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SERMÃO BÍBLICO

TEMA: VIDA CRISTÃ AUTÊNTICA


SUBTEMA: É PROIBIDO JULGAR
TEXTO: MATEUS 5:17-20

I. PASSAGEM BIBLICA
1 NÃO julgueis, para que não sejais julgados. 2 Porque com o juízo com que
julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão
de medir a vós. 3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu
irmão, e não vês a trave que está no teu olho? 4 Ou como dirás a teu
irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o
argueiro do olho do teu irmão. 6 Não deis aos cães as coisas santas, nem
deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés
e, voltando-se, vos despedacem.

II. INTRODUÇÃO
Continuamos a desenvolver o tema “VIDA CRISTÃ AUTÊNTICA”, baseado em
Mateus capítulos cinco, seis e sete, o famoso sermão do monte, ministrado
pelo nosso Senhor Jesus Cristo. A semana passada terminamos o capítulo seis
aonde Jesus de uma manira extensa trata sobre o cristão e a sua atitude diante
dos bens materiais, do dinheiro e das preocupações da vida. Vimos que o
crente não deve colocar a sua confiança nos seus bens, não deve ter o
dinheiro como deus, mas confiar no Senhor que supre todas as nossas
necessidades. Em Mateus 6:33, Ele diz para buscarmos em primeiro lugar o
reino de Deus e a sua vontade e todas as coisas vos serão acrescentadas.
No capítulo sete, Jesus introduz outros assuntos que também caracterizam
uma vida cristã autentica. A proibição de julgamento entre irmãos (7:1-5), não
dar coisas santas aos cães (6:6), perseverança na oração (7:7-12), o caminho
estreito e o caminho largo (7:13-14), o cuidado com os falsos profetas (7:15-23)
e termina com a parábola do homem prudente e o homem insensato (7:24-
28).Cabe a nos falar sobre a proibição de julgarmo-nos uns aos outros e a
parábola das coisas santas nos versos que acabamos de ler.
III.OBSERVAÇÃO DO TEXTO

III.1. Não é possível o homem não julgar


O texto começa com a frase no modo imperativo, onde Jesus proíbe
categoricamente o julgamento entre irmãos. “Não julgueis”. A palavra grega
traduzida de onde se originou a palavra julgamento usada é ΚΡΊΝΩ, KRINŌ,
que significa “distinguir, decidir (mental ou judicialmente), tentar, condenar ou
punir. Porem, a pergunta que se coloca é: é possível o ser humano ter uma
vida cristã autêntica sem exercer julgamento sobre o seu próximo, as suas
atitudes e o meio ao ser redor? A resposta certa é não. É impossível. Seria um
atentado a mente cuja função principal consiste refletir e exercer juízo ou
julgamento sobre tudo e todos ao nosso redor. Aliás, várias passagens nas
escrituras sagradas encorajam o verdadeiro cristão e exercer julgamento sobre
tudo o que acontece ao seu redor. Por exemplo, em 1 Tessalonicenses 5:21,
Paulo recomenda aos crentes de Tessalonica a julgarem todas as coisas e
reterem o que é bom. A discriminação entre o que é bom do errado só é
possível exercício do julgamento, através da mente, tendo a palavra de Deus
como base.
III.2. O que Jesus quis dizer com “não julgues”?
Para entendermos o que Jesus quis dizer com estas palavras “não julgueis”,
precisamos entender o contexto histórico social e literário em que Jesus
proferiu estas palavras. De uma maneira resumida, o sermão do monte é um
apelo do Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos a serem diferentes dos
escribas e fariseus do seu tempo na sua maneira de ser e fazer as coisas para
que herdassem o Reino dos Céus. Em Mateus 5:20 Jesus diz aos seus
discípulos “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos
escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. Um
dos grandes problemas dos escribas e fariseus era o complexo de
superioridade em relação aos demais, que fazia com que eles descriminassem
os demais e não se relacionavam com qualquer um. Lucas 18: 9-12 descreve
muito bem o que nos estamos a tentar dizer: o texto diz o seguinte:
E disse também esta parábola a uns que confiavam em si
mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o
outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta
maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os
demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda
como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os
dízimos de tudo quanto possuo.
O fariseu nesta parábola, por causa das suas atividades religiosa, orgulhou-se,
achou-se mais justos que publicano que o desprezou, denegrindo-o,
denegrindo a sua vida. Assim, o julgamento que Jesus proíbe em Mateus
7:1 é aquele que consiste em desprezar o próximo, denegrindo a sua vida
com base na falsa de ideia que somos ou merecemos o melhor por causa
do complexo de superioridade resultante do facto de pertencermos a uma
determinada raça, família, tribo, estatuto social ou religião.
O sentimento de grau de superioridade de uns em relação aos outros tem sido
um dos principais fatores responsável pelo surgimento de vários conflitos entre
os seres humanos. Os quinhentos anos de escravatura dos europeus sobre os
Africanos, o holocausto durante a II guerra mundial em que mais de seis
milhões de judeus foram mortos pelos nazistas alemães, o apartheid na Africa
dos Sul entre brancos e negros, o conflito tribal no Ruanda em que num
período de cem dias morrem mais de oitocentas mil pessoas, o racismo em
quase toda parte do mundo, são alguns exemplos de conflitos que surgiram por
causa do complexo de superioridade de uns em relação aos outros.
Independentemente daquilo que somos ou temos, somos todos iguais diante
de Deus. Ninguém é pior ou melhor do que ninguém. Somos toda imagem e
semelhança de Deus (Genesis 1:26-27). Devemo-nos tratar com amor e
respeito, dignificando a imagem e semelhança de Deus que somos. Ninguém
tem o direito de julgar de maneira desprezível o seu irmão, achando-se melhor
do que ele.
Alguns anos atrás fiquei muito tocado com a atitude de uma família em relação
a sua empregada. Fui por uma razão, mas acabei ficando para almoçar. A hora
em que fomos chamados para estarmos a mesa, a empregada também sentou-
se a mesa, tinha um lugar para, participou do momento da oração e refeição
como membro da família. Quando terminamos o almoço ela tirou a mesa e
continuou a fazer o seu trabalho.
Muitos de nos diríamos que é confiança de mais. Onde já se viu a minha
empregada sentar-se na mesa comigo. Porem, para mim foi um grande gesto
de valorização àquela senhora. Embora estava ali como trabalhadora, não era
inferior em termos valor. Tinha dignidade tal quanto os seus patrões.
III.3. Porque não devemos julgar?
A segunda parte do versículo um e todo o versículo dois, explicam porque não
devemos julgar. É para evitar que também sejamos julgados da mesma
maneira como julgamos os outros. Ou seja, a maneira como nos julgamos os
outros será a maneira como nos seremos julgados. Mateus 18: 23-34, a
parábola do credor incompassivo, ilustra bem esta verdade. Diz o texto:
23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei
que quis fazer contas com os seus servos; 24 E, começando a
fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil
talentos; 25 E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor
mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos,
com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. 26
Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo:
Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. 27 Então o
senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e
perdoou-lhe a dívida. 28 Saindo, porém, aquele servo,
encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem
dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me
o que me deves. 29 Então o seu companheiro, prostrando-se a
seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo
te pagarei. 30 Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na
prisão, até que pagasse a dívida. 31 Vendo, pois, os seus
conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram
declarar ao seu senhor tudo o que se passara. 32 Então o seu
senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado,
perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. 33 Não
devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como
eu também tive misericórdia de ti? 34 E, indignado, o seu
senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o
que devia. 35 Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do
coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.
O credor incompassivo foi condenado da mesma maneira como ele condenou
o seu conservo.
O texto não deixa claro quando será este juízo. Se será já durante a nossa vida
na terra ou apenas quando Cristo vier. Porém, deixa claro que o julgamento
pela maneira como nos julgamos os outros é um facto. É uma realidade que
terá lugar em qualquer momento, dentro do plano de Deus. Gálatas 6:7 diz:
Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem
semear, isso também ceifará. Devemos nos preocupar em tratar bem o nosso
próximo, não desprezando-o para que não sejamos desprezados no
julgamento por vir.
III.4. Julga-
te primeiro a ti mesmo
Nos versículos 3-5, Jesus chama atenção aos seus ouvintes que deveriam
estar mais preocupados em tratar os seus pecados em vez do pecado dos
outros. Ele usa como figura o argueiro que poeira, uma lasca pequena de
madeira que entrando na vista causava irritação e uma trave que era uma
tabua que servia para construção que a frente do olho impedia a visibilidade. O
argueiro representa pecados pequenos na vida de quem é julgado e a trave,
pecados grandes na vida de quem julga. Era também costume dos fariseus
exporem os pecados dos outros enquanto guardavam os seus próprios
pecados. O episódio da mulher apanhada em adultério em João 8: 1-11 mostra
essa realidade.

1 JESUS, porém, foi para o Monte das Oliveiras. 2 E pela


manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha
ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. 3 E os
escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada
em adultério; 4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe:
Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato,
adulterando. 5 E na lei nos mandou Moisés que as tais
sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 6 Isto diziam
eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e
disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado
seja o primeiro que atire pedra contra ela. 8 E, tornando
a inclinar-se, escrevia na terra. 9 Quando ouviram isto,
redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar
pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a
mulher que estava no meio. 10 E, endireitando-se Jesus,
e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe:
Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém
te condenou? 11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-
lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não
peques mais.

A mensagem que passamos quando julgamos alguém é que temos uma


vida moral e espiritual melhor do que a pessoa que julgamos. Mas esse
texto nos mostra que nem sempre isso verdade. Muitas vezes escondemos
as nossas falhas e pecados por trás das críticas que fazemos aos outros.
Quando é assim, somos considerados de hipócritas e se somos lideres,
guias espirituais cegos. Devemos cuidar da nossa própria vida, antes de
querer opinar sobre a vida dos outros. Se essa for a nossa preocupação a
cada dia, teremos uma família melhor, uma igreja saudável em termos de
relacionamentos e uma sociedade melhor.
Falar da parábola dos caes e porcos.