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VIRGENS

SUICIDAS

JOHN
ROMÃO

15-18 JAN 2020


QUA–SEX 21:00
SÁB 19:00
Grande Auditório
Duração 90 min
M/16
©Bruno Simão
“Saber estar é saber ocupar um lugar sem sentir medo.” quem, não se percebe exatamente. Porém, é fácil antecipar
as possibilidades políticas de tais opções pedagógicas:
Num lugar indefinido, clínico e cínico, higienizado de afetos, as utopias, que transformam o ser humano em máquina,
que parece ser uma escola, mas também podia ser a ala em obra de arte ou em não mais do que qualquer outro
psiquiátrica de um hospital, um sonho, um laboratório animal, não se esgotam em modelos fotográficos, pictóricos
cientifíco, ou mesmo um teatro, Virgens Suicidas, a partir e em selfies de ginásio, que são apenas sonhos de uma
de texto homónimo de Jeffrey Eugenides, adaptado para juventude imaculada e eterna ou escondem existências
cinema em 1999 por Sofia Coppola, e da novela Mine-Haha, de sofrimento autopunitivo ou infligido por outrem. Pelo
de Frank Wedekind, coloca-nos perante a crueldade da contrário, antecipam a dureza metálica e bélica da ambição
beleza e da perfeição, da passagem do tempo e do culto de uns poucos, alimentam a idiotia alucinada dos seus
do corpo. As ações, neste espetáculo de John Romão, são projetos educativos e científicos e justificam a eliminação
simples: rituais e rotinas de formação de um conjunto de de tudo o que é excecional ou diferente. A carne de um
jovens por três mulheres belas que também foram jovens. corpo, que é ossos, músculos e tendões, mais não é que
A violência autoinfligida, contra o próprio corpo e contra o laboratório ostensivo do desejo e nostalgia alheios e
a própria vida, é menor do que a violência mascarada de a matéria disponível para atenuar a sua vulnerabilidade
todos os projetos educativos que ignoram a singularidade temporal. Fora desta existência em alvenaria de mármore
do Eu e dos afetos humanos. Suicidar-se é, neste contexto, e colchões amarrados por correntes é a selvajaria dos que
um ato de amor e de resistência e é, sobretudo, um ato amam, trabalham, sangram e procriam e não conseguem
de reconhecimento da própria existência. Um modo de fazer a ponte ou a espargata.
nos assegurarmos que somos mais do que um sonho. À E em todo o caso, é claro, há beleza, arquitetura,
virgindade do corpo, que é aqui um mero sinal de distinção equilíbrio, erotismo e música em tudo isto, aspetos que
estética e física, não corresponde a virgindade da alma John Romão observa para assinalar provavelmente a
que, pelo contrário e sem que se aperceba, é vítima de natureza autorreflexiva, e até comum ou quotidiana,
estupro repetido e conduzida a uma anomia emocional, da história que nos propõe.
respondendo apenas à aspiração de ser a escolhida ou ser
a favorita, e se revela episodicamente através de uma pulsão David Antunes
de morte e desejo. Ser escolhida para quê, porquê e por Professor na Escola Superior de Teatro e Cinema
JOHN ROMÃO LUÍSA CRUZ associada da EIRA entre 2013 e Em 1999, a Culturgest
Ator e encenador, tem desenvolvido Licenciada pela Escola Superior de 2016. É diretora artística d’A BELA organizou uma retrospetiva do seu
um trabalho no campo das artes Teatro e Cinema. Ao longo da sua Associação. Integra a banda trabalho até à data, intitulada Mês
performativas e dos cruzamentos carreira, recebeu vários prémios Kundalini XS. de Março, Mês de Vera. Representou
disciplinares. Estudou Teatro dos quais se destacam: Melhor Portugal na 26.ª Bienal de São Paulo
na Escola Superior de Teatro e Atriz pela revista O Actor e Atriz 2004, com Comer o Coração, criado
Cinema (ESTC) e frequentou a Revelação pelo Semanário Se7e VERA MANTERO em parceria com Rui Chafes. Em
(1989); Globos de Ouro 2005 para Estudou dança clássica com 2002, foi-lhe atribuído o Prémio
pós-graduação em Curadoria de
Melhor Atriz de Teatro; Prémio Anna Mascolo e integrou o Ballet Almada (IPAE/Ministério da Cultura)
Arte na FCSH / Universidade Nova
Bernardo Santareno para Melhor Gulbenkian entre 1984 e 1989. e, em 2009, o Prémio Gulbenkian
de Lisboa. Participou no curso
Atriz Teatro (2009); Globos de Ouro Tornou-se um dos nomes centrais Arte pela sua carreira como criadora
internacional École des Maîtres, em
2011 para Melhor Atriz de Teatro; da Nova Dança Portuguesa, tendo e intérprete.
2005, dirigido por Rodrigo García.
Em teatro trabalhou com Prémio SPA - Sociedade Portuguesa iniciado a sua carreira coreográfica
Tania Bruguera, Romeo Castellucci, de Autores para Melhor Atriz de em 1987 e mostrado o seu trabalho
Teatro 2012; Coimbra Caminhos do por toda a Europa, Argentina,
Rodrigo García, Silvia Costa, Tiago
Cinema Português para Melhor Atriz Uruguai, Brasil, Canadá, Coreia do
Rodrigues, Jorge Andrade, Jorge
Secundária (2015) e CinEuphoria Sul, EUA e Singapura. Desde 2000
Silva Melo, Paulo Castro, Francisco
para Melhor Atriz Secundária (2016) dedica-se também ao trabalho de
Salgado, Miguel Loureiro, Jean-Paul
pelo filme As Mil e Uma Noites de voz, cantando repertório de vários
Bucchieri, Maria João Machado,
Miguel Gomes; Prémio Áquila autores e cocriando projetos de
Marcos Barbosa, entre outros.
para Melhor Atriz de Televisão música experimental.
Dirige os seus espetáculos
(2018); Globos de Ouro 2019 para
desde 2002: Que difícil é ser um
Melhor Atriz de Teatro.
deus, Primeira imagem, a partir
da obra de Vito Acconci, Náufrago
a partir de Thomas Bernhard, O arco MARIANA TENGNER
da histeria, inspirado na escultura
homónima de Louise Bourgeois, ou
BARROS
Coreógrafa, bailarina, performer.
Horror, destaca-se o ciclo em torno de
O seu trabalho tem sido apresentado
Pier Paolo Pasolini, onde se incluem
em diversos países da Europa e
a encenação de Pocilga, a criação
América do Sul, salientando The
Teorema e a performance Pasolini
Trap (vencedor do Prémio do Público
is me. Apresentou o seu trabalho
Jardin D’Europe- Áustria, 2011), A
em Portugal, Espanha, França, Itália,
Power Ballad (2013) e Resurrection
Alemanha, Noruega, Eslováquia,
(2017), cocriações com o coreógrafo
Brasil, Argentina e Austrália.
Mark Tompkins, e i4gods (2017),
Entre 2006-2017 foi assistente
uma performance contínua de cinco
de encenação do dramaturgo
©Bruno Simão

horas para museus em colaboração


e encenador hispano-argentino
com o músico Pan.demi.CK.
Rodrigo García. Colaborou como
Colaborou com vários artistas
assistente de Romeo Castellucci
em diferentes projetos enquanto
na Bienal de Teatro de Veneza, em
bailarina, atriz e performer
Attore, il tuo nome non è esatto. salientando Francisco Camacho,
Convidado por Castellucci para o Meg Stuart, John Romão, Ballet
representar como jovem encenador Contemporâneo do Norte, Elizabete
no Festival d’Avignon 2013, participou Francisca, Nuno Miguel, António
no projeto Voyages du Kadmos. MV, Jonny Kadaver, Agnieszka
Recebeu os prémios Novos 2014 – Dmochowska, Raquel Castro, Retina
Teatro, Jovens Criadores Nacionais Dance Company e Rafael Alvarez.
2012 – Teatro, e Almada Terra das Licenciada em Dança pela
Artes e da Criatividade 2010 – Teatro. Northern School of Contemporary
Tem lecionado práticas teatrais Dance em Leeds (2003). Estagiou
em instituições de ensino, tais no Ballet Theatre em Munique
como a Escola Superior de Teatro (2004). Membro fundador do
e Cinema e a Escola Superior coletivo artístico The Resistance
de Dança. É o diretor artístico Movement, Leeds (2005). Completou
e programador da BoCA, bienal de o programa de Estudo e Criação
©Bruno Simão

artes contemporâneas que tem lugar Coreográfica-PEPCC no Fórum


em Lisboa e no Porto. Dança em Lisboa (2009). Foi artista
With its precise and clinical language, composed
of mysterious and erotic details, Virgin Suicides
is inspired upon the text with the same name
by Jeffrey Eugenides, adapt to cinema in 1999
by Sofia Coppola, and the novella Mine-Haha by
Frank Wedekind. Performed by Luísa Cruz, Vera
Mantero, Mariana Tengner Barros and young
gymnasts, the show portrays the education of
a group of adolescent girls dedicated to physical
education, theatre and dance. They live in an
apparently idyllic environment, although they
lead a cloistered life with a rigid routine. There is
something disturbing going on between the walls
of this place: besides the fact that the girls are
suffering a life of absolute isolation, disconnected
from the rest of the world, their submission
to a severe physical discipline arouses in each
of them a state of exception and violent wishes
for annihilation.
©Bruno Simão

CONCEPÇÃO, DIREÇÃO, CENOGRAFIA DANÇAS TRADICIONAIS


John Romão Marco Marques
TEXTOS ASSISTÊNCIA DE
Mickael de Oliveira ENCENAÇÃO, PRODUÇÃO
COM Solange Freitas
Luísa Cruz, Mariana Tengner Barros, GESTÃO E PRODUÇÃO
Vera Mantero e Carlos Lebre, Patrícia Soares / Produção d’Fusão
Catarina Bertrand Torres, PRODUÇÃO
Céline Martins, Inês Azedo, Colectivo 84
Inês Costa Graça, Maria Costa, COPRODUÇÃO
Marta Nunes, Margarida Caldeira, Culturgest, Teatro Municipal do
Mariana Cardoso, Mafalda Rey Porto, Cine-Teatro Avenida (Castelo
MÚSICA Branco)
Caterina Barbieri RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS
DESENHO DE LUZ Estúdios Victor Córdon,
Rui Monteiro O Espaço do Tempo, CAB - Centro
DESENHO DE SOM Coreográfico de Lisboa, Companhia
João Neves Olga Roriz, Companhia Clara
FIGURINOS Andermatt, ProDança
Carolina Queirós Machado
APOIO VOCAL O Colectivo 84 é uma estrutura
Nuno da Rocha financiada pela República
COREOGRAFIA Portuguesa – Cultura /
Colectiva Direção-Geral das Artes.
Brevemente

TÂNIA CARVALHO
ONIRONAUTA
30 JAN - 2 FEV
QUI-SEX 21:00
SÁB 19:00
DOM 17:00
Grande Auditório
Duração 60 min
M/6

MARIA REIS Música

CHOVE NA SALA,
ÁGUA NOS OLHOS
12 FEV 2020
QUA 21:00
Grande Auditório
M/6

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