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Universidade Federal do Amazonas

Instituto de Ciências Exatas

Departamento de Física

Laboratório de Física Moderna 1

Descoberta do elétron e Medida da Carga


especifica dele (e/m). Experimento de
Thompson
Luciana Cerdeira Almeida - 21753838

1 Introdução
Neste relatório vamos tratar de um experimento que foi realizado pelo
físico J.J Thompson no ano de 1897 para encontrar a razão carga-massa do
elétron, ele realizou o experimento usando os chamados tubos de raios
catódicos nome dado aos feixes de elétron para aquela época já que eles
não conheciam as partículas que formavam os raios. Para realizar as
medidas Thompson submeteu os raios catódicos a um campo magnético
perpendicular aos raios fazendo com que esses raios mudassem a sua
trajetória a partir, desse efeito Thompson usando a informação da forca
magnética e associando a essa uma forca centrípeta foi conhecendo o
campo magnético foi capaz de encontrar a razão carga - massa essa
descoberta foi de grande importância para aquela época. Ao fazer o
experimento para vários tipos de gases diferentes ele chegou nos mesmos
resultados de em dentro das margens de erro levando ele a concluir que
essas partículas estavam presentes em todas substancias só então anos
depois que Lorentz denominou essas partículas de elétron e que possuíam
cargas negativas.
Com base no experimento de Thompson nós iremos realizar o mesmo
procedimento só que com um instrumento de medição com uma precisão

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maior, e fazer as análises de dados para ver se encontramos o mesmo valor
de Thompson ou se vamos obter a razão carga-massa.

2 Modelo Teórico
Em 1896, Pieter Zeeman obteve as primeiras provas da existência de
partículas atômicas onde mesmo observou uma relação definida entre a
carga e a massa a partir das linhas espectrais emitidas por ´átomos na
presença de um campo magnético. Zeeman percebeu que essas linhas
espectrais se dividiam em três linhas com pequenas proximidades entre
si, se frequências ligeiramente diferentes, onde os átomos eram
submetidos ao campo magnético. Além disso, estudando a polariza¸˜ao das
linhas espectrais, Zeeman chegou a conclusão de que as partículas
responsáveis pela emissão de luz possuíam cargas negativas. Pela teoria
eletromagnética clássica, as diferenças de frequências em linhas
espectrais estão relacionadas a razão carga-massa das cargas oscilantes
responsáveis pelas emissões.
Mas no ano seguinte ao trabalho de Zeeman, o J.J Thompson conseguiu
medir o valor de q/m para os chamados de raios catódicos e observou que
a carga das partículas contidas nestes raios catódicos fosse igual a carga
m´imina estimada por Stone a partir da lei de Faraday, a massa da partícula
seria apenas uma pequena fração da massa do ´átomo de hidrogênio. Anos
antes o J. Perin havia recolhidos raios catódicos em um eletrômetro e
percebeu-se que os mesmos eram compostos por partículas de carga
elétricas negativas. Desse modo ao medir o valor de q/m das partículas
responsáveis pelos raios catódicos Thompson havia, na verdade, feito a
descoberta do elétron. A medição da razão direta de em feito para o J.J.
Thompson para os elétrons em 1897 pode ser considerada como o inicio
de nosso entendimento da estrutura atômica.
Medição feita por Thompson para determinar a razão em foi
submetendo os raios catódicos a um campo magnético uniforme de
intensidade B e perpendicular a direção de movimento das partículas
carregadas, dessa forma as partículas passa a se mover em uma trajetória
circular. O raio da trajetória pode ser calculado a partir da segunda lei de
Newton. Sendo a forca magnética da seguinte forma:

Fm = q (v x B) (1)

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Fazendo a equação (1) na forma escalar temos que Fm = evB e
considerando a aceleração centípede já que os elétrons têm uma trajetória
circular assim:

mv2
Fc = (2)
𝑟

Onde r é o raio da curvatura e m é massa do elétron, e única forca que


atua no elétron é a forca magnética então a equação (1) e (2) podem ser
combinadas da seguinte forma:

𝑒 𝑣
Fm = Fc = (3)
𝑚 𝐵𝑟

Percebe-se que só precisa conhecer a velocidade e campo magnético e


os raios de curvatura dos raios catódicos.
Thompson realizou dois experimentos para medir o valor de em
usando m´todos diferentes, o segundo experimentos foi mais confiante,
pois ele ajustou os valores de campo magnético B e um campo elétrico E,
mutuamente perpendiculares, para que o raio não sofresse uma deflexão.
Isso permitiu que determinasse a velocidade dos elétrons igualando `a
forca magnética à forca elétrica.

𝐸
qvb = qE v= (4)
𝐵

Em seguida, Thompson desligou o campo elétrico e mediu o valor de r


a partir da deflexão sofrida pelos elétrons na presença do campo
magnético, uma vez conhecidos os valores de v e r, o mesmo usou a
equação (3) para determinar a razão em.
O experimento de Thompson pode ser considerado um marco na
história da ciência, pois ele conseguiu medir em para uma partícula
subatômica usando apenas um voltímetro e um amperímetro e uma régua,
obtendo o valor de 1,7 x 1011C/kg.
Repetindo o experimento usando gases diferentes no interior do tubo
e catodo feitos de diferentes metais, Thompson obteve o mesmo valor para
em (dentro do erro experimental), o que levou a concluir que as mesmas

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partículas estavam presentes em todas as substâncias. A concordância dos
resultados com os obtidos por Zeeman o levou a conclusão de que as
partículas (que Thompson chamava de corpúsculos e mais tarde Lorentz
denominou de elétron) tinha uma unidade de carga negativa, cerca de
2000 vezes menos que o ´átomo e mais leve e era parte integrante de todo
átomo.

3 Experimento
Neste experimento foram utilizados os seguintes instrumentos:
1 tubo de feixe estreito;
1 par de bobinas de Helmholtz;
1 fonte de tensão variável, 0 - 600V DC;
1 fonte de tensão universal;
Voltímetro, 0.3-300 V-DC,10-300 V-AC;
Amperímetro 1/5 A DC;
Cabo de conexão, 100 mm, vermelho;
Cabo de conexão 500 mm, vermelho;
Cabo de conexão, 500 mm, azul;
Cabo de conexão,1000 mm, vermelho;
Cabo de conexão,1000 mm, amarelo;
Cabo de conexão,1000 mm, azul;
Cabo de conexão,1000 mm, preto;
Cabo de conexão,2000 mm, azul;
Primeiro fizemos a verificação do equipamento, se a montagem estava
de acordo com a figura 1, logo após ligamos as duas fontes; a de tensão
variável e a de tensão universal para realizar o experimento. Em seguida
ligou-se o canhão de elétrons que funciona pelo efeito termiônico que
consiste na emissão de elétrons por um catodo aquecido, a figura 2, como
é o circuito do canhão de elétrons, onde temos basicamente dois eletrodos
eletricamente isolados e montados no interior de uma ampola evacuada.
O catodo (elétron negativo) e aquecido por um filamento de tungstênio
submetido a uma tensão baixa. Devido ao efeito de aquecimento a
superfície do catodo emite elétrons que são acelerados até o anodo

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(elétron positivo) de potencial U, e são ejetados no interior da ampola
evacuada.
Com uma diferença de potencial variando de 100 a 300V de 20 a 20V
usando fonte de tensão variável e ajustado a corrente elétrica na bobina
de Helmholtz para que pudesse observar a trajetória do feixe luminoso em
curva e também focalizar o raio da orbita para que coincidisse com os raios
definidos pelos traços luminosos na escala que tem raios pré-definidos
2,3,4 e 5 cm. Para cada valor de tensão usada ajustava a corrente sem
ultrapassar o valor de 5A para manter o raio do feixe luminoso fixo com
raio da escala. E assim sucessivamente para todos os raios da escala. Já que
os valores dos raios são fixos, então para esta condição foram coletados os
valores da corrente para cada valor de potencial acelerador.
A variação de tensão e os valores de correntes foram obtidos através
dos multímetros utilizados no decorrer do experimento. Para os valores
de tensão o multímetro foi ajustado em 750V para ter uma melhor
precisão do valor da tensão sendo a precisão de (0,5+3D). Já para a
corrente ajustado em 20A para que fosse possível tirar as medidas sem
danificar o aparelho com uma precisão de (2,0 + 5D).

Figura 01: Esquema Experimental para a determinação


da relação e/m. Fonte: manual Phywe

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Figura 02: Diagrama do circuito de canhão de elétrons
Fonte: manual Phywe

Figura 03: Circuito de canhão elétrico

E por fim, montamos o circuito conforme a figura 3, onde usamos o


campo elétrico e magnético para usar o método de compensação,
mantendo a tensão do canhão constante e variando o potencial das placas
e depois ajuntando o valor de corrente no feixe de elétrons até ficar
paralelo `a direção de propagação;

4 Resultados
Para que o experimento fosse realizado com sucesso o feixe de elétrons
tem que ser projetado perpendicular ao campo magnético devido as
bobinas de Helmholtz. De acordo que aumente a diferença de potencial na
canha o de elétrons faz com que aumenta a aceleração dos elétrons
deixando o feixe de elétrons mais intensos. Para que pudéssemos obter
uma curvatura do feixe de forma que, conseguíssemos medir o raio da
curvatura, e só submeter o feixe ao campo magnético onde a forca
magnética atua sobre os elétrons alterando a direção da velocidade dos
mesmos, mas sem alterar o seu modulo, a forca magnética nesta situação
atua como a forca centrípeta a figura 3 nos mostra um diagrama onde
pode-se observar a direção e sentido do campo, corrente e forca
magnética.

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Já que o objetivo é fixar um determinado raio e variar os valores da
tensão para o mesmo e depois fazer isso para outros valore de raios. Mas
isso só será possível se variarmos a corrente na bobina aumentando a
intensidade do campo magnético para manter a curvatura em um
determinado raio. Podemos ver os dados obtidos para diferentes
tamanhos de raios nas tabelas abaixo:

Raio Tensão (V) Corrente (A)


0,02 158 3,01
0,02 120 2,6
0,02 140 2,8
0,02 160 3

Raio Tensão (V) Corrente (A)


0,03 100 1,6
0,03 120 1,7
0,03 140 1,9
0,03 160 2

Raio Tensão (V) Corrente (A)


0,04 100 1,1
0,04 120 1,3
0,04 140 1,4
0,04 160 1,5

Raio Tensão (V) Corrente (A)


0,05 100 0,91
0,05 120 1
0,05 140 1,1
0,05 160 1,2

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Realizaremos o processo para estimar a razão de em, que é o
nosso principal objetivo nesse relatório. Vamos agora a partir de
cálculos matemáticos deduzir a equação para calcular a tal razão.
Partindo a da equação (1), (2) e (3) podemos construir a equação
sabendo, sabendo que um potencial acelerador V que atua sobre o
feixe de elétrons aumentando a sua energia cinética, então podemos
dizer que:

1 1 𝑒𝐵𝑟
Ve = mv2 Ve = m ( )2 (4)
2 2 𝑚

Manipulando a equação (4) temos que

𝑒 2𝑉
= (5)
𝑚 𝐵2 𝑟 2

Precisamos conhecer o campo magnético para chegar no resultado


desejado. Como o campo magnético é gerado por duas espiras
simétricas de raio R e separadas por uma distância a. E não
submetidas a uma corrente I. Assim o campo magnético pode ser
expresso a partir da lei de Biot-Savart

8
𝜇0𝐼 𝑑𝒍 𝑥 𝑹
dB = (6)
4𝜋 𝑅3

Com a perpendicularidade entre o campo e a corrente e força


magnética e também o feixe de elétrons é perpendicular ao campo.
Pela equação (6) podemos concluir que o campo magnético
produzido pelas bobinas de Helmholtz será na direção da
coordenada z então temos que:
𝜇0𝐼𝑅 2 𝑎 𝑎
Bz = {[R2 + (z - )2 ] -3/2 + [R2 + (z + )2 ] -3/2 }
2 2 2

No arranjo das espiras temos que a distância a entre elas é igual ao


raio das mesmas. Então se R = a as espiras tem os mesmos números
de volta, logo, temos que Bz = B e assim:

𝑅 4 𝜇0𝑁
B( ) = ( ) 3/2 I (7)
2 5 𝑅

Combinando as equações (5) e (7) temos que:

5
𝑒 2𝑉(4)3 𝑅 2
= (8)
𝑚 (𝑛𝜇0𝐼𝑟)2

Sendo os valores de R = 0,2m onde esse valor é o raio da bobina de


Helmholtz e μ0 = (4π x 10-7 ), a partir desses dados e com os valores
de tensões e de correntes podemos calcular a razão carga-
massa(e/m).

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Valores para r = 0,02
Tensão Corrente B(T) Raio da Raio do n-N° de e/m Cálculo do
(V) (A) Bobina(m) rastro(m) espiras erro(Fabricante
158 3,01 0,002084622778 0,2 0,02 154 1,81x1011 1,22%
120 2,6 0,001800670839 0,2 0,02 154 1,85x1011 0,57%
140 2,8 0,00193918398 0,2 0,02 154 1,86x1011 1,15%
160 3 0,002077697121 0,2 0,02 154 1,85x1011 0,71%

Cálculo de
Erro(Teórico)
3,24%
4,95%
5,51%
5,08%

Valores para r = 0,03


Tensão Corrente B(T)Campo Raio da Raio do n-N° número de e/m
(V) (A) Magnético Bobina(m) Rastro(m) espiras
100 1,6 0,001108105131 0,2 0,03 154 1,80x1011
120 1,7 0,001177361702 0,2 0,03 154 1,92x1011
140 1,9 0,001315874844 0,2 0,03 154 1,79x1011
160 2 0,001385131414 0,2 0,03 154 1,85x1011

Cálculo do Erro (Fabricante) Cálculo do Erro (Teórico)


1,67% 2,81%
4,35% 8,56%
2,41% 2,10%
0,71% 5,08%

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Valores para r = 0,04
Tensã Corrent B(T)Campo Raio da Raio do n-N° de e/m Cálculo do
o (V) e (A) magnético bobina(m) Rastro(m) espiras erro(Fabricante)
100 1,1 0,0007618222778 0,2 0,04 154 2,15x1011 14,57%
120 1,3 0,0009003354193 0,2 0,04 154 1,85x1011 0,57%
140 1,4 0,00096959199 0,2 0,04 154 1,86x1011 1,15%
160 1,5 0,001038848561 0,2 0,04 154 1,85x1011 0,71%

Cálculo do erro (Teórico)


18,33%
4,94%
5,51%
5,08%

Valores para r = 0,05


Tensão Corrente B(T) Campo Raio da Raio do n-N° e/m Cálculo do
(V) (A) magnético bobina(m) rastro(m) de Erro
espiras (Fabricante)
100 0,91 0,0006302347935 0,2 0,05 154 2,01x1011 8,64%
120 1 0,0006925657071 0,2 0,05 154 2,0x1011 8,07%
140 1,1 0,0007618222778 0,2 0,05 154 1,92x1011 4,65%
160 1,2 0,0008310788485 0,2 0,05 154 1,85x1011 0,71%

Cálculo de Erro (Teórico)


12,67%
12,11%
8,85%
5,08%

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Então podemos analisar que ao calcularmos os dados do
experimento e da tabela que obtivemos, foi possível obter um
resultado perto das especificações do fabricante.

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6 Conclusão

Logo, diante de tudo que foi apresentado é possível dizer que a


descoberta da existência do elétron não ocorreu de um dia para o
outro e nem de um única vez, foi graças ao trabalho de muitos
cientistas empenhando em suas pesquisas sobre a estrutura da
matéria.

7 Referências

Disponível em

http://repository.phywe.de/files/versuschsanleitungen/p251020
0/e/p2510200e.pdf.

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