Você está na página 1de 3

1. Diferencie Justiça universal de justiça particular.

Para Aristóteles, em sua perspectiva universal, a justiça está tomada em seu


sentido lato. Ou seja, uma manifestação geral da virtude e uma apropriação do
justo à lei, que, embora, também é vista como justa. Logo, a lei ela é justa de
acordo com o seu conteúdo e a pessoa a qual obedece a lei se torna justo por
respeitá-la em seu sentido lato. Por fim, a justiça ela é universal por estar no
campo das virtudes, como a paciência e a caridade que a tipifica e torna única.
Já a justiça particular está vinculada a uma virtude própria, em si mesma. Ela
deriva de um conteúdo específico que não precisa, necessariamente, de um
acréscimo de outra virtude.

2. Explique as ideias de:


a) Justiça Distributiva;
Todavia como a mais alta ocupação da justiça, para Aristóteles, a Justiça
Distributiva, nada mais é que a distribuição de riquezas, benefícios e honrarias.
É a justiça mais sensível existente. A distribuição compreende sempre dois
sujeitos aos quais se a avalia a justa distribuição de bens, e dos bens, que
serão divididos entre tais pessoas. Na visão de Aristóteles, a justa distribuição,
é um justo meio-termo entre duas pessoas e duas coisas. O critério
fundamental para a tal distribuição justa é o mérito. Logo, dar a cada um em
função e de acordo com o seu mérito tipifica a justiça distributiva. A
proporcionalidade, também faz parte da justiça distributiva no que tange a
distribuição de bens e honras.

b) Justiça Corretiva;

Também chamada de diortótica, a justiça corretiva trata-se de uma proporção


aritmética, segundo Aristóteles. Logo, é justa por devolver à pessoa injustiçada
aquilo que foi acrescido a outra beneficiada. Exemplo disso, é usada no campo
penal, no que tange a reparação civil dos danos causados pelo crime. No cível,
pelos contratos de compra e venda.

c) Reciprocidade.

Para alcançar a justiça é preciso ser recíproco, no entanto, a reciprocidade


está ligeiramente ligada a produção. Aristóteles vai dizer, que a reciprocidade
se dá na medida da realidade concreta da produção e da circulação de bens e
serviços que se estabelece certo padrão de reciprocidade.

2. Em que consistem a equidade e a prudência, segundo o texto?

Para Aristóteles, acima da justiça da lei, há a justiça do caso, do bom julgamento de


cada caso concreto, e a essa adaptação do geral ao específico dá ele o nome de
equidade. A equidade vem para sobrepor a ideia da justiça da lei, ela é de certa forma,
superior a essa “lei justa”. Além de se apresentar como um corretivo da justiça legal.
Na prática a equidade faz o papel de corrigir aquilo que passa omisso da lei,
estendendo aquilo que é justo. A equidade na justiça para Aristóteles tem mais haver
com o critério de humildade, ou seja, não está intrínseco somente em ser justo com as
regras e direitos, mas em receber o mínimo do que a justiça pode lhe dar ou
contribuir.
A prudência é a manifestação e aquilo que completa a justiça. Sendo uma virtude
prática, a prudência atenta para a possibilidade de sua concretização e, não do
cumprimento do dever pelo próprio dever. Está ligada a suas implicações, para a sua
prática em face da realidade que se lhe apresenta. “A prudência, para Aristóteles,
melhor se vê não como uma definição abstrata, mas a partir do próprio agir dos
homens prudentes. Tal virtude – que os teólogos medievais passarão a considerar uma
virtude cardial, ao lado da coragem, da temperança e da própria justiça – se revela
como uma consecução em vista das circunstâncias. Assim, não é uma virtude absoluta,
inflexível, mas está, sim, no mesmo contexto da própria equidade, na medida da
flexibilidade da sua mirada dos casos concretos e das situações específicas. Embora a
prudência seja distinta da arte – porque tem em vista a ação –, estão ambas num
campo similar, que contrasta com o da técnica, da ciência, que trata de relações
necessárias.” A prudência, não trata somente do necessário, trata do possível, do
provável. Ao invés de firmar somente na lógica da razão, a prudência trata do razoável.
Logo, o sentido da prudência é o de certa humildade em face da realidade e das
circunstâncias.

Ao se falar de Direito logo vem à mente o critério de Justiça, portanto, há


muitos que consideram os dois como iguais que se relacionam. Mas de certo modo,
não são critérios iguais, pois se pode ter justiça sem a prevalência do direito e vice-
versa. A ideia de Justiça transcende o Direito por ser inerente ao ser humano, são
virtudes e valores que fazem parte da personalidade humana e está presente no
cotidiano dos cidadãos. Logo a ideia de justiça está elencada aos valores como a
liberdade, a igualdade, a fraternidade, a dignidade, a honestidade, entre outros. Já o
Direito é algo histórico criado pelo o homem para a manifestação da justiça,
pacificação social e estabelecimento de regras, normas e princípios que regem a
sociedade.
Ao centralizar a ideia de Justiça, há aqueles que afirmam que o Direito é
a responsabilidade exclusiva do legislador. E, de certo modo, não é bem assim. O que o
legislador faz é criar leis, a responsabilidade de torna-las justas, aplicáveis e eficazes já
não é de sua responsabilidade. A forma de interpretação das leis vai além da sua do
seu conteúdo, está intrinsicamente ligada a visão que o jurista tem dessa lei e de como
ele irá aplica-la. Desse modo, nem sempre a justiça está na lei. No entanto, essa
responsabilidade, digamos civil, não é obra dos legisladores, mas dos juristas que
democraticamente tem visões amplas e abrangentes da lei, tornando-a objetiva e ao
mesmo tempo subjetiva ao enquadrar com os anseios e demandas sociais e jurídicas.
Todavia, ao atentar para as demandas sociais é necessário
estabelecer qual foi a transformação social ocorrida em uma sociedade tomando como
critério a finalidade da Justiça. Em suma, a finalidade do Direito é a realização da
Justiça e a finalidade da Justiça é a transformação social, comumente ligada a uma
concepção de sociedade justa. Logo, segunda a Constituição uma sociedade justa é
aquela sem preconceitos ou quaisquer outros tipos de discriminação seja ela por raça,
sexo, etnia, idade. É uma sociedade livre, solidária, sem pobreza e desigualdades
sociais na qual cidadania e dignidade andam juntas no âmbito social e jurídico.
E quando nos deparamos com a injustiça indevidamente ou nem
tanto culpamos a lei ao dizer que ela e injusta e, necessariamente, a culpa cai toda ao
legislador. Não se deve esquecer que nem sempre os legisladores são os culpáveis pela
lei não ser justa. Lembremos que quem aplica as leis são os operadores do direito.
Diante disso, o seu resultado e consequência, a forma como se dá a sentença está
relacionada como a lei é aplicada. Portanto, a responsabilidade não cai somente ao
legislador, mas aos aplicadores da lei e aos juízes.
Por fim, a finalidade do Direito é a realização da Justiça e a finalidade
da justiça é a transformação da sociedade. A construção de uma sociedade justa, é
aquela que irá priorizar a igualdade, a liberdade e a fraternidade, sem preconceito,
pobreza e desigualdades. A formação de um direito justo, efetivo não é obra apenas
do legislador, mas sim, também de seus operadores. Se ainda não temos uma
sociedade justa é porque falhamos na interpretação e na aplicação dos direitos.

Você também pode gostar