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FUNGOS

**Morfologia, fisiologia e classificação dos fungos

Características

1. São organismos eucarióticos


2. Aclorofilados
3. Heterotróficos
4. Multinucleados
5. Uni ou multicelulares
6. São aeróbios em grande maioria
7. Alguns podem ser anaeróbios estritos ou facultativos
8. Podem se reproduzir sexuada ou assexuadamente. Alguns podem apresentar ciclo parassexuado.
9. Possuem parede celular rígida composta de quitina.
10. Membrana celular de ergosterol
11. Principal material de reserva: glicogênio.

Habitat:
Os fungos são encontrados em todos os locais: solo, água, organismo do homem e dos animais, vegetais e
insetos.

Fisiologia:
São todos : - heterotróficos
- aeróbios, microaeróbios ou anaeróbios estritos

Processos empregados na obtenção de energia: - Respiração


- Fermentação (característico das leveduras)

São utilizadas diferentes fontes de carbono como lignina, lipídios, ácidos nucléicos e proteínas.

O crescimento e esporulação é influenciado por diversos fatores:


- Temperatura
- pH
- Umidade
- Calor
- Teor de oxigênio
- Pressão
- Luz
- Radiação

Importância dos fungos


1. Saúde: Micoses no homem e animais, micetismo e micotoxicoses
2. Indústria: Bebidas – álcool, cerveja, vinho, acido cítrico, enzimas.
3. Alimentos: Fabricação de pão, flavorizantes, chocolate..
4. Farmacêutica: antibióticos, ergotamina, penicilina, estatinas.
5. Detergente e sabões: proteinases e lípases.
Estatinas​ são fármacos usados no tratamento da hipercolesterolemia e na prevenção da aterosclerose.
- ​Produzem queda do nível do colesterol
-​ Aumentam HDL
-​ Diminuem Triglicerides

6. Ambiental : reciclagem de nutrientes, decomposição de agentes poluidores


7. Agricultura: fertilidade do solo, doenças de plantas
8. Alimentação: cogumelos comestíveis, maturação de queijos.

A célula fúngica
- Aparelho de golgi : armazenamento de substâncias que serão excretadas
- Reticulo endoplasmático liso e rugoso
- Mitocôndrias: fosforilação oxidativa
- Ribossomos: sitio de síntese protéica
- Vacúolo: armazenamento de substâncias de reserva
- Núcleo: cromossomos
- Membrana citoplasmática: barreira semipermeável; proteínas e lipidios.
- Parede celular: estrutura rígida = choque osmótico; quitina, proteínas e lipidios.

Classificação
São divididos em:
1. Unicelulares
● Leveduras que apresentam células arredondadas e ovais e se dividem por brotamento ou
cissiparidade.
2. Multicelulares:
Filamentosos, miceliais ou bolores.
Apresentam uma estrutura tubular com parede rígida.
A hifa pode ser ramificada.
Micélio: conjunto de hifas.
A hifa e o micélio podem ser septados ou não.
3.Dimórficos:
Apresentam a fase leveduriforme (37°) e micelial (25°)

Fatores de virulência dos fungos


⋅ Capacidade de crescimento a 37°
⋅ Dimorfismo
⋅ Capacidade de evasão do sistema de defesa (capsula, parasitismo,intracelular)
⋅ Produção de melanina
⋅ Produção de enzimas
⋅ Receptores para adesinas
⋅ Receptores para hormônios
⋅ Produção de pseudomicelio

Vias de inoculação
- Aéreas superiores
- Pele (traumatismo)
Processos de reprodução
1. Assexuada
- Propagação vegetativa
- Alta freqüência
- mitose
- Presente em todos os grupos de fungos
a) Fragmentação do soma ou hifa : Artrosporo e Clamidosporo
b) Brotamento – Blastosporo
c) Fissão binária ou cissiparidade
d)Produção de esporos verdadeiros
1. Esporos endógenos: esporangiosporos
2. Esporos exógenos: conidiosporos – macroconídia e microconídia.
2. Sexuada
- Envolve gametas.
- Amplifica a variabilidade genética:baixa freqüência
- Meiose: ausente em alguns grupos.
a) Fases: Cariogamia e meiose
Anteridio e oogônio

Tipos de reprodução sexuada:


- conjugação planogamética – gametas móveis
- Conjugação plasmogamética – quando ocorre plasmogamia
- Contato gametangial – quando o núcleo masculino passa para o gameta feminino
- Espermatização
- Somatogamia

Núcleo células fungico


⋅ Cromossomos pequenos organizados em nucleossomos.
⋅ Estado haplóide é mais freqüente
⋅ Carioteca mantém-se integra na divisão celular
⋅ Presença de centríolos
⋅ Parassexualidade: amplifica a variabilidade genética sem meiose.

Reino Fungi
1. CHYTRIDIOMYCOTA: aquáticos, hifas asseptadas, esporos flagelados, zoósporos, uniflagelados, flagelo único e posterior
2. ZYGOMYCOTA: hifas asseptadas, reprodução sexuada com fixação do zigosporo, assexuada por formação de esporângio.
3. ASCOMYCOTA: hifas septadas, conidiosporos, esporos de reprodução sexuada endógenos(ascósporos)
4. BASIDIOMYCOTA: hifas septadas, conidiosporos, espporos de reprodução sexuada exógenos (basidiósporos)
5. DEUTEROMYCETES: hifas septadas, não apresentam reprodução sexuada, alguns tem ciclo parassexuado, principais
espécies patogênicas para homem e animais.

Fungos Patogênicos e oportunistas


A. Micoses: infecções por microfungos

Fungo patogênico​: regularmente isolado de um determinado processo infeccioso.


Fungo oportunista​: raramente isolado de uma variedade de manifestações clinicas.

Principio de atuação das drogas antifúngicas


Drogas que atuam em nível de membrana (moléculas de ergosterol):
Anfotencina B
Nistatina
Pimaricina
Fluconazol

Drogas que atuam em nível intracelular (síntese de DNA, RNA e proteínas)


Griseofulvina
Ciclohexamida

**Diagnóstico micológico

Associação da clínica e exames laboratoriais.


⋅ Pesquisa direta​ do agente em materiais de lesões, liquidos biológicos e produtos de eliminação.
⋅ Isolamento e identificação do agente etiológico pela morfologia macro e microscópica das ​culturas e quando
necessário, por provas fisiológicas
⋅ Complementação por ​provas indiretas ​como testes intradérmicas, pesquisa de anticorpos séricos e de antígenos
circulantes e técnicas de biologia molecular.

Etapas do diagnostico
1. Entrevista prévia com o paciente: elaboração de ficha clinica

Diagnostico de infecção fungica


1. Exame direto: Microscopia
2. Cultura
3. Indireto: Sorologia – anticorpos anti-microsganismo no soro do hospedeiro
4. Métodos de biologia moléculas: PCR

Etapas do diagnostico laboratorial


1. Microscopia direta
Exame direto de material clinico ao microscópio.
A fresco: gota de urina – pouco valor em micologia
A fresco após tratamento – muito usado em micologia. (com Potassio ou lactofeno +azul de metileno)

Após coloração:
Gram +: leveduras
Fungos micelianos não se coram por gram.
Tinta Nanquim: visualização de Cryptococcus spp.
Revela a capsula desta levedura.
Valor do exame direto: Positivo e negativo

Exame micológico direto com KOH: escamas de pele, pelos, unhas, biópsia, exsudatos espessos e outros materiais densos.

Conduta frente ao exame negativo


- Repetir com novo material
Pedir cultura
Tratar quando a clinica for muito sugestiva
Histopatologia – cortes de tecidos obtidos por biopsia.

2. Coleta do material
Não realizar antissepsia no sitio da coleta
Coletar quantidade adequada
Material de coleta: Pele, mucosas, tecido, sangue, liquidos orgânicos e secreções.
Usar frasco esterilizado
Conservação do material em geladeira.
Não usar medicamento previamente à coleta (pelo menos 7 dias)

Recomendações gerais sobre a coleta e transporte de amostras


- Coletar a amostra com assepsia e acondicioná-la em recipiente adequado com quantidade suficiente.
- Os swabs utilizados para coleta de secreção devem ser acondicionaods em tubos com solução salina para o transporte.
- Sempre que possível cometar a amostra antes do inicio da terapia fungica.
- A amostra deve conter informações completas do paciente.
- A requisição médica deve conter, sempre que possível, as hipóteses diagnosticas para auxiliar o micologista.
- Paciente imunodeprimidos: isolamento de fungos contaminantes ou pertencentes à microbiota indígena.
- Estudo da mesma amostra coletada em dois ou três dias consecutivos.
- Materiais: urina, fezes, pus, secreções de feridas ou trato respiratorio processados rapidamente ou sob gelo.
- liquor ou liquidos cavitários mantidos à 25-28° e processados rapidamente.
- Sangue e material de punção de medula óssea semeados imediatamente em hemocultura ou sólido para evitar
coagulação.

Exames microscópico de amostras biologicas


Rapidez e pronto inicio da terapêutica
Se a amostra for insuficiente deve-se preservar um exame mais especifico.

2. ​Cultura
A seletividade é importante porque os materiais clínicos normalmente vêem contaminados com bactérias que crescem mais
rápido que os fungos.
Temperatura de incubação:
25° para fungos de pele
37° para fungos agentes de infecções sistêmicas
25 e 37° para fungos dimórficos.

Tempo de crescimento dos fungos:


Rápido (<5dias): saprófitas, fungos oportunistas, leveduras
Intermediário: fungos oportunistas e dermatófitos, fungos subcutâneos.
Lento (>11dias): fungos de infecção sistêmica.

Identificação após crescimento: características macroscópicas da colônia

Identificação de leveduras:
⋅ Pesquisa de capsula
⋅ Microcultivo em lâmina
⋅ Cultivo em ChromagarCandida
⋅ Zimograma: Prova de fermentação de açucares
⋅ Auxanograma: Provas de assimilação de fontes de carbono e nitrogênio por via oxidativa

3.​Sorologia
Para detecção de antígenos e anticorpos
Não são usadas com freqüência em micologia por não se dispor de anticorpos adequados: problemas de reações cruzadas.

**Etiologia das micoses cutâneas (dermatomicoses)


Dermatomicoses são infecções restritas à pele e seus acessórios, pêlos e unhas.

Infecções oportunistas:​ Causadas por fungos que não possuem queratinofilico.


​Utilizam restos epiteliais ou produtos de excreção
Adquiridas por contato.
Sem reposta imune celular do hospedeiro
Tecidos corneificados
Infecções crônicas e inócua
Efeito cosmético

1. Superficiais
Pitriase versicolor

Aspecto clinico​: Manchas hipocromicas, descamativas, bordas delimitadas, que tendem a se confluir na região do pescoço,
face, tórax, abdômen e geralmente não há irritação ou coceira.
Acido azelaico: impede a passagem do UV, inibição da tirosinase e ausência de MELANINA.

São micoses de praia ou piscina.

Agente​:​ Malassezia furfur ou spp.

Habitat do fungo​:​ Saprófita endógeno do couro cabeludo e da pele normal (homem e animais)
Levedura lipofílica, antropofilica e zoofilica.

Epidemiologia:​ Infecção de origem endógena.

Transmissão:​ ​Contato direto ou fômites

​Diagnostico Laboratorial

Exame direto
- Raspagem da lesão, KOH, método da fita adesiva (pressionar um pedaço de fita durex sobre a lesão; colocar a fita sobre a
lâmina e examinar ao M.O)
Cultura
- cultura das escamasdas lesões em meio Mycosel
- cobrir a placa com uma camada de azeite
- Incubar a 37°
- Colônia brancas, mucóides e brilhantes.

Tratamento
Desinfecção de roupas.

Piedras
Aspecto :​Nódulos irregulares e firmes, negros, aderidos à haste dos pelos
Pode ser branca ou negra.

A. Negra
- Nodulos negros aderidos aos pêlos do couro cabeludo
- Agente: Piedraia hortae (Ascomycota)
- Habitat: algumas plantas e arvores de clima tropical
- Exame direto: Fragmentos de pelos infectados entre lâminas e laminulas + 1 gota de KOH.
- Aspecto do fungo no hospedeiro:ascósporos em forma de fuso.
- Tratamento: Raspagem dos pelos infectados; HgCl2, enxofre..

B. Branca
Aspecto clinico:​nódulos macios, brancos, geralmente dos pelos da barba, axilas, e região inguinal; ocasional em pelos da
cabeça.
- Agente: Trichosporon cutaneum
- Habitat: solo, ar, água, escarro, pele normal
- Exame direto: Fragmentos de pelos infectados entre lâmina e lamínula + 1 gota de KOH
- Aspecto do fungo no hospedeiro: hifas septadas e artrósporo
- Tratamento: Raspagem dos pelos infectados; HgCl2, enxofre..

Tinea nigra palmaris


Aspecto clinico: Manchas escuras na palma da mão ou planta dos pés.
Agente: Hortaea werneckii ou Cladosporium werneckii
Exame direto: Raspado da lesão entre Lâmina e Lamínula com KOH, hifas septadas, marrom, células leveduriformes escuras
com brotamento.
- Tratamento: HgCl2, enxofre..

2. Outras
Candidose da pele e unha.

Dermatofitoses:​ causadas por dermatófitos.


Limitadas às camadas queratinizadas da pele, pêlos e unhas – camadas corneificadas.
Utilizam queratina como fonte de carbono

Ocorrem por: hábitos de higiene precários, promiscuidade, contato intimo com animais e águas contaminadas

Lesões: A infecção começa na camada córnea da pele, na pele glabra, centripetamente (em anel); reação eritematosa
descamativa faz ocorrer inflamação

Os dermatofitos envolvem 3 generos distintos: Trichophyton; Microsporum; Epidermophyton

Fatores que influenciam na distribuição da micoses superficiais:


*Fatores individuais:
1. Condições socioeconômicas
2. Atividade ocupacional
3. Sudorese
4. Promiscuidade
5. Contato com animais
6. Carência de medidas de higiene

*Fatores geográficos
1. variação da intensidade da luz
2. Movimentação atmosférica
3.indice pluviométrico

Inoculação no paciente: traumatismo, contato direto, fomites.

Na pele glabra: crescimento centrípeto com reação descamativa, eritematosa e /ou inflamatória
No pelo: parasitismo

*Diagnostico laboratorial:
Amostras clinicas: pelos, escamas de pele e unhas
Exame micológico direto com KOH 20 ou 40%. Hifas septadas ramificadas com ou sem artrósporo.
Cultura: colônias cotonosas ou pulverulentas com produção de pigmentos. Presença de macroconidia, hifas espiraladas.
Tratamento: Acido salicílico, iodo, miconazol..

Drogas antifúngicas:
Inibidores da síntese de ergosterol
- Imidazólicos
- Alilaminas
**Agentes Etiológicos de micoses oportunistas

Fungos oportunistas: ​Fungos presentes no meio ambiente ou integrantes da microbiota autóctone e que em determinadas
situações podem passar de saprofitas a patógenos, provocando quadros clinicos os mais variados.

Scopulariopsis spp: ​ceratite; Onicomicose


Paecilomyces spp:​ Transplantados de medula, erupções cutâneas, infiltrados renais.

Importância da micoses oportunistas


Aumenta a freqüência de mortes em imunosuprimidos (HIV, transplantados, pacientes com neoplasias)

Fatores que contribuem para o surgimento de micoses oportunistas


*Intrinsecos:
- Fisiológicos – idade avançada, Prematuridade, alterações de pH, gravidez.
- Patológicos – Diabetes descompensado, tuberculose, portadores de abcesso ou carcinoma pulmonar, doenças
imunosupressoras, neoplasias.

*Extrínsecos:
- Medicamentos – Anti-neoplasicos, imunossupressores, anticoncepcionais, antibacterianos de amplo espectro.
- Intervenções – cirurgias renais, cardíacas, transplantes, cateteres, sondas, válvulas, próteses.
- Agentes físicos – Queimaduras, traumas oculares, mucosos, cutâneos.
- ambiente hospitalar contaminado.

Agentes etiológicos mais freqüentes:


Cryptococcus neoformans
Candida SP.
Aspergillus SP
Fusariun SP. Hialohifomicoses
Penicillium SP.

Hialohifomicoses
Infecções causadas por fungos hialinos septados;
Não formadores de estruturas especificas;
Não patogenos clássicos.
Exclui infecções mais freqüentes.
Estremamente resistentes aos antifúngicos disponíveis
Alguns realizam esporulação nos tecidos

1. Fusarium SSP.
- Crescimento rápido
- Clamidosporos: presentes ou ausentes
- Macronidios em forma de foice, geralmente septados.

. Micose superficial = trauma


. Micose sistêmica = imunossuprimido

- Infecçoes superficiais:
1. Ceratite
- Fatores predisponentes da infecção fungica:
. Alteração no mecanismo de defesa ocular
. Ulceração do epitélio por antecedentes de herpes
. Lesões na córnea por uso de lentes de contato.
. Secreção lacrimal diminida

2. Onicomicose
- Geralmente nas unhas afetadas por traumas, distrofias ou infecção por dermatófitos
- F.solani ou oxysporum
- Via de entrada: respiratória, cateteres, alimentação, onicomicose

-Infecções sistêmicas:
. Infecção invasiva por filamentos em pacientes com câncer e transplantados
. Lesões cutâneas e subcutâneas secundárias

Diagnostico:
- junção de achados clínicos, patológicos e micológicos
- Raspado da córnea
- Aspiração do liquido intra-ocular
- Hemocultura

Sensibilidade a antifúngicos:
- Altamente resistentes a antifúngicos
- Fluconazol, itraconazol..
- Tratamento de formas localizadas: importante impedir a disseminação.

2. Aspergillus spp.
- solo, ar, água
- crescimento geralmente rápido
- colônias pulverulentas.
- a. flavus, a. Níger...

Aspergilose não invasiva


1. Alergia
Comum em asmáticos
Pode levar à fibrose pulmonar se não tratada.

2. Micose ungueal
Não queratinofilos
Ocorre após traumatismos, lesões isquêmicas, pacientes com psoríase
Agente comum: A. terreus
Hiperceratose das unhas, coloração verde-amareladas..
Diagnostico difícil pois o fungo é contaminante.

Aspergilose invasiva localizada


1. Aspergiloma
Crescimento fungico dentro de cavidades pulmonares
Penetração e germinação dos esporos
Formação de bola fungica

Manifestações clinicas:
Hemoptise
Sangramento
Tosse
Perda de peso
Astenia
Expectoração mucopurulenta
Febre

2. Sinusite
Formação de pólipos nasais ou bola fungica
Sintomas: febre, dor facial, desconforto nasal, dor de cabeça.

3. Otomicose aspergilar
Infecção secundaria do conduto auditivo externo
Exame: “floresta conidial”
A. Níger; A. fumigatus

Aspergilose invasiva disseminada


Imunossuprimidos
Febre, tosse, desconforto ao respirar
Disseminação através da corrente sanguinea, cérebro, olhos, coração, rim e pele.

Para o diagnostico de aspergillus spp.


- coleta de materail clinico: dias alterados ou consecutivos
- Biopsia
- Exame micológico direto

Para o tratamento:
. Alergico: esteróides
. aspergiloma sintomático: cirurgia
Invasão localizada: Nistatina
Invasão disseminada: Cirurgia, anfotensina B.

3. Penicillium marneffei
Termodinamicamente dimorfico:
25° é filamentosa, cotonosa, bordas claras, centro esverdeado, pigmento vermelho difuso no meio.
37° é levedura, colônia cremosa, glabra, creme, rosa ou púrpura.
Reservatorio: Rizomys sp.

4. Zigomicose
Fungos saprófitos oblíquos
Micélio: muito espesso, não septado, ramificado.
Reprodução: sexuada(zigosporo); assexuado (esporangiosporo)

É cosmopolita – ar, água, solo, esterco de animais, frutos


Humanos, eqüinos, suínos..
São fitopatogênicos
Plantas ornamentais: contaminação hospitalar

Infeção: inalação de esporos; traumatismo de pele e ingestão.

A. Entomoftoromicose
Subcutânea
Ocular
Cérbro
Estômago
Intestinos

B. Mucormicose
Cutânea
Aguda invasiva
Sistemica disseminada

Caracteristicas clinicas:
Inchaço facial com envolvimento ocular
Lesões necróticas negras na pele.

Diagnostico
Exame histopatológico e micológico
Imagem: confundido com aspergilose pulmonar
Cultura: sensibilidade limitada quando o tecido é triturado.
Sorologia: compartilham vários determinantes antigênicos

Especimes clínicos:
Biopsias
Secreçoes
Materiais purulentos
Liquor, urina, fezes.

Tratamento
Rapido diagnostico
Eliminação ou diminuição de fatores de risco
Debridamento cirúrgico
Tratamento antifúngico
Anfotencina B lipossomal

**Micotoxinas e micotoxicoses

Relação fungo-hospedeiro
1. Micose: colonização de tecido vivo.
2. Alergia: Asma e hipersensibilidade
3. Micotoxicose: Intoxicação – ingestão dos metabólitos
4. Micetismo: alucinação – ingestão de cogumelos
MICOTOXINAS
São substâncias químicas produzidas durante o metabolismo secundário de fungos filamentosos que crescem em vários
substratos.
Ingeridos por homens ou animais podem causar levem intoxicação a quadros letais.

Caracteristicas
Não são antigênicas
A exposição não induz uma resposta imunológica protetora.
São geralmente substancias termiestaveis e de baixo peso molecular
São produzidas apenas em ambientes, substratos e linhagens particulares das espécies envolvidas
Ativas em níveis baixos no alimento.
Tecidos ou órgão-alvo são especificamente afetados.
Efeitos tóxicos incluem imunossupressão e mutagenese.
Acumulo nos tecidos de animais destinados à produção de alimentos ou excreção no leite podem resultar em exposição
humana.

Impactos
*Saúde
Carcinogênicas e óbitos

*Agricultura
Perda de parte da safra de grãos.

*Industria de alimentos

*Criação de animais

Mecanismos de ação
- Interrompem o metabolismo celular: são inibidoras da síntese protéica em eucariotos.
- Bloqueio das vias metabólicas: inibição da atividade mitocondrial
- Interagem com o DNA e RNA: síntese protéica
- Alteram a estrutura e a função da membrana celular: interrompem o transporte da membrana.
- Reagem com enzimas: inativa e inibe a síntese protéica.
- Reagem com co-fatores (vitaminas)

Principais micotoxinas
A. Aflatoxinas
- Produzidas por A.flavus; A. parasiticus
- Alimentos armazenados a muito tempo sob alta umidade
- Contaminam grãos de aveia, amendoim
- Pode afetar suínos, bovinos, eqüinos e aves.
- Nenhum tratamento no leite desnatura a micotoxina.
- adesnutição potencializa a ação da aflatoxina

No homem:
- Efeitos mutagênicos e Imunodepressores
- Principal órgão afetado: fígado

Forma aguda:
- Flacidez
- Diminuição do crescimento
- Desordem na atividade gastrointestinal
- Sintomas neurológicos
- Hemorragias múltiplas
- Morte

Forma crônica:
- Hiperplasia hepática
- Cirrose hepática
- Fibrose hepática
- Hepatomas

B. Toxinas de Ergot
- Claviceps purpúrea e C. fusiformis
Ergotismo gangrenoso:
- ingestão de centeio contaminado com ergotamina ergocristina produzidos por C. purpúrea
- Vaso-constrição periférica
- Edema, coceira e pútrido
- Isquemia e necrose das extremidades distais.

Ergotismo convulsivo:
- Ingestão de alimento contaminado com clavinas produzidas por C. fusiformis.
- Nausea, vomito, tontura.
- Espasmos musculares
- Convulsões
- Alucinações

C. Tricotecenos
- Fusarium sp.; Mycithecium sp.; ...
- Milho é o alimento mais contaminado
- Cevada, e outros cereais, feno, palha e ração animal.
- 40x mais toxico se inalado.

Em humanos:
- Leucopatia e agranulocitose
- Hemorragia gengival e granulocitose
- Imunossupressão
- Nauseas e vômitos

Em outros animais:
- Danos no sistema nervoso e cardiovascular
- Hemorragia nas mucosas
- Gastroenterite
- Vômito, aborto
- Diarreia, depressão
- Formação de ovos com casca fina, diminuição da produção
- Morte

D. Ocratoxina A
- Produzida por Aspergillus ochraceus e Penicillium verrucosum
- Milho, cevada, centeio, arroz, café, legumes e derivados de carne suína.
- Ocorrencia em partículas em suspensão parece ter importância na doença humana.
- nefrotóxica, hepatotóxica, mutagênica.
- Inativada a 200°C por 5h.

E. Fumosina
- Produzida por F. moniliforme e F. verticillioides
- Milho, trigo, cevada e aveia
- Doença neurológica em cavalos
- Edema pulmonar em suínos

Análise das micotoxinas


Amostragem -> estração -> confirmação -> Detecção/quantificação
MICOTOXICOSES
Manifestações clinicas produzidas pela exposição a metabólitos secundários fungicos.
São processos agudos causados por exposições a micotoxinas.

Tipos
1. Primária
Fungo filamentoso(produtor de toxina) -> Toxinas -> Consumo humano (contaminação)

2. Secundária
Fungo filamentoso (produtor de toxina) -> Toxinas -> Consumo por herbívoros -> Carne e Leite -> Consumo humano.

Dependem de:
- tipo de micotoxina
- Quantidade e duração da exposição
- Idade do individuo exposto
- Estado nutricional
- Interação com outros componentes tóxicos

Podem ser agravadas por:


- Deficiencia de vitamina A
- Privação calórica
- Alcoolismo
- Doenças infecciosas
- Interações sinergisticas com outras toxinas

Caracteristicas
- Ausência de micélio não implica em ausência de micotoxina
- Presença de fungo não implica em presença de micotoxina
- Doença não é transmissível
- As formas agudas podem apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças
- Antibioticos não produzem efeito
Surtos associados com alimentos ou rações
- Exame dos alimentos implicados pode revelar ou não o crescimento fungico ativo

Classificação
1. Orgão afetado
Hepatotoxina, nefrotoxina, neurotoxina, imunotoxina

2. Estrutura química
Lactona, cumarina

3. Origem biossintetica

4. Fungo produtor

5. Doença provocada
Fogo de Santo Antonio,

6. Grupos genéricos
Tetratogênicos, mutagênicos..
MICETISMO
Intoxicação/envenenamento por ingestão de cogumelos venenosos.

1. Amanita muscaria
- A muscarina é detectada na urina após 1h.
- Efeito em 20 a 90 minutos após a ingestão.
- É capaz de induzir alterações no sistema nervoso.
- A toxina age no fígado
- Tratamento: indução ao vômito, lavagem gástrica e diurese forçada.

**Leveduras de interesse clinico

Para que o processo infeccioso se instale é necessário que o equilíbrio hospedeiro/microorganismo seja comprometido

Candidiase
Infecções causadas pelo gênero Candida
- C. albicans: microbiota normal
- Outras espécies: fontes exógenas encontradas na natureza.

Epidemiologia
- Trato gastrointestinal do homem, sistema genito-urinário.
- Transmissão de pessoa pra pessoa por DST, mãe e filho (durante o nascimento)
- Geralmente as candidiases se dão por origem endógena , causadas por stress e debilidade do hospedeiro.

Forma leves
- Sapinho no recém nascido
-Estomatite
- vulvogenite
- Ungueal ou periungueal
- Carie
- Intestinal
- Ocular

Quadros clínicos
1. Pseudomembranosa
- pH baixo facilita a infecção
- Comum em recém nascidos e portadores de próteses totais.

2. Atrofica Aguda
- Lesão visível e dolorosa no dorso da lingua
- É secundária a um caso de candidose pseudomembranosa

3. Queilite Angular
- Maceração do tecido umidecido do ângulo da boca.
- Local sensivel e que sangra com facilidade.

4. Queilite Candidósica
- Secundaria a uma candidose
- Inoculação traumática do agente infeccioso.

5. Hiperplasica crônica
- Leucoplasia e carcinoma Epidermóide.

6. Lingua negra pilosa


-Hipertrofia das papilas linguais e pigmentação com corantes dos alimentos
- Fatores predisponentes: tabagismos, antibiótico, corticóides
Fatores predisponentes às candidiases

A. Intrinsecos
1. Fisiológicos : velhice, gravides, prematuridade.
2. Patológicos: Neoplasias, leucemia, lúpus erutematoso disseminado, hemopatias, diabetes...

B. Extrinsecos
1. Medicamentos
2. Intervenções
3. Agentes físicos: traumatismos, queimaduras..
4. Ambientes hospitalares contaminados

Fatores de virulência da Candida spp.


- capacidade de adesão as células epiteliais e endoteliais
- Produção de enzimas
- Formação de pseudohifas
- Adaptação do ambiente
- Mudança fenotípica
- Hemolisinas
- Crescimento a 37°

Diagnostico micológico
1. Coleta de material
- Pele: Raspagem superficial das bordas das lesões.
- Unha: raspagem subungueal.
- Mucosas:coletar swab em meio de transporte.

2. Exame micológico direto


- a fresco: 1 gota de urina 9pouco valor em micologia)
KOH e lactofenol com azul de metileno

- a fresco após tratamento


Lactofenol
Acido lático – clarificação
Fenol- fungicida
Azul de metileno – corante.

-após coloração
Gram +: leveduras

3. Cultura
- Temperatura de incubação:
28°C para micoses superficiais
37° para micoses sistêmicas

4. Identificação
-Pesquisa de tubo germinativo
- Zimograma
- Auxanograma
- Macromorfologia da colônia
- Micromorfologia da colônia
Tratamento das candidiases
- correção das condições do hospedeiro (remoção de cateteres, próteses valvulres..)
- uso de azólicos : fluconazol.

Criptococose
- É uma infecção fungica oportunista causada por levedura encapsulada.
- pode ser causada por duas espécies: C. neoformans e C. Gatti

C. Neoformans
Apresenta-se dividida em duas variedades de acordo com os sorotipos, devido a diversidade quanto às características
fenotípicas.
Sorotipo A: C. neoformans var grubii
Sorotipo D e AD: C. neoformans var neoformans.

-Associação com o acumulo de fezes de aves(pombos)

-Quadro clinico: febre e infecção disseminada, pacientes imunossuprimidos.

C.​Gatti
- A infecção requer prolongada terapia antifúngica
- Está associada a seqüelas neurológicas e intervenções neurocirúrgicas
- Afeta principalmente pacientes imunocompetentes.

Criptococose pulmonar:
- Sinais de gripe, tosse e espectoração mucosa;
- Dor toracia, hemoptise e febre

Neurocriptococose
Tropismo: Liquor(excelente meio de cultura)
Ausencia habitual de reações inflamatórias no cérebro
Catecolaminas: metabolismo de melanina.

Criptococose cutânea
- nódulos cutâneos, celulite e ulcerações únicas ou múltiplas
- Diagnostico direto: tinta nanquim; coloração por gram
- Exame histopatológico: coloração com mulcicarmin

Tratamento: ​Fluconazol.

Fatores de virulência
- Capacidade de crescer em comndições fisiológicas (37°C)
- Produção de uréase
- fosfolipases

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