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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL


 
Diretoria do Hospital Regional do Gama
Gerência de Emergência

Memorando Nº 2686/2021 - SES/SRSSU/HRG/GEMERG Brasília-DF, 03 de agosto de 2021.

PARA: Prezados (as) Senhores (as),

Diretor do Hospital Regional do Gama, Superintendente da Região de Saúde Sul, Presidente do Sindicato Médico
do Distrito Federal, Gerente de Apoio aos Serviços de Urgência e Emergência (GASFURE/SES), Presidente do
Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal e Promotor de Justiça de Defesa da Saúde (PROSUS) do
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

 
Vimos, por meio deste, comunicar e elencar as mais diversas situações e condições que tem assolado
o Hospital Regional do Gama, subordinado à Superintendência da Região de Saúde Sul (SRSSU), em especial o Pronto
Socorro Adulto (PSA) de Clínica Médica (CLM) do Hospital Regional do Gama (HRG).
O HRG enfrenta, há anos, escassez de Recursos Humanos, sobretudo nos setores do Pronto Socorro e,
arriscamos dizer, piorada ainda mais no Pronto Socorro Adulto da Clínica Médica. Situação essa que ao longo do
tempo vem se agravando devido às péssimas condições de trabalho, que acabam por refletir na elevadíssima
rotatividade consequente da exoneração em massa de servidores médicos da Secretaria de Estado de Saúde do
Distrito Federal (SES/DF).  
Mesmo em contexto anterior ao da pandemia do novo coronavírus, o PSA de CLM do HRG já
enfrentava uma realidade que contava com déficit de profissionais, gerando sobrecarga de trabalho nos servidores
que permanecem atuantes no serviço. Citamos aqui, como exemplo, denúncia realizada no Conselho Regional de
Medicina do Distrito Federal em 2019 que incorreu em visita da entidade no hospital com Relatório de Vistoria
protocolado no CRM/DF sob o número 417/2019/DF em que foram confirmadas as diversas deficiências na
assistência à saúde no Pronto Socorro do HRG. Infelizmente, tal visita resultou infrutífera em modificações no setor.
Destacamos também o documento realizado via SEI Memorando 1497/2000 em que foram detalhados
e solicitados mais de 30 itens e equipamentos essenciais para o pronto socorro, no auge da crise causada pela
COVID-19, porém nem metade foi adquirida pela gestão hospitalar. 
Reforçamos também o que, ao nosso ver, é o problema mais grave do hospital que é a Sala
Vermelha/BOX da Clínica Médica. Segundo a PORTARIA Nº 386, DE 27 DE JULHO 2017 da SES/DF que “Organiza o
Componente Hospitalar da Rede de Atenção às Urgências no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) do Distrito
Federal”, Sala Vermelha por definição é: 

1. “(...) Sala Vermelha ou Sala de Emergência: ambiente reservado ao atendimento de pacientes


com classificação vermelha, encaminhados pela classificação de risco, pelo médico que está em atendimento
no consultório ou pelo complexo regulador, podendo receber pacientes com classificação laranja quando não
for possível o atendimento em intervalo de tempo seguro na Rota Rápida (...)”;
2. “(...)A Sala Vermelha contará com cardiodesfibrilador, equipamento de ventilação mecânica e
monitor multiparâmetros, além de maca exclusiva para atendimento de parada cardiorrespiratória, que deverá
ser imediatamente desocupada após o desfecho do atendimento à parada, permanecendo disponível salvo
durante o procedimento de reanimação.”

 Assim, à sala vermelha deste hospital destinam-se casos graves e com risco iminente de morte, cujos
pacientes chegam por demanda espontânea, são trazidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)
ou encaminhados de outro serviço de saúde.
Na Sala Vermelha do PSA, o déficit de recursos humanos (médicos plantonistas e enfermagem) e as
limitações estruturais são desestimulantes:

Uma das portas da sala vermelha comunica-se com a enfermaria do pronto socorro e a outra,
com o corredor de circulação, o que permite, por descuido da triagem e segurança, que familiares adentrem o
BOX e manipulem os pacientes, sem o mínimo critério de segurança ou autorização profissional, num setor que
recebe pacientes críticos (semi-intensiva);
A Sala Vermelha/BOX conta com 4 leitos oficiais e outros 4 leitos de estabilização (a lotação
chega a 12-13 pacientes, ou seja, mais de 200% de lotação);
O espaço é restrito, com macas muito próximas, o que favorece a contaminação cruzada;
Quando da necessidade de radiografia simples por raios X no leito, manobras de reanimação
cardiopulmonar ou intubação, os leitos precisam ser temporariamente afastados para que a equipe consiga
fazer o seu trabalho no leito e para que aparelhos entrem entre as camas (ex.: respirador, raio X), gerando um
grande transtorno operacional e riscos na assistência à saúde;
Não há monitores em número suficiente para todos os 8 leitos do BOX. Devido às circunstâncias,
pacientes compartilham monitores (em revezamento intermitente) e utilizam, por exemplo, oximetria do carro
de emergência;
O BOX não possui área de isolamento de contato/respiratório. Quando algum paciente da
enfermaria, em isolamento, apresenta descompensação clínica grave e precisa de cuidados intensivos/
intermediários, o mesmo é trazido e conduzido no BOX, com espaço reduzido e habitualmente superlotado, o
que é insalubre para toda a equipe e demais pacientes assistidos. 

Ressaltamos que, tamanho o déficit de médicos no setor, as chefias imediatas julgaram necessária a
fusão do corpo médico concursado como Clínica Geral (lotados no setor da Unidade de Medicina Interna - UMEI)
com médicos concursados como Emergencistas (lotados no setor da GEMERG) na tentativa de cobrir toda a demanda
do setor. Havendo, portanto, claro desvio de função de médicos Emergencistas para atendimento da demanda
interna da enfermaria do PS, prática esta que ocorre desde a nomeação dos Emergencistas até a presente data com
anuência de todas as entidades gestoras superiores.
Tomando como base, mais uma vez, a PORTARIA Nº 386, DE 27 DE JULHO 2017 e o edital de
convocação do nosso concurso "EDITAL No 06, DE 2 DE MARÇO DE 2018 CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO
DE VAGAS E FORMAÇÃO DE CADASTRO RESERVA PARA ESPECIALIDADES DA CARREIRA MÉDICA", gostaríamos de
reportar o que entendemos estar configurando sério desvio de função e prejuízo à assistência médica de urgência e
emergência da população atendida no HRG. 
Considerando que: 

1. O edital supra referido enumera como atividades pertinentes ao nosso cargo: "realizar
atividades de plantonista ou rotineiro da Unidade de Medicina de Emergência, conforme escala de plantão;
realizar o atendimento de porta em emergências em adultos, crianças, idosos e gestantes, conforme
classificação de risco; realizar o atendimento de suporte às áreas de Ortopedia e Cirurgia do Trauma, quando
solicitados; realizar o atendimento inicial na sala de emergência e internação nos leitos de retaguarda da
medicina de emergência, conforme normas estabelecidas, especialmente nas linhas de cuidado do IAM e AVC;
avaliar e definir as condutas diárias dos pacientes internados nos leitos de retaguarda da medicina de
emergência; orientar os residentes, internos, alunos e estagiários em serviço nas salas vermelha, amarela e
leitos de retaguarda; assumir as funções de coordenação e assistência em casos de múltiplas vítimas e
desastres, conforme acionamento do plano de desastres do hospital; auxiliar os plantonistas das clínicas de
retaguarda em procedimentos de emergência, em caso de necessidade; seguir as rotinas e protocolos definidos
pelo Serviço de Medicina de Emergência da Rede SES-DF; participar de times de resposta rápida do hospital,
conforme protocolos definidos; realizar o transporte intra-hospitalar do paciente sob seus cuidados a outros
setores do hospital, conforme necessidade; tripular Unidades de Suporte Avançado (USA), no caso de
necessidade de transporte que necessitam de transferência ou avaliação de outros hospitais da Rede SES-DF;
participar das reuniões do Serviço de Medicina de Emergência; participar com aproveitamento das atividades
de capacitação oferecidas, definidas como obrigatórias, pela Rede SES-DF; participar ativamente dos processos
de melhoria do serviço e cumprimento de metas e rotinas da Rede – SES-DF." ; 
2. A portaria supra referida classifica como "Leitos de Retaguarda" no seu Art. 6º: "(...)
Consideram-se como de retaguarda os leitos compreendidos nas salas vermelha e amarela, bem como os leitos
cadastrados no CNES como "de pronto-socorro", destinados à permanência no SHE por até 24 horas, para os
quais não é possível faturamento de diárias de internação, limitados em número ao previsto em anexo deste
Regulamento. § 1º A gestão dos leitos de retaguarda é responsabilidade da gestão de leitos local e da gerência
de emergência, às quais compete, após as 24 horas iniciais de permanência, o encaminhamento à unidade de
internação competente, a fim de garantir a execução das linhas de cuidados e a não interrupção do
atendimento aos pacientes. § 2º Em caso de permanência superior a 24 horas ou solicitação de internação por
parte do médico de plantão no SHE, o leito passará automaticamente a ser descaracterizado como leito de
retaguarda e será considerado leito de espera por vaga em leito geral ou de UTI, passando aos cuidados de
uma das unidades clínica ou cirúrgica presente na carteira de serviços do hospital." 

Dito isso, gostaríamos de afirmar, de maneira categórica, que ambos os documentos tem sido
rotineiramente desrespeitados na Emergência do Hospital Regional do Gama. Nós, médicos emergencistas, temos
realizados funções clássicas da clínica médica como a evolução e prescrição de diversos pacientes internados em
períodos superiores a 24h (alguns há mais de 30 dias) no Pronto Socorro Adulto, que atualmente funciona como uma
espécie de extensão da Enfermaria de Clínica Médica. Como não há critérios de alta ou de admissão hospitalar bem
definidos no HRG, quer seja no Pronto Socorro Adulto, na Sala Vermelha ou na Enfermaria de Clínica médica, lidamos
com uma ausência completa de fluxo dos pacientes, o que acaba piorando ainda mais o já conhecido problema de
superlotação. A ausência de protocolos e rotinas pré-definidas sabidamente aumenta o risco de efeitos adversos,
aumenta o período de internação hospitalar, aumenta os custos, diminui a qualidade do atendimento, diminui a
qualidade de vida dos profissionais etc.
Nós, médicos emergencistas, temos realizados funções clássicas da clínica médica como a evolução e
prescrição de diversos pacientes internados em períodos superiores a 24h (alguns há mais de 30 dias) no Pronto
Socorro Adulto, que atualmente funciona como uma espécie de extensão da Enfermaria de Clínica Médica. Como
não há critérios de alta ou de admissão hospitalar bem definidos no HRG, quer seja no Pronto Socorro Adulto, na Sala
Vermelha ou na Enfermaria de Clínica médica, lidamos com uma ausência completa de fluxo dos pacientes, o que
acaba piorando ainda mais o já conhecido problema de superlotação. A ausência de protocolos e rotinas pré-
definidas sabidamente aumenta o risco de efeitos adversos, aumenta o período de internação hospitalar, aumenta os
custos, diminui a qualidade do atendimento, diminui a qualidade de vida dos profissionais etc.  
Ainda com a fusão da UMEI + GEMERG, a escala médica prévia à pandemia contava com dois ou,
quando muito, três médicos plantonistas por turno. Um quantitativo muito aquém do que preconizado tanto pela
própria SES/DF (Conforme Manual de Parâmetros Mínimos da Força de Trabalho para Direcionamento da Rede,
publicado em julho de 2018), quanto pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 2.077/14), quando se
calcula o tamanho do serviço do PSA de CLM do HRG: 
O HRG conta, em média, com: 

30 pacientes internados em enfermaria do PSA de Clínica Médica + Extra leitos;  


1 Box de Emergência/Sala Vermelha dispondo de 4 leitos de suporte semi-intensivo (que
rotineiramente encontra-se em superlotação, com média de 7 internações simultâneas);
Fluxo de atendimento da porta do Pronto Socorro.  

Durante a Pandemia do Novo Coronavírus, enfrentada desde março de 2020, o HRG preparou-se para
o recebimento do perfil de pacientes respiratórios e foi criado novo setor no Pronto Socorro, somando-se ao
supracitado, a fim de isolar-se o fluxo de pacientes confirmados e suspeitos COVID: 

1 Box de Emergência/ Sala Vermelha Isolamento Respiratório, com a disponibilidade de 6 leitos


de suporte semi-intensivo;
Enfermaria de isolamento respiratório contando com mais 30 leitos de retaguarda COVID;
Demanda de porta do Bloco Respiratório para atendimento de casos suspeitos/confirmados 

Impulsionada pela crescente demanda gerada pela Pandemia, houve a nomeação ao HRG de novos 13
médicos Emergencistas que, apesar de ter aliviado a precária situação do setor, ainda sequer cobrem o déficit de
horas prévio e muito menos a sobrecarga de um novo setor criado no PS, literalmente dobrando-se a carga de
trabalho (2 atendimentos de porta distintos, 2 salas vermelhas distintas e 3 enfermarias com pelo menos 40
pacientes internados). Destes 13 novos médicos que assumiram o concurso no início da pandemia mais de 50% já
exoneraram por não suportarem ou tolerarem as péssimas condições de trabalho. 
Enfrentamos, ainda, o adoecimento dos nossos próprios colegas em detrimento a enorme carga de
trabalho e exposição ao coronavírus, com o afastamento e exonerações de muitos servidores que lutavam na linha de
frente, gerando desfalques na escala previamente montada. 
Novamente voltamos a citar o Manual de Parâmetros Mínimos da Força de Trabalho para
Direcionamento da Rede, publicado em julho de 2018: página 26.  
Em conformidade com a Portaria No 408 de 03 de agosto de 2017 - que estabelece uma
composição mínima das equipes - é necessário, por turno: 1 médico na Sala vermelha + 5 médicos para
atendimento de porta; além de, para atendimento de Unidade de internação (Enfermaria): 1 médico para cada
15 pacientes internados.  
Quantitativo médico MÍNIMO preconizado pelo próprio Manual da SES-DF, por turno, para PS
HRG seria de: 7 médicos no PS HRG [1 em cada Box (2) + (5) para atendimento de Porta] + Pelo menos 3
médicos responsáveis para atendimento de pacientes internados = 10 médicos escalados.  
Realidade: 1-3 médicos por turno para atendimento e responsabilização de todos os pacientes
internados bem como a demanda ativa de porta.

Um exemplo de que a situação continua alarmante pode ser encontrado no relatório realizado no
processo SEI:00060-00530888/2020-49 de Dezembro de 2020 em que foi solicitado hasteamento de bandeira
vermelha para o Pronto Socorro pois havia APENAS UM MÉDICO escalado para todo o setor, que aqui fazemos
questão de reforçar que envolve: Duas Salas Vermelhas (BOX/PSA e BOX/Bloco Respiratório), uma das quais é local
de isolamento que exige troca de vestimenta ao entrar e sair, além da Unidade de Cuidados Intermediários do Bloco
Respiratório, Posto 1 do PSA, Posto 2 do PSA e Extra-Leitos, ou seja, em torno de 100 pacientes, dos quais alguns em
ventilação mecânica e aguardando leito com suporte intensivo, sob a responsabilidade de apenas um médico, além
da já conhecida demanda de porta do HRG. Reforço também que o HRG não dispõe de Plantonista Noturno nas
Enfermarias, apesar de existir Programa de Residência Médica, o que força recair também sob o colo do médico
plantonista do Pronto Socorro quaisquer intercorrências que ocorram nos andares de internação do hospital, além
das avaliações de urgência que porventura possam exigir da Medicina de Emergência, como no Centro Obstétrico. 
É triste e realmente inaceitável a realidade enfrentada pelos usuários citados que, muitas vezes,
chegam ao PS do HRG e não conseguem atendimento. Pior ainda a realidade dos que vencem a barreira da porta e
são internados para se depararem com condições tão precárias a ponto de não terem avaliação e/ou prescrição
diárias. Enfrentamos uma realidade completamente desumana em que pacientes já chegaram a ficar 120 horas sem
avaliação médica mesmo internados, o que reflete o gritante desequilíbrio entre servidores e demanda
populacional.  
Como referência a esse tempo exorbitante e inadmissível de internação sem
visita/avaliação/prescrição médica, cito o documento no SEI Memorando Nº 664/2020 realizado pela Gerência de
Enfermagem do HRG em que aqui faço questão de transcrever trechos que julgamos essenciais e muito
transparentes:
“(...) Informo que desde Janeiro venho redigindo documentos, informando à alta gestão do HRG sobre
a situação vivenciada em nosso serviço de urgência adulto, em que pacientes internados pela especialidade de Clínica
Médica no PS estão ficando sem visita médica diária, logo permanecem sem prescrição médica e têm seu tratamento
interrompido(...)
Informo que todos os dias a enfermagem do PSA providencia lista de pacientes internados e a
disponibiliza à equipe médica afim de agilizar o atendimento, no entanto há dias em que não há medico escalado
para visita diária nem no período da manhã, nem no período da tarde. Os pacientes ficam angustiados, cobrando da
enfermagem que hora o médico virá vê-lo no entanto não há esta previsão. Além do prejuízo ao tratamento dos
usuários, também a instituição permite que os pacientes e acompanhantes estejam expostos ao estresse decorrente
desta situação e tenham sua saúde mental afetada. Cabe aqui salientar que a equipe de enfermagem também torna-
se alvo da revolta dos pacientes e acompanhantes pela não visita do médico. Destaque-se ainda que segundo a
Resolução 487/2015 do COFEN a validade de uma prescrição é de 24 horas e que segundo o Parecer CRM/DF nº
29/2018, para os pacientes internados portadores de patologias agudas ou crônicas agudizadas, as prescrições
médicas deverão ser feitas diariamente ou a cada 24 horas.
Os documentos acabam sendo encaminhados à GEMERG-HRG, à GACL-HRG e invariavelmente
observa-se que estas Gerências informam que não há Recursos Humanos (RH) da especialidade clínica/emergencista
para suprir a demanda. Inclusive neste processo consta resposta da DHRG informando que enviou processo à SUGEP
e que recebeu resposta de que não há RH para ser enviado a este serviço de emergência. Resumindo, faço o registro
da situação por desencargo de consciência, uma vez que a alta gestão desse hospital sempre informa que não tem
RH, subentenda-se não há solução para a situação.
Por diversas vezes me questiono, tendo em vista que não há RH neste momento disponível, não seria
possível destinar Carga Horária dos médicos especialistas dos ambulatórios para garantir a visita dos pacientes
internados? Se cada profissional for escalado 6hs por semana visitando paciente internado na emergência já
ajudaria. Em nosso hospital temos um serviço de Pneumologia, temos diversos especialistas em Neuro, Gastro,
Otorrino, Oftalmo, Nefro, Endocrinologia e no entanto a emergência deste hospital, a porta de entrada desta
instituição tem vivenciado situações impensáveis no que se refere à falta de cuidado para os nossos usuários. Tornou-
se rotina, sem que haja mais indignação que os pacientes do PS adulto permaneçam sem visita médica, sem
prescrição por dias, pacientes graves, que estão internados aqui em busca de cura, de tratamento e vem
permanecendo sem o mínimo que é o direito de ter uma prescrição.”
“(...)O ápice, dentre tantos ápices vivenciados, ocorreu no plantão do dia 25/07 em que no período de
07 à 12hs não houve nenhum médico presente no PS adulto/HRG, sendo que havia 10 pacientes internado no BOX de
emergência, sendo 02 entubados e vários em uso de drogas vasoativas, 04 pacientes no corredor, 27 pacientes nos
leitos (todos sem visita médica no minimo desde 23/24 de julho), sem falar que ainda tinha mais pacientes internados
no bloco respiratório e que também ficaram sem assistência médica durante o período citado. Não houve
deslocamento de nenhum cirurgião, nenhum intensivista, nenhum pneumologista, nenhum profissional de outra
especialidade que estava neste período no HRG para atender no PSA pelo menos na sala vermelha.”
Com pouco mais de dois meses desde a nomeação no HRG, ainda em 2018, a equipe de Médicos
Emergencistas realizou um documento (SEI:00060-00540839/2018-08) com problemas identificados e sugestões de
melhorias, documento este que foi praticamente ignorado por todas as gestões subsequentes. Válido salientar que
desde que assumimos nosso concurso, em setembro de 2018, o HRG já teve 7 (SETE) Diretores, algo em torno de um
a cada 5-6 meses, o que denota a clara ingerência política e impossibilidade completa de realização de quaisquer
planos.
Em maio de 2019, outro documento (SEI: 00060-00217767/2019-71) citou as péssimas e deploráveis
situações do nosso BOX de Emergência (Sala Vermelha) da Clínica Médica, em que a “maca” utilizada para
reanimação cardio-pulmonar nos pacientes consiste em uma mesa de madeira rígida e não há controle nenhum de
fluxo de pessoas ou de pacientes no setor, além de enfrentar superlotação constante, com já tendo sido registrados
12 pacientes em local que tem lotação para quatro. Documento este também completamente ignorado pelas gestões
subsequentes. 
Aproveitamos este documento para questionar também a priorização de "Atendimento de Porta" em
detrimento da evolução de pacientes já internados (alguns sem prescrição há mais de 120h), por vezes temos ficado
em apenas dois plantonistas no PSA e não há o estabelecimento de planos de contingência na Emergência, o que
culmina na situação em que temos que fazer duas coisas ao mesmo tempo: evoluir os pacientes e fazer atendimento
de porta quando chegam os pacientes. Como definir o que fazer primeiro na impossibilidade óbvia de fazer duas
coisas ao mesmo tempo? Entramos também em outra seara que tem a ver com a classificação de risco, motivo de
inúmeras discussões e documentos prévios no SEI já de conhecimento da GEMERG, ACCR e da GACL do HRG.
Aproveitamos para questionar se está ocorrendo alguma avaliação retrospectiva da Classificação de Risco (ACCR)
com o objetivo de verificar a validade desse instrumento na forma como tem sido feita. A confiabilidade ou
replicabilidade dos resultados deve ser a mais alta possível pois, caso contrário, o método que tem sido utilizado não
se mostra confiável e aí devem ser questionados e pesquisados os eventuais pontos de melhoria. Por qual motivo a
SES/DF não tem utilizado um método de Classificação de Risco validado internacionalmente como Manchester ou ESI
(Emergency Severity Index)? A epidemiologia de classificação quase que diária do número de pacientes LARANJA no
HRG foge de qualquer parâmetro mundial estatístico, o que evidencia que, infelizmente, nossa classificação está de
fato distante da realidade, seja pelo próprio protocolo em si, adotado pela SES/DF, ou pela aplicação dele por alguns
profissionais no HRG. Reiteramos que por vezes a escala médica está defasada, ficando apenas um clínico de plantão
responsável pela sala vermelha, todos os pacientes do PSA e ainda as intercorrências que ocorrem na enfermaria em
muitos horários em que não há mais preceptores ou residentes nos andares, o número de pacientes sob a tutela de
apenas um médico por vezes chega a ser superior a 100 pacientes. Caso apareça um paciente com classificação entre
LARANJA ou VERMELHO, o médico plantonista por vezes para de evoluir ou de atender os pacientes internados para
atender esse paciente, sendo assim, é fundamental que a classificação de risco seja fidedigna, isso sim modifica
qualidade de atendimento e altera mortalidade.
Desde o início da pandemia estamos observando o Governo do Distrito Federal gastando centenas de
milhões de reais em estruturas temporárias e inefetivas, conhecidas como “Hospital de Campanha” enquanto
vivenciamos o descaso completo e absoluto com os Hospitais de verdade, tal como o HRG. A título de conhecimento,
o HRG possui um projeto de reforma do PS que poderia ser executado com 1% do que foi gasto com hospitais de
campanha, contudo está parado há mais de dois anos, conforme o Processo SEI: 00060-00002070/2019-05.
Inúmeros documentos já foram feitos à Direção do HRG e a Superintendência da Regional de Saúde
Sul, contudo a situação do Hospital Regional do Gama tem, infelizmente, apenas piorado de forma progressiva.
Temos diversos colegas pedindo exoneração pelas péssimas condições de trabalho a que somos expostos neste
nosocômio. Essa semana mais um médico emergencista pediu exoneração e a escala do mês de agosto está crítica.
Por vezes tem ocorrido situações absurdas de apenas um médico plantonista para todo o Hospital, sem providência
concreta nenhuma tomada até o presente momento.
Sendo assim, como última medida disponível ao nosso alcance, apelamos às entidades representativas
da classe médica e aos órgãos de controle externo. Esperamos assim, também, que haja participação ativa de todos
os entes envolvidos na assistência e na fiscalização do SUS no Distrito Federal, incluindo a participação social, na
situação atual do HRG e nos colocamos à disposição em busca da melhoria na qualidade assistencial e na redução do
sofrimento intenso que nós, servidores, vivenciamos em conjunto com familiares e pacientes diuturnamente neste
nosocômio.
 
Atenciosamente,
Corpo Clínico (Medicina de Emergência e Clínica Médica) do Pronto Socorro Adulto do Hospital Regional do Gama.

Documento assinado eletronicamente por LEONARDO AYRES COELHO - Matr.1687702-0,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 11:06, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por MARILIA ALVES KAKUMOTO - Matr.1688377-2,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 11:11, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por MONICA RODRIGUES PIRES - Matr.1688320-9,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 14:30, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por JAINARA VARJAO AMARAL BONFIM - Matr.1697354-


2, Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 19:41, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por FRANCIOLLY ROBERTO PIRES - Matr.1689115-5,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 20:05, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por MARCELO RIBEIRO TEIXEIRA - Matr.0140701-5,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 22:07, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por JULIANA NOBREGA MESQUITA - Matr. 16830091,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 22:20, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por FLAVIA BUENO DA FONSECA - Matr.1443837-2,


Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 22:26, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por ANA CAROLINA FERREIRA DE AZEVEDO -


Matr.1696918-9, Médico(a) - Clínica Médica, em 03/08/2021, às 23:38, conforme art. 6º do
Decreto n° 36.756, de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº
180, quinta-feira, 17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por GISELLE PULCINELLI VASCONCELOS - Matr.1687732-


2, Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 09:21, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por YANNA Q. LIDA PIMENTEL DE BRITO - Matr.1697491-


3, Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 09:49, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por FERNANDA DAS NEVES CARNEIRO SILVA -


Matr.1697284-8, Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 11:22, conforme art. 6º do
Decreto n° 36.756, de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº
180, quinta-feira, 17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por GLAYSON CARLOS MIRANDA VERNER -


Matr.0154193-5, Médico(a) - Anestesiologista, em 04/08/2021, às 11:40, conforme art. 6º do
Decreto n° 36.756, de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº
180, quinta-feira, 17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por IVAN SERGIO VAZ PORTO JUNIOR - Matr.1673203-0,
Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 18:57, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por MARIA CECILIA DIAS TRINDADE - Matr.1697363-1,


Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 21:19, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por DANIELA CRISTINA TIAGO - Matr.1694880-7,


Médico(a) - Clínica Médica, em 04/08/2021, às 22:47, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por GUILHERME AUGUSTO GUERRA AVELAR -


Matr.1697614-2, Médico(a) - Clínica Médica, em 05/08/2021, às 09:20, conforme art. 6º do
Decreto n° 36.756, de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº
180, quinta-feira, 17 de setembro de 2015.

Documento assinado eletronicamente por AMANI HAMIDAH CARVALHO - Matr.1681594-7,


Médico(a) - Clínica Médica, em 05/08/2021, às 11:40, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

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Médico(a) - Clínica Médica, em 05/08/2021, às 12:06, conforme art. 6º do Decreto n° 36.756,
de 16 de setembro de 2015, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nº 180, quinta-feira,
17 de setembro de 2015.

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