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ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 3 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 4

1. INTRODUÇÃO DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO EM SISTEMA NERVOSO


CENTRAL E SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO
O sistema nervoso central é aque-
le que se localiza dentro do esque-
leto axial (cavidade craniana e canal Diencéfalo
vertebral). Assim, encéfalo e medula
constituem o sistema nervoso central.
Cérebro Telencéfalo
No encéfalo temos cérebro, cerebelo
e tronco encefálico. O tronco ence-
fálico é formado pelo mesencéfalo, Encéfalo Cerebelo Mesencéfalo
ponte e bulbo. A ponte separa o bul-
SNC
bo, situado caudalmente, do mesen-
céfalo, situado cranialmente. Dorsal- Medula espinhal Tronco encefálico Ponte

mente à ponte e ao bulbo, localiza-se


o cerebelo. Figura 1. Partes componentes do sistema nervoso
central Bulbo
Fonte: MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia
funcional: 3. Ed. São Paulo: Atheneu, 2014.
CONCEITO! Encéfalo é o conjunto de Espinhais
estruturas que estão anatomicamente e
fisiologicamente ligadas do qual fazem Nervos
parte o cérebro, o cerebelo e o tronco en- Entenda também a divisão do Sis-
Cranianos
cefálico, constituindo, juntamente com a tema Nervoso em Sistema Nervoso Sistema
medula, o sistema nervoso central. Central e Sistema Nervoso Periférico: Nervoso Gânglios
Periférico

Terminações nervosas

No sistema nervoso central há regi- Por outro lado, as regiões com uma
ões com alta concentração de corpos grande quantidade de prolongamen-
celulares de neurônios e regiões com tos de neurônios (axônios) possuem
alta concentração de prolongamentos grande quantidade de fibras nervo-
de neurônios, principalmente axônios. sas mielinizadas e por essa razão
As regiões com grande concentra- apresentam coloração esbranquiça-
ção de corpos celulares de neurônios da. Constituem a  substância bran-
têm coloração acinzentada, sendo ca do sistema nervoso central.
por isso denominadas  substância Enquanto que a substância cinzenta
cinzenta do sistema nervoso central. é o local de recepção e de integração
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 5 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 6

de informações e respostas, a subs- 2. DIENCÉFALO


tância branca constitui as vias de co- O diencéfalo e o telencéfalo formam Tálamo
municação entre o sistema nervoso o cérebro, que corresponde a porção Os tálamos são duas massas volumo-
central e os locais externos ao siste- mais desenvolvida do encéfalo. O te- sas de substância cinzenta, de forma-
ma nervoso central. É também via de lencéfalo encobre quase completa- to ovoide, dispostas uma de cada lado
comunicação entre diferentes regiões mente o diencéfalo, que permanece na porção laterodorsal do diencéfalo,
do sistema nervoso central. em situação mediana, podendo ser unidas pela aderência intertalâmi-
A  substância cinzenta  está presente visto apenas na face inferior do cé- ca e que delimitam a parte posterior
principalmente na periferia do órgão, rebro. O diencéfalo compreende as do terceiro ventrículo. A extremidade
logo abaixo de sua superfície, formando seguintes partes: tálamo, hipotálamo, posterior, maior que a anterior, apre-
o córtex cerebral; e no interior do cére- epitálamo e subtálamo, todas em re- senta uma grande eminência, o pul-
Figura 2 Representação da sustância branca e cinzen-
bro, em aglomerados de diferentes ta- ta em corte coronal lação com o III ventrículo. vinar, que se projeta sobre os corpos
manhos denominados núcleos. A subs- Fonte: Retirada de www.morfofisiologianeurolocomoto- geniculados. O corpo geniculado me-
ra.wordpress.com
tância branca ocupa o interior do órgão, Tálamo dial faz parte da via auditiva e o late-
abaixo do córtex e em torno dos núcleos. ral da via óptica, sendo denominados
Hipotálamo por alguns autores como metatála-
Diencéfalo mo, que o consideram uma divisão do
Epitálamo
diencéfalo.
Substância Substância Subtálamo
branca cinzenta

Formada por prolongamentos


Formada por corpos celulares
de neurônios

Coloração esbranquiçada Recepção e integração de


devido a bainha de mielina informações e respostas

Via de comunicação entre Forma o córtex


SNC e locais externos cerebral e os núcleos

Está abaixo do córtex e em


torno dos núcleos

Figura 3 Representação esquemática do tálamo


Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 7 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 8

A face lateral do tálamo é separada SE LIGA! Síndrome talâmica: trata-se


3. Túber cinéreo: massa convexa de Epitálamo
do telencéfalo pela cápsula interna, de uma condição que surge após o der- substância cinzenta que se loca-
Localiza-se mais posteriormente ao III
um compacto feixe de fibras que liga rame talâmico, um acidente vascular ce- liza entre os corpos mamilares e
rebral (AVC) que causa danos ao tálamo. ventrículo, abaixo do tálamo. A glându-
o córtex cerebral a centros nervosos quiasma óptico. É a região onde se
Caracteriza-se por hemiplegia (paralisia la pineal é a sua estrutura mais eviden-
subcorticais. prende o infundbulo.
da metade sagital do corpo, seja direita te, sendo uma glândula endócrina me-
A face inferior do tálamo continua ou esquerda), hemianestesia (anestesia 4. Corpos mamilares: são duas emi-
ou perda da sensibilidade em metade
diana de forma piriforme, que repousa
com o hipotálamo e o subtálamo. sagital do corpo), hemitaxia (perda ou
nências de formato arredondado, sobre o teto do mesencéfalo. Sua base
descontrole da coordenação em metade dispostas lado a lado, formadas prende-se anteriormente a dois feixes
sagital do corpo) e astereognosia (per- por substância cinzenta. transversais de fibras que cruzam o
da da capacidade de reconhecer objetos
pelo tato) e dores no lado hemiplégico. plano mediano, a comissura posterior
e a comissura das habênulas.
Possui importantes funções, relacio-
nadas sobretudo com o controle da Recesso pineal é um pequeno pro-
Hipotálamo longamento da cavidade ventricular
atividade visceral, regula o sistema
O hipotálamo é uma área relativamen- nervoso autônomo, as glândulas en- que penetra na glândula entre as co-
te pequena – cerca de 4 cm3 do tecido dócrinas, controla o equilíbrio de lí- missuras. A comissura posterior loca-
nervoso - situada abaixo do tálamo. As quidos e eletrólitos, sendo o principal liza-se no ponto em que o aqueduto
estruturas que formam o hipotálamo responsável pela homeostase. cerebral se liga ao III ventrículo e é
e que estão localizadas nas paredes considerada como limite entre o dien-
laterais e no assoalho do III ventrículo céfalo e o mesencéfalo.
são: quiasma óptico, infundíbulo, túber
cinéreo e corpos mamilares (de senti- SE LIGA! A glândula pineal produz o hor-
do anterior para posterior). mônio melatonina, que diminui com a ida-
de e influi sobre o ritmo sazonal e circa-
1. Quiasma óptico: localiza-se no diano, sobre o ciclo sono-vigília e sobre a
assoalho do III ventrículo, em sua reprodução. Apresenta um padrão de se-
Figura 4. Núcleos da base do cérebro
porção anterior e recebe fibras dos creção dia-noite, sensível a luminosidade,
Fonte: retirado de www.anatomiadocorpo.com com início de elevação no início da noite e
nervos ópticos (II par), que em par-
queda no final. Uma via neural complexa
te cruzam e continuam nos tratos envolve as células ganglionares da retina
Figura 5. Estruturas do hipotálamo
O tálamo é um dos mais importantes ópticos e se dirigem para os corpos que se conectam aos pinealócitos.
Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6.
centros de integração de impulsos geniculados laterais. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.

nervosos. Atualmente acredita-se 2. Infundíbulo: formação de forma-


que algumas sensações dolorosas, to cônico, que se prende ao túber SE LIGA! O hipotálamo é uma estrutura
térmicas e táteis são identificadas cinéreo. A sua extremidade superior responsável por interagir com o sistema
conscientemente ao nível do tálamo. dilata-se para constituir a eminência nervoso autônomo e o sistema neuroen-
dócrino, e integra respostas aferentes in-
Através de suas inúmeras interliga- mediana do túber cinéreo, enquan- ternas/externas com a análise do córtex
ções, é possível que esse centro se to sua extremidade inferior conti- cerebral. Lesões hipotalâmicas são geral-
relacione também com o controle da nua com o processo infundibular, ou mente associadas a síndromes endócri-
vigília e do sono. nas disseminadas e distúrbios motores,
lobo nervoso da neuro-hipófise. Figura 6. Estruturas do epitálamo
emocionais, metabólicos e viscerais
Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6.
Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.
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Subtálamo 3. TELENCÉFALO
O subtálamo é a zona de transição O telencéfalo compreende os dois
entre o diencéfalo e o tegmento do hemisférios cerebrais e a lâmina ter-
mesencéfalo. É considerado a menor minal situada na porção anterior do III
formação  diencéfalica, e sua princi- ventrículo. Os dois hemisférios, afas-
pal formação é o núcleo subtalâmico, tados pela fissura longitudinal, são
relacionado com o controle do movi- unidos por uma larga faixa de fibras
mento somático. comissurais, o corpo caloso.
Em relação à sua localização, é limita- A superfície do cérebro, córtex cere-
do lateralmente pela cápsula interna, bral, apresenta depressões denomi- Figura 9. Lobo da Ínsula
medialmente pelo hipotálamo e su- nadas sulcos, que delimitam os giros Fonte: retirado de www.kenhub.com
periormente pelo tálamo. cerebrais.
Os sulcos mais importantes dos he- SE LIGA! A divisão em lobos, embora de
misférios cerebrais são o sulco late- grande importância clínica, não corres-
ral (de Sylvius) e o sulco central (de ponde a uma divisão funcional, exceto
pelo lobo occipital, que está todo, direta
Rolando). ou indiretamente, relacionado com a vi-
são.

Figura 8. Lobos do cérebro a partir de uma visão


sagital mediana e lateral. Os lobos são de cor vermelha
Figura 7. Núcleo subtalâmico (frontal), azul (parietal), verde (occipital) e amarela (tem-
Fonte: retirado de www.sciencesource.com poral) e rosa (límbica).
Fonte: retirado de www.sciencesource.com

SAIBA MAIS!
A existência dos sulcos permite considerável aumento de superfície sem grande aumento do
volume cerebral. Cerca de 2/3 da área ocupada pelo córtex cerebral estão “escondidos” nos
sulcos.

Os sulcos ajudam a delimitar os lo- temporal, parietal e occipital. Além


bos cerebrais, que recebem o nome desses, existe a ínsula, situada pro-
de acordo com a sua localização em fundamente no sulco lateral e que
relação aos ossos do crânio: frontal, não tem relação imediata com os os-
sos do crânio.
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MAPA MENTAL TELENCÉFALO Os giros existentes no lobo temporal O lobo parietal possui 2 sulcos prin-
são cipais: pós central e intraparietal.
Além disso, possui 3 giros:
• Giro temporal superior: entre os
sulcos lateral e temporal superior. • Giro pós central: entre os sulcos
Telencéfalo central e pós-central, onde se lo-
• Giro temporal médio: entre os sul-
caliza uma das mais importantes
cos temporal superior e temporal
áreas sensitivas do córtex, a área
inferior.
somestésica.
Dois hemisférios cerebrais Lâmina terminal • Giro temporal inferior: abaixo do
• Giro supramarginal: curvado, em
sulco temporal inferior.
torno da extremidade posterior do
Superfície cerebral possui
• Giros temporais transversos: locali- sulco lateral.
zados no assoalho do sulco lateral.
• Giro angular: curvado em torno da
porção terminal e ascendente do
Sulcos sulco temporal superior.

Delimitam giros Delimitam lobos

Frontal Temporal Parietal Occipital Ínsula

é denominado giro de Broca, e aí se


Face dorsolateral
localiza, na maior parte das pessoas,
É a maior face cerebral e contém os 5 uma das áreas de linguagem do cére-
lobos cerebrais: frontal, temporal, pa- bro. Além disso, o giro frontal inferior
rietal, occipital e ínsula pode ser dividido em três partes: or-
No lobo frontal, existem 3 sulcos prin- bital, triangular e opercular.
cipais: pré central, frontal superior e o No lobo temporal, existem dois sul- Figura 10. Face dorsolateral de um hemisfério cerebral

frontal inferior. Entre o sulco central e cos principais: temporal superior e Fonte: retirado de www.kenhub.com

sulco pré central, está o giro pré cen- temporal inferior. Neste lobo, evi-
tral, onde se localiza a principal área dencia-se a área da audição localiza- O lobo occipital se localiza na face A ínsula pode ser observada ao se
motora do cérebro. Além desse im- da no giro temporal transverso ante- dorsolateral do cérebro, ocupando afastar os lábios do sulco lateral (figu-
portante giro, o lobo frontal possui os rior, que é a porção posterior do giro uma área pequena. Apresenta giros e ra 9). Este lobo cerebral é o de menor
giros frontal superior, frontal médio temporal superior, visível afastando- sulcos irregulares. crescimento durante o desenvolvi-
e frontal inferior. O giro frontal infe- -se os lábios do sulco lateral. mento, por isso fica recoberto pelos
rior do hemisfério cerebral esquerdo
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lobos vizinhos (frontal, temporal e pa- o rostro do corpo caloso, que ter-
rietal). mina na comissura anterior. Entre
Apresenta alguns sulcos e giros, den- a comissura anterior e o quiasma
tre eles: sulco circular da ínsula, sulco óptico há a lâmina terminal, subs-
central da ínsula, giros curtos e giro tância branca fina que une os he-
longo da ínsula. misférios cerebrais e forma o limite
anterior do III ventrículo.
2. Fórnix: feixe complexo de fibras,
Face medial não pode ser visto em toda sua
Seccionando o cérebro no plano sagi- extensão no corte sagital. Emer-
tal mediano é possível visualizar es- ge abaixo do esplênio do corpo
truturas como o corpo caloso (con- caloso. Constituído por duas me-
junto de fibras mielínicas que formam tades laterais e simétricas, unidas
a maior comissura inter-hemisférica), no trajeto do corpo caloso. Divide-
o fórnix e o septo pelúcido. -se em: corpo do fórnix, no qual
1. Corpo caloso: conjunto de fibras suas duas metades se unem; co-
mielínicas que cruzam o plano lunas do fórnix, extremidades que
sagital e mediano e penetram de se afastam anteriormente; pernas
cada lado no centro branco me- do fórnix: extremidades que se
dular, unindo áreas simétricas do afastam posteriormente. As colu-
córtex de cada hemisfério cerebral. nas do fórnix terminam no corpo
Divide-se em: tronco que se di- mamilar correspondente, cruzan-
lata posteriormente no esplênio e do a parte lateral do III ventrículo.
se flete anteriormente em direção As pernas divergem e penetram
a base do cérebro para constituir em cada lado do corno inferior do
o joelho que se afilae para formar ventrículo lateral, onde se ligam ao Figura 11.. Hipocampo e fórnice
hipocampo. Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.

3. Septo pelúcio: estende-se entre o • Sulco calcarino: localizado na face


corpo caloso e o fórnix, separa os medial do lobo occipital. Nos lábios
dois ventrículos laterais. desse sulco localiza-se a área vi-
sual.
O lobo occipital, visto na face medial, • Além disso, possui alguns giros:
possui dois sulcos:
• Cúneos: giro de forma triangular,
• Sulco parieto-occipital separa o entre o sulco parieto-occipital e o
lobo parietal do occipital. sulco calcarino.
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• Giro occipito-temporal: abaixo ◊ Ramo marginal: que se curva Face inferior -hipocampal, cuja porção anterior
do sulco calcarino, continua ante- na direção da margem supe- se curva em torno do sulco do hi-
A face inferior do lobo temporal
riormente com o giro para-hipo- rior do hemisfério. pocampo para formar o úncus.
apresenta três sulcos principais, de
campal no lobo temporal. ◊ Sulco subparietal: que conti- direção longitudinal: • Sulco do hipocampo
nua posteriormente na direção
do sulco do cíngulo. • Sulco occipito-temporal: junta-
Os lobos frontal e parietal, vistos na mente com o sulco temporal inferior SE LIGA! A parte anterior do giro para-
face medial, possuem alguns sulcos: • Sulco paracentral: destacando- limita o giro temporal inferior. Medial- -hipocampal é a área entorrinal, relacio-
nada com a memória e uma das primei-
• Sulco do corpo caloso: começa -se do sulco do cíngulo em direção mente, se limita com o sulco colate- ras regiões do cérebro a serem lesadas
abaixo do rostro do corpo caloso, à margem superior do hemisfério. ral, o giro occipito-temporal lateral. na doença de Alzheimer.
contorna o tronco e o esplênio, Na face medial superior do lobo
frontal e parietal encontra-se o ló- • Sulco colateral: pode ser contínuo
onde continua, já no lobo temporal, com o sulco rinal. Inicia-se próximo
bulo paracentral. Nas partes an- A face inferior do lobo frontal apre-
com o sulco do hipocampo. ao pólo occipital e se dirige para
terior e posterior dessa estrutura senta um único sulco importante, o
• Sulco do cíngulo: curso paralelo ao localizam-se, respectivamente, as frente, delimitando com o sulco sulco olfatório, que aloja o bulbo ol-
sulco do corpo caloso, do qual é se- áreas motora e sensitiva, relacio- calcarino e o sulco do hipocam- fatório, estrutura que recebe os fila-
parado pelo giro do cíngulo. Poste- nadas com a perna e o pé. po, respectivamente, o giro occípi- mentos que constituem o nervo olfa-
riormente divide-se em dois ramos: to-temporal medial e o giro para- tório, I par craniano.

Figura 12. Face medial de um hemisfério cerebral


Fonte: retirado de www.kenhub.com Figura 13. Face inferior do cérebro
Fonte: retirado de www.kenhub.com
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SE LIGA! O bulbo olfatório, de formato ◊ Lateral e Inferior: Fórnix, tála- Os núcleos da base são corpos neu- caudado, observa-se discreta emi-
ovoide e achatado, composto por subs-
tância cinzenta, continua posteriormente
mo, veia tálamo estriada, es- ronais, ou seja, substância cinzenta, e nência arredondada formada pela
com o trato olfatório e ambos se alojam tria terminal e caudado. tem atuação na modulação da ativi- amígdala cerebral.
no sulco olfatório. O trato se bifurca, pos- dade motora. Compõem os núcleos
teriormente e forma as estrias olfatórias • Núcleo caudado: possui cabeça,
da base: o núcleo caudado, núcleo
medial e lateral, que delimitam o trígo- • Corno posterior: estende-se para corpo e cauda. A cabeça do npu-
lentiforme o claustrum, o corpo amig-
no olfatório. Atrás do trígono e adiante
dentro do lobo occipital. Tem como cleo caudado se funde com a parte
do trato óptico, localiza-se a substância daloide (ou amígdala) e o núcleo ac-
limite o corpo caloso em toda sua anterior do putâmen e forma então
perfurada anterior, por onde passam pe- cumbens.
quenos vasos. formação. o corpo estriado, que tem relação
Na extremidade da cauda do núcleo com a motricidade.
• Corno inferior: curva-se inferior-
Ventrículos laterais mente e depois anteriormente em
Putâmen
Os hemisférios cerebrais possuem direção ao polo temporal a partir
Núcleo lentiforme
cavidades revestidas de epêndima do trígono colateral. Possui como Corpo Globo pálido
limites estriado
e contendo líquido cerebroespinhal, Núcleo caudado
os ventrículos laterais esquerdo e ◊ Inferior: Sulco colateral e hipo-
direito, que se comunicam com o III campo.
ventrículo pelo respectivo forame in- relação lateral extrema.
◊ Súpero-medial: Cauda do cau- • Núcleo lentiforme: localizado la-
terventricular. Divisões do ventrículo dado, estria terminal e corpo teral e anteriormente ao tálamo. • Corpo amigdaloide: localizado
lateral são: amigdaloide. Formado pelo putâmen e globo na parte anterior do lobo temporal
• Corno anterior: possui como limi- ◊ Anterior, posterior e lateral: pálido. O globo pálido é dividido e tem relação com as emoções e
tes Substância branca. pela lâmina medular medial em principalmente com o medo.
segmento interno e segmento ex-
◊ Anterior e superior: corpo ca- • Hipocampo: acima do giro para- • Núcleo accumbens: situado na
terno.
loso -hipocampal. Constituído de ar- zona de união entre o caudado e o
◊ Posterior: Forame interventri- queocorte, tem funções relaciona- • Claustrum: se localiza próximo ao putâmen. Importante área de pra-
cular.  das à memória. Liga-se às pernas córtex da ínsula. Tem como relação zer do cérebro.
do fórnix por um feixe de fibras si- medial a cápsula externa e como
◊ Medial: Septo pelúcido.
tuadas ao longo de sua borda me-
◊ Lateral e assoalho: Cabeça do dial, a fímbria do hipocampo.
Caudado
• Corpo: estende-se de dentro do
Estruturas subcorticais
lobo parietal. Possui como limites:
◊ Superior: Corpo Caloso. Além do córtex, já descrito, o telencé-
falo compreende também estruturas
◊ Posterior: Esplênio do corpo subcorticais como os núcleos da base
caloso. e a substância branca.
◊ Medial: Septo pelúcido.
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 19 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 20

A cápsula interna possui a grande truir a coroa radiada. A cápsula inter-


maioria das fibras que saem e entram na possui uma perna anterior, situada
no córtex cerebral. Estas fibras for- entre a cabeça do núcleo caudado e o
mam um feixe compacto que separa núcleo lentiforme, e uma perna pos-
o núcleo lentiforme (lateralmente) do terior, maior, localizada entre o núcleo
núcleo caudado e do tálamo (medial- lentiforme e o tálamo. Estas duas por-
mente). Acima dos núcleos, as fibras ções encontram-se e formam um ân-
da cápsula interna passam a cons- gulo que constitui o joelho da cápsula
interna.

Figura 14. Núcleos da base


Fonte: retirado de https://www.kenhub.com/

A substância branca é formada por ras telencefálicas: corpo caloso, co-


fibras mielínicas que ligam o córtex missura anterior e comissura do fór-
cerebral a centros subcorticais (fibras nix. As fibras de projeção se dispõem
de projeção) e unem áreas corticais em dois feixes: o fórnix e a cápsula
situadas em pontos diferentes do cé- interna. O fórnix une o córtex do hi-
rebro (fibras de associação). As fibras pocampo ao corpo mamilar e contri-
de associação abrangem as comissu- bui pouco para a formação do centro
medular branco.

Figura 15. Secção horizontal do cérebro


Fonte: NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana: 6. Ed. Philadelphia: Elsevier, 2014.
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 22

4. TRONCO ENCEFÁLICO
O tronco encefálico interpõe-se entre
a medula e o diencéfalo, situando-
-se ventralmente ao cerebelo. Na sua
constituição entram corpos de neurô-
nios que se agrupam em núcleos e
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 21 fibras nervosas, que, por sua vez, se
agrupam em feixes denominados tra-
tos, fascículos ou lemniscos.
MAPA MENTAL ANATOMIA DO TELENCÉFALO

Unem regiões de um Comunicam o córtex a Unem regiões homólogas


mesmo hemisfério outras estruturas do SNC entre hemisférios
CONCEITO! Se liga nessas definições:
Figura 16. Tronco encefálico em corte sagital
Associação Projeção Comissural Tratos: feixe de fibras nervosas que pos-
Fonte: retirado de www.sciencesource.com
suem aproximadamente a mesma ori-
Emaranhado de tratos gem e têm a mesma função e destino.
Aglomerados de corpos
celulares de neuônios
Fascículos: refere-se a um trato mais Bulbo
SUBSTÂNCIA compacto.
BRANCA
Produção de líquor
pelos plexos coroides
Composto por
Lemnisco: significa fita e é empregado O bulbo ou medula oblonga tem a for-
Corpo
para feixes de fibras sensitivas que le- ma de um tronco de cone, cuja menor
Revestidos de células VENTRÍCULOS NÚCLEOS amigdaloide vam impulsos ao tálamo. extremidade continua caudalmente
ependimárias LATERAIS DA BASE Núcleo
Núcleo
accubens
estriado
dorsal
com a medula espinhal. Não há uma
Dividido em (motricidade)
Muitos dos núcleos do tronco ence- linha de demarcação nítida entre me-
Corpo
CÓRTEX CEREBRAL Claustro
fálico recebem ou emitem fibras ner- dula e bulbo, por isso, considera-se
vosas que entram na constituição dos que o limite entre eles está num plano
Corno anterior Núcleo Globo
Hemisférios Lobos
caudado
Putâmen
pálido
nervos cranianos. Dos 12 pares de horizontal que passa imediatamen-
Corno posterior Esquerdo Occipital Área visual
nervos cranianos, 10 fazem conexão te acima do filamento radicular mais
Corno anterior Direito Parietal Área sensitiva
Núcleo
lentiforme no tronco encefálico. A identificação cranial do primeiro nervo cervical, o
Temporal Área auditiva
(motricidade)
destes nervos e de sua emergência que corresponde ao nível do forame
do tronco encefálico é um aspecto magno do osso occipital. O limite su-
Frontal Área motora

importante do estudo deste segmen- perior do bulbo se faz em um sulco


to do sistema nervoso central. horizontal visível no contorno ventral
do órgão, o sulco bulbo-pontino, que
O tronco encefálico se divide em: bul- é a margem inferior da ponte.
bo, situado caudalmente: mesencéfa-
lo, situado cranialmente; e ponte, situ-
ada entre ambos.
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 23 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 24

Entre os sulcos lateral anterior e lateral Do sulco lateral posterior emergem os


posterior temos a área lateral do bul- filamentos radiculares, que se unem
bo, onde se observa uma eminência para formar os nervos glossofaríngeo
oval, a oliva, formada por uma grande (IX par) e vago (X par), além dos fila-
massa de substância cinzenta, o nú- mentos que constituem a raiz crania-
cleo olivar inferior, situado logo abai- na ou bulbar do nervo acessório (XI
xo da superfície. Ventralmente à oliva par), que se une com a raiz espinhal
emergem do sulco lateral anterior os advinda da medula. A metade caudal
filamentos radiculares do nervo hipo- do bulbo ou porção fechada do bul-
glosso, XII par craniano. bo é percorrida por um estreito canal,
continuação direta do canal central
SE LIGA! o núcleo olivar inferior liga-se
da medula. Este canal se abre para
ao cerebelo através das fibras olivocere- formar o IV ventrículo, cujo assoalho
belares e estão envolvidas na aprendi- é em parte constituído pela metade
zagem motora. rostral, ou porção aberta do bulbo.

Figura 17. Vista anterior do tronco encefálico


Fonte: retirado de www.kenhub.com

A superfície do bulbo é percorrida lon- feixes interdigitados que obliteram a


gitudinalmente por sulcos que conti- fissura mediana anterior e constituem
nuam com os sulcos da medula. Es- a decussação das pirâmides.
tes sulcos delimitam as áreas anterior
(ventral), lateral e posterior (dorsal) do
bulbo, que aparecem como uma conti-
nuação direta dos funículos da medula. SE LIGA! De-
cussação é a
De cada lado da fissura mediana an- formação ana-
terior existe uma eminência alonga- tômica consti-
tuída por fibras
da, a pirâmide, formada por um feixe nervosas que
compacto de fibras nervosas descen- cruzam obliqua-
dentes que ligam as áreas motoras mente o plano
mediano e que
do cérebro aos neurônios motores
têm aproxi-
da medula, que será estudado com madamente a Figura 18. Vista posterior do tronco encefálico
o nome de trato córtico-espinhal ou mesma direção
Fonte: retirado de www.kenhub.com
trato piramidal. Na parte caudal do (ex: pirâmides).
Já as fibras da comissura cruzam perpen-
bulbo, as fibras deste trato cruzam dicularmente e têm direções opostas (ex:
obliquamente o plano mediano em corpo caloso).
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 25 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 26

O sulco mediano posterior termina na parte basilar do osso occipital e o dorso íntimas. Entre os dois, emerge o ner- metade caudal do tecto do ventriculo.
metade do bulbo, devido ao afasta- da sela túrcica do esfenoide. Sua base, vo intermédio, que é a raiz sensitiva Por meio destas cavidades o líquido
mento de seus lábios, que contribuem situada ventralmente, apresenta es- do VII par. cérebro-espinhal, que enche a cavi-
para a formação dos limites laterais triação transversal em virtude da pre- dade ventricular, passa para o espaço
do IV ventrículo. Entre este sulco e o sença de numerosos feixes de fibras SE LIGA! A síndrome ângulo ponto-ce-
subaracnóideo.
sulco lateral posterior está situada a transversais que a percorrem. Estas rebelar ocorrem em casos de tumores Assoalho do IV ventrículo: tem for-
área posterior do bulbo, continuação fibras convergem de cada lado para que acometem essa área. É bem rica em
ma losângica e é formado pela parte
do funículo posterior da medula e, formar um volumoso feixe, o pedúncu- sintomatologia devido a grande quanti-
dade de raízes nervosas presentes nes- dorsal da ponte e da porção aberta do
como este, dividida em fascículo grá- lo cerebelar médio, que penetra no he- sa área. bulbo. Limita-se ínfero-lateralmente
cil e fascículo cuneiforme pelo sulco misfério cerebelar correspondente. pelos pedúnculos cerebelares inferio-
intermédio posterior. res e pelos tubérculos do núcleo grá-
Estes fascículos são constituídos por A parte dorsal da ponte não apresen- cil e do núcleo cuneiforme. Limita-se
SE LIGA! o pedúnculo cerebelar médio
fibras nervosas ascendentes, pro- só apresenta fibras aferentes que che- ta linha de demarcação com a par- súpero-lateralmente pelos pedúncu-
venientes da medula, que terminam gam dos núcleos pontinos. te dorsal da porção aberta do bulbo, los cerebelares superiores, ou bra-
em duas massas de substância cin- constituindo ambas o assoalho do IV ços conjuntivos, compactos feixes de
zenta, os núcleos grácil e cuneiforme, ventrículo. fibras nervosas que, saindo de cada
Considera-se como limite entre a
situados na parte mais cranial dos ponte e o braço da ponte o ponto de hemisfério cerebelar, fletem-se cra-
respectivos fascículos, onde deter- emergência do nervo trigêmeo, V par Quarto ventrículo nialmente e convergem para penetrar
minam o aparecimento de duas emi- craniano. Esta emergência se faz por no mesencéfalo.
nências, o tubérculo do núcleo grácil, O quarto ventrículo é uma cavidade
duas raízes, a raiz sensitiva do ner- O assoalho é percorrido em toda a sua
medialmente, e o tubérculo do núcleo que tem uma forma losângica e está
vo trigêmeo e a raiz motora do nervo extensão pelo sulco mediano, que se
cuneiforme, lateralmente. Essas emi- situada entre o bulbo e a ponte ven-
trigêmeo. Percorrendo longitudinal- perde cranialmente no aqueduto ce-
nências são separadas por conta do tralmente, e o cerebelo, dorsalmente.
mente a superfície ventral da ponte rebral e caudalmente no canal central
surgimento do IV ventrículo, continu- Continua caudalmente com o canal
existe um sulco, o sulco basilar, que do bulbo. De cada lado do sulco me-
ando-se cranialmente no pedúnculo central do bulbo e cranialmente com
geralmente aloja a artéria basilar. diano existe a eminência medial, limi-
cerebelar inferior. o aqueduto cerebral, através da qual
A parte ventral da ponte é separada o IV ventrículo, se comunica com o III tada lateralmente pelo sulco limitante.
do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, ventrículo. A cavidade do IV ventri- Este sulco separa os núcleos motores,
CONCEITO! O pedúnculo cerebelar in- de onde saem de cada lado a partir culo se prolonga de cada lado para derivados da lâmina basal e situados
ferior é uma estrutura constituída por
da linha mediana o VI, VII e VIII pares formar os recessos laterais, situados medialmente, dos núcleos sensitivos,
grosso feixe de fibras de conexão entre
cranianos. O VI par, nervo abducente, na superfície dorsal do pedúnculo ce- VI, derivados da lâmina alar e situa-
o bulbo e a medula com o cerebelo.
emerge entre a ponte e a pirâmide do rebelar inferior. Estes recessos se co- dos lateralmente.
bulbo. O VIII par, nervo vestíbulo-co- municam de cada lado com o espaço De cada lado, o sulco limitante se alar-
clear, emerge lateralmente, próximo a subaracnóideo por meio das abertu- ga para consumir duas depressões, a
Ponte um pequeno lóbulo do cerebelo, de- ras laterais do IV ventriculo (forames fóvea superior e a fóvea inferior. Me-
nominado flóculo. O VII par, nervo fa- de Luschka). Há também uma aber- dialmente à fóvea superior, a eminên-
A ponte está localizada entre o bulbo
cial, emerge medialmente ao VIII par, tura mediana do IV ventriculo (fora- cia mediai dilata-se para constituir de
e o mesencéfalo. Está situada ventral-
com o qual mantém relações muito me de Magendie), situado no meio da cada lado uma elevação arredondada,
mente ao cerebelo e repousa sobre
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 27 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 28

o colículo facial, formado por fibras do ventrículo é constituído pela tela co- sencéfalo pode ser observado que Correspondendo à substância negra
nervo facial, que neste nível contor- rioide, estrutura formada pela união o tegmento é separado da base por na superfície do mesencéfalo existem
nam o núcleo do nervo abducente. do epitélio ependimário, que reves- uma área escura, a substância negra, dois sulcos longitudinais: um lateral,
Na parte caudal da eminência me- te internamente o ventrículo, com a formada por neurônios compostos sulco lateral do mesencéfalo, e outro
dial observa-se, uma pequena área pia-máter, que reforça externamen- por melanina. mediai, sulco mediai do pedúnculo
triangular de vértice inferior, o trígono te este epitélio. A tela corioide emite cerebral. Estes sulcos marcam na su-
do nervo hipoglosso, correspondente projeções vascularizadas e irregula- SE LIGA! Uma característica importante
perfície o limite entre base e tegmen-
ao núcleo do nervo hipoglosso. Late- res, que se invaginam na cavidade da maioria dos neurônios da substância to do pedúnculo cerebral. Do sulco
ralmente ao trígono e caudalmente à ventricular para formar o plexo corioi- negra é que eles utilizam como neuro- mediai emerge o nervo oculomotor, III
fóvea inferior, existe uma outra área de do IV ventrículo. transmissor a dopamina. A degenera- par craniano.
ção dos neurônios dopaminérgicos da
triangular de coloração ligeiramente substância negra está associada às per-
acinzentada, o trígono do nervo vago, SE LIGA! Os plexos coroides produzem turbações motoras que caracterizam a
que corresponde ao núcleo dorsal do o líquido cerebroespinhal que se acu- Doença de Parkinson.
vago. mula na cavidade ventricular, passando
ao espaço subaracnóideo através das
Lateralmente ao sulco limitante há aberturas laterais e da abertura mediana
uma grande área triangular que se do IV ventrículo. Através das aberturas
estende de cada lado, a área vestibu- laterais próximas do flóculo do cerebelo
exterioriza-se uma pequena porção do
lar, correspondendo aos núcleos ves- plexo corioide do IV ventrículo.
tibulares do nervo vestíbulo-coclear.
Cruzando transversalmente a área
vestibular para se perderem no sul- Mesencéfalo
co mediano, frequentemente existem
O mesencéfalo localiza-se entre a
finas cordas de fibras nervosas que
ponte e o cérebro, do qual é separado
constituem as estrias medulares do
por um plano que liga os corpos ma-
IV ventrículo. Estendendo-se do fó- Figura 19. Secção transversal do mesencéfalo
milares, pertencentes ao diencéfalo,
vea superior em direção ao aquedu- Fonte: MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia funcional: 3. Ed. São Paulo: Atheneu, 2014.
à comissura posterior. É atravessado
to cerebral, lateralmente à eminência
por um estreito canal, o aqueduto ce-
mediai, encontra-se o locus-ceruleus, O teto do mesencéfalo apresenta pares cranianos que emerge dorsal-
rebral, que une o III ao IV ventrículo. O
área de coloração ligeiramente escura quatro eminências arredondadas na mente, contorna o mesencéfalo para
teto do mesencéfalo localiza-se dor-
cuja função se relaciona com o meca- vista dorsal, os colículos superiores e surgir ventralmente entre a ponte e o
salmente ao aqueduto; ventralmente
nismo do sono. inferiores, separados por dois sulcos mesencéfalo.
temos os dois pedúnculos cerebrais,
Assoalho do IV ventrículo: A me- que, por sua vez, se dividem em uma perpendiculares em forma de cruz. Cada coliculo se liga a uma pequena
tade cranial do teto do IV ventrículo parte dorsal, o tegmento (predomi- Na parte anterior do ramo longitu- eminência oval do diencéfalo, o cor-
é constituída por uma fina lâmina de nantemente celular), e outra ventral, a dinal da cruz aloja-se o corpo pineal po geniculado, através de estruturas
substância branca, o véu medular su- base do pedúnculo (formada de fibras que, entretanto, pertence ao diencé- alongadas que são feixes de fibras
perior, que se estende entre os dois longitudinais). falo. Caudalmente a cada colículo in- nervosas denominados braços dos
pedúnculos cerebelares superiores. ferior emerge o IV par craniano, nervo colículos. O colículo inferior se liga ao
Em uma secção transversal do me-
Em sua metade caudal, o teto do IV troclear. O nervo troclear, único dos
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 29

corpo geniculado medial pelo braço des feixes de fibras que surgem na
do colículo inferior, e faz parte da via borda superior da ponte e divergem
auditiva. O colículo superior se liga ao cranialmente para penetrar profunda-
corpo geniculado lateral pelo braço mente no cérebro. Delimitam, assim,
do colículo superior, e faz parte da via uma profunda depressão triangular, a
óptica. fossa interpeduncular, limitada ante-
Vistos ventralmente, os pedúnculos riormente por duas eminências per-
cerebrais aparecem como dois gran- tencentes ao diencéfalo, os corpos ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 30

mamilares. Do sulco medial do pe-


EMERGÊNCIA DOS NERVOS CRANIANOS NO TRONCO ENCEFÁLICO
dúnculo emerge de cada lado o nervo
oculomotor. NC III (oculomotor) Emerge do sulco medial do pedúnculo cerebral

Único nervo craniano que emerge da parte dorsal do


NC IV (troclear)
tronco encefálico, inferiormente a cada colículo inferior

Emerge entre a ponte e o pedúnculo


NC V (trigêmeo)
cerebelar médio (braço da ponte)

NC VI (abducente)

NC VII (facial) Emergem do sulco bulbo-pontino

NC VIII (vestíbulo-coclear)

NC IX (glossofaríngeo)

NC X (vago) Emergem do sulco lateral posterior

NC XI (acessório)

NC XII (hipoglosso) Emerge do sulco lateral anterior


ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 32

5. CEREBELO
CURIOSIDADE! Embora tenha funda-
O cerebelo situa-se dorsalmente ao mentalmente função motora, estudos
bulbo e à ponte, contribuindo para recentes demonstraram que está tam-
a formação do teto do IV ventrículo. bém envolvido em algumas funções
cognitivas.
Repousa sobre a fossa cerebelar do
osso occipital e está separado do lobo
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 31 occipital do cérebro por uma prega da CURIOSIDADE! Cerebelo vem do latim
dura-máter denominada tenda do ce- e significa pequeno cérebro.
ESTRUTURAS MACROSCÓPICAS DO TRONCO ENCEFÁLICO rebelo. Liga-se à medula e ao bulbo
pelo pedúnculo cerebelar inferior e à
Distingue-se no cerebelo o vérmis,
Tubérculo no núcleo ponte e mesencéfalo pelos pedúncu-
Olivas Pirâmides Fissura mediana superior
cuneiforme
Tubérculo no núcleo grácil
porção ímpar e mediana, ligado a
los cerebelares médio e superior, res-
duas grandes massas laterais que
pectivamente.
BULBO são os hemisférios cerebelares. O
O cerebelo é importante para a ma- vérmis é pouco separado dos hemis-
nutenção da postura, equilíbrio, coor- férios na face dorsal do cerebelo, o
TRONCO
denação dos movimentos e aprendi- que não ocorre na face ventral, onde
Eminência medial
ENCEFÁLICO zagem de habilidades motoras. dois sulcos bem evidentes o separam
das partes laterais.
Colículo facial

PONTE MESENCÉFALO Colículos superiores


Trígono do nervo
hipoglosso
IV Ventrículo Teto Colículos inferiores
Trígono do
nervo vago
Protuberância
Aqueduto cerebral Tegmento
pontina
Área vestibular

Sulco basilar Pedúnculo cerebral Substância negra

Lócus-ceruleus
Pedúnculos
Base
cerebelares

Figura 22. Vista dorsal e ventral do cerebelo.


Fonte: retirado de www.kenhub.com
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 33 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 34

A superfície do cerebelo apresenta dular do cerebelo, de onde irradiam As tonsilas são evidentes na face Os lóbulos do cerebelo podem ser
sulcos de direção predominantemen- as lâminas brancas do cerebelo, re- inferior do cerebelo e preojetam-se agrupados em estruturas maiores, os
te transversal, que delimitam lâminas vestidas externamente por uma fina medialmente sobre a face dorsal do lobos separados pelas fissuras póste-
finas denominadas folhas do cerebe- camada de substância cinzenta, o bulbo. Esta relação é importante, pois ro-lateral e prima. Chega-se, assim, a
lo. Existem também sulcos mais pro- córtex cerebelar. No interior do corpo em certos casos de hipertensão cra- uma divisão transversal em que a fis-
nunciados, as fissuras do cerebelo, medular há quatro pares de núcleos niana as tonsilas podem comprimir o sura póstero-lateral divide o cerebelo
que delimitam lóbulos, cada um deles de substância cinzenta, que são os bulbo com graves consequências. em um lobo flóculo-nodular e o corpo
podendo conter várias folhas. núcleos centrais do cerebelo: dente- do cerebelo. Este, por sua vez, é divi-
O cerebelo é constituído de um cen- ado, interpósito (dividido em emboli- SE LIGA! Isto decorre, por exemplo, de
dido em lobo anterior e lobo posterior
tro de substância branca, o corpo me- forme e globoso) e o fastigial. acidente nas punções lombares, quando pela fissura prima.
a retirada do líquor diminui subitamente
a pressão no espaço subaracnóideo da
medula. Neste caso, estando aumenta-
da a pressão intracraniana, as tonsilas
podem ser deslocadas caudalmente,
penetrando no forame magno e compri-
mindo o bulbo, o que pode ser fatal.

DIVISÃO DO CEREBELO

Lobo anterior

Corpo do cerebelo Fissura prima

Lobo posterior
Divisão em Fissura
lobos póstero-lateral

Lobo flóculo-nodular
Figura 23. Secção sagital mediana do cerebelo
Fonte: MACHADO, A.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia funcional: 3. Ed. São Paulo: Atheneu, 2014.

São três pedúnculos cerebelares: su- como limite entre a ponte e o pedún-
sua importância é apenas topográfi- perior, médio e inferior. O pedúnculo culo cerebelar o ponto de emergência
SE LIGA! Os núcleos centrais do cere- ca. A nomenclatura dos lóbulos e fis- cerebelar superior liga o cerebelo ao do nervo trigêmeo. O pedúnculo cere-
belo têm grande importância funcional e suras do cerebelo é bastante confu- mesencéfalo. O pedúnculo cerebelar belar inferior liga o cerebelo à medula.
clínica. Deles saem todas as fibras ner-
sa, havendo considerável divergência médio é um enorme feixe de fibras
vosas eferentes do cerebelo
entre os autores. Os lóbulos recebem que liga o cerebelo à ponte e cons-
denominações diferentes no vermis e titui a parede dorsolateral da metade Composto por seis regiões para fins
A divisão do cerebelo em lóbulos não nos hemisférios. cranial do IV ventrículo. Considera-se de descrição
tem nenhum significado funcional e
ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 35 ANATOMIA MACROSCÓPICA DO ENCÉFALO (NEUROANATOMIA) 36

(1) Telencéfalo (2) Diencéfalo (6) Cerebelo


• Maior parte do cérebro • Composto de: • Dorsal à ponte e medula
• Ocupar a fossa craniana anterior e ◊ Epitálamo • Abaixo do cérebro posterior
média ◊ Tálamo • Composto por dois hemisférios la-
• Dois hemisférios, separados por ◊ Hipotálamo terais conectados por vermis na li-
fissura cerebral longitudinal nha média
• Circunda o terceiro ventrículo ce-
• Conectado por feixe de fibras rebral entre as metades direita e • Importante em
transversais na base da fissura esquerda ◊ Manutenção do equilíbrio,
longitudinal: corpo caloso postura e coordenação
• Cavidade em cada hemisfério = (3) Mesencéfalo ◊ Momento e força da contração
ventrículo dos músculos
• Na junção das fossas cranianas
• Composto por quatro lóbulos médias e posteriores
◊ Lóbulo frontal • Contém canal estreito: aqueduto
◊ Envolvido em função mental cerebral
superior
◊ Contém centros de fala e idioma (4) Ponte
• Lobo parietal • Encontrado na região anterior da
◊ Inicia o movimento cavidade craniana posterior
◊ Envolvido na percepção • Contém cavidade que contribui
• Lobo temporal para o quarto ventrículo
◊ Envolvido em memória, audi-
ção e fala (5) Bulbo
• Lobo occipital • Encontra-se na fossa craniana
◊ Contém córtex visual posterior

• Cada lobo marcado por dobras (gi- • Contínuo com medula espinhal
ros) e ranhuras (sulcos) • Contém porção inferior do quarto
ventrículo