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1ºANO FILOSOFIA – SÍNTESE PARA PROVA BIMESTRAL

PROF. ANDERSON W.

MITO DA CAVERNA: O mito ou alegoria da caverna de Platão trata de conceitos como ignorância e
conhecimento. As sombras projetadas representam, no mito, o senso comum, que se fundamenta nas opiniões e
impressões do mundo sensível, entendidas pelos prisioneiros como a realidade, uma vez que a caverna os impedia
de enxergar a verdade, mantendo-os em um estado de ignorância. O prisioneiro que se liberta, por sua vez, tem
acesso ao mundo exterior, ou seja, à realidade, onde está o verdadeiro conhecimento, no entanto, ao voltar, é
rejeitado pelos seus companheiros que permanecem na caverna, que resistem em rejeitar tudo aquilo que
consideram como verdade. Exemplo: Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja
entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o
pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os
grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por
detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um
pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre
os quais exibem seus prestígios. A alegoria da caverna de Platão expressa uma concepção do processo de
conhecimento no qual o indivíduo deveria superar as aparências ilusórias do mundo sensível para chegar às
verdades puras, apenas disponíveis no mundo das ideias e alcançáveis através da reflexão filosófica. “Platão
imagina uma caverna onde pessoas estão acorrentadas desde a infância, de tal forma que, não podendo ver a
entrada dela, apenas enxergam o seu fundo, no qual são projetadas as sombras das coisas que passam às suas
costas, onde há uma fogueira. Se um desses indivíduos conseguisse se soltar das correntes para contemplar, à luz
do dia, os verdadeiros objetos, ao regressar, relatando o que viu aos seus antigos companheiros, esses o tomariam
por louco e não acreditariam em suas palavras.” - Primeiramente, a realidade não é confundida com as sombras na
caverna, pois, segundo a alegoria (alegoria e não mito) elaborada por Platão, aqueles que estão dentro da caverna
nunca tiveram experiência do real e, portanto, nunca poderiam confundir as imagens com a realidade. O correto é
que as pessoas dentro da caverna tomam simplesmente a imagem como real, ou seja, elas são totalmente passivas
nesse processo.
Segundamente, Platão na “Alegoria da Caverna” aponta para a saída da cidade, isto é, para o movimento que o
filósofo faz ao questionar as opiniões irrefletidas mantidas pelos cidadãos e em geral pela cidade. Esse movimento
do filósofo leva-o para um lugar que não é uma caverna, e sim um cosmopolitismo. De modo que a educação
filosófica é uma educação para o mundo, e não para as opiniões circunscritas a um antro. A educação, portanto,
deve afastar a alma do cidadão das controversas opiniões baseadas em imitações distorcidas da realidade.

RAZÃO: Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se
desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode
ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e
questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da
filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002.Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento
Ocidental, pois proporcionou a compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente. Depois de Platão
e Aristóteles devemos compreender que a simples aceitação de uma crença qualquer é uma escolha, é um
procedimento arbitrário e não mais uma posição mística agraciada por deus ou deuses misteriosos. A respeito do
surgimento da filosofia e seu relacionamento com o discurso mítico podemos dizer que existe sempre uma tensão
tanto estabelecida pela oposição quanto pelo confronto – pensando a oposição como estabelecimento de métodos e
temas absolutamente distintos e o confronto como embate sobre os temas similares. Os filósofos não eram
sacerdotes e nem defensores de explicações misteriosas sobre os fenômenos naturais. É importante compreender
que se iniciava nessa época uma reflexão sistemática empenhada em estabelecer um conhecimento que não
proviesse da inspiração divina, porém da argumentação pública e da comprovação factual dos argumentos – e a
modificação da maneira através da qual as comunidades gregas se estabeleciam (a passagem de uma grande
organização fundada em um líder para a pluralidade de líderes de comunidades menores) contribuiu muito para a
valorização desse método dialógico de argumentação que exigia a responsabilização do manifestante e, por
conseguinte, uma sensatez, que não era prioridade em uma explicação mítica. Enfim, vale indicar por último que
apesar de a passagem do mito para o lógos ter sido gradual, afinal é muito difícil que aquilo que sustenta uma

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comunidade seja alterado rapidamente, esta morosidade da substituição não é necessariamente devida a uma
proximidade entre poesia e filosofia. A relação entre ambas existe, porém ela é sempre problemática e instaurada
através da tensão.

IDEIA VERDADEIRA: A filosofia de Platão é resultado de um trabalho de reflexão intenso e extenso, de modo
que as questões durante os inúmeros diálogos por ele escritos são respondidas de maneiras distintas. Porém, Platão
possui uma questão de fundo que se refere ao problema da identidade – resquício da tradição conflituosa de
Parmênides e Heráclito –, a saber: o que é, é sempre idêntico a si mesmo, ou é sempre distinto? O mundo
verdadeiro é uma totalidade sempre permanente, ou uma totalidade sempre efêmera? A concepção sobre Ideias
que Platão formula atende, em geral, essas questões e busca demonstrar como o sensível apesar de expor uma
realidade impermanente, possui um fundamento permanente. As Ideias são verdadeiras, a realidade sensível é
apenas uma aparência passageira dessa realidade. A realidade inteligível (mundo das Ideias, das Formas), na qual
se encontram as essências, o Ser de cada coisa existente. Uma realidade alcançável apenas pelos “olhos da alma”,
pois é observado apenas pelo esforço da razão. Exatamente por ser inteligível, essa realidade tem como
características: ser metafísica, isto é, imaterial, ou incorpórea; ser una, isto é, reduz a multiplicidade das coisas
sensíveis a uma unidade; ser eterna, por não se submeter ao ciclo de geração e degeneração das coisas do mundo
sensível.

A REPÚBLICA, DE PLATÃO: é uma obra fundamentalmente política. É muito interessante, como exercício da
imaginação, utilizar a alegoria da caverna para mencionar apenas uma espécie de teoria do conhecimento
platônica, porém, tal figura de linguagem busca expor especificamente certa situação política na qual os
aprisionados vivem na caverna (a cidade) e são educados por imagens que imitam as coisas (a poesia e as opiniões
construídas a partir dela); relembremos que a educação ateniense era baseada na poesia e as crianças aprendiam a
ler, aprendiam sobre religião, costumes, etc. a partir dos textos poéticos. A opinião formada sobre estas imagens
sombrias, quando passam por inspeção da razão, são suspeitas de não ser tão verdadeiras quanto pareciam. No
Livro VII da República de Platão, a educação é a arte de encaminhar a alma na boa direção. Seguindo o
pensamento desenvolvido por Platão em “A República” temos que a educação é a arte de encaminhar a alma na
boa direção, pois a educação é capaz de direcionar o estilo de vida da cidade para a virtude da justiça. A educação
é capaz de fazer com que o cidadão se empenhe naquilo que lhe cabe por natureza. Esta posição de Platão em “A
República” sobre a educação é muitíssimo importante porque na cidade de Atenas os jovens eram formados
através dos textos poéticos. Dá-se, por conseguinte, que Platão, ao reformular a educação, está se contrapondo ao
tipo de educação da polis ateniense. O filósofo, nessa obra, aponta para os problemas deste tipo de educação
poética e apresenta um novo direcionamento pela via da filosofia, isto é, a educação através da dialética.

OPINIÃO: A opinião (DOXA, em grego), representa um saber sem fundamentação metódica. Platão possui uma
teoria do conhecimento que estabelece uma hierarquia entre os modos de conhecer. Em um primeiro momento se
tem a Eikasía (ou as imagens das coisas sensíveis formadas pela imaginação), logo após a Pístis e dóxa (ou crença
e opinião sobre as coisas sensíveis), já em um grande avanço temos a Diánoia (ou o pensamento sobre objetos
matemáticos) e, finalmente, a Noésis ou Epistéme (ou o conhecimento sobre a ideia, a ciência intuitiva). A
ascensão do intelecto na direção do conhecimento sobre a ideia se dá através da dialética (a arte de condução do
diálogo), ou o método através do qual duas teses são confrontadas até que reste uma e esta restante é confrontada
com outra novamente, e assim por diante.

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