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tidos externos e internos, que a descrição fenomenológica do co­ não no sentido semi-idealista ou idealista.

Esta persuasão natural,


nhecimento humano ressalta conforme a metodologia: Objeto sensí­ espontânea manifesta-se de várias maneiras. Assim, por exemplo,
vel - ato sensível manifestado pelo objeto - faculdade sensitiva quando o homem espontâneo detesta os que andam "com a cabeça
manifestada pelo ato. Fazemo-lo criticamente nesta investigação à nas nuvens" e louva os "assentados" ou "ajuizados", que se dirigem
base dos dados fenomenológicos, chegando assim a juízas críticos pela realidade . . . O pré-gnosiólogo passando, ao chegar a uma
explícitos sobre o valor cognoscitivo dos nossos sentidos. Eles pro­ certa maturidade intelectual, ao nível mais alto do filosofar gnosio­
longam o alcance da reflexão completa na descoberta do real. A uni­ lógico, sendo fiel à sinceridade interior, não perde aquela persuasão
dr.de substancial do nosso eu, como sujeito cognoscitivo sensitivo­ realista em relação ao próprio intelecto, mas a aceita como perfei­
-intelectivo-intuitivo, fundamenta esta continuidade entre os sentidos tamente legitima e fundamental para a continuação ordenada da
e o intelecto. Porém, só o intelecto é capaz de avaliar o conheci­ reflexão filosófica. Há, porém, uma diferença. O homem espon­
mento sensitivo, ressaltando o seu alcance natural, como o faz tam­ tâneo não possui a gnosiologia explícita da capacidade intelectual
bém em relação ao conhecimento próprio, superior, descobrindo para conhecer o real. O seu conhecimento explícito refere-se ordi­
metodicamente o alcance real, que ele possui naturalmente. Assim nariamente às coisas, prevalentemente externas, de que julga, sendo
se impõe a exigência para integrar a primeira dimensão crítica do o conhecimento ela capacidade intelectual apenas implícito. O gno­
conhecimento do real com as duas outras, desenvolvendo ulterior­ siólogo ordenado, concentrando-se sistematicamente sobre os dados
mente o realismo crítico natural, "aurora" do realismo integral. ela consciência intelectual, explicita metodicamente aquela gnosiolo­
gia implícita rudimentar, a atualiza e defende.
39 - A GARANTIA DO VALOR DA SEGUNDA DIMENSÃO Há, pois, um duplo conhecimento da nossa capacidade de co­
CRITICA DO CONHECIMENTO DO REAL nhecer o real: natural e científico. Este conhecimento é natural
quando, conhecendo espontaneamente a verdade, atingimos impli­
Conhecendo o real, experimentamos concreta e intuitivamente citamente a nossa capacidade cognoscitiva. Este conhecimento é
o nosso intelecto na sua presença atuante. Este é o conhecimento cientifico quando refletimos metodicamente sobre o mencionado
existencial concreto de tal ou tal intelecto, isto é, do meu intelecto conhecimento intuitivo e o explicitamos ordenadamente, constituin­
pessoal. Esta experiência intelectual é uma intuição propriamente do assim uma doutrina noética sistemática, a fim de que possamos
dita ou, exatamente, a continuação aprofundada da intuição, carac­ continuar o nosso filosofar com vigor e dialogar frutuosamente com
terizada pela investigação anterior, referente à primeira dimensão as gnosiologias unidimensionais, conforme o método crítico do "dis­
crítica do conhecimento do real. Assim o intelecto pessoal de cada tingue frequenter", para assumir organicamente os seus elementos
um de nós, intelecto reflexivo, capta intuitivamente no seu ato apreen­ válidos ou, como diria Solov'ev, para praticar a "assunção por trans­
sivo ou, melhor, experimenta no próprio ato apreensivo o que ele figuração".
é como faculdade cognoscitiva, alcançando o máximo da infalibili­
dade humana. O intelecto concreto, o intelecto pessoal, atuando re­ É importante que a esta altura concentremos a nossa atenção
flexivamente, descobre, por meio de seu ato apreensivo, a si mesmo perguntando: o que é propriamente o intelecto humano como fa­
como uma facuidade de caráter apreensivo, isto é, como uma fa­ culdade cognoscitiva? Em que consiste exatamente a sua natureza
culdade para conformar-se ao real. cognoscitiva? Consiste na capacidade informativo-criativa, consti­
tuindo o inteligível em virtude de um juízo "sintético a priori" ou
Em seguida, elevando-se deste dado concreto da intuição ao numa capacidade de caráter diferente? Sendo o intelecto autotranspa­
abstrato, num processo noético indutivo, chegamos a conhecer a rente e aberto a si mesmo, o que é que ele capta nesta autotrans­
essência mesma ou a natureza do nosso intelecto como faculdade, parência de si mesmo como faculdade intelectiva?. . . É importante
existente não para criar a realidade inteligível, nem para modificá-la, esta pergunta, insistimos, para que, filosofando sobre o intelecto hu­
mas para conformar-se, para adequar-se às coisas, para apreender, mano, o concebamos exatamente tal qual ele é como poder e não
para captar o real. O homem espontâneo possui a persuasão natu­ o desumanizemos, exagerando ou deprimindo o seu alcance.
ral disso. Somos naturalmente conscientes de que possuímos a ca­
pacidade de conhecer o real e de que esta capacidade consiste em A reflexão fenomenológico-crítica sobre os dados da reflexão
descobrir a realidade, em adequar-se às coisas no sentido realista e completa evidencia claramente que a natureza cognoscitiva do nosso

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