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CAMINHÕES SÉRIE FORD SÉRIE F DE TERCEIRA GERAÇÃO: O

MAIS VERSÁTIL
março 01, 2018

ESSA GERAÇÃO DA SÉRIE F CHEGOU A TER CAVALO-MECÂNICO.

A Chegada da segunda geração dos caminhões Chevrolet e principalmente dos Dodge o deixou meio que "datado"
fora que ainda existia FNM e Mercedes-Benz encarando naquelas faixas e então a Ford decidiu renovar sua linha

caminhões, mas antes veja:

Os Chevrolet A/D/D 60/70/80  

Os Dodge D400/700/950  

Os F-350/600 de 1961 até 1971  

A CHEGADA AO MERCADO SE DÁ em outubro de 1971 como linha 1972 chegavam os modelos F 350, F 600,

F700 e F750, ou seja já começa ampliação da família no início, o F350 era o leve, ele mantinha o câmbio manual
de quatro marchas e o motor V8 292 de 4.8 litros da família Y com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas

no bloco acionado por varetas,  o seu diâmetro era de 92mm e o curso era de 95mm o que totalizavam 4785cm3,

dotado de carburador de corpo duplo, a sua taxa de compressão era de 7,8:1 e com isso gerava 37KGFM a
2400RPM e 190CV a 4000RPM, lembrando que os valores eram brutos e os números eram á gasolina, o seu

tanque de combustível era de 79.5 litros, já para os F600, F700 e o F750 que vinha com terceiro eixo de fábrica, o
câmbio era manual de cinco marchas, além do motor á gasolina para o F600,  o F600 era o único que podia vir

com motor á gasolina ou á diesel, já o F700 e 750 apenas á diesel, no caso do motor á diesel era o Perkins 6-358

de seis cilindros em linha, o seu diâmetro era de 104.1mm e o curso era de 114.9mm o que totalizavam 5840cm3,
a sua taxa de compressão era de 15:1 com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas no bloco por varetas e

bomba injetora, com isso gerava 40.4KGFM a 1350RPM e 140CV a 3000RPM só que  eram valores  brutos como

os fabricantes preferiam na época. O seu tanque era de 137 litros. No F-350 a suspensão dianteira passava ser

Independente tipo Twin-I-Beam como na F100 da época, já na traseira era eixo rígido com feixe de molas, já nos

F-600 para cima era eixo rígido com feixe de molas nos dois eixos. Os freios eram a tambor nas quatro rodas.

O F-350 mantinha o motor V8 292 de 4.8 ltiros e 190CV, mais tarde é renomado F-400 e o F-4000(foto)

chegava com o MWM 229-4 de 3.9 litros com 86CV.

O F-600 além do motor V8 292 4.8 á gasolina citado, tem o Perkins seis cilindros 5.8 á diesel de 140CV.
O F-700 com maior capacidade de carga e o mesmo motor.

 O F-750 com terceiro eixo e o mesmo motor á diesel dos demais.

Em outubro de 1972 na linha 1973 nada muda, em outubro de 1973 na linha 1974 nada muda e estoura a crise do

Petróleo, em outubro de 1975 na linha 1976 o F-350 vira F-400 e mantém o V8 292 de 4.8 litros e o F-4000 que

era a versão á diesel do F-400, o câmbio se manteve manual de quatro marchas, mas o motor é o quatro cilindros

MWM 229-4, o seu diâmetro é de 102mm e o curso é de 120mm o que totalizavam 3922cm3, a sua taxa de

compressão é de 16:1 com bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas no bloco e bomba injetora ele gerava

26.3KGFM a 1600RPM e 83CV a 3000RPM é o motor que três anos depois estaria na F1000. Foi a primeira

resposta a crise do Petróleo e ao sucesso do Mercedes-Benz 608 D ou "Mercedinho". Em outubro de 1975 na linha

1976 nada muda, em outubro de 1976 na linha 1977 nada muda, em outubro de 1977 na linha 1978 chegavam os

novos F7000, F8000 e F8500, o primeiro trouxe duas opções de motores e ambas estreantes, a primeira era o
MWM 229-6  5.9 litros que era versão seis cilindros do usado no F-4000, o diâmetro x curso era igual, só a taxa

de compressão que era de 18:1, maior é verdade, mas no resto da concepção era igual, com os dois cilindros a

mais foi a 5882cm3 e com isso gerava 42.8KGFM a 1600RPM e 140CV a 2800RPM e a outra opção era o Detroit-
Diesel 4-N53 com quatro cilindros em linha, dois tempos, o seu diâmetro era de 98.4mm e o seu curso era de

114mm o que totalizavam 3475cm3, ou seja era um 3.5, a sua taxa de compressão era de 21:1 com bloco e cabeçote

de ferro e bomba injetora por atuação direta e com isso gerava 38.5KGFM a 1800RPM e 145CV a 2800RPM, já

para os F-8000 e 8500 e esse último era o cavalo-mecânico, eles mantinham o câmbio manual de cinco marchas,

já o motor era o Detroit 6V53, o diâmetro x curso repetia o quatro cilindros em linha, assim como a taxa de

compressão, mas a cilindrada passava a ser de 5.218cm3, era um 5.2 e com isso gerava 61KGFM a 1800RPM e

202CV a 2800RPM, apesar do ronco de arrepiar os Ford assim como os Chevrolet equipados com motor Detroit-

Diesel(na época divisão da GM) nunca agradaram e o F7000 com motor Detroit Diesel, o F8000 e F8500 dá para

dizer que foram os únicos Ford com "Motor GM" fabricados no Brasil. Já o tanque para o F7000 e 8000 era de

140 litros de série, mas poderia ter 197 litros opcionais, já o F8500 era de 197 litros de série e poderia ter outro de

197 litros que era opcional e com isso totalizava 394 litros.

O F7000 chegava ao mercado com motores MWM Seis cilindros 5.9 á diesel de 140CV e o Detroit 3.5 dois

tempos á diesel de 145CV 

O F8000 chegava ao mercado com motor Detroit Diesel V6 5.2 á diesel de 202CV
O F8500 foi o primeiro cavalo-mecânico da Ford brasileira com o mesmo motor do F8000.

 O curioso é que o F8500 foi o primeiro cavalo-mecânico da Ford brasileira, inclusive bem antes do Ford Cargo

nascer e puxar carreta, afinal era homologado para carretas de dois eixos como era o Scania L 101 e o Mercedes-

Benz 1519, mas infelizmente o motor Detroit Diesel não agradou e ele patinou nas vendas como todos os Ford

equipados com motor Detroit Diesel,na mesma época sob efeito da crise do petróleo o motor V8 292 de 4.8 litros

á gasolina dá adeus e por tabela o adeus do F4000. Em outubro de 1979 na linha 1980 nada muda, em outubro de

1980 na linha 1981 nada muda.

O RENOMEAMENTO E MAIS OPÇÕES com a chegada da linha 1981 a Ford mexeu nos modelos F 600 virou

11000, o F700 virou 13000 com rodas raiadas, o F750 virou 19000, o F8500 dava o seu adeus, só  F4000 não é

renomeado, estreava o F2000 que era basicamente uma F1000 chassi-cabine e o F22000 6x4 estreava no

mercado, era o primeiro 6x4 da Ford brasileira, e entre o 11000 e o 13000 fazia a estreia do 12000, o câmbio

manual de cinco marchas foi mantido, nos motores os Detroit Diesel quatro cilindros e V6 vão embora, o MWM

229-4 era mantido para o F2000 e F4000, o Perkins 5.8 6-358 de seis cilindros em linha á diesel  agora tem a
potência revelada em valores líquidos:32KGFM a 1350RPM e 114CV a 3000RPM esse motor estava disponível

para o F11000 e 13000, o 13000 além do Perkins tinha o MWM 229-6 que era a versão seis cilindros, mas já com
os valores em potência líquida(coisa que no quatro cilindros já tinha desde 1975), com isso gerava 36.8KGFM a

1600RPM e 127CV a 2800RPM e existia o 13000 A com o motor MWM 229-6 convertido á álcool, já que o V8
292 de 4.8 litros tinha dado adeus e o seis cilindros 221 3.6 usado na F1000 em 1985 seria inadequado para 
caminhões, a taxa de compressão subia para 18:1 e com isso gerava curiosamente os mesmos 36.8KGFM a

1600RPM e 127CV a 2800RPM, Jà 19000 e o 22000 que era o estreante vinha com o mesmo motor MWM 229-6
á diesel do F13000 á diesel. No tanque de combustível ele passava a ter 140 litros, o modelo á álcool tinha 186

litros, o 19000 tinha como opcional o de 197 litros que era de série no 22000 que era 6x4, aliás o 13000 e 22000
tinham rodas raiadas, ao passo que os outros tinham rodas disco. Suspensão e freios não mudavam.

O F600 agora era F11000 e o motor Perkins 5.8 seis cilindros tem a potência em valores líquidos: 114CV.

O F700 virou F13000 além do Perkins 5.8 seis cilindros á diesel, ele tinha o MWM 229-6 5.9 á diesel de 127CV e

a versão á alcool desse motor também com 127CV.

O F750 virava F19000 que era o 6x2 da linha e o m otor era o MWM 229-6 5.9 á diesel.
O F22000 estreava o 6x4 na Ford brasileira e o motor era o mesmo MWM 229-6 á diesel.

Em outubro de 1981 na linha 1982 nada muda, em outubro de 1982 na linha 1983 nada muda, em outubro de
1983 na linha 1984 nada muda, em outubro de 1984 na linha 1985 nada muda.

A CHEGADA DO ÚLTIMO FACELIFT SE DÁ em outubro de 1985 na linha 1986 com nova grade dianteira, faróis

e para-choques, os modelos F-2000 e 19000 que era o 6x2 dão o seu adeus, só ficavam o F4000, o F11000, o
F12000, o F13000 e o F22000 6x4, mas estreava o F14000, vamos começar pelo leve que é o F4000 , além de ter

o MWM 229-4 de 3.9 litros, ele ganhava a opção do Ford 4.4 á diesel, o seu diâmetro e curso eram iguais(112mm
para cada um), com isso totalizavam 4392cm3, dotado de bomba injetora de atuação direta, com bloco e cabeçote

de ferro, comando de válvulas no bloco acionado por varetas , a sua taxa de compressão era de 17,5:1 e com isso
gerava 27.9KGFM a 1500RPM e 87CV a 2800RPM, se está perguntando se é o motor do Ford Cargo da época

com dois cilindros a menos, a resposta é essa: Sim. Já o F11000 abandonava o Perkins em favor do MWM 229-6
5.9 litros de seis cilindros usados nos irmãos maiores, o F13000 não tinha mudanças  mecânicas, o F12000

também não, estreava o F14000, o F22000 que era o 6x4 da família também sem mudanças mecânicas e o F4000
também tinha outra mudança mecânica: o câmbio manual de cinco marchas no lugar do de quatro marchas,

alinhando aos médios.


O F4000 é renovado e junto com a renovação, vem câmbio manual de cinco marchas e a opção do motor Ford

Diesel 4.4 de 87CV.

O F11000 também é renovado e troca o Perkins pelo MWM 229-4  5.9 já usado nos irmãos maiores.

O F13000 ganhava o facelift, mas sem mudanças mecânicas 


O F22000 ganhava o facelift, mas sem mudanças mecânicas.

 Duas curiosidades: Os médios da Série F da época eram os queridinhos das frotas públicas  e o motor Ford Diesel
4.4 é muito desconhecido, eu por exemplo só fiquei sabendo da existência quando fui pesquisar sobre essa

geração da Série F. Em outubro de 1986 na linha 1987 nada muda e é formada Autolatina aliança entre Ford e
Volkswagen, o curioso é que antes da aliança a Volkswagen usava motores MWM nos seus caminhões. Em

outubro de 1987 na linha 1988 nada muda, em outubro de 1988 na linha 1989 chegava ao mercado sem
alterações. Em outubro de 1990 na linha 1991 nada muda, em outubro de 1991 na linha 1992 também sem

mudanças e em maio de 1992 junto com a F1000 chegava a renovação dos caminhões da Série F e com isso é uma
outra história.

Essa geração ficou 21 anos no mercado nacional, essa geração viu ter o primeiro cavalo-mecânico da Ford
brasileira, viu o fim do V8 á gasolina,  usou motores Perkins e MWM, além é claro dos Detroit Diesel, sendo o V6

usado no cavalo-mecânico. Inclusive o F4000 chegou até ter como opção o Ford Diesel 4.4, mas creio que
muito(mas muito mesmo saíram com esse motor). Viu nascer o primeiro 6x4 da Ford brasileira, sem dúvidas um
currículo de pioneirismo nessa geração da Série F, mas a década de 1980 e especialmente de 1990 mostraram o

envelhecimento dessa geração.