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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

O Estado

Nome: Albertina Rafael Tembe

Código: 708174073

Curso: Administração Publica


Disciplina: Ciências Politicas
Ano de Frequência: 4

Pemba, Outubro de 2020


1
1.1. Critérios de avaliação (disciplinas teóricas)

Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuaçã Nota do
o máxima tutor Subtotal
Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura organizacion Discussão 0.5
ais Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Introdução Descrição dos
objectivos 1.0
Metodologia adequada
ao objecto do trabalho 2.0
Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 2.0
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e
Revisão bibliográfica
discussão nacional e
internacional relevante
na área de estudo 2.0

Exploração dos dados 2.0


Contributos teóricos
Conclusão práticos 2.0
Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
gerais Formatação paragrafo, 1.0
espaçamento entre
linhas
Referências Normas APA Rigor e coerência das 4.0
Bibliográficas 6ª edição em citações/referências
citações e bibliográficas
bibliografia

2ii
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor

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Índice……………………………………………………………………………………..iv
Introdução ...................................................................................................................... 5
Objectivo geral: .............................................................................................................. 5
Objectivos específicos: ................................................................................................... 5
1. Conceito de Estado. .................................................................................................... 6
1.2. Acepção filosófica ................................................................................................... 6
1.3. Acepção jurídica ...................................................................................................... 6
1.4. Acepção sociológica ................................................................................................ 7
2. Elementos de Estado. .................................................................................................. 7
2.1. Povo......................................................................................................................... 8
2.2. Território ................................................................................................................. 9
2.3. Soberania ............................................................................................................... 10
3. A função de Estado. .................................................................................................. 10
3.1. Função Legislativa. ................................................................................................ 11
3.2. Função executiva. .................................................................................................. 11
3.3. Função judiciária. ................................................................................................... 12
4. Formas de Estado. ..................................................................................................... 12
1. Soberanos e semi-soberanos. ..................................................................................... 13
2. Unitários e federais. .................................................................................................. 13
3. Confederação. ........................................................................................................... 13
4. União pessoal. ........................................................................................................... 13
5. União real ................................................................................................................. 14
6. Outras formas ........................................................................................................... 14
7. União incorporada..................................................................................................... 14
Conclusão ..................................................................................................................... 15
Bibliografia................................................................................................................... 16

iv4
Introdução
O presente trabalho tem como tema “o Estado", inserida na cadeira de Ciencia
Politica, o qual fornece-nos assimetrias basilares das ciências Jurídicas. Portanto, conteúdo
da ciência política estuda as formas de governo e sua adequação às expectativas populares,
às formas de soberania e às suas possibilidades dentro do regime democrático.
Os fazedores do Direito descrevem que o Estado é o instrumento por excelência de
acção colectiva da sociedade – é a instituição através da qual a sociedade moderna busca
seus objectivos políticos. É através dele e da acção política que a sociedade politicamente
orientada sob a forma de nação ou de sociedade civil alcança seus objectivos políticos.
No entanto, para elaboração do presente trabalho, recorreu-se a consulta de algumas
obras e recurso à fontes electrónicas que consistiu na leitura, analise e finalmente a
compilação das informações cujos autores estão devidamente citados na referencia
bibliográfica como maneira de permitir uma consistência do mesmo e que também foi
delimitado certos objectivos:

Objectivo geral:
 Compreender aspectos relacionados com o Estado.

Objectivos específicos:
 Conceituar o termo estado;
 Identificar as funções do estado;
 Mencionar os principais elementos do estado;
 Descrever as principais formas do estado.

Porem, espera-se que os conteúdos contidos no presente trabalho venham a


corresponder os objectivos para qual foi elaborado e, tendo-se em conta de trabalho
cientifico a colaboração dos demais poderá ser uma aposta para melhor compreensão.

5
1. Conceito de Estado.
Para António de Sousa Lara (2007), o Estado é o conjunto da população de nacionais
que se encontra fixa num determinado território, no qual uma autoridade dotada de
soberania, cuja principal função é a de satisfazer as necessidades colectivas no âmbito da
justiça, segurança e bem-estar (tanto material como espiritual).
No conceito de SAHID MALUF, (p.22), “Estado é o órgão executor da soberania
nacional”, considerando que a Nação é de direito natural, o Estado é criação da vontade
humana e que o Estado não tem autoridade nem finalidade própria.
Von Ihering conceitua que “O Estado é a sociedade que se coage; e para poder coagir
é que ela se organiza tomando a forma pela qual o poder coactivo social se exercita de um
modo certo e regular; em uma palavra, é a organização das forças coactivas sociais”
(SAHID MALUF, 21).

1.2. Acepção filosófica


Hegel, que definiu o Estado como a “realidade da ideia moral”, a “substância ética
consciente de si mesma”, a “manifestação visível da divindade”, colocando-o na rotação de
seu princípio dialéctico da Ideia como a síntese do espírito objectivo, o valor social mais
alto, que concilia a contradição Família e Sociedade, como instituição acima da qual sobre
paira meramente o absoluto, em exteriorizações dialécticas, que abrangem a arte, a religião e
a filosofia.

1.3. Acepção jurídica


Em Kant colhe-se acerca do Estado conceito muito vazio, inferior à definição
clássica que nos deu do Direito. Com seu formalismo invariável, viu Kant no Estado apenas
o ângulo jurídico, ao concebê-lo como “a reunião de uma multidão de homens vivendo sob
as leis do Direito”.
A definição de Del Vecchio, do ponto de vista exclusivamente jurídico, satisfaz,
principalmente quando ele, separando o Estado da Sociedade, nota, com toda a lucidez que o
Estado é o laço jurídico ou político ao passo que a Sociedade é uma pluralidade de laços.
De igual teor jurídico é também o conceito de Estado de Burdeau, que assinala
sobretudo o aspecto institucional do poder. Diz esse autor que “o Estado se forma quando o
poder assenta numa instituição e não num homem.

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1.4. Acepção sociológica
Com Oswaldo Spengler, Oppenheimer, Duguit e outros o conceito de Estado toma
coloração marcadamente sociológica. Ao passo que Spengler surpreende no Estado a
História em repouso e na História o Estado em marcha, Oppenheimer considera falsas todas
as definições até então conhecidas de Estado, desde Cícero a Jellinek.
A posição sociológica de Duguit com respeito ao Estado não varia
consideravelmente da de Oppenheimer. Considera o Estado colectividade que se caracteriza
apenas por assinalada e duradoura diferenciação entre fortes e fracos, onde os fortes
monopolizam a força, de modo concentrado e organizado.

2. Elementos de Estado.
Alguns autores definem o Estado como “uma instituição organizada política, social e
juridicamente, ocupa um território definido e, na maioria das vezes, sua lei maior é uma
Constituição escrita. É dirigido por um governo soberano reconhecido interna e
externamente, sendo responsável pela organização e pelo controle social, pois detém o
monopólio legítimo do uso da força e da coerção”.
Por essa definição destacam-se de forma analítica alguns elementos essenciais que
são pressupostos de existência dos Estados:
São três os elementos constitutivos do estado: Território, Povo e Poder Politico. São
esses elementos de ordem formal e de ordem material. De ordem formal, há o poder
político na Sociedade, que, segundo Duguit, surge do domínio dos mais fortes sobre
os mais fracos. E de ordem material, o elemento humano, que se qualifica em graus
distintos, como população, povo e nação, isto é, em termos demográficos, jurídicos
e culturais, bem como o elemento território, compreendidos estes, como “grupo
humano fixado num determinado território”.

Na opinião de Kelsen (2000, p. 276), sob o prisma da imputação, o Estado consiste


em um ponto comum no qual se projectam as acções humanas. Só podemos imputar uma
acção humana ao Estado pressupondo uma ordem jurídica válida. (KELSEN, 2000 p. 280).
O Estado possui basicamente, segundo Kelsen, três elementos: território povo e poder.
Território: o território não constitui necessariamente em uma porção de terra, ou
seja, a unidade do território do Estado não é eminentemente geográfica, mas
jurídica, no sentido de que território é a esfera (tridimensional) de validade da
ordem jurídica do Estado.
Povo: consiste em um conjunto de indivíduos que estão incluídos na esfera pessoal
de validade da ordem jurídica estatal.
Poder: Kelsen (2000, p. 364) define o poder como “a validade e a eficácia da ordem
jurídica nacional, sendo a soberania a qualidade desse poder”. Poder é, pois, a
autoridade eficaz da ordem normativa nacional.

Os elementos constitutivos do Estado - povo, território e soberania, merecem uma


releitura a partir da óptica do Estado Democrático de Direito, a fim de reafirmá-los como

7
ainda essenciais à configuração do Estado, principalmente para aqueles países de
modernidade periférica.

2.1. Povo
Povo é o conjunto de cidadãos que mantêm necessariamente vínculos políticos e
jurídicos, definida, inclusive, sua nacionalidade naquele Estado.
Nação é formada por um conjunto de indivíduos que possuem caracteres de
identidade referentes a origem, interesses, credos e aspirações, aparecendo como um
conceito psicossocioantropológico (LÊNIO LUIZ STRECK).
"Povo e Nação formam uma só entidade, compreendida organicamente como ser
novo, distinto e abstractamente personificado, dotado de vontade própria, superior
às vontades individuais que o compõem. A Nação, assim constituída, apresenta-se
nessa doutrina como um corpo político vivo, real, actuante, que detém a soberania e
a exerce através de seus representantes." (BONAVIDES, 1999, p. 132).

O citado professor da Universidade de Coimbra lecciona que:


..."o povo é a comunidade dos cidadãos ou súditos, a universitas civium. E porque o
poder sobre todos recai e a lei a todos se dirige, bem pode aduzir-se que a regra
fundamental que lhe preside vem a ser da unidade, a qual postula, logicamente,
universalidade e igualdade de direitos e deveres." (MIRANDA, 1998, p. 55)

Divide, portanto, Müller, o elemento constitutivo do Estado, povo, em quatro modos


de utilização do conceito ou vertentes conceituais:
Povo activo: geralmente é expressamente prescrito pelas Constituições, ou seja,
trata-se da totalidade dos eleitores. São as pessoas que têm direito a participar de
eleições e votações, inclusive a possibilidade de serem eleitos para diversos cargos
públicos.
Povo como instância global de atribuição de legitimidade: significa aqui o
elemento povo utilizado na função de legitimar e justificar determinado
ordenamento democrático, na medida em que é fonte activa da instituição de
normas, bem como destinatário das prescrições. Trata-se da totalidade dos nacionais
(povo activo + povo destinatário das normas).
Povo como ícone: tal conceito é sinónimo de representação, não diz respeito a
nenhuma pessoa viva. Significa a não existência dos elementos "povo activo" e
"povo de atribuição" no exercício do poder-violência pelo Estado.
Trata-se da utilização icónica do conceito de povo, pois a sua invocação é
metafórica no âmbito do discurso da legitimação.
Povo como destinatário de prestações civilizarias do Estado: é a consideração
das pessoas que se encontrem no território de um Estado, juridicamente, com a
qualidade do ser humano, a dignidade humana, a personalidade jurídica. São
pessoas, mesmo que sejam estrangeiras, que gozem da protecção jurídica do Estado,
e também protegidas pelos direitos humanos que visam a impedir a acção ilegal do
Estado.

Apresentadas, portanto, as variações conceituais sob as quais Müller analisa o


elemento povo, passemos à sua opinião pessoal. Para Müller, povo constitui a "totalidade
dos indivíduos realmente residentes no território do Estado: como uma multiplicidade em si

8
diferenciada, mista, constituída em grupos, mas organizada de forma igualitária e não
discriminatória." (MÜLLER, 1998, p. 109).

2.2. Território
Constituindo a base geográfica do poder, o território do Estado é definido de maneira
mais ou menos uniforme pelos tratados. É a base física, o âmbito geográfico da nação, onde
ocorre a validade de sua ordem jurídica, sendo definição Hans Kelsen.
É o Locus sobre o qual será fixado o elemento humano e terá lugar o exercício do
poder e aplicação do ordenamento jurídico-político estatal. Composição: solo, subsolo,
espaço aéreo, plataforma submarina e mar territorial.

Diz Jellinek (JELLINEK, 1970, p. 295) que território é a porção de terra significando
o espaço em que o poder do Estado pode desenvolver sua actividade específica, ou seja, o
poder público.
Acrescenta o autor que a significação jurídica do território se exterioriza de duas
maneiras distintas: "uma negativa, que garante ao Estado o exercício exclusivo de sua
autoridade dentro de um determinado território e outra positiva, pois as pessoas que se
acham em um dado território estão submetidas ao poder do Estado".
O território é elemento de liberdade. O território significa o espaço onde o nacional
pode exercer a sua autonomia individual e encontrar-se em segurança, na medida em que se
submete a uma ordem jurídica que ajudou a elaborar.

São partes do território a terra firme, com as águas aí compreendidas, o mar


territorial, o subsolo e a plataforma continental, bem como o espaço aéreo. Artigo 6º da
Constituição da República (Território)
O território da República de Moçambique é uno, indivisível e inalienável,
abrangendo toda a superfície terrestre, a zona marítima e o espaço aéreo delimitados
pelas fronteiras nacionais;
A extensão, o limite e o regime das águas territoriais, a zona económica exclusiva, a
zona contígua e os direitos aos fundos marinhos de Moçambique são fixados por lei.
Como ilustra a imagem abaixo.

Porem, a definição do território, no contexto actual, pode ser feitas através da


expressão consagrada de ZitelMann, segundo a qual o território é o "palco da soberania
estatal" (BONAVIDES, 1997, p. 102) — ou mesmo supra-estatal, dado o exemplo da União
Européia "o âmbito espacial onde, ao lado da acção soberana, desenrolam-se também as
actividades económicas, sociais e culturais do Estado." (BONAVIDES, 1997, p. 102).

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2.3. Soberania
Bodin conceitua a soberania como um poder supremo, absoluto, ilimitado e
incontestável exercido inicialmente pelas monarquias absolutistas. Para ele a soberania era
um imperativo necessário à própria existência do Estado, que se torna independente na
medida em que tem um Poder Legislativo supremo.

JELLINECK, em sua obra Teoria General dei Estado, considera a SOBERANIA


como o poder que o Estado tem de construir e fundamentar de maneira livre a sua ordem
jurídica.
"Trata-se, entretanto, de um poder jurídico e, por isso, submetido ao Direito. Para
que a SOBERANIA, tida como pertencente ao género PODER DO ESTADO, fique
submetida ao Direito, é necessário que esteja, ele próprio, subordinado ao Direito.
JELLINECK admite a ocorrência dum poder do Estado sem que haja direito,
concluindo que uma das características essenciais do direito é ser garantido pelo
poder do Estado." (apud. BARACHO, 1987)

Soberania, segundo Miguel Reale, é o “poder que tem uma nação de organizar-se
juridicamente e de fazer valer dentro de seu território a universalidade de suas decisões nos
limites dos fins éticos de conivência”.

Elemento essencial constitutivo do Estado, "o poder representa sumariamente


aquela energia básica que anima a existência de uma comunidade humana num
determinado território, conservando-a unida, coesa e solidária. Há autores que preferem
defini-lo como “a faculdade de tomar decisões em nome da colectividade” (Afonso Arinos).
Com o poder se entrelaçam a força e a competência, compreendida esta última como
a legitimidade oriunda do consentimento. Se o poder repousa unicamente na força, e a
Sociedade, onde ele se exerce, exterioriza em primeiro lugar o aspecto coercitivo com a nota
da dominação material e o emprego frequente de meios violentos para impor a obediência,
esse poder, não importa sua aparente solidez ou estabilidade, será sempre um poder de facto.

3. A função de Estado.
O Estado, como sociedade política, tem um fim geral, constituindo-se em meio para
que os indivíduos e as demais sociedades, situadas num determinado território, possam
atingir seus respectivos fins (manter a ordem, assegurar a defesa, e promover o bem-estar e o
progresso da sociedade).
Assim, as funções do Estado são todas as acções necessárias a execução do bem
comum. Assim como descreve DALLARI, Dalmo de Abreu. Ob. Cit. P.185:

10
3.1. Função Legislativa.
Expressa o poder do Estado no qual reside a faculdade de fazer as leis e reformá-las,
sendo, pois, a primeira função do Estado em que o poder se manifesta sob a forma de
normas gerais e obrigatórias para todos os habitantes do território do Estado, é a função
legislativa, ou o Poder Legislativo. "Assim como nos organismos vivos em que cada órgão
desempenha uma função, no Estado a função específica de fazer Leis é desempenhada por
um órgão peculiar, o órgão legislativo. Muito frequentemente, este órgão legislativo recebe
a denominação de parlamento, Câmara, Assembleia Nacional, Congresso Nacional." Cada
país tem sua denominação. Entretanto, quando tiverem por objectivo específico a elaboração
da Constituição do Estado, chama-se Assembleias Constituintes.

3.2. Função executiva.


A Segunda grande função do Estado não diz respeito à promulgação da lei que
regula a vida social, mas sim aos actos singulares, visando objectivos concretos,
particulares, como a nomeação de funcionários, a execução de serviços públicos,
arrecadação de impostos, etc. A esta função estatal se dá o nome de função executiva ou
função administrativa, e é desempenhada pelo órgão executivo, também denominado Poder
executivo.
A verdadeira natureza do Poder Executivo está em ser ele o motor da vida pública do
país, dotado, portanto de uma clara e evidente personalidade política, embora os mesmos
órgãos tenham atribuições puramente executivas de índole administrativa. A esse respeito
AGESTA (1962, p. 80.) argumenta que:
“...Antes de ser processo político, o Estado é acção política. Acção política
intimamente ligada à definição dessas normas jurídicas e à sua aplicação, mas acção
política que tem o valor de um fenómeno próprio a ser analisado separadamente.
Por isso, junto ao esquema das funções jurídicas, temos que construir um novo
quadro de funções políticas... Em termos gerais, é uma actividade propulsora,
coordenadora e defensora da ordem, cuja característica mais peculiar é uma enorme
discricionaridade com base na natureza política dos seus actos e em referência
imediata à constituição, como definição fundamental da unidade de ordem.
Casuisticamente, cabe enumerar como actos incluídos nessa função aqueles que se
referem às relações entre os órgãos supremos do Estado, como seja a escolha de
membros do judiciário, dissolução de uma assembleia etc. Os de direcção e
desenvolvimento da ordem interna especialmente a iniciativa da lei; os que afectam
a política exterior e as relações internacionais, em que se considera o Estado como
unidade activa; a defesa da ordem nas situações de excepção e a adopção de
medidas em casos de necessidade, como guerras, calamidades, desordens públicas
etc., bem como os actos relativos ao comando do exército na guerra e na paz.”1

1
AGESTA, L. Sánchez. Gobierno y responsabilidad. In: Experiencias políticas del mundo actual.
Madrid, 1962, p. 80.

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3.3. Função judiciária.
Consiste no exercício de uma actividade específica do Estado: a de aplicar a lei aos
casos concretos, de índole litigiosa e controversa, mediante os mecanismos da interpretação.
Assim, terceira função do Estado é aquela voltada para a resolução de conflitos
entre os cidadãos em razão da aplicação da lei. Esta função aparece quando o Estado
julga e pune os infractores das leis por ele editadas. O órgão judiciário é formado
por juízes e tribunais cuja função precípua é a de interpretar e aplicar a lei nos
dissídios surgidos entre os cidadãos ou entre os cidadãos e o Estado. Convém
lembrar que nem toda a função jurisdicional do Estado está a cargo do Poder
Judiciário.

O Executivo também exerce funções jurisdicionais em processos administrativos e,


em muitos Estados, o Legislativo desempenha a função de processar e julgar o Presidente da
República e Ministros de Estado.
Para Kelsen (1990, p. 185), porque o Estado se identifica com a ordem jurídica ou
com a sua unidade, as funções do Estado são apenas funções jurídicas e a função
corresponde a cada um dos graus ou modos de realização da ordem jurídica.
Em Burdeau, as funções definem-se não tanto pela natureza quanto pelo objecto do
ato. São duas as funções fundamentais: a governamental e a administrativa, sendo aquela
incondicionada, criadora e autónoma. Por seu turno, a função governamental divide-se em
legislativa e governamental e a função administrativa em administrativa propriamente dita,
jurisdicional e regulamentar.

4. Formas de Estado.
É a formação material do Estado, sua estrutura. São as variações existentes na
combinação dos três elementos morfológicos do Estado: povo, território e governo.
Os Estados são classificados quanto à sua soberania que segundo Bobbio em:
Estado perfeito – É o Estado que reúne os três elementos constitutivos – povo,
território e governo – cada um na sua integridade, devendo o elemento governo ser
soberano irrestritamente.
Estado imperfeito – É o Estado que embora possuindo os três elementos
constitutivos, sofre restrição em algum deles, principalmente sobre o governo. O
Estado imperfeito pode ter a administração própria, mas, não é Estado na exacta
acepção do termo enquanto estiver sujeito à influência tutelar de uma potência
estrangeira. Não sendo soberano, não é uma pessoa jurídica de direito público
internacional (Estado soberano).

Na óptica de Bobbio e Azambuja, firmam que os Estados podem assumir várias


formas sendo as mais importantes:

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1. Soberanos e semi-soberanos.
Diz-se que um Estado é soberano quando é reconhecida a plena autonomia política,
administrativa, jurídica e económica no plano da actividade interna e externa, isto é, nas suas
relações internacionais. Já o Estado semi-soberano é aquele que goza de relativa autonomia
política e administrativa. São também denominados Estados protegidos e protectorados. É
pois, a situação de um Estado estrangeiro que é colocado sob autoridade de outro Estado,
principalmente no que concerne às relações exteriores e à segurança: a Tunísia e o Marrocos
foram protectorados franceses.

2. Unitários e federais.
Diz-se que um Estado é unitário quando esta subordinado apenas a uma esfera de
Direito Público, que é o governo nacional. Como exemplo, a Bélgica, a França, a Itália e
Portugal. Já o Estado federal é dotado de duas esferas de Direito Público, a nacional e a
provincial, caracteriza-se pela aliança política de Estados, que constitui, no Direito
internacional, uma unidade estatal superior aos Estados membros e detentora exclusiva da
soberania externa2.

Simples e compostos. Como Estado simples temos o Estado unitário. O Estado


composto assume a forma de três tipos: a Confederação, a União pessoal e a união real.

3. Confederação.
Caracteriza-se pelo contrato segundo o qual dois ou mais Estados independentes se
unem para fins de defesa externa e interna, sendo, pois, um elo com base no serviço militar
para melhor atender a sua defesa. É a união de Estados que, conservando governo próprio,
se submetem a um poder central, no qual quase todas as decisões são tomadas por
consentimento dos Estados confederados. Pode ter o significado de aliança de várias nações
para realização de um objectivo comum.

4. União pessoal.
É uma forma própria da monarquia que ocorre quando dois ou mais Estados são
submetidos ao governo de um só monarca. Resulta este fato em regra do direito de sucessão
hereditária, pois, um mesmo Príncipe, descendente de duas ou mais dinastias, poderá herdar
duas ou mais coroas. Pode também resultar de eleição ou acordo internacional. Na união

2
PAUPÉRIO, A. Machado. Teoria do Estado Resumida. Rio de Janeiro, Fritas Bastos, 1985. P.117.

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pessoal os Estados conservam a autonomia interna e internacional. Ligam-se apenas pela
pessoa física do soberano. É transitória, sem utilidade política para os Estados associados.
Caracteriza-se pela união precária em função de um governo comum, isto é, quando
dois ou mais Estados soberanos passam a ser governados por um só chefe de Estado. Esta
forma era comum nas monarquias hereditárias, quando um rei podia ser herdeiro de duas
coroas, tal como ocorreu entre Espanha e Portugal, entre 1580 e 1640.

5. União real
É uma forma própria da monarquia que consiste na união de dois ou mais Estados,
conservando cada um a sua autonomia administrativa, a sua existência própria, mas
formando uma só pessoa jurídica de direito público internacional sob o mesmo soberano. As
leis de sucessão são unificadas de modo que somente uma dinastia reine.
Corre quando os Estados distintos na sua organização interna apresentam-se sob uma
mesma unidade nas relações internacionais, como, por exemplo, a Grã-Bretanha, União
formada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, em 1707; Suécia e Noruega; Áustria e Hungria.

6. Outras formas
São exemplos: A URSS, sob a liderança exclusiva da Rússia, apresentava-se como
Estado federal, e a Espanha republicana, que adoptou um sistema federativo especialíssimo.

7. União incorporada
É a união de dois ou mais Estados distintos para a formação de uma nova unidade.
Neste caso os Estados se extinguem de facto e de direito por serem completamente
absorvidos pela nova entidade resultante da incorporação. Os Estados que se incorporaram
têm apenas a designação virtual de Estado. A Grã-Bretanha é exemplo clássico de união
incorporada. Os reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte, formaram união pessoal,
depois união real, vindo posteriormente a se fundiram formando um único Estado com a
denominação de Grã-Bretanha.
Compreende uma combinação de Colónias da Coroa, Domínios e outras unidades
que formam a Bristish Commonwealth – um grupo de nações livres. Em 1926 foram fixados
três princípios como garantia das boas relações entre o domínio e a metrópole: o
reconhecimento de um só Rei; a igualdade de estatutos; e a livre associação.
A evolução das comunidades é contínua: de colónias da Coroa chegam à categoria de
nações livres, adquirindo progressivamente os direitos de soberania.

14
Conclusão
Estado é a organização político-jurídica de uma sociedade para realizar o bem
público/comum, com governo próprio e território determinado. Ele é a grande instituição
normativa e organizacional que regula e coordena a acção social em uma sociedade
nacional; é a matriz das demais instituições formais dos estado-nação. Como instrumento da
nação, o Estado desempenha um papel central em relação aos cinco objectivos políticos das
sociedades modernas. A garantia da segurança ou da ordem pública é sempre sua missão
básica.
Contudo, povo, soberania e território são elementos essenciais ao Estado. A
alienação de tais elementos resultaria na própria extinção do Estado. Observa-se, portanto,
que tais elementos - povo, soberania e território - são intrinsecamente correlatos e que são
imprescindíveis para a concretização e realização do Estado Democrático de Direito.
As funções do Estado são todas as acções necessárias a execução do bem comum,
como conjunto de todas as condições de vida que possibilitem e favoreçam o
desenvolvimento integral da personalidade humana.
Os Estados podem assumir várias formas como: Estado perfeito; Estado imperfeito;
Soberanos e semi-soberanos; Unitários e federais Simples e compostos; Confederação;
União pessoal; União real; União incorporada.
Constitui a formação material do Estado, sua estrutura. São as variações existentes
na combinação dos três elementos morfológicos do Estado: povo, território e governo.

15
Bibliografia
AGESTA, L. Sánchez. (1962). Gobierno y responsabilidad. In: Experiencias políticas del
mundo actual. Madrid.
AZAMBUJA, Darcy. Teoria Geral do Estado. Globo;
BARACHO, José A. de Oliveira. (1987). Teoria Geral da Soberania. Revista Brasileira de
Estudos Políticos, Belo Horizonte, Separata dos N.o 63/64.
BONAVIDES, Paulo. (1997).Ciência Política. 10. ed. São Paulo: Malheiros Editores.
BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. UnB;
________________Teoria das formas de Governo. Paz e Terra;
________________Estado, governo e sociedade. Paz e Terra.
DALLARI, Dalmo de Abreu. (2004). O que é participação política. São Paulo: Brasiliense.
_______________(1991). Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Editora Saraiva.
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KELSEN, H. (1957). Teoria comunista del Derecho y del Estado. Buenos Aires: Emecé.
___________(1990). Teoria geral do Direito e do Estado. São Paulo: M. Fontes.
JELLINEK, Georg. (1970). Teoria General Del Estado. 2. Ed., Trad. Espanhola de Fernando
de Los Rios. Buenos Aires: Albatros.
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