Você está na página 1de 1

NOMOFOBIA: a neuropsicologia do vicio na internet

Luciana Ferreira Dos Anjos


Matheus de Sousa Bermerguy

A nomofobia é um termo originado da expressão “no mobile” – sem celular – e da palavra


grega “fobos” (medo), designando o medo de ficar sem celular ou desconectado. O quadro
consiste em uma patologia já reconhecida por profissionais da psicologia; porém, ainda não
incluso Manual Diagnostico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), devido ao repertorio
de informações referentes a sua sintomatologia, mecanismos de ação e interpretações
psicológicas ainda ser carente. Em decorrência deste fato, este trabalho, feito através de uma
revisão bibliográfica em artigos, revistas, livros e bases de dados virtuais vem apresentar
como a nomofobia ocorre a nível neuropsicológico, com o intuito de sanar parte da carência
de dados existentes sobre este novo transtorno psicológico. A partir disso, o uso excessivo da
internet está fortemente relacionado ao neurotransmissor dopamina, ligada a sensação de
prazer, em razão de o meio virtual permitir facilmente a satisfação de necessidades como o
suporte social, a realização sexual ou criação de uma identidade. A satisfação de tais
necessidades causa uma liberação de dopamina no cérebro, como consequência, o cérebro do
indivíduo cria uma conexão neural entre o ato de usar a internet e o prazer, a qual será
convertida pelo hipocampo em uma memória de longo prazo devido seu caráter prazeroso.
Esteve evento será a base para um progressivo vicio na internet, em via o indivíduo se tornar
dependente do fluxo de dopamina liberado, de maneira a buscar repetir o comportamento
associado com este. Ainda neste ponto, esta relação entre o comportamento de utilizar a
internet e o prazer vivenciado, pois o constante estimulo desta conexão neural acarreta em
uma ocorrência denominada “potencialização de longo prazo”, a qual fortalece a relação
internet-prazer a cada novo reforço, com maiores chances de levar a efeitos deletérios a vida
social e profissional do usuário. Em outras palavras, quanto mais a dependência se estende,
maior se torna sua gravidade, com o sujeito tendo uma crescente necessidade de se manter
conectado por um período mais longo e com maior frequência, a despeito de seu desejo de
reduzir o uso. Dessa forma, a nomofobia apresenta uma etiologia similar a dependência por
uso de substancia, devido à crescente necessidade de uso apesar dos prejuízos dele oriundos.
Por fim, o quadro ainda requer a realização de estudos de campo para se melhor compreender
a sua influência na vida dos indivíduos e a melhor forma de se controlar os sintomas.
Palavras chave: Nomofobia; psicologia; neuropsicologia.

Você também pode gostar