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Empresas e direitos humanos – princípios orientadores voltados à proteção ambiental

O meio ambiente e os direitos humanos

Os brasileiros têm o direito constitucional [1] a um ambiente saudável e equilibrado, o que não


representa sua garantia como um direito humano. 

Quando usamos a expressão direito humano ao meio ambiente estamos fazendo uma
afirmação política, com a pretensão de gerar consequências, uma vez que os direitos humanos
tendem a receber ampla proteção dos tribunais, da legislação e da sociedade.

Apesar de não estar previsto desta maneira em nenhum tratado internacional específico a
referência a outros direitos como dignidade, saúde, trabalho, vida, bem estar, moradia,
alimentação, água, livre determinação, inclui necessariamente o reconhecimento do meio
ambiente como direito humano. [2]

Declaração de Estocolmo da Convenção das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e


Desenvolvimento [3] ao Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
(PIDESC), onde os governos signatários reconhecem que nenhum povo pode ser privado de
seus próprios meios de subsistência; os acordos internacionais ambientais e de direitos
humanos reconhecem o direito a uma vida saudável e o meio ambiente como um direito
humano.

Nas discussões da ONU, há três principais dimensões da inter-relação entre direitos humanos
e proteção ambiental: 1) o ambiente como um pré requisito para o gozo dos direitos humanos
(o que implica que as obrigações dos Estados devem incluir a obrigação de garantir o nível de
proteção do ambiente necessário para permitir o pleno exercício dos direitos protegidos); 2)
alguns direitos humanos, especialmente o acesso à informação, à participação na tomada de
decisões, e o acesso à justiça em questões ambientais, como essenciais para um bom
processo de decisão (ou seja, os direitos humanos devem ser implementados a fim de
assegurar a proteção ambiental); e 3) o direito a um ambiente seguro, sadio e ecologicamente
equilibrado como um direito humano em si.

[...] um ambiente saudável como um direito social, comparável àqueles já protegidos pelo
PIDESC.

A liberdade que trata o direito humano ao meio ambiente equilibrado é a liberdade da vida, é a
liberdade de ter condições de manutenção e reprodução da existência garantidas, neste
sentido, a vida se manifesta não só em cada indivíduo, mas também nas relações sociais que
permitam a sua manutenção (DERANI, 1998).
\ https://www.ritimo.org/Direito-Humano-ao-Meio-Ambiente

o meio ambiente nunca foi especificamente mencionado na Declaração Universal dos Direitos
Humanos, o que pode ser confirmado com uma apreciação do documento. Escritório do Alto
Comissariado das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (OHCHR na sigla em inglês)

Atualmente, o OHCHR considera que, ao lado de dignidade e justiça, desenvolvimento, cultura,


gênero e participação, o meio ambiente constitui um dos seis temas transversais dos direitos
humanos.

um relatório recente do Climate Accountability Institute, identificou apenas 100 empresas foram
fonte de mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa desde 1988. [XI] O último
relatório do Instituto pode ser encontrado em:
http://www.climateaccountability.org/pdf/CarbonMajorsRpt2017%20Jul17.pdf. Consultado em
novembro de 2017.

Em 2015, por ocasião dos trabalhos preparatórios para a COP 21 em Paris, o OHCHR enviou
ao Secretariado da Convenção, um documento com “mensagens chave” sobre Direitos
Humanos e Mudanças Climáticas, alertando, entre outras coisas, para a necessidade de
enfatizar obrigações e responsabilidades essenciais não apenas dos Estados, mas de outros
“portadores de deveres”, incluindo as corporações. [XII] Texto do documento da OHCHR,
intitulado Understanding Human Rights and Climate Change, submetido à COP 21, em Paris,
27 November 2015. Disponível em
https://www.ohchr.org/Documents/Issues/ClimateChange/COP21.pdf, consultado em 10 de
setembro de 2018.

https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/direitos-humanos/direitos-humanos-e-meio-
ambiente-no-sistema-das-nacoes-unidas-quais

O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS

Organização dos Estados Americanos – Carta de Bogotá (Colombia, 1948) – 35 estados.

Declaração A Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada na IX


Conferência Internacional Americana, na cidade de Bogotá, em abril de 1948.

Comissão interamericana de direitos humanos

Promover o respeito e defesa dos direitos humanos e servir como órgão consultivo na
Organização.

O Sistema Interamericano de DH tem como principal documentos normativo a Convenção


Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San jose, aprovada em 1969.
Complementada em 1988 pelo Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos
Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos

Orgão consultivo e jurisidiconal do sistema interamericano de direitos humanos

Normas ambientais no sistema interamericano de direitos humanos

15 da Carta

O exercício da democracia facilita a preservação e o manejo adequado do meio ambiente. É


essencial que os Estados do Hemisfério implementem políticas e estratégias de proteção do
meio ambiente, respeitando os diversos tratados e convenções, para alcançar um
desenvolvimento sustentável em benefício das futuras gerações.

No Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de


Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1988, também conhecido como Protocolo de San
Salvador, encontra-se a exposição de tal direito, no artigo 11, o qual trata do direito a um meio
ambiente sadio e preceitua que “toda pessoa tem direito a viver em meio ambiente sadio e
a contar com os serviços públicos básicos” e que “os Estados Partes promoverão a
proteção, preservação e melhoramento o meio ambiente

Direitos humanos e empresas

Discussoes sobre o tema empresas e direitos humanos iniciam-se na década de 70

Apenas em 2011, que os Princípios Orientadores Sobre Direitos Humanso e empresas foram
apresentados na esfera do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
“Proteger, respeitar e remediar” formam os três pilares sobre os quais os POs são construídos:

(1) os estados têm o dever de proteger contra violações dos direitos humanos por terceiros,
incluindo empresas, por meio de políticas, regulamentos, legislação e implementação efetiva;

(2) as empresas têm uma responsabilidade independente de respeitar os direitos humanos: ou


seja, evitar impactar negativamente os direitos humanos das pessoas por meio de suas
atividades ou relações comerciais e lidar com danos que ocorram;

(3) quando os direitos humanos forem prejudicados, indivíduos e comunidades afetados devem
ter acesso mecanismos de reparação eficazes, nos quais tanto estados quanto empresas têm
um papel a desempenhar.

30 princípios ao todo.

possuem estreita relação com os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

11. As empresas devem respeitar os direitos humanos. Isso signifi ca que elas devem se
abster de violar os direitos humanos e devem enfrentar os impactos adversos nos
direitos humanos com os quais tenham algum envolvimento.

12. A responsabilidade das empresas de respeitar os direitos humanos refere-se aos direitos
humanos internacionalmente reconhecidos – entendidos, no mínimo, como aqueles expressos
na Carta Internacional de Direitos Humanos e os princípios de direitos fundamentais
estabelecidos na Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre os Princípios e
Direitos Fundamentais no Trabalho

13. A responsabilidade de respeitar os direitos humanos exige que as empresas:

(a) Evitem causar ou contribuir para impactos adversos nos direitos humanos por meio de suas
próprias atividades e enfrentem esses impactos quando eles vierem a ocorrer;

(b) Busquem prevenir ou mitigar impactos adversos nos direitos humanos que estejam
diretamente relacionados às suas atividades e operações, produtos ou serviços prestados em
suas relações comerciais, mesmo se elas não tiverem contribuído para esses impactos.

14. A responsabilidade das empresas de respeitar os direitos humanos aplica-se a todas as


empresas, independentemente de seu tamanho, setor, contexto operacional, proprietário e
estrutura. Contudo, a magnitude e a complexidade dos meios pelos quais as empresas
cumprem com essa responsabilidade pode variar em função desses fatores e da gravidade dos
impactos adversos das empresasnos direitos humanos.

15. Para cumprir com sua responsabilidade de respeitar os direitos humanos, as empresas
devem ter políticas e processos adequados em função do seu tamanho e circunstâncias,
incluindo:

(a) Um compromisso político de observar sua responsabilidade de respeitar os direitos


humanos;

(b) Um processo de devida diligência em direitos humanos para identificar, prevenir, mitigar e
prestar contas de como elas abordam seus impactos nos direitos humanos;

(c) Processos que possibilitem reparar quaisquer impactos adversos nos direitos humanos
causados por elas ou para os quais tenham contribuído.

17. Devida diligencia


A resolução 26/9, para elaboração do Tratado Internacional sobre Empresas e Direitos
Humanos - marco histórico no processo de luta em defesa dos Direitos Humanos contra
violações cometidas por empresas.

BRF S.A.. DOENÇA OCUPACIONAL. LESÕES EM OMBROS. TRABALHO DESENVOLVIDO


POR MAIS DE 25 ANOS. MEIO AMBIENTE DO TRABALHO. ELIMINAÇÃO DOS RISCOS.
TEORIA DO ENFOQUE DE DIREITOS HUMANOS. VIOLAÇÃO À NORMATIVA DE
DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS. DECRETO 9.571/2018. COMPROMISSO
COLETIVO. RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR. NEXO DE CAUSALIDADE
RECONHECIDO. CONCAUSA. INDENIZAÇÕES POR DANOS MORAIS E MATERIAIS
PLENAMENTE CABÍVEIS.

Decreto 9571/2018 que possui status de norma constitucional (art. 5º, §§ 2º e 3º, da
CRFB), por intermédio o pelo qual se estabeleceram as Diretrizes Nacionais sobre
Empresas e Direitos Humanos

(TRT-4 - ROT: 00209597420185040664, Data de Julgamento: 11/05/2020, 8ª Turma)

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