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Drª.

Jéssica Cavalcante
Psicopedagoga Clínica e Institucional - Especialista em Educação Especial e Inclusiva:
Atendimento Psicopedagógico, Desenvolvimento Cognitivo, Terapia Psicoeducacional
Alimentar e Terapia de Estimulação Precoce

PARECER PSICOPEDAGÓGICO

IDENTIFICAÇÃO

Nome da Criança: Luan

Data de Nascimento: 06 de Janeiro de 2008 Idade: 10 anos

Escola: Escola Municipal

Série / Ano: 5º Ano Turno: Tarde

Nome do Pai: Luiz

Nome da Mãe: Angélica

Nome do Informante na hora da consulta: Silvia**

DEMANDA

Conforme relatado pelos pais, nosso principal objetivo é a Estimulação para


o Desenvolvimento Infantil, por meio de técnicas específicas que promovam o
desenvolvimento de habilidades necessárias de acordo com a idade cronológica da
criança e a idade escolar. No que tange ao aspecto psicoeducacional e pedagógico
optamos por seguir o plano terapêutico com base nas dificuldades de aprendizagem que
a criança apresenta mediante aos conteúdos escolares.

PsiqueCli – Atendiment Psicopedagógico, Desenvolvimento Cognitivo, Terapia


n
Psicoeducacional o
Alimentar e Terapia de Estimulação Precoce.
Rua: Antônio Rabelo Júnior, 170. Empresarial Eco Medical Center Cartaxo
2º Andar Sala 210 – Clínica NutriClin - Miramar – João Pessoa Telefone: (83) 998467657
PERÍODO DE AVALIAÇÃO

Diante da demanda foi optado por avaliação e intervenção, em cada sessão


avaliamos algum aspecto e também aplicamos atividades interventivas para que se
potencialize as habilidades supracitadas e elencadas como objetivos terapêuticos.

NUMERO DE SESSÕES

Primeira sessão: Diálogo com os pais (Rotina familiar e aspectos


educacionais)

Segunda sessão: Sessão de interação com a criança

Terceira sessão: Sessão Psicopedagógica com enfoque nos aspectos da


aprendizagem e cognitivos

Quarta sessão: Estimulação Cognitiva

Quinta sessão: Estimulação Psicomotora e Cognitiva; e Estimulação


Sensorial alimentar.

PROGNÓSTICOS

A principal demanda foi estabelecer o vínculo positivo com o processo de


ensino-aprendizagem. Nos foi informado que Luan é acompanhado por uma equipe
interdisciplinar devido ao quadro de Autismo. Diante disso, preparamos nossas
intervenções com base nas habilidades que o mesmo apresenta. Na primeira sessão a
intervenção foi realizada com material estruturado, priorizando o pensamento concreto.
Entretanto, ele apresentou excelente desempenho, então reavaliamos o plano terapêutico
e propomos nas sessões posteriores, a utilização de material convencional, inserindo
assim atividades pedagógicas de acordo com o currículo da escola. Elencamos as
principais dificuldades de aprendizagem apresentadas por Luan e focamos nesses
aspectos.

O nosso principal objetivo é o processo de ensino-aprendizagem da leitura e


escrita. Luan apresentava dificuldades no reconhecimento de algumas letras, após
superar essa dificuldade, iniciamos o conhecimento silábico (leitura e escrita), escrita de
palavras e frases. Entretanto, Luan, precisa de encorajamento e direcionamento em
algumas atividades, ele tem domínio do conhecimento solicitado na atividade,
entretanto, muitas vezes fala que não vai conseguir. É necessário incentivar não só com
adjetivos positivos, mas se colocar a disposição para iniciar a atividade junto com ele.
Luan, consegue finalizar as atividades com êxito e sem precisar de ajuda. Esse aspecto
estamos trabalhando em sessão terapêutica.

Outro objetivo a ser trabalhado são as habilidades sociais e ajustes de


comportamento, a exemplo de Luan quando terminava a sessão, ele desejava sair da sala
de terapias. Trabalhamos o conceito do tempo e conduta deseja, com estímulo –
resposta (por meio da Análise Aplicada do Comportamento – Terapia ABA), atualmente
ele termina a atividade e permanece no ambiente. Esse é um dos exemplos de ajustes de
comportamento e conduta. A cada sessão reavaliamos o comportamento e a resposta
emitida por Luan de acordo com cada estimulo e contexto e assim realizamos os ajustes
de condutas e comandos.

RECOMENDAÇÕES E ENCAMINHAMENTOS

ADAPTAÇÕES

 Manter a organização do espaço físico (pouco material


visual exposto na parede, no chão e no teto, selecionar previamente os
materiais a serem utilizados na atividade e eliminar os demais estímulos
desnecessários).
 Recursos facilitadores como, sinalizar o início, a transição
ou a finalização de uma atividade por meio de sons ou movimentos (ex: uma
música).
 Reduzir ruídos externos e internos durante a realização de
atividades
 Alocar as crianças longe das janelas, de portas e grande
circulação durante a realização de atividades que exigem maior atenção.
 Organizar o quadro de rotina em que se possa tocar,
cheirar, grudar, colar, validar as informações sensoriais que mais facilitam a
compreensão e a organização do aluno.
 Promover antecipação das atividades com a apresentação
da rotina.
 Falar em tom mais baixo, para diminuir o alerta da classe e
aumentar a atenção dos alunos.
 Ajustar postura da criança, para que mantenha mais
atenção (oferecer assentos texturizados, almofadas ou bolas de pilates, ajustar
a altura da mesa e da cadeira, proporcionando que a criança apoie os pés no
chão e os cotovelos sobre a mesa).
 Respeitar limites das crianças que apresentam
sensibilidade ao toque e sons;
 Permitir o uso de engrossadores de lápis para o
refinamento da escrita, incentivar o desenho livre com os dedos sobre
superfícies lisas e com texturas.
 Promover brincadeiras que envolvam movimentos e
coordenação motora grossa antes de iniciar uma atividade de coordenação
motora fina.
 Promover atividades de coordenação motora fina com as
crianças em diversas posições (chão, carteiras, em pé ou com apoios
diferenciados).
 Recursos visuais são facilitadores na atenção e na
execução das atividades pedagógicas (ex: engrossar as linhas do caderno com
caneta preta, usar contrastes preto e amarelo ou azul e branco para destacar
ordem e regras a serem seguidas durante a atividade).
 Recursos auditivos são importantes para prevenir que a
criança entre em estado de alerta, é importante antecipar sons inesperados
(como o sinal para o recreio ou para o termino de uma aula).
 Minutos antes do término do recreio, propor brincadeiras
mais mais calmas, ou permitir que a criança entre depois dos colegas quando
a sala estiver estabilizada.

CONDUTA PARA O ENSINO

1 – Aposte na comunicação visual – prefira explicar e ilustrar conteúdos


apoiando-se em figuras, quadros, fotos, objetos reais e demonstrações físicas.

2 – Opte por dividir as atividades, exercícios e tarefas em partes – em vez de


pedir que o aluno faça, por exemplo, cinco operações matemáticas ou escreva dez frases
de uma vez, sugira primeiro que ele comece com duas ou três.

3 – Comece pelas tarefas mais fáceis e deixe as tarefas mais complexas para
o final – isso eleva a autoestima do aluno e o estimula a continuar engajado na
atividade. Você pode também optar por começar com atividades que você já sabe que o
aluno gosta mais, e ir introduzindo aos poucos as atividades que ele tem mais
resistência.
4 – Forneça instruções claras e diretas e use palavras concretas – evite
enunciados e solicitações longas e abstratas. Em vez de fazer perguntas abertas, ofereça
duas alternativas e deixe que o aluno escolha a que deseja. Você poderá usar ainda
músicas, gestos, objetos e personagens para facilitar a comunicação e tornar as
interações com os professores e os demais alunos mais divertidas.

5 – Inclua acessórios na rotina – elabore quadros de rotinas visuais e


relógios para acompanhar a marcação do tempo e antecipar a transição de atividades.

6 – Preveja e antecipe as mudanças na rotina – invista em explicações e


avisos sobre as mudanças. Leve o aluno antes para conhecer um novo espaço ou
uma nova situação e observe se ele se sente confortável com a novidade.

7 – Seja um modelo social e convide os outros alunos a também agirem


dessa forma – dê exemplos de respostas sociais esperadas em situações cotidianas e
mostre claramente as emoções que as pessoas sentem em determinadas situações.

8 – Invista na troca de informações com a família e com os outros


profissionais que auxiliam o aluno – mantenha anotações detalhadas na agenda diária do
aluno e converse com a família sobre habilidades adquiridas e desafios encontrados no
dia a dia.

9 – Observe a ocorrência de sobrecarga sensorial – ofereça exercícios


físicos, massagens ou objetos de conforto de forma a auxiliar o processamento sensorial.

10 – Identifique os interesses e motivações do aluno – use esses interesses e


motivações para despertar a atenção para as atividades, para facilitar o engajamento nas
tarefas e para manter o aluno focado numa tarefa quando a classe estiver mais agitada.
11 – Prepare alternativas para as atividades – planeje um “plano B”, ou seja,
uma forma alternativa de apreender determinado conteúdo ou de executar determinada
atividade.

12 – Acredite no potencial do aluno – procure soluções criativas para


verificar se o aluno tem absorvido o conhecimento, especialmente nos casos dos alunos
que ainda não utilizam a comunicação verbal.

13 – Troque questões abertas por questões fechadas (como as de múltipla


escolha) e incorpore desenhos, esquemas visuais e ilustrações às questões e explicações.

14 – Use histórias sociais, de preferência ilustradas ou reproduzidas


teatralmente, para explicar situações sociais mais complexas como as festas da escola, a
chegada das férias ou a troca de professores – todas estas situações podem ser
antecipadas, explicadas e ensaiadas através destas histórias sociais.

AQUI ESTÁ UMA LISTA DO QUE OS PAIS E OS PROFESSORES


PODEM FAZER DURANTE UMA CRISE:

1. Permitir que o jovem, sempre que possível, faça escolhas através das
etapas de intervenção de crise; no entanto, não ofereçam opções se comprometer o que
você está tentando alcançar.

2. Raiva, medo e ansiedade também podem ter um impacto sobre o


comportamento. Mães e pais que estão passando por um divórcio, uma crise de saúde,
uma mudança de emprego, ou qualquer outra mudança podem pensar que estão lidando
e “dando conta” de tudo e não há nenhuma razão para o jovem para se preocupar. Mas
se você está estressado com alguma coisa, as chances de seu filho estar são grandes! –
especialmente se ele é impotente para fazer qualquer coisa sobre isso, ou até mesmo se
comunicar suas preocupações.
3. Estar com fome, cansado ou com sede, pode deixar a criança irritada/mau
humorada. Pouco sono ou o inicio de uma gripe podem facilmente explicar o
comportamento incomum. Se seu filho tem um padrão de mau humor em um
determinado momento do dia, tente oferecer um pedaço de fruta na hora para ver se faz
a diferença (antecipando e redirecionando o comportamento).

4. Durante uma crise, muitos dos comportamentos das crianças podem não
fazer sentido óbvio (ou seja, eles não parecem servir a qualquer propósito claro). Mas,
por exemplo: um jovem cuspir em todas as paredes e janelas não é com o intuito de
irrita-lo. Suponha por um momento que comportamentos “loucos” como este fazem
algum sentido, e que a criança está enviando mensagens codificadas sobre as coisas que
são importantes para ele. É importante tentar decifrar o código e “ler” as mensagens.

5. Durante crise, utilize sempre voz e comportamento calmo, mas transmita


firmeza.

6. Dê fones de ouvido para o jovem para que ele possa fechar os sons
confusos em torno dele.

7. Ajude o jovem a vê-lo como um “solucionador de problemas”. Deixe-o


saber que você está ciente de quão difícil é a situação para ele. Diga-lhe que o seu
trabalho é ajudar com essa dificuldade. Explique claramente que sua ajuda não significa
evitar a situação ou fazendo isso por ele, mas sim ajudá-lo a fazer. (por exemplo, “Você
tem um problema, e eu estou aqui para ajudá-lo a resolvê-lo”).

8. Em vez de olhar para o comportamento como “ruim”, olhe para a forma


como o contexto ou ambiente está fora de sincronia com o jovem, e explorar o que você
pode fazer sobre isso.
9. Mantenha seu objetivo em mente enquanto você percorre as etapas de
intervenção, criando novas e futuras regras para próximas intervenções.

10. Olhe minunciosamente para todas as possíveis fontes de dor (por


exemplo, dentes, refluxo, intestino, ossos quebrados, cortes e lascas, infecções, entorses,
contusões, etc). Quaisquer comportamentos que parecem ser localizados podem indicar
dor.

11. Deixe claro para o jovem ou criança que você está no controle; de a
ordem uma vez, sem contradições e sem ceder.

12. Colocar em pratica o que foi decidido como a solução adequada para o
problema. Isso pode envolver a realização de uma atividade, aceitar uma mudança, ou
reorganizar o ambiente depois de um colapso.

13. Ao invés de dizer a seu filho o que você não quer que ele faça,
direcioná- lo para o que ele deve fazer em seu lugar. Por exemplo, em vez de dizer
“pare de puxar o cabelo do seu irmão,” dizer “colocar a mão para baixo.”

14. A segurança é uma das principais prioridades durante uma crise.

15. Preste atenção ao que você diz nos momentos durante a crise. Seja muito
concreto e específico como você conversar com o jovem.

16. Observe e investigue com um neurologista questões acerca de


crises convulsivas.Sevocê está preocupado com isso, mantenha um registro e discuta
com o seu médico.

17. Em todos os ambientes, algumas coisas podem ser modificadas, outras


não. Às vezes o problema é um gesto bem-intencionado que acaba sendo contra-
produtivo (por exemplo, um professor dando uma bala/brinquedo para acalmar a
criança, acaba por recompensar o comportamento inadequado e transformando-o em o
“ponto alto” do dia). A geladeira sempre fará barulho, mas se você perceber que o som
distrai o jovem, você pode ajudá-lo a arrumar um local tranquilo para fazer trabalhos de
casa. Você pode encontrar um descompasso entre o que se espera de seu filho e que ele
pode realmente fazer. Descobrir a função que cada comportamento esta exercendo, bem
como reconhecer o que esta reforçando este comportamento é o maior trunfo que você
pode ter.

18. Registre as explosões da criança. Suspenda seus julgamentos (o que


você acha que sabe). Muitos comportamentos são desencadeados por um evento
especifico (antecendente) e reforçados pelo ambiente. Talvez isso só acontece quando
você ligar a luz fluorescente na cozinha. Talvez ele seja mais propensos a ter crises no
dia da fruta da escola, ou depois que você acabou de ligar as luzes porque está ficando
escuro lá fora. Quando esses eventos acontecem ? Será que a mesma coisa acontece
muitas vezes em primeiro lugar? Assim como você pode de repente sentir fome como
você caminha próximo ao McDonald, há “configuração eventos” na vida de seu filho
(ou seja, coisas que “partiu” comportamentos difíceis). Você pode usar um diário ou
registro para tentar identificar esses eventos configuração para alguns dos
comportamentos mais difíceis de seu filho.

19. Mantenha o foco durante a crise. O jovem pode trazer a tona questões
estranhas ou independentes á crise para tentar justificar o seu comportamento. Ignore ou
interrompa comentários irrelevantes. Responda com: “Isso não faz sentido, não posso
prestar atenção a isso”, ou “Isso está fora do tópico, por isso vou ter que ignorar o que
você está dizendo”, ou “Eu não posso ajudá-lo com seu problema, enquanto você está
falando sobre algo não relacionado com o problema atual.”

20. Tente identificar quaisquer alergias alimentares ou sensibilidades que


possam estar incomodando seu filho. Diarreia algumas horas após comer um
determinado
alimento certamente poderia indicar uma alergia – assim como bochechas coradas ou
ouvido vermelho. Muitos pais relatam que esteriotipias diminuem quando eliminam
certos alimentos. Consulte um médico.

João Pessoa, 09 de Julho de 2018

Jéssica S. Cavalcante – Psicopedagoga Clínica e Institucional


Especialista em Educação Especial e
Inclusiva
CBO - 2394-25

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