Movimentos como o Simbolismo (na literatura) e o Impressionismo modernizar a imagem do ligados aos processos e às condições das editoras. Assim, era
(nas artes visuais) propuseram novas formas pelas quais a arte passou a Brasil. O prefeito se inspirou muito mais difícil do que hoje ter seus textos divulgados. A in-
compreender e representar a realidade, abrindo caminho para as bases em Paris para fazer as ternet propiciou uma nova maneira de circulação dos escritos Pessoas compartilhando ideias para
do que seria chamado no século XX de Modernismo. Por todas essas
reformas urbanísticas no Rio. literários porque quebrou as barreiras editoriais. organizar resultados de pesquisa.
razões, estudar o Simbolismo na literatura é importante. Pensando nessa nova realidade, você e os colegas podem pesquisar outros escritores que se
Considerando essa reação do Simbolismo ao cientificismo de sua
época, você vai notar que o texto a seguir é construído com uma lingua-
gem bastante diferente do ensaio jornalístico lido neste capítulo. Tra- Reprodução/Coleção
particular
tornaram conhecidos por meio de sua participação na internet. Selecionem exemplos desses
escritores, conheçam suas histórias, verifiquem suas motivações para a escrita, selecionem
textos escritos por eles.
Para fazer e
ta-se de um poema que procura caracterizar a voz de uma pessoa, de
forma vaga, imprecisa, de acordo com a subjetividade do eu lírico.

Cristais
Cultura digital – propõe Organizem os achados e, em um dia combinado com o professor, montem na escola uma
exposição sobre esses escritores e suas obras. Vocês podem criar cartazes com essas obras, pensar – traz
com as histórias dos escritores, e “espalhá-los” pela escola para que colegas de outras turmas
Cruz e Sousa
Mais claro e fino do que as finas pratas
a reflexão sobre questões tenham acesso. Combinem com o professor uma forma de fazer a exposição e a divulgação
das pesquisas. Conversem com os gestores da escola para definir o modo e o local para essa
exposição. Será uma forma de “intervenção literária” na escola.
atividades
O som da tua voz deliciava...
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.
João da Cruz e Sousa
(1861-1898) nasceu
em Florianópolis.
de linguagem associadas a coletivas que
5 Era um som feito luz, eram volatas
Em lânguida espiral que iluminava,
Brancas sonoridades de cascatas...
Exerceu o cargo de
professor e jornalista
no Rio de Janeiro, onde
diversas práticas desenvolvidas Práticas de produção de textos se relacionam a
Tanta harmonia melancolizava.

10
Filtros sutis de melodias, de ondas
De cantos voluptuosos como rondas
dolência: mágoa, dor;
sofrimento, aflição.
lascivo: sensual,
ingressou no grupo
simbolista, tornando-se
logo respeitado como
no ambiente digital. PRODUÇÃO ORAL
PENSAMENTO
algum tema em
De silfos leves, sensuais, lascivos...
libidinoso, desregrado.
mentor do grupo. Suas Leitura em voz alta COMPUTACIONAL

Como que anseios invisíveis, mudos,


Da brancura das sedas e veludos,
silfo: na mitologia céltica,
é o “gênio do ar”.
sonata: peça musical.
velado: coberto com véu;
obras mais famosas são
Missal (1893), Broquéis
(1893), Faróis (1900),
Neste capítulo, você pôde ler o discurso de posse do presidente
Juscelino Kubitschek. O discurso político é uma das situações de leitura
FICA A DICA
discussão.
oculto; disfarçado. em voz alta. Há muitas outras. A seguir será lançado a você um desafio:
Das virgindades, dos pudores vivos. e Evocações (1898). Na
volata: série de sons como ler em voz alta para alguém? Essa leitura tem características pró- Uma história da
CRUZ E SOUSA. Cristais. In: CRUZ E executados com rapidez. imagem, Cruz e Sousa
SOUSA. Obra completa. Rio de Janeiro:
NÃO ESCREVA prias? Em caso afirmativo, quais? Se há essas características, elas são leitura, de Alberto
voluptuoso: sensual; em em gravura de Maurício NESTE LIVRO. Manguel. Rio de Ja-
Nova Aguilar, 1995. p. 86. que há prazer ou volúpia. sempre as mesmas ou mudam, conforme a situação comunicativa em
Jobim, cerca de 1898. neiro: Bazar do Tem-
questão?
po, 2018.
CULTURA DIGITAL Para resolver esse desafio, propomos a você uma reflexão sobre suas A leitura em voz
experiências a respeito de leituras dessa natureza, seguida de pesquisa alta pode ser obser-
198 Se você utiliza redes sociais, certamente está familiarizado com três
verbos: curtir, comentar e compartilhar. A experiência de cada e de análise, usando estratégias pautadas no raciocínio lógico. vada em diversas
situações na obra.
uma dessas ações faz parte da natureza dessas redes e do tipo
20 Em que situações você acha que uma pessoa pode ler textos em voz Além disso, este livro
de interação que elas proporcionam. A identidade virtual das faz um passeio pela
alta para outras? E com quais objetivos?
pessoas está cada vez mais ligada à sua participação nas re- prática de ler e você
des e ao que é curtido, comentado e compartilhado. poderá aprender e
A atividade proposta a seguir vai ajudar você e os colegas 21 E você? Já leu em voz alta para alguém? Em caso afirmativo, em que
fruir muito com ele.

O boxe traz
a analisar, discutir e refletir sobre conteúdos que curtem,
comentam e compartilham e com que propriedade realizam
isso. Para isso, sigam as orientações.
situações isso ocorreu? Relate aos colegas.

123
O selo indica
informações sobre
Combinem coletivamente com o professor um período
para analisar uma rede social. Para o trabalho não ser
exaustivo, sugerimos algo em torno de dois ou três dias.
hu
tte
rs
to
ck
que a atividade
/S

pode contribuir
m
Ti
lia
Individualmente, cada um de vocês escolhe uma rede social Ju

a vida e a obra do para ser analisada. É importante que todos, ou a maioria de vocês,
participem dessa rede. O trabalho proposto com essa primeira rede

autor do texto em
social poderá ser feito com outras redes, posteriormente.

A turma deve construir uma tabela conforme o modelo a seguir. Ela pode ser Práticas de produção para o
elaborada por meio de aplicativo de edição coletiva de textos ou de planilhas. É

estudo.
importante que todos da turma tenham acesso ao documento e possam editá-lo
para inserir os dados que serão coletados.
de textos – seção que desenvolvimento
Curti Comentei Compartilhei Por quê?

compreende a produção do raciocínio


Diariamente, cada um de vocês vai escolher um momento do dia para registrar
na tabela as interações que realizou na rede social. Se você se esquecer de oral e a produção escrita, lógico, por meio
alguma, não há problema.

Vocês não precisam copiar, na tabela, o conteúdo exato da postagem com


que interagiram; basta apenas indicá-lo de forma resumida. Também não é
retomando estudos feitos do pensamento
necessário identificar-se individualmente, porque o objetivo desta atividade é
analisar o conteúdo, e não apontar quem curtiu/comentou/compartilhou.
ao longo do capítulo. computacional.
Depois de terminado o período de investigação e com todos os registros da
turma reunidos na tabela, é o momento de vocês analisarem os dados. Para isso,
leiam atentamente a tabela, revejam as interações realizadas e discutam, com a
ajuda do professor, sobre algumas questões como as sugeridas a seguir.
a. Que tipos de conteúdos foram mais curtidos? O que levou vocês a escolhe-

Palavras em liberdade – seção rem curtir esses conteúdos e não outros?


b. Quando vocês comentam postagens de outras pessoas da rede, por que o

que se encontra ao final


fazem?
c. Você conhecia com propriedade o conteúdo de seus compartilhamentos?
O que levou você a “compartilhar”?

da unidade e que contém Finalizadas as discussões, registre no caderno o que você e os colegas
concluíram dessa análise.

sugestões de trabalho para Temas contemporâneos – propõe


você e os colegas divulgarem à
98
uma reflexão sobre um tema
comunidade as produções feitas contemporâneo transversal relacionado
ao longo dos capítulos. à discussão sugerida na seção.
Meu portfólio – seção que
encerra cada unidade, propondo
uma autoavaliação por meio TEMAS CONTEMPORÂNEOS

PA LAVR AS DA DE da retomada dos objetivos de Envelhecimento


EM LIB ER
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
aprendizagem dos capítulos, Em nosso país, as pessoas estão vivendo por mais tempo cada vez mais, graças a alguns fatores, es-
pecialmente: hoje em dia muitos cuidam mais da saúde, circulam de forma mais ampla informações a
respeito de possíveis problemas de saúde na terceira idade e há a intensificação do desenvolvimento
Mundo do trabalho: diálogo com especialistas tecnológico. Como consequência, a população idosa já representa quase 15% da população brasileira,

Ao longo dos dois capítulos desta unidade, você e os colegas puderam iniciar uma reflexão
sobre um tema essencial na vida dos jovens: o mundo do trabalho e a escolha das profissões con-
dos registros feitos no diário de segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Observe atentamente o gráfico a seguir, que, em estudos estatísticos populacionais, é chamado de
pirâmide etária.
siderando seu projeto de vida.
Em nossa sociedade, o que diz respeito ao mundo do trabalho tem papel fundamental na vida
bordo e das produções e demais População residente, segundo o sexo e os grupos de idade (%)

Reprodução/IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


dos cidadãos, pois possibilita uma maneira de participação social e de obter independência finan-
ceira. Por essa razão, é quase certo que as pessoas que fazem parte de sua família ou as de sua co- 80 anos ou mais

munidade desenvolvam ou já tenham desenvolvido alguma atividade ligada ao mundo do trabalho.


atividades guardadas no portfólio. 75 a 79 anos

70 a 74 anos
Homens Mulheres
Eduardo Zappia/Pulsar Imagens

Gorodenkoff/Shutterstock

65 a 69 anos

60 a 64 anos

55 a 59 anos

50 a 54 anos

45 a 49 anos

40 a 44 anos

35 a 39 anos

MEU PORT FÓLIO


NÃO ESCREVA 30 a 34 anos
NESTE LIVRO. 25 a 29 anos

Homem em colheita de plantação orgânica em Líder de projeto de engenharia fazendo uma exposição 20 a 24 anos
Em Viagens, você e os colegas trabalharam relatos de viagem e diários pessoais, puderam per-
comunidade Quilombola, em Garopaba (SC), 2020. para um grupo de cientistas. 15 a 19 anos
ceber que relatar é uma prática que faz parte do cotidiano, ajudando a retomar e a reorganizar o
10 a 14 anos
que é vivido. Produziram exposições orais e puderam considerar os elementos que fazem parte
Dmitry Kalinovsky/Shutterstock

Lubo Ivanko/Shutterstock

5 a 9 anos
dessa produção: verbais, icônicos, gestuais, entre outros. Leram produções literárias inspiradas
0 a 4 anos
em viagens e refletiram sobre elas e sobre seu sentido no mundo em que vivem.
4,0 2,0 0,0 2,0 4,0

2012 2019
O portfólio com as produções
Fonte: IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua 2012/2019. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18318-piramide-etaria.html.
Conforme lembrado ao longo dos capítulos, em seu portfólio, você colecionou as produções Acesso em: 15 jul. 2020.
de texto desenvolvidas na unidade. É importante rever todas as versões de uma mesma produ-
Analise comparativamente os dados dos dois momentos apresentados no gráfico, 2012 e 2019. Ob-
ção, para que você possa, ao final do trabalho, perceber seu aprimoramento. Consulte a página
serve que as barras dispostas horizontalmente na pirâmide representam a porcentagem populacional
37 para rever as informações sobre sua organização.
de cada uma das faixas etárias indicadas no eixo vertical do gráfico. Os períodos, 2012 e 2019, estão
Ao indicar a data de cada produção, conforme orientado, você terá condições de verificar, ago- diferenciados por cores, conforme a legenda. Responda no caderno às questões propostas a seguir.
ra, sua história de aprendizagem dos gêneros trabalhados e perceber quais aspectos da produção
Homens trabalhando em túnel de metrô. Fisioterapeuta em atendimento. Compare a população de 2012 e de 2019 por faixa etária. A partir de qual faixa etária se
de textos desenvolveu e aperfeiçoou. Essa diretriz será útil para a autoavaliação proposta a seguir.
Este é o momento de você refletir sobre seus processos de produção e suas aprendizagens. registrou aumento em 2019?
1 Com a ajuda do professor, você e os colegas de classe vão conversar sobre as atividades
Para organizar o trabalho, considere os passos a seguir. Considerando a diferença no gráfico entre os sexos, em qual grupo há mais idosos? Explique.
profissionais desenvolvidas por pessoas da comunidade (pais ou responsáveis, parentes, vi-
zinhos, etc.) e elaborar uma lista de profissões existentes e das pessoas da comunidade que Converse com os colegas e, com a ajuda do professor, discutam oralmente: levando em
as exercem.
A autoavaliação das aprendizagens consideração suas leituras em geral e seus estudos escolares a respeito das condições de
vida da população brasileira, como vocês explicam a diferença populacional entre homens e
2 Em seguida, reúna-se com os colegas em pequenos grupos. Elejam algumas das atividades mulheres no grupo dos idosos?
citadas – pode ser, por exemplo, aquelas que, por alguma razão, chamaram a atenção por
não serem comuns ou porque quase ninguém suspeitasse da existência delas. O grupo deve
Passo 1 Diante da tendência de envelhecimento populacional apresentada pelo gráfico, por que é
importante nos preocuparmos com saúde, bem-estar e qualidade de vida desde a juventude?
então fazer o seguinte:
Modelo de quadro de autoavaliação
Escolher uma dessas atividades profissionais. 163
No caderno, construa um quadro que o ajudará a avaliar suas aprendizagens. Tome por base
os objetivos de aprendizagem de cada capítulo indicados no início da unidade e as anotações de
270 seu diário de bordo. Veja um exemplo.

Autoavaliação – Viagens

O que fazer para


Avancei Preciso rever melhorar e consolidar as
aprendizagens?
Exemplo: A análise
do gênero exposição NÃO ESCREVA
oral, compreendendo NESTE LIVRO.
seu funcionamento
composicional e
discursivo, para poder CLUBE DE LEITURA

Para recordar – retoma Capítulo 1 Aprendizagens produzi-lo em situações


de comunicação
variadas.
O passeio pelo gênero lírico apenas começou nesta seção. O espaço do livro didático é in-
finitamente pequeno para conter a poética da língua portuguesa. Então, a proposta é que
você e os colegas selecionem outras obras, dos poetas aqui indicados e de outros e orga-

conceitos e noções da
Capítulo 1: seção
Práticas de produção
de texto, item Produção
oral, atividades 32 e 33.
nizem sessões de leituras poéticas na escola. Para isso, façam o seguinte:
Com dois ou três colegas, forme um grupo. Em livros e sites que trazem informações sobre
a literatura dos países de língua portuguesa, o grupo vai pesquisar poetas representativos
Clube de leitura –
linguagem desenvolvidos Capítulo 2
de determinado país e século, entre os que são mencionados nesses veículos.
Selecionem alguns dos poemas de cada autor, tendo em vista as temáticas que eles
costumam apresentar.
sugere atividades
ao longo do Ensino 84
Considerando essa seleção, organizem as sessões de leituras poéticas, em que os
poemas pesquisados possam ser lidos, declamados e comentados.
Pode ser interessante convidar outras turmas para participar dessa conversa.
ligadas ao
Fundamental.
E, por que não, vocês poderão ler as próprias produções poéticas. Certamente,
há entre os estudantes da escola muitos que escrevem poesia, música, e outras
composições líricas.
compartilhamento de
Práticas de produção de textos
preferências literárias
Assim, se você combinar o aspecto semântico com o enunciativo, sua compreensão desse
fenômeno de linguagem poderá ficar completa, e você perceberá mais facilmente seus diferentes
PRODUÇÃO ORAL e voltadas para a
empregos nos textos.
24 Um importante recurso que pode auxiliar no estabelecimento das relações lógicas de sentido
no texto é o emprego de articuladores lógico-relacionais.
Interação dialogal (II)
No capítulo anterior, você viu que há dois tipos de diálogos: em presença (quando os interlo-
cutores mantêm contato visual) e em ausência. Em ambos os casos, há pelo menos duas carac-
formação do gosto
a. Retorne ao texto e localize outras ocorrências de palavras que, na sua opinião, funcionam como
articuladores lógico-relacionais.
b. Discuta com os colegas e o professor para tentar chegar a um acordo sobre o tipo de relação
terísticas marcantes:
A existência de um meio material de comunicação.
A existência de rituais implicados na tomada das palavras pelos interlocutores.
pela leitura literária.
lógica e de sentido que os articuladores lógico-relacionais estabelecem.
c. Registrem as conclusões no caderno.
O boxe retoma Esses “rituais”, nos estudos de oralidade, são chamados de protocolos de interação dialogal. Ocor-
rem em qualquer interação verbal, mas são particularmente evidentes nos momentos de troca de
turnos, ou seja, quando um interlocutor cede a palavra ao outro, ou quando ele tem a sua vez de fala
PARA RECORDAR “roubada”, o que costumamos chamar, tecnicamente, de assalto do turno.
Os articuladores lógico-relacionais são palavras ou expressões responsáveis pela coesão sequencial nos
textos, isto é, estabelecem relações de sentido entre as partes, ao mesmo tempo que conectam umas
os recursos No caso dos diálogos em ausência, os protocolos assumem uma importância muito grande, por-
que eles substituem a expressão mimogestual e cinésica presente nos diálogos em presença. Ob-
serve alguns exemplos:
às outras. As classes de palavras que, em geral, funcionam como articuladores lógico-relacionais são as
conjunções e alguns tipos de advérbio, preposição e pronome, mas há outras classes de palavras que podem
ter essa função, dependendo da situação de uso.
Leia alguns exemplos do texto:
discursivos e as 1. Diálogo entre mãe e filho: o filho está no banheiro, de portas fechadas; a mãe está do lado de fora. Nessa
situação, a elevação do volume vocal é suficiente para que os interlocutores dialoguem, ao permitir que o filho
ouça a voz da mãe e vice-versa.
“Daí [consequência] outras estruturas cerebrais que guardam uma espécie de mapa do corpo apontam: foi
ali o golpe, bem na panturrilha! E [conclusão] você fica sabendo exatamente onde está o seu padecer. Por
isso, [consequência] não vai levar as mãos ao rosto, como se [causa hipotética] tivesse recebido um soco
no nariz” linhas 26-31 .
características do 2. A conversa telefônica. Nessa situação, existe uma tecnologia de transmissão de dados de voz (o telefone)
mediando a interação.
Nessas mesmas situações, há protocolos linguageiros bem definidos:
“Apesar de [concessão] saudade, a palavra, só existir em bom português, ela é universal” linhas 36-37 .
gênero em estudo, O diálogo entre mãe e filho só começa quando um dos dois sinalizar, por meio de um gesto
sonoro, o início da conversa. Esse gesto pode variar: uma batida na porta, o uso de uma
expressão vocativa, uma interjeição ou uma marca de modalização, como a interrogação. A
pequena pausa sonora após esse gesto sinalizará ao outro interlocutor que ele deve tomar
TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Textos como o do blogue da Lúcia Helena são chamados textos de divulgação científica (ou
textos de vulgarização científica ou, ainda, textos de popularização de ciências). Elaborados
que é indicado no a palavra e dizer algo. O canal de diálogo se estabeleceu e a interação dialogal prossegue.
A conversa telefônica só se inicia quando aquele que atende o telefone diz alguma coisa.
para explicar conceitos, noções e teorias científicas a um leitor leigo, ou seja, que não está
familiarizado com teorias específicas e jargões próprios de certa ciência. Podem assumir varia-
das formas, ser publicados em diferentes publicações e portadores, ser orais ou escritos. Cir-
culam tanto na esfera jornalística (como no caso do texto de Lúcia Helena) quanto em outras
título do boxe. É comum, no Brasil, dizer “Alô”, “Pronto”, ou outra forma qualquer de identificação (o
próprio nome, o nome da instituição que se representa, etc.). Cada lugar tem a própria

esferas e têm muitas relações com textos didáticos, como verbetes de enciclopédias. 264
Algumas de suas características são: a presença mínima de termos científicos (só são menciona-
dos quando fazem parte dos conceitos e das noções que precisam realmente ser explicados); o
amplo uso de linguagem figurada (metáforas, comparações, personificações, etc.) e a aproxima-
ção da linguagem do leitor suposto (às vezes, como vimos, com amplo uso de registros informais);
o apoio em extensa exemplificação e a natureza explicativo-argumentativa (os autores desses
textos, ao mesmo tempo que explicam a ciência para leigos, procuram convencê-los da validade
das teorias expostas). Por essa razão, são comuns nesses textos a projeção explícita do enunciador
e do enunciatário (você pôde notar que, no texto de Lúcia Helena, isso se manifesta pelas modali-
zações elocutivas e alocutivas) e um modo de organização argumentativo (apresentação de uma
hipótese ou um problema, argumentação-exposição e formulação de conclusões).
O uso de formas de citação, por exemplo, o discurso relatado, é comum quando esses textos

RECEPÇÃO PRODUÇÃO MEDIAÇÃO INTERAÇÃO


circulam na esfera jornalística, como no caso do texto lido, porque a palavra dos especialistas
é convocada do mesmo modo que é feito nas reportagens em geral, como argumentos de
autoridade, cuja função é tornar o conteúdo do texto confiável.

25 Por tudo o que foi estudado até este ponto do capítulo, você já deve ter percebido
que o esboço de explicações de alguns termos que escreveu em Situação inicial é
um estudo para a produção de um texto de divulgação científica. Agora, com base
nas características desse gênero estudadas até aqui, retome o esboço escrito no
início do capítulo e faça o que se pede a seguir.
PORTFÓLIO
Os selos de recepção, produção, mediação e interação indicam
165 estratégias de ação, associadas às práticas de linguagem.

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 5 9/28/20 12:42 PM


BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR:
O DOCUMENTO DAS APRENDIZAGENS
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que defi-
Competência:
ne as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem adquirir “Na BNCC, competência
na Educação Básica. O desenvolvimento dessas aprendizagens é proposto é definida como
a mobilização de
por meio de competências.
conhecimentos
O documento define dez competências gerais a serem trabalhadas ao (conceitos e
longo da Educação Básica. São elas: procedimentos),
habilidades (práticas,
cognitivas e
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA socioemocionais),
atitudes e valores para
resolver demandas
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo
complexas da vida
físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar cotidiana, do pleno
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática exercício da cidadania
e inclusiva. e do mundo do
trabalho.” (BRASIL,
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, in-
2018, p. 8.)
cluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para
investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar
soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais,
e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita),
corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artísti-
ca, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências,
ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao en-
tendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de
forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo
as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhe-
cimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e
coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conheci-
mentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo
do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de
vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, nego-
ciar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam
os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em
âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de
si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreenden-
do-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com
autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se
respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhi-
mento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes,
identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resi-
liência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democrá-
ticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 9-10.

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 6 9/28/20 12:42 PM


O ENSINO MÉDIO NA BNCC
A BNCC sinaliza que a etapa final da Educação Básica, o Ensino Médio, tem o objetivo de con-
solidar, aprofundar e ampliar as aprendizagens do Ensino Fundamental e contemplar as necessi-
dades de formação geral e integral dos estudantes para que possam exercer sua atuação cidadã
e participar do mundo do trabalho.
Para concretizar esses objetivos, o documento organiza as aprendizagens do Ensino Médio em
quatro áreas do conhecimento:
• Linguagens e suas Tecnologias: reúne os componentes Arte, Educação Física, Língua Inglesa
e Língua Portuguesa.
• Matemática e suas Tecnologias: contempla conhecimentos de Números, Álgebra, Geometria,
Grandezas e Medidas, Probabilidade e Estatística.
• Ciências da Natureza e suas Tecnologias: formada pelos componentes Biologia, Física e Química.
• Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: integrada por Filosofia, Geografia, História e Sociologia.
Cada uma dessas áreas tem competências específicas e habilidades que compreendem as
aprendizagens que devem ser trabalhadas. Desses componentes, dois são obrigatórios durante
os três anos de Ensino Médio: Língua Portuguesa e Matemática, que têm então habilidades es-
pecíficas.
Este livro é voltado para o ensino da Língua Portuguesa durante esses três anos, considerando
a articulação desse componente dentro da área de Linguagens e suas Tecnologias. Por isso, a
obra prioriza o desenvolvimento das 54 habilidades específicas de Língua Portuguesa, organi-
zadas em campos de atuação social. Ao mesmo tempo, faz articulações com as competências
específicas da área a que pertence e suas habilidades.
Cada habilidade é identificada por um código alfanumérico com a seguinte composição:

EM 13 LGG 1 01
EM: Ensino Médio 01: número da habilidade

13: 3 anos do curso 1: número da competência específica

LGG: área de conhecimento – Linguagens e suas Tecnologias ou


LP: Língua Portuguesa

As competências específicas e as habilidades procuram garantir que, passo a passo, ao longo


da Educação Básica, você acione aprendizagens nas diferentes áreas do conhecimento1 e, com
isso, desenvolva as dez competências gerais da Educação Básica, a fim de estar apto a resolver
demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
Ao final do Ensino Médio, portanto, é importante que você reflita sobre essas conquistas e so-
bre os próximos passos que o conduzirão às aspirações que fazem parte de seu projeto de vida.
As competências específicas e habilidades da área de Linguagens e suas Tecnologias, descri-
tas a seguir, referem-se às práticas de linguagem que se manifestam em diversos contextos de
cada campo de atuação social.

1
Para mais detalhes sobre habilidades e competências da área de Linguagens e suas Tecnologias, assim como sobre competências e ha-
bilidades de outras áreas do conhecimento, consulte o documento da Base Nacional Comum Curricular na íntegra. Disponível em: http://
basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 8 maio 2020.

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 7 9/28/20 12:42 PM


ÁREA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS:
COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS E HABILIDADES
1. Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas culturais (artísticas, corporais e verbais) e
mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social
e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de
explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo.

Habilidades
(EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes lin-
guagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos.
(EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos
discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e
intervenção crítica da/na realidade.
(EM13LGG103) Analisar o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos
em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras, gestuais).
(EM13LGG104) Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreen-
são e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social.
(EM13LGG105) Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas,
multimídia e transmídia, desenvolvendo diferentes modos de participação e intervenção social.

2. Compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de lingua-
gem, respeitando as diversidades e a pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmente com base em princípios
e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando o autoconhecimento, a
empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e combatendo preconceitos de qualquer natureza.

Habilidades
(EM13LGG201) Utilizar as diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais) em diferentes contextos, valo-
rizando-as como fenômeno social, cultural, histórico, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso.
(EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas
práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam,
constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
(EM13LGG203) Analisar os diálogos e os processos de disputa por legitimidade nas práticas de linguagem
e em suas produções (artísticas, corporais e verbais).
(EM13LGG204) Dialogar e produzir entendimento mútuo, nas diversas linguagens (artísticas, corporais e
verbais), com vistas ao interesse comum pautado em princípios e valores de equidade assentados na demo-
cracia e nos Direitos Humanos.

3. Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração, pro-
tagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos
de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo
responsável, em âmbito local, regional e global.

Habilidades
(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (ar-
tísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos
em diferentes contextos.
(EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em
diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação.
(EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opi-
niões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas.
(EM13LGG304) Formular propostas, intervir e tomar decisões que levem em conta o bem comum e os Di-
reitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global.
(EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de atuação social, política,
artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo princípios e objetivos dessa atuação
de maneira crítica, criativa, solidária e ética.

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 8 9/28/20 12:42 PM


4. Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, cultural, social, variável, heterogêneo e sensí-
vel aos contextos de uso, reconhecendo suas variedades e vivenciando-as como formas de expressões identitá-
rias, pessoais e coletivas, bem como agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza.
Habilidades
(EM13LGG401) Analisar criticamente textos de modo a compreender e caracterizar as línguas como fenô-
meno (geo)político, histórico, social, cultural, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso.
(EM13LGG402) Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de língua adequados à situação
comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso, respeitando os usos das línguas por esse(s)
interlocutor(es) e sem preconceito linguístico.

5. Compreender os processos de produção e negociação de sentidos nas práticas corporais, reconhecendo-as e


vivenciando-as como formas de expressão de valores e identidades, em uma perspectiva democrática e de res-
peito à diversidade.
Habilidades
(EM13LGG501) Selecionar e utilizar movimentos corporais de forma consciente e intencional para interagir
socialmente em práticas corporais, de modo a estabelecer relações construtivas, empáticas, éticas e de res-
peito às diferenças.
(EM13LGG502) Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas
corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos
humanos e valores democráticos.
(EM13LGG503) Vivenciar práticas corporais e significá-las em seu projeto de vida, como forma de autoco-
nhecimento, autocuidado com o corpo e com a saúde, socialização e entretenimento.

6. Apreciar esteticamente as mais diversas produções artísticas e culturais, considerando suas características lo-
cais, regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e
(re)construir produções autorais individuais e coletivas, exercendo protagonismo de maneira crítica e criativa,
com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas.
Habilidades
(EM13LGG601) Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua
diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvol-
vendo visão crítica e histórica.
(EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais,
assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade.
(EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes
linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recor-
rendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais
e políticos) e experiências individuais e coletivas.
(EM13LGG604) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política e
econômica e identificar o processo de construção histórica dessas práticas.

7. Mobilizar práticas de linguagem no universo digital, considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas, éti-
cas e estéticas, para expandir as formas de produzir sentidos, de engajar-se em práticas autorais e coletivas, e
de aprender a aprender nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva.
Habilidades
(EM13LGG701) Explorar tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), compreendendo seus
princípios e funcionalidades, e utilizá-las de modo ético, criativo, responsável e adequado a práticas de lin-
guagem em diferentes contextos.
(EM13LGG702) Avaliar o impacto das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) na forma-
ção do sujeito e em suas práticas sociais, para fazer uso crítico dessa mídia em práticas de seleção, com-
preensão e produção de discursos em ambiente digital.
(EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção co-
letiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais.
(EM13LGG704) Apropriar-se criticamente de processos de pesquisa e busca de informação, por meio de
ferramentas e dos novos formatos de produção e distribuição do conhecimento na cultura de rede.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 490.
A BNCC propõe o estudo na área de Linguagens e suas Tecnologias considerando cinco cam-
pos de atuação social para contextualizar as práticas de linguagem e possibilitar reflexões sobre
cultura, práticas cidadãs, trabalho e continuação dos estudos.

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 9 9/28/20 12:42 PM


LÍNGUA PORTUGUESA
Os campos de atuação social contextualizam também as habilidades especí-
ficas de Língua Portuguesa, que este livro vai procurar ajudar você a acionar ao
longo do Ensino Médio. Em cada quadro a seguir, você poderá observar essas
relações assim como as competências específicas (CE) favorecidas por meio do
desenvolvimento das habilidades.

Habilidades de Língua Portuguesa nos campos de atuação social


Todos os campos de atuação social
• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com
suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/
audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, 2
época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção
de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.

(EM13LP02) Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção


como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do
gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos
diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua pro- 1
gressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de
produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou conse-
quência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).

(EM13LP03) Analisar relações de intertextualidade e interdiscursividade que per-


mitam a explicitação de relações dialógicas, a identificação de posicionamentos
1
ou de perspectivas, a compreensão de paráfrases, paródias e estilizações, entre
outras possibilidades.

(EM13LP04) Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para


explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e
1
corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devida-
mente marcadas.

(EM13LP05) Analisar, em textos argumentativos, os posicionamentos assumidos,


os movimentos argumentativos (sustentação, refutação/ contra-argumentação e
negociação) e os argumentos utilizados para sustentá-los, para avaliar sua força 3
e eficácia, e posicionar-se criticamente diante da questão discutida e/ou dos ar-
gumentos utilizados, recorrendo aos mecanismos linguísticos necessários.

(EM13LP06) Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da lin-


guagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação,
1
combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibi-
lidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.

(EM13LP07) Analisar, em textos de diferentes gêneros, marcas que expressam


a posição do enunciador frente àquilo que é dito: uso de diferentes modalida-
des (epistêmica, deôntica e apreciativa) e de diferentes recursos gramaticais que
operam como modalizadores (verbos modais, tempos e modos verbais, expres-
sões modais, adjetivos, locuções ou orações adjetivas, advérbios, locuções ou 1
orações adverbiais, entonação etc.), uso de estratégias de impessoalização (uso
de terceira pessoa e de voz passiva etc.), com vistas ao incremento da com-
preensão e da criticidade e ao manejo adequado desses elementos nos textos
produzidos, considerando os contextos de produção.

(EM13LP08) Analisar elementos e aspectos da sintaxe do português, como a


ordem dos constituintes da sentença (e os efeito que causam sua inversão), a
estrutura dos sintagmas, as categorias sintáticas, os processos de coordenação e
1
subordinação (e os efeitos de seus usos) e a sintaxe de concordância e de regên-
cia, de modo a potencializar os processos de compreensão e produção de textos
e a possibilitar escolhas adequadas à situação comunicativa.

10

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 10 9/28/20 12:42 PM


Habilidades CE
(EM13LP09) Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas
gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais,
de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação 4
linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-
-padrão na escola.

(EM13LP10) Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes ní-


veis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-prag-
mática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional,
ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza 4
viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades lin-
guísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades
linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.

(EM13LP11) Fazer curadoria de informação, tendo em vista diferentes propósitos


7
e projetos discursivos.

(EM13LP12) Selecionar informações, dados e argumentos em fontes confiáveis,


impressas e digitais, e utilizá-los de forma referenciada, para que o texto a ser
1, 7
produzido tenha um nível de aprofundamento adequado (para além do senso
comum) e contemple a sustentação das posições defendidas.

(EM13LP13) Analisar, a partir de referências contextuais, estéticas e culturais,


efeitos de sentido decorrentes de escolhas de elementos sonoros (volume, tim-
bre, intensidade, pausas, ritmo, efeitos sonoros, sincronização etc.) e de suas 1
relações com o verbal, levando-os em conta na produção de áudios, para ampliar
as possibilidades de construção de sentidos e de apreciação.

(EM13LP14) Analisar, a partir de referências contextuais, estéticas e culturais,


efeitos de sentido decorrentes de escolhas e composição das imagens (enqua-
dramento, ângulo/vetor, foco/profundidade de campo, iluminação, cor, linhas,
formas etc.) e de sua sequenciação (disposição e transição, movimentos de câ-
mera, remix, entre outros), das performances (movimentos do corpo, gestos, 1
ocupação do espaço cênico), dos elementos sonoros (entonação, trilha sonora,
sampleamento etc.) e das relações desses elementos com o verbal, levando em
conta esses efeitos nas produções de imagens e vídeos, para ampliar as possibi-
lidades de construção de sentidos e de apreciação.

(EM13LP15) Planejar, produzir, revisar, editar, reescrever e avaliar textos escritos


e multissemióticos, considerando sua adequação às condições de produção do
texto, no que diz respeito ao lugar social a ser assumido e à imagem que se pre-
tende passar a respeito de si mesmo, ao leitor pretendido, ao veículo e mídia em
que o texto ou produção cultural vai circular, ao contexto imediato e sócio-histó- 1, 3
rico mais geral, ao gênero textual em questão e suas regularidades, à variedade
linguística apropriada a esse contexto e ao uso do conhecimento dos aspectos
notacionais (ortografia padrão, pontuação adequada, mecanismos de concor-
dância nominal e verbal, regência verbal etc.), sempre que o contexto o exigir.

(EM13LP16) Produzir e analisar textos orais, considerando sua adequação aos


contextos de produção, à forma composicional e ao estilo do gênero em ques-
tão, à clareza, à progressão temática e à variedade linguística empregada, como
1, 4
também aos elementos relacionados à fala (modulação de voz, entonação, ritmo,
altura e intensidade, respiração etc.) e à cinestesia (postura corporal, movimentos
e gestualidade significativa, expressão facial, contato de olho com plateia etc.).

(EM13LP17) Elaborar roteiros para a produção de vídeos variados (vlog, video-


clipe, videominuto, documentário etc.), apresentações teatrais, narrativas multi-
3, 7
mídia e transmídia, podcasts, playlists comentadas etc., para ampliar as possibi-
lidades de produção de sentidos e engajar-se em práticas autorais e coletivas.

(EM13LP18) Utilizar softwares de edição de textos, fotos, vídeos e áudio, além de


ferramentas e ambientes colaborativos para criar textos e produções multisse-
mióticas com finalidades diversas, explorando os recursos e efeitos disponíveis 7
e apropriando-se de práticas colaborativas de escrita, de construção coletiva do
conhecimento e de desenvolvimento de projetos.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 506-509.

11

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 11 9/28/20 12:42 PM


Campo da vida pessoal
• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP19) Apresentar-se por meio de textos multimodais diversos (perfis va-
riados, gifs biográficos, biodata, currículo web, videocurrículo etc.) e de ferra-
3
mentas digitais (ferramenta de gif, wiki, site etc.), para falar de si mesmo de
formas variadas, considerando diferentes situações e objetivos.

(EM13LP20) Compartilhar gostos, interesses, práticas culturais, temas/proble-


mas/questões que despertam maior interesse ou preocupação, respeitando e va-
2, 3
lorizando diferenças, como forma de identificar afinidades e interesses comuns,
como também de organizar e/ou participar de grupos, clubes, oficinas e afins.

(EM13LP21) Produzir, de forma colaborativa, e socializar playlists comentadas de


preferências culturais e de entretenimento, revistas culturais, fanzines, e-zines ou
publicações afins que divulguem, comentem e avaliem músicas, games, séries, 1, 6
filmes, quadrinhos, livros, peças, exposições, espetáculos de dança etc., de forma
a compartilhar gostos, identificar afinidades, fomentar comunidades etc.

(EM13LP22) Construir e/ou atualizar, de forma colaborativa, registros dinâmicos


(mapas, wiki etc.) de profissões e ocupações de seu interesse (áreas de atuação,
3
dados sobre formação, fazeres, produções, depoimentos de profissionais etc.)
que possibilitem vislumbrar trajetórias pessoais e profissionais.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 511.

Campo de atuação na vida pública


• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP23) Analisar criticamente o histórico e o discurso político de candidatos,
propagandas políticas, políticas públicas, programas e propostas de governo, de for- 1, 7
ma a participar do debate político e tomar decisões conscientes e fundamentadas.

(EM13LP24) Analisar formas não institucionalizadas de participação social, so-


bretudo as vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, interven-
ções urbanas e formas de expressão típica das culturas juvenis que pretendam 1
expor uma problemática ou promover uma reflexão/ação, posicionando-se em
relação a essas produções e manifestações.
(EM13LP25) Participar de reuniões na escola (conselho de escola e de classe, grê-
mio livre etc.), agremiações, coletivos ou movimentos, entre outros, em debates,
assembleias, fóruns de discussão etc., exercitando a escuta atenta, respeitando seu
turno e tempo de fala, posicionando-se de forma fundamentada, respeitosa e ética
diante da apresentação de propostas e defesas de opiniões, usando estratégias
1, 2, 3
linguísticas típicas de negociação e de apoio e/ou de consideração do discurso
do outro (como solicitar esclarecimento, detalhamento, fazer referência direta ou
retomar a fala do outro, parafraseando-a para endossá-la, enfatizá-la, complemen-
tá-la ou enfraquecê-la), considerando propostas alternativas e reformulando seu
posicionamento, quando for caso, com vistas ao entendimento e ao bem comum.
(EM13LP26) Relacionar textos e documentos legais e normativos de âmbito uni-
versal, nacional, local ou escolar que envolvam a definição de direitos e deveres
– em especial, os voltados a adolescentes e jovens – aos seus contextos de pro- 1
dução, identificando ou inferindo possíveis motivações e finalidades, como forma
de ampliar a compreensão desses direitos e deveres.
(EM13LP27) Engajar-se na busca de solução para problemas que envolvam a co-
letividade, denunciando o desrespeito a direitos, organizando e/ou participando
de discussões, campanhas e debates, produzindo textos reivindicatórios, norma-
3
tivos, entre outras possibilidades, como forma de fomentar os princípios demo-
cráticos e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade, pelo consumo
consciente e pela consciência socioambiental.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 514.

12

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 12 9/28/20 12:42 PM


Campo das práticas de estudo e pesquisa
• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP28) Organizar situações de estudo e utilizar procedimentos e estratégias
3, 7
de leitura adequados aos objetivos e à natureza do conhecimento em questão.

(EM13LP29) Resumir e resenhar textos, por meio do uso de paráfrases, de mar-


cas do discurso reportado e de citações, para uso em textos de divulgação de 2, 3
estudos e pesquisas.

(EM13LP30) Realizar pesquisas de diferentes tipos (bibliográfica, de campo,


experimento científico, levantamento de dados etc.), usando fontes abertas
e confiáveis, registrando o processo e comunicando os resultados, tendo em
vista os objetivos pretendidos e demais elementos do contexto de produção, 7
como forma de compreender como o conhecimento científico é produzido e
apropriar-se dos procedimentos e dos gêneros textuais envolvidos na realiza-
ção de pesquisas.

(EM13LP31) Compreender criticamente textos de divulgação científica orais, es-


critos e multissemióticos de diferentes áreas do conhecimento, identificando sua
organização tópica e a hierarquização das informações, identificando e descar- 1
tando fontes não confiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou su-
perficiais.

(EM13LP32) Selecionar informações e dados necessários para uma dada pesqui-


sa (sem excedê-los) em diferentes fontes (orais, impressas, digitais etc.) e com-
parar autonomamente esses conteúdos, levando em conta seus contextos de
produção, referências e índices de confiabilidade, e percebendo coincidências, 7
complementaridades, contradições, erros ou imprecisões conceituais e de dados,
de forma a compreender e posicionar-se criticamente sobre esses conteúdos e
estabelecer recortes precisos.

(EM13LP33) Selecionar, elaborar e utilizar instrumentos de coleta de dados e


informações (questionários, enquetes, mapeamentos, opinários) e de tratamen-
3
to e análise dos conteúdos obtidos, que atendam adequadamente a diferentes
objetivos de pesquisa.

(EM13LP34) Produzir textos para a divulgação do conhecimento e de resultados


de levantamentos e pesquisas – texto monográfico, ensaio, artigo de divulgação
científica, verbete de enciclopédia (colaborativa ou não), infográfico (estático ou
animado), relato de experimento, relatório, relatório multimidiático de campo, re-
portagem científica, podcast ou vlog científico, apresentações orais, seminários, 3
comunicações em mesas redondas, mapas dinâmicos etc. –, considerando o con-
texto de produção e utilizando os conhecimentos sobre os gêneros de divulga-
ção científica, de forma a engajar-se em processos significativos de socialização
e divulgação do conhecimento.

(EM13LP35) Utilizar adequadamente ferramentas de apoio a apresentações


orais, escolhendo e usando tipos e tamanhos de fontes que permitam boa visua-
lização, topicalizando e/ou organizando o conteúdo em itens, inserindo de forma
adequada imagens, gráficos, tabelas, formas e elementos gráficos, dimensionan- 7
do a quantidade de texto e imagem por slide e usando, de forma harmônica,
recursos (efeitos de transição, slides mestres, layouts personalizados, gravação
de áudios em slides etc.).

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 517-518.

13

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 13 9/28/20 12:42 PM


Campo jornalístico-midiático
• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP36) Analisar os interesses que movem o campo jornalístico, os impactos
das novas tecnologias digitais de informação e comunicação e da Web 2.0 no
campo e as condições que fazem da informação uma mercadoria e da checagem 2
de informação uma prática (e um serviço) essencial, adotando atitude analítica e
crítica diante dos textos jornalísticos.

(EM13LP37) Conhecer e analisar diferentes projetos editorias – institucionais, pri-


vados, públicos, financiados, independentes etc. –, de forma a ampliar o reper-
2
tório de escolhas possíveis de fontes de informação e opinião, reconhecendo o
papel da mídia plural para a consolidação da democracia.

(EM13LP38) Analisar os diferentes graus de parcialidade/imparcialidade (no li-


mite, a não neutralidade) em textos noticiosos, comparando relatos de diferentes
fontes e analisando o recorte feito de fatos/dados e os efeitos de sentido pro-
1, 2
vocados pelas escolhas realizadas pelo autor do texto, de forma a manter uma
atitude crítica diante dos textos jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas
feitas como produtor.

(EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos pu-


blicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL,
7
formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checado-
res etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news).

(EM13LP40) Analisar o fenômeno da pós-verdade – discutindo as condições e os


mecanismos de disseminação de fake news e também exemplos, causas e con-
sequências desse fenômeno e da prevalência de crenças e opiniões sobre fatos
2, 7
–, de forma a adotar atitude crítica em relação ao fenômeno e desenvolver uma
postura flexível que permita rever crenças e opiniões quando fatos apurados as
contradisserem.

(EM13LP41) Analisar os processos humanos e automáticos de curadoria que ope-


ram nas redes sociais e outros domínios da internet, comparando os feeds de di-
ferentes páginas de redes sociais e discutindo os efeitos desses modelos de cura- 7
doria, de forma a ampliar as possibilidades de trato com o diferente e minimizar o
efeito bolha e a manipulação de terceiros.

(EM13LP42) Acompanhar, analisar e discutir a cobertura da mídia diante de


acontecimentos e questões de relevância social, local e global, comparando di-
ferentes enfoques e perspectivas, por meio do uso de ferramentas de curadoria
(como agregadores de conteúdo) e da consulta a serviços e fontes de checagem
2
e curadoria de informação, de forma a aprofundar o entendimento sobre um
determinado fato ou questão, identificar o enfoque preponderante da mídia e
manter-se implicado, de forma crítica, com os fatos e as questões que afetam a
coletividade.

(EM13LP43) Atuar de forma fundamentada, ética e crítica na produção e no


compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião, memes, gifs, 7
remixes variados etc. em redes sociais ou outros ambientes digitais.

(EM13LP44) Analisar formas contemporâneas de publicidade em contexto di-


gital (advergame, anúncios em vídeos, social advertising, unboxing, narrativa
mercadológica, entre outras), e peças de campanhas publicitárias e políticas
(cartazes, folhetos, anúncios, propagandas em diferentes mídias, spots, jingles
etc.), identificando valores e representações de situações, grupos e configura-
1, 7
ções sociais veiculadas, desconstruindo estereótipos, destacando estratégias de
engajamento e viralização e explicando os mecanismos de persuasão utilizados
e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas feitas em termos de elementos
e recursos linguístico-discursivos, imagéticos, sonoros, gestuais e espaciais, entre
outros.

14

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 14 9/28/20 12:42 PM


Habilidades CE
(EM13LP45) Analisar, discutir, produzir e socializar, tendo em vista temas e
acontecimentos de interesse local ou global, notícias, fotodenúncias, fotorre-
portagens, reportagens multimidiáticas, documentários, infográficos, podcasts
noticiosos, artigos de opinião, críticas da mídia, vlogs de opinião, textos de apre-
sentação e apreciação de produções culturais (resenhas, ensaios etc.) e outros 1, 3
gêneros próprios das formas de expressão das culturas juvenis (vlogs e podcasts
culturais, gameplay etc.), em várias mídias, vivenciando de forma significativa o
papel de repórter, analista, crítico, editorialista ou articulista, leitor, vlogueiro e
booktuber, entre outros.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 521-522.

Campo artístico-literário
• Práticas: leitura, escuta, produção de textos (orais, escritos, multissemióticos) e análise lin-
guística/semiótica.

Habilidades CE
(EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos lite- 6
rários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as
coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a
perspectiva crítica.
(EM13LP47) Participar de eventos (saraus, competições orais, audições, mostras, 3, 6
festivais, feiras culturais e literárias, rodas e clubes de leitura, cooperativas cultu-
rais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive para socializar obras da própria autoria
(poemas, contos e suas variedades, roteiros e microrroteiros, videominutos, play-
lists comentadas de música etc.) e/ou interpretar obras de outros, inserindo-se
nas diferentes práticas culturais de seu tempo.
(EM13LP48) Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de 1, 6
constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitu-
ra e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura
portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos.
(EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gê- 1, 6
neros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação
livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva
da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da
literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de
apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
(EM13LP50) Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de di- 6
ferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de mo-
mentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em
geral se constituem, dialogam e se retroalimentam.
(EM13LP51) Selecionar obras do repertório artístico-literário contemporâneo à dis- 3
posição segundo suas predileções, de modo a constituir um acervo pessoal e dele
se apropriar para se inserir e intervir com autonomia e criticidade no meio cultural.
(EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros 1, 2
países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-ame-
ricana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição,
estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes
culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com
outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como
dialogam com o presente.
(EM13LP53) Produzir apresentações e comentários apreciativos e críticos sobre li- 1, 3
vros, filmes, discos, canções, espetáculos de teatro e dança, exposições etc. (resenhas,
vlogs e podcasts literários e artísticos, playlists comentadas, fanzines, e-zines etc.).
(EM13LP54) Criar obras autorais, em diferentes gêneros e mídias – mediante se- 1, 3
leção e apropriação de recursos textuais e expressivos do repertório artístico –, e/
ou produções derivadas (paródias, estilizações, fanfics, fanclipes etc.), como forma
de dialogar crítica e/ou subjetivamente com o texto literário.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. p. 525-526.

15

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 15 9/28/20 12:42 PM


Sumário

Estudo da língua portuguesa no Ensino Médio......................................................................................... 20


Práticas de línguagem ................................................. 20 “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa”,
“Baixinho”, de Gregório Duviviver ................................ 21 de Manoel de Barros ......................................................... 31
O diário de bordo.............................................................. 23 Habilidades de Língua Portuguesa ..................... 33
“A gente não curte quem curte bullying”,
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 26 cartaz de propaganda ...................................................... 33
Gêneros, práticas de linguagem e PARA FAZER E PENSAR ................................................. 35
campos de atuação social ........................................ 28 Objetivos de aprendizagem, portfólio e
“A família Bélier”, de Zeca Seabra ................................ 28 (auto)avaliação ................................................................ 37
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 29 Objetivos de aprendizagem ........................................ 37
“Dois projetos incluem Libras nos currículos
Portfólio ................................................................................. 37
escolares”, de Agência Senado...................................... 30

ViaGenS ......................................................................... 38 Produção oral – Exposição oral (I) ......................... 60


Produção escrita – Relato de viagem .................... 62
PERSPECTIVAS.................................................................. 40
UNIDADE

Terra dos homens, de Antoine de Saint-Exupéry ..... 41 CAPÍTULO 2: Diário pessoal.......................... 64


Situação inicial ................................................................. 64
CAPÍTULO 1: Relato de viagem .................. 42
Práticas de leitura........................................................... 65
Situação inicial ................................................................. 42
O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding ............ 65
Práticas de leitura........................................................... 43
Práticas de análise linguística ................................ 68
“Brasília”, de Beatriz Sarlo............................................... 44
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 69
Práticas de análise linguística ................................ 47
Práticas de leitura e análise literária ................. 70
Práticas de leitura e análise literária ................. 49
A literatura sob a inspiração de viagens .............. 70
Relatos de viagem sobre o Brasil ............................. 49
Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões ............................ 72
A carta de Pero Vaz de Caminha, de Pero Vaz
“O mostrengo”, de Fernando Pessoa........................... 74
49
de Caminha..........................................................................
“Mar português”, de Fernando Pessoa ........................ 74
Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden...................... 50
Os ratos, de Dyonelio Machado ..................................... 75
"O Corcovado", de Adèle Toussaint-Samson ............. 51
Práticas de produção de textos ............................ 78
Cultura letrada .................................................................... 54
“Os selvagens”, de Oswald de Andrade ...................... 54
Produção oral – Exposição oral (II) ......................... 78
Olhares sobre o Brasil ..................................................... 55 Produção escrita – Diário pessoal ............................ 80
Quarto de despejo: diário de uma favelada,
“A cada canto um grande conselheiro”,
de Carolina Maria de Jesus ............................................. 80
de Gregório de Matos ....................................................... 55
CLUBE DE LEITURA ......................................................... 81
O cortiço, de Aluísio Azevedo ........................................ 55
“Ladainha”, de Cassiano Ricardo .................................. 57 PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 82
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 57 Organizando um Caderno de viagens.................... 82
CULTURA DIGITAL ............................................................ 58 MEU PORTFÓLIO.............................................................. 84
Práticas de produção de textos ............................ 60

que as vozes femininas sejam ouvidas e respeitadas”,


RelaçõeS .................................................................... 86 de Grupo Mulheres do Brasil – Fortaleza .................... 92
PERSPECTIVAS..................................................................
UNIDADE

88 PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 93


“Grêmios estudantis voltam a crescer nos
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 94
colégios públicos”, de Elenilce Bottari ........................ 89
Práticas de análise linguística ................................ 95
CAPÍTULO 1: Manifesto ....................................... 90
CULTURA DIGITAL ............................................................ 98
Situação inicial ................................................................. 90
Práticas de leitura e análise literária ................. 99
Práticas de leitura........................................................... 91
“Manifesto pela erradicação da violência O gênero lírico em vozes contemporâneas ........ 99
contra a mulher”, de Susana de Souza ........................ 91 "Slam" é voz de identidade e resistência dos poetas
“Manifesto: Erradicação da violência contra a mulher, contemporâneos”, de Margareth Artur ....................... 99

16

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 16 9/28/20 12:42 PM


“O sistema é bruto, mas eu sou muito mais eu”, A literatura nas redes sociais ...................................... 118
100
de Anna Suav ...................................................................... “Ryane Leão lança livro com poemas sobre
“Coisa de preto”, de Cristal Rocha................................ 101 militância negra”, de Anna Laura Moura ..................... 118
“Poesia é palavra ilimitada”, de Carol Dall Farra....... 101 “meu silêncio”, de Ryane Leão....................................... 119
“Liberdade”, de Letícia Brito .......................................... 102 “você se aproxima”, de Ryane Leão ............................. 119
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 104 “você diz que é lindo me ver lutar”, de Ryane Leão... 120
Práticas de produção de textos ............................ 105 “da importância de encarar a si mesma”,
de Ryane Leão .................................................................... 120
Produção oral – Tomada de notas e
“nós olhamos o mesmo céu”, de Ryane Leão ........... 120
apresentação de slides................................................... 105
Poetrix ..................................................................................... 121
Produção escrita – Manifesto ..................................... 107
“(G)estações”, de Goulart Gomes ................................. 121
Redação de vestibular ...................................................... 108
“Felicidade possível”, de Goulart Gomes .................... 121
CAPÍTULO 2: Discurso político e “Doa-se”, de Lílian Maial .................................................. 121
carta de solicitação................................................ 110 “Essência”, de José Aparecido Cauneto ..................... 121
Situação inicial ................................................................. 110 Formas nanopoéticas...................................................... 122
Práticas de leitura........................................................... 111 “Ali, deitada, divagou:”, de Adriana Falcão ................ 122
“No Tribunal Superior Eleitoral, ao receber o PARA FAZER E PENSAR ................................................. 123
diploma de Presidente da República”, discurso Práticas de produção de textos ............................ 123
de posse do presidente Juscelino Kubitschek .......... 112
Produção oral – Leitura em voz alta ....................... 123
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 114
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 116
Produção escrita – Carta de solicitação ............... 126

Práticas de análise linguística ................................ 116 PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 128


Práticas de leitura e análise literária ................. 118 Caminhos de expressão e escuta na escola........ 128
MEU PORTFÓLIO.............................................................. 130

Natureza humana ....................................... 132 Práticas de leitura........................................................... 157


“Fui procurar o endereço da saudade e o encontrei
PERSPECTIVAS.................................................................. 134
UNIDADE

bem no meio do cérebro”, de Lúcia Helena ............... 158


Uma tarde de domingo na ilha de Grande Jatte, PARA FAZER E PENSAR ................................................. 161
de Georges Seurat ............................................................. 134 PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 162
“Vida, vida”, de Guilherme Maia, Moraes Moreira
TEMAS CONTEMPORÂNEOS ......................................... 163
e Zeca Barreto .................................................................... 135
Práticas de análise linguística ................................ 164
CAPÍTULO 1: Reportagem ............................... 136
Modalização ......................................................................... 164
Situação inicial ................................................................. 136 PARA FAZER E PENSAR ................................................. 166
Práticas de leitura........................................................... 138 Práticas de leitura e análise literária ................. 166
“Adolescentes que engravidam sofrem maior risco
de problemas físicos, psicológicos e sociais”, Romances e circulação da literatura no
de Juliana Conte ................................................................ 138 século XIX (II)...................................................................... 166
Memórias póstumas de Brás Cubas,
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 141
de Machado de Assis ........................................................ 167
Práticas de análise linguística ................................ 141 Românticos e realistas ................................................... 169
CULTURA DIGITAL ............................................................ 145 PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 170
Práticas de leitura e análise literária ................. 146 Escritoras no Brasil do século XIX ........................... 171
Romances e circulação da literatura Úrsula, de Maria Firmina dos Reis ................................. 171
no século XIX (I) ................................................................ 146 CLUBE DE LEITURA ......................................................... 172
A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo........... 148 Fanfics e circulação de textos literários ............... 173
CLUBE DE LEITURA ......................................................... 149 Práticas de produção de textos ............................ 174
Iracema, de José de Alencar .......................................... 150
Produção oral – Entrevista oral (II).......................... 174
Práticas de produção de textos ............................ 152
Produção escrita – Texto de divulgação
Produção oral – Entrevista oral (I) ........................... 152 científica................................................................................. 175
Produção escrita – Reportagem ............................... 154
PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 176
CAPÍTULO 2: Texto de divulgação Encontro de gerações..................................................... 176
científica ............................................................................ 156 MEU PORTFÓLIO.............................................................. 178
Situação inicial ................................................................. 156

17

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 17 9/28/20 12:42 PM


Sumário

OlhareS Sobre o futuro ..................... 180 CAPÍTULO 2: Artigo científico e


PERSPECTIVAS.................................................................. 182 relatório de pesquisa............................................ 205
UNIDADE

Ilustrações, de Jean Marc Coté ...................................... 182 Situação inicial ................................................................. 205
Práticas de leitura........................................................... 206
CAPÍTULO 1: Ensaio ............................................... 184 “ERICA: uso de telas e consumo de refeições e
Situação inicial ................................................................. 184 petiscos por adolescentes brasileiros”,
“Amazônia protege”, cartaz de propaganda ............. 184 de Juliana Souza Oliveira e outros................................ 206
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 211
Práticas de leitura........................................................... 185
“Preservar Amazônia é mais lucrativo que Práticas de análise linguística ................................ 211
desmatar, diz economista”, TEMAS CONTEMPORÂNEOS ......................................... 214
de Ricardo Abramovay .................................................... 185
Práticas de leitura e análise literária ................. 215
Práticas de análise linguística ................................ 191 As vanguardas europeias.............................................. 215
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 191 Futurismo ............................................................................. 215
Explicação e opinião ....................................................... 192 Cubismo................................................................................ 215
“Il pleult” (Chove), de Guillaume Apollinaire .............. 216
A questão polêmica e os pontos de vista............ 193
Dadaísmo ............................................................................. 216
Da explicação ao argumento ...................................... 194 “Receita de poema dadaísta”, de Tristan Tzara......... 216
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 195 Surrealismo .......................................................................... 217
CULTURA DIGITAL ............................................................ 196 “As realidades”, de Louis Aragon .................................. 217
Cultura remix ....................................................................... 217
Práticas de leitura e análise literária ................. 198
Práticas de produção de textos ............................ 219
O Simbolismo na literatura .......................................... 198
"Cristais", de Cruz e Sousa .............................................. 198 Produção oral – Debate regrado (II) ..................... 219
“Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens ...................... 201 Produção escrita – Relatório de pesquisa ........... 222
“Ocaso no mar”, de Cruz e Sousa ................................. 201 PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 224
Práticas de produção de textos ............................ 202 Meio ambiente e alimentação: questões
Produção oral – Debate regrado (I) ........................ 202 para se pensar o futuro .................................................. 224
Produção escrita – Ensaio ............................................ 204 MEU PORTFÓLIO.............................................................. 226

Mundo do trabalho ................................228 "Cantiga da Ribeirinha", de Paio


Soares de Taveirós ............................................................. 242
PERSPECTIVAS.................................................................. 230
UNIDADE

“Amor é fogo que arde sem se ver”,


“Quais são as profissões do futuro?”, de site............. 230 243
de Luís Vaz de Camões ....................................................
“As habilidades profissionais mais solicitadas do “Soneto de fidelidade”, de Vinícius de Morais........... 244
século XXI”, infográfico .................................................... 231 “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa ...................... 244
“Canção do exílio”, de Gonçalves Dias ........................ 245
CAPÍTULO 1: Relato de vida e
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 245
currículo............................................................................. 232 “Monólogo do índio”, de Thiago de Mello .................. 246
Situação inicial ................................................................. 232 Práticas de produção de textos ............................ 247
Práticas de leitura........................................................... 233 Produção oral – Interação dialogal (I) ................... 247
“Criadora da Feira Preta, Adriana Barbosa está
Produção escrita – Currículo....................................... 249
entre os 51 negros mais influentes do mundo”,
depoimento a Fernanda Frozza .................................... 234 CAPÍTULO 2: Texto legal e carta de
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 237
motivação ........................................................................ 252
Práticas de análise linguística ................................ 238 Situação inicial ................................................................. 252
Práticas de leitura e análise literária ................. 242 Práticas de leitura........................................................... 253
Passeio pela produção lírica portuguesa e “Educação promove concurso de redação para
brasileira................................................................................. 242 levar estudante e seu orientador ao aniversário

18

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 18 9/28/20 12:42 PM


da capital Federal”, notícia ............................................. 253 “Grito negro”, de José João Craveirinha ..................... 261
“Edital No 01, de 20 de fevereiro de 2020. Concurso de “O ovo de galinha”, de João Cabral de Melo Neto... 262
redação 'Brasília 60 anos de progresso', de Secretaria “Vem navio”, de Haroldo de Campos........................... 263
de Educação, Juventude e Esportes de Tocantins... 253
CLUBE DE LEITURA ......................................................... 264
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 256
Práticas de produção de textos ............................ 264
Práticas de análise linguística ................................ 256
Produção oral – Interação dialogal (II) .................. 264
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 257
Produção escrita – Carta de motivação ................ 265
Práticas de leitura e análise literária ................. 258 CULTURA DIGITAL ............................................................ 268
Passeio pela produção lírica do século XX
PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 270
em língua portuguesa ..................................................... 258
“Janela”, de Adélia Prado ................................................ 258 Mundo do trabalho: diálogo com especialistas ... 270
“José”, de Carlos Drummond de Andrade.................. 259 MEU PORTFÓLIO.............................................................. 272
“Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade ....... 260
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 260

Arte e vida ............................................................... 274 “Sete minutos depois da meia-noite.


O choro é livre. E genuíno”,
PERSPECTIVAS.................................................................. 276
UNIDADE

de Renato Hermsdorff ...................................................... 295


“Tentação”, de Clarice Lispector ................................... 276 CAPÍTULO 2: Conto................................................ 298
CAPÍTULO 1: Histórias dos indígenas Situação inicial ................................................................. 298
da Amazônia e resenha crítica ................... 278 “Noite de Natal”, de Malick Sidibé ................................ 298

Situação inicial ................................................................. 278 Práticas de leitura........................................................... 299


“O menino que escrevia versos”, de Mia Couto ........ 299
Práticas de leitura........................................................... 279
Apresentação, de Joaquim Mana Kaxinawá, para PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 302
o livro Shenipabu Miyui: história dos antigos, Práticas de análise linguística ................................ 302
organizado por professores indígenas do Acre ........ 279
CULTURA DIGITAL ............................................................ 305
“O sapo encantado”, da cultura Kaxinawá ................. 280
Práticas de leitura e análise literária ................. 306
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 282
Literaturas africanas de língua portuguesa ........ 306
Práticas de análise linguística ................................ 283
Literatura engajada .......................................................... 306
Práticas de leitura e análise literária ................. 284
Poesia ...................................................................................... 307
Mário de Andrade ............................................................. 284
“Voz do sangue”, de Agostinho Neto .......................... 307
Macunaíma, de Mário de Andrade ................................ 285
“Sou analfabeto”, de José Craveirinha......................... 308
PARA IR MAIS LONGE ..................................................... 286 “Em torno da minha baía”, de Alda Espírito Santo .. 308
Graciliano Ramos .............................................................. 286 Prosa ........................................................................................ 309
Vidas secas, de Graciliano Ramos ................................. 287 “A fronteira de asfalto”, de Luandino Vieira ............... 309
Guimarães Rosa ................................................................. 289 CLUBE DE LEITURA ......................................................... 311
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa ............. 290
Práticas de produção de textos ............................ 312
Além das fronteiras .......................................................... 290
Produção oral – Contação de história em vídeo... 312
“Janela sobre as máscaras”, de Eduardo Galeano ... 291
Produção escrita – Conto ............................................. 315
PARA FAZER E PENSAR ................................................. 292
PALAVRAS EM LIBERDADE ........................................ 316
Práticas de produção de textos ............................ 292
Produção oral – Tradição oral..................................... 292 Feira cultural ........................................................................ 316
CLUBE DE LEITURA ......................................................... 295 MEU PORTFÓLIO.............................................................. 318
Produção escrita – Resenha crítica ......................... 295

Referências bibliográficas comentadas .................................................................................................................. 320

19

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Iniciais_003a019_LE.indd 19 9/28/20 12:42 PM


ESTUDO DA Ug U E SA
O RT
LÍNgUA P S I NO M É D IO
NO EN Nas Orientações específicas deste
Manual, há indicação das competên-
cias e habilidades da BNCC favoreci-
das em cada seção, assim como ativi-
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DESTE CAPÍTULO dades complementares, comentários e
respostas mais extensas.

Aproximar-se de noções teóricas, como as de práticas de linguagem, gêneros textuais e


campos de atuação social, reconhecendo sua importância para o estudo da língua portuguesa
no Ensino Médio.
Compreender o que são as habilidades e de que maneira elas são apresentadas e trabalhadas
ao longo das unidades deste volume.
Compreender como funcionam e como são utilizados alguns dos instrumentos mobilizados
de forma recorrente nas unidades deste volume: o diário de bordo, o portfólio e o blogue da
turma. A proposta deste capítulo inicial é introduzir noções e conceitos que percorrem o conjunto das unidades deste volu-
me. Os roteiros de atividades sugeridos poderão facilmente ser adaptados a outros textos e situações e você poderá
sempre se valer da metodologia de trabalho aqui proposta para retomar com os estudantes essas noções, quando
considerar necessário.
Justificativa
Tendo em vista os objetivos apresentados, neste capítulo você vai poder se aproximar do modo como
a língua portuguesa será estudada ao longo deste volume, compreendendo as aprendizagens que se-
rão propostas por meio de diferentes seções ao longo do livro. Será possível também entender algu-
mas das noções teóricas que servem de base para a abordagem sugerida nas unidades, auxiliando-o
em seu percurso de aprendizagem durante o Ensino Médio.

1. Resposta pessoal.

Práticas de linguagem Verifique que informações os estudantes têm a respeito de bullying. Como se trata de
um tema que tem sido frequentemente abordado – na escola, pela mídia, em publi-
cações e livros variados voltados para a juventude –, é muito provável que já tenham
uma boa noção do que se trata. Além disso, a palavra tem sido amplamente incor-
porada ao vocabulário cotidiano, sendo de uso frequente até na linguagem coloquial.
A seguir, você e os colegas vão discutir um tema de bastante relevância no ambiente escolar:
o bullying. Além de debater o assunto, por meio de algumas ações, propostas nesta seção, você
vai entender de que maneira ocorrem algumas práticas de linguagem. Essas práticas serão de-
senvolvidas não apenas aqui e ao longo deste volume, mas em todas as situações de que você
participar, nas quais o uso da linguagem esteja envolvido.
1 Você sabe o que é bullying? Comente com os colegas e o professor sua percepção sobre esse
tema.
2 Especialistas afirmam que é importante que temas como esse sejam discutidos na escola,
com todos os estudantes e em todos os níveis.
a. Com base no que você já sabe sobre bullying, explique por que a discussão sobre esse tema
é importante. 2a. Respostas pessoais.
b. Em sua escola, há algum tipo de discussão sobre bullying? Em caso afirmativo, com que
frequência e como o tema é abordado? Em caso negativo, levante hipóteses sobre como
essa discussão poderia ocorrer nesse espaço de modo produtivo. 2b. Respostas pessoais.

3 De acordo com estudiosos, o bullying muitas vezes se concentra em alguma característica,


física ou comportamental, das vítimas que as faz se diferenciar do grupo (por exemplo, ser
mais alta ou mais baixa que a maioria, ou ser mais tímida ou mais extrovertida que a maioria).
Em sua opinião, por que isso ocorre? Respostas pessoais.
Depois de ter socializado as respostas das questões de 1 a 3 com os colegas, leia atentamente
a crônica a seguir. Nela, o escritor Gregório Duvivier comenta, de forma bem-humorada, a respeito
de uma característica física marcante de si mesmo: sua baixa estatura.
3. Verifique se os estudantes percebem que certas características físicas ou comportamentais distintivas observáveis podem ser consideradas como traços de
diferenciação. Nos grupos sociais, esses traços podem ser interpretados de forma negativa, como características indesejáveis de um indivíduo, que passa a ser
alvo de agressões e intimidações, por ser considerado “diferente”.
20

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 20 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Baixinho
Gregório Duvivier
Quando era pequeno, não imaginava que continuaria pequeno o resto
da vida. “Come bastante pra crescer e ficar bem alto”, diziam. Comia
com a voracidade de quem quer ter um metro e noventa. Perguntava: “Já
estou crescendo?”. Ainda não estava.
5 Era o mais baixo dos meus amigos, mas estava comendo tanto que um
dia ultrapassaria todos. Minha mãe, talvez percebendo que a única coisa
que esse mito estava gerando era obesidade, confessou: “Gregório, não
importa o que aconteça, você nunca vai passar de um metro e setenta”.
Não importa o que aconteça. Eu estava amaldiçoado. Carregava nas
10 costas o peso do futuro. Chorei por horas, talvez dias, embora possam
ter sido só alguns minutos. Queria ser goleiro da Holanda ou detetive da
Scotland Yard, profissões de gente alta. Scotland Yard: nome da
“Talvez eu tenha que me contentar com a ginástica olímpica.” E chorei polícia metropolitana da
mais um pouquinho. cidade de Londres, capital
do Reino Unido.
15 Quando via um baixinho, batia uma tristeza profunda de lembrar do
futuro. Era como aquelas propagandas que diziam: não percam, domin-
go, no ‘Faustão’... Não! O domingo vai chegar! E o “Faustão” também! A Felipe Rau/Agência Estado

vida é melhor sem saber disso.


Até que cresci – não muito, mas cresci. Estacionei no 1,69 m, com
20 sensação térmica de 1,70 m – o cabelo despenteado ajuda a chegar lá e
até hoje checo se a maturidade não me rendeu algum centímetro a mais.
Os amigos desfavorecidos verticalmente me ajudam a superar. Antonio
Prata tem, na ponta da língua, uma lista de baixinhos ilustres, que vão
de Millôr Fernandes a Bono Vox, passando por Woody Allen, Al Pacino
25 e, claro, Romário, antena da raça baixinha.
Isso conforta. Os baixinhos engrandecem a causa. A não ser pelo Bono
Gregório Duvivier
Vox, que envergonha a classe e usa salto embutido. Tudo tem limites. Às
(1986-) é ator, roteirista,
vezes gosto de alguém sem saber por que, e depois percebo: é baixinho.
humorista e escritor
Quando vejo um de nós, aceno com a cabeça como quem diz: estamos
brasileiro. Entre
30 juntos.
suas obras literárias,
Odiamos shows em pé. Ainda comemos como quem um dia quis cres-
destacam-se livros de
cer. Nunca vamos ser goleiros ou detetives da Scotland Yard. Mas nos
poemas e de crônicas.
resta a simplicidade de quem olha o mundo de baixo pra cima, além
Escreve também artigos
do conforto em cadeiras da classe econômica – e da propensão para a
de opinião sobre temas
35 ginástica olímpica.
contemporâneos
DUVIVIER, Gregório. Baixinho. Folha de S.Paulo, 4 ago. 2014. Disponível diversos e roteiros de
em: https://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2014/08/1495321-
baixinho.shtml. Acesso em: 28 jul. 2020. filmes e de teatro.

O trabalho de recepção ocorre por-


que, ao responder às questões,
Após a leitura da crônica, discuta o texto com os colegas consideran- certos aspectos ligados à estrutura
do texto, à finalidade, à temática
do as questões de 4 a 7 e socialize as respostas com a turma. Por fim, tratada poderão ser esclarecidos, o
registre-as no caderno. que favorece a compreensão.

4 Na crônica, Gregório Duvivier apresenta o fato de ser “baixinho” RECEPÇÃO


como uma característica mais positiva ou mais negativa? Explique.
Espera-se que os estudantes percebam que, para o cronista, a altura torna-se um traço que reflete a própria personalidade, e ele identifica personalidades
bem-sucedidas e ilustres caracterizadas pela baixa estatura. Em todas as personalidades identificadas, percebe-se a assunção da baixa estatura como algo
que não interfere no êxito delas – o contraexemplo, do cantor Bono Vox, dá destaque para essa disponibilidade em aceitar-se como se é.
21

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 21 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

5 No texto, Gregório Duvivier menciona que, quando criança, acre- RECEPÇÃO

ditava que a estatura baixa o impediria de realizar o desejo de se


tornar goleiro da Holanda ou detetive da Scotland Yard. Pode-se
afirmar que a menção a esses desejos da infância tem efeito humo-
5. Espera-se que os estudantes percebam que, por meio da leitura do texto, se pode inferir o fato de Gregório Duvivier, na
rístico. Por quê? fase adulta, ser capaz de reconhecer que não foi a baixa estatura que o impediu de se tornar goleiro da Holanda ou detetive
da Scotland Yard: é possível que ele não tenha escolhido seguir nenhuma dessas duas profissões porque eram sonhos
apenas da época da infância.
6 No trecho “Quando vejo um de nós, aceno com a cabeça como RECEPÇÃO

quem diz: estamos juntos” linhas 29-30 , a quem o pronome nós se


refere? Como você chegou a essa conclusão?
O pronome se refere aos baixinhos, como o próprio cronista. Espera-se que os estudantes percebam que
o emprego do nós, por oposição à expressão “os outros”, cria uma identidade de grupo, uma cumplicidade.
7 O texto se encerra de forma irônica. Localize esse trecho e explique RECEPÇÃO
por que ele contribui para que a visão sobre a baixa estatura do es- 7. A ironia está no período final
critor seja entendida de maneira positiva. do texto: “Nunca vamos ser golei-
ros ou detetives da Scotland Yard.
Mas nos resta a simplicidade de
PARA RECORDAR quem olha o mundo de baixo pra
cima, além do conforto em cadei-
A ironia é uma figura de linguagem por meio da qual se diz o contrário do que ras da classe econômica – e da
propensão para a ginástica olímpi-
se quer fazer entender. Um dos efeitos de sentido da ironia, nos textos em ca”. Espera-se que os estudantes
que está presente, é contribuir para a construção do humor. Mas, pelo fato de percebam que, por exemplo, “olhar
o mundo de baixo para cima” é
a ironia só ser devidamente compreendida por meio da interpretação que o uma visão de quem mira o alto, o
leitor faz dos trechos em que ela é usada, essa figura também é frequentemente céu, e não se depara com limites –
ao contrário do que supostamente
empregada como forma de crítica a uma realidade ou fato, especialmente ocorreria com os indivíduos altos,
quando não se quer ou não se pode expressar essa crítica diretamente. Esse uso que veriam o mundo “de cima para
da ironia é particularmente frequente em textos de natureza argumentativa. baixo” (mirando o chão, o limite).

Na atividade 7, os estudantes vão retomar uma habilidade supostamente já desenvolvida no Ensino Fundamental,
a EF89LP37, ao analisar o efeito de sentido provocado na crônica pelo uso da ironia como figura de linguagem.
8 Depois da discussão ocorrida no início deste capítulo e da sociali-
PRODUÇÃO
zação das respostas a respeito da crônica “Baixinho”, faça o que se
pede a seguir.
Na atividade 8, o trabalho de produ-
Comente com os colegas de que maneira um texto como a crônica ção ocorre em dois momentos: nos
comentários realizados pelos estu-
que você leu pode contribuir para o debate sobre as diferenças na dantes, conforme indicado nos dois
primeiros itens, e no registro das
escola e estimular o respeito ao outro. conclusões. No primeiro momento,
trata-se de produção oral, que ocor-
Comente por que pode ser importante para as vítimas de bullying rerá por meio de interação dialogal
conhecerem essa temática e, ao mesmo tempo, terem uma visão entre os estudantes. No segundo,
uma produção escrita. Sempre que
positiva de características pessoais que podem estar na origem você proporcionar aos estudantes a
realização de atividades como esta,
das ameaças e intimidações que sofrem. em que se solicita aos estudantes
comentar, discutir a respeito de um
Registre suas conclusões no caderno, com base nos comentários tema ou assunto, com posterior
realizados por todos os colegas e em suas percepções sobre o registro de conclusões, a estratégia
de produção será mobilizada.
tema. Respostas pessoais.

FICA A DICA

Extraordinário. Direção de Stephen Chbosky. 2017 (113 min).


Baseado no livro homônimo de Raquel Jaramillo, o filme acompanha a jornada
do garoto August Pullman, no seu primeiro ano em uma escola pública. Pullman é
um garoto que tem uma deformidade facial e acaba sendo vítima de bullying. Com
a ajuda dos pais e de outras crianças, ele vai aprendendo que é possível encontrar
um modo de ser aceito e enfrentar situações desagradáveis.

A face oculta, de Maria Tereza Maldonado. Saraiva, 2009.


O livro trata a temática do cyberbullying. A protagonista é Luciana, uma ado-
lescente que passa boa parte de seu tempo em redes sociais e jogos on-line. Até
que Marcelo inicia ataques a ela, com mensagens ofensivas. As ofensas se intensi-
ficam quando outros também passam a agredi-la, e ela não sabe como lidar com
a situação.

22

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 22 9/28/20 12:43 PM


O diário de bordo
Na atividade anterior, ao escrever no

Science Photo Library/Fotoarena/Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal.


caderno, em forma de síntese, um tex-
to conclusivo sobre o que foi estuda-
do e sobre suas percepções acerca do
resultado da socialização de um con-
junto de atividades, você produziu um
registro com estrutura de um diário de
bordo. O diário de bordo é um gêne-
ro muito utilizado para registros desde
a época das Grandes Navegações, lá
pelo século XVI, em que os navegan-
tes faziam seus diários para registrar
os eventos ocorridos ao longo de um
dia. Esses registros ajudavam o piloto
do navio a conhecer os incidentes mais
frequentes de determinada rota e con-
tribuíam para que outras viagens pelos Páginas do diário de bordo de Álvaro Velho, também conhecido
mesmos caminhos tivessem mais êxi- como Roteiro da Índia, datado de 1497. Nesse diário, relata-se a
to: ao consultar os registros feitos no expedição comandada por Vasco da Gama, de 1497 a 1499, com
diário de bordo, era possível retomar o objetivo de descobrir o caminho marítimo para a Índia.

a experiência registrada, e ela podia


servir de apoio na tomada de futuras
decisões.
Passado o tempo, esse gênero foi adotado para o registro de outras si-
tuações, inclusive as que envolvem a aprendizagem. É por essa razão que
sugerimos a você, estudante de Língua Portuguesa do Ensino Médio, cons-
truir um diário de bordo de suas aprendizagens, que poderá ajudar decisi-
vamente em seu processo de aprendizagem.
Ao longo das unidades deste volume, sempre que um conjunto de ativi-
dades for concluído, você será convidado a fazer o registro da experiência
vivenciada em seu diário de bordo. Você pode fazer esses registros em um
caderno físico, em uma agenda, ou em um suporte digital. O importante será
que você siga alguns procedimentos próprios de um diário: insira a data de
cada registro e indique a atividade a que ele está relacionado. Seu registro da
atividade 8, pode ter ficado parecido com o apresentado abaixo.

2 de março de 2022 – Leitura da crônica “Baixinho”,


de Gregório Duvivier – p. 21.

Após os comentários de toda a turma, consegui perceber que


um texto como o de Duvivier apresenta de maneira positiva
uma característica potencialmente negativa, como a baixa
estatura. Com isso, ele me ajudou a identificar possíveis
estereótipos, como a ideia de que indivíduos mais altos são
mais bem-sucedidos socialmente, porque a estatura elevada
é normalmente entendida como um valor atribuído a um
indivíduo. Ao perceber isso, notei que a leitura de um texto
como esse pode contribuir para a discussão sobre um tema
como bullying na escola, porque muitas das vítimas desse tipo
de agressão o são por apresentarem alguma característica que
as distingue da maioria do grupo ao qual estão integradas, ou
por apresentarem características diferentes do que a sociedade,
no geral, muitas vezes apresenta como padrão positivo.

23

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 23 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Esses registros devem ser sempre retomados, especialmente nos mo-


mentos em que você sentir necessidade de rever conclusões, perceber
o processo vivenciado ao longo de uma experiência ou atividade, ou

Peshkova/Shutterstock
reconhecer aprendizagens conquistadas. O boxe Diário de bordo, visto
a seguir, também será apresentado ao longo dos capítulos deste livro.
Geralmente, ele se encontra ao término das seções ou de um conjunto
de atividades propostas, com o objetivo de ajudar você a retomar o tra-
balho feito até aquele momento e, assim, refletir sobre as aprendizagens
conquistadas ou em desenvolvimento. Esse boxe está relacionado com
o portfólio (conforme você verá ainda neste capítulo) e com a proposta
de avaliação dos objetivos de aprendizagem ao final de cada unidade.
Estudante fazendo registro
em um caderno.
DIÁRIO DE BORDO
Para inaugurar seu diário de bordo da aprendizagem, registre
nele as conclusões que você formulou sobre algum aspecto da
leitura da crônica que tenha chamado sua atenção ao longo
das atividades de análise do texto feitas até aqui. Nessas
conclusões, você pode esclarecer por que esse aspecto foi
destacado. Registre também suas considerações sobre o uso
do próprio diário de bordo como ferramenta auxiliar de seu
processo de aprendizagem.

Vamos recapitular o que foi feito até aqui para que você possa com-
preender o que são as práticas de linguagem. Para isso, acompanhe as
explicações a seguir.
No início deste capítulo, sugerimos que você e os colegas discutis-
sem sobre o bullying com base em um roteiro de questões que pro-
curava resgatar conhecimentos prévios e provocar uma discussão.
Depois, você fez a leitura de uma crônica, veiculada em um site
jornalístico, que foi seguida por um roteiro de questões, que tinha
por objetivo ajudá-lo a compreender o texto, levando-o a mobili-
zar estratégias de leitura para perceber efeitos de sentido desse
texto, como o humor.
O mesmo roteiro de questões o levou a analisar aspectos propria-
mente linguageiros do texto, como o uso do pronome nós (e seus
efeitos de sentido no texto) e a presença da figura de linguagem
ironia.
Ao final desse conjunto de questões, você produziu três textos:
um oral, ao expor suas conclusões sobre o tema do bullying com
os colegas, e dois escritos, sendo o primeiro deles a elaboração
de uma síntese conclusiva a partir dos comentários realizados por
todos os colegas e de suas percepções sobre o tema e, o segundo,
o registro em seu diário de bordo.
Nesse percurso de trabalho, você colocou em andamento as chama-
das práticas de linguagem: você conversou com os colegas sobre um
tema – o bullying –; depois leu uma crônica e a analisou para compreen-
der como a ironia contribui para a construção do humor no texto; final-
mente, você elaborou uma síntese conclusiva sobre o tema com base em
discussões com os colegas.

24

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 24 9/28/20 12:43 PM


Embora variadas, as práticas de linguagem experimentadas por você
nessas atividades podem ser reunidas em três grandes grupos: práticas
de leitura, práticas de análise linguística e práticas de produção de tex-
tos – oral e escrita. Elas serão desenvolvidas e exercitadas de diversas
maneiras, mas sempre com o objetivo de levá-lo a ampliar o domínio de
suas capacidades de análise e de uso da linguagem.
Para facilitar a aprendizagem, essas práticas são segmentadas nos
capítulos deste volume por meio de seções, sempre intituladas de Prá-
ticas de...: Práticas de leitura, Práticas de análise linguística, Práticas de
leitura e análise literária e Práticas de produção de textos.
Além disso, ao longo de todas as unidades desta obra, você vai
notar a presença de selos especiais aplicados em algumas atividades
dos capítulos. Esses selos são: RECEPÇÃO ; PRODUÇÃO ; MEDIAÇÃO e
INTERAÇÃO . Eles identificam estratégias de ação por meio das quais as
práticas de linguagem trabalhadas podem se manifestar nas atividades
com eles marcadas. Por exemplo, em algumas das atividades anteriores,
os selos de “recepção” e de “produção” foram empregados. O primei-
ro, presente nas atividades de 4 a 7, sinaliza que as práticas de lingua-
gem trabalhadas nessas atividades se configuram por meio de ações de
recepção dos textos – quando você se põe na condição de leitor, por
exemplo, “recebendo” um texto produzido por outra pessoa. O segundo,
presente na atividade 8, indica a mobilização de ações de produção de
textos (no caso, produção oral e escrita).
Nem todas as atividades estarão marcadas
RF._.studio/Pexels

com selos: a presença deles foi reservada para


atividades especiais, que ajudarão você a de-
senvolver uma metodologia de trabalho com as
práticas de linguagem. Sempre que um selo apa-
recer, o professor poderá explicar a vocês o que
está em jogo na atividade.
Cavan Images RF/Getty Images

Pessoa escrevendo uma


ação de produção.

MAD_Production/Shutterstock

Pessoas conversando, trocando


ideias, isto é, em interação.
Ao se dedicar à leitura,
a estudante pratica
uma ação de recepção.

25

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 25 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

PARA IR MAIS LONGE

A palavra bullying se origina na língua inglesa e pode ser traduzida como “ameaça”,
“intimidação”. É uma forma de agressão que ocorre de modo intencional e repetido.
Discutir esse tema na escola é importante por várias razões, mas principalmente
porque, além de ele ser frequente no ambiente escolar, pode provocar danos físicos e
emocionais às suas vítimas. Essa prática muitas vezes pode também desencadear nas
vítimas dificuldades de aprendizagem e fracasso escolar.
Depois de terem conversado um pouco sobre bullying, a proposta é que você e os
colegas deem continuidade à conversa sobre esse tema, mas agora em uma perspectiva
mais ampla. Para isso, sugerimos à turma que busque informações acerca do tema,
utilizando como metodologias de pesquisa a revisão bibliográfica e a entrevista, e
as compartilhe posteriormente com outras turmas, a fim de gerar na comunidade
escolar um debate mais amplo sobre essa questão, quem sabe até mesmo por meio da
organização de um evento. Siga as orientações dessa proposta, dividida em etapas.

Primeira etapa: ampliação do conhecimento sobre o tema


A turma deve se organizar em cinco grupos. Cada um vai pesquisar, em fontes
impressas e digitais, informações e dados confiáveis sobre o tema, diante de um dos
aspectos a seguir:
O que é bullying? Como ele se caracteriza?
Quais são os tipos de bullying e quais podem ocorrer mais frequentemente na escola?
Quais são as causas para a existência do bullying no ambiente escolar? Como ele se
manifesta?
Que consequências pode haver, tanto para as vítimas e agressores, quanto para a
comunidade, quando a prática de bullying se instala e dissemina na escola?
O que os especialistas sobre o tema consideram importante haver nas escolas para
evitar essa prática?

Segunda etapa: organização da pesquisa e do resultado das


informações coletadas
Previamente, decidam no grupo de que maneira vocês vão organizar a pesquisa para
que cada integrante fique responsável por alguma tarefa. Além disso, combinem o
recurso que vão utilizar para guardar o levantamento das informações e dos dados
obtidos por meio da pesquisa assim como os dados das fontes consultadas, de modo
que todos do grupo tenham acesso a esses registros.
De posse da pesquisa, combinem entre os integrantes do grupo de que maneira vocês
vão organizar as informações e dados para compartilhá-los com os demais grupos. É
importante que essa decisão seja comunicada ao professor para que ele possa avaliar
se a apresentação de vocês será feita na sala de aula ou em outro local da escola,
dependendo dos recursos necessários e/ou disponíveis, e orientá-los em caso de
impossibilidade. Além disso, antecipadamente, a turma e o professor podem decidir
o tempo destinado às apresentações e, desse modo, cada grupo poderá organizar
melhor suas tarefas.
Lembrem-se de elaborar um roteiro para organizar a apresentação, estabelecendo
tarefas para cada integrante, e, se possível, ensaiem a apresentação para perceberem
possíveis ajustes de tempo e de fala, entre outras questões.
Terceira etapa: apresentação dos resultados da pesquisa
Em uma data previamente combinada com o professor, apresentem os resultados da
pesquisa para os outros grupos, valendo-se do uso de possíveis ferramentas e recursos
para expô-la.

Quarta etapa: síntese das apresentações


Ao final de todas as apresentações, a turma, com a orientação do professor, deve
fazer um registro do que foi exposto e produzir um texto síntese, que será divulgado
na escola, para outras turmas, com as principais conclusões da pesquisa. Na síntese,
informe o objetivo dessa proposta de atividade.

26

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 26 9/28/20 12:43 PM


Quinta etapa: conhecimento das ações escolares sobre bullying
O objetivo desta etapa é que a turma entreviste gestores, professores, demais
funcionários e colegas de outras turmas para saber que tipo de ações já existem na
escola e estão em andamento e/ou quais já estão previstas e planejadas.
Antecipadamente, a turma, sob a mediação do professor, vai decidir com que
segmento da escola cada um dos cinco grupos ficará responsável por entrevistar.
Como há quatro segmentos para cinco grupos, sugerimos que o segmento dos demais
funcionários seja organizado para ser entrevistado por dois grupos.
A partir das informações e dados levantados por meio da revisão bibliográfica, cada
grupo vai elaborar um roteiro de perguntas para orientar a entrevista. Como os
resultados dessa entrevista serão compartilhados com os demais grupos, combinem
entre os integrantes de que modo vocês podem registrá-la. Entre as possibilidades,
é possível usar gravador de áudio e/ou de vídeo ou anotar as respostas dos
entrevistados.

Sexta etapa: organização e apresentação das entrevistas


Decidam como vocês vão divulgar os resultados da entrevista e organizem-nos de
modo que seja possível fazer a apresentação aos demais grupos com os recursos e
ferramentas disponíveis na escola. Combinem previamente com o professor o tempo
de apresentação de cada grupo.

Sétima etapa: síntese das entrevistas


Concluídas as apresentações e de posse dos dados coletados nas entrevistas, a
turma, com a orientação do professor, vai complementar o texto síntese produzido
na quarta etapa, registrando as propostas em andamento na escola ou ainda a serem
implementadas, e novamente divulgar esse material para a comunidade escolar.

Oitava etapa: organização de um evento


Você e os colegas, se possível, vão organizar um evento na escola para compartilhar
com a comunidade as informações obtidas acerca do bullying por meio da pesquisa e
das entrevistas. Dessa maneira, vocês vão possibilitar que outras pessoas conheçam
o assunto e saibam que ações estão sendo ou serão promovidas na escola com o
objetivo de combater essa prática.
Sugerimos que, previamente, vocês conversem com o professor e a gestão escolar
para decidirem juntos a data e o horário do evento, que recursos e espaços da escola
vão utilizar, como será feito o convite à comunidade e por quais tarefas cada estudante
ou grupo da turma ficará responsável.
Se possível, registrem o evento por meio de fotografias e/ou gravações e as divulguem
em meio físico, por meio de cartazes, e/ou em meio digital, como, por exemplo, no site
da escola, no blogue da turma ou em grupos de mensagens instantâneas.
ivector/Shutterstock

27

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 27 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Gêneros, práticas de linguagem e campos de


atuação social
Nesta seção, por meio dos textos a seguir e das discussões propostas com base neles, você vai
ter uma ideia de que as práticas de linguagem, além de poderem ser experimentadas em diversos
gêneros, podem nos sinalizar em que campo de atuação social eles circulam, de acordo com seus
objetivos. Vai conhecer também quais são os campos de atuação social privilegiados nos estudos
propostos neste livro.
Com a ajuda do professor, siga as orientações indicadas para realizar as tarefas propostas.

1 Leia, a seguir, a resenha crítica do filme A família Bélier, uma comédia dramática francesa
dirigida por Eric Lartigau e lançada em 2014.

A família Bélier
Lançado sem grandes alardes (e sem sessão para os críticos) chega ao circuito carioca, uma das
grandes surpresas cinematográficas de 2014. A família Bélier (La famille Bélier, 2014) é um interessante
trabalho do diretor francês Eric Lartigau que consegue conquistar o público pela simplicidade de um
argumento que fala de amadurecimento e emancipação.
5 Na trama a jovem Paula (Louane Emera, descoberta no reality show The Voice e em seu primeiro papel
no cinema) é uma adolescente que mora com seus pais e irmão, todos surdos. Cabe à Paula administrar o
negócio de laticínios e servir de tradutora oficial nas conversas com vizinhos. Após se inscrever no coral da
escola por interesse amoroso, Paula tem seu talento descoberto por um professor de canto que a convida
para uma bolsa de estudos em Paris. O conflito aparece em forma de relações e compromissos. Como
10 abandonar a responsabilidade familiar e ir atrás de seus sonhos? Como lidar com a culpa?
Lartigau traça um retrato bastante humano de uma família como outra qualquer cuja diferencial é a de-
ficiência auditiva, mas em nenhum momento utiliza esta condição como peça melodramática. O interesse
aqui é analisar as relações familiares e as dificuldades que toda adolescente passa quando decide dar seu
grito de liberdade em um meio afetivamente caloroso. Com um discurso universal e sincero, o filme conta
15 com um belo trabalho de caracterização de todo o elenco que realça as situações cômicas e embaraçosas
sem cair na vala comum dos estereótipos dos deficientes.
Os Bélier são barulhentos, comunicativos e também sujeitos a todos os tipos de frustrações e carências
quando percebem que um ente querido precisa sair do ninho. Este conflito, no entanto, não apaga as
outras possibilidades que o roteiro tem a oferecer. A descoberta sexual do irmão de Paula, Quentin (Luca
20 Gelberg – o único ator realmente deficiente), a candidatura do patriarca (o ótimo François Damiens) à
prefeitura da cidade e o frustrado professor de can-
Album/Fotoarena

to (Éric Elmosnino) compõe uma bela moldura para


este descontraído retrato familiar cuja maior qualida-
de é ser atemporal e de fácil identificação individual.
25 Quando Paula canta a canção Je vole de Michel
Sardou para sua família na linguagem dos sinais, fi-
camos a imaginar como a dor do crescimento pode
ser amorosa e que a escuta interna independe única
e exclusivamente da audição externa.
30 A família Bélier (La famille Bélier)
França, 2014. 100 min.
Direção: Eric Lartigau
Com: Louane Emera, François Damiens, Karin Viard
SEABRA, Zeca. A família Bélier. Almanaque Virtual. UOL,
3 jan. 2015. Disponível em: http://almanaquevirtual.uol.
com.br/familia-belier/. Acesso em: 28 jul. 2020. Cena do filme A família Bélier, com a atriz Louane
Emera interpretando a personagem Paula, e o ator
Éric Elmosnino no papel de Thomasson.

28

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 28 9/28/20 12:43 PM


2a. Espera-se que os estudantes respondam que o objetivo é, além de divulgar um filme, apresentar também uma crítica sobre ele. A resenha apresenta
a sinopse do filme e também traz comentários apreciativos do resenhista, com o uso de adjetivos em certos trechos, como: “interessante trabalho do
diretor”, “Com um discurso universal e sincero, o filme conta com um belo trabalho de caracterização de todo o elenco [...]”.
2 Responda oralmente às questões seguintes e, depois, registre as respostas no caderno.
a. Qual é o objetivo dessa resenha crítica? Como você chegou a essa conclusão?
b. Você costuma ler textos assim? Em caso afirmativo, em quais mídias e veículos você faz a
leitura de resenhas críticas? 2b. Encaminhe a conversa de modo que os estudantes se expressem livremente, sem a obrigatorie-
Resposta pessoal. dade de tecerem comentários caso não sejam leitores desse gênero textual.
c. Você já assistiu a esse filme? Em caso afirmativo, concorda com as informações críticas a
respeito dele? Em caso negativo, pela resenha, você se sentiria tentado a vê-lo? Por quê?
Resposta pessoal.
d. No segundo parágrafo da resenha, há uma sinopse, ou seja, uma síntese do enredo do filme.
Releia esse parágrafo e comente com os colegas a importância desse trecho no conjunto
2c. Verifique se os estudantes que já assistiram ao filme são capazes de justificar seu acordo ou desacordo com a crítica
da resenha. expressa na resenha. Para aqueles estudantes que não assistiram ao filme, verifique as respostas que lhe parecerem bem
argumentadas.

FICA A DICA

A família Bélier. Direção de Eric Lartigau. 2014 (100 min).


Paula, uma adolescente francesa, enfrenta alguns dilemas: as questões da escola, o conflito de gerações que
ocorre na família, as dificuldades das primeiras relações amorosas. Seus pais e irmão mais novo são deficientes
auditivos. Em meio a tudo isso, ela descobre nas aulas de canto da escola um talento desconhecido, e recebe in-
centivo do professor para disputar uma bolsa de estudos em uma prestigiosa escola em Paris. Ela fica dividida entre
aproveitar a oportunidade de estudar em outra cidade, o que a levaria a se afastar da família, e desistir do sonho.

2d. Espera-se que os estudantes comentem que é por meio da sinopse que o resenhista apresenta as
características do que é resenhado. No caso de filmes, a sinopse, em geral, traz um resumo do enredo.
PARA FAZER E PENSAR

No filme A família Bélier, um dos aspectos de maior destaque é o emprego de uma língua de
sinais na comunicação entre os personagens deficientes auditivos. No Brasil, também há uma
língua de sinais empregada na comunicação pelas pessoas com deficiência auditiva: a Língua
Brasileira de Sinais (Libras), conforme a lei 10.436, de 2002, ou Língua de Sinais Brasileira, de
acordo com alguns especialistas.
Segundo uma notícia da Agência Brasil, com dados de 2019, há mais de dez milhões de pessoas
com deficiência auditiva no Brasil (disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/
2019-10/brasil-tem-107-milhoes-de-deficientes-auditivos-diz-estudo; acesso em: 29 jul. 2020).
Nesta atividade, você e os colegas vão se informar ou ampliar o conhecimento sobre a Língua
de Sinais Brasileira. Se na turma houver algum(ns) colega(s) com deficiência auditiva e ele(s)
seja(m) falante(s) da Língua de Sinais Brasileira, ele(s) poderá(ão) colaborar intensamente com
essa proposta. Se não houver, verifique se na escola de vocês há estudantes ou funcionários com
deficiência auditiva que sejam falantes dessa língua.
O objetivo é que vocês convidem pessoas com deficiência auditiva, pessoas que estudem e/ou
que trabalhem com a Língua de Sinais Brasileira para explicar à turma como ela funciona e dar
o testemunho da experiência delas com essa língua. Nessa conversa, vocês poderão esclarecer
como é possível se comunicar com deficientes auditivos quando não se é falante da Língua de
Sinais Brasileira.
Outra possibilidade é que vocês busquem, na região em que moram, escolas, institutos e en-
tidades que auxiliam deficientes auditivos a aprender a Língua de Sinais Brasileira. Convidem
um representante dessa instituição para conversar com vocês, na escola, sobre essa língua tão
importante para a inclusão social. Em geral, profissionais que lidam com a linguagem, como os
formados em Letras, Pedagogia ou Fonoaudiologia, têm algum conhecimento da Língua de Si-
nais Brasileira: seu professor de Língua Portuguesa pode ser um deles!
Se possível, gravem em formato de vídeo esse encontro que acontecerá na escola, mediante a
autorização de imagem de todos os participantes, e compartilhem a gravação em algum suporte
digital, para que seja visto pela comunidade escolar, seus pais ou responsáveis e seus amigos.

29

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 29 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

3 O texto a seguir foi extraído do portal Senado Notícias e trata de


projetos de lei em tramitação para a inclusão da Língua de Sinais
Brasileira no currículo escolar. Leia-a com atenção.

Dois projetos incluem Libras nos currículos escolares


FICA A DICA
Duas propostas em tramitação no Senado incluem a língua brasileira de si-
nais (Libras) nos currículos escolares. Um dos projetos, o PL 6.284/2019, de- O grito da gaivota, de
termina que o idioma seja a primeira língua de comunicação na escola para Emmanuelle Labotit. Edi-
torial Caminho, 2000.
estudantes surdos. A outra proposta (PL 5.961/2019) quer incluir conteú-
Nesta autobiografia,
5 dos relativos à Libras para todos os alunos indistintamente, surdos ou não. a atriz de cinema e tea-
O PL 6.284/2019 é de autoria do senador Romário (Podemos-RJ). O texto tro francesa Emmanuelle
tramita na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e aguarda designação de Laborit, que é deficiente
auditiva profunda (isto
relator. O projeto deverá passar ainda pela Comissão de Educação (CE).
é, não é capaz de perce-
A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei ber nenhum som), narra
10 9.394/1996) para acrescentar um artigo que obrigue os sistemas de ensino como é crescer convi-
a ofertarem a Libras como língua de comunicação a todos os estudantes vendo com uma família
cujas pessoas não são
surdos.
deficientes auditivas.
De acordo com o projeto, regulamentos dos sistemas de ensino defini- No relato, ela aborda a
rão as condições de oferta do ensino de Libras e deverão dispor sobre a aprendizagem da lín-
15 necessidade de professores bilíngues, tradutores, intérpretes e tecnologias gua de sinais, a adoles-
cência, as dificuldades
de comunicação em Libras. Além disso, deverão tratar do acesso da comu-
encontradas para se
nidade estudantil ouvinte e dos pais de alunos com deficiência auditiva ou descobrir e se aceitar
responsáveis ao aprendizado de Libras. e a busca pela própria
Segundo Romário, embora já haja normas que determinem a inclusão da personalidade. Apresen-
ta também a relação es-
20 Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de pro-
pecial que desenvolveu
fessores (Decreto 5.626/2005) e a criação de sistemas educacionais inclu- com a irmã, por quem
sivos (Lei 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão), é preciso avançar na foi auxiliada e com quem
efetiva inclusão social das pessoas com deficiência auditiva. mais se comunicava.

“De nossa parte, isso só será possível quando qualquer cidadão ouvinte
Crisálida. Direção de
25 também for capaz de se comunicar com as pessoas surdas por meio da Li- Serginho Melo. 2016
bras”, afirmou Romário em sua justificativa. (17 min).
O PL 5.961/2019, da senadora Zenaide Maia (Pros-RN), determina que os Este curta-metragem,
concebido pela pro-
currículos do ensino fundamental e do ensino médio incluam, para todos os
dutora de audiovisual
alunos, conteúdos relativos à Libras. A modificação também é feita na LDB e Alessandra da Rosa Pinho,
30 o projeto está mais avançado na tramitação, pois aguarda relatório do sena- narra a relação entre de-
dor Nelsinho Trad (PSD-MS) na CE, em que terá sua votação final. ficientes auditivos e não
deficientes, em situações
Para a autora, o objetivo é que também os alunos ouvintes desenvolvam cotidianas. É considerado
competências relacionadas ao respeito à diferença, ao cuidado com o outro a primeira ficção total-
e à compreensão da multiplicidade das formas de comunicação. mente bilíngue em portu-
35 “Vale acrescentar que a ideia é ainda mais relevante quando se considera guês e na língua de sinais
brasileira.
a necessidade premente de que as novas gerações aprendam valores de res-
peito à pluralidade e às diferenças”, justificou Zenaide.
AGÊNCIA SENADO. Dois projetos incluem Libras nos currículos escolares. Senado
Notícias, 22 jan. 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/
materias/2020/01/22/dois-projetos-incluem-a-libras-nos-curriculos-escolares.
Acesso em: 28 jul. 2020.
Espera-se que os estudantes percebam que o objetivo principal é relatar um acontecimento recente: a
tramitação de dois projetos de lei sobre Libras no Senado Federal.

4 Qual é o objetivo principal desse texto? Para responder, tenha em


vista o que você já sabe sobre o gênero notícia.

30

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 30 9/28/20 12:43 PM


5. A principal justificativa do PL
5 Pela notícia, os autores dos projetos de lei em questão expõem al- 6.284/2019 é promover a inclusão social
gumas justificativas para a inclusão da Língua de Sinais Brasileira dos deficientes auditivos, ao permitir
que todos os cidadãos tenham alguma
nos currículos escolares. Comente com os colegas essas justificati- noção da Língua de Sinais Brasileira
e possam se comunicar minimamente
vas e opine sobre elas. com pessoas com deficiência auditiva.
Para o PL 5.961/2019, a justificativa
apresentada é que os estudantes ouvin-
6 Quem são os leitores supostos desse texto? tes desenvolvam o respeito à diferença,
Leitores em geral, interessados em conhecer os projetos de lei que tramitam no Senado Federal. o cuidado com o outro e a compreensão
das múltiplas formas de comunicação.
7 A notícia foi publicada no site do Senado Notícias e é um texto de
responsabilidade da Agência Senado. Qual é a importância da publi-
FICA A DICA
cação de notícias como essa, em um suporte desse tipo, no contex-
to social brasileiro? Socialize a resposta com os colegas e, depois,
7. Espera-se que os estudantes comentem que é divulgar as ações dos Livro sobre nada, de
registre-a no caderno. senadores. Esse tipo de divulgação auxilia os cidadãos a acompanhar os Manoel de Barros. Alfa-
trabalhos dos senadores que elegeram, e é um instrumento de controle
democrático e de divulgação de informações de interesse público. guara, 2016.
8 Tanto a resenha crítica do filme A família Bélier como a notícia sobre Este livro, lançado
os projetos de lei em tramitação no Senado Brasileiro são textos originalmente em 1996,
jornalísticos. Tente explicar o que justifica essa denominação e por é uma das obras mais
importantes do escritor
que dois textos com finalidades diversas podem ser considerados
mato-grossense. Está di-
da esfera jornalística. vidido em quatro partes,
Espera-se que os estudantes percebam que textos como esses têm em comum sobretudo o fato de terem
como função divulgar informações. Essa é a função social dos textos da esfera de circulação jornalística. contendo poemas cur-
9 Agora, faça a leitura do texto a seguir, que tem estrutura e finalida- tos sobre aquilo que, na
des diferentes dos dois textos anteriores. visão do poeta, parece
sem importância, mas de
XIX que ele extrai uma bele-
za existencial.
Manoel de Barros
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
5 que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
10 Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, Manoel de. XIX. In: BARROS, Manoel de.
O livro das ignorãças. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1993. p. 27.
Renata Caldas/CB/D.A Press

Manoel Wenceslau Leite de Barros (1916-2014) nasceu em Cuiabá,


no Mato Grosso. Foi um dos poetas brasileiros mais premiados, tendo sido
homenageado, por exemplo, com o Prêmio Jabuti em 1999 e 2002, com as
respectivas obras O guardador de águas (1989) e O fazedor de amanhecer
(2001). Entre outras obras literárias, escreveu: Matéria de poesia (1974),
O livro das ignorãças (1993) e Menino do mato (2010).

10. Resposta pessoal. Espera-se


que os estudantes comentem que
os poemas fazem parte dos tex-
10 Pela leitura, é possível que você tenha percebido que o texto é um tos da esfera literária. A finalidade
desses textos é artística, e está
poema. Para você, com que finalidades se escrevem e se leem poe- associada à possibilidade de fruição
e de apreciação.
mas? Comente sua resposta com os colegas e o professor. O objetivo desta atividade é dis-
cutir com os estudantes a esfera
de circulação dos poemas (esfera
11 Por que seria pouco provável que um texto como o de Manoel de literária), e não funções da literatura,
Barros fosse originalmente publicado em um site como o do portal que é algo de natureza bem mais
complexa para este momento.
Senado Notícias? Espera-se que os estudantes percebam que o portal Senado Notícias é um canal, responsável pela divulgação de matérias
jornalísticas sobre as atividades legislativas do Senado Federal Brasileiro. Como o poema não está relacionado a essa
esfera de circulação, sua publicação nesse meio não seria esperada.

31

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 31 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Ao ler e discutir com os colegas a resenha crítica, a notícia e o poema, você verificou certas
diferenças entre esses gêneros textuais. Identificar o objetivo fundamental de cada um deles
certamente ajudou na percepção do que os diferencia. Acompanhe as explicações a seguir para
compreender essas características dos textos.
Considerando os estudos de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental, você sabe que os
gêneros textuais se diferenciam uns dos outros, entre outras razões, em função do que se deseja
comunicar, do efeito que se procura produzir no interlocutor, da ação que se pretende produzir
no contexto em que são empregados e pela forma composicional.
Por meio da resenha crítica, por exemplo, o resenhista pôde apresentar aos leitores do suporte
em que o texto foi veiculado o filme A família Bélier, divulgando-o e opinando sobre ele. Com a
notícia, foi possível que a Agência Senado divulgasse à população brasileira um fato de que dois
projetos de lei sobre a Língua de Sinais Brasileira estarem em tramitação no Senado Federal. Já
o poema permitiu que Manoel de Barros despertasse emoções e sentimentos em seus leitores,
levando-os a apreciar o modo particular pelo qual ele descreve um rio.
Por essas considerações, você pôde perceber que os gêneros notícia e resenha crítica compar-
tilham algumas características que os aproximam: ambos se prestam a uma forma de divulgação
(com a resenha divulga-se um produto cultural; com a notícia, um fato de importância social). E
ambos foram publicados em veículos de imprensa. É por essa razão que dizemos que esses dois
gêneros circulam na esfera jornalística. Por sua vez, o poema faz parte do campo artístico-literá-
rio, circula em livro, sarau, em sites especializados em literatura, etc.
Para contextualizar o ensino dos gêneros e das práticas de linguagem, a Base Nacional Co-
mum Curricular (BNCC), documento que estabelece o que deve ser ensinado em cada segmento
da Educação Básica brasileira, propõe que o estudo de Língua Portuguesa, no Ensino Médio, seja
organizado considerando as práticas de linguagem em cinco campos de atuação social, vincula-
dos com a cultura, as práticas cidadãs, o trabalho e a continuação dos estudos.
No contexto do ensino e da aprendizagem da Língua Portuguesa, você pode entender esses
campos como áreas ou setores sociais em que as práticas de linguagem e os gêneros são mobi-
lizados. Para orientar os estudos da Língua Portuguesa, no Ensino Médio, a BNCC considera os
campos de atuação social indicados a seguir.
O campo da vida pessoal, ligado aos interesses pessoais. Desse campo, o livro propõe o
estudo de relatos de vida, diário pessoal, etc.
O campo de atuação na vida pública, que congrega as práticas de linguagem relacionadas à
leitura e à interpretação de textos normativos e legais, à reivindicação de direitos, etc. Desse
campo, o livro propõe o estudo de carta de solicitação, textos legais, etc.
O campo jornalístico-midiático, relacionado com a circulação e divulgação social de infor-
mações. Desse campo, o livro propõe o estudo de cartaz de propaganda, reportagem, etc.
O campo das práticas de estudo e pesquisa, associado ao fazer escolar e acadêmico. Desse
campo, o livro propõe o estudo de resumo, relato de experiências, artigo científico, etc.
O campo artístico-literário, relacionado às atividades de criação autoral, artísticas e literá-
rias. Desse campo, o livro propõe o estudo de contos, poemas, romances, etc.
Ao longo das atividades propostas nas unidades deste livro, você perceberá como esses cam-
pos ajudam a contextualizar o estudo dos gêneros e das práticas de linguagem, tornando a
aprendizagem da Língua Portuguesa uma experiência rica e significativa para você.

DIÁRIO DE BORDO
Depois de refletir sobre os gêneros textuais, as práticas de linguagem e os campos de
atuação, não deixe de registrar em seu diário de bordo suas conclusões a respeito das
relações existentes entre essas três noções.

32

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 32 9/28/20 12:43 PM


Habilidades de Língua Portuguesa
Nesta seção do capítulo, as atividades propostas permitem que você se aproxime de outra
noção importante para os estudos da Língua Portuguesa desenvolvidos neste livro: a noção de
habilidade. Para isso, você vai ler, analisar e produzir textos do campo jornalístico-midiático. Sob
a orientação do professor, com os colegas, siga as indicações a seguir.

1 O cartaz abaixo é parte da campanha “Betim sem Bullying: aprender sem medo”, promovida
pela Câmara Municipal de Betim, em Minas Gerais, em 2013. Leia-o atentamente.

Prefeitura Municipal de Betim/www.betim.mg.gov.br


Disponível em: https://www.pebcomunicacao.com.br/campanhas_
detalhes.php?campanha=12. Acesso em: 13 ago. 2020.

2a. Espera-se que os estudantes percebam que a expressão facial do jovem traduz reprovação, reserva, contrariedade e se relaciona com a campanha ao
indicar reprovação ao bullying.
2 Agora, responda no caderno a algumas questões sobre esse cartaz.
a. Ao observar a expressão facial do jovem retratado, que sentido ela parece traduzir? De que
maneira esse sentido se relacionada com o tema da campanha?
b. O gesto do polegar para baixo reforça ou acrescenta o sentido que o jovem deseja expressar?
Espera-se que os estudantes percebam que o gesto feito pelo jovem com uma das mãos reforça a atitude de reprovação dele com relação ao
bullying.
3 Em algumas redes sociais, a indicação do polegar para cima ou para baixo está
relacionada a duas ações. Socialize as respostas a seguir com os colegas e, depois, faça o
3a. Polegar para cima representa a ação de curtir (manifestar acordo), e polegar para baixo indica a ação de
registro no caderno. não curtir (manifestar desacordo).
3b. Espera-se que os estudantes comentem que tanto a imagem como o slogan se associam, uma vez que o
a. Que ações são essas? texto presente no slogan, especialmente o verbo curtir, reafirma o gesto do adolescente no cartaz, e vice-versa,
ambos manifestando desacordo com o bullying.
b. De que modo o slogan da campanha, “A gente não curte quem curte bullying”, reproduzido
no cartaz, retoma e ressignifica essas ações? Explique.
c. Um dos modos de divulgação do cartaz foi a circulação em meios digitais. Como esse
modo de divulgação está associado ao slogan?
Espera-se que os estudantes comentem que a relação entre o slogan e a circulação do cartaz em meios digitais
está justamente no uso do verbo curtir, ação bastante comum em algumas redes sociais.
4 O cartaz foi empregado na divulgação de um seminário municipal promovido pela Câmara
Municipal de Betim. A que público o cartaz se destina? Explique.
Espera-se que os estudantes percebam que se trata da população da cidade de Betim, porque foi nesse
município que o seminário ocorreu.
33

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 33 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

5 O cartaz procura convencer os leitores da necessidade de combater


o bullying.
a. De que modo os recursos verbais e visuais dessa peça de pro-
paganda procuram fazer o leitor do cartaz simpatizar com essa
ideia? Com alguns colegas, responda à questão, explicando o uso
feito dos recursos no cartaz.
b. Você acha que esses recursos foram bem empregados conside-
rando o objetivo da campanha? Explique.

6 Tendo em vista as respostas formuladas até aqui, e outros sentidos


que você tenha percebido ao ler o cartaz, por que você acha que foi
escolhido um adolescente para a imagem central do cartaz?
7a. Primeiro item: Espera-se que, no
grupo, os estudantes percebam que a
7 O trabalho proposto a seguir envolve pesquisa e análise de textos. propaganda é direcionada sobretudo
aos leitores que fazem parte da audiên-
Siga os passos indicados. cia principal da mídia em que é divulga-
da. Por exemplo: anúncios de agências
Organize-se com mais quatro ou cinco colegas para formar um grupo. governamentais são veiculados em sites
noticiosos; anúncios de campanhas
Cada grupo deve pesquisar algum exemplo de propaganda exis- de saúde pública aparecem em redes
sociais; spots de ações de uma prefeitu-
tente em meios digitais: gifs de campanha promovida pelos órgãos ra municipal são divulgados por emisso-
ras de rádio que atuam no município em
públicos, publicadas em sites, cartazes divulgados em redes sociais, questão. E assim por diante.
outdoors espalhados pelas cidades, spots disseminados nos meios 7a. Segundo item: Verifique se os estu-
dantes percebem que as campanhas de
de comunicação oral como o rádio e em plataformas agregadoras propaganda sempre levam em conside-
ração o público-alvo: uma campanha para
de podcasts, entre outros. Para tornar o trabalho de análise variado, alertar sobre os riscos de gravidez na ado-
é importante que cada grupo pesquise uma campanha diferente do lescência terá como um dos públicos-alvo
principais os adolescentes e, portanto, as
outro. Verifiquem a possibilidade de salvar os materiais encontrados características textuais devem promover
um diálogo com esse público.
em arquivos eletrônicos, para poderem ser acessados e analisados.
7a. Terceiro item: Ajude os estudantes
Por exemplo, no caso de cartazes, será útil fazer captura de tela, sal- a perceber que uma campanha de pro-
paganda costuma ser organizada consi-
vando imagens que podem ser facilmente acessadas e até impres- derando peças de diferentes naturezas
sas em papel, para a análise. O mesmo pode ser feito com spots: os (cartazes, jingles, audiovisual, etc.) para
poder melhor ser divulgada em várias
arquivos sonoros podem ser gravados em um formato facilmente mídias e, assim, atingir o público-alvo
desejado.
lido por dispositivos eletrônicos, para serem ouvidos coletivamente.
a. Analisem os materiais que selecionaram com base no roteiro de
análise a seguir.

Qual é a finalidade dos materiais selecionados: que tipo de ser-


viço ou ação eles procuram divulgar? Que relação esse serviço
ou ação tem com o local onde foi publicada a propaganda? Por DIÁRIO DE BORDO
exemplo: se ela é divulgada em um site de notícias, os possíveis Considerando o
leitores do site seriam o alvo da campanha? Por quê? cartaz que você leu
e interpretou e os
O que é possível saber sobre o público-alvo da campanha em
outros materiais que
análise? Como chegaram a essa conclusão?
selecionou e analisou
Vocês, no grupo, já tinham observado peças dessa campanha em ou- com o grupo, na
tros lugares acessados? Em caso afirmativo, em quais outros lugares? atividade 7,
Você se percebe como provável público-alvo da campanha ana- registre em seu
lisada? Por quê? Respostas pessoais. diário de bordo
suas considerações
b. Em uma data combinada com o professor, a análise feita pelos a respeito do
grupos deve ser socializada. Comparem entre os grupos as dife- gênero propaganda
rentes campanhas encontradas e as estratégias de persuasão que considerando
foram empregadas nessas propagandas. a finalidade e
composição desse
c. Por fim, com a ajuda do professor, registrem as conclusões do tra-
gênero.
balho. Exponham o resultado dele no blogue da turma.

34

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 34 9/28/20 12:43 PM


PARA FAZER E PENSAR

Na atividade 6 desta seção do capítulo, foi solicitado que o resultado do trabalho seja publicado
no blogue da turma. Vocês já têm um blogue? Se ainda não têm, as orientações a seguir pode-
rão ajudar você, os colegas e o professor a construir um blogue. Esse espaço de divulgação será
importante para vocês publicarem produções e trabalhos feitos ao longo de todo o estudo da
língua portuguesa, propostos nas unidades deste livro.
Para construir o blogue da turma, considerem as orientações a seguir.
A primeira etapa do trabalho será vocês, com a ajuda do professor, acessarem diferentes blogues
para conhecer possibilidades. Vocês podem partir dos que já conhecem e pesquisar muitos ou-
tros. Nessas pesquisas, procurem:
Ler o conteúdo e como ele é organizado: Há textos, vídeos, imagens? Como se organizam
no espaço disponibilizado?
Compreender possibilidades de interação: Vocês, como visitantes, conseguem comentar
postagens dos blogues pesquisados? Ou apenas ler o conteúdo? Há ferramentas como,
por exemplo, um fórum de discussões?
Acessar os links disponibilizados nos blogues pesquisados para ver de que forma se
integram com as postagens.
Feita essa primeira exploração, o próximo passo será escolher um local para hospedar o blogue.
Se no site ou portal da escola não houver essa facilidade, a turma poderá conhecer sites que ofe-
recem esse serviço gratuitamente. Em canais agregadores de vídeo, há diversos audiovisuais que
vocês podem acessar para entender as vantagens de cada uma das plataformas de hospedagem
gratuitas. Essa pesquisa ajudará vocês a decidirem pelo que for mais interessante para a turma.
Definam as finalidades do blogue: o que vocês vão postar? Lembrem-se de que muitas das ati-
vidades sugeridas nas unidades deste volume vão indicar a postagem de conteúdos no blogue,
para serem compartilhados entre vocês mesmos e divulgados com o restante da escola e além.
Depois de todas essas decisões, será o momento de criar, de fato, o blogue. Acessem o site de
hospedagem escolhido e, seguindo as indicações, criem o blogue. Vocês devem escolher um nome
para ele, definir um usuário e uma senha de acesso, que será compartilhada com todos. É importan-
te vocês terem previamente criado um e-mail da turma, ao qual também todos tenham acesso, pois
o registro do blogue é feito mediante um endereço de e-mail. Na criação, vocês devem também
escolher o modelo visual do blogue – o layout – dentre os que estiverem disponíveis na plataforma
selecionada. Essa escolha pode ser feita por meio de votação entre todos da turma.
Como todos vocês serão administradores do blogue, é importante terem em mente que ele não
deve ser utilizado para outros fins que não as postagens da turma.
Com o blogue criado, decida com os colegas e o professor qual será a primeira postagem. Su-
gerimos que a publicação inicial seja um texto de boas-vindas a todos aqueles que acessarem
o blogue da turma e que nesse texto vocês também expliquem o objetivo desse suporte digital.
Aproveitem o que aprenderam com a análise de campanhas de propaganda e criem uma campa-
nha da turma para divulgar o blogue de vocês na escola, atraindo a atenção dos colegas de ou-
tras turmas para acessá-lo. Vocês poderão tanto fazer uma propaganda em meio digital quanto
elaborar cartazes e afixá-los na escola para divulgar o endereço do blogue da turma.

Ao fazer os estudos do cartaz de propaganda da campanha contra bullying e ao analisar outras


campanhas, conforme proposto nesta seção, você e os colegas acionaram diversas práticas de lingua-
gem, de maneiras diferentes. Com certeza, sabem mais sobre estratégias argumentativas para conven-
cer o público-alvo a participar de campanhas do que sabiam antes. Assim, puderam desenvolver várias
habilidades, algumas delas indicadas pela Base Nacional Comum Curricular para os estudos de Língua
Portuguesa no Ensino Médio. Acompanhe as explicações a seguir para ter ideia de como isso acontece.
Ao fazer as atividades indicadas com base na leitura do cartaz da Câmara Municipal de Be-
tim, você analisou a peça de uma campanha de divulgação de ações de um órgão de governo,

35

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 35 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

entendendo como o cartaz é constituído do ponto de vista composicional. Também observou


como os elementos de linguagem presentes nele são articulados de modo a divulgar um evento do
município de Betim. Ao mesmo tempo, percebeu que esse cartaz aborda a temática do bullying, de
acordo com a finalidade a que se propõe a Câmara Municipal de Betim: convidar a população a par-
ticipar de um evento sobre o bullying. Deve ter notado também como a combinação dos elementos
visuais e imagéticos ajudou a expressar o ponto de vista dessa instituição pública acerca do tema.

FICA A DICA

Ponte para Terabítia. Direção de Gábor Csupó. 2007 (96 min).


Neste filme, o personagem Jess Aarons, um adolescente recém-chegado ao Ensino Médio, sofre bullying na es-
cola e passa por vários outros conflitos ligados à aceitação de problemas familiares. Até que conhece Leslie, aluna
novata que o faz descobrir um lugar imaginário, no qual se refugia, e consegue entender parte de seus conflitos.

E+/Getty Images
Do mesmo modo, ao fazer a pesquisa indicada na atividade 7,
você e os colegas puderam observar outros textos semelhan-
tes ao cartaz analisado, compreendendo como as campanhas
analisadas por meio de textos como cartazes, spots, gifs, entre
outros, realizam a divulgação de serviços ou ações promovidas
pelas instituições responsáveis.
Todas essas atividades foram planejadas com o objetivo de
ajudar você a desenvolver especialmente uma das habilidades do
campo jornalístico-midiático indicada na BNCC como habilidade
de Língua Portuguesa para o Ensino Médio. Leia a descrição des-
Jovem do Ensino Médio utilizando
sa habilidade a seguir. computador para estudar.

(EM13LP44) Analisar formas contemporâneas de publicidade em contexto digital (advergame, anúncios em vídeos,
social advertising, unboxing, narrativa mercadológica, entre outras), e peças de campanhas publicitárias e políticas (car-
tazes, folhetos, anúncios, propagandas em diferentes mídias, spots, jingles etc.), identificando valores e representações de
situações, grupos e configurações sociais veiculadas, desconstruindo estereótipos, destacando estratégias de engajamento
e viralização e explicando os mecanismos de persuasão utilizados e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas
feitas em termos de elementos e recursos linguístico-discursivos, imagéticos, sonoros, gestuais e espaciais, entre outros.
BRASIL. Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular.
Brasília: MEC; SEB, 2018. p. 522.

Pela leitura da habilidade, você deve ter percebido que o trabalho de leitura do cartaz da Câmara de
Betim ajudou você a aprender a analisar as peças de campanhas publicitárias e políticas, identificando
valores e representações e explicando os mecanismos de persuasão utilizados. Ou seja, ao fazer a ati-
vidade, você desenvolveu parte da habilidade enunciada na BNCC. O trabalho de pesquisa solicitado
e tudo o que decorreu dele – as análises de textos, as discussões nos grupos, o apoio do professor, a
divulgação no bloque – possibilitaram também continuar o desenvolvimento dessa habilidade.
Note que o descritivo da habilidade é iniciado com um verbo no infinitivo. Ele indica a ação prin-
cipal do “saber fazer” a ser acionado. Esse “saber fazer”, enunciado na forma de um texto que o
descreve em detalhes, é uma habilidade. Então, na perspectiva da aprendizagem escolar, podemos
entender que uma habilidade é a descrição de um “saber fazer”. Se, como acontece no caso da
habilidade descrita, esse saber fazer está ligado ao uso dos recursos da língua portuguesa, trata-se
de uma habilidade a ser desenvolvida por meio dos estudos de Língua Portuguesa.
É assim que, neste livro, vamos propor a você, ao longo das unidades, o trabalho com as ha-
bilidades da BNCC: por meio de atividades que mobilizem o saber fazer descrito em cada habili-
dade. Progressivamente, por meio de todas as atividades propostas, você poderá desenvolver o
conjunto das habilidades indicadas na BNCC. Você observará que, no início de cada unidade, há
uma página que apresenta o código das habilidades mobilizadas ao longo da respectiva unidade.
Essa página servirá a você como um guia, para ajudá-lo a acompanhar progressivamente o de-
senvolvimento das habilidades de Língua Portuguesa.

36

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 36 9/28/20 12:43 PM


Objetivos de aprendizagem, portfólio
e (auto)avaliação
Objetivos de aprendizagem
No início deste estudo, listamos alguns objetivos de aprendizagem. Nesta última seção, é com
eles que vamos trabalhar.

1 Retome esses objetivos, na primeira página deste capítulo, releia-os e, em seguida, responda
às questões no caderno.
a. Qual ou quais dos objetivos de aprendizagem você considera ter desenvolvido ao longo do
trabalho realizado neste capítulo? Por quê? Resposta pessoal.
b. Qual ou quais desses objetivos de aprendizagem você considera que não foram totalmente
desenvolvidos? O que levou você a chegar a essa conclusão? Se necessário, consulte seu
diário de bordo para responder a esse item. Respostas pessoais.

2 Compare suas respostas com as dos colegas e verifique se há algum objetivo de aprendizagem
que ainda necessita de mais tempo para ser desenvolvido. Com a ajuda do professor, procure
indicar algumas possibilidades de ação para que esse objetivo possa ser desenvolvido.
Respostas pessoais.
Esse trabalho de análise dos objetivos de aprendizagem feito com os colegas e o professor é
proposto, sistematicamente, ao final de cada unidade deste livro, na seção intitulada Meu portfólio.
No início das unidades, há a descrição dos principais objetivos de aprendizagem trabalhados em
cada capítulo. Esses objetivos estão associados com as habilidades de Língua Portuguesa indicadas.
Ao término da unidade, tendo em vista os registros de seu diário de bordo e a retomada das
produções de textos realizadas (guardadas em seu portfólio), você será convidado a rever os
objetivos de aprendizagem da unidade e verificar quais foram atingidos ou não. Em caso de ha-
ver objetivos não atingidos, você poderá retomar as seções específicas da unidade em que esse
objetivo foi trabalhado e refazer as atividades propostas, ou, então, com a ajuda do professor,
desenvolver outras atividades indicadas por ele para que o objetivo seja atingido.
Com isso, tendo como apoio seu diário de bordo, e retomando o que foi feito ao longo de cada
unidade, você vai desenvolvendo uma metodologia de autoavaliação, o que deve levá-lo a con-
quistar a autonomia de aprendizagem.

Portfólio
Para auxiliá-lo nesse processo de gestão da própria aprendizagem,
nas unidades deste livro há sempre uma recomendação para que as pro-
duções de texto realizadas nas diferentes seções dos capítulos sejam DIÁRIO DE BORDO
sempre guardadas, desde os rascunhos produzidos e as versões iniciais, Registre em seu
até as versões finais. diário de bordo suas
Para facilitar esse trabalho, recomendamos que você tenha uma pasta conclusões sobre
ou fichário, físico ou digital, em que essas produções sejam guardadas em as habilidades de
todas as versões. Assim, sempre que for necessário reescrever ou refazer Língua Portuguesa
um texto, ao longo de um processo de produção de textos, você terá fa- e os objetivos de
cilidade de encontrar as versões anteriores da mesma produção. Você aprendizagem
também poderá comparar essas produções, no momento da avaliação ao deste capítulo.
final das unidades, para verificar os progressos conquistados na aprendi- Registre também
zagem. Esse fichário será chamado de portfólio, e nas unidades, sempre suas impressões
sobre o trabalho de
que for recomendado que você guarde uma versão de um texto nele,
autoavaliação sugerido
aparecerá o selo .
no final deste capítulo.

PORTFÓLIO

37

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U00_Intro_020a037_LE.indd 37 9/28/20 12:43 PM


UNIDADE
N S
Para iniciar a conversa sobre esta unidade,

g E
pergunte aos estudantes para quais lugares

VI A
gostariam de viajar e por quê. Em seguida, peça-
-lhes que falem sobre os lugares que já conhecem,
por que gostaram deles ou não. Se quiser, conte-lhes
brevemente sobre uma viagem que você mesmo
tenha feito, recentemente ou não, e o que essa viagem
teve de especial para você, o que ela trouxe como
experiência de vida. Se tiver fotografias dessa viagem,
exiba-as aos estudantes e comente o que elas retra-
tam, relatando, se possível, alguma anedota ou um
acontecimento inusitado. Encerre essa breve conversa
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM perguntando-lhes sobre a importância das viagens na
vida das pessoas.
DA UNIDADE
Nos capítulos de Viagens, você vai ler relatos de viagem e diários pes-
soais, reais e imaginários. Vai descobrir como a atividade de produzir
relatos, registros de viagens e diários tem aspectos importantes, que
ajudam, por exemplo, na reorganização das situações vividas. Ao final,
vai organizar com os colegas uma publicação para compartilhar com
outras pessoas os relatos de vocês.

A BNCC nesta unidade


Competências 1, 2, 4, 5, 7, 8, 9, 10
gerais da Educação
Básica
Competências Competências
e habilidades 1, 2, 3, 6
específicas de Habilidades
Linguagens e suas EM13LGG101, EM13LGG102,
Tecnologias para o EM13LGG103, EM13LGG104,
Ensino Médio EM13LGG201, EM13LGG202,
EM13LGG301, EM13LGG302,
EM13LGG601,
EM13LGG602,
EM13LGG604
Campos de Competências
atuação social, 1, 2, 3, 4, 6, 7
competências Todos os campos de atuação social
específicas e EM13LP01, EM13LP02,
habilidades de EM13LP03, EM13LP04, EM13LP06,
Língua Portuguesa EM13LP07, EM13LP09, EM13LP10, EM13LP11,
para o Ensino Médio EM13LP14, EM13LP15, EM13LP16
Campo da vida pessoal
EM13LP19, EM13LP20, EM13LP21
Campo de atuação na vida pública
EM13LP27
Campo das práticas de estudo e pesquisa
EM13LP32
Campo artístico-literário
EM13LP46, EM13LP48, EM13LP49, EM13LP50

38

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 38 9/28/20 6:14 PM


OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO 1
Compreender as características do gênero relato de viagem, mobilizando-as
em atividades de leitura e produção de textos.
Analisar relatos de viagem, atuais e históricos, compreendendo sua
importância documental e literária, além de reconhecer sua possibilidade
de divulgação de experiências pessoais.
Analisar escritos literários ligados ao tema das viagens e suas relações
intertextuais e interdiscursivas.
Analisar o gênero exposição oral, compreendendo seu funcionamento
composicional e discursivo, para poder produzi-lo em situações de
comunicação variadas.
Produzir relatos de viagem para expor experiências pessoais ligadas ao
tema das viagens.

Justificativa
O gênero relato de viagem permeia o campo da vida pessoal e o campo ar-
tístico-literário, possibilitando o estudo da expressão da subjetividade, além
de favorecer a observação de características de gêneros relatoriais, que
também marcam o gênero oral em estudo no capítulo: a exposição oral.
O tema viagens articula o estudo do gênero relato de viagem com a li-
teratura, possibilitando uma abordagem temática dos relatos históricos,
entre outros, e a percepção da intertextualidade e de rupturas e perma-
nências nos textos literários.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
DO CAPÍTULO 2
Perceber o diário pessoal como gênero que circula em
diversas esferas discursivas, entendendo-o tanto como
escrita para si quanto como escrita para o outro.
Analisar textos literários do cânone das literaturas
brasileira e portuguesa, relacionados ao tema viagens.
Compreender o funcionamento da exposição oral, em
seus aspectos composicionais principais.
Produzir o diário pessoal, compreendendo-o como
escrita de si e para o outro.

Justificativa
Neste capítulo você vai perceber relações entre o
relato de viagem e o diário pessoal, gêneros que
favorecem o desenvolvimento de capacidades de
Verg
ani F
linguagem ligadas às práticas de relatar. Essas capa-
otog
rafia
/Shu cidades de linguagem também são mobilizadas na
tters
tock
produção e recepção de gêneros como o relato de
experiência, entre outros, que circulam em outros
campos de atuação que não o da vida pessoal.

39

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 39 9/28/20 6:14 PM


Nas Orientações específicas deste Manual, há indicação das compe-
tências e habilidades da BNCC favorecidas em cada seção, assim como
atividades complementares, comentários e respostas mais extensas.

I VA S
PERSPECT

Observe as imagens a seguir. NÃO ESCREVA


NESTE LIVRO.

Syda Productions/Shutterstock

TravnikovStudio/Shutterstock
Scorpp/Shutterstock

Dênio Simões/Agência Brasília

Objetos comumente relacionados a viagens.

Os objetos apresentados são:


1 Converse com os colegas e o professor sobre as imagens conside- câmera fotográfica, guia de viagem
rando as perguntas seguintes. de bolso, mala, passaportes, car-
tões de embarque de voo, sextante,
bilhete/cartão de transporte coletivo
Você conhece algum(ns) deles? Para que serve(m)? Respostas pessoais.
de uma cidade (geralmente conhe-
cido como “bilhete único”) que
Você tem alguma ideia de para que serve(m) aquele(s) que não funciona mediante carregamento
monetário.
conhece? Compartilhe suas hipóteses. Respostas pessoais. É possível que os estudantes des-
conheçam o sextante. No final da
Se você fosse viajar para um lugar muito distante do seu local de conversa, se não tiverem reconhe-
cido esse objeto, explique que ele
origem e tivesse de escolher apenas um dos objetos representa- era usado nas viagens marítimas, no
período das Grandes Navegações,
dos, qual escolheria? Por quê? Respostas pessoais. para calcular a latitude.

Descreva para os colegas uma situação de viagem em que você


tenha de utilizar outros objetos mostrados nesta página. Resposta pessoal.
Que viagem você imagina ser possível fazer com um “bilhete único”? Resposta pessoal.

40

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 40 9/28/20 12:43 PM


É possível que você já tenha ouvido falar de Antoine de Saint-Exupéry O PEQUENO PRÍNCIPE
(1900-1944), escritor, piloto e grande viajante francês do século XX. Um
de seus livros mais renomados é Terra dos homens, publicado em 1939. A principal obra do
Nesse livro, ele relata as viagens que fez pelos continentes africano e sul- escritor Antoine de
-americano entre 1926 e 1929, período em que foi piloto da companhia Saint-Exupéry é O
pequeno príncipe,
aérea Aéropostale – uma das primeiras a fazer viagens transatlânticas.
publicado pela
A seguir, leia a introdução de Terra dos homens. primeira vez em 1942 e
traduzido para mais de
Terra dos homens oitenta idiomas.
Mais coisas sobre nós mesmos nos ensina a terra que
todos os livros. Porque nos oferece resistência. Ao se

Colaimages/Alamy/Fotoarena
medir com um obstáculo, o homem aprende a se co-
nhecer; para superá-lo, entretanto, ele precisa de fer-
5 ramenta. Uma plaina, uma charrua. O camponês, em
sua labuta, vai arrancando lentamente alguns segredos
da natureza; e a verdade que ele obtém é universal.
Assim o avião, ferramenta das linhas aéreas, envolve o
homem em todos os velhos problemas.
10 Trago sempre nos olhos a imagem de minha primei-
ra noite de voo, na Argentina – uma noite escura, onde
apenas cintilavam, como estrelas, pequenas luzes per-
didas na planície.
Cada uma dessas luzes marcava, no oceano da escu-
15 ridão, o milagre de uma consciência. Sob aquele teto al-
guém lia, ou meditava, ou fazia confidências. Naquela ou-
Antoine de Saint-Exupéry.
tra casa, alguém sondava o espaço ou se consumia em cálculos sobre a nebulosa
de Andrômeda. Mais além seria, talvez, a hora do amor. De longe em longe bri-
lhavam esses fogos no campo, como que pedindo sustento. Até os mais discretos:
20 o do poeta, o do professor, o do carpinteiro. Mas entre essas estrelas vivas, tantas 2. As questões formuladas após a
leitura do texto são apenas suges-
janelas fechadas, tantas estrelas extintas, tantos homens adormecidos... tões. Dependendo do tempo de
que dispõe e do interesse dos
É preciso a gente tentar se reunir. É preciso a gente fazer um esforço para estudantes ao longo da conversa,
se comunicar com algumas dessas luzes que brilham, de longe em longe, ao você pode propor outras perguntas.
Durante a discussão, os estudantes
longo da planura. podem mencionar outros aspectos
relacionados à experiência de viajar,
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Terra dos homens. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. E-book. extrapolando o próprio texto, o que
será muito enriquecedor. Se consi-
derar pertinente, registre por escrito
2 Agora, discuta o texto com os colegas tendo como base as pergun- algumas das ideias que surgirem
ao longo da discussão. No início
tas a seguir. do Capítulo 1, as discussões sobre
esse assunto serão retomadas.
Em sua opinião, por que o avião, assim como a plaina e a charrua, Respostas pessoais. Espera-se que
seria uma importante ferramenta? De que maneira a ferramenta os estudantes percebam que o avião
proporcionou aos seres humanos
“avião” permite às pessoas viajar? vencer distâncias enormes, o que
facilitou viagens que, no passado,
Para o aviador, há aspectos das viagens feitas por ele que perma- eram muito complicadas ou mesmo
impossíveis.
necem após a experiência. Explique o que você entendeu dessa
Respostas pessoais. Espera-se
afirmação e se concorda ou não com essa ideia considerando suas que os estudantes percebam que
a experiência de viajar é, para
experiências de viagem, reais ou imaginárias. Saint-Exupéry, um modo de conhe-
cer pessoas, estabelecer contatos.
De acordo com Saint-Exupéry, “é preciso a gente tentar se reunir”,
Resposta pessoal. Espera-se que
“é preciso a gente fazer um esforço para se comunicar”. Em sua os estudantes percebam que viajar
é uma experiência humana por meio
opinião, a ação de viajar possibilita realizar esses desejos? Justifi- da qual se pode estabelecer conta-
que sua resposta. to com pessoas, culturas, realida-
des completamente diferentes das
que se vive no cotidiano. Isso leva
E você? Tem experiências de viagem? Em caso afirmativo, relate os viajantes, em grande medida, a
uma para os colegas. Se nunca viajou de fato, conte aos colegas tentar ao menos compreender esse
desconhecido, tentar se comunicar
que viagem gostaria de fazer. Respostas pessoais. com ele.

41

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 41 9/28/20 12:43 PM


1 e
NÃO ESCREVA

Re l at o d NESTE LIVRO.

v i ag e m
CAPÍTULO

1. Resposta pessoal.
Conduza a atividade de acordo com o que for mais conveniente, encaminhando-a para
que os estudantes registrem as considerações deles no caderno ou as comentem
oralmente com os colegas. A tarefa aqui é que eles observem a imagem e estabeleçam
relação com o relato do escritor Antoine de Saint-Exupéry, sem que haja uma resposta

Situação inicial certa ou errada. É possível, por exemplo, que os estudantes relacionem a imagem com
o trecho do relato de viagem “Trago sempre nos olhos a imagem de minha primeira
noite de voo, na Argentina – uma noite escura, onde apenas cintilavam, como estrelas,
pequenas luzes perdidas na planície”.
1 Observe a imagem e, em seguida, relacione-a com o relato de viagem
do escritor Antoine de Saint-Exupéry que você leu anteriormente.

Pixabay/pixabay.com

DIÁRIO DE BORDO
Depois de conversar
Vista noturna de aldeia.
com os colegas e o
professor, reflita sobre
2 Imagine que uma das “pequenas luzes perdidas na planí- seus relatos e os da
turma toda e procure
cie”, avistadas pelo aviador, tenha sido sua casa. Se você
lembrar em que
encontrasse esse aviador hoje e conversasse com ele, o que PORTFÓLIO
aspectos os relatos
lhe diria? O que contaria sobre sua vida e a de sua família, foram semelhantes e
das pessoas com quem você mora? E o que acha que ele pergunta- em que aspectos se
ria a você? Escreva no caderno esse diálogo entre você e o aviador. diferenciaram. Procure
Respostas pessoais. Combine previamente com os estudantes o tempo para a realização dessa produção escrita.
Só passe para a atividade seguinte quando eles tiverem concluído esta. recordar se os colegas
3 Agora, faça o exercício contrário: Você é um aviador e vê relataram fatos
do alto, pela janela do avião, essas “luzes perdidas na pla- interessantes nos quais
nície”. Observe novamente a imagem da atividade 1 desta PORTFÓLIO você sequer havia
seção, escolha uma dessas luzes e imagine o que se passa pensado ao elaborar
no interior da casa observada. No caderno, registre a situação. o próprio relato e se
Resposta pessoal. INTERAÇÃO você discordou de
4 Em um momento definido pelo professor, compartilhe com os cole- algum relato e por
quê. Depois, registre
gas os dois relatos que você criou: faça a leitura dos textos e expli-
suas observações em
que-lhes as impressões que você teve ao elaborá-los. Resposta pessoal. seu diário de bordo.
A atividade foi indicada com o selo de interação porque os estudantes deverão compartilhar os relatos que
produzirem. Atividades de interação semelhantes podem ser realizadas toda vez que você propuser em sala de
aula momentos em que os estudantes devam compartilhar impressões sobre tarefas previamente realizadas.

42

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 42 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

A atividade foi indicada com o ícone de interação porque o encaminhamento sugerido propõe que

Práticas de leitura os estudantes conversem para trocar impressões a partir das perguntas formuladas nos itens a e
b. Atividades de interação semelhantes a essa podem ser feitas toda vez que você propuser aos
estudantes que conversem e compartilhem impressões sobre o que foi solicitado em determinada
atividade, entendendo que a conversa faz parte do desenvolvimento da tarefa.
5 Converse com os colegas e o professor sobre as perguntas seguintes. INTERAÇÃO

a. Imagine que você esteja em uma viagem e depare com uma cida- A atividade pode ser feita oralmente, em
forma de conversa entre os estudantes,
de recém-fundada. Como você a descreveria? Resposta pessoal. ou por escrito (o item a, especialmente).
Escolha o que for mais adequado para a
b. Você já visitou alguma cidade diferente do lugar em que mora? Em turma no momento da atividade. Caso opte
pelo relato por escrito, será importante que
caso afirmativo, lembra-se de como se sentiu nesse local? todos sejam posteriormente compartilha-
Respostas pessoais. dos e socializados entre os estudantes.

6 Observe as imagens a seguir e, depois, faça o que se pede.


FICA A DICA

Jeffrey Isaac Greenberg 7+/Alamy/Fotoarena

ValerioMei/Shutterstock
As cidades invisí-
veis, de Italo Calvino.
Companhia das Le-
tras, 1990.
Neste livro, o nar-
rador é o viajante
italiano Marco Polo
(1254-1324), que narra
ao imperador mon-
gol Kublai Khan (1215-
-1294) as visitas que
fez a uma série de ci-
dades, todas elas ima-
ginárias e com nomes
femininos. Nos relatos
curtos sobre cada cida-
de, o narrador vai cons-
truindo um panorama
da vastidão, às vezes
inimaginável, do mun-
do visitado e, ao mes-
mo tempo, instigando
a imaginação e a curio-
Praça de Maio, em Buenos Aires, na Praça do Campo, em Siena, na Itália. Foto
sidade do imperador
Argentina. Foto de 2017. de 2018.
sobre esse mundo.

a. Qual das imagens chama mais a sua atenção? Por quê? Registre a
resposta no caderno. Respostas pessoais. A fotografia representa a visão do fotógrafo filtrada pela sua experiência da captura da ima-
gem. Quando o estudante compartilha seu registro com a turma, ele atua também como mediador.
b. Durante o trajeto de sua residência até a escola, ou vice-versa, MEDIAÇÃO
fotografe algum local que você acha que seria interessante para
um turista e elabore uma legenda para essa foto. Se você não tiver 6b. Resposta pessoal.
Caso não seja possível a todos os estu-
equipamento para fazer o registro, descreva por escrito esse local dantes fotografar e postar as imagens em
redes sociais, uma possibilidade de adap-
e, se possível, crie uma imagem dele utilizando suas habilidades tação da atividade é sugerir que ela seja
(pode ser uma ilustração, uma colagem ou outra técnica). Depois, feita em duplas, aproveitando estudantes
que se deslocam juntos no caminho de
combine com os colegas e o professor uma forma de divulgar es- casa à escola, ou vice-versa. O estudante
da dupla que dispuser de celular com
sas produções, para que outras pessoas possam apreciá-las. Ela- câmera fotográfica faz o registro. Se ainda
bore também um comentário para explicar o que esse local repre- assim o registro não for possível, solicite
a observação de um local especial e
senta para você e por que mereceu ser registrado. que a legenda da foto ou o comentário
sejam feitos em tempo real, durante a
socialização das respostas, em aula. Não
é preciso esperar o resultado dessa ativi-
dade para prosseguir. Mas será importante
DIÁRIO DE BORDO combinar com os estudantes uma data (a
aula seguinte, por exemplo), em que as
Registre em seu diário de bordo suas considerações sobre a fotografias registradas sejam comentadas.
Se a divulgação dessas fotografias for feita
experiência de fazer uma foto ou a descrição de um local de seu em redes sociais, incentive-os a comentar
cotidiano. as postagens dos colegas e, se possível,
faça você também um comentário.

43

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 43 9/28/20 12:43 PM


7 Leia, a seguir, o relato de viagem da jornalista e escritora argentina NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
Beatriz Sarlo (1942-) sobre a visita que fez à praça dos Três Poderes,
em Brasília (DF), nos anos 1970.

Brasília NIEMEYER
Beatriz Sarlo
O arquiteto carioca
Caminhamos até a praça dos Três Poderes, que era a imagem de Brasília
Oscar Niemeyer (1907-
que melhor conhecíamos por fotografias. -2012) foi estagiário do
Nossa ideia de espaço público havia se limitado, até pisar a praça dos urbanista e arquiteto
Três Poderes, à praça de Maio de Buenos Aires. As diferenças são evidentes, franco-brasileiro Lúcio
5 mas apenas ali tivemos consciência delas. A praça de Maio é o produto de Costa (1902-1998).
uma superposição de modificações, reconstruções e demolições realizadas Niemeyer projetou
vários edifícios na
ao longo de dois séculos. Não surge de um só gesto, mas sim de uma soma
cidade de Brasília (DF)
estilística e paisagística, da coexistência desigual dos edifícios neoclássicos, e outras obras, como o
italianos e modernos que a rodeiam. É heterogênea, suas qualidades não Conjunto Arquitetônico
10 provêm de uma só concepção urbanística nem arquitetônica, mas sim de da Pampulha, em
acréscimos e correções. Fundamentalmente, seu sentido é dado pelos acon- Belo Horizonte (MG),
tecimentos que ocorreram e ocorrem ali. A praça de Maio está quase sempre e o Museu de Arte
(inclusive sob ditaduras militares) cheia de gente, curiosos, manifestantes, Contemporânea
(MAC), em Niterói (RJ).
vendedores, turistas, mendigos, veteranos das Malvinas.
15 Em 1970, a diferença com a praça dos Três Poderes não provinha só
da beleza, que, claro, nos deixou pasmos, enquanto caminhávamos de um
extremo ao outro pelas esplanadas. A diferença era que a praça dos Três
Poderes estava deserta. Não havia ninguém ali. Seu simbolismo se origina-
va na potência do gesto arquitetônico e construtivo, na confiança política fundacional: relativo
20 fundacional, não nas camadas do passado que ainda não haviam tido tempo a fundação, alicerce,
de se depositar sobre aquelas superfícies perfeitas. Na praça dos Três Po- construção.
deres, a decisão de um Estado e o gênio de Niemeyer haviam substituído a
história que é a grande arquiteta das outras praças latino-americanas.
CHANDIGARH
Tudo estava vazio. Uma fotografia mostra dois de nós, distantes várias cen-
25 tenas de metros do palácio do Planalto. A extensão registrada é enorme. So- Projetada pelo
bre a planície de cimento estão apenas esses dois argentinos, contra a silhue- arquiteto modernista
ta do palácio. É aproximadamente meio-dia e não se vê ninguém mais. Apos- francês Le Corbusier
ta máxima da arquitetura moderna: sustentar-se sobre o vazio. Chandigarh, (1887-1965) e fundada
em 1947, Chandigarh
Brasília, autofundar-se com um duplo gesto material e simbólico.
é uma cidade indiana
conhecida como
uma das melhores
experiências em
Waldemar Manfred Seehagen/Shutterstock

planejamento urbano
e arquitetura moderna
do século XX.
Luiz Felipe Castro/Moment RM/
Getty Images

Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF). Foto de 2012. Na ampliação, imagem do Congresso Nacional. Foto de 2018.

44

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 44 9/28/20 12:43 PM


30 Hoje as imagens são bem diferentes. Centenas de presidentes, ministros
HAUSSMANN
e embaixadores percorreram essa extensão, registrados em milhares de
fotos jornalísticas e de sequências televisivas. Quando nós chegamos, ao O oficial francês
contrário, a fenomenal e desmesurada aposta estava nua. Então podia se Georges-Eugène
formular a pergunta: o que será amanhã, dentro de vinte ou trinta anos, Haussmann (1809-
-1891), conhecido como
35 desta esplanada deserta?
Barão de Haussmann,
Não nos fizemos essa pergunta. Aparentemente simples, era, no entanto,
foi chefe do
complicada demais para nós. Discutimos outras coisas. Habituados às mo- Departamento de Paris
bilizações em praça pública, nos esforçamos por imaginar como seria uma (cargo equivalente ao
hipotética mobilização popular na praça dos Três Poderes. Sentados sobre o de prefeito) entre 1853
40 cimento, ao sol, só pensávamos a partir do que acreditávamos ser uma espé- e 1870 e responsável
cie de norma universal: as praças são projetadas para que os manifestantes por reformar regiões
da cidade francesa,
as ocupem. A clareza do Plano Piloto acentuava nosso erro: como se Lucio
modificando a
Costa (ao contrário do barão de Haussmann) houvesse decidido um traçado arquitetura urbana.
urbano especialmente propício para multidões que avançassem em colunas Esse trabalho inspirou
45 pela avenida dos ministérios até a praça. a reforma de outras
Assim delirávamos, impactados por uma obra ainda desprovida das ima- cidades do mundo,
gens que iriam rodeá-la com o passar do tempo. Simultaneamente ela ti- como Buenos Aires, na
Argentina, no fim do
nha algo de irreal, como se estivéssemos passeando por uma cenografia da
século XIX, e Rio de
história futura. As duas cúpulas invertidas, as duas torres brilhavam com a Janeiro, no Brasil, no
50 aura do vento. Não havia acontecido ainda o lento, inexorável e desgastante início do século XX.
processo que converte as imagens, os edifícios, as paisagens em familiares.
Tudo explodia diante dos olhos.
SARLO, Beatriz. Viagens da Amazônia às Malvinas. São Paulo: E-galáxia, 2015. [s. p.]

Ricardo Ceppi/Getty Images


PLANO PILOTO
A argentina Beatriz Sarlo (1942-) é escritora
e crítica literária. Foi professora da Universidade Projeto de Lúcio
Costa, o Plano Piloto
de Buenos Aires e lecionou nos Estados Unidos
venceu um concurso
e na Inglaterra. É conhecida como uma das mais realizado em 1957,
importantes críticas culturais da América Latina e para a construção de
discute temas como arte, literatura, política, história, Brasília – a nova capital
feminismo e meios de comunicação. Entre suas obras, do Brasil –, superando
26 participantes.
destacam-se: La ciudad vista (2009), Escritos sobre
literatura argentina (2007) e Ficciones argentinas: 33 O planejamento da
cidade foi obra de
ensayos (2012).
uma parceria entre
esse arquiteto e
Oscar Niemeyer, a
FICA A DICA convite do presidente
mineiro Juscelino
A noite da espera, de Milton Hatoum. Companhia das Letras, 2017. Kubitschek (1902-
Neste romance, o escritor amazonense Milton Hatoum faz de Brasília não só o -1976), que governou o
cenário da história, mas quase personagem. O romance narra a vida do adolescen- país de 1956 a 1961. A
te Martim, que se muda de São Paulo para a Brasília dos anos 1960, acompanhan- construção de Brasília
do seu pai. Nessa mudança, Martim vai se descobrindo como adulto, no contato teve início em 1956,
com outros jovens como ele, ao mesmo tempo que explora essa nova e futurista tendo sido inaugurada
cidade recém-construída. em 21 de abril de
1960 como exemplo
Oscar Niemeyer: a vida é um sopro. Direção de Fabiano Maciel. 2007 (90 min). modernista de
Neste documentário, o arquiteto Oscar Niemeyer relata, de forma descontra- arquitetura brasileira
ída, seus muitos projetos, incluindo aqueles que fizeram parte da construção de do século XX.
Brasília. O audiovisual, em forma de entrevista, é pontuado por inúmeras imagens
das obras do arquiteto e traz depoimentos de personalidades brasileiras e estran-
geiras.

45

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 45 9/28/20 12:43 PM


8. Respostas pessoais. O Instituto
8 É possível que você já tenha visto imagens da praça dos Três Pode- Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
res, em Brasília (DF), em meios de comunicação impressos e digi- estimou que, em 2019, a cidade de
Brasília tinha mais de 3 milhões de habi-
tais. Em sua opinião, essa praça, na situação atual, aproxima-se ou tantes. Contudo, os turistas que visitam
as edificações e logradouros do Plano
não da imagem construída por Beatriz Sarlo? Por quê? Responda no Piloto têm, muitas vezes, a impressão de
caderno. vazio mencionada pela escritora Beatriz
Sarlo, visto que muitos monumentos da
cidade, principalmente os relacionados
aos órgãos federais, não são abertos ao
9 Na opinião da escritora Beatriz Sarlo, que característica da praça dos público em geral.
Três Poderes, em Brasília (DF), dificultaria a ocupação do espaço? Aceite as respostas dos estudantes que
lhe parecerem bem argumentadas e
verifique se há, entre eles, algum que
conheça Brasília caso vocês mesmos
10 De acordo com o relato de Sarlo, que aspectos da praça de Maio, em não sejam dessa cidade.
Buenos Aires, na Argentina, e da praça dos Três Poderes, em Brasília 9. Resposta pessoal.
Verifique se os estudantes percebem
(DF), ajudam o leitor a compreender a diferença entre esses locais? que, segundo Sarlo, a concepção arqui-
tetônica da praça dos Três Poderes, muito
ampla, dificulta a percepção do “entorno”
11 Em sua opinião, o relato de viagem de Sarlo permite entender a diferen- da praça, dos limites do perímetro.
ça entre as cidades de Buenos Aires e Brasília? Explique sua resposta. 11. Espera-se que os estudantes reflitam
12a. Resposta pessoal. Aceite as respostas que retomarem do texto a ideia de uma cidade vazia. Uma das possi- que as alterações sofridas pela praça
bilidades é o trecho “aposta máxima da arquitetura moderna: sustentar-se sobre o vazio”. de Maio ao longo de dois séculos são
consequências de momentos históricos
12 Muitas manifestações populares já aconteceram na praça dos Três pelos quais a Argentina e também sua
Poderes nos mais de cinquenta anos da construção de Brasília. capital passaram. Em contrapartida, à
época da visita de Sarlo à praça dos
a. Ao tentar definir a Brasília que visitava nos anos 1970, Sarlo utiliza Três Poderes, em Brasília, não existiam
marcas históricas e temporais como em
uma imagem que reflete a impressão de uma cidade construída do outras cidades do Brasil, uma vez que a
própria cidade fora projetada pouco antes
nada. Que imagem é essa? de 1960. Nesse sentido, espera-se que
os estudantes concluam que, enquanto
b. Em que essa impressão de Sarlo contrasta com a imagem das ma- Buenos Aires é marcada pela dimensão
histórica e temporal ao longo de sécu-
nifestações populares já ocorridas na capital do Brasil? los, Brasília ainda é fruto de apenas um
12b. Resposta pessoal. Ao longo dos anos, desde a construção de Brasília, as muitas manifestações ocorridas na capitalmomento histórico.
do país permitiram a ocupação dos espaços vazios da cidade pela multidão, incluindo a praça dos Três Poderes.
13 Que adjetivo você empregaria para caracterizar a impressão que MEDIAÇÃO
Beatriz Sarlo teve da cidade de Brasília? Esse adjetivo expressa a
característica que você, hoje, atribui a essa cidade? Explique sua
resposta. Respostas pessoais.

14 Após refletir com os colegas e o professor sobre o relato de viagem,


como você responderia à seguinte pergunta de Beatriz Sarlo: “O
que será amanhã, dentro de vinte ou trinta anos, desta esplanada
deserta?”. Socialize a resposta oralmente com os colegas.
14. Resposta pessoal. É fundamental que os estudantes percebam que a pergunta os leva a refletir sobre o presente
da capital do país. Para isso, previamente separe notícias e reportagens sobre Brasília, em especial sobre a praça dos
Três Poderes, publicadas na época das aulas, para poder ler/ouvir/ver essas matérias com os estudantes e levá-los
a discutir a questão com base em fatos atuais. O resultado da socialização e as tarefas com o texto de Beatriz Sarlo
podem ser registrados no próprio diário de bordo. Há mais informações sobre esse diário nas Orientações gerais
deste Manual.

DIÁRIO DE BORDO
Registre em seu
diário de bordo suas
reflexões a respeito
das atividades
realizadas sobre a
leitura do relato de
Beatriz Sarlo. Explique
quais atividades
ivector/Shutterstock

propiciaram a você a
compreensão do texto
e tente explicar
por quê.

46

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 46 9/28/20 12:43 PM


Práticas de análise linguística NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

15 Observe as formas verbais do texto de Beatriz Sarlo. Em seguida, 15a. Predomina o indicativo.
Além desses três modos finitos,
responda no caderno ao que se pede. capazes de expressar modalidade,
tempo, aspecto, número e pes-
a. Qual destes três modos verbais – indicativo, subjuntivo e imperativo – soa, a língua portuguesa possui um
conjunto de formas verbais ditas
predomina no texto? “infinitas”, que a tradição gramati-
cal de nossa língua e a NGB não
b. Como você já deve ter visto, no indicativo e no subjuntivo, os ver- consideram “modos” em sentido
pleno, preferindo chamá-las de “for-
bos apresentam “tempos” de presente, de pretérito e de futuro, mas nominais”. Se achar pertinente,
retome com os estudantes esses
em formas simples e compostas. Há quatro tempos verbais muito conceitos.
frequentes no texto de Beatriz Sarlo. Indique-os e forneça exem- 15b. Os quatro tempos verbais são:
plos desses tempos verbais. presente do indicativo (exemplos:
são, é, surge, provêm, ocorrem,
etc.); pretérito imperfeito do indica-
c. Pelas características do texto, formule uma hipótese para explicar tivo (exemplos: era, conhecíamos,
o predomínio desse modo e desses tempos verbais. provinha, caminhávamos, estava,
originava, etc.); pretérito perfeito
simples do indicativo (exemplos:
caminhamos, tivemos, ocorreram,
16 Embora o relato tenha como autora a escritora argentina Beatriz chegamos, discutimos, etc.); preté-
Sarlo, quando você o lê percebe que a voz enunciativa que o conduz rito mais que perfeito composto do
indicativo (exemplos: havia limita-
assume o nós – primeira pessoa do plural – em praticamente todo o do, haviam tido, haviam substituído,
havia acontecido, etc.).
texto. Que efeito de sentido isso confere ao relato?
15c. Resposta pessoal.
Espera-se que os estudantes per-
17 Releia os trechos a seguir. cebam que, pelo fato de o texto ser
um relato e por tratar de ações e
I. A praça de Maio está quase sempre (inclusive sob ditaduras militares) cheia processos já realizados, nele predo-
mina o uso de tempos de pretérito
de gente [...] linhas 12-13 e o modo indicativo. Esse modo
II. Tudo estava vazio. Uma fotografia mostra dois de nós, distantes várias cen- verbal indica modalidades ligadas,
tenas de metros do palácio do Planalto. A extensão registrada é enorme. Sobre de preferência, à expressão objetiva
da realidade, como a expressão da
a planície de cimento estão apenas esses dois argentinos, contra a silhueta do certeza, da afirmação, da constata-
palácio. É aproximadamente meio-dia e não se vê ninguém mais. linhas 24-27 ção, entre outras, por oposição ao
subjuntivo, que traduz modalidades
III. [...] só pensávamos a partir do que acreditávamos ser uma espécie de norma uni- ligadas à expressão do desejo, da
versal: as praças são projetadas para que os manifestantes as ocupem. linhas 40-42 dúvida, da incerteza, da apreciação
subjetiva, entre outras.
IV. Não havia acontecido ainda o lento, inexorável e desgastante processo
que converte as imagens, os edifícios, as paisagens em familiares. linhas 50-51 16. Resposta pessoal. Espera-se
que os estudantes percebam que o
nós representa uma entidade plural,
As formas verbais em destaque estão no presente do indicativo formada pela própria autora e seus
e, embora pertençam ao mesmo tempo verbal, não funcionam da companheiros de viagem.

mesma maneira no texto. 17a. Nos trechos I, III e IV, o pre-


sente do indicativo foi usado para
construir definições. No trecho II, as
a. Indique em qual(is) dos itens (I a IV) o presente do indicativo foi três últimas ocorrências do presente
usado para construir definições e em qual(is) deles essa forma ver- do indicativo poderiam ser substi-
tuídas pelo pretérito imperfeito do
bal foi empregada para substituir o pretérito. indicativo.

b. Retomando o que você já sabe sobre os tempos verbais da língua


portuguesa e considerando a leitura dos trechos acima, por que a
escritora preferiu empregar o presente do indicativo no lugar de
outro tempo verbal? Resposta pessoal.
Jeffrey Isaac Greenberg 7+/Alamy/Fotoarena

Praça de Maio, em Buenos


Aires, na Argentina. Foto
de 2017.

47

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 47 9/28/20 12:43 PM


18 Identifique as ocorrências do subjuntivo no relato. Mesmo sem con-
tá-las, comparando-as com as do indicativo, é possível perceber
qual é o modo verbal predominante.
18. Espera-se que os estudantes
a. Consulte uma gramática ou outro livro de referência que explique percebam que o subjuntivo, nas
ocorrências no texto de Beatriz
os tempos e os modos verbais e seus usos. Localize as explicações Sarlo, é usado na expressão da
sobre o modo subjuntivo. Leia atentamente essas explicações e, apreciação, do julgamento, da
incerteza, da dúvida, da irrealida-
caso tenha dúvidas, consulte os colegas e o professor para com- de, da possibilidade, entre outras.
Por exemplo, no trecho: “como se
preender as explicações. Lucio Costa (ao contrário do barão
de Haussmann) houvesse decidido
b. Agora, tendo por base essa pesquisa, formule uma explicação para um traçado urbano especialmente
propício para multidões que avan-
as ocorrências do subjuntivo no texto de Beatriz Sarlo. çassem em colunas pela avenida
dos ministérios até a praça”. No
primeiro caso, temos a expressão
de uma irrealidade imaginada sobre
19 O terceiro parágrafo do trecho do relato de Beatriz Sarlo começa o passado (daí o emprego do preté-
rito mais que perfeito do subjuntivo
com uma data: “Em 1970, a diferença com a praça dos Três Poderes na oração que expressa hipótese);
não provinha só da beleza [...]”. linhas 15-16 no segundo, uma finalidade (que
sempre deve ser compreendida
como algo possível, mas não certo,
a. Releia esse parágrafo. por isso o subjuntivo é o modo
usado nas orações subordinadas
b. Essa referência temporal explícita instaura no texto, que é um re- adverbiais finais). Nesse caso, o
emprego do imperfeito expressa
lato de viagem, um referencial preciso de tempo. Em que outros posterioridade em relação a esse
passado irreal.
tipos de relato conhecidos por você a referência temporal explícita
19b. Espera-se que os estudantes
ajuda na compreensão do que é relatado? Por quê? percebam que, em geral, em textos
relatoriais, a marcação explícita de
c. Se não houvesse esse referencial de tempo no relato, como datas ajuda a localizar os eventos
na linha do tempo e, ao mesmo
você, um leitor da terceira década do século XXI, saberia em tempo, permite a criação de uma
cronologia de ações com base
que momento Beatriz Sarlo visitou Brasília? Compare suas hipó- nos referenciais. Como se trata,
na maioria das vezes, de eventos
teses com as dos colegas e, com a ajuda do professor, formulem verídicos, ou construídos como se
o fossem, essa possibilidade ins-
uma conclusão sobre as marcas explícitas de tempo em relatos taurada pelos referenciais de tempo
de viagem. Respostas pessoais. Reveja a resposta ao item b. é quase imprescindível nos relatos.

20 Retomando o que você compreendeu até aqui


sobre os relatos de viagem, selecione uma expe-
riência que você tenha vivido e gostaria de com- PORTFÓLIO
partilhar publicamente. Essa experiência pode
ser a vivência de uma viagem que você tenha feito ou, assim
como fez Beatriz Sarlo, o relato de visita a uma praça. Se qui-
ser, use uma fotografia com a qual você tenha registrado a
experiência para recordar e se inspirar. Depois, compartilhe
com os colegas essa experiência, lendo seu texto em voz alta
ou afixando uma cópia dele no mural da sala de aula, para que
todos possam ler. Na seção Práticas de produção de textos,
essa produção será retomada.
A produção textual feita pelos estudantes nesta atividade será retomada em Produção escrita, na seção
Práticas de produção de textos, em que o trabalho terá continuidade.
Virinaflora/Shutterstock

DIÁRIO DE BORDO
Registre em seu diário de bordo o
que você pôde concluir a respeito do
emprego dos tempos verbais e da
representação de marcas temporais
nos relatos de viagem.

48

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 48 9/28/20 12:43 PM


Práticas de leitura e análise literária NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Relatos de viagem sobre o Brasil


O texto a seguir é um dos documentos mais estudados sobre o Brasil:
a Carta a El-Rei D. Manuel, mais conhecida como “A carta de Caminha”.
Escrita em 1500 por Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro
Álvares Cabral, e enviada para o rei de Portugal dom Manuel I, essa carta
Se você e/ou os estudantes tiverem
fazia o relato da primeira expedição portuguesa ao território brasileiro curiosidade sobre o conteúdo inte-
de que se tem notícia. gral da carta de Caminha, ela está
disponível em: http://portal.iphan.
gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/
21 Leia o fragmento da Carta a El-Rei D. Manuel. Carta%20de%20Pero%20Vaz%20
d e % 2 0 C a m i n h a % 2 015 0 0. p d f.
Acesso em: 23 jun. 2020.
A carta de Pero Vaz de Caminha

Reprodução/Instituto dos Arquivos Nacionais /Torre do Tombo,


Lisboa, Portugal
[...] E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra,
indo os navios pequenos diante, por dezassete, dezasseis, quinze, quatorze,
treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos
âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez
5 horas, pouco mais ou menos.
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, se-
gundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes; e vieram logo todos os capitães
das naus a esta nau do capitão-mor, onde falaram entre si. E o capitão-mor
10 mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que
ele começou a ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois,
quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel chegou à boca do rio, já
lá estavam dezoito ou vinte homens. Reprodução da carta de
Eram todos pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas Pero Vaz de Caminha,
15 vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente datada de 1500.
sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E
eles os pousaram.
Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar
quebrar na costa. Deu-lhes somente um barrete vermelho e uma carapuça
20 de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu lhe
aljaveira: árvore de onde
um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha pequena se extraem sementes
de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro lhe deu um ramal para fazer acessórios
grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as de contas.
quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu
25 às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.
CAMINHA, Pero Vaz de. A Carta de Pero Vaz de Caminha. Com um estudo de
Jaime Cortesão. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1943. p. 201-202.

Reprodução/Biblioteca Mário de Andrade,


São Paulo, SP.

Pero Vaz de Caminha (1450-1500) nasceu na cidade do Porto, em


Portugal. Na qualidade de escrivão, participou da frota de Pedro Álvares Cabral
que aportou em terras que hoje são brasileiras, em 1500. Coube a Caminha
então produzir uma carta ao rei de Portugal, dom Manuel I, comunicando-lhe
o acontecido e descrevendo-lhe as terras encontradas. Trata-se das primeiras
impressões de um estrangeiro a respeito de terras do Brasil. Na imagem, Pero Vaz
de Caminha em pintura de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854-1916),
sem data.

49

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 49 9/28/20 12:43 PM


22 Nesse primeiro contato dos navegadores portugueses com o que NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
viria a ser o Brasil, que aspectos do trecho que você leu mereceram
a atenção de Pero Vaz de Caminha? 22. Aspectos físicos da terra, como
o rio e as ondas do mar, e de seus
Na época das chamadas Grandes Navegações e pouco além, houve habitantes, com a descrição do
corpo dos indígenas e dos acessó-
intensa circulação de relatos de viajantes europeus ao Brasil. Além de rios que usavam.
Pero Vaz de Caminha, fizeram relatos sobre as novas terras outros via-
jantes e historiadores, como Hans Staden, Jean de Léry, Pero de Maga-
lhães Gândavo e André Thévet.
Leia a seguir um trecho do relato de um desses viajantes, Hans Staden,
extraído de Duas viagens ao Brasil. Em seguida, responda às perguntas so-
bre o texto e, depois, socialize as respostas com os colegas e o professor.

Duas viagens ao Brasil


Hans Staden

Capítulo 22
Como meus dois senhores vieram ver-me e disseram que me
tinham presenteado para um amigo, que primeiro queria me
guardar, mas depois, quando fosse me comer, matar-me-ia.
Seus costumes, nessa ocasião, não me eram tão conhecidos como o foram
5 depois, e, portanto, pensei que agora estavam se preparando para matar-me.
Mas logo chegaram os irmãos Nhaêpepô-oaçu e Alkindar-miri, que me ha-
viam presenteado ao irmão do pai deles, Ipiru-guaçu, em sinal de amizade.
Ele me guardaria e mataria quando quisesse me comer, o que faria, graças a
mim, ganhar mais um nome.
10 O mesmo Ipiru-guaçu tinha capturado um escravo um ano antes e deu-o
de presente a Alkindar-miri em sinal de amizade. Este o matou, ganhando
assim mais um nome, e, em troca, prometera a Ipiru-guaçu dar-lhe de pre-
sente o primeiro inimigo que capturasse. E esse era eu.
Os irmãos que me aprisionaram ainda disseram: “Agora as mulheres vão
15 levá-lo ao pacaré”. Naquela ocasião, eu ainda não conhecia o significado
daquela palavra. Significava “dança”. Puxaram-me pela corda que eu tinha
ao redor do pescoço, levando-me da cabana para o descampado em frente.
Todas as mulheres das sete cabanas acorreram e vieram receber-me enquan-
to os homens se afastavam. Puxavam-me, algumas pelos braços e outras pela
20 corda amarrada ao meu pescoço, com tanta força que eu mal conseguia res-
pirar. Eu não sabia o que pretendiam comigo ao arrastar-me dessa forma. [...]
STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil: primeiros registros sobre o Brasil.
Porto Alegre: L&PM, 2008. p. 69-71.
akg-images/Album/Fotoarena

Hans Staden (1525-1576) foi um aventureiro e mercenário alemão que


veio duas vezes ao Brasil. Na segunda vez, foi capturado, em Ubatuba (SP),
por indígenas tupinambás e mantido em cativeiro durante nove meses, sob a
ameaça de ser morto e devorado. Após lutar ao lado dos Tupinambá contra os
Tupiniquim, tribo aliada dos portugueses, Staden foi libertado e resgatado por
um navio francês. De volta à Europa, escreveu o livro Duas viagens ao Brasil,
lançado na Alemanha em 1557, com relatos das viagens e de suas peripécias no
Novo Mundo, além de ilustrações anônimas baseadas em suas descrições.
A obra foi sucesso de público, principalmente pelas descrições e ilustrações de
fatos, costumes e rituais antropofágicos dos Tupinambá. Na imagem, retrato de
Hans Staden em xilogravura de H. J. Winkelmann, publicada em The American
New World Description, em 1664.

50

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 50 9/28/20 12:43 PM


23. Espera-se que os estudantes percebam que Hans Staden procurou interagir com os indígenas para tentar compreender o que lhe aconteceria, antecipan-
do o momento em que seria morto por eles. A questão da finalidade de sua morte (iam matá-lo para devorá-lo) está explicitada no trecho que inicia o relato,
em destaque.
24. Espera-se que os estudantes
23 Que impressões Hans Staden teve dos indígenas brasileiros ao ser percebam que, na cultura europeia,
capturado pelos Tupinambá? de tradição judaico-cristã, esses
elementos culturais dos indígenas
eram julgados bárbaros ou primi-
tivos e não faziam parte de suas
24 Alguns elementos culturais dos indígenas são perceptíveis no relato práticas de guerra. Comente com
os estudantes que Hans Staden foi
de Hans Staden: (I) a prática cultural de devorar prisioneiros de guer- capturado por um povo e entregue
ra, chamada antropofagia; (II) o fato de os prisioneiros poderem ser como presente a outro em sinal de
amizade, revelando um dos hábitos
trocados entre as lideranças indígenas, como presente de uma tribo culturais de certos povos indíge-
nas (a troca de prisioneiros entre
para outra. Reflita com os colegas e tentem explicar por que os po- lideranças amigas). A antropofagia
vos europeus poderiam ficar chocados com esses hábitos culturais. entre os Tupinambá fazia parte de
seus rituais de guerra: eles consu-
miam a carne dos adversários, em
elaborado ritual, com o objetivo de
No século XIX, época em que o Brasil já era uma nação independente, assimilar características do guerrei-
ro aprisionado, como a bravura, a
outros relatos de viagens ao país foram produzidos. O texto que você coragem, a intrepidez.
vai ler a seguir faz parte de um relato dessa época, extraído do livro
Uma parisiense no Brasil, escrito pela francesa Adèle Toussaint-Samson
(1826-1911). A escritora viveu doze anos no Rio de Janeiro, na época em
que a cidade era a capital do país e, por isso, palco de fatos históricos e
culturais marcantes. Seu livro é um dos poucos relatos de viagem escri-
tos por uma mulher no século XIX, um olhar feminino em contraste com
a visão masculina predominante nesse gênero textual. Adèle foi uma
das escritoras que não se escondeu sob um pseudônimo masculino para
conseguir a publicação de sua obra.

Marc Ferrez/Instituto Moreira Salles


O Corcovado
Adèle Toussaint-Samson
[...]
Mal havíamos chegado ao Rio de Janeiro e de
todo lado faziam-nos esta pergunta: “Estiveram
no Corcovado? Quando irão ao Corcovado?” Era
5 preciso, portanto, ir ao Corcovado, e foi marca-
do um dia para a famosa subida.
Partimos às três horas da manhã, pois é preciso
evitar o mais possível o calor do dia. Comumente,
reúnem-se quinze a vinte pessoas para fazer esse
10 passeio. Nossa pequena caravana compunha-
-se de dezesseis, sem contar os negros que nos
acompanhavam, carregando na cabeça grandes
cestos contendo as provisões de boca. Quanto às
negras, estavam encarregadas das crianças, que
15 participam de todas as festas e são levadas mes-
mo ao teatro, a tal ponto se tem confiança nos
escravos para as vigiar. Algumas vezes, usam-se
mulas para as crianças e as provisões e sobe-se a
metade da montanha a cavalo ou em lombo de
20 burro. A segunda vez que fiz a excursão do Cor-
covado foi assim, e confesso que o preferi.
Vista do Corcovado, de Marc
CORCOVADO Ferrez, c. 1886. (gelatina/
prata, 30,0 cm 24,0 cm).
O Corcovado é um morro da cidade do Rio de Janeiro pertencente ao Parque
Nacional da Tijuca, unidade de conservação brasileira localizada inteiramente no
município carioca. No topo desse morro está instalada, desde 1931, a famosa estátua
do Cristo Redentor, uma das principais atrações turísticas da cidade.

Embora o relato de Toussaint-Samson seja pouco conhecido do grande público no Brasil hoje (é mais conhecido por quem estuda os diários e relatos de
viagem do século XIX), na época de sua publicação despertou o interesse dos franceses, tendo tido mais de uma edição. Isso nos permite acreditar que as
ideias de Toussaint-Samson tiveram alguma repercussão quando publicadas.
51

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 51 9/28/20 12:43 PM


Começa-se a subida pela montanha de Santa Teresa; a meia encosta, en- NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
contra-se o convento feminino que tem esse nome, e que abriga apenas
21 religiosas. Volte-se então, e admire! A seus pés, estende-se a magnífica
25 baía do Rio de Janeiro, com suas embarcações de todos os países, suas
montanhas tão pitorescamente recortadas, suas ilhotas verdes, que parecem
bosquezinhos desabrochados nas ondas. Vê-se, de um lado, a cidade toda
multicolorida, depois, bem ao longe, o alto mar.
Muitas vezes disse a mim mesma que, se algum dia tivesse a ideia de
30 tornar-me religiosa, seria apenas ao Convento de Santa Teresa que teria ido
pedir repouso e meditação. Diante de uma natureza tão grande, nossas so-
ciedades, ditas civilizadas, parecem bem pouca coisa! Ali, toda coisa humana
desaparece, e não nos devemos lembrar mais que de Deus.
Subamos, subamos mais. À sua direita está o aqueduto que, do alto do
35 Corcovado, desce até a cidade para ali verter aquela água tão famosa da Ca-
rioca, que deu pretexto a este provérbio brasileiro: “Quem bebeu a água da
Carioca não pode mais beber outra água”; e a este outro: “Bebestes a água
da Carioca: já não podeis viver senão aqui”.
Os habitantes do Rio de Janeiro têm o costume de dizer também, dos seus
40 compatriotas que moram no Rio: é um carioca.
Continuemos subindo. [...] Enfim, chegamos à Mãi de agua [Mãe d’água].
Ali, o europeu pode ter uma ideia daquelas belas florestas virgens ceifadas,
na maior parte, por nossa implacável civilização; então todo rumor humano
cessou, não se ouve mais que um sussurro sem nome, dominado vez por
45 outra pelo canto agudo e estridente da cigarra; ali, cada talo de relva é habi-
tado, cada árvore, cada folha esconde um mundo; vemo-nos sós e, no entan-
to, sentimos que uma multidão de seres agita-se à nossa volta; mal podemos
avistar o topo das árvores seculares que nos rodeiam; é um caos inextricável
e grandioso, que impressiona, e fiquei em êxtase diante daquela natureza
50 selvagem e gigantesca, que me inspirava a uma só vez terror e admiração.
A partir da Mãe d’água, é preciso escalar estreitas e mal traçadas veredas
a pique; e, enfim, depois de cinco ou seis horas de caminhada, chega-se ao Os dados relativos à biogra-
alto do Corcovado. O mais magnífico panorama estende-se então diante de fia de Adèle Toussaint-Samson
variam ligeiramente entre as fon-
seus olhos: é um espetáculo grandioso. Contudo, confessarei, fui tomada de tes bibliográficas consultadas.
Aqui, empregamos as datas que
55 mais entusiasmo no meio da montanha do que em seu cume. Eu pudera constam na biografia escrita por
imaginar um pouco a esplêndida vista que me esperava em tal altura, mas Maria Inez Turazzi, pesquisadora
do Instituto do Patrimônio Histórico
não pudera pressentir a emoção profunda que sentiria à visão de natureza e Artístico Nacional (Iphan) e do
Centre d’Histoire des Techniques
saindo virgem das mãos de Deus. do Conservatoire National des Arts
[...] et Métiers (Paris, França). As infor-
mações dessa biografia estão no
TOUSSAINT-SAMSON, Adèle. Uma parisiense no Brasil. Rio de Janeiro: prefácio do livro Uma parisiense
no Brasil.
Capivara, 2003. p. 87-88; 91-92.
Reprodução/Biblioteca Nacional, Paris, França.

Adèle Toussaint-Samson (1826-1911) foi poeta e escritora francesa que


viveu no Brasil com o marido, o também francês, ator e professor de teatro
Joseph-Isidore Samson (1793-1871), entre os anos 1849 e 1863 (não há precisão
da data de chegada ao Brasil nos levantamentos biográficos disponíveis
atualmente). Sabe-se que, no período em que viveu no Rio de Janeiro, Adèle
foi professora de francês e italiano e, por causa da posição e do prestígio do
marido, ambos tiveram acesso à corte imperial brasileira. Em 1883, quando o
casal já havia retornado à França, a escritora publicou o livro Uma parisiense
no Brasil, contendo os relatos das viagens que fez no país. Essa obra tem sido
“redescoberta” por pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados em
fatos e eventos do século XIX no Brasil.

52

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 52 9/28/20 12:43 PM


25. Espera-se que os estudantes
25 Em sua opinião, quais são os aspectos mais marcantes da sociedade identifiquem as referências aos escra-
carioca e, por extensão, da sociedade brasileira do século XIX retra- vos e à posição deles na sociedade,
especialmente pelo relato da escri-
tados no relato? tora sobre as atividades que eles
desenvolviam no ambiente urbano.
Há também uma informação sobre
26 No trecho “e de todo lado faziam-nos esta pergunta: ‘Estiveram no a relação entre adultos e crianças
no Brasil: pelo fragmento do relato,
Corcovado? Quando irão ao Corcovado?’”, quem, em sua opinião, supõe-se que as crianças brasileiras
– ao menos das classes burguesas
fazia essa pergunta à escritora? – estavam integradas às atividades
sociais dos adultos, como participar
27 No fragmento do relato, a autora menciona a civilização ocidental. de excursões ou ir ao teatro.

Sobre isso, responda aos itens. 26. Espera-se que os estudantes


suponham que, pela descrição
a. Ela mesma se coloca como pertencente a essa civilização ocidental? da escritora sobre a excursão ao
Corcovado e a menção aos escravi-
Explique de que maneira você chegou a essa conclusão. zados que acompanhavam a comi-
tiva, quem fazia a pergunta à Adèle
b. Que crítica ela faz à civilização ocidental? Por meio de que expres- eram membros da elite carioca.
são essa crítica é explicitada no relato?
c. Essa mesma crítica é uma das temáticas mais debatidas nos últi-
mos anos, não só nas sociedades ocidentais, mas em todo o mun-
do. De que forma a escritora, ao longo do relato, chama a atenção
para essa temática?

28 Em sua opinião, por que a natureza da cidade do Rio de Janeiro é


FICA A DICA
um elemento que ganha tanta força e importância no relato da es-
critora francesa? Resposta pessoal.
Cem dias entre
29 Quando lemos relatos de escritores do passado, muitas vezes percebe- céu e mar, de Amyr
Klink. Companhia de
mos afirmações que interpretamos como preconceituosas. Às vezes,
Bolso, 2005.
esses relatos também deixam de problematizar aspectos da realidade
Já imaginou cru-
que, aos leitores de hoje, causam repulsa, indignação, inconformidade. zar o oceano Atlân-
Isso ocorre no relato de Adèle Toussaint-Samson quando ela não pro- tico de leste a oes-
blematiza o fato de os negros serem escravizados. Discuta com os te em um pequeno
colegas e o professor por que isso acontece nos relatos e como um barco a remo? Pois
esta é a aventura
leitor de hoje deve interpretar textos dessa natureza. Depois, registre
narrada nesta obra
no caderno suas conclusões. do navegador brasi-
Respostas pessoais.
leiro Amyr Klink, na
30 Agora que você e os colegas discutiram cada um dos textos ante- travessia entre a Na-
riores, reflitam sobre as questões a seguir e registrem no caderno os míbia (costa oeste da
30a. Espera-se que os estudantes tenham percebido que esses relatos contribuem
comentários. para a construção de nossa cultura letrada e que a literatura, como manifestação ligada África) e o litoral da
à palavra, faz parte dessa cultura. Bahia (no Brasil).
a. Se esses relatos se baseiam em fatos, por que estão sendo apre-
sentados em uma seção do capítulo dedicada à leitura e análise
de textos literários (que, em geral, têm caráter ficcional)?
b. O que esses relatos têm de literários?
c. Em que medida a leitura desses relatos ajuda o leitor a compreen-
der a formação cultural brasileira? 30b. Ajude os estudantes a perce-
ber que, como se tratam de regis-
tros de uma época, eles docu-
mentam não só os fatos relatados,
mas também a própria maneira de
DIÁRIO DE BORDO dizer esses fatos, ou seja, a língua.
Sendo a literatura uma manifes-
Considerando as leituras que você fez até este ponto da seção tação de linguagem, que trabalha
com a manipulação estética da lin-
e as reflexões por meio de discussões com o os colegas e o guagem, e esses relatos partem de
professor, registre em seu diário de bordo o que conseguiu nossa cultura letrada, faz sentido
examiná-los aqui.
compreender, até o momento, a respeito dos relatos de viagem 30c. Espera-se que os estudantes
produzidos pelos viajantes que visitaram o Brasil. Registre percebam que esses relatos trazem
informações sobre o Brasil, tendo
também suas conclusões sobre as reflexões compartilhadas. inestimável valor histórico. Assim,
contribuem para compreendermos
nossa formação cultural.

53

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 53 9/28/20 12:43 PM


NÃO ESCREVA
Cultura letrada NESTE LIVRO.

Os textos lidos nesta seção fazem parte daquilo que se costuma cha-
mar de literatura dos viajantes. Ao longo dos séculos, muitos viajantes visitaram o Brasil bus-
cando entender características naturais, étnicas e culturais, a fim de apresentá-las a diferentes
públicos leitores. Você deve ter notado que alguns textos lidos nesta seção nem foram origi-
nalmente escritos em português, como o relato de Hans Staden e o de Adèle Toussaint-Sam-
son. A natureza de todos eles é, predominantemente, documental: podem ser lidos, ainda
hoje, como documentos com valor histórico, antropológico, cultural. Seu caráter “literário”,
aquilo que justifica seu estudo e inclusão em uma seção do livro de Língua Portuguesa dedi-
cada ao estudo da literatura, decorre sobretudo do fato de eles terem integrado uma tradição
escrita que nos tem influenciado culturalmente. O conjunto de obras como essas constitui
aquilo que especialistas denominam cultura letrada.
As características principais das obras que compõem a cultura letrada são seu caráter escri-
to e sua permanência como potencial influenciador de nossa compreensão de mundo e de nós
mesmos. A carta de Caminha, por exemplo, é um relato que vem influenciando diferentes grupos
de escritores e pesquisadores brasileiros. Na primeira metade do século XX, ela serviu de inspi-
ração a inúmeros escritores, ajudando-os a repensar nossa origem, nossa formação histórica e
nossa cultura. Um desses escritores é o paulista Oswald de Andrade (1890-1954). Ele chegou até
a transcrever em forma de poema fragmentos da carta, como neste caso:

Os selvagens

Acervo Iconographia/Reminiscências
Oswald de Andrade

Mostraram-lhes uma galinha


Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
ANDRADE, Oswald de. Obras completas VII: poesias reunidas.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 80.

Olhares sobre o Brasil e sobre a cultura brasileira não foram apenas


objeto de relatos de viagem (como os lidos até aqui), ou do exame de
antropólogos, historiadores, biólogos e outros pesquisadores. A própria
O escritor Oswald de
tradição literária brasileira – em sua tentativa de representação da re- Andrade.
alidade por meio da ficção – tem inúmeros exemplos dessas “imagens
sobre o Brasil”. Os textos reproduzidos a seguir, de diferentes escritores brasileiros, de variadas
épocas, podem ajudar você a perceber quanto esse tema é importante em nossa literatura.

31 Organize-se com alguns colegas e formem um grupo para fazer a leitura de cada um dos
textos a seguir, organizados em Olhares sobre o Brasil.

Após a primeira leitura, busquem identificar a que obra pertence, o período em que ela
foi publicada, que aspectos sobre o Brasil estão presentes no trecho (questões históricas,
observações do mundo natural, problemas urbanos, preconceitos, etc.), fatos da vida do autor
e como é construída a “imagem do Brasil”, isto é, o que é representado (a natureza, o modo de
vida, um grupo social específico, uma situação determinada, etc.). Registrem essas informações no
caderno.

Ao final da leitura de cada texto e com as anotações feitas no caderno, conversem com os
demais grupos e com o professor para verificar se essas “imagens do Brasil” representam a
diversidade do país (diversidade natural, diversidade cultural, diversidade étnica, etc.).

54

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 54 9/28/20 12:43 PM


Olhares sobre o Brasil
Gregório de Matos (1636-1696), poeta baiano conhecido como

Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de


Janeiro, RJ.
“Boca do Inferno”, foi um dos grandes críticos da sociedade colonial
brasileira de sua época. No texto a seguir, ele apresenta uma imagem
de Salvador (conhecida na época como Cidade da Bahia), sede do go-
verno colonial daquele tempo.

Soneto
Gregório de Matos
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha, O escritor Gregório de
E podem governar o mundo inteiro. Matos. Na imagem, Gregório
de Matos, em desenho de M.
5 Em cada porta um frequente olheiro, J. Garnier.
Que a vida do vizinho e da vizinha cabana e vinha: casa e
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, trabalho.
Para a levar à praça e ao terreiro. picardia: pirraça; desfeita.
usura: desejo exacerbado
Muitos mulatos desavergonhados, de poder e riqueza;
cobiça.
10 Trazidos sob os pés os homens nobres1,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,


Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
WISNIK, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos.
São Paulo: Cultrix, 1989. p. 41.

Aluísio Azevedo (1857-1913) nasceu em São Luís, no Maranhão. Foi ro-


mancista, dramaturgo, caricaturista e diplomata. Sua obra caracteriza-se
pelas descrições detalhadas de espaços urbanos. O autor procura rela-
cionar os acontecimentos narrados com as explicações da então doutrina
do determinismo, segundo a qual o ser humano não tem escolhas, pois
o meio em que vive determina seu destino. O trecho a seguir foi extraído
do romance O cortiço, em que o autor descreve, minuciosamente, pes-
soas e cenas em um espaço urbano: o cortiço. A capital federal a que ele
se refere no texto é a cidade do Rio de Janeiro, capital do país até 1960.

O cortiço
Aluísio Azevedo
Reprodução/Acervo particular

III
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos,
mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de
chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras
5 notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e
tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e
punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranqui- O escritor Aluísio
çadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostra Azevedo.
10 vam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.
1 Na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os
verdadeiros “homens nobres” [nota de José Miguel Wisnik].

55

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 55 9/28/20 12:43 PM


Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se NÃO ESCREVA
amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por NESTE LIVRO.

toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia,


suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras ensarilhar: emaranhar,
15 palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pe- enredar.
quenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados resinga: altercação,
de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, des- polêmica.
tacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar
de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam
20 mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os
louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espane- FICA A DICA
jando-se à luz nova do dia.
Daí a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente; uma aglomeração
O cortiço, de Aluísio
tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomoda- Azevedo. Companhia de
25 mente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O Bolso, 2005.
chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas
para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que A adaptação desse
elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, es- romance para o forma-
ses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça to graphic novel conta
30 bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando com roteiro de Ivan Jaf
e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, e arte de Rodrigo Rosa.
era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se de- Esta história em quadri-
nhos pode ser uma boa
moravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças
maneira de você conhe-
não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos
cer o enredo de um dos
35 fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.
romances mais emble-
O rumor crescia, condensando-se; o zum-zum de todos os dias acen- máticos da literatura
tuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído com- brasileira do século XIX.
pacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda;
ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se
40 não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula
viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e
nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar
sobre a terra.
Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas;
45 fazendo compras.
Duas janelas do Mirando abriram-se. Apareceu numa a Isaura, que se dispu-
nha a começar a limpeza da casa.
– Nhá Dunga! gritou ela para baixo, a sacudir um pano de mesa; se você tem
cuscuz de milho hoje, bata na porta, ouviu?
50 A Leonor surgiu logo também, enfiando curiosa a carapinha por entre o pes-
coço e o ombro da mulata.
O padeiro entrou na estalagem, com a sua grande cesta à cabeça e o seu
banco de pau fechado debaixo do braço, e foi estacionar em meio do pátio,
à espera dos fregueses, pousando a canastra sobre o cavalete que ele armou
55 prontamente. Em breve estava cercado por uma nuvem de gente. As crianças
adulavam-no, e, à proporção que cada mulher ou cada homem recebia o pão,
disparava para casa com este abraçado contra o peito. Uma vaca, seguida por
um bezerro amordaçado, ia, tilintando tristemente o seu chocalho, de porta em
porta, seguida de um homem carregado de vasilhame de folha.
60 [...]

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo:


Ática, 1992. p. 35-36.

Cassiano Ricardo (1895-1974) nasceu na cidade de São José dos Campos,


em São Paulo. Foi poeta, ensaísta e jornalista. Uma de suas obras mais co-
nhecidas é Martim Cererê, livro de poemas publicado em 1928.

56

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 56 9/28/20 12:43 PM


Benedito Junqueira Duarte/Departamento do
Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de
Cultura de São Paulo, SP.
Ladainha
Cassiano Ricardo
Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome de ilha de Vera-Cruz.
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz

5 Ilha verde onde havia


Mulheres morenas e nuas
Anhangás a sonhar com histórias de luas
E cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. O escritor Cassiano Ricardo.

Depois mudaram-lhe o nome


10 Pra terra de Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros anhangá: espírito
Terra cheia de luz. maléfico.
mosqueado: com
A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga manchas ou pintas
15 E onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol escuras.
poracé: dança religiosa
Mas como houvesse, em abundância, com que os Tupi
Certa madeira cor de sangue cor de brasa celebravam os principais
E como o fogo da manhã selvagem acontecimentos de sua
Fosse um brasido no carvão noturno da paisagem, comunidade.

20 E como a Terra fosse de árvores vermelhas


E se houvesse mostrado assaz gentil,
Deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
25 Brasil cheio de luz.
RICARDO, Cassiano. Martim Cererê. 12. ed. Rio de Janeiro:
J. Olympio/INL, 1972. p. 33.

DIÁRIO DE BORDO
Depois da leitura e discussão que você e os colegas fizeram dos textos literários, em
Olhares sobre o Brasil, registre em seu diário de bordo suas impressões e conclusões a
respeito dessa temática.

PARA IR MAIS LONGE

Organizados em grupos, você e os colegas vão compartilhá-los com a turma toda. Ouçam os
pesquisar novos textos literários que, de acordo com argumentos dos colegas com atenção e, se for o
a opinião de vocês, devem ser acrescentados ao caso, apresentem contra-argumentos de modo
conjunto de textos apresentado aqui como Olhares respeitoso.
sobre o Brasil. Sigam as dicas a seguir.
Além dos títulos das obras literárias e dos
Os integrantes de cada grupo devem selecionar
respectivos escritores, elaborem uma breve
alguns textos e compartilhá-los com os colegas
justificativa para a inclusão dessas indicações ao
da equipe. Para defender a escolha do texto, cada
integrante deve argumentar considerando a imagem conjunto de textos literários de imagens do Brasil.
do Brasil que ele transmite, quem é seu autor e em Escolham um suporte físico ou digital para fazer o
que contexto ele viveu e escreveu o texto. registro dessas indicações e compartilhá-las com
O grupo deve definir quais serão os novos os outros grupos e com outras pessoas, como
textos com base nessa discussão para, depois, familiares e amigos.

57

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 57 9/28/20 12:43 PM


CULTURA DIGITAL NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Na seção Práticas de leitura e análise literária, ao ler os relatos de


viagem de vários escritores estrangeiros, você pôde observar supo-
sições preconceituosas a respeito das pessoas e dos costumes das
culturas com as quais eles entraram em contato no país. Ao registra-
rem tais opiniões em seus relatos, os escritores fizeram circular essas
ideias entre seus leitores, divulgando esse olhar sobre o Brasil em
outras culturas, principalmente as europeias. Para compreender de
que modo se percebe um possível preconceito, é fundamental que
você conheça duas noções dos estudos de linguagem: estereótipo
e clichê.
Pode-se definir estereótipo como uma generalização indevida re-
lacionada a um grupo social. Essa generalização passa a ser en-
tendida como marca ou característica que diferencia esse grupo
dos demais. Por exemplo, é comum certas pessoas considerarem o As noções de estereótipo e cli-
chê apresentadas aqui levam em
povo brasileiro alegre e festeiro. Para elas, essas são marcas carac- consideração a maneira como os
estudiosos de linguagem, espe-
terísticas dos habitantes do Brasil (o que não é, necessariamente, cialmente linguistas e analistas de
verdade: há muitos brasileiros que não se percebem festeiros, por discurso, as compreendem e as
mobilizam na análise de textos.
exemplo). O estereótipo pode se tornar depreciativo e provocar Mas é importante você saber que
o estudo dessas noções não se
avaliações preconceituosas, que não levam em conta como de fato esgota nesse âmbito. Se consi-
são as pessoas. derar pertinente, poderá consultar
professores da área de Ciências
O clichê é uma afirmação que, de tanto ser repetida, torna-se banal Humanas e Sociais Aplicadas e
ampliar o estudo proposto aqui,
e, muitas vezes, leva as pessoas a não questionar o que é declarado, transformando-o em uma ativida-
como se fosse uma verdade ou fizesse parte da realidade. Quando de interdisciplinar. As definições
apresentadas têm como referên-
se referem a grupos de pessoas, os clichês estão, de algum modo, cia os estudos de pesquisadores
relacionados a estereótipos cristalizados. como Ruth Amossy e Dominique
Maingueneau.
Forme um grupo com alguns colegas. Juntos, pensem em uma É importante não confundir os
viagem ou passeio que fizeram a um local que não o de origem conceitos de estereótipo e clichê
com a noção linguageira de “lugar-
de vocês e procurem se lembrar se, nessa situação, fizeram -comum”, surgida nos estudos de
alguma observação e/ou comentário que, agora, vocês mesmos retórica e hoje considerada uma
das bases dos estudos de argu-
avaliam como manifestação de preconceito contra a cultura mentação. Muitas vezes, toma-se
“lugar-comum” como sinônimo de
do local visitado. Caso não tenham feito esse tipo de viagem “clichê”, especialmente na lingua-
ou passeio, reflitam sobre uma situação em que receberam gem cotidiana não especializada.
Mas, tratando-se de estudos de
a visita de um amigo de outra localidade e/ou conversaram linguagem, são duas noções que
devem distinguir-se. O conceito
com um turista em visita à cidade de vocês pela primeira vez e de lugar-comum é apresentado,
tentem lembrar se perceberam neles uma visão preconceituosa, neste volume, em Olhares sobre
o futuro – caso você já o tenha
marcada por estereótipos ou clichês sobre a cultura e os trabalhado, poderá retomá-lo
com os estudantes. Se não,
costumes locais. No caderno, registrem as considerações quando o fizer, poderá resgatar a
significativas e importantes para o grupo. ideia de clichê aqui apresentada.
Para o aprofundamento desses
Na internet, há vários sites, blogues e redes sociais dirigidos a te- temas, sugerimos a consulta ao
mas específicos que atraem, sobretudo, o público interessado em livro Imagens de si no discurso,
da pesquisadora Ruth Amossy
tais temas. Um exemplo são os suportes dedicados à publicação (Contexto, 2005).
sobre o tema viagem: há dicas para viajantes, relatos de viagem, Encaminhe a conversa entre os
estudantes orientando-os a man-
entre outros assuntos. Em muitos deles, as pessoas podem intera- ter o respeito pelo turno de fala
dos colegas e pelas possíveis
gir por meio de fóruns e comentários, por exemplo, tornando pú- opiniões divergentes entre si. É
blica sua opinião. possível que, nesse momento,
se aborde algum assunto poten-
cialmente polêmico; nesse caso,
Você se interessa ou já se interessou por algum suporte digital é essencial que você conduza a
específico para se informar sobre um assunto e/ou para discussão de maneira saudável e
produtiva, levando os estudantes
compartilhar sua opinião a respeito de determinado tema? a adotar princípios de polidez
nessa situação comunicativa e
Exponha para a turma suas considerações sobre o que o levou a a respeitar as diferenças e o
ter contato com esse suporte. direito à manifestação de opiniões
divergentes.

58

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 58 9/28/20 12:43 PM


Na internet, especialmente nos suportes em que as opiniões de internautas
se tornam públicas por meio de comentários, é muito presente a atuação
dos haters, termo originado na língua inglesa e que significa “odientos”,
“odiadores”. Em geral, os haters se dirigem a um grupo específico ou a
algum fórum sobre determinado assunto e publicam comentários desqua-
lificadores, de ódio, a respeito de tudo o que seja contrário às ideias deles,
desqualificando opiniões, desvalorizando concepções de mundo diferentes
das que pregam, construindo fake news e, em casos mais extremos, desle-
gitimando um debate público importante sobre um tema de interesse geral.
Algumas vezes, levam à difamação pública de alguém e passam a dissemi-
nar na rede visões infundadas e preconceituosas.
Considerando as explicações anteriores, faça o que se pede a seguir.
Individualmente, selecione blogues e/ou sites específicos de viagens
e identifique comentários de possíveis haters. Anote no caderno o
comentário e, se necessário, o trecho a que ele se refere para que
fique claro o que foi dito e qual foi a reação do usuário em questão.
Anote também a fonte da qual esses comentários foram extraídos.
Em uma data previamente combinada com o professor,
apresente esses comentários aos demais colegas. Ao fazer a
apresentação para a turma, é importante você proteger a
identidade dos autores dos comentários. Por isso, não
revele o nome, o apelido nem o perfil em rede social do
possível hater. Juntos, analisem esses textos e definam
um posicionamento: eles caracterizam um comentário
de ódio ou expressam uma opinião saudável, porém
contrária à ideia apresentada inicialmente no suporte
digital? Que expressões do comentário ajudaram
vocês a chegar a essa conclusão?
Reflita com a turma tendo como base as perguntas a
seguir.
a. Em sua opinião, em que momento um
conteúdo deixa de ser a livre opinião de
Virinaflora/Shutterstock

alguém e passa a ser apenas um ataque ou uma


ofensa a uma pessoa ou grupo específico?
Resposta pessoal.
b. Para você, os comentários de haters contribuem
de maneira positiva ou negativa para conhecer
opiniões diversas sobre um assunto específico?
Justifique sua resposta. Resposta pessoal.
c. O que você, como possível usuário de internet, pode fazer para
evitar a disseminação de discursos de ódio em suportes digitais? Resposta pessoal.

DIÁRIO DE BORDO
Ao término das atividades do boxe, registre em seu diário de bordo suas
considerações sobre o assunto discutido.
Faça também um registro do processo da atividade, desde a pesquisa de
comentários de haters em suportes digitais até o momento de conversa
e reflexão com os colegas. Em sua opinião, essa atividade foi produtiva e
propiciou um ponto de vista diferente sobre o assunto?

59

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 59 9/28/20 12:43 PM


Práticas de produção de textos NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

32. É importante que os estudantes


possam se valer do roteiro de questões
PRODUÇÃO ORAL para mobilizar conhecimentos prévios
e impressões sobre esse gênero oral
formal. Não há respostas certas ou
erradas para esses itens. No momento
Exposição oral (I) de discussão, incentive os estudantes
a recordar situações de exposição oral
baseadas nas experiências prévias deles
32 Uma das maneiras de fazer relatos orais em situações de comunica- com o gênero textual. Como se trata de
um momento inicial de reflexão sobre
ção pública é a exposição oral, como se vê na imagem a seguir. Nesse as exposições orais, permita-lhes que
se expressem livremente e verifique as
tipo de interação oral, há um grupo de ouvintes, que chamaremos aqui hipóteses elaboradas por eles durante
de plateia, a quem se dirige um expositor, isto é, a pessoa que expõe as respostas. Como será necessário
rever posteriormente as ideias apre-
oralmente uma comunicação. Em sua prática escolar, você já deve ter sentadas aqui, registre as considera-
ções dos estudantes em algum suporte
participado de seminários e de outras formas de apresentação oral, que possa ser retomado, como lousa,
que são formas de exposição oral. flip chart ou slide.

Agora, discuta com os colegas e o professor sobre as

SeventyFour/Shutterstock
perguntas seguintes e, depois, registre as considera-
ções no caderno.
a. Em que situações você imagina também ser possível
ocorrer uma exposição oral?
b. Na imagem que você observou, além da própria fala,
de que outros recursos comunicativos se vale o expo-
sitor para apoiar a comunicação oral?
c. Desses recursos, quais não são utilizados em uma co-
municação oral cotidiana?
d. Pense na situação registrada na foto. Ela lhe parece mais formal ou
mais informal? Justifique sua resposta.
PRODUÇÃO
33 Neste capítulo você estudou alguns relatos de viagem. Chegou o
momento de compartilhar as experiências que você tem de viagens. 33. A atividade de elaboração desta
primeira exposição oral é exploratória.
a. Forme um grupo com quatro ou cinco colegas. Juntos, troquem Não avance explicações sobre o gênero,
porque o princípio metodológico empre-
informações a respeito de viagens interessantes que já tenham fei- gado nesta atividade é o da vivência:
to. Se, por acaso, alguém do grupo acreditar que nunca passou a partir de uma experiência prática de
vivência do gênero, os estudantes pode-
pela experiência de uma viagem, pode falar sobre um local que rão se aproximar de suas características
e modos de funcionamento, valendo-se
gostaria de conhecer e como iria para lá. também de seus conhecimentos prévios
sobre o gênero. A compreensão do
b. O grupo vai organizar uma exposição oral para compartilhar com gênero deve ocorrer ao longo do con-
junto das atividades vivenciadas aqui e
a turma essas experiências. Para isso, você e os colegas vão seguir em Produção oral – Exposição oral (II),
na seção Práticas de produção de textos
as orientações a seguir. do Capítulo 2.

I. É fundamental ter clareza da situação de comunicação.


Quem formará a plateia?
A situação da exposição será mais formal ou mais informal?
Qual deve ser o nível de linguagem empregado?
Onde será feita a apresentação: na sala de aula, para os de-
mais colegas de turma? Ou em um auditório, com a presença
de colegas de outras turmas?
Que recursos o grupo usará para a exposição, além da fala?
Por exemplo: haverá apresentação de slides? Cartazes? Exi-
bição de fotografias das viagens?
De quanto tempo se disporá para a apresentação de cada
grupo?
60

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 60 9/28/20 12:43 PM


II. É preciso definir bem o assunto da exposição. 33c. A gravação não precisa ter quali-
dade profissional: o importante é garan-
tir o registro. Um estudante da plateia
Além das informações disponíveis, é necessário buscar ou- pode, por exemplo, ser o “cinegrafista”
e registrar as exposições dos colegas
tras? Se alguém for falar de uma viagem que gostaria de fazer por meio de uma câmera fotográfica que
ou quiser confirmar informações sobre um lugar visitado, por também permita gravação em vídeo, um
tablet ou smartphone que gravem áudio
exemplo, seria preciso fazer uma pesquisa? Em caso afirma- e vídeo. Nesse modo de registro, você
pode orientar o “cinegrafista” a não se
tivo, é importante definir onde pesquisar essas informações: locomover muito, a manter o foco no
registros pessoais, livros da biblioteca, sites informativos in- apresentador, para que a gravação de
todas as exposições siga um mesmo
dicados pelo professor, entre outros. padrão de registro, o que poderá facilitar
a visualização e a análise posteriores.
III. Escolham uma forma de organizar o que será apresentado. 33d. É importante que os estudantes
observem os elementos mimogestuais
Quem apresentará: cada um falará um pouco ou a fala será como recurso da comunicação oral (que
pode ser explorado e intensificado, ou
de um só membro do grupo? “neutralizado”, dependendo da situação).
Eles são fundamentais na comunicação
Como serão feitas as apresentações? Pensem, por exemplo, oral que ocorre in praesentia, ou seja,
com o locutor diante dos interlocuto-
nos critérios por meio dos quais um relato pode ser organi- res. Problematize com os estudantes a
zado (como os que vocês estudaram nas secões anteriores). noção de meio, isto é, o aparato físico
através do qual o som da voz passa e
Lembrem-se: como em toda forma de relato, deve haver chega aos ouvintes. Outras formas de
interação oral podem ocorrer in absentia,
critério(s) que oriente(m) a exposição. RECEPÇÃO especialmente quando a comunicação
é mediatizada, como no rádio, na tele-
c. No dia combinado com o professor para as exposições, é funda- visão ou no telefone. Além disso, há
comunicações orais in absentia em que
mental adotar algumas atitudes para tirar mais proveito das apre- os interlocutores não se veem: o rádio
e a chamada de voz ao telefone são
sentações, tanto quando você estiver no papel de audiência como alguns exemplos. Nessas formas de
quando estiver no papel de expositor. comunicação mediatizadas sem contato
visual, mesmo que o locutor se valha
de todo um aparato mimogestual, seus
Enquanto os colegas de outro grupo se apresentam, você, indi- interlocutores não podem ter acesso
vidualmente, toma notas do que lhe parecer importante. aos possíveis sentidos veiculados pelos
gestos, expressões faciais, entre outros;
apenas os traços linguageiros supras-
Preste atenção ao que os colegas expuserem. Assim, no final segmentais da fala, como o ritmo, a
entoação, a cadência melódica ou as
da exposição deles, você poderá fazer perguntas sobre algo pausas poderão ser percebidos. Com
que tenha chamado a sua atenção ou que não tenha ficado relação às duas últimas sugestões de
perguntas, a audiência e a própria exibi-
claro; poderá também fazer comentários a respeito do que foi ção das exposições gravadas poderão
ajudar os estudantes a perceber esses
apresentado. problemas.

Se for possível e se houver recursos disponíveis, com-


bine com a turma e o professor que as exposições
sejam gravadas em áudio ou, melhor ainda, em PORTFÓLIO
vídeo. Assim, posteriormente, será possível ouvi-las e
analisá-las.
d. Após todos os grupos terem realizado essa primeira exposição DIÁRIO DE BORDO
oral, é o momento de a turma promover uma conversa coletiva a Depois das atividades
respeito da experiência. A seguir, há algumas perguntas que po- realizadas nesta parte
dem orientar esse momento. da seção, converse
com os colegas e o
O que lhe chamou a atenção?
professor sobre as
Todas as exposições seguiram a mesma organização? conclusões a que a
turma chegou, até
Os grupos usaram recursos – além da própria fala – como fo- esse momento, sobre
tografias e imagens, cartazes, slides, gestos e mímica, entre as características do
outros, na hora de expor? gênero exposição oral.
Houve elementos que porventura tenham prejudicado algu- Em seguida, registre
essas conclusões
ma(s) das exposições? Em caso afirmativo, quais? Isso poderia
em seu diário de
ter sido evitado?
bordo, pois elas serão
Se você pudesse modificar algo das exposições a que assistiu, o revisitadas no próximo
que mudaria? Por quê? capítulo.

61

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 61 9/28/20 12:43 PM


PRODUÇÃO ESCRITA NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Relato de viagem
Textos como o de Beatriz Sarlo, Adèle Toussaint-Samson, a carta de Caminha, entre outros que
você trabalhou neste capítulo, são exemplos de relatos de viagem. Nesses textos, o autor apresenta
aos leitores uma experiência vivenciada no curso de uma viagem. Como você viu, as motivações para
ler e produzir relatos de viagem são muito variadas.

34 Retome a produção escrita que você fez na atividade 20 e a releia, observando os pontos a
seguir.
Ao produzir o texto pela primeira vez, a quem você pensou
destiná-lo? Isto é, quem são os supostos leitores de seu
relato?
Que detalhes da experiência você conseguiu relatar?

Visual Generation/Shutterstock
O que acha que ficou faltando e que você gostaria de acres-
centar? E em que parte do relato você faria os acréscimos?
Há descrições que ajudam o leitor de seu relato a “visu-
alizar” o que está sendo relatado?
O que você acha que os supostos leitores ainda gostariam
de saber do relato de sua experiência?
Com base em todas essas questões, assinale no próprio texto o que você modificaria, o que
acrescentaria e em que parte. Aproveite esse momento de revisão para retomar os comentá-
rios dos primeiros leitores, isto é, os colegas e o professor. Nas observações que eles tiverem
feito, você pode encontrar indícios do que modificar na reescrita.

35 O relato de viagem é um gênero em que predomina a prática de “relatar”. Leia as explicações


do boxe Relato de viagem da página seguinte e verifique se a primeira versão de seu relato
contém as características indicadas ou se falta algum elemento.

36 Tomando por base o que foi discutido aqui e as explicações sobre o relato de viagem, você
agora vai reescrever seu texto. Nessa reescrita, modifique tudo o que você achar pertinente,
altere, transforme o relato para que ele fique mais interessante, mais claro, mais próximo do
que você gostaria de transmitir aos leitores.
a. Observe, nessa análise, o seguinte:
possíveis problemas de linguagem;
se a linguagem empregada é adequada aos leitores que você tinha em mente ao escrever
o relato;
se você organizou os eventos da experiência relatada com base em uma ordenação facil-
mente percebida pelo leitor do relato;
se o que motivou você a escolher a experiência relatada está claro para os leitores;
se é possível perceber um “percurso” construído pela cronologia das ações e o movimen-
to no tempo e no espaço.
b. Modifique o que considerar necessário e reescreva seu relato.
c. Em um dia combinado com o professor, compartilhe o seu relato com os colegas.

37 Guarde as versões desse relato em seu portfólio. Esse relato de viagem poderá aju-
dá-lo a compor a produção final de Viagens. PORTFÓLIO

62

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 62 9/28/20 12:43 PM


RELATO DE VIAGEM
Relatar fatos é uma prática de comunicação muito comum: todas as vezes que você conta um
fato já ocorrido, organizando as ações e os eventos por meio de algum critério previamente de-
finido, está produzindo um relato, como o relato de viagem.
Conforme você observou nos relatos lidos neste capítulo, as ações relatadas se sucedem umas
às outras em sequência cronológica, isto é, relatam-se os fatos segundo a ordem em que ocor-
reram, a partir do primeiro. Isso significa que o critério composicional que rege a organização do
texto é a cronologia das ações.
Se você observar nos relatos lidos como as ações se sucedem umas às outras, e como os temas
são introduzidos no relato (algo que os estudiosos chamam de progressão temática), notará
que, além da cronologia das ações, outro critério ajuda a organizar o relato: a sucessão dos luga-
res visitados. Isso é particularmente evidente no relato de Adèle, quando ela descreve a subida
ao Corcovado: primeiro, o início do trajeto; depois, o relato da subida pelo morro até a parada no
Convento de Santa Teresa; em seguida, a entrada na mata densa do morro; por fim, a chegada
ao topo. É possível traçar até mesmo um mapa do percurso.
Tanto em uma narrativa quanto em um relato, as ações – expressas principalmente pelas formas
verbais empregadas, conforme visto em Práticas de leitura e em Práticas de análise linguística –
são o elemento essencial. Mas, diferentemente dos gêneros textuais narrativos – como o conto,
a novela, a epopeia –, o relato e os gêneros relatoriais caracterizam-se pela ausência de conflito.
O conflito, para você se lembrar, é aquele problema que gera a narrativa e que os personagens
protagonistas procuram resolver. Nas narrativas, o conflito é essencial, porque ele a faz progredir
e avançar, até chegar ao desfecho. Nos relatos, a progressão que leva ao fim é determinada não
pelo conflito, mas pela própria sequência das ações que se sucedem umas às outras.

GaudiLab/Shutterstock

DIÁRIO DE BORDO
Registre em seu diário de bordo como foi o processo de escrever seu relato de viagem, revendo
suas versões conforme desenvolveu os estudos. A leitura de vários relatos de viagem o ajudou
nesse percurso de escrita? Por quê?

63

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap01_038a063_LE.indd 63 9/28/20 12:43 PM


2 Diário
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

p e ß oa l
CAPÍTULO

As atividades iniciais do Capítulo 2 demandam preparação prévia e pesquisa dos estudantes. Você

Situação inicial pode instruir a turma com antecedência sobre a preparação necessária, combinando uma data para
o início do trabalho.

1 No início de Viagens, você e os colegas observaram alguns objetos. 1. Respostas pessoais.


Entre eles, havia um bilhete único. Reveja-o e converse com os cole- Verifique se os estudantes perce-
bem que o bilhete de transporte
gas considerando as questões a seguir. público possibilita viagens dentro de
determinada zona urbana ou metro-
politana, mediante carregamento de
Dênio Simões/Agência Brasília

créditos. Caso esse tipo de bilhete


não exista em sua região ou não
condiga com o tipo de transporte
possível nessas situações, você
pode esclarecer aos estudantes
sua finalidade com base nas hipó-
teses levantadas e comparar com
o tipo de serviço oferecido, em sua
região, para esse fim.

Equipamento de
reconhecimento
de bilhete de
transporte público
em ônibus na
Rodoviária Central
a. A que tipo de viagem esse bilhete dá direito? de Brasília. Foto
de 2018.
b. O que diferencia essa viagem das demais sobre as quais tratamos
até agora? Por quê?
2. O trabalho sugerido aqui supõe a
rememoração pelo sujeito de even-
c. Você já usou esse objeto hoje? Em caso afirmativo, em que situação? tos já vivenciados. Essa é a essên-
cia da escrita diarística: rever o
vivido, refletir sobre as experiências
2 No item b da questão 6 do Capítulo 1, foi pedido que tirasse uma foto e relatá-las, a fim de ampliar a com-
preensão do que aconteceu, do
de um lugar especial no caminho de casa à escola. Retome essa foto. que se sentiu, de por que aquele(s)
evento(s) ficou (ficaram) retido(s) na
a. Rememore o motivo de ter escolhido esse lugar para fotografar. memória. Outro aspecto importante
é a reconstrução, pela linguagem,
Retome também a legenda e as explicações que você elaborou do que se experimentou: esse pro-
cesso implica sempre a mediação
para a foto. do sujeito consigo mesmo: o eu do
presente medeia a experiência vivi-
b. No caderno, relate suas impressões sobre o caminho até a escola: a foto da pelo eu do passado, no momen-
to em que faz o registro escrito do
que você tirou pode ajudá-lo a se lembrar dos acontecimentos. Escreva já vivido.
como se você estivesse relatando o fato em um diário pessoal.
c. Na aula, no dia combinado com o professor, exponha seu relato.
Pode ser na forma de uma exposição oral ou uma leitura em voz
alta para os colegas, mostrando as fotos. Não se esqueça de, ao
PORTFÓLIO
final da atividade, colocar esse texto no seu portfólio.
No final de Viagens, ao conversar
com cada estudante sobre autoa-
valiação, se considerar conveniente,
DIÁRIO DE BORDO ajude-o a perceber que, no cotidia-
no, há também fatos e situações
Registre em seu diário de bordo o motivo pelo qual, em sua que vemos como especiais, que
nos levam a impressões e questio-
opinião, as anotações feitas do percurso de casa até a escola namentos interiores, como ocorre
em uma viagem para um espaço
podem ser consideradas uma página de diário? diferente do nosso, em que, de
maneira geral, muito pode ser novo
e/ou diferente do que conhecemos.

64

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 64 9/28/20 12:44 PM


3. Espera-se que os estudantes respondam que
essa “escrita de si mesmo” é uma forma de se

Práticas de leitura reorganizar internamente, um mecanismo que pode


proporcionar a retomada da coerência interna do
indivíduo e ajudá-lo a compreender melhor o que
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

aconteceu.
3 Você escreve ou já escreveu um diário ou tem uma agenda? Em caso 4. Resposta pessoal.
Pode acontecer de o estudante
afirmativo, você costuma anotar fatos da sua vida? Em sua opinião, nunca ter se perguntado por que
o que leva as pessoas a escrever diários? escreve ou por que poderia escre-
ver um diário; portanto, procure,
por meio de perguntas, estimular a
4 Em um diário, certamente ninguém anota tudo o que se passa ou reflexão sobre o assunto. Pode ser
também que não escreva em diário
passou, mas faz uma seleção dos fatos que considera marcantes. de papel, mas em portadores vir-
tuais, como os blogues e as redes
Caso você tenha ou já tenha tido um diário, qual é ou foi seu critério sociais, registrando os eventos
do dia. É importante trazer essas
para selecionar os fatos relatados? escritas para o campo da “escrita
de si” porque, de fato, os registros
em redes sociais se caracterizam
5 Observe as imagens que antecedem as questões e troque ideias como relatos de experiências vivi-
das e, nesse aspecto, são formas
com os colegas: em sua opinião, quem escreve um diário tem sem- de escrita diarística.
pre em vista um leitor? Explique.
Reprodução/Editora Record

Reprodução/Editora Bertrand

Reprodução/Editora Companhia das Letras


Capa do livro Capa do livro
Capa do livro
Diário: 1915-1926, Minha vida
O diário de
da escritora de menina,
Anne Frank,
britânica Virginia da escritora
da menina
Woolf, publicado Helena Morley,
Anne Frank,
pela editora publicado
publicado pela
Bertrand, 2018. pela editora
editora Record,
Companhia de
1995.
Bolso, 2016.

6 A seguir, você vai conhecer Bridget Jones: uma mulher solteira, de cer-
ca de 30 anos, que considera estar acima do peso. Ela promete a si
mesma e aos outros que vai emagrecer, vai arranjar namorado... Na
tentativa de cumprir sua promessa, ela se envolve em situações engra-
çadas, as quais registra em um diário. Leia alguns trechos desse diário.
Abaixo, reproduzimos alguns fragmentos do livro. Leia-os.

O diário de Bridget Jones


Helen Fielding
Terça-feira, 26 de setembro
56,7 kg, [...] 1 256 calorias, 0 bilhete de loteria instantânea, 0 pensamento
obsessivo sobre Daniel, 0 pensamento negativo.
Estou uma santa.
É ótimo quando você só fica pensando na carreira profissional, em vez de
5 se preocupar com coisas sem importância como homens e relacionamentos. O
Good afternoon!:
Good afternoon! vai muito bem. Acho que levo jeito para programas populares programa de tevê em que
de televisão. E a melhor novidade é que vou fazer um teste de vídeo. Bridget Jones trabalha
Richard Finch teve essa ideia no final da semana passada: queria um espe- como repórter. Na versão
brasileira do filme, esse
cial ao vivo com os repórteres em serviços de emergência na cidade inteira.
programa se chama
10 Ele não teve muita sorte no primeiro programa. As pessoas da redação ficavam Acorda, Grã-Bretanha.
dizendo que ele não tinha conseguido atenção de nenhum pronto-socorro e O personagem Richard
delegacia da cidade. Quando cheguei hoje de manhã, ele me agarrou pelos Finch é o produtor do
programa e o chefe de
ombros e berrou: Bridget.
– Bridget! Chegou a hora! Incêndio. Quero você ao vivo. [...] Estou pensando
15 num capacete de bombeiro. Estou pensando em você segurando a mangueira.

65

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 65 9/28/20 12:44 PM


A partir daí, foi um caos: as notícias do dia foram deixadas de lado e todo NÃO ESCREVA
mundo foi para os telefones checar como seriam feitos os links, quais as torres NESTE LIVRO.

de transmissão, etc. A reportagem só vai ao ar amanhã e tenho de estar no Corpo


de Bombeiros de Lewisham às 11 horas. Vou ligar para todo mundo hoje à noite
20 pedindo para não deixarem de me ver. Estou louca para avisar mamãe.
[...]

Alvey & Towers Picture Library/Alamy/Fotoarena


Quinta-feira, 5 de outubro
56,7 kg (ruim), 4 barras de chocolate (ruim), número de vezes
que assisti ao vídeo: 17 (ruim).
25 11 HORAS. Estou no banheiro do trabalho. Ai, não, ai, não.
Para completar a minha derrota, hoje fui o centro das atenções
na reunião da manhã.
– Certo, Bridget, vou dar mais uma oportunidade para você –
disse Richard Finch. – O julgamento da atriz Isabella Rossellini. A
30 decisão do júri deve sair hoje e acho que ela vai ser absolvida. Vá
até o Tribunal. [...] Então, Bridget, o que está esperando? Pode ir.
Eu não tinha a menor ou a mais remota ideia do assunto sobre
o qual ele estava falando. Lewisham, bairro da
– Você sabe do processo da Isabella Rossellini, não? Você às vezes lê jornal, cidade de Londres.
35 não? – perguntou Richard. Todas as aventuras
O problema nesse tipo de trabalho é que as pessoas ficam citando nomes e de Bridget se passam
casos e você tem apenas um segundo para resolver se deve ou não confessar nessa cidade. Foto de
2009.
que não sabe do que estão falando e, se perde a oportunidade de dizer isso,
vai passar a próxima meia hora tentando descobrir uma pista, mas sempre
40 mantendo uma expressão confiante, de quem sabe exatamente o que aconte- BRIDGET
ceu com Isabella Rossellini.
Daqui a cinco minutos tenho de encontrar uma assustadora equipe de fil- Publicado como
magem no Tribunal para cobrir o julgamento e mostrar tudo na tevê, sem ter romance em
a menor ideia do que se trata. 1999, O diário de
Bridget Jones foi
45 11h05. Graças a Deus, Patchouli existe. Saí do banheiro e ela estava no cor-
adaptado para o
redor, tentando conter os cachorros de Richard pela coleira. cinema em 2001. A
– Está tudo bem? – disse ela. – Você parece meio assustada. personagem Bridget
– Não, não, estou ótima – garanti. é uma jornalista,
– É mesmo? – e ficou me olhando. – Escuta aqui, você percebeu que ele não cujos registros no
50 estava querendo dizer Isabella Rossellini, não? Ele quis dizer Elena Rossini. diário nos contam a
respeito de quando
Ah, graças a Deus e todos os anjos do céu. [...] Peguei dois jornais para ler
ela trabalha no
os detalhes e corri para um táxi. departamento de
[…] publicidade de uma
21 HORAS. Não consigo acreditar: as coisas deram muito certo. Acabo de editora e inicia uma
55 assistir à chamada do Good afternoon! pela quinta vez. Diz assim: paquera com seu
– Exclusivo para o Good afternoon!. Este é o único programa de tevê a mos- chefe, Daniel. Tempos
depois ela troca esse
trar uma entrevista com Elena Rossini, minutos após ela ter sido inocentada
emprego por outro,
no julgamento. Nossa correspondente no local, Bridget Jones, tem as notícias em que trabalha
exclusivas para você. como repórter de um
60 Adoro este trecho: programa jornalístico
– Nossa correspondente no local, Bridget Jones, tem as notícias exclusivas para um canal de
para você. tevê. Sucesso de
vendas, o livro deu
Vou assistir só mais uma vez, depois desligo.
origem a outros
[...] romances com os
Segunda-feira, 11 de dezembro desdobramentos
65
da vida de Bridget,
Cheguei do trabalho e encontrei um recado ríspido na secretária. alguns dos quais
– Bridget. Aqui é Rebecca. Sei que você está trabalhando na tevê. Sei que também foram
agora tem grandes festas para ir todas as noites mas, mesmo assim, acho que levados para o
poderia ter a gentileza de responder ao convite de uma amiga, apesar de você cinema.
70 estar importante demais para se dignar a ir à festa dela.

66

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 66 9/28/20 12:44 PM


Liguei para Rebecca na mesma hora, mas nem a secretária eletrônica aten- ortodoxo: indivíduo que
dia. Resolvi ir até a casa dela deixar um bilhete e, descendo a escada do meu segue rigorosamente
prédio, encontrei Dan, o australiano que mora no andar de baixo e do qual determinada doutrina.
escapei em abril.
75 – Oi. Feliz Natal – disse ele, animado. – Você pegou sua correspondência?
Olhei-o sem entender o que estava dizendo.
DAVID HARTLEY/Shutterstock
– Tenho colocado embaixo da sua porta para você não ter de descer de
camisola para pegar de manhã, morrendo de frio.
Subi a escada correndo, levantei o capacho e embaixo dele, como um
80 milagre natalino, havia uma pilha de cartões, cartas e convites todos endere-
çados a mim. A mim, a mim, a mim.
[...]
Sexta-feira, 22 de dezembro
Agora que o Natal está chegando, sinto uma espécie de ternura em relação
85 a Daniel. É inacreditável eu não ter recebido um cartão de Natal dele (em-
bora eu também não tenha conseguido mandar nenhum até agora). Parece
estranho ter estado tão próxima dele o ano inteiro e não ter mais nenhum Helen Fielding (1959-),
contato. Isso é muito triste. Talvez Daniel tenha virado um judeu ortodoxo. jornalista e escritora
Talvez amanhã Mark Darcy telefone para me desejar Feliz Natal. britânica, trabalhou para
vários jornais e revistas
FIELDING, Helen. O diário de Bridget Jones. 5. ed. São Paulo: Paralela, [s.d.]. E-book.
da Grã-Bretanha. O
sucesso obtido com O
7 Identifique no texto duas passagens em que predomina o relato de diário de Bridget Jones
fatos e outras duas em que Bridget faz alguma reflexão sobre o que se repetiu no cinema.
foi vivido. Explique no caderno de que modo você percebe a dife- Além do diário, Fielding
rença entre relato e reflexão sobre o já vivido. Resposta pessoal. publicou Bridget Jones:
no limite da razão,
8 Releia o começo do relato do dia 5 de outubro. A que conclusão também adaptado para
você chega sobre a estreia de Bridget como telerrepórter? Justifi- o cinema, e Causa nobre,
que sua resposta no caderno. ambos traduzidos para o
português em publicação
9 No parágrafo inicial desse registro de 5 de outubro, Bridget admite
da editora Record.
para si mesma que desconhece o assunto sobre o qual faria uma
cobertura jornalística. Em relação a esse episódio, pode-se dizer que
ela não é a única pessoa mal informada? Justifique sua opinião no
caderno. Sim, porque o editor confundiu o nome da ré a ser entrevistada com o nome de uma atriz famosa,
Isabella Rossellini.
DIÁRIO DE BORDO
10 Releia esta pergunta feita por Richard Finch a Bridget: Registre em seu
A ironia fica evidente quando Richard perguntou para Bridget, que é jornalista, se ela às vezes lia jornal. diário de bordo suas
– Você sabe do processo da Isabella Rossellini, não? Você às vezes lê jornal,
reflexões sobre as
não? [...] linhas 34-35 possibilidades de
Explique a evidente ironia que se nota nessa fala. relato da realidade e as
reflexões que a escrita
11 Releia, abaixo, o trecho do registro que Bridget fez no dia 11 de de- de diários possibilita.
zembro e responda às questões propostas no caderno. Se achar conveniente,
Subi a escada correndo, levantei o capacho e embaixo dele, como um milagre retome registros que
natalino, havia uma pilha de cartões, cartas e convites todos endereçados a mim. você fez em seu diário
A mim, a mim, a mim. linhas 79-81 de bordo – que é uma
escrita diarística – e
a. Analise o tom do trecho, ou seja, o modo como Bridget encara os
explique por que foi
acontecimentos e que reflete o estado de espírito dela. importante registrá-los,
b. É possível perceber que Bridget havia se enganado a respeito do o que dizem a você
recebimento de convites para a festa de Natal e de correspondên- hoje, quando os relê,
cia em geral. Explique. passado um tempo
do momento em que
c. Qual é o efeito de sentido que o enunciador busca ao repetir a foram escritos.
expressão: “A mim, a mim, a mim” nesse trecho?

67

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 67 9/28/20 12:44 PM


12. Os destaques expressam características subjetivas que Bridget atribui às coisas e às situações. A única exceção é o adjetivo com que ela caracteriza o fato
de ter comido quatro barras de chocolate, ruim. Quando ela se diz ótima, por exemplo, embora esteja se sentindo muito mal, exemplifica bem a subjetividade.

Práticas de análise linguística NÃO ESCREVA


NESTE LIVRO.

Comente com os estudantes que


12 Observe os adjetivos e a locução adjetiva destacados: o contexto pode ser decisivo para
se chegar a essa conclusão: qua-
tro barras de chocolate, para uma
pensamento obsessivo pensamento negativo pessoa que pretende emagrecer,
na verdade não podem ser classifi-
coisas sem importância 56,7 kg (ruim) cadas como algo bom.
4 barras de chocolate (ruim) uma assustadora equipe de filmagem
estou ótima isso é muito triste

No contexto do qual foram retirados, esses adjetivos e essa locução The Moviestore Collection/Easypix Brasil

adjetiva têm um caráter objetivo ou subjetivo? Explique em seu ca-


derno.

13 Qual é o significado de cada uma das palavras destacadas nas fra-


ses a seguir? Responda no caderno.
Absolvida: julgada inocente, inocentada. Absorvida: incorporada, assimilada, aspirada, sorvida.
Acho que ela vai ser absolvida pelo júri.
Acho que a água vai ser absorvida pelo solo arenoso.

14 Compare estes trechos e tente explicar no caderno as diferenças de Os atores Renée


sentido entre eles. Zelwegger, na pele da
protagonista, e Colin Firth,
“É ótimo quando você só fica pensando na carreira profissional, em vez de se
que interpreta Mark Darcy,
preocupar com coisas sem importância […].” linhas 4-5
em cena do filme O diário
É ótimo quando você fica só, pensando na carreira profissional, em vez de se
de Bridget Jones, de 2001.
preocupar com coisas sem importância.

15 O enunciador do diário é Bridget Jones. Mesmo que o texto seja


14. No primeiro caso, a palavra
constituído de extratos de O diário de Bridget Jones, e ainda que só é um advérbio (exclusivamen-
você nunca tenha lido esse livro integralmente, é possível saber que te, apenas). No segundo caso, é
adjetivo (sozinho). A presença da
Bridget Jones é o enunciador desse texto. vírgula após só, na segunda frase,
é essencial para orientar a estrutura
a. Que elementos desses extratos permitem a você saber isso? Res- sintática e, portanto, os sentidos.
15a. Espera-se apenas que os estudantes percebam que há informações
ponda no caderno. que remetem à situação de enunciação, permitindo deduzir quem é o
enunciador.
15b. Há nos extratos do Diário alguns
b. Explique por que, em sua opinião, os trechos selecionados com- indícios: as informações paratextuais
provam que Bridget é o enunciador do texto. (o título do livro; as informações sobre
ele dadas nos boxes), a projeção
enunciativa (as formas verbais e os
pronomes pessoais e possessivos
16 Nos relatos de viagem lidos no Capítulo 1, é possível relacionar da primeira pessoa do singular são
marcas linguísticas desse enunciador
a pessoa do autor ao eu que se projeta no texto. Por exemplo, que se projeta no texto), expressões
a poeta Adèle relata sua expedição ao Corcovado e, ao fazê-lo, de modalização, entre outros.

produz um relato em 1ª pessoa. Assim, o enunciador, ou seja, o


eu do relato pode ser identificado com a própria poeta, a pessoa
de carne e osso. Com O diário de Bridget Jones, ao contrário,
não é possível identificar a autora Helen Fielding com o enuncia-
dor. Por quê?

PARA RECORDAR

Em textos como os relatos de viagem e os diários, há um eu que se projeta neles. Nos estudos de linguagem,
esse eu é chamado de enunciador.
Os pronomes e as formas verbais de 1ª pessoa são algumas marcas desse eu. Mas também o são as formas de
modalização e o uso dos adjetivos para caracterizar (como vimos na questão 12). Essas marcas, que permitem
ao leitor identificar o enunciador, são as marcas de subjetividade.
Fique atento ao seguinte: o autor não se confunde com o enunciador do texto. Você pode entender que o
autor é a pessoa que assume a autoria de um texto, e o enunciador é o eu que se projeta nos textos. Em
muitos casos, pode até haver coincidência, mas isso nem sempre se verifica.

68

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 68 9/28/20 12:44 PM


17 Releia os trechos a seguir de O diário de Bridget Jones:
I. – Você sabe do processo da Isabella Rossellini, não? Você às vezes lê jornal,
não? – perguntou Richard. linhas 34-35
II. O problema nesse tipo de trabalho é que as pessoas ficam citando nomes e
casos e você tem apenas um segundo para resolver se [você] deve ou não con-
fessar que [você] não sabe do que estão falando e, se perde a oportunidade de
dizer isso [...]. linhas 36-38
III. – Nossa correspondente no local, Bridget Jones, tem as notícias exclusivas
para você. linhas 61-62
a. Nas ocorrências do pronome pessoal você, o referente, isto é, a
pessoa a quem o pronome se refere não é o mesmo. Explique por
que essa classe de palavra tem tal propriedade.
b. No caderno, indique, em cada caso, o referente do pronome. Re- 17b. Pela ordem: Bridget Jones;
Bridget Jones; sem referente claro
leia os trechos do texto, se necessário. (empregado como forma de inde-
terminação do sujeito) em todas as
c. Nas ocorrências do segundo trecho, qual é o efeito de sentido ocorrências do segundo trecho; o
espectador a quem se destina a
provocado pelo emprego de você? chamada para a notícia.
17c. Você, nesse caso, pode ser
d. No caderno, reformule o trecho “[...] e você tem apenas um segun- entendido como “uma pessoa, seja
qual for”. O efeito de indeterminação
do para resolver se [você] deve ou não confessar”, substituindo o do sujeito nesse caso é muito forte.
pronome você por outro recurso da língua que se presta à mesma Trata-se de um uso cada vez mais
comum no português brasileiro, na
função linguístico-discursiva. Explique a transformação feita. linguagem coloquial, mas também
com ocorrência registrada em níveis
mais formais de comunicação.

18 Nos textos relatoriais, como o relato de viagens e o diário pes- 18. Em cartas e em todos os gêne-
ros epistolares, nos gêneros noticio-
soal, a indicação temporal projetada no texto permite ao leitor sos, como a notícia, a reportagem,
a entrevista jornalística, nos textos
situar os eventos relatados em relação à cronologia do mundo oficiais e legais, nos comunicados,
real. Em que outros gêneros conhecidos por você essa marca- nas circulares, nos memorandos,
e em outras formas textuais que
ção da cronologia é também necessária e está sempre, de al- circulam na esfera da comunicação
ligada ao mundo do trabalho e
gum modo, indicada no texto ou em elementos paratextuais do ao mundo acadêmico. Em síntese,
mesmo portador? em todos os gêneros em que a
temporalidade precisa ficar marca-
da exteriormente ao momento da
enunciação.

PARA FAZER E PENSAR

Assista ao filme O diário de Bridget Jones e procure observar como se reconstroem os trechos
do livro citados aqui. Você conseguirá facilmente identificar os momentos do filme que dialogam
com os trechos do livro. Observe de que maneira os roteiristas e diretores transformaram os tre-
chos. Sugestões para sua análise:
Verifique como os cenários foram construídos e como os intérpretes dos personagens do
filme atuam (quais gestos fazem, como expressam as emoções, como usam a voz, etc.).
Observe elementos típicos da linguagem cinematográfica, como o enquadramento, a luz,
os cortes das cenas, os elementos sonoros, a música, etc.
Converse com os colegas e o professor para tentar explicar por que essas transformações
ocorrem, na passagem de um modo semiótico – o livro – para outro – o filme. Analise
ainda em que aspectos essa transposição diferencia a experiência da recepção.
O trabalho ficará ainda mais interessante e completo se você também puder ler o livro
na íntegra – antes ou depois de ver o filme. Essa recepção duplicada – a obra em seu
formato original de livro e na adaptação para a linguagem cinematográfica – poderá ser
experimentada com outras obras que também passaram por adaptações.

19 Comparando os trechos do diário com os relatos de viagem do ca-


pítulo anterior, que semelhanças e diferenças você apontaria entre
eles? Explique em seu caderno.

69

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 69 9/28/20 12:44 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

DIÁRIO PESSOAL
Os diários são formas especiais de relato em que o registro das ações se dá pela cronologia
do calendário: há um registro – de ações e fatos, experiências subjetivas e comentários – que
respeita a sucessão dos dias.
A indicação precisa da data tem como finalidade principal demarcar tanto o tempo dos
acontecimentos quanto o tempo em que o registro deles foi elaborado. Os marcos tem-
porais e as datas funcionam, em um diário, como índices enunciativos (ajudam a situar os
fatos relatados em relação às datas apontadas no relato). Além disso, boa parte do registro
dos fatos é feita de memória e, por essa razão, outra característica atribuída ao diário é o
memorialismo, isto é, o eu que se projeta no relato registra os eventos do dia ao lembrar-se
do que aconteceu. É por essa razão que os tempos verbais predominantes nesses textos
são os que expressam o passado. A escrita do diário é sempre baseada em uma prática de
mediação linguageira: o sujeito que registra no agora o que vivenciou no antes (mesmo se
esse antes for o mesmo dia do relato, com pouca distância temporal) atua como mediador
entre o eu que vivenciou a experiência (o eu do passado) e o eu que relembra, analisa e
reinterpreta a experiência vivenciada.
Porém, nos diários, nem tudo é relato de memória, pois o enunciador pode também registrar
o que ainda não aconteceu – o diário passa então a ter caráter preditivo, como uma agenda:
registra previsões, possibilidades. Essa característica se manifesta também em O diário de
Bridget Jones, no comentário registrado em 22 de dezembro e que pode ser lido na trans-
crição acima.
20. Possibilite aos estudantes que
façam essa atividade livremente. Os
textos produzidos só devem ser
objeto de leituras e de intervenções
20 Experimente relatar em forma de diário os acontecimentos de al- alheias se seu autor quiser divulgar o
guns dias de sua vida. Você pode começar pelo registro que fez na que escreveu. Acompanhe a escrita
como observador, caso oriente a
Situação inicial. Retome-o. Algumas dicas: realização dessa atividade durante
o tempo da aula, e como leitor, se
algum estudante quiser mostrar a
Relate os fatos ocorridos, sua reflexão pessoal a respeito deles, e você a página de diário produzida.
Você poderá reservar um momento
expresse suas predições sobre o que ainda estaria por acontecer. para que os estudantes troquem as
páginas que produziram entre si.
Como esse relato é íntimo (você vai relatar fatos e fazer predições
de acontecimentos ligados a você e sobre o que pôde observar), FICA A DICA
você não precisará dar a outros leitores a sua página de diário, se
não quiser. Odisseia, de Homero.
Companhia das Letras,
Finalizada a tarefa, converse com o professor e os cole- 2011. Tradução de Frederi-
gas sobre essa experiência de registrar acontecimentos co Lourenço, diretamente
de sua vida. Guarde essa versão do texto. do grego antigo.
PORTFÓLIO
O poema Odisseia
tem sua origem ligada à

Práticas de leitura e análise literária tradição oral grega. Foi


registrado por escrito por
volta do século VIII a.C.
Com a Ilíada, é um dos
A literatura sob a inspiração de viagens textos fundadores da tra-
dição literária ocidental.
Entre realidade e ficção, as viagens são matéria-prima explorada por Nesse poema, narram-se
as aventuras de Ulisses
escritores de diferentes épocas e lugares. A literatura ocidental, segun- (ou Odisseu), guerreiro
do alguns estudiosos, teria sua origem em dois poemas atribuídos ao da Guerra de Troia, confli-
grego Homero: Ilíada e Odisseia. Uma dessas criações, Odisseia, relata to entre aqueus e troianos
uma grandiosa viagem. Nas literaturas de língua portuguesa, também ocorrido entre 1300 a.C. e
1200 a.C. As peripécias de
há diversas obras inspiradas por viagens. Uma das mais consagradas
Ulisses ocorrem ao longo
é um poema do escritor português Luís Vaz de Camões, que viveu no de sua viagem de volta
século XVI, e certos poemas de outro célebre português, Fernando para casa após a guerra.
Pessoa (1888-1935).

70

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 70 9/28/20 12:44 PM


21 Observem a seguir imagens dos escritores portugueses Luís Vaz
de Camões e Fernando Pessoa e leiam as informações dos boxes.
Depois, compartilhem outros dados que tenham a respeito deles:
quem foram, o contexto histórico e social em que viveram, o que
escreveram. INTERAÇÃO PRODUÇÃO MEDIAÇÃO

Prisma/Album/Fotoarena

Luís Vaz de Camões, poeta português do século XVI. Escreveu poesia lírica
e épica e teatro. Suas obras têm influenciado diversos escritores lusófonos. A
epopeia Os lusíadas é considerada sua obra-prima.

Reprodução/Acervo particular

Fernando Pessoa, poeta português nascido no final do século XIX. Sua obra
literária singular é marcada pela criação de personalidades poéticas distintas,
cada uma delas com uma produção própria. Obras de destaque: Mensagem
(lançada em 1934), O livro do desassossego (publicado postumamente, em 1982).

22 Em seguida, investiguem um pouco mais so- cipais eventos históricos e culturais do


bre esses autores e suas obras. Para isso, fa- período, que relação esses eventos po-
çam o seguinte: dem ter com a vida e a obra do escritor;
indicar, em linhas gerais, o que acontecia
a. Você e os colegas vão se dividir em um nú- no mundo das artes e da cultura nesse
mero par de grupos: 4, 6, 8, etc. e seguir as período histórico e, principalmente, no
indicações do professor. lugar de origem desses escritores;
b. Metade dos grupos pesquisará a vida e a relacionar as obras mais importantes do
obra de Luís Vaz de Camões (por exemplo, escritor e indicar em qual período da his-
os grupos pares); a outra metade, a vida e tória literária foram escritas;
a obra de Fernando Pessoa. explicar o tema e a estrutura, em linhas
gerais, de obras fundamentais de cada
c. Consultem: livros de referência de estudos um desses autores: Os lusíadas, no caso
de literatura de língua portuguesa, sites va- de Camões, e Mensagem, no caso de Fer-
riados sobre literatura e mais direcionados nando Pessoa;
a esses escritores (verifiquem se são confi- escolher poemas dos autores para com-
áveis), enciclopédias, exemplares de livros partilhar com os demais grupos e expli-
escritos por esses dois autores, que você car os motivos dessa escolha;
certamente poderá encontrar na biblioteca postar o material recolhido durante a pes-
de sua escola ou em uma biblioteca públi- quisa e, depois, das apresentações no blo-
ca da região. gue da turma ou em uma rede social da
d. A tarefa de vocês nessas pesquisas será: qual todos participam.
relacionar fatos da vida do escritor pes- 23 As pesquisas devem ser compartilhadas na
quisado – onde e quando nasceu, onde forma de uma exposição oral. Para isso, será
passou a maior parte da vida, que profis- preciso, depois de selecionado o material,
são exercia, etc.; compartilhar as descobertas com os demais
situar o contexto histórico do período grupos envolvidos na pesquisa do mesmo
em que viveu e produziu suas obras: o autor, ou seja, os grupos pares compartilha-
que ocorria no país de origem e no(s) lu- rão entre si as informações encontradas e os
gar(es) onde viveu, quais foram os prin- grupos ímpares farão o mesmo.

71

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 71 9/28/20 12:44 PM


24 Tendo o material pesquisado como base, você e os colegas de gru- NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
po vão organizar uma apresentação com slides, sob a orientação do
professor e considerando as ações a seguir.

Revejam o item d da atividade 22 e distribuam entre si as informa-


ções referentes aos pontos pesquisados. arado: navegado.
bramir: gritar, soltar a voz ou
Cada grupo vai ficar responsável por organizar a apresentação bradar.
desses pontos. Assim, por exemplo, um dos grupos pares vai se Colosso de Rodes: escultura
responsabilizar pela apresentação dos fatos da vida do autor em em bronze de Hélios, o deus
discussão e da contextualização histórica e cultural do período em do sol na mitologia grega,
erguida com cerca de 30
que ele viveu, ao passo que outro grupo vai organizar e apresentar
metros de altura, segundo
o tema e a estrutura da obra indicada. contam, na ilha de Rodes,
Se for o caso, o grupo deverá retomar e aprofundar a pesquisa entre 292 a.C. e 288 a.C.

antes da apresentação. esquálido: descuidado.


lenho: embarcação.
A seguir, (re)leia trechos da produção dos escritores pesquisados: pertinace: pertinaz,
nesta página, de Luís Vaz de Camões, há a transcrição de um fragmento persistente.
de Os lusíadas; de Fernando Pessoa, na página 74, há dois poemas ex- potestade: o que impõe sua
traídos de Mensagem. vontade, ordena.
quebrantar: ir além,
ultrapassar.
Os lusíadas sojugar: subjugar, dominar.
Luís Vaz de Camões

Canto V
[...]
1 Porém já cinco sóis eram passados 1 Tão grande era de membros, que bem posso
Que dali nos partíramos, cortando Certificar-te, que este era o segundo
Os mares nunca de outrem navegados, De Rodes estranhíssimo Colosso,
Prosperamente os ventos assoprando, Que um dos sete milagres foi do mundo.
Quando uma noite, estando descuidados Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Na cortadora proa vigiando, Que pareceu sair do mar profundo:
Uma nuvem que os ares escurece Arrepiam-se as carnes e o cabelo
8 Sobre nossas cabeças aparece. 8 A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

1 Tão temerosa vinha e carregada, 1 E disse: – “Ó gente ousada, mais que quantas
Que pôs nos corações um grande medo; No mundo cometeram grandes cousas,
Bramindo, o negro mar de longe brada Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
Como se desse em vão nalgum rochedo. E por trabalhos vãos nunca repousas,
– “Ó Potestade”, disse, “sublimada Pois os vedados términos quebrantas
Que ameaço divino ou que segredo E navegar nos longos mares ousas,
Este clima e este mar nos apresenta, Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
8 Que mor cousa parece que tormenta!” 8 Nunca arados d’estranho ou próprio lenho.

1 Não acabava, quando uma figura 1 Pois vens ver os segredos escondidos
Se nos mostra no ar, robusta e válida, Da natureza e do úmido elemento,
De disforme e grandíssima estatura, A nenhum grande humano concedidos
O rosto carregado, a barba esquálida, De nobre ou de imortal merecimento,
Os olhos encovados, e a postura Ouve os danos de mi que apercebidos
Medonha e má e a cor terrena e pálida; Estão a teu sobejo atrevimento,
Cheios de terra e crespos os cabelos, Por todo largo mar e pela terra
8 A boca negra, os dentes amarelos. 8 Que inda hás de sojugar com dura guerra.

72

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 72 9/28/20 12:44 PM


1 Sabe que quantas naus esta viagem, 1 Aqui espero tomar, se não me engano,
Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, De quem me descobriu, suma vingança.
Inimiga terão esta paragem, E não se acabará só nisto o dano
Com ventos e tormentas desmedidas: De vossa pertinace confiança:
E da primeira armada que passagem Antes, em vossas naus vereis, cada ano,
Fizer por estas ondas insofridas, Se é verdade o que meu juízo alcança,
Eu farei d’improviso tal castigo, Naufrágios, perdições de toda sorte,
8 Que seja mor o dano que o perigo! 8 Que o menor mal de todos seja a morte!”
[...]

CAMÕES, Luís Vaz de. Os lusíadas. 13. ed. São Paulo: Melhoramentos, [s.d.]. p. 239-241.
Edição comentada por Otoniel Mota.

JB-2078/Alamy/Fotoarena
O GIGANTE ADAMASTOR

No canto V de Os lusíadas, narra-se a aparição do gigante Adamastor, criatura


imaginada por Camões como personificação do cabo da Boa Esperança, região
próxima da atual Cidade do Cabo, na África do Sul. Na época de Camões, esse
ponto geográfico era conhecido como de difícil travessia, em razão das condições
marítimas locais, muito adversas à navegação.
25. Sugestões: 2ª estrofe: A nuvem amedronta os navegantes; 3ª estrofe: Da nuvem escura, surge a figura mons-
truosa; 4ª estrofe: O gigante previne os navegantes de que sempre encontrarão dificuldade ao tentarem atravessar o
cabo; 5ª estrofe: O gigante se admira da ousadia dos portugueses e da tentativa de atravessar o cabo; 6ª estrofe: O
O gigante Adamastor, em escultura de Júlio Vaz Júnior (1877-1963),
instalada no miradouro de Santa Catarina, em Lisboa. Foto de 2010.
gigante relata aos portugueses que lhes custará caro seu atrevimento; 7ª estrofe: O gigante previne os navegantes de que
sempre encontrarão dificuldade ao tentarem atravessar o cabo; 8ª estrofe: O gigante promete que se vingará do navegador que o descobriu. Verifique se
as sínteses dos estudantes sinalizam que eles perceberam o tópico principal de cada estrofe e compreenderam seu sentido.

25 Formule em seu caderno uma tabela com o resumo das oito estro-

Reprodução/Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra


fes transcritas de Os lusíadas. Para isso, será preciso produzir uma
sentença que sintetize e resuma o tópico principal narrado em cada
uma delas. Veja um exemplo:

Estrofes lidas de Os lusíadas, de Camões


Estrofe Resumo do tópico principal narrado
A nuvem escurece os ares e surpreende os
1ª estrofe
navegantes.

26 Pelo que você e os colegas pesquisaram sobre Os lusíadas e a via-


gem de Vasco da Gama, exaltada nesse poema, por que atravessar
o cabo era tão importante para os navegantes portugueses?
26.A travessia do cabo era um modo de buscar novas rotas comerciais entre Europa e Oriente.
Ilustração representando
27 Considerando tudo o que você já sabe sobre Os lusíadas agora que
o navegador português
compartilharam as pesquisas, responda no caderno: por que a via- Vasco da Gama, de
gem de Vasco da Gama, narrada nesse poema, teria sido tão fan- Pedro Barretto de
tástica a ponto de inspirar uma epopeia, entrando para a história da Resende, 1646. Em 1497,
literatura da língua portuguesa e da literatura universal? esse navegador e sua
tripulação conseguiram,
28 Em Mensagem, Fernando Pessoa retoma o mito do gigante Adamas- meses depois de
atravessar o cabo das
tor no poema “O mostrengo”. Com a orientação do professor, você e Tormentas, aportar em
os colegas vão fazer duas leituras do texto, transcrito a seguir. Calicute, na Índia.
a. Silenciosamente, leiam o poema uma vez, para conhecer as pala-
vras, acostumar-se com elas. 28c. Espera-se que os estudan-
tes percebam que características
b. Com a orientação do professor, os colegas que se prontificarem composicionais do texto em versos
– como o ritmo e a rima – estão
poderão ler o poema em voz alta para toda a turma. ligadas a elementos formais orais.

c. Ao final dessas leituras, troquem ideias sobre a seguinte questão:


por que é importante, ao interpretar poemas, lê-los em voz alta?
27. Espera-se que, por meio das pesquisas, tenha ficado claro que a viagem pelos oceanos Atlântico e Índico, nesse momento, era complexa e implicava o enfren-
tamento de muita dificuldade, tendo em vista as condições da tecnologia náutica da época. Os desafios e o pioneirismo dos navegadores portugueses nessa
empreitada justificariam a percepção das ações como grandiosas. Assim, ficaria evidenciado o caráter heroico de um povo – no caso, o português –, elemento
essencial a toda narrativa épica. 73

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 73 9/28/20 12:44 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

O mostrengo
DOM JOÃO II, REI DE PORTUGAL
Fernando Pessoa
O mostrengo que está no fim do mar Tendo vivido entre
Na noite de breu ergueu-se a voar; 1455 e 1495, dom João
À roda da nau voou três vezes, II foi rei de Portugal e
de Algarves em dois
Voou três vezes a chiar,
períodos distintos: em

Reprodução/Instituto dos Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, Lisboa, Portugal


5 E disse: “Quem é que ousou entrar
novembro de 1477 e,
Nas minhas cavernas que não desvendo, depois, de 1481 até sua
Meus tetos negros do fim do mundo?” morte. Durante seu
E o homem do leme disse, tremendo: reinado, impulsionou as
“El-Rei D. João Segundo!” viagens marítimas que
deram início às Grandes
10 “De quem são as velas onde me roço? Navegações, com o
De quem as quilhas que vejo e ouço?” intuito de explorar
Disse o mostrengo, e rodou três vezes, novas rotas da Europa
Três vezes rodou imundo e grosso, até a Ásia para ampliar
o comércio. Desse
“Quem vem poder o que só eu posso,
pioneirismo português
15 Que moro onde nunca ninguém me visse
resultou também
E escorro os medos do mar sem fundo?” a exploração do
E o homem do leme tremeu, e disse: continente americano.
“El-Rei D. João Segundo!”
Retrato de d. João II, rei de Portugal, em iluminura
Três vezes do leme as mãos ergueu, de autoria anônima, produzida por volta de 1490
para o Livro dos copos.
20 Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quere o mar que é teu; quere: quer.
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
25 E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!”
PESSOA, Fernando. O mostrengo. In: PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965. p. 79-80.
28. Provavelmente, durante a leitura dos poemas, os estudantes já tenham o contexto histórico. Mas, se considerar conveniente, comente que, na época das Grandes
Navegações, Portugal reunia condições políticas, econômicas, comerciais e geográficas que tornaram possível seu papel pioneiro. Entre elas, posição geográfica favo-
rável, monarquia consolidada, território unificado, desenvolvimento do conhecimento náutico, interesse na expansão do comércio e investimentos estrangeiros para isso.
29 Ao longo do poema, o eu lírico dá voz ao “homem do leme” e ao “mostrengo”. Ao comparar
com o trecho lido de Os lusíadas, é possível identificar o mostrengo como o gigante Adamastor.
Considerando essa comparação entre os textos, quem seria o “homem do leme”? Explique.
30 Você pôde notar que há uma conversa entre as duas obras em estudo: uma delas retoma per-
sonagem e situações da outra. Isso acontece entre diversas outras obras. Identifique outro
poema que dialogue com a obra de Camões ou com a de Pessoa e compartilhe com a turma.
31 Leia o poema “Mar português”, a seguir, e formule uma hipótese interpretativa para ele. Com-
partilhe essa hipótese com os colegas e o professor. Então vocês poderão comparar as ideias
sobre o texto e registrar as conclusões no caderno.
Resposta pessoal.
Cabo Bojador: situa-se na costa do Saara ocidental, no território
controlado pelo Marrocos. O primeiro navegador que o atravessou foi
Mar português o português Gil Eanes, em 1433. Antes disso, era conhecido como cabo
do Medo, em razão dos recifes de arestas pontiagudas da região.
Fernando Pessoa
Ó mar salgado, quanto do teu sal Valeu a pena? Tudo vale a pena
São lágrimas de Portugal! Se a alma não é pequena.
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quem quer passar além do Bojador
Quantos filhos em vão rezaram! Tem que passar além da dor.
Quantas noivas ficaram por casar Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Para que fosses nosso, ó mar! Mas nele é que espelhou o céu.
PESSOA, Fernando. Mar português. In: PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965. p. 82.

74

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 74 9/28/20 12:44 PM


FICA A DICA

Mar português. Poema de Pessoa musicado por André Luiz Oliveira. DIÁRIO DE BORDO
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tu7-ShLz-bI. Acesso
em: 3 jun. 2020. Registre em seu diário
Os poemas de Fernando Pessoa já inspiraram diversas canções. de bordo uma hipótese
Uma delas é a produzida pelo músico e arranjador baiano André Luiz para explicar: Por que
Oliveira, que pode ser encontrada no endereço indicado. Em 2015, o as viagens são um
músico reuniu três CDs, dois DVDs, um álbum de fotos e o próprio livro tema tão explorado na
com os poemas de Pessoa em uma caixa de madeira, com o título Men- literatura? Que tipos
sagem, lançada especialmente em homenagem ao poeta, cuja morte, de experiência elas
nessa data, completava 80 anos. É de uma das interpretações desse
possibilitam e por que
material que se fez o vídeo aqui sugerido.
vale a pena registrá-las?

Se a literatura portuguesa é marcada pelas


Os ratos
viagens de personagens que cruzam os mares
em busca de novas terras, como em Os lusía- Capítulo 3
das, ou por viagens simbólicas, que se concen- Dyonelio Machado
tram na busca de sentido para a vida, como no Como se desse um pulo, todo o seu interesse
poema “Mar português”, há ainda outras possi- é agora, explosivamente, para esses cinquenta e
bilidades de trabalhar, na literatura, o tema via- três mil-réis do leiteiro!
gens. Por exemplo, é possível pensar na viagem O bonde ainda não parou, e ele já está maltra-
representada pelo cotidiano: um dia da vida de 5 tando a porta de saída com pequenos pontapés
um homem comum em busca de solução para impacientes. Atravessa a praça; não olha para os
seus problemas. lados. Uma “decisão” anterior, mal definida e mal
Esse é o tema de várias obras produzidas aceita, o conduz todavia para o mercado, para
nas literaturas do século XX, como a elaborada o café da esquina. Pouca gente, caras “novas”.
pelo escritor gaúcho Dyonelio Machado e inti- 10 É que é cedo. Não contava com isso. Todos os
tulada Os ratos. consumidores têm um ar grave e matinal; tomam
Publicado em 1935, esse romance se baseia o café com leite com cara ainda estremunhada,
em uma viagem que dura apenas um dia. Na- o chapéu repousando numa cadeira, o olhar nos
ziazeno, o personagem central, precisa arreca- aspectos agradáveis da rua.
dar determinada quantia em dinheiro para con- 15 Aquele “repouso” convida-o a sentar. Um ca-
seguir pagar uma dívida. A busca começa certo fezinho?... São dois tostões, a bem dizer metade
dia logo cedo, quando o leiteiro o avisa de que das suas disponibilidades. É necessário prudên-
cortará o fornecimento de leite se a dívida não cia, prudência. Ele bem sabe o valor de dois tos-
for paga, e termina na manhã seguinte, quando tões numa situação assim.
o leiteiro retorna. Ao longo de um único dia, 20 Sente-se outro, tem coragem, quer lutar. Longe
Naziazeno percorre o centro da cidade de Por- do bonde (que é um prolongamento do bairro e da
to Alegre, em busca de seu chefe na repartição casa) não tem mais a “morrinha” daquelas ideias...
pública onde trabalha, de seu amigo Duque, Naquele ambiente comercial e de bolsa do mer-
além de se envolver em situações angustiantes cado, quantos lutadores como ele!... Sente-se em
ao tentar obter o dinheiro de que precisa. 25 companhia, membro lícito duma legião natural.

A narrativa mescla um narrador onisciente, O Duque... Sim: o Duque, por exemplo, um


em 3ª pessoa, com o fluxo de consciência de batalhador. Tem a experiência... da miséria. Não
Naziazeno, apresentando o desespero do per- recomenda a sua companhia (e o próprio Duque
sonagem ao longo dessas 24 horas. A lingua- o sabe). Mas como acompanha com solicitude o
gem usada no romance é original: para cons- 30 amigo em situação difícil ao agiota ou à casa dos
truir o fluxo de consciência, o escritor emprega penhores. É ele quem fala. Se há uma negativa
as formas livres de discurso relatado, ou seja, o dura a fazer, o agiota não se constrange com o Du-
discurso direto livre e o discurso indireto livre. A que: diz mesmo, diz tudo, naquelas ventas sovadas
seguir, leia um capítulo da obra. de cachorro sereno. Uma providência, o Duque...

75

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 75 9/28/20 12:44 PM


NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

35 Naziazeno, numa das esquinas, olha rapida- varrendo tudo, a trazer as pencas de escarra-
mente em torno como se procurasse orientar-se. deiras, o ar atarantado e fantástico, e ir colo-
Mas nada vê. É o pensamento que se agita e ar- 90 cando-as nos seus lugares, sob o olhar fiscali-
rasta a cabeça nos seus movimentos. Ele procura zador e vulgar do Clementino...
“visualizar” bem a ideia de ir ter com o Duque. Para “encher” esse tempo que lhe falta, há
40 Mas, espera: que horas serão? Não há mais uma alternativa: sentar na praça, entrar no
tempo agora; é preciso ir direito à repartição. Foi café. Sentar num banco da praça é esfriar, per-
o seu primeiro plano, e é força segui-lo. 95 der aquele “impulso”. O café é o rebuliço. Pra
Impossível que o diretor não o desaperte. Cin- o café, pois.
quenta e três mil-réis... sessenta, arredondando.

Cesar Lopes/PMPA
45 Já uma vez emprestou-lhe vinte, com toda a boa
vontade, logo após a sua nomeação para o cargo.
Sim, Naziazeno sabe que os empregados
mais graduados troçaram respeitosamente o
diretor, que este (que é um moço) meio en-
50 cabulou, alegando que não conhecia o caso,
que era ainda estranho ao meio, que “noutra”
não cairia, pois era realmente qualquer coisa
assim como censurável estar cultivando esses
exemplos de desregramento ou de perdularis-
55 mo sistemáticos...
Isso disse o diretor, mas pra safar-se daquele Fachada do edifício em que se situa a
momento um tanto crítico. Prefeitura de Porto Alegre.
“– Fico ainda lhe restando cinco mil-réis,
doutor.” Do café do mercado a esse outro café, foi-se-
60 “– Estamos quites!” havia-lhe respondido o -lhe boa parte da prudência, bem nota ele. A cau-
outro, tomando o dinheiro, precipitadamente, 100 tela de poupar dois tostões, a possibilidade de se

sem fitá-lo, a cara mergulhada no vão da sua tirar de dificuldades com dois tostões não são
secretária de cortina. dele (isto é que é exato): – é plano do Duque.
“– Não sei como lhe agradecer, doutor. Eu É de ver como o Duque multiplica um simples
65 já lhe disse, o médico exigia umas injeções. O nicolau... Uma das suas primeiras “esperanças”
seu dinheiro foi uma providência pra o meu 105 essa manhã foi o Duque. O seu gênio o protegia
filhinho.” e o inspirava... Mas ele agora bem pode soltar
“–Sim! está bem! pode retirar-se! – Já sabe: não esse níquel. À medida que rememora a pessoa
me deve mais nada. Fique com esses cinco.” do diretor, vem-lhe a confiança no seu plano.
70 “– Oh! muito obrigado, doutor...” 110 O seu plano sempre é simples: é o recurso ami-
Ele estava certo, certíssimo, que era só “agar- go, a solidariedade. Quem não o compreenderia?...
rar-se” com o diretor. Inegável, essa superioridade do Duque: o Duque é
O relógio da Prefeitura marca pouco mais de o agente, o corretor da miséria. Conduz o negócio
oito horas. Vem-lhe um quadro: a repartição serenamente. Tem a propriedade de despersona-
75 toda aberta, vazia, e encostados a uma porta 115 lizar a coisa. Depois de pouco tempo, toda a sua

que dá pra uma areazinha com piso de tijolo, vida – Naziazeno reconhece – está devassada: a
Horácio e Clementino desfiando histórias len- doença, a mulher, o filho. Com o Duque, não. Ele
tas, antigas. Naziazeno sente-se todo trepida- olha muito, ouve muito, aparece muito, mas só diz
ção, ainda. Mas já não tem muito entusiasmo uma ou outra coisa, só o necessário e o viável.
80 em chegar logo à repartição, abordar o dire- 120 “– Este relógio ainda está marcando oito e dez.”
tor. Nem ele há de cumprir logo assim, sem Os relógios não andam certos. Mas já há de ser
exame, aquele plano de chegar sempre cedo umas oito e vinte ou oito e meia. Às nove ele se
à repartição. É a hora da limpeza. Horácio e encaminhará pra a repartição.
Clementino, serventes privilegiados, ficam ali... Se ainda tivesse um jornal...
85 mas sempre lhe causou certa repugnância e 125 Além do mais, um jornal é útil, numa “situação
qualquer outra coisa mais ver o velho Jacinto, dessas”. É pelo menos o que pensa o Duque,
curvo, com as abas do capote varrendo o chão, que sempre percorre certos anúncios do jornal...

76

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 76 9/28/20 12:44 PM


Mas não, ele não saberia tirar coisa nenhuma do 160 Não! Está a ver o diretor, tirando o dinheiro do
jornal. Era comprar pra ler, ler a política. bolso, entregando-lho num gesto quase furtivo,
130 Quanto custa um jornal?... É estranho, está em sem olhá-lo, como quem tem pressa...
dúvida... Duzentos ou trezentos? A sua cabeça Puxa o níquel.
anda cansada, é isto. Mas não se lembra bem Ele não vai levantar já, mas é preciso pagar a
mesmo. Parece que é trezentos: sofreu dois au- despesa, não vá um conhecido aparecer. Põe o
mentos – o primeiro pra duzentos réis, depois 165 níquel debaixo da borda do pires, bem à mos-
135 pra trezentos... tra pra o amigo que venha aumentar a despesa,
É caro. Já se lhe foram quinhentos réis... – Um bem oculto pra o garção, que não vendo que
medo o invade, então! Mas é passageiro, e outra o café se acha pago não virá levantar a louça.
vez está ali com ele a sua confiança. Porque ele ainda quer ficar ali mais uns vinte
“– Doutor, vejo-me outra vez forçado a recor- 170 minutos. Depois, se tocará devagar pra a repar-
140 rer...” – Não! isto é vago, geral. Deve dizer o fato, tição. Chegando às nove e um quarto mais ou
o que se passa. “– Doutor, imagine a minha si- menos, chega bem. Já houve tempo do diretor
tuação, o meu leiteiro...” “– Não! Não! Trivialida- atender a primeira fornada de papéis. À hora
de... uma trivialidade...” “– O meu filho, doutor!... do cafezinho – nove e meia – ele está sempre
“ – Outra vez o teu filho, Naziazeno... sempre o 175 só. É esse o momento.
145 teu filho... – Café?
Um gelo toma todo o seu corpo. Gelo que – Não. Já tomei...
é tristeza e desânimo. Voltam-lhe as cenas da O garção põe a xícara servida na bandeja, ao
manhã, o arrabalde, a casa, a mulher. Tem medo lado de outras. Recolhe o níquel. Com um giro
de desfalecer nos seus propósitos. Acha-se sozi- 180 do guardanapo limpa o tampo da mesinha. En-
150 nho. Aquela multidão que entra e sai pela enor- quanto isso, os cotovelos meio levantados, Na-
me porta do café lhe é mais do que desconhe- ziazeno olha por cima a rua, lá longe, através
cida: parece-lhe inimiga. Já acha absurdo agora da grande porta. Tem agora à sua frente um
o seu plano, aquele plano tão simples. Quando tampo luzidio de mármore. Vazio. Só o cilindro
pensa em pedir ao diretor sessenta mil-réis em- 185 do açucareiro. Falta-lhe um apoio. Levanta-se.
155 prestados – sessenta! – chega a sentir um ver- São oito e meia quase no relógio do café. Se
melhão quente na cara, tão despropositado lhe fosse até ao cais?
parece tudo isso. “– Sessenta mil-réis! um orde- MACHADO, Dyonelio. Os ratos. São Paulo: Planeta,
nado quase!... É isso coisa que se peça?!” 2004. p. 15-17.

arrabalde: lugar afastado do centro da cidade.


luzidio: brilhante, lustroso.
nicolau: moeda, níquel.
Arq ncia
Ag

Dyonelio Tubino Machado (1895-1985) nasceu em Quaraí, no Rio Grande do


uiv Est
ê
o d ado

Sul, foi psiquiatra, jornalista e escritor. Iniciou a carreira literária com a publicação
o jo
rna

do livro de contos Um pobre homem, em 1927. Outras de suas obras de destaque


OEl
sta

são: Os ratos (lançado em 1935), O louco do Cati (1942) e, homenageado com o


do
de

prêmio Jabuti, em 1981, o romance Endiabrados (1980).


S. P
a
ulo
/

32 A angústia de Naziazeno se estende por toda a narrativa.


a. Considerando o capítulo lido, identifique os trechos em que esse sentimento se nota de for-
ma mais intensa e indique no caderno as linhas em que isso ocorre. Justifique suas escolhas.
Compare os trechos que você selecionou com os dos colegas. Para ajudar nessa identifica-
ção, observe recursos de linguagem como o discurso indireto livre, usado nos momentos
em que Naziazeno parece conversar consigo mesmo: “Se ainda tivesse um jornal... Além do
mais, um jornal é útil, numa ‘situação dessas’” linhas 124-126 .
32a. Praticamente todo o capítulo é marcado por esse sentimento do personagem principal. Verifique se os estudantes conseguem justificar as escolhas
feitas. Na socialização, permita que expressem suas impressões sobre o capítulo lido.
77

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 77 9/28/20 12:44 PM


NÃO ESCREVA
32b. Observe se os estudantes constatam que a narrativa transcorre praticamente toda no tempo presente do indicativo; além NESTE LIVRO.
disso, as marcas espaciais e temporais expressas por advérbios e conjunções acentuam a impressão de urgência.
b. A conversa mental que o personagem mantém consigo mesmo expressa pelo discurso indi-
reto livre, é chamada nos estudos literários de “fluxo de consciência”. Você já sabe que esse
recurso ajuda a construir a impressão de angústia. Além desse, você consegue identificar
outros recursos de linguagem empregados para criar no leitor a sensação, quase cinemato-
gráfica, da urgência e da angústia experimentada por Naziazeno?
c. A angústia de Naziazeno não é diferente daquela experimentada por boa parte da popula-
ção brasileira ainda hoje. Justifique essa afirmativa. Comente com os colegas: a função da
literatura é provocar o leitor, levá-lo a pensar sobre a própria realidade? Por quê?

FICA A DICA

Ulysses, de James Joyce. São Paulo: Penguin, 2012.


Viagem à roda do meu quarto, de Xavier de Maistre. São Paulo: Estação Liberdade, 2008.
A literatura possibilita dar novos sentidos ao que vivemos. Por isso, a viagem pelo cotidiano de Porto Alegre
empreendida por Naziazeno é um tema comum a outras obras, cuja leitura pode ser proveitosa. Uma delas é o
romance Viagem à roda do meu quarto, de Xavier de Maistre, de 1794, que contribuiu muito para a formação do
romance moderno. Nele é narrada, em capítulos curtos, uma viagem feita dentro do quarto, com base em des-
locamentos entre a poltrona e a cama, a cama e a janela, e assim por diante. Outra obra com essa temática é o
romance Ulysses, de James Joyce. Inspirado na epopeia Odisseia, de Homero, a obra narra um dia na vida de um
jovem poeta, Stephen Dedalus, pela cidade de Dublin, na Irlanda.

Práticas de produção de textos


PRODUÇÃO ORAL
Exposição oral (II)
Com os colegas, retome as conclusões elaboradas no final das atividades de Produção oral do
capítulo anterior. Retome também os registros feitos com relação às exposições orais que vocês
organizaram e apresentaram desde o início das atividades de Viagens.
Se as exposições produzidas pelos grupos tiverem sido gravadas, vocês podem escolher algu-
ma(s) e assistir a ela(s).

33 Com a ajuda do professor, você e os colegas do grupo formado para o trabalho com Pro-
dução oral no capítulo anterior vão reler o que foi registrado e separar as conclusões e os
registros em dois grupos, no caderno, conforme indicado a seguir.

Aspectos positivos das exposições orais Aspectos que poderiam ser melhorados

34 A seguir, você e os colegas de grupo vão discutir alguns procedimentos. Com a orientação do
professor, a turma vai organizar as cadeiras da classe em círculos de acordo com o número de
estudantes dos grupos de apresentação oral, de modo que haja cadeira suficiente para todos
os integrantes de cada grupo. Deve haver seis círculos ou múltiplos de 6, repetindo o tema
dos seis primeiros. No centro de cada círculo, é necessário um papel com o registro indicado
a seguir para orientar a conversa e mais alguns papéis e canetas para que vocês façam anota-
ções ao discutirem as questões propostas no círculo. Com o professor, combinem o tempo de
discussão em cada círculo. Decorrido esse tempo, o grupo vai passar para o círculo seguinte
e discutir o que lá estiver indicado. Assim, cada grupo vai passar por seis círculos distintos de
conversa.
33. Oriente a turma a construir uma tabela. O ideal é que essa construção seja feita coletivamente e depois ganhe uma versão individual, no caderno. Chame
a atenção da turma para o fato de que, provavelmente, os aspectos considerados positivos correspondem às habilidades de expor oralmente desenvolvidas
antes do trabalho proposto no Capítulo 1 e os aspectos listados entre os que podem ser melhorados correspondem às habilidades de expor oralmente que os
estudantes ainda não desenvolveram integralmente.
78

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 78 9/28/20 12:44 PM


Círculo 1 Círculo 2
Expositor e audiência Passos 1 e 2 de uma exposição oral
Em suas exposições, vocês Como estratégia inicial de interação, o expositor deve con-
ofereceram o suporte quistar a atenção dos ouvintes. Para isso, o primeiro passo
necessário para que sua au- é apresentar-se: de que modo vocês se apresentaram?
diência compreendesse o que O segundo passo é apresentar sucintamente o tema ou o
foi exposto? Por quê? plano geral da exposição, preparando a plateia para ouvir
Quando viram a exposição dos o que será dito. Vocês costumam utilizar formas linguísti-
colegas, fizeram anotações? cas que pontuem esses momentos, como “Para começar...”?
Como isso ajuda? Anotem no papel aquelas mais utilizadas.

Círculo 3 Círculo 4
Iniciando a exposição de fato Apoios: documentos visuais e exemplos
Vocês anunciam aquilo que A exposição pode ser acompanhada de documentos visuais
será exposto a cada sequên- de apoio, que ajudam a prender a atenção da audiência.
cia, dizendo, por exemplo: Que documentos visuais apoiaram as exposições de vocês?
“Vamos então dar início ao Qual foi a reação da plateia a eles?
primeiro ponto...” ou “Neste Mencionar exemplos também conquista a adesão da plateia
momento, vamos falar de...”? ao que é exposto. Se usaram exemplos, que efeito provoca-
Anotem no papel as expres- ram na audiência? E que expressão usaram para introduzi-
sões que recordam ter usado. -los? Anotem essas formas linguísticas no papel.

Círculo 6
Círculo 5 O encerramento da exposição oral
Reformular o que foi dito
O encerramento pode ser feito com um
Já ocorreu de vocês perceberem que a resumo da apresentação, destacando os
plateia não entendeu parte da exposição de pontos principais. De que modo vocês
vocês? Como isso ficou evidente? introduzem esse resumo que fecha a ex-
Ao perceberem que não foram compreen- posição? Anotem no papel.
didos, como costumam introduzir a refor- Como agradeceram aos ouvintes por te-
mulação dessa fala? Anotem no papel as rem assistido à sua exposição? Anotem
expressões que usam. no papel.
kali9/E+/Getty Images

Estudantes em trabalho
em grupo.

35 Com base nas reflexões feitas na atividade anterior, elabore, com seu grupo, um modelo de
plano para as próximas exposições orais.

DIÁRIO DE BORDO
Registre em seu diário de bordo as conclusões sobre a organização das exposições orais,
considerando esta questão: de que modo a linguagem pode ajudar na organização da
exposição oral?

79

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 79 9/28/20 12:44 PM


Seria interessante exibir, antes da leitura do texto, um NÃO ESCREVA
PRODUÇÃO ESCRITA vídeo que trata da vida de Carolina Maria de Jesus e
propõe a revisão crítica de sua obra. Disponível em:
NESTE LIVRO.
https://www.facebook.com/PesquisaFapesp/videos/
Diário pessoal vb.144482782267269/868264563222417/?type=2&
theater. Acesso em: 24 jun. 2020. NOTA DOS EDITORES

Você e os colegas vão ler um trecho do diário escrito por Carolina Na edição da qual foram
Maria de Jesus, que é assim apresentada por uma estudiosa de sua obra: retirados os extratos
Saída da favela do Canindé, em 1958, a catadora de lixo, mãe solteira de três reproduzidos a seguir, há
filhos, de pais diferentes, acreditou num sonho: a escrita. O que escreveria uma esta nota dos editores:
mulher negra, miserável, sozinha no mundo, semianalfabeta senão a sua própria “Esta edição respeita
história? O que ela buscava na escrita? Optou por narrar a sua luta diária e quase fielmente a linguagem da
infinita nas páginas de um diário; o seu diário de favelada. autora, que muitas vezes
contraria a gramática,
TOLEDO, Christiane Vieira Soares. Carolina Maria de Jesus: a escrita de si. Letrônica. mas que por isso mesmo
Porto Alegre: Programa de Pós-graduação em Letras da PUCRS, n. 1, jul. 2010. v. 3.
traduz com realismo a
p. 247-257. Revista digital.
forma de o povo enxergar
e expressar seu mundo”.
Quarto de despejo: diário de uma favelada
Carolina Maria de Jesus

Arq ência
Ag
uiv Es
13 DE MAIO Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É

o d tad
o jo o
o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos.

rna
… Nas prisões os negros eram os bodes espiatórios. Mas o brancos são

lO
Es
mais cultos. E não nos trata com despreso. Que Deus ilumine os brancos

tad
od
5 para que os pretos seja feliz.

eS
.P
Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. Mes-

aul
o/
mo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo até passar a
chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferro. Com o dinheiro dos
Carolina Maria de Jesus
ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair.
(1914-1977) foi catadora
10 … Eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer
eles brada: de papel e escritora
– Viva a mamãe! negra de Sacramento, em
A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de sorrir. Dez minutos Minas Gerais. Seu talento
depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de chamou a atenção quando
15 gordura a Dona Ida. Ela não tinha. Mandei-lhe um bilhete assim: um jornalista percebeu nos
– “Dona Ida peço-te se pode arranjar-me um pouco de gordura, para eu diários que ela escrevia
fazer uma sopa para os meninos. Hoje choveu e eu não pude ir catar papel. “uma forma de narrar
Agradeço. Carolina.” própria da poesia”. Morava
… Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. na favela do Canindé,
20 A Vera começou a pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetáculo.
em São Paulo. Na escola,
Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para
não completou o curso
fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a
hoje equivalente aos
banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravidão atual – a fome! Anos Iniciais do Ensino
15 DE MAIO Tem noite que eles improvisam uma batucada e não deixa Fundamental. Lançado
25
ninguem dormir. Os visinhos de alvenaria já tentaram com abaixo assinado em 1960, seu livro Quarto
retirar os favelados. Mas não conseguiram. Os visinhos das casas de tijolos diz: de despejo: diário de uma
– Os politicos protegem os favelados. favelada alcançou sucesso
Quem nos protege é o povo e os Vicentinos. Os politicos só aparecem enorme de público.
30 aqui nas epocas eleitoraes. O senhor Cantidio Sampaio quando era vereador
em 1953 passava os domingos aqui na favela. Ele era tão agradavel. Tomava
nosso café, bebia nas nossas xicaras. Ele nos dirigia as suas frases de viludo. Cantídio Sampaio: Cantídio
Nogueira Sampaio (1913-1982),
Brincava com nossas crianças. Deixou boas impressões por aqui e quando
político paulistano.
candidatou-se a deputado venceu. Mas na Camara dos Deputados não criou cruzeiro: unidade monetária da
35 um progeto para beneficiar o favelado. Não nos visitou mais. época.
… Eu classifico São Paulo assim: O Palacio é a sala de visita. A Prefeitura é a vicentino: membro da
sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos. congregação fundada por são
Vicente de Paulo (1581-1660),
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. patrono de obras de caridade.
São Paulo: Ática, 2007. p. 27-28.

80

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 80 9/28/20 12:44 PM


36a. “Os visinhos das casas de tijolos diz: – Os politicos protegem os favelados”; “O senhor Cantidio Sampaio quando era vereador em 1953 passava os
domingos aqui na favela”; “Eu classifico São Paulo assim: O Palacio é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o
quintal onde jogam os lixos”.
36 Que termos a escritora usa para indicar: coloquial. Considerando esses elemen-
tos, por que a escrita dos diários nos re-
a. o espaço físico onde vivia;
vela – necessariamente – características
b. o contexto histórico em que ocorreram do “eu” que se projeta no texto?
os fatos relatados.
36b. “O senhor Cantidio Sampaio quando era vereador b. Tendo em vista a resposta ao item a, re-
em 1953…”; “Eu estava com dois cruzeiros”.
37 Que trechos do texto não apenas relatam leiam a nota dos editores feita no diário
os acontecimentos, mas expressam uma de Carolina. Por que essa nota poderia
reflexão de Carolina Maria de Jesus? nos apontar para uma forma de precon-
ceito linguístico?
38 A fome percorre o diário todo, como se 41 No trecho seguinte, analise as formas ver-
esta fosse uma personagem. No trecho bais destacadas: quais delas indicam o re-
lido, como ela aparece? lato de passado e quais têm caráter predi-
38. Aparece no relato, quando a escritora pede alimentos empresta-
dos e na reflexão dela a respeito da fome. tivo (anunciam o que vai acontecer, como
39 O título da obra parece ser mais do que
em O diário de Bridget Jones)?
uma síntese da favela. Que sentido(s) você
A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os
consegue perceber nele? meninos para a escola. Estou escrevendo até
39. Aceite as respostas que lhe pareçam bem argumentadas.
passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel
40 Troque ideias com os colegas, com a ajuda vender os ferro. Com o dinheiro dos ferros vou
do professor. comprar arroz e linguiça. A chuva passou um
pouco. Vou sair. linhas 6-9
a. No Diário de Bridget Jones, a tradução
procurou reconstruir o texto adaptando a 42 O diário, como relato vivo do que é experi-
linguagem à forma como, em português, mentado, é um texto íntimo e não costuma
uma pessoa de jeito semelhante ao de ser objeto de revisões. Assim, retome o di-
Bridget Jones teria escrito seu diário. A ário que começou a escrever em Situação
linguagem é predominantemente infor- inicial e dê continuidade a essa escrita e à
mal, com características próximas da fala reflexão sobre questões pessoais.
37. “É um dia simpático para mim. É o dia da
Abolição”; “Mas o brancos são mais cultos”;
“E no inverno a gente come mais”; “E assim
no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a
DIÁRIO DE BORDO escravidão atual – a fome!”; “Que Deus ilumi-
ne os brancos para que os pretos seja feliz.”
Registre em seu diário de bordo o que você compreendeu do Caso algum estudante selecione trechos
que não correspondam à expressão de
gênero diário e sua importância. opiniões, procure problematizar a resposta,
por meio de perguntas sobre o texto, para
que ele possa compreender melhor o que
deve buscar.

CLUBE DE LEITURA
A temática da exclusão social, presente como pano de fundo do livro Quarto de despejo,
tem sido retomada por escritores contemporâneos em livros publicados a partir dos anos
1990, principalmente. Alguns desses livros são obras ficcionais inspiradas nas experiências
de vida dos autores ou são relatos biográficos, diários, sem caráter ficcional. O que todos
têm em comum é o fato de trazerem a voz de pessoas ou de personagens considerados
marginalizados (moradores das periferias dos centros urbanos ou de favelas, meninos e
meninas de rua, presidiários, entre outros) e procurarem retratar o cotidiano de violência
vivido. Muitas vezes, esses autores pertencem aos grupos retratados, e suas obras trazem
um registro importante da realidade excludente em que vivem. Paulo Lins (com Cidade de
Deus), Esmeralda do Carmo Ortiz (com Por que não dancei?), Sérgio Vaz (com A poesia dos
deuses inferiores), Ferréz (com Capão Pecado) são exemplos dessa tendência.
Sob a orientação do professor, você e os colegas vão selecionar algumas dessas
obras para lerem e discutirem. Leiam a apresentação dos livros também, assim como
as informações sobre o autor. As perguntas relativas ao trecho do diário de Carolina
Maria de Jesus podem nortear a discussão das obras lidas.
Se na região onde moram houver um escritor como esses, verifiquem com o
professor se é possível convidá-lo para uma conversa com a turma.

41. Verifique se os estudantes conseguem perceber que: (1) a forma mandei (no pretérito perfeito simples do indicativo) é empregada para relatar
fato passado; (2) estou escrevendo traduz uma relação de simultaneidade entre o momento da escrita e a ação de escrever; (3) vou comprar e
vou sair expressam ações que devem ocorrer em momento posterior ao da escrita do diário. 81

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 81 9/28/20 12:44 PM


S
PA L A V R A R D A D E
EM LIBE
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Organizando um Caderno de viagens


Ao longo desta unidade, você se engajou com os colegas em muitas atividades envolvendo o
estudo de gêneros como o relato de viagem e o diário pessoal. Escrever relatos pode nos ajudar a
compreender melhor nossas experiências e os acontecimentos que vivemos, além de possibilitar
que nossas vivências sejam compartilhadas com outras pessoas.
A atividade da turma nesta seção é desafiadora e gira em torno da questão: Como produzir
um Caderno de viagens para divulgar os relatos produzidos por vocês?

1 Converse com alguns colegas a respeito de como gostariam que fosse esse caderno e como
ele deveria circular pela comunidade escolar. Considerem também a realidade: as possibilida-
des de produção e de circulação na escola de vocês. Nas fotos a seguir, vejam algumas ideias
que podem inspirar a conversa.
IEB-USP/Alvaro Fraguas/Arquivo da editora

Página de caderno
com anotações de
viagens do escritor
João Guimarães
Rosa, de 1941.
Pertence ao acervo
do Instituto de
Estudos Brasileiros
da Universidade de
São Paulo (USP).

ante
Reprodução/Editora Sextante

Reprodução/Editora Sext
ra Sextante
Reprodução/Edito

Capa e páginas de Caderno de viagem, de


Jean-Baptiste Debret, em publicação da editora
Sextante, 2006.

82

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 82 9/28/20 12:44 PM


2 Na sequência, os grupos devem compartilhar suas propostas com a
turma toda e, respeitosamente, ouvir as das demais equipes e de-
fender suas ideias com base em argumentos consistentes, conside-
rando a realidade da escola e os anseios de seu grupo.
Nessa discussão coletiva, a turma deve definir um plano para desen-
volver o trabalho de organização do caderno de viagens. Para isso,
será preciso chegar a acordos. Por exemplo:
O caderno será produzido para circular em papel ou em uma pla-
taforma digital?
Que critérios vão determinar a seleção e o agrupamento de textos
e imagens na publicação?
Como será organizado/produzido o material?
Quem fará a apresentação do caderno?
Como será feita a divulgação do caderno na comunidade escolar?
Qual será o cronograma para a execução da atividade?

3 Combinado o plano e feitos os acordos necessários, será preciso


distribuir as ações entre os grupos de trabalho. Na tabela a seguir, é
apresentada uma sugestão de distribuição de ações, que poderá ser
adaptada de acordo com as possibilidades e os interesses de vocês.

Ações O que fazer Responsável


Controlar o tempo de cada tarefa, considerando
Cronograma suas particularidades, a realidade da turma e a data Equipe 1
combinada com o professor para finalizar o trabalho.
Selecionar os relatos e as imagens que farão parte do
caderno.
Seleção e
Organizar o material: como será agrupado, ordem de
organização do Equipe 2
inserção, necessidade ou não de haver uma pequena
material
biografia e foto de cada autor junto ao texto, sumário,
ilustrações (opcionais) para os textos, etc.
Concepção e Criar um leiaute para o caderno, considerando material,
produção do organização interna e capa, além de, se for feito Equipe 3
caderno digitalmente, o programa em que será desenvolvido.
Produzir o texto de apresentação para o caderno,
Apresentação
dando ideia do contexto em que foi produzido e do Equipe 4
do caderno
conjunto dos textos e das imagens ali reunidos.
Elaborar um plano de divulgação do material,
considerando o público-alvo, a comunidade escolar.
Considerem a possibilidade de divulgar o caderno por
Divulgação Equipe 5
meio de redes sociais e as partes do material (como
trechos de algumas produções e fotos dos autores) a
serem usadas na divulgação para atrair os leitores.

4 Com os colegas e o professor, depois da divulgação do caderno


produzido pela turma, avalie o processo desenvolvido para executar
as ações. Sugestões de perguntas para essa conversa:
Como foi sua participação nas atividades? Justifique.
O que aprendeu durante o processo?
Os resultados pretendidos foram alcançados? Justifique.

83

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 83 9/28/20 12:44 PM


MEU PORT FÓLIO
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Em Viagens, você e os colegas trabalharam relatos de viagem e diários pessoais, puderam per-
ceber que relatar é uma prática que faz parte do cotidiano, ajudando a retomar e a reorganizar o
que é vivido. Produziram exposições orais e puderam considerar os elementos que fazem parte
dessa produção: verbais, icônicos, gestuais, entre outros. Leram produções literárias inspiradas
em viagens e refletiram sobre elas e sobre seu sentido no mundo em que vivem.

O portfólio com as produções


Conforme lembrado ao longo dos capítulos, em seu portfólio, você colecionou as produções
de texto desenvolvidas na unidade. É importante rever todas as versões de uma mesma produ-
ção, para que você possa, ao final do trabalho, perceber seu aprimoramento. Consulte a página
37 para rever as informações sobre sua organização.
Ao indicar a data de cada produção, conforme orientado, você terá condições de verificar, ago-
ra, sua história de aprendizagem dos gêneros trabalhados e perceber quais aspectos da produção
de textos desenvolveu e aperfeiçoou. Essa diretriz será útil para a autoavaliação proposta a seguir.
Este é o momento de você refletir sobre seus processos de produção e suas aprendizagens.
Para organizar o trabalho, considere os passos a seguir.

A autoavaliação das aprendizagens


Avaliação de aprendizagem é sempre uma atividade muito delicada e complexa. Ao encerrar as atividades de Viagens, incentive
os estudantes a avaliar as habilidades conquistadas. A atividade é extensa e pode ser feita de maneira progressiva, ao longo do
trabalho, sempre que eles concluírem as atividades de cada seção dos capítulos, ao término dos capítulos e no encerramento da
Passo 1 unidade. Essa reflexão final sobre o estudo é também um bom momento para ajudar os estudantes a retomar o que não foi devida-
mente aprendido e indicar estratégias que os ajudem a traçar um plano de estudos e de recuperação. Consulte as Orientações
gerais do Manual para mais informações sobre essa proposta avaliativa.

Modelo de quadro de autoavaliação


No caderno, construa um quadro que o ajudará a avaliar suas aprendizagens. Tome por base
os objetivos de aprendizagem de cada capítulo indicados no início da unidade e as anotações de
seu diário de bordo. Veja um exemplo.

Autoavaliação – Viagens

O que fazer para


Avancei Preciso rever melhorar e consolidar as
aprendizagens?
Exemplo: A análise
do gênero exposição
oral, compreendendo
seu funcionamento
composicional e
discursivo, para poder
Capítulo 1 Aprendizagens produzi-lo em situações
de comunicação
variadas.
Capítulo 1: seção
Práticas de produção
de texto, item Produção
oral, atividades 32 e 33.

Capítulo 2

84

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 84 9/28/20 12:44 PM


Passo 2
Reconhecimento das aprendizagens
Ao longo dos Capítulos 1 e 2, você pôde acionar diversas habilidades ao fazer as atividades
sugeridas e refletir sobre elas. No início de Viagens, foram indicados os principais objetivos de
aprendizagem que você teve a oportunidade de desenvolver ao longo dos capítulos. Releia cada
um desses objetivos, procurando avaliar se você avançou no estudo ou precisa rever algum ponto.

Diário de bordo e registros


Para ajudar a avaliar suas aprendizagens, reveja os registros que você fez no diário de bordo
de cada capítulo. Você também pode retomar as atividades propostas nas seções dos capítulos,
se considerar que algum registro não é suficiente para repensar seu processo.

Sistematização
Com base na retomada dos objetivos de aprendizagem de cada capítulo e de seus registros no
diário de bordo, preencha o quadro de autoavaliação.
Na coluna Avancei, você indicará os objetivos que foram atingidos plenamente. Na coluna Pre-
ciso rever, você deverá anotar os objetivos que não foram plenamente atingidos. Isso vai facilitar
a percepção do que será preciso fazer para consolidar a aprendizagem. Na coluna O que fazer
para melhorar e consolidar as aprendizagens, você indicará uma estratégia para poder aprimorar
e consolidar esse aprendizado. O professor poderá orientar você nessa tarefa, pensando e suge-
rindo caminhos possíveis de estudo e pesquisa.

Passo 3
Estratégias para aprimorar seu aprendizado
Agora que você já sabe o que precisa rever, defina, com a ajuda do professor, o que poderá
ser feito para melhorar e consolidar seu aprendizado. Ao conversar com o professor, considere
também as produções guardadas no portfólio: elas contam a história de seu processo de aprendi-
zagem e podem ajudar a definir estratégias para tentar desenvolver melhor algumas habilidades.
Veja a seguir algumas perguntas que podem guiar essa reflexão.
Quais foram as principais facilidades e dificuldades que você encontrou nos estudos de Via-
gens?
Há algo que você gostaria de melhorar?
Quais habilidades você desenvolveu com esses estudos?
Como esses conhecimentos e habilidades desenvolvidos podem ser úteis em sua vida?

Passo 4
Socialização das aprendizagens
Em grupos, conforme a orientação do professor, converse com os colegas sobre a autoava-
liação. Vocês vão descobrir quais aprendizagens em comum já desenvolveram e quais precisam
retomar; poderão compartilhar, com a ajuda do professor, estratégias coletivas para reconsiderar
as aprendizagens que boa parte da turma ainda não desenvolveu.
Ao final do processo, você provavelmente vai descobrir novas maneiras de administrar a pró-
pria aprendizagem.

85

VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U01_Cap02_064a085_LE.indd 85 9/28/20 12:44 PM


UNIDADE
RelaÇ õ e S Para iniciar a conversa sobre esta unidade, peça aos estudantes
que observem a imagem de abertura e comentem livremente. Se
considerar pertinente, comente com eles que a imagem mostra
uma cena de reunião, em que parece ter sido estabele-
cido algum acordo. Esse ato de sobrepor as mãos
indica, em geral, que um grupo chegou a um
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM acordo, seja em relação ao que acabou
de ser feito, seja em relação ao que
DA UNIDADE será feito na sequência.

Nos capítulos de Relações, você e os colegas vão refletir sobre gêne-


ros ligados à vida pública, com o manifesto e o discurso político,
compreendendo aspectos do fenômeno da vida associativa, isto
é, situações em que pessoas se associam para reivindicar seus
direitos. Ao final, com base nas atividades desenvolvidas ao
longo da unidade, terão a oportunidade de propor mudanças
positivas para o entorno.

A BNCC nesta unidade


Competências 1, 2, 3, 4, 5, 9, 10
gerais da
Educação Básica
Competências Competências
e habilidades 1, 2, 3, 6, 7
específicas de Habilidades
Linguagens e EM13LGG101, EM13LGG104,
suas Tecnologias EM13LGG204, EM13LGG301,
para o Ensino EM13LGG303, EM13LGG304,
Médio EM13LGG305, EM13LGG601, EM13LGG602,
EM13LGG603, EM13LGG604, EM13LGG701,
EM13LGG702
Campos de Competências
atuação social, 1, 2, 3, 4, 6, 7
competências Todos os campos de atuação social
específicas e EM13LP01, EM13LP02, EM13LP03, EM13LP04,
habilidades EM13LP05, EM13LP06, EM13LP07, EM13LP08,
de Língua EM13LP11, EM13LP12, EM13LP13, EM13LP15,
Portuguesa para EM13LP16, EM13LP17, EM13LP18
o Ensino Médio
Campo da vida pessoal
EM13LP20
Campo de atuação na vida pública
EM13LP23, EM13LP24, EM13LP25, EM13LP26,
EM13LP27
Campo das práticas de estudo e pesquisa
EM13LP28, EM13LP29, EM13LP30, EM13LP34,
EM13LP35
Campo jornalístico-midiático
EM13LP43, EM13LP44
Campo artístico-literário
EM13LP46, EM13LP47, EM13LP51, EM13LP54

86

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 86 9/28/20 12:44 PM


OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO CAPÍTULO 1
Analisar as características do gênero manifesto e usá-las na organização
de um texto do gênero.
Compreender a forma como, em textos multissemióticos, os elementos
verbais e não verbais contribuem para a constituição dos sentidos.
Apreciar poemas produzidos para serem lidos em voz alta, que fazem
parte de campeonatos de poesia, os poetry slams.
Compreender a importância da tomada de notas quando se é
observador de um gênero oral formal, como uma aula expositiva.
Identificar as características da organização de gêneros escritos
que dão apoio à fala, em situações formais, e empregá-las em sua
produção.

Justificativa
O estudo de um gênero como o manifesto no Ensino Médio
se justifica porque é nessa fase dos estudos que você tem
contato com situações variadas – políticas, sociais, ecológi-
cas, etc. – em que é necessário perceber como, por meio
da linguagem, é possível manifestar-se para reivindicar
seus direitos. O trabalho na seção Práticas de leitura e
análise literária, que enfoca poetas que fazem parte do
circuito da poetry slam, passa a fazer todo sentido, já
que essa forma poética é, por si mesma, uma forma de
manifestação. Os estudos de análise linguística propos-
tos devem contribuir para a compreensão do gênero
manifesto e, ao mesmo tempo, chamam atenção para
o caráter multissemiótico de outros gêneros como o
cartaz, também associados a manifestações.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
DO CAPÍTULO 2
Compreender o funcionamento do discurso político e
discutir sua importância em uma sociedade democrática.
Discutir como a tecnologia favorece a divulgação e a
circulação de textos literários.
Compreender como a internet e as redes sociais contribuem para
a disseminação de textos literários.
Analisar características da leitura pública em voz alta,
compreendendo-a como gênero oral que depende da escrita.
Analisar cartas de solicitação e identificar características do gênero.
ck
to
hut
te
rs
Justificativa
a/S
sar
va A análise do discurso político pode levar você a notar a importância desse gê-
nero em uma sociedade democrática como a nossa. O caráter argumentativo do
gênero vai contribuir para sua compreensão da arena política como lugar social
de reivindicação de direitos. Os estudos literários mostram a internet como um
espaço de manifestações, de associação de pessoas com interesses e reivindica-
ções em comum. O estudo da leitura em voz alta chama sua atenção para esse
gênero, presente em várias formas de associação.

87

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 87 9/28/20 12:44 PM


I VA S
P E R S P E CT
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Nas Orientações específicas deste Manual,


há indicação das competências e habilidades da
BNCC favorecidas em cada seção, assim como
atividades complementares, comentários e res-
Observe as fotografias reproduzidas a seguir. postas mais extensas.

fauxels fauxels Follow

isai Hernandez/Shutterstock
Image Source/Getty Images
Agung Pandit Wiguna/Pexels

É provável que na primeira e na tercei-


Imagens de situações do cotidiano. ra situações, em razão da faixa etária
das pessoas retratadas, os estudan-
1 Discuta essas imagens com a turma considerando as perguntas a tes talvez não se reconheçam como
participantes das cenas. Na segunda
seguir. e na quarta situações, as pessoas
parecem estar na mesma faixa etária
Em sua opinião, que tipos de relações existem entre as pessoas re- dos estudantes do Ensino Médio, ou
muito próxima, o que talvez contribua
tratadas em cada situação? Resposta pessoal. para a identificação.
Espera-se que os estudantes perce-
Você se reconheceria como possível participante de alguma(s) das bam que a primeira foto, por sugerir
situações representadas? Resposta pessoal. uma situação profissional, pode-
ria enquadrar-se nessa categoria,
cabendo à instituição profissional
Observando essas situações, qual delas, em sua opinião, retrata mediar as relações entre seus cola-
boradores.
um tipo de relação mediada por laços profissionais? Resposta pessoal.

88

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 88 9/28/20 12:44 PM


Leia, a seguir, uma matéria jornalística sobre grêmios estudantis e perceba a atuação dessas
organizações na prática de algumas escolas públicas.

Grêmios estudantis voltam a crescer nos colégios públicos


Elenilce Bottari
Erguido há 36 anos, o Ciep José Maria Nanci, que atende

Roberto Moreyra/Agência O Globo


à comunidade da Reta Velha, uma das regiões mais caren-
tes de Itaboraí, inaugurou na semana passada sua primeira
rádio. A emissora foi idealizada, projetada e construída
5 pelos oito alunos do novíssimo grêmio estudantil, com
apoio de toda a escola. O programa dirigido pelos alu-
nos vem transformando o intervalo entre as aulas num
atrativo capaz de reter seus mais de 360 estudantes du-
rante todo o turno.
10 Distante dali, a cerca de 35 quilômetros, está o Ciep
Zuzu Angel, em Arsenal, o maior e mais antigo de São
Gonçalo, onde o também recém-empossado grêmio
estudantil está fechando parceria com o Consulado do Grêmios crescem nas escolas. Foto de Roberto
Equador para trazer curso de idiomas. Moreyra, 2019.
15 Após um período de esvaziamento que culminou com
a permanência de apenas 136 representações estudantis, no ano passado, os grêmios escolares estão de
volta ao estado e já ocupam 957 das 1.222 escolas públicas estaduais. Um crescimento de mais de 600%
em um ano.
Garantidos por lei, os grêmios são entidades autônomas representativas dos interesses dos estudantes
20 secundaristas, com finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais. E agora estão sendo
considerados a maior ferramenta da Secretaria Estadual de Educação para o combate à violência nas es-
colas, ao bullying e para o desenvolvimento de políticas que ajudem a educação pública do estado a sair
do vermelho na qualidade de ensino. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)
de 2017 (último divulgado), o Rio de Janeiro está em 17o lugar, junto com Piauí, Amazonas e Roraima.
25 – Defendemos a participação do aluno como parte da solução. A ideia é que ele acompanhe o orça-
mento da escola, participe da escolha de programas e projetos tocados no ambiente estudantil e seja
também um mediador de conflitos. A ideia é que desde os 11 anos o aluno aprenda a mediar, porque a
mediação de conflito evita que pequenos conflitos se transformem em atos de violência nas escolas – diz
o secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes.
30 O novo grêmio do Ciep Zuzu Angel já experimentou a importância da mediação de conflitos. Quando
organizou um campeonato de futebol inter-turnos, houve um princípio de confusão na semifinal que
culminou na suspensão da decisão. O grêmio pediu ajuda à coordenadora pedagógica do Zuzu Angel,
Solange Barbosa de Souza Barros, e a solução foi criar um novo evento para antes da disputa.
– Ela sugeriu que fizéssemos uma campanha de não violência, com a confecção de cartazes, faixas
35 incentivando o respeito entre nós, acabando com os xingamentos que acabam acirrando os ânimos –
explica a diretora de esportes do grêmio, Eduarda Vianna.
[...]
BOTTARI, Elenilce. Grêmios estudantis voltam a crescer nos colégios públicos. Extra, 11 ago. 2019. Disponível em: https://
extra.globo.com/noticias/rio/gremios-estudantis-voltam-crescer-nos-colegios-publicos-23869425.html. Acesso em: 20 jul. 2020.

2 Agora, discuta esse texto com a turma considerando as próximas questões.


Em sua escola, há um grêmio ou outro tipo de associação institucional estudantil? Em caso
afirmativo, você participa dele?
Respostas pessoais.
Em sua escola, há situações semelhantes, como as que foram apresentadas na matéria
jornalística, para as quais a participação do grêmio poderia contribuir de forma decisiva?
Converse com os colegas e o professor e procurem fazer um levantamento dessas possíveis
situações.
Respostas pessoais.
Discutam também a importância de haver, nas escolas, organizações como o grêmio estu-
dantil. Respostas pessoais.

89

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 89 9/28/20 12:44 PM


1 t o
NÃO ESCREVA

Ma n i f e NESTE LIVRO.
CAPÍTULO

Situação inicial INTERAÇÃO PRODUÇÃO

Em Perspectivas, você leu uma matéria jorna-


5 Se for possível, registrem o tra-
lística e pôde perceber que foi por meio de asso-
balho feito nesta seção. Vocês
ciação e participação coletiva que os estudantes
podem, por exemplo, fotografar
conseguiram elaborar projetos e campanhas em
ou gravar os vários momentos PORTFÓLIO
favor da escola e da comunidade. A seguir, você
do trabalho, desde a conversa
e os colegas vão discutir sobre temas de inte-
entre os grupos até a elaboração de uma
resse da turma que sejam também importantes
pauta única da turma. Contudo, vocês de-
para outras que fazem parte do ambiente esco-
vem considerar se todos da turma estão
lar. Para isso, siga as próximas orientações.
de acordo com a autorização da imagem.
1 Organize-se em um pequeno grupo com al- Guardem esses registros visuais, pois eles
guns colegas. Enumerem situações existen- poderão ser usados mais adiante, na seção
tes em sua escola que, na opinião de vocês, Palavras em liberdade.
poderiam merecer algum tipo de transfor-
Ao longo deste capítulo e do próximo, você
mação. Pensem em situações que impac-
e os colegas vão experimentar uma forma as-
tem a vida estudantil de vocês no ambiente
sociativa de endereçar as demandas da turma
escolar: podem envolver desde o funciona-
às autoridades e destinatários a quem cabe
mento e infraestrutura da escola até ques-
acolher reivindicações estudantis. Para isso, no
tões como um procedimento que foi decidi-
Capítulo 1 vocês vão elaborar um manifesto, e,
do sem que houvesse a participação ampla
no Capítulo 2, vão enviar uma carta de solicita-
dos estudantes na tomada de decisão.
ção a uma autoridade competente.
2 Em seguida, socializem com os demais gru- Para que todo o trabalho desenvolvido pos-
pos os pontos que vocês enumeraram. Du- sa contribuir de forma significativa, registre
rante esse momento, o professor vai anotar todos os processos que você e os colegas vi-
essas enumerações. venciarem neste capítulo. Além dos diários de
bordo e dos portfólios, vocês podem fazer os
3 Ao final das apresentações dos grupos, es-
registros por meio de fotografias, gravações e
pera-se que a turma tenha elaborado uma vídeos. Eles serão retomados ao final da unida-
lista única de situações. De posse dessa de e vão compor um documento para ser com-
lista, analisem as enumerações e procurem partilhado com outras turmas.
estabelecer uma hierarquia entre elas, isto
é, ordená-las de acordo com o grau de im-
DIÁRIO DE BORDO
portância para a turma: qual é a situação
Registre em seu diário de bordo
mais relevante e qual é a menos relevante.
qual aspecto desse momento com
Com a ajuda do professor, organizem a hie-
os colegas em torno da elaboração
rarquização da lista. de uma única pauta de reivindicação
4 Finalizado o momento anterior, a turma da turma você considerou o mais
terá criado uma pauta inicial de situações significativo. Reflita também sobre a
maneira da organização do trabalho:
escolares, ou seja, de reivindicações que
primeiro em grupos pequenos, depois
merecem transformação. No caderno, faça
a socialização com a turma, até a
uma cópia dessa lista para que ela possa construção de uma pauta comum.
ser consultada mais adiante.

90

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 90 9/28/20 12:44 PM


As atividades que antecedem a leitura integral do texto têm o objetivo de fazer os estudantes perceberem aspectos que contextualizam a publicação do gênero
textual manifesto. Sugerimos que você destine um momento inicial do trabalho com esta seção para possibilitar à turma que reflita sobre a temática que será
trabalhada neste texto, a violência contra a mulher e a importância de leis e redes de proteção.

Práticas de leitura NÃO ESCREVA


NESTE LIVRO.

6 Leia a matéria jornalística a seguir e, depois, discuta com os colegas


e o professor sobre as perguntas seguintes.

Manifesto pela erradicação da violência contra a mulher


O Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza celebrou ontem, 7 de agos-
to, os 13 anos da Lei Maria da Penha, lançando um manifesto pela erradica-
ção da violência contra a mulher. O evento foi realizado na Casa da Mulher
da Brasileira, em Fortaleza, e foi abrilhantado com a presença ilustre da
5 própria Maria da Penha, além da cordelista mirim Samya Abreu.
De acordo com Annette Reeves de Castro, líder do Núcleo, o manifesto
é um alerta sobre um assunto sério e que diz respeito a todos e também
tem a intenção de lançar as ações de combate à violência contra a mulher
do Grupo em Fortaleza. “Vamos focar menos no discurso do combate à
10 sociedade ‘machista’ e muito mais ao trabalho construtivista para que as
mulheres de todas as classes sociais retomem sua dignidade e autoesti-
ma”, explica a líder. 6b. Resposta pessoal.
Espera-se que os estudantes refli-
[...] tam sobre a importância de leis
que punam e coíbam todo tipo de
SOUZA, Susana de. Manifesto pela erradicação da violência contra a mulher. violência, nesse caso a violência
Grupo Mulheres do Brasil. Disponível em: https://noticias.grupomulheresdobrasil. de gênero.
org.br/fortaleza/manifesto-pela-erradicacao-da-violencia-contra-a-mulher/. 7b. Resposta pessoal. Espera-se
Acesso em: 20 jul. 2020. que os estudantes reflitam sobre a
questão e concluam que sim, pois
no Brasil ainda há muitos casos de
violência contra a mulher.
a. Você sabe o que é a Lei Maria da Penha e por que ela recebeu
7c. Resposta pessoal.
esse nome? Por que essa lei merece ser celebrada, como aparece É provável que os estudantes deem
na notícia? Se preciso, consulte fontes impressas ou digitais para respostas variadas em virtude das
diferentes vivências e experiências.
obter informações a esse respeito. Respostas pessoais. Acolha as respostas e leve-os refletir
sobre essa questão na atualidade.
b. Em sua opinião, qual é a importância de se ter uma lei como essa?

7 Agora, faça a leitura da imagem que é a capa do

Reprodução/https://noticias.grupomulheresdobrasil.org.br/
manifesto de que trata a matéria jornalística que
você leu anteriormente.
a. Como a organização dos elementos verbais e
não verbais contribuem para a compreensão
dessa capa?
b. Para você, nos dias atuais ainda é necessário se
discutir sobre a erradicação da violência contra
a mulher no Brasil? Por quê?
c. Em sua opinião, as mulheres são ouvidas e res-
peitadas na sociedade brasileira? Justifique sua
resposta.
7a. Sobre os elementos verbais, espera-se que os estudantes comentem que o
texto destacado em vermelho e centralizado na imagem corresponde ao título do
manifesto; na parte superior está o nome do grupo e a indicação do local a que
pertence o núcleo; na parte inferior está a data de publicação do manifesto e o
nome do grupo, escrito todo em letra minúscula, indicando que é por meio dessa
expressão que o leitor pode encontrar o perfil desse grupo em redes sociais;
também há a palavra manifesto, em letra maiúscula, em uma espécie de marca
d’água. Quanto ao elemento não verbal, espera-se que os estudantes comentem
que é a logomarca do grupo, identificando-a com a silhueta de corpos femininos
de diversas cores, favorecendo o entendimento de que trata de questões rela-
cionadas às mulheres.
Disponível em:
https://noticias.grupomulheresdobrasil.org.br/wp-content/
uploads/2019/08/Manifesto.pdf. Acesso em: 20 jul. 2020.

91

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 91 9/28/20 12:44 PM


9a. Espera-se que os estudantes respondam que é o pensamento de um grupo feminista, composto por mais de 25 mil mulheres do Brasil e do mundo, o
qual considera necessária a união da sociedade para que a violência contra a mulher não aconteça mais.
9b. Espera-se que os estudantes respondam que não há um público-alvo definido; o leitor pode ser a sociedade como um todo.
8 Agora, leia o manifesto completo. NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.

Manifesto: Erradicação da violência contra a mulher, que as vozes


femininas sejam ouvidas e respeitadas
Estamos no final da segunda década do século 21 e ainda há uma mácula indelével na sociedade patriar-
cal em que vivemos: a violência contra a mulher. Sofrida pelo domínio da irracionalidade, de inferiorizar a
condição de ser mulher e subjugá-la a padrões estabelecidos que ignoram a preservação de sua saúde física
e mental, e ainda prejudicam a moral, a convivência social e a oportunidade de seu desenvolvimento inte-
5 lectual e financeiro.
Nós, do Grupo Mulheres do Brasil, queremos uma sociedade justa e igualitária, somos um grupo fe-
minista e suprapartidário composto por mais de 25 mil mulheres no Brasil e no mundo, lutamos para
que seja erradicado qualquer tipo de violência contra a mulher, independente de sua classe, raça, etnia,
orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião.
10 É urgente sair do conformismo e da ignorância. Maria da Penha é a voz que nutriu o avanço com mar-
cas permanentes no seu corpo. Outras vozes são silenciadas para a eternidade: vítimas do feminicídio
ou do suicídio daquelas que não encontraram apoio e nem condição para mudar os abusos sofridos.
A vítima está fragilizada, e muitas ignoram que vivem em condição de violência, com sua moral ques-
tionada, o emocional manipulado e seu psicológico usurpado por palavras ofensivas e degradantes, ten-
15 do seu patrimônio dilapidado e seu corpo subjugado, reduzida a sofrer em silêncio no espaço tolerado
pela impunidade.
Vozes precisam ser ouvidas e respeitadas em um maior número de Delegacias da Mulher e em
espaços de apoio emocional, psicológico e estímulo financeiro. Que exista uma justiça mais conhe-
cedora dos aspectos que envolvem a violência de gênero e leis que erradiquem os abusos cometidos
20 contra a mulher. Que haja núcleos de combate à violência nos equipamentos de saúde para iden-
tificar, orientar e encaminhar as vítimas e denunciar o agressor. Precisamos de diálogo dentro das
empresas para coibir os assédios morais e sexuais, com ampla divulgação dos amparos legais da Lei
Maria da Penha.
A violência está presente em toda classe social e em qualquer nível cultural, por isso nenhuma voz
25 deve ser silenciada. É preciso acelerar a mudança e abalar essa estrutura corrompida da desigualdade
para vivenciar a pedra angular do respeito e da justiça.
Hoje, este manifesto planta a crença na força da união, de mulheres e homens, e no caminho da
igualdade, onde todas as vozes são ouvidas, amparadas e respeitadas, e assim surgir o alvorecer da
humanidade do século 21.
10b. O grupo reivindica de modo geral a existência de uma sociedade justa e igualitária e a erradicação da violência contra a mulher, independente da classe
econômica, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível de escolaridade, idade e crença religiosa. Para isso, apresenta reivindicações mais detalhadas, como
a existência de mais delegacias da mulher, de espaços de apoio emocional, psicológico
e estímulo financeiro, e de núcleos de combate à violência em equipamentos de saúde; o Fortaleza, 07 de agosto de 2019.
diálogo e a divulgação de amparos legais da Lei Maria da Penha dentro das empresas para
coibir o assédio moral e sexual. Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza
GRUPO Mulheres do Brasil. Manifesto Erradicação da violência contra a mulher: que as vozes femininas sejam ouvidas e
respeitadas. Fortaleza, 7 ago. 2019. Disponível em: https://noticias.grupomulheresdobrasil.org.br/wp-content/
10a. Resposta pessoal. uploads/2019/08/Manifesto.pdf. Acesso em: 20 jul. 2020.
Encaminhe as perguntas da atividade 10 para serem respondidas oralmente, em um primeiro momento, e, depois, registradas no caderno. Quanto ao item a,
provavelmente, os estudantes trarão considerações diferentes. Ouça as respostas e conduza a discussão de modo que eles percebam que o manifesto pode ser
considerado uma forma de reivindicação porque apresenta uma expressão de descontentamento por parte de uma pessoa ou de um grupo.
9 O manifesto é um gênero textual que, como c. Em sua opinião, qual é a importância des-
o próprio nome já diz, manifesta o pensa- se tipo de manifesto nos tempos atuais?
mento de uma pessoa ou grupo sobre um
assunto de interesse geral ou de qualquer 10 O manifesto pode ser considerado uma
natureza (política, social, cultural, religiosa, forma de reivindicação.
etc.). Sobre o manifesto que você leu, res-
a. Por que é possível fazer essa afirmação?
ponda no caderno às questões seguintes.
a. Que pensamento está sendo manifesta- b. Quais são as reivindicações feitas no ma-
do nele? nifesto?

b. A que público-alvo esse manifesto se c. Além do manifesto, que outras formas de


destina? protesto você conhece? Resposta pessoal.
9c. Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes reflitam que o tema abordado no manifesto ainda é um problema atual na sociedade brasileira
e, por isso, deve ser colocado em pauta.

92

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 92 9/28/20 12:44 PM


11 Além da agressão física, quais outros tipos de violência que as mulheres podem sofrer são
mencionados no manifesto? Em seguida, sob a orientação do professor, a turma deverá se
organizar em grupos e buscar informações sobre esses tipos de violência. Ao final, deverão
socializar com os demais grupos os resultados dessa pesquisa.
Ainda que não esteja tão explícito, o quarto parágrafo do manifesto indica outros tipos de violência: a moral, a emocional, a psicológica e a patrimonial.

12 Agora que você já leu e discutiu o assunto do manifesto, repense sua resposta à atividade 7,
item c: As mulheres não são ouvidas e respeitadas? Se você mudou de opinião ao longo do
estudo, procure explicar o que o levou a isso. Se não mudou, também justifique.

13 Para você, qualquer pessoa ou grupo tem o direito de criar um manifesto? Por quê?
13. Espera-se que os estudantes respondam positivamente, pois é um direito constitucional dos cidadãos expressar seus descontentamentos em
relação a algo.

PARA IR MAIS LONGE

Há diversas ONGs (organizações não governamentais) que prestam assistência a mulheres vítimas de violência.
O Instituto Maria da Penha é uma delas.
Você pode acessar o site do Instituto para saber mais informações a respeito do trabalho que é realizado. Observe a
página inicial.
Reprodução/https://www.institutomariadapenha.org.br/

12. Resposta pessoal. É provável que os estudantes considerem


que, mesmo após tantos avanços, a sociedade em que vivemos
ainda é machista. Há pessoas que consideram que as mulheres
merecem ser subjugadas apenas por pertencerem ao gênero
feminino, ignorando sua vontade e suas ideias, tomando atitudes
violentas física e psicologicamente contra elas.
IMP. Instituto Maria da Penha. Disponível em: https://www.institutomariadapenha.org.br/. Acesso em: 20 jul. 2020.

Na parte superior da home page, há vários menus que direcionam o leitor a um conteúdo específico. Acesse o site
da ONG e navegue por eles para identificar como é o trabalho do instituto, que tipo de serviços ele presta, quem
presta esses serviços, como ele se mantém financeiramente, etc. O objetivo é que você explore ao máximo o site e as
informações presentes nele.
Em sua região ou cidade, existem ONGs que prestam um serviço semelhante ao do Instituto Maria da Penha? Para
conhecê-las, siga as orientações seguintes.
Busque informações sobre essas organizações não governamentais. Para isso, você pode fazer uma pesquisa na
internet e usar ferramentas de localização, como os mapas on-line. Há ainda sites que reúnem esse mapeamento,
indicando os locais onde há serviços públicos para a assistência de mulheres vítimas de violência. Outra possibilidade
é realizar uma pesquisa de campo e visitar unidades básicas de saúde ou hospitais para conversar com profissionais
dessa área e saber se nesses locais há serviços dedicados à mulher que sofreu algum tipo de violência.
Faça o registro dessas informações utilizando o recurso que considerar mais adequado, desde que ele possa ser
consultado posteriormente em sala de aula, e não se esqueça de anotar as fontes consultadas.
Após fazer esse levantamento e em um dia previamente combinado com o professor e a turma, leve para a sala
de aula as informações que você encontrou e socialize os registros com os colegas. Em seguida e coletivamente,
agrupem as informações que forem iguais, ou seja, caso dois ou mais estudantes tenham encontrado dados sobre
uma mesma ONG.
Depois, a turma deverá se organizar para elaborar resenhas sobre cada uma das ONGs. Nesse texto, é necessário
que vocês informem o nome da instituição, a localidade, o telefone, os perfis em redes sociais (se houver) e a que
essa instituição se dedica. De acordo com o perfil da turma e da comunidade escolar, escolham o suporte mais
adequado para a elaboração do texto (se impresso ou digital), pois o objetivo é que as resenhas sejam divulgadas.
Ao final, veiculem as resenhas para que a comunidade escolar tenha ciência de que esses lugares existem e de que
é possível as mulheres buscarem apoio neles. Uma atividade como essa que vocês fizeram poderá ajudar mulheres
da escola e da comunidade que talvez sofram violência a encontrar a ajuda de que necessitam. Por isso, divulguem o
material que organizaram de modo que muitas pessoas tenham acesso. Entre as possibilidades, vocês podem fazer
uma publicação no blogue da turma ou da escola ou em redes sociais, elaborar um painel em algum local de grande
circulação de pessoas na escola, fazer cópias das resenhas e afixá-las em estabelecimentos comerciais e/ou em postos
de saúde da comunidade onde vivem.

93

P5_VU_PORT_Faraco_SaO2g21_U02_Cap01_086a109_LE.indd 93 9/28/20 12:44 PM


PARA FAZER E PENSAR

Leia esta postagem feita em uma rede social, no perfil oficial da Secretaria de
Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Estado do Amazonas. FICA A DICA

Reprodução/https://twitter.com/sejuscam
Estrelas além do tem-
po. Direção de Theodore
Melfi. 2016 (217 min).

Durante a Guerra
Fria, Estados Unidos e
União Soviética disputa-
vam a corrida espacial,
ao mesmo tempo que a
sociedade estaduniden-
se passava por uma in-
tensa segregação racial.
Nesse contexto, um gru-
po de mulheres negras
fazia o papel de calcu-
ladoras na NASA. Elas
se juntam para vencer o
preconceito racial e de
gênero e conseguirem
atuar em outras áreas na
agência espacial.

SEJUSC do Amazonas. Disponível em: https://twitter.com/


sejuscam/status/1162447217145339904?lang=ga.
Acesso