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O processo de inserção da economia brasileira

no capitalismo financeirizado e o papel do


Estado: retrospectiva histórica para refletir sobre
a crise atual

Leda Maria Paulani


Departamento de Economia
Universidade de São Paulo - Brasil

Apresentação preparada para o Dieese – Sindicato dos Químicos


27 de julho de 2015
Objetivo da Apresentação

Fazer uma retrospectiva do processo de


inserção da economia brasileira no
capitalismo financeirizado.
Indicar o papel do Estado nesse processo.
Discutir a forma de inserção e o papel da
economia brasileira no processo atual de
acumulação capitalista em nível mundial.
Fazer um diagnóstico da situação atual
Alguns passos atrás
A inserção da economia brasileira no processo de acumulação capitalista
mundial

• 1º momento: o território brasileiro como objeto de espoliação → fonte de


oferta de metais preciosos e matérias primas no contexto da acumulação
primitiva;
• 2º momento: a economia brasileira como produtora de bens agrícolas e
matérias primas baratas → alavanca da acumulação no Centro;
• 3º momento: a economia brasileira como objeto de deslocamento
espacial do capital do Centro → o mercado que faltava em tempos de
superacumulação industrial;
• 4º momento: a economia brasileira como tomadora de empréstimos → o
devedor que faltava a um capital financeiro robusto e ávido por aplicações
no contexto de uma crise de sobreacumulação irresolvida no Centro;
• 5º momento: a economia brasileira como plataforma internacional de
valorização financeira → permanente oferta de ganhos financeiros em
tempos de capitalismo rentista.
Breve retrospectiva histórica
• Anos 1980: crise da dívida e alta inflação como
decorrência da forma de inserção no quarto momento
→ a economia brasileira como vítima da
financeirização (inserção passiva).
• Anos 1990: a “resolução” desses problemas e as
consequentes providências para o ingresso ativo na
era da financeirização → a economia brasileira como
agente da financeirização (inserção ativa).
• Anos 2000: a consolidação da posição brasileira no
capitalismo financeirizado →o Brasil como emergente
potência financeira e plataforma internacional de
valorização financeira.
Anos 80: crise da dívida e alta inflação
• Meados dos anos 1970 → redução do ritmo de crescimento dos
anos do milagre econômico (1968-1973) e potencial inflacionário
mais elevado.
• Crise do petróleo (1973) → opção pelo endividamento externo
gera acirramento das pressões.
• Segundo choque do petróleo + choque dos juros (1979) →
situação complica-se de vez: são 15 anos de alta inflação
empurrada pelos mecanismos de indexação.
• 1987 → falência do primeiro plano de estabilização e moratória
(mesmo com ela Brasil paga a credores externos entre 1970 e 1990
140 bilhões de dólares a título de juros, mais 180 bilhões em
amortizações).
• Crise da dívida + alta inflação → retrato de uma economia periférica
já industrializada vitimada pela marcha acelerada da financeirização
do capitalismo em nível mundial.
1000
1500
2000
2500
3000

500

0
1968
1969
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
Inflação oficial 1968-1995 – taxa anual (%)
Anos 80: crise da dívida e alta inflação
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização
• Alta inflação e dívida externa pendente → economia
brasileira à margem do afluente mercado financeiro
internacional.
• Governos brasileiros tomam providências para mudar
situação → Collor/ Itamar inicialmente ; em seguida
Fernando Henrique Cardoso (FHC), que conscientemente
abraça os dogmas do neoliberalismo .
• Condições fundamentais para o ingresso ativo do país na
era da financeirização:
1. Estabilização monetária, para viabilizar o cálculo
rentista.
2. Resolução dos problemas originados pela moratória de
1987, para recuperar a confiança dos credores.
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização
1. O Plano Real, elaborado ao final de 1993 pela equipe de
FHC, (ministro da fazenda) estabilizou monetariamente a economia
brasileira.
A solução resultou da combinação de:
 uma moeda virtual indexada diariamente;
 o acúmulo de reservas internacionais (cerca de R$ 40 bilhões)
que o país obtivera graças às negociações para resolver os
problemas gerados pela moratória.
2. As negociações envolveram o atendimento às seguintes exigências
dos credores:
 a securitização dos débitos;
 a abertura do mercado brasileiro de títulos (privados e
públicos).
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização
3. Ainda antes do Plano Real (final de 1992) → governo
começara a tomar as providências para abrir
financeiramente a economia, outra das exigências dos
credores internacionais.
4. Outras providências foram tomadas a partir da
estabilização monetária produzida pelo Plano Real:
 Concessão de isenções tributárias a ganhos financeiros
de não residentes;
 Alterações legais para dar mais garantias aos direitos
dos credores do estado;
 Reforma previdenciária para cortar gastos públicos e
abrir o mercado previdenciário ao capital privado.
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização
5. E em paralelo:
 adotou-se uma política monetária de elevadíssimos juros
reais;
 adotou-se um rígido controle fiscal de modo a gerar
superávits primários cada vez maiores
 desenvolveu-se o processo de privatização.
Primeiro mandato de FHC: medidas vendidas como necessárias
para modernizar institucionalmente a economia brasileira e
viabilizar sua inserção na nova economia globalizada.
Seus gestores, no entanto, sabiam que o fundamental era colocar
o Brasil no circuito da valorização financeira.
Se bem sucedida, a operação viabilizaria a absorção de poupança
externa que a sobrevalorização da nova moeda requeria.
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização
• Segundo mandato de FHC (1999-2002) → começa sob a
égide da crise cambial.
• Consequências da Crise:
 Adoção do regime de metas inflacionárias e rigidez
ainda maior nas políticas monetária e fiscal;
 mudança no regime cambial do país (de câmbio fixo
para câmbio flutuante).
• MAS: dependência da economia brasileira da poupança
externa, continua grande.
(Apesar da desvalorização da moeda, o elevado
diferencial de juros interno-externo impede um ajuste
maior e as transações correntes continuam negativas).
Anos 90: resolução dos problemas e as
providências para o ingresso na financeirização

Saldo em transações correntes 1994-2002 - US$ milhões


5000

0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
-5000

-10000

-15000

-20000

-25000

-30000

-35000

-40000
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
Ascensão de Lula ao governo federal (2003)
• Política econômica não muda:
 Rígido controle da liquidez (logo no início do
governo, em fevereiro, foram abruptamente cortados
da economia cerca de 10% de seus meios de
pagamento).
 elevadíssimos juros reais (em março, governo sobe para
26,5% ao ano a taxa de juros de seus títulos, que já
havia sido elevada para 22% num dos últimos atos do
governo anterior)
 enormes superávits primários (governo se compromete
a produzir um superávit maior do que o exigido pelo
FMI: 4,25% do PIB ao invés de 3,75%)
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
• Forma prioritária de inserção da economia brasileira
nos circuitos mundiais de acumulação se afirma
 Medidas adicionais para completar o processo de
inserção da economia brasileira nos circuitos
internacionais de valorização financeira:
 Extensão da reforma previdenciária ao
funcionalismo público
 Reforma da Lei de falências
 Medidas para aumentar o grau de abertura
financeira
 As consequências da política econômica para a
inserção produtiva do país na economia
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
• Primeiro mandato de Lula: desvalorização da moeda +
ascensão dos preços das commodities provocada pelo
crescimento da economia mundial e efeito China → as
contas externas brasileiras voltam a apresentar resultados
positivos em transações correntes.
• Segundo mandato de Lula: contínua revalorização da moeda
+ ↓preços das commodities em função da crise de 2008 →
déficits em transações correntes voltam com força.
• Antes da crise de 2008: elevadíssimos juros reais + ganhos
em mercados derivativos produzidos pela contínua
valorização do real → país é o paraíso dos ganhos rentistas.
• Depois da crise: modesta desvalorização do real +
diferencial de juros interno- externo ainda mais elevado →
economia afogada em dólares e se desindustrializando
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
Transações Correntes 1956/2014 - US$ milhões
20000

-20000

-40000

-60000

-80000

-100000
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

• Outros dados que indicam a financeirização do


capitalismo brasileiro:
 A FBKF/PIB nunca recuperou sequer o resultado que
conseguiu na conturbada década de 1980, mesmo
com a recuperação do crescimento na segunda
metade dos anos 2000.
 O regime de crescimento vigente na economia
brasileira pós-Plano Real é um regime que apresenta
elevadas taxas de lucro macroeconômico, com taxas
de acumulação de capital produtivo muito baixas.
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

FBKF/PIB - media por quinquênio 1920-2014


25,00

23,00

21,00

19,00

17,00

15,00

13,00

11,00

9,00

7,00

5,00
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

FBKF/PIB – 1970/2014
28

26

24

22

20

18

auge do
processo de
16 privatização

14
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

• Indicações sobre o regime de crescimento (Bruno, 2009)

Item Período Período


1966-1980 1990-2006
Taxa de crescimento da taxa média de lucro
0,09 1,93
bruto macroeconômico
Taxa de crescimento da propensão a investir
1,65 -1,70
dos lucros
Taxa de crescimento da taxa de acumulação
12,19 5,55
do capital produtivo
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
• Outras informações sobre o processo de financeirização
índice de financeirização - Brasil - (M4-M1)/PIB.
0,85

0,75

0,65

0,55

0,45

0,35

0,25

Riqueza real (RR) Riqueza financeira Relaçã Particip. da


Ano (R$ bilhões de (RF) o RF na riqueza
2000) (R$ bilhões de 2000) RR/RF total (%)

1995 4.026,00 654,03 6,16 14,0


2000 4.429,00 1.623,24 2,73 26,8
2008 5.358,50 2.714,04 1,97 36,6

Observação: RR = valor das estruturas residenciais e não residenciais e das máquinas e equipamentos deflacionados pelo IPCA
RF = M4 + valor do estoque das ações em bolsa, final de período.
Fontes dos dados primários: IBGE e Capeleti (2013)
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
• Do ponto de vista externo temos a seguinte situação:

Contas Externas – dados selecionados (em %)

1995- 2000- 1995- 2005- 2010- 2005- 1995-


item
1999 2004 2004 2009 2014 2014 2014
Crescimento das
Despesas com
Rendas no BP
108,6 8,9 127,1 64,2 19,7 96,5 346,3
(líquidas)
Crescimento das
Despesas com
investimentos -16,5 58,0 33,6 241,0 18,9 305,5 441,7
Diretos (remessa de
lucros)
Crescimento real do
PIB 10,6 16,0 28,3 19,3 14,5 36,6 75,2
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
• Os dados mostram:

 velocidade de crescimento muito diferente entre a geração


de renda e a captura de renda por não residentes;

 comprometimento cada vez maior da renda gerada no país


com o pagamento de rendimentos de títulos em mãos de
não residentes;

 a combinação de crise internacional com


internacionalização muito maior de nosso capital produtivo
e manutenção de taxas de juros injustificadamente
elevadas aumenta sobre maneira o peso do envio de
lucros.
Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado
Algumas conclusões prévias:

1. Juros reais muito elevados + baixo preço relativo dos ativos brasileiros →
país cada vez mais atraente para a valorização dos capitais ciganos que
dominam o cenário econômico mundial.

2. O crescimento das reservas numa velocidade muito grande, não é


suficiente para podermos afirmar com segurança que o Brasil é menos
vulnerável a crises externas fortes (o passivo externo líquido é muito
elebvado).

3. Existe a permanente ameaça de abruptas desvalorizações, que podem


ocorrer em momentos de crise (por exemplo, o país perdeu US$ 27
bilhões de dólares entre setembro e dezembro de 2008).

4. A reprimarização da economia é outra consequência dessa situação.


Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

Contas Externas – valores de estoques em US$ milhões

item 2001 2008 2014

Reservas internacionais 35.866 193.783 363.551

Investimentos Externos Diretos 121.949 287.697 754.769

Investimentos em Portfólio 151.581 264.694 524.577

Passivo Externo 370.712 664.683 1.555.182

Passivo Externo Líquido 334.846 470.900 1.191.631

Passivo Externo de curto prazo 173.729 265.177 528.503


Anos 2000: a consolidação da posição brasileira
no capitalismo financeirizado

Reprimarização: participação de setores nas exportações - (%)


80

70
básicos

60 Produtos ind + bens K


Industrializados e
Bens de capital
50

40

30
Produtos básicos
20

10

0
Outras informações sobre a economia
brasileira recente
1. Salário Mínimo e Bolsa Família
a) Crescimento real do salário mínimo ao longo das gestões Lula e
Dilma → 85%
Nº de beneficiários direta ou indiretamente contemplados por
esse ganho real → cerca de 70 milhões (21 milhões de benefícios)
↑ salário mínimo + retomada do crescimento = surgimento da
chamada “nova classe média”.
Nova classe média + bancarização + extensão do crédito ao
consumo às faixa mais baixa de renda → elevado poder
multiplicador do mercado doméstico →manutenção por algum
tempo do impulso ao crescimento
O Bolsa Família atinge cerca de 12 milhões de beneficiários (direta
e indiretamente cerca de 40 milhões de pessoas)
b) A + B → redução do nível de pobreza e da desigualdade
Outras informações sobre a economia
brasileira recente
2. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) e sua atuação
a) O BNDES é um banco federal de fomento.
b) Mais de 50% de seus recursos vêm do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT), criado por uma lei de 1990 com o
objetivo de minimizar o desemprego.
c) Anos 1980 → com poucos recursos, ele funcionou como
“hospital de empresas” (públicas ou privadas);
d) Nos anos 1990 → financiou o processo de privatizações
(apenas viabilizou trocas de patrimônio, não
contribuindo para o financiamento da acumulação
produtiva, nem para o aumento do emprego, bem ao
contrário).
Outras informações sobre a economia
brasileira recente
2. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e
sua atuação
f) Nos anos 2000 até agora (período Lula + Dilma) → financia os
processos de fusões e aquisições para criar o grande capital nacional
g) Mais uma vez temos apenas mudança na estrutura patrimonial do
capital produtivo, sem garantia de aumento do investimento e do
emprego. A diferença é que se financia prioritariamente o grande
capital nacional, ao invés de o grande capital estrangeiro.
h) BNDES mobiliza recursos anuais de mais de US$ 70 bilhões (três vezes
mais que o Banco Mundial)
i) O financiamento dirige-se fundamentalmente e cada vez mais às
grandes empresas e grupos de capital (83% em 2009 contra 70% em
2003)
j) Em 2009, 27% dos desembolsos financiaram agropecuária e indústria
intensiva em Natureza ou Escala, sendo apenas 1% em indústrias
intensivas em tecnologia.
Resumo da história
(e o papel que o Estado tem nela)
O Estado brasileiro sempre funcionou como a locomotiva
da acumulação do capitalismo brasileiro.
No momento final da etapa
desenvolvimentista, conduzido pelos militares, essa
função do Estado brasileiro tinha tomado a forma de um
vigoroso e bem estruturado setor produtivo estatal (SPE).
Quando o Estado sai de cena, por força dos imperativos
neoliberais, a acumulação produtiva estanca e depois
regride. Ela só é retomada com os investimentos estatais
do PAC, programa minha casa minha vida etc., ou
seja, mais uma vez pelas mãos do Estado.
Resumo da história
(e o papel que o Estado tem nela)
A Economia brasileira é hoje uma economia financeirizada, com
um acelerado processo de centralização de capitais e
completamente integrada ao capitalismo rentista dominante.
A principal ferramenta para a engorda dos recursos de rentistas
internos e externos é o Estado.
É o Estado que sustenta, sem nenhuma razão teórica ou empírica
que a justifique, a maior taxa real de juros do mundo.
Por essa via ele destina uma parte substantiva da renda real
gerada pela economia brasileira para a sustentação do rentismo.
Do ponto de vista externo, isso significa que uma parte da mais
valia extraída dos trabalhadores torna-se renda dos detentores
de ativos fictícios emitidos por agentes domésticos, sendo o
Estado justamente o maior deles.
Resumo da história
(e o papel que o Estado tem nela)
Colocando-se como emergente plataforma de valorização financeira, a
economia brasileira atrai capital de forma crescente, o que sobrevaloriza
ainda mais nossa moeda, aumentando os ganhos e fechando o circuito.
Com a taxa de câmbio valorizada, ficam também muito mais baratas as
transferências de lucros e dividendos para o exterior, o que estimula essas
remessas.
 Não precisamos mais da troca desigual para transferir renda para o Centro
(os termos de troca , aliás, nos são agora amplamente favoráveis).
 Tampouco precisamos dos juros escorchantes cobrados pelos credores
externos.
A combinação de câmbio flutuante com elevadíssimas taxas de juros, ambas
escolhas do governo, faz isso de modo muito mais eficiente.
Internamente, essa situação permite a expansão dos lucros financeiros, sem a
concomitante acumulação produtiva, e o aumento de ganhos dos setores
estritamente financeiros, como o bancário, o que gera enorme pressão para a
manutenção da política.
Resumo da história
(e o papel que o Estado tem nela)
É também o Estado que patrocina a distribuição de recursos
dos trabalhadores para viabilizar a formação do grande
capital, com a consequente geração de capital fictício que
normalmente a acompanha.
No Brasil, não é, portanto, apenas através dos fundos de
pensão que o sistema transforma em rentistas cada um dos
trabalhadores, mas é através de mecanismos como o
BNDES que se transforma a classe trabalhadora como um
todo em “rentista”.
Ainda que seus ganhos sejam magros, essa posição obriga-a
a torcer para o capital e, mais ainda, para o capital
fictício, que afinal é gerido pelos próprios trabalhadores.
Resumo da história
(e o papel que o Estado tem nela)
Essa é uma das faces da contradição existente na gestão atual.

Num regime de acumulação financeirizado, pretendeu-se implementar uma


política desenvolvimentista, que, em princípio, é incompatível com esse
regime.

Perguntas:

1) Pode-se chamar de desenvolvimentismo a política implementada por


Lula I, Lula II e por Dilma I e II?

2) Será que é possível chamá-la de social-desenvolvimentismo?

3) Houve uma frente produtivista que a sustentou? Se sim, porque ela se


reompeu?

4) O que isso tem de ver com a crise atual?

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