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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS

DISCIPLINA: SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO


DOCENTES: ELEANOR GOMES DA SILVA PALHANOS e IZABELA JATENE DE
SOUZA
DISCENTE: RAPHAEL CABRAL FACCO / MAT.: 201705540056

Questões - Educação e Sociologia - Émile Durkheim

BELÉM/PA, 03/2021
1 - Mas, afinal, como o E. Durkheim concebe o fenômeno educativo?

Durkheim concebe a educação para além da pura e simples escolarização, ele foi
pioneiro na ampliação do do sentido de educação como mera ferramenta de aprimoramento
do ser individual, ou seja, além de um ser individual, a educação é, para este sociólogo
essencialmente um processo de socialização. O pioneirismo se dá justamente nessa
concepção de ser social, qual seja, inserido em uma sociedade, com valores, morais, e
éticos. Esse ser social assimila normas e princípios que vão nortear a sua conduta na
sociedade. Fica claro então que para Durkheim pais e professores devem ensinar as
crianças com base em um ideal que seja compartilhado pela sociedade, buscando assim
também a manutenção da coesão social. Em resumo, para Durkheim a educação “...tem
como objetivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de estados físicos,
intelectuais e morais exigidas tanto pelo conjunto da sociedade política quanto pelo meio
específico ao qual ela está destinada em particular. (p. 13)”

2 - Por que Durkheim não aceita o cerne dos postulados teóricos de Stuart Mill ,
Immanuel Kant e a James Mill?

Em sua obra "Educação e Sociologia" Durkheim aborda a ideia dos três autores em
relação à educação. No caso dos dois primeiros ele discorda da concepção de educação
ideal que tais autores abordam em suas definições, pois a educação varia com o tempo e o
local. "Stuart Mill diz que ela compreende 'tudo o que fazemos por conta própria e tudo o
que os outros fazem para nós com o objetivo de nos aproximar da perfeição da nossa
natureza'" (p. 43). Ora, Durkheim compreende que tal definição pode gerar muitas
confusões pois para ele "a ação das coisas sobre os homens difere muito da que provém
dos próprios homens; e a ação entre homens pertencentes à mesma faixa etária difere da
que os adultos exercem sobre os mais jovens. O que nos interessa aqui é somente esta
última, à qual, por conseguinte, convém reservar a palavra educação" (p. 43). Buscando
elucidar esse conceito de educação Durkheim nos traz a ideia de Kant a respeito, segundo
ele "O objetivo da educação é desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição da qual ele é
capaz" (p. 44). Na ideia durkheimiana esse ideal apesar de desejável não pode ser atingido,
pois acaba contradizendo uma outra regra da conduta humana, "é a que faz com que nos
dediquemos a uma tarefa específica e restrita", ou seja, dentro da visão funcionalista do
autor todos temos funções diferentes a desempenhar dentro da sociedade. É possível
perceber também que Kant coloca o fator individual que determina a educação, enquanto
para Durkheim é o fator social, assim é impossível atingir a perfeição pois existem uma
série de fatores histórico sociais que influenciam na educação das pessoas.

Já para James Mill há uma definição utilitarista segundo Durkheim, sendo que a
educação teria como objetivo "transformar o indivíduo em um instrumento de felicidade para
si mesmo e seus semelhantes" (p. 45). Aqui também existe uma certa visão de perfeição e
ideal, assim como em Kant e John Stuart Mill, porém a maior divergência que Durkheim
acredita que a felicidade é muito subjetiva pois varia entre os indivíduos, sendo assim a
Definição de James Mill indeterminada.
3- Qual o papel do Estado na organização do sistema de ensino, na concepção de
E. Durkheim?

Como para Durkheim a educação desempenha uma função coletiva e tem como
papel preparar e adaptar a criança para o convívio no meio social está destinada a viver não
é possível deixar somente a mercê dos indivíduos esse papel. Como as crianças pertencem
aos pais, e cabe a estes dirigir o seu desenvolvimento intelectual e moral, o papel do Estado
deve ser o de fornecer meios para auxiliar nesse processo fornecendo escolas para que os
pais possam colocar seus filhos, mas o papel do Estado não deve ser reduzido somente a
isso, até porque como já foi citado anteriormente a educação possui uma função coletiva.
Com isto posto é claro que a sociedade deve participar deste processo de forma incisiva,
obrigando uma ação pedagógica com sentido social, caso contrário cada Estado poderia
realizar o processo como bem entendesse podendo fragmentar as pátrias gerando conflitos
sociais. Sendo a educação uma função essencialmente social, o Estado deve mostrar
interesse nela, assim tudo que envolve educação deve ser submetido a sua ação, o que
não implica em um monopólio, principalmente em uma sociedade onde muitas vezes o
indivíduo é o propulsor da inovação. Assim, caso existam escolas que não estão sob a
coordenação do Estado podem e devem sofrer intervenção. Como em nossa sociedade já
existe um certo número de princípios essenciais reconhecidos por todos, cabe ao Estado
então identificar os princípios e fazer com que sejam ensinados nas escolas.

4 - Como Durkheim define o papel do professor como indivíduo e dos professores


enquanto corpo profissional?

Como para Durkheim a educação possui papel de formação do ser individual em um


ser social, é natural que a função do professor seja a de transformar o indivíduo em uma
pessoa preparada para o convívio social, para o autor o professor era o "intérprete das
grandes idéias morais de seu tempo e de seu país”. Na sua obra Educação e Sociologia o
autor mostra que a criança se encontra em um estado natural de passividade, e dentro
disso "a primazia que a professor tem naturalmente sobre o aluno, devido a superioridade
de sua experiência e cultura, abastece naturalmente a sua ação com a eficácia que lhe é
necessária". Ou seja, o professor acaba tendo um papel de autoridade dentro desse
contexto, assim como o autor defende em sua obra , é preciso que eles encarnem e
personifiquem o dever para ela. Isto significa que a autoridade moral é a principal qualidade
do educador, pois é através desta autoridade contida nele que o dever é dever.". Mas
Durkheim ressalta que essa autoridade nada tem a ver com violência ou repressão, mas
sim uma autoridade moral, e para isso primeiro o professor deve possuir determinação, para
ganhar a confiança da criança e segundo sentir dentro de si essa autoridade, pois deve
transmitir tal sentimento. A autoridade demonstrada por Durkheim não envolve orgulho nem
vaidade, na verdade, "Ela é inteiramente construída pelo respeito que ele nutre com relação
as suas funções e, se podemos falar assim, ao seu ministério. É este respeito que, através
da palavra e da linguagem gestual, é transmitido da sua consciência para a da criança."

Em relação ao corpo de educadores, podem ser encontradas algumas conclusões


do autor em sua obra, como por exemplo,"Enfim, a opinião, o legislador, a administração, os
pais e os professores devem, o tempo todo, fazer escolhas, seja para reformar
profundamente as instituições ou fazê-las funcionarem no cotidiano.". Para o autor é
importante também que o corpo pedagógico faça uso de práticas estabelecidas e métodos
que tenham sido consagrados pelo uso, mas sem perder uma visão de futuro e suas
tendências e até mesmo aspirações de novos ideais.

5 - Qual o papel da “inteligência da moral” ao lado da autonomia da vontade?

Fruto de um dos elementos da moralidade, a autonomia descrita por Durkheim


refere-se a poder agir com liberdade, porém com inteligência, por isso o termo "inteligência
da moral". Claro que a criança deve possuir autonomia porém esta deve ser exercida de
forma regulada e ordenada, ou seja, a obediência ocorre com conhecimento de causa e de
forma voluntária. Nesse sentido a inteligência é mais um elemento da moralidade dentro da
sociedade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.

DE MELO, Carlos Augusto Sebastião. O que Émile Durkheim falou sobre a


educação?. Médium, 2018. Disponível em:
<https://medium.com/@Cezarsezar/o-que-%C3%A9mile-durkheim-falou-sobre-a-educa%C3
%A7%C3%A3o-63f88b784ca5>. Acesso em: 28 de março de 2021.

FERRARI, Márcio. Émile Durkheim, o criador da sociologia da educação. Nova


Escola, 2008. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/456/criador-sociologia-educacao>. Acesso em: 28 de
março de 2021.

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