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Povos Mesopotâmicos

Por volta de 3.500 a.C., na região de Sumer, ao sul da Mesopotâmia (região


compreendida entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se localiza o Iraque) surgiu uma
civilização que iria florescer de forma surpreendente. Naquela época os sumérios
começaram a se fixar na região, dando início ao berço dos povos mesopotâmicos.
Os primeiros documentos escritos advém dos sumérios, que com a escrita
cuneiforme deixaram uma série de informações a respeito das instituições, técnicas e
concepções religiosas da época.
Os sumérios, além da escrita, dividiam o dia em 24 horas; a hora em 60 minutos
e os minutos em segundos. Criaram um calendário de 12 meses.
Em relação às concepções religiosas, podemos observar, nos documentos
sumérios, o reflexo de crenças antiqüíssimas na história da humanidade. Quando uma
determinada crença chega a ser "registrada", ela é resultado de antigas tradições orais.
Nesses documentos observamos o modo como o mundo foi criado. Os sumérios
falavam da deusa NAMMU que gerou dois filhos: AN (céu) e KI (terra), refletindo os
princípios vitais masculino e feminino. Daquele primeiro casal nasceu EN-LIL (deus da
atmosfera) que ocupou um lugar de destaque na criação do mundo: ele separou o casal
original (AN e KI) estabelecendo a divisão entre o céu e a terra.
Crenças a respeito da origem do homem também foram deixadas nesses
documentos. O interessante a respeito do relacionamento entre homens e deuses era o
fato de que não havia grande distância entre uns e outros. O homem fora criado para
servir aos deuses, contudo não eram considerados escravos. Não havia noção enfatizada
de pecado, de proibido, de ofensivo aos deuses. O destino humano era previamente
estabelecido pelos seres divinos.
A ordem cósmica era perturbada pela "Grande Serpente” que, através dos erros
humanos, os crimes e as faltas, ameaçavam romper a harmonia do mundo. Por isso o
mundo era periodicamente "renovado" através da festa do Ano Novo. O nome dessa
festa era À-KI-TIL, que significava "força para reviver o mundo". Daí encontramos
também a primitiva idéia do conceito, hoje difundido, de que o Ano Novo trará maiores
esperanças e uma vida melhor.
A idéia do dilúvio também já aparecia na antiga religião sumeriana e
permaneceu posteriormente com a síntese suméria - acadiana. Esse mito informava que
os deuses decidiram destruir o mundo para "renová-lo". Dos seres humanos existentes
apenas um permaneceu vivo (Zizuda, na versão sumeriana e Utnapishtim, na versão
acadiana).
As rivalidades internas acabaram por enfraquecer bastante as cidades-estados
sumerianas. Em aproximadamente 2.350 a.C., um povo originário do deserto árabe, os
Acádios, conquistou a Suméria, estabeleceu-se ao centro da Mesopotâmia (ACAD) e
unificou a região.
Data dessa época as mais importantes contribuições religiosas da cultura
acadiana: o poema cosmogônico ENUMA ELISH e a EPOPÉIA DE GILGAMESH. Os
acadianos tinham uma visão essencialmente pessimista do homem, deixando explícito
que o mesmo nunca alcançaria a imortalidade. Entretanto, dentro de cada homem, há
uma comunicação com o divino. Esta "ponte” é o espírito (ILU = deus). Os ritos e as
preces eram meios de alcançar as bênçãos divinas. As desventuras poderiam ser
evitadas através de inúmeras técnicas divinatórias.
O significado de "conhecer o futuro" está implicitamente ligado à idéia de
dominar o tempo. O mundo revelava-se através de estruturas fixas e sinais delimitados.
Conhecer esses sinais era prever o que iria acontecer e, conseqüentemente, abrir uma
"brecha" para o futuro. Esses "sinais" eram observados através objetos. O método mais
trabalhoso era o exame das entranhas das vítimas, o extispiscium.
Da cultura sumério-acadiana advém o conceito de alma. A alma (EDIMMU)
poderia ser feliz ou infeliz. A feliz era propícia aos seres vivos; a infeliz vagava pela
terra distribuindo infortúnios. Um corpo privado de sepultura era, normalmente, a causa
de um EDIMMU infeliz.
Devido às disposições geográficas da Mesopotâmia (um campo aberto, propício
às invasões) sempre surgiram guerras. Em 2.180 a.C. o Império Acádio foi destruído
pelos GUTI. E em 2.000a.C., a região foi conquistada pelos Amoritas, que imperaram
na região até 1.600 a.C. Essa época ficou conhecida como Primeiro Império Babilônico
e seu povo como os antigos babilônios; os caldeus distinguiram-se como os novos
babilônios. Os amoritas estabeleceram-se ao centro da Mesopotâmia e fizeram da cidade
de Babilônia a capital do Império. O apogeu dessa época veio com o governo de
Hamurabi (1728 - 1686 a.C.), responsável pelo famoso código de Hamurabi que
legislava sobre diversos assuntos como religião, comércio, escravidão, crimes e até
empréstimos a juros. O Código de Hamurabi tinha 282 artigos e 3.600 linhas de texto.
Dividia a sociedade em três classes: homens livres, subalternos e escravos.
Em 1.300 a.C. os assírios, povo que habitava o norte da Mesopotâmia, fundaram
um império independente e iniciaram seu ciclo de domínio de toda a região
mesopotâmica. Os assírios eram conhecidos pelo militarismo e expansionismo e
tornaram-se famosos pelos massacres e torturas que impunham aos povos vencidos.
Esses mesmos povos vencidos fizeram uma série de rebeliões responsáveis pelo
enfraquecimento assírio, até que em 612 a.C. os caldeus destruíram Nínive, a capital do
Império Assírio.
De 612 a 539 a.C. os caldeus imperaram na Mesopotâmia. Foi à época
conhecida como Segundo Império Babilônico. Com a morte de Nabucodonosor surgiu à
crise que culminou com a tomada da Mesopotâmia pelos persas em 539 a.C.
Heródoto referiu-se aos caldeus como a raça de magos-adivinhos. Eles
cultuavam deuses diversos e atribuíam muita importância aos métodos divinatórios. Na
Bíblia temos um exemplo disso, quando Daniel interpreta os sonhos do rei
Nabucodonosor.
Um texto cuneiforme encontrado em Nínive demonstra que os caldeus
distinguiam uma casta de sacerdotes oficiais, reconhecidos pelo estado, cuja função era
o presságio. Eram especializados de acordo com a atividade:

EXORCISTAS (ASIPU)

HOMENS PROFETAS (MAHHU)

VIDENTES (BARU)

PROFETIZAS (ENTU)

MULHERES

VIDENTES (NATIFU)
Ainda havia as bruxas e os magos que também exerciam essas funções, contudo
não eram reconhecidos oficialmente, sendo utilizados pelo povo em geral. Esse texto
fala ainda dos espíritos e demônios (Lamastu, Lilu, Lilitu ou Ordat Litu) e dos espectros
(Uruku). Havia indícios, também, de práticas ritualísticas com alteração do estado de
consciência através de jejuns, danças e orações.

MÉTODOS DIVINATÓRIOS UTILIZADOS NA MESOPOTÂMIA.

a) ONIROMANCIA: adivinhação pela análise dos sonhos;


b) ARUSPICINA: exame dos intestinos de animais sacrificados (leões, cães,
ovelhas, peixes, serpentes, etc.);
c) EPATOSCOPIA: exame do fígado dos animais;
d) EXAMES VARIADOS DO CORAÇÃO DOS ANIMAIS;
e) ORNITOMANCIA: comportamento das aves enquanto vivas ou suas
vísceras, depois de mortas;
f) LECANOMANCIA: exame das gotas de azeite depositadas numa vasilha
com água;
g) HIDROMANCIA: exame da água em bacias (analisavam-se os aspectos,
sons, coloração, etc.);
h) GEOMANCIA: exame de pedras preciosas;
i) FILOMANCIA: exame dos sussurros das folhas de certas árvores, como
palmeiras e carvalhos;
j) ESTUDO DO NASCIMENTO: de crianças ou animais. Analisavam o
processo do nascimento;
l) ASTROLOGIA: os mesopotâmicos já cultuavam a Astrologia e
desenvolveram estudos variados nessa área. Os astros eram divididos em:
BENÉFICOS: Júpiter e Vênus.
MALÉFICOS: Saturno e Marte.
AMBÍGUOS: Sol, Lua e Mercúrio, que podiam ser "bons" ou "maus", conforme
a situação.

PRÁTICAS APOTROPAICAS (do grego "apotropo” =afastar).


As práticas apotropaicas tinham por objetivo proteger o ser humano das formas
maléficas. Eram utilizados:

I - EXORCISMOS.
II - AMULETOS.
III - TALISMÃS.
IV - FÓRMULAS DE ESCONJURO.