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Censo SUAS 2017

2017
MINISTÉRIO DO GOVERNO
DESENVOLVIMENTO SOCIAL FEDERAL
Análise dos componentes
sistêmicos da Política Nacional
de Assistência Social
2017 Análise dos componentes
sistêmicos da Política Nacional
de Assistência Social

S ECRETARIA DE A VALIAÇÃO E G ESTÃO DA I NFORMAÇÃO | SAGI


S ECRETARIA N ACIONAL DE A SSISTÊNCIA S OCIAL | SNAS
M INISTÉRIO DO D ESENVOLVIMENTO S OCIAL | MDS

B RASÍLIA , 2018
Expediente

Presidente da República Federativa do Brasil: Michel Temer

ministro do desenvolvimento social: Alberto Beltrame

Secretária Executiva: Tatiana Barbosa de Alvarenga

Secretário Executivo Adjunto: Marcelo Bispo

Secretário de Avaliação e Gestão da Informação: Vinícius de Oliveira Botelho

Secretária de Avaliação e Gestão da Informação Adjunta: Roberta Pelella Melega Cortizo

Secretária Nacional de Assistência Social: Maria do Carmo Brandt de Carvalho

Secretário Nacional de Assistência Social Adjunto: Antônio José Gonçalves Henriques

Secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: Lilian dos Santos Rahal

Secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional adjunta: Viviane Ferreira Dutra

Secretário Nacional de Renda de Cidadania: Tiago Falcão Silva

Secretário Nacional de Renda de Cidadania adjunto: Walter Shigeru Emura

Secretário nacional de Inclusão Social e Produtiva: Vinícius de Oliveira Botelho

Secretário nacional de Inclusão Social e Produtiva adjunto: Rodrigo Zerbone Loureiro

Secretária Nacional de Promoção do Desenvolvimento Humano: Ely Harasawa


2017 Análise dos componentes
sistêmicos da Política Nacional
de Assistência Social

S ECRETARIA DE A VALIAÇÃO E G ESTÃO DA I NFORMAÇÃO | SAGI


S ECRETARIA N ACIONAL DE A SSISTÊNCIA S OCIAL | SNAS
M INISTÉRIO DO D ESENVOLVIMENTO S OCIAL | MDS

B RASÍLIA , 2018
Publicação da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação

Equipe editorial
Coordenação Geral de Disseminação: Gustavo Sousa

Projeto gráfico: Kátia Ozório

Diagramação: Tarcísio Silva

Apoio: Gustavo Vellozo e Victor Gomes

Revisão: Tikinet Edição Ltda.

Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social.

Censo SUAS 2017: análise dos componentes sistêmicos da política nacio-


nal de assistência social.- Brasília, DF: MDS, Secretaria de Avaliação e Gestão
da Informação; Secretaria Nacional de Assistência Social, 2016.

116 p. ; 23 cm.

ISBN: 978-85-5593-019-5.

1. Assistência social, Brasil. 2. Política social, Brasil. I. Ministério do


Desenvolvimento Social II. Sistema Único de Assistência Social.

CDU 364(81)

TIRAGEM: 3.000 EXEMPLARES

IMPRESSÃO: GRÁFICA TEIXEIRA

© 2018 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL.


TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
C E N S O S U A SS 22001107

QUALQUER PARTE DESTA PUBLICAÇÃO PODE SER REPRODUZIDA, DESDE QUE CITADA A FONTE.
SECRETARIA DE AVALIAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO (SAGI)
ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS | BLOCO A | SALA 337
70054-906 | BRASÍLIA | DF
TELEFONE: (61) 2030-1501
WWW.MDS.GOV.BR
CENTRAL DE RELACIONAMENTO DO MDS: 0800 707 2003
SOLICITE EXEMPLARES DESTA PUBLICAÇÃO PELO E-MAIL: SAGI.DFD@MDS.GOV.BR
Coordenação-geral do Censo SUAS 2017
Ficha Técnica
Allan Camello Gomes, Caio Nakashima e Marcos Maia Antunes.

Concepção, planejamento e operação


Ana Heloisa Viana Silva Moreno, Cinthia Barros dos Santos, Eduardo Monteiro Martins, Fernando
Fúvio Ariclê Bento e Lima, Frederico de Almeida Meirelles Palma, Hugo Miguel Pedro Nunes,
Luis Otavio Pires Farias, Marcos Maia Antunes, Paulo Eugênio Clemente Junior e Priscila Quicila
Rodrigues Coelho Da Gama.

Desenvolvimento de aplicativos informatizados, coleta e tratamento de dados


Arthur José Guimarães de Souza Maia, Caio Nakashima, Carlos Henrique Araujo Santana,
Cristiane Silva de Moura, Daniel Fagundes, Danilo Galvão da Cunha, Davi Lopes Carvalho, Érika
Paes Ladim Castro, Marcelo do Nascimento Guedes Saraiva, Marcelo Gomes Gadelha, Marcos
Coimbra, Murilo da Silva Mascarenhas de Morais, Pedro Henrique Monteiro Ribeiro Ferreira,
Pedro Oliveira Guedes, Rogério Cota Faria Pacheco e Willy Brand Catelani.

Análise dos dados


Cinthia Barros dos Santos, Daniela Peixoto Ramos, Dionara Borges Andreani, Lana da Costa
Valmor Barbosa, Marcos Maia Antunes, Marina Brito Pinheiro, Nayara Frutuoso Furtado, Otávio
Luiz de Araujo, Paulo Eugênio Clemente Junior e Valdson Silva Cleto.

Concepção e organização dos textos


Otávio Luiz de Araújo e Ronaldo Souza da Silva.

Elaboração dos textos


Bruno Gondim Barbosa Duarte, Luciana Felix Ferreira, Luiza de Freitas Maganhi, Murilo Davi
Lordello, Otávio Luiz de Araujo, Ronaldo Souza da Silva, Valdson Silva Cleto.
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Prefácio

Apresentar subsídios para o aprimoramento da gestão do Sistema Único de


Assistência Social: este é o principal objetivo do Censo SUAS. Realizado anual-
mente desde 2007, o censo vem sendo aperfeiçoado sistematicamente para, de
maneira clara e objetiva, trazer informações sobre as características dos serviços
prestados, infraestrutura, participação social e outras no âmbito da assistência
social brasileira.

No ano de 2017 ações estruturantes do SUAS foram realizadas para a melhoria


dos serviços prestados, sendo evidenciadas no censo, por exemplo, pelo aumen-
to da quantidade de trabalhadores nos Centros de Referência de Assistência So-
cial (CRAS) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS)
em todo o território nacional. A inclusão digital dos equipamentos do SUAS tam-
bém merece destaque, sendo sensível o aumento dos equipamentos que passa-
ram a contar com acesso à internet.

O Ministério do Desenvolvimento Social, por meio da Secretaria Nacional de


Assistência Social (SNAS) e da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação
(SAGI), permanece envidando esforços para que as informações apresentadas
por este grande estudo possam continuar atingindo o objetivo de subsidiar as
melhorias do SUAS, além de fomentar discussões sobre as políticas sociais exe-
cutadas no sistema, sempre em busca dos melhores resultados para a população
usuária dos serviços prestados.

Maria do Carmo Brant de Carvalho Vinícius de Oliveira Botelho


Secretária Nacional Secretário de Avaliação
de Assistência Social e Gestão da Informação
Sumário
APRESENTAÇÃO 13

CAPÍTULO 1: METODOLOGIA 19

CAPÍTULO 2: GESTÃO E FINANCIMANETO 27

2.1 SECRETARIAS MUNICIPAIS EXCLUSIVAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 28

2.2 DISTRIBUIÇÃO DOS ÓRGÃOS GESTORES MUNICIPAIS SEGUNDO 30

2.3 DISTRIBUIÇÃO DE MUNICÍPIOS SEGUNDO ANO DE ATUALIZAÇÃO


DA LEI MUNICIPAL DE REGULAMENTAÇÃO DO SUAS E DO PLANO MU-
NICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PMAS) 30

2.4 DISTRIBUIÇÃO DE MUNICÍPIOS POR REALIZAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA


DE RECURSOS POR MEIO DE CONVÊNIOS PARA ONGS E ENTIDADES DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL 32

2.5 PERCENTUAL DE ESTADOS SEGUNDO CARACTERÍSTICA DA


SECRETARIA ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 33

2.6 PERCENTUAL DE ESTADOS SEGUNDO ANO DE ATUALIZAÇÃO DA LEI


ESTADUAL DE REGULAMENTAÇÃO DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL (SUAS), DO PLANO ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PEAS)
E DO PLANO ESTADUAL DE CAPACITAÇÃO 33

2.7 PERCENTUAL DE ESTADOS SEGUNDO REALIZAÇÃO DE COFINAN-


CIAMENTO AOS MUNICÍPIOS 34

2.8 NÚMERO DE ESTADOS SEGUNDO A DESTINAÇÃO DOS RECURSOS


TRANSFERIDOS AOS MUNICÍPIOS 35

CONSIDERAÇÕES FINAIS 36

CAPÍTULO 3: EQUIPAMENTOS 39

3.1 CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS 41

3.2 CENTRO DE CONVIVÊNCIA 46

3.3 CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CREAS 48

3.4 CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO PARA POPULAÇÃO EM


SITUAÇÃO DE RUA – CENTRO POP 51

3.5 CENTRO-DIA 55

3.6 UNIDADES DE ACOLHIMENTO 58

CONSIDERAÇÕES FINAIS 61

CAPÍTULO 4: RECURSOS HUMANOS DO SUAS 63

4.1 TRABALHADORES NAS SECRETARIAS MUNICIPAIS DE ASSISTÊNCIA


SOCIAL 64

4.2 TRABALHADORES NAS SECRETARIAS ESTADUAIS DE ASSISTÊNCIA


SOCIAL 66

4.3 TRABALHADORES DOS CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA


SOCIAL – CRAS 68

4.4 TRABALHADORES DOS CENTROS DE CONVIVÊNCIA 69

4.5 TRABALHADORES DOS CENTROS DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADOS


DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CREAS 72

4.6 TRABALHADORES DOS CENTROS POP 74

4.7 TRABALHADORES DOS CENTROS-DIA 76

4.8 TRABALHADORES DAS UNIDADES DE ACOLHIMENTO 79

CONSIDERAÇÕES FINAIS 81

CAPÍTULO 5: SERVIÇOS OFERTADOS PELO SUAS 83

5.1 SERVIÇOS DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA 85

5.1.1 SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA (PAIF) 85

5.1.2 SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS (SCFV) 86

5.2 BENEFÍCIOS EVENTUAIS 90

5.3 EQUIPES VOLANTE 92

5.4 SERVIÇOS DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL 93

5.4.1 SERVIÇOS DE MÉDIA COMPLEXIDADE 93

5.4.1.1 SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO A FAMÍLIAS


E INDIVÍDUOS - PAEFI 93

5.4.1.2 SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ABORDAGEM SOCIAL 95

5.4.1.3 SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A ADOLESCENTES EM CUMPRIMENTO


DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE LIBERDADE ASSISTIDA (LA) E DE PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS À COMUNIDADE (PSC) 97

5.4.1.4 SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS COM


DEFICIÊNCIA E PESSOAS IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS 99
5.4.2 SERVIÇOS DE ALTA COMPLEXIDADE 102

5.4.2.1 PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA) 103

5.4.2.2 SERVIÇO DE ACOLHIMENTO EM FAMÍLIA ACOLHEDORA 105

CONSIDERAÇÕES FINAIS 107

CAPÍTULO 6: PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO SUAS 109

6.1 MUNICÍPIOS COM CONSELHOS MUNICIPAIS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 111

6.2 CARACTERÍSTICAS DOS CONSELHOS MUNICIPAIS E ESTADUAIS DE


ASSISTÊNCIA SOCIAL 111

6.2.1 SECRETARIA EXECUTIVA 111

6.2.2 IGD-SUAS 112

6.2.3 PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 113

6.2.4 REGIMENTO INTERNO 114

6.2.5 INSTÂNCIA DE CONTROLE SOCIAL DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA (PBF) 115

6.2.6 REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES 116

6.2.7 FISCALIZAÇÃO 118

6.2.8 COMISSÕES INTERGESTORES 120

6.2.9 PUBLICAÇÃO DE DELIBERAÇÕES E RESOLUÇÕES 121

CONSIDERAÇÕES FINAIS 122

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 124


CENSOSUAS 2010
C E N S O S U A SS 22001107
APRESENTAÇÃO:
A ASSISTÊNCIA SOCIAL
E AS DEMANDAS POR
UMA PROTEÇÃO SOCIAL
INTEGRAL

13
A Constituição Federal de 1988 inseriu a assistência social no campo da Seguri-
dade Social, reconhecendo, dessa forma, o papel do Estado na garantia da pro-
teção social não contributiva aos cidadãos. A trajetória de construção e imple-
mentação desta política introduziu, definitivamente, a questão da pobreza e das
vulnerabilidades sociais no campo da Seguridade Social. Desde então se afir-
mou como política inquestionável em sua relevância social: inovou e instituiu
mecanismos de proteção social não contributiva enquanto direito do cidadão.,
além de ter ganho robustez junto à parcela da população atingida por conjuntu-
ras, contextos ou processos produtores de vulnerabilidade social1.

A Seguridade Social é a maior demanda da sociedade contemporânea, pois todo


cidadão demanda proteção social durante sua trajetória de vida, seja porque de-
pende de cuidados, como as crianças e idosos, porque apresenta deficiências,
porque a pobreza os priva de garantias mínimas de qualidade de vida, ou ainda
por sofrer discriminações e preconceitos que os mantêm isolados e com precá-
rias oportunidades de inclusão social. Portanto, a proteção social não-contributi-
va permanece na ordem do dia, em períodos de bonança econômica, e em perí-
odos de recessão econômica e alto desemprego, como ocorre atualmente, visto
tratar-se de preceito constitucional e elemento constitutivo do Estado brasileiro.

A política nacional de assistência nacional está organizada por meio do Sistema


Único de Assistência Social (Suas), presente em todo o Brasil. Efetivando o es-
tabelecido na Carta Magna, o SUAS tem por objetivo garantir a proteção social
aos cidadãos, ou seja, apoio a indivíduos, famílias e à comunidade no enfrenta-
mento de suas dificuldades. O SUAS, além da institucionalidade, organicidade e
do comando único, tem por modelo de organização a oferta descentralizada de
serviços, benefícios, programas e projetos. A criação do SUAS inovou no modelo
de gestão da política, superando a fragmentação e a descontinuidade das ações
CENSOSUAS 2017

assistenciais existentes no país até então. O SUAS, apesar de contar com uma
coordenação centralizada no nível Federal, conta com execução descentralizada
de responsabilidade dos Estados e Municípios. Já o cofinanciamento é realizado
pelas três esferas, por meio de transferências fundo a fundo.

1 ANTERIORMENTE, A ASSISTÊNCIA SOCIAL NÃO ERA RECONHECIDA COMO POLÍTICA PÚBLICA E, POR ISSO,
O ESTADO ATUAVA DE FORMA SUPLEMENTAR, RELEGANDO À SOCIEDADE CIVIL, PELA VIA DA BENEMERÊNCIA E DA
FILANTROPIA, O PROTAGONISMO MAIOR.
Atualmente, a assistência social está presente em todos os 5.570 municípios
brasileiros. Cerca de 50 milhões de pessoas no País são atendidas por essa polí-
tica, representando 25% da população nacional.

No nível federal, a Política de Assistência Social é operacionalizada no âmbito do


Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que conta com ofertas públicas de
Segurança Alimentar e Nutricional, Segurança de Renda/Autonomia, Segurança
de Convívio Familiar e Comunitário e Inclusão produtiva.

OS SERVIÇOS E AÇÕES DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

O Estado brasileiro reconhece que as vulnerabilidades sociais são multidimensio-

A Assistência Social e as demandas por uma proteção social integral


nais, interdependentes e concentradas em coletivos. Com essa compreensão, a pro-
teção social incide, preferencialmente, sobre a família, comunidade e o território.

Dessa forma, as ações junto às famílias mobilizam e articulam os ativos sociais


do território — organizações, serviços e projetos, visando ao fortalecimento da
proteção e ao desenvolvimento social.

O Brasil inovou na concepção e no modo de operar a assistência social, estrutu-


rando seus serviços, programas, projetos e benefícios por níveis de proteção e
graus de complexidade considerando os riscos e vulnerabilidades das famílias e
indivíduos. Esses níveis de proteção correspondem à Proteção Social Básica e à
Proteção Social Especial.

SERVIÇOS DA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA

Com ênfase nas famílias e nos territórios, a Proteção Social Básica (PSB) assegura
suporte e apoio individual e familiar, suporte comunitário, além de uma cesta de
oportunidades de aprendizagem às famílias.

As ofertas da Proteção Social Básica visam a prevenção e inclusão social:

—— Garantia de renda por meio de transferências monetárias contínu-


as e eventuais;
15
—— Desenvolvimento da autonomia por meio da mediação no acesso a
serviços e oportunidades de educação, saúde, moradia, trabalho, docu-
mentação civil ente outros;

—— Fortalecimento da convivência familiar e comunitária;

—— Cuidados no domicilio para crianças na primeira infância, idosos,


pessoas com deficiência;

—— Inclusão produtiva.

As ações da PSB ocorrem por meio dos Centros Referência de Assistência Social
(CRAS), localizados em territórios com altos índices de vulnerabilidade social e
que funcionam como porta de entrada a benefícios e serviços protetivos. Está
presente em todos os municípios brasileiros para atender famílias e indivídu-
os em situação de pobreza e de vulnerabilidade. Os CRAS estão presentes nas
periferias urbanas, junto a comunidades indígenas e quilombolas, comunidades
rurais, entre outras.

Em 2017, segundo o Censo Suas do mesmo ano, existiam 8.292 CRAS distribuí-
dos pelos municípios brasileiros. O número de atendimentos feitos pelos CRAS
também é expressivo. De acordo com o Registro Mensal de Atendimento do
SUAS (RMA), foram realizados 21 milhões de atendimentos nesses equipamen-
tos. A proteção social básica também conta com 8.041 Centros de Convivência
Social, que têm capacidade de atender mais de 400 mil pessoas.

O CRAS é o responsável pela operacionalização do Cadastro Único para Progra-


mas Sociais do Governo Federal. O Cadastro Único propicia uma fotografia ampla
da realidade das famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade, já que 28
milhões de famílias, pouco menos que 78 milhões de pessoas, encontram-se ati-
vas na base de informações.
CENSOSUAS 2017

SERVIÇOS DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL

A Proteção Social Especial (PSE) volta-se às famílias, indivíduos e territórios cujos


contextos são marcados por violação de direitos e altos riscos sociais e violência,
que podem acarretar dano à vida e à integridade humana. Essas situações ma-
nifestam-se no espaço familiar, comunitário e societário, por meio de discrimi-
nações, negligência, maus tratos, abandono, violência, e outras desproteções, as
quais, sem o apoio, suporte e recursos necessários, tendem a se perpetuar.

Neste âmbito, a PSE atende a pessoas em situação de rua, crianças e adoles-


centes exploradas no trabalho precoce, adolescentes que cometeram ato in-
fracional, pessoas em situação de abandono de todas as idades, pessoas com
deficiência, indivíduos e famílias que sofreram violência e tiveram os laços de
convivência rompidos.

Incluem-se ainda na proteção especial os grupos atingidos pelas chamadas situ-


ações de emergência social provocadas por catástrofes ambientais ou humanas.
Situações como epidemias (por exemplo, do Zika vírus), a violência no Rio de
Janeiro, fluxos migratórios (no último ano registrou-se a entrada de 65,8 mil ve-

A Assistência Social e as demandas por uma proteção social integral


nezuelanos solicitando abrigo no Brasil), dentre outras, recaem diretamente nos
serviços de Proteção Social Especial.

A principal unidade da proteção social especial é o Centro de Referência Espe-


cializado da Assistência Social (CREAS), que atende famílias e pessoas que estão
em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados. Em 2017, segundo
o Censo SUAS, existiam 2.577 CREAS em 2.342 municípios, que acompanharam
mensalmente 200 mil casos (famílias ou indivíduos).

As ofertas da PSE visam a reparação e inserção social: acolhimento institucio-


nal em diversas modalidades (abrigos, casas de passagem, repúblicas, casas-lar,
residências inclusivas, ou em acolhimento em família acolhedora) para pessoas
em situação de abandono ou violação de direitos. São 5.589 unidades de acolhi-
mento em 2.236 municípios que atenderam mais de 123 mil pessoas incluindo
aquelas em situação de emergência social.

Para crianças e adolescentes em situação de abandono, a prioridade é propor-


cionar o acolhimento em famílias acolhedoras e ou famílias extensas, também
conhecidas como famílias guardiãs. Essa estratégia visa a criação de alternativas
ao acolhimento tradicional, minimizando o sofrimento de crianças que perma-
necem afastadas de suas famílias.

A atual política tem induzido a expansão de Centros-Dia, com oferta de atenção


especialmente para pessoas em situações de dependência de cuidados e convi-
17
vência, sobretudo para idosos e pessoas com deficiência, visando a evitar o iso-
lamento da família e comunidade. A rede de Centros-Dia, em 2017, era formada
por 1.456 unidades em 870 municípios.

A atenção à população em situação de rua é operacionalizada pelos Centros de


Referência Especializados em População em Situação de Rua (Centro Pop). No
Brasil, em 2017, segundo o Censo e o RMA eram são 227 unidades em 199 muni-
cípios que atenderam cerca de 100 mil pessoas em situação de rua.

Outra ação que se destacou foi a expansão do serviço de atenção socioassis-


tencial e acompanhamento a adolescentes e jovens em cumprimento de medi-
das socioeducativas em meio aberto, determinadas judicialmente, contribuindo
para a ruptura com a prática do ato infracional e o fortalecimento da convivência
familiar e comunitária. Foram cerca de 117 mil jovens atendidos.

Somam-se a esta ampla e diversificada rede de serviços a presença e participa-


ção ativa de mais de 19.000 entidades da sociedade civil vinculadas à política
de Assistência Social.

BENEFÍCIOS SOCIOASSISTENCIAIS

Os benefícios monetários ou em espécie no âmbito da assistência social sempre


foram considerados insumos imprescindíveis na proposta de cobertura da prote-
ção social. A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), de 1993, já havia instituí-
do o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos e pessoas com defici-
ência que não tenham condições de prover o seu próprio sustento. Em anos mais
recentes, foram criados novos benefícios como o Bolsa Família e os eventuais,
que são de responsabilidade de estados ou municípios.
CENSOSUAS 2017

Tanto o BPC quanto o Bolsa Família são programas robustos de transferência de


renda que marcam a Política Nacional de Assistência Social. Cerca de 4 milhões
entre idosos e pessoas com deficiência beneficiam-se do BPC e cerca de 13,8
milhões de famílias estão cobertas pelo Programa Bolsa Família. Os impactos
deste último podem, inclusive, ser evidenciados na redução da pobreza extrema
e, sobretudo, no acesso e usufruto dos serviços de educação e saúde.
A política de assistência social avançou muito nos últimos anos, ampliando a in-
terface com outras políticas públicas, consolidando-se nos estados e municípios
e refletindo sobre as especificidades dos diferentes públicos que vivem no ter-
ritório brasileiro. A assistência social no Brasil continua, portanto, sua trajetória
ascendente, garantindo proteção social a quem dela necessitar.

A Assistência Social e as demandas por uma proteção social integral


19
C E N S O S U A SS 22001107
CAPÍTULO 1:
METODOLOGIA

A Assistência Social e as demandas por uma proteção social integral


21
Parte do processo de aprimoramento da gestão do SUAS e da rede socioassis-
tencial, o Censo SUAS é um instrumento de monitoramento anual que reúne in-
formações providas por diversos agentes. Seu principal objetivo é retratar as
estruturas de gestão e de oferta de serviços do SUAS, produzindo informações
que subsidiem o planejamento da política, o aperfeiçoamento do sistema, a for-
mação dos trabalhadores e a prestação de contas à sociedade. Assim, é possível,
a partir de seus resultados, gerar ações e medidas que objetivam a resolução
de dificuldades e o aprimoramento da gestão. Seus instrumentos e objetivos
são definidos de forma conjunta pela Secretaria Nacional de Assistência Social
(SNAS) e pela Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI).

Criado em 2007 como uma ficha de registro de caracterização básica dos CRAS,
o levantamento passou a ser denominado de Censo CRAS no ano seguinte. Em
2009, o levantamento passou a abranger também a coleta de dados junto aos
CREAS, recebendo a denominação atual de Censo SUAS. Nos três anos seguintes,
refletindo o processo de institucionalização crescente do SUAS, ampliou-se subs-
tancialmente seu escopo investigativo, com a introdução paulatina dos questio-
nários sobre Gestão Estadual, Gestão Municipal, Conselho Estadual de Assistência
Social, Conselho Municipal de Assistência Social, Rede de Entidades Conveniadas
(todos em 2010), Centros POP (em 2011) e Unidades de Acolhimento (em 2012)2.

Em 2014 foi instituído questionário para coletar informações relacionadas aos cha-
mados Centros de Convivência – unidades públicas e privadas, conveniadas ao MDS
ou não, que executam o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV).

Em 2015 foi instituído um questionário para coletar informações dos Centros


Dia, unidades que executam o Serviço de Proteção Social Especial (PSE) para
pessoas com deficiência, idosas e suas famílias.
CENSOSUAS 2017

Em 2017, o Censo SUAS passou por uma reformulação, de forma a analisar in-
formações históricas sobre outros prismas, tais como de gestão de pessoas,
programas sociais (além dos benefícios e serviços) e estruturas e tipos de equi-
pamentos. Foram aplicados dez questionários distintos, de modo a mapear os
componentes sistêmicos da PNAS, a saber:

2 EM ENAP (2011), NA PUBLICAÇÃO DE REGISTRO DAS DEZ AÇÕES PREMIADAS DO 16º CONCURSO
INOVAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA FEDERAL, HÁ UM BREVE RELATO HISTÓRICO DO CENSO SUAS E SUA
CONTRIBUIÇÃO PARA INSTITUCIONALIZAÇÃO DA PNAS.
—— Questionário Centro de Referência de Assistência Social (CRAS):
Identificação; Estrutura Física; Serviço de Proteção e Atendimento In-
tegral a Família (PAIF); Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vín-
culos (SCFV); Equipe Volante; Programas, Benefícios e Cadastro Único;
Gestão e Território; Articulação; e Gestão de Pessoas.

—— Questionário Centro de Referência Especializado de Assistência


Social (CREAS): Identificação; Estrutura Física; Serviço de Proteção e
Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI); Serviço de
Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeduca-
tiva de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade
(PSC); Serviço de Abordagem Social; Serviço de Proteção Social Especial
para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias; Gestão e Território;
Articulação; e Gestão de Pessoas.

—— Questionário Centro de Referência Especializado para População


em Situação de Rua (Centro POP): Identificação; Estrutura Física; Servi-
ço Especializado para Pessoas em Situação de Rua; Serviço Especializado
em Abordagem Social; Gestão; Articulação; e Gestão de Pessoas.

—— Questionário Unidades de Acolhimento: Identificação; Caracterís-


ticas dos Usuários; Serviço de Acolhimento; Estrutura Física e Área de
Localização da Unidade; e Gestão de Pessoas.

—— Questionário Centro de Convivência: Identificação; Caracteriza-


ção da Unidade; e Gestão do Trabalho;

—— Questionário Conselhos Municipais e Estaduais de Assistência So-


cial (CMAS e CEAS) e Conselho de Assistência Social do Distrito Federal
(CAS/DF): Identificação; Regulação; Infraestrutura do Conselho; Secre-
taria Executiva; Orçamento dos Conselhos; Conferências de Assistência
Social; Dinâmica de Funcionamento; Rede Socioassistencial; Composição
do Conselho; e Conselheiros;
Metodologia

—— Questionário Gestão Estadual: Identificação do Órgão Gestor; Es-


trutura Administrativa e Gestão do SUAS; Gestão do Trabalho; Gestão
Financeira; Serviços e Benefícios; Regionalização dos serviços de média
e alta complexidade; Apoio Técnico e Financeiro aos Municípios; Comis-
são Intergestores Bipartite (CIB); Apoio ao Exercício da Participação e do
Controle Social; e Pessoas de Referência.

—— Questionário Gestão Municipal: Identificação do Órgão Gestor; Es-


trutura Administrativa; Gestão do SUAS; Gestão do Trabalho; Serviços,
23

Benefícios e Programas; e Participação e Comunicação com o Usuário;


—— Questionário do Centro Dia: Identificação; Caracterização da Uni-
dade; Estrutura Física; Serviços e Atividades; e Gestão de Pessoas.

—— Questionário do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora:


Identificação da unidade; Caracterização da Unidade; Famílias Acolhe-
doras; e Gestão de Pessoas.

A coleta de dados do Censo SUAS 2017 foi realizada, como todo ano, por meio
de questionários eletrônicos disponíveis no portal da SAGI, com um tempo mí-
nimo de preenchimento de 30 dias. O preenchimento em meio eletrônico é re-
alizado apenas pelos órgãos gestores (estaduais e municipais) e conselhos de
assistência social (estaduais e municipais): os gestores municipais são responsá-
veis pelos dados dos questionários dos CRAS, CREAS, Centros POP, Unidades de
Acolhimento Municipais, Centros Dia e Gestão Municipal; os gestores estaduais
pelos dados dos questionários dos CREAS Regionais, Unidades de Acolhimento
Estaduais e Gestão Estadual; e os Conselheiros, Presidente do Conselho e Secre-
taria Executiva são responsáveis pelos dados dos questionários dos Conselhos
Municipais e dos Conselhos Estaduais respectivamente.

Destaca-se que, para preenchimento dos questionários, o usuário deve estar de-
vidamente cadastrado na Rede SUAS e possuir uma senha de acesso. Os questio-
nários, depois de preenchidos, devem ser salvos pelo respondente. O período de
coleta foi entre setembro e dezembro de 2017, conforme a Tabela 1.

Tabela 1: Cronograma de preenchimento do Censo SUAS 2017 por


questionário
Questionário Abertura Encerramento Status
CRAS
11 de setembro 10 de novembro 
Centro do Convivência
CREAS
CENSOSUAS 2017

Centro POP 25 de setembro 17 de novembro 


Centro DIA
Conselhos (Municipal e Estadual)
2 de outubro 1º de dezembro 
Gestão Municipal
Unidade de Acolhimento 9 de outubro 1º de dezembro 
Família Acolhedora
16 de outubro 1º de dezembro 
Gestão estadual

Período de Retificação 4 de dezembro 8 de dezembro

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Em esforço conjunto do Governo Federal, estados e municípios, informações de
mais de 37 mil questionários foram coletadas no período. Os bancos de dados
resultantes da coleta foram então submetidos a procedimentos de análise da
integridade e consistência, bem como de limpeza de dados e de organização da
estrutura final e da documentação das bases. Para cada base resultante de um
tipo de questionário, foram realizados procedimentos de limpeza e organização
específicos, pretendendo-se, inicialmente, manter o maior número possível de
respondentes válidos. Para isso, foram considerados como válidos:

—— Questionários totalmente preenchidos e devidamente salvos pelos


respondentes;

—— Questionários preenchidos em sua totalidade, mas não devidamen-


te salvos por razões de sistema; e

—— Questionários preenchidos até 90% de sua totalidade com pelo


menos um trabalhador registrado no bloco de Recursos Humanos do
questionário.

Unidades que se encontravam inativas ou com registro duplicado no CadSUAS3 no


período de referência de dezembro de 2017 tiveram seus questionários descartados.
Nas bases de dados de Recursos Humanos foram descartados, ainda, casos de ques-
tionários duplicados ou duplicação do registro dos trabalhadores. Além disso, foi re-
alizada uma verificação de consistência que identificou divergência de informações
ligadas à escolaridade e à profissão do trabalhador, prevalecendo escolaridade4.

Para análise dos dados, foram consideradas as quantidades de respondentes de


acordo com os bancos de dados após tratamento realizado pela Coordenação-
-Geral de Planejamento e Vigilância Socioassistencial (CGPVIS/SNAS) descrito
Metodologia

3 O CADSUAS É O SISTEMA DE CADASTRO DO SUAS, INSTITUÍDO PELA PORTARIA Nº 430, DE 3


DE DEZEMBRO DE 2008, ONDE SÃO INSERIDAS INFORMAÇÕES CADASTRAIS DA REDE SOCIOASSISTENCIAL
(CRAS, CREAS E UNIDADE PÚBLICA), ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS (CONSELHO, FUNDO, GOVERNO ESTADUAL,
PREFEITURA, ÓRGÃO GESTOR, OUTRAS) E TRABALHADORES DO SUAS.

4 POR EXEMPLO: PROFISSIONAIS QUE ASSINALARAM POSSUIR ENSINO SUPERIOR COMPLETO,


MAS FORAM IDENTIFICADOS COMO PROFISSIONAL DE NÍVEL MÉDIO OU SEM FORMAÇÃO PROFISSIONAL,
PREVALECEU A ESCOLARIDADE E O CAMPO PROFISSÃO PERMANECEU EM BRANCO. DA MESMA MANEIRA,
UM TRABALHADOR QUE ASSINALOU POSSUIR ESCOLARIDADE MAIS BAIXA À FORMAÇÃO, PREVALECEU A
25

ESCOLARIDADE, DE TAL FORMA QUE A PROFISSÃO PERMANECEU EM BRANCO.


acima. A quantidade de unidades/órgãos considerados no banco de dados após
tratamento segue nas Tabelas 2 e 3.

Tabela 2: Quantidade de equipamentos respondentes segundo o Status


Censo SUAS
Equipamento Analisados após validação
CRAS 8.292
CREAS 2.577
Centro POP 227
Centro de Convivência 8.041
Unidade de Acolhimento 5.589
Centros Dia e Similares 1.456
Família Acolhedora 272

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Tabela 3: Quantidade de órgãos gestores/instâncias respondentes


segundo o Status Censo SUAS.
Órgão/Instância Analisados após validação
Gestão Estadual 26
Gestão Municipal* 5.511
Conselhos Estaduais* 27
Conselhos Municipais 5.413

Fonte: MDS, Censo SUAS.


* O Distrito Federal responde aos questionários voltados à Gestão Municipal e aos Conselhos
Estaduais.

Seguindo o modelo utilizado desde o Censo SUAS 2013, a análise dos resulta-
dos do Censo SUAS 2017 compreende o SUAS como política social por meio dos
CENSOSUAS 2017

componentes sistêmicos da PNAS, conforme seu estágio de institucionalização5.

Na tentativa de aprofundamento da compreensão global do SUAS, a exposição


da análise do Censo SUAS será realizada de acordo com cinco eixos de análise,
a saber:

5 VER JANNUZZI (2014) PARA UMA DISCUSSÃO SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DE PLANOS DE AVALIAÇÃO DE
POLÍTICAS E PROGRAMAS SOCIAIS A PARTIR DOS COMPONENTES SISTÊMICOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS.
—— Gestão e Financiamento do Sistema Único de Assistência Social: pa-
norama geral da gestão e do financiamento em estados e municípios, com
a observação de aspectos como a estrutura administrativa da gestão da
assistência social, a atualização de normativos, o apoio de estados aos
municípios, as atividades de cofinanciamento e transferência de recur-
sos, funcionamento das instâncias de pactuação, entre outras;

—— Equipamentos da Assistência Social: a Tipificação Nacional de Ser-


viços Socioassistenciais6 organiza os serviços ofertados conforme seu
nível de complexidade, indicando o equipamento recomendado à execu-
ção do serviço. No âmbito da proteção social básica, os atendimentos
são prestados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e
pelos Centros de Convivência. No âmbito da proteção social especial, os
serviços são prestados pelos Centros de Referência Especializados de As-
sistência Social (CREAS), Centros de Referência Especializados para Popu-
lação em Situação de Rua (Centros POP), Centros-Dia de Referência para
Pessoa com Deficiência e suas Famílias e pelas Unidades de Acolhimento;

—— Recursos Humanos do SUAS: apresenta um panorama geral da si-


tuação das trabalhadoras e trabalhadores do SUAS tanto nos equipa-
mentos da assistência social quanto nas gestões municipais e estaduais,
apresentando informações sobre quantitativo, tipo de vínculo traba-
lhista, escolaridade, entre outros aspectos referentes à gestão do tra-
balho, e sua evolução ao longo dos anos;

—— Serviços ofertados pelo SUAS: expõe os serviços ofertados pela


rede e as atividades desenvolvidas pelas unidades de atendimento; e

—— Participação social no SUAS: apresenta os resultados apurados


pelo Censo SUAS para os Conselhos Municipais e Estaduais de Assistên-
cia Social, considerando a estrutura administrativa, a dinâmica de fun-
cionamento e a composição.
Metodologia

Assim como na edição de 2016, a edição 2017 do Censo SUAS conta com di-
versas análises acerca das características de gestão e financiamento, dos equi-
pamentos, recursos humanos, serviços ofertados e participação social do SUAS,
refletidas nesta publicação e apresentadas em maiores detalhes em sua ver-
são eletrônica, disponível em https://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/portal/index.
php?grupo=105.
27

6 HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/PUBLICACAO/ASSISTENCIA_SOCIAL/NORMATIVAS/TIPIFICACAO.PDF.
Espera-se que, a partir de uma avaliação com abordagem direcionada à análise
integrada do SUAS e, partindo dos dados dos órgãos de gestão das unidades de
atendimento públicas e privadas e das instâncias administrativas e deliberati-
vas, seja possível retratar o seu funcionamento e evolução como política social.
Assim, amplia-se a compreensão acerca da rede de assistência social por parte
dos gestores, trabalhadores e sociedade civil, permitindo uma apreensão crítica
de seu funcionamento.
CENSOSUAS 2017
CAPÍTULO 2
GESTÃO E
FINANCIAMENTO

29
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é definido pela Lei Orgânica da
Assistência Social (LOAS)7 como um sistema descentralizado e participativo que
organiza a gestão das ações na área de assistência social, a partir das diretrizes:
descentralização político-administrativa, participação social e primazia da res-
ponsabilidade do Estado na condução da política de assistência social. Assim,
tem como um de seus objetivos a consolidação da gestão compartilhada entre
os três entes federados e do cofinanciamento.

A LOAS, a NOB SUAS8 e outros normativos que regulam a assistência social de-
finem as responsabilidades da União, estados, Distrito Federal e municípios no
âmbito da gestão compartilhada, que incluem o cofinanciamento de serviços,
programas e ações da assistência social. Estão previstas ainda instâncias de pac-
tuação e interlocução entre os três entes federados: a Comissão Intergestores
Bipartite (CIB), da qual participam representantes de estados e municípios, e a
Comissão Intergestores Tripartite (CIT), da qual participam, além de estados e
municípios, representantes do governo federal.

A partir das informações contidas no Censo SUAS é possível ter um panorama


geral da gestão e do financiamento em estados e municípios, com a observação
de aspectos como a estrutura administrativa da gestão da assistência social, a
atualização de normativos, o apoio de estados aos municípios, as atividades de
cofinanciamento e transferência de recursos, funcionamento das instâncias de
pactuação, entre outras. Nesse sentido, esta seção apresenta os principais resul-
tados obtidos a partir das informações dos questionários de gestão municipal e
gestão estadual.
CENSOSUAS 2017

7 LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993: DISPÕE SOBRE A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E DÁ


OUTRAS PROVIDÊNCIAS. (HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/LEIS/L8742COMPILADO.HTM)

8 NORMA OPERACIONAL BÁSICA NOB - SUAS 2012 (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/ARQUIVO/


ASSISTENCIA_SOCIAL/NOB_SUAS.PDF)
2.1 - ATUALIZAÇÃO DA LEI ESTADUAL DE REGULAMENTAÇÃO
DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS), DO PLANO
ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PEAS) E DO PLANO ESTADUAL DE
CAPACITAÇÃO

O Plano Estadual de Assistência Social (PEAS) com a respectiva aprovação pelo


CEAS estava presente em 88,4% dos estados. Destes, 26,1% atualizaram o PEAS
pela última vez até o ano de 2016, enquanto 21,7% atualizaram no ano de 2017.
Neste mesmo ano, 16,7% dos estados atualizaram a Lei Estadual de regulamen-
tação do SUAS.

No que se refere ao Plano Estadual de capacitação, verificou-se que em 2017


35% dos estados realizaram a última atualização do Plano, enquanto 5% dos
estados tinham Plano de Capacitação cuja última atualização se deu até o ano
de 2011. (Gráfico 1).

Gráfico 1. Percentual de estados segundo ano de atualização da Lei


Estadual de regulamentação do Sistema Único de Assistência Social
(SUAS), do Plano Estadual de Assistência Social (PEAS) e do Plano
Estadual de Capacitação - Brasil, 2017

16,7%
21,7%
35,0%
16,7%

26,1%
16,7%

0,0% 30,0%
Gestão e Financiamento
17,4% 16,7%
0,0%
4,3% 5,0%
8,7% 5,0%
16,7% 0,0%

20,0%
21,7%
16,7%
5,0%
Última atualização do PEAS Última atualização da Lei Estadual de Última atualização do Plano Estadual
regulamentação do SUAS de Capacitação
Até 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.


31
2.2 - REALIZAÇÃO DE COFINANCIAMENTO AOS MUNICÍPIOS

Em 2017, 23 dos 26 estados realizavam algum cofinanciamento aos municípios,


sendo 20 (76,9%) fundo-a-fundo e 3 (11,5%) por fundo-a-fundo e convênio. Nota-
-se que, com o passar dos anos, a modalidade fundo-a-fundo vem apresentando
crescimento como forma de repasse do cofinanciamento aos municípios (Gráfico 2).

Gráfico 2: Percentual de estados segundo realização de cofinanciamento


aos municípios - Brasil, 2013 a 2017

76,9%
65,4%
53,8%

53,8%
46,2%
19,2%

19,2%

19,2%

19,2%

19,2%
15,4%

15,4%

11,5%

11,5%

8,6%
2013 2014 2015 2016 2017
Não realiza Sim, fundo-a-fundo Sim, ambos
Fonte: MDS, Censo SUAS.

2.3 - DESTINAÇÃO DOS RECURSOS TRANSFERIDOS AOS MUNICÍPIOS

Dos 23 estados que realizavam cofinanciamento em 2017, 80,8% (21) desti-


navam os recursos para o serviço de proteção social básica e para o serviço de
CENSOSUAS 2017

proteção social especial de média complexidade; 19,2% dos estados (5) desti-
navam incentivo financeiro para gestão do SUAS.

Quando comparado aos anos anteriores, em 2017 observa-se um aumento no


percentual de estados de 15,4 pontos percentuais que destinam recursos para
Benefícios Eventuais e 3,8 pontos percentuais a Incentivo financeiro para Ges-
tão do SUAS; para o serviço de Proteção Social Especial de Média Complexidade
manteve estável (Gráfico 3).
Gráfico 3. Percentual de estados segundo a destinação dos recursos
transferidos aos municípios - Brasil, 2013 a 2017

19,2%
15,4%
Incentivo financeiro para Gestão do SUAS 7,7%
11,5%
7,7%

61,5%
46,2%
Benefícios Eventuais 50,0%
46,2%
46,2%

57,7%
Serviço de Proteção Social Especial de Alta 61,5%
61,5%
Complexidade 69,2%
53,8%

80,8%
Serviço de Proteção Social Especial de Média 80,8%
73,1%
Complexidade 76,9%
69,2%

80,8%
84,6%
Serviço de Proteção Social Básica 76,9%
80,8%
69,2%

2017 2016 2015 2014 2013

Fonte: MDS, Censo SUAS.

2.4 – SECRETARIAS MUNICIPAIS EXCLUSIVAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL


Gestão e Financiamento
Tomando-se por base o panorama nacional, em 2017 77,1% das 5.511 Secre-
tarias Municipais eram exclusivas da Assistência Social. Houve redução de 1,4
pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Quando se observa as Secretarias por região, verifica-se que em 2017 a região


Centro-Oeste tinha a maior proporção de Secretarias exclusivas: 82,2% das Se-
cretarias Municipais da região eram exclusivas da assistência social. Na sequên-
cia apareceram às regiões Nordeste (81,1%), Sudeste (79,9%) e Sul (64,2%).

Entre os anos de 2016 e 2017, é possível identificar redução nos percentuais de


Secretarias exclusivas nas regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste (Gráfico 4).
33
Gráfico 4. Percentual de Secretarias Municipais exclusivas de
Assistência Social segundo grandes regiões – Brasil, 2010 a 2017

85,4%
84,3%

84,6%
86,5%
84,6%
84,2%

86,8%
84,6%
83,3%
83,1%

82,2%
82,0%

83,9%
81,1%

80,9%
80,8%
82,9%

79,5%
79,3%

79,3%
79,0%

79,0%
78,9%

78,6%
78,5%

78,5%
79,9%
77,5%

77,5%

77,1%
79,2%
76,6%

76,6%
76,2%
75,5%

75,5%
73,9%
72,6%

72,6%
70,3%

65,8%
65,6%
64,6%

64,2%
63,0%
61,1%
57,2%
54,9%
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

2.5 - DISTRIBUIÇÃO DOS ÓRGÃOS GESTORES MUNICIPAIS SEGUNDO


CONSTITUIÇÃO/FORMALIZAÇÃO DE SUBDIVISÕES ADMINISTRATIVAS

Em 2017, os órgãos gestores municipais que tinham como subdivisão administrativa na


estrutura do órgão gestor constituído/formalizado, em sua maioria, eram a Gestão de
Benefícios Assistenciais, Proteção Social Básica, Gestão do SUAS e a Gestão financeira e
orçamentária com 61,1%, 69,8%, 61,3% e 52,7% respectivamente. A Vigilância Socio-
assistencial estava constituída em 29,3% na estrutura dos órgãos gestores municipais.
A Gestão do trabalho e a Regulação do SUAS estavam constituídas em 30,6% e 37,1%,
respectivamente, na estrutura dos órgãos gestores municipais (Gráfico 5).

Gráfico 5. Distribuição dos órgãos gestores municipais segundo


constituição/formalização de subdivisões administrativas - Brasil, 2017

Gestão Financeira e Orçamentária 52,7% 29,9% 17,4%

Regulação do SUAS 37,1% 28,7% 34,2%

Gestão do Trabalho 30,6% 29,5% 40,0%


CENSOSUAS 2017

Vigilância Socioassistencial (Inclusive áreas de monitoramento e


29,3% 37,5% 33,2%
avaliação)
Gestão do SUAS 61,3% 27,8% 10,9%

Gestão do Cadastro Único e Programa Bolsa Família 74,9% 19,4% 5,7%


Gestão de Benefícios Assistenciais (Bolsa Família, BPC,
61,1% 27,0% 11,9%
Benefícios Eventuais)
Proteção Social Especial 41,4% 26,3% 32,2%

Proteção Social Básica 69,8% 21,2% 9,0%

Sim, na estrutura do órgão gestor Sim, de maneira informal Não constituída

Fonte: MDS, Censo SUAS.


2.6 - DISTRIBUIÇÃO DE MUNICÍPIOS SEGUNDO ATUALIZAÇÃO DO
PLANO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PMAS), POR GRANDES
REGIÕES

No que se refere à atualização do Plano Municipal de Assistência Social (PMAS),


verificou-se que 53,5% dos municípios atualizaram o PMAS há até 2 anos. 40,6%
dos municípios tinham Planos cuja atualização havia ocorrido há mais de 4 anos.

Quando se observa a atualização do PMAS por região, verifica-se que 48,9% dos
municípios da região Sudeste e 44,8% da região Norte atualizaram seus Planos
em 2017. Nas demais regiões, a maior parte dos municípios atualizaram seus Pla-
nos há mais de um ano: 60,8% dos municípios da região Nordeste; 71,2% dos mu-
nicípios da região Sul e 64,1% dos municípios da região Centro-Oeste (Gráfico 6).

Gráfico 6. Distribuição de municípios segundo atualização do Plano


Municipal de Assistência Social (PMAS), por grandes regiões - Brasil, 2017.

Norte 44,8% 10,9% 5,9% 38,4%

Nordeste 39,2% 14,3% 7,9% 38,6%

Sudeste 48,9% 19,8% 6,0% 25,3%


PMAS

Sul 28,8% 7,3%4,3% 59,6%

Centro-Oeste 35,9% 12,1% 3,3% 48,7%


Gestão e Financiamento
Brasil 39,7% 13,8% 6,0% 40,5%

1 ano 2 anos 3 anos 4 anos ou mais

Fonte: MDS, Censo SUAS.


35
2.7 - DISTRIBUIÇÃO DE MUNICÍPIOS SEGUNDO TRANSFERÊNCIA DE
RECURSOS POR MEIO DE CONVÊNIOS OU TERMOS DE PARCERIAS
COM ONGS, ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL OU ENTIDADES DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL

Em 2017, 63% dos municípios informaram não fazer transferência de recursos


por convênio para ONG, Organizações da Sociedade Civil ou Entidade de Assis-
tência Social no município. Entre os 37% de municípios que realizavam trans-
ferências, 6,7% faziam com recursos do Fundo Municipal de Assistência Social
(FMAS), 11,4% dos recursos de outras fontes e 18,9% com recursos do FMAS e
de outras fontes.

A realização dessas transferências era mais frequente nas regiões Sudeste e Sul,
onde 60,6% e 46,5% dos municípios realizavam esse tipo de repasse de recur-
sos, respectivamente. Na região Nordeste a transferência foi menos frequente:
86% dos municípios das regiões não realizavam. Em todas as regiões, as trans-
ferências que eram realizadas aconteciam majoritariamente com recursos dos
FMAS e de outras fontes (Gráfico 7).

Gráfico 7. Distribuição de municípios segundo transferência de


recursos por meio de convênios ou termos de parcerias com ONGs,
Organizações da Sociedade Civil ou Entidades de Assistência Social,
por grande região - Brasil 2017

Brasil 63,0% 6,7% 11,4% 18,9%

Região Centro-Oeste 61,5% 7,5% 11,0% 20,0%

Região Sul 53,5% 7,8% 14,9% 23,8%

Região Sudeste 39,4% 10,0% 19,4% 31,2%


3,8%
CENSOSUAS 2017

Região Nordeste 86,0% 3,2% 6,9%


3,1%
Região Norte 84,5% 4,5% 7,8%

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Não
Sim, com recursos do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS)
Sim, com recursos de outras fontes
Sim, com recursos do FMAS e de outras fontes

Fonte: MDS, Censo SUAS.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os órgãos gestores da assistência social, tanto estaduais quanto municipais, são


estruturas fundamentais para a execução integral do SUAS e da PNAS. Suas par-
ticipações nos planejamentos das ações a serem executadas, na coordenação do
recebimento de recursos e na distribuição dos mesmos segundo as prioridades
de seu território de trabalho tem papel crucial na fluidez do sistema como um
todo e no funcionamento da rede socioassistencial.

As subdivisões administrativas que apresentavam maior percentual de cons-


tituição formal nos órgãos gestores municipais eram as voltadas à gestão do
Cadastro Único e Programa Bolsa Família e à proteção social básica, presentes
em 74,9% e 69,8%% dos municípios, respectivamente. As que apresentavam
maiores percentuais de não constituiçãoeram as de Gestão do Trabalho (40%),
de regulação do SUAS (34,2%) e de vigilância socioassistencial (33,2%).

Os recursos recebidos via transação fundo-a-fundo, garantem maior qualidade


na distribuição, já que estes são fiscalizados pelos órgãos de controle social e
passam pelo crivo das Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite. Sobre o
repasse, as regiões Norte e Nordeste apresentam maiores percentuais de muni-
cípios que não repassam recursos a ONGs ou entidades privadas da assistência
social.

Gestão e Financiamento
37
CENSOSUAS 2016
0
CAPÍTULO 3
EQUIPAMENTOS

39
A assistência social organiza-se por dois tipos de proteção: a proteção social
básica, definida no artigo 6º-A da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) como
um “conjunto de serviços, programas, projetos e benefícios da assistência social
que visa a prevenir situações de vulnerabilidade e risco social por meio do de-
senvolvimento de potencialidades e aquisições e do fortalecimento de vínculos
familiares e comunitários” e a proteção social especial, definida como “conjunto
de serviços, programas e projetos que tem por objetivo contribuir para a recons-
trução de vínculos familiares e comunitários, a defesa de direito, o fortalecimen-
to das potencialidades e aquisições e a proteção de famílias e indivíduos para o
enfrentamento das situações de violação de direitos”9.

Nesse contexto, os equipamentos da assistência social são as unidades nas quais


os serviços socioassistenciais, programas e projetos são realizados. Essas unida-
des podem ser governamentais ou entidades/Organizações da Sociedade Civil
(OSCs) de assistência social.

A tipificação nacional de serviços socioassistenciais organiza os serviços oferta-


dos conforme seu nível de complexidade, indicando o equipamento recomenda-
do à execução do serviço10. No âmbito da proteção social básica, os atendimen-
tos são prestados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e
pelos Centros de Convivência. No âmbito da proteção social especial, os serviços
são prestados pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social
(CREAS), Centros de Referência Especializados para População em Situação de
Rua (Centros POP), Centros-Dia de Referência para Pessoa com Deficiência e
suas Famílias e pelas Unidades de Acolhimento.

Esta seção apresenta informações a respeito desses equipamentos em 2017 e


sua evolução ao longo do tempo, com base nos resultados dos Censos dos anos
CENSOSUAS 2017

anteriores.

9 LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993 (LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL): DISPÕE SOBRE A
ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. (HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/
LEIS/L8742COMPILADO.HTM)

10 TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/


PUBLICACAO/ASSISTENCIA_SOCIAL/NORMATIVAS/TIPIFICACAO.PDF)
3.1 – CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS

A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) define os Centros de Referência de


Assistência Social (CRAS) como “unidade pública municipal, de base territorial,
localizada em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco social, desti-
nada à articulação dos serviços socioassistenciais no seu território de abrangên-
cia e à prestação de serviços, programas e projetos socioassistenciais de prote-
ção social básica às famílias”.

A quantidade de CRAS vem crescendo no Brasil desde 2010, alcançando a marca


de 8.292 unidades em 2017. O número de municípios com CRAS acompanha
essa tendência de crescimento. Em 2010, 4.720 municípios possuíam CRAS em
seu território e esse número aumentou para 5.512 em 2017, o que representa
98,9% dos 5.570 municípios brasileiros (Gráfico 8).

Gráfico 8. Evolução do quantitativo de CRAS por Grandes Regiões -


Brasil, 2007 a 2017Fonte: MDS, Censo SUAS.
8.088 8.155 8.240 8.292
7.725 7.883
7.475
6.801
5.264 5.323 5.394 5.485 5.503 5.494 5.512
4.720

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Brasil Municípios

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Equipamentos

Ao se observar o número de CRAS por município, levando-se em conta o porte


populacional, verifica-se que 58 municípios do país ainda não possuem unidade
do CRAS, sendo 57 de pequeno porte I e um de pequeno porte II.

Os municípios de pequeno porte I também são maioria dentre os municípios


que possuem apenas um CRAS em seu território. Dos 4.489 municípios com essa
característica, 3.721 são de porte Pequeno I (82,8%).
41
Dentre os municípios de médio porte, cerca de 67% possuem de 2 a 3 CRAS (218
municípios). Já entre os de grande porte, 54%dos municípios possuem de 4 a 6
CRAS. No que concerne às metrópoles, todas contam com mais de 10 CRAS para
o atendimento da população (Gráfico 9).

Gráfico 9. Número de CRAS por município segundo porte populacional


- Brasil, 2017

4.489
3.721

722
711
324

218

203
144
139

58
57

56

50

41

62
18

17

63
35
7
2

1
0
0

0
0

1
0

0
0
0
0
0
Pequeno I Pequeno II Médio Grande Metrópole Brasil
Nenhum CRAS 1 CRAS De 2 a 3 CRAS De 4 a 6 CRAS De 7 a 10 CRAS Mais de 10 CRAS

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Com relação à situação do imóvel onde funciona o CRAS, em 2017, observa-se a


diminuição da utilização de imóveis alugados (36,9%), sendo o primeiro registro
ocorrido em 2013 e aumento do número de CRAS funcionando em imóveis pró-
prios (52,7%). Percebe-se ainda que 10,4% dos CRAS, em 2017, funcionaram
em imóveis cedidos, o que representa um aumento de 1,7 ponto percentual em
relação a 2016 (Gráfico 10).

Gráfico 10. Evolução dos CRAS segundo situação do imóvel – Brasil,


2010 a 2017
46,1% 51,7% 52,7%
48,5% 47,0% 47,7% 48,8%
45,9%
42,8%
CENSOSUAS 2017

39,6%
44,9% 46,4% 47,0% 45,7% 44,8% 36,9%

8,4% 8,7% 10,4%


5,8% 5,8% 5,7% 6,4% 6,0%

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Próprio Alugado Cedido
Fonte: MDS, Censo SUAS.
A acessibilidade é fundamental para que os usuários consigam chegar até os
serviços oferecidos pelos CRAS.

No ano de 2017, as condições de acessibilidade dos CRAS, de acordo com a Nor-


ma da ABNT 9050:2015, tiveram ligeira melhora em relação ao ano anterior.
Observa-se que 36,8% dos CRAS possuem acesso principal adaptado com ram-
pas e rota acessível desde a calçada até a recepção. Quanto à acessibilidade aos
espaços do CRAS, 38,3% das unidades estão de acordo com a Norma da ABNT.

No que concerne à acessibilidade ao banheiro, 39,4% dos CRAS possuem rota aces-
sível e 36,9% possuem banheiros adaptados à pessoa com deficiência (Gráfico 11).

Gráfico 11. Evolução percentual de CRAS segundo condições de


acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT - Brasil, 2010 a 2017

39,4%

39,4%
38,7%

38,7%
38,3%

38,3%
37,8%

37,8%

37,4%

37,4%

36,9%

36,9%
36,9%

36,9%
36,8%

36,8%
35,7%

35,7%
36,2%

36,2%

36,2%

36,2%
34,9%

34,9%
34,7%

34,7%

34,7%

34,7%
34,1%

34,1%

32,8%

32,8%
32,7%

32,7%
31,7%

31,7%

31,7%

31,7%

31,7%

31,7%
31,0%

31,0%
30,4%

30,4%

30,0%

30,0%

29,3%

29,3%
28,9%

28,9%

28,8%

28,8%
27,2%

27,2%

26,7%

26,7%
25,9%

25,9%
25,3%

25,3%

23,7%

23,7%
19,4%

19,4%

Acesso principal adaptado com Rota acessível aos espaços do Rota acessível ao banheiro Banheiro adaptado
rampas e rota acessível desde a CRAS
calçada até a recepção do CRAS
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Equipamentos

O CensoSUAS 2017 apurou que, em imóveis próprios, 75,5%dos CRAS possuem


banheiro adaptado para pessoas com deficiência, 71,6% possuem rota acessível
ao banheiro, 69,6% possuem rota acessível aos espaços do CRAS e 69%, acesso
principal adaptado com rampas e rota acessível desde a calçada até a recepção
do CRAS. Estes números demonstram a preocupação da gestão com a acessibili-
dade dos usuários, considerando ser esta uma condição especialmente necessá-
ria do público usuário do CRAS. Sob a ótica da situação do imóvel, verifica-se que
a maioria dos imóveis com acessibilidade são próprios (Gráfico 12).
43
Gráfico 12. Percentual de CRAS com existência de condições de acessibilidade
de acordo com a Norma da ABNT, segundo situação do imóvel – Brasil, 2017

9,2%
Banheiro adaptado para pessoas com deficiência 15,2%
75,5%

9,2%
Rota acessível ao banheiro 19,2%
71,6%

9,3%
Rota acessível aos espaços do CRAS 21,1%
69,6%

Acesso principal adaptado com rampas e rotas 9,8%


21,2%
acessível desde a calçada até a recepção do CRAS 69,0%

Cedido Alugado Próprio

Fonte: MDS, Censo SUAS.

De acordo com o levantamento do Censo SUAS 2017, 7.972 CRAS possuíam com-
putadores com acesso à internet, o que representa 93,1% do total de centros de
referências no Brasil. Em números absolutos, desde 2010, houve um aumento
de 2.433 CRAS que possuíam computadores conectados à internet (Gráfico 13).

Gráfico 13. Distribuição dos CRAS com computadores com acesso à


internet – Brasil, 2010 a 2017
9.000 100,0%
8.000
95,0%
7.972

7.000
7.835
7.715
7.534

6.000 90,0%
7.201

5.000
6.939

85,0%
81,4% 5.539

87,3% 6.523

4.000
3.000 80,0%
2.000
93,1%

95,1%
91,3%

94,6%
89,8%

96,1%

75,0%
1.000
0 70,0%
CENSOSUAS 2017

% Total

Fonte: MDS, Censo SUAS.

O número de CRAS que atenderam povos e comunidades tradicionais continuou


a crescer em relação aos anos anteriores. Em 2017, dentre os CRAS que atendem
povos e comunidades tradicionais (que possuem este público em sua área de
abrangência), 973 CRAS afirmaram ter realizado atendimentos a comunidades
quilombolas, 658 CRAS atenderam povos indígenas e 655 realizaram atendi-
mentos a comunidades ribeirinhas. Entretanto, dentre os CRAS que afirmaram
ter povos e comunidades tradicionais em sua área de abrangência, 108 respon-
deram não ter atendido (Gráfico 14).

Gráfico 14. Número de CRAS por atendimento a povos e comunidades


tradicionais – Brasil, 2015 e 2017

973
896
880
658

655
615
611
574

563

518
450

420
405

379
330
263
244
241
147
127
108

ND
ND

ND
Não atendeu Povos Comunidade Comunidade Povos Ciganos Povos de Comunidades Outros povos e
Indígenas Quilombola Ribeirinha matriz africana Extrativistas comunidades
tradicionais

ND = informação não disponível para esse ano 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

3.2 – CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA


SOCIAL – CREAS

Os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) são unidades


públicas estatais que ofertam serviços da proteção social especial a pessoas e famí-
lias em situação de risco pessoal ou social e/ou em situação de violação de direitos.

A quantidade de Centros de Referência Especializados de Assistência Social


(CREAS) teve um aumento de 56 unidades em todo o país, de 2016 para 2017,
Equipamentos

passando de 2.521 para 2.577. Todas as regiões foram contempladas com novos
centros de referência, mas o maior incremento se deu na região Nordeste, onde
foram criados 30 novos CREAS em 2017.

Neste mesmo ano, foi observado que, aproximadamente, 38% dos CREAS estão
localizados na região Nordeste, que possui o maior número de CREAS no país,
997. A região Sudeste é a segunda região com mais CREAS, totalizando 717. As
regiões Sul, Norte e Centro-Oeste possuem, respectivamente, 400, 232 e 231
45

CREAS. (Gráfico 15).


Gráfico 15. Evolução do quantitativo de CREAS por Grandes Regiões -
Brasil, 2009 a 2017
2.521 2.577
2.372 2.435
2.167 2.249
2.109

1.590

997
967
930
914
873
848
834

717
712
692
666
617
586

584
556
411

400
392
363
359
342
328
316
268

232

231
228

227
224

223
221

222
219
218

209
196
188
185
182
143

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Verifica-se que, em 2017, 63% dos CREAS exerceram suas atividades em imó-
veis alugados, 28,4% em imóveis próprios e 8,6% em imóveis cedidos.

Ao observar a série histórica, é possível perceber que, ainda que os imóveis utili-
zados pelos CREAS sejam, predominantemente, alugados, desde 2014 esse per-
centual vem apresentando ligeira queda. Se comparada a situação de 2017 com
a do ano de 2014, constata-se que houve uma diminuição de 6,1 pontos percen-
tuais entre os CREAS situados em imóveis alugados (Gráfico 16).

Gráfico 16. Evolução dos CREAS segundo situação do imóvel – Brasil,


2009 a 2017.
66,6% 67,3% 69,1% 69,1% 68,5%
64,0% 65,0% 63,0%

31,2% 27,8% 27,5% 28,4%


27,0% 25,3% 25,0% 25,0%

6,5% 7,5% 8,6%


2,3% 4,3% 4,2% 4,1% 4,1%
CENSOSUAS 2017

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Próprio Alugado Cedido

Fonte: MDS, Censo SUAS.

De acordo com os dados do Censo SUAS de 2017, 28,3% dos CREAS possuí-
am rota acessível aos espaços da unidade de acordo com a Norma da ABNT
9050:2015 – um crescimento de 1,9 pontos percentuais em relação ao ano an-
terior. A presença de banheiro adaptado para pessoas com mobilidade reduzida
e de rota acessível ao banheiro apresentaram aumento de 0,6 e 0,7 pontos per-
centuais, respectivamente.

No que se refere ao acesso principal adaptado com rampas e rota acessível des-
de a calçada do CREAS, pela primeira vez desde 2010 houve redução nos percen-
tuais aferidos. Em 2016, 26,8% dos CREAS tinham o acesso principal adaptado e
em 2017 esse número caiu para 26,4% (Gráfico 17).

Gráfico 17. Evolução do percentual de CREAS segundo aspectos de


acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT – Brasil, 2010 a 2017

28,3%
26,8%

26,4%
26,4%

26,7%
26,0%
26,0%

25,1%

24,3%
23,8%

23,7%

23,4%
22,8%
22,5%

22,1%
21,6%
21,5%
21,7%

20,8%

20,9%
20,0%

20,0%
19,3%
19,3%

17,7%
16,8%

16,7%

15,0%
14,6%
14,4%

13,7%
10,9%

Acesso principal adaptado Rota acessível aos espaços Rota acessível ao banheiro Banheiro adaptado para
com rampas e rota do CREAS pessoas com mobilidade
acessível desde a calçada reduzida (idosos, pessoas
do CREAS com necessidades
especiais, etc.)
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

O Censo SUAS 2017 apurou que, em imóveis próprios, 48,8% dos CREAS pos-
Equipamentos

suem rota acessível aos espaços, 48,6%, possuem rota acessível ao banheiro,
47,5% possuem banheiro adaptado para pessoas com dificuldades de locomo-
ção e/ou necessidades especiais e 46,9% possuem acesso principal adaptado
com rampas e rotas acessíveis desde a calçada até a recepção do CREAS. Neste
sentido, observa-se que em imóveis próprios o atendimento da NBR 9050:2015
é maior que em outras situações, porém o desafio de aprimorar a acessibilida-
de das(os) usuárias(os)os, especialmente com relação a existência de banheiros
adaptados a pessoas com deficiência, bem como o acesso principal, consideran-
47
do as características de grande parte do público que utiliza os serviços do CRE-
AS, ainda é grande e merece atenção (Gráfico 18).

Gráfico 18. Distribuição de CREAS com existência de condições de


acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT, segundo situação do
imóvel – Brasil, 2017

Banheiro adaptado para pessoas com 21,3%


dificuldades de locomoção e/ou necessidades 12,9%
especiais 47,5%

26,7%
Rota acessível ao banheiro 16,9%
48,6%

25,8%
Rota acessível aos espaços do CREAS 19,4%
48,8%

Acesso principal adaptado com rampas e rotas 22,2%


acessíveis desde a calçada até a recepção do 17,7%
CREAS 46,9%

Cedido Alugado Próprio

Fonte: MDS, Censo SUAS.

O quantitativo de CREAS com computadores com acesso à internet vem crescen-


do ao longo dos anos e atingiu a marca de 95,8%, em 2017. Isso significa dizer
que dos 2.577 CREAS espalhados pelo país, 2.469 estão equipados com compu-
tadores com acesso à internet (Gráfico 19).

Gráfico 19. Frequência absoluta e percentual de CREAS com


computadores com acesso à internet - Brasil, 2010 a 2017
100,0% 2.500
CENSOSUAS 2017

2.394 2.469
2.217 2.308
95,0% 2.061
1.927 2.000
90,0% 1.796
1.500
85,0% 1.299
1.000
80,0%
81,4%

85,2%

88,9%

91,6%

93,5%

94,8%

95,0%

95,8%

75,0% 500
70,0% 0
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Percentual Total
Fonte: MDS, Censo SUAS.
3.3 – CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO PARA POPULAÇÃO EM
SITUAÇÃO DE RUA – CENTRO POP

Os Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros


POP) são unidades públicas que oferecem atendimento especializado para a popula-
ção em situação de rua, no âmbito da proteção social especial de média complexidade.

Em 2017, havia no país 227 Centros POP, três a menos do que o total apurado em
2016. As regiões Norte e Nordeste diminuíram em uma unidade cada, de 11 para
10 e de 58 para 57, respectivamente. A região Sul conta com dois Centros POP a
menos em 2017, passando de 46 para 44 unidades.

A região Centro-Oeste manteve suas 13 unidades. A região Sudeste, historicamente,


é a região que possui a maior quantidade de Centros POP e, em 2017, passou a contar
com mais uma unidade, aumentando seu número total de 102 para 103 (Gráfico 20).

Gráfico 20. Evolução do quantitativo de Centros POP segundo


grandes regiões – Brasil, 2011 a 2017
130 215 235 230 227 240
107

103
102

110 190
98

90 131
140
105
64

70 90
59

58

57

90
51
50

46

46

44

50
43

42

40
28
26

30
22
22
21
18

13

13

13
12
11

11

11

10

10 -10
7
6

6
5
2

-10 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 -60


Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
Equipamentos

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Em 2017, em relação à situação dos imóveis utilizados para o funcionamento


dos Centro POP, não houve alteração significativa se comparado aos números de
2016. Permanece a prevalência de utilização de imóveis alugados, com 69,2%,
seguida pelos imóveis próprios, com 25,6% e pelos imóveis cedidos, 5,3%.

Registra-se o pequeno aumento que vem ocorrendo de forma constante desde


49

2014 no uso de imóveis próprios. (Gráfico 21)


Gráfico 21. Evolução da implantação de Centro POP segundo situação
do imóvel (%) – Brasil, 2011 a 2017
64,1% 69,8% 70,6% 68,3% 69,2%
56,7% 56,2%

33,3% 34,3% 29,8%


21,9% 23,4% 25,2% 25,6%
5,6% 7,6% 3,1% 4,2% 6,0% 6,5% 5,3%

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Próprio Alugado Cedido


Fonte: MDS, Censo SUAS.

Se comparado ao ano de 2016, os dados apurados em 2017 revelam melhoria


nas condições de acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT em todas mo-
dalidades aferidas pelo Censo SUAS.

Contudo, a porcentagem de Centros POP com rotas de acessibilidade e banhei-


ros adaptados ainda não é expressiva e é menor do que a apresentada em anos
anteriores, como em 2011. Em 2017, 20,3% dos Centros POP possuíam banheiro
adaptado para pessoas com dificuldades de locomoção, 19,8% contavam com
rota acessível ao banheiro, 19,8% estavam equipadas com rota de acesso aos
espaços do Centro POP e 19,8% tinham o acesso principal adaptado com rampas
e rota acessível desde a calçada do Centro POP (Gráfico 22).

Gráfico 22. Distribuição percentual de Centros POP segundo aspectos


de acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT – Brasil, 2011 a 2017
27,8%
27,8%
25,7%
24,4%

22,3%
22,9%

21,0%

22,2%
20,6%

21,9%

20,3%
20,0%
19,8%

19,8%

19,8%

19,8%
19,1%

18,6%
17,8%
17,7%

17,6%
17,4%
CENSOSUAS 2017

17,0%

16,2%
16,2%
16,1%

15,7%
14,5%

Acesso principal Rota acessível aos Rota acessível ao Banheiro adaptado para
adaptado com rampas e espaços do Centro POP banheiro pessoas com dificuldades
rota acessível desde a de locomoção
calçada do Centro POP
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Fonte: MDS, Censo SUAS.
Em 2017, os Centros POP que funcionavam em imóveis próprios, 41,4% possuem
banheiro adaptado para pessoas com dificuldades de locomoção ou necessidades es-
peciais, com o mesmo percentual, 32,8%, possuem rota acessível tanto ao banheiro
quanto aos espaços do Centro Pop e 31% possuem acesso principal adaptado com
rampas e rotas acessível desde a calçada até a recepção do Centro Pop (Gráfico 23).

Gráfico 23. Percentual de Centros POP com existência de condições de


acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT, segundo situação do
imóvel – Brasil, 2017
Banheiro adaptado para pessoas com 25,0%
dificuldades de locomoção e/ou necessidades 12,1%
especiais 41,4%

25,0%
Rota acessível ao banheiro 14,6%
32,8%

8,3%
Rota acessível aos espaços do Centro Pop 15,9%
32,8%

Acesso principal adaptado com rampas e rotas 16,7%


acessível desde a calçada até a recepção do 15,9%
Centro POP 31,0%

Cedido Alugado Próprio


Fonte: MDS, Censo SUAS.

Em 2017, 88,1% dos Centros POP declararam estarem equipados com computa-
dores com acesso à internet. Percebe-se uma ligeira queda, de 1,5%, em relação
à quantidade verificada no ano anterior (Gráfico 24).

Gráfico 24. Distribuição de Centros POP com computadores com


acesso à internet – Brasil, 2011 a 2017
Equipamentos

203 206 200


100,0% 200
90,0% 167
80,0%
70,0% 150
60,0% 106
50,0% 85 100
40,0% 70
30,0%
50
77,8%

81,0%

80,9%

77,7%

86,4%

89,6%

88,1%

20,0%
10,0%
0,0% 0
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

% Total
51

Fonte: MDS, Censo SUAS.


3.4 – Centro de Convivência

Os Centros de Convivência, juntamente com os Centros de Referência de As-


sistência Social (CRAS), são unidades que executam o Serviço de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos e compõem a Rede de Proteção Social Básica.

Desde 2014, houve uma redução no quantitativo total dos Centros de Convi-
vência. No ano de 2015 existiam 8.086 centros e, em 2017, esse número passou
para 8.041, com especial atenção para o ano de 2016, quando este quantitati-
vo foi de 8.454. Essa redução no número total é um reflexo na diminuição dos
Centros de Convivência nas regiões Nordeste (menos 244 unidades), Sudeste
(menos 160 unidades) e Sul (menos 30 unidades).

Em contrapartida, em 2017, o quantitativo de Centros de Convivência nas regiões


Norte e Centro-Oeste foi superior àqueles apurados no ano de 2016 (Gráfico 25).

Gráfico 25. Evolução do quantitativo de Centros de Convivência por


Grandes Regiões – Brasil, 2014 a 2017
7.882 8.086 8.454
8.041
4.035
3.902

3.875
3.736

2.205
2.003

1.961
1.942

1.456

1.407

1.408

1.378
586
568
550
539

241
238
224
209

2014 2015 2016 2017


Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Os Centros de Convivência podem ser unidades públicas ou vinculadas a en-


CENSOSUAS 2017

tidades de assistência social, inscritas nos Conselhos de Assistência Social do


município ou do DF. O Censo SUAS 2017 apurou que 43,6% dos Centros de Con-
vivência eram governamentais (total de 3.506 unidades) e 56,4% das unidades
eram não governamentais (4.535 unidades) (Gráfico 26).
Gráfico 26. Quantitativo de Centros de Convivência por natureza da
Unidade – Brasil, 2017

42,6% 43,5% 44,7% 43,6%

57,4% 56,5% 55,3% 56,4%

2014 2015 2016 2017

Não Governamental Governamental


Fonte: MDS, Censo SUAS.

Observa-se que 76,8% dos Centros de Convivência não possuíam, em 2017,


qualquer tipo de adaptação relacionada à acessibilidade. Em 14,5% das unida-
des havia algum tipo de adaptação ou tecnologia assistiva para pessoas com
deficiência física.

Quanto à deficiência visual, apenas 1,5% dos Centros possuíam suporte de ma-
terial em braile, 1,2% possuíam suporte para leitores de telas de computador e
4,6% possuíam pisos especiais com relevos para sinalização à pessoa com defi-
ciência visual (Gráfico 27).

Gráfico 27. Percentual dos Centros de Convivência segundo


condições de acessibilidade – Brasil, 2017

Não há adaptações 76,8%


Outras adaptações e tecnologias assistivas para
14,5%
deficiência física
Suporte de profissional com conhecimento em
5,3%
LIBRAS
Pisos especiais com relevos para sinalização
4,6%
Equipamentos

voltados à pessoa com deficiência visual


Outras adaptações e tecnologias assistivas para
2,1%
deficiência intelectual e autismo
Suporte de material em braille 1,5%
Suporte para leitores de telas de computador para
1,2%
pessoas com deficiência visual

Fonte: MDS, Censo SUAS.


53
3.5 – CENTRO-DIA

Centro-Dia é uma unidade pública especializada que atende pessoas com deficiên-
cia e suas famílias, no âmbito da proteção social especial de média complexidade.

No ano de 2017 existiam 1.456 Centros-Dia, localizados majoritariamente na re-


gião Sudeste (61,8%). A região norte apresentou o menor número de unidades
com 0,89% do total. (Gráfico 28).

Gráfico 28. Evolução do quantitativo de Centros-Dia por Grandes


Regiões – Brasil, 2015 a 2017
1456
1340 1345

901
812
776

354
350

316
114

107
97

96
92
84
16

13

13
2015 2016 2017
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Observa-se que, em 2017, não houve alteração significativa nas situações dos
imóveis se comparada com os anos de 2016 e 2015. São utilizados, predominan-
temente, imóveis próprios para as instalações dos Centros-Dia.

Em resumo, 63,8% dos Centros-Dia funcionam em imóveis próprios, 13,5% em


imóveis alugados e 21,1% em imóveis cedidos. (Gráfico 29)

Gráfico 29: Evolução de Centros-Dia segundo situação do imóvel –


CENSOSUAS 2017

Brasil, 2015 e 2017


21,1%
20,0%
20,9%
13,7%

14,9%

13,5%
62,5%

63,3%

63,8%

Próprio Alugado Cedido


2015 2016 2017
Fonte: MDS, Censo SUAS.
Em 2017, mais da metade dos Centros-Dia possuíam condições de acessibili-
dade de acordo com a Norma da ABNT. Foi apurado que 65,7% das unidades
possuíam banheiro adaptado para pessoas com mobilidade reduzida e 63,9%
possuíam rota de acesso ao banheiro.

Quanto à acessibilidade à unidade, constatou-se que 59,1% possuía rota acessível


aos espaços dos Centros-Dia e 57,6% possuía acesso principal adaptado com rampas
e rota acessível desde a calçada até a recepção no interior da unidade (Gráfico 30).

Gráfico 30. Evolução percentual dos Centros-Dia segundo condições


de acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT – Brasil, 2015 e 2017

Banheiro adaptado para pessoas com 65,7%


64,8%
mobilidade reduzida 63,5%

63,9%
Rota acessível ao banheiro 61,3%
61,6%

59,1%
Rota acessível aos espaços da Unidade 56,8%
58,0%

Acesso principal adaptado com rampas e 57,6%


rota acessível desde a calçada até a 54,9%
recepção no interior da unidade 54,1%

2017 2016 2015


Fonte: MDS, Censo SUAS.

Além das condições de acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT, muitos


Centros-Dia possuem outras adaptações direcionadas a usuários com deficiên-
Equipamentos

cias física, visual, intelectual e autismo.

Em 2017, a quantidade de Centros Dia que responderam ao questionário foram 1456


e cerca de 30% das unidades (449) possuíam outras adaptações e tecnologias assisti-
vas para deficiência intelectual e autismo e aproximadamente 28% dos Centros-Dia
(418) possuíam outras adaptações e tecnologias assistivas para pessoas com deficiên-
cia física. No entanto, um número expressivo de unidades não possuía outras adapta-
ções para acessibilidade, correspondendo a 38,9% dos Centros-dia (Gráfico 31).
55
Gráfico 31. Quantidade de Centros Dia segundo outras adaptações
para acessibilidade – Brasil, 2017
Não há outras adaptações 567
Outras adaptações e tecnologias assistivas para deficiência
intelectual e autismo.
449
Outras adaptações e tecnologias assistivas para deficiência
física
418

Suporte de profissional com conhecimento em LIBRAS 377

Suporte de material em braile 219


Suporte para leitores de telas de computador para pessoas
com deficiência visual
159
Pisos especiais com relevos para sinalização voltados pessoa
com deficiência visual
138

Fonte: MDS, Censo SUAS.

O Censo SUAS 2017 demonstrou que, dos Centros Dia que funcionam em imó-
veis próprios, 73,2% possuem Banheiro adaptado para pessoas com deficiência
e/ou mobilidade reduzida, 70,7% possuem Rota acessível ao banheiro, 66,3%
possuem Rota acessível aos espaços da Unidade e 63,9% possuem Acesso prin-
cipal adaptado com rampas e rota acessível desde a calçada até a recepção no
interior da unidade. Entretanto observa-se que nos imóveis cedidos, os percen-
tuais ficam acima de 50% e nos alugados ficam acima de 30%. Estes números
demonstram a preocupação da gestão com a acessibilidade dos usuários deste
tipo de equipamento, considerando ser esta uma característica especialmente
necessária do público usuário. Sob a ótica da situação do imóvel, verifica-se que
a maioria dos imóveis com acessibilidade são próprios (Gráfico 32).

Gráfico 32. Percentual de Centros Dia segundo condição de acessibilidade


de acordo com a Norma da ABNT e situação do imóvel – Brasil, 2017

Banheiro adaptado para pessoas com 59,9%


39,1%
deficiência e/ou mobilidade reduzida
CENSOSUAS 2017

73,2%

59,9%
Rota acessível ao banheiro 37,6%
70,7%

55,0%
Rota acessível aos espaços da Unidade 31,0%
66,3%
Acesso principal adaptado com rampas e 52,1%
rota acessível desde a calçada até a recepção 35,0%
no interior da unidade 63,9%

Cedido Alugado Próprio

Fonte: MDS, Censo SUAS.


3.6 – UNIDADES DE ACOLHIMENTO

As Unidades de Acolhimento são equipamentos que prestam serviços de proteção


social especial de alta complexidade, atendendo pessoas e/ou famílias com víncu-
los familiares rompidos ou fragilizados, ou que estejam em situação de abandono,
ameaça ou violação de direitos, de forma a garantir sua proteção integral.

Em 2017, havia 5.589 Unidades de Acolhimento distribuídas pelas cinco regiões


do país, uma redução de 192 unidades em relação ao ano anterior. A maior con-
centração de unidades no ano de 2017 se deu na região Sudeste, com 2.993, e a
menor na região norte, com 222 Unidades de Acolhimento (Gráfico 33).

Gráfico 33: Evolução do quantitativo de Unidades de Acolhimento


segundo grandes regiões – Brasil, 2012 a 2017
5.554 5.781
5.184 5.589
4.360 4.423

3.061

2.993
2.919
2.739
2.315
2.273

1.253
1.228

1.178
1.145
1.053
999

748

705
697
611
527

495
492

491
486
483

401
398

224

222
218
203
171
163

2012 2013 2014 2015 2016 2017


Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Em 2017, 63,8% das Unidades de Acolhimento eram não governamentais e


36,2% eram governamentais. Considerando a séria histórica, verifica-se que tais
dados repetem o padrão que já vem sendo observado desde 2012 (Gráfico 34).

Gráfico 34. Percentual de Unidades de Acolhimento segundo natureza


Equipamentos

da unidade - Brasil, 2012 a 2017

33,5% 35,4% 34,7% 37,0% 36,8% 36,2%

66,4% 64,6% 65,3% 63,0% 63,2% 63,8%

2012 2013 2014 2015 2016 2017


Não Governamental Governamental
57

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Observa-se que, em 2017, houve melhoria das condições de acessibilidade de
acordo com a Norma da ABNT em todos os critérios apurados.

Em suma, 39,6% das Unidades de Acolhimento possuíam banheiro adaptado


para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida e 44,3% possuíam rota
acessível ao banheiro. Quanto à acessibilidade aos espaços e à unidade, veri-
fica-se que 43,4% possuíam rota acessível aos dormitórios e espaços de uso
coletivo e 36,9% contavam com acesso principal adaptado com rampas e rota
acessível desde a calçada até o interior da unidade (Gráfico 35).

Gráfico 35. Evolução percentual de Unidades de Acolhimento segundo


condições de acessibilidade de acordo com a Norma da ABNT – Brasil,
2015 e 2017

39,6%
Banheiro adaptado para pessoas com deficiência
38,0%
e/ou mobilidade reduzida
35,6%

44,3%
Rota acessível ao banheiro 42,9%
41,4%

43,4%
Rota acessível aos dormitórios e espaços de uso
41,5%
coletivo
40,8%

36,9%
Acesso principal adaptado com rampas e rota
35,4%
acessível desde a calçada até o interior da Unidade
35,5%

2017 2016 2015

Fonte: MDS, Censo SUAS.


CENSOSUAS 2017

Verifica-se que, em 2017, 79,1% das Unidades de Acolhimento eram equipadas


com computadores com acesso à internet. Em relação a 2016, percebe-se um
aumento de 3,2 pontos percentuais (Gráfico 36).
Gráfico 36. Percentual de Unidades de Acolhimento com computadores
com acesso à internet – Brasil, 2012 e 2017
79,1%

75,9%
74,5%
73,7%

70,7%
68,7%

2012 2013 2014 2015 2016 2017


Fonte: MDS, Censo SUAS.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Censo SUAS 2017 analisou 26.182 equipamentos da Assistência Social, sen-


do 8.292 CRAS, 2.577 CREAS, 227 Centros POP, 8.041 Centros de Convivência,
5.589 Unidades de Acolhimento e 1.456 Centros-Dia. Os dados mostraram que
equipamentos como CRAS estão presentes em quase todos os municípios bra-
sileiros e a manutenção da tendência de expansão dos CREAS desde 2011, com
aumento de mais de 460 unidades no período. Também foi observado um cres-
cimento de quase 10% na quantidade de Centros-Dia em todo o território, espe-
cialmente nas regiões Sudeste e Sul.

Além do aumento da presença da Assistência Social em seus vários equipamen-


tos no território nacional, é preciso observar a melhora, mesmo que gradativa,
Equipamentos

nas condições de acessibilidade destes equipamentos. O desafio de melhorar


em ritmo mais célere esta situação permanece, mas já se demonstra alguma
preocupação da gestão em prestar um atendimento de qualidade aos usuários,
especialmente aqueles com maior dificuldade de locomoção, parte significativa
da população que utiliza os serviços da Assistência Social.

A inclusão digital das unidades, sob a ótica do acesso à internet, também evoluiu
no ano de 2017 e mostra-se em tendência de expansão ao longo do tempo.
59
C E N S O S U A SS 22001107
CAPÍTULO 4
RECURSOS HUMANOS
DO SUAS

61
A qualidade da oferta de serviços, programas e benefícios da assistência social
está diretamente ligada a uma adequada gestão do trabalho no âmbito do SUAS.
O dimensionamento das equipes, a capacitação dos profissionais e a estrutura-
ção das condições de trabalho são fundamentais nesse sentido.

Um importante normativo para a gestão do trabalho é Norma Operacional Básica


de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS)11, que traz orientações e diretri-
zes, além de detalhamentos importantes sobre as equipes de referência, planos
de carreira, cargos e salários, cofinanciamento, educação permanente, entre ou-
tros aspectos relevantes.

Esta seção apresenta um panorama geral da situação das trabalhadoras e traba-


lhadores do SUAS, tanto nos equipamentos da assistência social quanto nas ges-
tões municipais e estaduais, apresentando informações sobre quantitativo, tipo
de vínculo trabalhista, escolaridade, entre outros aspectos referentes à gestão
do trabalho, e sua evolução ao longo dos anos.

4.1 – TRABALHADORES NAS SECRETARIAS ESTADUAIS DE


ASSISTÊNCIA SOCIAL

A tendência de redução da quantidade de trabalhadores nas Secretarias Esta-


duais de Assistência Social em ritmo acentuado foi mantida em 2017, como ve-
rificado na última edição do Censo SUAS. Em 2016, eram 10.359 profissionais,
considerando trabalhadores lotados na sede do órgão gestor e nas unidades
públicas que ofertam serviços socioassistenciais, sendo que, em 2017, foram
registrados somente 4.722 trabalhadores (se considerarmos os dados de órgão
gestor e serviços, o total é de 11.096 trabalhadores. A comparação está sendo
feita de forma indevida). Se compararmos desde 2015, ano em que se observou
CENSOSUAS 2017

uma tendência de manutenção deste quantitativo, temos em 2017 uma redução


de aproximadamente 65% desta força de trabalho nas Secretarias Estaduais.
(Gráfico 37).

11 NOB-RH/SUAS: ANOTADA E COMENTADA (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/PUBLICACAO/ASSISTENCIA_


SOCIAL/NORMATIVAS/NOB-RH_SUAS_ANOTADA_COMENTADA.PDF)
Gráfico 37. Evolução da quantidade de trabalhadores nas Secretarias
Estaduais de Assistência Social - Brasil, 2010 a 2017
19.785
17.506 16.742
14.742 13.713 13.617
10.359
4.722

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Nota-se em 2017, uma tendência da alteração da modalidade de contratação


dos trabalhadores das Secretarias Estaduais de Assistência Social: 52% dos tra-
balhadores eram estatutários (2.460 trabalhadores) e 32% (1.528 trabalhado-
res) comissionados. Proporcionalmente às demais categorias, esses percentuais
são superiores aos observados em 2016, já que houve redução (seria bom in-
formar de quanto foi a redução em relação de 2016 para 2017) significativa da
quantidade de celetistas (havia, em 2017, 205 trabalhadores celetistas lotados
na sede da Secretaria Estadual de Assistência Social) e de trabalhadores com
outros vínculos (529 trabalhadores) (Gráfico 38).

Gráfico 38. Percentual de trabalhadores nas Secretarias Estaduais de


Assistência Social, segundo tipo de vínculo – Brasil, 2010 a 2016

10,1% 10,5% 14,0% 11%


18,9% 21,6% 17,1%
26,9%
18,6% 19,1%
21,6%
23,8% 32%
Recursos Humanos do SUAS
21,7% 17,2%
22,5% 16,5% 15,9%
6,5% 14,7% 10,9% 4%
0,8% 16,4%

49,7% 54,8% 54,5% 52,9% 49,7% 48,2% 52%


44,8%

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Estatuários Celetistas Comissionados Outros vínculos

Fonte: MDS, Censo SUAS.

A tendência de melhor qualificação educacional dos trabalhadores lotados nas Se-


cretarias Estaduais de Assistência Social manteve-se em 2017: neste ano, 55,5%
tinham nível superior, maior índice verificado na série histórica. É importante tam-
63

bém verificar a redução para bem menos da metade dos trabalhadores (proporcio-
nalmente) com ensino fundamental, quando comparado, por exemplo, com o ano
de 2012, quando este percentual chegou a 24,4% dos trabalhadores. Em 2017,
somente 9,6% dos trabalhadores tinham nível fundamental (Gráfico 39).

Gráfico 39. Percentual de trabalhadores nas Secretarias Estaduais de


Assistência Social, segundo escolaridade – Brasil, 2010 a 2017

26,3% 33,2% 31,8% 34,3% 40,0% 40,8% 43,8%


55,5%

52,7% 42,8% 43,9% 45,9% 40,5% 42,6% 39,4%


34,8%

21,6% 24,0% 24,4% 19,8% 19,6% 16,6% 16,8% 9,6%


2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior
Fonte: MDS, Censo SUAS.

4.2 - TRABALHADORES NAS SECRETARIAS MUNICIPAIS DE


ASSISTÊNCIA SOCIAL

Em 2017, as Gestões Municipais informaram ter 239.262 trabalhadores exercendo


funções/atividades ligadas à assistência social (inclusive aqueles lotados nas uni-
dades públicas). O número manteve-se praticamente estável em relação a 2016,
interrompendo a tendência de redução verificada nos últimos anos. (Gráfico 40).

Gráfico 40. Evolução da quantidade de trabalhadores nas Secretarias


Municipais de Assistência Social - Brasil, 2010 a 2017

245.239 256.858 244.478


232.085 243.136 239.815 239.262
220.730
CENSOSUAS 2017

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

1 2 3 4 5 6 7 8

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Os trabalhadores estatutários na gestão municipal representavam 38% do total


em 2017, praticamente o mesmo verificado em 2016. Proporcionalmente, hou-
ve um pequeno aumento no percentual de trabalhadores comissionados e redu-
ção dos trabalhadores celetistas, retornando a um patamar similar ao verificado
antes de 2014 (Gráfico 41).

Gráfico 41:  Percentual de trabalhadores nas Secretarias Municipais


de Assistência Social, segundo tipo de vínculo – Brasil, 2010 a 2017

31,1% 35,4% 35,9% 36,7% 37,0% 36,6% 34,6% 34,5%

17,5% 15,7% 16,7%


17,2% 15,2% 16,8% 16,9% 16,4%
12,8% 12,9% 11,6% 10,8%
13,5% 10,7% 11,0% 10,8%

38,6% 34,0% 35,9% 35,8% 35,1% 36,2% 38,1% 38,0%

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Estatuários CLT Comissionados Outros vínculos

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Com relação a escolaridade dos trabalhadores das Secretarias Municipais de


Assistência Social, verifica-se melhora na qualificação educacional. Em 2017 os
trabalhadores estatutários com nível de escolaridade fundamental eram somen-
te 16,5% e os de outros vínculos 14% (Gráfico 42).

Gráfico 42: Percentual de trabalhadores nas Secretarias Municipais de


Assistência Social, segundo tipo de vínculo e escolaridade – Brasil, 2017 Recursos Humanos do SUAS

14,0% 30,5%
55,4%

8,4% 46,0%
45,6%
15,2%
38,2%
46,6%

16,5% 43,8%
39,7%

Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior


Estatuário CLT Comissionados Outros vínculos

Fonte: MDS, Censo SUAS.


65
4.3 – TRABALHADORES DOS CENTROS DE REFERÊNCIA DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL – CRAS

Em 2017 foram registrados 95.967 trabalhadores nos CRAS. Este número é o


maior da série histórica, revertendo a tendência de redução desta força de tra-
balho verificada desde 2014. Comparando-se com 2016, houve um incremento
junto aos CRAS de quase 7.000 trabalhadores (Gráfico 43).

Gráfico 43. Evolução da quantidade de trabalhadores dos CRAS -


Brasil, 2010 a 2017
95.325 91.965 89.038 95.967
68.275 75.241
51.692 59.107

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Fonte: MDS, Censo SUAS.

No que se refere à quantidade de trabalhadores segundo a função que exerciam


nos CRAS, em 2017 27.097 profissionais atuavam como Técnicos de nível supe-
rior (28,2% do total) e 18.921 como Educadores Sociais (19,7% do total). Entre
as funções categorizadas, as menos observadas foram a de estagiário, com 2.208
trabalhadores (2,3% do total) e de cadastrador, com 3.442 trabalhadores (3,6%
do total). A função de coordenador era exercida por 7.920 profissionais em 2016
(8,3% do total). Importante observar que, em números absolutos, as principais
funções operacionais tiveram incremento de profissionais em 2017 (Gráfico 44).

Gráfico 44. Quantidade de trabalhadores por CRAS segundo a função


exercida - Brasil, 2017
CENSOSUAS 2017

Técnico(a) de Nível Superior 27.097


Educador(a) Social 18.921
Outros 10.941
Apoio Administrativo 9.328
Serviços Gerais 9.819
Coordenador(a) 7.920
Técnico(a) de Nível Médio 6.291
Cadastrador(a) 3.442
Estagiário(a) 2.208

Fonte: MDS, Censo SUAS.


4.4 - TRABALHADORES DOS CENTROS DE REFERÊNCIA
ESPECIALIZADOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CREAS

Quanto a equipe de recursos humanos dos CREAS, houve um pequeno acréscimo


no quadro de trabalhadores das unidades no ano de 2017, passando de 22.680
em 2016 para 22.831 em 2017, o que demonstra uma tendência de estabiliza-
ção deste quadro, como verificado desde 2014 (Gráfico 45).

Gráfico 45. Evolução da quantidade de trabalhadores dos CREAS -


Brasil, 2010 a 2017

22.288 22.680 22.831


22.082
20.938
19.876
18.265

14.575

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

1 2 3 4 5 6 7 8

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Recursos Humanos do SUAS

A Assistência Social é a formação profissional do maior número de trabalhadores


dos CREAS desde 2012. Em 2017, 27,3% (6.197) dos trabalhadores dos CREAS
eram assistentes sociais, um aumento de 133 profissionais em relação ao ano
anterior e 19,6% (4.443) eram psicólogos, aumento de 67 trabalhadores.

Observa-se também que o número de profissionais sem formação profissional


apresentou um pequeno aumento em 2017. Desde 2012 o número desse tipo de
profissional vinha diminuindo sucessivamente (Gráfico 46).
67
Gráfico 46. Quantidade de trabalhadores dos CREAS, segundo
formação profissional - Brasil, 2012 a 2017
199
206
Administrador 216
147
136
114

1.271
1.339
Pedagogo 1.330
1.328
1.302
1.401

1.368
1.372
Outra formação de nível superior* 1.344
1.188
1.198
1.137

1.661
1.565
Advogado 1.569
1.503
1.373
1.245

3.792
3.865
Profissional de nível médio 3.674
3.288
2.982
2.623

3.900
3.893
Sem formação profissional 4.076
4.233
4.273
4.280

4.443
4.376
Psicólogo 4.284
4.160
3.907
3.723

6.197
6.064
Assistente Social 5.795
5.420
5.006
4.713

2017 2016 2015 2014 2013 2012

Fonte: MDS, Censo SUAS.


(*) A categoria engloba os outros profissionais de nível superior, incluindo terapeuta
ocupacional, antropólogo, economista, analista de sistema, programador, sociólogo,
fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiro, médico e cientista político.
CENSOSUAS 2017

Desde 2012 a maior parte dos trabalhadores dos CREAS eram técnicos de nível
superior: em 2012 eram 8.919 trabalhadores (44,9% do total) e em 2017 eram
10.879 (47,6%). Em 2017, a função de educador social era exercida por 2.605
trabalhadores (11,4% do total), a função apoio administrativo era exercida
por 2.462 trabalhadores (10,7%), enquanto a função Coordenador por 2.415
(10,5%).
A função exercida pelo menor quantitativo de trabalhadores em 2017 foi a de
técnico de nível médio (117 trabalhadores ou 0,5% do total), que é também a
função que vem apresentando maior índice de redução ao longo dos anos. Em
2012, havia 890 trabalhadores cuja função era técnico de nível médio, 773 tra-
balhadores a mais do que o número apurado em 2017 (Gráfico 47).

Gráfico 47. Quantidade de trabalhadores dos CREAS segundo a


função exercida – Brasil, 2012 a 2017
1.579 1.740 1.893
1.480
480 501 500 467
1.353
530 1.893 1.949 1.958 1.993
1.692
535 1.785
1.466 2.264 2.308 2.415 2.462
2.321 322 117
1.004 605
1.907
930
890

10.526 10.636 10.879


10.248
8.919 9.659

2.437 2.510 2.620 2.605


2.377 2.168

2.083 2.192 2.276 2.310 2.366 2.415

2012 2013 2014 2015 2016 2017

Outros Estagiário(a)

Serviços Gerais (limpeza, conservação, motoristas, etc.) Apoio Administrativo

Técnico(a) de nível médio Técnico(a) de nível superior

Educador(a) Social Coordenador(a) Recursos Humanos do SUAS


Fonte: MDS, Censo SUAS.

4.5 - TRABALHADORES DOS CENTROS POP

A quantidade de trabalhadores dos Centros POP vinha numa linha crescente


desde 2011, alcançando seu maior número no ano de 2016, 3.116 colaborado-
res. Em 2017, contudo, verificou-se um total de 2.988 profissionais trabalhando
nos Centros POP o que representa uma queda de 128 trabalhadores (Gráfico 48).
69
Gráfico 48. Evolução da quantidade de trabalhadores dos Centros
POP - Brasil, 2011 a 2017
3.028 3.108 3.116 2.988

1.636 1.914
1.187

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Em 2017, dos 2.988 trabalhadores dos Centros POP, 1.328 (44,4% do total) es-
tavam na categoria “sem formação profissional/ sem informação”, enquanto 277
(9,3%) eram profissionais de nível médio. Entre as formações profissionais de
nível superior detalhadas, havia 580 assistentes sociais (19,4% do total), 311
psicólogos (10,4%) e 89 pedagogos (3,0%) (Gráfico 49).

Gráfico 49. Quantidade de trabalhadores dos Centros POP, segundo


formação profissional – Brasil, 2012 a 2017

1.740
1.392
1.328
957

736
614
607
598
590

580

545

513
430

357
346
345

338
325
316
311
307

296
286

277

269
170

165
157
138

108
99
95

89
58
57

55
49
48
46
28
25

Advogado Assistente Social Psicólogo Pedagogo Profissional de Outro Sem formação


nível médio Profissional de profissional/ sem
nível superior* informação
2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.


(*) A categoria “Outro profissional de nível superior” inclui administradores, sociólogos,
terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, economistas, analistas de
CENSOSUAS 2017

sistemas, cientistas políticos, programadores, antropólogos e profissionais de outras formações


de nível superior.

Nos Centros POP, as funções de educador social e técnico de nível superior são
as que possuem o maior número de trabalhadores; as duas funções juntas re-
presentam 54,4% do total de colaboradores. Nota-se, porém, que o número de
trabalhadores nas duas funções sofreu redução entre os anos de 2016 e 2017.
Em 2017, havia 821 educadores sociais, enquanto que em 2016 foram conta-
bilizados 883. Da mesma forma, em 2017 havia 805 técnicos de nível superior,
função que em 2016 totalizava 838 profissionais.

A exemplo do que aconteceu nos últimos dois anos, a função de cadastrador é


que contém o menor número de trabalhadores. Em 2017, verificou-se 12 traba-
lhadores exercendo essa função (Gráfico 50).

Gráfico 50. Número de trabalhadores dos Centros POP segundo a


função exercida – Brasil, 2012 a 2017

821
883
Educador(a) Social 877
829
499
467

805
838
Técnico(a) de nível superior 837
807
489
425

397
406
Serviços Gerais 389
287
165
100

374
355
Outros 320
373
260
266

278
279
Apoio administrativo 265
230
148
150

Recursos Humanos do SUAS


217
223
Coordenador(a) 227
208
131
105

34
75
Técnico(a) de nível médio 108
234
165
89

50
47
Estagiário(a) 72
60
57
34

12
10
Cadastrador(a) 13

2017 2016 2015 2014 2013 2012

Fonte: MDS, Censo SUAS.


71
4.6 - TRABALHADORES DOS CENTROS DE CONVIVÊNCIA

Em 2017, foram registrados 65.305 trabalhadores nos Centros de Convivência.


Se comparado a 2016, houve um aumento de 72 profissionais atuando nas uni-
dades. (Gráfico 51).

Gráfico 51. Evolução da quantidade de trabalhadores dos Centros de


Convivência - Brasil, 2014 a 2017
94.108 65.233 65.305
60.224

2014 2015 2016 2017


Fonte: MDS, Censo SUAS.

Neste mesmo ano, 27.473 trabalhadores dos Centros de Convivência eram empre-
gados celetistas do setor privado (42,1% do total), 7.798 trabalhadores eram ser-
vidores estatutários (11,9%) e 3.892 eram empregados públicos celetistas (6,0%).

Em comparação com o ano anterior, percebe-se uma diminuição de 761 traba-


lhadores cujo vínculo é empregado celetista do setor privado e de 299 trabalha-
dores terceirizados (Gráfico 52).

Gráfico 52. Quantidade de trabalhadores dos Centros de Convivência


segundo tipo de vínculo - Brasil, 2015 a 2017
27.473
Empregado Celetista do Setor Privado 28.234
25.856

7.929
Outro vínculo não permanente 7.911
7.391

7.819
Servidor Temporário 7.667
7.586
CENSOSUAS 2017

7.798
Servidor Estatutário 7.646
6.942

4.961
Voluntário 4.671
4.258

3.892
Empregado Público Celetista - CLT 3.692
3.114

2.807
Terceirizado 3.106
2.941

2.625
Comissionado 2.305
2.136

2017 2016 2015

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Em 2017, dos 61.227 trabalhadores dos Centros de Convivência, 44,2% (27.080)
possuíam nível superior. Destes, 77,4% (20.959) possuíam outros tipos de vín-
culos que não estatutário, CLT ou comissionados.

O mesmo se repete com os trabalhadores de nível médio, que representam


44,5% (27.247) do total de trabalhadores dos Centros de Convivência e tam-
bém possuíam, em sua maioria (78,5%) outros tipos de vínculos, sendo a grande
maioria trabalhadores celetistas do setor privado. (Gráfico 53).

Gráfico 53: Percentual de trabalhadores nos Centros de Convivência,


segundo tipo de vínculo e escolaridade – Brasil, 2017

78,6% 78,5% 77,4%

2,8% 4,5% 4,0%


6,0% 5,5% 6,4%
12,6% 11,5% 12,2%

Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior

Estatuário Empregado Público (CLT) Comissionados Outros vínculos

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Recursos Humanos do SUAS

Em 2017, mais da metade dos trabalhadores dos Centros de Convivência eram


trabalhadores sem formação profissional (28%) ou de nível médio (25,8%). As
duas formações profissionais que apresentam maior representatividade no qua-
dro de funcionários dos Centros de Convivência são a de pedagogia (10,3%) e
de assistência social (7,3%) (Gráfico 54). Não foram verificadas variações ex-
pressivas desde o ano de 2015.
73
Gráfico 54. Formação profissional dos trabalhadores dos Centros de
Convivência - Brasil, 2015 a 2017
8
Cientista Político 10
10

43
Programador 26
42

33
Antropólogo 39
34

58
Economista 60
55

90
Médico 80
80

192
Analista de Sistema 89
107

95
Sociólogo 98
101

140
Enfermeiro 157
195

207
Nutricionista 186
174

206
Terapeuta Ocupacional 218
214

275
Advogado 262
232

342
Fisioterapeuta 367
381

886
Administrador 828
895

2.617
Psicólogo 2.626
2.592

4.741
Assistente Social 4.463
4.235
CENSOSUAS 2017

6.710
Pedagogo 6.378
6.451

9.487
Outra formação de nível superior 9.449
9.528

16.850
Profissional de nível médio 17.362
17.510

18.247
Sem formação profissional 18.517
17.388

2017 2016 2015

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Quanto a função exercida pelos trabalhadores dos Centros de Convivência em 2017,
18.694 trabalhadores dos Centros de Convivência exerciam a função de educador so-
cial (28,6% do total) e 10.019 de serviços gerais (15,3%). Havia 7.152 coordenadores,
o que representava 11% do total de trabalhadores. A função com o menor número de
trabalhadores foi a de estagiário (1.251 trabalhadores ou 1,9% do total) (Gráfico 55).

Gráfico 55. Quantidade de trabalhadores dos Centros de Convivência


segundo a função exercida - Brasil, 2015 a 2017

Educador(a) Social 18.694


Outros 14.592
Serviços Gerais 10.019
Técnico(a) de nível superior 9.005
Coordenador(a) 7.152
Apoio Administrativo 4.591
Estagiário(a) 1.251

Fonte: MDS, Censo SUAS

4.7 - TRABALHADORES DOS CENTROS-DIA

Em 2017, foram registrados 25.978 trabalhadores nos Centros-Dia, 827 a mais


que em 2016.

Quando se observa a distribuição de trabalhadores por grande região, verifica-se


que em 2017 havia 14.757 trabalhadores na região Sudeste (56,8% do total),
5.949 na região Sul (22,9%), 2.679 na região Nordeste (10,3%), 2.395 na região
Recursos Humanos do SUAS
Centro-Oeste (9,2%) e 198 na região Norte (0,7%). Entre 2016 e 2017 foi verifi-
cado aumento de 896 trabalhadores na região Sul (Gráfico 56).

Gráfico 56. Evolução da quantidade de trabalhadores dos Centros-


Dia, segundo grandes regiões - Brasil, 2015 a 2017
25.978 30.000
25.151
22.484 25.000
14.800

14.757
13.449

20.000
15.000
5.949
5.053
4.979

10.000
2.679
2.602

2.469

2.395
2.200
1.607

5.000
249

227

198

0
2015 2016 2017
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
75

Fonte: MDS, Censo SUAS.


A maior parte dos trabalhadores nos Centros-Dia eram empregados celetistas do
setor privado: em 2016 eram 56,1% do total e em 2017 eram 55,1% do total. O
tipo de vínculo com o segundo maior percentual de trabalhadores foi o de servi-
dores estatutários: eram 12,9% do total em 2016 e 11,9% em 2017.

Acompanhando a série histórica, o tipo de vínculo com menor número de traba-


lhadores é o de voluntários, com 2,5% do total, em 2017. (Gráfico 57).

Gráfico 57. Percentual de trabalhadores dos Centros-Dia segundo


tipo de vínculo - Brasil, 2015 a 2017
0,7%

20
11,9% 9,2% 10,0% 2,5% 6,7% 3,9% 55,1%
17

0,7%

20
12,9% 7,9% 9,4% 2,0% 6,2% 4,6% 56,1%
16

0,8%

20
13,8% 6,3% 9,5% 1,7%6,4% 4,4% 57,1%
15

Servidor Estatutário Empregado Público (CLT)


Outro vínculo não permanente Voluntário
Servidor Temporário Comissionado

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Já em relação a formação profissional dos 25.978 trabalhadores dos Centros-Dia


em 2017, 4.213 profissionais tinham a formação profissional de pedagogo, o
maior número entre as formações de nível superior categorizadas. Na sequência
aparecem os profissionais de nível médio (4.084 pessoas), os psicólogos (1.688
trabalhadores) e os assistentes sociais (1.663 trabalhadores) (Gráfico 58).
CENSOSUAS 2017
Gráfico 58. Quantidade de trabalhadores dos Centros-Dia segundo
formação profissional – Brasil, 2015 a 2017
1.042
Não informado 6.819
764

5.115
Outra formação de nível superior* 4.233
4.620

5.324
Sem formação profissional 3.555
4.483

4.213
Pedagogo 3.315
3.823

4.084
Profissional de nível médio 2.584
3.524

1.688
Psicólogo 1.267
1.477

1.663
Assistente Social 1.096
1.343

1.202
Fisioterapeuta 1.008
1.088

755
Terapeuta Ocupacional 605
654

302
Médico 236
239

232
Administrador 188
198

197 Recursos Humanos do SUAS


Enfermeiro 134
138

161
Nutricionista 111
133
2017 2016 2015

Fonte: MDS, Censo SUAS.


(*) A categoria “Outra formação de nível superior” inclui advogados, antropólogos, economistas,
analistas de sistemas, programadores, sociólogos, cientistas políticos, e profissionais de outras
formações de nível superior.
77
4.8 - TRABALHADORES DAS UNIDADES DE ACOLHIMENTO

A quantidade de trabalhadores das Unidades de Acolhimento vem crescendo


desde 2013 e, em 2017, alcançou o número de 90.041 profissionais, 657 a mais
do que o quantitativo existente no ano anterior (Gráfico 59).

Gráfico 59. Evolução da quantidade de trabalhadores das Unidades


de Acolhimento - Brasil, 2012 a 2017

89.384 90.041
83.824
75.613
67.026
59.086

2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Em 2017, 29.354 trabalhadores das Unidades de Acolhimento (32,6% do total)


eram profissionais de nível médio. O número de trabalhadores com essa for-
mação diminuiu em relação a 2016: passou de 43.669 trabalhadores em 2016
(48,9% do total) para 29.354 (32,6%) em 2017. O contrário foi observado em
relação aos trabalhadores sem formação profissional, segunda maior categoria:
CENSOSUAS 2017

em 2016 eram 24.692 trabalhadores (27,6% do total) e em 2017 eram 39.241


trabalhadores (43,5% do total).

A formação de nível superior com o maior número de trabalhadores foi a de as-


sistente social, com 5.901 trabalhadores, que representavam 6,5% do total em
2017, seguida de psicólogos (3.885 trabalhadores ou 4,3% do total). Ambas for-
mações profissionais de nível superior foram as mais observadas também nos
anos de 2016 e 2015 (Gráfico 60).
Gráfico 60. Quantidade de trabalhadores das Unidades de Acolhimento,
segundo formação profissional – Brasil, 2014 a 2017
1.662 1.712
2.092 2.110
1.944 3.885
3.896
2.078
3.753 5.810 5.901
1.369
1.848 5.610
7.563 7.838
3.212
7.535
4.789

6.159

24.692

39.241
37.538
34.458

20.853 25.366 43.669 29.354

2014 2015 2016 2017


Profissional de nível médio Sem formação profissional
Outra formação de nível superior* Assistente Social

Fonte: MDS, Censo SUAS. Recursos Humanos do SUAS


(*) A categoria “Outra formação de nível superior” inclui advogados, administradores,
analistas de sistemas, antropólogos, cientistas políticos, economistas, fisioterapeutas, médicos,
nutricionistas, programadores, sociólogos, terapeutas ocupacionais e profissionais de outras
formações de nível superior.

A função mais exercida nas Unidades de Acolhimento, nos últimos três anos, foi a
de Cuidador. Em 2017, do total de trabalhadores, 21.019 exerciam essa função. A
função de Serviços Gerais vem apresentando diminuição desde 2015, mas ainda é
a segunda função mais exercida em 2017, com 16.848 trabalhadores (Gráfico 61).
79
Gráfico 61. Quantidade de trabalhadores das Unidades de
Acolhimento segundo função profissional – Brasil, 2015 a 2017
21.019
Cuidador(a) 20.657
20.219

16.848
Serviços Gerais 17.941
19.321

12.363
Técnico(a) de Nível Superior 13.011
12.597

11.779
Outros 9.790
5.853

9.779
Educador(a) Social 9.697
9.809

4.725
Apoio Administrativo 5.438
5.890

5.192
Coordenador(a) 4.131
3.907

4.171
Cozinheiro(a) 3.479
2.260

2.351
Auxiliar de Cuidador(a) 1.853
1.068

1.763
Cuidador(a) Residente 1.731
1.589

1.332
Motorista 1.144
CENSOSUAS 2017

686

258
Estagiário(a) 277
235

87
Diretor(a) 235
390

2017 2016 2015

Fonte: MDS, Censo SUAS


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em 2017 foram registrados pelo Censo SUAS os seguintes quantitativos de


trabalhadores: 95.967 nos CRAS, 22.831 nos CREAS (ou seja, com reforço da
força de trabalho nestes equipamentos), 2.988 nos Centros POP, 90.041 nas
Unidades de Acolhimento e 61.227 nos Centros de Convivência. Para o mesmo
ano, foram contabilizados 239.262 trabalhadores nas Secretarias Municipais
de Assistência Social no país, sendo que a maior parte da força de trabalho da
assistência social nos órgãos gestores estaduais e municipais é composta de
servidores estatutários.

Percebe-se ainda que o nível de escolaridade dos trabalhadores da rede do SUAS


aumentou nos últimos anos, conforme verifica-se pelo acréscimo de profissio-
nais de nível superior em todos os equipamentos. A preocupação com a qualifi-
cação educacional dos trabalhadores é um indicativo de melhoria dos serviços
prestados aos usuários do SUAS.

Recursos Humanos do SUAS


81
C E N S O S U A SS 22001107
CAPÍTULO 5
SERVIÇOS OFERTADOS
PELO SUAS

83
Os programas e serviços prestados no âmbito da política pública de Assistência
Social buscam garantir o acesso a direitos sociais a quem necessita. As famílias
são as unidades de referência para a prestação de serviços socioassistenciais,
que visam a fortalecer sua autonomia e seus vínculos externos e internos. Esses
serviços buscam atender as necessidades básicas da população, por meio de ati-
vidades que promovam melhoria nas condições de vida.

No âmbito do SUAS, a proteção social é dividida em básica e especial, de média


ou alta complexidade, com foco nas famílias, indivíduos e grupos que necessi-
tem. A proteção social básica busca a prevenção dos riscos sociais, enquanto a
especial tem natureza mais protetiva, destinada a indivíduos que já se encon-
tram em situação de risco. A concepção e a implementação dos serviços socioas-
sistenciais são fundamentadas na centralidade da família.

Os benefícios assistenciais, também parte da política de assistência social, cons-


tituem direito dos cidadãos e dividem-se entre Benefícios de Prestação Continu-
ada (BPC), que garante renda a maiores de 65 anos ou à pessoa com deficiência,
e benefícios eventuais, concedidos em casos de nascimento, morte, situações de
vulnerabilidade provisória e de calamidade pública.

A gestão participativa e a descentralização político-administrativa são diretrizes


centrais do SUAS. A União, os estados e os municípios possuem responsabili-
dades estabelecidas para a gestão e prestação dos serviços de assistência so-
cial, em um contexto de cooperação e articulação conjunta de ações, conforme
atribuições previstas na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e na Política
Nacional de Assistência Social (PNAS). Os serviços de caráter regional e os bene-
fícios assistenciais que compõem a política de assistência social se enquadram
nesse modelo de gestão. A PNAS é aplicada de forma integrada a outras políticas
CENSOSUAS 2017

públicas sempre que as ações fugirem do escopo da Assistência Social.

Este capítulo apresenta informações a respeito dos benefícios e dos serviços


prestados ao público-alvo da Assistência Social.
5.1 – SERVIÇOS DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA

Os serviços da proteção social básica são compostos pelo Serviço de Proteção e


Atendimento Integral à Família (PAIF), Serviço de Convivência e Fortalecimento
de Vínculos (SCFV) e pelo Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para
Pessoas com Deficiência e Idosas. Os serviços da proteção social básica buscam
a prevenção de vulnerabilidades e riscos sociais.

5.1.1. - SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA


(PAIF)

O PAIF, segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais12, “consiste


no trabalho social com famílias, de caráter continuado, com a finalidade de forta-
lecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura dos seus vínculos, promo-
ver seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade
de vida. Prevê o desenvolvimento de potencialidades e aquisições das famílias
e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, por meio de ações de
caráter preventivo, protetivo e proativo. O trabalho social do PAIF deve se utilizar
também de ações nas áreas culturais para o cumprimento de seus objetivos, de
modo a ampliar universo informacional e proporcionar novas vivências às famílias
usuárias do serviço. As ações do PAIF não devem possuir caráter terapêutico”. O
PAIF é ofertado nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Serviços ofertados pelo SUAS


Dentre os 8.292 CRAS em funcionamento em 2017, 99,3% realizaram visitas do-
miciliares, 99% fizeram acompanhamento de famílias e 98,7 % encaminharam
as famílias para inserção ou atualização no Cadastro Único. A atividade executa-
da pelo menor percentual de CRAS em 2017 foi a elaboração de Plano de Acom-
panhamento Familiar, atividade realizada por 71,8% dos CRAS (Gráfico 62).

12 TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/


85

PUBLICACAO/ASSISTENCIA_SOCIAL/NORMATIVAS/TIPIFICACAO.PDF)
Gráfico 62. Percentual de CRAS que desenvolveram ações e atividades
no âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família
(PAIF) - Brasil, 2017
Visitas Domiciliares 99,3%
Acompanhamento de famílias 99,0%
Encaminhamento para inserção/atualização de famílias no Cadastro Único 98,7%
Encaminhamento de famílias ou indivíduos para outras políticas públicas … 97,9%
Encaminhamento de famílias ou indivíduos para a rede de serviço socioassistencial 97,8%
Atendimento particularizado de famílias ou indivíduos 97,8%
Acolhida Particularizada realizada por técnico de nível superior 96,6%
Encaminhamento para obtenção de Benefícios Eventuais 96,0%
Acompanhamento dos encaminhamentos realizados 94,6%
Palestras 94,2%
Registro do acompanhamento familiar em prontuário 93,2%
Apoio para obtenção de Documentação pessoal 92,9%
Grupo/oficina com famílias 91,6%
Campanhas ou eventos comunitários 88,4%
Acolhida em Grupo realizada por profissional de nível superior 86,8%
Elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar 71,8%

Fonte: MDS, Censo SUAS.

5.1.2 - SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS (SCFV)

Por sua vez, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), tam-


bém segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, é o “servi-
ço realizado em grupos, organizado a partir de percursos, de modo a garantir
aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com o seu ciclo de vida, a
fim de complementar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de
situações de risco social. Forma de intervenção social planejada que cria situa-
ções desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução
de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território.
Organiza-se de modo a ampliar trocas culturais e de vivências, desenvolver o
sentimento de pertença e de identidade, fortalecer vínculos familiares e incen-
CENSOSUAS 2017

tivar a socialização e a convivência comunitária. Possui caráter preventivo e pro-


ativo, pautado na defesa e afirmação dos direitos e no desenvolvimento de capa-
cidades e potencialidades, com vistas ao alcance de alternativas emancipatórias
para o enfrentamento da vulnerabilidade social”.

Dentre os CRAS em funcionamento em 2017, 86,9% prestavam diretamente


SCFV, o que representa pequeno aumento em relação a 2016. O maior percen-
tual foi registrado em 2013, com 92,6% dos CRAS executando diretamente os
SCFV (Gráfico 63).
Gráfico 63. Percentual de CRAS que executavam diretamente os Serviços
de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - Brasil, 2010 a 2017 13

94%
92% 92,6%
90,9% 91,2%
90%
88,9% 89,1%
88%
86,9%
86% 85,9%
84% 84,1%
82%
80%
78%
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Fonte: MDS, Censo SUAS.

Ao analisar a oferta de Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos


(SCFV) por região, verifica-se que as regiões Norte e Nordeste apresentam os
maiores percentuais de CRAS que o executam, com a totalidade de CRAS atuando
nesse serviço, seguida da região Centro-Oeste. O mesmo ocorre nas faixas etárias
dos idosos. Nas faixas etárias de 0 a 17 anos continua a ocorrer mais atendimento
nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nas faixas etárias de 18 a 59 anos, o
percentual de atendimento entre as regiões é similar, variando de 48,9% a 40,6%
na faixa de 18 a 29 anos, e de 58,3% a 50,7% na faixa de 30 a 59 anos (Gráfico 64).

Gráfico 64. Percentual de CRAS que executam diretamente os serviços


de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, segundo grandes
regiões - Brasil, 2017 Serviços ofertados pelo SUAS
100,0%
100,0%

100,0%
100,0%
95,9%

91,2%
92,9%
88,5%

88,2%
85,9%

84,6%
83,4%

80,0%

76,0%
74,0%
73,3%

73,1%
70,7%

69,0%
65,5%
63,6%
59,8%

58,3%

55,6%

54,6%
54,1%
50,7%
48,9%
48,2%

47,0%

43,0%
42,6%
42,2%

41,0%

40,6%

SCFV 0 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 29 anos 30 a 59 anos Idosos


Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Fonte: MDS, Censo SUAS.

13 OS PERCENTUAIS DOS ANOS DE 2008 A 2010 FORAM RECALCULADOS E CORRIGIDOS EM RELAÇÃO AOS VALORES
87

PUBLICADOS NAS EDIÇÕES DO CENSO SUAS DOS ANOS ANTERIORES.


Os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos podem ser ofertados
nos CRAS ou nos Centros de Convivência.

O percentual de Centros de Convivência que executaram diretamente esses ser-


viços em cada faixa etária de público atendido se manteve praticamente estável
entre 2014 e 2017. O público de 7 a 14 anos foi o que teve o maior percentual de
atendimento em 2017, 73,14% dos 8.041 Centros de Convivência atenderam a
essa faixa etária. Os públicos menos atendidos foram os das faixas etárias de 18
a 29 anos e de 30 a 59 anos, que foram atendidos em apenas 23,94% e 24,91%
dos Centros de Convivência, respectivamente (Gráfico 65).

Gráfico 65. Percentual de Centros de Convivência que executaram


diretamente os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos,
segundo faixa etária atendida - Brasil, 2014 a 2017
70,68%
71,42%
72,0%
73,1%

48,77%
48,22%

49,9%
48,6%

40,7%
38,21%
37,03%

38,2%
30,44%

29,0%
28,1%
25,36%

23,21%

24,9%
23,8%
21,44%
20,78%

23,9%
22,9%
19,54%

0 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 29 anos 30 a 59 anos Idosos


2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Quanto à execução dos serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos


CENSOSUAS 2017

nos Centros de Convivência, por grandes regiões, à exceção da faixa etária de 7 a


14 anos, a região Norte é a que mais presta este serviço. Nesta faixa etária, é no
Nordeste a maior incidência, com 80,6% dos Centros de Convivência atuando. A
faixa de 18 a 59 é a que menos recebe atendimento desse serviço, em todos as
regiões (Gráfico 66).
Gráfico 66. Percentual de Centros de Convivência que executam
diretamente os serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos,
segundo grandes regiões - Brasil, 2017

78,0%
80,6%

73,4%
72,0%

71,0%
69,4%

66,2%

58,5%
52,2%

50,2%
47,3%
44,4%
42,0%

38,8%
35,5%
35,3%

36,5%

34,9%
32,4%
32,2%

27,3%
27,3%
26,8%
27,7%
25,2%

23,5%

21,6%
20,4%

20,7%
18,9%
0 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 29 anos 30 a 59 anos Idosos
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Fonte: MDS, Censo SUAS.

O percentual das 8.041 unidades de Centros de Convivência que promovem


sistematicamente oficinas, em 2017, foi de 91,8%. As atividades recreativas,
palestras, planejamento de atividades e reuniões com grupos de famílias dos
usuários ocorrem em mais de 80% das unidades. Apenas 17,5% relataram pro-
mover sistematicamente atividades de reforço escolar. Menos de 1% não reali-
zam qualquer atividade do serviço de convivência (Gráfico 67).

Gráfico 67. Percentual de unidades de Centros de Convivência que


promoveram atividades do Serviço de Convivência - Brasil, 2017

Oficinas 91,8%
Serviços ofertados pelo SUAS
Atividades recreativas 89,7%

Palestras 87,4%

Planejamento de atividades 84,4%

Reuniões com grupos de famílias dos usuários 82,0%


Visitas domiciliares da equipe técnica da Unidade à família do
74,5%
usuário
Atividades com participação da Comunidade 73,9%

Discussão de casos com outros profissionais da rede 72,6%

Reforço Escolar 17,5%

Não realiza nenhuma das atividades 0,7%

Fonte: MDS, Censo SUAS.


89
5.2 – BENEFÍCIOS EVENTUAIS

Entre os benefícios assistenciais, parte da Política de Assistência Social, estão


os Benefícios Eventuais, que são concedidos em casos de nascimento, morte,
situações de vulnerabilidade provisória e de calamidade pública.

Em 2017, o benefício eventual para pessoas em situação de vulnerabilidade so-


cial foi o mais concedido pelos CRAS, sendo ofertado em 95,1% deles, seguido
pelo benefício eventual em situação de morte, com 77,4%. O benefício eventual
em situação de natalidade e o Benefício Eventual em situação de calamidade
foram concedidos em 62,1% e 56,2% dos CRAS, respectivamente (Gráfico 68).

Gráfico 68. Percentual de CRAS que concederam benefícios eventuais,


por tipo de benefício - Brasil - 2017
95,1%
77,4%
62,1%
56,2%

Benefício Eventual em situação de morte


Benefício Eventual em situação de natalidade
Benefício Eventual em situação de calamidade
Benefício Eventual em situação de vulnerabilidade social

Fonte: MDS, Censo SUAS.


CENSOSUAS 2017

Em relação à concessão de benefícios, observa-se similaridade entre os per-


centuais de CRAS que concedem o Benefício Eventual em situação de vulnera-
bilidade social, variando de 92,54%, na região Nordeste, a 98,53%, na região
Centro-Oeste. No Benefício Eventual em Situação de Morte também há simila-
ridade, com exceção da região Sudeste que está substancialmente abaixo das
outras regiões. O Auxílio Natalidade difere bastante entre as regiões, tendo o
seu menor percentual de concessões no Sudeste e o maior, no Nordeste. Quanto
ao Benefício Eventual em situação de calamidade, a região Sul é onde ocorreu
a maior incidência de concessão do benefício, com 65,38%, e o Centro-Oeste
onde menos foi concedido, com 47,24% do CRAS atuando (Gráfico 69).

Gráfico 69. Percentual de CRAS por concessão de benefícios, segundo


tipo de benefício, segundo grandes regiões - Brasil, 2017

98,53%

97,17%
96,05%
95,70%

95,16%
92,54%
84,20%

83,47%
82,87%
82,35%
80,53%

77,43%

72,06%

69,30%
68,47%

65,38%
62,12%

60,16%

56,22%
55,25%

54,04%
49,79%
47,24%
40,30%

Benefício Eventual em Auxílio Natalidade  Benefício Eventual em Benefício Eventual em


situação de Morte situação de calamidade situação de
vulnerabilidade social
Centro‐Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

5.3 – EQUIPES VOLANTE


Serviços ofertados pelo SUAS
Em 2017, o percentual de CRAS com equipe volante, equipe técnica adicional
(além do número previsto pela NOB-RH/SUAS) específica para deslocamento vi-
sando o atendimento à população em territórios extensos e áreas isoladas, man-
teve-se praticamente estável, em relação a 2016. A região Norte segue sendo a
que tem o maior percentual de unidades de CRAS que possuem equipe volante,
com 32,6%, seguida da região Centro-Oeste, com 28,5%. O Sul é a região em
que menos existem equipes volantes, estando presentes em apenas 5,8% dos
CRAS (Gráfico 70).
91
Gráfico 70. Percentual de unidades de CRAS que possuem equipe
técnica adicional (além do número previsto pela NOB-RH/SUAS)
específica para deslocamento visando o atendimento à população
em territórios extensos e áreas isoladas, segundo grandes regiões -
Brasil, 2011 a 2017
37,0%
35,9%

35,2%
32,6%
31,1%
30,8%

30,6%
29,4%
29,0%

28,5%
28,4%
27,3%
21,6%
21,1%

20,3%

20,3%
20,3%

19,9%

17,1%
16,7%
16,6%

16,4%
15,4%
15,3%
12,0%

10,6%
10,4%

10,4%
10,3%

9,0%
8,9%

8,6%
8,5%

8,1%
6,9%
6,1%
5,8%

5,7%

5,6%
5,4%
5,2%

4,5%
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

5.4 – SERVIÇOS DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL

5.4.1 – SERVIÇOS DE MÉDIA COMPLEXIDADE

A Proteção Social Especial de Média Complexidade organiza a oferta de serviços,


programas e projetos de caráter especializado que requerem maior estruturação
técnica e operativa, com competências e atribuições definidas, destinados ao
atendimento a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por
violação de direitos. É ofertada pelos Centros de Referência Especializados de
Assistência Social (CREAS), pelos Centros de Referência Especializados para Po-
pulação em Situação de Rua (Centro POP), e pelos Centros-Dia.

No nível de Média Complexidade, são ofertados o Serviço de Proteção e Aten-


dimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI); o Serviço de Proteção
CENSOSUAS 2017

Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberda-


de Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade; o Serviço Especializado
em Abordagem Social; o Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com
Deficiência, Idosos e suas Famílias e o Serviço Especializado para Pessoas em
Situação de Rua.
5.4.1.1 - SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO A
FAMÍLIAS E INDIVÍDUOS - PAEFI

O PAEFI é definido na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais como


sendo o “serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou
mais de seus membros em situação de ameaça ou violação de direitos. Compre-
ende atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a preser-
vação e o fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e sociais e para o
fortalecimento da função protetiva das famílias diante do conjunto de condições
que as vulnerabilizam e/ou as submetem a situações de risco pessoal e social”.

As situações de violência ou de violação de direitos para as quais teve mais


CREAS oferecendo atendimento pelo PAEFI em 2017, contando separadamen-
te o atendimento de cada CREAS a cada ciclo de vida do usuário (atendimento
a crianças e adolescentes, atendimento a mulheres adultas, atendimento a ho-
mens adultos e atendimento a idosos), foram as situações de violência psicoló-
gica, de violência física e de pessoas com deficiência vítimas de violência ou de
violação de direitos.

Para as crianças e adolescentes, a situação para a qual mais CREAS ofereceram


atendimento foi a de abuso sexual ou de violência sexual: 2527 de um total
de 2577. No atendimento a mulheres adultas, as situações de violência física e
violência psicológica foram as que tiveram maior número de CREAS oferecen-
do atendimento (2423 e 2414, respectivamente). Já para os homens adultos, a
situação que teve o maior número de CREAS oferecendo atendimento foi para Serviços ofertados pelo SUAS
pessoas com deficiência vítimas de violência ou de violação de direitos (2026
Unidades). Negligência ou abandono foi a situação, em 2418 CREAS, com maior
oferta de atendimento para idosos. (Gráfico 71).
93
Gráfico 71. Número de CREAS que oferecem atendimento pelo PAEFI,
por situações e ciclos de vida do usuário em situação de violência/
violação de direitos - Brasil, 2017
Trabalho infantil 2241 336

Famílias com adolescentes em Cumprimento de Medida


2296 281
Socioeducativa

Tráfico de pessoas 986 879 767 778 1540

Famílias com pessoas adultas em privação de liberdade 1551 1069 908 1288

Exploração sexual 2324 1541 976 1295 215

Famílias com pessoas egressas do sistema prisional 1078 1071 1371 1422

Discriminação em decorrência da orientação sexual 1823 1691 1713 1376 526

Discriminação em decorrência da raça/etnia 1726 1633 1578 1498 768

Família/Indivíduos com pessoas em Serviços de


2045 1258 1153 1515 423
Acolhimento

Situação de rua 1653 1719 1832 1672 485

Abuso sexual/ Violência Sexual 2527 2056 1131 1684 28

Violência patrimonial 1959 618

Pessoas com deficiência vítimas de violência/violação de


2301 2205 2065 2211 92
direitos

Violência psicológica 2508 2414 1534 2364 16

Violência física 2493 2423 1471 2375 20

Negligência ou abandono 2432 2418 29

Crianças e Adolescentes Mulheres adultas Homens adultos Idosos Não atende este tipo de situação

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Do total de 2577 unidades de CREAS existentes em 2017 no Brasil, de 99% a


CENSOSUAS 2017

99,6% delas realizaram as seguintes ações e atividades no âmbito do PAEFI: visi-


tas domiciliares, encaminhamento para o CRAS, acompanhamento individual ou
familiar, encaminhamento para serviços da rede de saúde e encaminhamento de
famílias ou indivíduos para a rede de serviço socioassistencial. As ações e ativi-
dades que tiveram menor número de CREAS realizando-as foram as de orienta-
ção jurídico-social e de grupo ou oficina com famílias ou indivíduos, realizadas
por 74,5% e 70,9% das unidades, respectivamente (Gráfico 72).
Gráfico 72. Percentual de CREAS que desenvolveram ações e atividades
no âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Família
e Indivíduos (PAEIF) - Brasil, 2017
Visitas domiciliares 99,6%

Encaminhamento para o CRAS 99,6%

Acompanhamento individual/familiar 99,6%

Encaminhamento para serviços da rede de saúde 99,2%

Encaminhamento de famílias ou indivíduos para a rede de serviço socioassistencial 99,0%

Elaboração de relatórios técnicos sobre casos em acompanhamento 98,7%

Acolhida Particularizada realizada por técnico de nível superior 98,6%


Encaminhamento para órgãos de defesa e responsabilização (Defensoria Pública, Promotoria,
98,2%
Ministério Público, etc.)
Encaminhamento para o Conselho Tutelar 98,1%

Acompanhamento dos encaminhamentos realizados 97,9%


Encaminhamento de famílias ou indivíduos para outras políticas públicas (educação, habitação,
97,6%
trabalho, etc.)
Elaboração de relatórios técnicos para o sistema de justiça 97,1%

Registro do acompanhamento individual/familiar em prontuário 96,3%

Ações de mobilização e sensibilização para o enfrentamento das situações de violação de direitos 94,8%

Encaminhamento para obtenção de Benefícios Eventuais 94,4%

Encaminhamento para inserção/atualização de famílias no Cadastro Único 91,5%

Palestras 88,9%

Apoio para obtenção de Documentação pessoal 84,8%

Orientação/acompanhamento para inserção no BPC 84,5%

Elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar 78,5%

Orientação jurídico-social 74,5%

Grupo/oficina com famílias ou indivíduos 70,9%

Outros. 8,2%

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Serviços ofertados pelo SUAS

5.4.1.2 – SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ABORDAGEM SOCIAL

O Serviço Especializado em Abordagem Social consiste na identificação, por


equipes de educadores sociais, de pessoas e famílias em situação de risco pes-
soal nos ambientes públicos. Dentre as situações de risco enquadram-se o traba-
lho infantil, situação de rua, uso abusivo de drogas, exploração sexual de crian-
ças e adolescentes, dentre outras.

A abordagem é realizada em praças, feiras, locais de intensa circulação de pes-


soas e com existência de comércio, ruas, prédios abandonados, dentre outros
espaços, e tem por objetivo garantir direitos por meio de inclusão em rede de
95

serviços socioassistenciais e em outras políticas públicas.


De acordo com o Censo SUAS 2017, 2577 CREAS (61,2%) realizaram a aborda-
gem social, sendo 405 (15,7%) com equipes exclusivas para abordagem e 1172
(45,5%) sem equipe exclusiva. Outras 143 unidades (5,5%) não realizaram o
serviço com sua própria equipe. Nestes casos, o serviço é referenciado ao CREAS,
mas ofertado por outra entidade.

Nas regiões, o Centro-Oeste possui o melhor número para percentual número


de CREAS que realizaram a abordagem social sem equipe exclusiva, com 134
(58%), seguidos da região Nordeste, com 485 (48,6%), Norte, com 102 (44%),
Sudeste, com 295 (41,1%) e Sul com 156 (39%) (Tabela 4).

Tabela 4. Quantidade de CREAS que realizam o Serviço Especializado


em Abordagem Social segundo as grandes regiões – Brasil, 2017

 “Não realiza com a


 “Sim, sem equi- equipe deste CREAS,  “Não realiza nem
 “Sim, com equipe
pe exclusiva mas no município existe possui Serviço de
2017 exclusiva para
para Aborda- Serviço de Abordagem Abordagem referen-
Abordagem”
gem” referenciado a este ciado a este CREAS”
CREAS”

Norte 49 102 4 77
Nordeste 180 485 15 317
Sudeste 98 295 96 228
Sul 44 156 16 184
Centro-
34 134 12 51
-Oeste
Brasil 405 1.172 143 857

Fonte: MDS, Censo SUAS.

5.4.1.3 – SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A ADOLESCENTES EM


CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE LIBERDADE
CENSOSUAS 2017

ASSISTIDA (LA) E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE (PSC)

O Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socio-


educativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade
(PSC), segundo definido na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais,
“tem por finalidade prover atenção socioassistencial e acompanhamento a ado-
lescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto,
determinadas judicialmente. Deve contribuir para o acesso a direitos e para a res-
significação de valores na vida pessoal e social dos adolescentes e jovens. Para a
oferta do serviço faz-se necessário a observância da responsabilização face ao ato
infracional praticado, cujos direitos e obrigações devem ser assegurados de acor-
do com as legislações e normativas específicas para o cumprimento da medida”.

O número de CREAS que realizam o Serviço de Proteção Social a Adolescentes em


Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação
de Serviços à Comunidade (PSC) vem crescendo desde 2010, passando de 1.099
unidades de CREAS naquele ano para 2.091 unidades em 2017. O percentual de
CREAS que realizam esse serviço voltou a crescer, chegando a 81,1% em 2017, per-
centual muito similar ao de 2015 (81%), após leve queda em 2016 (Gráfico 73).

Gráfico 73. Número e percentual de CREAS que realizam o Serviço de


Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa
de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) -
Brasil, 2010 a 2017
2500 81,0% 80,0% 85,0%
81,1%
2000 77,8% 80,0%
1500 69,1% 72,0% 73,4% 75,0%
1000 67,9% 70,0%
500 65,0%
1846
1099

1973
1431

1650
1561

2091
2018

0 60,0%
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Quantidade Percentual
Fonte: MDS, Censo SUAS.

Serviços ofertados pelo SUAS


5.4.1.4 – SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA E PESSOAS IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS

O Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência e Pessoas Ido-
sas e suas famílias é definido na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais
como sendo o “serviço para a oferta de atendimento especializado a famílias com
pessoas com deficiência e idosos com algum grau de dependência, que tiveram suas
limitações agravadas por violações de direitos, tais como: exploração da imagem,
isolamento, confinamento, atitudes discriminatórias e preconceituosas no seio da
família, falta de cuidados adequados por parte do cuidador, alto grau de estresse
do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa, dentre outras
97

que agravam a dependência e comprometem o desenvolvimento da autonomia.”


As ações e atividades mais desenvolvidas pelos 1.456 Centros-Dia do país no âmbito
do “Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência e Pessoas Idosas
e suas famílias”, em 2017, foram o encaminhamento para os serviços da rede de saú-
de, o encaminhamento para a rede de serviços socioassistenciais e a orientação sobre
acesso ao BPC, ações e atividades estas que foram desenvolvidas por 93,3% a 96,9%
dos Centros-Dia. Na outra ponta, apenas 25,5% dos Centros-Dia fizeram provimento
de bens materiais, e 52,9% deram orientação sobre tecnologias assistivas (Gráfico 74).

Gráfico 74. Percentual de Centros-Dia por ações e atividades


desenvolvidas no âmbito do “Serviço de Proteção Social Especial para
Pessoas com Deficiência e Pessoas Idosas e suas famílias” - Brasil, 2017

Acolhida e escuta inicial 96,9%

Encaminhamento para os serviços da rede de saúde 95,1%

Encaminhamento para a rede de serviços socioassistenciais 94,5%

Orientação sobre acesso ao BPC 93,3%

Orientação sobre o acesso a outros benefícios 90,7%

Oficinas e atividades coletivas de convívio e socialização 90,6%

Elaboração de relatórios sobre casos em acompanhamento 90,5%


Encaminhamento para órgãos de defesa de direitos (Defensoria
Pública, Ministério Público, Conselho Tutelar etc.)
90,2%

Registro de informações em prontuário 89,8%

Visitas Domiciliares 89,6%

Orientação e apoio para obtenção de documentação pessoal 89,3%

Atividades com a família do usuário 88,3%

Apoio e orientação aos cuidadores familiares 88,2%

Estudo social 85,5%

Encaminhamento para serviços/Unidades das demais políticas públicas 85,1%

Orientação para realização de cadastro no Cadúnico 83,4%

Orientação e apoio nos autocuidados 82,9%


CENSOSUAS 2017

Acompanhamento dos usuários encaminhados para a rede 82,1%

Encaminhamento para política de educação 77,5%

Elaboração de Plano de Acompanhamento Individual e/ou Familiar 74,9%

Mobilização dos usuários para acesso ao serviço 72,4%

Palestras e Oficinas envolvendo a comunidade 64,4%

Orientação sobre tecnologias assistivas 52,9%

Provimento de bens materiais 25,5%

Fonte: MDS, Censo SUAS.


Durante o mês de agosto de 2017, 67.476 adultos com deficiência foram aten-
didos em 86,2% das 1.456 unidades Centro-Dia do país. No mesmo mês, foram
atendidas 40.315 crianças de 7 a 14 anos com deficiência, atendimento reali-
zado em 70,5% das unidades. Entre as crianças de 0 a 6 anos, 23.803 foram
atendidas em 881 Centros-Dia, o que corresponde a 60,5% das unidades. Um
percentual menor de unidades, 51%, realizaram atendimento de idosos com de-
ficiência, atendendo 8.646 idosos nessa condição, e apenas 16,7% das unidades
Centro-Dia atenderam naquele mesmo mês 5.839 idosos sem deficiência, mas
dependentes pela idade (Gráfico 75).

Gráfico 75. Número de pessoas com deficiência e/ou dependência


atendidas nas Unidades Centro-Dia durante o mês de agosto de 2017,
por faixa etária e situação de deficiência ou dependência - Brasil, 2017
Idosos (60 anos ou mais) dependentes pela idade,
5.839
sem deficiência

Idosos (60 anos ou mais) com deficiência 8.646

Adultos (18 a 59 anos) com deficiência 67.476

Adolescentes de 15 a 17 anos, com deficiência 17.444

Crianças de 7 a 14 anos, com deficiência 40.315

Crianças de 0 a 6 anos, com deficiência 23.803

Serviços ofertados pelo SUAS


Fonte: MDS, Censo SUAS.

5.4.2 - Serviços de alta complexidade

Os serviços de Proteção Social Especial de Alta Complexidade são organizados


em diferentes modalidades de equipamentos, conforme o público, e destinam-
-se a famílias e/ou indivíduos afastados temporariamente do núcleo familiar e/
ou comunitários de origem.
99
5.4.2.1 – PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA)

O Plano Individual de Atendimento (PIA) é um instrumento que norteia as ações


a serem realizadas para viabilizar a proteção integral, a reinserção familiar e
comunitária e a autonomia de crianças e adolescentes afastados dos cuidados
parentais e sob proteção de serviços de acolhimento. É uma estratégia de pla-
nejamento que, a partir do estudo aprofundado de cada caso, compreende a sin-
gularidade dos sujeitos e organiza as ações e atividades a serem desenvolvidas
com a criança/adolescente e sua família durante o período de acolhimento14.

As atividades promovidas de forma sistemática pelas 5.589 unidades de aco-


lhimento em 2017, foram: discussão de casos com outros profissionais da rede,
relatado por 88,1% das unidades; elaboração de relatórios técnicos sobre casos
em acompanhamento, relatado por 87,5% das unidades; passeios com usuários,
relatado por 86,5% das unidades; e encaminhamento para retirada de documen-
tos, relatado por 85,7% das unidades. As atividades que tiveram menor percentual
de unidades que relataram que as promoveram sistematicamente foram: realiza-
ção de reuniões com grupos de famílias dos usuários e envio de relatório semestral
para o judiciário (exclusivo para acolhimento de criança ou adolescente), relatadas
por 49,7% e 49,1% das unidades, respectivamente. Em 0,8% das unidades, foi
relata do que não realizam nenhuma das atividades listadas (Gráfico 76).
CENSOSUAS 2017

14 ORIENTAÇÕES TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DO PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA) DE CRIANÇAS E


ADOLESCENTES EM SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO (HTTPS://WWW.MDS.GOV.BR/WEBARQUIVOS/ARQUIVO/ASSISTENCIA_
SOCIAL/ORIENTACOESTECNICASPARAELABORACAODOPIA.PDF)
Gráfico 76. Percentual de Unidades de Acolhimento que promovem
sistematicamente cada tipo de atividade - Brasil, 2017
Discussão de casos com outros profissionais da rede 88,1%

Elaboração de relatórios técnicos sobre casos em


acompanhamento
87,5%

Passeios com usuários 86,5%

Encaminhamento para retirada de documentos 85,7%

Promove contato e a participação da família na vida do


usuário
85,6%

Atendimento psicossocial individualizado 79,8%

Promove atividades com participação da Comunidade 79,2%

Promove a participação das pessoas acolhidas em


serviços, projetos ou atividades existentes na 75,5%
comunidade

Organização e discussão das rotinas das Unidades com


os acolhidos
75,5%

Visitas domiciliares da equipe técnica da Unidade à


família do usuário
73,5%

Atendimento psicossocial em grupos 64,8%

Atendimento psicossocial das famílias das pessoas


acolhidas (orientação familiar)
64,7%

Serviços ofertados pelo SUAS


Palestras / oficinas 62,9%

Acompanhamento escolar 57,1%

Reuniões com grupos de famílias dos usuários 49,7%

Envio de relatório semestral para o Judiciário (exclusivo


para acolhimento de criança/adolescente)
49,1%

Não realiza nenhuma das atividades listadas 0,8%

Fonte: MDS, Censo SUAS.


101
5.4.2.2 - Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora

O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora “organiza o acolhimento de


crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção, em resi-
dência de famílias acolhedoras cadastradas. É previsto até que seja possível o
retorno à família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento para
adoção. O serviço é o responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e acompa-
nhar as famílias acolhedoras, bem como realizar o acompanhamento da criança
e/ou adolescente acolhido e sua família de origem.”15

Em todo Brasil, dos 5.570 municípios, apenas em 272 (4,9%) é prestado o Ser-
viço de Acolhimento em Família Acolhedora. Ainda que quantitativamente es-
teja mais presente em municípios de pequeno porte I, com 136 ocorrências, isso
corresponde a 3,6%% destes. No que se refere aos demais portes, o serviço é
encontrado em 36 municípios de pequeno porte II (3,3%), 24 de médio porte
(3,8%), 60 de grande porte (20,5%) e em 16 metrópoles (94,1%) (Gráfico 77).

Gráfico 77. Número de municípios que possuem Famílias Acolhedoras


segundo porte - Brasil, 2017

272

136

60
36
24 16
CENSOSUAS 2017

Pequeno I Pequeno II Médio Grande Metrópole Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

15 CONFORME TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/


WEBARQUIVOS/PUBLICACAO/ASSISTENCIA_SOCIAL/NORMATIVAS/TIPIFICACAO.PDF)
Dentre as atividades mais desenvolvidas no âmbito do serviço, estão as visitas
domiciliares, a elaboração de relatórios técnicos e o encaminhamento para a
rede socioassistencial ou setorial, ocorrendo em 95,2%, 92,3% e 90,1%, res-
pectivamente. A atividade menos desenvolvida foi a de reunião em grupo com
as famílias de origem, acontecendo em 43% das unidades (Gráfico 78).

Gráfico 78. Percentual de atividades promovidas sistematicamente


pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora - Brasil, 2017

Visitas domiciliares 95,2%

Elaboração de relatórios técnicos 92,3%

Encaminhamento para a rede (socioassistencial ou setorial) 90,1%

Seleção e Preparação das famílias candidatas 89,0%

Atendimento psicossocial individualizado da criança/adolescente 88,2%

Discussão de casos com outros profissionais da rede 86,8%

Identificação da família extensa ou ampliada 85,7%

Acompanhamento na saúde 84,9%

Envio de relatório semestral para o Judiciário 84,6%

Acompanhamento escolar 83,8%

Encaminhamento para retirada de documentos 83,5%

Estudo de caso pela equipe do serviço 83,1%

Viabilização de encontro com a família de origem quando… 82,4%

Atendimento psicossocial individualizado da família acolhedora 81,6%

Capacitação das famílias 81,6%

Atendimento psicossocial individualizado da família de origem 76,8%

Serviços ofertados pelo SUAS


Aproximação supervisionada entre a criança/adolescente e… 76,8%

Atividades de mobilização, tais como anúncios, panfletos, entre… 76,1%

Palestras/oficinas 69,5%

Construção de um plano de acompanhamento da família… 68,0%

Preparação da criança/adolescente para entrada no serviço 67,3%

Construção de um plano de acompanhamento da família de… 66,9%

Reuniões em grupo com as famílias acolhedoras 66,5%

Estudo diagnóstico das crianças/adolescentes para inclusão no… 66,5%

Reuniões em grupo com as famílias de origem 43,0%

Não realiza nenhuma das atividades acima 2,9%

Fonte: MDS, Censo SUAS.


103
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados do Censo SUAS 2017 revelaram que as visitas domiciliares, o acompa-


nhamento de famílias, e o encaminhamento das famílias para inserção ou atua-
lização no Cadastro Único continuam sendo as atividades mais realizadas pelos
CRAS. Em relação a 2016, houve aumento na quantidade de CRAS que prestam
diretamente o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, entretanto
segue aquém do percentual máximo registrado em 2013. Destacam-se as regiões
Norte e Nordeste, onde 100% dos CRAS prestam o SCFV. Ainda referente a este
serviço, as atividades mais desenvolvidas foram oficinas, atividades recreativas
e palestras. Entre os benefícios eventuais prestados, o mais concedido foi o para
pessoas situação de vulnerabilidade social, sendo ofertado em 95,16% dos CRAS.

No âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Família e Indi-


víduos, 99,6% dos CREAS realizaram visitas domiciliares, encaminhamento para
o CRAS e acompanhamento individual ou familiar. Quanto ao Serviço Especiali-
zado em Abordagem Social, 56,5% dos CREAS realizaram tal serviço, sendo que
em todas as regiões aumentou a quantidade de CREAS que não o ofertam. Em
2017, o Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida
Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade
atingiu o seu máximo tanto em percentual, quanto em quantidade, chegando a
81,1% e 2.091 de CREAS ofertando estes serviços.

Nos Centros-Dia, as atividades mais desenvolvidas foram o encaminhamento


para os serviços da rede de saúde, o encaminhamento para a rede de serviços
socioassistenciais e a orientação sobre acesso ao BPC. A faixa etária mais aten-
dida no mês de agosto foi a de 18 a 59, com 67.476 de pessoas atendidas. Nas
Unidades de Acolhimento, a atividade mais desenvolvida nas 5.589 unidades foi
CENSOSUAS 2017

a de discussão de casos com outros profissionais da rede, ocorrendo em 81,1%


delas. A atividade menos desenvolvida foi o envio de relatório semestral para o
Judiciário, ocorrendo em apenas 49,1% das unidades.

Por fim, apenas 4,9% dos municípios contam com o Serviço de Acolhimento em Famí-
lia Acolhedora, estando mais presente, proporcionalmente, nas metrópoles e menos
presente nos municípios de pequeno porte I. As principais atividades desenvolvidas
são as visitas domiciliares, a elaboração de relatórios técnicos e o encaminhamento
para a rede socioassistencial ou setorial, presentes em 90,1% das unidades.
CAPÍTULO 6
PARTICIPAÇÃO SOCIAL
NO SUAS

Serviços ofertados pelo SUAS


105
A participação social é uma das diretrizes estabelecidas pela Constituição Fede-
ral de 1988 para a organização das ações da Assistência Social. Nesse sentido, a
Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS)16, que dispõe sobre a sua organização,
instituiu em seu artigo 16 os Conselhos de Assistência Social em âmbito nacio-
nal, estadual e municipal como instâncias de deliberação colegiada do SUAS,
cuja composição deve ser paritária entre governo e sociedade civil. Os Conse-
lhos integram o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), juntamente com o
governo e as entidades e organizações de assistência social.

A Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) nº 237/200617,


estabelece em seu artigo 3º as competências dos Conselhos de Assistência So-
cial, das quais se destacam: a aprovação da respectiva Política de Assistência
Social, em consonância com a Política Nacional de Assistência Social (PNAS); a
normatização e regulação de ações e prestação de serviços, em conjunto com
a gestão; o acompanhamento, avaliação e fiscalização da gestão de recursos; a
inscrição e a fiscalização das entidades e organizações da assistência social; e
a aprovação da proposta orçamentária dos recursos da assistência social e dos
critérios de partilha dos recursos, dentre outras atribuições. A mesma Resolução
estabelece que na composição dos Conselhos deve haver, além de representan-
tes do governo, representantes da sociedade civil, incluindo usuários, entidades
e organizações de assistência social e entidades de trabalhadores do setor.

Para garantir seu funcionamento adequado, a LOAS, em seu artigo 16, estabe-
lece que os órgãos gestores de assistência social, aos quais estão vinculados os
Conselhos de Assistência Social, devem prover a infraestrutura necessária ao seu
funcionamento, garantindo recursos materiais, humanos e financeiros.

Este bloco apresenta os resultados apurados pelo Censo SUAS para os Conselhos
CENSOSUAS 2017

Municipais e Estaduais de Assistência Social, considerando as dimensões estru-


tura administrativa, dinâmica de funcionamento e composição.

16 LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993: DISPÕE SOBRE A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E DÁ


OUTRAS PROVIDÊNCIAS. (HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/LEIS/L8742COMPILADO.HTM)

17 RESOLUÇÃO CNAS Nº 237, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006. DIRETRIZES PARA A ESTRUTURAÇÃO,


REFORMULAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (HTTP://WWW.MDS.GOV.BR/
CNAS/LEGISLACAO/RESOLUCOES/ARQUIVOS-2006/CNAS%202006%20-%20237%20-%2014.12.2006.DOC/
DOWNLOAD).
6.1 – ESTADOS E MUNICÍPIOS COM CONSELHOS DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL

O percentual de municípios com Conselho Municipal de Assistência Social perma-


nece sempre acima de 90%, com algumas variações entre 2010 e 2017. É importan-
te pontuar que as variações no período analisado não significam necessariamente
redução no número de municípios com conselhos, uma vez que podem ocorrer va-
riações no número de conselhos municipais que respondem ao Censo SUAS.

Ao analisar a série histórica, segundo grandes regiões, verifica-se que em 2017 tan-
to em nível nacional quanto na maioria das regiões foi verificado um aumento no
percentual de municípios com Conselhos Municipais de Assistência Social, exceção
feita apenas à região Sul, com uma pequena redução entre 2016 e 2017(Gráfico 79).

Gráfico 79. Percentual de municípios com Conselhos Municipais de


Assistência Social, segundo grandes regiões – Brasil, 2010 a 2017
98,5%

98,4%
97,9%

97,4%
97,3%

97,2%
97,2%
97,1%
96,9%

96,9%
96,8%

96,6%

96,6%
96,6%

96,6%
96,5%

96,5%
96,3%

96,2%
96,2%
96,1%

96,0%
95,9%

95,8%
95,8%

95,7%
95,7%
95,5%

95,4%
95,1%

94,8%

94,6%
94,4%
94,3%
94,3%
94,2%
93,9%

93,8%

93,8%
93,3%
93,3%

93,0%

93,0%
92,7%

92,6%

92,2%
92,1%
91,4%

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


Participação social no SUAS
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Verifica-se, ainda, que todos os estados possuíam Conselho Estadual de Assis-


tência Social em 2017.
107
6.2 – CARACTERÍSTICAS DOS CONSELHOS MUNICIPAIS E ESTADUAIS
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

6.2.1 – SEDE ESPECÍFICA PARA FUNCIONAMENTO

Em 2017, a quantidade de Conselhos Municipais com sede específica para fun-


cionamento representava mais que a metade dos Conselhos (56,1%). Houve um
ligeiro aumento em relação ao observado em 2016, o que mantém uma tendên-
cia histórica dos conselhos de funcionarem em sede especifica, isto é, ter lugar
regular para funcionamento. Já entre os Conselhos Estaduais houve nova redu-
ção na quantidade de Conselhos que indiciou possuir sede para funcionamento:
em 2014 todos os estados tinham local/ sede específico para funcionamento,
em 2016 88,9% informaram não possuir e, em 2017, eram 77,8% (Gráfico 80).

Gráfico 80. Percentual de Conselhos que possuem local/sede


específico para funcionamento - Brasil, 2014 a 2017
100,0%

96,3%

120,0%
88,9%

77,8%

100,0%
56,1%
55,9%
53,3%

80,0%
48,9%

60,0%
40,0%
20,0%
0,0%
Estadual Municipal
2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.


CENSOSUAS 2017

6.2.2 – PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA

Os recursos específicos são aqueles recursos orçamentários do órgão gestor re-


servados e transferidos regularmente ao conselho para sua manutenção e funcio-
namento. Em 2017, verifica-se redução dos Conselhos Municipais que possuíam
previsão de recursos específicos para sua manutenção e funcionamento (72,9%),
retornando a um patamar similar ao verificado no ano de 2015. Já no caso dos Con-
selhos Estaduais, manteve-se a tendência de queda do percentual de conselhos
com recursos específicos do órgão gestor, chegando em 2017 a 88,9% (Gráfico 81).

Gráfico 81. Percentual de Conselhos por previsão de recursos


específicos do órgão gestor para manutenção e funcionamento dos
Conselhos - Brasil, 2014 a 2017

100,0% 96,3% 92,6% 88,9%

73,0% 77,5% 72,9%


71,0%

2014 2015 2016 2017

Municipal Estadual

Fonte: MDS, Censo SUAS.

6.2.3 – PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

A NOB SUAS 2012, em seu Artigo 18, define o Plano de Assistência Social como
Participação social no SUAS
um “instrumento de planejamento estratégico que organiza, regula e norteia
a execução da PNAS na perspectiva do Sistema Único de Assistência Social
(SUAS)”. Assim, é fundamental que os Conselhos de Assistência Social delibe-
rem sobre o Plano.

Em 2017, 87,6% dos Conselhos Municipais informaram que o município possuía


Plano de Assistência Social (4.744 municípios), e 12,4% (669 municípios) que
não possuíam o PMAS. Já entre os Conselhos Estaduais 70,4% possuíam Plano
Estadual de Assistência Social (19 estados).

Quanto a deliberação sobre os Planos de Assistência Social, 84,9% dos Conse-


lhos Municipais (4.593) e todos os Conselhos Estaduais que possuem o PEAS
109

informaram deliberar sobre estes planos. (Gráfico 82).


Gráfico 82. Percentual de Conselhos Estaduais e Municipais que possuem
e que deliberaram sobre o Plano de Assistência Social – Brasil, 2011 a
2017

2017 70,4%
70,4%

2016 70,4%
74,1%
Conselhos Estaduais

2015 63,0%
77,8%

2014 73,1%
80,8%

2013 65,4%
69,2%

2012 69,2%
69,2%

2011 69,2%
69,2%

2017 84,9%
87,6%

2016 89,9%
92,5%
Conselhos Municipais

2015 89,9%
92,5%

2014 89,9%
92,4%

2013 80,6%
90,9%

2012 87,4%
90,7%

2011 86,2%
89,8%

Delibera sobre o Plano Possui Plano de Assistência Social

Fonte: MDS, Fonte: Censo SUAS.


CENSOSUAS 2017

6.2.4 - INSTÂNCIA DE CONTROLE SOCIAL DO PROGRAMA BOLSA


FAMÍLIA (PBF)

O Conselho é a instância de controle social do Programa Bolsa Família (PBF) e deve


atuar no acompanhamento de todos os componentes do Programa, como: o Ca-
dastro Único para Programas Sociais, a Gestão de benefícios, as condicionalidades,
a fiscalização e as oportunidades de desenvolvimento das capacidades das famí-
lias desenvolvidas ou articuladas pelo município e os programas complementares.
No ano de 2017, 96,3% dos Conselhos Estaduais exerciam o papel de instância
de controle social do Programa Bolsa Família (PBF) (em 2017 o estado da Paraíba
informa não ser a instância de controle social do PBF) e 92,3% deliberaram sobre
os critérios de repasse de recursos para os municípios. Quanto a deliberação sobre
os critérios de repasse de recursos para entidades proposta anual de orçamento
do executivo não houve alteração de procedimentos nos estados no último ano.
Já entre os Conselhos Municipais, 91,8% eram instância de controle social do PBF,
43,8% deliberam sobre os critérios de repasse de recursos para entidades e 67,4%
deliberaram sobre a proposta anual de orçamento do executivo (Gráfico 83).

Gráfico 83. Percentual de Conselhos Municipais e Estaduais segundo


suas atribuições – Brasil, 2017

É a instância de controle social do 14,4%


Programa Bolsa Família 96,3%

Delibera sobre os critérios de repasse


de recursos para os municípios 88,9%
GRÁFICO DIFERENTE
Delibera sobre os critérios de repasse 15,1%
de recursos para as entidades 51,9%

Delibera sobre proposta anual de 30,7%


orçamento do executivo 63,0%
Participação social no SUAS
Municipais

Fonte: MDS, Censo SUAS.

6.2.5 - FISCALIZAÇÃO

O Gráfico 84 abaixo, evidencia que a fiscalização da rede pública e privada pelos


Conselhos Municipais em 2017 teve um comportamento diferenciado segundo
Grande Região geográfica do País. No Norte e Nordeste mais da metade dos con-
selhos (perto de 51% e 58% respectivamente) fiscalizavam a rede pública e
privada. No Sul e no Sudeste quase 60% dos conselhos (57% e 60% respectiva-
111

mente, caso arredondemos os percentuais) fiscalizavam apenas a rede pública.


Percebe-se também que para todas as regiões mais de 5% dos conselhos não
realizam fiscalização alguma, sendo que no Norte e no Sul esse percentual ultra-
passa os 10%.

Gráfico 84. Distribuição percentual de Conselhos Municipais que


fiscalizaram serviços, programas, projetos e benefícios
socioassistenciais do SUAS, segundo grandes regiões - Brasil, 2017

59,7%

56,8%
58,2%
50,8%

45,2%

41,2%
33,9%

33,0%

26,6%
25,6%

11,9%
10,4%

9,0%

8,4%
5,7%
5,4%

5,1%
4,8%

4,7%
3,3%

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste


Não fiscaliza Apenas rede pública Apenas rede privada Rede pública e privada

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Um terço dos conselhos Estaduais não fiscalizavam rede alguma. Porém uma maior
parte, 40,7% fiscalizavam serviços, programas, projetos e benefícios socioassis-
tenciais tanto na rede pública quanto na rede privada, 22,2% supervisionavam
apenas a rede pública, e 3,7% fiscalizavam apenas a rede privada (Gráfico 85).

Gráfico 85: Percentual de Conselhos Estaduais que fiscalizaram


serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais do SUAS
– Brasil, 2017
2017 3,7% 22,2% 40,7% 33,3%

2016 7,4% 25,9% 48,1% 18,5%


0,0%
2015 33,3% 33,3% 33,3%
CENSOSUAS 2017

2014 3,8% 34,6% 34,6% 26,9%


0,0%
2013 34,6% 46,2% 19,2%
0,0%
2012 46,2% 46,2% 7,7%
0,0%
2011 30,8% 42,3% 26,9%

2010 3,7% 22,2% 44,4% 29,7%


Apenas rede privada Apenas rede pública Rede pública e privada Não fiscaliza

Fonte: MDS, Censo SUAS.


6.2.6 COMPOSIÇÃO DOS CONSELHOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS

O levantamento sobre a composição dos Conselhos Municipais e Estaduais de-


monstra que, desde 2014, a paridade entre governo e sociedade civil, prevista
na Lei Orgânica da Assistência Social, vem sendo respeitada. Tanto nos municí-
pios quanto nos estados os conselhos são formados por 50% de membros da
sociedade civil e 50% de representantes governamentais (Gráfico 86).

Gráfico 86. Composição dos Conselhos Municipais e Estaduais - Brasil,


2014 a 2017

50,4%

50,3%

50,2%
50,2%
50,1%

50,1%

50,1%
50,1%
50,1%

50,1%
50,0%

50,0%
50,0%

50,0%
50,0%

50,0%
50,0%

50,0%
50,0%
50,0%

50,0%
50,0%
49,9%
49,9%

49,9%
49,9%
49,9%
49,9%
49,8%

49,8%
49,7%
49,6%

2014 2015 2016 2017 2014 2015 2016 2017


Conselhos Municipais Conselhos Estaduais
Titulares Suplentes Governamentais Sociedade Civil

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Participação social no SUAS

A alternância de representantes da sociedade civil e do governo como presiden-


te dos Conselhos Municipais se mostra prática corriqueira em todas as regiões
do Brasil, com destaque para a região Norte, onde 91,7% dos Conselhos Munici-
pais adotaram essa política de revezamento.

Observa-se que, em relação a 2016, houve aumento na alternância da presidên-


cia entre os representantes do governo e da sociedade civil nas cinco regiões do
país (Gráfico 87).
113
Gráfico 87. Percentual de Conselhos Municipais que têm alternância na presi-
dência entre os representantes do governo e os representantes da sociedade
civil, segundo grandes regiões – Brasil, 2014 e 2017

91,7%

89,8%
89,7%
89,6%

89,5%

87,3%

86,1%
85,0%
84,8%

84,4%
83,4%

82,9%

82,9%
82,7%
82,6%

82,6%
81,5%

81,0%
80,5%

80,2%

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste


2014 2015 2016 2017

Fonte: MDS, Censo SUAS.

Verifica-se ainda que diversas parcelas da sociedade se encontram representa-


das nos Conselhos. Nos Conselhos Municipais, as maiores representações são de
usuários de serviços de proteção social especial, 60,3%, e de beneficiários do
Programa Bolsa Família, 55,9%. Nos Conselhos Estaduais, por sua vez, as maio-
res representações são dos representantes de fórum ou coletivo de usuários,
55,6%, e de associações comunitárias/moradores, 44,4% (Gráfico 88).
CENSOSUAS 2017
Gráfico 88. Representantes de usuários e organização de usuários nos
Conselhos Municipais e Estaduais - Brasil, 2017

Outros 6,2%
22,2%

Representante de Fórum ou coletivo de 41,0%


usuários 55,6%

Representante de Associação 18,7%


comunitária/moradores 44,4%

Usuários de serviços da Proteção Social 60,3%


Especial 22,2%

Usuários de serviços da Proteção Social 26,9%


Básica 29,6%

Beneficiários ou de família de 30,6%


beneficiários do BPC 25,9%

Beneficiários do PBF 55,9%


37,0%

Municipal Estadual

Fonte: MDS, Censo SUAS.

No que concerne à representação de trabalhadores nos Conselhos Municipais e


Estaduais, tem-se que no âmbito estadual há um número maior de representan-
tes da classe trabalhadora atuando junto ao Conselho. Destaca-se a presença de
representantes do CRESS/CFP/outros conselhos de classe em 92,6% dos Conse-
lhos Estaduais.
Participação social no SUAS
Quanto aos Conselhos Municipais, percebe-se que não há destaque para uma
representação em específico. Tanto os representantes de associação/fórum ou
coletivo de trabalhadores, quanto do CRESS/CFP/outros conselhos de classe e
do sindicato de moradores estão presentes em cerca de 30% dos Conselhos
Municipais (Gráfico 89).
115
Gráfico 89. Representantes de trabalhadores nos Conselhos Municipais
e Estaduais - Brasil, 2017

24,7%
Outros
0,0%

Representante de associação/fórum ou coletivo 38,6%


de trabalhadores 33,3%

30,0%
CRESS/CFP/outros conselhos de classe
92,6%

30,1%
Representante de sindicato de moradores
66,7%

Municipal Estadual

Fonte: MDS, Censo SUAS

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo teve por objetivo demonstrar como vem se dando a participação da
sociedade civil na assistência social por meio dos Conselhos Estaduais e Muni-
cipais de Assistência Social. A partir de suas atribuições como responsáveis pela
normatização, disciplina, acompanhamento, avaliação e fiscalização da gestão e
a execução dos serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais, es-
sas instâncias compartilhadas entre representantes da sociedade e do governo
são fundamentais para consolidar o controle social.

Dado de fundamental importância a se destacar é que a composição dos con-


selhos municipais e estaduais observa as premissas estabelecidas pela LOAS
CENSOSUAS 2017

quanto a representantes governamentais e da sociedade civil, usuários e suas


organizações, além dos trabalhadores.

Além do fato de que todos os estados possuem Conselho Estadual de Assistência


Social, merece também destaque o crescimento dos Conselhos Municipais em
todo o território nacional, bem como as atividades de fiscalização exercidas por
estes conselhos, com grande incremento no ano de 2017, principalmente nas
regiões Norte e Nordeste.
Censo SUAS 2017
2017
MINISTÉRIO DO GOVERNO
DESENVOLVIMENTO SOCIAL FEDERAL
Análise dos componentes
sistêmicos da Política Nacional
de Assistência Social

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