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1. INTRODUÇÃO

Neste trabalho abordar-se-á acerca da Responsabilidade e Autonomia do Estudante no


Ensino Superior, a tempos atrás e atualmente alguns jovens são bombardeados por
informações diversas – redes sociais, aplicativos para telefone, internet, televisão, etc. –,
falhas na estrutura da educação que levam alunos a ingressarem em instituições de ensino
superior com um baixo nível de conhecimento nas mais diversas áreas do conhecimento,
uma metodologia de ensino engessada que prefere o passar informação ao invés de formar
profissionais protagonistas: lidar com a formação de indivíduos tem se tornado um desafio
cada vez maior frente a esse complexo cenário que as instituições de ensino se deparam.

Ingressar em uma sala de aula com o objetivo de contribuir com a evolução do indivíduo
oferece inúmeros obstáculos. Com o fácil acesso à informação, professores são
questionados por alunos baseados em uma rápida busca no Google ou Wikipédia em seus
telefones celulares. Manter o interesse do aluno em sala de aula concorre com o Whatsapp,
Facebook e Snapchat, ao mesmo tempo que os professores se mantêm despreparados em
como lidar com tal situação. A velocidade das comunicações tem contribuído
substancialmente para que os jovens atualizem seus comportamentos e estereótipos com
velocidade, dificultando o acompanhamento do docente que também, em muitos casos, não
busca se aperfeiçoar.

Simultaneamente, nos deparamos com uma sociedade consumista, que aproveita de todos
momentos para introduzir um padrão de comportamento que reforça o próprio consumo.
Consequentemente, aos poucos, os jovens passam de um consumo econômico para
também consumirem a própria identidade, adequando-se a um estado medíocre de não
crescimento (SCHAEFER et al., 2011).
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1.1. Objectivos da Pesquisa


1.1.1. Objectivo Geral

Esta pesquisa tem por objetivo investigar se o contexto educacional baseado no estímulo
da responsabilidade e autonomia, provoca uma abordagem profunda ao estudo no aluno
ingressante no ensino superior.

1.1.2. Objectivos Específicos

O trabalho em curso tem como objetivos específicos os seguintes:

 Analisar o impacto da autonomia dos estudantes dentro do ensino superior;


 Intender o motivo que permite que estes estudantes consigam esta autonomia;
 Demonstrar alguns métodos necessários para que um estudante universitário seja
autônomo até ao ponto de ser o principal responsável pela sua formação acadêmica.

1.2. Metodologia

A observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações. Marconi e


Lakatos (2006, p. 192) conceituam que: “Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também
em examinar fatos ou fenômenos que se desejam estudar”.

O trabalho foi fundamentado por pesquisas bibliográficas que segundo Silva (2008, p.54),
“Essa pesquisa explica e discute um tema ou problema com base em referências teóricas já
publicadas em livros, revistas, artigos científicos”.
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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Responsabilidade

A palavra responsabilidade na sua etimologia latina é responder, portanto, responder e faz


referência a uma “situação psicológica na qual o sujeito é necessitado a responder ou
existencialmente, ou juridicamente ou moralmente. É necessidade de resposta adequada
para salvaguardar a integridade do apelado” (MENEGHETTI, 200:211)

A pessoa com forma mentis justa se interroga sobre as causas primeiras daquilo que
acontece, buscando colher as eventuais próprias responsabilidades. É madura, tem um
sentido de responsabilidade e autocrítica construtiva e não atribui ao externo as culpas ou
causas dos eventos que a envolvem diretamente. (MENCARELLI, 2005).

Portanto a responsabilidade é o dever de arcar com as consequências do próprio


comportamento ou de outras pessoas. É uma obrigação jurídica concluída a partir do
desrespeito de algum direito.

2.2. Autonomia

O termo autonomia vem de duas palavras gregas: autos (si mesmo) e nomosla (a lei, a
regra). Ele aparece nos textos antigos para definir a condição de uma cidade que não é
submetida a uma dominação exterior.

Autonomia: refere-se à capacidade da pessoa de agir livremente e autonomamente, fazendo


referência somente ao próprio critério interno. A pessoa com uma forma mentis justa, é
autônoma no sentido que age sem fazer-se influenciar por pessoas ou situações, ou sem
que seja necessário a sustentação ou a assistência de um chefe ou de uma pessoa amiga:
demonstra de ter autonomia no operar, e isto é ligado também à autoestima e a maturidade
(MENCARELLI: 2005).

De acordo com MENEGHETTI (2010, p. 161) autonomia “significa fazer lei segundo a
própria identidade específica”. Se verificada no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa,
indica capacidade de se autogovernar. A partir da compreensão do filósofo Immanuel Kant
(1724-1804), é a capacidade apresentada pela vontade humana de se autodeterminar
segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho
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ou exógeno com uma influência subjugante. E autônomo significa indivíduo dotado de


faculdade de determinar as próprias normas de condutas, sem imposição de outrem.
Portanto baseando-se no raciocínio exposto acima, um ambiente que estimule o
desenvolvimento da responsabilidade e da autonomia do indivíduo gera a oportunidade de
que ele desenvolva sua inteligência.

2.3. Responsabilidade e autonomia do estudante no ensino superior

O ingresso no ensino superior pressupõe a aquisição de habilidades e atitudes específicas


da vida académica e principalmente a capacidade de participar da construção dos
conhecimentos científico a partir da investigação e da pesquisa. Para isso, há necessidade
de que sejam explícitas as relações entre o processo de ensino e aprendizagem e
conhecimento no âmbito da vida universitária. A Iniciação à vida académica, a
possibilidade de construir o conhecimento é o que diferencia o ser humano de outros seres.
O conhecimento é “ o elemento específico fundamental na construção do destino da
humanidade” e todos os sistemas educativos são organizados em função da produção,
reprodução, conservação, sistematização, organização, transmissão e universalização do
conhecimento. De modo particular esse processo se verifica na educação superior. A
universidade na sua essência assume o papel de construtora de conhecimento na sua
tríplice vocação: pela pesquisa, pelo ensino e pela extensão. A universidade deve ser um
espaço de busca do saber (pesquisa), de mediação pedagógica (ensino) e que propicia o
melhoramento da existência humana a partir da intervenção na sociedade (extensão). Nesta
tríplice função da universidade acontece a produção, a transmissão e a aplicação do
conhecimento que exige a responsabilidade e autonomia do estudante para desenvolver
certas competências que o permitem ser diferente de estudantes de outros níveis de ensino.
(SEVERINO 2007:27).

Segundo MATTAR (2008), a experiência da universidade é uma das mais marcantes na


vida de um ser humano. O estudante passa, durante o período em que está cursando a
universidade, por diversas mudanças, como mudanças de aprendizado e cognitivas, de
atitudes e valores, psicológicos e sociais, além do desenvolvimento moral.
2.3.1. Competências e autonomia na vida académica
Competências e autonomia na vida académica segundo TEIXEIRA (2000) classifica em
três as principais competências a serem desenvolvidas pelo estudante universitário que se
resumem em três actos: estudar, ler e escrever textos.
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a) Acto de estudar: Ao chegar à universidade os estudantes enfrentam três tipos de


imaturidades:
 Cultural, que tem a ver com a apropriação dos aspectos do mundo que nos rodeia;
 Psicológica, relacionada com a definição clara de objectivos e aspirações e,
 Lógica, com falta de sequência lógica nos seus argumentos.

Há que ter em conta que estudar depende da capacidade de fazer escolhas e organizar-se
nos seus hábitos. Essas habilidades devem ser aprendidas para que se tenha sucesso na vida
universitária. A mesma autora enfatiza que há dois modos de aprender: o modo aquisitivo,
no qual aprende-se através do que diz o professor ou os livros e ainda, o interativo, em que
o aluno se envolve, participa e interpreta dando sentido o que o professor e os alunos
dizem. Alguns aspectos são importantes para o acto de estudar tais como: a atenção; a
memória (que é diferente do decorar) e a associação de ideias, esta última enquanto
capacidade que possibilita ao estudante relacionar e evocar factos e ideias e que também
pode ser estimulada com diversos exercícios para criar o hábito de estudar é importante
desenvolver e organizar, o tempo para estudar, o material com que estudar e o local onde
estudar.

b) Acto de ler a leitura como é a prática de dar significado ao mundo que nos cerca,
as principais pistas para este acto são:
 Descobrir os conceitos chaves e compreendê-los;
 Identificar os autores que o autor cita e suas ideias e concepções;
 Descobrir a contribuição própria do autor lido ao tema em questão e,
 Verificar se o pensamento do autor está vinculado a algum paradigma.

Para resumir e analisar um texto algumas questões são pertinentes, tais como: o que o autor
afirma? Qual é o significado da afirmação do autor? Onde se verifica tal problema? Quais
as partes que constituem o texto? Quais são as ideias essenciais? Qual é o valor lógico das
ideias? E, como pensar ou agir perante conhecimento adquirido? Uma boa leitura deve
activar na mente as seguintes funções: apreensão, entendimento, aplicação, análise, síntese,
julgamento e criatividade.

c) Acto de escrever textos: A universidade é um lugar de excelência para a produção


de textos. E todo estudante deve iniciar-se na arte de escrever seus próprios textos a
partir de sua experiência de vida. (TEIXEIRA: 2000:36).
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Os textos em sua estrutura precisam ter uma coerência, que é o encadeamento das
ideias sem oposição e com valor de verdade e ainda, a coesão, que é o encadeamento
lógico das ideias. Para o estudante escrever textos necessita de seguintes
conhecimentos prévios:

 Conhecimento linguísticos;
 Tipos de textos – se é descritivo, narrativo e dissertativo e,
 Conhecimento do mundo, o que normalmente denomina-se de cultura
geral, que é apreendida com muita leitura.

Na universidade pode-se considerar um bom estudante aquele que sabe estudar, ler e
escrever texto. É preciso enfatizar que essas habilidades estão em estrita ligação entre
elas e são apreendidas a partir da exercitação.

SEVERINO (2007: pg.38) afirma com razão que “a aprendizagem, em nível


universitário, só se realiza mediante o esforço individualizado e autónomo do aluno”.
Isso significa dizer que o que faz a universidade boa ou má é o estudante, este é o
principal ator do processo, pela sua participação no processo de construção do
conhecimento. Nesta unidade, da disciplina de Metodologia de Investigação Científica
deu-se ênfase à necessidade de cada estudante participar do processo da construção do
conhecimento que lhe será útil na sua vida profissional. Para isso, alguns instrumentos
se tornam fundamentais, a começar pelo hábito de criação de uma pequena biblioteca
pessoal, com aquisição de livros fundamentais para o seu estudo, tais como dicionários
e algumas bibliografias mais especializadas. Um outro aspecto não menos importante é
a disciplina no estudo. Porque o nível de exigência dos professores universitários é
diferente dos do ensino primário e secundário, é importante que cada estudante crie sua
própria rotina de trabalho (estudos, leitura e realização de trabalhos), para rentabilizar o
pouco tempo que dispõe. Isto pode permitir que participe dos debates em sala de aula.
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3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho foi constituído com intenção de se observar a correlação existente entre um
contexto educacional construído para a provocação da responsabilidade e da autonomia,
que por meio de problemas reais, provoca um comportamento autônomo no aluno e uma
consequente tendência a adoção de uma abordagem profunda ao estudo por parte do
mesmo.

Em suma, este estudo pode contribuir não só para o corpo docente, mas também para o
corpo discente de instituições de ensino superior. Para o docente, há a oportunidade de um
melhor entendimento do seu papel no processo de aprendizagem, o que pode auxiliá-lo em
como despertar a inteligência presente em seus alunos, através de métodos de ensino
diferenciados. Para o discente também é possível um melhor entendimento de como deve
operar para aproveitar as oportunidades de desenvolvimento lançadas em sua direção.
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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KANT, I. Crítica da razão pura. 3 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987. Vol. I.

MENMENEGHETTI, A. Nova Fronda Virescit. Introdução à Ontopsicologia para jovens.


Vol. 1, Recanto Maestro: Ontopsicológica Editrice, 2006.
MENEGHETTI, A. Manual de Ontopsicologia. 4. ed. Recanto Maestro: Ontopsicológica
Editora Universitária, 2010.
MENEGHETTI, A. Dicionário de Ontopsicologia. Recanto Maestro: Ontopsicológica
Editora Universitária, 2012. EGHETTI, A. Nova Fronda Virescit. Introdução à
Ontopsicologia para jovens. Vol. 1, Recanto Maestro: Ontopsicológica Editrice, 2006.
MATTAR, João. Metodologia de Científica, na era da Informática. 9ª. Ed. Saraiva: São
Paulo, 2008.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 23 ed. São Paulo:
Cortez, 2007.
TEIXEIRA, Elizabeth. As Três Metodologias: Acadêmica, da ciência e da pesquisa. 5 ed.
Belém: UNAMA, 2001.

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