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AO R.

JUÍZO DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA


COMARCA DE SÃO LUÍS/ MA.

POR DEPENDÊNCIA AO PROC. 0818092-05.2021.8.10.0001, 0818484-


42.2021.8.10.0001.

MOACIR LIMA MAIA, brasileiro, solteiro, médico, residente e domiciliado na Rua


Ernesto Nazareth, 138, Serenata, Timóteo-MG, CEP. 35.180-000, RG 22.526.249
SSP/MG, CPF n.º 524.495.482-20;

SARA DE SOUZA LIMA MAIA , brasileira, solteira, médica, residente e domiciliada na


Rua Ernesto Nazareth, 138, Serenata, Timóteo-MG, CEP. 35.180-000, RG 14.591.822-7
SSP/PR, CPF n.º 701.651.302-53;

ROGÉRIO ARAUJO DA SILVEIRA, brasileiro, solteiro, médico, residente e domiciliado


na Alameda Papoulas, 2806, Setor 04, CEP. 76.873-558, Ariquemes/RO, RG 462582
SSP/RO, CPF n.º 602.665.202-78, vem à presença de Vossa Excelência, por seus
advogados abaixo assinados (procuração inclusa), promover a presente

AÇÃO DE PROCEDIMENTO COMUM COM PEDIDO DE TUTELA


PROVISÓRIA DE URGENCIA ANTECIPADA

em face da UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO (UEMA), autarquia


estadual, inscrita no CNPJ n° 06.352.421/0001-68, situado na Cidade Universitária
Paulo VI, Avenida Lourenço Vieira da Silva, nº 1000, Jardim São Cristovão, CEP:
65055-310, São Luís–MA, para o que expõe e ao final requer o seguinte:

Avenida Rio de Janeiro, nº 3683, sala 05, Bairro Nova Porto Velho-RO, CEP 76.820-081
contato@alveslima-digital.adv.br
(69) 99610-0648 e (69) 99295-6862
SÍNTESE DA AÇÃO

Busca os Autores a permanência de suas inscrições no


processo de revalidação instaurado pela UEMA através do
(Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA - REVALIDA),
reconhecendo a inexistência de inscrição em outra
Universidade.

Valor da causa R$ 79.408,56


(setenta e nove mil quatrocentos e oito reais
e cinqüenta e seis centavos)

1) PRELIMINARMENTE

a) DA DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA – EXISTÊNCIA DE CONEXÃO


– RISCO DE DECISÕES CONFLITANTES

A priori, de adentrar ao mérito da Ação, os Autores informam que ingressaram com a


presente demanda buscando o reconhecimento de conexão e a conseqüente distribuição
por dependência, com os processos nº 0818092-05.2021.8.10.0001, 0818484-
42.2021.8.10.0001 na 2ª Vara da Fazenda Pública de São Luís.

No processo citado, esta Vara decidiu, sobre pedido idêntico àquele que versará a
presente exordial, possibilitando o retorno ao Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA -
REVALIDA, reconhecendo a inexistência de inscrição em outro Universidade.

Por cautela, no presente caso, pugna pela aplicação do disposto no §1º do art. 123, do
PROVIMENTO COGER – 10126799, veja: Art. 123:

[...]. § 1º Tocarão ao juiz federal substituto os processos


de terminação ímpar, no caso do sistema processual, e os
indicados pelo PJe, ressalvados os casos de prevenção,
vinculação ou de outra causa de reunião a um mesmo
julgador;

Nesse sentido, o ilustre legislador infraconstitucional, trouxe no Novo Código de


Processo Civil de 2015, o art. 55, na qual configura-se conexão entre duas ou mais
ações quando há entre elas, identidade do objeto, ou da causa de pedir, impondo a
reunião das ações para julgamento em conjunto, evitando, assim, a prolação de decisões
inconciliáveis.
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Nesse ínterim, resta claro e evidente a distribuição da presente demanda por
dependência à 2ª Vara da Fazenda Pública de São Luís a fim de se evitar
entendimentos e julgamentos diversos para os mesmos pedidos.

b) DA NÃO DESIGNAÇÃO DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Excelência, por se trata de matéria de direito e que não há provas a serem produzidas, e
pelo fato da urgência da antecipação de tutela que é pedida, data vênia, não é necessária
a audiência de conciliação, pois o que se requer é obrigação de fazer e, assim não tendo
margem para um acordo conciliatório

c) DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

Os Autores não possuem recursos suficientes para pagar as custas, as despesas


processuais e os honorários advocatícios, sem prejuízo a sua própria manutenção e de
sua família, conforme comprova a declaração de hipossuficiência, anexa.

Em razão da insuficiência de recursos, requer a concessão dos benefícios da gratuidade


da justiça, nos termos dos artigos 98 a 102, do CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Vale
dizer que:

“Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência


deduzida exclusivamente por pessoa natural” e que
“assistência do requerente e por advogado particular não
impede a concessão de gratuidade da justiça” (CPC, art.
99, §§ 3º e 4º).

Importante registrar que os Autores citados estão impedidos de exercer sua profissão no
Brasil, uma vez que aguardam a finalização do processo de revalidação do seu diploma
estrangeiro.

Logo, o fato de ser médico formado no exterior, não afasta a presunção de veracidade
da alegação de insuficiência, razão pela qual pugna pela concessão dos benefícios da
gratuidade da justiça.

2- EXPOSIÇÃO FÁTICA

Os Autores são graduados em medicina por universidade


estrangeira de curso superior e, com intuito de exerceram a profissão no
Brasil, se inscreveram no Processo Especial de Revalidação de
Diploma de Médico, oferecido pela Universidade Estadual do Maranhão,
conforme Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA (anexo).
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As inscrições foram indeferidas, consoante relação preliminar (anexo). Assim,
apresentaram recurso administrativo, informando que não estão inscritos em nenhum
outro processo revalidatório.

Nada obstante, saiu lista definitiva com o rol dos indeferidos (anexo) mantendo-se os
Autores fora do procedimento de revalidação. Em verdade, nenhum recurso foi provido,
ou seja, a nova lista contém o nome de todos os que estavam na relação preliminar, o
que deixa evidente que os recursos sequer foram analisados.

A resposta do recurso veio aos Autores via e-mail (anexo)


e justifica o indeferimento aduzindo que estavam inscritos em Processo
de Revalidação de Diploma da Universidade Federal do Mato Grosso,
com base em lista lançada em 08/05/2020 (mesmo dia em que publicado
o Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA) – (anexo).

Com efeito, o Edital proíbe as “solicitações iguais e concomitantes


de revalidação para mais de uma universidade pública revalidadora” (subitem
8.5 do edital), norma que, caso descumprida, pode acarretar no
indeferimento da inscrição no procedimento de que trata o Edital nº
101/2020 – PROG/UEMA; todavia, não é o caso em pauta.

Ocorre que não se verifica a alegada ocorrência de inscrições concomitantes, o que se


conclui de uma simples análise cronológica dos fatos e datas que envolvem o presente
caso, conforme documentos colacionados ao processo de origem.

O edital da UFMT (Edital 001/FM/2020) saiu antes do Edital


nº 101/2020 – PROG/UEMA. Dessa forma, todos os que não estavam em
outro processo de revalidação se inscreveram imediatamente naquele.

Na sequência foi lançado pela Universidade Estadual do


Maranhão o Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA, os Autores então pediram
desistência da revalidação prestada pela UFMT, a fim de participarem APENAS
do procedimento oferecido pela UEMA.

Ora, houve deferimento junto a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) quanto a
desistência dos Autores naquele certame, constando na lista como “desistente”, segue
tela comprovação e listagem integral em anexo:

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Importante destacar que casos idênticos já foram apreciados e, em juízo preliminar, se
entendeu pela manutenção da inscrição da parte autora, uma vez que a participação
concomitante fosse o único motivo para o indeferimento da inscrição, que é o caso dos
autos.
Não há, pois, mácula ao edital, porquanto os Autores se
encontram fora de qualquer outro processo de revalidação.
Especificamente no caso do edital da UFMT, a exclusão foi comprovada
por meio da apresentação dos respectivos pedidos de desistência (anexo), bem assim da
lista de aprovado para próxima etapa, cujos nomes dos
Autores constam como desistentes (anexo).
Diante dos fatos expostos, é salutar registrar que o único
elemento capaz de impedir, em tese, o deferimento da inscrição dos
impetrantes no processo de revalidação da UEMA é a participação
concomitante em outra instituição revalidadora, nos termos dos subitens
8.5 e 8.6 do Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA:

8.5 Ficam vedadas solicitações iguais e concomitantes de


revalidação para mais de uma universidade pública revalidadora,
conforme artigo 5o da ResoluçãoCNE/CES n.o 3, de 22 de junho de
2016.
8.6 Caso seja constatado o previsto no subitem 8.5, o pedido de
revalidação será indeferido e o processo concluído.

O Edital 001/FM/2020 da UFMT foi lançado em 11/03/2020


(doc. 10), com suas inscrições finalizando em 03/04/2020 (subitem 2.1),
ao passo em que o Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA foi lançado em
08/05/2020.

Desse modo, constata-se que não se trata de solicitação


concomitante, mas anterior, vez que a UEMA lançou o Edital 101/2020 já
após o prazo de inscrição ao Edital 001/FM/2020 da UFMT. Nada
obstante, foi solicitada e homologada desistência junto à Universidade
Federal do Mato Grosso, não havendo mais que se falar em participação em mais de um
procedimento de revalidação.

Deve-se destacar, por fim, que o Edital 101/2020 da UEMA foi


um edital especial. Se trata certame que veio em razão da pandemia
(COVID-19) e, portanto, não era esperado. Com isso, não há que se
cogitar que os impetrantes deixariam de se inscrever no procedimento da
UFMT por aguardar o da UEMA.

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Além disso, a colocação no Edital 101/2020 da UEMA depende
da ordem de inscrição, ou seja, não teriam como esperar a homologação
da desistência para então se inscreverem no certame da aludida
Universidade, pois, sendo assim, perderiam a colocação.

Salta aos olhos, outrossim, o fato de que a lista utilizada para


rejeitar a inscrição dos impetrantes foi publicada em 08/05/2020, mesmo
dia em que foi divulgado o Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA.

Destarte, é evidente que os Autores constariam como


inscritos no referido rol, pois não havia motivos para que pedissem
desistência antes da publicação do Edital 101/2020 da UEMA e, ademais,
não se trata de inscrição simultânea, pois a lista apresenta as inscrições
deferidas e que foram realizadas meses antes.

Nessa linha argumentativa, devidamente demonstrado que os


Autores formularam pedido de desistência do único procedimento
de revalidação em curso, a exceção do oferecido pela Requerida, e que
se encontram efetivamente excluídos do processo, inexiste motivo
capaz de justificar o indeferimento de inscrição, ora combatido.

Assim, necessária a intervenção do Judiciário, a fim de que seja


determinado a nulidade do ato ilegal que indeferiu, injustificadamente e sem atentar ao
princípio da razoabilidade, a
inscrição dos Autores no Processo Especial de Revalidação de
Diploma de Médico fornecido pela UEMA.

DO DIREITO

DA ILEGALIDADE DO ATO IMPUGNADO

AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO CONCOMITANTE EM MAIS DE UMA


UNIVERSIDADE PÚBLICA REVALIDADORA

Ao contrário do que consta no ato ilegal que excluiu


definitivamente os impetrantes do processo de revalidação, não há
ofensa ao subitem 8.5 do Edital 101/2020 – PROG UEMA, senão vejamos:

Edital 101/2020 – PROG UEMA


8.5 Ficam vedadas solicitações iguais e concomitantes de revalidação
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para mais de uma universidade pública revalidadora, conforme artigo
5º da Resolução CNE/CES n.º 3, de 22 de junho de 2016.

Resolução CNE/CES nº 03/2016


Art. 5o Ficam vedadas solicitações iguais e concomitantes de
revalidação para mais de uma universidade pública revalidadora.

Portaria Normativa nº 22/2016


Art. 8- É vedada a apresentação de requerimentos de revalidação ou
de reconhecimento iguais e simultâneos em mais de uma instituição
revalidadora/reconhecedora.

Os Autores não estão em processo de revalidação em qualquer outra Universidade.


Conquanto tivessem solicitado inscrição, antes da publicação do Edital 101/2020 –
PROG UEMA, em procedimento de revalidação lançado pela UFMT, prontamente
pediram desistência, que foi devidamente homologada, conforme documentos relação
de desistentes que instruem o feito.

Mais a mais, além de devidamente homologado o pedido de desistência, saiu nova


lista de inscritos na UFMT (doc. 11), onde consta os candidatos como desistentes,
ou seja, não participantes no certame.

Insta ressaltar que a solicitação de revalidação junto à UFMT foi anterior à


publicação do Edital 101/2020 – PROG UEMA, tendo o
recorrente posteriormente optado por este edital em detrimento daquele,
ou seja, permanecendo somente com a UEMA.

Logo, não houve solicitações concomitantes, mas prévias, pois


o prazo para inscrição no Edital 001/FM/2020 da UFMT encerrou em
03/04/2020, enquanto o edital 101/2020 da UEMA saiu somente em
08/05/2020. Assim evidente que não se incorre na vedação de que trata o
subitem 8.5 do Edital.

Mas, o indeferimento da inscrição foi fundamentado com base


em lista de inscritos que foi divulgada no mesmo dia da publicação do
Edital 101/2020, de modo que torna impossível o envio do pedido de
desistência antes, pois ainda não havia edital, e torna inútil a desistência
no dial do lançamento do edital, pois já publicada a lista da UFMT.

Disso resulta que qualquer inscrição no procedimento de


revalidação promovido pela UFMT acaba por impedir a inscrição no

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procedimento especial da UEMA antes mesmo que ocorresse, impedindo,
pois, que os candidatos optassem pelo último.

Ademais, caso não seja revertido o indeferimento da inscrição,


os Autores acabarão sem participar de revalidação em nenhuma
universidade, pois se inscreveram somente na Universidade
Estadual do Maranhão.

Reitera-se que a vedação se limita aos pedidos concomitantes e


iguais de revalidação, em nada impedindo solicitação prévia a outro
edital, com a posterior desistência.

Ora, excelência, os Autores possuem liberdade para deixar


a qualquer momento procedimento de revalidação de que participem,
nada havendo que impeça a opção por determinada universidade.
Assim, tendo escolhido por permanecer somente no Edital lançado pela
UEMA e comprovado que estão definitivamente fora do outro certame, a
manutenção no único procedimento que participam é medida que se
impõe.

Logo, tendo em vista que não subsistem razões para


manutenção do ato ilegal que indeferiu a inscrição dos impetrantes no
Edital 101/2020 – PROG UEMA, deve ser determinada a nulidade do ato,
com a permanência daqueles no processo revalidatório.

DOS PRECEDENTES EM CASOS IDÊNTICOS

Inúmeros são os julgados no sentido de garantir o direito à manutenção e ou a


reintegração de candidatos na mesma situação ao certame, tendo por base como único
motivo para o indeferimento das inscrições fosse o fato da suposta inscrição
concomitante à UFMT, como se pode verificar nos Agravos de Instrumentos, números:
0811561- 37.2020.8.10.000 1ª Câmara Cível; 0811412-41.2020.8.10.0000 1ª Câmara
Cível; 0811836-83.2020.8.10.0000 6ª Câmara Cível e 0824738-65.2020.8.10.0001 da 3ª
Câmara Cível, (anexos) de casos idêntico, ou seja, de candidatos que estavam inscritos
na UFMT e na UEMA e tiveram o direito garantido em permanecerem na UEMA, tendo
em vista a desistência da UFMT.

Conforme entendimento da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Luís – MA, os atos


administrativos eivados pelo vício da ilegalidade podem sofrer interferência do
Poder Judiciário, no caso em questão há vício no tocante a razoabilidade, vejamos:

(...) Em se tratando de atos praticados na esfera administrativa,


há determinadas limitações para atuação do Poder Judiciário,
tendo em vista a regra de vedação de intervenção no mérito
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administrativo. Ocorre que o controle dos atos administrativos
eivados pelo vício da ilegalidade, autoriza a interferência deste
Poder para invalidar aquele ato que, no decorrer do processo
administrativo, deixou de observar as leis e os princípios
orientadores e inerentes da Administração Pública, um deles: a
razoabilidade.

No direito brasileiro, a razoabilidade passou a ser utilizada, à luz


da experiência norte-americana, como instrumento legitimador
de intervenções judiciais nas valorações legislativas e
administrativas, em defesa dos direitos e garantias fundamentais
do cidadão. Destarte, mesmo que ausente no texto
constitucional, tal princípio é entendido como decorrência do
devido processo legal e inerente ao Estado Democrático de
Direito. Segundo Luís Roberto Barroso, a razoabilidade “é um
parâmetro de valoração dos atos do Poder Público para aferir
se eles estão informados pelo valor superior inerente a todo
ordenamento jurídico: a justiça”.

No presente caso, em análise perfunctória, observo que  houve


inobservância, pela autoridade coatora, de critérios de
razoabilidade, não só na fixação de um prazo tão exíguo -
apenas cinco dias -, diante do quadro caótico que estamos
vivenciando, mas também na exigência de o impetrante não
estar inscrito e outras universidades, sob pena de ficar o
candidato obstado da participação de um exame que não se
considera uma oferta gratuita da Instituição de Ensino, mas uma
obrigação legal para o cumprimento de um direito subjetivo do
cidadão, do profissional formado. Não bastasse isso, o próprio
exame Revalida se destina a suprir necessidade urgente de
médicos, diante do quadro da Pandemia que estamos
experimentando, o que trouxe uma desorganização geral da
sociedade, mormente nas burocracias estatais de todos os países
do mundo.

O Revalida de que trata a causa foi determinado


extraordinariamente, como medida extrema e em função da
Pandemia, não se podendo exigir que no prazo exíguo do Edital
os candidatos adivinhassem que esse processo excepcional iria
ocorrer e desistissem das suas inscrições realizadas noutras
Instituições de Ensino do País. 

Nesse sentido, nota-se que o Edital 101/2020-PROG-UEMA foi


publicado em 08.05.2020, oportunidade em que a impetrante
tomou conhecimento do processo especial de revalidação do
diploma, se inscreveu e diligenciou no sentido de desistir do
certame anterior que se inscrevera na UFMT, conforme o termo
de declaração de desistência, o que foi deferido deferido em

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03.07.2020, muito antes da publicação do edital que prelacionou
os pleitos indeferidos.

E esse caso se torna mais crítico quando se observa que a autora


demonstrou sua desistência do processo de revalidação da
UFMT, antes mesmo, que fosse publicada a lista preliminar de
inscrições deferidas pela UEMA, e, tendo desistido do Revalida
na UFMT, também ficaria sem a oportunidade de validar seu
diploma no Maranhão. Isso está totalmente fora da
razoabilidade, mormente porque há a necessidade de médicos
agora e para os próximos anos, a autora tem direito
constitucional ao acesso ao mercado de trabalho e a revalidação
de seu diploma é um direito subjetivo garantido por lei e por
acordo internacional.

Essas razões têm levado o TJMA a ratificar a liminares  e


tutelas antecipadas concedidas pelas Varas da Fazenda
Pública desta Comarca, em decisões de agravo de
instrumente, entre as quais cita-se as juntadas pela autora
(processos 0811561-37.2020.8.10.0000, 0811412-
41.2020.8.10.0000 e 0811836-83.2020.8.10.0000).

Portanto, há base legal para a sustentação do direito do


impetrante, pelo menos nesta fase inicial de análise, pelo que
constato presente a probabilidade do direito invocado
indispensável ao deferimento da medida.

Por outro lado, o periculum in mora, consistente na


possibilidade de ineficácia da ordem judicial, se concedida ao
final, também está configurado no caso em apreço, tendo em
vista a urgência do impetrante em ter efetivada a sua inscrição
no processo de Revalidação de diploma de médico graduado no
exterior, conforme Edital nº 101/2020-PROG/UEMA, uma vez
que, o processo em questão está em andamento. Ademais, há
mais argumentos a favor da autora, quando se pondera a
situação e se verifica que negar a liminar não teria utilidade para
ele ou para a sociedade, num momento crucial pandemia em que
se precisa de médicos.

Dessa forma, presentes os requisitos necessários à concessão da


medida pleiteada, defiro o pedido de tutela antecipada,
determinando que a Universidade Estadual do Maranhão -
UEMA, proceda à  inscrição da autora, Ana Paula dos Santos de
Oliveira , praticando os cabíveis, no processo de Revalidação de
diploma de médico graduado no exterior, conforme Edital nº
101/2020-PROG/UEMA, no prazo de dez dia, uma vez que ela
não obsta a oportunidade de outro candidato noutra
Universidade deste país,  sob pena de multa diária no valor de

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R$ 200,00 (duzentos reais), destinada ao impetrante e ao FERJ
em partes iguais. (...)

PJE 0818092-05.2021.8.10.0001 – Carlos Henrique Rodrigues


Veloso – Juiz de Direito 2ª Vara da Fazenda Pública MA, 12 de
maio de 2021. (destaquei).

DA TUTELA DE URGÊNCIA

Em conformidade com o art. 300 do CPC, que regula o instituto


da tutela de urgência, adotada pelo legislador pátrio, tem-se como
requisitos para sua concessão: a probabilidade do direito; e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo.

O perigo de dano é patente e decorre do fato de o ato ilegal


praticado pela Requerida, ao indeferir a inscrição dos
Autores sem a adequada fundamentação e exposição de motivos e a
despeito de não haver qualquer fundamento para exclusão, impedir o
prosseguimento no processo de revalidação.

Ademais, é situação de patente urgência, pois os Auores


ficarão sem participar do procedimento revalidatório, de modo que sua manutenção
até o julgamento final poderá causar prejuízo
verdadeiramente irreparável.

Nesse particular, ressalta-se que os requerentes estão


desempregados, impedidos de exercerem sua profissão e tentando
ingressar em processo de revalidação, mas tiveram a inscrição
indeferida injustamente, e sequer podem averiguar adequadamente o
porquê.

A documentação juntada aos autos evidencia a probabilidade


do direito; mais, constitui verdadeira prova pré-constituída. Nesse
sentido, destaca-se o edital de abertura do procedimento especial de
revalidação (anexo),os indeferimentos preliminar e definitivo da
inscrição (anexo), o parecer contendo as razões do indeferimento
(anexo), o pedido e a homologação da desistência do Edital
001/FM/2020 da UFMT(anexo), a lista constando os impetrantes como
desistentes (anexo).

Ressalta-se, ainda, que a tutela aqui pleiteada não tem caráter


de irreversibilidade, vez que a qualquer momento poderá ser revertida
de modo a determinar que os impetrantes sejam excluídos do
procedimento.
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Esses pressupostos são suficientes para que seja deferida a
tutela antecipatória, na forma como regrado pelo art. 300 do CPC c/c art.
7º da Lei 12.016/2009. Nesse particular, traz-se à baila decisão proferida
em caso idêntico, determinando a manutenção da inscrição,
haja vista que o pedido de desistência foi efetivamente realizado.

Por tais razões, deve o presente pleito ser deferido inaudita


altera parte, a fim de que seja determinado a suspensão do ato
impugnado, de modo que os impetrantes permaneçam no processo de
revalidação instaurado pelo Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA.

DO PEDIDO

Ante o exposto requer:


a) Seja deferido o pedido tutela de urgência e evidência, para determinar que a
Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) efetive a inscrição do
autor e dê prosseguimento ao processo de revalidação de seu diploma de
medicina, uma vez que preenche os requisitos legais para tal.

b) O deferimento dos benefícios da justiça gratuita, nos termos do art. 98 e


seguintes do CPC/2015;
c) Informa, por oportuno, a ausência de interesse na realização de audiência de
conciliação/mediação, nos termos do art. 319, VII, do Novo Código de Processo
Civil (Lei n. 13.105 de 2015).
d) Seja a UEMA citada para, querendo, oferecer contestação.
e) No mérito, seja decretada a procedência da presente ação, para
confirmar a tutela de urgência e evidência, e que a requerida cumpra o disposto
na Resolução CNE/CES nº 03/2016 do MEC, Portaria Normativa 22/2016 MEC
e reintegre os Autores ao Edital nº 101/2020 – PROG/UEMA;
f) Protesta provar o alegado com os documentos que vão anexados.

PROVAS VALOR DA CAUSA

Protesta provar o alegado por todos os R$ 79.408,56 (setenta e nove mil


meios de prova em direito admitidos. quatrocentos e oito reais e cinqüenta e
seis centavos), equivalente ao
duodécuplo da remuneração média do
clínico geral (R$ 6.617,38).
Termos em que pede deferimento.
São Luís, 08 de junho de 2021.

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Lorrana de Lima Silva
Advogada- OAB/RO 8748

Diane Keli Alves Tiago


Advogada- OAB/RO 5045

VALDIR STELTER RIBEIRO


Advogado – OAB/RO 10.453

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