Você está na página 1de 11

ARTIGO DE REVISÃO

INTERVENÇÕES MULTIDISCIPLINARES NA
ESCOLA: U M A VISÃO PSICOPEDAGÓGICA

Elizabeth Polity

R E S U M O - A mudança mais importante na educação suscitada por


novas demandas sociais é que a escola deve hoje incorporar, de forma
sistemática, a tarefa de formação do sujeito. Não deve se ater só ao núcleo
básico do desenvolvimento cognitivo, mas também o da personalidade, o da
afetividade, o da sociabilidade, ou seja, tende a assumir características de
uma instituição que se poderia chamar de escola familiar. Mas, para que a
escola possa estar apta a corresponder a estas novas expectativas é preciso
que adote um outro paradigma educacional. Que tenha uma visão ampla o
suficiente para comportar o sujeito da aprendizagem, sua família e seus
sistemas significativos, funcionando muitas vezes, como mediadora do
processo inter-relacional.

UNITERMOS: Aprendizagem. Ensino. Educação. Família. Educação


primária e secundária.

INTRODUÇÃO ser, aliada ao grau de maturação, ou seja, aos


Ao se p r e t e n d e r d e s e n v o l v e r o t e m a padrões de mudança internamente determinados
"intervenções multidisciplinares na escola" faz- por um código genético, considerando que ambos
se mister considerar que esta proposta deve ser criam uma estrutura para o desenvolvimento) e
pensada através de um paradigma científico que as influências externas - aí incluídas a família, a
l h e dê s u s t e n t a ç ã o . P a r a i s t o , é p r e c i s o , escola e o meio social nos quais o sujeito está
primeiramente, que se considere a escola como inserido.
um s i s t e m a q u e d i s p o n i b i l i z a e b u s c a a Quando falamos de influências externas,
aprendizagem, juntamente com outros sistemas estamos basicamente nos referindo ao ambiente
significativos do sujeito, entre eles a família. e a toda aprendizagem que dele advenha. Dessa
Penso a aprendizagem como uma condição maneira, vamos primeiramente conceber o sujeito
calcada na dialética entre fatores internos do a p r e n d e n t e inserido em diferentes sistemas
sujeito (a constituição genética específica de cada (familiar, escolar, t e r a p ê u t i c o ) q u e l h e dão

Elizabeth Polity - Psicopedagoga, Psicanalista, Correspondência


Terapeuta Familiar, Mestre em Educação, Doutora em Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1118
Psicologia, Diretora do Colégio Winnicott, Diretora da apto 52 - São Paulo - SP - Brasil - 01403-002
Associação Paulista de Terapia Familiar, Ex-conselheira Tel/fax: (11) 3884-4647
daABPp, Coordenadora do CEOAFE, Professora Titular E-mail: bpolity@winnicott.com.br
dos Sistemas Humanos.
POLITY E

sustentação e nesta relação, constroem com ele tendo reflexos mais tarde na aprendizagem, na
a aprendizagem. socialização, no desenvolvimento da criança como
O objetivo desta abordagem é entender a um todo.
criança não mais a partir de um modelo ideal de A mudança mais importante na educação
ser h u m a n o , diante do qual m a n i f e s t a - s e suscitada por essas novas demandas é que a
incompleta, mas como um sujeito contextualizado escola deve hoje incorporar, de forma sistemática,
e, conseqüentemente, diferente dos demais, a tarefa de formação do sujeito. Não deve se ater
permitindo uma visão mais compreensiva de suas só ao n ú c l e o b á s i c o do d e s e n v o l v i m e n t o
particularidades existenciais. cognitivo, mas também o da personalidade, o da
Por tudo isso, nesse trabalho, discutirei a afetividade, o da sociabilidade, ou seja, tende a
aprendizagem que se dá na escola, como inter- assumir características de uma instituição que se
relacionada com a aprendizagem que ocorre no poderia chamar de escola familiar.
grupo familiar, não podendo abdicar desta, por Mas, para que a escola possa estar apta a
correr o risco de não se efetivar. corresponder a estas novas expectativas é preciso
Como psicopedagoga e terapeuta familiar, que ela adote um outro paradigma educacional.
considero imprescindível um trabalho conjugado Que tenha uma visão ampla o suficiente para
entre a escola e a família. E é sobre esta "relação comportar o sujeito da aprendizagem, sua família
tão d e l i c a d a " q u e pretendo t e c e r a l g u n s e seus sistemas significativos, funcionando muitas
comentários. vezes, como mediadora do processo inter-
Muito já se escreveu sobre a família. Hoje em relacionai. E, ainda, que possa contar com o
dia, fica até mesmo complexo definir o que é auxílio de profissionais de diferentes áreas que
família, visto que novas e diferentes configurações contribuam para uma abordagem multidisciplinar
familiares ocupam o cenário social: famílias desse complexo desafio que é educar.
reconstituídas, pais homossexuais, barrigas de Proponho-me a refletir sobre este tema
aluguel, adoção de embriões, são algumas das dividindo-o, para fins didáticos, em:
possibilidades atuais.
Entretanto, todos nós temos uma boa idéia do 1. Síntese Teórica;
que é família, até porque todos viemos e 2. Procedimentos que embasam a reflexão:
pertencemos a uma, com suas características e > A Família e a Escola: sistemas que
constituição próprias. trabalham com a aprendizagem;
Nas últimas décadas, vêm-se observando que > O trabalho multidisciplinar num enfoque
a família está perdendo sua capacidade de sistêmico Construtivista/ Construcionista
oferecer a socialização primária e todo o cabedal Social;
de conhecimento (prático e afetivo) que estaria 3. Discussão: O lugar da escola, dos terapeutas
implícito neste convívio. Isto se deve, em muitos e da família como c o - c o n s t r u t o r e s da
casos, pela ausência de uma das figuras parentais aprendizagem;
ou porque a l g u m a s famílias têm ocupado 4. Considerações finais.
diferentes personagens nos lugares de pai e mãe Vale ressaltar que em muitos momentos o meu
ao longo da infância. Além disso, a criança hoje "lugar" de psicopedagoga recebe aportes da
se incorpora cada vez mais cedo a instituições minha formação clínica em terapia familiar, bem
diferentes da família, como pré-escola e creches como o inverso ocorre em inúmeras situações de
ou mesmo, fica sob os cuidados de alguém para consultório, nas quais trabalho com famílias.
que a mãe/pai trabalhe. Por isso, a primeira Penso, que é mesmo a partir deste intercâmbio,
socialização primária embutida de valores e afetos que fui levada a perceber a importância desse
importantes e que estava a cargo da família, diálogo ampliador e que certamente aparecerá
muitas vezes, não se completa. Este fato acaba em alguns momentos deste trabalho.
I N T K R V E N O Õ L S MULT1DISC1HJNARKS NA E S C O L A

S Í N T E S E TEÓRICA significados e sobre a descrença das verdades a-


Nesse início de século, observamos perplexos históricas.
as múltiplas transições e mudanças a que fomos Esta maneira de pensar acaba sendo alvo de
submetidos, seja na ciência, na arte ou na vida críticas como, por exemplo, a de se ter de conviver
social. Como não poderia ser diferente, muitas com a incerteza e com o desconhecido. Entretanto,
questões de ordem epistemológica impõem-se, ao negar a possibilidade de um conhecimento
levando-nos a rever os antigos paradigmas da objetivo, o pensamento pós-moderno legitima
ciência tradicional e, conseqüentemente, a olhar outras bases epistemológicas, inovando as
para a prática clínica, calcada nos mesmos pres- ciências em geral e as práticas delas decorrentes.
supostos teóricos. Sob a égide desse novo paradigma, surge,
S e g u n d o alguns autores, vivemos num entre outras, duas correntes distintas: o Constru-
contexto social-histórico caracterizado pela pós- tivismo e o Construcionismo Social. Delas pode
]
modernidade. Conforme Favaretto : ser derivado um conjunto de práticas adotadas
"O saber pós-moderno aguça nossa no modelo de terapia familiar de orientação
sensibilidade para as diferenças. Reforça nossa sistêmica.
capacidade de suportar o incomensurável, que No enfoque epistemológico proposto pelo
tantaliza a experiência contemporânea, apare- construtivismo não existe a noção do conhe-
cendo na problematização da história, na teoria, cimento como uma representação do mundo,
na cultura e na arte, através de expressões que independentemente do observador. O que se
são verdadeiras personagens conceituais: inde- propõe em seu lugar é que as construções concei-
terminado, heterogeneidade, hibridismo, desle- tuais, que chamamos de conhecimento, têm uma
gitimação, desenraizamento, etc. Todas indicam função adaptativa e devem ser viáveis para o
o processo de fuga do consensual, a dificuldade mundo da experiência do sujeito cognoscente. O
de unificar e totalizar, valorizando descontinui- homem, no enfoque construtivista, é um indivíduo
dades, desterritorialização, descentramento, autônomo, governado pela sua organização estru-
multiplicidade". tural, seu sistema nervoso, seus constructos e
Com a expressividade do pensamento pós- sistemas de crenças, seus significados constituídos
moderno, passam a serem questionadas as verda- no convívio com os outros. Assim organizado, esse
2
des universais. Abandonar o pensamento moder- homem, ao descrever seu mundo, o constrói .
no implica deixar de lado a segurança de uma O construcionismo social também lida com o
interpretação acurada da realidade, no que tange conhecer, tendo suas raízes no pensamento
aos critérios de produção de conhecimento que crítico (social, político e cultural). Ele ressalta a
ajudam a corrigir os vieses pessoais, culturais e necessidade de uma revisão de nossos próprios
os erros de julgamento. Dentro desta concepção, vieses, de nossas pré-concepções, de nossos
já não faz sentido agarrar-se às certezas, mas sim, determinantes e pressupostos, localizando essas
conviver com a incerteza, com a imprevisibilidade reflexões num contexto social de aprendizagem
e com o desconhecido. e de observação. Os construcionistas entendem
O pensamento pós-moderno não se apoia num que as idéias, as lembranças e os conceitos
método que garanta a verdade, mas exige que aparecem no intercâmbio social, predispondo a
se desenvolvam meios de conhecimento que construção eminentemente social de mundo por
exponham a experiência tal como ela é vivida. meio de práticas discursivas. Ambas concordam
Sem interessar-se pelas leis gerais, o pensador que o observador cria a realidade observada,
coloca-se aberto às diferenças, dando importância questionando o conceito de objetividade e
aos contextos de tempo e espaço, e valorizando, desafiando a concepção do conhecimento, como
ao mesmo tempo, o único e o complexo. Desta a l g o c r i a d o dentro da m e n t e a t r a v é s de
feita, a ênfase recai sobre a multiplicidade de observação imparcial.
POL.ITY E

As duas abordagens apóiam-se na noção de a c e s s o o b j e t i v o à r e a l i d a d e . Adotar e s t a


reflexibilidade e de auto-referência na cons- epistemologia significa escolher uma maneira
trução do conhecimento, de forma que não se p a r t i c u l a r de d e s c r e v e r a r e l a ç ã o q u e se
pode separar sujeito cognoscente de objeto estabelece entre as pessoas, entendendo que a
conhecido. Ambas enfatizam a natureza cons- realidade é a que construímos no convívio com
truída do conhecimento, não acreditando nas os demais, sendo nós, portanto, os responsáveis
5
garantias fundantes de uma ciência empírica. pela realidade que construímos .
Neste paradigma, coloca o observador - o Esta forma de pensar trouxe uma mudan-
psicopedagogo/o professor/ o terapeuta - como ça paradigmática para as ciências humanas,
parte integrante da realidade observada e ao considerar os problemas humanos como
demanda uma nova abordagem metodológica i n t e r a c i o n a i s , com ênfase na c a u s a l i d a d e
que faz repensar sua prática pedagógica/clínica, circular.
a partir de múltiplos vértices . Esta postura 3
O campo da terapia familiar e das práticas
permite ainda a inclusão de outros profissionais sistêmicas dentro dos marcos paradigmáticos
de áreas afins que, ao formar uma rede de da pós-modernidade estruturou-se apoiado em
atendimento multidisciplinar, criam oportuni- torno dos princípios de imprevisibilidade e
dade de reflexões e pensamentos, onde há incerteza, da impossibilidade de um conhe-
espaço para diferentes "lugares do saber" e cimento objetivo, da auto-referência, da lingua-
onde se favorece a constituição de um grupo gem, da autopoiese*. O campo da terapia sistê-
vivo, ativo e criativo na busca de soluções. mica organizou-se nas chamadas terapias sistê-
O modelo sistêmico, que adapta-se a esta micas construtivistas construcionistas sociais,
perspectiva de múltiplos contornos, está cal- desenvolvidas nos modelos conhecidos como
cado na Teoria Geral dos Sistemas e pode ser conversacionais, dialógicos ou narrativos. Em
aplicado à Terapia Familiar, que adota essa comum, pode-se observar que todos questionam
orientação. Ele vê o funcionamento familiar como os modelos de diagnósticos tradicionais, as
um sistema vivo, portanto, a dinâmica e a teorias clínicas e teorias de mudanças calcadas
interação entre seus membros estão sujeitas às nos modelos de doenças e disfuncionalidades.
mesmas leis que se observam nos sistemas A representação da família como um sistema
4
orgânicos . parte da metáfora que o sistema não reflete a
Da Teoria Geral dos S i s t e m a s podemos realidade da família, como um espelho que
apreender o pensamento sistêmico, tido como reflete a luz - o menu não é a comida ou o
6
uma visão da realidade que se baseia no estado mapa não é o território, conforme Bateson -,
de inter-relação e de interdependência de todos mas é uma construção social que determina uma
os fenômenos físicos, biológicos, psicológicos, maneira de olhar as famílias e seu funcio-
sociais e culturais, transcendendo as atuais namento. Inclusive no tocante ao modo como
fronteiras das disciplinas e dos conceitos, elas lidam com as questões do aprender e do
configurando uma estrutura inter-relacionada de conhecimento.
múltiplos níveis de realidade multidisciplinar, Usei este breve recorte para definir as bases
gerando uma mudança de filosofia e uma epistemológicas que nortearam minhas
4
transformação da cultura . reflexões e que apontaram um caminho para
A epistemologia sistêmico-construtivista, construir minha prática p s i c o p e d a g ó g i c a .
que tomamos emprestada para este trabalho, P a s s e m o s agora, a t r a ç a r a l g u m a s c o n s i -
adota o p r e s s u p o s t o b á s i c o de que o ser derações sobre a família e a escola sob esta
humano, por sua estrutura ou biologia, não tem perspectiva.

'Poiesis é um termo grego que significa produção. Autopoiese quer dizer autoprodução.
I N T C R V E N V Ò I S MUIXiniSCin.INARES ,\<A E S C O L / X

A FAMÍLIA E A ESCOLA: SISTEMAS membros não bastam para explicar o compor-


QUE TRABALHAM COM A tamento de todos. Assim, a análise de uma
APRENDIZAGEM família não é a soma das análises de seus
Tão importante quanto ter um modelo é membros" . 9

perceber que ele não passa de uma metáfora. Se por um lado, em famílias com um maior
Assim, quando pensamos em Família como grau de escolaridade, desde cedo se espera que
Sistema ou Escola como Sistema, isto é apenas a criança seja bem sucedida e, por vezes, siga a
um r e c u r s o que nos ajuda a e n t e n d e r o carreira de um dos pais, por outro, em famílias
funcionamento de um grupo. com baixo grau de escolaridade é muitas vezes a
7
Segundo Sluzki , modelo é um instrumento escola que espera que a criança não seja bem
que auxilia a simplificação e a ordenação de uma sucedida. Estas expectativas - construídas sobre
realidade complexa, possibilitando definições pré-conceitos - costumam gerar um quadro
operacionais, lógicas e pragmáticas. paralisador que afeta o desempenho escolar do
E com esse caráter que utilizo o modelo sujeito.
sistêmico, aplicado às relações familiares e às No trabalho com as famílias, podemos buscar
relações que se processam em um ambiente algumas questões, como:
escolar, sem esquecer que se trata de uma • O que a família aprende?
maneira de pensar, de um ponto de vista. • Como ela se relaciona com o saber?
Esse modelo propõe que todas as redes sociais • Como a família lida com as dificuldades que
envolvidas numa situação (neste caso família, surgem no aprender?
escola, terapeutas) são co-responsáveis tanto • Por que aprender/não aprender é significativo
pelos recursos a serem utilizados, quanto pelos para este grupo, em particular?
impasses que surgem ao longo do caminho. Trata- Muitas vezes, o sujeito é levado a cumprir
se de construir junto uma experiência compar- mandatos, tarefas e responder a lealdades
tilhada, através da busca de alternativas de impostas pelo meio familiar. Pode tentar rebelar-
intervenção para essa realidade e da construção se, mas sempre terá como referencial o modelo
de narrativas, entendidas como construções com- da família de origem (ou o que ele aprendeu lá).
plexas que se estruturam ao redor de tramas Comparações e identificações também fazem parte
temáticas, estando sempre abertas a uma do processo de aprendizagem. Freqüentemente
reconstrução transformadora. percebemos que é preciso corresponder a padrões
Quando pensamos em uma Família ou em uma impostos, onde as limitações, dificuldades ou
Escola como um sistema, não podemos deixar de mesmo preferências individuais, muito pouco ou
considerar que ambos são sistemas de vínculos quase nada, são levadas em conta na hora das
10
8
afetivos (Montoro ), pois nossos processos de cobranças familiares .
h u m a n i z a ç ã o dão-se através das r e l a ç õ e s Quando se atende uma família é necessário
emocionais desenvolvidas entre os membros da considerar alguns aspectos importantes:
família e ou da escola, e vão oferecer um contexto, funcionamento e estrutura familiar, possibilidade
para que as diferentes fases de aprendizagem de diferenciação e formação de identidade,
ocorram satisfatoriamente. adaptação ao ciclo vital, lealdades, alianças e
"Pensando nas relações do grupo familiar, coalizões, padrões de repetição, modalidade de
segundo a teoria dos sistemas, podemos dizer aprendizagem, manejo dos segredos e mitos
que neste, o comportamento de cada um dos familiares.
membros é interdependente do comportamento Esses componentes dão sustentação para a
dos outros. O grupo familiar pode, então, ser visto construção das narrativas familiares, uma vez que
como um conjunto que funciona como uma fazem parte da trama que define cada grupo
totalidade e no qual as particularidades dos familiar, dentro de suas particularidades.
POLITY E

Ao construir junto com a família sua história Deste modo, o sujeito não realiza uma auto-
em relação à aprendizagem, podemos permitir aprendizagem; existe um caráter pluralístico que
que c a d a membro re-conte sua história, originariamente é relacional.
descrevendo os fatos à sua maneira e, sobretudo, Penso que n e s s e p r o c e s s o e x i s t e uma
a significação destes para a vida do sujeito. Isto complexidade muito grande pois, nele, a comuni-
permite que haja possibilidade de mudanças e cação toma forma dinâmica e dialética, envol-
11
flexibilizações, pois, segundo Minuchin , "as vendo a possibilidade de uma predominância na
estruturas familiares são conservadoras, mas articulação das interações, que irão sustentar as
modificáveis. O objetivo do trabalho com a família transformações das ações no nível intrapsi-
é aumentar a flexibilidade dessas estruturas e cológico, com a finalidade de internalização.
ajudá-la a reajustar-se às novas circunstâncias." Nesse novo paradigma educacional fica
Com relação à Escola e à educação, obser- enfatizado um movimento integrador entre o
vamos que novos paradigmas surgiram, possibi- domínio das disciplinas, da dimensão relacional
litando que se veja a educação, hoje, como um e da dimensão individual, tendo como meta
processo global, mais preocupado em como o aprender a aprender, remetendo-nos à integração
aluno aprende, do que com o quê ele aprende. entre objetividade e subjetividade no processo
Na concepção antiga, considerava-se o aluno de ensino-aprendizagem. Evidencia-se aí uma
como um ser receptivo das informações que dimensão complexa desse processo, uma vez que
recebia do mundo exterior, e o enfoque consistia são inúmeras as variáveis implicadas.
em uma metodologia indutiva. Dentro do para- Considero que o processo de ensinar (que
digma do Construtivismo/Construcionismo Social, objetiva a aprendizagem) é sustentado por, pelo
que aqui adoto como referencial teórico, admite- menos, cinco eixos distintos: o cognitivo, o afetivo,
se a existência de um contexto criado pelo e no o relacional, o técnico e o político, que são
encontro das relações, evidenciando, portanto, indissociáveis e sobrepostos, fazendo com que
um caráter interacionista da aprendizagem. esta ação humana tenha de articular diferentes
Esta nova postura educacional redimensiona fatores. Alguns são propiciados pelo organismo,
o fazer do psicopedagogo e o coloca como "co- outros, pelo desejo, que se mostra como propulsor
construtor" das histórias em que participa. do ensinar/aprender, ou, ainda, pelas estruturas
Portanto, seus pressupostos teóricos comportam cognitivas, que representam a base da inteli-
tanto a sua subjetividade, quanto a do professor gência e da dinâmica do comportamento, e que
e de seu aluno. Comportam a dinâmica intrapsí- podem ser vistas como respostas do sujeito à reali-
quica de cada um, presente no processo de apren- dade que o cerca. Já outros são propiciados pelas
der/ensinar, que se manifesta por meio de seus condições da realidade, incluindo-se aí as
comportamentos, posturas e linguagem, bem relações.
como a dinâmica inter-relacional, que ocorre entre Ainda dentro de um cenário educacional,
os envolvidos, para que o conhecimento possa caberia ressaltar que a aprendizagem pode se
ser construído. E sob a égide deste paradigma dar em pelo menos dois níveis. Uma mais pessoal,
que vamos aqui falamos de aprendizagem. envolvendo o conhecimento sobre si mesmo,
Considera-se, hoje, que o processo de ensino- sobre seus sentimentos e emoções, sobre as
aprendizagem ocorre em estruturações conjuntas, pessoas e as relações, tendo uma estreita ligação
que envolvem aluno e professor, num movimento com as experiências vividas. Em outro nível,
em que as reflexões pessoais e interpessoais são teríamos um conhecimento chamado de objetivo
primordiais. Isto porque o sujeito para aprender - ou o que isto possa significar, pois, ao traba-
precisa estar em interação com o outro, cons- lharmos com um referencial construtivista/
truindo seu conhecimento a partir de um conhe- construcionista, questionamos a noção de
cimento anterior, compartilhado com o outro. conhecimento objetivo, mas podemos fazer
INTERVENÇÕES MULTIDISCIPLINARES NAESCOL/X

recortes que nos facilitem a compreensão de uma • Valorizar idéias e capacidade de criação;
realidade objetivável - referente ao mundo • Respeitar e dar espaço para as diferenças.
material, dos espaços, da chamada realidade Como bem se observa, é preciso que as
compartilhada -, emprestando as palavras de instituições escolares desenvolvam um novo
6
Bateson , quando este diz que a realidade olhar, para que a proposta que pretende entender
observada leva sempre a marca do observador. a aprendizagem dentro de marcos sistêmicos
De acordo com este novo paradigma educa- construtivistas construcionistas sociais se
cional, os temas (antes, chamados de disciplinas) viabilize.
são galerias pelas quais os c o n h e c i m e n t o s
progridem ao encontro uns dos outros. O TRABALHO MULTIDISCIPLINAR NUM
Em consonância com uma proposta inovadora ENFOQUE SISTÊMICO
no âmbito da aprendizagem, vamos encontrar os CONSTRUTIVISTA / CONSTRUCIONISTA
quatro pilares da educação propostos pela UNES- SOCIAL
12
C O : aprender a aprender, aprender a fazer, Falar em novos paradigmas educacionais
aprender a conviver e aprender a ser. Estes con- implica reconhecer necessidade de um novo
ceitos partem do reconhecimento da necessidade modelo de profissional que se disponha a
de informar, formar e orientar a escola e os profes- trabalhar neste contexto e a tolerar as dúvidas e
sores a compreender e a atuar em realidades as incertezas que ele traz.
sociais e técnicas, complexas, agregando novos Em um modelo tradicional de ensino, as
valores ao estágio atual, no qual a prática e o queixas explicitadas levam em conta apenas o
debate sobre a renovação pedagógica se limitam aluno/família como agente causador dos proble-
à indicação do saber aprender e do saber fazer, mas. O modelo sistêmico permite uma redefinição
como paradigmas máximos. O aprender a conviver dos sujeitos envolvidos, tornando todos co-
e o aprender a ser ampliam a intervenção peda- responsáveis pela ação pedagógica.
gógica e as possibilidades de inserção profissional Auxiliados pelo modelo sistêmico, vamos
e social dos cidadãos. A adição destas novas perceber que o profissional (tanto o professor,
funções da aprendizagem (aprender a conviver e como o psicopedagogo, como o terapeuta familiar)
aprender a ser) alarga as possibilidades de está inserido em uma história familiar que lhe
intervenção do indivíduo e da coletividade, para transmite valores, mandatos e crenças e que vão
que sejam geradas formas de colaboração e de orientar sua escolha e seu fazer profissional. É
cooperação de trabalho que garantam e ampliem importante, ainda, sinalizar que essa dinâmica
a qualidade de vida, tanto pessoal, quanto está também permeada por uma dimensão
profissional. São indicadores que estão em perfeita intrapsíquica.
harmonia com a visão sistêmica, por proporem um Não se pode falar em prática psicopedagógica
olhar ampliador para o processo da aprendizagem. abolindo um desses aspectos; eles são orienta-
12
Segundo a UNESCO , neste novo paradigma dores da vida cotidiana e guiam os contatos huma-
de ensino, é preciso: nos. Ao conhecer, o homem modela e remodela o
• Reconhecer que não se sabe; objeto a ser conhecido nas relações interpessoais,
• Trabalhar a partir das questões dos alunos; e este processo ocorre dentro de uma sociedade
• Garantir o acesso do aluno à informação; e de uma rede de relações sociais que oferecem
• Saber que só se ensina aprendendo; modelos conceituais e sistemas ideológicos de
13
• Ensinar que há diferentes formas e caminhos pensamento .
para resolver o mesmo problema; Pode-se afirmar que uma a ç ã o p s i c o -
• Auxiliar a desenvolver a capacidade crítica; pedagógica bem sucedida é aquela que deixa
• Estimular a curiosidade e direcionar para a para o aluno/cliente a sensação de ter adquirido
busca do conhecimento; instrumentos para buscar seu próprio saber.
POLITY E

14
Parafraseando Tom Andersen , a pessoa do Neste enfoque, o observador do fenômeno
terapeuta (podemos também pensar no psico- está implicado no processo e faz parte dessa
pedagogo) é uma presença concreta na história r e a l i d a d e a ser o b s e r v a d a . Q u e s t i o n a - s e
de vida do seu paciente (idem, no cliente/aluno), premissas tais como: linearidade, causalidade,
com o qual ele - paciente - vai poder dialogar objetividade e verdade universal. Quando se
sempre que sentir necessidade, relacionando o permite estes questionamentos, o modo de
hoje com o ontem, numa espécie de referência ver o mundo muda e, c o n s e q ü e n t e m e n t e ,
de continuidade de suas histórias. E estas podemos experimentar uma maneira dife-
histórias deixarão marcas nos dois sujeitos rente de vivenciar o processo educacional e o
envolvidos: terapeuta e paciente. terapêutico.
Quando novas idéias ou construções surgem No encontro com a família, o psicopedagogo,
neste espaço comum, elas parecem decorrer de entre outros temas, pode buscar:
um encontro entre os sujeitos envolvidos, não • Como o sistema familiar se relaciona com as
tendo, portanto, uma ú n i c a autoria, mas diferentes fases do ciclo vital?
configurando-se, outrossim, pelo entrecru- • Que narrativas são construídas para dar
zamento de muitas reflexões e contribuições. conta das diferentes situações?
Penso que, tanto os psicopedagogos como os • Q u a i s os t e m a s m a i s f r e q ü e n t e s q u e
terapeutas familiares pertencem a múltiplos aparecem no discurso da família?
contextos e trazem para sua prática profissional Ao mesmo tempo em que trabalha com a
muitas referências pessoais e familiares. Suas família, o psicopedagogo está em contato com
experiências os transformam como sujeitos, da seus próprios sentimentos e pode através da
mesma forma que eles transformam os que os ressonância** perceber:
cercam, tratando-se de uma via de mão dupla. • Que efeito tem em mim este aluno/paciente?
Quando trabalham com os alunos/pacientes, • E sua família?
eles os escutam a partir de suas histórias pes- • Sinto-me adequado neste atendimento?
soais. Muitas vezes, paralisam-se frente as suas • Posso t r a b a l h a r m a i s p r ó x i m o d e s t a s
dificuldades, por não conseguirem dar conta das pessoas?
emoções ali suscitadas. Como partes de um • Posso introduzir-me na c o m u n i c a ç ã o da
sistema definido pelos pressupostos do modelo família, sentida por mim como perturbada/
sistêmico, somos todos observadores parti- perturbadora?
cipantes e estamos tão envolvidos, quanto os Os s e n t i m e n t o s q u e o p s i c o p e d a g o g o
alunos/clientes, nesse processo. Aquilo que registra em si mesmo merecem ser considerados
construímos é produto de uma co-construção, o como critérios. E s t a n d o atento aos a c o n -
que significa não só o estar junto, mas também o tecimentos casuais procurará se inserir na visão
2
sentir junto . de mundo da família para operar pontos de
Considero que o pensamento sistêmico vistas alternativos e novas conotações.
representa um grande salto conceituai. O foco Sendo tanto a educação como a terapia uma
do atendimento muda do sujeito para os sistemas atividade dialógica, o psicopedagogo favorece
humanos e suas relações, formados pelos alunos, a redistribuição do tema (demanda, queixa),
pacientes, terapeutas, famílias, comunidade; através da co-responsabilidade entre as redes,
portanto, o foco muda do e x c l u s i v a m e n t e ao mesmo tempo em que faz emergir a cons-
individual para o inter-relacional. trução de narrativas ampliadoras.

""A idéia que está por trás do conceito de ressonância é que um indivíduo exposto a outro indivíduo, bem como às suas
comunicações, sob a forma de comportamento e de palavras, parece instintiva e inconscientemente responder da mesma
15
maneira" (Foulkes ).
INTERVENÇÕES MUinPISClPlJNARES NA E S C O L A

O LUGAR DA ESCOLA, DOS vital para o desenvolvimento do sujeito da


TERAPEUTAS E DA FAMÍLIA aprendizagem.
COMO CO-CONSTRUTORES DA A visualização e as discussões, que podem
APRENDIZAGEM: UMA REDE ser entabuladas em torno do trabalho em
MULTIDISCIPLINAR conjunto, ficam sobremaneira auxiliados pelo
E n t e n d e n d o que a s r e l a ç õ e s h u m a n a s REDOGRAMA*** (genograma das redes), que
ocorrem graças ao apoio das redes sociais, penso pemiite a troca e o intercâmbio necessários entre
que o suporte de um contexto mais amplo os profissionais envolvidos.
funciona como aliado ao atendimento Creio que o trabalho em rede faz os sistemas
psicopedagógico, sendo muitas vezes decisivo passarem por diferentes estágios de desen-
para que o aluno e a família retomem seu curso volvimento, mas permite no final que se redefina
no desenvolvimento do ciclo vital. a história da família, num processo de desin-
A perspectiva de intervenção com famílias, a toxicação dos padrões relacionais habituais. É
partir das redes sociais, integra e otimiza o um processo de transformação, que implica algo
trabalho em consultório, gerando neste contexto a ser ultrapassado.
a possibilidade de desenvolvimento de seus No meu entender, o Processo de Atendimento
membros e a construção de um processo de per- Multidisciplinar visa:
tencimento, autonomia e identidade. 1. A p a r t i c i p a ç ã o e o c o m p r o m i s s o c o -
No andamento do processo, a família vai construídos entre os diversos sistemas.
revelando as fronteiras do sistema significativo 2. O diálogo reflexivo entre escola, equipe e
deste grupo e outros vínculos interpessoais. família, que privilegie, entre outras, as
Cabe ao terapeuta ir construindo, juntamente seguintes questões:
com o sistema familiar, uma rede de apoio que • Quais os temas mais freqüentes apresentados
permita a formação de novos arranjos mais pela família?
funcionais, que vise entre outras possibilidades, • Quais os recursos que a família dispõe?
o desenvolvimento da aprendizagem. • Q u a l s e r i a um bom r e s u l t a d o no
Acredito que uma das metas desta proposta atendimento? (definir o contexto-queixa)
é a substituição de padrões rígidos, do tipo "ou • Qual é a modalidade de aprendizagem
tudo ou nada", por padrões que Validem a familiar?
diversidade e a flexibilização, questionando as • Se existem ganhos com essa "modalidade de
premissas rígidas, sobre as quais a família aprendizagem", quais são?
constrói sua experiência. Neste aspecto, as redes • Quem ganha? Quem perde?
oferecem ótima oportunidade de se colocar outros • Q u e medos, d e s e j o s e f a n t a s i a s e s t ã o
m o d e l o s em pauta, b a s e a d o s em formas presentes nas narrativas da família?
inovadoras de se lidar com o mundo. • Quem é favorecido a partir de um diálogo
Trabalhar as relações na família, juntamente sobre essas experiências?
com as redes envolvidas, permite que cada • Existem tentativas para se solucionar os
um p e r c e b a o lugar que lhe cabe, favore- problemas?
cendo uma organização (interna e externa) • Que resultados foram obtidos ?

***0 REDOGRAMA tem sua origem num instrumento usado em terapia familiar, denominado GENOGRAMA que
é um mapa que oferece uma imagem gráfica da estrutura familiar ao longo das gerações, esquematiza as grandes
etapas do Ciclo de Vida familiar, além de permitir visualizar movimentos emocionais a eles associados. Sua represen-
tação é icônica e cada terapeuta pode agregar as informações que julgar mais importantes num dado momento. O
redograma é o genograma das redes, com as indicações dos padrões relacionais, das vinculações formadas, proximida-
des e distâncias, que ajuda os leitores de trabalhos que envolvem redes a terem uma apreensão rápida do desenho
redográfico. Ele é construtivista, na medida em que é construído conjuntamente com os envolvidos, permitindo
g
diferentes acordos e diferentes narrativas .
POLITY E

CONSIDERAÇÕES FINAIS uma responsabilidade compartilhada entre


Para fazer frente aos novos desafios do escola, família e outros sistemas (terapêutico,
contexto socio-histórico em que estamos inseridos, social);
a constituição de um atendimento multidis- • Valorizar a co-responsabilidade e a coope-
ciplinar, que considere a família e sua relação ração entre as redes;
com a aprendizagem, pode ser de grande valia • Favorecer a co-construção de narrativas
para a redefinição das condutas a cerca do ampliadoras que legitimam o aprendente num
processo educacional ou mesmo terapêutico. lugar de competência.
Pretendi aqui refletir sobre o atendimento • Possibilitar uma visão transrelacional da
familiar de orientação sistêmica, voltado para educação, que é dirigida para a totalidade do
as questões da aprendizagem, que envolve ser humano.
todos os membros da família, bem como coloca- Considero que esta proposta abre muitas
nos, enquanto psicopedagogos, como parte perspectivas, não só para o aluno, para a família,
desta realidade observada, influenciando e mas, também, para os profissionais com ela
sendo influenciada por ela. Pretendi, ainda, envolvidos. Finalizo com as palavras de Cruz 16

trazer a possibilidade de se estabelecer um que afirma:


atendimento multidisciplinar - Psicopedagogo, "Quando trabalhamos [...] junto a Escolas e
Psicólogo, Terapeuta Ocupacional, Médico, Postos de Saúde, qual a nossa interpretação sobre
Fonoaudiólogo, e t c , configurando uma rede de os diversos tipos de organizações familiares que
apoio que aponta especificamente para o estudo nos chegam?
das interações estabelecidas, não representando Dogmaticamente, nós as denominamos
pois, um "fenômeno social" e se estruturando desorganizadas, incompletas?
em cima da complexa realidade social do que Liberalmente, eximimo-nos de intervenções,
chamamos "mundos de vida" particulares dos em nome da liberdade de escolha de cada um
indivíduos, ou seja, os pontos formadores da viver como bem quiser?
personalidade de cada indivíduo e do "ambiente Ou buscamos garantir o cuidado a que todo
físico e social" de cada um, podendo assumir o indivíduo tem direito?
d i f e r e n t e s tipos, s e g u n d o a c l a s s i f i c a ç ã o O diálogo com as áreas, que mantém sobre
adotada. estes temas, permanente reflexão, é o carimbo
A partir deste trabalho, considero possível: de legitimidade que podemos imprimir à nossa
• Pensar a aprendizagem e a educação como prática. A isso chamamos Éticaf"
INTERVENÇÕES MULTIDISCIPLINARES NA ESCOLA

SUMMARY
Multidiscipline interventions in the school: a special education vision

The change most important in the education excited for new social demands
is that today, the school must incorporate, by systematic way, the task of
student's formation. It does not have only to be abided by the basic nucleus
of the intellectual development, but also of the personality, of the affectivity,
of the sociability, or either, it tends to assume characteristics of an institution
that if could call familiar school. But, so that the school can be apt to correspond
to these new expectations is necessary that it adopts one another educational
paradigm. That it has an ample vision the sufficient to hold the student, his
family and his significant systems, functioning many times, as mediating of
the inter-relation educational process.

KEY WORDS: Learning. Teaching. Education. Family. Primary and


secundary education.

REFERÊNCIAS sistêmica. São Paulo: Casa do Psicólogo;


1. Favaretto M. Unidade e multiplicidade no 1997.
debate sobre o pós-moderno. In: Martinelli 8. Montoro G. O apego. In: Castilho T. Temas
ML, On ML, Muchail ST. O uno e o múltiplo em terapia familiar. São Paulo:Plexus;1998.
nas relações entre as áreas do saber. São 9. Cerveny CMO. O Ciclo de vida familiar. São
Paulo: Cortez; 1995. p.29. Paulo: Ed. Psy; 1994. p.24.
2. Grandesso MA. Sobre a reconstrução do 10. Polity E. Dificuldade de aprendizagem e
significado: uma análise epistemológica e família: construindo novas narrativas. São
hermenêutica da prática clínica. São Paulo: Paulo: Vetor; 2001.
Casa do Psicólogo; 2000. 11. Minuchin S. A cura da família. Porto
3. Polity E. Dificuldade de ensinagem. Que Alegre :Artmed; 1993.
história é essa...?, São Paulo: Vetor; 2002. 12. UNESCO, www.unesco.org
4. Paccola MK. Leitura e diferenciação do 13. Moscovici L. Filosofia e educação. São
mito. São Paulo: Summus Editorial; 1994. Paulo: Summus Editorial; 1985.
p.13-5. 14. Andersen T. Processos reflexivos. Rio de
5. Zuma C E . Epistemologia sistêmico- Janeiro: Ed. Noos/ITF; 1996.
construtivista e a clínica: pontos a serem 15. Foulkes S. Metáforas da mudança. In:
considerados. In: O estado da arte. Anais Schinitman D. Novos paradigmas, cultura
o
do I Congresso de Terapia Familiar. São e subjetividade. Porto Alegre:Artes
Paulo: PUC-NUFAQ1994. p.36. Médicas; 1964.
6. Bateson G. Steps to an ecology of mind. 16. Cruz HM. A ética na sociedade brasileira.
Chicago: Chicago University; 2000. In: Fukui L. Segredos de família. São Paulo:
7. Sluzki CE. A rede social na prática Annablume; 2002. p.37

Trabalho realizado no Colégio Winnicott - Alameda Artigo recebido: 27/04/2003


Campinas, 1.111 - São Paulo - SP. Aprovado: 15/05/2004

Você também pode gostar